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Agência Diap, 02
de maio de 2008
RESUMO DA SEMANA
Feriado de 1º de maio
esvaziou Congresso
Nesta semana aconteceu pouca coisa no Congresso, em razão do feriado
de 1o de maio, Dia Internacional do Trabalhador. A Câmara votou
apenas a MP 413, que aumenta de 9% para 15% a alíquota da Contribuição
Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos e demais instituições
financeiras. Para destravar a pauta, resta votar outras cinco MPs. No
Senado, não houve sessão deliberativa no plenário.
A pauta está bloqueada por duas MPs.
Embora a semana legislativa tenha ficado comprometida, a agenda política
e econômica foi prenhe de fatos relevantes. Veja:
A CNT/Sensus divulgou pesquisa, na última quarta-feira (30), em
que 50,4% dos entrevistados apóiam nova candidatura de Lula. Também
na quarta, a imprensa noticiou que o Brasil foi elevado a grau de investimento.
O presidente Lula e o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, lançaram
a nova carteira de trabalho. A comissão especial da reforma tributária
(PEC 233/08) definiu calendário de trabalhos; a bancada brasileira
do Parlamento do Mercosul elegeu como presidente o senador Aloizio Mercadante
(PT/SP).
O relator do projeto de lei que trata do direito de greve do servidor,
deputado Nelson Marquezelli (PTB/SP), divulgou uma complementação
de voto ao seu substitutivo.
Lula e o 3o mandato
Segundo pesquisa da CNT/Sensus, divulgada na última
quarta-feira (30), 50,4% dos entrevistados apóiam
nova candidatura de Lula; os contrários somam 45,4%
e 4,3% não souberam responder. A pesquisa foi realizada
entre os dias 21 e 25 de abril, com 2.000 pessoas em 136
municípios do País. A margem de erro da pesquisa é de
3 pontos percentuais para cima ou para baixo. Leia
mais
Brasil é elevado a grau
de investimento
Nesta quarta-feira (30), a imprensa brasileira noticiou que o Brasil
foi elevado a “país de investimento” (entenda
o que isto significa). O primeiro impacto da notícia foi
na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que teve no dia
sua maior alta em cinco anos e meio. O ibovespa disparou 6,33% e atingiu
67.868 pontos, sua nova máxima histórica de fechamento.
Encerrou abril com ganho de 11,3%, o maior em 15 meses. O giro financeiro
foi de R$ 9,7 bilhões. Em Nova York, o "risco Brasil",
calculado pelo banco de investimentos JP Morgan, caiu 8 pontos-base,
ou 3,56%, para 217 pontos-base. Em contrapartida, o dólar caiu
ainda mais no mercado brasileiro: desvalorizou-se 2,46%, cotado a R$
1,663. Leia
mais
Nova carteira de trabalho
Com pompa e circunstância, o presidente Lula e o ministro do
Trabalho, Carlos Lupi, lançaram, na última quarta-feira
(30), a nova carteira de trabalho. O documento, segundo o ministro,
vai facilitar o controle do trabalhador sobre seus próprios
direitos. Leia
mais
Direito de greve
A reunião da Comissão de Trabalho foi cancelada em razão
do feriado de 1o de maio, mas o relator do PL 4.497/01, que dispõe
sobre o direito de greve dos servidores públicos, divulgou uma
complementação de voto ao substitutivo apresentado ao
projeto. Leia
mais
Reforma tributária
Na última terça-feira (29), a comissão especial
da reforma tributária (PEC 233/08), se reuniu e definiu o calendário
de trabalhos do colegiado. A previsão do presidente, deputado
Antonio Palocci (PT/SP), é realizar audiências até junho
e depois votar o parecer do relator, deputado Sandro Mabel (PR/GO). Leia
mais
Parlamento do Mercosul
Em razão da renúncia do senador Geraldo Mesquita Júnior
(PMDB/AC) à presidência da bancada brasileira do Parlamento
do mercosul, foi eleito na última segunda-feira (28), o senador
Aloizio Mercadante (PT/SP) para ocupar a vaga deixada por Mesquita.
No início de 2009 a representação elegerá o
presidente para um novo mandato de dois anos. A vaga, por rodízio,
caberá a um deputado. Leia
mais
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Agência Diap, 02
de maio de 2008
APOSENTADORIAS
Governo afina discurso e se
movimenta para barrar projetos na Câmara
Aprovados no Senado em 9 de abril,
dois projetos tiraram a tranqüilidade do Governo e ameaçam
estiolar a base aliada, pois se os projetos têm impactos
fiscais insuportáveis, segundo o Planejamento e a
Previdência, também têm grande apelo social
José Varella/CB - 19/6/07
Para Helmut, aumento é “impossível” do
ponto de vista fiscal
O Governo está jogando cada vez mais pesado para tentar derrubar
na Câmara dois projetos de lei que terão forte impacto nas
contas da Previdência Social. O primeiro (PL 3.299/08), já aprovado
pelo Senado, prevê a extinção do fator previdenciário
e altera a fórmula de cálculo das aposentadorias pagas
pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O outro (PL 1/07) vincula o reajuste de todos os benefícios ao
salário mínimo. A estratégia é mostrar a
inviabilidade fiscal das duas propostas, que, juntas, poderão
dobrar os gastos da Previdência ao longo dos próximos 40
anos.
O PL 1/07, do Executivo, cria uma política de permanente valorização
e atualização do salário mínimo até 2023.
No Senado, foi aprovado uma emenda do senador Paulo Paim (PT/SP), que
também é autor do projeto que extingue o fator, que estende
aos aposentados e pensionistas os mesmos percentuais de reajustes do
mínimo.
Cálculos
Na última quarta-feira (30), o secretário de Políticas
de Previdência Social, Helmut Schwarzer, apresentou diversas
projeções ao Conselho Nacional de Previdência Social.
Os cálculos, que também foram encaminhados às
lideranças partidárias no Congresso, mostram que, apenas
com o envelhecimento da população, os gastos do INSS
devem saltar dos atuais 7,11% do Produto Interno Bruto (PIB) para 11,23%
em 2050.
Caso as três mudanças previstas nos dois
projetos de lei sejam concretizadas, o comprometimento
do PIB com as despesas previdenciárias saltaria
para 23,29%.
Na avaliação de Schwarzer, esse forte aumento
tornaria insustentável o sistema previdenciário.
Segundo ele, o Brasil passaria a gastar quase 25% do PIB
apenas com o pagamento de aposentadorias dos trabalhadores
da iniciativa privada.
“Estamos falando em utilizar quase um quarto da
produção do país para financiar apenas
um subsistema de proteção social. Nos países
europeus, a soma de todas as políticas sociais não
passam de 30% do PIB”, argumentou.
Tramitação
Na Câmara, o PL 1, emendado no Senado, será reexaminado
pela comissão especial, cujo relator é o
deputado Roberto Santiago (PV/SP). A tarefa dessa comissão
será aprovar ou não a emenda da Casa revisora.
Em seguida, o texto vai a votos no plenário. Por
fim, segue para sanção presidencial.
