 |
O ESTADO DO PARANÁ,
07 de maio de 2008 | Economia
Produção industrial cresce
0,4% em março
Thaís Leitão / Agência
Brasil
Rio de Janeiro - A produção da indústria brasileira apresentou
expansão de 0,4% em março, depois do recuo de 0,5% no mês
anterior. Na comparação com o mesmo período de 2007, houve
crescimento de 1,3%.
Os dados da Pesquisa Industrial
Mensal (PIM) foram divulgados nesta terça-feira (6) pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o
instituto, os índices de março revelaram um quadro positivo
da atividade fabril, mas marcado por um ritmo menor de crescimento.
Entre os meses de fevereiro e
março, houve expansão em 17 dos 27 ramos pesquisados. O
resultado global foi puxado com mais intensidade pela indústria
farmacêutica, que registrou acréscimo de 16% no período,
recuperando parte da perda de 27,2% do mês anterior.
Também foram verificadas
influências significativas nas indústrias de veículos
automotores (1,6%), edição e impressão (2,4%), minerais
não-metálicos (2,3%) e metalurgia básica (1,2%).
Segundo a pesquisa, o primeiro
trimestre de 2008 aponta um crescimento de 6,3% em relação
ao mesmo período do ano passado. Já na comparação
com o trimestre imediatamente anterior, a atividade industrial apresenta
redução no ritmo de crescimento. O IBGE registrou expansão
de 0,4% no primeiro trimestre do ano, enquanto a dos últimos três
meses de 2007 foi de 1,9%.
Indústria
teve expansão mais lenta em março
Agência Estado
Os números da pesquisa
industrial brasileira de março, divulgados na manhã desta
terça-feira (06), mostram um "quadro positivo, mas marcado
por um menor ritmo de expansão", segundo o IBGE. Para o instituto,
a desaceleração da produção industrial em
março foi grande, considerando que, em fevereiro, em comparação
com igual mês do ano passado, a expansão foi de 9,7%; mas
em março, na mesma base de comparação, o crescimento
foi de 1,3%.
O coordenador de Indústria
do IBGE, Sílvio Sales, observou que a desaceleração
já era relativamente esperada, em parte porque março deste
ano teve dois dias úteis a menos que em março do ano passado.
Entretanto, ele disse que não se pode falar ainda em tendência
de desaceleração, já que o calendário é um
fator pontual.
Outras causas apontadas para
a menor expansão em março também devem se reverter
ao longo do ano, ponderou Sales, como a greve dos auditores fiscais da
Receita Federal, que pode ter dificultado a entrada de matérias-primas
e componentes importados, e ter prejudicado a indústria nacional.
Esta hipótese, salientou ele, não foi investigada a fundo
pelo IBGE, mas é reforçada porque um dos setores mais afetados é o
de equipamentos de informática e máquinas de escritório,
que teve queda 16,9% em relação a março passado.
Outro motivo citado por Sales é a
queda no refino do petróleo e da produção de álcool
(-8,7% em março, ante março do ano passado). "O setor
de refino tem um peso grande na produção industrial",
comentou.
Outros setores montadores
com quedas expressivas em relação a março do ano
passado são o da linha marrom (TV, rádio e som) com -16,9%
- e outros eletrodomésticos (-14,9%). Também houve queda
na produção de alimentos (-2,6%) e bebidas (-6,9%). Porém,
14 dos 27 ramos pesquisados pelo IBGE tiveram crescimento em março,
ante março do ano passado. (AE)
|
ÚLTIMA HORA, 07 de
maio de 2008
Termina a greve da construção
civil em Fortaleza
Teve fim a greve dos trabalhadores da construção civil no Ceará.
Nesta terça-feira (06), a categoria e o Sindicato da Indústria
da Construção Civil fecharam acordo de reajuste salarial. O percentual
médio acertado é de 7,5%. Pelo acordo firmado, as categorias
vão receber reajustes diferenciados.
Os trabalhadores da construção
civil e representantes do Sinduscon se reuniram pela terceira vez para
negociar o reajuste de salário da categoria. A greve já durava
14 dias e acarretou muitos prejuízos às construtoras.
A paralização
dos trabalhadores atrasou mais de 20 dias da entrega de muitas obras
na capital. Para tentar agilisar o serviço e receber o salário
dos dias parados os trabalhadores vão negociar direto com as
empresas, já que não existe acordo com o Sinduscon.
|
CONGRESSO EM FOCO, 07 de
maio de 2008
Gastança até a morte
Ao discutir auxílio-funeral, Câmara
ignora que familiares de parlamentares já têm direito
a pecúlio. Só no ano passado, foram R$ 2,2 milhões
Lúcio Lambranho e Eduardo Militão
Mesmo que a Câmara recue da polêmica proposta de garantir um auxílio-funeral
de R$ 16,5 mil para a família de deputados que morrerem no exercício
do mandato, ninguém ficará desassistido na hora do enterro. Pelo
menos, não por falta de dinheiro.
Antes de incluir a proposta do
auxílio na pauta da Mesa Diretora, a Câmara simplesmente
ignorou um benefício garantido por lei desde 1975 aos familiares
dos parlamentares falecidos.
Atualmente, toda vez que um deputado
morre, sua família recebe R$ 564 mil de pecúlio, sem que
nenhum centavo a mais saia dos cofres públicos. O valor é recolhido
por meio de uma espécie de “caixinha” dos 513 deputados,
pois cada um cede 2/30 de seus salários para ajudar os parentes
do falecido.
Com a morte no ano passado dos
deputados Gerônimo da Adefal (PFL-AL), Enéas Carneiro (Prona-SP),
Júlio Redecker (PSDB-RS) e Nélio Dias (PP-RN), a Câmara
já pagou nesta legislatura mais de R$ 2,2 milhões com os
quatro pecúlios. Em breve, também pagará o benefício
para a família do deputado Ricardo Izar (PTB-SP), presidente do
Conselho de Ética, morto na última sexta-feira (2).
Os decretos legislativos 96/75
e 29/81 determinam que os valores sejam pagos na folha de pagamento seguinte à morte
do deputado, descontando-se da remuneração de cada colega
de plenário. Caso mais de um deputado morra no período,
os pagamentos serão feitos nos meses seguintes.
Partilha
Com o pecúlio, nenhum
centavo é gasto pelo erário. Segundo o diretor de Seguridade
Parlamentar da Câmara, Nilson Matias, metade dos R$ 564 mil do
pecúlio fica com a viúva do parlamentar e o restante é dividido
entre os filhos, embora, para esses, o valor fique bloqueado até que
eles completem 18 anos.
Em casos em que há disputa
de bens, espólios ou testamentos, a Câmara deposita o valor
em juízo até que tudo seja resolvido pela Justiça,
explica o diretor de Seguridade Parlamentar.
Ontem (6), o presidente da Câmara,
Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que alguns dispositivos do Projeto de
Resolução 124/08, que cria o auxílio-funeral para
os deputados, também lhe causam “incômodo” e
que vai mandar a Mesa Diretora reavaliar a medida. A certa altura da
entrevista coletiva, ele chegou a comentar que já existe uma “caixinha” dos
deputados para resolver essas questões, mas não falou diretamente
do pecúlio.
