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Agência Câmara,
1º de maio de 2008
Proposta facilita pagamento de abono
salarial
João Magalhães disse que não
faz sentido impor burocracia para o trabalhador receber o dinheiro
A Câmara analisa proposta que facilita o pagamento do abono salarial
anual de um salário mínimo para os trabalhadores e dos
rendimentos dos integrantes do Fundo de Participação PIS/Pasep,
permitindo que ocorra em folha de salário ou em conta bancária
definida pelo beneficiário (sem necessidade de o cidadão
ir pessoalmente a uma agência bancária para receber o dinheiro).
A medida está prevista no Projeto de Lei 2711/07, do deputado
João Magalhães (PMDB-MG).
De acordo com a Lei 7.798/90, têm direito ao abono
os empregados que estejam cadastrados há pelo menos
cinco anos no PIS/Pasep ou no Cadastro Nacional do Trabalhador;
e que tenham recebido, de empregadores que contribuem para
o Programa de Integração Social (PIS) ou para
o Programa de Formação do Patrimônio
do Servidor Público (Pasep), até dois salários
mínimos médios de remuneração
mensal no período trabalhado, e exercido atividade
remunerada pelo menos durante 30 dias no ano-base.
O projeto determina que o pagamento do abono salarial e
dos rendimentos será feito pela Caixa Econômica
Federal (CEF) e pelo Banco do Brasil (BB), de acordo com
cronograma específico. O pagamento independerá de
requerimento do beneficiário e os valores devidos
deverão estar disponíveis para saque em agência
bancária, independentemente do domicílio de
inscrição.
O texto define ainda que o pagamento poderá ser feito
diretamente em folha de salário, por intermédio
de convênios celebrados entre os empregadores e os
agentes pagadores; ou deverá ser depositado em conta
do beneficiário, no banco e na agência designados,
caso ele assim prefira.
Informatização
Para o autor do projeto, "o dinheiro do PIS/Pasep é dos
trabalhadores e não faz sentido manter a rotina burocrática
de o cidadão ter de ir pessoalmente à agência da
CEF ou do BB para receber o seu dinheiro".
Ele argumenta que os trabalhadores de renda mais baixa também
poderão ser beneficiados, pois a CEF possui um formato
de conta corrente específica para esse público,
sem custos. "Portanto, os deslocamentos e a burocracia
para recebimento do abono e dos rendimentos poderiam ser
reduzidos a uma única vez, quando da abertura da conta",
afirma.
João Magalhães ressalta que o avanço
da informatização bancária tornou simples
e baratas as movimentações financeiras entre
as instituições. "Portanto, consideramos
um atraso não propiciar aos beneficiários do
PIS/Pasep essa ferramenta, a exemplo do que já faz
a Receita Federal, quando da devolução do imposto
retido", acrescenta.
Tramitação
O projeto será analisado em caráter conclusivo pelas
comissões de Trabalho, de Administração e Serviço
Público; de Finanças e Tributação; e de
Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:
- PL-2711/2007
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Agência Senado, 1º de
maio de 2008
Garibaldi diz que trabalhador
já poderia ter conquistado lei trabalhista mais moderna

O presidente do Senado, Garibaldi Alves, declarou, na manhã desta
quarta-feira (30), que o trabalhador brasileiro já poderia ter
conquistado uma lei trabalhista mais moderna, capaz de proporcionar-lhe
mais direitos e deveres. Na mesma entrevista, ele reconheceu que o trabalhador
brasileiro está hoje mais organizado, inclusive em razão
da atuação das centrais sindicais. Garibaldi foi questionado
por jornalistas sobre a baixa freqüência de senadores e deputados
ao Congresso, às vésperas do feriado do Dia do Trabalho.
- Eu já estou ficando repetitivo com essa ladainha
de que, de um lado, as medidas provisórias, e de
outro, os próprios senadores concorrem para que
a pauta fique trancada e não se vote. Acho que não
se deve esperar por uma decisão do Supremo Tribunal
Federal sobre as medidas provisórias. O Supremo
tem seu ritmo, a sua dinâmica. O Congresso também
tem seu ritmo. Nenhum poder pode atrelar o outro - declarou.
Questionado por que, na terça-feira (29), nem a
base oposicionista nem a governista deram quórum
para votação em Plenário, o presidente
do Senado reconheceu que o esvaziamento verificado nesta
semana é proporcionado pelo feriado de 1º de
maio e pela obstrução da pauta.
