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Agência Diap, 30 de abril de 2008
IDENTIDADE DO TRABALHADOR
MTE lança hoje nova carteira
de trabalho

O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, e o presidente da República,
Luiz Inácio Lula da Silva, lançam hoje (30), a nova carteira
de trabalho em audiência no Palácio do Planalto. Além disso,
será entregue ao presidente Lula o primeiro Cartão de Identidade
do Trabalhador.
Criado com o objetivo de modernizar a carteira de trabalho e torná-la
menos onerosa para a União, o novo modelo tem identificação
do trabalhador preenchida eletronicamente, estilo passaporte e com capa e folhas
azuis.
À nova carteira, será incluído o Cartão de Identidade
do Trabalhador (CIT), cartão magnético que permitirá consultas
a informações da vida laboral, como o saldo do Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço (FGTS), pagamento de abono salarial e a contagem de
tempo de serviço. Tudo isso em terminais da Caixa ou pela internet, por
meio do Portal de Consultas do Trabalhador.
O evento será hoje (30), às 10 horas, no salão leste do
Palácio do Planalto. (Fonte: MTE)
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O ESTADO DO PARANÁ,
30 de abril de 2008 | Nacional
Para centrais sindicais, nova carteira
evitará perda de dados do trabalhador
Agência Brasil
A nova carteira de trabalho, com cartão magnético e dados profissionais
em sistema digital, que será lançada nesta quarta-feira (30)
pelo governo, protegerá o trabalhador quanto ao risco de perda desses
dados. Além disso, permitirá o acompanhamento do saldo do Fundo
de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o que evitará fraudes
por parte dos empregadores, segundo avaliação das centrais sindicais.
“Muitos trabalhadores perdem
a carteira, com isso parte da vida profissional, e têm dificuldade
para provar o tempo de contribuição”, disse a presidente
da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Distrito Federal,
Rejane Pitanga, a respeito dos riscos do atual sistema.
Na opinião do secretário-geral
da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o novo
sistema evitará fraudes porque permitirá que o próprio
trabalhador acompanhe os depósitos do FGTS feitos pelo empregador. “Eu
creio que com a informatização, o trabalhador poderá pesquisar
dia-a-dia se a empresa está pagando ou não os seus direitos
do Fundo de Garantia”, avaliou Gonçalves.
Ele ressaltou que a diminuição
da jornada de trabalho e a melhoria das condições no trabalho
são pontos a serem conquistados pelos trabalhadores. “A
saúde e as condições do trabalho com certeza serão
uma bandeira importante para os trabalhadores lutarem”.
Para a presidente da CUT-DF,
o Ministério do Trabalho deveria se preparar melhor para combater
as formas ilegais de trabalho. “A grande maioria das delegacias
regionais do Trabalho tem dificuldades do ponto de vista da fiscalização,
mal-aparelhamento, com poucos funcionários, o que faz com que
o ministério[do Trabalho] não tenha uma política
efetiva de combate ao trabalho escravo, ao trabalho infantil e ao trabalho
precário”, considerou Rejane.
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, vão lançar
a nova carteira em cerimônia, às 10h, no Palácio
do Planalto. A carteira contará com o Cartão de Identidade
do Trabalhador (CIT), que permitirá fazer consultas sobre a
vida profissional, como o saldo do FGTS, o pagamento de abono salarial
e a contagem de tempo de serviço. As consultas poderão
ser feitas em terminais da Caixa Econômica Federal ou pela internet.
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Agência Diap, 30 de
abril de 2008
MANIPULAÇÃO
'Jornal Nacional' omite pesquisa
e aprovação recorde de Lula
Por: Eduardo Guimarães*

"O responsável por essa 'belezinha' de jornalismo tem nome: Ali Kamel.
Ao menos é assim que esse indivíduo aparece nos créditos
que voam pela telinha ao fim de cada edição do Jornal Nacional.
A decisão de um órgão de imprensa de privar seu público
de tão importante informação só porque um de seus
manda-chuvas não gosta dela, caro leitor concordante, discordante ou indeciso,
parece ter alguma lógica para você?"
Imagino que ninguém, em seu juízo perfeito, discordará da
premissa de que jornalismo existe para informar. Portanto, você, leitor,
seja de que ideologia for, tenha a opinião política que tiver,
certamente me apoiará na afirmativa de que não cabe a qualquer
meio de comunicação escolher o que seu público deve ou
não saber.
Se você que me lê, independentemente de concordar comigo, discordar
de mim ou não ter opinião formada apóia a premissa que
escrevi no parágrafo anterior, seguramente concordará se eu disser
que é uma aberração que a edição do Jornal
Nacional do primeiro dia desta semana tenha omitido uma notícia que
esteve o dia inteiro em destaque em todos os portais de internet - inclusive
no G1, da Globo - e em todos os outros telejornais da noite.
A notícia à qual me refiro, como você já deve ter
percebido, é a de que a pesquisa de opinião CNT/Sensus detectou
que a aprovação popular ao governo Lula e ao titular desse governo
acaba de bater novo recorde, e de que a maioria dos brasileiros apóia
um terceiro mandato para o presidente da República.
O responsável por essa "belezinha" de jornalismo tem nome:
Ali Kamel. Ao menos é assim que esse indivíduo aparece nos créditos
que voam pela telinha ao fim de cada edição do Jornal Nacional.
A decisão de um órgão de imprensa de privar seu público
de tão importante informação só porque um de seus
manda-chuvas não gosta dela, caro leitor concordante, discordante ou
indeciso, parece ter alguma lógica para você?
Para mim não tem. Qualquer um que tenha acesso à internet ou
que conheça alguém que tem acesso à internet ou que assistiu
a algum telejornal na noite da sonegação informativa do JN ficou
sabendo não só o que o telejornal omitiu, mas também de
sua omissão.
Do lado de fora dos círculos
de apoiadores ou detratores convictos do governo Lula, as pessoas têm
mentes mais aptas a julgar fatos políticos com isenção,
pois não são apaixonadas por nenhum dos lados. O que
será, então, que esse tipo de cidadão achou de
Ali Kamel surrupiar-lhe a informação?
Mas se fosse só isso, não seria nada. O ensandecido Ali Kamel
achou também que seria uma boa oportunidade para reafirmar que o jornalismo
da Globo continuará tentando desmoralizar supostos candidatos à sucessão
de Lula que, na visão desse maluco - e de outros como ele -, ameaçam
o projeto de José Serra de se eleger presidente em 2010 e, assim, mandou
suas marionetes atacarem o irmão de Ciro Gomes e, claro, a mesma Dilma
Rousseff que a CNT/Sensus mostrou que, ao invés de "encolher",
cresceu.
