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AGÊNCIA SINDICAL, 29
de abril de 2008
1º de Maio deve reunir 8 milhões
Bandeira das 40 horas será destaque
este ano

O 1º de Maio das Centrais Sindicais deve mobilizar, em todo o Brasil,
em diversos atos, mais de 8 milhões de pessoas. E a bandeira unitária
do Dia do Trabalho é a redução da jornada de trabalho
de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários.
Em todos os atos, as entidades sindicais vão coletar adesões
ao abaixo-assinado que dará suporte à PEC (Proposta de Emenda
Constitucional) que visa instituir as 40 horas.
As festas do 1º de Maio
no Brasil reúnem, todo ano, milhões de trabalhadores. No
ano passado, só no Estado de São Paulo, os atos da CUT,
Força e CGT mobilizaram em torno de 4 milhões de pessoas.
O consultor sindical João
Guilherme Vargas Netto avalia a dimensão do 1º de Maio: “A
reunião de 8 milhões de trabalhadores, coletando assinaturas
pela jornada de 40 horas, mostra a força do sindicalismo brasileiro
e o poder real de aglutinação das Centrais Sindicais”.
Mais informações
- Os sites das Centrais divulgam locais, horários e a programação
de seus atos do 1º de Maio.
Força Sindical – www.fsindical.org.br
CUT – www.cut.org.br
Nova Central – www.ncst.org.br
UGT – www.ugt.org.br
CGTB – www.cgtb.org.br
CTB – www.cttb.org.br
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Agência Diap, 29 de abril
de 2008
MOVIMENTO SINDICAL
Centrais pressionam por redução
na jornada de trabalho
Duas décadas após
a Constituição de 1988 ter reduzido a jornada legal de
trabalho de 48 para 44 horas semanais, o movimento sindical pressiona
os sindicatos patronais e o Congresso Nacional para diminuir a carga
para 40 horas, sem corte nos salários.
Além de possibilitar emprego para um número maior de pessoas,
os sindicalistas alegam que uma nova redução na jornada permitirá aos
trabalhadores mais tempo livre para investir em qualificação
profissional e também no lazer.
Os trabalhadores químicos na indústria farmacêutica de
São Paulo saíram na frente. Na semana passada, representantes
da categoria e das empresas do setor farmacêutico assinaram convenção
coletiva que garante, entre outras cláusulas, a redução
da jornada de trabalho para 40 horas semanais a partir de 2009, sem redução
dos salários.
Foram beneficiados 37 mil trabalhadores ligados à Força Sindical
e à Central Única dos Trabalhadores (CUT).
As centrais sindicais prometem levar ao Congresso um abaixo-assinado com mais
de 5 milhões de assinaturas reivindicando a redução da
jornada, no próximo dia 28 de maio.
A data será marcada por manifestações, atos públicos
e paralisações na defesa da aprovação do projeto
de emenda constitucional de autoria dos senadores Paulo Paim (PT/RS) e Inácio
Arruda (PCdoB/CE).
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O ESTADO DO PARANÁ,
29 de abril de 2008 | Economia
Imposto “come” cinco meses
de trabalho
Redação O Estado
do Paraná
O brasileiro que nascer em 2008
terá que trabalhar pelo menos metade de sua vida só para
pagar tributos. Esta é uma das conclusões de um estudo
divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário
(IBPT). Em um ano, o cidadão terá que trabalhar 148
dias para arcar com os impostos (praticamente cinco meses), ou seja,
até o dia 27 de maio.
Considerando que a expectativa
de vida do brasileiro é de 72,3 anos, da mesma forma a expectativa
de pagamento de impostos, então, será de 29,29 anos. Ou
seja, praticamente metade da vida. Outra conclusão do IBPT é que
quem ganha mais paga menos. Como mostra o estudo, o brasileiro que tem
rendimento mensal entre R$ 3 mil a R$ 10 mil (classe média) gasta
42,83% do que ganha só com impostos. Já a classe alta,
que tem rendimento acima de R$ 10 mil, dispõe 41,72% de suas posses
para os tributos. E quem ganha menos de R$ 3 mil paga 38,63% de impostos.
O estudo do IBPT traz ainda informações
sobre o quanto o brasileiro pagou de tributos em outros anos. Na década
de 70, por exemplo, o trabalhador tinha que atuar 76 dias no ano só para
isso (ou dois meses e 16 dias). Na década de 80, a quantidade
aumentou para 82 dias (dois meses e 22 dias) e, em 1990, chegou a 109
dias. Desde então, o tempo só aumentou. Ou seja, em 108
anos a expectativa de vida do brasileiro cresceu 116%, enquanto que a
expectativa de pagamento de tributos aumentou 245%. O interessante é que
em 1900, por exemplo, o cidadão não tinha que trabalhar
nem quatro dias para pagar impostos. Em 1930, já eram necessários
pelo menos seis dias. E a quantidade dobrou só em 1981, quando
já era preciso trabalhar 13 dias para arcar com os tributos.
Enquanto no Brasil trabalha-se
148 dias só para pagar impostos, na Suécia, por exemplo,
são necessários 185 dias, e na França, 149. Os mexicanos
trabalham 91 dias para pagar impostos, enquanto que os chilenos, 92 dias. “Vizinhos” dos
brasileiros, os argentinos, por sua vez, têm que trabalhar 97 dias
para arcar com os tributos.
A tributação
incidente sobre os rendimentos (salários, honorários,
etc) é formada principalmente pelo Imposto de Renda Pessoa Física,
pela contribuição previdenciária e pelas contribuições
sindicais. Além disso, o cidadão também paga a
tributação sobre o consumo (PIS, Cofins, ICMS, IPI, ISS,
etc) e também a tributação sobre o patrimônio
(IPTU, IPVA, ITCMD, ITBI, ITR). O brasileiro arca, ainda, com outras
tributações, como taxas de limpeza pública, coleta
de lixo, emissão de documentos e contribuições
para a iluminação pública, entre outras.
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Agência Diap, 29 de
abril de 2008
3º MANDATO
CNT/Sensus mostra que 50,4% apóiam
nova candidatura de Lula
A maioria do povo aprova uma
mudança na Constituição para que o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva possa se candidatar novamente à reeleição
mostrou nesta segunda-feira (28) pesquisa da Confederação
Nacional do Transporte, feita pelo instituto Sensus.
Entre os entrevistados, que responderam pela primeira vez a tal pergunta, 50,4%
são favoráveis à mudança constitucional para que
Lula tente um terceiro mandato. Os contrários totalizaram 45,4% e 4,3%
não souberam responder.
Como a margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais, os índices
não podem ser considerados definitivos.
" Tecnicamente há um empate, mas ainda é um apoio muito expressivo à possibilidade
de terceiro mandato", disse o diretor do instituto Sensus, Ricardo Guedes.
Na hipótese de poder se candidatar a novo mandato, Lula foi confrontado
apenas com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e teve
51,1% das intenções de voto. Serra ficou com 35,7%.
A avaliação do Governo Lula bateu novo recorde em abril, e chegou
a 57,5% ante 52,7% em fevereiro, mês do levantamento anterior. Já a
avaliação negativa oscilou de 13,7% para 11,3 neste mês.
O desempenho pessoal do presidente Lula foi aprovado por 69,3% dos entrevistados,
contra 66,8% na sondagem anterior.
O diretor do Sensus atribuiu a popularidade de Lula ao aumento da renda e ao
crescimento econômico.
" Lula está capitalizando bem o PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento), dá uma sensação que o crescimento econômico
está acontecendo por causa do PAC... uma sensação de um
governo eficiente", acrescentou o presidente da CNT, Clésio Andrade.