O PL 3.299 será examinado pelas comissões
de Seguridade Social e Família; de Finanças
e Tributação; e de Constituição
e Justiça, nesta ordem. No primeiro colegiado técnico,
o projeto aguarda designação de relator.
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Agência Diap, 02
de maio de 2008
A marca classista do 1º de
Maio
Por: Altamiro Borges*
A origem do 1º de Maio está vinculada à luta pela
redução da jornada de trabalho, bandeira que mantém
sua atualidade estratégica.
“
Se acreditais que enforcando-nos podeis conter o movimento
operário, esse movimento constante em que se agitam
milhões de homens que vivem na miséria, os
escravos do salário; se esperais salvar-vos e acreditais
que o conseguireis, enforcai-nos! Então vos encontrarei
sobre um vulcão, e daqui e de lá, e de baixo
e ao lado, de todas as partes surgirá a revolução. É um
fogo subterrâneo que mina tudo”.
Augusto Spies, 31 anos, diretor do
jornal Arbertter Zeitung
“Se tenho que ser enforcado por professar minhas
idéias, por meu amor à liberdade, à igualdade
e à fraternidade, então nada tenho a objetar.
Se a morte é a pena correspondente à nossa
ardente paixão pela redenção da espécie
humana, então digo bem alto: minha vida está à disposição.
Se acreditais que com esse bárbaro veredicto aniquilais
nossas idéias, estais muito enganados, pois elas
são imortais''.
Adolf Fischer, 30 anos, jornalista
“Em que consiste meu crime? Em ter trabalhado para
a implantação de um sistema social no qual
seja impossível o fato de que enquanto uns, os donos
das máquinas, amontoam milhões, outros caem
na degradação e na miséria. Assim
como a água e o ar são para todos, também
a terra e as invenções dos homens de ciência
devem ser utilizadas em benefício de todos. Vossas
leis se opõem às leis da natureza e utilizando-as
roubais às massas o direito à vida, à liberdade
e ao bem-estar”.
George Engel, 50 anos, tipógrafo
“ Acreditais que quando nossos cadáveres
tenham sido jogados na fossa tudo terá se acabado?
Acreditais que a guerra social se acabará estrangulando-nos
barbaramente. Pois estais muito enganados. Sobre o vosso
veredicto cairá o do povo americano e do povo de
todo o mundo, para demonstrar vossa injustiça e
as injustiças sociais que nos levam ao cadafalso”.
Albert Parsons lutou na guerra da
secessão nos EUA.
As corajosas e veementes palavras destes quatro líderes
do jovem movimento operário dos EUA foram proferidas
em 20 de agosto de 1886, pouco após ouvirem a sentença
do juiz condenando-os à morte. Elas deram origem
ao 1º de Maio, o Dia Internacional dos Trabalhadores.
Na atual fase da luta de classes, em que muitos aderiram à ordem
burguesa e perderam a perspectiva do socialismo, vale registrar
este marco histórico e reverenciar a postura classista
destes heróis do proletariado. A sua saga serve
de referência aos que lutam pela superação
da barbárie capitalista.
A origem do 1º de Maio está vinculada à luta
pela redução da jornada de trabalho, bandeira
que mantém sua atualidade estratégica. Em
meados do Século 19, a jornada média nos
EUA era de 15 horas diárias. Contra este abuso,
a classe operária, que se robustecia com o acelerado
avanço do capitalismo no país, passou a liderar
vários protestos. Em 1827, os carpinteiros da Filadélfia
realizaram a primeira greve com esta bandeira. Em 1832,
ocorre um forte movimento em Boston que serviu de alerta à burguesia.
Já em 1840, o governo aprova o primeiro projeto
de redução da jornada para os funcionários
públicos.
Greve geral pela redução
da jornada
Esta vitória parcial impulsionou ainda mais esta luta. A partir
de 1850, surgem as famosas Ligas das Oito Horas, comandando a campanha
em todo o país e obtendo outras conquistas localizadas. Em 1884,
a Federação dos Grêmios e Uniões Organizadas
dos EUA e Canadá, futura Federação Americana do
Trabalho (AFL), convoca uma greve nacional para exigir a redução
para todos os assalariados, ''sem distinção de sexo,
ofício ou idade''. A data escolhida foi 1º de Maio de 1886 – maio
era o mês da maioria das renovações dos contratos
coletivos de trabalho nos EUA.
A greve geral superou as expectativas, confirmando que
esta bandeira já havia sido incorporada pelo proletariado.
Segundo relato de Camilo Taufic, no livro ''Crônica
do 1º de Maio'', mais de 5 mil fábricas foram
paralisadas e cerca de 340 mil operários saíram às
ruas para exigir a redução. Muitas empresas,
sentindo a força do movimento, cederam: 125 mil
assalariados obtiveram este direito no mesmo dia 1º de
Maio; no mês seguinte, outros 200 mil foram beneficiados;
e antes do final do ano, cerca de 1 milhão de trabalhadores
já gozavam do direito às oito horas.
“Chumbo contra os grevistas”,
prega a imprensa
Mas a batalha não foi fácil. Em muitas locais, a burguesia
formou milícias armadas, compostas por marginais e ex-presidiários.
O bando dos ''Irmãos Pinkerton'' ficou famoso pelos métodos
truculentos utilizados contra os grevistas. O governo federal acionou
o Exército para reprimir os operários. Já a imprensa
burguesa atiçou o confronto. Num editorial, o jornal Chicago
Tribune esbravejou: “O chumbo é a melhor alimentação
para os grevistas. A prisão e o trabalho forçado são
a única solução possível para a questão
social. É de se esperar que o seu uso se estenda”.
A polarização social atingiu seu ápice
em Chicago, um dos pólos industriais mais dinâmicos
do nascente capitalismo nos EUA. A greve, iniciada em 1º de
Maio, conseguiu a adesão da quase totalidade das
fábricas. Diante da intransigência patronal,
ela prosseguiu nos dias seguintes. Em 4 de maio, durante
um protesto dos grevistas na Praça Haymarket, uma
bomba explodiu e matou um policial. O conflito explodiu.
No total, 38 operários foram mortos e 115 ficaram
feridos.
Os oito mártires de Chicago
Apesar da origem da bomba nunca ter sido esclarecida, o governo decretou
estado de sítio em Chicago, fixando toque de recolher e ocupando
militarmente os bairros operários; os sindicatos foram fechados
e mais de 300 líderes grevistas foram presos e torturados nos
interrogatórios. Como desdobramento desta onda de terror, oito
líderes do movimento – o jornalista Auguste Spies, do
''Diário dos Trabalhadores'', e os sindicalistas Adolf Fisher,
George Engel, Albert Parsons, Louis Lingg, Samuel Fielden, Michael
Schwab e Oscar Neebe – foram detidos e levados a julgamento.
Eles entrariam para a história como ''Os Oito Mártires
de Chicago''.