E depois Globo, Folha, Veja e Estadão não entendem por que perderam
o poder que tinham de influenciar politicamente a sociedade.
(*) Publicado originalmente no blog Cidadania.com
Veja capa da Folha de S.Paulo, de 2 dezembro
de 2007, e tire suas próprias conclusões

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Congresso em Foco, 30 de abril de 2008
Oposição desdenha de
nova reforma trabalhista
Para deputados, objetivo é desviar
atenção da reforma tributária e do reajuste
dos aposentados
Eduardo Militão
Deputados da oposição estão mais do que céticos
quanto às intenções do governo de retomar as discussões
sobre a reforma trabalhista e sindical, conforme anunciou ontem (29) o ministro
extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger.
Para eles, a intenção é criar uma “cortina de fumaça” ou
factóide para desviar a atenção da reforma tributária
e da emenda sobre o reajuste dos aposentados, o que pode constranger deputados
petistas e o presidente Lula. O governo não garante que a proposta vá prosperar,
mas diz que sua missão é tentar mudar o quadro atual.
Em linhas gerais, o documento com as diretrizes anunciadas por Unger – e
avalizadas pelo Planalto – tratam de três pontos para reformar
o sistema atual, criado nos anos 1940 pelo governo de Getúlio Vargas.
O primeiro item é reduzir a o trabalho informal sob o qual vivem 50%
da população economicamente ativa, por meio da desoneração
da folha de pagamentos e por mudanças na política industrial
e agrícola.
O segundo é aumentar a participação dos salários
na renda nacional, por meio de benefícios fiscais para quem contrata
empregados com baixa renda, ampliação da participação
nos lucros dos trabalhadores e proteção efetiva aos funcionários
temporários e terceirizados. A minuta das diretrizes inclui revisão
do regime sindical, como, por exemplo, a substituição do imposto
sindical.
Mas, para a oposição, tudo não passa de discurso e incoerência
do PT. “Isso aí é carta de intenções”,
avalia o vice-líder do DEM na Câmara Ronaldo Caiado (GO). “É um
factóide, lógico, mais um. Ele desvia o foco do que é principal”,
emenda.
Segundo o deputado, o Congresso deve se debruçar sobre a reforma tributária,
em debate na Câmara, e uma emenda ao projeto de lei complementar que
dá aos aposentados o mesmo reajuste do salário mínimo.
Como a derrubada da segunda matéria é impopular, pode haver atrito
entre parlamentares petistas e o Palácio do Planalto. Caiado avalia
que debater a reforma trabalhista seria uma compensação ao desgaste.
Cético quanto ao andamento da matéria no Congresso, o deputado
Paulo Renato (PSDB-SP), ex-ministro da Educação no governo FHC,
concorda com a tese de Caiado. Ele chega a desdenhar até da função
exercida pelo ministro Unger. Para Paulo Renato, as diretrizes anunciadas servem
apenas para legitimá-lo no cargo.
“ O ministro veio para fazer planejamento de longo prazo e até agora
não aconteceu nada. De vez em quando ele tem que soltar alguma proposta
para dizer que existe”, ironiza.
O deputado tucano acusa o presidente de fazer média com empresários
e sindicalistas nesse tema. Ora acena com desoneração de impostos
para os primeiros, ora com manutenção do status quo para os sindicalistas. “Mas
no fim, prevalece o segundo”, critica Paulo Renato, ao identificar os
governistas como históricos defensores do sindicalismo.
Só em 2009
Segundo o ministro Mangabeira Unger, as discussões começam agora
com representantes dos empregados, dos empregadores, do Congresso e da sociedade
em geral. Só no início de 2009, depois de ouvir as partes envolvidas, é que
o governo federal vai enviar a proposta ao Legislativo.
Mesmo assim, Paulo Renato não acredita que o projeto vá sair
do papel, nem mesmo em 2010. ”As coisas polêmicas só são
aprovadas quando há empenho do governo. Eles querem é melhorar
e aumentar os seus privilégios e não estão preocupados
com a proteção dos informais.”
O líder do DEM, deputado ACM Neto (BA), duvida de todas as promessas
do governo contidas no documento de Mangabeira Unger. “Sou a favor disso,
mas não acredito que o PT conduza de maneira séria uma discussão
dessas no Congresso. No passado, o PT e a CUT [Central Única dos Trabalhadores]
fizeram terrorismo contra a votação de matérias trabalhistas.
Eles não vão agora assumir outra postura”, reclama.
O oposicionista ainda aposta que a discussão possa se estender até 2010,
quando ficará impedida de ser votada por conta das eleições
presidenciais. “O ministro é um idealista”, diz ACM Neto.
Negociação
O líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE), vê o
anúncio de Mangabeira Unger como uma disposição do governo
Lula de mudar o quadro trabalhista de maneira negociada, sem imposições. “Jamais
o governo quis fazer qualquer reforma impondo aos principais atores de relações
trabalhistas no Brasil. A reforma que queremos fazer é negociada.”
Rands diz que a mudanças no sistema sindical devem preceder as trabalhistas. “Uma
reforma no direito coletivo do trabalho e depois no direito individual do trabalho”,
opina. O líder do PT, que é especialista da área, defende
eliminar incidências na folha de pagamento que não são
direitos dos empregados – como o salário-educação
e a contribuição para o Incra – e mudanças o financiamento
da Previdência Social para desonerar as empresas.
Ele afirma que, no decorrer deste ano, é possível criar as condições
políticas para amadurecer as idéias e votá-las ainda em
2009. “É uma iniciativa boa do Executivo, porque nossa preocupação é que
em 2009 a gente avance nessa questão”, calcula Rands.
O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) acredita que o método de discussão
proposto pelo ministro Unger é bom, mas é preciso ver se, no
conteúdo, a proposta não vai privilegiar os pontos de vista de “centrais
sindicais chapa-branca”.
O Psol defende que nenhum direito trabalhista seja perdido com a reforma. O
partido ainda quer a redução da jornada de trabalho sem redução
dos salários, cautela na implantação de tecnologias que
possam acarretar demissões em massa, qualificação da mão-de-obra
e diminuição de diferenças entre os maiores e os menores
salários do país. Para Alencar o que vai pesar para definir se
a proposta vai sair do “blá-blá-blá” é a
mobilização social.
