 |
Agência Diap, 26 de abril
de 2008
Mobilizações pela redução
da jornada
Por: João Guilherme Vargas
Netto*
Em várias formas,
com variadas velocidades e com distintos níveis de divulgação,
está em curso a campanha nacional pela redução
da jornada de trabalho sem redução dos salários.
Esta campanha nacional é o grande passo a ser dado pela valorização
dos salários e dos trabalhadores; a vitória, com a redução
constitucional da jornada, representará um verdadeiro up grade salarial
no Brasil. Há plenas condições econômicas de obtê-la
e as exigências sociais clamam por sua conquista.
Enquanto se engordam as listas de abaixo-assinados favoráveis à redução,
o movimento sindical realiza, desde já, atos, mobilizações
e paralisações para sensibilizar a sociedade e Brasília.
Para citar alguns exemplos, entre os metalúrgicos louvamos a persistência
do sindicato de Guarulhos, nas fábricas e nas cidades e o acerto político
dos seus colegas do Paraná que, junto com outras categorias, conseguiram
ganhar para a campanha ninguém menos que o governador do Estado, Roberto
Requião.
Hoje, dia 25, sexta-feira haverá em todo o estado de São Paulo
mobilizações e manifestações dos metalúrgicos
que convergirão para a capital afim de “esquentar” a campanha.
Deve ser ressaltado o esforço unitário que as garantirá:
estão de mãos dadas todas as correntes sindicais que realmente
contam no setor metalúrgico.
Em seguida virão as comemorações do 1º de maio que
ensejam agrupamentos maciços de trabalhadores. Neste dia novos milhares
de assinaturas serão colhidas e começará efetivamente
a ser preparada a grande jornada nacional de todas as categorias no dia 28
de maio, com paralisações, mobilizações, passeatas
e tudo mais para dar base à entrega, em Brasília, dos abaixo-assinados
no Congresso.
Quem luta bem, quem luta unido merece a vitória.
(*) Membro do corpo técnico do
Diap e consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em São
Paulo.
|
Diário Vermelho, 26
de abril de 2008
Para Márcio Pochmann, jornada
ideal no século 21 é de 12h
Em palestra no auditório
da Biblioteca Pública Estadual Luís de Bessa, na Praça
da Liberdade, em Belo Horizonte (MG), o professor e economista Márcio
Pochmann, atual presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(IPEA), falou sobre as possibilidades e perspectivas da redução
da jornada de trabalho em nosso país.
Em resumo, Pochmann defende
a proposta de que a sociedade brasileira tem que redimensionar as relações
existentes no mundo do trabalho e reduzir as fragorosas desigualdades
sociais que ainda nos permeiam.
Revolucionária, a redução da jornada pressupõe “que
há uma oportunidade inédita para que o trabalho seja relacionado
com a vida numa menor escala, permitindo que nesse novo século, o século
21, o tempo de trabalho não seja mais do que 4 horas por dia, três
dias por semana, inclusive com uma maior inserção do jovem no
mercado de trabalho somente a partir dos 25 anos de idade, considerando que
a expectativa média de vida cada vez mais se aproxima dos 100 anos de
idade.”
O economista avalia que terá que haver muita luta por parte dos trabalhadores
e daqueles que abraçarem a idéia, pois, afirma ele, já tem
a reação contrária dos setores que movimentam a economia
capitalista.
A proposta possibilita que os trabalhadores tenham uma melhor educação
e, assim, acesso às riqueas material e imaterial, hoje nas mãos
de poucos, muito poucos, razão da miséria de milhões no
planeta.
Leia a entrevista na íntegra.
Professor Pochmann, em que consiste a sua proposta de redução
da jornada de trabalho?
Márcio Pochmann — Se olharmos do ponto
de vista histórico, vamos perceber que sob o capitalismo a luta
dos trabalhadores é pela libertação do chamado
trabalho heterônomo, que é aquele tipo de trabalho visando
estritamente a sobrevivência, a troca da força física/intelectual
por um salário, por uma remuneração. No final
do século 19, os trabalhadores tinham uma jornada muito intensa,
que chegava a 4 mil horas por ano. Cem anos depois, a jornal de trabalho
anual, reduziu-se para menos de 2 mil horas. Frente aos avanços
da base material do capitalismo, percebemos um espaço enorme
para uma nova rodada de redução da jornada de trabalho.
Acreditamos que há uma oportunidade inédita para que o trabalho
seja relacionado com a vida numa menor escala, permitindo que nesse novo século,
o século 21, o tempo de trabalho não seja mais do que 4 horas
por dia, três dias por semana, inclusive com uma maior inserção
do jovem no mercado de trabalho, somente a partir dos 25 anos de idade, considerando
que a expectativa média de vida cada vez mais se aproxima dos 100 anos
de idade.
Essa nova redução da jornada de trabalho, pela
sua proposta, vai proporcionar que mais trabalhadores ingressem no
mercado de trabalho e ao mesmo tempo melhore sua qualidade de vida?
MP — Nossa preocupação, fundamentalmente,
não é colocar mais gente no mercado de trabalho. Pelo
contrário, é reduzir o número de pessoas que precisam
ir ao mercado de trabalho para sobreviver. Porque nós acreditamos
que o volume de riqueza que está sendo gerado, não somente
a riqueza material mas também a riqueza imaterial, encontra-se
num tal patamar que ela precisa ser melhor redistribuída. Quando
nós olhamos, por exemplo, a situação atual, vamos
perceber que há uma crise internacional no âmbito do sistema
financeiro que resulta, justamente, de uma enorme concentração
de riqueza não-distribuída. E a distribuição
da riqueza pode ser feita, inclusive permitindo, ou financiando, que
as pessoas cheguem mais tardiamente no mercado de trabalho. A proposta
vem acompanhada de uma melhor distribuição da renda e
uma maior possibilidade de o trabalhador se envolver com outras atividades
que não sejam somente o trabalho heterônomo.
As condições estão colocadas na sociedade brasileira para
ocorrer esta redução na jornada de trabalho? Não haveria
uma reação contrária à proposta?
MP — Sem dúvida. O que eu tenho falado
muitas vezes tem sido motivo de críticas por setores que não
entendem muito bem a concepção da proposta. Não
estamos falando de uma redução de jornada para amanhã.
Falamos de uma redução de jornada para o século
21. Eu acredito que essa é uma possibilidade inegável
de enfrentar questões mais abrangentes, como a crise de estabilidade
que estamos vivendo hoje. E, certamente, a enorme possibilidade de
fazer valer uma educação de qualidade e uma melhor preparação
para ingressar no mercado de trabalho. Tem a ver, inclusive com a relação
do trabalho com a vida e, sobretudo, com a educação.
Fonte: Boletim Infomartivo do PT
|
AGÊNCIA SINDICAL, 28
de abril de 2008
28 de abril: mobilização
sindical marca Dia Mundial em Memória às Vítimas
de Acidentes de Trabalho

O dia 28 de abril, Dia Mundial em Memória às Vítimas de
Acidentes de Trabalho, será celebrado pelas Centrais Sindicais brasileiras
como uma data de reflexão e mobilização contra o alarmante índice
de doenças, acidentes e mortes no trabalho, que assolam o País
como uma praga nas mais diversas atividades econômicas.
Segundo estimativas do Ministério
da Saúde, ocorrem no Brasil de 10 a 15 mil mortes entre trabalhadores
todos os anos. Só o Estado de São Paulo seria responsável
por um terço delas, ou seja, o mesmo que uma morte a cada hora
e meia ou a queda de um Boeing a cada duas semanas. O número de
vítimas de mutilações, doenças e acidentes
no local de trabalho no chega a 400 mil no Estado, o que significa um
custo anual estimado em US$ 5 bilhões.
Com o intuito de denunciar a
precariedade das políticas de prevenção a acidentes
e a falta de ações eficazes para garantir boas condições
de saúde e segurança no trabalho, a Força Sindical,
CUT, UGT, Nova Central, CGTB e CTB, juntamente com outras entidades ligadas
ao mundo do trabalho, uniram-se para realizar várias atividades
na capital paulista, a fim de conscientizar e mobilizar a população.
Jornada 40 horas -
A luta pela redução da jornada de trabalho de 44 para 40
horas semanais, sem redução de salários, também
será incorporada ao conjunto de atividades. O objetivo das Centrais é mostrar
que a redução da jornada, além de representar a
geração de novos empregos, tem reflexos diretos na saúde
dos trabalhadores, em razão de diminuir sua carga de trabalho
e o tempo de exposição aos fatores de riscos.
Outra linha de intervenção
das Centrais, definida a partir de reuniões ocorridas em março
por iniciativa da Oboré e da Agência Sindical, é mostrar
que o alto índice de acidentes e doenças decorrentes de
más condições no trabalho é um problema de
saúde pública, buscando com isso sensibilizar os meios
de comunicação e a sociedade civil para que coloquem os
temas relacionados à saúde do trabalhador na sua agenda
diária.
Na programação
organizada pelas Centrais Sindicais, a partir das 9 horas na Praça
Ramos de Azevedo, em frente ao Teatro Municipal, na região central
de São Paulo, está a realização de ato público,
show musical, panfletagem e coleta de assinaturas para o abaixo-assinado
pela redução da jornada de trabalho. Também está incluída
uma sessão solene na Assembléia Legislativa do Estado, às
19 horas.