O julgamento foi uma das maiores farsas judiciais da história
dos EUA. Seu único objetivo foi condenar o movimento
grevista e as lideranças anarquistas, que dirigiram
o protesto. Nada se comprovou sobre os responsáveis
pela bomba ou pela morte do policial. O juiz Joseph Gary,
nomeado para conduzir o Tribunal Especial, fez questão
de explicitar sua tese de que a bomba fazia parte de um
complô mundial contra os EUA. Iniciado em 17 de maio,
o tribunal teve os 12 jurados selecionados a dedo entre
os 981 candidatos; as testemunhas foram criteriosamente
escolhidas. Três líderes grevistas foram comprados
pelo governo, conforme comprovou posteriormente a irmã de
um deles (Waller).
A maior farsa judicial dos EUA
Em 20 de agosto, com o tribunal lotado, foi lido o veredicto: Spies,
Fisher, Engel, Parsons, Lingg, Fielden e Schwab foram condenados à morte;
Neebe pegou 15 anos de prisão. Pouco depois, em função
da onda de protestos, Lingg, Fielden e Schwab tiveram suas penas reduzidas
para prisão perpétua. Em 11 de novembro de 1887, na cadeia
de Chicago, Spies, Fisher, Engel e Parsons foram enforcados. Um dia
antes, Lingg morreu na cela em circunstâncias misteriosas; a
polícia alegou “suicídio”. No mesmo dia,
os cinco ''Mártires de Chicago'' foram enterrados num cortejo
que reuniu mais de 25 mil operários. Durante várias semanas,
as casas proletárias da região exibiram flores vermelhas
em sinal de luto e protesto.
Seis anos depois, o próprio governador de Illinois,
John Altgeld, mandou reabrir o processo. O novo juiz concluiu
que os enforcados não tinham cometido qualquer crime, “tinham
sido vitimas inocentes de um erro judicial”. Fielden,
Schwab e Neebe foram imediatamente soltos. A morte destes
líderes operários não tinha sido em
vão. Em 1º de Maio de 1890, o Congresso dos
EUA regulamentou a jornada de oito horas diárias.
Em homenagem aos seus heróis, em dezembro do mesmo
ano, a AFL transformou o 1º de Maio em dia nacional
de luta. Posteriormente, a central sindical, totalmente
corrompida e apelegada, apagaria a data do seu calendário.
Em 1891, a Segunda Internacional dos Trabalhadores, que
havia sido fundada dois anos antes e reunia organizações
operárias e socialistas do mundo todo, decidiu em
seu congresso de Bruxelas que “no dia 1º de
Maio haverá demonstração única
para os trabalhadores de todos os países, com caráter
de afirmação de luta de classes e de reivindicação
das oito horas de trabalho”. A partir do congresso,
que teve a presença de 367 delegados de mais de
20 países, o Dia Internacional dos Trabalhadores
passou a ser a principal referência no calendário
de todos os que lutam contra a exploração
capitalista.
(*) Jornalista, é autor
do livro recém-lançado “Sindicalismo,
resistência e alternativas” (Editora Anita
Garibaldi).
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Diário Vermelho,
02 de maio de 2008
Lupi defende redução
da jornada para 40 horas semanais
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, defendeu nesta quinta-feira
(1º), Dia do Trabalhador, a proposta apresentada pelas
centrais sindicais (CUT, Força Sindical, CTB, entre
outras) de redução da jornada de trabalho
de 44 para 40 horas semanais. Para o ministro, é ''legítimo
e natural'' que os trabalhadores se organizem e defendam
a diminuição da jornada.
Lupi - que particicipou hoje das comemorações
do 1º de Maio da CUT e da Força -destacou que
a questão ainda deve ser discutida no Congresso.
''Eu, enquanto filiado do PDT, vou trabalhar para que a
minha bancada vote a favor. Estou disposto a conversar,
dialogar e tentar encontrar um caminho que traga mais benefícios
ao trabalhador.'' O ministro frisou que ''o trabalhador
rende mais com uma carga de trabalho menor''.
Carlos Lupi citou o cálculo feito pelo Departamento
Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos
(Dieese) de que a redução da jornada de trabalho
deve gerar diretamente, em média, 2 milhões
de novos empregos. Segundo ele, o papel do Ministério
do Trabalho é tentar mediar as reivindicações
sindicais com o setor patronal. Ele enfatizou que essa
questão exigirá ''muita capacidade de negociação''.
Em relação às investigações
da Polícia Federal sobre suposto envolvimento do
ex-presidente da Força Sindical e atual deputado
federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, Lupi
pediu ''cuidado com prejulgamentos'' e declarou: ''Não
podemos ser um tribunal de inquisição''.
O ministro ressaltou que indícios não são
provas e pediu apuração e investigação
do caso ''sem prejulgamento a ninguém''.
Lupi também disse desconhecer os indícios
do caso e defendeu que o processo corra em segredo de Justiça.
''Não vi fato concreto'', ressaltou. ''Compete a
quem está investigando apurar as provas, dar direito
de defesa e aí, sim, tirar conclusões.''
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Agência Brasil, 02
de maio de 2008
Receita divulga calendário
de pagamento de restituições do IR
Ana Luiza Zenker
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A Receita Federal publicou no Diário
Oficial da União (DOU) de hoje (2) o cronograma
de pagamento da restituição do Imposto de
Renda da Pessoa Física (IRPF) 2008, ano-base 2007.
Serão sete lotes, pagos entre junho e dezembro deste
ano. O primeiro lote está agendado para o dia 16
de junho.
Os contribuintes que apresentaram sua declaração
via internet serão os primeiros a receber a restituição
do imposto. Em seguida, recebem os que entregaram por disquete
e, por último, os que utilizaram o formulário
impresso.
Em todos os casos, o pagamento da restituição
de pessoas maiores de 65 anos é prioritário.
Quem tiver sua declaração retida na malha
fina para análise não deve ter o pagamento
da sua restituição incluído neste
calendário.
Confira as datas do pagamento de cada lote.
Lote - Data de pagamento
1º - 16 de junho
2º - 15 de julho
3º - 15 de agosto
4º - 15 de setembro
5º - 15 de outubro
6º - 17 de novembro
7º - 15 de dezembro
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Agência Brasil, 02
de maio de 2008
Cerca de 180 mil trabalhadores
pedem redução de jornada no Paraná
Lúcia Nórcio
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Curitiba enfrentou ontem (1º)
frio de 10 graus centígrados, mas, mesmo assim,
milhares de trabalhadores compareceram às comemorações
do 1º de Maio Solidário, em frente ao Palácio
Iguaçu. O evento foi promovido pela Força
Sindical. Ao todo, incluindo as festas nas cidades do interior,
a entidade estima que 180 mil trabalhadores comemoraram
o Dia do Trabalho no estado, pedindo a redução
da jornada de 44 para 40 horas semanais.
O governador Roberto Requião aproveitou o Dia do
Trabalho para sancionar a lei que reajustou o piso salarial
regional do Paraná em 15%. “A partir de hoje,
o salário mínimo paranaense varia de R$ 527
a R$ 548,00 , dependendo da categoria, passando a ser o
melhor salário mínimo do país”,
disse Requião.
Os novos valores devem injetar, mensalmente, de acordo
com o Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese), R$ 43 milhões
na economia paranaense. O cálculo baseia-se nos
170 mil trabalhadores beneficiados diretamente pelo reajuste
e nos 210 mil trabalhadores que podem ter acordos coletivos
influenciados pelo aumento.
