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Diário Vermelho,
27 de abril de 2008
Lula reafirma: discutir eleição
de 2010 é insanidade
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste sábado
(26) que discutir alianças partidárias para as eleições
de 2010 agora é insanidade. Ele minimizou o eventual apoio de
parte do PMDB para a possível candidatura do governador de São
Paulo, José Serra (PSDB), à Presidência da República,
em 2010.
" Pensar em fazer alianças em 2010 em 2008 é uma
questão de insanidade. É pura especulação.
Como isso não está na Bolsa, não é necessário
especular", disse Lula.
O PMDB paulista, presidido pelo ex-governador Orestes
Quércia, fechou acordo para apoiar a reeleição
do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Quércia sinalizou
a possibilidade de apoiar Serra em 2010. O tucano é apontado
como padrinho da candidatura de Kassab.
Lula afirmou que uma eventual aliança do PMDB
ao DEM ou PSDB não prejudica a unidade da base governista. "A
unidade se mantém tranqüilamente. Se dá no
Congresso. Para isso temos alianças. Não
tenho nenhum compromisso com nenhum partido e não
pedi para nenhum partido ter compromisso comigo para 2010.
Até porque não sou candidato."
Questionado sobre sua participação nas
eleições municipais de outubro, Lula admitiu
a possibilidade de fazer campanha para uma eventual candidatura
de Luiz Marinho à Prefeitura de São Bernardo
(SP). Marinho, ministro da Previdência, ainda não
oficializou sua candidatura. "O Marinho merece qualquer
sacrifício da minha parte", disse Lula.
Lula desconversou sobre a decisão da Executiva
Nacional do PT de vetar a aliança com o PSDB do
governador de Minas, Aécio Neves, em torno de uma
candidatura do PSB em Belo Horizonte. "Não
discuto alianças do PT em Minas. Essa é uma
preocupação do [Ricardo] Berzoini [presidente
do PT] e do prefeito [de Belo Horizonte, Fernando] Pimentel."
O presidente afirmou que só fará campanha
em cidades que houver apenas uma candidato da base aliada. "Só participarei
da campanha municipal onde a cidade tiver apenas um candidato
da base. Se tiver dois, não estarei presente. Eleições
municipais não são prioridade da Presidência."
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Diário Vermelho,
27 de abril de 2008
Lula diz que Brasil ganhará "guerra" dos
biocombustíveis
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste
sábado (26) que o Brasil ganhará a "guerra" dos
biocombustíveis, em discurso no qual voltou a fazer fortes críticas
aos países ricos.
Ao participar da inauguração de uma usina
petroquímica da Braskem e da Petrobras em Paulínia
(SP), Lula disse que a escassez de alimentos não
tem nada a ver com a produção dos biocombustíveis.
"É uma falácia, é uma tentativa
de manter os ricos mais ricos e os pobres mais pobres.
Não é uma briga pequena, e chamo de medíocre,
pobre de espírito e vergonhosa esse tipo de manifestação. É um
debate eminentemente comercial e o Brasil não quer
participar de uma guerra, mas dessa guerra ele não
fugirá e vencerá", afirmou.
" Eu espero que essa guerra não aconteça.
Mas, se eles (os países ricos) querem fazer a guerra
tecnológica, guerra ambiental, guerra comercial,
que saibam que o Brasil, por mais que não goste
de entrar em guerra, não vai perder", ressaltou
o presidente.
A defesa do etanol feita por Lula foi apoiada pelo governador
de São Paulo, José Serra, para quem "é um
absurdo dizer que o etanol tem culpa da inflação
dos alimentos".
O presidente se referiu também à "defasagem" entre
a alta do preço internacional do petróleo
e o da gasolina no mercado brasileiro, que não tem
um aumento "proporcional" desde 2005, mas evitou
dizer se haverá uma elevação do valor
do combustível no país.
" O mundo, cedo ou tarde, não poderá desprezar
o etanol. A Alemanha produz de beterraba, que é muito
mais caro, ou o compra de nós. É um debate
comercial que não tem nada de tecnológico",
disse Lula." Uma alta no preço da gasolina
passa pelo governo e até agora não tenho
nenhuma informação a respeito", ressaltou.
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Diário Vermelho,
27 de abril de 2008
Centrais apresentarão
documento para corrigir Portaria 186
Na reunião do Forum Sindical dos Trabalhadores (FST),
realizada na quinta-feira (24), foi aprovada a elaboração
de um documento que contesta a Portaria 186, do Ministério do
Trabalho e Emprego (MTE), que fixa normas sobre os pedidos de registro
sindical e alteração estatutária das entidades
sindicais.
Nos artigos 20 a 24 que tratam das entidades de grau
superior (federações e confederações),
a portaria deixa as entidades em alerta por abrir a possibilidade
da pluralidade entre as federações e confederações.
O documento que será elaborado pelo FST deverá ser
entregue ao ministro Carlos Lupi na próxima semana.
O ministro está em viagem a Cuba e retorna na próxima
semana ao Brasil, quando deverá reunir seus assessores
para preparar as modificações necessárias
na portaria.
