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Agência Diap, 23 de
abril de 2008
Para centrais, jornada de 44h aumenta
acidentes de trabalho
As centrais sindicais estão
empenhadas em fazer do próximo 28 de abril, Dia Mundial
em Memória das Vítimas de Doenças e Acidentes
de Trabalho, uma data de reflexão e mobilização
dos trabalhadores. Com o slogan “reduzir a jornada de trabalho é mais
saúde”, as entidades buscam fazer frente ao alto índice
de doenças, acidentes e mortes no trabalho nas mais diversas
atividades econômicas.

Cartaz da campanha pode ser baixado na web
Para o secretário
geral da CUT, Quintino Severo, a central, desde a sua fundação
vem desenvolvendo e organizando ações sindicais pela
luta em defesa intransigente do direito à saúde e à vida,
buscando a melhoria nos ambientes e nas condições de
trabalho. A campanha a defesa da redução da jornada de
trabalho sem redução de salário dialoga diretamente
com esta necessidade.
Veja abaixo o texto de referência para reprodução de boletins,
sites e distribuição para os trabalhadores.
Acidentes de trabalho no Brasil e no mundo
Desde 2003 a OIT (Organização Internacional do Trabalho) adota
o dia 28 de abril como o Dia Mundial em Memória das Vítimas de
Acidentes e Doenças do Trabalho. No ano seguinte tiveram início
no Brasil as primeiras manifestações sobre a data, que foi reconhecida
oficialmente em 2005 através da lei nº 11.121, de autoria do então
deputado Federal Roberto Gouveia (PT-SP).
A escolha desta data foi obra do movimento sindical canadense, pois neste dia,
em 1969 ocorreu uma explosão em uma mina na cidade de Farminghton nos
Estados Unidos onde morreram 78 trabalhadores. A idéia de homenagear
estes trabalhadores e denunciar as más condições de trabalho
que geram os acidentes e doenças do trabalho rapidamente tomou corpo,
ganhou o apoio dos sindicatos de outros países e de entidades internacionais
como a OIT, a ONU e a OMS.
As estatísticas são alarmantes, mais de 2.800 trabalhadores morrem
por ano devido aos acidentes de trabalho no país, em 2006 aconteceram
503mil acidentes de trabalho; um acidente a cada 5 minutos e uma morte cada
três horas. A Organização Internacional do Trabalho (OIT)
estima que, no mundo, 6.000 trabalhadores morrem a cada dia devido a acidentes
e doenças relacionadas com o trabalho, cifra que está aumentando.
Porém, os relatórios da Previdência Social contabilizam
apenas os acidentes e mortes sofridas pelos trabalhadores com vinculo empregatício
regidos pela CLT (carteira de trabalho assinada). A subnotificação
atinge os trabalhadores informais e os servidores públicos estatutários,
isso distorce as estatísticas das doenças e acidentes de trabalho
no país.
Com a implantação do Nexo Técnico Epidemiológico
Previdenciário (NETP) pode-se perceber, nos últimos 11 meses
de 2007, um crescimento de 134% no registro de doenças ocupacionais,
comprovando a subnotificação.
Em 2008 os sindicatos vão se manifestar mais uma vez contra esta situação.
Em 28 de abril, além de denunciar a precariedade e o abandono a que
os trabalhadores estão expostos no que diz respeito a sua saúde
e segurança no trabalho, também será incorporada a luta
pela redução de jornada, uma bandeira histórica que a
seis principais Centrais sindicais brasileiras (CGTB, CTB, CUT, Força
Sindical NCST e UGT) colocam como um dos principais eixos de suas ações.
A redução da jornada além de representar a geração
de novos empregos têm reflexo direto na saúde dos trabalhadores,
pois reduz sua carga de trabalho e o tempo de exposição aos fatores
de riscos.
Desde o século 18, com o início da revolução industrial,
os trabalhadores aliaram sua luta por condições de trabalho digno
e saúde nas fábricas à redução da jornada
de trabalho. Mais tempo livre e melhores condições de vida e
saúde também estiveram na base dos protestos que deram origem
ao 1º de maio, Dia Internacional do Trabalho.
Assim, condições saudáveis e seguras no ambiente de trabalho,
salário digno e jornada reduzida, permitindo tempo livre ao trabalhador
para desfrutar de lazer, educação e descanso, formam a base da
cidadania. Além disso, aumentam os postos de trabalho e a qualidade
de vida de todos os cidadãos.
Junte-se a esta luta, ela é de todos!
Centrais sindicais
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A TRIBUNA ONLINE/ SANTOS-SP, 23 de abril de
2008 | Economia
Construção civil bate
novo recorde
Da Redação
O número de trabalhadores formais da construção civil
atingiu o patamar de 1,9 milhão, o maior estoque de mão-de-obra
desde 1995, conforme dados do Sindicato da Indústria da Construção
Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) e da FGV Projetos. No total,
foram contratados 74,6 mil trabalhadores no País entre os meses de janeiro
e fevereiro.
O nível de emprego da construção civil registrou alta
de 4,1% no primeiro bimestre deste ano em relação a dezembro
de 2007 e, no acumulado dos últimos 12 meses, o indicador apresentou
elevação de 15,8%.
Segundo o vice-presidente do SindusCon-SP, João Batista de Azevedo,
no Estado de São Paulo, a alta do primeiro bimestre foi de 5%, representando
a contratação de 25,7 mil trabalhadores. Santos, embora não
tenha apresentado maior nível de contratação, apresentou
uma variação positiva de 2,03%, representando 427 novas vagas
formais.
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O ESTADO DO PARANÁ,
23 de abril de 2008 | Política
Deputados aprovam ao Paraná o
maior salário mínimo do Brasil
AE Notícias
A Assembléia Legislativa
aprovou nesta terça-feira (22), em segunda discussão,
projeto de lei do governador Roberto Requião que aumenta para
R$ 548,00 o salário mínimo regional do Paraná,
tornando-o maior do país. “O aumento ao salário
mínimo do Paraná, instituído em 2006, é mais
um instrumento no processo de diminuição das desigualdades
sociais e de distribuição de renda iniciado em janeiro
de 2003 sob o governo Requião”, disse o líder
do Governo, Luiz Claudio Romanelli (PMDB).
O projeto recebeu duas emendas
e volta a Comissão de Constituição e Justiça,
mas ainda nesta quarta-feira (23) será votado em terceira discussão
e redação final pelos deputados. “Há entendimento
de todos os deputados para aprovar a proposta nesta quarta-feira”,
disse Romanelli.
1º de maio
Assim que aprovado, o projeto
segue para sanção do governador Roberto Requião.
O mínimo regional começa a valer a partir de 1º de
maio. A medida contempla todas as categorias que não têm
acordo coletivo de trabalho, como as empregadas domésticas e
cabeleireiras.
Os novos valores fixados, segundo
Requião, foram acordados entre lideranças sindicais,
partidárias e o Governo do Estado. “Esses reajustes podem
ser suportados pelo atual quadro de desempenho da economia paranaense
e brasileira”, disse Requião na mensagem enviada a Assembléia.
Faixas
Os novos aumentos – em
seis faixas salariais – fortalecem, segundo Romanelli, o consumo
interno e estimulam o aumento da produção no Estado. “O
aumento de 15% representa 32% acima do piso nacional vigente e pode
atender 410 mil trabalhadores – o que representa 44% dos empregos
gerados no ano passado”, disse.
As seis faixas salariais ficaram
assim distribuídas: R$ 548,00 para técnicos de nível
médio; R$ 544,00 para trabalhadores da produção
de bens e serviços industriais; R$ 540,00 para trabalhadores
de serviços administrativos; R$ 535,00 para trabalhadores de
reparação e manutenção; R$ 531,00 para
trabalhadores empregados em serviços, vendedores do comércio
em lojas e mercados; e R$ 527,00 para trabalhadores empregados nas
atividades agropecuárias, florestais e da pesca.
Políticas sociais
O deputado destaca que somado
ao aumento do salário mínimo regional há ainda
as políticas compensatórias – Luz Fraterna, Tarifa
Social, Leite da Criança –, as políticas de crédito
e as políticas de isenção fiscal que atendem prioritariamente às
micro e pequenas empresas.
“Num cálculo rápido
as políticas compensatórias estaduais e federais ultrapassam,
em média, R$ 350,00. Somado ao piso regional, o Paraná terá um
incremento, um giro, de mais de R$ 1 bilhão na sua economia”.
Recorde
Romanelli lembrou a quebra
de recordes na geração de empregos no Paraná. “Nosso
estado já conseguiu gerar mais de 500 mil empregos desde 2003.
Somente nesse primeiro trimestre batemos todos os recordes com a criação
de 52 mil novos postos com carteira assina. Esse é o resultado
das políticas de incentivo fiscais e sociais promovidas pelo
governo estadual”, disse Romanelli.
Os dados fazem parte do Cadastro
Geral de Empregado e Desempregados (Caged) do Ministério do
Trabalho. Desde janeiro de 2003, o Paraná já gerou 516.259
novos empregos com carteira de trabalho assinada. Para avaliar a dimensão,
em oito anos do governo que antecedeu Requião, o Paraná gerou
37.882 empregos.
O Paraná gerou
25.085 novos empregos formais no mês de março, resultado
24,9% maior na comparação com igual mês do ano
passado. Com isso, o Estado fechou o trimestre com 52.132 empregos,
crescimento de 21,5% sobre o mesmo período de 2007 e novo
recorde histórico. No mês, o Estado ficou mais uma vez
entre os três líderes nacionais, juntamente com São
Paulo e Minas Gerais.