Criados no governo Lula, o Fórum Nacional do Trabalho e o da Previdência
Social não chegaram a objetivos práticos. A reforma trabalhista
não foi enviada ao Congresso. A reforma sindical acabou engavetada.
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Gazeta do Povo, 30 de abril de 2008
Pesquisa
Bom momento da economia favorece
Lula
Segundo cientistas políticos, o
sucesso dos programas sociais influencia a avaliação
positiva do presidente
Na pesquisa CNT/Sensus divulgada na segunda-feira, Lula quebrou o seu recorde
de popularidade pela quarta vez e atingiu o índice de 69,3% de aprovação.
Muito acima de qualquer um dos índices de aprovação do
presidente Fernando Henrique Cardoso no seu segundo mandato.
O segredo para Lula continuar em lua-de-mel com a população,
mesmo há seis anos no poder, está no sucesso dos programas sociais
e no bom momento da economia do Brasil e do cenário externo, avalia
Maria do Socorro Braga, professora do Departamento de Ciência Política
da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). “O Lula vive uma
conjuntura política e econômica na qual ele consegue implementar
os programas que foram suas bandeiras de campanha e isso o favorece. O eleitorado
tende a manter o sistema em que ele está se beneficiando”, diz.
O professor do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica
do Paraná (PUCPR) Masimo Della Justina considera que Lula está apenas
colhendo os frutos das reformas feitas por seus antecessores. “Quem faz
reformas econômicas, como Fernando Henrique fez, não é popular.
Só que reformas econômicas só aparecem lá na frente.
O caso do Lula se assemelha ao de Bill Clinton, que governou o maior período
de prosperidade econômico dos Estados Unidos, mas que foi fruto do trabalho
de governos anteriores”, analisa o professor.
Ele ainda lembra que o segundo mandato de Fernando Henrique foi marcado por
uma série de crises econômicas, que colocaram a economia brasileira à prova,
e isso influenciou negativamente para a sua popularidade. “O Lula não
pegou nenhuma crise financeira grave, a não ser essa norte-americana,
que ainda não teve reflexos fortes no Brasil. Imagino como seria a popularidade
do presidente Lula se ele tivesse pego o número de crises que o Fernando
Henrique pegou. Com certeza, bem menor do que a de hoje.”
Nos braços do povo
Para o professor, Lula peca por não usar o cenário favorável
que vive agora para fazer as reformas estruturais necessárias para o
desenvolvimento do país. Esse erro de Lula, segundo ele, deve começar
a aparecer em 2012. “Acho que até lá, os problemas nas
finanças públicas vão mostrar suas unhas e quem vai pagar
o preço disso é o sucessor do presidente, seja um aliado ou alguém
da oposição”, prevê o professor, que diz acreditar
ser mais interessante para o presidente voltar em 2018 e não tentar
a reeleição. “Se eu fosse o Lula, deixaria a oposição
ficar com a presidência em 2014, para conseguir voltar nas próximas
eleições nos braços do povo”, afirma.
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Folha
de São Paulo, 30 de abril de 2008
Crédito avança apesar de
juro maior e IOF
Volume de empréstimos concedidos pelos
bancos chega a 35,9% do PIB em março, a maior proporção
desde janeiro de 95
| Montante de R$ 992,7 bi é o maior da história, aponta Banco Central;
pelo 3º mês consecutivo, juros médios cobrados voltaram a subir
NEY HAYASHI DA CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Apesar da alta dos juros
e do aumento da carga de impostos que incide sobre as operações
de crédito, o volume de empréstimos feitos pelos bancos
continua subindo. Em março, a expansão de crédito
atingiu o maior nível da história, chegando a R$ 992,7
bilhões, valor que equivale a 35,9% do PIB (Produto Interno
Bruto), segundo o Banco Central.
Desde janeiro de 1995 essa proporção não atingia patamar
tão elevado. A expectativa do BC é que essa relação
chegue a 40% até o final do ano -o que, apesar de recorde, continuaria
abaixo da média observada em outros países emergentes, onde a
oferta de crédito chega a mais de 60% do PIB.
Impulsionados pela alta na carga de impostos que incide sobre as operações
de crédito, os juros cobrados nos empréstimos bancários
voltaram a subir no mês passado. Pesquisa feita pelo Banco Central mostra
que o custo médio de um financiamento passou de 37,4% ao ano para 37,6%
entre fevereiro e março. Foi o terceiro mês seguido de alta.
Para o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, o motivo
da alta dos juros é o aumento da alíquota de IOF (Imposto sobre
Operações Financeiras) sobre operações de crédito,
instituído no início do ano para compensar a perda de arrecadação
imposta ao governo pelo fim da CPMF.
Em abril, a alta do juro se concentrou no financiamento a empresas, segmento
em que a taxa média praticada pelos bancos ficou em 26,5% ao ano, contra
24,8% em fevereiro. Para pessoas físicas, ao contrário, o custo
de um empréstimo caiu de 49,0% ao ano para 47,8% -apesar de continuar
acima dos 43,9% de dezembro de 2007, antes da alta do IOF.
Segundo Lopes, a redução nos juros para pessoas físicas
reflete a maior procura por empréstimos com desconto em folha de pagamento,
que oferecem juros menores -o que colabora para a queda na taxa média
calculada na pesquisa. No caso das empresas, diz Lopes, as taxas foram afetadas
pelo novo aumento no IOF promovido no mês passado, atingindo as operações
de financiamento feitas com dinheiro que os bancos captam no exterior.
Mesmo com esses fatores favoráveis ao aumento dos juros, Lopes diz que
o crescimento da economia, com seus efeitos positivos sobre a renda da população,
continua fazendo com que a procura por empréstimos se mantenha elevada. "É uma
expansão que se dá de forma bastante generalizada, em todas as
modalidades de crédito."
Já o economista Giuliano Contento de Oliveira, professor da PUC-SP,
afirma que a tendência de expansão do crédito pode ser
afetada pela alta da taxa Selic esperada para os próximos meses. Neste
mês, o Banco Central já promoveu uma elevação de
0,5 ponto percentual nos juros básicos da economia, e a expectativa
do mercado é a de que novas altas ocorram nos próximos meses.
Para Oliveira, uma alta da Selic vai estimular as instituições
financeiras a destinar um volume maior de recursos para aplicações
em títulos públicos corrigidos por essa taxa, sobrando menos
dinheiro para ser destinado a empréstimos. "No Brasil, os bancos
ganham tanto com juros altos quanto com juros baixos", afirma.