Brecha "pluralista"
Em face da Portaria 186, do MTE, a Conlutas (Coordenação
Nacional de Lutas), emitiu parecer sobre a portaria. Entre
outros questionamentos, a entidade entende que a norma “acaba
de abrir as comportas para que essa avalanche de sindicatos
fraudulentos recebam a chancela estatal".
E segue: "Um simples inciso escondido em meio à normatização
acaba de vez com o controle da unicidade para, na prática, instituir
o ‘pluralismo’ em bases territoriais de sindicatos de reconhecida
combatividade.”
Leia o parecer da Conlutas na íntegra:
http://diap.ps5.com.br/file/1772.doc
Da redação, com agências
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Gazeta do Povo, 27 de abril
de 2008
Doações
TSE mantém proibição
a cargos de confiança do governo
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve decisão
que proíbe doações ou contribuições
a partidos feitas por ocupantes de cargos de confiança
do governo federal. O chefe-de-gabinete do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, o assessor
especial da presidência para assuntos internacionais,
Marco Aurélio Garcia, e o ministro Paulo Vannuchi
(Direitos Humanos), tinham ingressado com mandado de segurança
no TSE com pedido para que as doações fossem
autorizadas.
Integrantes do PT, Carvalho, Garcia e Vannuchi defendem
que os filiados do partido possam manter contribuições à legenda
que já efetivavam antes de assumirem cargos de chefia.
Além disso, afirmam que podem sofrer punições
da legenda caso não realizem as doações
-previstas pelo estatuto do PT.
Os três questionaram resolução editada
pelo TSE, no ano passado, quando o tribunal definiu por
maioria que ficaria proibida a doação ou
contribuição de detentores de cargos de chefia
aos partidos políticos. A resolução
foi aprovada após consulta apresentada pelo DEM
ao tribunal.
O relator do mandado de segurança, ministro Arnaldo
Versiani, negou o pedido dos petistas sem levar em conta
o mérito dos argumentos. O ministro lembrou que
o TSE já havia definido, em casos semelhantes, que
não cabe a apresentação de mandado
de segurança em ações que já foram
analisadas pelo tribunal.
A decisão foi individual do ministro, por este
motivo ainda é possível a apresentação
de recurso pelos três autores do mandado de segurança
ao plenário do TSE.
O tribunal também informou que termina na quarta-feira
o prazo para que os partidos políticos encaminhem à Justiça
Eleitoral as prestações de contas relativas
ao exercício de 2007. Até sexta-feira, nenhum
dos 27 partidos com registro no tribunal encaminhou as
prestações de contas, prevista pela Lei dos
Partidos Políticos.
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Gazeta do Povo, 27 de abril
de 2008
MST
Bolsa-Família
faz diminuir o número de invasões
O Bolsa-Família – o mais ambicioso programa
social do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, com
11 milhões de famílias assistidas - está enfraquecendo
a base do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).
Na periferia pobre das grandes cidades e nas zonas rurais
mais miseráveis, onde a organização
sempre arregimentou pessoas, é cada vez menor o número
de candidatos a invasões de fazendas.
A mudança obriga o MST a empregar táticas
diferentes. O “abril vermelho” deste ano mostrou
que aumentam as ações nas cidades, ao mesmo
tempo em que diminuem as invasões de propriedades
rurais. De acordo com o site do MST, o número de
invasões neste mês chega a 46. Em 2004, quando
foi cunhada a expressão “abril vermelho”,
foram 103 invasões. Por outro lado, neste ano o
MST bateu um recorde de invasões paralelas: foram
35, em 16 estados. A lista inclui bloqueio de rodovias,
invasão de instalações do Instituto
Nacional de Colonização e Reforma Agrária
(Incra) e de secretarias estaduais da Fazenda, acampamentos
diante de agências da Caixa Econômica Federal
(CEF) e do Banco do Brasil. Empresas privadas também
foram visadas, como ocorreu no caso da mineradora Vale,
no Pará.
Diante da dificuldade para arregimentar os pobres na
periferia das cidades, essas ações são
realizadas sobretudo por militantes dos assentamentos já existentes.
A direção nacional do movimento já reconhece
abertamente a dificuldade. “Não há como
negar que nossa capacidade de mobilização
tem sido prejudicada por esse programa”, diz José Batista
de Oliveira, do grupo de coordenadores nacionais do MST,
referindo-se ao Bolsa-Família. “É uma
ação paliativa e humanitária. Mas
não altera estruturalmente as perspectivas de inserção
econômica e social e gera acomodação.”
O enfraquecimento está se acentuando ano a ano
- desde que o Bolsa-Família começou a deslanchar,
em 2004. Um indicador disso é o número de
novos acampamentos de sem-terra. De acordo com pesquisa
divulgada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT),
em 2002, último ano do governo Fernando Henrique
Cardoso, foram erguidos 64 acampamentos no país.
Em 2003, primeiro ano do governo Lula, o número
saltou para 285. No ano seguinte, porém, caiu quase
pela metade; e no ano passado ficou na marca de 48.