Força São
Paulo - Como parte das celebrações, entidades
como Força Sindical São Paulo e Sindicatos filiados organizaram
eventos que também irão se incorporar às manifestações
do 28 de abril. Os sindicalistas da Força vão se concentrar,
a partir das 9 horas, na sede da Fequimfar (Federação
dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas
do estado de São Paulo), no bairro Liberdade, onde acompanharão
uma série de palestras, dramatizações e apresentações,
com o tema “Ações sindicais afirmativas em Saúde
do Trabalhador”.
Em seguida, os participantes
iniciam uma passeata até o Teatro Municipal de São Paulo,
onde participam do ato público unificado promovido pelas Centrais,
em memória das vitimas de acidente de trabalho. O evento na Fequimfar
será transmitido em tempo real para a OIT – Centro de Formação
Internacional de Turin e seus participantes de todo o mundo, para a OIT
Brasil, aos Sindicatos filiados e a todos interessados.
Metalúrgicos -
O Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região também
mobilizará, a partir das 7 horas, cerca de mil trabalhadores de
três fábricas da cidade. No mesmo dia, às 9 horas,
ato na Câmara dos Vereadores de Arujá também marcará a
data. Na terça, o ato será na Câmara dos Vereadores
de Guarulhos, às 14 horas.
Homenagem -
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, estará na Fundacentro,
em São Paulo, para prestar homenagem às vítimas
de acidentes de trabalho no Brasil.
A Fundacentro, centro de referência
em pesquisas voltadas para a prevenção na área da
saúde ocupacional e vinculada ao Ministério do Trabalho
e Emprego, coordenará atividades em São Paulo e demais
Estados, com o objetivo de reunir empresários, representantes
de trabalhadores e demais instituições para, em conjunto,
apresentarem um panorama da atual situação brasileira e
propostas de melhoria nos ambientes de trabalho.
Por que 28 de abril -
Em 28 de abril de 1969, a explosão de uma mina nos Estados Unidos
matou 78 trabalhadores. A tragédia marcou a data como o Dia Mundial
em Memória às Vítimas de Acidentes do Trabalho.
Posteriormente, em 2003, a Organização Internacional do
Trabalho (OIT) instituiu o 28 de abril como o Dia Mundial de Segurança
e Saúde no Trabalho. No Brasil, uma lei federal de 2005 instituiu
a data como Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes
e Doenças do Trabalho.
Clique
aqui e confira a programação organizada pelas Centrais
Sindicais.
|
Folha
de São Paulo, 26 de abril de 2008
Sistema S reage contra proposta pública
Senac e Sesc dizem que são transparentes
e que terão de diminuir atividades oferecidas se suas verbas forem
cortadas | Governo afirma que não quer recursos do sistema, mas,
sim, garantir acesso de alunos da rede pública a cursos profissionalizantes
CRISTIANE BARBIERI
DA REPORTAGEM LOCAL
A proposta de reforma do Sistema
S apresentada pelo governo causou comoção nas últimas
semanas, em entidades como Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem
Comercial) e Sesc (Serviço Social do Comércio).
" Se havia falhas com relação ao trabalho, que as apontassem",
afirma Danilo Miranda, diretor regional do Sesc. "Eles fizeram uma intervenção
grave, sem ouvir nenhum funcionário das instituições."
O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirma que as discussões
vêm sendo feitas com a representação nacional das entidades,
que não têm um controle centralizado.
" Não dá para conversar com 120 pessoas, dos cinco S em 27
Estados diferentes", diz Haddad. "Estamos em meio ao diálogo.
Não quer dizer que vamos chegar a um consenso, mas que está havendo
diálogo, está."
Segundo ele, entre as propostas atualmente analisadas, está, por exemplo,
a possibilidade de criar uma regra de transição para o uso das
verbas do Sistema S. Isso porque, segundo as entidades, parte do valor arrecadado
para o sistema será destinado à criação do Funtec
(Fundo Nacional de Formação Técnica e Profissional).
Assim, a distribuição dos recursos não acontecerá mais
apenas por percentuais fixos, mas será feita, entre outros critérios,
de acordo com o número de matrículas gratuitas.
Algumas entidades como o Sesc, promotora de atividades culturais de qualidade
e a bom preço, temem ter de acabar com um terço de sua estrutura,
em razão de cortes.
O ministro diz que não é isso que acontecerá. "Da
maneira como é feita a repartição interna de verbas no
sistema, o Sesc fica com menos do que a proposta que está sendo feita",
diz Haddad. "Teoricamente, eles teriam 1,5% sobre a folha mas, na prática,
o que vai para os departamentos regionais é muito menos do que isso."
Acesso público
Com as mudanças, a intenção do governo é aumentar
o acesso, aos cursos profissionalizantes, dos alunos egressos da rede pública
de ensino.
O Senac, no entanto, discorda. Segundo Luiz Francisco de Assis Salgado, diretor
regional do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), em São
Paulo, apesar de haver oportunidades e vagas, elas não são preenchidas
por alunos de escolas públicas por falta de interesse dos empresários,
dos jovens e por deficiência em sua formação.
" O egresso do ensino público é tão defasado, mas tão
defasado, que ele não consegue acompanhar", afirma Salgado.
De acordo com ele, os alunos do Senac vêm de colégios e resolveram
seguir carreira técnica. "É para isso que fomos criados",
diz Salgado. "Não para suprir as necessidades governamentais, mas
sim para dar o embasamento técnico."
Outro motivo que levou o governo a propor as mudanças diz respeito a
uma alegada falta de transparência e eficiência nas instituições
ligadas ao Sistema S. "O governo está presente nos conselhos das
entidades", diz Miranda. "Eles fazem parte do órgão
fiscalizador."
As entidades também questionam o fato de que o governo dificilmente
conseguiria ser mais eficiente na gestão das verbas ligadas ao Sistema
S. "Não pretendemos administrar verbas", diz Haddad. "A
proposta não prevê que nenhum centavo do Sistema S passe ao governo.
O valor arrecadado deverá apenas financiar a gratuidade de alunos que
não possam pagar pela educação profissional."
|
Folha de São Paulo, 26 de abril de 2008
Sesc diz que atividades terão
de ser reduzidas em um terço
DA REPORTAGEM LOCAL
Danilo Miranda, diretor regional do Sesc (Serviço Social do Comércio)
em São Paulo, diz que as atividades da entidade serão reduzidas
em um terço, caso o orçamento diminua de acordo com a proposta
do governo. Segundo ele, as entidades podem ir à Justiça contra
as mudanças no Sistema S.
FOLHA - Qual será o impacto no Sesc-SP se houver essas
mudanças?
DANILO MIRANDA - A ação do governo é uma
intervenção, grave, efetiva no chamado sistema S. Esse
documento revela, primeiro, manifesta desconfiança do trabalho
que está sendo feito pelos órgãos de formação
profissional do Brasil, entre eles o Senac e o Senai. Em segundo
lugar, é uma falácia, dizendo que, em nome de uma formação
profissional nova, retira-se dinheiro de instituições
que trabalham no social e no cultura, que são Sesc e Sesi.
FOLHA - O governo alega que o Sistema S é uma caixa-preta
e por isso as mudanças seriam necessárias.
MIRANDA - Não admito. Não existe sistema
S, mas várias instituições vinculadas a um modo
de agir. Nós não temos nada a ver com Sesi e Senac,
do ponto de vista administrativo e financeiro. Temos um sistema de
fiscalização dos mais rigorosos. Temos não apenas
auditorias, como também conselhos fiscais com a maioria do
governo, inclusive representantes do Ministério do Trabalho
que assinam essa proposta com o da Educação. Os organismos
de formação profissional, o Senac e o Senai, têm
representante do Ministério da Educação em todos
seus conselhos. É um tiro no pé porque o ministério
poderia ter feito sugestões, se tivesse participação
efetiva.
FOLHA - O governo então não tem participação
efetiva no conselho?
MIRANDA - Eles têm assento, se não falam é porque
não querem. E agora fazem uma proposta à revelia de todos os
participantes do processo. Somos cerca de 120 mil funcionários do Sistema
S no Brasil todo. Quantos participaram dessas discussões? Todos são
trabalhadores remunerados, concursados. Estou há 40 anos na instituição.
Nunca tiveram a gentileza de nos convidar para uma reunião. Desde o
ano passado, estou tentando contato pessoal com o ministro da Educação
sobre isso. Fui recebido há duas semanas por funcionário da área
de formação profissional, sendo que eu, como Sesc, não
tenho nada a ver com formação profissional. O chamado Sistema
S lida com formação profissional, e todo o restante do chamado
bem-estar social, incluindo saúde, educação, lazer, cultura,
esporte, transporte e vestuário é do Sesc e do Sesi. Essas entidades
foram criadas privilegiando a formação profissional porque era
uma necessidade naquele momento. Criar fundo agora, com recursos dessas entidades,
para que o empresariado, com governo e trabalhadores administrem esse recurso,
como se fosse um recurso absolutamente público e sem controle dos departamentos
regionais e técnicos, é uma intervenção pura.
FOLHA - Em quanto seria reduzido o orçamento do Sesc?
MIRANDA - Em 33% da receita, hoje em R$ 30 milhões
por mês, no Sesc São Paulo. Perderemos R$ 10 milhões
ao mês.