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O
ESTADO DO PARANÁ, 23 de abril de 2008 | Nacional
Mais de 200 já perderam cargo
por infidelidade partidária
Agência Estado
Desde a resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 30 de
outubro de 2007, que determinou que o cargo eletivo pertence aos partidos e não
aos eleitos, o número de infiéis cassados passou de 200 em todo
o País. Pelo menos 203 vereadores e um deputado federal, Walter Brito
Neto (PRB-PB), perderam o mandato por trocarem de legenda.
O líder no ranking dos Estados é o
Pará, que já determinou perda de cargo a 41 vereadores.
Em seguida, aparecem Rio Grande do Sul (37), Piauí (27) e
Paraná (23). Nenhum prefeito ou deputado estadual figura na
lista de cassados. A Bahia é uma exceção à regra
brasileira. Por conta própria, o Tribunal Regional Eleitoral
(TRE) baiano considerou a resolução do TSE inconstitucional
e indeferiu todos os pedidos de cassação encaminhados
ao órgão. Com isso, mais de 500 processos estão
parados.
Entre os Estados que levam adiante os processos
de infidelidade, o Paraná aparece de novo, mas desta vez na
liderança. O TRE paranaense recebeu 1.188 pedidos de cassação
- cerca de sete por dia desde a adoção da regra. O
volume é atribuído à atuação no
Ministério Público Eleitoral do Estado, que solicitou
a maioria das cassações. Logo atrás, aparecem
o Piauí, com 981, São Paulo, com 887, e Minas Gerais,
com 695.
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DIÁRIO DO NORDESTE,
23 de abril de 2008
Trabalhadores da construção
civil entram em greve em Fortaleza
Cerca de 3 mil trabalhadores, segundo números de dirigentes do Sindicato
da categoria, participaram, nesta terça-feira, de mobilizações
e piquetes em frente a obras de construção civil. O ato aconteceu
no primeiro dia de greve dos operários, que estão em campanha
salarial.
Embora os protestos tenham se
concentrado na área da Aldeota, principalmente na Praça
Portugal, houve piquetes em 15 pontos da cidade, em que os trabalhadores
da construção civil protestaram pelo não atendimento
de reivindicações salariais e benefícios.
Foi na Aldeota, no entanto, que
o ato se exacerbou por alguns militantes, que intimidaram e agrediram
verbalmente a equipe de reportagem do Diário do Nordeste. O repórter
fotográfico Gustavo Pellizzon chegou a ser ameaçado de
agressão física, ao flagrar situações de
desordem e ataque ao patrimônio particular. Com isso, a cobertura
chegou a ser interrompida, diante das ameaças.
Os protestos começaram
ainda pela madrugada, conforme informou o diretor do Sindicato dos Trabalhadores
da Construção Civil, Wilson Silva Nascimento. Ele disse
que a manifestou foi uma conseqüência pelo não atendimento
aos pleitos dos operários, os quais se destacam um reajuste de
17%, piso salarial de R$$ 770,00, jornada de trabalho de 42 horas semanais
e fim de trabalho aos sábados.
Segundo Wilson, essa pauta estava
sendo negociada desde fevereiro passado com o Sindicato das Empresas
da Construção Civil (Sindcon). “Saímos frustrados
das negociações e daí que recorremos a greve, de
forma que sejamos atendidos”, afirmou o diretor.
Um dos piquetes aconteceu a partir
da Praça Portugal. O primeiro canteiro abordado, por um dos grupos
em que esteve presente Wilson Silva, foi no cruzamento das ruas Pereira
Valente e Leonardo Mota. Naquele local, os trabalhadores da obra foram
dissuadidos a abandonar o trabalho.
Contudo, a situação
mais tensa aconteceu na Avenida Dom Luiz, à altura do número
606. Como alguns operários não atenderam aos apelos do
piquete, como o apedrajamento e a derrubada de tapumes instalados no
entorno da obra.
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AGÊNCIA BRASIL, 23
de abril de 2008
Comissão da Câmara analisa
uso do FGTS em consórcio de imóveis
Stênio Ribeiro
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A Comissão Especial do Sistema Único de Consórcios
da Câmara dos Deputados deve aprovar até o meio do ano o Projeto
de Lei nº 7161/06, do Senado, que permite ao trabalhador usar parte de
seu Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abater prestações
ou dar lances em consórcios de imóveis.
A previsão é do
presidente da comissão, deputado Aelton José de Freitas
(PR-MG), e foi feita depois de audiência pública, hoje (22),
quando o presidente da Associação Brasileira de Administradoras
de Consórcios (Abac), Rodolfo Garcia Montosa, e o assessor sênior
do Departamento de Normas do Sistema Financeiro (Denor) do Banco Central,
Edélnio Cardoso, elogiaram a proposta.
“Teremos mais duas ou três
audiências públicas e acredito que o projeto possa ser aprovado
pela comissão no final de maio ou início de junho”,
disse o deputado. A próxima audiência será no dia
29. Segundo Freitas, a votação na comissão especial
tem caráter conclusivo, caso não haja nenhuma alteração
que obrigue a devolução da matéria para o Senado.
Na audiência pública,
o presidente da Abac afirmou que o projeto “tem o irrestrito
apoio” das administradoras de consórcios. E destacou que
o tratamento legal proposto na matéria está “em
consonância” com as regras do Banco Central, órgão
normatizador e fiscalizador do sistema de consórcios. Com o
aperfeiçoamento dos processo de controle, acrescentou, houve "ganho
de credibilidade do sistema de consórcios na sociedade civil".
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O GLOBO, 23 de abril de 2008
Espanha prevê 1 milhão
de imigrantes sem emprego em 2009
BBC
Pela primeira vez nesta década, o fluxo de imigração para
a Espanha está diminuindo. A principal razão é a ameaça
de desemprego por causa da desaceleração econômica.
A confederação
de empresários do país calcula que cerca de 1 milhão
de estrangeiros perderão seus trabalhos até o fim de 2009
por culpa da crise, especialmente nos setores de serviço e construção,
onde atuam nove em cada dez trabalhadores brasileiros na Espanha.
"As notícias sobre
a crise econômica que se vive aqui já cruzaram o Atlântico,
e isso está dissuadindo muita gente que tentava entrar e agora
já não tem clara a possibilidade de encontrar emprego",
disse à BBC Brasil o secretário para imigração
do sindicato Comissões Operárias, Gasán Saliba.
O governo espanhol não
divulga números, mas confirma a redução na chegada
de estrangeiros. "O fenômeno da imigração está se
desacelerando", disse o ministro do Trabalho, Celestino Corbacho.
Segundo o ministro, a imigração
latino-americana, que ocupa a maior parte das vagas dos setores mais
vulneráveis (como construção, agricultura e serviços),
já está sentindo os efeitos da crise.
Ramos vulneráveis
No primeiro trimestre de 2008,
o Ministério do Trabalho registrou aumento de 92,1% de desempregados
imigrantes no setor da construção em relação
ao mesmo período do ano passado. Na agricultura, a taxa foi de
139,5%.
Pelos dados da Associação
Nacional de Empresários e Profissionais Autônomos (ANEP),
96% dos brasileiros trabalham na construção e no setor
de serviços.
Os imigrantes ocupam a maior
parte das vagas dos chamados ramos vulneráveis, em torno de 60%
do total de empregos.
A área mais prejudicada é a
da construção civil. No biênio 2008-2009, haverá entre
600 mil e 800 mil novos desempregados no setor, sendo 95,5% deles imigrantes,
segundo as previsões do presidente da Confederação
Espanhola de Organizações Empresariais (CEOE), Gerardo
Díaz Ferrán.
"Um número bastante
crítico, que deverá diminuir nos exercícios seguintes",
afirmou em comunicado à imprensa.
O problema é o futuro
desses trabalhadores forasteiros. A ANEP indicou em um informe apresentado
ao Ministério do Trabalho que "a rota natural dos imigrantes
desempregados é trabalhar por conta própria".
Passam a ser microempresários
principalmente em atividades relacionadas com serviços para sua
própria comunidade como restaurantes especializados em comidas
de seus países ou lojas de produtos de suas nacionalidades.
O sociólogo Carlos Gil
Gómez avalia, entretanto, que a maior parte dos imigrantes desempregados
acaba na economia do trabalho informal.
Autor de um estudo para o Observatório
Permanente da Imigração da Universidade de Alicante, Gómez
adverte que a recessão começou no setor da construção
e se estenderá aos serviços e outras atividades como a
agricultura e o emprego doméstico.
"Se considerarmos que 65%
das mulheres imigrantes estariam trabalhando no serviço doméstico,
já percebemos o grande nível de precariedade laboral",
afirma o sociólogo. "A primeira conseqüência será que
os estrangeiros migrem para atividades clandestinas por falta de opções."
Repatriação voluntária
O governo espanhol oferece como
saída o aeroporto. O ministro Corbacho disse na última
segunda-feira que o Estado anunciará em duas ou três semanas
um pacote de medidas que promovam a repatriação voluntária
dos estrangeiros.
A primeira, já confirmada
pelo primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero,
será oferecer passagem de volta e microcréditos para quem
quiser estabelecer um negócio em seu país de origem.
Outra é a capitalização
dos benefícios que tenham gerado na Espanha. Isso quer dizer que
os trabalhadores imigrantes legais que pagam cotas para aposentadoria
ou seguro desemprego podem receber as devoluções em seus
países com rentabilidade, em vez de cobrá-las na Europa.