O pior para o MST é que os acampamentos existentes
estão se esvaziando. No interior de São Paulo,
a coordenação regional do movimento reconhece
que perdeu 60% dos acampados desde o início do governo
Lula. O número anual de imóveis rurais invadidos
continua num patamar elevado, na comparação
com os últimos anos do governo FHC. Mas também
dá sinais de declínio: o total de invasões,
que chegou a quase 500 em 2004, baixou para 364 no ano
passado, conforme o setor de documentação
da CPT - única organização do país
que divulga regularmente levantamentos sobre conflitos
no campo.
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Gazeta do Povo, 27 de abril
de 2008
Energia
Projeto original de
Itaipu não previa participação do Paraguai
Pedro Simon, senador do PMDB-RS,
afirma que conflito entre Brasil e Paraguai era previsível
Diante da tensão causada pelo presidente eleito do
Paraguai, Fernando Lugo, ao exigir remuneração
maior pela energia de Itaipu que o país cede ao Brasil, é inevitável
lembrar das críticas que o projeto binacional recebeu
nos anos que antecederam a construção.
A idéia original, nos anos 50, era instalar uma grande
usina no Rio Paraná acima da cidade paranaense de
Guaíra, na fronteira com Mato Grosso do Sul, exclusivamente
brasileira. Ela teria a metade da potência de Itaipu,
mas evitaria a controversa inundação das cataratas
de Sete Quedas e contenciosos como o enfrentado atualmente
pelo governo Lula.
Não são muitos que podem dizer “eu
avisei”. Um deles é o senador Pedro Simon (PMDB-RS).
Na época deputado estadual, ele foi contrário à construção
da usina no modelo binacional. O conflito com o Paraguai
era previsível, diz. “Falei várias vezes
que não concordava. O governo militar ficou emocionado
em fazer a maior hidrelétrica do mundo e acabou com
Sete Quedas”, afirma Simon.
“A opção por Itaipu, em detrimento de
Sete Quedas, deveu-se mais a uma posição política
adotada por conta da então Guerra Fria, do que a uma
decisão embasada, com absoluta segurança, apenas
na engenharia”, explica o engenheiro Nildo Carlos de
Oliveira, em artigo publicado em março no site O Empreiteiro
Online.
O primeiro presidente a sonhar com uma hidrelétrica
na região de Sete Quedas de Guaíra foi Juscelino
Kubitschek. No último ano de seu mandato (1960), ele
recebeu um esboço feito pelo engenheiro militar Pedro
Henrique Rupp, que previa o desvio do Rio Paraná,
antes de chegar à fronteira, acima de Guaíra.
No governo de tendência esquerdista de João
Goulart, o estudo de Rupp foi retomado pelo engenheiro Octávio
Marcondes Ferraz, idealizador da primeira usina de Paulo
Afonso no canyon do Rio São Francisco e ex-presidente
da Eletrobrás. A obra exigiria a abertura de um canal
de 60 quilômetros para desvio das águas de Sete
Quedas, devolvidas ao rio mais adiante. A potência
instalada seria de 7 mil megawatts, a metade de Itaipu hoje.
O projeto deixou o presidente muito entusiasmado. Seus contatos
soviéticos o teriam impelido a marcar uma viagem a
Moscou para discutir o financiamento da obra, mas tudo seria
interrompido três meses depois, com sua deposição
e a posse do general Castello Branco.
O projeto de Marcondes Ferraz foi então engavetado,
mas não a idéia de construir uma hidrelétrica
no Rio Paraná. Os novos estudos que mostraram todo
seu potencial hidrelétrico, especialmente na região
de Foz do Iguaçu, mudariam o endereço da futura
usina.
A idéia inicial seria tema de conversas à boca
pequena durante a construção de Itaipu, quando
a população de Guaíra e simpatizantes
das Sete Quedas protestaram contra sua inundação
(efetuada em 1982 com a conclusão da usina).
“Houve protestos, mas todos velados. Era irreversível.” Quem
relembra é o advogado Valdir Ulbrich, que morava em
Guaíra à época. Ele descreve o clima
como “um enterro coletivo” e lamenta que, sob
a ditadura militar, houvesse pouco conhecimento sobre o projeto
alternativo.
Argentina
Outra contestação contra Itaipu, na época,
ficou relegada ao âmbito do humor: as más línguas
dizem que o governo argentino acreditava piamente na possibilidade
de o Brasil abrir as comportas e alagar seu território.
Oficialmente, os argentinos se opuseram à obra por
acreditar que a usina retiraria potencial hidrelétrico
dos seus rios. O conflito foi levado às Nações
Unidas e só apaziguado em 1979, com o Acordo Tripartite.
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Folha de Londrina, 27 de
abril de 2008
SEU DIREITO
Flexibilização
das normas
Trabalho em uma empresa em São João
do Ivaí há 18 anos e estou cursando uma faculdade
em Apucarana. Como o ônibus escolar sai às 17h20,
preciso sair da empresa às 17h. A lei permite alterar
o horário de trabalho? Minha proposta é fazer
a compensação entrando mais cedo. A empresa
não aceita a mudança, sob alegação
de que meu caso poderia abrir precedentes.
É importante observar neste caso o que diz o Precedente
Normativo 32, do Tribunal Superior do Trabalho: ''Proíbe-se
a prorrogação da jornada de trabalho do empregado
estudante, ressalvadas as hipótese dos artigos 59
e 61 da CLT.''