- Os parlamentares dizem que "se não for para
votar eu não vou lá". Então isso é realmente
uma coisa que precisa ser corrigida urgentemente.
Ante a observação dos jornalistas de que
em maio há mais um feriado, enquanto em junho estão
previstas as festas juninas, que atraem vários parlamentares
a seus estados, Garibaldi disse que não considera
o ano perdido. E lembrou que algumas matérias relevantes
já foram votadas em 2008, informando ainda que alguns
partidos já lhe enviaram listas de matérias
que consideram consensuais para votar neste semestre.
Garibaldi também respondeu a uma pergunta dos jornalistas
sobre divergência de opinião com o presidente
da Câmara, Arlindo Chinaglia, a respeito do papel
hoje exercido pela imprensa como caixa de ressonância
da sociedade. Chinaglia disse não admitir que a
imprensa paute o Legislativo, o que, na opinião
do presidente do Senado, é exatamente o que está acontecendo
atualmente.
- Hoje de manhã, conversei com Chinaglia sobre
isso e ele me disse que foi mal interpretado. Ele também
comunga de uma certa maneira do entendimento de que a parceria
entre imprensa e Parlamento já foi maior. O Parlamento
tem-se mostrado pouco vigoroso, e quantas lutas estão
aí que juntaram a imprensa e o Parlamento, como
a campanha da anistia. E, se remontarmos ao passado, veremos
exemplos muito maiores - acrescentou.
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Agência Senado, 1º de
maio de 2008
Calixto defende eliminação
de discriminações contra os negros

Durante audiência pública que discutiu, nesta quarta-feira
(30), na Comissão de Direitos Humanos e Legislação
Participativa (CDH), questões relativas à situação
dos negros no mercado de trabalho, o presidente da Nova Central, José Calixto
Ramos,representando as centrais sindicais brasileiras, afirmou ser contrário à concessão
de direitos especiais a esse segmento da população. O sindicalista
defendeu, no entanto, a eliminação de discriminações
que impedem que essa parcela da população esteja em condições
de igualdade com todos os brasileiros.
José Calixto sugeriu a realização
de campanhas de informação sobre a questão
da igualdade social, o que inclui, declarou, conscientizar
também as pessoas negras. Na opinião do sindicalista,
a maioria dos negros sente-se numa posição
de inferioridade diante das pessoas brancas. Para o dirigente
sindical, é preciso que "os negros levantem
a cabeça" e mudem essa postura. Ele também
ressaltou o fato de a discriminação racial
ter sido criminalizada há quatro décadas
e disse que, apesar de haver constantemente a prática
desse tipo de crime, não tem conhecimento de que
alguém tenha cumprido pena por racismo.
O representante das confederações de trabalhadores
Moacyr Roberto Tesh Aversvald, registrou que, na África
do Sul, o governo teve de interferir, por meio de decretos,
para possibilitar que as pessoas negras tivessem garantida
sua inserção no mercado de trabalho. Ele
informou que naquele país as empresas têm
que inserir, até 2010, pessoas negras em seus quadros
funcionais para não ficarem impedidas de fazer contratos
com o governo. Em sua opinião, a situação
no Brasil não é muito diferente. Como exemplo,
lembrou que em Salvador não existe nenhum trabalhador
negro exercendo função de comando no setor
de turismo, apesar de os negros constituírem a maioria
da população.
Aposentadorias
O aposentado da Caixa Econômica Federal do Ceará Antônio
Andrade Silva denunciou que, em oito anos, os aposentados
e pensionistas da Caixa receberam apenas dois reajustes
em seus vencimentos, que totalizaram 6% - coincidentemente,
segundo ele, em dois momentos eleitorais. Ele disse que
nos outros seis anos não houve nenhum aumento salarial,
o que ele denominou de "política de reajuste
zero" da Caixa. Antônio Silva contou ainda que
os aposentados sofrem "uma verdadeira devastação" em
suas finanças, o que os obriga a se cotizarem para
comprar remédios ou pagar contas dos colegas.
O presidente da CDH, senador Paulo Paim (PT-RS), considerou
a denúncia de Antônio Silva da "maior
gravidade" e disse pretender marcar uma reunião
com representantes da Caixa e dos aposentados e pensionistas,
ainda nesta quarta-feira, para encontrar soluções
para a situação.