Mas além de soluções
o governo quer evitar mais problemas. O ministro disse também
que a Espanha vai endurecer as leis para imigração e pretende
que os estrangeiros só possam ter licenças de trabalho
se chegarem com contrato.
O objetivo é só permitir
a contratação para vagas necessárias. O governo
ajustaria assim o número de trabalhadores às necessidades
econômicas e laborais de cada momento.
Isso acabaria com a lei
atual que permite a regularização dos imigrantes que
recebem ofertas de trabalho.
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ÂMBITO JURÍDICO,
23 de abril de 2008
Liminar obriga a emissão
de CTPS e registro de contrato em favor de adolescente
Fonte: PGT
O Ministério Público
do Trabalho no Espírito Santo obteve na Justiça do Trabalho
decisão favorável a um adolescente de 16 anos que trabalhava
numa microempresa sem receber os direitos previstos em lei. A decisão
reconhece a competência do MPT para propor ações
em defesa dos direitos e interesses de crianças e adolescentes
decorrentes das relações de trabalho.
Em liminar concedida no âmbito
de ação civil pública ajuizada pelo procurador do
Trabalho Estanislau Tallon Bózi, o juiz Valdir Donizetti Caixeta,
da Vara do Trabalho de Colatina (ES), determinou à Superintendência
Regional do Trabalho e Emprego do Espírito Santo que expeça
a carteira de trabalho e faça o registro do contrato laboral do
adolescente, que trabalhava para o microempresário Romário
Gonçalves de Araújo.
Segundo o magistrado, a decisão é extensiva
a "qualquer menor encontrado em atividade, como empregado".
A SRTE/ES deverá expedir a carteira de trabalho, no prazo de 15
dias, a contar da data da ciência do mandado, sob pena de multa
diária de R$ 1 mil, a ser revertida ao Fundo de Amparo do Trabalhador
(FAT), independentemente de reclamação do interessado.
De acordo as informações
levadas ao juiz pelo MPT, a SRTE/ES recusou-se a emitir a CTPS e a registrar
o contrato em favor do adolescente, alegando que não poderia fazê-lo,
uma vez que tal conduta dependia da solicitação do interessado.
Foi alegado ainda que o adolescente em questão não poderia
exercer qualquer tipo de trabalho, exceto na condição de
aprendiz.
Essas providências estavam
previstas em termo de ajustamento de conduta firmado entre o empregado
e o Ministério Público do Trabalho, quando foi estabelecido
que a emissão da CTPS e a conseqüente anotação
do contrato de trabalho caberia à SRTE/ES.
Para o juiz Valdir Donizetti
Caixeta, o Ministério do Trabalho e Emprego, por intermédio
da SRTE/ES, "está interpretando equivocadamente" as
normas da Constituição Federal e da Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT).
"Ambos os comandos
legais são inspirados no princípio da proteção
integral da criança e do adolescente; logo a proibição
do trabalho do menor de 16 anos, que estabelecem, é dirigida
a ao empregador (e a toda a sociedade), e não contra o menor,
negando-lhe direitos", alegou o magistrado ao fundamentar sua
decisão.
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REGISTRO
SINDICAL:
IMPERFEIÇÕES E ILEGALIDADES COMPROMETEM A PORTARIA 186/08
Edésio Passos
A Portaria nº 186, de
10.04.2008, publicada em 14.04.2008 (DOU.Seção I), do
Ministro Carlos Lupi, do Trabalho e Emprego, fixou normas sobre os
pedidos de registro sindical e alteração estatutária,
revogando a Portaria nº 343, de 04.05.2000, com as alterações
posteriores pelas Portarias 375, 376,144 e 200. São 34 artigos,
já em vigor e aplicados a todos os processos em curso naquele
Ministério. A Portaria Ministerial vem lastreada na Constituição
Federal (art.87, parag. único, inciso II) e no Título
V da CLT, além de referir-se, expressamente, à Súmula
677 do Supremo Tribunal Federal. Significa instruir sobre a organização
sindical nos termos consolidados, respeitado o enunciado da Súmula
677-STF: “Até que lei venha a dispor a respeito, cabe
ao Ministério do Trabalho proceder ao registro das entidades
sindicais e zelar pela observância do princípio da unicidade”.
Em primeira abordagem, anotamos algumas falhas, imperfeições
e ilegalidades na Portaria que a comprometem parcialmente e indicam
a necessidade de sua imediata revisão.
Precariedade da CLT
Inexistindo lei sindical específica,
as regras contidas na CLT sobre organização sindical
são aplicáveis pós-Constituição
Federal de 1988? Esta questão vem sendo respondida pelo Poder
Judiciário em face a questões específicas, quando
a ele submetidos litígios decorrentes das mais variadas situações.
A criação de entidade sindical é uma delas. Na
medida em que as regras sindicais da CLT são questionáveis,
o Ministério do Trabalho e Emprego gradativamente, através
de instruções e portarias, adota normas não apenas
regulamentadoras, mas verdadeiros dispositivos legais inovadores. Então,
os Ministros do Trabalho têm se transformado em legisladores. É exatamente
o caso das várias Portarias sobre registro sindical, como o
da atual Portaria 186/08, em verdade uma lei sobre registro sindical,
tal o poder concentrado nas mãos do Ministério. Como,
por exemplo, em se atribuir o direito de decidir sobre as impugnações,
podendo determinar o arquivamento das mesmas e o conseqüente deferimento
do pedido de registro da entidade sindical.
As impugnações
O art.10 da Portaria 186/08
possibilita que a impugnação venha a ser arquivada por
dez motivos indicados nos seus incisos. Embora fundamentada a decisão
de arquivamento da impugnação, sujeita a recurso administrativo
nos termos da Lei 9784/1999, esta disposição transcende
ao poder ministerial que deve estar restrito a receber os pedidos de
registro sindical, publicá-los e receber as impugnações.
Este é o limite de sua atuação. Mais do que isso,
trata-se de exorbitar em sua competência. Em recente decisão
(20.02.2008), o juiz da 11ª Vara do Trabalho de Brasilia, DF,
dr. Acélio Ricardo Vales Leite, acentua:”Tendo havido
impugnação por parte da impetrante ao pedido de registro
do novo sindicato, competia à autoridade coatora ater-se à análise
do preenchimento dos requisitos traçados na lei, sem emitir
qualquer juízo meritório acerca da oportunidade e da
conveniência do desmembramento. Ao mencionar que a criação
do novo sindicato ‘não viola a unicidade sindical, haja
vista que a sua criação decorreu da vontade da categoria’,
ao analisar a impugnação, a autoridade coatora acabou
por dizer que a oposição do impetrante não tem
fundamento e, assim, não procede. Deveria ater-se à questão
relacionada com os requisitos objetivos da impugnação
e remeter as partes para as vias da conciliação ou do
Judiciário” (vide autos 00142-2008-011-10-00-1). Assim,
melhor seria se apresentada a impugnação, remetesse o
processo para a autocomposição, medida inovadora constante
da Portaria que permite, pela via da conciliação, resolver
o litígio. Mas, na impossibilidade do acordo, sustar o andamento
do pedido de registro até a decisão judicial final.
Retificação
Eis outros pontos. A regra
da publicidade do ato constitutivo da entidade, a assembléia
geral dos membros da categoria, se efetivará pelo edital de
convocação publicado, simultaneamente, no Diário
Oficial da União e em “jornal de grande circulação
diária na base territorial”. A Portaria é falha
em não especificar a necessidade de que o ato de convocação,
ou seja, o edital, venha assinado por pessoa identificada quanto a
CTPS, CPF, empresa ou contrato de trabalho e domicílio. Assim
também, a ata da assembléia geral será “acompanhada
de lista contendo o nome completo e assinatura dos presentes”,
determinação imprecisa e aberta às fraudes que
vêm ocorrendo na fundação de entidades sindicais.
Eis que deverá ser retificada a Portaria com a exigência
da empresa, natureza social e sua localização, no caso
de entidade sindical patronal; e do local de trabalho e CPTS do trabalhador,
para comprovação da sua categoria profissional e de seu
contrato de trabalho. Outra lacuna observada é a inexistência
de regras específicas para o desmembramento da entidade sindical
originária, quer quanto a representação, quer
quanto a base territorial. O parágrafo único do art.
3º trata das fusões e incorporações de entidades
sindicais, consideradas alterações estatutárias,
mas não se refere expressamente à constituição
de nova entidade derivada da originária. Todas as questões
relativas a estas situações devem ser revistas pelos
formuladores da Portaria.
Entidades de grau superior
Este ponto é de maior
gravidade. Outra novidade da Portaria 186/08 trata da formação
e do registro das entidades de grau superior, federações
e confederações, a organizar-se nos termos dos arts.534
e 535 da CLT. Como o processo de desmembramento de entidades sindicais
não está explicitado em lei, o Ministério do Trabalho
e Emprego vem reconhecendo a pluralidade no campo federativo e confederativo,
embora esse campo sindical já esteja definido há muitos
anos no sistema da unicidade sindical. Relembramos que, não
conseguindo a quebra do sistema da unicidade sindical pela reforma
sindical pretendida, ela vem sendo efetivada pelo reconhecimento de
sindicatos, federações e confederações
paralelas ou desdobradas das entidades sindicais do plano básico.