Sucessão
A pesquisa voltou a avaliar a intenção de voto para a sucessão
presidencial em 2010. Na votação espontânea, Lula aparece
em primeiro lugar, com 29,4% das intenções de voto, seguido pelo
governador de São Paulo, José Serra, com 5%.
Na pesquisa induzida, sem Lula, mais uma vez Serra (PSDB) está na frente,
com 36,4%. Ciro Gomes (PSB) vem em segundo, com 16,9 %, Heloísa Helena
(PSol), em terceiro, com 11,7%, e Dilma Rousseff (PT), em quarto, com 6,2%.
A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre os dias 21 e 25 deste mês,
com 2.000 pessoas em 136 municípios do país. A margem de erro
da pesquisa é de 3 pontos percentuais para cima ou para baixo. (Fonte:
Agência Estado)
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Diário Vermelho, 29
de abril de 2008
Só Lula e Dilma sobem na
pesquisa eleitoral CNT-Sensus
Os dados eleitorais da pesquisa
CNT-Sensus divulgada nesta segunda-feira (28) devem ter sido festejados
no Planalto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além
de ter sua melhor avaliação em cinco anos de governo, tem
mais votos na pesquisa espontânea para presidente em 2010 que todos
os presidenciáveis somados. Uma maioria de 50,4% a 45,4% gostaria
de mudar a Constituição para dar-lhe um terceiro mandato.
E a ministra Dilma Rousseff, depois de dois meses apanhando da imprensa,
melhorou seu desempenho em todos os cenários em que seu nome aparece.
Por Bernardo Joffily*

Fonte: CNT-Sensus
A ''Mãe do PAC'' (Programa
de Aceleração do Crescimento) ainda aparece em um modesto
quarto lugar – com 6,2% a 7,6% das intenções de voto.
Mas chama a atenção que tenha sido a única a ganhar
votos nos dois cenários que permitem a comparação
com a edição anterior da pesquisa, em fevereiro. Veja os
gráficos ao lado.
Dilma apanha da mídia mas ganha
votos
No primeiro cenário, com
o governador paulista José Serra concorrendo pelo PSDB, este permanece
em primeiro lugar, porém oscila 1,8 ponto para baixo em relação à pesquisa
de fevereiro. O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) oscila 1,6 ponto e a ex-senadora
Heloísa Helena (Psol) 1,1 ponto percentual, ambos para baixo.
Dilma sobe 1,7 ponto, também dentro da margem de erro da pesquisa,
que é de três pontos para mais ou para menos.
No segundo cenário, com
o governador mineiro Aécio Neves como candidato tucano, novamente
todos os pesquisados oscilam para baixo (Ciro 2,3 pontos, Heloísa
1,6, Aécio 0,2). Enquanto Dilma voltou a oscilar para cima, 1,6
ponto.
É um desempenho notável,
quando se leva em conta que nas as últimas semanas a ministra-chefe
da Casa Civil freqüentou o noticiário sempre de forma negativa,
acusada de estar por trás de um suposto dossiê com os gastos
do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Número dos sem-candidato aumentou
Em todos os três cenários
que permitem a comparação com fevereiro, aumentou o número
de eleitores que responderam não saber em quem votar, ou que não
apoiaram nenhum nome, disseram que votariam nulo ou em branco. No terceiro
cenário esse aumento chegou a ser de 4,4 pontos, fora da margem
de erro. A redução no total das declarações
de voto cobrou seu tributo de todos os presidenciáveis, exceto
Dilma Roussef (e o ministro Patrus Ananias, do PT, que avançou
0,2 ponto).
Quanto aos demais presidenciáveis,
as posições não se alteraram. Serra manteve a dianteira
nos dois cenários em que seu nome aparece, com uma sutil redução
de 0,2 ou 1,5 ponto em relação ao segundo colocado, Ciro
Gomes.
Ciro aparece em primeiro lugar
quando seu adversário tucano não é Serra. Aécio
Neves aparece em terceiro lugar, atrás de Ciro e também
de Heloísa. O CNT-Sensus introduziu nesta edição
um quarto cenário possível, em que o candidato do PSDB é o
ex-governador paulista e ex-presidenciável Geraldo Alckmin: este
figura em segundo lugar, mas em empate técnico com a ex-senadora
do Psol.
Em geral os dados da 92ª edição
da pesquisa CNT-Sensus repetem, com oscilações quantitativas
dentro da margem de erro, os resultados eleitorais da edição
de fevereiro: Serra como o mais forte presidenciável tucano; e
Ciro como o nome mais consolidado dentro do campo do governo. A novidade é que
Dilma, depois de tudo que apanhou da mídia, em vez de recuar avançou.
Maioria quer o terceiro mandato
Além da preformance de
Dilma, que Lula tem apresentado ao país como a responsável
pelos investimentos do PAC, o Planalto também deve ter se sentido
reconfortado com o desempenho do próprio Lula. Na pesquisa espontânea
(em que o entrevistado cita o nome que quiser) ele aparece com 29% das
intenções de voto, enquanto o segundo colocado, Serra,
tem 5,0%.
Além disso, a pesquisa
CNT-Sensus ouviu os eleitores sobre uma eventual alteração
na Constituição para permitir uma nova candidatura do presidente
Lula em 2010, 50,4% afirmam ser a favor e 45,4%, contra. Caso a regra
viesse a mudar, e o presidente se candidatasse, 51,1% votariam nele,
35,7% votariam em José Serra e 13,3% se declararam sem candidato.
O presidente Lula está impedido
pela Constituição de disputar um novo mandato presidencial
em 2010. Também não se cansa de dizer, em público
e em privado, que não cogita mudar essa regra. O mundo político
sabe que o terceiro mandato é uma possibilidade inexistente, a
não ser como factóide mantido na pauta pela mídia
e a oposição. Porém é politicamente relevante
que a maioria dos eleitores ouvidos pela CNT-Sensus não concorde
com Lula e deseje vê-lo mais quatro anos na Presidência.
* Com informações da pesquisa CNT-Sensus
Clique
aqui para ver o relatório completo do instituto Sensus, publicado
em PDF no site da CNT (Confederação Nacional do Transporte)
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Diário Vermelho, 29
de abril de 2008
Temer desautoriza Quércia
e diz que PMDB terá candidato em 2010
O presidente do PMDB, deputado
Michel Temer (PMDB-SP), avalia que é cedo para falar sobre
qual candidato o partido poderá apoiar em 2010. Uma semana
após seu colega Orestes Quércia (PMDB) pregar apoio
ao governador José Serra (PSDB), Temer diz que a tese da
candidatura própria está cada vez mais consolidada.
Mesmo no campo das “especulações”, afirma ele, seria
cedo para falar no tema. Para o parlamentar, a aliança PMDB-DEM em São
Paulo não foi um recado sobre a insatisfação de Quércia
com a coalizão.
“ Nós não interferimos nos diretórios locais e os
diretórios locais não interferem nas decisões nacionais”,
explica. “Se é Serra, Aécio, Dilma, o futuro é que
vai dizer”, resume.
Segundo Temer, a presença do PMDB na base não quer dizer que
vá apoiar o candidato do Lula em 2010. "E a maior possibilidade é o
PMDB ter candidato. O ideal é que a base tenha uma única candidatura",
diz.
Na sua avaliação o PMDB, como maior partido, tem direito a candidatura
própria e, hoje, ninguém governa sem a legenda. "Sem o PMDB
hoje ninguém governa. Mas, na última eleição, o
PMDB só não lançou candidato por causa dos governadores.
Se lançasse, ficava impedido qualquer tipo de aliança. Agora,
o PMDB local faz a aliança que quiser."
