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CORREIO DA BAHIA, 05 de maio
de 2008
Governo e centrais discutem mudanças
no imposto sindical
SÃO PAULO - Governo e centrais sindicais estão discutindo a substituição
do imposto sindical, que o trabalhador é obrigado a pagar, pela contribuição
negocial, uma taxa que seria decidida em assembléias das categorias.
Os trabalhadores decidiriam não só se querem pagar para o sindicato
se manter, mas também quanto vão pagar. A fórmula, já aceita
pelas duas principais centrais sindicais do país, CUT e Força
Sindical, é defendida pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
“ Essa contribuição
negocial é a possibilidade de o próprio trabalhador aprovar
o que tem que pagar ao seu sindicato. Ele tem que negociar. Se um bom
sindicato consegue bons avanços, o trabalhador vai ter prazer
em contribuir. Se ele perceber que o sindicato não consegue bons
avanços, ele não vai aprovar a contribuição”,
defende o ministro.
A proposta da CUT, de acordo
com o presidente Arthur Henrique, é acabar com o imposto e com
as taxas compulsórias que são garantidas na Constituição,
criando a contribuição da negociação coletiva
aprovada em assembléia. “Sindicatos sérios, representativos,
não vão ter dificuldade de cobrar essa taxa e aprovar na
assembléia. Agora, os sindicatos que são de gaveta, sindicatos
fantasmas, que não representam ou que não prestam serviços,
tanto de empregador quanto de trabalhador, vão ter muita dificuldade
de aprovar nas assembléias”, prevê Arthur Henrique.
Divergências -
O governo pretende enviar a proposta ao Congresso até o final
de julho. O presidente da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira
da Silva (PDT-SP), o Paulinho, diz que ainda há divergências
na discussão sobre o fim do imposto. “Temos divergências
ainda. Quando a Câmara tinha acabado com o imposto sindical, havia
unanimidade das centrais. Agora não está mais bem assim.
Tem gente achando que é melhor deixar como está. Nós
e a CUT temos um compromisso de mudar isso, de acabar com esse imposto
e criar uma contribuição negocial”, afirma Paulinho.
Pelo lado do governo, o negociador é o
secretário de Relações do Trabalho do Ministério
do Trabalho, Luiz Antonio de Medeiros, ex-presidente da Força
Sindical. Ele não esconde que a preocupação com
a corrupção é um dos motivos de se querer acabar
com o imposto. (AG)
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O GLOBO ONLINE, 05 de abril
de 2008 | País
Nos palanques das centrais sindicais,
reforma trabalhista fica de fora
Valor Online
SÃO PAULO - A diminuição da jornada de trabalho sem redução
do salário unificou a pauta das principais centrais sindicais do país
nos atos em comemoração ao 1º de Maio. A redução
da jornada de 44 horas para 40 horas semanais, entretanto, não aparece
no projeto de reforma trabalhista divulgado nesta semana pelo ministro de Assuntos
Estratégicos, Mangabeira Unger.
A proposta de reforma trabalhista,
discutida durante meses no Fórum Nacional do Trabalho por sindicalistas,
governo e empresários, passou longe dos palanques das principais
centrais sindicais do país. Os sindicalistas focaram seus discursos
em elogios ao governo federal, ao crescimento real do salário
mínimo, à criação de milhares de novos empregos
com carteira assinada e ao desenvolvimento econômico brasileiro
- além da redução da jornada.
Longe dos microfones dos palcos
onde foram realizados os atos políticos, sindicalistas mostraram
preocupação com pontos da reforma proposta por Mangabeira.
Não entendi a proposta. Me pareceu muito genérica , disse
Luiz Antônio Medeiros, um dos fundadores da Força Sindical
e secretário de Relações do Trabalho do Ministério
do Trabalho. A nova forma de financiamento da Previdência, por
meio de um imposto único, em substituição à atual
contribuição patronal sobre a folha de pagamentos, é um
dos pontos obscuros. O presidente da CUT, Artur Henrique da Silva, não
concorda que a contribuição previdenciária seja
aplicada em um imposto geral como propõe Mangabeira. Um percentual
pode ser, mas a outra parte tem que ser sobre faturamento , disse. Retirar
da folha e colocar no IVA não vai garantir os recursos para a
seguridade social.
Henrique disse que a central
apóia as linhas gerais da proposta, como combate à informalidade,
aumento da participação do salário na renda nacional
e mudar a estrutural sindical. O problema está no conteúdo.
Quando começa a descrever as propostas, começam a aparecer
as contradições , disse. Ele afirmou que não concorda
de jeito nenhum com desoneração da folha sem contrapartida:
Tem que ter dinheiro garantido para a seguridade social .
Para o dirigente da Força
Sérgio Luiz Leite, que participou das conversas com Mangabeira,
ao tratar da desoneração da folha, é preciso buscar
o equilíbrio ao tributar pelo faturamento das empresas.
O temor de mudanças que
prejudiquem os trabalhadores, a partir de novas regras para o financiamento
da Previdência, veio inclusive do governo. Para o ministro do Trabalho,
Carlos Lupi, é preciso vincular a desoneração da
folha de pagamentos à criação de novos empregos.
Senão, pode prejudicar a Previdência, que já tem
muitos problemas. Não podemos agravar a situação
, apontou.
O presidente da Força
Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, pediu apoio ao PDT, PSB
e PCdoB para derrubar o fator previdenciário, que pode achatar
o salário dos trabalhadores quando se aposentam. O fim do fator
previdenciário, reivindicação das centrais, não
aparece na reforma de Mangabeira. Paulinho, entretanto, analisou a reforma
trabalhista como estruturante e por isso minimiza o fato de as pautas
das centrais, como a redução da jornada e a aprovação
das convenções 151 e 158, não terem sido contempladas.