Um dos mais recentes exemplos dessa desconstituição por
decisão do Ministério do Trabalho, é a aprovação
da nota técnica que reconhece a existência legal da Confederação
Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro – Contraf – organização
sustentada pela política da Central Única dos Trabalhadores.
Relembremos também a recente luta da Fetraconspar/CNTI contra
a criação da Confederação Nacional dos
Trabalhadores na Indústria da Construção, da Madeira
e Assemelhados, sustada através da mobilização
das Federações do setor e de medidas judiciais. A nova
Portaria abre campo para o pluralismo no plano das federações
e confederações, fato saudado pela CUT: “No que
tange à criação de entidades de “grau superior”,
como federações e confederações, sempre
que os requisitos mínimos legais forem cumpridos, o Ministério
do Trabalho irá efetuar o reconhecimento da referida entidade.
Para a Secretária de Organização da CUT Nacional,
Denise Motta Dau, “a Portaria do MTE traz na sua orientação
uma maior liberdade, abrindo espaço para a legalização
de várias entidades de nível superior que já são
reconhecidas de fato mas não de direito”(em 16.04.08 no
site www.cut.org.br). Neste sentido, a ilegalidade contida na Portaria é manifesta,
uma vez que o sistema confederativo é reconhecido na Constituição
Federal, art.8º, sendo explicita a norma que preceitua: “é vedada
a criação de mais de uma organização sindical,
em qualquer grau, representativa de categoria profissional ou econômica...”(inciso
II do art.8º), ou seja, em qualquer grau significa também
no grau superior das federações e confederações.
A prática sindical
Tanto o princípio da
unicidade sindical, como o da liberdade e autonomia sindical, foram
confirmados por históricas decisões do Supremo Tribunal
Federal, assim como a necessidade do registro no Ministério
do Trabalho e Emprego. Portanto, liberdade e unicidade sindical coexistem
no sistema e deveriam ser garantidas pelo Ministério do Trabalho
e Emprego. Mas esta aparente contrariedade tem sido motivo de amplo
debate judicial, na medida em que na prática sindical ocorre
(a) a livre fundação da entidade (b) o pedido de reconhecimento
pelo registro no Ministério do Trabalho e Emprego (c) a possibilidade
da impugnação por entidade sindical que for atingida
em sua representatividade sindical ou na sua base territorial (d) as
decisões judiciais que decidem, em definitivo, as disputas em
torno das controvérsias surgidas. Assim, em primeiro plano, é em
torno do registro no Ministério do Trabalho e Emprego que as
disputas entre as várias correntes do movimento sindical se
degladiam. Pois, a partir da decisão, favorável ou contrária
daquele organismo público, que o Poder Judiciário tem
decidido sobre a infringência ou não dos princípios
constitucionais que norteiam a organização sindical brasileira.
Por isso, não é aconselhável que o Ministério
do Trabalho e Emprego baixe novas instruções que, ao
invés de reforçarem o princípio histórico
da unicidade sindical, abram campo de novas e profundas disputas sindicais.
Histórica decisão
do STF
Vide histórica decisão
do Supremo Tribunal Federal, de 1995, em face de ação
direta de inconstitucionalidade: “Registro Sindical e Liberdade
Sindical: - A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, no
interpretar a norma inscrita no art. 8º, I, da Carta Política – e
tendo presentes as várias posições assumidas pelo
magistério doutrinário (uma, que sustenta a suficiência
do registro da entidade sindical no Registro Civil das Pessoas Jurídicas;
outra, que se satisfaz com o registro personificador no Ministério
do Trabalho e a última, que exige duplo registro: no Registro
Civil das Pessoas Jurídicas, para efeito de aquisição
da personalidade meramente civil, e no Ministério do Trabalho,
para obtenção da personalidade sindical) -, firmou a
exigência de registro sindical no Ministério do Trabalho, órgão
este que, sem prejuízo de regime diverso passível de
instituição pelo legislador comum, ainda continua a ser
o órgão estatal incumbido de atribuição
normativa para proceder à efetivação do ato registral.
Precedente: RTJ 147/868, Rel. Min.Sepúlveda Pertence. O registro
sindical qualifica-se como ato administrativo essencialmente vinculado,
devendo ser praticado pelo Ministro do Trabalho, mediante resolução
fundamentada, sempre que, respeitado o postulado da unicidade sindical
e observada a exigência de regularidade, autenticidade e representação,
a entidade sindical interessada preencher, integralmente, os requisitos
fixados pelo ordenamento positivo e por este considerados como necessários à formação
dos organismos sindicais” ( ADI 1121-9,Tribunal Pleno, STF, DJ
06.10.95, ementário 1803-01, relator Ministro Celso de Mello).
Destaca o acórdão que o Ministro do Trabalho se obriga,
ao decidir sobre o registro sindical, adotar “...resolução
fundamentada, sempre que, respeitado o postulado da unicidade sindical
e observada a exigência de regularidade, autenticidade e representação,
a entidade sindical interessada preencher, integralmente, os requisitos
fixados pelo ordenamento positivo...”. Exatamente a observância
de tal postulado é que balisará, se houver, a decisão
judicial que confirmará ou negará o despacho ministerial.
Mas ao legislar sobre a matéria sindical via a Portaria 186/08,
a autoridade administrativa se transforma em verdadeiro legislador/
julgador, monopolizando a ação sindical em torno de suas
resoluções.
A salvaguarda da unicidade sindical
Por isso, anteriormente, em
1993, o Supremo Tribunal Federal definia o caráter do despacho
ministerial sobre registro sindical em acórdão em mandado
de injunção: “1.O que é inerente à nova
concepção constitucional positiva de liberdade sindical é,
não a inexistência de registro público – o
qual é reclamado, no sistema brasileiro, para o aperfeiçoamento
da constituição de toda e qualquer pessoa jurídica
de direito privado -, mas, a teor do art.8º, I, do texto fundamental, “que
a lei não poderá exigir autorização do
Estado para a fundação de sindicato”; o decisivo,
para que se resguardem as liberdades constitucionais de associação
civil ou de associação sindical, é, pois, que
se trate efetivamente de simples registro – ato vinculado subordinado
apenas à verificação de pressupostos legais -,
e não de autorização ou de reconhecimento discricionários.
2. A diferença entre o novo sistema, de simples registro, em
relação ao antigo, de outorga discricionária do
reconhecimento sindical não resulta de caber o registro dos
sindicatos ao Ministério do Trabalho ou a outro ofício
de registro público. 3. Ao registro das entidades sindicais
inere a função de garantia da imposição
de unicidade – esta, sim, a mais importante das limitações
constitucionais ao princípio da liberdade sindical”. (
Mandado de Injunção 144, Tribunal Pleno, DJ 28.05.93,
ementário 1705-1, relator Ministro Sepúlveda Pertence).
Ao quebrar o princípio da unicidade, impedindo o livre curso
da impugnação e aceitando o pluralismo no âmbito
das entidades federativas e confederativas, a Portaria 186/08 subverte
o sistema e caminha em direção à sua desconstituição
via-estatal. É fundamental salientar que o STF indica, com clareza,
a essência do ato ministerial que é de simples registro,.
mas basicamente para garantir o princípio constitucional da
unicidade sindical, ou seja, a função de salvaguarda.
Esta diretriz se consubstanciou na Súmula 677 do STF:”Até que
lei venha a dispor a respeito, cabe ao Ministério do Trabalho
proceder ao registro das entidades sindicais e zelar pela observância
do princípio da unicidade”.
Parecer
O dr. Hélio Stefani
Gherardi, advogado, do corpo técnico do DIAP, publicou parecer
sobre a Portaria n° 186/08 no site daquele organismo, iniciando
o debate sobre as novas instruções. Salienta, na sua
precisa exposição, que a Portaria “trouxe, desta
forma, as adequações necessárias aos procedimentos
administrativos para registro sindical e alterações estatutárias,
estabelecendo as exigências claras para efetiva e concreta comprovação
de representatividade e base territorial, adotando a possibilidade
da autocomposição para a solução de conflitos
intermináveis, objetivando amparar categorias que se encontram à margem
da própria evolução em razão de infindáveis
discussões sobre quem, efetivamente, é seu representante
sindical. Por outro lado, apresenta, em relação às
entidades de grau superior, a possibilidade do pluralismo sindical,
embasada, evidentemente na Lei n° n° 11.648, de 31 de março
de 2.008, que reconheceu formalmente as Centrais Sindicais.” (consulte
a íntegra do parecer em www.diap.org.br).
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edesiopassos@terra.com.br.
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Gazeta do Povo, 23 de abril de 2008
Assembléia
Deputados tentam embutir outros reajustes
no projeto do mínimo
A Assembléia Legislativa vota hoje, em segunda discussão, o projeto
do governo que aumenta em 15,27% o salário mínimo regional do
Paraná, que passaria de R$ 475 para até R$ 548 a partir de 1º de
maio. Mas alguns deputados querem aproveitar a oportunidade para “embutir” no
projeto emendas criando vantagens salariais para professores estaduais e policiais
militares.
O líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), já avisou
que não quer mudanças no texto original, que prevê reajuste
de R$ 527 a R$ 548, dependendo da categoria, apenas para profissionais da iniciativa
privada que não têm acordo coletivo de trabalho, como empregadas
domésticas. Segundo ele, o reajuste dos salários de todos os
servidores públicos já é objeto de outro projeto de lei,
que ontem foi encaminhado pelo governo à Assembléia.