FOLHA - A parte de São Paulo nas verbas do Sistema
S não é maior? Ao todo não são R$ 8 bilhões?
MIRANDA - Não sei quem fez essa conta. Esse
montante seria somando no país as nove entidades ligadas ao
chamado Sistema S. Só que a caixa-preta é outra. Não
sabemos com exatidão como esse recurso é aplicado em
nível nacional e o montante do que é recolhido pela
Previdência e, hoje, pela Super-Receita. Temos questões
a respeito de arrecadação. Se há caixa-preta,
não está aqui, porque a nossa é publicada. Lá dentro,
como é distribuído esse recurso, a gente não
sabe. Porque tem fundo nacional de telecomunicações,
fundo ligado à área de transporte aéreo. Está tudo
misturado nesses tais terceiros da Previdência. Nós
pagamos ao governo, que tem essa máquina arrecadadora, para
usar o sistema. É um serviço prestado. O recurso não é público,
no sentido de participar do Tesouro. Esse dinheiro é carimbado,
como os recursos do fundo de garantia: é recolhido, mas é do
trabalhador. É obrigatório pagar, mas é destinado
a um fim específico. É uma intervenção
radical, profunda.
FOLHA - Por quê?
MIRANDA - Achava que era só sobre aquele montante tirado
do Sesc que teria a participação do conselho do fundo, presidido
pelo ministro. Mas não. Eles vão administrar também os
recursos que são do Senac e do Senai hoje. E não aprofundaram
o estudo. Tive uma reunião com o sr. Getúlio Marques, responsável
no ministério pela educação profissional, que não
sabia que os sistemas financeiro e bancário não contribuem.
FOLHA - Há o risco de as atividades do Sesc diminuírem?
MIRANDA - Nosso plano de expansão, quadro de pessoal e atividades
do dia-a-dia, tudo terá de ser diminuído em um terço.
FOLHA - Não seria possível fazer mais atividades
com os mesmos recursos que o Sesc conta?
MIRANDA - Não. O grande relatório
diário que fazemos está com as pessoas que vão
a nossas unidades. Há grande distância entre isso e
dizer que é tudo ruim e não funciona, não tem
transparência, é uma caixa-preta. A grande maioria,
o que é mostrado efetivamente para a sociedade, é uma
realidade absolutamente diferente.
FOLHA - Algumas pessoas dizem que o ministro Fernando Haddad
está sendo usado pelo presidente Lula.
MIRANDA - Se for verdade, é engano da parte
dele. Há quem diga que o Haddad faz isso para se credenciar à sucessão
do presidente. O único diploma que Lula tem é do Senai.
Isso sempre orgulhou as entidades que fazem parte do sistema.
FOLHA - Vocês estudam ir à Justiça caso o projeto seja
levado à frente?
MIRANDA - Sem dúvida, provavelmente, sim.
O projeto é pouco profundo sobre o artigo 240, que fala com
todas as letras que essas entidades são intocáveis.
|
Folha de São Paulo, 26 de abril de
2008
Diretor do Senac diz que cursos
custam de acordo com qualidade
DA REPORTAGEM LOCAL
Para Luiz Francisco de Assis Salgado, diretor regional do Sesc (Serviço
Nacional de Aprendizagem Comercial) em São Paulo, o Senac não
tem mais alunos egressos do sistema público porque, com a educação
deficiente, eles não conseguem acompanhar os cursos profissionalizantes.
Segundo ele, os cursos são caros porque têm alta qualidade.
FOLHA - O Sistema S é pouco transparente na destinação
dos recursos, como alega o governo?
SALGADO - Se o próprio ministro designa
um representante do Ministério da Educação
para participar do conselho do Senac, se o Ministério do
Trabalho também participa desse conselho, se tem representante
do Instituto Nacional de Seguridade Social, além do representante
dos próprios empresários, como é possível
dizer que não somos transparentes? Que ele não acredite
no Senac, no Senai, no Sesi, em quem quer que seja, tudo bem. Só não
concordo quando ele denigre a imagem da instituição
dizendo que isso aqui é uma caixa-preta, que não
se sabe onde vai o dinheiro. Sabe sim. O próprio governo
tem representantes.
FOLHA - O governo diz querer aperfeiçoar o sistema,
dizendo que faltam, por exemplo, critérios de seleção
dos alunos.
SALGADO - O ministro [da Educação
Fernando Haddad] diz que falta critério para os atendimentos,
só que trabalhadores não são só os
operários. Também reclama que não há gratuidade.
Só no ano passado, o Senac deu mais de 10 mil bolsas, de
um total de 521 mil atendimentos. Desse total, 50% são seminários,
palestras e campanhas. O governo também diz que nossos cursos
são elitizados. Ele acha que tem de dar curso para pobre,
aquela falácia dos egressos do ensino público. O
ministro também fala sobre oferta concentrada de cursos
de curta duração, como se o curso longo fosse sinônimo
de alta qualidade. A pessoa faz oito anos de ensino básico
e sai da escola pública sem saber nada.
FOLHA - Os cursos do Senac são criados a pedido do comércio?
SALGADO - Num documento recente apresentado pelo ministro
Haddad, há uma reclamação contra o baixo impacto dos
nossos cursos. De onde ele tirou esse dado? Se a pessoa faz um curso de inglês,
de espanhol ou de francês, pode modificar sua vida. Depois, o mercado
muda, é necessário oferecer cursos de especialização
para os profissionais que já atuam. Um ministro não pode falar
isso. Ele também reclama que o sistema preserva desigualdades regionais.
O que ele quer fazer com isso? Ele acha que no Maranhão, no Piauí,
em Xiririca, não sei aonde, é possível ter um curso
superior de fotografia? Como é que eu posso dar um curso de engenharia
eletrônica numa cidade no interior do Maranhão, da Bahia? Tem
cidades em São Paulo onde não se consegue fazer isso. Para
resolver esse problema de desigualdades regionais, quem tem de fazer ação é o
governo. Criar condições de fábrica, indústria,
trabalho, importação e exportação e outras coisas
mais. Não é um curso que preserva desigualdades regionais.
FOLHA - Segundo o ministro, a proposta pretende dar maior
controle ao sistema, entre outras medidas, por meio de avaliações.
SALGADO - Você acredita na avaliação
periódica do poder público? Quando o governo controla
alguma coisa nesse país? Ele não consegue controlar
a obrigação dele, que é a universalização
da educação. A proposta de ampliar a oferta de cursos
gratuitos e presenciais é uma forma de desconhecer a tecnologia,
como se os que não fossem presenciais não valessem.
Ledo engano. Essa proposta, partindo de um ministro da Educação, é inconcebível.
FOLHA - Outro motivo da proposta é tentar aumentar
o número de alunos egressos de escolas públicas.
Por que isso não acontece hoje?
SALGADO - Esse é o maior problema da educação
do país. Temos, por força da legislação,
obrigatoriedade de dar o que chamam de aprendizagem. Hoje são
5.000 meninos que trabalham meio dia e estudam meio dia no Senac.
Por que só temos 5.000 se podíamos ter 300 mil? Primeiro
porque o patrão, que é um microempresário,
não quer pagar o salário do menino para ele vir estudar
no horário de expediente. Depois porque não há interesse
no estudo. Os meninos de 16, 17 anos são muito mais preocupados
com outra coisa do que em fazer um curso de aprendizagem. O terceiro
problema é a qualidade do ensino público. O egresso
do ensino público é tão defasado, que ele
não consegue acompanhar. De cada 20, só um vai. Isso é como
a história em que o sujeito pega a mulher com outro homem
no sofá e vende o sofá. O governo está fazendo
a mesma coisa. Ele não quer resolver o problema, ele quer
vender o sofá. Por que, em vez de melhorar o ensino público,
[o governo] começa: "se você é preto,
tem tanto de vaga", "se você saiu do ensino público,
tem mais 15% superior igual aquele que está lá na
USP". Começa com esses remendos todos e vira esse balaio
de gatos que é hoje o sistema educacional do país,
uma colcha de retalhos. Quem vem ao Senac hoje, é quem veio
de um colégio e resolveu seguir uma carreira técnica. É para
isso que fomos criados. Não fomos criados para suprir as
necessidades governamentais, mas sim para dar o embasamento técnico.
FOLHA - Os cursos do Senac são considerados caros
mesmo para a classe média.
SALGADO - Caros em relação a quê?
Me perdoe a Uninove, que vende um curso por R$ 239, e o aluno ganha
uma geladeira ou outro curso. É isso que se quer? É essa
qualidade de educação que se quer? Ou como fazemos,
que são caros pela qualidade? O governo tem mania de dizer
que educação é sacerdócio. Não é. É um
negócio, tem de pagar bons salários e atualizar profissionais
e laboratórios. Senão fica essa coisa de governo
que monta, inaugura, corta fita, vai embora e não volta.
|
Agência Diap, 26 de
abril de 2008
REGISTRO SINDICAL
Conlutas critica brecha "pluralista" contida
na Portaria 186
Em face da edição
da Portaria 186, do MTE, que trata do registro sindical, a Conlutas
(Coordenação Nacional de Lutas), emite parecer sobre
a portaria.