Da base governista, o presidente
da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT), afirmou que a
proposta de reforma trabalhista é um exercício bom , mas
ainda está no plano das concepções . Ele afirma
que a preocupação principal do ministro é não
beneficiar apenas os trabalhadores formais, mas incluir também
os informais. Chinaglia disse que o ministro teve o cuidado de, ao propor
a retirada da contribuição previdenciária sobre
a folha de pagamentos, garantir a criação de outra fonte
no Orçamento.
A aprovação da
proposta no Congresso preocupa os sindicalistas. João Carlos Gonçalves,
o Juruna, dirigente da Força, mostrou-se pessimista quanto ao
apoio dos parlamentares. No Congresso fica difícil de aprovar.
Estou cético. Temo que não avance , comentou.
Para além da reforma trabalhista,
o grande tema de ontem nas festas foi a diminuição da jornada
de trabalho - além da defesa do governo Lula. Na festa da Força
Sindical, no Campo de Bagatelle, zona norte de São Paulo, a central
coletou assinaturas para enviar ao Congresso, como forma de pressionar
a aprovação do projeto dos senadores Paulo Paim (PT-RS)
e Inácio Arruda (PCdoB-CE), que defendem esse ponto. As centrais
sindicais estão organizando uma manifestação nacional,
com paralisações e greves, no dia 28. Os sindicalistas
receberam apoio da Confederação Nacional dos Bispos do
Brasil (CNBB), que divulgou uma nota favorável à campanha.
O ato político da Força
Sindical foi esvaziado com a ausência do ministro da Previdência,
Luiz Marinho, dos governadores tucanos José Serra (SP) e Aécio
Neves (MG) e do pemedebista Roberto Requião (PR), e do deputado
Ciro Gomes (PSB-CE), todos previstos pela organização.
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), desafeto de Paulinho,
não foi convidado , segundo o pedetista. O presidente da Força
aparece em investigações feitas pela Polícia Federal
de um esquema de desvio de recursos públicos do BNDES . Na investigação,
Paulinho aparenta estar envolvido na elaboração de um dossiê contra
Kassab. Paulinho disse saber menos que a imprensa sobre o dossiê e
teve apoio de Lupi.
O momento mais polêmico
da festa da Força foi quando a ministra do Turismo, Marta Suplicy,
discursou. A ex-prefeita de São Paulo, petista, foi vaiada do
início ao fim de sua fala, mesmo após pedido feito por
Paulinho para que as cerca de 800 mil pessoas não a agredissem.
A CUT comemorou o 1º de
Maio no autódromo de Interlagos e em mais três lugares.
Os eventos reuniram 500 mil pessoas, 300 mil em Interlagos e 200 mil
em outras localidades, segundo a CUT. Estiveram presentes Kassab, Marta,
Lupi, Chinaglia, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o senador Suplicy.
O deputado José Genoino (SP) e o ex-tesoureiro do PT, Delúbio
Soares, envolvidos no mensalão, também estiveram no evento.
O ministro da Previdência e ex-presidente da CUT, Luiz Marinho,
esperado, não foi.
(Cristiane Agostine e Raquel Landim
| Valor Econômico )
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Diário Vermelho, 5
de maio de 2008
Empresários gaúchos
reagem à redução da jornada
Representantes de setores empresariais
do Estado do Rio Grande do Sul reagiram à reivindicação
das centrais sindicais, feita no 1º de Maio, quanto à redução
da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas. O ministro do Trabalho,
Carlos Lupi, apoiou a reivindicação, mas observou que será necessária
negociação. Já os empresários gaúchos
rejeitaram sumariamente a reivindicação.
O presidente do Sistema Fecomércio no RS, Flávio Sabbadini, disse
que o setor é contra a redução. "Outros países
já fizeram isso e não houve criação de mais postos.
Vários estão voltando atrás."
O presidente do Sinduscon/RS, Carlos Alberto Aita, afirmou que, no atual momento
da construção civil, a redução da jornada é desnecessária.
Conforme ele, o setor segue em expansão e os contratos crescem. Segundo
números da entidade, a construção civil vai gerar mais
30 mil postos nos próximos dois anos na região Metropolitana.
Igual opinião contra a redução tem o vice-presidente da
Associação do Aço, Sérgio Neumann.
Estudo do Dieese aponta que a redução da jornada poderia gerar
2,3 milhões de novos postos.
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Congresso em Foco, 5 de maio de 2008
O tripé da democracia no governo
Lula
Antônio Augusto de Queiroz*
O papel de três instituições essenciais à democracia – partidos,
sindicatos e imprensa – passa por importantes transformações
no Brasil. As mudanças são qualitativas e meritórias,
porque resgatam a verdadeira vocação dessas instituições
sem, contudo, eliminar as organizações não-governamentais
(ONGs) nem tampouco prejudicar a área de atuação desses
novos atores sociais, como a defesa do consumidor, a política ambiental,
as questões de gênero e raça, os direitos das crianças
e idosos, entre outros.
Os partidos políticos, por decisão recente do Supremo Tribunal
Federal (STF), passaram a ser os detentores dos mandatos de seus representantes
(presidente da República, governador, prefeito, senador, deputado e
vereador), devendo esses seguir a doutrina, o ideário e o programa das
legendas pelas quais foram eleitos, sob pena de perda de titularidade do cargo.
Esse fato, além de pôr fim ao troca-troca partidário, fortalece
os partidos e exige deles uma maior clareza de propósitos e definições
políticas e ideológicas como condição para continuarem
cumprindo a missão de disputar e gerir o poder nas três esferas
de governo: federal, estadual e municipal.
