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Agência Diap, 20
de abril de 2008
1º de Maio, Dia Internacional
do Trabalhador: o que fazer?
Por: Augusto César
Petta*
''A todos que saíram às
ruas,
De corpo-máquina cansado,
A todos que imploram feriado
As costas que a terra extenua
Primeiro de Maio!
Meu mundo, em primaveras,
Derrete a neve com sol gaio.
Sou operário - este é meu maio!
Sou camponês - este é o meu mês!
Sou ferro - eis o maio que quero!
Sou terra - o maio é minha era!''
(Meu Maio, Vladimir Maiakovski)
Em 1886, a cidade de Chicago, um dos principais pólos
industriais dos Estados Unidos, foi palco de importantes
manifestações operárias. No dia 1º de
maio, iniciou-se uma greve por melhores salários
e condições de trabalho, tendo como bandeira
prioritária a redução da jornada de
trabalho de 13 para 8 horas diárias. Os jornais
a serviço das classes dominantes, imediatamente
se manifestaram afirmando que os líderes operários
eram cafajestes, preguiçosos e canalhas.
No dia 3 de maio a greve ainda continuava e na frente
de uma das fábricas, a polícia matou seis
operários, deixando 50 feridos e centenas de presos.
No dia 4, houve uma grande manifestação de
protesto e os manifestantes foram atacados por 180 policiais,
que ocasionaram a morte de centenas de pessoas. Foi decretado
''Estado de Sítio'' e a proibição
de sair às ruas. Milhares de trabalhadores foram
presos, muitas sedes de sindicatos incendiadas e residências
de operários foram invadidas e saqueadas.
Os principais líderes do movimento grevista foram
condenados à morte na forca. Spies, Parsons, Engel
e Fisher foram executados no dia 11 de novembro de 1886,
enquanto que Lingg, também condenado, suicidou-se.
Em 1891, no 2º Congresso da Segunda Internacional,
realizado em Bruxelas, foi aprovada a resolução
histórica de estabelecer 1º de maio, como um
''dia de festa dos trabalhadores de todos os países,
durante o qual os trabalhadores devem manifestar os objetivos
comuns de suas reivindicações, bem como sua
solidariedade''.
No Brasil, as comemorações do 1º de
maio, também, estiveram relacionadas à luta
por melhores salários e pela redução
da jornada. A primeira manifestação registrada
ocorreu em Santos, em 1895. A data foi consolidada, quando
um decreto presidencial estabeleceu o 1º de maio como
feriado nacional, em 1925. A efeméride ganhou status
de ''dia oficial'', quando Getúlio Vargas era presidente
da República. Ele aproveitou o dia para anunciar,
em anos diferentes - fruto de intensas lutas dos trabalhadores
- os reajustes de salários mínimos e a redução
da jornada.
Em 2008, no dia 1º de maio, várias manifestações,
em todos os Estados, serão realizadas, coordenadas
pelas centrais sindicais - inclusive pela Central Dos Trabalhadores
e Trabalhadoras do Brasil (CTB). As reivindicações
prioritárias dos trabalhadores serão explicitadas
publicamente, fazendo com que o 1º de maio seja um
dia de luta.São elas:
* Redução da jornada de trabalho
sem redução de salário
* Reforma agrária
* Ratificação da convenção 158 da OIT,
que impede demissão imotivada
* Ratificação da convenção 151 da OIT,
que trata da negociação dos servidores públicos
* Fim do fator previdenciário
No dia 1º de maio, os dirigentes sindicais, ao mesmo
tempo que lutam para que a sociedade seja mais justa precisam
conscientizar os trabalhadores para que estes entendam
que todos os direitos que temos hoje, mesmo que precários,
são decorrência da luta desenvolvida pelos
próprios trabalhadores em épocas diferentes
e nos vários países. Muitos líderes
perderam a vida e a eles devemos prestar nossas homenagens,
inclusive aos ''Mártires de Chicago''.
O que os dirigentes sindicais devem fazer?
Atividade principal: mobilizar a diretoria da entidade
e a categoria em geral, para estar presente nas manifestações
de 1º de maio, isto é nos atos, passeatas,
panfletagens e outros tipos de atividades desenvolvidas
pelas várias entidades conjuntamente.
Na semana que antecede 1º de maio, e no próprio
dia, a CTB estará empenhada em colher assinaturas
pela redução da jornada de 44 para 40 horas,
reforçando o projeto de lei dos atuais senadores
Paulo Paim (PT/RS) e Inácio Arruda (PCdoB/CE).
Conceição Aparecida Fornasari, professora
da Unimep, diretora do Sindicato dos Professores de Campinas
e Região e da direção do PCdoB de
Santa Bárbara do Oeste apresenta algumas sugestões
do que as entidades sindicais poderão realizar,
além de participarem das manifestações
acima descritas:
1. Leitura de textos, poemas e projeção
de filmes específicos com o objetivo de suscitar
o debate sobre o Dia Internacional dos Trabalhadores, sua
lutas e vitórias.
Sugestões de filmes:
Eles não usam black tie; Braços cruzados,
Mäquinas paradas; Linha de Montagem; ABC da Greve;
Os Peões; Segunda-Feira ao Sol; Tempos Modernos;
Classe Operária vai ao Paraíso; Os Libertários;
Germinal; Pão e Flores; Outubro; Terra e Liberdade;
As Margaridas; A Luta pela Terra; Expedito em busca de
outros Nortes; Morte e Vida Severina; O Canto da Terra;
Terra para Rose; Patativa do Assaré o Poeta do Povo.
Sugestão de textos:
Alguns autores importantes para a compreensão das lutas operárias
e do sindicalismo, entre outros: Altamiro Borges e Antonio Augusto
de Queiroz; Augusto César Buonicore; João Batista Lemos;
João Guilherme Vargas Netto; José Carlos Ruy; Osvaldo
Bertolino; Sergio Barroso; Umberto Martins (todos esses, colunistas
do Vermelho); Armando Boito Júnior; Giovanni Alves; Marcio Pochmann.
Sugestões de endereços eletrônicos:
www.vermelho.org.br
www.dieese.org.br
www.diap.org.br
www.mtb.gov.br
www.oit.org.br
2. Poderá também ser realizado
um fórum de debates com temas específicos
sobre a situação específica da mulher
trabalhadora, do trabalho infantil, do trabalho escravo.
As manifestações e demais atividades relativas
ao 1º de maio serão base para o dia nacional
de luta e paralisações - 28 de maio, cujas
bandeiras principais serão redução
da jornada e ratificação das convenções
151 e 158 da OIT.
Desejo a todos os leitores um bom 1º de maio com
muita luta, manifestações, atividades e homenagens
a todos que contribuíram para que os trabalhadores
conquistassem direitos e caminhassem rumo a uma sociedade
justa e democrática.
(*) Diretor do Sindicato dos Professores
de Campinas e Região e do Centro de Estudos Sindicais
(CES).
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Diário Vermelho,
20 de abril de 2008
Lula alfineta EUA e critica
etanol feito de milho
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu
neste sábado (19) que produtos que podem servir como
alimento não devem ser utilizados para fazer biocombustíveis
e criticou a produção de etanol a partir do
milho pelos Estados Unidos. A opção norte-americana
tem inflacionado o preço do milho e gerado problemas
de abastecimento em países como o México, que
depende do produto para ração animal.
“ As políticas de biocombustíveis
só têm um equívoco, que é a
decisão americana de produzir álcool do milho”,
disse Lula em seu primeiro compromisso oficial em Gana,
no palácio presidencial.
“ Certamente que isso reflete no preço de
um produto que é importante para a ração
animal, que é o milho”, justificou depois,
em conversa com a imprensa. “ Respeitando a autonomia
e a decisão de cada país, o que é recomendável é que
a gente produza os biocombustíveis de produtos que
não sejam alimento para a população”,
afirmou.
Críticas tendenciosas
Mais uma vez, Lula refutou as críticas crescentes
e incisivas – inclusive do relator especial da Organização
das Nações Unidas (ONU) para o direito à alimentação,
John Ziegler – de que a alta nos preços mundiais
dos alimentos se deve à produção de
biocombustíveis.
Segundo o presidente, a culpa da elevação
dos preços (45% nos últimos nove meses) se
deve muito mais ao aumento do custo do frete, causado pela
valorização do petróleo.
“É muito estranho alguém fazer críticas
aos biocombustíveis sem fazer nenhuma crítica
ao barril do petróleo, que subiu de US$ 30 para
US$ 103", afirmou.
O presidente defendeu a produção de energia
limpa como oportunidade de desenvolvimento dos países
mais pobres e negou que isso comprometa a produção
de alimentos.
“ No caso do Brasil, nós estamos provando
que é possível produzir biodiesel e aumentar
a produção agrícola, sobretudo na área
de grãos”, frisou.
“ Acho que teríamos um problema grave se
produzíssemos muito alimento e não tivéssemos
para quem vender”, ponderou, frisando que o atual
desafio é produzir mais alimentos para dar conta
do crescimento da demanda no mundo.
O presidente aproveitou para criticar o protecionismo
dos países ricos. Pediu o fim dos subsídios
concedidos pelas nações desenvolvidas aos
seus agricultores e a abertura dos mercados desenvolvidos
para produtos agrícolas dos países mais pobres.
“ Alguns países ricos não têm
mais como aumentar a sua produção agrícola.
Então, obrigatoriamente, eles terão que olhar
para o continente africano, terão que olhar para
a América Latina e perceber que somos nós
que temos terra, somos nós que temos as condições
de suprir as necessidades do crescimento da demanda por
alimento no mundo”, afirmou.
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Diário Vermelho,
20 de abril de 2008
Amorim cobra fim dos subsídios
contra alta dos alimentos
O ministro das Relações Exteriores,
Celso Amorim, reagiu, na sexta-feira (18), ao Fundo Monetário
Internacional (FMI) e propôs o fim de subsídios
agrícolas. O diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Khan,
declarou que o pior da crise dos alimentos ainda está por
vir, e que a culpa é dos biocombustíveis.
Após assinar acordos de cooperação
entre o Brasil e a Fundação para Agricultura
e Alimentação (FAO), ligada à Organização
das Nações Unidas (ONU), Amorim disse que,
se o mundo quiser combater a inflação dos
alimentos, é preciso acabar com os subsídios
agrícolas.