Note-se que os artigos 59 e 61 da Consolidação
das Leis Trabalhistas tratam das hipóteses de eventual
necessidade de prorrogação da jornada de trabalho
para todos os trabalhadores, incluindo-se aí os empregados
estudantes. É de se considerar ainda que o espírito
do legislador é a proteção legal no
sentido de impedir que o empregado estudante sofra pressões
em sentido de abandonar a escola.
Porém, uma coisa é proteger a disposição
do empregado que procura educar-se nos bancos escolares,
o que é um direito seu; e outra seria legislar no
sentido de promover o demérito do empregador, que
empenha muitas vezes nos seus negócios toda sua economia
como forma de gerar o emprego e a produção,
obrigando-o a criar um horário específico para
cada um de seus empregados, o que seria impossível.
Assim, para a presente situação, entendo,
até pela razão específica de tratar-se
de um trabalhador com 18 anos de empenho a bem de seu empregador,
que ele não é mais um menino desregrado, mas
um trabalhador que certamente goza de confiança de
seu empregador, para o qual empenhou anos de seu labor, merecendo
sim o crédito de ver a sua vontade de cursar uma faculdade
possibilitada por sua empresa.
Até porque não há que se falar em ''abrir
precedentes para outros funcionários'', retratando
uma visão estreita do fato, mas sim agir com visão
empresarial moderna para o caso, oferecendo a flexibilização
da norma trabalhista quanto à jornada de trabalho,
seja porque trata-se de um empregado com mais de 18 anos
de trabalho junto à empresa, seja porque estamos falando
de apenas 30 minutos e este se propõe a entrar mais
cedo como forma de compensação, seja porque
não deve existir nenhum outro empregado nas exatas
condições do leitor, não gerando qualquer
precedente.
Conclui-se daí que a conciliação das
vontades para a solução de problemas no ambiente
de trabalho é a melhor decisão, ao invés
da opção pela simples aplicação
da lei, que é ruim para uma das partes e distante
do fato real.
Antonio José Saviani da Silva,
advogado trabalhista
servico@folhadelondrina.com.br
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O Estado do Paraná,
27 de abril de 2008
Economia
Carga horária
contribui para excesso de acidentes
Mara Andrich
É preciso adotar todas
as providências e precauções para
evitar a ocorrência de sinistros.
O dia 1.º de maio não foi escolhido à toa para celebrar
o trabalhador. Em 1886, pelo menos 200 mil fizeram uma greve geral
em Chicago, nos Estados Unidos, reivindicando a redução
da carga horária para oito horas. Eles chegavam a trabalhar
até 18 horas por dia. Depois disso, manifestações
passaram a ocorrer em diversos países do mundo, inclusive no
Brasil, e a data se consolidou. Anos mais tarde, em 28 de abril de
1969, uma explosão em uma mina de Farmington, também
nos Estados Unidos, provocou a morte de 78 funcionários. A data
foi consolidada como o Dia Mundial em Memória às Vítimas
de Acidentes de Trabalho.
A origem do dia 1.º de maio, então, se deu
principalmente por conta do excesso de horas de trabalho.
Hoje, luta-se para que as 44 horas semanais diminuam para
40, e um dos motivos é o fato do trabalhador ficar
muito cansado, ser obrigado a produzir cada dia mais, o
que vem causando vários problemas, desde doenças
ocupacionais até acidentes de trabalho. Estimativas
da Universidade de São Paulo (USP) dão conta
de que o Brasil gasta, em média R$ 21 bilhões
anuais com o problema. No Paraná, estima-se que
o valor chegue a R$ 2 bilhões.
E este valor pode ser ainda maior, pois o dado não
considera os trabalhadores informais, que acabam desamparados
legalmente quando são afastados do trabalho por
conta de um acidente ou uma doença, e são
bem mais numerosos do que aqueles que têm carteira
assinada. Segundo dados do Ministério do Trabalho
e Emprego, o Paraná continua ocupando o 4.º lugar
no país em acidentes de trabalho, com as estatísticas
crescendo a cada ano. Em 2005, ocorreram 36.686 acidentes
no estado. Em 2006, último ano em que foi realizada
a contagem, foram 36.995 casos, 10% de todos que ocorrem
em todo o país. A maior parte dos acidentes, segundo
o ministério, acontecem no setor hospitalar. Depois
vem a área de fabricação de automóveis
e o abate de aves e pequenos animais (este último
mais evidente no interior do Paraná).
Na opinião do fisioterapeuta e coordenador do curso
de Técnico em Segurança do Trabalho do Colégio
Brasileiro de Estudos Sistêmicos (CBES), Ricardo
Efing, os acidentes ocorrem principalmente por conta da
sobrecarga de trabalho. “A globalização
e a concorrência fazem com que as empresas busquem
cada vez mais produção, e quando ocorre uma
pressão moral destas o risco de acidentes também
aumenta”, afirma.