Os sindicatos, por intermédio das centrais – recentemente legalizadas –,
têm dado importantes demonstrações de unidade na defesa
de políticas públicas e das lutas e bandeiras da classe trabalhadora.
Além da participação em diversos órgãos
colegiados de diálogo social e espaços públicos, nos quais
são debatidos assuntos de interesse da classe trabalhadora, pode-se
credenciar à pressão sindical uma série de conquistas
do movimento sindical no governo Lula.
Nesses primeiros cinco anos de mandato, podem-se mencionar dez gestos do governo
para com o movimento sindical: 1) retirada do Congresso do projeto de flexibilização
da CLT; 2) veto à Emenda 3 da Super Receita; 3) aumento real do salário
mínimo; 4) correção da tabela do imposto de renda; 5)
MP do comércio aos domingos; 6) projeto de reconhecimento das centrais
sindicais; 7) envio ao Congresso das convenções 151 e 158 da
OIT; 8) decreto de participação sindical no Sistema “S”;
9) realização de concursos e reajuste salarial dos servidores;
e 10) compromisso de participação da representação
dos trabalhadores nos conselhos das empresas estatais.
A imprensa, igualmente, passa por um importante processo de transformação,
com as grandes empresas privadas de comunicação perdendo o monopólio
da formação de opinião no país. O advento da internet
e o surgimento de novos meios e formas de divulgação e disseminação
de informações, inclusive via veículos oficiais, têm
deixado a grande imprensa preocupada com a audiência e/ou leitura de
seus periódicos.
O desespero dos grandes conglomerados de comunicação por audiência
e venda de publicações, depois de perder a campanha para deposição
do presidente Lula, vai desde o denuncismo vazio, passa pela tentativa de editorialização
das notícias, até a espetacularização de crimes
e assassinatos, como o da menina Isabella Nardoni.
A população ganhou novos meios, como os blogs e as rádios
e televisões públicas e/ou comunitárias, para se informar
e formar seu juízo de valor sobre os fatos e notícias, não
dependendo apenas da grande imprensa. A prova disso é que campanhas
assumidas pelos conglomerados de comunicação não tem obtido êxito,
especialmente quando camuflam outros interesses.
A tendência de resgate do verdadeiro papel das instituições
que constituem o tripé da democracia, se confirmada em governos futuros,
será boa para o trabalhador, para o eleitor, para o consumidor, para
o contribuinte, para o cidadão e, principalmente, para os governantes,
que deixarão de ser reféns de eventuais chantagens de grandes
conglomerados de comunicação.
*Antônio Augusto de Queiroz é jornalista,
analista político e diretor de Documentação
do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).
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Folha
de São Paulo, 5 de maio de 2008
Brasil possui uma "Itaipu atrasada" em
novas usinas
Há 15 mil MW em usinas autorizadas que
não saíram do papel, aponta Aneel | De cada 10 MW prometidos,
agência acredita que 3 MW podem entrar em operação
nos próximos anos; governo diz que não faltará energia
Antônio Gaudério
- 7.ago.08/Folha Imagem

Corredeiras do rio Madeira (RO), onde será construída a usina
de Santo Antônio, que só deve entrar em operação
depois de 2011
AGNALDO BRITO
DA REPORTAGEM LOCAL
Metade da capacidade de geração
de energia elétrica prometida por empreendedores ao país
não tem qualquer previsão para entrada em operação.
Somadas, essas usinas espalhadas por todo o território brasileiro
equivalem ao potencial da usina hidrelétrica de Itaipu, a maior
do país e responsável por sustentar 20% da eletricidade
consumida pelo Brasil. É o que revela o último levantamento
da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) atualizado
em abril e disponível na página do órgão
regulador na internet.
Entre concessões de hidrelétricas e autorizações
de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), parques eólicos ou
termelétricas, o país aguarda a construção de usinas
que, somadas, dariam ao sistema mais 29,5 mil MW (megawatts) em capacidade
de geração, um incremento de 30% sobre o atual potencial instalado
no país.
No total, são 508 empreendimentos planejados. O governo reconhece o
problema, mas mantém a promessa: não vai faltar energia.
Levantamento da Folha nos relatórios da Aneel mostra que 15 mil MW,
ou 51% da promessa de nova capacidade, autorizados ou concedidos pela Aneel
não possuem qualquer previsão de instalação. São
obras que possuem "graves impedimentos para entrada em operação",
segundo relato da Aneel. Segundo o grupo de fiscalização da agência,
as obras receberam uma tarja vermelha.
A capacidade instalada em atraso pode ser ainda maior se considerados os problemas
enfrentados por um conjunto de 17,8% das obras, que também possuem impedimentos
para entrada em operação, embora não recebam a legenda
de "graves impedimentos" no documento. São 5,24 mil MW em
potencial nessa situação.
No levantamento, esses empreendimentos ou "não tiveram as obras
iniciadas" ou também aguardam licenciamento ambiental. Como são
obras de menor porte, grande número de licenças é concedida
pelas agências ambientais dos Estados, e não pelo Ibama.
Esses projetos recebem a cor amarela, de atenção. "Muitas
dessas obras possuem pequenos problemas que podem ser resolvidos em pouco tempo.
Podem, portanto, serem enquadradas como obras em andamento", afirma a
Aneel.
Para João Carlos de Oliveira Mello, presidente da consultoria Andrade & Canellas,
que acompanha a evolução da infra-estrutura energética
no país, a dúvida maior não está nos empreendimentos
com atrasos considerados relativamente simples, mas na metade da capacidade
instalada sem previsão de instalação.
" São pequenos projetos, mas que somados representam um volume importante
de geração. São relevantes porque, de fato, não há grande
quantidade de energia nova que entrará no sistema elétrico brasileiro
nos próximos dois, três anos. Esse atraso é preocupante."