''Se o diretor-geral do FMI e o presidente do Banco Mundial
querem dar uma recomendação que realmente
melhore a produção de alimentos nestes países,
eles deveriam dizer o seguinte: 'Olha, em vez de reduzir
para US$ 14 bilhões [os subsídios dados pelos]
os Estados Unidos e US$ 20 bilhões [os subsídios
pagos pela] a Europa, reduz a zero'', sugeriu Celso Amorim.
“Como foi reconhecido pelo próprio diretor-geral
da FAO, o que impediu o crescimento da produção
de alimentos em países africanos e sul-americanos
foram os subsídios, não foi o biocombustível”,
afirmou o ministro.
Para Amorim, a produção de biocombustíveis
nos países em desenvolvimento não é a
causa da escassez de alimentos no mundo. “Pelo que
me consta, na África ninguém deixou de produzir
alimento para produzir biocombustível. Eles não
produziam alimentos e continuam sem produzir, porque os
subsídios agrícolas da Europa e dos EUA impedem
que isso ocorra”, completou.
Aliados
O FMI decidiu mesmo se aliar ao Banco Mundial contra
os biocombustíveis. E Strauss-Khan foi além:
o uso de produtos agrícolas alimentares para a produção
de biocombustíveis seria um verdadeiro problema
moral.
O diretor-geral do FMI estimou em centenas de milhares
de pessoas o número de potenciais afetados pela
alta dos preços de comida e lembrou que pior que
a fome é a desnutrição de crianças.
Esta semana, a bioenergia tinha sido condenada também
pelo relator da ONU, Jean Ziegler, que disse que a produção
e uso de biocombustíveis se transformaram em um "crime
contra a humanidade", devido aos problemas atuais
com o aumento dos preços dos alimentos. A resposta
do Brasil a essas declarações foram dadas
pelo presidente Lula, ao inaugurar na quarta-feira a 30ª Conferência
Regional da FAO, em Brasília.
"O verdadeiro crime contra a humanidade é relegar
os países pobres à miséria" e
fechar-lhes a porta do desenvolvimento, disse Lula na abertura
da conferência.
Fonte: G1
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Agência Brasil, 20
de abril de 2008
Madeiras apreendidas devem
ser transformadas em bancos escolares, diz Ibama
Danilo Macedo
Repórter da Agência Brasil
Brasília - As madeiras de origem ilegal apreendidas
por fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em ações
vinculadas à Operação Arco de Fogo,
iniciada em fevereiro, devem ser revertidas em bancos escolares
e outros móveis e imóveis de uso das instituições
públicas. A informação foi dada pelo
chefe de fiscalização do Ibama-DF, Ênio
Cardoso, em entrevista à Rádio Nacional.
“Nós já estamos com ações
para pedir o perdimento dessa madeira. Então, na
verdade, elas serão transformadas em bancos escolares,
armários escolares, em armários e casas para
instituições públicas. Quer dizer,
tudo que estamos fazendo é para as instituições
governamentais”, afirmou.
Realizada pelo Ibama, pela Polícia Federal e Força
Nacional de Segurança, a Operação
Arco de Fogo tem como objetivo combater a exploração
ilegal de madeira nos 36 municípios que mais desmataram
a Amazônia no ano passado. Apesar de estar bem distante
da região, Brasília, segundo Cardoso, é o
11º município em consumo de madeira da Amazônia.
No Distrito Federal, além de apreender caminhões
com cargas ilegais na divisa, o Ibama está fazendo
apreensões também nos depósitos de
madeireiras. Cardoso explicou que, enquanto um caminhão
carrega cerca de 25m³ de madeira, já foram
encontrados em algumas madeireiras até 600m³ do
produto. Desde o início da operação
na capital federal, há pouco mais de um mês,
cerca de 40 madeireiras com produto de origem ilegal já foram
auditadas, interditadas e multadas.
“Existe hoje um sistema que se chama Documento de
Origem Florestal (DOF). Esse documento funciona como crédito
e débito, como se fosse uma conta bancária.
Então, temos como rastrear de onde saiu essa madeira
por essa transação de compra e venda que
cai na rede de computadores do Ibama. Quando vamos lá e
verificamos que o estoque é maior do que se declarou,
com certeza a origem é ilegal”, explicou Cardoso.
Depois de verificada a irregularidade, a empresa é bloqueada
no sistema do Ibama e não pode mais fazer nenhum
transação com madeira. Além disso,
afirma Cardoso, a empresa é visitada toda semana
por fiscais para verificação do estoque,
que não pode aumentar. O valor da multa a ser aplicada
varia de R$ 100 a R$ 500 por metro cúbico de madeira
ilegal encontrado.
O transportador da madeira ilegal perde o caminhão
e a carga. “Porque todo instrumento utilizado na
prática de crime ambiental deve ser apreendido.
O caminhão é apreendido e o Ibama pede o
perdimento desse bem”, acrescenta o chefe de fiscalização
do Ibama-DF. Segundo ele, até hoje nenhum caminhoneiro
conseguiu recuperar um caminhão apreendido por esse
motivo.
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Gazeta do Povo, 20 de abril
de 2008
América Latina
Educação ruim
compromete avanço do PIB
Pesquisas comprovam a ligação
entre o tempo de estudo do cidadão e a evolução
econômica
Evaristo Sá/AFP
Estudantes de São Pedro,
no Acre, a 3 mil quilômetros de Brasília,
preenchem perfil de alunos latinos de baixa renda
Depois de comprovar a relação entre nível
de escolaridade e renda, pesquisadores agora apontam a
influência do desempenho dos estudantes no crescimento
do PIB do país. Conforme os jovens passam mais tempo
em sala de aula e aprendem mais, aumentam as chances de
o país crescer. Infelizmente, nada disso é suficiente
para despertar os emergentes países latino-americanos,
que continuam destinando verba insuficiente ou de forma
ineficiente para a educação básica.
Em geral, quanto mais anos nos bancos escolares, maior
será o salário futuro. E se a educação
traz vantagens no plano individual, ela também atua
coletivamente e influi nos rumos do país. Estudo
dos pesquisadores Eric A. Hanushek, da Universidade de
Stanford, e Ludger Wössmann, da Universidade de Munique,
publicado pelo Programa para a Reforma Educativa na América
Latina (Preal), em novembro, sugere que cada ano acrescido à escolaridade
média de um país eleva seu crescimento no
longo prazo em 0,58%. “Existe uma clara associação
entre as taxas de crescimento nacional e o nível
de educação”, concluem.
Em estudo publicado no ano 2000, Hanushek já havia
relacionado a qualidade da educação com o
desenvolvimento econômico das nações,
ligando a melhora no resultado médio na prova Pisa,
que compara alunos em 57 países, com a elevação
do PIB do país.
Para o Preal, isso ocorre porque a educação
eleva a produtividade dos trabalhadores e aumenta a capacidade
de inovação econômica. Com trabalhadores
mais “sabidos”, as empresas se tornam mais
capazes de adaptar novas tecnologias, produtos e processos.
Quanto maior a escolaridade dos trabalhadores, mais fácil
será a compreensão e o processamento de novas
informações e a implementação
de novas tecnologias.
Um cenário desses traria crescimento paulatino
mas estável à América Latina. O problema é que,
aparentemente, o tema recebe pouca atenção. “Estamos
muito longe dos países competitivos, nos últimos
lugares, e isso dificulta o desenvolvimento. A educação
de qualidade é para poucos e o investimento continua
baixo. Investimos menos (que os países desenvolvidos)
e não investimos bem.” A descrição é do
coordenador da Organização das Nações
Unidas para a Educação (Unesco) para América
Latina e Caribe, Alfredo Rojas.
A Unesco recomenda investir pelo menos 6% do PIB nas escolas,
mas os países latinos lhes dedicam uma média
de 4%. No caso do Brasil, o orçamento deste ano
para educação de base é de R$ 15 bilhões,
o que, somado ao dinheiro estadual e municipal, significa
cerca de US$ 1 mil por criança/ano. “O ideal
seria termos mais de R$ 3 mil por criança/ ano.
E a situação piora com o desvio de dinheiro
e a ineficiência”, avalia o senador Cristovam
Buarque, membro da comissão de Educação
do Senado. EUA e Inglaterra investem cerca de US$ 10 mil
por aluno/ano.
O pior é que, proporcionalmente, vai mais dinheiro
para a educação superior, que atinge apenas
um terço dos alunos.
“O dinheiro que vai para a educação
básica é pouco se levada em conta a proporção
de crianças”, diz o ex-ministro de Educação
Paulo Renato Souza, deputado federal e membro do conselho
do Preal. Há muito mais alunos na educação
de base do que no ensino superior, mas este leva três
vezes mais verba por aluno do que o ensino fundamental.
A Nicarágua tem a maior diferença (sete vezes).
Deficiências
Mas só dinheiro não resolverá as
falhas do ensino latino. Outras deficiências, além
do baixo investimento, são apontadas pelo Preal:
a falta de critérios claros para avaliar o aprendizado,
a dependência de financiamento externo e a falta
de continuidade e pessoal. Como resultado, a repetência é alta
e custa ao subcontinente US$ 11 bilhões por ano.
Outro problema é a diferença de escolaridade
entre ricos e pobres. Uma análise do Preal em 19
países latinos no ano 2000 revelou, entre outras
disparidades, que os 20% mais ricos do Brasil estudavam
sete anos a mais do que os 20% mais pobres. A diferença é equivalente à registrada
no México e só inferior à da Guatemala
e Bolívia.
Problemas que atrapalham os planos dos emergentes. “Existe
uma clara relação entre desenvolvimento e
educação. Nenhuma nação se
torna uma democracia plena sem oferecê-la com qualidade.
Os países mais avançados do mundo são
também os mais avançados no ensino”,
diz o assessor da Unesco no Brasil, Célio da Cunha.
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Folha de Londrina, 20 de
abril de 2008
Campanha pelas Diretas completa
25 anos
Movimento símbolo da resistência
contra a ditadura uniu partidos pelo direito de eleger um
presidente
Arquivo FOLHA/AE
Comício que marcou início
do movimento aconteceu em São Paulo, no aniversário
da cidade, e reuniu mais de um milhão de pessoas
São Paulo - Há 25 anos, o movimento pelas Diretas arrastou
uma multidão às ruas. O movimento começou em 1983
e tomou corpo no ano seguinte - 1984. Para alguns parlamentares, o
movimento simbolizou a resistência contra a ditadura. Historiadores
afirmam que manifestações só aconteceram porque
os militares estavam impedidos de reprimi-las.