No Paraná, as centrais sindicais recolheram, durante
todo o dia, assinaturas de apoio à redução
de jornada. “Queremos reunir, em todo o país,
mais de 1,5 milhão de pessoas assinando o documento,
que se tornará, então, uma lei de iniciativa
popular", disse o presidente da Força Sindical
no Paraná, Sérgio Butka.
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Gazeta do Povo, 02 de maio
de 2008
Ensino superior
Movimentos pedem fim das cotas
raciais ao STF
São Paulo - Sindicalistas, empresários
e ativistas de movimentos sociais entregaram nesta semana
ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro
Gilmar Mendes, uma carta reivindicando o fim das cotas
raciais em universidades públicas. O documento pede
que as ações diretas de inconstitucionalidade
movidas contra as cotas do Programa Universidade para Todos
(ProUni) e de universidades estaduais do Rio sejam aprovadas
pelo Supremo.
“O principal argumento, que está expresso
nessa carta que estamos entregando ao presidente do STF, é exatamente
a crença de que raça não existe e
que, portanto, esse é um critério que não
deve estar presente na formulação de políticas
públicas, porque vai dividir o Brasil artificialmente
entre brancos e negros’’, afirma Yvonne Maggie,
professora titular de Antropologia da UFRJ (Universidade
Federal do Rio de Janeiro).
A professora explica que o grupo propõe ações
afirmativas junto às comunidades mais pobres, em
lugar das políticas baseadas em cor. “Nossa
proposta, que está escrita nessa carta, é que
se faça ações afirmativas, por exemplo,
em bairros pobres, financiando escolas públicas
de melhor qualidade justamente onde moram essas pessoas.’’
Leão Alves, presidente do Movimento Pardo-Mestiço
Brasileiro, destaca que na Amazônia já são
observados conflitos entre mestiços e caboclos contra
negros. De acordo com ele, na região, a maior parte
dos caboclos ou pardos não são de origem
africana, mas têm sido levados a se classificar como
negros.
“Esse sistema de cotas raciais está obrigando,
na Amazônia, os caboclos a se identificarem como
negros, ou seja, é uma forma de etnocídio’’.
Estão matando a identidade do mestiço da
Amazônia, o principal tipo de mestiço, que é o
caboclo’’, afirma. De acordo com dados trazidos
na carta, estudos demarcadores de DNA permitem concluir
que, em 2000, entre os 76,4 milhões de brasileiros
que se declaravam pardos ou pretos, 20% não eram
descendentes de africanos.
Francisco Johny Silva, coordenador do Forafro (Fórum
Afro da Amazônia), defende que, em vez de adotar
medidas afirmativas no ensino superior, o governo invista
em educação básica e média. “Nós
sabemos que a maioria dos negros não termina o ensino
médio sequer’’, diz. “Os negros
podem chegar às universidades federais e concorrer às
vagas sem a ajuda de cotas raciais’’, disse.
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Gazeta do Povo, 02 de maio
de 2008
Reivindicação
Trabalhadores pedem redução
da jornada de 44 para 40 horas
Estudo do Dieese mostra que medida
criaria 2,2 milhões em todo o país. Centrais
sindicais coletam assinaturas para que Congresso aprove a
proposta
As celebrações pelo Dia do Trabalhador,
comemorado ontem em todo o país, foram marcadas
pela reivindicação para que o Congresso Nacional
aprove a redução da jornada semanal de 44
para 40 horas semanais. Centrais sindicais, políticos
e até a Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil (CNBB) defenderam a modificação da
Constituição para que o brasileiro trabalhe
menos.
A CUT e a Força Sindical, principais centrais de
trabalhadores do país, aproveitaram as diversas
festas do Dia do Trabalho para coletar assinaturas para
um abaixo-assinado em favor da redução da
carga horária semanal. O objetivo das centrais,
que pretendem coletar entre 1 milhão e 1,5 milhão
de assinaturas, é pressionar o Congresso para aprovar
a proposta de emenda à Constituição
nº 393/01, que reduz a jornada.
Estudo do Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) aponta
que a diminuição da carga horária
semanal do trabalhador em quatro horas poderia gerar cerca
de 2,2 milhões de empregos no Brasil. No Paraná,
seriam 130 mil postos, dos quais 40 mil em Curitiba e região
metropolitana.
“O que queremos é que esse projeto esteja
na ordem do dia, na prioridade do Congresso”, disse
o presidente da CUT de São Paulo, Edílson
de Paula. “Nossa meta é comemorar a redução
de jornada ‘no papel’ no 1° de maio do
que vem.”
Segundo Edílson de Paula, cerca de 40% dos trabalhadores
com carteira assinada já têm jornada de 40
horas e, em algumas empresas, trabalham até menos.
Porém, dados apresentados pelo presidente da Federação
dos Trabalhadores Metalúrgicos da CUT de São
Paulo, Valmir Marques, apontam que a redução
ocorreu mais especificamente em São Paulo e no setor
de montadoras. “Por isso queremos que a proposta
seja discutida nas negociações coletivas
e que também tramite no Legislativo. Os sindicatos
patronais ainda são muito refratários a essa
discussão”, ressaltou.
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, durante a festa da
CUT, em São Paulo, disse apoiar a redução
da jornada. Para o ministro, é “legítimo
e natural” que os trabalhadores se organizem e defendam
a diminuição da jornada. Lupi destacou ainda
que a questão ainda deve ser discutida no Congresso
e acrescentou: “Eu, enquanto filiado do PDT, vou
trabalhar para que a minha bancada vote a favor. Estou
disposto a conversar, dialogar e tentar encontrar um caminho
que traga mais benefícios ao trabalhador.” O
ministro destacou que “o trabalhador rende mais com
uma carga de trabalho menor”.
Multidões
Em todo o país, as comemorações do
Dia do Trabalho reuniram milhares de pessoas. No Autódromo
de Interlagos, em São Paulo, a festa da CUT reuniu
100 mil trabalhadores. Também na capital paulista,
a Força Sindical reuniu 800 mil pessoas.
Em Curitiba, as comemorações patrocinadas
pelo governo do estado e pela Força Sindical levaram
154 mil trabalhadores para o Centro Cívico. Na capital
do Paraná, o Dia do Trabalho também foi celebrado
com uma romaria de 400 pessoas no Boqueirão. Eles
pediam a redução da jornada e a garantia
de direitos para os carrinheiros. Em Foz do Iguaçu,
uma passeata da CUT reuniu cerca de mil trabalhadores,
que também reivindicaram a diminuição
da carga horária de trabalho.
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Gazeta do Povo, 02 de maio
de 2008
Aposentadoria
Mudança no cálculo
beneficia mais ricos
O fim do fator previdenciário
fará com que as despesas da Previdência Social
cheguem a 20% do Produto Interno Bruto em 2050, causando
má distribuição de renda
O fim do fator previdenciário e a vinculação
do reajuste dos benefícios previdenciários
ao aumento do salário mínimo, ambos aprovados
pelo Senado e em tramitação na Câmara
dos Deputados, farão com que as despesas da Previdência
Social venham a corresponder, em 2050, a 20% do Produto
Interno Bruto (PIB), segundo projeções do
Ministério da Previdência.