Super-luxo
Segundo o projeto de resolução,
que tramita em regime de prioridade e depende de aprovação
do plenário, as famílias dos deputados teriam direito a
até R$ 16.500 – o valor do salário dos congressistas – para
cobrir despesas de traslado e funeral. Se preferirem, poderiam optar
para que a Câmara mesmo se encarregasse de encomendar os serviços.
O assunto será tratado
na próxima reunião da Mesa, em data ainda não confirmada.
A polêmica não está só na criação
do benefício, mas também no valor proposto.
O presidente da Associação
Brasileira de Empresas e Diretores Funerários, Lorival Panhozzi,
disse ao site que, pela tabela da categoria, o funeral mais caro sai
no máximo a R$ 11 mil.
"A não ser que eles
incluam o translado, mas dá para fazer um belo funeral com menos
do que os R$ 16 mil. Com esse dinheiro, é um funeral mais do que
super-luxo", avalia.
O autor da proposta do auxílio-funeral,
o diretor geral da Câmara, Sérgio Sampaio, disse que não
poderia falar ontem com o Congresso em Foco. Mas auxiliares dele confirmaram
que a administração da Casa considera “importante” a
ajuda para as famílias prevista no projeto de resolução.
Eles alegam que, embora mais
vantajoso para os familiares e sem custos adicionais para a Câmara,
o pecúlio não pode substituir o auxílio-funeral.
Isso porque os valores podem demorar de um a vários meses para
sair.
Avião da FAB
Segundo esses auxiliares, a mulher
do ex-deputado Gerônimo da Adefal, morto em março do ano
passado, levou três meses para receber o pecúlio. Mais:
ela teve de esperar um avião da Força Aérea Brasileira
(FAB) transportar o corpo do marido, porque não tinha recursos
para bancar o traslado de Brasília, onde ele morreu, para Alagoas. “Você pode
duvidar que tenha família pobre de deputado, mas tem”, disse
Chingalia ontem.
A solução seria
permitir que o valor do pecúlio pudesse ser adiantado para cobrir
as despesas do funeral. Entretanto, os servidores da Diretoria Geral
da Câmara informam que isso precisaria estar previsto na legislação.
Auxiliares da Diretoria Geral
da Câmara negaram que o PRC 124 estenda o benefício do auxílio-funeral
a ex-parlamentares. Eles disseram que apenas deputados em exercício – o
que exclui os licenciados – teriam direito ao auxílio. E
enfatizaram que todos os órgãos da administração
pública mantêm o benefício aos servidores públicos
e autoridades.
"Exorbitante"
Benefício semelhante é previsto
para os cerca de 3 mil servidores efetivos da Câmara, mas o rateio
entre eles não envolve os parlamentares, mas apenas o desconto
dos próprios funcionários concursados. O problema é que
famílias de servidores, ao contrário dos familiares dos
parlamentares, esperam até 15 anos para receber o pecúlio.
Por isso, o Sindicato dos Servidores
do Poder Legislativo e do Tribunal de Contas (Sindilegis) entrou com
uma ação para pôr fim ao pecúlio dos servidores
ainda em agosto de 2005. A ação foi indeferida pela 17ª Vara
Federal do Distrito Federal. O Sindicato recorreu ao Tribunal Regional
da Primeira Região (TRF1ª). O processo foi recebido em 11
de janeiro deste ano.
Segundo o presidente do Sindilegis,
Magno Mello, a intenção é que a Câmara assuma
o passivo do pagamento do pecúlio, já que famílias
de funcionários esperam muito tempo para receber o benefício. "Houve
um descompasso e estão morrendo mais pessoas do que o previsto,
pois foram incluídos os servidores inativos. A Câmara só aceita
a saída do pagamento compulsório se os funcionários
arcarem com o passivo", diz Mello.
O sindicalista também
afirma que a criação de um auxílio-funeral para
os deputados é normal, mas acha que o valor de R$ 16 mil é "exorbitante",
considerando que o mesmo benefício é de cerca de R$ 2 mil
para os servidores concursados do Legislativo.
"Avaliação isenta"
O deputado Júlio Delgado
(PSB-MG) é contra o auxílio-funeral. Para ele, o pecúlio
já é suficiente. “Essa é a forma. Não
tem que ter auxílio-funeral, não”, afirmou. Para
suprir as despesas imediatas causadas pelo falecimento, como traslado
e caixão, o deputado defende que o pagamento do pecúlio
seja antecipado.
Delgado lembra que os 2/30 pagos
pelos deputados representam 10% da remuneração líquida
de cada parlamentar – cerca de R$ 1.200. Delgado defende que o
benefício pago à família seja ainda maior, com a
participação na “caixinha” dos 81 senadores. “Geralmente,
quando a Câmara paga, o Senado tem que fazer um processo para depois
ressarcir o familiar do deputado. Quando o Senado paga, é vice-versa.”
A mesma opinião tem o
deputado Paulo Renato (PSDB-SP). “A Câmara poderia antecipar
um pequeno valor para fazer frente a essas despesas”, defende.
O tucano, entretanto, entende que o auxílio-funeral deve ser discutido,
tendo em vista que diversos órgãos públicos possuem
o benefício.
O deputado Augusto Carvalho
(PPS-DF) avalia que o clima de comoção Câmara,
causado pela morte de Ricardo Izar, não permite que esse tipo
de assunto seja debatido agora. “Vamos esperar um mês,
para fazer uma avaliação isenta”, defende.
|
AGÊNCIA DIAP, 07 de
maio de 2008
NORMAS INTERNACIONAIS
Relações Exteriores
debate hoje a Convenção 158 da OIT
A Comissão de Relações Exteriores debate hoje, em audiência
pública, às 14 horas, no plenário 8, a Convenção
158 da OIT, que proíbe a demissão imotivada. Tal como fez em
relação à Convenção 151. Depois do debate,
talvez na próxima semana, o colegiado poderá votar as duas mensagens
presidenciais que pedem a ratitificação destas normas internacionais.
Para o debate foram convidados
o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva
(PDT/SP); representante do Conselho Temático de Relações
do Trabalho e Desenvolvimento Social da CNI, Osmani Teixeira de Abreu;
chefe da Divisão de Temas Sociais do Ministério das Relações
Exteriores, Sílvio José Albuquerque e Silva; e o secretário-adjunto
de Relações do Trabalho, do MTE, André Luis Grandizoli.
|
RÁDIO FANDANGO, 07
de maio de 2008
RS/Piso Mínimo Regional: definição foi adiada, ficou para
esta quarta-feira
Uma reunião marcada para as 10h30min de quarta-feira na Casa Civil,
em Porto Alegre, definirá o índice de reajuste do salário
mínimo regional. Em encontro de líderes do governo e de partidos
da base realizado na noite desta terça-feira, ficou acertado que sindicalistas
participarão da reunião de amanhã para definir o novo
percentual.