E o mais preocupante, diz Efing (que atende pacientes
acidentados todos os dias), é que as estatísticas
não são fiéis. Quando ocorre um acidente
de trabalho dentro da empresa, o empregador deve abrir
a chamada CAT (Comunicação de Acidente de
Trabalho), o que muitas vezes não ocorre. “Alguns
empregadores não emitem este documento porque sabem
que ele vai dar uma série de benefícios ao
trabalhador”, afirma.
Para o especialista, o que falta é consciência,
tanto do empregador quanto do empregado, de que um precisa
do outro, e de que um acidente pode trazer sérias
conseqüências para ambas as partes, sejam mutilações
e sofrimento para o funcionário, sejam diminuição
da produtividade e gastos para o empresário. “Creio
que o empresário é consciente das suas obrigações,
mas hoje é tão assoberbado com tributos que
muitas vezes não tem condições de
implantar programas de prevenção na sua empresa.
Mas enquanto existir a mentalidade de que o funcionário é descartável,
esta realidade não vai mudar”, afirmou.
Quanto mais empregos, mais acidentes
Além do excesso de produção, que
tem exige mais da mão-de-obra, os postos de trabalho
no Paraná vêm crescendo. E isto está diretamente
ligado ao aumento no número de acidentes, na opinião
do auditor fiscal do trabalho da Superintendência
do Trabalho e Emprego no Paraná, Sérgio Silveira
de Barros.
Segundo ele, ainda que o país tenha crescido economicamente,
ainda há trabalhadores atuando em situação
irregular. “Há um desgaste do fator humano
por conta do excesso de produtividade”, diz ele.
Para Barros, o problema é mais evidente nas empresas
menores, cujos empresários podem não ter
conhecimento da legislação ou até falta
de condições para implementá-las.
Já as grandes, segundo ele, começaram a se
preocupar com prevenção. “Muitas começaram
a seguir a legislação e também perceberam
que os acidentes significam custos, como perda de mão-de-obra
e de matéria-prima”, explica. Pode-se ver
claramente a ligação entre o aumento do número
de acidentes de trabalho com o crescimento da economia
quando comparam-se as estatísticas: em 1998 ocorriam
cerca de 36 mil acidentes por ano no Paraná. Em
2002, houve uma queda para 24 mil.
Vários avanços na legislação “empurram” os
empresários para seguirem as 34 normas que previnem
acidentes (para os diversos tipos de empresas). Um deles é o
FAP (Fator Acidentário Previdenciário), que
entrará em vigor em janeiro de 2009. Com o FAP,
a empresa com maior risco pagará mais em seguro
de acidente de trabalho e a com menor incidência
de acidentes e doenças terá a alíquota
reduzida.
Outro estímulo à prevenção é o
Nexo Técnico Epidemiológico Presumido (NTEP),
que exclui a necessidade do perito ir até a empresa
para comprovar que o acidente (ou a doença) ocorreu
no ambiente de trabalho. O CAT é o outro exemplo.
Antes apenas o empregador podia abrir o documento. Agora
o trabalhador (ou sua família, no caso de óbito)
também pode fazê-lo. (MA)
Concessão de auxílio duplicou
Apesar dos especialistas afirmarem que existe um sensível
aumento de preocupação das autoridades pela
prevenção aos acidentes de trabalho, as estatísticas
revelam que o caminho ainda é longo para amenizar
a situação. Para se ter uma idéia
do ônus que isto traz, não só para
o estado, mas também para as vítimas, só em
Curitiba o número de auxílios-doença
por acidente de trabalho, concedidos pelo INSS, dobraram
de um ano para outro.
Em 2006, o INSS na capital concedeu 3.030 auxílios.
No ano passado, foram 6.041. Só este ano (até março)
2.099 pessoas já conseguiram o benefício.
Embora o número de mortes em conseqüência
de acidentes de trabalho estar diminuindo em todo o Brasil
(o número caiu 2,5% de 2005 para 2006), o país
ainda ocupa a 4.ª posição neste item,
em todo o mundo: todos os anos ocorrem pelo menos 2.500 óbitos
em acidentes de trabalho no Brasil.
Na China são 14 mil, e nos Estados Unidos, cinco
mil. Porém, quando o trabalhador não morre
pode ficar com seqüelas graves, como traumas, fraturas
e até mutilações. A médica
do INSS, Tânia de Fátima Fiedler, diz que
a maior parte dos acidentes ocorre nos membros superiores
(mãos, braços) e, por sorte, grande parte
não resulta em mutilações.
“As mortes estão diminuindo, mas muitas vezes
uma seqüela é mais preocupante ainda”,
comenta a médica. Os acidentes de trabalho são
divididos em acidentes típicos (ocorridos no ambiente
em que o funcionário desenvolve suas atividades),
e o chamado acidente de trajeto, que como o próprio
nome diz se dá no percurso de casa ao trabalho e
vice-versa.