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Agência Diap, 1º de
maio de 2008
SUPRAPARTIDÁRIA
Frente sobre redução
da jornada será instalada em maio
O deputado José Guimarães (PT/CE) informou, nesta quarta-feira
(30), que a Câmara deverá instalar na primeira quinzena
de maio a Frente Parlamentar em Defesa da Jornada de Trabalho de 40 horas
Semanais, sem Redução de Salário. O objetivo da
frente, que já conta com cerca de 250 assinaturas de deputados
e senadores, é lutar pela aprovação da PEC 393/01,
que reduz a jornada de trabalho no País, entre outras mudanças.
Para que isso ocorra, segundo o parlamentar, será fundamental
que o Congresso mobilize-se em prol da aprovação da matéria. "Estamos
encaminhando à presidência da Casa o requerimento, com mais
de 250 assinaturas, que solicita a instalação da frente
parlamentar, com seu estatuto e logo que as centrais sindicais, especialmente
a CUT, combinarem o dia, instalaremos a frente parlamentar”, adiantou.
Guimarães parabenizou os trabalhadores brasileiros pelas crescentes
conquistas que vem sendo alcançadas nos últimos anos e
afirmou que a nova jornada de trabalho trará melhoras significativas. "Essa é uma
luta que diz respeito à vida do trabalhador brasileiro”.
E agregou: “Não é à toa que a CUT e as demais
centrais têm cumprido esse papel tão extraordinário
de mobilização, de organização e, principalmente,
de luta por muitas demandas e reivindicações que passaram,
muitas delas, a ser pauta aqui no Congresso Nacional. Viva as classes
trabalhadoras brasileiras, viva o 1º de maio", disse. (Fonte:
Informes)
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Agência Diap, 1º de
maio de 2008
APOSENTADORIA
INSS é obrigado
a dar certidão relativa a tempo de serviço
para segurados, decide STF
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) manteve hoje (29) decisão
do ministro Celso de Mello que reconheceu a legitimidade do Ministério
Público Federal (MPF) para ajuizar ação no sentido
de garantir aos segurados da Previdência Social o direito de receber
certidão relativa a tempo de serviço.
A matéria chegou ao STF por meio de um Recurso Extraordinário
(RE 472489), instrumento jurídico apropriado para contestar, na
Corte, decisões de outros tribunais que supostamente feriram a
Constituição. No caso, o INSS contestou decisão
do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), sediado
em Porto Alegre, que reconheceu a legitimidade de o MPF propor a ação
civil pública em defesa dos segurados e decidiu a favor dos segurados.
Entendimento do STF
Como o ministro Celso de Mello negou o pedido feito no
recurso extraordinário, no sentido de anular a decisão
do TRF-4, o INSS interpôs outro recurso, dessa vez
para levar a questão para análise da Turma.
Ao julgar a matéria, todos os ministros decidiram
manter o entendimento de Celso de Mello.
Segundo o ministro, o MP somente defendeu que fosse reconhecido
o direito dos segurados da Previdência Social a obter
a certidão parcial de tempo de serviço, questão
de relevante abrangência social. “Nesse contexto,
põe-se em destaque uma das mais significativas funções
institucionais do Ministério Público, consistente
no reconhecimento de que lhe assiste a posição
eminente de verdadeiro `defensor do povo´”,
disse.
Celso de Mello acrescentou que “o direito à certidão
traduz prerrogativa jurídica, de extração
constitucional, destinada a viabilizar, em favor do indivíduo
ou de uma determinada coletividade, como, por exemplo,
a dos segurados do sistema de Previdência Social,
a defesa, individual ou coletiva, de direitos ou o esclarecimento
de situações”. (Fonte:
STF)
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Agência Diap, 1º de
maio de 2008
Projeto garante participação
de trabalhadores em conselhos de empresas públicas
Em comemoração antecipada ao 1º de maio, Dia do Trabalhador,
o presidente Luiz Inácio Lula a Silva assinou hoje (30) ato que
encaminha ao Congresso Nacional um projeto de lei para a participação
de trabalhadores nos conselhos das empresas públicas, autarquias
e empresas de economia mista.
Segundo o presidente, o projeto não permite que
o trabalhador use o cargo para defender interesses específicos
da categoria. “Não queremos um porta-voz para
reivindicar. Lá dentro no Conselho ele [o trabalhador
eleito] é administrador de empresa. Ele não
vai poder votar decisões pertinentes a especificidades
da sua categoria. Isso é para não permitir
vícios”, explicou Lula.
O representante dos trabalhadores no conselho deverá ser
eleito pelos demais servidores da empresa.