Perguntado se o plano pessoal de Quércia se sobrepôs à aliança
com Lula, Temer respondeu que "há cerca de quatro, cinco meses,
o presidente sugeriu que fizéssemos uma reunião dos presidentes
de partidos da base para discutir eleição. A conclusão
foi que seria impossível ter alianças só com a base. E
que haveria partidos da base que fariam alianças com a oposição.
As realidades locais é que determinam as alianças".
Temer também destacou a necessidade de se fazer uma reforma política
no ano que vem. "Tenho proposto o mandato único, eu até gostaria
de seis anos. Segundo, que as eleições fossem unificadas",
defendeu.
Garibaldi: sem nomes fortes
O presidente do Senado, Garibaldi Alves (RN), outra importante liderança
do PMDB nacional, também opinou sobre a disputa de 2010. Segundo ele,
o seu partido não tem nomes fortes para disputar a Presidência
da República. "Tem que ser realista. Nos quadros atuais, o PMDB
não tem candidato forte a Presidência".
Para Garibaldi, o partido tem bons nomes, mas não fortes para vencer
uma eleição presidencial. "Temos bons nomes. Mas bons nomes
não ganham eleição", disse o presidente do Senado,
sem citar quais seriam estes nomes. O governador do Paraná, Roberto
Requião, e o do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, seriam duas lideranças
do PMDB com condições de disputar a Presidência em 2010.
Mas há uma ala do PMDB que flerta com o governador de Minas, Aécio
Neves (PSDB), pré-candidato à Presidência. O objetivo do
grupo é trazer Aécio para o PMDB, onde o mineiro teria a chance
de disputar a Presidência.
Da redação,
com agências
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Diário Vermelho, 29
de abril de 2008
Financial Times: Brasil é solução óbvia
para crise alimentar
O Brasil é uma "óbvia
solução" para a situação de crise
em que se encontra a segurança alimentar mundial, ameaçada
pela alta dos preços, mas vem sendo "em grande parte
ignorado", segundo reportagem do diário financeiro
britânico Financial Times ("FT").
" O país tem reservas
enormes de terra arável não utilizadas, a maioria utilizadas
atualmente para pastagem, que poderiam com facilidade e a baixo custo
serem revertidas para a produção de grãos e outros
alimentos. O problema é que muito do que as fazendas do Brasil
produzem continua a encarar tarifas proibitivas e outras barreiras para
entrar nos mercados dos países da Europa e nos EUA", diz
a reportagem.
O jornal destaca, no entanto,
que o Brasil tem sua parcela de culpa. "O país tem sido notavelmente
lento em fazer campanha junto aos países desenvolvidos e em divulgar
sua enorme capacidade produtiva", diz o texto. "O país
fez pouco para conter a histeria sobre a suposta ameaça do álcool
para a floresta amazônica, por exemplo: uma ameaça que,
se existe, se deve mais à falta de legislação na
região do que aos imperativos econômicos da produção
de álcool."
O "FT" diz que os países
desenvolvidos têm sido "propositalmente míopes" para
as oportunidades apresentadas pelo Brasil e diz que a intensificação
da produção de gado no país a fim de liberar terra
para a agricultura "irritaria os agricultores ricos dos EUA e da
Europa – um preço que aparentemente não vale a pena
pagar".
Em entrevista ao "FT",
o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse
na semana passada que a "resposta correta" para a crise é dar
prioridade em países mais pobres à produção
de alimentos. "E dar prioridade ao combate à raiz do problema:
os enormes subsídios nos países ricos que minam a produção
dos países em desenvolvimento", disse. "A fome no
mundo não é resultado de falta de oferta, mas principalmente
dos baixos salários nos países pobres."
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Agência Diap, 29 de
abril de 2008
RELAÇÕES DE TRABALHO
Cooperativas: deputados podem votar
novas regras
A Comissão de Constituição
e Justiça da Câmara dos Deputados (CCJ) aprovou novas normas
para a organização e o funcionamento das cooperativas de
trabalho e a criação do Programa Nacional de Fomento às
Cooperativas de Trabalho (Pronacoop).
Esse programa tem como objetivo
apoiar a viabilização de linhas de crédito, o acesso
a mercados e à comercialização da produção,
entre outros itens. O Brasil tem mais de 1,5 milhão de trabalhadores
em cooperativas.
A proposta altera a Lei 5.764/71
e está pronta para ser votada pelo plenário. O texto estabelece
regras para impedir fraudes no setor e proibir a criação
de cooperativas para intermediação de mão-de-obra
terceirizada.
Estão excluídas
das normas aprovadas as cooperativas operadoras de planos privados de
assistência à Saúde; as cooperativas que atuam no
setor de transporte regulamentado pelo Poder Público e que detenham
os meios de trabalho; e as de profissionais liberais cujos sócios
exerçam as atividades em seus próprios estabelecimentos.
Comissões
Vários textos que tratam do assunto foram aprovados pela CCJ, mas terá prioridade
para votação no plenário o substitutivo da última
comissão permanente que analisou o mérito da proposta, a Comissão
de Trabalho da Casa.
Há época em que
a matéria foi aprova no colegiado, na forma do substitutivo do
relator, deputado Tarcísio Zimmerman (PT/RS), a matéria
recebeu voto contrário do deputado Roberto Santiago (PV/SP). Para
o parlamentar que o projeto não garantia para os cooperados os
direitos trabalhistas.
Esse texto incorpora contribuições
do PL 4.622/04, do deputado Pompeo de Mattos (PDT/RS); e dos seguintes
projetos que tramitam em conjunto: PL 6.449/05, do ex-deputado Walter
Barelli; PL 6525/05, da Comissão de Legislação Participativa;
e, principalmente, PL 7.009/06, do Executivo, que propõe a criação
do Pronacoop.
O deputado Geraldo Pudim (PMDB/RJ),
relator da matéria na CCJ, instância que não analisou
o mérito do projeto, votou pela constitucionalidade, juridicidade
e boa técnica legislativa do texto principal (PL 4.622/04), em
acordo com os substitutivos da Comissão de Trabalho; da Comissão
de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio;
dos projetos anexados; e de 37 das 41 emendas. Qualquer uma dessas propostas
pode ter requerimento de prioridade na votação final em
plenário.
Jornada
de trabalho
A proposta aprovada modifica a Política Nacional de Cooperativismo,
determinando jornada máxima de oito horas diárias e 44 semanais
e prevendo a remuneração de horas extras. Atualmente, as cooperativas
de trabalho não se enquadram na legislação trabalhista.
Constituída com número
mínimo de sete sócios, a cooperativa de trabalho deve garantir
aos seus sócios direitos como retiradas não inferiores
ao piso da categoria profissional ou ao salário mínimo,
no caso de não haver piso, calculadas na forma proporcional às
horas trabalhadas.
O contratante da Cooperativa
de Trabalho responde solidariamente pelo cumprimento das normas de saúde
e segurança do trabalho quando os serviços forem prestados
no seu estabelecimento ou em local por ele determinado.
Os recursos para as linhas de
crédito do Pronacoop serão provenientes do Fundo de Amparo
ao Trabalhador (FAT); de recursos orçamentários da União;
e de outros recursos que venham a ser alocados pelo Poder Público.
Essas duas últimas fontes
foram acrescentadas pelo substitutivo da Comissão de Trabalho,
que também incluiu o repouso semanal e anual remunerado e seguro
de acidente de trabalho.
O projeto tramita em regime
de prioridade, mas o deputado Tarcísio Zimmerman (PT/RS), autor
do substitutivo da Comissão de Trabalho, apresentou requerimento
para que seja votado com urgência. (André Santos, com
Agência Câmara)
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Diário
Vermelho, 29 de abril de 2008
Trabalhadores lembram vítimas
de acidentes de trabalho
Para lembrar o Dia Mundial em Memória
das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, que
ocorre nesta segunda-feira (28), seis centrais sindicais (CTB, CUT,
Força Sindical, UGT, CGTB, NCST) realizam diversas atividades
e protestos para conscientizar e mobilizar a população.