O economista diz que o crescimento mais moderado do crédito disponível
no país deverá afetar também o ritmo de crescimento do
PIB. "Vai haver algum impacto [no nível de atividade], até porque
o desaquecimento do mercado de crédito vai se somar à desaceleração
da economia mundial."
Números fechados pelo BC no último dia 15 mostram que, pelo menos
neste mês, os sinais continuam sendo de expansão do crédito.
Segundo esse levantamento parcial, o saldo de empréstimos ofertados
pelos bancos cresceu 2,2% no período em relação a março.
Já os juros praticados apresentaram um recuo de 0,2 ponto percentual,
caindo para 37,4% ao ano.
Esses dados parciais mostram ainda uma queda da taxa de juros, que passou,
na média, de 37,6% para 37,4% ao ano.
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Folha
de São Paulo, 30 de abril de 2008
Ministro quer "desoneração
radical"
Mangabeira Unger fecha as diretrizes do que chama
de "reconstrução das relações trabalho/capital" |
Desoneração não virá de "mão
beijada", diz ministro; idéia é que alívio
sobre a folha tenha "contrapartidas" por parte das empresas
IURI DANTAS
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo começou a delinear uma nova proposta de reforma trabalhista
e sindical. Depois de seis meses de discussão, o ministro extraordinário
de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, fechou as diretrizes do
que chama de "reconstrução das relações trabalho/capital" e
planeja enviar, a partir de 2009, um conjunto de mudanças ao Congresso
Nacional. O ponto de partida deverá ser a "desoneração
radical" da folha de pagamento.
Em entrevista à Folha, Mangabeira afirmou que a desoneração
não virá de "mão beijada". A idéia é que
o alívio tributário seja acompanhado de "contrapartidas" por
parte do empresariado, o que inclui a criação de um regime especial
para trabalhadores terceirizados e temporários, a participação
efetiva dos trabalhadores no lucro das empresas e o acesso à contabilidade
das corporações.
Também está prevista a criação da figura do "agente
sindical", que será um representante dos sindicatos nas unidades
fabris. "Essa é uma obra em construção. Ainda não é uma
proposta nem do governo nem do presidente Lula. Também não é um
amontoado de propostas: é um projeto global, coerente, que se transformará em
uma agenda legislativa gradual", disse o ministro.
O estudo de Mangabeira foi apresentado a Lula na semana passada em reunião
com as centrais sindicais. A ordem agora é aprofundar os debates até que
a proposta seja "decantada" e testada pela opinião pública. "Vamos
consultar e discutir. Será uma consulta orientadora e não uma
negociação", adianta o ministro, deixando claro que o governo
não pretende ceder aos interesses corporativos.
A proposta de reforma apresentada por Mangabeira ainda não foi encampada
pelo governo, nem mesmo por Lula, que autorizou apenas a sua divulgação.
No início do primeiro mandato, Lula criou o Fórum Nacional do
Trabalho para discutir a reforma sindical e trabalhista. O grupo também
chegou a propor uma mudança na estrutura sindical, mas a reforma não
avançou no Congresso por falta de consenso entre trabalhadores e empresários.
O fórum ensaiou debater ainda a reforma trabalhista, mas novas divergências
acabaram sepultando os trabalhos.
Imprudência e injustiça
Embora a reforma tributária elaborada pela área econômica,
que está em tramitação no Congresso, já trate da
desoneração da folha de pagamento, o ministro critica a iniciativa.
" A desoneração da folha de pagamento não pode ser
feita de mão beijada. Nem pode ser discutida pelo aspecto tributário.
Isso é imprudência e injustiça", declara Mangabeira,
acrescentando que a medida só faria sentido ao seguir uma "lógica
das contrapartidas".
O ministro classifica sua proposta de desoneração radical, pois
não seria acompanhada de uma transferência da tributação
da folha para o faturamento das empresas. O financiamento da Previdência
Social passaria a ser feito pelos tributos gerais, como também defende
o Ministério da Fazenda.
Segundo o projeto de Mangabeira, o objetivo das mudanças é reduzir
a informalidade, reverter a queda da participação dos salários
na renda nacional e reformar a estrutura sindical existente no país.
" Não tivemos uma grande obra institucional desde Getúlio
Vargas. O modelo atual foi construído na ditadura, em meio a uma crise
econômica e uma guerra", disse o ministro.
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Folha de São Paulo, 30 de abril de 2008
Para centrais, proposta reflete reivindicações
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
DA REPORTAGEM LOCAL
O presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Artur Henrique,
afirmou que várias das propostas colocadas pelo projeto do ministro
Mangabeira Unger fazem parte da pauta de discussões da central há anos.
De acordo com ele, nas conversas com o ministro, a central apresentou esses
pleitos, que não considera nem uma reforma trabalhista nem sindical.
" Os pontos apresentados, em linhas gerais, são fundamentais e colocam
o tema trabalho de volta à agenda do país. A questão é que
o perigo mora nos detalhes", disse Henrique, referindo-se aos próximos
passos da reforma.
Já o secretário-geral da Força Sindical, Luiz Carlos Gonçalves,
afirma que a central entrará nessa discussão disposta a garantir
a inserção do Brasil no mercado de trabalho global, o que inclui
redução de custos e aumento de produtividade.
" A proposta do ministro é muito positiva porque não fala
em tirar direitos. Trata de questões importantes, como a incorporação
de trabalhadores ao mercado e a valorização do salário na
renda nacional", disse Gonçalves.
A Fecomercio SP (Federação do Comércio do Estado de São
Paulo) interpretou a proposta como "intenção de flexibilizar" a
legislação. Para a assessora jurídica da entidade, Ana
Paula Locoselli, porém, uma reforma ideal condicionaria os direitos
trabalhistas às negociações coletivas. "Hoje, a questão
trabalhista está engessada."
Procurada pela reportagem, a Fiesp (Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo) afirmou que irá analisar o documento
antes de se pronunciar.
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Gazeta do Povo, 30 de abril de 2008
Imposto de Renda
Prazo para declarar termina hoje
Receita Federal espera receber 24,5 milhões
de documentos. Ontem o órgão recebia, em média,
66 documentos por segundo
O contribuinte que ainda não acertou as contas com o Leão tem
apenas mais algumas horas para fazer isso. O prazo para envio da declaração
do Imposto de Renda termina às 20 horas de hoje, para quem tem a intenção
de enviar os dados pela internet – utilizando o programa Receitanet.
Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo

Cláudia, da Receita: multa para quem não entregar
declaração até as 20 horas.
Quem vai entregar a declaração em formulário de papel
deve fazer isso nas agências dos Correios, até o horário
de fechamento. Se a opção for pela entrega em disquete, o contribuinte
precisa ir até uma agência do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica
Federal até às 16 horas, horário em que elas fecham as
portas.
Até o fim da tarde de ontem, a Receita Federal havia recebido 21,5 milhões
de declarações – de um total esperado de 24,5 milhões.
No Paraná, já foram entregues 1,35 milhão de documentos
e o total estimado é de 1,57 milhão.
A supervisora do Imposto de Renda para o Paraná e Santa Catarina, Cláudia
do Nascimento Thomaz, diz que o ritmo de entrega é semelhante ao do
ano passado. “Estamos recebendo, em média, 66 declarações
por segundo e o sistema está suportando muito bem”, diz. “Mas
no ano passado, o último dia foi o que mais recebemos declarações.
Se muita gente deixar para enviar os dados a partir das 19 horas de amanhã (hoje),
podemos ter alguma lentidão.”
Quem se enquadra em uma das regras da Receita Federal que obrigam a prestação
de contas, mas não enviar os dados ainda hoje, estará sujeito
a multa de pelo menos R$ 165,74 – o valor corresponde a 1% do imposto
devido ao mês.
Além disso, quem não entregar a declaração no futuro
pode ter problemas para abrir conta em bancos, abrir uma empresa ou mesmo tomar
empréstimos – pois poderá ter o CPF bloqueado.
Obrigatoriedade
Deve prestar contas com o Fisco quem teve rendimentos tributáveis acima
de R$ 15.764,28 no ano passado, ou rendimentos isentos e não-tributáveis
superiores a R$ 40 mil. Também é obrigado a declarar aquele que
tinha bens com valor superior a R$ 80 mil em 31 de dezembro de 2007, quem realizou
operações em bolsa ou quem participou de quadro acionário
de empresas (mesmo inativas).
Pagamento
Também termina hoje o prazo para pagamento da primeira parcela do imposto
devido – ou a cota única, para quem não optou pelo parcelamento.
Para isso, é preciso utilizar a Darf emitida pelo próprio programa
da Receita Federal. A segunda cota vence em 30 de maio e, sobre ela, incide
juro de 1%.
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O ESTADO DO PARANÁ,
30 de abril de 2008 | Política
Assembléia vota projeto de reajuste
dos servidores
Elizabete Castro
A proposta de reajustar em 4,97%
os salários dos servidores públicos estaduais começou
a ser analisada ontem, 29, na Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) da Assembléia Legislativa.
A vinculação do
pagamento da correção à disponibilidade financeira
do governo já provocou o primeiro obstáculo à votação
do projeto. Alguns deputados solicitaram vista ao projeto para propor
emendas à proposta, que volta hoje à discussão em
reunião extraordinária da CCJ.
O deputado Tadeu Veneri (PT),
um dos que pediu vista à matéria, vai propor emenda determinando
o mês de maio como a data para o pagamento da correção.
Outra emenda de Veneri estabelece que o reajuste também será extensivo
aos aposentados, mesmo que estes não tenham o direito à paridade
plena existente desde 1988 e que foi mantida para parte dos aposentados
e pensionistas na reforma da previdência, em 2003.
O deputado Mauro Moraes (PMDB)
defende reposições maiores aos policiais e professores.
A proposta de Moraes é que as duas categorias tenham reajuste
de 19%, o equivalente ao aumento do piso regional, cujo reajuste foi
votado ontem em terceira discussão pela Assembléia Legislativa.
Sem amarras
O líder do governo, Luiz
Claudio Romanelli (PMDB), disse que ao condicionar o pagamento à arrecadação,
o governo do Estado está cumprindo a Lei de Responsabilidade Fiscal
(LRF), que limita os gastos de pessoal a uma parcela da receita dos impostos.
Romanelli defende ainda a supressão de um artigo que possibilita
ao governo pagar os reajustes conforme o cronograma do ano passado, quando
as diversas categorias tiveram seus salários reajustados em períodos
diferentes. Em 2006, os primeiros a serem contemplados foram os professores
das escolas públicas estaduais, no mês de maio.
Romanelli acha que nem mesmo
esse referencial deve constar do projeto. Ele disse que irá consultar
as secretarias do Planejamento, Fazenda e Administração
para verificar se é possível suprimir o artigo, para não
amarrar o caixa do governo a um compromisso financeiro.
O deputado Reni Pereira (PSB)
estuda apresentar outra proposta de mudança estabelecendo que
o reajuste deve incidir sobre o salário integral do servidor e
não apenas sobre a parcela básica da remuneração,
em que não são consideradas vantagens e gratificações.
O reajuste proposto pelo
governo corresponde ao acumulado do Índice de Preços
ao Consumidor Amplo (IPCA), entre maio de 2007 e abril deste ano. O
impacto na folha de pagamento será da ordem de R$ 26 milhões,
quando todas as categorias tiverem seus salários corrigidos.
Em março deste ano, a folha de pagamento do governo custou R$
529 milhões. O reajuste previsto na mensagem não se aplica às
folhas de pagamento das empresas públicas, sociedades de economia
mistas, que têm autonomia para corrigir os salários de
seus funcionários.
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Folha
de São Paulo, 30 de abril de 2008
PF desbarata em MT esquema de comércio
ilegal de madeira
Dos 67 mandados de prisão expedidos na
Operação Termes, 29 são para servidores | Segundo
a polícia, grupo corrompia funcionários públicos
e levava para Sul e Sudeste madeira extraída ilegalmente da Amazônia
Otmar de Oliveira/"Gazeta
de Cuiabá"

Agentes da Polícia Federal, em Cuiabá, durante operação
contra comércio ilegal de madeira
RODRIGO VARGAS
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CAMPO GRANDE
A Polícia Federal
deflagrou ontem, em 14 municípios de Mato Grosso, uma operação
para combater a extração e o comércio ilegal
de madeira.
Dos 67 mandados de prisão expedidos pela Justiça Federal, 29
se referiam a servidores de órgãos públicos como a Sema
(Secretaria Estadual do Meio Ambiente), a Dema (Delegacia Estadual do Meio
Ambiente), o Indea (Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso)
e a Polícia Rodoviária Federal.