Na véspera do 1º de maio, que será comemorado
em todo o país por diversas entidades sindicais,
Lula afirmou que o trabalhador brasileiro nunca teve tanto
o que comemorar nesta data. “Acho que o movimento
sindical nunca teve um primeiro de maio tão importante
como está tendo em 2008”. Ele fez a afirmação
com base no crescimento contínuo da geração
de emprego, da massa salarial, do salário mínimo,
além da legalização das centrais sindicais.
Lula participou hoje, pela manhã, da cerimônia
de lançamento da nova carteira de trabalho. O novo
documento vem acompanhado de um cartão magnético,
que permite o armazenamento eletrônico das informações
sobre a vida laboral do traballhador.
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Agência Brasil, 1º de
maio de 2008
Fim do fator previdenciário
elevará em 20% gastos com benefícios, diz secretário
Ivan Richard
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O fim do fator previdenciário
e a vinculação do reajuste dos benefícios
previdenciários ao aumento do salário mínimo,
ambos aprovados pelo Senado e em tramitação
na Câmara dos Deputados, farão com que as
despesas da Previdência Social venham a corresponder,
em 2050, a 20% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo
projeções do Ministério da Previdência.
De acordo com estudo divulgado pela Secretaria de Políticas
de Previdência Social, as duas medidas, além
da proposta que altera a forma de cálculo que dá origem às
aposentadorias, não vão beneficiar os mais
pobres e sim aqueles com as aposentadorias mais altas. “É um
tiro no pé, em termos de distribuição
de renda”, afirmou o secretário de Políticas
de Previdência Social, Helmut Schwarzer.
Conforme o levantamento, se for considerado apenas o envelhecimento
natural da população, o impacto dos gastos
com a Previdência em relação ao PIB,
hoje estimado em 7%, chegará a cerca de 11% em 2050.
Schwarzer argumentou, durante reunião do Conselho
Nacional de Previdência Social (CNPS), que o fim
do fator previdenciário, além de causar desequilíbrio
fiscal das contas da Previdência, vai gerar um impacto “ruim” do
ponto de vista da distribuição de renda.
“As pessoas que hoje conseguem aposentadoria por
tempo de contribuição não são
trabalhadores rurais, nem trabalhadores do setor informal
ou domésticas. Não são as pessoas
que têm maiores dificuldades de inserção
no mercado de trabalho. Ao contrário. São
pessoas que conseguem comprovar o tempo de contribuição
formal. Portanto, tendem a não estar entre as pessoas
mais pobres do país”, argumentou o secretário,
rebatendo a tese do senador Paulo Paim (PT-RS), autor dos
dois projeto de lei que extinguem o fator previdenciário
e estendem os aumentos do salário mínimo
para aposentados e pensionistas.
Para Schwarzer, uma das alternativas para recompor as
perdas ocasionadas pelo fim do fator previdenciário
seria o aumento de impostos ou do valor da alíquota
previdenciária. “Temos que praticamente dobrar
as alíquotas de contribuição para
Previdência Social, a fim de podermos financiar somente
uma das medidas que estão sendo discutidas [no Congresso].
Acredito que o país não quer um aumento da
carga tributária dessa forma", disse o secretário.
Segundo Schwarzer, o público beneficiado com um
eventual fim do fator previdenciário é pequeno.
Correspondeu, no mês de março, a 6% do total
de benefícios concedidos e a 15% das aposentadorias
emitidas. O secretário explicou que esses percentuais
têm participação significativa em termos
de valores pagos pelo INSS: 10,3% nos benefícios
concedidos e 28,5% dos emitidos.
Outro argumento utilizado pelos técnicos da Previdência
para que a Câmara rejeite o fim do fator previdenciário é a
arrecadação.. Desde a implementação
do fator previdenciário, em 1999, foram arrecadados
R$ 10,1 bilhões. A previsão para este ano é de
que sejam economizados aproximadamente R$ 5 bilhões.
Apesar da economia, Shwarzer avalia que a regra ainda é falha,
pois não mudou consideravelmente a idade em que
são concedidos as aposentadorias no país.
“O fator previdenciário teve um sucesso relativo.
Ele não conseguiu fazer com que as idades das aposentadorias
chegassem a 56, 57, 58 anos de idade ou mesmo 60, no caso
dos homens, como era a idéia com a idade mínima.
Ele conseguiu fazer a elevação de um ano,
um ano e meio na média de idade na qual as pessoas
se aposentam”, argumentou. Em 2007, a média
de idade para aposentadorias por tempo de contribuição
foi de 54,4, para os homens, e 53,33 para as mulheres.