A idéia é mostrar que este é um problema de
saúde pública e sensibilizar os meios de comunicação
e a sociedade civil para que coloquem a saúde do trabalhador
na agenda do debate nacional.

Em 2006, 1.339 trabalhadores morreram em decorrência de acidentes de
trabalho, segundo dados da Relação Anual de Informações
Sociais (Rais), informados pelo ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi.
De acordo com ele, outros 310 trabalhadores faleceram durante o trajeto trabalho-residência,
1.636 se aposentaram por invalidez decorrente de acidentes no trabalho e 3.786
por doenças profissionais.
Segundo o ministro, esse dados servem como parâmetro para enfatizar as
campanhas e os esforços para conscientizar tanto trabalhadores quanto
empregadores.
Lupi acredita que, para diminuir os números de doenças e acidentes
no trabalho, é necessário conscientizar por meio de cursos de
orientação e capacitação que evitem acidentes.
Com esse objetivo, foi firmado um convênio entre o Ministério
do Trabalho e Emprego, a Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo (Fiesp) e o Serviço Nacional da Indústria
(Senai) para a realização de cursos sobre prevenção
de acidentes de trabalho.
“ Nós assinamos hoje esse protocolo de intenções com
a Fiesp e o Senai e em breve assinaremos também com a Febraban [Federação
Brasileira de Bancos] que já demonstrou interesse. Inicialmente esses
cursos serão destinados aos jovens aprendizes do primeiro emprego”,
explicou durante cerimônia do Dia Internacional em Homenagem às
Vítimas de Acidentes e Doenças Relacionados ao Trabalho nesta segunda,
na capital paulista.
De acordo com a Gerência-executiva em Campo Grande (MS) do INSS (Instituto
Nacional do Seguro Social), apenas neste ano, de janeiro a abril, foram concedidas
11 pensões para familiares de pessoas mortas por causa de acidentes
de trabalho. Durante 2005, foram cedidos 34 benefícios; em 2006, 19;
e, durante o ano seguinte, 18. Esses números fazem com que só no
Mato Grosso do Sul ocorra uma média mensal de duas mortes por acidente
de trabalho.
As centrais, além de denunciar a precariedade e o abandono a que os
trabalhadores são submetidos, no que diz respeito a sua saúde
e segurança no local de trabalho, incorporaram a campanha pela redução
da jornada, sem redução de salário, aos protestos desta
segunda. No próximo 28 de maio elas farão uma jornada de lutas
unitária em defesa da redução.
Segundo as centrais, a redução da jornada, que representa a geração
de novos empregos, tem reflexo direto na saúde do trabalhador já que
reduz o tempo de exposição aos fatores de risco.
Vítimas
Aos 39 anos, uma queda do sexto andar de um edifício na cidade satélite
do Gama tornou o pedreiro Longino Alves Ferreira incapacitado para o trabalho.
Nesta segunda-feira (28), aos 60 anos, ele se emocionou e conseguiu pronunciar
apenas poucas palavras na missa que homenageou as vítimas de acidentes
do trabalho, na Catedral de Brasília. Longino fez um apelo às
autoridades pela fiscalização das condições de
segurança.
“ Eu não tenho muita cultura. A minha mensagem é simples,
para que os colegas tenham mais cuidado, e as empresas também. Mais cuidado
com os companheiros, para não deixar acontecer o que aconteceu comigo”,
pediu.
No acidente, que completou 21 anos anteontem (26), Longino quebrou a perna
esquerda e teve complicações no baço, no braço
direito e no pulmão. Era o único provedor da família,
formada por ele, a esposa e dois filhos, que na época tinham 10 e 11
anos. Hoje, o filho mais velho é pedreiro e faz parte do Sindicato dos
Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário
de Brasília.
Longino disse que, na obra, não havia equipamento de segurança
para os operários. “Nesse tempo, nós entrávamos
nas empresas e aqueles que não trabalhassem iam embora. Eu entrei na
segunda e, na terça, o encarregado disse que, se eu desse conta de terminar
um serviço até as 17h, teria a carteira assinada. Eram 14h30,
estava terminando o serviço. Quando foi 15h15, eu caí e me machuquei.”
Fiscalização
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e do Mobiliário de Brasília, João Barbosa de Arruda, falta
fiscalização do governo sobre as empresas que não fornecem
equipamentos coletivos e individuais de segurança.
“ Se as autoridades olhassem um pouco para o trabalhador da construção
civil, setor que é o carro-chefe em número de acidentes, seria
melhor para todos. Acontece que trabalhadores da construção estão
aí há anos com ações na Justiça buscando direitos
que lhes são garantidos, como a aposentadoria – já que muitos
empregadores não assinam carteira.”
No caso de Longino, foram 12 anos para conseguir que a empresa o indenizasse
pelo acidente. O coordenador da área técnica da Fundação
Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro,
ligada ao Ministério do Trabalho e Emprego), Luiz Brasil, considera
altos os índices de acidentes de trabalho no país, mas ressalta
o esforço para que se reverta esse quadro.
Luiz Brasil destacou o trabalho feito hoje, especialmente no nível educativo,
para sensibilizar os empresários e incluir conteúdos sobre segurança
e saúde do trabalho nas escolas de níveis fundamental, médio
e técnico profissionalizante.
''Há necessidade de mobilização de toda a sociedade, mas
ainda é um número muito alto. A Organização Internacional
do Trabalho (OIT) estima em 6 mil o número de mortos por acidentes do
trabalho no mundo por dia”, informou.
O número apresentado por Brasil é equivalente a três vidas
perdidas por minuto no mundo – número que, segundo a OIT, representa
quase o dobro de vítimas de guerra. No ranking de mortes, o Brasil ocupa
o quarto lugar, com 2.503 óbitos, e perde apenas para a China, com 14.924,
para os Estados Unidos, com 5.764, e para a Rússia, com 3.090.
Anuário da Previdência
Apesar dos números apresentados pela Rais, o Anuário Estatístico
de Acidentes de Trabalho - feito pela Previdência Social - contabiliza
2.717 mortes por acidentes de trabalho em 2006.
O MTE alerta que os números oficiais relacionados à acidentes
de trabalho não representam a realidade brasileira, devido à existência
de empregos informais e de empresas não notificadas que atuam no país.
Ao todo, 849.795 situações irregulares relacionadas à segurança
e saúde no trabalho foram corrigidas pelo órgão em 2007 – 80.964
a mais que no ano anterior. Desse total, o setor de construção
civil respondeu por 242.427 casos, seguido pela indústria, com 204.417,
e pelo comércio, com 165.331.
O 28 de abril
Em 28 de abril de 1969, a explosão de uma mina nos Estados Unidos matou
78 trabalhadores. A tragédia marcou a data como o Dia Mundial em Memória
das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho.
A OIT, liderando essa luta, mas com foco na prevenção, institui,
em 2003, o dia 28 como o Dia Mundial de Segurança e Saúde no
Trabalho.
Segundo estimativas da OIT, ocorrem anualmente no mundo cerca de 270 milhões
de acidentes de trabalho, além de aproximadamente 160 milhões
de casos de doenças ocupacionais. Essas ocorrências chegam a comprometer
4% do PIB mundial. Em um terço desses casos, cada acidente ou doença
representa a perda de quatro dias de trabalho.
Dos trabalhadores mortos, 22 mil são crianças, vítimas
do trabalho infantil.