A segunda votação do projeto do mínimo regional estava
prevista para esta terça-feira. Mas, como recebeu emendas, deve retornar à Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ) para novo parecer. A comissão
se reúne hoje em sessão extraordinária às 12h30,
e na sequência, o projeto vai ser votado no plenário.
Uma das emendas prevê que o menor salário mínimo pago pelo
governo do estado não pode ser menor que o piso regional. A justificativa
do líder da oposição, Valdir Rossoni (PSDB), é que
como alguns soldados da PM estariam recebendo um salário básico
de R$ 287, abaixo do menor piso regional de R$ 527. Para compor o restante
dos vencimentos, os soldados estariam ganhando, segundo Rossoni, R$ 853,43
de gratificação. Romanelli disse que os soldados de segunda classe
na verdade recebem R$ 836 e isso ocorre porque eles ainda estão estudando
para ingressar na PM.
Outras duas emendas aproveitam o projeto para garantir aumento salarial para
o funcionalismo. As duas propostas são de Mauro Moraes (PMDB) e concedem,
respecativamente, 19% de aumento aos professores do ensino médio e aos
policiais militares e civis. Já Antônio Belinati (PP) propôs
que o reajuste do piso regional deve ser retroativo a 1º de abril, em
vez de vigorar em 1º de maio.
A última emenda corrige a redação do projeto ao revogar
a lei de 2007, que fixou os valores do piso salarial no Paraná. “É uma
forma de evitar questionamentos jurídicos sobre a lei. Para vigorar
a lei atual, é preciso revogar a lei anterior”, explica Reni Pereira
(PSB).
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Agência Câmara,
23 de abril de 2008
Sindicalistas e empresários
divergem sobre norma da OIT
Laycer Tomaz

Sindicalistas defendem convenção, mas empresários
temem engessamento do mercado.
A ratificação pelo Congresso Nacional da Convenção
158, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), dividiu
sindicalistas e empresários em debate promovido nesta terça-feira
pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço
Público. Para os sindicalistas, a convenção, que proíbe
a demissão sem justa causa, vai reduzir a rotatividade no trabalho e
dar mais segurança aos empregados. Mas, segundo os representantes do
setor produtivo, o documento vai engessar o mercado de trabalho e dificultar
a contratação formal. No meio do conflito, o Ministério
do Trabalho informou que apóia a ratificação.
A convenção foi
enviada pelo Executivo em fevereiro, por meio da Mensagem 59/08, e está em
análise na Comissão de Relações Exteriores
e de Defesa Nacional, onde o relator é o deputado Júlio
Delgado (PSB-MG). "É claramente um debate de conflitos",
resumiu o deputado Eudes Xavier (PT-CE), que participou da audiência
- a primeira feita pela Câmara para discutir o assunto.
Autor do requerimento para realização
da audiência, o deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA) manifestou a
mesma opinião. Para ele, o tema precisará ser melhor debatido
até que o Congresso decida formalmente sobre o assunto. Almeida
defendeu inclusive a realização de um seminário
internacional sobre a convenção, conforme foi sugerido
pelo presidente da comissão, deputado Pedro Fernandes (PTB-MA).
Queda
salarial
Para os sindicalistas, a virtude da convenção é atacar
a queda salarial provocada pela rotatividade. De acordo com o diretor executivo
da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Carlos Henrique de Oliveira,
as empresas demitem os funcionários e contratam outros para a mesma
atividade, mas com salários mais baixos.
Essa realidade, segundo ele,
ocorre mesmo com o bom desempenho da economia brasileira, que está contratando
mais do que demitindo. "A rotatividade é um mecanismo de
redução da massa salarial", ressaltou. Um estudo do
Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese) citado por ele mostra que, em 2007, a média salarial
dos novos contratados foi 9,15% menor do que a dos demitidos (R$ 642,67
contra R$ 707,39, respectivamente).
O representante da Força
Sindical, Herbert Passos, acrescentou que a redução da
rotatividade, ao impedir o rebaixamento salarial, contribui para a distribuição
de renda. De acordo com os demais sindicalistas presentes, a convenção
melhora as condições de trabalho, pois obriga o empregador
a justificar a demissão, abrindo possibilidade de questionamento
judicial. Essa também é a opinião da coordenadora-geral
substituta de Relações do Trabalho da Secretaria do Trabalho,
Paula Polcheira.
Segundo ela, a norma da OIT instaura
um canal de diálogo entre trabalhadores e patrões, e também é boa
para o empregador porque fixa regras claras sobre os casos proibidos
de demissões sem justa causa, como os motivados por filiação
sindical, ausência do trabalho por licença-maternidade ou
médica e preferência religiosa ou sexual.
Previsão
na lei
Entre os empresários, os argumentos foram de ordem jurídica e
econômica. Eles salientaram que as normas previstas na Convenção
158 já são disciplinadas pela legislação e pela
jurisprudência brasileiras. "A legislação brasileira é melhor
do que a convenção", disse o advogado Dagoberto Lima Godoy,
representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Ele citou como exemplo a existência
do aviso prévio, seguro-desemprego por cinco meses e pagamento
da multa de 40% do FGTS no caso de demissão imotivada. Para ele,
a norma da OIT eleva o custo do trabalho, pois obriga a empresa a sempre
justificar a causa da demissão e a só dispensar o trabalhador
após ter dado prazo para ele se defender das razões do
desligamento.
"O sistema brasileiro é mais
simples e menos conflitivo", disse Godoy, alertando que as medidas
vão desestimular os empresários a contratar mais pessoal,
e reforçar o apelo da automação. Para o representante
da Confederação Nacional das Instituições
Financeiras (CNIF), José Maria Riemma, a convenção "é a
volta da estabilidade de uma forma velada".
Riemma argumentou que a "burocratização" das
demissões aumentará o número de processos judiciais,
engessará o mercado de trabalho e afugentará os investimentos
privados. Ele e os demais representantes do patronato lembraram que
a norma da OIT só é adotada por 34 dos 181 países
que compõem a OIT, e que a taxa de desemprego é menor
onde ela não foi ratificada.
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Agência Diap, 23 de
abril de 2008
SP: trabalhadores da construção
têm aumento de 8,51%
O Sindicato dos Trabalhadores
da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP)
fechou nesta terça-feira (22), junto ao sindicato patronal, o
maior acordo coletivo de sua história, na opinião de seu
presidente Antonio de Sousa Ramalho.
O reajuste salarial dos
cerca de 250 mil profissionais sob a influência da entidade será,
a partir de 1º de maio, de 8.51%.
" Nós conseguimos, ainda, manter o piso da categoria bem superior
ao do salário mínimo proposto pelo Governo do Estado de São
Paulo (R$ 450,00). O servente, na tabela de pagamentos do setor em São
Paulo é de R$ 712,80 mensais, ou seja, R$ 3,24 por hora", afirma
o líder sindical.
Ramalho ressalta que para trabalhadores qualificados (pedreiros, armadores,
carpinteiros, pintores, gesseiros e demais profissões), o piso é maior:
R$ 851,40 mensais, ou seja, R$ 3,87 por hora.
" Nós sabemos que muitas empresas pagam salário mínimo
de R$ 415,00. Pois, a partir desse acordo, ninguém pode receber menos
de R$ 712,80", explica.
Além da questão financeira, o Sindicato dos trabalhadores conseguiu
cesta-básica de 30 quilos (aumento de valor de 24,5%) e aumento no valor
do Vale-Refeição, que passou a valer R$ 10,50.
" Conseguimos fazer com que os trabalhadores das Contratadas tenham também
direito ao Seconci – Serviço Social da Indústria da Construção
e do Mobiliário", finaliza Ramalho.
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Folha de São Paulo, 23 de abril de 2008
Opinião da Folha de S.Paulo:
Teoria e prática sindical
A POLÍTICA sindical do governo Lula converteu-se numa grande ação
entre amigos. O último acepipe servido na festa de confraternização
entre as ex-rivais CUT (Central Única dos Trabalhadores) e Força
Sindical é a portaria nº 186, que deverá fomentar a criação
de federações e confederações de trabalhadores
e patrões.
A medida, como sempre, vem travestida de roupagens liberais. Os sindicatos
terão doravante, pelo incremento das opções, maior liberdade
para escolher a quais federações e confederações
vão filiar-se. Na forma, tal raciocínio é incontestável.
Na prática, entretanto, existem razões para recear que as coisas
não sejam bem assim.
A portaria concede ao Ministério do Trabalho o poder de atuar como instância
de conciliação no caso de conflito entre entidades que disputem
a representação de uma mesma categoria de trabalhadores ou de
atividade econômica. Fica criada, assim, mais um balcão de favorecimento
de amigos. CUT e Força tenderão a manter seus feudos e ampliá-los à expensa
de centrais menores e com menos "representatividade" no ministério.
Curiosamente, agora não parece valer o argumento de que colocar sindicatos
sob a influência de um braço do Estado fere a autonomia dos trabalhadores.
Foi com base nesse raciocínio que Lula vetou o mecanismo que permitiria
ao Tribunal de Contas da União (TCU) fiscalizar os recursos provenientes
da contribuição negocial, que irrigam os cofres sindicais com
verbas da ordem de R$ 1 bilhão anual.
O caminho para promover uma verdadeira reforma sindical, que de fato elimine
a indevida tutela estatal, é conhecido pelo menos desde 1948, quando
surgiu a Convenção nº 87 da Organização Internacional
do Trabalho, ligada à ONU.
O documento, que era defendido pela CUT até a chegada de Lula ao poder,
preconiza a eliminação das contribuições compulsórias
e da unicidade sindical (norma que permite uma única associação
para cada categoria na mesma base territorial).