O secretário de Seguridade Social da Confederação
Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap), Luiz
Adalto da Silva, avalia que o fator previdenciário é uma
regra injusta. “Achamos que deve ser extinto. É lógico
que devemos buscar subsídios e discutir com o governo
para mostrar outras maneiras pelas quais ele pode conceder
a aposentadoria aos trabalhadores. Não é justo
um cidadão trabalhar 35 anos e depois ser podado
pelo fator previdenciário, que beneficia apenas
o governo”, afirmou.
Para Luiz Adalto da Silva, é preciso haver transparência
nos gastos previdenciários. “Há recursos
com a própria arrecadação da Previdência.
Deve haver transparência no fluxo de entrada de caixa,
com todas as receitas, antes da DRU [Desvinculação
de Recursos da União] e após a DRU, para
que a população tenha bem claro tudo o que
se passa na Previdência.”
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Agência Brasil, 1º de
maio de 2008
Lupi nega interesse
do governo em acabar com 13º salário ou multa
rescisória
Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos
Lupi, negou hoje (30) que o governo federal tenha interesse
em acabar com direitos trabalhistas, como a exigência
do pagamento do 13º salário e da multa rescisória
pelas empresas, nos casos de demissão sem justa
causa.
“ Não há nenhuma possibilidade. É uma
lenda que alguns alimentaram, porque tinham interesse em
prejudicar o trabalhador brasileiro. Jamais retiraremos
qualquer direito do trabalhador", garantiu, ao participar
de entrevista a emissoras de rádio no estúdio
da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em
Brasília.
Lupi negou também a realização de
um estudo, dentro do próprio Ministério do
Trabalho e Emprego (MTE), que possibilite novas liberações
do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). “O
FGTS só pode ser liberado conforme estabelece a
lei: na demissão do trabalhador, para a compra da
casa própria ou em caso de alguma enfermidade como
a aids.”
O ministro admite, entretanto, a existência de vários
projetos na Câmara dos Deputados que prevêem
a ampliação do FGTS. “É um fundo
que não pertence ao governo brasileiro, pertence
ao trabalhador." Ele alerta, no entanto, que é preciso
tomar cuidado para não dilapidar a capacidade de
investimento do fundo, porque é ele que garante
o investimento na construção da casa própria
ou em saneamento. "E foi um dos fundos com maior lucratividade
em 2007”, acrescentou.
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Gazeta do Povo, 1º de
maio de 2008
Servidores
Centrais sindicais gastam
R$ 6,5 milhões com megafestas
São Paulo - CUT, Força Sindical e União
Geral dos Trabalhadores (UGT) comemoram hoje o Dia do Trabalho
com megafestas, shows populares e atos políticos em
São Paulo orçadas em R$ 6,5 milhões.
As centrais pretendem reunir ao menos 3,5 milhões
de pessoas nos eventos.
A Força vai sortear dez carros zero-quilômetro
e cinco apartamentos. A UGT, um veículo e prêmios
(televisores, vale-compras de lojas). As centrais levam
aos palcos do 1º de Maio uma reivindicação
em comum: a redução da jornada de trabalho
para 40 horas semanais, sem diminuição nos
salários. Pela lei, a jornada permitida é de
44 horas.
Para custear as festas, as centrais usam a mesma fórmula
de anos anteriores – a venda de espaços publicitários
a empresas estatais e privadas que “compram” cotas
de patrocínios nos palcos e nos arredores dos locais
das festas.
“É uma fórmula que deu certo, buscar
o patrocínio de empresas e combinar lazer, entretenimento
e manifestação política”, diz
o marqueteiro André Guimarães, que fez as
megafestas da Força Sindical por sete anos, depois
migrou para a CUT por mais quatro e neste ano estréia
na organização da festa da UGT.
A Caixa Econômica Federal deu R$ 630 mil para as
três centrais – R$ 300 mil para a CUT, R$ 200
mil para Força e R$ 130 mil para a UGT – para
várias ações de cidadania e festas,
segundo a instituição.
A Petrobras informa que é “tradicionalmente
patrocinadora dos eventos relacionados ao Dia do Trabalhador” e
neste ano concedeu R$ 800 mil a três centrais. A
Eletrobrás também patrocinou a festa da UGT
com R$ 100 mil, segundo informa a central.
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Gazeta do Povo, 1º de
maio de 2008
Análise
Sindicalistas chegam ao poder
Diversos ex-sindicalistas conseguiram chegar à cúpula
do governo Lula, com destaque para Paulo Bernardo, ministro
do Planejamento, um dos principais interlocutores do presidente.