Entre outros questionamentos, a entidade entende que a norma “acaba de
abrir as comportas para que essa avalanche de sindicatos fraudulentos recebam
a chancela estatal".
E segue: "Um simples inciso escondido em meio à normatização
acaba de vez com o controle da unicidade para, na prática, instituir
o ‘pluralismo’ em bases territoriais de sindicatos de reconhecida
combatividade.” (Marcos Verlaine)
Clique
aqui e leia a íntegra do parecer.
|
NCST, 26 de abril de 2008
Prazo para entrega da declaração
do IR termina no próximo dia 30
Este fim de semana será o último que o contribuinte terá para
entregar a declaração do Imposto de Renda Pessoa Física.
Quem ainda não juntou a documentação tem o dia de hoje
para fazer isso. Até a manhã de hoje (25), a Receita Federal
do Brasil recebeu 14,5 milhões o que representa 59,18% do total esperado
para este ano (24,5 milhões).
O prazo para a entrega termina no próximo dia 30 às 20h (horário
de Brasília) para as declarações enviadas pela internet.
A Receita alerta o contribuinte para não deixar de declarar na última
hora, pois pode encontrar problemas ao enviar as informações,
como falhas na conexão ou sobrecarga no tráfego da rede.
O supervisor nacional do Imposto de Renda, Joaquim Adir, informou que todos
os dias, de 1h às 5h da manhã, o envio da declaração
fica impossibilitado, porque sistema entra em manutenção. Ele
esclareceu, porém, que mesmo nesse horário é possível
fazer download do programa (copiar do sistema da Receita para o computador
do contribuinte).
Está obrigado a declarar quem teve rendimentos tributáveis superiores
a R$ 15.764,28 no ano passado. A multa mínima para quem não declarar
ou perder o prazo é de R$ 165,74 e a máxima, 20% do imposto devido.
Neste ano, a Receita anunciou alterações como a obrigatoriedade
de informar o número do recibo de entrega do ano passado. Outra exigência é que
as informações sobre abatimentos com despesas, como educação
e saúde, venham acompanhadas do CPF ou CNPJ do beneficiário.
O registro do CPF dos dependentes maiores de 18 anos também é obrigatório.
O contribuinte tem à disposição, pela internet, um sistema
de consulta para verificar o número do recibo de entrega da declaração
do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) de 2007.
Para ter acesso a essa informação pela internet o contribuinte
precisa responder a uma série de perguntas pessoais. Depois de validar
os dados, o contribuinte só terá acesso ao número do recibo
da declaração entregue no ano passado, já que os extratos
com declarações anteriores só estão disponíveis
para quem tem certificado digital.
A estimativa é de que 90% dos contribuintes utilizem a internet para
enviar a declaração. As informações também
podem ser fornecidas através de disquetes, nas agências do Banco
do Brasil e da Caixa Econômica Federal, e em formulário de papel
postado nos Correios. Quem vai enviar a declaração em formulário
pelos Correios ou em disquete pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica
Federal deve ficar atento ao horário de funcionamento de cada agência.
|
Agência Brasil, 26
de abril de 2008
Para diretor do FMI, o mundo acredita
mais no Brasil que os próprios brasileiros
O diretor executivo do Fundo
Monetário Internacional (FMI), o economista Paulo Nogueira Batista,
prevê que os países emergentes vão ocupar o lugar
das nações mais importantes do mundo nos próximos
anos. Nesse cenário, segundo ele, o Brasil deve se destacar, em
razão do enfraquecimento das principais economias, como a americana.
De acordo com Nogueira Batista,
o governo Bush trouxe “sorte” para o Brasil. Isso porque,
avalia o economista, o presidente americano "geriu mal a política
econômica e a política externa do seu país".
Ele falou hoje (24) no seminário Perspectivas para o Brasil no
Cenário Internacional, promovido pelo Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea).
O economista diz que o Brasil “é um
país de sorte, pois tem muito mais credibilidade no exterior que
na cabeça dos próprios brasileiros”. Ele atesta que
constatou isso ao assumir o cargo no FMI e afirma que o mundo vê melhor
o Brasil que os próprios brasileiros. “O peso natural do
nosso país vem crescendo há muito tempo, independentemente
da competência ou não dos nossos representantes.”
Segundo o diretor do FMI, o Brasil
tem tudo para ser um grande pólo da América do Sul no cenário
mundial. Ressalva, porém, que o país ainda é subdesenvolvido,
o que persistirá por algum tempo. E lembra que países emergentes,
como a China e a Índia, vêm desempenhando um papel estabilizador
na economia mundial e, por isso, "também podemos ter vez".
O conceito de outros governos
em relação ao Brasil, afirma Nogueira Batista, é dado
pelo conteúdo estrutural do país, e não em razão
de um governo em particular. “A queda no peso das grandes potências,
como a antiga União Soviética e a Europa Ocidental, deu
lugar a emergentes como a China e a Índia, e o Brasil poderá ter
espaço também nessa corrida no mercado internacional.”
|
Diário Vermelho, 26
de abril de 2008
Luis Nassif: O novo mercado de combustíveis
Há cerca de dez anos,
quando houve uma imensa crise no setor sucro-alcooleiro, houve um evento
na Usina Santa Elisa, de Ribeirão Preto. Presentes, a diretoria
do Bradesco, da usina e usineiros da região. Os Biagi, controladores
da Usina, tinham sido escolhidos pelo Bradesco para um trabalho de consolidação,
que permitisse recuperar usinas e os empréstimos efetuados. As
usinas se converteriam em verdadeiros centrais alcoolquímicas.
Produziriam não apenas açúcar, como energia e, com
o tempo, seria uma central alcoolquímica.
Por Luis Nassif
O setor ainda não estava
preparado para processos de fusão. Imperava ainda a visão
patriarcal, de cada empresário tocar seu próprio negócio.
Ontem (24), dois lances selaram
definitivamente a entrada do setor no mercado de energia, em sentido
amplo.
Em um deles, a Cosan – o maior grupo sucro-alcooleiro, que tem origem
na família Ometto – anunciou a compra da rede de distribuição
da Exxon no Brasil por US$ 826 milhões.
No outro, a Tropical Bioenergia
- joint venture do grupo Santa Elisa (escolhida Empresa do Ano pelas
publicação Melhores e Maiores da Exame) e Grupo Maeda -
informou ter vendido 50% de seu capital para a British Petroleum (BP)
por US$ 100 milhões.
O que está acontecendo
são os primeiros movimentos de uma mudança radical no mercado
brasileiro de energia.
Até agora, a Petrobrás
dominava toda a cadeia por dominar o mercado de refino. Passavam por
ela o petróleo interno, o importado, o refino, a mistura com álcool,
a produção de produtos petroquímicos.
Agora, o jogo se sofistica. De
um lado, a nova civilização da bioenergia permite a criação
de outros grupos controlando todo o processo produtivo. Estabelece-se
uma competição maior no mercado interno. De outro, a própria
Petrobrás já fincou o pé no setor e, somadas as
novas descobertas de petróleo, caminha para ser das maiores do
mundo.
A primeira vez que o álcool
passou a gasolina foi no final dos anos 80. Mas tudo passava pelo Instituto
do Açúcar e do Álcool (IAA). Não havia garantia
de pagamento, de liberação de recursos. E os usineiros
eram meros plantadores de cana e produtores de álcool. Não
tinham controle da comercialização. Agora o jogo é mais
amplo, permitindo o aparecimento de novos grandes players no mercado.
A Cosan adquire a rede de 1.500
postos da Esso em 20 estados brasileiros. Respondem por 9% do etanol
comercializado e 9,7% da gasolina comercializada, entre as redes filiadas
ao Sinduscom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis
e de Lubrificantes)
E aí se cria um campo
interessante para futuros acordos.
Com o crescimento do álcool,
será vendida menos gasolina. Como as refinarias têm pouca
flexibilidade para o craqueamento, para que houvesse um equilíbrio
maior, teria que ser aumentada a produção de biodiese – programa
que depende mais da Petrobrás.
Além disso, há um bom campo para melhorar as exportações
de gasolina, que é a mistura de álcool para consolidar a imagem
de gasolina verde.
Em suma, há um jogo de
gente grande a ser jogado agora, permitindo ao país ter grandes
players no mercado global de energia
Fonte: Blog do Nassif
|
Gazeta do Povo, 26 de abril de 2008
Cofres públicos
Crescimento faz arrecadação
subir 13%
O forte crescimento do lucro das empresas, da produção industrial,
das vendas e da massa salarial garantiu ao governo federal a arrecadação
recorde de R$ 161,74 bilhões de impostos e contribuições
no primeiro trimestre deste ano. Esse resultado representou um crescimento
real (descontada a inflação pelo IPCA) de 12,97%, expansão
maior do que a previsão de crescimento de 5% do Produto Interno Bruto
(PIB) em 2008.
Em apenas três meses, os cofres do governo receberam R$ 18,66 bilhões
a mais do que no mesmo período de 2007, mesmo com o fim da CPMF a partir
de janeiro. Apenas no mês passado, a arrecadação totalizou
R$ 51 bilhões – novo recorde para meses de março.