Caso os representantes dos trabalhadores
não aceitem a proposta do governo, será enviado à Assembléia
Legislativa pedido para reajuste de 5,5% — referente à inflação
pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Os
sindicalistas querem 12%. O chefe da Casa Civil, Cézar Busatto,
não revelou o percentual que será oferecido.
|
O ESTADO DE SÃO PAULO, 07 de maio de
2008
Produtividade nos EUA cresce no
1º tri com redução da jornada
Rendimento aumenta 2,2%, enquanto horas
trabalhadas caem 1,8%; maior queda desde o começo de 2003
WASHINGTON - As empresas norte-americanas reduziram as horas de trabalho dos
funcionários nos primeiros três meses do ano com a desaceleração
da economia, aumentando a produtividade em 2,2% segundo taxa anualizada, mostrou
nesta quarta-feira, 7, um relatório do governo. O Departamento de Trabalho
informou que as horas trabalhadas caíram 1,8% no trimestre, maior queda
desde o começo de 2003.
|
AGÊNCIA DIAP, 07 de
maio de 2008
SERVIDOR PÚBLICO
Trabalho aprova direito de greve com
negociação dos dias parados
A Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados aprovou, nesta
quarta-feira (7), o PL 4.497/01, da deputada Rita Camata (PMDB/ES), que dispõe
sobre o direito de greve do servidor. A matéria foi aprovada com um
destaque que prevê a negociação do pagamento dos dias parados
dos servidores em razão de greve.
No parecer do relator, deputado Nelson Marquezelli (PTB/SP), o pagamento de
salário de grevista estava vetado, como previa o artigo 9º de seu
substitutivo com complementação de voto.
De acordo com o deputado Tarcísio Zimmermann (PT/RS), o único
ponto que não houve acordo no projeto foi à questão do
pagamento dos dias parados dos servidores. “Não é tudo
que eu queria, mas já avançamos muito”, comentou Zimmermann,
que atuou como interlocutor dos servidores com o relator.
Destaque
Após a aprovação
do substitutivo do relator, foi apreciado um requerimento de supressão,
ou seja, para a retirada do artigo 9º do projeto. O deputado Roberto
Santiago (PV/SP) foi o autor da proposta. Para o parlamentar, a manutenção
deste artigo fazia com que o movimento de greve já se iniciasse
com um outro conflito, além dos já existentes.
Após amplo debate um acordo
foi possível, devido à tolerância do presidente da
Comissão, deputado Pedro Fernandes (PTB/MA), permitindo que o
destaque apresentado tivesse seu texto modificado, desde que, isso fosse
um acordo unânime no colegiado.
Os deputados votaram em seguida
a inclusão no texto que “os dias parados em razão
de greve serão objetos de negociação de cada categoria”.
Desse modo, o texto foi modificado e aprovado por unanimidade na Comissão.
Agora, a matéria
será examinada pela Comissão de Constituição
e Justiça da Câmara, e depois segue para votação
no plenário da Casa, em turno único. (André Santos)
|
ÚLTIMA INSTÂNCIA,
07 de maio de 2008
Indenização imposta à Ambev
será paga com campanha para promover MPT
O Ministério Público do Trabalho firmou acordo extrajudicial
com a Ambev - Companhia de Bebidas das Américas, no qual a companhia
comprometeu-se a não utilizar qualquer prática discriminatória
contra seus empregados e a promover uma campanha publicitária cujo o
tema é o combate ao assédio moral e a atuação do
MPT.
Em ação civil pública
movida pela Procuradoria Regional do Trabalho da 21ª Região
(Rio Grande do Norte), a Ambev foi condenada pela Justiça do Trabalho,
em 2006, a pagar indenização de R$ 1 milhão por
dano moral coletivo decorrente da prática de assédio moral
contra seus funcionários.
O Ministério Público
do Trabalho potiguar, após a decisão judicial, elaborou
termo de acordo extrajudicial com a presença da assessoria jurídica
da Ambev com o objetivo de definir a conduta da empresa em relação
aos seus empregados para coibir constrangimentos, punição
ou assédio moral dentro do ambiente de trabalho, e acertar a aplicação
da indenização.
Além de doar dois veículos à Superintendência
Regional do Trabalho para uso em fiscalização, a companhia
vai realizar campanha publicitária tendo como objeto principal
o combate ao assédio moral e a atuação do Ministério
Público do Trabalho.
A campanha será divulgada
em jornais impressos, rádio, televisão e outdoor e será produzida
por agência de publicidade local. Em caso de descumprimento de
quaisquer das cláusulas do termo, a empresa poderá pagar
multa diária no valor de R$ 10 mil, a ser revertida à campanha
publicitária.
|
CUT, 07 de maio de 2008
Pernambuco
Trabalhadores da Coca Cola fazem greve
e exigem implantação da cesta básica
Por: CUT/PE
Os trabalhadores da indústria
de bebidas - Refrescos Guararapes,engarrafadora da Coca Cola, com sede
na Rodovia BR 101 Sul, Km 15.5, Prazeres, Jaboatão dos Guararapes/PE,
estão de braços cruzados desde a última segunda-feira
(5). Eles exigem o cumprimento de um acordo com a empresa que lhes
garantiu o benefício de uma cesta básica para o mês
de março passado. A Central Única dos Trabalhadores (CUT-PE)
em conjunto com o Sindicato das Bebidas (Sindbeb) e entidades do movimento
sindical como por exemplo: Sindicatos dos Petroleiros, Gráficos,
Químicos e Metalúrgicos marcaram presença em apoio
e solidariedade ao movimento grevista da categoria.
De acordo com o presidente da
CUT-PE, Sérgio Goiana, que esteve presente ao ato público
dos trabalhadores, o movimento da categoria é legítimo
em defesa de seus direitos, isto é, o cumprimento do acordo. “É inaceitável
que uma empresa como a Refrescos Guararapes/Coca Cola seja tão
mesquinha em não implantar o benefício da cesta básica
para os trabalhadores. Isso representa muito pouco para uma empresa que
consegue atingir metas, ter lucros e supera expectativas no mercado (interno
e externo) econômico”, destacou.
Na verdade, o que era para ser
um protesto transformou-se em movimento grevista de três dias,
por conta do acirramento e das pressões feitas pela empresa. Hoje
pela manhã(7), uma Comissão de Negociação
formada pelo deputado estadual Isaltino Nascimento (PT), o vereador do
Recife, Fernando Nascimento (PT), o coordenador geral do Sindbeb, Adilson
Pereira e outras entidades do movimento sindical estiveram reunidos com
representantes da Refrescos Guararapes, em busca do diálogo e
entendimento.
Foi firmado um acordo, através
de documento, para que haja uma rodada de negociação (mesa
direta), na próxima segunda-feira, dia 12, entre o Sindbeb e a
diretoria de Recursos Humanos. Segundo Adilson Pereira, o Sindicato vai
reivindicar o não desconto dos dias parados e a garantia da não
retaliação dos trabalhadores em geral, como também
dos que exercem atividades terceirizadas naquela empresa. “ Queremos
conversar e assegurar com propostas o cumprimento do benefício
da cesta básica para os companheiros/as”, enfatizou.