O historiador e cientista político Octaciano Nogueira,
professor da Universidade de Brasília (UnB), diz
que as manifestações só foram possíveis
porque em outubro de 1978 o então presidente Ernesto
Geisel encaminhou a emenda constitucional número
11, que dava os primeiros passos em direção à redemocratização
do Brasil.
''A emenda propunha a revogação de todos
os Atos Institucionais e acabava com o bipartidarismo'',
afirma Nogueira. ''Sem os atos, a repressão perdeu
o respaldo legal.''
Com o regime impossibilitado de reprimir opositores e
de cassar parlamentares, segundo ele, a organização
de manifestações contra a ditadura aconteceria
a qualquer momento.
Em 1980, a eleição direta para governador é restabelecida
por meio de uma nova emenda, e em 1982 o pleito é realizado.
''Grandes lideranças democráticas ganharam
aquelas eleições, como Tancredo Neves, em
Minas Gerais, e Franco Monto, em São Paulo'', lembra
o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um dos líderes
do movimento. ''A partir de então, o clima mudou.
Era natural o desejo de eleger um presidente da República
pelo voto direto.''
''Faltava ao Brasil (naquela época) o direito de
escolher seu presidente'', diz Nogueira. ''Essa possibilidade
gerou no Brasil um sentimento cívico muito forte'',
diz o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que na época
era deputado federal.
Foi nesse clima que o deputado Dante Martins de Oliveira,
falecido em 2006, apresentou uma emenda propondo eleição
direta para presidente da República, em março
de 1983.
''A campanha das Diretas-Já só foi lançada
para forçar a Câmara a votar a 'Emenda Dante
de Oliveira', como ela ficou conhecida'', diz Nogueira.
A partir de então, uma série de comícios
tomou conta do País.
Os comícios
O primeiro grande comício foi realizado na cidade
de Abreu e Lima, em Pernambuco, em março de 1983.
Em novembro de 1983, cerca de 10 mil pessoas se reuniram
na praça Charles Miller, em frente ao estádio
do Pacaembu, na zona oeste de São Paulo, para pedir
o restabelecimento das eleições diretas no
País.
''Este foi o primeiro comício que participei'',
diz o senador Eduardo Suplicy. ''Não percebi nenhuma
possibilidade de repressão por parte dos militares.
O que havia era um entusiasmo muito grande.''
Ele conta que havia uma certa tensão entre os políticos
do MDB e do PT, que se revezaram na organização
dos primeiros comícios. ''Mas logo as lideranças
dos principais partidos se uniram para organizar as manifestações
seguintes'', diz o senador.
''Esse comício foi organizado pelo PT e eu fui
até lá representando o PMDB'', diz Fernando
Henrique. ''Eu só não levei uma vaia dos
petistas porque, assim que cheguei, anunciei a morte do
Teotônio Vilela, (um dos principais representantes
da luta pela democracia).''
A partir de então, as passeatas e comícios
ganhavam cada vez mais importância. No dia 25 de
janeiro de 1984, um comício na praça da Sé,
região central de São Paulo, reuniu de 200
mil a 300 mil pessoas.
''O comício que marca o início do movimento
aconteceu em São Paulo dia 25, no aniversário
da cidade'', afirma FHC. ''Ninguém esperava tanta
gente. Os alto-falantes não eram suficientes para
chegar à multidão que tomou a praça.
Foi a partir daí que a imprensa começou a
divulgar o movimento.''
No Rio, os comícios eram realizados em frente à Igreja
da Candelária. Um dos comícios mais importantes
foi realizado em abril daquele ano, no Vale do Anhangabaú,
centro de São Paulo.
Segundo Nogueira, o número de pessoas que participaram
dos comícios no Rio e São Paulo foram inflacionados.
No Anhangabaú, por exemplo, havia quem dizia que
o comício havia levado mais de 1,5 milhão
para o local. ''Como havia um interesse nacional muito
grande, cada um dava o número que queria.''
Mas Suplicy afirma de pés juntos que havia mais
de 1 milhão de pessoas no Anhangabaú. ''Eu
lembro da aglomeração. A estimativa de público
foi feita pela polícia militar e pela imprensa.
Além disso, o Vale era maior naquela época'',
diz.
Wanderley Preite Sobrinho
Folhapress
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O Estado do Paraná,
20 de abril de 2008
Aécio é candidato
a presidente, reconhece líder tucano
Christiane Samarco - Agência
Estado
Mudou a predisposição política do governador de
Minas, Aécio Neves (PSDB). De um "grande eleitor" na
escolha do futuro candidato tucano à sucessão do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, ele evoluiu para a decisão de
disputar com o governador de São Paulo, José Serra, a vaga
de candidato do PSDB ao Palácio do Planalto em 2010. Quem prevê disputa
em ninho tucano na corrida sucessória é o próprio
presidente nacional do partido, o senador Sérgio Guerra (PE): "Tive
uma conversa franca com Aécio e saí do encontro sem nenhuma
dúvida de que o que está na cabeça dele é ser
candidato a presidente."
Aos tucanos que sonhavam com uma chapa "puro-sangue" encabeçada
por Serra, com o mineiro como vice, Aécio mandou
um recado curto e claro, frisando que a chance de ser vice
de Serra "é zero".
Até o mês passado, a cúpula do PSDB
não via em Aécio uma alternativa concreta
para suceder Lula. A avaliação era de que
o governador se articulava apenas para ganhar espaço
de poder no partido e forçar que a candidatura Serra
passasse por Minas e por ele, em particular. Hoje, no entanto,
até os serristas mais empenhados em defender a primazia
de Serra no PSDB concordam com Guerra e apostam que Aécio
quer mesmo ser o candidato do partido ao Planalto.
Enquanto boa parte do tucanato não levava muito
a sério a movimentação política
de Aécio, o PMDB, que sonha em filiar o governador
mineiro e transformá-lo em candidato do partido à sucessão
de Lula, não escondia o entusiasmo crescente com
a candidatura.
Companheiro de Aécio na Câmara por 16 anos,
o líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves
(RN), admite que o governador lutará para ser o
candidato do PSDB com a força político-eleitoral
de Minas. Mas não vê nisto motivo algum para
desistir do projeto Aécio no PMDB.
A aposta do líder peemedebista é de que,
no PSDB, "a maioria avalia que a vez é de Serra,
até porque ele está mais bem posicionado
nas pesquisas em decorrência do recall da disputa
contra Lula em 2002". Assim como Guerra, ele diz que
Aécio é "candidatíssimo" e
opera na tentativa de mostrar ao PSDB que, mesmo com a
metade do nível de conhecimento de Serra Brasil
afora, é ele quem hoje agrega mais apoios.
"Achamos que o Serra não abrirá mão
da candidatura para Aécio", revela o líder
peemedebista. "Como é a hora dos dois e só há vaga
para um no PSDB, trabalhamos para que Aécio volte
ao PMDB e seja o candidato da base governista, com apoio
do presidente. Lula tem nos estimulado a prosseguir neste
trabalho."
Engano
Guerra, no entanto, não vê nenhuma possibilidade
de um governador com bico e pena de tucano ser candidato
do presidente . "O Lula está enganando todos
nós. Ele vai de Dilma e vai para ganhar, não
para perder", opina o senador, convencido de que o
presidente não tem plano B fora do PT. "O projeto
de Lula é eleger um sucessor petista. O resto não
passa de conversa de um político extremamente hábil."
Setores do PT, no entanto, não descartam essa possibilidade. É fato
que, logo de início, petistas empenhados em fazer
o sucessor de Lula tornaram público o incômodo
com os movimentos do governador mineiro. Houve protestos
contra a proximidade entre Aécio e Lula, que tiveram
inúmeros encontros, e contra o acordo eleitoral
entre o PSDB mineiro e o PT do prefeito de Belo Horizonte,
Fernando Pimentel.
O vice-líder do governo no Congresso, deputado
Walter Pinheiro (PT-BA), é um dos que admitem publicamente
que o PT não tem um nome forte para enfrentar a
disputa. Neste cenário, raciocina, uma candidatura
Aécio traria vantagens ao governo porque racharia
o PSDB.
Pinheiro admite que Lula possa vir a apoiar um candidato
da base aliada, fora do PT. "Com Aécio no PMDB, é só a
gente grudar uma estrela no bico de tucano dele e pronto",
brincou o deputado, ao defender a tese de que Lula pode
sair vitorioso elegendo um petista ou um aliado.
Apesar dessa avaliação, Pinheiro também
aposta que o PT terá candidato. Além da ministra
Dilma, já lançada por Lula como a "mãe
do PAC", setores do partido trabalham com a alternativa
da ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT).
Essa possibilidade entra em conta caso ela imponha uma
forte derrota ao PSDB paulista e vença a briga pela
prefeitura da capital nas eleições de outubro.
Para os petistas que crêem que a prioridade de Lula é derrotar
Serra em 2010, a grande vantagem de uma candidatura Marta
seria a de dividir o eleitorado paulista.
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O Estado do Paraná,
20 de abril de 2008
Direito e Justiça
Extinção do fator
previdenciário e aumento aos aposentados
Edésio Passos
Aprovados três projetos de lei pelo Senado: (1) extinção
do fator previdenciário (2) estende aos aposentados e pensionistas
que recebem mais de um salário mínimo os aumentos reais
do salário mínimo (3) regulamenta a EC 29, aumentando o
percentual orçamentário destinado aos gastos com saúde.
Os três projetos de lei serão, ainda, debatidos e votados
na Câmara dos Deputados.
Bomba fiscal
O primeiro, de autoria do senador Paulo Paim (PT/RS),
ao extingüir o fator previdenciário (PLS 296/03),
altera a forma de cálculo do pagamento da Previdência
Social, que leva em conta a idade no momento da aposentadoria,
o tempo de contribuição e a expectativa de
vida da população. É um redutor que
estimula o trabalhador a se manter mais tempo no sistema
dos contribuintes, adiando a aposentadoria integral. Segundo
José Cechin, superintendente do Instituto de Estudos
de Saúde Suplementar e ministro da Previdência
no governo FHC, a extinção do fator previdenciário “é uma
bomba fiscal que desfaz tudo que foi evitado desde 1998.
O fator previdenciário é um grande incentivo
que o governo dá para que as pessoas adiem aposentadorias
precoces. Em 2007, foram concedidas cerca de 200 mil aposentadorias
por tempo de contribuição. Sem o fator, esse
volume deve dobrar. Além disso, aumentará em
até 40% o valor dos benefícios, o que leva à projeção
de acréscimo de aproximadamente R$ 15 bilhões
por ano às despesas da Previdência. Também
será a criação de um gigantesco esqueleto
porque os aposentados cujos benefícios foram afetados
pela fórmula do fator poderão ir ao Judiciário
alegando que receberam tratamento desigual. A fórmula
do fator não reduz benefícios, mas serve
para vincular os valores das contribuições
e das aposentadorias” (Valor Econômico, 11/13-04).