Essas duas disposições se somam para fomentar a necessária
concorrência por filiados, base de todo sindicalismo independente.
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Agência Câmara,
23 de abril de 2008
Câmara autoriza empréstimo de R$ 12,5 bilhões ao BNDES
Gilberto Nascimento

Relator rejeitou todas as emendas e texto do Executivo foi mantido.
O Plenário aprovou nesta terça-feira a Medida Provisória
414/08, que autoriza o Tesouro Nacional a conceder empréstimo de R$
12,5 bilhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES), em condições contratuais e financeiras a serem
definidas pelo Ministério da Fazenda. A matéria será analisada
agora pelo Senado.
A MP foi relatada pelo deputado
José Guimarães (PT-CE), que rejeitou todas as emendas ao
texto, aprovado na forma original enviada ao Congresso. Guimarães
lembrou que projetos do Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC) deverão ser contemplados com o aumento de recursos do banco,
dos quais vários nas regiões Norte e Nordeste: "As
hidrelétricas do Rio Madeira, a construção do aeroporto
internacional de Natal, uma refinaria em Pernambuco e a siderúrgica
no Ceará são alguns dos projetos do PAC que precisam desses
recursos", afirmou.
Demanda
Segundo o Executivo, o objetivo é ampliar os recursos disponíveis
para financiamentos, devido ao aumento da demanda. O BNDES é o principal
agente financeiro federal de investimento de longo prazo.
O banco já tem disponíveis
R$ 52,5 bilhões para empréstimos neste ano. Somados aos
R$ 12,5 bilhões, o total disponível para financiamentos
sobe para R$ 65 bilhões em 2008. Esse valor ainda pode aumentar,
pois a direção do banco afirma que há demanda para
R$ 80 bilhões.
De acordo com a MP, o empréstimo
ao BNDES não vai representar impactos sobre as contas públicas,
pois entra na contabilidade como ativo financeiro da União. Além
disso, ele será concedido com o mesmo custo de captação
de longo prazo conseguido pelo Tesouro Nacional, que poderá usar
também recursos de superávit financeiro dos anos anteriores.
Admissibilidade
Na única votação nominal sobre a MP, os partidos de oposição
questionaram a admissibilidade da medida. Porém, os deputados mantiveram
por 264 votos a 32 o parecer do relator, admitindo a matéria quanto
aos aspectos constitucionais de relevância e urgência.
A discussão sobre
o assunto deve continuar com a votação da MP 420/08,
contra a qual o DEM entrou com Ação Direta de Inconstitucionalidade
(Adi) no Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que ela não
tem urgência ou relevância. A MP 420/08 concede, na prática,
o crédito extraordinário autorizado pela MP 414/08.
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Agência Diap, 23 de
abril de 2008
"Se a notícia é importante,
ela virá até nós"
Por: Carlos Castilho*
Pouca gente deu a devida importância
a esta frase quando ela apareceu no relatório sobre novos hábitos
informativos dos jovens norte-americanos, divulgado em janeiro de 2008,
pelo Pew Research Center for the People and the Press.
O informe mostrou que 2/3 dos entrevistados com menos de 30 anos, se informam
por meio de grupos de discussão, mensagens de amigos, comunidades virtuais
e páginas da chamada Web 2.0 ou Web Social, onde os conteúdos
são produzidos pelos usuários.
Passados quase cinco meses, a frase virou um slogan na boca da maioria dos
analistas da internet, a partir de um fenômeno que a imprensa mundial
também deu pouca importância.
Cinco minutos depois do pré-candidato a presidente dos Estados Unidos,
Barack Obama ter feito um pronunciamento sobre questões raciais num
vídeo publicado pelo site You Tube, a mensagem já tinha sido
visualizada por 1,3 milhões de internautas e foi reproduzida por 500
weblogs individuais. Hoje, o número de visualizações já passou
dos quatro milhões e não há mais como contar o número
de blogs que passaram adiante o recado de Obama.
O fenômeno voltou às manchetes nos últimos dias porque
os políticos envolvidos na campanha presidencial norte-americana começaram
a perceber que toda a estratégia de marketing eleitoral por meio da
mídia convencional simplesmente não está funcionando entre
o eleitorado jovem.
E mais do que isto está criando uma imagem falsa das tendências
políticas porque o sistema de veiculação de informações
e de formação de opiniões entre os jovens, com menos de
30 anos, simplesmente caiu fora do controle dos grandes marqueteiros eleitorais.
E está fugindo também ao controle dos estrategistas editoriais
de jornais, revistas, emissoras de televisão e rádio. Se estiver
certa a tese do Se a noticia é importante, ela virá até mim,
o modelo editorial da imprensa terá que ser revisado porque será anacrônico
para a geração com menos de 30 anos e que será a grande
consumidora de notícias daqui a 20 anos.
As últimas pesquisas indicam que o caminho da notícia já mudou
de sentido. Está ganhando cada vez mais intensidade o hábito
das pessoas sugerirem notícias a amigos e parentes. Há dois anos,
eu tinha uns dois ou três amigos que faziam isto. Hoje meu correio eletrônico
fica entulhado com recomendações de mais de 20 parceiros virtuais
regulares e já não tenho tempo de ler tudo que me mandam.
Estão se multiplicando as comunidades de informação onde
as pessoas trocam informações entre si. Mas, oitenta por cento
destas notícias ainda têm origem na grande imprensa e o restante
em blogs e veículos alternativos.
Isto mostra que os grandes jornais, revistas e emissoras de TV continuam sendo
os grandes produtores de notícias jornalísticas, mas perdem rapidamente
a capacidade de contextualizar a informação, elemento que foi,
durante muito tempo, a sua principal ferramenta para incidir sobre o processo
de formação da opinião pública.
Os amigos começam a substituir os jornalistas e editores como referência
em matéria de relevância de notícias. Outra mudança
não menos importante: a declaração de 30 segundos na TV,
que os americanos chamam de “sound bite” , está sendo substituída
rapidamente pelos vídeos mais longos, na preferência dos eleitores
jovens nos Estados Unidos.
O famoso pronunciamento de Barack Obama dura 37 minutos e está disponível
no You Tube em quatro segmentos porque o site limita em 10 minutos a duração
dos vídeos publicados. Por outro lado, a presença cada vez maior
dos jovens na Web está criando uma nova ferramenta eleitoral, o entretenimento-político.
A música Yes We Can, gravada pelo cantor rapper Will.I.Am (um jogo de
palavras que significa Eu Sou Will) em apoio a Barack Obama já foi ouvida,
em suas várias versões, por mais de 20 milhões de jovens
norte-americanos no site You Tube. Will.I.Am integra o grupo Black Eyed Peas.
Jeff Jarvis, um bem sucedido blogueiro e consultor em Web, cunhou a expressão
press-sphere (midiasfera) para definir um ambiente informativo onde a imprensa
não tem mais o monopólio da filtragem das notícias. A
possibilidade de pular de uma fonte para outra usando os hiperlinks e a generalização
das recomendações como ferramenta informativa estão transformando
os leitores em editores de notícias.
(*) Editor do Blog “Código
Aberto”, publicado pelo Observatório da Imprensa de
21/04/08.
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Agência Diap, 23 de
abril de 2008
ONU esclarece: não há nada
contra o etanol feito no Brasil
Após semanas de desentendimento,
finalmente alguma autoridade das Nações Unidas veio a público
esclarecer que a entidade, quando ataca o biocombustível, não
se refere ao produto feito no Brasil. ''Quando falamos da influência
dos biocombustíveis na economia dos grãos, estamos falando
do milho dos EUA, não da cana-de-açúcar do Brasil'',
disse nesta terça-feira (22) Abdolreza Abbassian, secretário
do Grupo Intergovernamental sobre Grãos da Organização
das Nações Unidas para Alimentos e Agricultura (FAO).
''Não temos nada contra
o etanol brasileiro'', garante o economista, que antes trabalhou na Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)
e no Fundo Monetário Internacional (FMI). Entretanto, pondera,
isso não quer dizer que, no futuro, não possa haver relação,
ainda que indireta, entre a produção de etanol no Brasil
e a redução de terras para a criação de gado
e, com ela, o avanço dos pastos na Amazônia.
Em entrevista a O Estado de S.
Paulo, Abbassian reconhece que os subsídios nos EUA e na Europa
inviabilizam projetos de biocombustíveis em países pobres.
Mas estima que, independentemente dos subsídios, com exceção
do Brasil e outros poucos que podem produzir álcool da cana, é ''discutível''
que países da África ou a Índia venham a ter produção
comercialmente viável de biocombustíveis, como quer o presidente
Lula.
A partir da revolução
verde, há 30 anos, dizia-se que o mundo passou a produzir alimentos
mais que suficientes para a população mundial, e o problema
era de distribuição e de renda. Isso deixou de ser verdade?
Não. O problema principal, seja no Haiti ou no Egito, continua sendo
o mesmo: acesso. A fome existia antes do boom de biocombustíveis e segue
existindo com ele.
O fato de os asiáticos
estarem comendo mais não mudou isso?
Não. A produção mais do que triplicou nesses 30 anos,
acompanhando o crescimento da população e da renda e a mudança
na dieta tanto na Ásia quanto no resto do mundo.
A produção
de biocombustíveis pode prejudicar a de alimentos?
Pode. Os biocombustíveis introduzem uma nova demanda. Mas nossas afirmações
têm sido tiradas do contexto e por isso estamos nessa confusão.