De acordo com estudo divulgado pela Secretaria de Políticas
de Previdência Social, as duas medidas, além
da proposta que altera a forma de cálculo que dá origem às
aposentadorias, não vão beneficiar os mais
pobres e sim aqueles com as aposentadorias mais altas. “É um
tiro no pé, em termos de distribuição
de renda”, afirmou o secretário de Políticas
de Previdência Social, Helmut Schwarzer.
Conforme o levantamento, se for considerado apenas o
envelhecimento natural da população, o impacto
dos gastos com a Previdência em relação
ao PIB, hoje estimado em 7%, chegará a cerca de
11% em 2050.
Schwarzer argumentou, durante reunião do Conselho
Nacional de Previdência Social (CNPS), que o fim
do fator previdenciário, além de causar desequilíbrio
fiscal das contas da Previdência, vai gerar um impacto “ruim” do
ponto de vista da distribuição de renda.
“As pessoas que hoje conseguem aposentadoria por
tempo de contribuição não são
trabalhadores rurais, nem trabalhadores do setor informal
ou domésticas. Não são as pessoas
que têm maiores dificuldades de inserção
no mercado de trabalho. Ao contrário. São
pessoas que conseguem comprovar o tempo de contribuição
formal. Portanto, tendem a não estar entre as pessoas
mais pobres do país”, argumentou o secretário,
rebatendo a tese do senador Paulo Paim (PT-RS), autor dos
dois projetos de lei que extinguem o fator previdenciário
e estendem os aumentos do salário mínimo
para aposentados e pensionistas.
Para Schwarzer, uma das alternativas para recompor as
perdas ocasionadas pelo fim do fator previdenciário
seria o aumento de impostos ou do valor da alíquota
previdenciária. “Temos que praticamente dobrar
as alíquotas de contribuição para
Previdência Social. Acredito que o país não
quer um aumento da carga tributária dessa forma”,
disse.
O público beneficiado com um eventual fim do fator
previdenciário, segundo Schwarzer, é pequeno.
Correspondeu, no mês de março, a 6% do total
de benefícios concedidos e a 15% das aposentadorias
emitidas. O secretário explicou que esses percentuais
têm participação significativa em termos
de valores pagos pelo INSS: 10,3% nos benefícios
concedidos e 28,5% dos emitidos.
Outro argumento utilizado pelos técnicos da Previdência
para que a Câmara rejeite o fim do fator previdenciário é a
arrecadação. Desde a implementação
do fator previdenciário, em 1999, foram arrecadados
R$ 10,1 bilhões. A previsão para este ano é de
que sejam economizados aproximadamente R$ 5 bilhões.
Apesar da economia, Shwarzer avalia que a regra ainda é falha,
pois não mudou consideravelmente a idade em que
são concedidas as aposentadorias no país. “O
fator previdenciário não conseguiu fazer
com que as idades das aposentadorias chegassem a 56, 57,
58 anos de idade ou mesmo 60, no caso dos homens. Só elevou
em um ano e meio”, argumentou. Em 2007, a média
de idade para aposentadorias por tempo de contribuição
foi de 54,4, para os homens, e 53,33 para as mulheres.
O secretário de Seguridade Social da Confederação
Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap), Luiz
Adalto da Silva, avalia que o fator previdenciário é uma
regra injusta porque beneficia apenas o governo.
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Folha de São Paulo,
02 de maio de 2008
Exportador prevê tombo
no saldo comercial
Com grau de investimento, atração
de capital estrangeiro deve derrubar ainda mais o dólar
e prejudicar embarques, dizem empresas
Associação de exportadores
teme que saldo da balança fique negativo em 2009;
empresários iniciam pressão por queda da
taxa de juro
FÁTIMA FERNANDES, DA REPORTAGEM
LOCAL
GITÂNIO FORTES, DA REDAÇÃO
Os exportadores brasileiros temem que a provável
entrada de mais capital estrangeiro no país, efeito
da conquista da posição de país seguro
para investimentos pela agência de classificação
de risco Standard & Poor's, possa tornar negativo o
saldo da balança comercial brasileira no ano que
vem.
" Ser considerado grau de investimento foi ótimo para o Brasil e
péssimo para o setor de comércio exterior", afirma José Augusto
de Castro, vice-presidente da AEB (Associação de Exportadores do
Brasil).
A entrada de mais capital estrangeiro no país resultará na
valorização do real em relação ao dólar,
o que aumenta a dificuldade para competir no mercado externo. "Essa
situação deve se agravar", afirma.
Para a AEB, o saldo da balança comercial brasileira deve chegar
a US$ 22 bilhões neste ano, depois de alcançar US$ 46
bilhões em 2006 e US$ 40 bilhões em 2007. "Não
me surpreenderia se voltássemos a ter déficit comercial
em 2009. Basta que as exportações de commodities caiam",
afirma.
" Preocupação com o câmbio existe", diz Cesário
Ramalho, presidente da SRB (Sociedade Rural Brasileira). Segundo ele, é preciso
buscar alguma compensação para uma nova onda de valorização
do real. "Teria de ocorrer uma queda de juros imediata", afirma Pedro
de Camargo Neto, presidente da Abipecs (Associação Brasileira da
Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína).
O agronegócio, que desempenhou papel fundamental para o saldo
da balança comercial desde a década passada, "não
agüenta pagar a conta sem a redução dos juros",
diz Camargo Neto. Mesmo com os preços agropecuários internacionais
em alta, o campo enfrenta forte alta dos insumos, sobretudo fertilizantes
e combustíveis. "Isso pode resultar em redução
de produção à frente."
Balança comercial
O Relatório Focus do Banco Central, que reúne as expectativas
de mercado, prevê um saldo de US$ 25 bilhões para a balança
comercial neste ano e de US$ 17,5 bilhões em 2009. Para Castro,
da AEB, se a entrada de capitais estrangeiros for muito forte, é possível
que neste ano o saldo da balança comercial já seja menor
do que o previsto.
A provável apreciação do real vai agravar principalmente
as exportações de produtos manufaturados, que já estão
em queda, afirma Julio Gomes de Almeida, consultor do Iedi (Instituto
de Estudos para o Desenvolvimento Industrial).
" Conquistar grau de investimento é ótimo. Só que as
políticas que o governo diz que vai adotar para beneficiar as exportações
precisam vir com maior dose", afirma Almeida.
Recuo
No primeiro trimestre deste ano, o volume de exportações
de produtos manufaturados caiu 3,8% na comparação com
igual período do ano passado. No caso de produtos básicos,
a queda foi de 13,2%, e a de semimanufaturados, de 1,7%. Na média,
a queda geral nas exportações foi de 6,2% em volume.
" A exportação brasileira está sendo sustentada por
preços", diz Almeida. Na média, os embarques, em dólares,
subiram 13,8% no primeiro trimestre deste ano ante igual período do ano
passado. Os preços aumentaram 21,5% no período.
Para o Iedi e a AEB, o fato de o Brasil ser considerado um país
sólido para investimentos é motivo mais do que suficiente
para que o governo baixe os juros. "Se reduzir o custo de produção
das empresas, o governo ajuda a controlar a inflação.