Todos são suspeitos de envolvimento em um esquema de propinas que, segundo
a PF, assegurava o livre trânsito de madeira extraída ilegalmente
da Amazônia para as regiões Sul e Sudeste -São Paulo e
Santa Catarina, principalmente.
Batizada como Termes -segundo a PF, em referência à expressão
latina que quer dizer vermes e está na origem da palavra portuguesa
térmite, ou cupim-, a operação mobilizou 250 policiais
federais e 20 homens da Força Nacional de Segurança. Foram cumpridos
58 mandados de busca e apreensão e, até a conclusão da
edição, 61 pessoas haviam sido presas, entre servidores, policiais,
madeireiros e despachantes.
Segundo a PF, o esquema funcionava por meio de três focos de corrupção
independentes. O primeiro deles funcionava na Sema, onde a propina servia,
principalmente, para acelerar o trâmite de projetos de exploração
de madeira.
" Cadastramentos eram concluídos em dois dias, quando o prazo normal é de
40 dias, em média", disse o delegado da PF Carlos Eduardo Fistarol,
que chefiou a investigação.
De posse de licenciamentos para a exploração legal de madeira,
os madeireiros usavam esses documentos para "esquentar" a produção
retirada de forma ilegal. Para evitar que a fraude fosse descoberta -as autorizações
e a nota fiscal especificam a variedade de madeira-, havia o pagamento a servidores
do Indea, responsáveis pela identificação da madeira contida
nas cargas.
O terceiro núcleo funcionava na Polícia Rodoviária Federal
e, segundo a PF, envolvia ao menos dez agentes. Cooptados pela advogada Silvana
Moura Valente, ex-mulher de um policial rodoviário, liberavam caminhões
apreendidos com cargas de madeira irregular, diz a PF.
" Demonstra-se assim (...) a atuação dos servidores públicos,
intermediários e madeireiros, voltada à fraude ao controle estatal
no tocante aos produtos florestais, tanto no procedimento inicial para a exploração
dos mesmos quanto em sua comercialização final, quando a madeira é classificada",
diz despacho do juiz Julier Sebastião da Silva, da 1ª Vara da Justiça
Federal, ao decretar as prisões.
A investigação começou em maio de 2007 e não flagrou
só crimes ambientais. Por escutas, a PF descobriu que policiais rodoviários
federais tramavam um homicídio, que acabou concretizado. A descoberta
levou à abertura de outro processo.
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Agência Câmara,
30 de abril de 2008
OIT: Brasil é destaque na promoção
do trabalho decente
A coordenadora da área de Igualdade de Gênero e Raça da
Organização Internacional do Trabalho (OIT), Solange Sanches,
disse nesta terça-feira que o Brasil será apresentado como "caso
exemplar" na implementação da Agenda do Trabalho Decente
na próxima Conferência Internacional do Trabalho, que se realizará em
Genebra (Suíça) em junho deste ano. A distinção
que a OIT vai conferir ao País deve-se ao alcance do debate sobre o
trabalho decente, "obtido em razão dos esforços das instâncias
governamentais".
A Agenda do Trabalho Decente é uma
iniciativa da OIT para promover direitos fundamentais dos trabalhadores
do mundo todo como condição fundamental para superação
da pobreza, redução das desigualdades sociais, garantia
da governabilidade democrática e desenvolvimento sustentável.
A Comissão de Trabalho, Administração e Serviço
Público realizou audiência pública hoje com representantes
de órgãos diretamente vinculados à implantação
da Agenda do Trabalho Decente no Brasil.
A representante da OIT afirmou
que o trabalho decente implica a ampliação e a melhoria
de qualidade dos postos de trabalho e a garantia de igualdade de oportunidades.
Segundo ela, outro aspecto do conceito é a proteção
da saúde dos trabalhadores e da incolumidade do meio ambiente
do trabalho. "Nenhum país vai conseguir alcançar o
desenvolvimento se não for capaz de assegurar trabalho decente
para todos", disse.
Grupo
tripartite
O Assessor Especial do Ministério do Trabalho e Emprego, Mário
dos Santos Barbosa, explicou que o Brasil assinou em 2003 um memorando com
a OIT visando à implantação da Agenda do Trabalho Decente
no Brasil. Hoje trabalham no projeto, entre outros órgãos, um
comitê executivo e um grupo de trabalho interministerial. Os objetivos
incluem o fortalecimento do diálogo entre "atores tripartites" (empregadores,
trabalhadores e integrantes do governo) para fechar metas prioritárias,
como a erradicação do trabalho escravo e do trabalho infantil
e a geração de empregos de qualidade.
De acordo com o vice procurador-geral
do Ministério Público do Trabalho, Jeferson Luiz Pereira
Coelho, a instituição vem tentando estimular o trabalho
decente "de maneira construtiva e não apenas repressiva".
O órgão, disse Coelho, estruturou-se em todo o País
com base em coordenadorias temáticas em torno em preceitos fundamentais
estabelecidos no âmbito da OIT. Essas divisões se especializam,
por exemplo, no combate ao trabalho escravo, à discriminação
no trabalho, à degradação do meio ambiente do
trabalho, entre outros temas considerados prioritários.
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Agência Câmara,
30 de abril de 2008
Ministro aponta falta de recurso para
elevar gasto no INSS
Gilberto Nascimento

Paulo Bernardo criticou o projeto que extingue o fator previdenciário
e o que estende a aposentados os mesmo reajustes do salário
mínimo.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse nesta terça-feira,
em audiência na Comissão Mista de Orçamento, que não
há recursos para cobrir as despesas geradas por dois projetos de lei
aprovados no início do mês pelo Senado que aumentam os gastos
com benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e que agora
tramitam na Câmara.
O Projeto de Lei 3299/08, do
senador Paulo Paim (PT-RS), extingue o fator previdenciário, fórmula
aplicada no momento do pedido de aposentadoria para calcular o valor
do benefício de acordo com a idade e o tempo de contribuição
do segurado. O segundo é o substitutivo do Senado ao PL 1/07,
do Executivo, que estende a todos os aposentados do INSS os mesmos reajustes
concedidos ao salário mínimo. Combinadas, as duas propostas
pressionarão os gastos da Previdência.
"Nossa posição é que
eles [os projetos] não são sustentáveis, a não
ser que tenhamos uma fonte ou um grande corte de despesas equivalentes
em outras áreas", disse o ministro. Ele não quis adiantar
se o governo vai recomendar que a base aliada vote contra as propostas.