Baixa garantia
Dos 29,5 mil MW prometidos por empreendedores à Aneel, 9,22 mil MW formam
a capacidade que a Aneel acredita que deverá entrar no sistema elétrico
brasileiro nos próximos anos, equivalente a 31,2% do total. De cada
10 MW prometidos por empreendedores, apenas 3 MW podem sair do papel efetivamente.
O Brasil terminou o ano de 2007 com um potencial de geração instalado
de 100,3 mil MW e tem uma expectativa "conservadora" de elevá-lo
até dezembro deste ano a 103,5 mil MW, o que exigiria a entrada em operação
de uma nova capacidade de mais 3.200 MW.
Esse potencial equivale a uma usina do porte de Santo Antônio, cuja concessão
foi arrematada em dezembro por um consórcio liderado pela Odebrecht,
ou Jirau, que deve ser leiloada no próximo dia 19. Ambas ficam no rio
Madeira.
As estimativas da Aneel, contidas no relatório, indicam que neste ano
2,55 mil MW em potencial de geração serão ligados ao SNI
(Sistema Interligado Nacional). A previsão, conforme o cronograma inicial,
era ter 4,3 mil MW em capacidade nova. O governo federal aguarda a entrada
de mais 2.583 MW.
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Folha de São Paulo,
5 de maio de 2008
Real pode valer mais que dólar,
diz Buffett
Homem mais rico do mundo admite que tinha
visão atrasada sobre economia brasileira e diz que real é bom
para investir | Em encontro anual para acionistas de sua empresa,
Warren Buffett diz que foi alertado para o país e o real por
Jorge Paulo Lemann
CRISTIANE BARBIERI
ENVIADA A OMAHA (EUA)
O real continua sendo uma boa
opção para investidores e, no longo prazo, poderá,
como outras moedas que estão se fortalecendo, valer mais do que
o dólar. Essa é a opinião de Warren Buffett, presidente
do conselho da empresa de investimentos Berkshire Hathaway e considerado
o homem mais rico do mundo, de acordo com a revista "Forbes".
" O Brasil estava fora do meu radar", afirmou Buffett à Folha
ontem. "Eu tinha uma visão atrasada sobre a economia brasileira porque
os países latino-americanos, de maneira geral, têm uma fama ruim
em relação à estabilidade de suas moedas. Mas o mundo muda
e o Brasil mudou."
Quem o alertou sobre as mudanças no Brasil foi o empresário e
investidor Jorge Paulo Lemann, criador de vários negócios, entre
eles, a AmBev. "Um amigo querido e uma das pessoas mais inteligentes que
eu conheço", afirmou Buffett. "Jorge Paulo não me falou
especificamente para investir em reais, mas me contou sobre as perspectivas
de valorização da moeda. Segui a dica."
De acordo com ele, a Berkshire tem uma pequena parte de seu patrimônio,
que supera os US$ 75 bilhões, apenas em participações
em empresas, aplicado em reais.
Questionado se ele aproveitaria o enfraquecimento do dólar para investir
em ações de empresas americanas, foi categórico: não. "Se
as coisas continuarem no caminho em que estão para os países
produtores de matéria-prima, eu não duvidaria que essas moedas
[como o real e o dólar canadense] ultrapassassem a cotação
do dólar", disse Buffett. "Não digo no próximo
ano ou dois, mas em dez anos, certamente."
Durante a assembléia de acionistas no sábado passado, em Omaha
(Estado de Nebraska), Buffett já tinha afirmado que a tendência
da moeda americana é continuar em baixa.
" Os americanos mandam para fora US$ 2 bilhões por dia em moeda.
As políticas e o jeito de vida americana estimulam o enfraquecimento do
dólar e não há perspectivas de mudanças", afirmou.
Caminho oposto
Charlie Munger, vice-presidente do conselho e parceiro de Buffett de todas
as horas, afirmou que, em vez de pensar em investir nos Estados Unidos, pessoas
de lugares nos quais a moeda está se fortalecendo deveriam seguir o
caminho oposto e encontrar bons ativos em seus próprios países.
"É estranho como países socialistas como o Brasil e o Canadá estão
valorizando suas moedas, não?", ironizou Munger, já que os
dois países têm políticas sociais muito mais à esquerda
do que os EUA.
Sobre a crise americana, os dois pareceram estar bem calmos. "Já vivemos
outras crises antes e todas são diferentes e têm similaridades",
disse Buffett, de 77 anos de idade. "Nunca vi uma que se espalhasse para
outras áreas como essa. Com o passar do tempo, no entanto, a tendência é a
de recuperação", afirmou o investidor, cuja fortuna foi
avaliada pela "Forbes" em US$ 62 bilhões.
A estratégia de investimento da Berkshire, dizem eles, permite esse
tipo de "postura". "Investimos em empresas que têm potencial
de crescimento, e não no mercado de ações", diz Buffett. "A
Bolsa oscila de acordo com crises e com desempenhos trimestrais, mas sabemos
que as empresas em que investimos terão bom desempenho no longo prazo."
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Folha de São Paulo, 5 de maio de 2008
Emergentes temem perder capital para
o Brasil
DO ENVIADO A BASILÉIA
A elevação do Brasil a grau de investimento pela agência
Standard & Poor's já preocupa outros países emergentes, que
temem perder capitais para o mercado brasileiro. "Isso pode ocorrer",
reconheceu Durmus Yilmaz, presidente do BC da Turquia, país emergente
que ainda não recebeu grau de investimento, e cuja economia cresceu
4,7% em 2007, bem menos que a do Brasil (5,4%).
O presidente do BC mexicano, Gillermo Ortiz, prevê que se repita com
o Brasil o que ocorreu com seu país quando recebeu o carimbo de credibilidade
da agência Moody's, em março de 2000: um fluxo de investimentos.