Não existe mais desculpa para não reduzir os juros. O
grau de investimento é um atestado de boa saúde financeira
do país. Por isso, por que o governo pagaria mais para pegar
dinheiro emprestado?", afirma Castro.
José Velloso, vice-presidente da Abimaq (Associação
Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos),
diz que o setor conhece bem os efeitos do real sobrevalorizado. A balança
comercial do setor fechou 2006 com déficit de US$ 600 milhões
e, no ano passado, com US$ 4,2 bilhões. No primeiro trimestre
deste ano, a conta ficou no vermelho em US$ 2,5 bilhões. "Desse
jeito, o ano inteiro pode ter déficit de US$ 12 bilhões."
Além da redução dos juros, a Abimaq defende a
elevação do IOF (Imposto sobre Operações
Financeiras) para inibir a entrada de capital especulativo. " A
longo prazo, o grau de investimento vai ser ótimo, pela demanda
de máquinas que vai criar no país", diz Velloso.
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Folha de São Paulo,
02 de maio de 2008
Redução na jornada
marca festas do Dia do Trabalho
Principais centrais sindicais afinam
discurso para que carga de 40 horas semanais seja aprovada
em novo projeto de lei
Força estima que 1,2 milhão
de pessoas estiveram na Campo de Bagatelle, e CUT, 500
mil em quatro eventos; PM não fez estimativas
DA REPORTAGEM LOCAL
As centrais sindicais vão "endurecer" nas
negociações para conseguir levar ao Congresso
um projeto de lei que prevê a redução
da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem
redução salarial. A reivindicação
foi comum durante as comemorações do 1º de
Maio da CUT, da Força Sindical e da UGT (União
Geral dos Trabalhadores).
Neste ano, a Polícia Militar não divulgou a estimativa
de público nas festas. Os organizadores calcularam em 1,7 milhão
o total de pessoas presentes nos eventos -sendo 1,2 milhão na
festa da Força, na praça Campo de Bagatelle, e 500 mil
nos quatro eventos da CUT na Grande São Paulo. O maior deles
foi no autódromo de Interlagos, que, segundo os organizadores,
contou com 300 mil pessoas.
"É um momento oportuno para reduzir a jornada", disse Artur
Henrique, presidente da CUT. "A última mudança ocorreu há 20
anos e não significou o fim do mundo. Nem empresários nem trabalhadores
foram prejudicados. E isso não vai acontecer desta vez."
Com ele concordam as demais centrais, que ontem buscavam recolher 1
milhão de assinaturas para que a redução para
40 horas se transforme em projeto de lei. As centrais se organizam
para no próximo dia 28 promoverem uma paralisação
em âmbito nacional com o intuito de chamar a atenção
para suas reivindicações.
" Não é uma paralisação geral porque sabemos
que, no Brasil, ela é muito difícil de ser feita", disse Paulo
Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força e deputado federal (PDT-SP).
A impossibilidade de demissão imotivada e o direito do processo de negociação
dos servidores públicos, previstos nas convenções 158 e
151 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), também
estão na pauta de reivindicações.
Para convencer os empresários, Paulinho propõe trocar
a diminuição da jornada pela desoneração
da folha de pagamento. "O governo tira os impostos da folha de
pagamento e, na prática, paga o custo da redução",
completou. " O encargo mais pesado na folha de pagamento hoje é a
Previdência. Se reduzir a jornada, milhões de novos trabalhadores
seriam contratados e, portanto, o dinheiro que foi tirado da Previdência
seria reposto."
Segundo Artur Henrique, um estudo do Dieese prevê que a redução
da jornada possa gerar 2,2 milhões de novas vagas. Outro problema
será convencer os empresários a pôr fim às
horas extras. Para isso, o projeto da redução de jornada
também trará ferramentas legais que desestimulem os empresários. "Queremos
que o custo pago pela hora extra seja maior", diz o presidente
da CUT. "Assim, em vez de utilizar-se desse artifício,
o empresário optará por contratar um novo funcionário.
Com a desoneração da folha, esse projeto poderia ganhar
força."
Para Edílson de Paula Oliveira, presidente da CUT-São
Paulo, os setores da construção civil e os bancários
são os mais resistentes. "Mais de 70% da mão-de-obra
da construção civil é terceirizada e cumpre horas
extras", diz. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, diz estar empenhado
nessa campanha. "Sou pessoalmente favorável à redução
e meu partido [PDT] vai se articular para que o projeto avance no Congresso."
Discussão dura
Apesar disso, Lupi considera que essa discussão
deverá ser mais dura entre o setor patronal e o
dos empregados. Isso porque, para ele, as modificações
não podem resultar em diminuição de
salário nem em perda de emprego." Tendo essa
preocupação como meta, o resto pode ser negociado",
diz Lupi.
O ministro também faz questão de lembrar que foi o governo
quem encaminhou as mudanças propostas nas duas convenções
ao Congresso. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP),
que esteve na festas das centrais, afirmou que a comissão especial,
composta proporcionalmente por todos os partidos e criada para analisar
a proposta de emenda à Constituição, já foi
instalada e tem 40 sessões para deliberar. "Decorridas
as 40 sessões, vai para plenário."
Outras festas
A UGT reuniu 30 mil pessoas, de acordo com a PM, na comemoração
do 1º de Maio em Carapicuíba. Os organizadores estimaram
que 500 mil pessoas tenham passado pelo local da festa. Um protesto
que reuniu ontem cerca de 1.500 manifestantes no centro de São
Paulo, entre estudantes, punks e militantes do PSTU e da Conlutas,
entre outros, acabou com 38 detidos, segundo a PM.
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Folha de São Paulo,
02 de maio de 2008
CUT diverge da reforma sugerida
por Mangabeira
DA REPORTAGEM LOCAL
O projeto de reforma trabalhista apresentado pelo ministro
extraordinário de Assuntos Estratégicos,
Roberto Mangabeira Unger, está repleto de contradições,
na avaliação da CUT. "Concordamos que
os três principais temas são o combate à informalidade,
o aumento da participação do salário
na renda nacional e a mudança na estrutura sindical.
O problema está no conteúdo das propostas",
disse Artur Henrique, presidente da central.
A CUT pede, por exemplo, que, no caso da desoneração
da folha de pagamento para empresas, haja uma contrapartida para o
sistema de seguridade social. Haveria uma porcentagem definida sobre
o faturamento das empresas (variando conforme os setores) que seria
destinada à Previdência. "Isso sem contar a parte
garantida pelo projeto do ministro."
Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical, disse
que "a única reforma que nós queremos é essa",
referindo-se à redução da jornada e às
convenções 151 e 158, que se referem ao funcionalismo
público e às demissões imotivadas.
O ministro Carlos Lupi (Trabalho) disse que recebeu o projeto de Mangabeira
nesta semana e vai avaliá-lo. "Quem faz essa coordenação é o
ministro Mangabeira, porque isso visa o futuro. Sou o ministro que
cuida do presente." (DG, JW, PA e TR)
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Folha de São Paulo,
02 de maio de 2008
Câmara debaterá propostas
para o FGTS render mais
DA REPORTAGEM LOCAL
A Câmara dos Deputados promoverá seminário,
no dia 15 deste mês, para debater propostas para
melhorar a rentabilidade do FGTS (Fundo de Garantia do
Tempo de Serviço).