Justificativas do senador
Na avaliação do senador, o resgate dos critérios
anteriores de cálculo dos benefícios previdenciários
evitará que o governo utilize a Previdência
Social como instrumento de ajuste das contas públicas,
em prejuízo dos contribuintes e beneficiários.
O fator previdenciário é calculado considerando,
na data de início do benefício, a idade e
o tempo de contribuição do segurado, a expectativa
média de sobrevida para ambos os sexos e uma alíquota
de 31%, que equivale à soma da alíquota básica
de contribuição da empresa (20%) e da maior
alíquota de contribuição do empregado
(11%). Em sua justificação, Paim assinalou
que, dependendo do grau de formalização do
trabalhador e de sua evolução salarial, a
ampliação gradativa do período básico
de cálculo do salário-benefício, com
o fator previdenciário, acarreta perda em seu valor,
tanto maior quanto maior for essa ampliação.
O senador frisou que essa forma de cálculo é aplicada
sob a alegação de se adequar o sistema previdenciário
aos impactos atuarial e financeiro da evolução
demográfica, mas, de fato, tem sido utilizado para
diminuir as despesas com benefícios da Previdência
Social, principalmente da aposentadoria por tempo de contribuição,
reduzindo seu valor ou retardando a sua concessão.
Entre as distorções no fator previdenciário
apontadas por Paulo Paim, destaca-se a introdução
do critério da idade no cálculo da aposentadoria
por tempo de contribuição, via lei ordinária,
critério que já foi derrotado em nível
constitucional no Senado. No aspecto social, é perverso,
pois, ao privilegiar a aposentadoria por tempo de contribuição
tardia e punir, drasticamente, a considerada precoce, penaliza,
sobremaneira, aqueles que começaram a trabalhar
cedo, na maioria trabalhadores de menores rendimentos.
De fato, esses trabalhadores certamente não adiarão
o início de sua aposentadoria em função
de valores maiores, no futuro, proporcionados pelo fator
previdenciário - observou. Segundo Paim, o fator
previdenciário reduz em cerca de 40% as aposentadorias
dos que integram o Regime Geral da Previdência e
prejudica principalmente os mais pobres, os que recebem
menos de dez salários mínimos. “Sei
que tem que existir uma política de idade mínima,
e foi por isso que apresentei uma PEC para regulamentar
a questão. Espero que a Câmara aprove o fim
do fator e também a PEC 10/08”. Antes de encaminhar
as votações, o líder do governo, Romero
Jucá (PMDB-RR), havia chamado a atenção
para a necessidade de se criar um “mecanismo de equilíbrio” vinculado à idade
mínima, sob pena de o fim do fator previdenciário
gerar um rombo nas contas da Previdência. Paulo Paim
ressaltou que nenhum país do mundo utiliza o fator
previdenciário.
Aposentados e recursos à saúde
O segundo é de autoria do Executivo (PLC 42/07)
e cria a política de reajuste do salário
mínimo com base na inflação medida
pelo INPC acrescido da variação real do PIB.
A emenda aprovada, de iniciativa do senador Paim, estende,
até 2023, o reajuste do mínimo para aposentados
e pensionistas que ganham mais de um salário, pois,
atualmente, apenas os que recebem até um salário
mínimo é que recebem o mesmo percentual de
correção do salário. “Espero
que a Câmara entenda o raciocínio que fizemos
aqui, para que os aposentados e pensionistas tenham uma
política de recuperação permanente
de seus benefícios, assim como teve o salário
mínimo”, disse o senador. O terceiro projeto
de lei, de autoria do senador Tião Viana (PLS121/07),
que regulamenta a Emenda 29, que, por sua vez, estabelece
os percentuais mínimos de aplicação
de recursos na Saúde pelos entes federativos. Atualmente,
as despesas com saúde pública estão
orçadas em 48,5 bilhões e com o projeto de
lei aprovado poderão atingir 56 bilhões.
Pela proposta aprovada o cálculo para os recursos
da saúde é de 10% da receita corrente bruta
arrecadada no ano anterior.
Registro sindical
O Ministério do Trabalho e Emprego divulgou a Portaria
n.º 168, de 10/4/2008 (DOU 14/4/2008) sobre os procedimentos
administrativos dos requerimentos de registro sindical
e alteração estatutária, revogando
a Portaria 343/2000, estando em vigor desde a data de sua
publicação no Diário Oficial da União
e será aplicada a todos os processos em curso naquele
Ministério. O processo de registro sindical será encaminhado
preliminarmente à Seção de Relações
do Trabalho da SRTE e, posteriormente, à Coordenação
Geral de Registro Sindical da Secretaria de Relações
do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego.
Teletrabalho
O trabalho realizado à distância passará a
ser protegido pela CLT, segundo estabelece o Projeto de
Lei da Câmara 102/07, com parecer favorável
da Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado.
A proposta será ainda examinada pela Comissão
de Assuntos Sociais (CAS) e pelo plenário. Atualmente,
segundo o artigo 6.ª da CLT, não há distinção
entre o trabalho realizado no estabelecimento do empregador
e o executado no domicílio do empregado, “desde
que seja caracterizada a relação de emprego”.
O projeto aprovado inclui nesse dispositivo o trabalho
realizado a distância. O chamado “teletrabalho” já está previsto
nas leis de países como Portugal e Chile.
Fórum Social do Mercosul
Esclarece o dr. Geraldo Serathiuk que o Fórum Social
do Mercosul, de 26 a 28 de abril em Curitiba, terá a
presença das Centrais Sindicais do Brasil e países
da América Latina, participando do debate sobre
a Agenda dos Trabalhadores para o Desenvolvimento, dia
26 às 14h, na Reitoria da UFPR. Diz o dr. Serathiuk,
como coordenador do painel, que o objetivo será “debater
as propostas e projetos dos trabalhadores para as políticas
públicas para a reforma tributária, previdenciária,
educacional, agrária, urbana, política, democratização
dos meios de comunicação e trabalhista, esta
para combater a precarização nas relações
trabalhistas.”
Piso salarial regional
A Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ) da Assembléia Legislativa aprovou o anteprojeto
de lei do governador Roberto Requião que aumenta
o piso salarial regional em seis faixas salariais, de R$
527,00 a R$ 548,00. O parecer favorável ao projeto
foi votado após audiência pública com
representantes das sindicais trabalhistas. O coordenador
de Estudos e Pesquisas da Relação do Trabalho
da Secretaria do Emprego, Trabalho e Promoção
Social, Núncio Mannala, disse que em recente reunião
40 sindicalistas expuseram que o piso regional contribuiu
nas convenções coletivas. “As empresas
respeitaram os pisos e até deram reajuste maior.” Para
o presidente da CUT Roni Anderson Barbosa, o piso regional é importante
para preservar o poder de compra dos trabalhadores. “Não
tenho dúvida alguma que estamos andando com passos
firmes para o desenvolvimento e para uma distribuição
de renda melhor no estado”. O presidente da Nova
Central Sindical dos Trabalhadores do Paraná, Epitácio
Antonio dos Santos, destacou que “a lei veio beneficiar
não só os trabalhadores, mas também
o comércio e a indústria, pois está fazendo
distribuição de renda. O Paraná foi
o terceiro estado a implantar a lei e já está fazendo
escola, que agora foi adotada em São Paulo”.
Segundo o secretário da Coordenação
Federativa dos Trabalhadores, Ernane Garcia Ferreira, “hoje
todo o estado é testemunha da grande redistribuição
de renda que está ocorrendo. Com a isenção
dos impostos para as pequenas e médias empresas,
o aumento do salário mínimo se tornou possível.
Agora também Santa Catarina está implantando
esse aumento, tomando como exemplo o Paraná. Num
primeiro momento, os empresários espernearam, mas
agora a lei é definitiva e se tornou comum, sendo
obedecido por 75% das categorias no estado”. O representante
da Fetaep Jairo Correa de Almeida, afirmou que “um
trabalhador que tem melhor remuneração dá mais
retorno à empresa. O aquecimento da economia nas
pequenas, médias e grandes municípios tem
tudo a ver com o aumento do piso salarial”. Também
defendeu a aprovação do projeto representante
da Fetraconspar Reinaldim Barboza Pereira. Participaram
da audiência pública da CCJ os deputados Durval
Amaral (DEM, presidente), Luiz Claudio Romanelli (PMDB),
Waldyr Pugliesi (PMDB), Mauro Moraes (PMDB), Nereu Moura
(PMDB), Douglas Fabrício (PPS), Tadeu Veneri (PT),
Carlos Simões (PR), Duilio Genari (PP), Reni Pereira
(PSB), Luiz Carlos Martins (PDT), Dr. Batista (PMN) e Valdir
Rossoni (PSDB).
Opinião: O veto necessário
“Se os trabalhadores são capazes de enfrentar
a labuta do dia a dia, é evidente que são
capazes de fiscalizarem os gastos do seu sindicato. O dinheiro
da contribuição sindical, não é público,
são valores contribuídos especificamente
pelos trabalhadores, haja vista que o sindicato é uma
entidade pública, porém de direito privado.
A sociedade está ouvindo nos últimos dias,
que o Presidente da República não foi prudente
ao vetar o artigo 6.º da Lei n.º 11.648 de 31
de março de 2008, que subordinava as entidades sindicais
de patrões e empregados a apresentarem prestação
de contas ao Tribunal de Contas da União - TCU. É importante
dizer que quando discutíamos no Senado Federal,
a derrubada de emendas apresentadas ao PL n.º 1990/2007,
que deu origem ao reconhecimento formal as centrais sindicais
e sua sustentabilidade, houve acordo por parte das lideranças
sindicais de trabalhadores quanto à possibilidade
do TCU fiscalizar as verbas oriundas da contribuição
sindical, mas somente da contribuição sindical.