Para se ter uma idéia,
o lucro líquido da Coca-Cola no quarto trimestre de 2007 saltou
79%, para US$ 1,21 bilhão, em comparação com os
US$ 678 milhões do mesmo período de 2006. A receita nos
três meses terminados em dezembro aumentou 24% e somou US$. Em
todo o ano de 2007, o lucro líquido da Coca-Cola cresceu 19%
e a receita aumentou 20%, passando de US$ 24,1 bilhões para
US$ 28,8 bilhões. O volume de vendas de engradados subiu 5%
no quarto trimestre, com alta de 1% na América do Norte e 7%
nos mercados internacionais. Houve crescimento de dois dígitos
em mercados emergentes como China, Índia, Brasil e Turquia.
|
Folha Online, 7 de maio de
2008
Ministro quer aumentar vagas gratuitas
no Sistema S
O ministro da Educação,
Fernando Haddad, anunciou nesta segunda-feira que quer mudar as regras
de repartição das verbas do Sistema S, integrado pelo Sesc,
Senai e Sebrae e outras oito instituições. Para Haddad,
depois da mudança, o sistema pode passar a formar cerca de 1,5
milhão de jovens técnicos por ano.
O plano é criar
o Funtep (Fundo Nacional de Formação Técnica e
Profissional), que receberia os recursos destinados ao Sistema S antes
de eles serem destinados às instituições. Atualmente,
os recursos do sistema somam R$ 8 bilhões por ano e saem de
um encargo de 2,5% cobrado na folha salarial das empresas.
De acordo com Haddad, o fundo seria privado, mas os saques só ocorreriam
na medida em que a oferta de cursos gratuitos fosse ampliada. "O recurso
arrecadado da sociedade deve financiar a gratuidade. Se a sociedade paga, o
aluno deve ter acesso a curso gratuito."
Segundo o ministro, o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial)
conseguiu formar 60 mil alunos --20 mil técnicos de nível médio
em ensino gratuito e outros 40 mil com formação paga-- com R$
1,5 bilhão.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
07 de maio de 2008 | Economia
Dívidas com imóveis viram
caso de Justiça
Mara Andrich
As pessoas que adquiriram um financiamento de imóvel há 19 ou
20 anos (em 1988 e 1989) devem ficar atentas, pois este ano vence o prazo para
quitação e muitos mutuários podem estar com dívidas
muito altas em função das várias mudanças na economia
que ocorreram de lá para cá.
De acordo com a Associação
Nacional do Mutuários no Paraná, há casos em que
a pessoa terá que arcar com um custo até mesmo superior
ao valor do imóvel hoje, em geral aqueles que não puderam
optar pela cobertura do Fundo de Compensação de Variações
Salariais (FCVS), que garantiria a quitação do saldo devedor
ao final do financiamento. Porém, é possível entrar
na Justiça e pelo menos amenizar esta dívida. A associação
estima que só em Curitiba haja cerca de oito mil processos na
Justiça Federal que tratam do tema. Quase três mil pessoas
já procuraram a associação para reclamar o recálculo
da dívida.
Uma destas pessoas, que preferiu
não se identificar, adquiriu seu financiamento em 1989 para pagar
o imóvel em 20 anos, mais 108 meses de prorrogação.
Ou seja, seu contrato vence no ano que vem, lá se foram praticamente
20 anos pagando todos os meses, mas a dívida que ele ainda tem
para quitar o imóvel é de R$ 369 mil, duas vezes o valor
real da casa.
O problema é que ele não
pôde optar pelo FCVS na época, pois este fundo tinha algumas
limitações, principalmente no que se referia ao valor que
seria financiado. Então, ele teve que entrar na Justiça
para não ter que pagar um valor tão alto. Depois de muita
conversa, a proposta seria pagar R$ 104 mil e, por último, o acordo:
pagou R$ 74 mil.
Como explica o presidente da
Associação no Paraná, Luís Alberto Copetti,
quem não tinha direito ao FCVS agora tem que pagar os juros oriundos
das correções. “Por isso estamos fazendo o alerta
para que estes mutuários nos procurem para sanarmos as dúvidas”,
disse. Ele explicou que os residuais podem ficar tão exorbitantes
em alguns casos por conta da maneira como eram reajustadas as parcelas
há 20 anos. “O contrato assinado naquela época encontra-se
em desequilíbrio hoje. Pois em 1988 e 1989 os contratos eram assinados
conforme o Plano de Equivalência Salarial, ou seja, a prestação
era corrigida pelo aumento salarial. Hoje, a prestação
e o saldo devedor são corrigidos pela TR, e desta forma as duas
coisas sobem juntas”, explicou.
O FCVS foi extinto no governo
Collor. No governo Fernando Henrique Cardoso, uma lei estipulava que
quem tinha feito o contrato antes de dezembro de 1987 poderia ter a dívida
perdoada. Mas quem financiou seu imóvel depois desse prazo ficou
em uma situação delicada.
A associação
fornece gratuitamente o resultado do cálculo atual. Em seguida,
se o mutuário quiser, pode ser encaminhado aos advogados conveniados à associação
(os honorários são cobrados normalmente). Para adquirir
o recálculo, o mutuário deve levar a cópia do
contrato do financiamento, a planilha evolutiva do financiamento (fornecida
pelo banco) e ainda os índices da categoria profissional. O
telefone da associação é (41) 3077-5504.
|
Diário Vermelho, 7
de maio de 2008
Para entidades sindicais, Paulinho é vítima
de perseguição
A UGT (União Geral dos
Trabalhadores), a CNM (Confederação Nacional dos Trabalhadores
Metalúrgicos) da Força Sindical, e a CNM (Confederação
Nacional dos Metalúrgicos) da CUT divulgaram, nesta terça
(6), notas de solidariedade ao presidente da Força Sindical e
deputado federal, Paulo Pereira da Silva (PST-SP). "As acusações
contra Paulinho se inserem numa grande ofensiva de políticos e
empresários com o objetivo de barrar conquistas históricas
recentemente obtidas", diz trecho da nota dos metalúrgicos.
" A UGT vem a público
declarar o seu apoio ao deputado Paulo Pereira da Silva, presidente
da Força Sindical, pois considera que os ataques ao sindicalista
são conseqüências da sua postura tanto no Parlamento,
quanto fora dele, de intransigência na defesa dos direitos dos
trabalhadores", diz o presidente da UGT, Ricardo Patah, em nota.
O texto acrescenta que "a UGT está solidária a esse sindicalista
que representa os trabalhadores no Congresso Nacional, estando sempre em defesa
dos trabalhadores. Nós da UGT estamos em sua defesa".
O presidente da Força Sindical teve seu nome citado, pela Polícia
Federal (PF), em um esquema de desvio de verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) – que contaria ainda com advogados e
prefeituras. Ao todo, 11 prefeituras são investigadas na Operação
Santa Tereza.
O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, disse nesta
segunda-feira (5) só pedirá abertura de investigação
sobre a participação de Paulinho se houver elementos.
“ Se tiver elementos, sim [pode pedir abertura de inquérito]. Eu
não posso fazer um juízo, se tem ou não [fundamento o pedido
para abrir a investigação] porque, quando se lê uma documentação,
uma pessoa dela extrai uma convicção. Posso extrair outra”,
disse o procurador.