Além de diversas palestras, a deputada federal Luiza Erundina
(PSB-SP) apresentará a sugestão de um projeto de lei
que modifica a lei nº 8.036/90, "objetivando trazer justiça
e cidadania para o trabalhador contra perdas e fraudes".
O evento contará com as presenças do presidente da Câmara,
Arlindo Chinaglia (PT-SP), de representantes do governo (ministérios
do Trabalho e Emprego e Público do Trabalho, Caixa e Conselho
Curador do FGTS), de empresários (CNI e CNT), de centrais sindicais
(UGT e CUT), da Bovespa e do presidente do Instituto FGTS Fácil,
Mario Avelino.
As propostas para melhorar a rentabilidade do FGTS tomam por base cálculos
do Instituto FGTS Fácil mostrando que, desde fevereiro de 91,
quando a TR passou a ser o índice de correção
das contas, os trabalhadores tiveram perdas em torno de 30% em relação
ao INPC.
Durante o evento, Avelino lançará o livro "FGTS
- 41 Anos - Ganhos, Perdas e Fraudes".
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Seminário "FGTS - 41 Anos - Justiça para o Trabalhador" -
dia 15 de maio, das 9h às 18h, Câmara dos Deputados, auditório
Nereu Ramos, inscrições pelo site www.camara.gov.br e
pelos telefones (0-xx-61) 3216-6690/6694
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Folha de São Paulo,
02 de maio de 2008
Centrais abrem disputa por
sindicatos
Para receber parte do imposto sindical,
avaliada em R$ 100 milhões, entidades têm de
comprovar representatividade
Assédio é maior sobre
os 4.000 sindicatos que atuam de forma independente; viagens
e até cargos são oferecidos pelas centrais
CLAUDIA ROLLI
FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
O dinheiro do imposto sindical, equivalente a um dia de
salário do trabalhador, que começa a ser
repassado às centrais sindicais, provoca acirrada
disputa por sindicatos no país. É que, para
ter direito aos recursos provenientes desse imposto, a
lei nº 11.648, de março deste ano, determina
que as centrais comprovem um mínimo de representatividade.
Quanto maior o número de sindicatos filiados e de trabalhadores
sindicalizados, maior será a representatividade da central e
maior, portanto, a fatia obtida do imposto sindical. Pela lei, as centrais
que comprovarem representatividade poderão abocanhar 10% do
total arrecadado com o imposto sindical. Neste ano, sindicalistas e
especialistas estimam que esse percentual seja de R$ 100 milhões.
Para o Ministério do Trabalho, são R$ 60 milhões.
O principal alvo da disputa das centrais são 4.046 sindicatos
de trabalhadores que ainda são independentes (não têm
vinculação a essas entidades), segundo dados mais recentes
do recadastramento sindical do Ministério do Trabalho. Os outros
3.656 sindicatos já filiados a uma central também estão
na mira das entidades que correm atrás de representatividade.
Viagens ao exterior, indicações para disputar uma vaga
em eleições municipais, cargos na direção
da central, brindes variados e até a devolução
de uma parte do imposto sindical são alguns dos benefícios
que já foram oferecidos pelas centrais, segundo a Folha apurou.
Nessa "guerra por filiados" houve até uma espécie
de "caça" a CNPJ de sindicatos de todo o país
para fazer registro no site do ministério como filiado à determinada
central.
Busca pelo "ouro"
Em carta enviada em março deste ano a 2.000 sindicatos do país,
José Calixto Ramos, presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores
(NCST), pede aos sindicalistas que não forneçam o CNPJ
da entidade a outra central, caso procurados por telefone ou por carta.
" Com a recente aprovação do reconhecimento das centrais e
com o conseqüente repasse de parte da verba, oriunda da contribuição
sindical, teve início uma verdadeira corrida em busca do ouro", afirma
Calixto. "Trata-se de uma espécie de chantagem e uma maneira sórdida
e totalmente antiética de conquistar filiados", diz, ao se referir
ao pedido do CNPJ.
" Sem dúvida, o sindicato passou a ser moeda para as centrais",
afirma Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores).
A central, segundo o recadastramento do ministério, é a quarta
colocada no ranking sindical, com 351 sindicatos associados. A primeira é a
CUT (Central Única dos Trabalhadores), com 1.577 sindicatos; e a segunda,
a Força Sindical, com 721.
Patah informa que a sua central deve conseguir filiação
de mais 180 sindicatos até o final deste mês. "Vai
ser uma luta selvagem. Estamos voltados para os sindicatos do interior
do Brasil em alguns Estados, como Bahia, Santa Catarina e Pará",
afirma. "Alguns sindicatos nem sabem que as centrais foram regulamentadas.
Nossos assessores estão indo pessoalmente a esses sindicatos
para levar nossa mensagem. Pedimos a eles que lutem pelos trabalhadores
e para se filiarem. Queremos ter ao menos 500 sindicatos filiados."
O Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de
Osasco e região, recém-desfiliado da Força, está sendo
assediado por várias centrais. "Sou um dos fundadores da
Força, mas não havia mais compatibilidade com a direção
da central. Optamos pela CTB [Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras
do Brasil]", diz José Roberto Silva dos Santos, presidente
do sindicato.
A CTB é formada por sindicatos dissidentes da CUT e, em sua
maior parte, ligados ao PC do B. Após o sindicato trocar de
central, Santos foi convidado a disputar pelo PC do B o cargo de prefeito
em Osasco.
Assédio
No Nordeste, UGT e CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil)
foram as centrais que mais assediaram os sindicatos ligados à Nova
Central Sindical de Trabalhadores (NCST). "Recebemos da UGT a
ficha de nossa filiação pronta pelo Correio. No documento
constava até nosso CNPJ", diz Antonio Diogo dos Santos,
presidente do Sindicato dos Hoteleiros de Pernambuco (filiado à NCST),
que representa 30 mil trabalhadores em 26 cidades.
" Todo ano as centrais terão de comprovar a representatividade. É natural
que haverá reacomodação de forças. Vamos continuar
fazendo o que sempre fizemos, que é convidar as pessoas e sindicatos a
se filiarem à nossa central", diz Antonio Neto, presidente da CGTB.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio
vai manter, por enquanto, a posição de independente e
não deve se filiar a uma central. "Já nos procuraram
Força, CUT, UGT, Nova Central, CTB e outras. Ainda vamos discutir
esse assunto em reunião de diretoria", diz José Augusto
da Silva Filho, diretor da confederação.
Em Santa Catarina, dirigentes de sindicatos que mudaram de uma filial
para outra ou de entidades que eram independentes e escolheram se vincular
a uma central foram "convidados" a participar de seminários
internacionais e viagens.
"Canadá, Japão foram alguns dos itinerários concedidos
a quem aceitou se associar a uma central", diz Altamiro Perdoná,
presidente da Federação dos Trabalhadores da Construção
Civil de Santa Catarina.