Ele avalia que a economia do Brasil vive momento semelhante ao da mexicana
na época, que desde então não aplicou medidas para limitar
a entrada de capital especulativo.
Entre os banqueiros, parece prevalecer a opinião de que esse tipo de
restrição não funciona. "O único país
que tomou medidas nesse sentido foi o Chile, há muitos anos, e teve
que abandoná-las, porque fracassaram", disse uma autoridade monetária
na Basiléia, pedindo para não ser identificada.
A aposta entre países que têm o grau elevado é que esse
selo de qualidade melhore a qualidade do capital que entra na sua economia. "O
grau de investimento atrai capitais de longo prazo", explica a mesma autoridade. "Já o
capital especulativo joga fundamentalmente na cotação da moeda
e aposta em ganhos rápidos".
Martín Redrado, presidente do BC argentino, também acha que o
Brasil deve ficar com uma fatia maior do bolo de capitais internacionais destinados
aos mercados emergentes. Ainda assim, num momento de humildade, disse que isso
não afetará a capacidade de atração de seu país. "Ficaremos
satisfeitos com as migalhas [do Brasil] que caírem para nós",
diz, sorrindo.
Em meio à comemoração pelo grau de investimento, alguns
vêem nas turbulências financeiras atuais um risco à classificação
do Brasil. Segundo uma alta autoridade de um BC europeu, o bom desempenho do
Brasil se deve em parte ao boom das commodities, e isso poderia ser frágil
a médio prazo. Para ele, se for provado que o aumento de preços
se deve à especulação, e não à demanda,
a bolha pode estourar, com má repercussão ao Brasil. (MN)
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O DIÁRIO DO NORTE
DO PARANÁ, 05 de maio de 2008
Imóveis | Custos
Inflação silenciosa atinge construção civil
Juliana Fontanella
jufontanella@odiariomaringa.com.br
Douglas Marçal

Os campeões de aumento foram o aço, com quase 2%, e as esquadrias
de alumínio, com pouco mais de 1%
Sem fazer alarde, os materiais de construção estão subindo
todos os meses. Na última terça-feira, a Fundação
Getúlio Vargas (FGV) divulgou os números desta variação
no Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M).
O Índice Nacional da Construção
Civil (INCC) apresentou variação de 0,82% no mês
passado. De acordo com a FGV, o indicador acumula alta de 2,28% nos primeiros
quatro meses do ano. Nos últimos 12 meses, a variação
chegou a pouco mais de 7%.
O material de construção
teve aumento de 0,91% em abril e o setor de serviços, de 0,41%.
O segmento acumula altas de 7,63% nos últimos 12 meses.
Em relação à mão-de-obra,
a taxa de variação nacional atingiu 0,82% em abril, por
conta de reajustes salariais ocorridos nas cidades de Salvador e Rio
de Janeiro. No acumulado do ano, o grupo teve alta de 1,48% e nos últimos
12 meses encerrados em abril, 6,39%.
De acordo com a pesquisa, a contratação
de um ajudante especializado ficou 0,69% mais cara e o serviço
de um servente subiu 0,90%. Esses foram dois dos fatores que empurraram
o índice para cima.
Os campeões de aumento
foram o aço (1,59%); as esquadrias de alumínio (1,10%);
tubos e eletrodutos de conexão de aço ou ferro galvanizado
(4,17%).
O equilíbrio ficou com
a variação negativa de custos do porcelanato (-0,30%);
mármore branco nacional e granito (-0,08%); aquecedor (-0,36%)
e chuveiro elétrico, modelo simples ducha (-0,08%).
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DIÁRIO DO NORDESTE,
05 de maio de 2008 | Economia
Construção Civil:
Sem acordo entre patrões e operários
O impasse continua entre patrões e empregados da construção
civil de Fortaleza e Região Metropolitana. Não houve avanço
nas negociações entre as duas partes na primeira reunião
mediada pela Superintendência Regional do Ministério do Trabalho
e Emprego no Ceará (SRTE/CE).
O encontro ocorreu ontem, na
sede do órgão e foi comandado pelo superintendente, Papito
de Oliveira.
O vice-presidente do Sindicato
da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon),
Fernando José Porto, colocou a posição da entidade:
não negocia em clima de vandalismo e baderna que, segundo ele,
se instalou no movimento grevista desde o dia 22 de abril, quando começou
a paralisação da categoria.
Segundo o Sinduscon, os prejuízos
com o quebra-quebra nos canteiros de obras já chegam a R$ 2 milhões. “E
isso é um absurdo. Somos favoráveis à greve, que
entendemos como movimento legítimo de todo o trabalhador, mas
não nessas condições de violência”.
O Sinduscon, informa ele, possui
235 filiados e todos mantêm a mesma posição. O percentual
do reajuste em 15% é outro ponto que, na avaliação
da entidade, será preciso diminuir. “Está fora da
realidade. Nenhuma categoria teve reajuste nesse percentual”.
Um dos representantes do Sindicato
dos Trabalhadores da Construção Civil de Fortaleza Região
Metropolitana, Valdir Alves Pereira, rebateu as acusações
de que a entidade comanda os atos da vandalismo. “Não acontece
isso, até porque somos contrários a esse tipo de ação.
Vamos sim monitorar quem anda fazendo isso”.
O clima chegou a ficar acirrado
quando o advogado do Sinduscon, Cleto Gomes, mostrou fotos do Diário
do Nordeste de canteiros sendo destruídos. “As cenas não
mentem e a imprensa tem sido precisa na cobertura sobre a greve”.
Para evitar conflito, Papito
de Oliveira pediu calma e dividiu as duas partes para conversas em particular,
que aconteceram a portas fechadas.