Em pronunciamento na Câmara dos Deputados nesta terça, Paulinho
da Força, negou que esteja envolvido no esquema de desvio de recursos
do BNDES.
" Estou apanhando. Me coloco à disposição da corregedoria
e também da comissão, se for preciso. E assim que terminar de falar
eu vou ao procurador-geral (da República) com um documento que quebre
o sigilo telefônico e bancário", disse.
Metalúrgicos
As nota conjunta das confederações dos metalúrgicos da
CUT e da Força Sindical reforçam a tese da UGT.
" As acusações contra Paulinho se inserem nos marcos de uma
grande ofensiva de setores políticos e empresariais, cujo objetivo é barrar
as iniciativas sindicais exatamente no momento em que, por conta da conjuntura
favorável de crescimento da economia, do emprego e da renda, os trabalhadores,
capitaneados pelas centrais sindicais, avançam rumo às conquistas
históricas", diz o texto.
" A isso se somam as recentes conquistas de aumentos salariais acima da
inflação, a recuperação do poder de compra do salário
mínimo e o reconhecimento das centrais sindicais, ações
que contaram com o inestimável empenho do deputado Paulinho, no parlamento
e na ação sindical", agrega o texto.
Perseguição
Na segunda-feira (5), a direção da Força Sindical divulgou
nota defendendo que Paulinho está sendo vítima de uma "implacável" perseguição
política.
" Nesse momento de denúncias descabidas contra nosso maior líder,
queremos registrar aqui o nosso mais vigoroso apoio ao presidente de nossa central
e deputado", afirma o documento.
Segundo a direção da Força, a central está enfrentando
a oposição "acirrada" dos que são contra as
propostas defendidas pela entidade, como a redução da jornada
de trabalho.
" Por causa de tudo isso, estamos enfrentando a oposição acirrada
dos autoritários conservadores. Aqueles mesmos que buscam nosso apoio
político e, ao vê-lo negado, não se conformam com nossa independência",
diz a nota.
Também tem circulado entre as lideranças sindicais a opinião
de que, embora as denúncias atinjam em primeiro plano Paulinho, o seu
verdadeiro alvo é o Ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi.
Como o ministério tem sido um grande aliado na conquista de mais direitos
e benefícios para os trabalhadores e suas entidades representativas,
suspeita-se de um articulado movimento para enfraquecer e imobilizar o ministério.
Dia de decisão
A Executiva Nacional do PDT se reunirá ainda nesta terça para
debater o futuro de Paulinho no PDT. O senador Jefferson Péres (PDT-AM)
defende que a liderança sindical se afaste temporariamente do partido.
Peres demonstrou irritação com a nota divulgada pela Força
Sindical, nesta segunda-feira, em apoio a Paulinho. O senador considerou "corporativista" a
demonstração de apoio da entidade ao deputado em meio às
denúncias a que responde de participação em um esquema
de desvio de empréstimos no BNDES.
" A nota não me agradou, envereda pela teoria conspiratória
que ele estaria sendo vítima de setores conservadores. Me poupem, me poupem
dessa tese manjada. Não cola mais", enfatizou.
|
Gazeta do Povo, 7 de maio de 2008
Corrupção
Corregedoria investigará Paulinho
Deputado envolvido em esquema de desvio
de recursos do BNDES diz que pedirá ao Ministério
Público que quebre seus sigilos bancário, fiscal
e telefônico
Brasília - O presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia
(PT-SP), decidiu ontem autorizar a Corregedoria da Casa a investigar as denúncias
contra o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força
Sindical. Chinaglia encaminhou para a corregedoria matérias de jornais
que apontam o suposto envolvimento de Paulinho com um esquema de desvio de
empréstimos no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES) e também com a exploração sexual de mulheres.
O deputado disse, porém, que a corregedoria vai analisar “globalmente” as
denúncias contra o parlamentar – que podem apontar também
o envolvimento de outros deputados no esquema. “A gente não faz
o envio citando apenas um parlamentar, você pega todo o noticiário”,
explicou Chinaglia.
O corregedor tem autonomia para pedir explicações ao parlamentar,
ou mesmo arquivar o caso. Mas não tem prazo previsto pelo regimento
da Câmara para encerrar as investigações. O corregedor
da Casa, deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE), tradicionalmente não
dá continuidade às investigações quando as denúncias
são baseadas em notícias veiculadas pela imprensa.
A reportagem apurou que o argumento para o “engavetamento” dos
processos é baseado no fato de que notícias de jornais não
permitem conclusões a respeito das irregularidades levantadas contra
parlamentares.
Se o corregedor autorizar a investigação, encaminha o processo
para a Mesa Diretora da Câmara – a quem cabe decidir se enviará representação
contra o deputado ao Conselho de Ética da Câmara.
Chinaglia defendeu que o corregedor trabalhe no eu ritmo habitual, sem esforço
para antecipar ou retardar as investigações. “Não
pode ser algo relâmpago, nem algo com que se fique eternamente.”
Em discurso no plenário da Câmara, Paulinho negou que esteja envolvido
no esquema de desvio de recursos do BNDES e afirmou que entregararia ao procurador-geral
da República, Antonio Fernando de Souza, um documento autorizando a
quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico para provar
que não recebeu nenhum dinheiro ilícito.
“ Estou apanhando. Me coloco à disposição da corregedoria
e também da comissão, se for preciso”, disse ele.
Paulinho criticou também um eventual pré-julgamento. “Não
dá para continuar assim, presidente (Chinaglia). Primeiro te acusam,
depois você tem que provar”, disse.
Segundo o parlamentar, as citações ao seu nome no relatório
da PF são inconsistentes. “Li e reli o documento. Consultei renomados
advogados se tinha algo contra mim no relatório. Me disseram que não
tem nada”, afirmou.
|
Gazeta do Povo, 7 de maio de 2008
Corrupção
Procuradora investigará doadores
de campanha
São Paulo - A procuradora da República Adriana Scordamaglia vai
examinar a relação dos doadores de campanha de Paulinho da Força
(PDT-SP) em 2006 e a prestação de contas do parlamentar perante
o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A meta é o cruzamento de nomes
de pessoas físicas e jurídicas que constam da lista declarada
pelo pedetista ao TSE com os alvos da investigação sobre desvios
no BNDES.
São 179 os doadores de Paulinho, que declarou ao tribunal ter recebido
um total de R$ 1,99 milhão na disputa por uma cadeira na Câmara.
Os dados foram enviados a Adriana pelo procurador-regional eleitoral em São
Paulo, Mário Luiz Bonsaglia.
Na ocasião, o procurador propôs ao Tribunal Regional Eleitoral
(TRE) ação de investigação judicial eleitoral contra
o pedetista por “captação e gasto ilícitos de recursos
de fontes vedadas”. Ele apontou “provas irrefutáveis” de
que Paulinho foi beneficiado com doações de entidades sindicais.
As contas de Paulinho foram aprovadas pelo TRE, mas com ressalvas – a
decisão da corte foi objeto de recurso ao Tribunal Superior Eleitoral.
A procuradoria pede cassação da diplomação do deputado.