Apesar de o governo ter elevado a alíquota do Impostos sobre Operações
Financeiras (IOF) para compensar em parte a Contribuição Provisória
sobre Movimentação Financeira (CPMF), a arrecadação
a mais dos dois tributos que incidem sobre o lucro das empresas (IRPJ e CSLL)
praticamente cobriu o que a Receita Federal deixou de arrecadar com a extinção
do chamado “imposto do cheque”.
|
Folha
de São Paulo, 26 de abril de 2008
Oi fecha compra da BrT por R$ 5,86 bi
Integração operacional terá que
esperar mudanças no Plano Geral de Outorgas, que regulamenta o
setor
| Aquisição cria grande tele nacional para disputar mercado com
a espanhola Teléfonica e o grupo mexicano América Móvil
ROBERTO MACHADO
DA SUCURSAL DO RIO
A operadora de telefonia
Oi anunciou ontem o fechamento da compra da Brasil Telecom, por R$
5,863 bilhões. Com isso, a antiga Telemar se tornará um
dos maiores grupos empresariais brasileiros, com receita anual de
R$ 29,3 bilhões (a soma das operadoras em 2007).
A operação financeira total, incluindo o valor a ser pago aos
acionistas minoritários, ultrapassará R$ 12 bilhões. Isso
sem incluir os recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social), de R$ 2,569 bilhões, para a reestruturação
acionária da Oi.
O negócio foi fechado sem amparo legal. A compra da BrT depende de mudanças
no PGO (Plano Geral de Outorgas), que estabeleceu as regras do mercado após
a privatização, em 1998. Também serão necessárias
as autorizações da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações),
da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e do Cade (Conselho
Administrativo de Defesa Econômica).
Enquanto isso não acontece, as duas companhias permanecerão atuando
separadas. O presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, que estará à frente
da nova operadora, espera mudanças no PGO num prazo de até três
meses: "As mudanças já estão maduras. Esperamos agora
ventos positivos e fumaça branca saindo das chaminés".
A compra da BrT pela Oi era esperada desde dezembro, quando as negociações
se intensificaram. Mas rumores sobre o assunto circulavam havia cerca de dois
anos. O resultado será a criação de uma grande tele nacional,
projeto estimulado por boa parte do alto escalão do governo federal.
Os analistas consideram que as chances de impedimento legal para o negócio
são remotas. Assim, a telefonia brasileira assistirá a uma disputa
entre três grupos: a Oi, a espanhola Telefónica e o grupo mexicano
América Móvil, de Carlos Slim, dono da Claro e da Embratel.
O negócio foi fechado na tarde de ontem. Foi uma negociação
em duas etapas. Na primeira, os grupos Andrade Gutierrez e La Fonte (de Carlos
Jereissati) compraram as participações do Citigroup, do Opportunity
e da GP Investimentos na Oi (Telemar). Na segunda etapa, a Oi comprou o controle
da BrT -que, por sua vez, também passou por reestruturação
societária, com a saída do Citigroup e do Opportunity.
Para que essa engenharia se concretizasse, Opportunity, Citigroup e fundos
de pensão desataram o nó societário da BrT -umas das disputas
mais ferozes entre companhias brasileiras. A Telemar pagará R$ 315 milhões
para eliminar as pendências judiciais relativas à disputa do controle
acionário.
A operação financeira total compreende os R$ 5,8 bilhões
pagos pela Oi para a compra do controle da BrT, R$ 3,5 bilhões ofertados
num instrumento chamado "tag along" (que estende aos minoritários
80% do valor pago) e R$ 3 bilhões na oferta pública voluntária
para os minoritários com ações preferenciais (sem direito
a voto).
Em entrevista concedida ontem à noite, Falco disse esperar reação: "Acho
que eles [os concorrentes] vão tentar impedir o negócio. Mas
o fato é que o Brasil tomou a decisão de não ter duas
plataformas [no setor de telecomunicações], e sim três".
Segundo ele, o mundo assiste a um processo de intensa concentração
no mercado de telecomunicações. Os grandes grupos passaram a
atuar em diversos segmentos: telefonia fixa, celular, acesso à internet
e transmissão de dados. E citou o exemplo dos EUA, onde, depois de muitas
fusões e aquisições, restaram três grandes: AT&T,
Qwest e Verizon.
Para competir com os gigantes internacionais Telefónica e América
Móvil, a Oi tentará conquistar mercados no exterior. A meta é atrair
30 milhões de clientes estrangeiros em cinco anos. Falco mira América
Latina, Europa e África.
Segundo ele, para competir no país com os grupos espanhol e mexicano,
a Oi precisará de escala e se tornar uma operadora global. Exemplo:
mesmo no Brasil, a nova Oi larga na terceira posição no bilionário
mercado de telefonia celular, com 17,9% dos clientes. A Claro tem 25% e a Telefónica
detém 56,7%, incluindo a operação da TIM no Brasil (o
grupo espanhol comprou participação no controle da Telecom Italia,
dona da TIM) -as duas atuam de forma independente).
Do ponto de vista financeiro, a Oi nasce com receita anual de R$ 29,3 bilhões,
contra R$ 41,5 bilhões do grupo Telefónica (incluindo TIM), e
supera a Claro (R$ 20,5 bilhões). Os números são de 2007.
Mas, na comparação internacional, o quadro muda: a Oi, que não
tem negócios lá fora, mantém os R$ 29,3 bilhões.
Já os espanhóis tiveram receitas de R$ 240,1 bilhões,
contra R$ 81,3 bilhões do grupo mexicano, sempre levando em conta os
resultados do ano passado.
|
Folha
de São Paulo, 26 de abril de 2008
BNDES dá R$ 2,57 bi para reestruturação
Participação não será via
financiamento tradicional, mas pela compra de ações com
recursos da carteira da BNDESPar | Ao final do processo, banco vai reduzir
sua participação de 25% para 16,89% na nova companhia;
modelo da operação dará direito a veto
JANAINA LAGE
DA SUCURSAL DO RIO
O BNDES (Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social) informou ontem que o apoio
do banco à operação de criação da
nova tele soma R$ 2,569 bilhões na reestruturação
societária da Telemar Participações, controladora
da Oi. Os recursos do banco não estão incluídos
na oferta feita para a compra da Brasil Telecom, de R$ 5,86 bilhões.
Na prática, a participação do banco não se dará por
meio de financiamento tradicional, mas através de uma intrincada operação
de compra de ações envolvendo recursos da carteira da BNDESPar,
o braço financeiro do banco de fomento. O BNDES já era acionista
da Telemar Participações desde 1999, ano em que ela foi criada
após a privatização da Telebrás.
Ao final do processo de reestruturação, o banco vai reduzir sua
participação de 25% para 16,89%. O modelo da operação
garante direito a veto. Sem o aval da BNDESPar, a empresa não poderá,
por exemplo, realizar operações que coloquem em risco a estabilidade
do controle. Além disso, o banco poderá interferir em questões
relacionadas a fusões, cisões e reestruturações
societárias.
Em caso de venda do controle, a BNDESPar terá direito de preferência
na compra e direito irrestrito de venda conjunta (negociar suas ações
pelo mesmo preço do controlador), o que até então não
era previsto. O acordo de acionistas prevê que Oi e Brasil Telecom deverão
manter, por três anos, o mesmo número de postos de trabalho registrados
em 1º de fevereiro de 2008.
Sem dinheiro do FAT
" A reestruturação societária será decisiva
para a consolidação de duas operadoras, a Oi e a Brasil Telecom,
que resultará na criação de um grupo com escala eficiente,
estratégia empresarial alinhada, com capacidade de crescimento e porte
para competir internacionalmente no setor de telecomunicações",
afirmou o presidente do banco, Luciano Coutinho.
O banco ressaltou que não usará recursos do FAT (Fundo de Amparo
ao Trabalhador) por se tratar de uma operação de renda variável. "Esse
apoio em nada comprometerá a capacidade de crédito do BNDES para
novos projetos de investimento em infra-estrutura e na indústria",
disse Coutinho.
A reestruturação envolve a saída de três acionistas
da holding: Asseca (GP Investimentos), Lexpart (Citibank e Opportunity) e Alutrens
(Banco do Brasil e seguradoras privadas). Além disso, haverá uma
cisão parcial da Telemar Participações para que a participação
na Contax, empresa de atendimento, seja separada em uma nova companhia.
A BNDESPar vai subscrever R$ 1,239 bilhão em ações preferenciais
resgatáveis emitidas pela Telemar Participações. De posse
dos recursos do BNDES, a holding comprará as participações
da Lexpart e da Alutrens (10,275% e 10% do capital, respectivamente). Além
disso, a BNDESPar comprará títulos no valor de R$ 1,33 bilhão
emitidos pela AG Telecom (grupo Andrade Gutierrez) e pela LF TEL (grupo La
Fonte).
|
AGÊNCIA SINDICAL, 26
de abril de 2008 | Opinião
Senado: entre o oportunismo e a oportunidade
Dia 9 de abril o Senado surpreendeu
a Nação brasileira ao votar três projetos de lei
que beneficiam milhões de trabalhadores e trabalhadoras do campo
e da cidade. Os projetos são: regulamentação da
Emenda 29, que trata de recursos públicos para o SUS - Sistema Único
de Saúde, o PLS 296/03, que permite a extinção do
fator previdenciário e o PLS 58/03, que atualiza os reajustes
das aposentadorias e pensões pagas pela União e Previdência
Social.