Em junho, quando expusemos nossa posição sobre a influência
dos biocombustíveis na economia dos grãos, não mencionamos
açúcar. Quando citamos etanol, estávamos falando do derivado
do milho.
Mas fomos alvo de um
bombardeio do Brasil: ''O que vocês têm contra o nosso
etanol?''
Nada. Leiam o relatório. Não falávamos do Brasil, que
tem uma história de 30 anos de produção sustentável
de álcool de cana-de-açúcar. Quando falamos de grãos,
estamos falando dos Estados Unidos - o maior produtor, consumidor e exportador
de milho. É lógico que, quando uma demanda tão forte de
grãos emerge tão depressa, terá de ter implicações.
Quem disser que não, deve morar em Marte. No ano passado, 84 milhões
de toneladas de milho foram destinadas ao etanol. O comércio mundial
de milho é de cerca de 90 milhões de toneladas. Em quatro anos,
a produção dobrou. Os fazendeiros americanos foram capazes de
aumentar a produção tão rapidamente que não só houve
milho suficiente para a expansão dos biocombustíveis, mas os
EUA ainda exportaram mais, destinaram mais milho à ração
de animais e aumentaram ligeiramente seu estoque.
Então, qual o
problema?
Os EUA tiveram de reduzir sua produção de soja e de trigo na
mesma proporção em que aumentaram a de milho. A partir de março
do ano passado, há um gargalo de suprimento de soja. A produção
de trigo dos EUA e de outros países também caiu. Resultado: os
preços dos dois grãos subiram. E o milho, apesar da produção
recorde nos EUA, começou a subir também. Na safra 2007-2008,
os biocombustíveis foram um dos principais fatores, não o único.
Houve seca também. Na próxima safra, os biocombustíveis
podem ser o fator determinante, se os preços continuarem altos.
A soja brasileira pode
entrar substituindo o milho para alimentar rebanhos?
O aumento da demanda do milho para o etanol (nos EUA) pressionará o
preço da soja. O Brasil é um dos poucos países com potencial
de crescimento da produção de praticamente qualquer coisa, e
talvez aumente a produção de soja, para atender à demanda
da China e dos EUA, que têm capacidade limitada de expandir o uso da
terra. O que acontecerá com as terras destinadas ao pasto? Se elas se
deslocarem, irão para onde? Muitos ambientalistas têm nos dito
que terão de avançar na floresta. Sabemos que o desmatamento
não é para plantar cana. Essa é a cadeia que torna o biocombustível
responsável. O grau de influência dele é assunto para futuras
pesquisas. É um fenômeno recente demais para fazermos análises
estatísticas. O que não se pode dizer é que o biocombustível é irrelevante.
No Brasil se argumenta
que há terras improdutivas suficientes para a expansão
da produção.
É possível. Mas, com o crescimento da demanda por grãos,
as terras para pasto vão encolher, o preço da terra vai subir e
a fronteira agrícola subirá para o norte. Não será do
dia para a noite, não há relação direta e depende
de quanto crescerá a demanda por soja e biocombustível no mundo.
O governo brasileiro
se defende dizendo que os subsídios e barreiras americanos e
europeus prejudicam muito mais o acesso dos pobres aos alimentos do
que o biocombustível, porque impede a venda de produtos agrícolas
aos seus mercados, que aumentaria a renda dos países em desenvolvimento.
O que o senhor acha desse argumento?
Os subsídios foram a causa dos preços baixos no passado. De repente,
o mundo está tentando ver esses preços baixos com simpatia, mas é uma
falácia. Eram preços artificialmente baixos, que prejudicaram
os países em desenvolvimento, que não puderam aumentar sua produção
por causa desse dumping. Seus preços eram sempre mais altos. Mas isso
tem mudado sob a Rodada Doha (da Organização Mundial do Comércio)
nos últimos dez anos. Não vamos chegar a nenhum lugar discutindo
o que é pior: subsídios ou biocombustíveis. Ambos são
prejudiciais.
E quanto à possibilidade
de os países pobres gerarem renda produzindo biocombustíveis?
Há cerca de um ano, a FAO recebeu propostas de projetos nesse sentido.
Isso nunca foi adiante porque os EUA, a União Européia e mais
alguns países desenvolvidos começaram a dar enormes subsídios
para seus fazendeiros produzirem grãos. Se não fosse isso, seria
válido pensar em estimular a produção de grãos
na África e na Índia, que fixaria o homem no campo e geraria
renda. Quando começou esse boom, houve muita discussão sobre
o volume de recursos necessário para criar as condições
de os países pobres produzirem biocombustíveis para os EUA e
a Europa. Eu mesmo tenho três pequenos projetos de sorgo na Ásia,
mas o que existe são projetos-piloto para fixar agricultores aqui e
ali. Nada na escala do Brasil ou dos EUA. E provavelmente continuará assim,
porque os subsídios e todos os mecanismos de dedução de
impostos que os EUA colocam na produção de milho tornam impossível
para esses países competir. Se é a isso que o presidente Lula
se refere, faz sentido. Mas há outra questão: faz sentido para
os africanos e indianos destinar a sua terra e água à produção
exclusiva de matéria-prima para biocombustíveis? Isso tem implicações
econômicas e ambientais, e ainda está em estudos. A economia terá a
palavra final, e não a emoção ou o interesse nacional.
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Gazeta do Povo, 23 de abril de 2008
Biocombustíveis
Após receber enxurrada de
críticas, etanol contra-ataca
Governo e usineiros começam
a articular resposta aos ataques contra o álcool produzido
a partir da cana-de-açúcar. Segundo maior produtor
de álcool do país, Paraná deve seguir estratégia
nacional
Arrastado a contragosto para o centro do debate sobre a inflação
global dos alimentos e sua relação com os biocombustíveis,
o Brasil começa a armar uma defesa mais organizada do etanol de cana-de-açúcar.
Na segunda-feira, em Gana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou
que o Brasil será sede, em novembro, de uma conferência sobre
o assunto. Antes disso, a União da Indústria da Cana-de-Açúcar
(Unica), principal entidade do setor, promete colocar em prática um
plano para mostrar que a fabricação nacional de álcool
não concorre com a produção de alimentos.
Segundo maior produtor do combustível no país, o Paraná não
pretende desenvolver uma iniciativa própria nesse sentido. Representante
dos usineiros paranaenses, a Alcopar diz que vai atuar em conjunto com a Unica. “Vamos
dar todo o apoio a essa iniciativa, seguindo as mesmas diretrizes”, diz
o presidente da associação, Anísio Tormena, que também
coordena o Fórum Nacional de Lideranças do Setor Sucroalcooleiro.
O Brasil, que nos últimos anos viveu a euforia de ser considerado uma
potência dos biocombustíveis – e parte importante do tratamento
contra o “vício do petróleo” – enfrenta agora
uma espécie de ressaca. Nas últimas semanas, pipocaram relatórios
de entidades internacionais que apontam os biocombustíveis como causa
da alta no preço dos alimentos e do avanço da fome no mundo.
A principal estratégia dos usineiros é distinguir o etanol brasileiro
de seus concorrentes dos Estados Unidos e Europa.
Norte-americanos e europeus usam milho, trigo e beterraba na produção
de álcool, e vêm destinando ao combustível uma parcela
cada vez maior dos volumes que antes iam para alimentação. A
Unica já tem escritórios em Washington (EUA) e Bruxelas (Bélgica),
e planeja abrir um na Ásia. Também vai contratar uma empresa
para acompanhar diariamente o assunto na imprensa internacional e, assim, responder
aos ataques de modo mais eficiente.
Um recente estudo da Scot Consultoria, feito a partir de dados do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reforçou o argumento
de que os canaviais brasileiros estão ocupando áreas de pastagens
e não o espaço dos grãos. Desde 2001, a área plantada
com cana no Brasil cresceu de 5 milhões para 7,7 milhões de hectares.
O aumento, de 2,7 milhões de hectares, é idêntico à redução
ocorrida na área de pastagens – que caiu para 176,5 milhões
de hectares – e ocorreu ao mesmo tempo em que a área dos cultivos
agrícolas do país avançou quase 24%. No mesmo período,
a produção de carne bovina subiu mais de 60%.
“ No Brasil e no Paraná, a cana tem avançado sobre a pecuária
ineficiente. Graças às melhorias no trato das pastagens, muitos
pecuaristas têm criado o mesmo rebanho em metade da área usada anteriormente”,
diz Tormena. Embora o levantamento da Scot Consultoria seja um indício
dessa tendência, ela só deve ser confirmada na próxima terça-feira,
quando a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulga um relatório
detalhado que deve mostrar se os canaviais estão ou não ocupando
espaço de plantações de grãos. Além de tentar
provar que a expansão dos canaviais não dependerá da invasão
de biomas como a Amazônia e o Pantanal, a Unica afirma que “está discutindo
diversas ações com os trabalhadores e o governo visando a melhorar
as condições de trabalho”, já que o setor é freqüentemente
associado à exploração de trabalho escravo. “É desejável
expandir o etanol no Brasil, mas com a garantia de que isso atende a requisitos
socioambientais e que a produção é sustentável”,
defende o advogado ambientalista Antônio Carlos Porto Araujo, da Trevisan
Consultoria.