Tânia lembra que este último tem aumentado
nos últimos anos, em função da violência
no trânsito. Ao contrário de Germano Efing,
a médica do INSS acha que alguns empresários
não têm a devida orientação
sobre prevenção e legislação,
e talvez nem se dêem conta de que um simples ato
de prevenção pode significar em redução
de custos e de preocupação. (MA)
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O Estado do Paraná,
27 de abril de 2008
Direito e Justiça
Arbitragem e os direitos
do trabalhador
Elaine Cristina Reis
A arbitragem tem sido o caminho para livrar-se de longos conflitos que
se arrastam lentamente na Justiça do Trabalho. Por meio deste
sistema jurídico privado, as partes buscam voluntariamente soluções
para os seus conflitos de forma mais rápida e definitiva, uma
vez que da sentença arbitral não se pode recorrer. Embora
a arbitragem possua amparo legal e venha sendo cada vez mais utilizada
em todas as áreas, ainda persiste a questão: a arbitragem
na área trabalhista é possível?
A controvérsia gira em torno da real legalidade
e validade da arbitragem trabalhista. Embora não
sejam poucos os que defendem a possibilidade desse meio
de resolução de conflitos na área,
os princípios trabalhistas não podem ser
subjugados tampouco esquecidos. A importância dessa
discussão é que ela trata de direitos que
protegem a renda mínima de milhares de trabalhadores
brasileiros, assim como sua saúde e capacidade laboral.
O Brasil já assinou ou ratificou diversos tratados
internacionais que incluem o uso da arbitragem, desde 1923,
quando foi criado o Protocolo de Genebra, que trata expressamente
da cláusula compromissória na opção
pela utilização da arbitragem, válida
quando a relação for internacional. Em um
período em que a arbitragem ganha adeptos e notoriedade,
militantes do direito de outras áreas utilizam o
exemplo da Justiça do Trabalho como entrave ao crescimento
do país.
E quem defende a arbitragem nessa área, exemplifica
sua legalidade destacando a Convenção Interamericana
de Montevidéu, de 1979, que trata da eficácia
extraterritorial das sentenças e laudos arbitrais
estrangeiros e que faz menção às questões
trabalhistas. No entanto, essa Convenção
há de ser analisada em consonância com nossa
Constituição Federal e demais legislações
infraconstitucionais. Ou seja, deve ser considerada com
reservas, porque não é justificável
apenas afirmar que a arbitragem deve ser aplicada em todas
as áreas só por existir previsão legal.
Em primeiro lugar, existe o questionamento sobre a possibilidade
e a validade da negociação individual, com
um só trabalhador, em sede arbitral, já a
nossa Carta Magna somente prevê a negociação
coletiva e o Tribunal Superior do Trabalho não se
manifestou expressamente sobre o assunto. Mas o principal
ponto reside na questão da disponibilidade dos direitos
trabalhistas, e, portanto, se são passíveis
de decisão arbitral.
O objetivo da legislação trabalhista é garantir
a segurança dos trabalhadores, assim como proteger
sua renda e condições dignas de trabalho.
O direito do trabalho versa sobre matérias de higiene
e saúde do trabalhador, normas que são imprescindíveis
para sua incolumidade física e mental. E é sob
esse aspecto que a arbitragem trabalhista deve ser encarada.
Portanto, os direitos trabalhistas são indisponíveis,
ou seja, são direitos sobre os quais os empregados
não podem “abrir mão” em uma
negociação. Este entendimento vem embasado
exatamente nas inúmeras decisões sobre a
impossibilidade dos empregadores de realizarem acordos
diretamente com os próprios empregados, retornando
ao ponto da negociação individual.
Os princípios do direito do trabalho nos levam à reflexão
sobre questões como: O trabalhador pode abrir mão
de seus direitos e garantias de saúde ou segurança,
por exemplo? O direito à indenização
devida em caso de acidente do trabalho, como na situação
de um trabalhador que perde um membro ou sua capacidade
laboral, é passível de acordo arbitral? A
família do empregado que faleceu trabalhando poderá receber
indenização através de um acordo arbitral
irrecorrível? E quais são os limites desse
acordo?
Os dados são inegáveis, a arbitragem trabalhista
vem crescendo, seja como pressão social, seja na
busca de uma rápida solução dos conflitos.
Mas a arbitragem trabalhista está longe de ser um
ponto pacífico no meio jurídico. Existe um
alto risco de anulação das sentenças
arbitrais proferidas em matérias trabalhistas. Principalmente,
porque não foi firmado entendimento do Tribunal
Superior do Trabalho acerca do tema, sobre sua validade
e extensão.
Além disso, não é transformando todos
os direitos trabalhistas em direitos disponíveis,
negociáveis que os problemas dos trabalhadores ou
a morosidade da Justiça serão solucionados,
mas, sim, buscando a efetividade dos direitos trabalhistas
com uma fiscalização eficiente e atuante
no cumprimento dos direitos garantidos em nossa legislação,
não só pela Constituição Federal,
como, também, pela CLT Consolidação
das Leis do Trabalho.