Técnicos da Secretaria de Controle Interno do TRE apontaram oito irregularidades
na prestação de contas do parlamentar: ausência de apresentação
de documento fiscal, impossibilitando a verificação da origem
e natureza da receita arrecadada; inadequada comprovação de recursos
recebidos em doação, configurando possível recurso de
origem não identificada; omissão de doações; omissão
de despesas; irregularidade no cancelamento de recibos eleitorais; inobservância
no limite de gastos; cancelamento de recibo eleitoral sem o devido esclarecimento;
e divergência de informações bancárias prestadas
pelo candidato.
|
Gazeta do Povo, 7 de maio de 2008
Perfil
Denúncias marcam sindicalista
O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, cumpre
o seu primeiro mandato como deputado federal, mas seu envolvimento em escândalos
antecede o início de sua carreira parlamentar. Em 2002, o nome dele
já era citado em suspeitas de desvios de verbas. Na época, o
Tribunal de Contas da União (TCU) começou a investigar a Força
Sindical, presidida por Paulinho, por irregularidades na administração
do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
No início deste ano, foi detectada irregularidade na liberação
de verbas do Ministério do Trabalho – comandado por Carlos Lupi,
ex-presidente do PDT – para ONGs ligadas à Força Sindical.
Paulinho assumiu a presidência da Força Sindical em 1999, no lugar
do fundador e primeiro presidente da central , Luiz Antônio de Medeiros.
Tentou ser prefeito de São Paulo em 2004 e vice-presidente da República
em 2002, quando se lançou na chapa de Ciro Gomes.
|
Folha
de S.Paulo, 7 de maio de 2008
Fundo soberano começa com até US$
20 bi
Parte da verba será destinada ao BNDES
para que o banco financie as operações de empresas brasileiras
no exterior
| Mantega diz que recursos virão em boa parte de "poupança
fiscal" e fundo terá caráter "anticíclico" de
contração do gasto público
VALDO CRUZ | SHEILA D'AMORIM |GUILHERME
BARROS
O fundo soberano brasileiro que deve ser lançado no final de junho pode
contar com até US$ 20 bilhões em caixa e ter como uma das fontes
de financiamento parte da arrecadação de tributos, "um fundo
de poupança fiscal", disse à Folha o ministro da Fazenda,
Guido Mantega.
Segundo ele, a prioridade do fundo soberano será apoiar vendas e investimentos
de empresas brasileiras no exterior e, em segundo lugar, "ajudar a enxugar
o excesso de dólar no mercado". Nos dois casos, o objetivo é conter
a deterioração das contas externas, a maior preocupação
do Ministério da Fazenda no momento.
Com lançamento previsto para o final do próximo mês, Mantega
disse que o fundo será a princípio formado por algo equivalente
a entre 5% e 10% das reservas internacionais. "Mas não virá das
reservas atuais do Banco Central [US$ 196 bilhões], é além,
e pode chegar a US$ 20 bilhões", disse o ministro.
Inicialmente, boa parte dos recursos será destinada a comprar debêntures
do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social), para que
a instituição tenha recursos destinados a financiar empresas brasileiras
no exterior. "Seria um funding externo para o BNDES financiar operações
brasileiras lá fora", afirmou Mantega.
O objetivo de transferir esses recursos para o BNDES, segundo Mantega, é aumentar
as linhas de financiamento à exportação do banco. Atualmente,
o BNDES financia cerca de US$ 4,5 bilhões a US$ 5 bilhões por ano
para exportação. Com o fundo, esse montante vai se ampliar significativamente.
Eximbank nacional
Mantega afirmou que o BNDES teria um papel semelhante ao do Eximbank nos EUA,
cuja principal missão é financiar os exportadores americanos. "O
financiamento à exportação é fundamental e o BNDES
pode fazer esse papel de Eximbank", disse Mantega.
Outra vantagem, segundo Mantega, é o fato de as aplicações
em debêntures do BNDES renderem mais do que as feitas com o dinheiro
da reserva cambial. O debênture do BNDES pode render 11% ao ano ou IPCA
mais 6,2%, dependendo do tipo de aplicação escolhida. As aplicações
da reserva rendem no máximo 4,5% ao ano.
Mantega disse que o "objetivo do fundo é utilizar melhor essa abundância
de recursos externos e apoiar ações do país no exterior".
Desde a obtenção do selo de "investment grade", o governo
tem debatido o que fazer para evitar que o aumento da entrada de recursos estrangeiros
no país valorize ainda mais o real e provoque déficit nas contas
externas brasileiras.
Mantega disse que, ao ter como fonte de financiamento parcela da arrecadação
de impostos, o fundo terá um "caráter anticíclico" -promove
uma contração do gasto público em um momento de expansão.
Segundo ele, será uma "reserva de poupança fiscal, o fundo
recebe parte de um tributo, não gasta e cria uma reserva" a ser
aplicada em operações no exterior.
O ministro explicou ainda que o governo criará regras seguras para aplicação
dos recursos do fundo soberano. "Vai ter um parâmetro de solidez,
ou seja, ele não pode comprar títulos que não tenha avaliação
elevada. Vamos estabelecer um padrão de qualidade. No caso do BNDES, é totalmente
seguro, é o próprio governo que garante", afirmou.
Segundo o ministro, o fundo não poderá ser usado para bancar
gastos correntes, mas apenas operações no exterior.
Não está nos planos do governo Lula, disse Mantega, usar o mecanismo
para comprar empresas no exterior como estão fazendo outros países,
como China. "Nosso governo não iria comprar empresas, mas poderemos
comprar ativos no exterior."
O governo ainda não definiu se criará o fundo por meio de medida
provisória ou um projeto de lei -nesse caso, seria por regime de urgência,
para que seja aprovado no início do segundo semestre. A intenção
de Mantega, no entanto, é encaminhar um projeto de lei para o Congresso. "O
fundo será criado com a maior transparência possível",
afirmou.
A idéia do fundo soberano foi muito criticada por economistas de diversas
tendências. Mantega considera essas críticas injustas. "O
fundo soberano é um desdobramento natural dos países que acumulam
muita reserva", diz. Ele lembra, por exemplo, que países como China,
Arábia Saudita, Rússia e Índia possuem um fundo soberano
e ninguém os critica por causa disso. "Não vejo nenhum problema
em o Brasil também criar o seu fundo soberano."
|
FOLHA DE LONDRINA, 07 de
maio de 2008 | Cidades
Terceiro mandato - É legítimo
mudar as regras para a própria gestão?
Juridicamente, uma Emenda Constitucional
permitiria nova recandidatura. Mas, do ponto de vista ético
e político, isso seria justificável?
A recente discussão sobre a possibilidade ou não de o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva concorrer a um terceiro mandato suscita uma
outra questão: é legítimo mudar as regras para a própria
gestão? Juridicamente, não há nenhum impedimento. É preciso
apenas que se apresente uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) sobre a
matéria e que ela seja aprovada por 3/5 do Congresso, para então
ser sancionada. Mas até que ponto é justificável alterar
a Carta Magna de uma nação para tanto? Não seria uma tentativa
de atender a interesses políticos de um determinado grupo, apenas?