O Sindicato dos Trabalhadores
se comprometeu em controlar os grevista a fim de evitar quebra-quebra
nos 300 canteiros de obras de Fortaleza e Região Metropolitana,
mas permanece firme com os 15% de reajuste e benefícios sociais.
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FOLHA
DE SÃO PAULO (ON LINE), 05 de maio de 2008 | Dinheiro
Acidentes de trabalho em usinas superam
o da construção civil
FELIPE BÄCHTOLD
da Agência Folha
O número de acidentes
de trabalho em usinas de açúcar superou os da construção
civil no país. Os dados são do Anuário Estatístico
de Acidentes de Trabalho produzido pelo Ministério da Previdência
e se referem a 2006.
As informações
sobre o ano passado só devem ser divulgadas em 2009. Devido à informalidade
do setor, o índice pode ser ainda superior.
Segundo o levantamento, houve
14.332 acidentes em usinas de açúcar no ano retrasado,
enquanto na construção civil foram 13.968. Em 2005, de
acordo com o anuário, foram registradas 12.727 ocorrências
em construções e 11.435 em usinas. Os dois setores são
a segunda e a terceira atividade econômica com mais acidentes
de trabalho no Brasil.
Joel Silva/Folha Imagem

Trabalhador em usina de Ribeirão Preto (SP); subnotificação
de acidentes camufla dados
A primeira no ranking são atividades de atendimento hospitalar. Para
o ministério, no entanto, a campeã em registros concentra ocorrências
de menor gravidade. No Nordeste, pólo da cana até os anos 60,
as usinas de açúcar estão em primeiro lugar.
O anuário é feito
com base em acidentes comunicados pelas empresas ao ministério.
A conta só envolve funcionários com carteira assinada.
Todas os casos notificados geraram algum tipo de afastamento do trabalhador
de suas funções.
Outra divisão do setor
sucroalcooleiro também aparece entre as atividades com mais
acidentes de trabalho. O cultivo da cana fica em nono lugar, com 8.789
ocorrências.
Os dados sobre acidentes em
usinas de açúcar, porém, incluem também
ocorrências no corte da cana. Empresas que trabalham tanto com
cultivo quanto com o processamento da cana acabam registrando os casos
de acidente como sendo de usinas, segundo o Ministério do Trabalho.
A área plantada com
cana no país pulou de 7 milhões para 7,8 milhões
de hectares de 2006 para o ano seguinte. O desenvolvimento do álcool é uma
das bandeiras do governo Lula.
Nas usinas, as caldeiras são
apontadas como o principal fator de risco para os trabalhadores, segundo
a diretora do Departamento de Segurança e Saúde do Ministério
do Trabalho, Júnia Barreto.
Nas lavouras, os acidentes
mais comuns, segundo o ministério, são com o manuseio
de foices e devido ao carregamento de peso.
Para Remígio Todeschini,
responsável pelo anuário, a alta rotatividade entre os
trabalhadores do setor também contribui para os acidentes.
Proporção
A Unica (União da Indústria
de Cana-de-Açúcar) diz que os dados sobre acidentes de
trabalho no setor não são preocupantes porque não
levam em conta que a indústria emprega 1 milhão de pessoas
no país.
Para a entidade, se for feito
um cálculo proporcional do número de ocorrências
pela quantidade de empregados, a indústria do álcool
e açúcar sai das primeiras posições.
Segundo a associação,
ainda "há espaço para melhorar", mas o setor
oferece condições superiores a outras atividades.
De acordo com a Unica, em quantidade
de acidentes por mil empregados, as usinas de açúcar
caem para a 32ª posição entre as atividades com
mais ocorrências. A primeira seria transporte dutoviário.
No Nordeste, o Sindicato
da Indústria do Açúcar e Álcool de Alagoas
diz que há uma tendência de queda dos acidentes. Segundo
o órgão, melhorias nos equipamentos e no transporte
vêm sendo continuamente implantadas nos últimos 20 anos.
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 05 de maio de 2008 | Dinheiro
Subnotificação de acidentes
pode camuflar dados em usinas
FELIPE BÄCHTOLD
da Agência Folha
A subnotificação
de acidentes e doenças de trabalho pode camuflar os dados do Anuário
Estatístico compilado pelo Ministério da Previdência.
São registrados na pesquisa apenas casos encaminhados por empresas
ao INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) de funcionários
regularizados.
No setor rural, segundo o Ministério
do Trabalho, a informalidade a que está submetida parte dos trabalhadores
agrava o problema da não-comunicação de ocorrências.
O repasse de informações é obrigatório, mas é considerado
muito baixa pelo ministério.
No Nordeste, por exemplo, não
foi registrado nenhum caso de doença do trabalho entre cortadores
de cana em 2006 nos dados do Ministério da Previdência.
Isso ocorre apesar de Alagoas, por exemplo, ter 17% do território
ocupado por plantações de cana-de-açúcar
e mais de 100 mil trabalhadores em canaviais.
A Unica afirma que no Centro-Sul
do país, onde estão todos seus associados, o índice
de formalidade no setor sucroalcooleiro é de 96%.
Segundo o Ministério da
Previdência, o governo federal gastou em 2007 R$ 10,7 bilhões
com benefícios a acidentados e com aposentadorias a trabalhadores
que trabalharam em situações insalubres.
O valor não inclui
gastos com assistência médica ou com substituição
de funcionários. O governo federal estima que os acidentes de
trabalho custem aos cofres públicos quatro vezes mais.