Quanto ao veto, é bom que se diga, houve articulação
das entidades patronais junto ao Presidente da República,
que agora estão caladas. Por mais que tenhamos concordado
no Senado Federal, pensamos que o Presidente Lula, inteligentemente,
corrigiu a questão, evitando o ferimento da liberdade
e autonomia sindical, consagrada na nossa constituição
cidadã. Quem fiscaliza as contas do sindicato, federação
e confederação? É público e
notório, que nenhum dirigente sindical deixa de
submeter os gastos da entidade ao seu conselho fiscal,
eleito democraticamente pelos trabalhadores, e após
fiscalizadas, as contas ainda são submetidas à assembléia
geral da sua categoria, até porque, os dirigentes
sindicais ao se candidatarem à reeleição,
têm como primeira condição, estarem
com suas contas totalmente em dia, sob pena de ficarem
inelegíveis. Os sindicatos, federações
e confederações fazem no mínimo duas
assembléias sobre a questão financeira, uma
para fazer a previsão orçamentária
de receitas e despesas do exercício seguinte e outra,
para análise, discussão do balanço
financeiro e patrimonial, sem contar as assembléias
periódicas, onde nossos dirigentes sempre prestam
informações sobre receitas e despesas. Ao
bradarem que as entidades sindicais não prestam
contas, no mínimo carecem de conhecimento ou fazem
isso por pura maldade. Dizer que os sindicatos, federações
e confederações não são fiscalizados, é chamar
os conselheiros e os trabalhadores que os fiscalizam de
incompetentes. Bem disse o presidente Lula: “O trabalhador
deve ser capaz de fiscalizar seu sindicato, por isso eu
vetei”. Ora, nossas entidades além de serem
observadas diuturnamente pela sociedade, prestam constantemente
esclarecimento aos trabalhadores, seja nas fábricas,
no balcão do sindicato, no campo de futebol, no
supermercado, ou seja, nossos dirigentes respondem como
sindicalistas 24 horas por dia. Deixamos claro aos nossos
algozes, que continuaremos exercendo a liberdade e à autonomia
sindical, com responsabilidade, e continuaremos trabalhando
noite e dia, pela igualdade social, por uma justa distribuição
de renda, e pelo fortalecimento das entidades sindicais,
inclusive financeiramente, para que possamos enfrentar
os ataques constantes contra os direitos dos trabalhadores” (Geraldo
Ramthun, presidente da Fetraconspar, Diretor Secretário
Regional da CNTI e 3.º vice-presidente da Nova Central
Sindical de Trabalhadores).
STF
O governador do Paraná Roberto Requião ajuizou
no STF ação em que pede, liminarmente, a
suspensão das decisões do TRF4 que impedem
sua livre expressão através da TV Educativa
do Paraná, mais especificamente no programa “Escola
de Governo”, assim como, no mérito, que declare
a inconstitucionalidade dos atos daquele Tribunal. A relatora é a
ministra Carmen Lúcia Antunes Rocha (ADPF 137) ***
O partido Democratas (DEM) ajuizou ação direta
de inconstitucionalidade (ADI 4067) questionando o repasse
de 10% dos recursos da contribuição sindical às
Centrais Sindicais, face a redação dada pela
Lei nº11.648/2008 ao art.589 da CLT *** “Se
com a deflagração de greve ocorre, como regra
geral, a suspensão do contrato de trabalho, não
há que se cogitar de prestação de
serviço e, portanto, de pagamento de salários”.
Foram revogadas as decisões em contrário
adotadas pelo TRF4 (vide decisões do ministro Gilmar
Mendes sobre a greve advogados da AGU e dos auditores fiscais
nos pedidos de Suspensão de Tutela Antecipada n.ºs
207 e 229).
“Trabalho para viver, não
para morrer.” (Lema do ato público em Memória
das Vítimas de Doenças e Acidentes do Trabalho
de Santa Catarina, dia 28 de abril, 9h, na Catedral de
Lages.)
edesiopassos@terra.com.br
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Folha de São Paulo,
20 de abril de 2008
Lula culpa EUA e petróleo
por inflação global
Para presidente, custo do frete e política
americana de usar milho na produção de biocombustível
pressionam preço de alimentos
Em visita à Gana, brasileiro também
criticou europeus e convocou países pobres a ser armarem
para "guerra comercial" contra os ricos
FÁBIO ZANINI
ENVIADO ESPECIAL A ACRA (GANA)
Ao chegar para uma visita oficial de três dias a Gana,
no oeste africano, o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva usou ontem a estratégia de defender os biocombustíveis
atacando países ricos, sobretudo os EUA. " Na
política de biocombustíveis, só tem
um equívoco, que é a decisão americana
de produzir álcool do milho", afirmou Lula, ao
lado de John Kufuor, presidente ganense.
" Não aceitamos que outra vez os países mais pobres paguem
a conta. Dizer que os biocombustíveis causaram o aumento do preço
do alimento é perguntar: onde se produz biodiesel?", questionou,
insinuando uma possível razão política dos países
ricos no ataque. O mote de que a melhor defesa é o ataque deve se repetir
hoje e amanhã, quando Lula participará da reunião da Unctad,
a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento.
Como raras vezes se viu numa viagem sua, Lula estará na defensiva,
sendo obrigado a justificar sua opção pelos biocombustíveis
e a rebater a crítica de que eles ajudam a causar a inflação
global de alimentos. Ele recebeu o apoio de Kufuor.
Ontem, Lula também culpou o petróleo pela inflação. "É importante
que as pessoas tenham a responsabilidade de dizer que o preço
dos alimentos se deve muito mais ao custo do frete causado pelo preço
do petróleo do que pelo biodiesel." Para ele, é "estranho" que
não se critique o salto no preço do barril do petróleo,
que anteontem fechou em US$ 113,92 -alta de 7,92% em um mês.
Sobrou também para a União Européia, que, segundo
Lula novamente insinuou, estaria sendo incoerente nas críticas. "A
própria União Européia já tomou a decisão
de até 2020 introduzir 10% de biocombustíveis na gasolina." Ele
lembrou que quase todos os países assinaram o Protocolo de Kyoto,
para acabar com a dependência dos combustíveis fósseis.
O presidente brasileiro convocou os países pobres a se armarem
para uma "guerra comercial" contra o mundo rico, tanto na
discussão sobre a Rodada Doha como no debate sobre a produção
alimentar. "Os países africanos, asiáticos, latino-americanos
terão de enfrentar uma verdadeira guerra comercial sobre a questão
da produção agrícola, em dois níveis: na
OMC e no aumento da produção de alimentos."
Mais tarde, aos jornalistas, Lula expandiu suas críticas aos
EUA, dizendo não ser recomendável utilizar-se de produtos
alimentícios como base da produção de biocombustível. "Eu
gostaria que os Estados Unidos comprassem do Brasil, mas eles querem
produzir [do milho], então problema deles".
Lula disse estar feliz de "enfrentar o debate" e que chamou
uma conferência internacional sobre biocombustíveis para
o Brasil em novembro, com a presença de chefes de Estado, cientistas
e ONGs.
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Folha de São Paulo,
20 de abril de 2008
Nova regra sindical provoca
críticas do setor patronal
Portaria do governo permite a criação
de mais federações e confederações
de trabalhadores e empregadores por sindicatos
Ministério do Trabalho diz que
o objetivo é ampliar a liberdade sindical; para
a Febraban, medida dificulta as negociações
coletivas
CLAUDIA ROLLI
FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
Uma portaria publicada na última segunda-feira
pelo Ministério do Trabalho vai tornar possível
a criação de mais federações
e confederações de trabalhadores e patrões
no Brasil. As novas regras para conceder registro a entidades
sindicais, detalhadas em 34 artigos na portaria nº 186,
de 10 deste mês, vão permitir o surgimento
de mais Fiesps (Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo), mais CNIs (Confederação
Nacional da Indústria) e mais federações
e confederações de trabalhadores.
Se um sindicato não se sente representado por uma federação,
poderá se reunir a outros quatro e formar uma nova federação.
Até então, o sindicato não tinha opção
de escolher quem o representava. No caso das confederações,
três federações podem se agrupar e formar uma nova
confederação.
A portaria também dá ao Ministério do Trabalho
a possibilidade de ser mediador nos conflitos de entidades sindicais
que disputam a representação de uma categoria de trabalhadores
ou de atividade econômica. Nesse caso, o ministério pretende
reduzir as disputas de entidades sindicais na Justiça e também
acabar com a criação de sindicatos de fachada.
Hoje, todo mês, centenas de sindicatos, federações
e confederações vão ao ministério pedir
registro. Estima-se que 20 mil entidades de trabalhadores e patrões
atuem hoje no Brasil. A possibilidade de que mais entidades surjam
para disputar com as que já existem e o fato de o Ministério
do Trabalho passar a ser conciliador nos conflitos sindicais causaram
reação e críticas de representantes patronais,
sindicalistas, advogados e consultores.
Medidas jurídicas
Febraban (federação dos bancos), Fiesp e CNI -três
das entidades de maior peso no lado patronal- já estudam adotar
medidas jurídicas contra a portaria, segundo apurou a Folha.
Já a federação do comércio paulista apoiou
a norma. " Se uma federação era composta por 20
sindicatos, agora pode se desmembrar em outras quatro. Tanto do lado
patronal como do laboral isso pode levar a uma divisão de forças
e dificultar negociações coletivas", afirma Magnus
Apostólico, coordenador de relações trabalhistas
da Febraban.
" Se for para fazer a reforma sindical fatiada, sem consultar os envolvidos
no tema, o caminho está errado." No setor industrial, a portaria
causou tensão porque primeiro o Ministério do Trabalho alterou
as regras e só depois comunicou as mudanças. A Fiesp prefere não
se pronunciar até que o grupo de estudos montado para avaliar a portaria
defina se ela contraria ou não a legislação trabalhista.
Após três meses de estudos técnicos, o ministério
informa que decidiu editar a portaria, sem consultar trabalhadores
e patrões, porque "jamais" haveria consenso. O Fórum
Nacional do Trabalho discutiu a reforma sindical durante dois anos
sem chegar a um acordo. O projeto para mudar a legislação
sindical está parado no Congresso Nacional até hoje.
" As regras para conceder ou arquivar a concessão de um pedido a
uma entidade estão mais transparentes. Foram estabelecidos mais obstáculos
para a criação de sindicatos que só existem no papel. E
essas regras respeitam a Constituição [permitem criar um sindicato
por município]", diz Luiz Antonio de Medeiros, secretário
de Relações do Trabalho.
" Para federações e confederações, estamos concedendo
liberdade sindical. Se uma federação perdeu seus sindicatos filiados
e sua credibilidade, deve continuar negociando e arrecadando o imposto sindical?
Os sindicatos têm o direito de escolher a que federação querem
se filiar", afirma Medeiros.