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FOLHA DE SÃO PAULO, 23 de abril de 2008
Painel do Leitor/ Opinião:
Sindicato
"Diante do texto "Nova regra
sindical provoca críticas do setor patronal" (Dinheiro,
20/4), que afirma que a Fecomercio apóia a norma, sem haver
explanação sobre o referido posicionamento, a entidade
esclarece alguns pontos.
A Fecomercio apóia a consolidação das regras sindicais
que colaboram para a moralização do sistema sindical brasileiro,
mas é contrária à possibilidade de criação
de várias entidades representantes de categorias idênticas, como
tenta induzir a reportagem.
Esta federação avalia ainda que a nova portaria não inovou
ao permitir a criação de outras entidades sindicais de mesmo
gênero.
Apenas foram consolidadas as antigas regras de direito sindical em um único
instrumento: a portaria 186/08.
A única matéria considerada pela Fecomercio como uma "inovação" da
nova norma é a adoção do princípio da unicidade
sindical pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o que, por si só,
põe fim ao caráter especulador de que a nova norma irá fomentar
a criação de várias entidades do mesmo gênero na
mesma base territorial."
LUIS ANTONIO FLORA, gerente do
Departamento Jurídico da Fecomercio -Federação
do Comércio do Estado de São Paulo (São Paulo,
SP)
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FOLHA
DE SÃO PAULO, 23 de abril de 2008 | Dinheiro
Acordo trabalhista reconhece direto de
casal homossexual
Farmacêuticos acertam convenção
que prevê benefícios a companheiros e dependentes | Dieese
afirma que convenção abre espaço para mais categorias
discutirem medidas semelhantes em suas negociações coletivas
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Os trabalhadores farmacêuticos
vão assinar hoje uma das primeiras convenções
coletivas do país que recomendam às empresas do setor
estenderem benefícios sociais e direitos trabalhistas para companheiros
e dependentes de trabalhadores homossexuais.
A iniciativa deve abrir espaço para outras categorias profissionais
adotarem medidas semelhantes, segundo o Dieese.
Chamado entre os sindicalistas de "acordo cor-de-rosa", deve beneficiar
farmacêuticos de 300 empresas paulistas. O número de empregados
nesse setor chega a 37 mil no Estado.
A convenção, que também prevê redução
da jornada para 40 horas semanais em dezembro de 2009, será assinada
pelo Sindusfarma (sindicato da indústria) e pelas federações
de trabalhadores da CUT e da Força Sindical. Ela prevê que se
reconheçam direitos como seguro de vida, plano médico, convênio
odontológico e outros.
A decisão de incluir na convenção coletiva uma recomendação
para reconhecer a união estável entre empregados do mesmo sexo
foi tomada após e-mails e cartas anônimas chegarem no ano passado às
mãos dos sindicalistas. Feito o pedido, foram iniciadas as negociações
com o setor patronal químico e farmacêutico.
" Apesar de não ser ainda uma cláusula que obriga as empresas
a adotarem essa medida, mas sim uma "recomendação expressa" na
convenção, é um passo importante para acabar com o preconceito
no ambiente de trabalho e no meio sindical", afirma Sérgio Luiz Leite,
secretário-geral da Fequimfar (filiada à Força), federação
que reúne 33 sindicatos paulistas.
Arnaldo Pedace, gerente de relações sindicais e trabalhistas
do Sindusfarma, diz acreditar que as empresas do setor irão acatar a
recomendação. "Nosso segmento é muito receptivo para
buscar o lado social do trabalhador. Existe essa preocupação,
e a idéia é que as empresas dêem oportunidade a trabalhadores
com união estável com pessoas do mesmo sexo e aos seus dependentes."
Bancários, enfermeiros e funcionários de processamento de dados
são algumas das categorias que já conseguiram incluir em acordos
coletivos algum benefício a trabalhadores homossexuais e a seus dependentes.
A diferença é que acordos são feitos entre sindicatos
e empresas. Convenções são firmadas entre entidades patronais
e de trabalhadores.
" A tendência é que categorias mais qualificadas e de maior
escolaridade se sensibilizem com o tema. Depois, a convenção servirá de
modelo para as demais categorias", diz José Silvestre Prado de Oliveira,
supervisor do Dieese em São Paulo.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
23/04/2008
Controle de ida ao banheiro custa caro à Anatel
e à Teletech
Cinco minutos diários
para ir ao banheiro era o tempo máximo que tinha uma funcionária
da Teletech Brasil Serviços Ltda., enquanto trabalhava na Agência
Nacional de Telecomunicações – Anatel, em Brasília.
Ultrapassado esse limite, era repreendida em voz alta. Isso acontecia
com vários empregados, inclusive supervisores, como é o
caso da trabalhadora que ajuizou ação e teve agora confirmada
pela Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho a decisão
de indenização por danos morais no valor de R$10 mil.
A Teletech contratou a funcionária,
em setembro de 2002, para trabalhar exclusivamente nas dependências
e sob as ordens da Agência Nacional de Telecomunicações,
em jornada de seis horas diárias. Quando foi dispensada, em dezembro
de 2004, a empregada exercia o cargo de líder de operações
e ganhava R$ 638,40.
Ao descrever as condições
que enfrentava, a trabalhadora informou que fazia constante consumo de água
em conseqüência do ambiente de trabalho ser insalubre. A sala
era quente e abafada, com piso revestido de carpete, sem nenhuma ventilação
natural, sem janelas, e o ar-condicionado não tinha manutenção
de higiene, causando crises alérgicas e irritações
nas vias respiratórias. Nos finais de semana, o ar-condicionado
não era ligado, o que provocava efeito estufa no local, tornando
o ambiente insuportável até mesmo para respirar.
A ex-supervisora ajuizou a reclamatória
em outubro de 2005, pleiteando vários direitos, entre eles adicional
de insalubridade, horas extras e indenização por danos
morais. Quanto a esta indenização, o pedido foi julgado
improcedente pela 8ª Vara do Trabalho de Brasília. Inconformada,
ela recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região
(DF), que acabou por condenar a Teletech, junto com a Anatel, ao pagamento
da indenização. A decisão da Segunda Turma do TST
manteve o entendimento do Regional.
O TRT/DF julgou ter elementos
para condenar as empresas pois a própria preposta da Teletech,
em audiência, reconheceu que a empregada dispunha de “15
minutos de intervalo para refeição e, se necessário,
mais cinco minutos para ir ao banheiro”. Além disso, o Regional
avaliou que declarações de testemunha comprovaram a situação
vexatória a que era submetida a trabalhadora, pois, além
de ter o tempo controlado quando precisava ir ao banheiro, ainda era
repreendida verbalmente e em voz alta quando ultrapassava a duração
determinada pela empresa.
Quanto à condenação
da Anatel, o TRT considerou que a agência era beneficiária
do trabalho da autora. A avaliação do Regional é que
a responsabilidade subsidiária da Anatel, na esfera dos direitos
trabalhistas, decorre da culpa na contratação de empresa
inidônea e da falta de fiscalização do cumprimento
das obrigações trabalhistas. A empresa recorreu ao TST
com o objetivo de obter a exclusão da responsabilidade subsidiária
e a redução do valor fixado para a indenização
por dano moral.
O relator do agravo de instrumento
no TST, ministro José Simpliciano Fernandes, no entanto, entendeu
que não merece reforma a decisão do Tribunal Regional.
Quanto ao valor da indenização, o ministro avaliou que
ele foi estabelecido em consideração à gravidade
do dano causado pelo empregador e à intensidade do sofrimento
infligido à vítima, de acordo com os estritos termos da
legislação que regula a matéria. Quanto à responsabilidade
subsidiária, o relator considerou que o acórdão
regional se encontra em perfeita harmonia com os termos da jurisprudência
pacificada na Súmula nº 331, IV, do TST. (AIRR-1040/2005-008-10-40.2)
(Lourdes Tavares/Colaboração
de Dirceu Arcoverde)
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23/04/2008
TST nega pagamento de rescisão a
ocupante de cargo de confiança
O pagamento de verbas rescisórias
a ocupante de cargo comissionado é indevido, mesmo em contrato
regido pela CLT. Com esse posicionamento, a Sexta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho reformou decisão do Tribunal Regional do Trabalho
da 9ª Região (PR), excluindo condenação imposta
ao município de Ponta Grossa, em ação movida por
um assessor do gabinete do prefeito.
Contratado pelo regime celetista
em 2001, ele foi exonerado em 2004 e ingressou com ação
requerendo o pagamento de verbas rescisórias. Ao apreciar recurso
ordinário do reclamante, o TRT reconheceu que sua contratação
como celetista lhe conferia o direito a todas as verbas decorrentes da
relação de emprego, e condenou o município, por
conseguinte, ao pagamento de diferenças do FGTS, multa de 40%,
aviso prévio e o fornecimento de guias de seguro-desemprego.
O município apelou ao
TST, mediante recurso de revista em que sustentou a tese de que a exoneração
do cargo em comissão não gera qualquer direito, conforme
determina a Constituição Federal, ao atribuir a natureza
transitória do cargo e fixando a livre nomeação
e exoneração.
O relator, ministro Aloysio Corrêa
da Veiga, destaca que a contratação de servidores, pela
Administração Pública, para funções
comissionadas, não gera vínculo de emprego, mas mero vínculo
administrativo, com possibilidade de dispensa “ad nutum” (termo
que designa a demissão deliberada a juízo exclusivo da
autoridade administrativa competente). A decisão, adotada por
unanimidade, isenta o município do pagamento das verbas rescisórias
a que havia sido condenado. (RR 62/2005-660-09-00.8)
(Ribamar Teixeira)

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