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A TARDE ONLINE, 05 de maio
de 2008| Cidades
Bahia está em 1º lugar
em mortes no trabalho
Adilson Fonsêca, do A Tarde
A Bahia tem a maior proporção de mortes em acidentes de trabalho
do País, apesar de estar em 7° lugar no ranking dos Estados quanto
ao número de acidentes. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego
revelam que, em 2006, 121 pessoas morreram e outras 687 ficaram incapacitadas
permanentemente no Estado. No Brasil, em média, 2.500 trabalhadores
morrem vítimas de acidentes de trabalho por ano, quer seja no trajeto
de casa para o trabalho, no próprio ambiente de trabalho ou vítimas
de doenças ocupacionais.
O Estado, que tem a sexta maior
economia do País, ocupa a sétima posição
na quantidade de registros de acidentes de trabalho, sendo superado por
São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Rio
de Janeiro e Santa Catarina. Mas é o primeiro em número
de casos dentre os demais Estados das regiões Norte, Nordeste
e Centro-Oeste.
Na maioria dos casos, como explica
o auditor fiscal do trabalho e coordenador do setor de Segurança
e Saúde da Delegacia Regional do Trabalho na Bahia (DRT), Maurício
Macedo, as subnotificações de acidentes são maiores
que os números oficiais divulgados. “Isso se dá,
principalmente, com as atividades terceirizadas, tanto na construção
civil, onde estão os maiores índices, quanto na indústria”,
diz.
FISCALIZAÇÃO – A
DRT regional conta apenas com 147 fiscais para fiscalizar trabalhadores
com carteiras assinadas em sete regiões do Estado. Para ele, o
setor da construção civil, por causa da rotatividade constante
da mão-de-obra, é um dos mais visados pela fiscalização. “A
cada 40 dias temos que retornar aos locais já fiscalizados, pois
a mão-de-obra já é outra e isso facilita o não-cumprimento
das normas de segurança”, afirma.
Este ano, a DRT está elaborando
14 projetos de atuação da fiscalização em
setores específicos da economia, com ênfase para a atividade
agrícola e a construção civil. “Com a mesma
importância da fiscalização, a implantação
de planos de manejo de riscos por parte das empresas, é um fator
preponderante para diminuir os riscos de acidentes”, explica o
auditor fiscal. Hoje, conforme disse, o Ministério do Trabalho
pode acionar as empresas autuadas em caso de negligência das normas
de segurança, para que estas ressarçam aos cofres da União,
os gastos de indenizações por acidentes de trabalho, que
são pagos pela Previdência.
Para o diretor do Sindicato dos
Trabalhadores nos ramos Químicos, Petroquímicos e Petrolíferos
na Bahia, Delsuc Gomes Souza Júnior, além do não-cumprimento
das normas de trabalho, como jornada excessiva e ausência de equipamentos
de proteção individual, muitas empresas sonegam informações
que envolvam acidentes de trabalho.
NA JUSTIÇA – Independentemente
da ação indenizatória por acidente de trabalho,
o trabalhador pode entrar com ação na Justiça do
Trabalho para ser ressarcido pela empresa por perda da capacidade de
trabalho. Trata-se de um mecanismo legal que é amparado no fato
de que, ao ser afastado de suas funções, o trabalhador
fica alijado do processo econômico da sociedade.
Os acidentes de trabalho podem
ser classificados como típicos, que são aqueles ocorridos
nas dependências da própria empresa, no trajeto do trabalhador
para casa ou vice-versa, e que resultem em doenças ocupacionais.
No caso do trajeto para o trabalho, o trabalhador deve dispor de um boletim
de ocorrência e testemunhas que comprovem que, no momento do acidente,
o empregado estava em seu roteiro habitual.
O trabalhador acidentado tem
direito a um benefício previdenciário para si e os seus
dependentes, independentemente de carência de contribuição.
Os benefícios são o auxílio-doença, auxílio-acidente
ou a aposentadoria por invalidez. Os dependentes, por sua vez, têm
direito a uma pensão vitalícia em caso de morte do titular
no exercício da atividade.
O auxílio-acidente é concedido
quando, após a confirmação das lesões sofridas
no ambiente de trabalho, signifiquem, redução da capacidade
de trabalho. O valor é mensal e vitalício e corresponde
a 50% do salário de contribuição da Previdência
Social. Já a aposentadoria por invalidez corresponde a 100% do
salário-contribuição à época do acidente.
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AGÊNCIA CÂMARA,
05 de maio de 2008
Piso de categoria poderá ser
vinculado a mínimo regional
Gilberto Nascimento

Brizola Neto lembra que a lei não garante as melhorias
do piso regional para categorias com piso inferior estabelecido em
acordo.
O deputado Brizola Neto (PDT-RJ) é o autor do Projeto de Lei Complementar
282/08, que obriga convenções e acordos coletivos de trabalho
a fixar o piso salarial em valor igual ou superior ao do salário mínimo
regional, criado pela Lei Complementar 103/00.
O autor lembra que a instituição
de pisos salariais regionais não se aplica aos empregados com
piso salarial definido em lei federal, convenção ou acordo
coletivo. "O piso regional definido legalmente não garante
melhorias para as categorias com piso inferior estabelecido em convenção
ou acordo coletivo", observa.
Poder
aquisitivo
Para Brizola Neto, a experiência do salário mínimo regional
tem sido bem sucedida. "Ao contrário do que alguns argumentavam,
a informalidade não aumentou no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul,
onde o piso foi instituído desde 2001. Ao menos nesses estados, o mínimo
regional contribuiu para melhorar o poder aquisitivo das categorias menos organizadas",
explicou.
A lei não garante tais
melhorias para as categorias com piso inferior estabelecido em convenção
ou acordo coletivo. "Se o valor do piso salarial negociado for inferior
ao da lei, apenas por decisão judicial a empresa estaria obrigada
a conceder o novo piso mais favorável ao trabalhador", explicou.