Para o advogado Luis Carlos Moro, a portaria mostra que o governo quer
fortalecer as entidades e dá ao Estado o papel de conciliador. "O
Ministério do Trabalho retoma uma função que já teve
antes da Constituição de 1988. Não impõe
a decisão, mas quer mediar o conflito. Se isso é bom
ou ruim, só o tempo dirá", afirma o advogado.
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Folha de São Paulo,
20 de abril de 2008
Temor de centrais é que
portaria gere favorecimento a entidades pró-governo
DA REPORTAGEM LOCAL
A portaria que cria novas regras sindicais e permite ao
Ministério do Trabalho atuar como conciliador entre
entidades que se confrontam na Justiça dividiu a
opinião das centrais sindicais. UGT (União
Geral dos Trabalhadores), CTB (Central de Trabalhadores
e Trabalhadoras do Brasil, criada por dissidentes da CUT)
e Conlutas (ligada ao PSTU) criticam a portaria. A Força
Sindical defende. A CUT não comentou.
" Ao mediar conflitos entre duas entidades que disputam uma base, o Ministério
do Trabalho ganha força. Pode haver uso político desse instrumento
de mediação e interferência do Estado. Se o partido que está no
comando do ministério tem mais afinidade com uma central, pode favorecer
a concessão de registros a entidades ligadas àquela central",
diz Ricardo Patah, presidente da UGT. "Hoje, o PDT comanda o Ministério
do Trabalho e tem afinidade com a Força. No passado, quem comandava era
o PT e a CUT."
Ele defende a criação de um conselho com centrais e governo
para mediar conflitos e conceder registros sindicais. Para a Conlutas,
a portaria abre "as comportas para que uma avalanche de sindicatos
fraudulentos ganhe a chancela estatal".
João Carlos Gonçalves, secretário-geral da Força,
diz que a portaria regulariza na prática o que já ocorria. "Por
meio judicial ou de acordos, já existe mais de uma federação
e confederação de metalúrgicos, químicos
e várias categorias. A tendência é fortalecer essas
entidades para prepará-las para negociações nacionais."
Wagner Cinchetto, consultor sindical que ajudou a fundar a Força
e a UGT, além de ser desafeto político do secretário
Luiz Antonio de Medeiros, diz que a portaria mantém uma "reserva
de mercado" para as centrais. "Os feudos estão mantidos
para as centrais que irão recorrer à mediação
do Estado para resolver conflitos. Será um balcão de
negócios." (CR e FF)
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Revista Consultor Jurídico,
20 de abril de 2008
Defesa própria
Ausência de advogado
enfraquece a Justiça do Trabalho
por Marina Ito
A possibilidade de a pessoa entrar com ação
na Justiça trabalhista sem um advogado para representá-la,
chamada de ius postulandi, é um dos fundamentos
para não se reconhecer os honorários de sucumbência.
E, para especialistas, a ausência de advogado no
processo enfraquece a Justiça do Trabalho. A discussão
foi travada no I Seminário sobre honorários
advocatícios de sucumbência na Justiça
do Trabalho, promovido pela OAB do Rio de Janeiro.
Segundo o advogado Estevão Mallet, a premissa para
não contratar o advogado é a da simplicidade
do processo trabalhista. Argumento que ele contesta. “Se
algum dia o processo trabalhista foi simples, esse tempo
já está muito distante”, afirmou, ao
lembrar que a Emenda Constitucional 45 ampliou a competência
da Justiça do Trabalho.
De acordo com Mallet, a pessoa fica em um dilema: abre
mão da representação por advogado
ou contrata um advogado e recebe apenas parte de seu direito?
De acordo com ele, como a contratação é facultativa,
para assegurar a gratuidade do processo não há sucumbência.
Para o advogado Benedito Calheiros Bomfim, a manutenção
da possibilidade de entrar com a ação sem
o advogado privilegia o empresariado e faz com que haja
mais conflito. Bomfim explicou que o artigo 791, da CLT
(Consolidação das Leis do Trabalho), permite
que o trabalhador reclame pessoalmente os seus direitos.
Já a Constituição Federal estabelece
que o advogado é indispensável à administração
da Justiça. “Um diz que é facultativo,
outro que é essencial”, afirmou. Ele disse
que se os dispositivos são incompatíveis,
prevalece o que prevê a Constituição.
Segundo o ex-presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros
(IAB), Celso Soares, o Supremo Tribunal Federal relegou
para segundo plano a Justiça do Trabalho e os Juizados
ao decidir que não é preciso ter um advogado
para entrar com as ações nessas esferas.
Soares acredita que o meio, por excelência, para
garantir o direito de ampla defesa é a representação
por advogado. Segundo ele, por não ser obrigatória
a presença do profissional, este é “indesejável” e
apenas “tolerado” pelos juízes.
O presidente da Associação Nacional dos
Magistrados do Trabalho (Anamatra), juiz Claudio Montesso,
considera que a parte tem uma assistência melhor
e o processo é bem instruído quando há o
advogado no caso. Ele acredita que a possibilidade de entrar
com a ação sem o profissional desprestigia
também a Justiça do Trabalho. Mas, para Montesso,
o ius postulandi não influi para a falta de condenação
de honorários de sucumbência à parte
vencida.
Já para a vice-presidente do Tribunal Regional
do Trabalho da 1ª Região, Maria de Lourdes
Salaberry, há casos complexos em que é necessária
a presença do advogado. Salaberry lembrou, ainda,
que em alguns lugares do país simplesmente não
há profissionais. “Não temos de acabar
com o ius postulandi”, afirma. No máximo,
restringir as hipóteses para se entrar com ação
sem advogado. Mas permitir que a parte entre com o processo
sem a assistência, na opinião da juíza,
não significa excluir a condenação
de honorários de sucumbência.
Salaberry entende a luta pela valorização
da advocacia e pela reserva de mercado, mas lembrou que
a realidade brasileira é outra. “Em alguns
processos a pretensão é simples, a resistência é pouca
e a lesão é evidente”, afirma. A juíza
conta que quando atuava em Três Rios (RJ) percebeu
a dificuldade do trabalhador em buscar apoio do sindicato
da categoria em outra cidade para conseguir a defesa.
No Rio, a possibilidade de ingressar em juízo sem
advogado praticamente já acabou, segundo o presidente
da Comissão de Honorários da OAB fluminense,
Nicola Manna Piraino.
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Revista Consultor Jurídico,
20 de abril de 2008
Direito de pai
TRT paulista reconhece auxílio-creche
para homem
por Daniel Roncaglia
O Hospital Ana Costa, de Santos (SP), terá que
repor 20% do salário de um ex-funcionário
a título de auxílio-creche. A decisão
foi tomada pela 9ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho
da 2ª Região no dia 24 de março. Os
juízes seguiram voto da relatora, Jane Granzoto
Torres da Silva, no sentido de que a norma coletiva assinada
entre empregadores e sindicato da categoria não
faz qualquer distinção quando ao gênero
do funcionário.
O acordo diz que o trabalhador, com filho de menos de
seis anos, tem direito a adicional de 20% se a empresa
não tem creche. Na norma da categoria está escrito: “as
empresas que não possuírem creches próprias
pagarão aos seus empregados um auxílio-creche
equivalente a 20% (vinte por cento) do salário normativo,
por mês e por filho, até seis anos de idade”.
A 4ª Vara do Trabalho de Santos também havia
reconhecido o direito do trabalhador.
Para a juíza, como o trabalhador preenche os dois
requisitos (tem filho e a empresa não tem creche),
não se pode alegar que, por ser homem, ele não
está impedido de receber o direito. “Cumpre
salientar que, além de o texto normativo não
estabelecer o auxílio-creche somente para os empregados
do sexo feminino, a argumentação da recorrente,
nesse particular, contém traços discriminatórios,
diante do teor do artigo 5º, I, da Constituição
Federal”, anota Jane Granzoto.
Outro argumento usado pela juíza é que na
sociedade contemporânea os núcleos familiares
são formados por homens e mulheres em igualdade
de condições sociais e profissionais. Segundo
Jane, “institutos como o auxílio-creche, os
afastamentos decorrentes de nascimento e adoção
de filhos e tantos outros, visam acima de tudo o bem estar
da criança, como beneficiário direto, independentemente
de quem o perceba indiretamente — pai ou mãe”.
O hospital reclamava também de que o empregado
trabalhava no período noturno. Para a juíza,
isso não faz a mínima diferença já que
não há na norma qualquer referência
ao horário de trabalho. “Seria tratamento
desigual para com aqueles trabalhadores que desenvolvem
atividades em período noturno e por vezes igualmente
necessitam dos cuidados de terceiros para seus filhos”,
afirma Jane.
Cláusula restritiva
Em 2005, no entanto, a 4ª Turma do Tribunal Superior
do Trabalho entendeu que é válida cláusula
de acordo que restringe o auxílio-creche às
mães e pais solteiros que tenham a guarda dos filhos.
O Tribunal Regional do Trabalho 22ª Região
(Piauí) havia considerado discriminatório
a exclusão do benefício para os demais homens
da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.
A ofensa ao princípio da igualdade foi rebatida
pelos ministros do TST diante do reconhecimento de que
a Constituição admite exceções.
O ministro Ives Gandra Filho (relator) entendeu na oportunidade
que não havia ofensa ao princípio da igualdade.
Ele citou como exemplo a diferenciação feita
pela Constituição ao prever a aposentadoria
para as mulheres com menos idade e tempo de contribuição.
Leia decisão
Processo Nº 01463200644402009 (20070677900)
Recurso Ordinário
Recorrentes: Hospital Ana Costa S/A e Luiz Ricardo Alves Gusmão
Recorridos: Os Mesmos
Origem: 4ª Vara do Trabalho/Santos
Ementa: Auxílio-creche previsto em norma coletiva para todos
os empregados. Devido aos trabalhadores do sexo masculino.
Estabelecer o auxílio-creche somente para os empregados
do sexo feminino, contém traços discriminatórios,
diante do teor do artigo 5º, I, da Constituição
Federal, sobretudo na sociedade contemporânea, onde
os núcleos familiares são formados por homens
e mulheres, em igualdade de condições sociais
e profissionais. Ademais, institutos como o auxílio-creche,
os afastamentos decorrentes de nascimento e adoção
de filhos e tantos outros, visam acima de tudo o bem estar
da criança, como beneficiário direto, independentemente
de quem o perceba indiretamente — pai ou mãe.