Elaine Cristina Reis é advogada
trabalhista do escritório Peixoto e Cury Advogados.
ecr@peixotoecury.com.br
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Folha de São Paulo,
27 de abril de 2008
PT vai se coligar com
PSDB em 200 cidades
Veto da Executiva petista à aliança
em Belo Horizonte não cria "jurisprudência" e "cada
caso é um caso", afirma Berzoini
Direção do PT determinou,
por resolução, que serão analisados
pedidos de união ao PSDB em municípios com
mais de 200 mil eleitores
SIMONE IGLESIAS
RANIER BRAGON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Inimigos no plano nacional, PT e PSDB vão tentar
se coligar em cerca de 200 cidades do país nas eleições
de outubro, apesar do veto dado na quinta-feira pela Executiva
Nacional petista à aliança em Belo Horizonte,
sexta maior cidade do país. Impulsionados por particularidades
locais, tucanos e petistas tendem a ampliar a parceria
em relação a 2004, quando patrocinaram dobradinhas
em 121 municípios -pequenos, em sua maioria-, tendo
vencido em 44% deles.
" Cada caso é um caso e vamos estudá-los à luz das
conjunturas locais, estaduais e nacional. A decisão sobre Belo Horizonte
não cria jurisprudência para nada, mas é claro que alguém
pode apelar para isso", disse o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini.
Na linha do "cada caso é um caso", os dirigentes petistas
não querem se comprometer com o veto da Executiva Nacional em
cidades sem a dimensão nacional de Belo Horizonte.
Em 2004, o maior município que assistiu à união
entre o PT e o PSDB foi Anápolis (GO), o 70º maior do país.
No segundo turno, a chapa petista-tucana foi derrotada pelo PSB. Agora,
há conversas em estágios variados em cidades como Aracaju
(35ª maior do país), a mineira Juiz de Fora (36ª)
e a gaúcha Pelotas (65ª).
" Nas cidades menores, o que prevalece é a questão paroquial.
Como os pedidos de aliança em grandes e médias cidades são
quase inexistentes, não existe constrangimento", diz o deputado federal
Rodrigo de Castro (MG), coordenador nacional no PSDB das eleições.
Campeão
Devido à tentativa do governador Aécio Neves (PSDB) e
do prefeito Fernando Pimentel (PT) de patrocinar candidatura conjunta
em Belo Horizonte, Minas deve ser o Estado campeão de solicitações
de aliança entre PT e PSDB, segundo estimativa do secretário
nacional de Assuntos Institucionais do PT, Romênio Pereira.
Segundo ele, são aproximadamente 60. Na cidade histórica
de Ouro Preto, por exemplo, o PSDB pode encabeçar a chapa que
teria o PT como vice. Em Congonhas (78 km de Belo Horizonte) e Guapé (281
km de Belo Horizonte), os dois partidos também buscam uma dobradinha,
nesse caso com o PT concorrendo a prefeito.
Em Juiz de Fora (272 km de BH), petistas e tucanos aguardam os desdobramentos
em Belo Horizonte. "A candidatura própria do PT aqui tem
uma convergência muito grande, mas o nosso direcionamento não é o
de fechar a porteira. Mas estamos aguardando os desdobramentos de Belo
Horizonte", diz o presidente do PT local, Rogério de Freitas.
Em Aracaju, o PT e o PSDB buscam aliança para apoiar a reeleição
do prefeito Edvaldo Nogueira (PC do B). "O PT aqui ainda não
discutiu isso, foi o prefeito que fez um gesto em direção
ao PSDB. Agora, a decisão de Belo Horizonte é específica.
Para os demais casos, vale a decisão anterior de avaliar caso
a caso", diz o presidente do PT de Sergipe, Marcio Macedo.
Na Paraíba, o PSDB e o DEM, os dois maiores adversários
do governo Lula, apoiarão a candidata petista Polianna Feitosa
(PT) à Prefeitura de Pombal (371 km de João Pessoa) e,
em Maturéia (312 km de João Pessoa), o PT será vice
dos tucanos.
Complexo
Em Pelotas, quarta maior cidade do Rio Grande do Sul, o candidato do
PT, Fernando Marroni, poderá ter o apoio do PSDB, partido da
governadora do Estado, Yeda Crusius. "A situação
de Pelotas é complexa porque o Rio Grande do Sul é um
Estado importante no qual o PT faz oposição ao governo
do PSDB", disse Romênio Pereira.
A direção petista determinou por meio de resolução
que analisará, prioritariamente, os pedidos de aliança
com o PSDB nas cidades com mais de 200 mil eleitores. Como são
poucos, se dedicará a todas às solicitações
feitas, mesmo que pelos menores municípios do país.
Pereira disse que não há critérios objetivos para
o veto ou a aprovação, mas afirmou que é bem mais
fácil para o partido liberar alianças em cidades de pouco
peso nacional.
No PSDB, a Executiva Nacional analisará as alianças em
municípios com mais de 50 mil habitantes. "Em Belo Horizonte,
ficou claro que a rejeição do PT foi ao nome do governador
Aécio Neves, não ao PSDB", disse Rodrigo de Castro.
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Folha de São Paulo,
27 de abril de 2008
Arrecadação
do FGTS cresce 33% no 1º tri
Expansão do trabalho
formal eleva recolhimento; por outro lado, saques também
crescem com a alta rotatividade e o boom imobiliário
Trabalhadores recorrem mais ao fundo
para a compra da casa própria; FGTS responde por
metade dos recursos disponíveis para a habitação
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A expansão recorde do mercado de trabalho formal
vitaminou as contas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço) no primeiro trimestre do ano. De janeiro
a março, a arrecadação líquida
do fundo atingiu R$ 2,553 bilhões, o que representa
um aumento de 33,6% em relação ao mesmo período
do ano passado.