Ainda segundo a OIT, todos os dias morrem, em média, cinco mil trabalhadores
devido a acidentes ou doenças relacionadas ao trabalho.
Veja a programação nos estados.
São Paulo
Capital
Data: 28/04/2008
Horário: Das 9h às 16h
Local: Praça Ramos de Azevedo, em São Paulo
- Show musical
- Panfletagem
- Coleta de assinaturas do abaixo- assinado pela Redução da Jornada
de Trabalho sem Redução de Salários
- Participação dos representantes das centrais sindicais, autoridades
públicas e convidados
11h00 às 14h00
- Ato público
19h00
- Ato Solene na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo – Participação:
representantes das centrais sindicais e do poder público, parlamentares
e convidados
Guarulhos
Na manhã desta segunda (28), o Sindicato dos Metalúrgicos de
Guarulhos e Região mobilizou cerca de 800 trabalhadores na Marília,
Campell e Maxfort. Além do ato, os sindicalistas entregaram boletim
cobrando mais segurança nos ambientes de trabalho. Novo ato ocorre às
14 horas, mobilizando cerca de 700 funcionários da Tecfil. As manifestações
prosseguem até terça (29). O sindicato utilizará a tribuna
da Câmara dos Vereadores de Guarulhos, às 15 horas. Nos próximos
dias, haverá atos também nas Câmaras de Vereadores de Arujá,
Mairiporã e Santa Isabel, que são base do Sindicato.
''Investimos na formação de cipeiros, com encontros e seminários
e também fazemos palestras em fábricas.'' O sindicalista, que
participa hoje de ato na Praça Ramos de Azevedo, na Capital, afirma:
''A economia está crescendo. Não há mais desculpa para
as empresas deixarem de investir na segurança coletiva e individual'',
comenta Elenildo Queiroz Santos, diretor do Departamento de Segurança
e Saúde do Trabalhador do Sindicato.
Distrito Federal - Brasília
Os trabalhadores se concentraram pela manhã na plataforma superior da
rodoviária (estacionamento entre o Conjunto Nacional e a Rodoviária),
com panfletagem, discursos e trabalho de conscientização. As
pessoas presentes receberam camiseta e o material distribuído à população.
Um caminhão de som deu suporte à atividade. Cada sindicato filiado
compareceu com no mínimo 8 companheiros (as). Também foi celebrada
um missa na Catedral de Brasília.
Pernambuco
Recife
Data: 28/04/2008
Horário:
- 9h realização de uma Audiência Pública na Câmara
dos Vereadores do Recife, onde serão apresentados os dados epidemiológicos
dos acidentes de trabalho e o papel do Centro Regional de Saúde do Trabalhador.
- 14h acontece a Audiência na Assembléia Legislativa sobre o Perfil
dos acidentes e doenças relacionadas ao trabalho em Pernambuco, com
base nos dados de atendimento no Hospital da Restauração. Além
disso, haverá uma exposição fotográfica de vivências
em Mocambique.
- 18h Ato público no Monumento Tortura Nunca Mais. Cerca de 400 velas
serão acesas em frente ao monumento simbolizando as milhares de vítimas
de acidentes em todo o mundo.
Da redação, com agências
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Gazeta do Povo, 29 de abril de 2008
Nada a comemorar
Acidentes de trabalho custam R$ 40
bi ao ano
Só no Paraná, são
gastos R$ 2 bilhões anualmente. Estado está entre
os quatro do país com maior número de ocorrências
Cascavel - O Paraná gasta a cada ano cerca de R$ 2 bilhões por
causa dos acidentes do trabalho e das doenças relacionadas. O estado
está entre os quatro com maior número de ocorrências, totalizando
mais de 30 mil casos no ano passado, com mais de 200 mortos. No Brasil, o custo
total dos acidentes e doenças do trabalho chega a R$ 40 bilhões,
ou o equivalente a 4% do PIB. O país teve notificados cerca de 530 mil
acidentes do trabalho no ano passado, com 2,7 mil mortes.
“ O país está chocado com a epidemia de dengue no Rio de
Janeiro, que já matou 90 pessoas só neste ano. Esse é o
mesmo número de mortos que temos a cada 13 dias quando olhamos as estatísticas
dos acidentes do trabalho no país”, disse ontem em Cascavel o médico
do trabalho do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest)
do Oeste do Paraná, Miroslau Bailak. Ele foi um dos convidados para uma
sessão solene realizada na Câmara Municipal para marcar o Dia em
Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças Relacionadas
ao Trabalho, lembrado em 28 de abril, conforme lei de 2005.
De acordo com o Ministério Público do Trabalho no Paraná,
a média de acidentes de trabalho verificada no estado é quase
duas vezes maior que a média nacional. No Brasil ocorrem a cada ano
10,57 acidentes do trabalho para cada grupo de mil vínculos empregatícios.
No Paraná, são 20,13 acidentes anuais para cada mil vínculos.
A mortalidade chega a quase 14 casos anuais para cada grupo de mil trabalhadores
formais. A mortalidade nacional é 10 casos para cada grupo de mil.
“ E acidente de trabalho não se trata de uma fatalidade. É absolutamente
evitável”, destaca Bailak. Segundo ele, o país pode economizar
muito se intensificar as ações de fiscalização para
corrigir os ambientes de risco ao trabalhador e, principalmente, se investir
em educação.
O chefe da Gerência de Benefícios do INSS em Cascavel, Fernando
Luiz Borges, lembra que o INSS tem em vigor, atualmente, nada menos do que
900 mil benefícios por auxílio-doença e outros 160 mil
auxílios-doença por acidente do trabalho. Ele destaca que só cerca
de 30% da população economicamente ativa está coberta
pelo Seguro de Acidentes do Trabalho (SAT).
Bailak lembra também que a Organização Internacional do
Trabalho (OIT) diz que os dados oficiais dos acidentes do trabalho representam
apenas 4% do total de casos. Aplicado o cálculo da OIT, o Paraná teria
cerca de 5 mil mortes por acidentes ou doenças relacionadas ao trabalho
no ano passado.
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O ESTADO DO PARANÁ,
29 de abril de 2008 | Economia
Cresce número de acidentes de
trabalho no Brasil
Cintia Végas

Ontem, foi Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e
Doenças Relacionadas ao Trabalho. Entretanto, no Brasil, a data não é motivo
de comemoração. Segundo dados divulgados pelo Ministério
da Previdência Social, foram registrados 503.890 acidentes no país
só no ano de 2006. O número representa um aumento de 10% na quantidade
de ocorrências registradas desde 2004.
“O número do Ministério
da Previdência Social diz respeito aos trabalhadores formais, cujos
acidentes são comunicados ao governo federal. Entretanto, dois
terços dos trabalhadores brasileiros estão ligados à economia
informal. Por isso, acredita-se que o número de acidentes de trabalho
seja muito maior do que o divulgado”, diz o pesquisador da Fundação
Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho, órgão
ligado ao Ministério do Trabalho, Eugênio Paceli Hatem Diniz.
“Infelizmente, a maioria
das empresas se limita a fornecer a seus trabalhadores simples equipamentos
de proteção individual, que são apenas complementares”,
afirma. “Entretanto, a prevenção está ligada
a mudanças de processo, enclausuramento de máquinas perigosas,
redução da exposição a barulho, poeira e
substâncias tóxicas, entre uma série de outras medidas.
Além disso, a prevenção de acidentes deve ser uma
política dentro das empresas e não apenas preocupação
e responsabilidade de comissões específicas.”
Motoboys
Uma das categorias profissionais
mais expostas a riscos de trabalho atualmente é a dos motoboys.
De acordo com Eugênio, o serviço de motofrete vem crescendo
no Brasil, mas o trânsito não foi concebido para atender
as necessidades de quem realiza este tipo de atividade.