Inconformada com a r. decisão de fls. 172/178,
complementada a fl. 187, cujo relatório adoto e
que julgou procedente em parte a ação, recorre
ordinariamente a reclamada às fls. 189/194, insurgindo-se
contra a condenação em auxílio-creche,
sustentando ser tal benefício previsto apenas para
as empregadas, na condição de mães,
visando compensar a dupla jornada, bem como a ausência
de comprovação da necessidade, considerado
o trabalho do autor em período noturno.
Também irresignado com a r. decisão de primeiro
grau, recorre adesivamente o reclamante às fls.
206/210, atacando o indeferimento das pretensões
relativas às multas normativas e às diferenças
de FGTS. Pugna, ainda, pela concessão dos benefícios
da justiça gratuita.
Contra-razões apresentadas às fls. 199/204
e 215/220.
Depósito recursal e custas processuais comprovados às
fls. 195/197.
É o relatório.
VOTO
JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE
Conheço dos recursos interpostos, por presentes
os pressupostos de admissibilidade, exceto do tópico
exposto no recurso adesivo do autor, relativo à concessão
dos benefícios da justiça gratuita, por ausência
de lesividade, porquanto não foi o demandante condenado
ao pagamento de qualquer despesa processual.
Não conheço do documento juntado a fl. 205,
eis que não caracterizadas quaisquer das hipóteses
previstas na súmula 08, do C. TST.
RECURSO ORDINÁRIO DA RECLAMADA
Estabelecem as normas coletivas juntadas com a exordial,
em todas as suas versões:
As empresas que não possuírem creches próprias,
pagarão aos seus empregados um auxílio-creche
equivalente a 20% (vinte por cento) do salário normativo,
por mês e por filho, até seis anos de idade.
Vê-se, pois, que os requisitos estabelecidos pelo
instrumento normativo para a concessão do benefício
aos empregados são:
— ausência de creche própria pela empresa;
e
— possuir o empregado filhos até seis anos
de idade.
Nesse contexto, os demais requisitos citados pela recorrente
em suas razões, por não fixados na norma
coletiva, não podem ser considerados como impeditivos
do direito do empregado.
Cumpre salientar que, além de o texto normativo
não estabelecer o auxílio-creche somente
para os empregados do sexo feminino, a argumentação
da recorrente, nesse particular, contém traços
discriminatórios, diante do teor do artigo 5º,
I, da Constituição Federal, sobretudo na
sociedade contemporânea, onde os núcleos familiares
são formados por homens e mulheres, em igualdade
de condições sociais e profissionais. Ademais,
institutos como o auxílio-creche, os afastamentos
decorrentes de nascimento e adoção de filhos
e tantos outros, visam acima de tudo o bem estar da criança,
como beneficiário direto, independentemente de quem
o perceba indiretamente — pai ou mãe.
Por outro lado, também a norma coletiva não
limitou a concessão do auxílio-creche aos
empregados que cumprem horário diurno. Do contrário,
seria tratamento desigual para com aqueles trabalhadores
que desenvolvem atividades em período noturno e
por vezes igualmente necessitam dos cuidados de terceiros
para seus filhos.
De ser aqui lembrado: onde a norma não distingue,
não cabe ao intérprete fazê-lo.
Derradeiramente, as normas coletivas juntadas aos autos
não condicionam a concessão do benefício à comprovação
pelo empregado, da existência de filhos, junto ao
seu empregador. Ao contrário, em sendo estipulação
normativa, é a empresa responsável objetivamente
pelo seu fiel e integral cumprimento.
Mantenho.
RECURSO ADESIVO DO RECLAMANTE
1) Das diferenças de FGTS
A alegação do recorrente no sentido de que
os documentos juntados aos autos comprovam a inexistência
de depósitos do FGTS relativos aos meses de dezembro/03,
janeiro/04, fevereiro/04, março/04, abril/2004,
junho/04 e julho/04, é inverídica.
De fato, os extratos trazidos com a exordial apontam ausência
de alguns depósitos. Mas o simples exame dos mesmos
denuncia que estão incompletos, o que os invalida
até mesmo como indício de prova.
Ao contrário, os documentos juntados pela ré em
volume apartado (nºs 196/146) demonstram à saciedade
a integralidade dos depósitos mensais, não
tendo o autor indicado nos autos quaisquer diferenças
ou irregularidades em seu favor.
Nada a ser reformado.
2) Das multas normativas
Efetivamente houve descumprimento de cláusulas
normativas pela reclamada, no tocante à concessão
do auxílio-creche, o que foi inclusive reconhecido
pela MM. Vara de Origem (fl. 177). Assim, as multas previstas
nos instrumentos juntados com a exordial, observadas as
respectivas vigências.
Modifico.
Isto posto, conheço dos recursos interpostos, exceto
do tópico exposto no recurso adesivo do autor, relativo à concessão
dos benefícios da justiça gratuita e, no
mérito NEGO PROVIMENTO ao apelo da ré e DOU
PROVIMENTO PARCIAL ao recurso do reclamante, para acrescer à condenação
as multas normativas postuladas na exordial, em razão
do descumprimento das cláusulas concernentes ao
auxílio-creche. No mais, mantenho a r. decisão
de primeiro grau em todos os seus termos, inclusive no
tocante ao valor da condenação.
JANE GRANZOTO TORRES DA SILVA
Desembargadora Relatora
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Revista Consultor Jurídico,
20 de abril de 2008
Perde e não paga
Isentar trabalhador de sucumbência
fomenta litigância
A falta de condenação à parte vencida de pagar os
honorários de sucumbência na Justiça do Trabalho,
além de não ter fundamentação em nenhum dispositivo
legal, faz com que os conflitos aumentem. A conclusão é de
especialistas que participaram do I Seminário sobre Honorários
advocatícios de sucumbência na Justiça do Trabalho,
que aconteceu no rio nessa semana.
Para o advogado Estevão Mallet, se o devedor pagar
o mesmo que deveria ter pago antes de surgir o conflito,
continuará privilegiando outros pagamentos em detrimento
dos trabalhadores. “Os honorários de sucumbência
serviriam de estímulo ao pagamento pontual da obrigação”,
acredita.
“A ausência de honorários de sucumbência
fomenta a postulação”, afirma a vice-presidente
do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região,
Maria de Lourdes Salaberry. Assim como Mallet, a juíza
informou que não há lei que restrinja os honorários
de sucumbência. O entendimento é da jurisprudência
do Tribunal Superior do Trabalho. Para Mallet, o problema
não envolve só o interesse dos advogados, mas
o cumprimento da lei.
Já o presidente da Associação Nacional
dos Magistrados do Trabalho (Anamatra), juiz Claudio Montesso,
não acredita que a falta de honorários de sucumbência
faz com que os conflitos aumentem. “O que fomenta é a
impunidade”, constata.
Para o advogado Luiz Inácio Carvalho, a questão
dos honorários vai além. “O advogado
recebe seus honorários”, afirma. O problema,
segundo ele, é que o trabalhador acaba tendo seu patrimônio
reduzido, porque um percentual do valor a que tem direito
será usado para pagar os honorários advocatícios,
uma vez que os advogados não receberão o valor
da parte vencida. Montesso, por sua vez, não acredita
que os honorários convencionados vão diminuir
com a condenação ao pagamento dos de sucumbência. “Pode
levar a isso”, afirma.
Do bolso do trabalhador
O advogado Estevão Mallet constata que, normalmente,
o vencido pode pagar. Para ele, com a Emenda Constitucional
45, que ampliou a competência da Justiça trabalhista,
a situação dos honorários, que já era
uma “aberração”, tornou-se uma “monstruosidade”.
Já Montesso acredita que não é bem
assim. Para ele, pesa para o juiz condenar o empregador a
pagar honorários de sucumbência e não
condenar o empregado a fazer o mesmo quando perde a ação. “Será que
estamos preparados para condenar os empregados?”, questionou.
Ele contesta a idéia de que é o empregador
quem mais perde os processos. Segundo ele, um levantamento
já apontou que cerca de 30% das ações
na Justiça trabalhista do Rio são julgadas
improcedentes e quase 70%, procedente em parte. “Não é verdade
que o empregado sempre ganha”, afirma.
O juiz do TRT da 15ª Região, Jorge Luiz Souto
Maior, acredita que a condenação ao pagamento
de honorário de sucumbência tem de ser ao vencido,
ainda que seja o trabalhador. Para ele, ao proteger quem
não tem direito, acaba-se prejudicando quem tem. “Se
o reclamante perde, deve pagar, a não ser que seja
beneficiário da Justiça gratuita”, afirma.
O presidente da Associação Brasileira dos
Advogados do Trabalho, Luiz Salvador, discorda do pagamento
do honorário de sucumbência pelo empregado.
Para ele, não é justo, já que nem sempre
o empregado perde porque não tem razão. De
acordo com o advogado Celso Soares, o trabalhador já entra
em uma situação de desvantagem. “Ás
vezes nem consegue testemunha, pois ninguém quer depor
contra o patrão”, afirma. Já o advogado
Nilton Correia lembrou que os advogados, que defendem as
empresas, já estão sendo pagos para isso.
Segundo o advogado Calheiros Bomfim, que também participou
dos debates, alguns Tribunais Regionais do Trabalho, como
da 9ª, 12ª e, principalmente, 15ª Região,
já começam a adotar o honorário de sucumbência.
|
O
Estado do Paraná, 20 de abril de 2008
Direito e Justiça
O direito ao desenvolvimento e os
trabalhadores
Geraldo Serathiuk
É
importante neste momento de crescimento econômico de melhoria
dos indicadores de desenvolvimento econômico e humano, entendermos
as razões e as causas disto estar acontecendo. Foi a democracia
que nos fez reconquistar o direito ao desenvolvimento, e somente
com a participação democrática da sociedade
e dos povos dos países com baixos índices de desenvolvimento
humano, é que caminhamos para conquistar este direito de
forma efetiva. Não é sem razão que a ONU em
1986, aprovou a Declaração sobre o Direito ao Desenvolvimento,
uma conquista de todos os povos excluídos, considerando-o
como “direito humano inalienável”, com voto
contrário dos EUA, 8 abstenções, mas com 146
votos favoráveis dos países com menor índice
de desenvolvimento humano.
No Brasil a Constituição de 1988, fruto da mobilização
popular, absorveu os princípios da Declaração
da ONU e nos fez evoluir na definição de políticas
públicas, delineando o regime constitucional das mesmas.
Com o planejamento do desenvolvimento nacional como expressão
juridicizada da obrigatoriedade de formulação
de políticas públicas, e da correlata competência
normativa atribuível aos poderes, o dever para o Executivo
e Legislativo para o planejamento, e a conseqüente estruturação
de um sistema de controle das políticas públicas.