A sessão que votou os
três projetos foi marcada pelo oportunismo e mesquinharia de líderes
da oposição, que foram à tribuna enaltecer a iniciativa
e coragem do senador Paulo Paim e Tião Viana, do Partido dos Trabalhadores.
Estavam todos eufóricos diante das câmeras naquela sessão
do senado federal. Principalmente os líderes do neoliberalismo,
Arthur Virgílio do PSDB e José Agripino do DEM.
Os dois líderes foram
os mesmos que no início do ano derrotaram o governo Lula, ao retirarem
R$ 40 bilhões da saúde pública com a aprovação
do fim da CPMF. Os dois senadores foram ainda responsáveis ao
longo do governo FHC pela caça implacável aos aposentados
e pensionistas, transformando esses dois segmentos sociais em inimigo
número um do projeto neoliberal liderado pelo seu chefe Fernando
Henrique. Conforme o próprio Presidente “os vagabundos da
nação”.
A imprensa especializada em mercado,
déficit da previdência, superávits primários,
ajustes macroeconômicos, reforma neoliberais, reforma microeconômicas,
aumento de juros, ficou perplexa diante do encaminhamento dos líderes
oposicionistas. Conforme esta mesma mídia, a jogada política
de transferir para o governo e a base aliada da Câmara dos Deputados
a responsabilidade de derrubar os três projetos de lei era uma
excelente cartada política, fundamentalmente em ano eleitoral.
Porém, conforme a mesma
imprensa os projetos de lei não poderão em hipótese
alguma ser aprovados. Um couro retumbante entoou do planalto central
para todos os meios de comunicação. Conforme esses senhores
um projeto de extrema irresponsabilidade fiscal, era a gritaria dos mesmos
de sempre, que amam os banqueiros e agiotas de plantão e odeiam
o povo e os trabalhadores.
Todavia, mesmo considerando o
oportunismo praticado pelos senadores do PSDB e DEM e reconhecendo a
posição firme e comprometida do senador Paulo Paim com
os trabalhadores reconhecemos que não será suficiente,
precisamos mobilizar o conjunto da sociedade para aprovar os três
projetos na Câmara dos Deputados.
A oportunidade de realizar este
grande feito foi proporcionada pela esperteza oposicionista e pelo Partido
dos Trabalhadores, o mesmo do atual presidente da República. Sabemos
que os três projetos de lei serão furiosamente atacados
pela imprensa, pelos especuladores do Banco Central, pelos liberais menos
oportunistas e possivelmente pelo governo e parte da base aliada. Não
será um processo fácil se não estivermos preparados
para a luta.
Dos três projetos o que
trata da saúde é o que mais tende a ser recepcionado e
aprovado, pois a saúde pública perdeu bilhões de
reais com a extinção da CPMF o que implica em menos recursos
para os entes federados: Estados e Municípios. Outro fator importante
diz respeito à crise vivida em todo o País, com destaque
para a epidemia de dengue no Rio de Janeiro. Em ano eleitoral todos os
partidos, até mesmo os comprometidos com a saúde privada
fazem política com o tema para aproximar do eleitor e conquistar
o seu voto.
Já o PLS 58 que trata
do reajuste dos aposentados e pensionistas e o PLS 296 que extingue o
fator previdenciário não deverá ser tratada com
a mesma benevolência da emenda 29. Nos últimos dias, uma
grande quantidade de artigos da grande mídia denunciam o famigerado
déficit da previdência.
Famigerado porque sabemos que
mesmo com todas as fraudes, calotes, desvinculação de receitas,
o sistema continua operando com superávit. A velha tática
de jogar todas as despesas da seguridade social na conta da previdência
continua como a principal argumentação dos opositores de
um sistema social mais justos para os milhões de brasileiros.
Os reajustes das aposentadorias
e pensões são medidas que a muito vem mobilizando milhões
de trabalhadores do campo e da cidade. Nos últimos trinta anos
esses trabalhadores viram seus rendimentos despencarem profundamente.
Não houve em todo o período nenhuma orientação
para diminuir o sofrimento de milhões de trabalhadores aposentados.
Portanto, é necessário que um governo, que diz comprometido
com esse segmento, tenha uma política definitiva para resolver
esta fratura social e permitir uma vida melhor para esses brasileiros
tão humilhados ao longo dos últimos anos.
Quanto ao PLS 296 é uma
oportunidade de acabar de vez com a principal medida de precarização
da aposentadoria. O fator previdenciário funde quatro variáveis
que dificultam e diminuem o valor do benefício: Data do início,
idade, tempo de contribuição e expectativa de sobrevida.
A convergência destas quatro variáveis impossibilita a aposentadoria
de milhões de trabalhadores. Quando acontece sem a conjunção
da totalidade destes requisitos, o trabalhador é profundamente
prejudicado.
O fator previdenciário
vem causando danos irreparáveis, principalmente aos trabalhadores
que iniciam suas atividades laborais mais jovens, com menos possibilidade
de estudos, os mais precarizados e com os piores salários. O fator
previdenciário foi à medida mais eficaz para retirar direitos
dos trabalhadores, fazer ajustes fiscais para o mercado e manter na miséria
milhões de brasileiros.
É nesta junção
entre oportunismo e oportunidade que o movimento sindical, as Centrais
Sindicais, os partidos da base do governo, fundamentalmente os de base
popular, os aposentados e aposentados deverão marchar no próximo
período. Devemos exigir que a votação dos três
projetos seja votada imediatamente e que seja aprovado na íntegra
conforme aprovado no Senado. Ocorrendo o feito devemos levantar uma estátua
em praça pública em homenagem aos líderes: Virgílio
e Agripino, os maiores oportunistas e traidores das teses neoliberais
da história brasileira.
Gilson Reis é presidente do
Sinpro/MG
|
Agência Câmara,
26 de abril de 2008
Habitação: Redução
de saldo poderá beneficiar contratos de gaveta
Sônia Baiocchi

Maria do Rosário: proposta permite o fim dos contratos de
gaveta
A Câmara analisa o Projeto
de Lei 2654/07, da deputada Maria do Rosário (PT-RS), que estende
aos chamados "contratos de gaveta", firmados até 21
de dezembro de 2000, os benefícios de revisão da prestação
e do saldo devedor previstos na Lei 10.150/00. Essa lei beneficiou mutuários
com contratos assinados por meio do Sistema Financeiro da Habitação
até dezembro de 1987 e que contavam com cobertura do Fundo de
Compensação das Variações Salariais (FCVS).
Os contratos de gaveta são
aqueles contratos de financiamento com prestações ainda
a pagar pelo atual proprietário, mas que continuam em nome do
antigo mutuário. De maneira geral, esses contratos não
são oficializados porque, na transferência, os bancos revisam
os valores, aumentando o saldo devedor.
Pelo projeto, os contratos comprovadamente
realizados até a edição da lei 10.150/00 e que contam
com FCVS poderão optar pelas regras vigentes até aquela
data. Essa comprovação deverá se dar por meio de
documentos formalizados junto a Cartórios de Registro de Imóveis,
Títulos e Documentos, ou de Notas, que mostrem que a transferência
foi feita até 21 de dezembro de 2000.
Equiparação
de direitos
A proposta equipara o comprador por contrato de gaveta ao mutuário final,
permitindo inclusive o uso de recursos do FGTS. "Os financiamentos originais
dos imóveis objetos desses contratos de gaveta têm direito a cobertura
daquele Fundo [FCVS], mas o atual proprietário não pode se habilitar
porque não concretizou a negociação até a data
estipulada pela lei", disse a deputada.
A proposta, que tramita em caráter
conclusivo, será analisada pelas comissões de Desenvolvimento
Urbano; de Finanças e Tributação; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:
-
PL-2654/2007
|
Agência Câmara,
26 de abril de 2008
PIS-Pasep pode resgatar perdas dos
planos Collor e Verão

Barbosa Neto: objetivo é dar tratamento isonômico
a fundos similares.
O Projeto de Lei Complementar 258/07, do deputado Barbosa Neto (PDT-PR), atualiza
as contas individuais dos fundos PIS e Pasep, aplicando dois reajustes, referentes
aos expurgos dos planos Verão (16,64%) e Collor (44,8%). A proposta
altera a Lei Complementar 110/01, que atualizou as contas do FGTS em decorrência
das perdas ocasionadas pelos planos econômicos.
Além de atualizar os saldos
das contas individuais, o PLP 258/07 muda a Lei Complementar 26/75, para
permitir que o titular da conta resgate o saldo do PIS-Pasep quando completar
60 anos. A legislação atual permite o resgate em casos
de casamento, aposentadoria ou invalidez.
Isonomia
Barbosa Neto lembra que, assim como a Justiça reconheceu o direito dos
trabalhadores à atualização do FGTS, em razão das
perdas ocasionadas pelos planos Verão e Collor, é preciso reconhecer
que as contas do PIS-Pasep também perderam em conseqüência
do expurgo inflacionário. O Superior Tribunal de Justiça (STJ)
tem reconhecido esse direito em razão da semelhança entre os
dois fundos. "Nossa proposta é dar tratamento isonômico a
fundos similares, atendendo ao princípio do Direito", disse Barbosa
Neto.
Os recursos para a atualização
dos fundos PIS-Pasep virão das duas contribuições
extraordinárias criadas pela Lei Complementar 110/01. A primeira,
paga pelo empregador em caso de despedida sem justa causa, corresponde à alíquota
de 10% sobre os depósitos do FGTS do empregado.