No último dia 14, o presidente da Câmara, deputado Arlindo
Chinaglia, disse que os dois projetos estão entre as prioridades
do Plenário tão logo a pauta seja destrancada.
Saúde
Em relação à regulamentação da Emenda Constitucional
29/00, outra prioridade elencada por Chinaglia, o ministro do Planejamento
disse que o governo aceita negociar a proposta, que deve aumentar os recursos
para a saúde. "É de interesse do governo achar uma solução
para a saúde", disse o ministro. A Emenda 29 fixa os gastos mínimos
com ações de saúde pública.
A regulamentação
está prevista em um projeto do senador Tião Viana (PT-AC),
aprovado no também no início do mês. A previsão é de
que a aprovação injete R$ 20 bilhões no orçamento
da saúde, divididos entre a União, os estados e os municípios.
A matéria só não foi enviada à Câmara
porque foi detectado, após a aprovação, erro em
um dispositivo que pode reduzir os recursos para a saúde, em vez
de aumentar. A matéria será analisada novamente e há acordo
entre os senadores para votar apenas a parte errada.
Regra
Paulo Bernardo compareceu à Comissão de Orçamento para
tratar do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para
o próximo ano (PLN 1/08). Ele defendeu a manutenção do
artigo que autoriza o Executivo a gastar 3/12 das despesas discricionárias
caso o Congresso não aprove a lei orçamentária de 2009
até o dia 22 de dezembro deste ano. "Com a regra, teremos o orçamento
garantido até março. Acho que é razoável",
disse o ministro.
Ele lembrou que o governo
e o Congresso estão negociando uma redução na
edição de medidas provisórias para a abertura
de créditos extraordinários. Caso isso aconteça,
o Executivo perderá o instrumento básico para a liberação
de recursos na ausência do orçamento. Daí, na opinião
dele, a importância de preservar uma "regra de antevigência". "Precisaremos
ter uma salvaguarda", disse.
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Folha de São Paulo, 30 de abril de 2008
REAJUSTE
Salário mínimo de R$
450 vale amanhã em SP
DO "AGORA"
A Assembléia Legislativa aprovou ontem o projeto de lei do governo do
Estado que reajusta o salário mínimo regional -piso para trabalhadores
sem convenção coletiva. A primeira faixa foi de R$ 410 para R$
450 e beneficia domésticas e motoboys.
A segunda passou de R$ 450 para R$ 475 e vale para operadores de telemarketing
e pedreiros. A terceira foi de R$ 490 para R$ 505 e deve ser paga para trabalhadores
de serviço de higiene e saúde.
Os novos valores valem amanhã, já que o governador José Serra
(PSDB) sancionou o projeto ontem à noite.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
30/04/2008
Acusar empregado sem provas resulta em dano
moral
Acusar o empregado por delito,
sem a devida prova e, ainda por cima, dar ampla divulgação
ao fato, pode configurar motivo suficiente para anular demissão
por justa causa e determinar o pagamento de indenização
por dano moral. Este é o resultado de um julgamento de recurso
na Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, em voto do ministro
Vieira de Mello Filho.
O caso iniciou com a demissão
de um empregado da Transportadora Landa Rio Ltda, do Rio de Janeiro.
Sob o argumento de que ele teria confessado, em depoimento à polícia,
sua participação em esquema montado para desvio de mercadoria,
a empresa o dispensou por justa causa. Em ação movida contra
a transportadora, o ex-empregado obteve sentença favorável,
determinando a anulação da justa causa e o pagamento de
indenização por dano moral.
Para fundamentar sua decisão,
o juiz da 19ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro levou em conta,
principalmente, três fatores. O primeiro: a impugnação
do documento apresentado pela empresa, contendo o depoimento do empregado,
que alegou tê-lo assinado sob ameaça de tortura. O segundo
fator: a falta de identificação e assinatura das autoridades
que ouviram o depoimento. Terceiro: o fato de que a empresa não
atendeu determinação para apresentar, em 30 dias, cópia
de inquérito ou ação penal contendo provas conclusivas
sobre suas acusações.
Em recurso da empresa, o Tribunal
Regional do Trabalho da 1ª Região (RJ) reformou a sentença
parcialmente: manteve a anulação da justa causa, mas excluiu
a condenação por dano moral. Isso levou o autor da ação
a entrar com recurso, na tentativa de retomar a sentença original.
Após vê-lo rejeitado pelo TRT, ele apelou ao TST, apontando
violação de dispositivos constitucionais e do Código
Civil.
Para fundamentar seu voto, o
relator da matéria, ministro Vieira de Mello Filho, considerou
a própria decisão do TRT, segundo a qual a demissão
por justa causa exige prova “robusta e insofismável”,
especialmente quando a acusação se refere a ato de improbidade,
que gera graves conseqüências na vida do acusado. O ministro
acentua que o TRT usou a mesma linha de julgamento para anular a justa
causa (em benefício do empregado) e revogar a reparação
por dano (em benefício da empresa). Assim, conclui, o juiz esqueceu-se
das “graves conseqüências” que mencionara.
Para Vieira de Mello, a
postura da empresa foi agravada ao permitir que suas acusações
ou desconfianças – não comprovadas – fossem
divulgadas entre os colegas de trabalho do empregado, violando direitos
constitucionalmente previstos, como a honra e a imagem. “Tal
atitude denota, no mínimo negligência da empregadora no
trato de tais questões, já que em algumas ocasiões é a
própria reclamada que dá publicidade às acusações
para servir de exemplo aos demais empregados, o que não restou
provado neste caso”, assinala. (AIRR-2111/1999-019-01-40.8)
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30/04/2008
Empresa de seguros é responsável
subsidiária por corretor terceirizado
A Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho negou provimento a recurso interposto pela Valor
Capitalização S/A, por considerá-la responsável,
subsidiariamente, pela inadimplência das obrigações
trabalhistas da tomadora de serviços, Raely Corretora de Seguros
Ltda., em processo movido por empregado, contratado por esta, para prestar
serviços à Valor.
O empregado foi contratado pela
corretora em dezembro de 2002 para exercer, pessoalmente, as funções
de vendedor, por meio de operações de telemarketing. Embora
efetuasse as vendas por telefone na sede da empresa, os títulos
de capitalização negociados pertenciam à Valor Capitalização.
A partir de agosto de 2003, passou a supervisor de vendas e recebia comissões
pelo montante dos valores negociados por seus vendedores sob sua supervisão.
Além de comercializar somente os produtos da Valor, era obrigado
a cumprir metas mensais.