Frase
"Com a recente aprovação do
reconhecimento das centrais e com o conseqüente
repasse de parte da verba, oriunda da contribuição
sindical, teve início uma verdadeira corrida em
busca do ouro"
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JOSÉ CALIXTO RAMOS
presidente da NCST (Nova Central
Sindical de Trabalhadores)
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Folha de São Paulo,
02 de maio de 2008
Governo estima que repasse
será de R$ 60 milhões
DA REPORTAGEM LOCAL
O Ministério do Trabalho estima que R$ 60 milhões
de imposto sindical serão divididos entre as centrais
que comprovarem representatividade neste ano. As centrais
já falam em R$ 100 milhões.
Esse valor corresponde a 10% do imposto sindical, que foi da ordem
de R$ 1,3 bilhão no ano passado. O imposto descontado de forma
compulsória equivale a um dia de salário do trabalhador.
Do total arrecadado, 60% vão para os sindicatos; 15%, para as
federações; 5%, para as confederações,
e 10%, para o Ministério do Trabalho .
O ministério ficava com 20% do imposto sindical. Com o reconhecimento
das centrais pelo governo, ficará agora com 10%. O MTE recebeu
cerca de R$ 270 milhões de imposto sindical no ano passado e
prevê receber R$ 200 milhões neste ano, segundo estima
André Grandizoli, secretário-adjunto de Relações
do Trabalho do MT.
As centrais sindicais tinham prazo até o dia 22 de abril para
informar ao ministério o número de sindicatos filiados
e sua base de trabalhadores. E até anteontem para apresentar
documentação que comprove a filiação dos
sindicatos. As novas filiações passam, portanto, a valer
só no ano que vem, segundo Grandizoli.
" A disputa por sindicatos é grande e é legítima. As
centrais vão ter de convencer os trabalhadores com o trabalho que elas
fazem", afirma. A lei nº 11.648, de 31 de março deste ano, estabelece
que, para ser reconhecida -e, portanto, ter acesso aos 10% do imposto sindical-,
a central tem de ter: 1) no mínimo cem sindicatos distribuídos
em cinco regiões do país; 2) 20 sindicatos em pelo menos três
regiões; 3) sindicatos em, no mínimo, cinco setores de atividade
econômica; e 4) filiação de sindicatos que representam no
mínimo 7% do total de empregados sindicalizados no país.
Existiam 16,2 milhões de trabalhadores sindicalizados no país
há dois anos -ou 18,6% da população ocupada, segundo
dados mais recentes da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios),
do IBGE. Em 1996, os sindicalizados representavam 16,6% da população
ocupada.
Do imposto sindical arrecadado em 2007, de R$ 1,3 bilhão, a
maior parte, R$ 754 milhões, saiu do desconto de um dia dos
empregados; R$ 504 milhões foram pagos pelas empresas (o imposto é proporcional
ao capital social); e o restante (R$ 42 mil), pelos autônomos. (FF
e CR)
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Folha de São Paulo,
02 de maio de 2008
Ação no STF contesta
repasse de imposto sindical a centrais
DA REPORTAGEM LOCAL
O repasse de verbas do imposto sindical para as centrais
sindicais é questionado em ação direta
de inconstitucionalidade encaminhada ao STF (Supremo Tribunal
Federal) pelo partido DEM. Para o deputado Rodrigo Maia,
a disputa entre as centrais para filiar sindicatos e provar
a representatividade é prova de que as entidades
estão "só interessadas" no imposto.
" Daqui a pouco os sindicatos vão até a Bolsa de Valores criar
um produto para oferecer ao mercado, uma vez que as centrais já os disputam
como se valessem ouro", diz. "A estrutura sindical no país é falha.
As pessoas são obrigadas a contribuir. O correto é que o pagamento
fosse espontâneo."
O deputado diz que a lei que permite o repasse de 10% do imposto sindical é "ilegal" e "imoral". "O
presidente Lula vetou o artigo que previa que os recursos do imposto
sindical que serão repassados às centrais fossem fiscalizados
pelo TCU [Tribunal de Contas da União], o que é um equívoco.
Como não podíamos questionar o veto, estamos questionando
a legalidade da transferência dos recursos do imposto sindical
para as centrais. Essa transferência não está prevista
na Constituição."
Para Cláudio Montesso, presidente da Anamatra (associação
dos juízes do Trabalho), a pressão para filiar sindicatos
-e até mesmo as formas com que a filiação vem
ocorrendo- mostra um "comportamento ético, no mínimo,
reprovável". Em sua avaliação, o sindicato
que teve seu CNPJ utilizado de forma indevida pode entrar com uma ação
penal. "Se isso ocorreu, caracteriza falsidade ideológica",
diz Montesso. "Nada disso ocorreria se o imposto sindical fosse
extinto."
Luiz Antonio de Medeiros, secretário de Relações
do Trabalho, diz que até julho o governo quer resgatar a proposta
de extinguir o imposto sindical e substituí-lo por uma contribuição
negocial, cujo valor é definido em assembléia. A proposta
da taxa foi feita durante as discussões do Fórum Nacional
do Trabalho. "As centrais sindicais querem segurança jurídica
maior, para não perder o imposto sindical se, depois, a nova
lei passar a ser, por exemplo, considerada ilegal pelo STF."
Centrais
O presidente da CUT, Artur Henrique, diz que a central "não
está preocupada" com o aumento do número de sindicatos
filiados. "Nosso debate não é aumentar o número
de sindicatos. Só queremos os sindicatos que têm compromisso
com o estatuto da CUT e proposta de concepção sindical
que a CUT defende", afirma.
A CUT, segundo ele, tem cerca de 3.500 sindicatos filiados -uma parte
deles ainda não tem documentação registrada no
Ministério do Trabalho. " Estamos dando assessoria para
que os sindicatos façam registro no Ministério do Trabalho.
A CUT já é a maior central do Brasil e do mundo em número
de filiados. São 7 milhões de associados aos nossos sindicatos",
afirma Henrique.
Na Força Sindical, a busca é por sindicatos independentes. "Enviamos
carta desde o início do ano explicando a importância de
estar filiado a uma central na negociação coletiva e
para participar da discussão de políticas públicas.
As centrais têm assento nos conselhos do FAT, da Previdência,
do BNDES, entre outros", afirma João Carlos Gonçalves,
secretário-geral da entidade.
José Maria de Almeida, presidente do PSTU e membro da coordenação
nacional da Conlutas, diz que os sindicatos ligados à central
não têm interesse em fazer o recadastramento no MTE porque "não
têm interesse no imposto sindical". "Nossos sindicatos
são financiados pelas mensalidades dos sócios. Recebemos
cerca de R$ 120 mil a R$ 150 mil por mês. É pouco, mas é melhor
receber pouco do que receber muito dinheiro do governo e ficar subordinado
a ele. O sindicato não pode estar atrelado ao Estado. Se tem
dependência financeira, tem dependência política",
diz Almeida.
Para Wagner Gomes, presidente da CTB, essa disputa por sindicatos é algo
pontual. "Quem já está filiado vai continuar filiado à central
já escolhida. O alvo da disputa são os independentes." (CR,
FF e PA)
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