Historicamente, segundo explica
o doutor em Direito do Estado e presidente executivo do Instituto de
Direito Constitucional e Cidadania (IDCC), Zulmar Fachin, já houve
mudanças na Constituição visando garantir a continuidade
do poder, como em 1977, quando a Emenda Constitucional (EC) 8 autorizou
a indicação, por um colégio eleitoral, de um terço
dos senadores (os chamados senadores biônicos). Em 1997, a EC 16
instituiu a recandidatura do presidente, governadores e prefeitos, permitindo
ao então presidente Fernando Henrique Cardoso que se reelegesse.
Em relação à possibilidade
de se permitir ao presidente Lula a possibilidade de um terceiro mandato,
o professor diz acreditar que isso não vá ocorrer. ''Embora
este governo tenha méritos e um apoio popular significativo, isso
não significa por si só que tenha que haver mudança
na Constituição. E, do ponto de vista político-econômico,
isso não se justifica. A social-democracia assumiu o poder em
1994, governou oito anos com FHC e completará mais oito anos com
Lula. E ela deverá continuar governando, porque tanto o PSDB quanto
o atual governo são social-democratas'', analisa, lembrando que,
para promover as mudanças de que a sociedade precisa oito anos
são pouco, mas 20 anos também. ''Isso não significa
que uma única pessoa deva fazê-lo. É preciso estabelecer
políticas de médio e longo prazo.''
O professor diz ser contra até a
própria possibilidade de reeleição. ''Acho que a
recandidatura foi uma das piores coisas inventadas na política
brasileira nos últimos anos. A esmagadora maioria dos segundo
mandatos tem sido uma catástrofe, na minha opinião'', opina,
acrescentando que, de certa forma, isso ainda desequilibra as regras
do jogo, já que a exposição na mídia do candidato à reeleição é naturalmente
maior em relação aos outros.
A alternância do poder,
uma das bases da democracia, é outro argumento para refutar a
possibilidade de um governante ficar 12 anos no poder. Fachin lembra
que, de acordo com Karl Loewenstein, uma Constituição pode
ser nominal (existe, mas não é aplicada), normativa (quando é aplicada)
ou semântica (cujas normas visam perpetuar os mesmos no poder).
''Considero a Constituição brasileira atual normativa,
porque nunca foi tão aplicada como esta. A discussão em
torno do terceiro mandato tem um viés semântico, mas não
acredito que haverá mudança relativa a esse assunto. Se
o governo quer manter o apoio popular, pode legá-lo a alguém
que tenha mérito para tanto'', sugere.
Adriana Ito
Reportagem Local
|
FOLHA DE LONDRINA, 07 de
maio de 2008 | Cidades
'É um golpe político'
''É um golpe político,
uma traição modificar a Constituição para
permitir a possibilidade de continuidade no poder. Muda-se a legislação
eleitoral ao sabor dos acontecimentos políticos do momento. Não
se está pensando no melhor do Brasil, mas no melhor para o grupo
político'', critica o presidente da seção Paraná da
Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR), Alberto de Paula Machado, que
diz considerar a reeleição mais do que suficiente para
terminar um projeto político. ''Acho razoável que um governo
que tenha uma manifestação popular favorável possa
se reeleger. Mas não mais do que isso'', opina.
Machado lembra que a experiência
de permanência no poder por muito tempo historicamente costuma
ter um final traumático, como ocorreu com o ex-presidente Getúlio
Vargas. ''O tempo exagerado desgasta, enfraquece. Além disso,
a alternância no poder é essencial à democracia.''
Ele também diz ser contra o que considera mudanças casuístas
na lei eleitoral. ''Uma modificação dessas precisa de um
processo de debate político amplo. Não se admite mais que
essa discussão fique restrita ao âmbito do Congresso.''
Outra irregularidade legislativa
apontada pelo presidente da OAB-PR é o excesso na utilização
da medida provisória (MP), inicialmente criada para questões
com caráter de urgência, mas que nem sempre respeita esse
requisito. ''A MP revela uma ineficiência do Congresso Nacional
e o desvirtuamento da função legislativa. Abre-se mão
da função legislativa para discutir questões que
não são tão importantes para a sociedade'', afirma,
lembrando que o grupo que antes criticava o excesso de MPs hoje faz o
mesmo. ''É o discurso da ocasião.'' Para ele, nesse caso
o Supremo Tribunal Federal tem se omitido. ''A grande discussão é:
como o Congresso não legisla, se o presidente não editar
a MP não consegue governar.''
Como juridicamente não
há instrumentos para barrar o excesso de PEC ou obrigar o Congresso
a ser mais eficiente, o amplo debate político em todas as esferas
da sociedade seria uma das ferramentas capazes de provocar alguma mudança
em favor da própria sociedade. ''A democracia custa muito caro
para o Brasil, e o voto é o seu principal instrumento. Não
adianta ter todo esse aparato se na hora de votar a pessoa optar pelo
favor, pelo assistencialismo. É preciso ter consciência
de que cada voto é importante para obtermos um Congresso de
boa qualidade'', reforça, advertindo que o Congresso é um
reflexo do pensamento da população. ''As práticas
nocivas são reflexo do que há na sociedade. O cidadão
que paga o policial rodoviário para não ser multado não
pode criticar o deputado que cobra para aprovar uma lei.'' (A.I.)
|
FOLHA DE LONDRINA, 07 de
maio de 2008 | Cidades
Constituição recebeu
62 emendas
Modificar a Constituição tem sido uma constante nos últimos
anos. Embora esteja completando 20 anos, a Constituição não
pôde ser mudada nos primeiros cinco anos. Mas, passado ese período,
foram aprovadas 62 Emendas Constitucionais (EC) nesses 15 anos - número
considerado exagerado e injustificado pelos especialistas ouvidos pela FOLHA.
''Isso é uma irresponsabilidade. Não se pode mudar a Constituição
a toda hora, como se fosse lei ordinária. A Constituição é o
documento básico jurídico normativo do Estado'', critica o professor
doutor Zulmar Fachin.
Fachin cita Konrad Hesse ao lembrar
que tantas modificações geram uma quebra de confiança
na inviolabilidade da Constituição, além de um enfraquecimento
de sua força normativa. ''Dessa forma, ela pode até acabar
se tornando meramente nominal'', alerta, acrescentando que uma condição
básica para a sua eficácia é que ela seja modificada
o mínimo possível.
A falta de tradição
do Direito Constitucional, ainda embrionário perto dos outros,
e o fato de os grupos que estão no poder desejarem eles mesmos
ditarem as próprias regras são alguns fatores que contribuíram
para tantas modificações. Mas, na maioria das vezes, o
fator predominante foram os interesses políticos pontuais. ''O
que nos salva são as cláusulas pétreas. Com elas,
o conteúdo essencial tornou-se imodificável'', ressalta.
Dentre essas cláusulas, estão o voto secreto universal
e periódico, separação de poderes e os direitos
e garantias individuais.
Outra questão levantada
por Fachin é o fato de algumas mudanças terem tolhido
direitos dos cidadãos, como na Reforma Previdênciária
de 1998, quando se substituiu o tempo de serviço por tempo de
contribuição para a aposentadoria. ''Se houver a reforma
tributária, é evidente que vai haver mais tributos. E
se isso não foi feito até agora, é porque o caixa
do governo está bom. Porque, se precisasse, já teria
feito'', analisa, acrescentando que, em muitos casos, uma simples mudança
na interpretação da Constituição bastaria.