Com a conquista de importantes instrumentos como habeas data,
direito de petição, mandado de segurança
coletivo, ação popular, mandado de injunção,
ação civil pública, os meios de controle
de constitucionalidade, com ação declaratória
de inconstitucionalidade, ação declaratória
de inconstitucionalidade por omissão, os conselhos de
políticas públicas, o fortalecimento do Ministério
Público e do poder judiciário.
Em razão da prática democrática e a eleição
de governantes mais progressistas e populares, passamos a ter
o aumento do emprego, a recuperação da renda,
através da expansão e barateamento do crédito,
crescimento da massa salarial, pelos programas de transferência
de renda, políticas públicas de investimento
social e incentivo em inovação tecnológica
com a compra de máquinas e equipamentos, aumentando
a competitividade do país. A ação do movimento
sindical por reajustes do salário mínimo maiores
do que os previstos no orçamento, entre os anos de 2004
e 2007, foram um dos motores da melhoria das condições
da economia, assim como o recurso do crédito consignado,
outra contribuição do movimento sindical. O custo
do crédito para as pessoas físicas e jurídicas
caiu. O que foi possível graças à poupança
dos trabalhadores que através do recolhimento do FGTS,
obrigações previdenciárias e trabalhistas,
capitalizaram ainda mais o FAT, que com o redirecionamento
das políticas de crédito para setores geradores
de emprego, ajudou a distribuir ainda mais a renda. Fundo de
poupança dos trabalhadores que muitos queriam botar
a mão, mas que pela resistência do movimento sindical
se manteve. Fazendo do Brasil o único país emergente
que manteve seu fundo de poupança dos trabalhadores
que não foi assaltado pela onda privatista dos anos
90.
No passado, diziam que o emprego com carteira assinada era
um freio a empregabilidade, que o problema da qualificação
era do indivíduo, transformando em regra uma realidade
do mundo do trabalho em recessão. Bastou crescer a economia
que o emprego com carteira empinou. É de se perguntar
aos que proclamaram o fim do emprego, nos anos 90, incentivaram
a terceirização, precarização,
a demissão imotivada e a alta rotatividade, dizendo
que os direitos trabalhistas eram um entrave à geração
de empregos, ao crescimento econômico. E agora, com a
maior geração de empregos de qualidade, a economia
parou de crescer? Afinal foi fruto desta miopia que os salários
chegaram ao fundo do poço no final da década
de 1990, e em 2003. No ritmo de crescimento e de recuperação
salarial que estamos vivendo, precisaremos de mais 10 anos
para repor as perdas salariais dos trabalhadores. Por isso, é fundamental
manter o processo de valorização dos salários
no longo prazo, com reposição do poder de compra
e valorização através de aumentos reais
com base na variação do PIB e da produtividade
do trabalho, ampliar investimento em infra-estrutura e serviços
sociais, ampliar o papel redistributivo do Estado, reduzir
as desigualdades regionais, criar indicadores e metas para
monitorar as políticas de eqüidade, promovidas
para redução da concentração de
renda e riqueza, garantir sistema de previdência social
pública universal, fortalecer a agricultura familiar,
acelerar o processo de reforma agrária, para gerarmos
emprego com qualidade conforme o conceito do trabalho decente,
dar proteção social para as diferentes formas
de ocupação, fortalecer o sistema de relações
de trabalho com amplo direito de negociação e
de organização, solução ágil
dos conflitos e direito de greve.
Com esse objetivo, as Centrais Sindicais apresentam propostas
com a denominação Agenda dos Trabalhadores para
o Desenvolvimento, para a promoção do trabalho
decente, fortalecer a organização e a ação
sindical dentro das empresas, democratizar as relações
de trabalho e contribuir com a condução das políticas
macroeconômica para adequar os orçamentos, fortalecer
o papel do servidor público, regulamentar o fluxo de
capitais para acabar com a jogatina financeira, reduzir as
taxas de juros, subordinar o Banco Central aos trabalhadores
e ao setor produtivo, adequando o papel dos bancos, empresas
públicas e fundos de pensão, reorganizando a
política tributária brasileira com vistas a acabar
com este sistema que faz os trabalhadores pagar impostos e
os ricos que tem dinheiro aplicado e grande patrimônio
pagarem muito pouco, garantindo que as políticas públicas
sejam um instrumento voltado para a promoção
do desenvolvimento produtivo e social do Brasil, para a diminuição
das desigualdades econômicas e sociais, a exemplo do
combate a fome, ao analfabetismo, a execução
de programas de saneamento e moradia popular. Mas para isso,
precisamos ampliar os espaços do movimento sindical
com participação social e política, democratizando
os meios de comunicação, o acesso ao conhecimento
produzido socialmente, fortalecendo a presença dos movimentos
sociais organizados nas diversas instâncias de representação
(conselhos), garantindo condições objetivas e
capacitação para pleno exercício da representação,
integrando na condução da política internacional
com ampla participação dos movimentos sociais
e dos trabalhadores, ampliando os limites das políticas
macroeconômicas e objetivando a integração
social dos povos da América Latina. Sendo necessário à subordinação
da política de responsabilidade fiscal e metas de estabilidade
financeira e monetária ao estabelecimento de metas sociais,
definindo-se um patamar básico aceitável a ser
cumprido por todos; a regionalização da política
de geração de emprego do Mercosul com a conseqüente
criação de um fundo de financiamento que priorize
a inversão em projetos e ações produtivas
e programas sociais (dentre eles destacando-se o de geração
de trabalho decente), direcionar as políticas públicas
para a criação de um mercado de consumo regional,
o que implica apoiar a integração de cadeias
produtivas com o apoio de fundos de financiamento, a inovação
tecnológica e a qualificação profissional,
a definição de uma política fiscal e tributária
voltada para a melhoria da distribuição de renda,
com o apoio à agricultura familiar e ao desenvolvimento
e durabilidade das pequenas e micro empresas (exemplo da redução
carga fiscal, facilidades de financiamento, diminuição
das restrições na participação
das licitações publicas, etc), com objetivo de
industrializar e agregar valor a nossa economia e em conseqüência
aos salários.
Por isso, os trabalhadores que durante os anos de recessão
só lutavam para não diminuir salários
e garantir o emprego, com sua luta conquistaram o Direito ao
Desenvolvimento, e apresentam suas propostas e projetos de
políticas públicas, para a reforma tributária,
previdenciária, educacional, agrária, urbana,
política, para a democratização dos meios
de comunicação e combater a precarização
nas relações trabalhistas, diminuir a jornada
de trabalho, por fim, a demissão imotivada, ao fator
previdenciário e pedem reajuste igual ao salário
mínimo para as aposentadorias. E com “autoridade
e demonstração de competência”, reafirmam
a elite a correção de suas proposições
para o desenvolvimento nacional, pois foram eles que defenderam
a recuperação dos salários, aposentadorias,
apoio à agricultura familiar, expansão do crédito,
dos investimentos públicos, retomada e a manutenção
do controle das empresas públicas que favorece aos trabalhadores,
ampliação da participação nos conselhos,
o fim aos pedágios abusivos e mudança da política
internacional, inserindo o Brasil de forma ampla e democrática
no mundo, o que trouxe o fortalecimento do mercado interno
e a retomada do crescimento.
Geraldo Serathiuk é advogado
especializado em Direito Tributário pelo IBEJ/PR.
|
Revista
Nova Época, 20 de abril de 2008 | Ano 5, nº. 210
CHILE
Greves, demissões e denúncias
de práticas anti-sindicais
Título Original: Huelgas,
despidos y denuncias de prácticas antisindicales

Trabajadores en las afueras de las instalaciones
de Codelco Norte, iniciado el paro.
Nueva Época Semanal, 18/04/08> En nuestro boletín del
viernes 11 informamos sobre el abrupto cierre de Cerámica Cordillera,
integrante del Grupo Transnacional ETTEX, de origen Belga, por el cual
se produjo el despido, sin aviso previo, de 650 trabajadores, de acuerdo
a los anuncios realizados por Luis Salazar Estay, Presidente del Sindicato
y Miembro del Comité Ejecutivo de la FLATIC.
Lejos del hallazgo de soluciones, en el día de ayer la
Central Unitaria de Trabajadores (CUT) confirmó el inicio
de un paro de contratistas en Codelco Norte, en el Área
de Chancado, y que en horas de la madrugada fueron detenidos alrededor
de 17 trabajadores que protestaban en las puertas de la División
de Codelco.
Por su parte la Confederación Nacional de Sindicatos y
Federaciones de Trabajadores del Comercio, Oficinas, Servicios,
Industrias y similares (CONSFETRACOSI) en su boletín quincenal
del 15 del corriente mes tituló: "En el gobierno de
una socialista, se siguen cometiendo abusos como en los mejores
tiempos del dictador" y en el cuerpo de la nota explicaba
que el Sindicato de Empresa SUR ASISTENCIA (prestador de servicios
a la Telefónica) despidió sin consideración
alguna a 70 trabajadores, 65 sindicalizados y en los días
siguientes contrató nuevos trabajadores, una practica común
en Chile, el país "ejemplo" de América
Latina, como lo dijo muy campante en Panamá Enrique Iglesias,
ex presidente del Banco Interamericano ¿será? Otro
ejemplo: se formó un Sindicato del MALL BORJAS y a los pocos
días despidieron a todos y el sindicato desapareció.
Y otro: El Sindicato de Empresa TYPACK S.A. (plásticos)
intentó formarse y al día siguiente los echaron.
Este país es un "ejemplo" pero de practicas antisindicales,
persecuciones y atenta todos los días contra la libertad
sindical y de negociación colectiva, entre otras cosas.
Finalmente, la CONSFETRACOSI anuncia que en la página web
de la Dirección Nacional del Trabajo, http://www.dt.gob.cl/1601/article-95482.html y
por obligación legal semestral, están publicadas
45 sentencias condenatorias de la cual la más recurrente
es el despido ilegal de dirigentes sindicales. "Se sacaron
el premio mayor algunas reincidentes: COPESA (diarios La Tercera,
la Cuarta, Qué Pasa, etc.); JOHNSON´S y Montecarlo
Administradora S.A. Los invitamos a revisar la pagina donde claramente
se muestra que en nuestro paìs, se violan muchos más
derechos de los que se hablan", datos que horadan el tan promocionado "modelo
chileno" donde huelgas, despidos y denuncias de prácticas
antisindicales son sucesos de todos los días.
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