Na cidade de São
Paulo, quatro motociclistas perdem a vida diariamente, sendo um em
via pública e três em hospitais. Em Curitiba, conforme
informação do comandante do Batalhão de Trânsito
da cidade, tenente-coronel Jorge Costa Filho, foram registrados 4.369
acidentes com moto em 2007, número 5,1% maior do que o registrado
em 2006.
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Agência Câmara,
29 de abril de 2008
Férias e 13º salário
podem ser isentos do Imposto de Renda
A Câmara analisa a proposta de isenção do Imposto de Renda
sobre os valores recebidos pelas pessoas físicas correspondentes ao
13º salário e às férias, inclusive o respectivo abono
de 1/3 sobre o valor da remuneração. A medida está prevista
no Projeto de Lei 2708/07, do deputado Luiz Carlos Busato (PTB-RS).
O autor explica que o objetivo
da proposta "é fazer justiça aos trabalhadores brasileiros".
Segundo ele, a Constituição garantiu um salário
extra integral a cada ano, assim como uma remuneração de
férias com um acréscimo mínimo de 1/3. Mas esses
valores acabam não sendo integrais por causa da incidência
do imposto de renda e da contribuição previdenciária,
diz o parlamentar.
Férias
O projeto exclui do imposto o 13º terceiro salário e as importâncias
recebidas por férias indenizadas, remuneração de férias
e o adicional de férias do salário de contribuição.
Usado como referência para o cálculo do benefício da Previdência
Social e também para cálculo do imposto de renda, o salário
de contribuição atualmente inclui os valores recebidos a título
de férias.
A exclusão dos valores
relativos ao 13º e às férias do salário de
contribuição significa que o imposto de renda não
incidirá mais sobre esses rendimentos.
Renúncia
fiscal
Segundo o texto, o Poder Executivo estimará o montante da renúncia
fiscal decorrente do disposto no projeto, incluindo-o no projeto de Lei Orçamentária
Anual (LOA) apresentado após decorridos 60 dias da publicação
da lei. Os valores da renúncia fiscal também serão incluídos
nas propostas orçamentárias dos exercícios seguintes.
Atualmente, o 13º salário é tributado
com a mesma alíquota que incide sobre o rendimento mensal do contribuinte.
Ele já integra o salário de contribuição,
mas não para efeitos do cálculo de benefício.
Tramitação
O projeto será analisado em caráter conclusivo pelas comissões
de Trabalho, de Administração e Serviço Público;
de Finanças e Tributação; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania (CCJ).
Íntegra
da proposta:
-
PL-2708/2007
|
Gazeta do Povo, 29 de abril de 2008
Imposto de Renda
Declaração atrasada
rende multa a partir de R$ 165,74
1,6 milhão de paranaenses ainda
não acertaram as contas com o Fisco. Prazo vence amanhã
Perder o prazo para envio da declaração anual de ajuste do Imposto
de Renda pode custar caro para o contribuinte. Quem estiver enquadrado em um
dos critérios de obrigatoriedade mas não enviar os dados para
a Receita Federal até as 20 horas de amanhã terá que pagar
uma multa de 1% ao mês (ou fração do atraso), calculada
sobre o valor do imposto devido. A penalidade mínima estipulada pela
Receita Federal é de R$ 165,74 e a máxima equivale a 20% do valor
devido – para quem não tem imposto a pagar, fica valendo o mínimo.
Obrigatoriedade
Deve declarar IR quem teve rendimentos tributáveis acima de R$ 15.764,28
em 2007, além de quem se enquadra num dos casos abaixo. Verifique:
- Recebeu rendimentos isentos, não-tributáveis ou tributados
exclusivamente na fonte acima de R$ 40 mil.
- Obteve receita bruta da atividade rural acima de R$ 78.821,40 no ano passado.
- Tinha, em 31 de dezembro de 2007, patrimônio superior a R$ 80 mil.
- Realizou operações em bolsa de valores, de mercadorias ou de
futuros.
- Passou à condição de residente no Brasil.
- Participou do quadro societário de empresa, inclusive inativa, como
titular, sócio ou cooperado.
- Realizou em qualquer mês do ano calendário alienação
de bens ou direito em que foi apurado ganho de capital sujeito a incidência
do imposto, mesmo que tenha optado pela isenção pela aplicação
do produto da venda na aquisição de imóveis residenciais.
COMO ENVIAR
Além da internet – através do programa Receitanet – o
contribuinte também pode entregar a declaração em disquete,
nas agências da Caixa Econômica e do Banco do Brasil, ou em formulário
de papel, nas agências dos Correios. Nestes casos, no entanto, o prazo
termina no horário de fechamento das unidades.
Até o fim da tarde de ontem, 17,78 milhões de brasileiros haviam
enviado seus dados para o sistema da Receita Federal – de um total esperado
de 24,5 milhões. No Paraná, o número de declarações
já enviadas é de 1,2 milhão – a expectativa é de
que 1,57 milhão de contribuintes do estado acertem as contas até amanhã.
A contadora Lucélia Lecheta pretendia mandar até o fim do expediente
de ontem as últimas quatro declarações de clientes que
ainda estavam em seu computador. “Este ano consegui antecipar o envio
da maioria das declarações porque fiz um trabalho de conscientização
com os meus clientes, e funcionou”, comemora a contadora, que só em
2008 fez a declaração de mais de 130 pessoas. “A minha
mesmo eu mandei já no primeiro dia, para treinar e testar o programa.”
Documentos
Já o contador Armando Lira, conselheiro do Conselho Regional de Contabilidade
no Paraná (CRC-PR), diz que ainda há vários “retardatários” entre
os seus clientes. “E na última hora ainda aparecem novos.” O
escritório fez um esquema especial de plantão no último
feriado mas, segundo Lira, parte da “culpa” na demora para enviar
os dados está na lentidão de alguns bancos para enviar os dados
aos seus clientes. “Nem todos deixaram as informações disponíveis
na internet. E outros, por deixar, não mandaram os comunicados para
a casa dos correntistas”, reclama. “Para quem ainda não
tem todos os dados, a orientação é buscar isso o mais
rápido possível.”
Lucélia orienta as pessoas que eventualmente não conseguirem
os dados até às 20 horas de amanhã a enviar a declaração
incompleta, para evitar a multa, e fazer a correção o mais rápido
possível – antes que a Receita faça a notificação
do erro ou da falta de informação. “O contribuinte pode
retificar depois do prazo. Mas ele precisa lembrar que não vai mais
poder, depois do dia 30, mudar o modelo escolhido [completo ou simplificado].”
A retificação é feita pelo próprio programa – basta,
neste caso, assinalar “sim” na primeira página do programa,
onde está a pergunta “Esta é uma declaração
retificadora?”
A contadora lembra, no entanto, que se os dados forem processados pela Receita
Federal antes da correção, o contribuinte pode pagar uma multa
ainda maior. Quem deixar de apresentar uma fonte pagadora na declaração,
por exemplo, terá que pagar a diferença do imposto, acrescida
de até 75% desse valor. “A multa pode chegar a 100% do valor devido,
se a Receita entender que houve má fé”, alerta.
Pagamento
O contribuinte deve lembrar ainda que também termina amanhã o
prazo para pagamento da primeira parcela do imposto devido – ou da cota única,
para quem não optou pelo parcelamento. A segunda cota tem vencimento
em 30 de maio. Para fazer o pagamento, o contribuinte precisa imprimir um Documento
de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), gerado pelo próprio
sistema – o mesmo vale para o pagamento de multas.