A segunda contribuição é paga
pelo empregador junto com a contribuição mensal para o
FGTS, e corresponde à alíquota de 0,5% sobre a remuneração
devida, no mês anterior, a cada trabalhador. O projeto define que
essas duas contribuições serão extintas assim que
forem efetuados todos os créditos referentes à atualização
das contas do PIS-Pasep.
Com relação à proposta
de permitir o saque do saldo do PIS-Pasep para o titular que completar
60 anos, Barbosa Neto afirma que a idéia é apenas adequar
a legislação ao Estatuto do Idoso.
Tramitação
A proposta será analisada pelas comissões de Trabalho, de Administração
e Serviço Público; de Finanças e Tributação;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Se for
aprovada, será votada pelo Plenário.
Íntegra da proposta:
-
PLP-258/2007
|
Agência Câmara,
26 de abril de 2008
Auxílio-doença poderá ser
chamado de auxílio-incapacidade
J. Batistista

Para Berzoini, o termo atual é impreciso e gera confusão
nos postos de atendimento da Previdência Social.
O Projeto de Lei 2700/07, do
deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), substitui, na Consolidação
das Leis do Trabalho (Decreto-Lei 5.452/43) e em outras leis trabalhistas
e previdenciárias, o termo "auxílio-doença" por "auxílio-incapacidade".
O auxílio-doença é um benefício previdenciário
pago ao segurado que fica incapacitado para o trabalho por mais de 15
dias consecutivos.
Na opinião de Berzoini,
o termo é impreciso e gera confusão nos postos de atendimento
da Previdência Social. O parlamentar argumenta que o critério
determinante para a concessão do benefício é sempre
a incapacidade temporária para o trabalho ou atividade habitual,
mas nem toda doença causa incapacidade. "Por esse motivo,
a terminologia mais adequada é a expressão auxílio-incapacidade,
cujo nome remete diretamente ao princípio adotado para a concessão
do benefício", afirma.
Tramitação
A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada pelas
comissões de Seguridade Social e Família; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:
-
PL-2700/2007
|
Agência Câmara,
26 de abril de 2008
Projeto permite uso de FGTS para pagar
previdência privada
Edson Santos

Barbosa Neto: opção para quem tem maior rendimento
A Câmara analisa o Projeto
de Lei 2695/07, do deputado Barbosa Neto (PDT-PR), que permite o uso
de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para
o pagamento de plano de previdência privada. A intenção
do autor é ampliar as possibilidades de uso do FGTS para atender
as necessidades dos trabalhadores.
O deputado afirma que a previdência
pública não se mostra mais atraente para os trabalhadores
que possuem melhores rendimentos. Ele defende, por isso, a existência
de incentivos para a utilização de previdência privada,
que serve para complementar os rendimentos daqueles que recebem aposentadoria
da Previdência Social. Segundo o projeto, caberá ao Conselho
Curador do FGTS regulamentar as condições para uso do FGTS
no pagamento de previdência privada.
A proposta altera a Lei 8.036/90,
que trata das regras de funcionamento do FGTS. Atualmente, o saque do
FGTS já é permitido em situações como despedida
sem justa causa, extinção total da empresa, aposentadoria
do trabalhador, financiamento habitacional ou compra da casa própria
e em casos de doenças incuráveis, como câncer e aids,
em estágios avançados.
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado
pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço
Público; Finanças e Tributação; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:
-
PL-2695/2007
|
Agência Câmara,
26 de abril de 2008
Câmara vai analisar extinção
do fator previdenciário
O Projeto de Lei 3299/08, do Senado, extingue o Fator Previdenciário
como elemento para calcular o que o aposentado deve receber de benefício.
A proposta fixa o salário-de-benefício a partir da média
aritmética simples de todos os últimos salários-de-contribuição
dos meses imediatamente anteriores ao do afastamento da atividade ou da data
da entrada do requerimento, até o máximo de 36, apurados em período
não superior a 48 meses.
No caso dos segurados especiais,
que são os trabalhadores rurais que produzem em regime de economia
familiar, sem utilização de mão-de-obra assalariada,
o salário-de-benefício não poderá ser menor
que o salário mínimo. Se o segurado tiver menos de 24 contribuições
no período de 48 meses, o valor será o de 1/24 da soma
dos salários-de-contribuição apurados.
Penalização
O fator previdenciário considera, na data do início do benefício,
a idade e o tempo de contribuição do segurado, a expectativa
média de vida de homens e mulheres e a alíquota de 31%, correspondente à soma
da alíquota básica de contribuição do empregador,
de 20%, e a máxima do empregado, de 11%.
De acordo com o autor da proposta,
senador Paulo Paim (PT-RS), o fator previdenciário diminuiu o
valor do benefício ou estimula o retardamento da aposentadoria.
Isso, explica o senador, penaliza sobretudo aqueles que começam
a trabalhar mais cedo e fazem parte da parcela mais pobre da população
trabalhadora.
O senador dá o exemplo
de uma mulher de 46 anos que contribuiu durante 30 anos. Se o fator,
no caso 0,514, for aplicado na média salarial de suas contribuições,
o salário-de-benefício será 48,6% menor. Essa diminuição
só não ocorreria caso essa mulher trabalhasse até os
56 anos e contribuísse mais 9 anos. Por isso, prossegue o senador,
ele propôs que sejam retomados os critérios anteriores de
cálculo da aposentadoria.
Tramitação
A proposta tramita em regime de prioridade e deve ser votada pelo Plenário.
Antes, será analisada pelas comissões de Seguridade Social e
Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
|
Gazeta do Povo, 26 de abril
de 2008
Desenvolvimento
Brasil longe da sustentabilidade
País precisa reverter a perda de recursos
ambientais, reduzir o número de pessoas sem água e
esgoto e melhorar as condições de habitação

Entre os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, três estão
mais longe de ser alcançados, de acordo com o Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Um deles é o que busca garantir
a sustentabilidade ambiental. O Brasil teria atingido, até agora, 50%
de suas metas, que consistem basicamente em reverter a perda de recursos ambientais;
reduzir pela metade, até 2015, o número de pessoas sem acesso à água
tratada e esgoto; e melhorar as condições de moradia, até 2020,
de pelo menos 100 milhões de brasileiros.
Clóvis Borges, diretor executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem
e Educação Ambiental (SPVS), critica essa expectativa de resultados
numéricos. Ele sugere que é preciso sair do genérico,
da superficialidade, e atingir metas mais pontuais, urgentes. “O problema é que
os políticos não conseguem ver a agenda ambiental como algo sério”,
completa.
Borges, que trabalha desde 1982 com conservação, afirma que a
prioridade no Paraná deve ser a conservação das últimas áreas
naturais. Segundo ele, as regiões Sul e Sudeste do Brasil não
têm mais do que 3% de áreas bem conservadas. No Paraná,
tem o 1% que se refere ao Parque Nacional do Iguaçu e 2% que se referem
ao litoral e Serra do Mar, lembra.
Os números apontam avanços na conquista da meta, mas Borges não
vê situação semelhante no Paraná. De acordo com
ele, de 2000 para cá, quando foram estipulados os objetivos do Milênio,
o Paraná passou de 0,8% de remanescentes de florestas de araucária
em bom estado, em 2001, para 0,4% em 2008. “Não acredito que sem
incentivos financeiros seja possível garantir a conservação
das áreas naturais”, diz. Ele defende que o governo faça
isso, já que nas décadas de 1960 e 1970 houve incentivo de atividades
agrícolas que exigiram a destruição de florestas.
Combinar o desenvolvimento econômico com o uso sustentável dos
recursos naturais é um dos maiores desafios para alcançar o objetivo
de garantir a sustentabilidade ambiental. Borges lembra que os serviços
ambientais (água, controle climático e qualidade do solo) são
a base para a economia funcionar. “Mas a sociedade não relaciona
a conservação com o sucesso dos negócios”, afirma
o diretor da SPVS.
Sem dados
A coordenadora executiva do Observatório Regional Base de Indicadores
de Sustentabilidade (Orbis), que monitora a evolução dos indicadores,
Luciana Brenner, explica que é muito difícil acompanhar o desempenho
dos indicadores deste item dos objetivos do Milênio porque as informações
não são facilmente localizadas. “Não estão
disponíveis como em outras áreas”, compara.
Sobre o problema do desmatamento, Luciana lembra que quando foram estipulados
os objetivos, em 2000, as matas já não existiam mais no Paraná para
que fossem preservadas. Esta situação, de acordo com ela, vem
desde 1991. O desmatamento, completa, começou no início do século
passado e agora o estado é essencialmente agrícola. “Já Amazonas
e Pará estão perdendo agora suas matas”, afirma Luciana.
Um documento produzido pelo Orbis mostra que dos ambientes originais de formação
de florestas, campos naturais e cerrados que ocupavam 99,5% do território
paranaense, restam apenas cerca de 8%, segundo estudo feito pelo Instituto
SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Quanto às áreas protegidas para manter a diversidade biológica,
existem no estado 364 Unidades de Conservação, representando
15% do território paranaense, com mais de 3 milhões de hectares.