Demitido onze meses após
sua admissão, o empregado ajuizou reclamação trabalhista
em que pediu a declaração do vínculo empregatício
com a seguradora e as demais verbas daí decorrentes. A 6ª Vara
do Trabalho de Campinas (SP) julgou procedente, em parte, o pedido e
condenou as duas empresas (a Valor Capitalização na condição
de responsável subsidiária) ao pagamento das verbas pleiteadas.
“Acordo operacional”
A Valor recorreu ao Tribunal
Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas), que constatou
a existência de um contrato celebrado pelas empresas, denominado “acordo
operacional”, cujo objeto era a prestação de serviços
de divulgação, distribuição e comercialização,
pela empresa ou seus prepostos, de títulos de capitalização
emitidos e operados pela Valor – e concluiu que a comercialização
dos títulos deveria ser obrigatoriamente feita pela empresa contratada,
com seus próprios recursos e sem qualquer despesa ou custo para
si.
Em sua defesa, a Valor sustentou
não ser permitido às empresas de capitalização
contratar corretores ou vendedores de seus títulos, na qualidade
de empregados. Segundo a empresa, não há qualquer irregularidade
na forma convencionada entre as partes para a venda de seus produtos,
o que afastaria a aplicação da responsabilidade subsidiária,
razão pela qual recorreu ao TST.
O relator do processo, ministro
Alberto Bresciani, observou que a jurisprudência do TST (Súmula
nº 331), ao impor ao tomador de serviço a responsabilidade
pelo inadimplemento das obrigações trabalhistas do empregador
efetivo, busca resguardar o trabalhador, atrelado a uma relação
triangular, vinculado a duas empresas que se beneficiam de sua força
de trabalho. “A desvinculação da forma que se possa
dar à contratação efetuada pelas duas empresas – da
qual o empregado obviamente não participa – atende aos princípios
da realidade e da proteção, regentes genuínos do
Direito do Trabalho”.
Seguindo o voto do relator,
a Turma entendeu aplicar-se ao caso a incidência do disposto
no item IV da Súmula 331 do TST: “se o empregador que
terceiriza suas atividades não tem condições de
arcar com as obrigações correspondentes ao vínculo
de emprego que ajustou, que se beneficiou do trabalho dos seus empregados
assume, ainda que subsidiariamente, tais obrigações”.
(RR-2456/2003-093-15-00.8)

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Ministério
do Trabalho e Emprego
GABINETE DO MINISTRO
PORTARIA No- 210, DE 29 DE ABRIL DE 2008
O
MINISTRO DE ESTADO DO TRABALHO E EMPREGO, no uso
da atribuição que lhe confere o art. 87, parágrafo único,
inciso II, da Constituição Federal, e tendo
em vista o disposto no § 2º do art. 13 da Consolidação
das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei no
5.452, de 1o de maio de 1943, resolve:
Art.1o
A Carteira de Trabalho e Previdência Social – CTPS
Informatizada será confeccionada segundo as disposições
desta Portaria.
Art.
2o A CTPS Informatizada terá capa na cor azul e conterá na
segunda contracapa do documento a letra do Hino Nacional Brasileiro.
§ 1o Será incorporado à CTPS Informatizada código de
barras no padrão "2/5 interleaved," com o número do PIS
do trabalhador.
§ 2o O número de páginas da CTPS Informatizada será de
34 páginas, na seguinte disposição:
I - páginas 01 e 02 - identificação
do trabalhador;
II - página 03 - alteração de identidade;
III - páginas 04 e 05 - profissões regulamentadas;
IV -página 06 - dados pessoais do trabalhador e
carteiras anteriores;
V - páginas 07 a 16 - contrato de trabalho;
VI - páginas 17 e 18 - alterações de salário;
VII - páginas 19 e 20 - anotações de férias;
VIII - páginas 21 a 29 - anotações
gerais;
IX - página 30 - anotações para uso do Ministério
do Trabalho e Emprego - MTE; e
X - páginas 31 a 34 - anotações para uso da Previdência
Social - Instituto Nacional do Seguro Social - INSS.
§ 3o Integrará a CTPS Informatizada um cartão denominado Cartão
de Identificação do Trabalhador - CIT.
Art.
3o O CIT conterá as seguintes informações:
I - nome do solicitante;
II - filiação e data de nascimento;
III - Número e série da CTPS;
IV - naturalidade;
V - número do Cadastro de Pessoa Física - CPF, do Ministério
da Fazenda;
VI - número da CI e órgão expedidor ou n.° certidão
nascimento;
VII - número do PIS/PASEP;
VIII - assinatura, Impressão digital e foto do solicitante;
IX - data de expedição do CIT; e
X - assinatura eletrônica do Ministro de Estado do
Trabalho e Emprego.
Art.
4o O art. 1o da Portaria no 01, de 28 de janeiro de 1997, passa
a vigorar com a seguinte redação:
"Art.
1o A Carteira de Trabalho e Previdência Social – CTPS
será emitida exclusivamente por pessoal habilitado e
credenciado pelas Superintendências Regionais do Trabalho
e Emprego - SRTE e será entregue ao interessado no prazo
mínimo de 02 ( dois) e máximo de 15 (quinze)
dias úteis, contado a partir da data constante do protocolo
de requerimento, mediante apresentação de 01(uma)
foto 3X4, fundo branco, com ou sem data, colorida e recente,
que identifique plenamente o solicitante; comprovante de residência
e outro documento oficial de identificação pessoal
do interessado, original ou por meio de cópia autenticada
em cartório, que contenha os seguintes
dados:
I
- nome do solicitante;
II - local de nascimento e estado;
III - data de nascimento;
IV - filiação; e
V - nome, número do documento e órgão emissor.
§ 1o Além de apresentar os documentos exigidos no caput deste artigo,
o trabalhador não cadastrado no sistema PIS/PASEP deverá apresentar
obrigatoriamente o CPF.
§ 2o Quando da emissão da primeira via da CTPS, o cadastramento no
sistema PIS/PASEP será de competência das Superintendências
Regionais do Trabalho e Emprego e, quando couber, pelas Gerências Regionais
do trabalho e Emprego e Unidades Descentralizadas de Emissão de CTPS Informatizada.
§ 3o A CTPS Informatizada fornecida aos brasileiros será O modelo
com capa azul e aos estrangeiros com capa verde, e serão emitidas com
numeração e seriação únicas para todo o país." (NR)
Art.
5o Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
CARLOS
LUPI
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