Serviço:
O conteúdo do Guia do Imposto de Renda 2008, publicado pela Gazeta do
Povo no dia 31 de abril, estará novamente disponível hoje para
os leitores no portal www.gazetadopovo.com.br/impostoderenda. O guia traz todas
as informações que o contribuinte precisa para preencher a declaração.
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O ESTADO DO PARANÁ,
29 de abril de 2008 | Política
PR: Assembléia aprova mínimo
regional em nova discussão
Elizabete Castro
O novo salário mínimo regional, que varia de R$ 527 a R$ 548,
foi aprovado ontem em segunda discussão pela Assembléia Legislativa.
A proposta do governo recebeu apenas uma modificação.
Os deputados aprovaram a emenda
que revoga a atual lei, abrindo espaço para a entrada em vigor
do novo piso que vale para a iniciativa privada. As outras quatro emendas,
duas de autoria da oposição e duas do deputado peemedebista
Mauro Moraes, que estendiam o reajuste do salário mínimo
regional aos salários de servidores, foram rejeitadas pela bancada
governista. Hoje, o projeto entra em terceira discussão e redação
final.
O líder do governo na
Assembléia Legislativa, Luiz Claudio Romanelli (PMDB), disse que
se tratavam de propostas “puramente demagógicas” e
conseguiu reunir 29 votos para derrotar as emendas. As de Moraes reajustavam
os salários dos professores e policiais militares e a oposição
tentava estabelecer o piso regional como valor de referência para
os servidores do Executivo. O deputado Antonio Belinati (PP) apresentou
uma quarta emenda, estabelecendo que o reajuste passe a valer a partir
de 1º de abril e não em 1º de maio como proposto pelo
Executivo.
Resta agora a oposição
reapresentar as emendas na mensagem do governo que reajusta os salários
dos servidores públicos em 5%. O projeto, enviado pelo governo
na semana passada, deve entrar na pauta de hoje da Comissão
de Constituição e Justiça. “Não dá para
ficar enganando as pessoas que não entendem de processo legislativo
e ficar dizendo que pode misturar salário de servidor público
com piso da iniciativa privada. A oposição não
pode vender o que não pode entregar”, disse o deputado
Caito Quintana (PMDB), um dos que se revezaram na tribuna para defender
o projeto do governo.
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Folha de São Paulo, 29 de abril de 2008
EMENDA 3
Fazenda fará proposta
para regulamentar trabalho de PJ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Ministério da Fazenda se comprometeu a entregar às centrais
sindicais, até o final desta semana, uma proposta preliminar de regulamentação
da prestação de serviço por pessoas jurídicas (conhecida
por emenda 3).
O assunto foi tratado ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, e representantes
das centrais. Segundo ele, o governo está "quebrando a cabeça" para
formular uma proposta de regulamentação das atividades de PJs
que seja passível de discussão no Congresso.
Os representantes das centrais aceitaram discutir o assunto desde que a proposta
deixe de fora as atividades direta ou indiretamente relacionadas ao artigo
3º da CLT. Ele enumera alguns preceitos que caracterizam a relação
trabalhista -cumprimento de carga horária, subordinação
e habitualidade na prestação de serviço.
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Folha de São Paulo, 29 de abril de 2008
MÃO-DE-OBRA:
Codefat aprova novas regras
para convênios com governos
O Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador aprovou resolução
para convênios entre prefeituras, governos e ONGs para treinamento de
trabalhadores. O texto, não apresentado à imprensa até o
fechamento desta edição, cria mecanismos mais rigorosos para
o controle dos contratos, disse o presidente Luiz Fernando Emediato.
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ÂMBITO JURÍDICO,
29 de abril de 2008
Trabalho no comércio em feriados
depende de autorização em norma coletiva
Fonte: TRT3
Desde a edição
da Lei 11.603/2007, o trabalho no comércio nos dias feriados está condicionado à existência
de autorização expressa em convenção coletiva,
que deverá, por sua vez, observar a legislação municipal
a respeito. Por esse fundamento, a 6ª Turma do TRT-MG, com base
em voto do juiz convocado João Bosco Pinto Lara, negou provimento
a recurso ordinário do supermercado reclamado, que protestava
contra sentença que lhe impôs a obrigação
de se abster de funcionar em feriados civis e religiosos, enquanto não
modificada a convenção coletiva da categoria nos termos
da Lei 10.101/00.
A tese da recorrente era de que
o funcionamento do comércio aos domingos e feriados depende apenas
de lei municipal que o autorize. Mas, segundo esclarece o relator, a
matéria está prevista na Lei 10.101/2000 (modificada pela
Lei 11.603/07), que estabelece expressamente em seu artigo 2º: “É permitido
o trabalho em feriados nas atividades do comércio em geral, desde
que autorizado em convenção coletiva de trabalho e observada
a legislação municipal, nos termos do art. 30, inciso I,
da Constituição”.
De acordo com o juiz, as convenções
coletivas de 2006 e 2007 juntadas no processo são anteriores a
essa alteração da norma e, portanto, não tratam
da permissão para trabalho em feriados. Dessa forma, tão
logo modificada a legislação sobre a matéria, cabia às
partes interessadas aditar a convenção em vigor para permitir
a sua eventual realização, o que não foi feito,
no caso.
Ele acrescenta que o Mandado
de Segurança ajuizado perante a 8ª Vara da Justiça
Federal, que determinou ao Delegado Regional do Trabalho em Minas Gerais
que se abstenha de autuar e multar os associados da Associação
Mineira de Supermercados, à qual se filia a recorrente, não
produz mais efeitos, pois sua publicação é muito
anterior à nova regulamentação da matéria.
Ainda segundo o relator, a legislação
municipal não poderia disciplinar matéria de Direito do
Trabalho, por extravasar a competência do Município, conforme
o artigo 30, inciso I, da Constituição da República.
Ele lembra que o município legisla somente sobre o horário
de funcionamento do comércio em geral e feriados municipais.
A conclusão da Turma,
portanto, foi de que, como a matéria ainda não foi expressamente
prevista na CCT da categoria, a ré não pode exigir que
seus empregados trabalhem nos dias de feriados civis e religiosos.
( RO nº 01259-2007-057-03-00-7
)
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ÂMBITO JURÍDICO,
29 de abril de 2008
Empresa não pode obrigar trabalhador
a jornada excessiva
Fonte: TRT23
A segunda Turma do TRT de Mato
Grosso julgou procedente o recurso de um trabalhador de frigorífico
que pedia o reconhecimento da rescisão indireta (justa causa por
culpa do empregador) alegando jornada excessiva e condições
de trabalho insalubres.
O empregado recorreu da sentença
a fim de ter reconhecida a rescisão indireta, sob a alegação
de que a empresa o submetia a jornada extenuante e não pagava
corretamente as horas extras.
A relatora, desembargadora Maria
Berenice Carvalho Castro Souza, constatou no processo que o reclamante
trabalhava 12 horas e 30 minutos por dia, jornada reconhecida na sentença.
Ficou patente também, por meio de laudo pericial, a condição
insalubre no setor de desossa onde ele trabalhava, sob um frio de 10º e
ruídos acima dos níveis toleráveis.
A relatora entendeu que a jornada
extenuante e o local insalubre expunham a saúde do trabalhador,
afetando a sua dignidade pessoal, e agrediam os valores sociais do trabalho
prescritos na Constituição Federal.
Assim, com fundamento no artigo
483, alíneas "a" e "d", da CLT, foi reconhecida
a culpa do empregador, o que justifica a rescisão do contrato
por iniciativa do empregado, cabendo à empresa o pagamento do
aviso prévio, 13º salário, férias vencidas,
liberação do FGTS com acréscimo de 40%, além
de fornecimento das guias de seguro-desemprego e dos direitos já reconhecidos
na sentença.