A “república sindicalista” divide opiniões.
O historiador da Universidade Federal de São Carlos,
Marco Antonio Villa, critica.
“Uma vez no poder, o sindicalista deixa de representar os interesses da
categoria que fazia parte”, diz. Já o cientista político
Fábio Wanderley Reis, da Universidade Federal de Minas Gerais, elogia: “Nada
mais natural que o PT, que sempre teve vínculos com sindicatos, incluir
representantes destas categorias em postos-chave”, afirma.
Três petistas, ex-sindicalistas, garantem que, uma
vez no poder, continuam defendendo os trabalhadores. O deputado
federal Dr. Rosinha, o deputado estadual Tadeu Veneri e a
vereador Professora Josete, de Curitiba, garantem que o poder
não modifica o sindicalista. (MRS)
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Gazeta do Povo, 1º de
maio de 2008
Mercado financeiro
Brasil obtém
grau de investimento e Bovespa dispara
Agência Standard & Poor’s
classifica o país como um destino seguro para os investimentos
estrangeiros e bolsa paulista vive dia de euforia
A agência de classificação de risco
Standard & Poor’s(S&P), considerada a mais
importante do mercado financeiro, promoveu ontem o Brasil
ao chamado grau de investimento. Isso significa que, de acordo
com essa agência, o país é um porto seguro
para investidores do mundo todo. Por isso, a notícia
foi recebida com euforia pelos mercados e pelo governo.
A elevação do Brasil a grau de investimento
também levou a Bolsa de Valores de São Paulo
(Bovespa) a conquistar seu melhor pregão na era Lula.
Os 6,33% de valorização registrados pelo Ibovespa
representaram a maior alta desde o pregão de 17 de
outubro de 2002. O índice terminou o dia aos 67.868
pontos, e superou com folga o recorde anterior, de 65.790
pontos, obtido em dezembro do ano passado.
Já o dólar despencou 2,52%, para R$ 1,663,
em resposta à expectativa de que o Brasil atrairá mais
investimento externo daqui para frente.
Em discurso durante evento em Maceió, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva celebrou a novidade. “É uma
conquista do povo brasileiro, que esperou por isso durante
tantos e tantos anos”, afirmou.
A S&P elevou a nota do Brasil de BB+ para BBB-. A escala
da agência vai de AAA (concedido a países como
Estados Unidos, Canadá e Reino Unido) até D
(conceito para países insolventes).
A analista da S&P responsável pelo Brasil, Lisa
Schineller, afirmou que o grau de investimento reflete o
bom nível da política econômica, caracterizado
por uma postura “pragmática”, especialmente
na manutenção da solidez das contas públicas
e liberdade para que o Banco Central (BC) continue combatendo
a inflação com rigor.
“A política econômica pragmática
indica que o Brasil tem uma perspectiva de crescimento mais
forte no futuro, que deve ser sustentável”,
comentou. Para ela, a tendência de crescimento da economia
brasileira dá condições para que o país
tenha credibilidade para financiar seu déficit nas
transações com o exterior. Segunda-feira, o
BC divulgou que o buraco nas contas externas do país
atingiu US$ 10,7 bilhões no primeiro trimestre.
Respaldado pelas declarações da diretora da
S&P, o presidente do BC, Henrique Meirelles, destacou,
após a divulgação da nova nota brasileira,
a importância da previsibilidade da economia como fator
preponderante para o grau investimento.
Avaliação
As agências de risco são contratadas por empresas
e governos do mundo todo para avaliá-los do ponto
de vista de solvência. As três principais são
S&P, Moody’s e Fitch. Todas têm sido duramente
criticadas por causa de sua atuação na crise
das hipotecas de alto risco (subprime) dos Estados Unidos.
Para muitos analistas e investidores, elas não avaliaram
corretamente o risco desses bônus, que acabaram virando
pó e provocaram prejuízos bilionários.
Apesar do clima de otimismo, alguns analistas afirmaram
que o governo não deve se acomodar com o grau de investimento. “(A
nota) é um ponto de partida, não um destino
final”, alertou o economista-chefe do Banco Morgan
Stanley, Marcelo Carvalho. Até porque, lembram outros
especialistas, já houve países que perderam
o grau de investimento, caso da Colômbia.