Brizola Neto acredita que o texto
em vigor contraria o "princípio da norma mais favorável
e da condição mais benéfica ao trabalhador",
desdobramento do "Princípio Protetor" que fundamenta
a legislação que rege as relações entre capital
e trabalho.
Tramitação
O projeto tramita em regime de prioridade. Antes de seguir para o Plenário,
será analisado pelas comissões de Trabalho, de Administração
e Serviço Público; e de Constituição e Justiça
e de Cidadania.
Íntegra
da proposta:
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PLP-282/2008
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Agência Senado, 5 de maio de 2008
Alvaro Dias cobra projeto do governo
sobre contribuição sindical

O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) afirmou, em entrevista nesta sexta-feira (2),
que o governo não cumpriu a promessa de enviar até o final de
março um projeto instituindo a contribuição sindical negociada.
Esse projeto seria elaborado, lembrou Alvaro Dias, pelas lideranças
do governo e as centrais sindicais.
Na opinião do senador, a contribuição do trabalhador ao
sindicato deve ser "espontânea, voluntária e não pode
ser imposta". Ele disse que os sindicatos devem ter competência
para convencer seus associados a pagarem essa contribuição. Se
os trabalhadores pagam ou não, depende da competência de cada
sindicato, disse Alvaro Dias.
- O imposto sindical implica prestação de contas. O presidente
da República vetou esse item do projeto aprovado pelo Congresso, desobrigando
as centrais sindicais e os sindicatos a prestarem contas dos recursos que manipulam,
que são originários do pagamento do imposto sindical - declarou
Alvaro Dias.
A lei que dispõe sobre o reconhecimento formal das centrais sindicais
(Lei 11.648/08), foi sancionada pelo presidente Lula sem o artigo que obrigava
as centrais sindicais e os sindicatos a prestarem contas ao Tribunal de Contas
da União (TCU).
Perguntado sobre se existe muito sindicato de fachada apenas em busca do imposto
sindical, Alvaro Dias disse que toda generalização é injusta
e não é inteligente.
- Que há sindicalistas desonestos, há. Há sindicalistas
desonestos que enriqueceram, nós já constatamos isso. Mas não
devemos generalizar, o sindicalismo temhistória e é importante
para os trabalhadores. Ocorre que cabe à autoridade, ao Poder Executivo
e Legislativo, instituírem uma regulamentação adequada.
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Agência Câmara,
5 de maio de 2008
PEC acaba com contribuição
patronal e cria outra

Castro cria uma contribuição para financiar a Seguridade Social.
A Câmara analisa Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) 242/08, do deputado Luciano Castro (PR-RR), que substitui a contribuição
patronal sobre a folha de salários pela "contribuição
sobre movimentação ou transmissão de valores e de créditos
e direitos de natureza financeira" - uma espécie de CPMF específica
para o financiamento da Seguridade Social (Previdência, Saúde
e Assistência Social). Segundo Castro, o objetivo da proposta é desonerar
o trabalho, tanto para o empregador quanto para o empregado.
Hoje, uma das principais fontes
de financiamento da Previdência Social é a contribuição
patronal, que corresponde a 20% da folha de salários mensal da
empresa. A PEC revoga esse tributo e cria a contribuição,
que incidirá sobre movimentações financeiras em
geral.
Diversamente do que ocorria com
a arrecadação da CPMF, parte do produto da contribuição
sugerida por Luciano Castro terá que ser dividida pela União
com os estados e municípios na mesma proporção em
que são divididos o Imposto de Renda (IR) e o Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI).
Luciano Castro propõe
que pessoas com renda até o limite de isenção do
IR - R$ 1.372,81 por mês - fiquem isentas da nova contribuição
e que esse teto seja elevado "para beneficiar a classe média".
A PEC, no entanto, não traz nenhuma disposição sobre
essas medidas.
Tramitação
A PEC será analisada pela Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania quanto à admissibilidade. Se aprovada,
será analisada por uma comissão especial a ser criada especificamente
para esse fim. Depois, seguirá para o Plenário, onde precisa
ser votada em dois turnos.
Íntegra
da proposta:
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PEC-242/2008
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Agência Câmara,
5 de maio de 2008
Auxílio-creche pode ser excluído
de salário-contribuição
O Projeto de Lei 2720/07, da Comissão de Legislação Participativa,
estabelece que o auxílio-creche não faz parte do salário-contribuição
para efeitos do desconto da Previdência Social.
A proposta transforma em lei
a Súmula 310 do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O entendimento
do tribunal é que o auxílio-creche é pago pelo empregador
ao empregado a título de indenização, por não
cumprir a obrigação de manter creches.
A proposta foi apensada ao PL
4953/05, do deputado Vicentinho (PT-SP), que tramita em regime de prioridade.
As propostas serão analisadas pelas comissões de Seguridade
Social e Família; de Trabalho, de Administração
e Serviço Público e de Constituição e Justiça
e de Cidadania. Depois, seguem para o Plenário.
Íntegra da proposta:
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PL-2720/2007

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Ministério
do Trabalho e Emprego
GABINETE DO MINISTRO
O Chefe de Gabinete do Ministro do Trabalho e Emprego, no uso de
suas atribuições legais estabelecidas pela Portaria
nº. 64, de 05 de maio de 2006 e com fundamento na NOTA TÉCNICA
CGRS/SRT/MTE - n°.013/2008, que determinou o cumprimento
da decisão judicial prolatada 2ª Turma do TRT da
10ª Região em sede de julgamento do Mandado de Segurança
nº 00337-2006-018-10-00-4, resolve RESTABELECER o registro
sindical da Confederação
Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro - CONTRAF, nº. 46000.002554/2006-46,
CNPJ: 07.847.291/0001-05.
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