Nos três primeiros meses do ano, as empresas recolheram ao FGTS
a quantia de R$ 11,941 bilhões, enquanto os saques aos recursos
ficaram em R$ 9,388 bilhões. Os valores são superiores
aos de 2007, ano em que depósitos e saques ao fundo registraram
recorde. Isso, no entanto, não impediu que o FGTS registrasse
queda em sua arrecadação líquida em 2007 na comparação
com anos anteriores.
No ano passado, a arrecadação alcançou a cifra
de R$ 41,630 bilhões, e os saques ficaram em R$ 38,379 bilhões.
Isso resultou em uma receita líquida de R$ 3,251 bilhões.
Na comparação com o ano de 2006, a redução
foi de 52%.
O crescimento da arrecadação líquida do fundo
no primeiro trimestre é um bom indicador sobre a saúde
financeira do FGTS. Quanto mais dinheiro acumula, mais o fundo pode
destinar recursos para investimento em habitação, saneamento
e infra-estrutura.
Neste ano, a arrecadação bruta do fundo reflete os bons
números que o mercado de trabalho formal vem exibindo. Todos
os meses as empresas são obrigadas a recolher o equivalente
a 8% do salário do trabalhador. Neste ano, o estoque de trabalhadores
com carteira assinada já cresceu em 554 mil novos postos formais.
Efeitos colaterais
A ebulição do mercado de trabalho, entretanto, tem seus
efeitos colaterais. No Brasil, a expansão nas contratações
vem sempre acompanhada por expressiva rotatividade de trabalhadores.
O Ministério do Trabalho estima que anualmente cerca de 30%
da mão-de-obra empregada seja substituída. O fenômeno é resultado
da baixa qualificação profissional e da política
das empresas de contratar trabalhadores com salários mais baixos.
A rotatividade gera um número elevado de demissões, aumentando
os saques ao fundo nas situações em que o desligamento
foi feito sem justa causa. Mas esse não é o único
fator a pressionar as contas. O boom do crédito imobiliário
também levou os trabalhadores a promoverem mais saques ao FGTS
para comprar a casa própria.
Estimativas da Caixa Econômica Federal apontam que o FGTS tem
sido responsável por metade dos recursos disponíveis
para a habitação. Nesse caso, o fundo contribui não
só com os recursos das contas vinculadas dos trabalhadores.
O FGTS também é fonte para empréstimos na compra
financiada de imóveis, oferecendo juros mais baixos do que os
praticados no mercado.
Outro motivo para o crescente aumento dos saques ao fundo envolve uma
decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de abril do ano passado.
O tribunal permitiu aos aposentados que permanecem no mercado de trabalho
sacar o dinheiro que possuem do FGTS e, mensalmente, retirar os valores
depositados pelas empresas.
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Folha de São Paulo,
27 de abril de 2008
Habitação
e infra-estrutura terão mais verba
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O FGTS destinará neste ano um volume recorde de
recursos às áreas de habitação,
saneamento e infra-estrutura. De acordo com dados da Caixa
Econômica Federal, o orçamento do fundo para
este ano prevê a aplicação de R$ 14,2
bilhões, sendo uma parcela desses recursos voltada
para obras do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento).
Para o setor habitacional, estão reservados R$ 8,3 bilhões.
Esses recursos incluem o recém-lançado programa do fundo
para beneficiar os cotistas, que contarão com R$ 700 milhões
neste ano para a compra da casa própria em condições
mais favoráveis.
Os demais programas (carta de crédito individual, Promoradia,
carta de crédito FGTS e financiamento à produção)
terão R$ 7,6 bilhões. Todas essas modalidades oferecem
ao mutuário juros mais baratos que os disponíveis no
mercado. Em algumas delas, o FGTS chega a conceder ao comprador do
imóvel um subsídio para a aquisição do
bem.
No orçamento, também está prevista a destinação
de R$ 1 bilhão para o Programa de Arrendamento Residencial.
Para saneamento, foram aprovados R$ 3,9 bilhões. Esse montante
atenderá a obras do PAC. Outro R$ 1 bilhão está carimbado
para investimento em obras de infra-estrutura, dentro do programa Pró-Transporte,
que também integra o PAC.
No final do ano passado, o governo anunciou ainda que o FGTS passaria
a liberar mais recursos neste ano para operações de crédito
habitacional a serem realizadas por bancos privados. Hoje, quase a
totalidade dos recursos do FGTS para habitação são
operados pela Caixa.
Saque
Atualmente, as hipóteses de saque do FGTS são as seguintes:
compra da casa própria (primeiro imóvel), aposentadoria,
demissão sem justa causa, doenças graves, contas inativas
há mais de três anos sem que o trabalhador tenha retornado
ao mercado de trabalho.
Para os trabalhadores com mais de 70 anos que não tenham se
aposentado, a retirada é permitida. Nos casos em que a empresa
entra em falência, os funcionários também podem
sacar o dinheiro de suas contas vinculadas. (JS)
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