Ações
O corre-corre dos investidores fez com que ações
de empresas de diferentes segmentos disparassem na Bolvespa
ontem. Tanto que 61 das 63 ações que formam
o índice Ibovespa terminaram com ganhos. E não
foram apenas os papéis mais tradicionais que chamaram
os investidores. No topo das altas, apareceram as ações
Cyrela Realty ON (15,73%), CCR Rodovias ON (15,60%), Cosan
ON (15%), Gafisa ON (14,06%) e Lojas Renner ON (13,95%).
“O dia já havia começado com pontos
positivos, como o resultado do PIB americano, que deu sinais
de recuperação, e o corte de juros do Fed.
A elevação da nota do país veio animar
ainda mais os investidores”, diz William Eid Júnior,
coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV
(Fundação Getulio Vargas).
A economia norte-americana cresceu 0,6% no primeiro trimestre,
e a taxa básica de juros nos EUA foi cortada em 0,25
ponto, para 2% anuais.
Valorização do real é o
lado negativo
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu que a classificação
do Brasil ao grau de investimento poderá provocar uma valorização
do real. “É natural que isso aconteça, neste primeiro
momento.” Embora considere extremamente positivo o ingresso de
mais investimentos estrangeiros diretos, pois eles criarão mais
empregos e mais produção, Mantega advertiu que o governo
dispõe do Imposto sobre Operações Financeiras
(IOF) para “desencorajar” os fluxos de capitais especulativos
e de curto prazo. “O IOF poderia aumentar, mas neste momento
não há qualquer estudo neste sentido.”
Com a insistência dos jornalistas sobre em que momento
essa elevação do IOF se tornaria possível,
Mantega preferiu desconversar. “Se estourar a Terceira
Guerra Mundial, se houver um problema sistêmico, pode
ser...”, disse.
O diretor de estudos macroeconômicos do Ipea, João
Sicsú, afirmou que o grau de investimento obtido ontem
pelo Brasil “é um reconhecimento de que a economia
brasileira vai bem e não há crise a vista” e,
por isso, “temos que seguir sem mudar de rota”.
Para ele, o grau de investimento “é uma sinalização
no sentido oposto do que mostra a alta dos juros” e
mostra que “não há indicação
de que as coisas vão piorar no Brasil”.
O lado negativo imediato do investment grade, segundo Sicsú, é uma
valorização adicional do real. “O câmbio
valorizado é um problema para a economia brasileira,
levando a resultados negativos em transações
correntes”, afirmou.
Para o vice-presidente da Associação de Comércio
Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro,
o investment grade “é ótimo para o ego
do Brasil, mas para o comércio exterior, a notícia é muito
ruim”. O argumento é que a queda do dólar
vai gerar um desestímulo para as exportações
de manufaturados e estimular as importações.
“O dólar derreteu de vez, não será surpresa
se chegar a um novo piso de R$ 1,60.” Segundo Augusto
de Castro, enquanto para os exportadores as perspectivas
são desanimadoras, para os importadores há agora
uma “garantia” de que o dólar vai continuar
baixo, o que levará à contratação
de novas compras do exterior.
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Gazeta do Povo, 1º de
maio de 2008
Trabalho
Criação
de emprego chega próximo do recorde
O aumento de 122,4 mil postos de trabalho formais no
ano passado é próximo do recorde de 122,6
mil, atingido em 2004 no Paraná. Segundo o Ipardes,
a maior parcela, ou 46,3 mil, foi criada na indústria
de transformação (37,8%), seguida de 31 mil
postos nos serviços (25,3%), 30,5 mil nas atividades
comerciais (24,9%), 8 mil na construção civil
(6,55%) e 5,8 mil na atividade agropecuária (4,7%).
Dentre os 16 grupos de ocupações que mais
admitiram, destacam-se alimentadores de linhas de produção
(15,7 mil vagas), escriturários em geral, agentes,
assistentes e auxiliares administrativos (10 mil), operadores
do comércio em lojas e mercados (9 mil), serviços
de manutenção e conservação
de edifícios e logradouros (7,2 mil) e ajudantes
de obras civis (6,1 mil).