No Brasil, a área coberta por florestas nativas abrange cerca de 4,6
milhões de quilômetros quadrados, o que corresponde a 54,2% do
território nacional. As florestas concentram-se principalmente na Amazônia
(74%), cerrado (16,3%) e Mata Atlântica (5%). Esses dados estão
no documento Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – Relatório
Nacional de Acompanhamento 2007, feito pelo governo federal.
Na Amazônia Legal brasileira (Acre, Amazônia, Roraima, Rondônia,
Mato Grosso, Pará, Amapá, Tocantins e parte do Maranhão),
o auge do desmatamento ocorreu entre 1994 e 1995. Nos dois anos seguintes houve
uma redução na derrubada, que voltou a crescer até 2004.
A partir daí o desflorestamento caiu significativamente.

|
Gazeta do Povo, 26 de abril de 2008
Desenvolvimento
Meta para saneamento deve ser antecipada
Reduzir à metade a proporção da população
sem acesso permanente e sustentável à água potável
e esgotamento sanitário até 2015 é uma das metas traçadas
dentro do objetivo de garantir a sustentabilidade ambiental que deverá ser
alcançada antes do tempo previsto. O governo brasileiro espera que isso
ocorra num prazo de quatro anos.
Segundo um estudo da pesquisadora Maria da Piedade Morais, do Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicada na revista Desafios do
Desenvolvimento, editada pelo próprio Ipea, a parcela de moradores em
domicílios particulares permanentes urbanos no Brasil em 2001 não
tinha água canalizada de rede geral, que era de 12,3% e caiu para 9,1%
em 2006; e a parcela sem esgoto de rede geral ou fossa séptica caiu
de 26% para 22,2% no mesmo período. Ainda assim, 14,2 milhões
de pessoas não têm água canalizada e 34,5 milhões
não têm esgoto por rede ou fossa séptica.
No Paraná, considerando os 345 municípios em que a Sanepar atua,
de um total de 399, o atendimento já é considerado universal,
ou seja, a todos os moradores, desde 2000 na área urbana. Na área
rural, o porcentual de atendimento é de 55% das comunidades nos municípios
atendidos pela Sanepar.
Apesar da ampliação dos serviços de esgotamento sanitário
adequado, esse problema atingia 34,6 milhões de brasileiros que viviam
em cidades em 2005. Há grande desigualdade entre regiões, unidades
da federação e municípios. O Distrito Federal e as cidades
paulistas apresentam as melhores coberturas do país. Os maiores déficits
se concentram nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Outra meta é alcançar, até 2020, uma melhoria significativa
na vida de pelo menos 100 milhões de habitantes de assentamentos precários.
Há uma correlação entre as condições de
moradia e indicadores de desenvolvimento humano, destaca o documento Objetivos
de Desenvolvimento do Milênio – Relatório Nacional de Acompanhamento
2007, do governo federal.
Os dados recentes apontam um avanço das cidades brasileiras nesse indicador.
A proporção de domicílios urbanos com condições
de moradia adequadas passou de 49,4% em 1992 para 61,5% em 2005.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
26 de abril de 2008 | Economia
Contrato de experiência pode
se estendido para 120 dias
Agência Câmara
A Câmara analisa o Projeto
de Lei 2687/07, do deputado Walter Brito Neto (PRB-PB), que amplia
de 90 para 180 dias o prazo de vigência de contratos de experiência.
O projeto altera a Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT, Decreto-Lei 5.442/43).
O contrato de experiência é uma
modalidade do contrato por prazo determinado, cuja finalidade é verificar
se o empregado tem aptidão para exercer a função
para a qual foi contratado. Na opinião do autor da proposta, a
alteração do prazo vai permitir maior número de
contratações e melhorar a qualidade do período de
experiência do trabalhador.
Tramitação
A proposta será analisada
pelas comissões de Trabalho, de Administração e
Serviço Público; e de Constituição e Justiça
e de Cidadania. Depois, segue para o Plenário.
|
Agência Diap, 26 de
abril de 2008
Revista íntima e danos morais
Por: Ana Paula Simone de Oliveira
Souza*
A revista íntima de funcionários,
medida de segurança utilizada por algumas empresas, continua polêmica
e rendendo diversos processos no Judiciário brasileiro. Em recente
decisão, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) reconheceu o direito à indenização
de uma ex-funcionária de empresa de transporte de valores. A trabalhadora
alegou que era submetida, diariamente, por duas vezes, à revista íntima
em seu trabalho, na presença de outras funcionárias. Disse
ainda que, durante essas circunstâncias, a funcionária encarregada
de tal revista tecia comentários jocosos a seu respeito. Por conta
disso, a ex-funcionária pleiteou o pagamento de indenização
por danos morais.
A prática de revista íntima é condenada expressamente,
no caso de mulheres, pela Lei 9.799/99, que introduziu o artigo 373-A, da Consolidação
das Leis Trabalhistas (CLT). O inciso VI proíbe que o empregador proceda à revista íntima
nas empregadas e funcionárias. A condenação do TST significa
uma evolução, não apenas do direito em si, mas também
do trabalhador que não pode aceitar qualquer constrangimento que desrespeite
sua dignidade e intimidade. A prática é lesiva e existem inúmeras
formas, com ajuda tecnológica, para obtenção de segurança
no ambiente de trabalho.
O TST, no caso citado, modificou o entendimento da sentença proferida
pela 25ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, bem como do acórdão
do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, que manteve a decisão
de primeira instância. Ou seja, a pretensão foi indeferida em
primeira instância.
A autora, inconformada com a decisão, recorreu ao Tribunal Regional
do Trabalho que, ao analisar o recurso, concordou com o entendimento proferido
pela vara de origem, o qual considerou que não constitui nenhuma violação à intimidade
a revista íntima realizada por pessoa do mesmo sexo. Considerou ainda
que, em primeira instância, a prova testemunhal produzida não
deixou evidência de que a prática da revista tenha gerado qualquer
comentário indecoroso a respeito da trabalhadora.
Esses argumentos foram fortemente afastados pelo Tribunal Superior do Trabalho,
competente para analisar o recurso de revista interposto pela ex-funcionária.
Para o relator do acórdão, ministro Barros Levenhagen, o caso
dos autos traduz-se em evidente abuso do poder diretivo do empregador, pois,
embora lhe caiba dirigir e fiscalizar a prestação pessoal de
serviço, não pode exceder-se no exercício desse poder
a ponto de atingir os valores íntimos da pessoa humana.
“ O poder hierárquico, também denominado de poder de comando,
consiste na faculdade conferida ao empregador de dirigir a prestação
pessoal de serviço do seu empregado, de elaborar normas e de aplicar penalidades,
se necessárias, à manutenção da ordem interna da
empresa.” (Limites do Jus Variandi do Empregador, Ltr, 1997, pág
13).
É importante destacar que esse poder de comando do empregador não é ilimitado;
ele encontra limites no princípio da dignidade da pessoa humana. O direito à privacidade
do empregado está inserido no mesmo patamar constitucional do direito
de propriedade do empregador. Portanto, esses princípios devem ser analisados
de forma harmoniosa, não podendo ser aplicado um em detrimento de outro.
E a revista íntima acaba causando constrangimento sempre, mesmo que realizada
por pessoas do mesmo sexo.
Por outro lado, a revista pessoal não é proibida. Sob esse enfoque,
o empregador pode revistar a bolsa do funcionário quando este procedimento
de segurança for indispensável. Uma saída recomendável é que
a empresa, juntamente com o sindicato de classe, firme acordo coletivo de trabalho,
fixando as regras a serem observadas para a revista pessoal.
Porém, certo é que, mesmo com o acordo, é possível
que os tribunais encontrem motivo para conceder a indenização
por danos morais, caso haja comprovação de algum abuso. Por isso, é sempre
uma ótima recomendação que o bom senso oriente o empregador
na hora de instituir as medidas para efetivação da revista e
de escolher a pessoa adequada para realizá-la, evitando abusos.
(*) Advogada trabalhista - apso@peixotoecury.com.br
|
NCST, 26 de abril de 2008
Tempo que motorista
gasta para chegar ao local de trabalho, em outra cidade, é hora extra
O tempo gasto pelo motorista até chegar ao local de trabalho, em outra
cidade, integra a jornada do empregado para todos os efeitos legais, pois configura
tempo à disposição do empregador. O entendimento é da
1ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais.
Os desembargadores negaram recurso ajuizado por uma empresa de transporte coletivo
que tentava afastar decisão de primeira instância que a condenou
a pagar horas extras a um motorista.
“ Compartilho do entendimento do juiz de primeira instância quando
assinala que a empresa deve assumir os ônus da prática adotada em
relação às escalas de trabalho, na medida em que torna imprescindível
o deslocamento do empregado de uma cidade para outra, a fim de iniciar a sua
jornada”, destacou a relatora, desembargadora Deoclécia Amorelli
Dias.
De acordo com ela, ficou constatado que o motorista fazia, em média,
cinco deslocamentos por mês para cumprir escalas fixadas de acordo com
a necessidade da empresa. Portanto, no entender da relatora, se a ré prevê a
entrada em serviço do empregado em município distinto da sua
residência, deve remunerar o tempo gasto nesses deslocamentos como horas
extras, já que esse período configura tempo à disposição
do empregador.
RO 00807-2007-053-03-00-6
Revista Consultor Jurídico

|