O voto da relatora no recurso
do reclamante foi aprovado por unanimidade pela Turma.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
29/04/2008
Proibir funcionário de estudar faz
Aché pagar R$36 mil
Representante propagandista vendedor
da Aché Laboratórios Farmacêuticos S.A., um trabalhador
dedicado, foi proibido de estudar durante oito anos porque a empresa
considerava que os estudos poderiam atrapalhar seu trabalho. Em 2002,
após a reestruturação da Aché, o vendedor
foi demitido. Pelos danos causados, o trabalhador teve confirmada, pela
Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho, a indenização
de R$ 36 mil.
A ação judicial
do ex-representante teve origem na 71ª Vara do Trabalho do Rio de
Janeiro, onde não conseguiu êxito no pedido específico
de indenização. No entanto, ao recorrer da sentença,
o resultado foi diferente: o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região
(RJ) concedeu indenização de R$ 36 mil pelos danos morais
causados ao trabalhador.
O TRT/RJ considerou, para o deferimento
do pedido, o prejuízo intelectual sofrido pelo empregado, que
se tornou mais grave após a demissão, pois, com a sua entrada
na disputa por recolocação no mercado de trabalho, faz
imensa falta o diploma de nível superior não conquistado
por culpa do empregador. Os depoimentos de testemunhas e a prova emprestada
de outros processos contra a Aché sobre a mesma questão
foram determinantes para julgar demonstrada a ocorrência dos prejuízos.
O dano é decorrente, segundo o acórdão regional,
do pavor psicológico impingido aos funcionários, ante a
ameaça de demissão aos que cursassem nível superior,
com a ingerência da empresa na vida particular dos empregados.
O representante disse, em sua
argumentação na petição inicial, que vestia
a camisa da empresa, era um “acheano” - expressão
utilizada pela Aché para estimular seu pessoal de vendas a atingir
os objetivos traçados. Com receio de perder o emprego, nunca estudou.
Somente em 2001, quando o laboratório passou por profundas transformações
estruturais e funcionais, pararam as restrições a que seus
empregados estudassem.
A nova postura permitiu que o
funcionário conseguisse, em uma publicação, provas
da proibição a que era submetido o pessoal da empresa farmacêutica.
Em uma revista da Aché, foram divulgados depoimentos de vendedores
com suas expectativas da nova fase e histórias dos tempos passados.
Um deles contou: “Sou um dos rebeldes da fase antiga. Comecei MBA
no ano passado, mesmo sem poder. Até então a gente não
podia fazer faculdade, imagine então MBA! Fazia escondido...”
Ao recorrer ao TST, a Aché alegou
não ter sido caracterizada a ocorrência de dano moral. Segundo
a empresa, não houve ato ilícito, e, em casos idênticos,
obteve decisão a seu favor. Mas o relator, ministro José Simpliciano
Fernandes, afirmou em seu voto que a empresa não conseguiu demonstrar,
no recurso, a existência de violação de lei ou de
interpretação divergente de dispositivos legais. As decisões
apresentadas como divergentes eram de primeiro grau, oriundas de Varas
do Trabalho, fonte não autorizada para esta finalidade, de acordo
com o artigo 896, alínea “a” da CLT. (AIRR-1297/2007-071-01-40.9)
(Lourdes Tavares/Colaboração
de Dirceu Arcoverde)
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29/04/2008
Digitador obtém direito a intervalo
mesmo realizando outras tarefas
O direito do digitador ao intervalo
de 15 minutos de descanso a cada 90 minutos de trabalho não se
desfigura com a realização de tarefas correlatas em cerca
de 10% de sua jornada. Seguindo o entendimento da relatora, ministra
Rosa Maria Weber, a Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou
recurso da Transpev – Processamento e Serviços Ltda., de
Brasília (DF), contra condenação imposta pela Justiça
do Trabalho da 10ª Região (DF/TO).
Embora em sua carteira de trabalho
tenha sido anotada a função de “conferente”,
o trabalhador, admitido em julho de 1994, atuava como digitador. Seu
trabalho consistia no processamento de cheques provenientes de instituições
financeiras para as quais a empresa prestava serviços Nessa atividade,
chegava a digitar e processar cerca de 20 mil cheques/dia. Em setembro
de 1998, segundo informou na inicial da reclamação trabalhista,
sua jornada foi alterada unilateralmente pela empresa, e, embora continuasse
exercendo funções de digitador, sua denominação
passou a ser “operador de serviços”
Ao ser demitido, sem justa causa,
em fevereiro de 2000, solicitou na Justiça do Trabalho diversas
verbas, entre elas horas extras e os intervalos de dez minutos a cada
90 minutos de trabalho. O pedido foi deferido e a decisão foi
mantida pelo TRT/DF, cujo acórdão registrou que o empregado
atuava durante 90% de sua jornada em atividade de digitação,
apesar de exercer também outras atividades, e não apenas
aquelas estritamente relacionadas à inserção de
dados em computadores. O fundamento foi a aplicação analógica
do artigo 72 da CLT, que garante o intervalo aos trabalhadores em mecanografia,
objeto da Súmula nº 346 do TST.
A Transpev, inconformada,
recorreu ao TST alegando que o empregado não poderia ser enquadrado
na regra da CLT porque não exercia exclusivamente serviços
de mecanografia. A ministra Rosa Weber destacou ter ficado claro que
a atividade preponderante do trabalhador, correspondente à quase
totalidade da jornada, era a de digitação, estando sujeito,
assim, ao desgaste físico daí decorrente. Julgou, portanto,
devidamente caracterizada a atividade de digitação em
caráter permanente, “pois é pouco razoável
supor que o empregado, para ser considerado digitador, não deva
desempenhar, durante a jornada, atividades outras que sejam correlatas,
embora não identificadas como propriamente de digitação.” (RR-00527/2000-015-10-40.1).
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29/04/2008
TST reconhece estabilidade de suplente de
delegado sindical
A Sexta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho manteve decisão do Tribunal Regional do Trabalho da
9ª Região (PR) que reconheceu a estabilidade provisória
de um suplente de delegado sindical. O TRT havia determinado a reintegração
do trabalhador ao emprego devido a sua condição de delegado
suplente, cargo para o qual foi eleito em assembléia-geral. Também
condenada ao pagamento de honorários advocatícios de 15%,
a empresa interpôs sucessivos embargos, atitude que o TRT considerou
protelatória, levando-o a aplicar multa de 1%.
Inconformada, a empresa insistiu
na reforma da decisão, sustentando que o empregado não
faz jus à estabilidade, pois não foi eleito e, portanto,
sua reintegração seria irregular. Também contestou
o pagamento dos honorários advocatícios, alegando contrariedade à Súmula
219 do TST.
O relator da matéria,
ministro Aloysio Corrêa da Veiga, manifestou-se pela rejeição
(não conhecimento) do recurso na questão relativa à estabilidade
provisória. Nesse aspecto, após observar que nenhum dos
precedentes apresentados podia ser apontado como paradigma para as alegações
da empresa, o relator destacou que a decisão do TRT se deu a partir
da constatação de que o trabalhador foi investido no cargo
mediante eleição em assembléia-geral, para representar
a categoria em entidade federativa. Ademais, asseverou o ministro, analisar
essa questão nos termos defendidos pela empresa implicaria o reexame
de fatos e provas, o que é impedido pela Súmula nº 126
do TST.
Quanto ao outro tema do recurso,
a Sexta Turma, conforme o voto do relator, excluiu da condenação
o pagamento, pela empresa, dos honorários advocatícios,
por considerar que não foram atendidos os dois requisitos exigidos
neste caso – o benefício da justiça gratuita e a
assistência do sindicato. (RR 23084/2001-652-09-00.8)
(Ribamar Teixeira)

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