Conta própria
Ontem, o IBGE divulgou que o país tem 4,1 milhões
de trabalhadores por conta própria nas seis regiões
metropolitanas investigadas pela Pesquisa Mensal de Emprego
(que não inclui Curitiba). Eles representam 19,2%
da população ocupada e têm rendimento
médio de R$ 1.013,50. Entre março de 2002
e março de 2008, este contingente teve expansão
de 22%, embora a participação no total do
mercado de trabalho tenha permanecido a mesma. Do total
de trabalhadores por conta própria, 60,8% são
homens, e 32,5% têm mais de 50 anos de idade. (MS)
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Gazeta do Povo, 1º de
maio de 2008
Trabalho
Jovens ficam com dois terços
das vagas
Levantamento mostra que 76% dos empregos
criados no Paraná em 2007 foram ocupados por trabalhadores
com menos de 24 anos. Remuneração inicial é de,
em média, R$ 589
As novas vagas de trabalho estão concentradas em
poucas categorias no Paraná. Mais de 80 mil empregos
formais criados no estado surgiram em apenas 16 dos 596
grupos de ocupações definidos pelo Ministério
do Trabalho e Emprego (MTE). E quem fica com as oportunidades
são os jovens. Dois terços do total de 122,4
mil novos postos foram ocupados por trabalhadores de até 24
anos no ano passado – a maioria com ensino médio
completo, o que demonstra ainda um aumento na exigência
de escolaridade. Os dados são de uma pesquisa feita
pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico
e Social (Ipardes) com base no Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados (Caged), do MTE. “As vagas são
abertas em setores relativamente menos complexos, de entrada
no mercado de trabalho, mas que exigem segundo grau [ensino
médio]”, diz o presidente do Ipardes, José Morais
Neto.
O instituto identificou que o salário médio
de admissão dos trabalhadores paranaenses foi de
R$ 588,79 no ano passado, o que permitiu um crescimento
da massa salarial (soma dos salários) de aproximadamente
R$ 72 milhões. Não foram pesquisadas as faixas
salariais existentes nem a quantidade de pessoas nelas.
Porém, é possível ter uma idéia
de como está a situação com a Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os
resultados de 2006 mostram que a maior parte dos brasileiros
recebe de 1 a 2 salários mínimos, o que hoje
vai de R$ 415 a R$ 830. Das 89,3 milhões de pessoas
ocupadas naquela época, 26,4 milhões, ou
29,5%, faziam parte desta faixa. Na região metropolitana
de Curitiba, esta parcela tem mais gente ainda. Dos 1,6
milhão de trabalhadores consultados na pesquisa,
598 mil (36,7%) ganhavam de 1 a 2 salários mínimos.
De acordo com o economista Sandro Silva, do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos
(Dieese), a única faixa salarial que tem tido crescimento
de emprego nos últimos anos é a que vai até 3
salários mínimos (R$ 1.245).
A gari Eliana Aparecida da Silva Martins, 36 anos, é um
exemplo da estatística. Ela mora em Campo Magro,
na região metropolitana, e acorda todos os dias às
4h40 para ir de ônibus ao Centro de Curitiba, onde
trabalha há cinco anos. O dinheiro que recebe – cerca
de R$ 1 mil – serve para pagar as despesas da casa
e sustentar os três filhos. O salário do marido,
funcionário de uma empresa de embalagens, vai todo
para quitar a prestação do financiamento
de um carro, um Celta zero quilômetro, recém-adquirido
pela família. “Com o que sobra dá para
ir com a família passar o fim de semana no sítio
do meu pai, no interior do estado”, diz. Agora, Eliana
pretende aumentar sua escolaridade. Ela cursa o supletivo
de 5ª à 8ª série do ensino fundamental,
promovido pela empresa onde trabalha.
Apesar da manutenção do rendimento para
a grande maioria dos trabalhadores, a exigência do
mercado segue aumentando. Um levantamento do Dieese mostra
que, em 1995, 17% dos trabalhadores do Paraná com
carteira assinada tinham ensino médio completo,
número que subiu para 35% em 2006. No mesmo período,
a quantidade de pessoal que tinha ensino superior completo
aumentou de 11% para 15% no estado. O Ipardes mostra que,
no ano passado, 65,5 mil (53,5%) dos novos empregos exigiram
ensino médio completo, 15,8 mil (12,9%) o ensino
médio incompleto e 13,8 mil (11,3%) a oitava série
completa.
A auxiliar de restaurante Elizângela Leontino de
Carvalho, 17 anos, está no caminho para satisfazer
as empresas. Ela cursa o 2º ano do ensino médio
em escola pública e conseguiu há três
meses seu primeiro emprego com carteira assinada. Trabalha
meio período em um restaurante popular, no Centro,
onde uma refeição completa custa R$ 3,90.
Com o salário de R$ 260, Elizângela pagava
um curso de informática e a manutenção
do aparelho ortodôntico. Este mês, parou o
curso para poder financiar um computador novo, em 24 parcelas
de R$ 63. “Com o que sobra compro roupas e faço
uma poupança para o meu casamento”, diz a
jovem, que está noiva.
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