(A.I.)
|
Agência Câmara,
7 de maio de 2008
Projeto autoriza uso do FGTS para compra
de veículo novo
Laycer Tomaz

Coruja: objetivo da medida é reduzir o número de
veículos velhos em circulação.
O Projeto de Lei 2839/08, do deputado Fernando Coruja (PPS-SC), permite a utilização
de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) na compra
de veículos novos. Para tanto, o trabalhador deve comprovar que foi
proprietário de veículos com mais de 20 anos de uso pelo menos
nos últimos seis meses. Além disso, o automóvel antigo
deve ser vendido à usina de reciclagem.
Coruja afirma que o objetivo
da medida é reduzir o número de veículos velhos
em circulação, que, para ele, "além de altamente
poluidores, são responsáveis pela maioria dos acidentes
de trânsito, ocasionados pelo mau funcionamento mecânico".
O deputado cita dados da Associação Nacional de Fabricantes
de Veículos Automotores (Anfavea) que mostram que os veículos
com mais de 20 anos representam 25% da frota do País.
O parlamentar lembra ainda que
grande parte dos proprietários de veículos com mais de
20 anos de uso é constituída por motoristas de baixa renda
que, em geral, não dispõem de recursos ou de acesso ao
crédito.
Tramitação
O projeto terá análise em caráter conclusivo pelas comissões
de Trabalho, de Administração e Serviço Público;
de Finanças e Tributação; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:
-
PL-2839/2008
|
Agência Diap, 7 de
maio de 2008
MORADIA POPULAR
FGTS aprova mais RS 55 mi para casa
popular rural

O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) decidiu,
nesta terça-feira (6), ampliar em R$ 55 milhões a parcela de
recursos do fundo destinada a subsidiar a construção de habitações
populares nas áreas rurais. Será destinado neste ano um total
de R$ 194 milhões, em vez dos R$ 139 milhões previstos anteriormente,
para famílias da área rural com renda mensal de até R$
760. A Caixa Econômica Federal vai estudar formas de desburocratizar
os empréstimos destinados a esse segmento.
A ampliação dos subsídios com dinheiro do FGTS e redução
das exigências da Caixa foram reivindicações dos movimentos
sociais, principalmente do Movimento de Trabalhadores Sem Terra (MST). Nas
invasões de terras e de prédios públicos, lideradas pelo
MST no mês passado, aumentou a pressão sobre o Governo por essas
medidas.
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, revelou que, há 15 dias,
houve uma reunião de ministros com o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva para avaliação dos pedidos e se tomou a decisão
de buscar uma solução dentro das regras de aplicação
dos recursos do FGTS. "Havia uma pressão não só do
MST, mas também de trabalhadores rurais. Isso gera uma tensão
que o Governo tem de trabalhar para resolver", disse Lupi, ao final da
reunião do conselho curador.
O subsídio com dinheiro do FGTS complementa empréstimos habitacionais
da população mais carente, sem retorno ao patrimônio do
fundo. A aplicação na área rural faz parte do orçamento
de R$ 1,55 bilhão do FGTS que este ano será destinado ao subsídio
de moradia popular para famílias com renda mensal de até R$ 1,8
mil.
Do total do subsídio, 80% são direcionados para residências
populares na área urbana e 20% para a área rural. Dentro dos
20% para área rural, uma parte deve ser dirigida a famílias com
renda mensal de até R$ 760 e foi para essa clientela que o conselho
autorizou hoje a elevação dos recursos.
|
Gazeta do Povo, 7 de maio de 2008
Produtividade
Funcionário motivado trabalha
melhor
Existem várias formas de
fazer com que o empregado saia do marasmo, mas é preciso
saber qual é a mais adequada
Há uma infinidade de ferramentas disponíveis para o gestor motivar
seu quadro de pessoal. Palestras, treinamentos, atividades ao ar livre, premiações
e bônus em dinheiro estão entre as mais comuns. As empresas que
já experimentaram garantem: os funcionários trabalham muito melhor
depois que recebem estes incentivos. Porém, é preciso avaliar
bem qual medida tomar, pois há o risco de perder tempo e recursos em
algo que não vai proporcionar o retorno esperado.
Para o consultor em carreiras José Manuel Kantek, quando um trabalhador
não está motivado, ele faz o “feijão com arroz”,
o básico. “Ele vai ‘levando o emprego com a barriga’.
Se está motivado, ele faz muito mais do que a empresa espera”,
explica. Desta forma, a motivação deve ser constante, já que
o dia-a-dia vai desgastando os profissionais. “O líder tem que
transmitir energia. Mas tem que ser tudo muito bem comunicado, senão
não adianta.”
A diretora do escritório de contabilidade Fazenda, Mariana Córdova,
de Fazenda Rio Grande, conta que levou alguns funcionários seus, no
ano passado, para fazer um treinamento de desenvolvimento profissional. O objetivo
era motivá-los a fazer um trabalho de maior qualidade. “O curso
mostrou os pilares da empresa, mas não só isso. Foi passado também
o conceito de responsabilidade social e eles entenderam que não devem
se preocupar em trabalhar sozinhos, mas em equipe. Isso tudo melhorou a convivência
do grupo”, diz. Segundo ela, houve um ganho na produtividade e os funcionários
sugeriram ações sociais, como visitas a asilos e ajuda a crianças
carentes. “Apesar de o curso ter sido em um fim de semana inteiro, todo
mundo voltou bem animado para trabalhar na segunda-feira.”
O consultor Maurino Veiga, que ministra palestras e cursos motivacionais, diz
que sempre tenta mostrar ao profissional que o que ele faz é importante – muito
importante. “Tento mostrar que a empresa gera empregos, resultados, paga
imposto e que nossos filhos dependem da gente, que temos uma família
para manter. Quem consegue ver isso e ter paixão pelo seu emprego vai
ter sucesso”, garante. Ou seja, uma forma de o líder motivar seu
time é mostrar aos integrantes que eles são peça importante
no grande tabuleiro chamado companhia. Veiga compara a relação
profissional com a de amizade. “Se um não liga, não ajuda,
o negócio não vai para a frente. Agora, se for o contrário,
a amizade se fortalece automaticamente.”
Uma forma de mostrar que o funcionário tem importância é abrir
espaço para ele se sentir mais confortável na empresa. Foi o
que fez o Grupo Poliservice com o projeto “Idéias Brilhantes”. “Há mais
de um ano estamos fazendo várias reuniões com os funcionários
para alcançar uma padronização de sistemas e atitudes,
na comunicação e nos relacionamentos interpessoais. Tentamos
fazer a pessoa se envolver no processo inteiro”, diz a coordenadora de
marketing da empresa, Heloise Berger. Além disso, os funcionários
foram convidados a apresentar sugestões, o que rendeu até um
prêmio para a melhor de todas. “No fim do ano passado, levamos
as sugestões de uma funcionária à diretoria e alguns processos
tiveram que ser mudados.” A empregada ganhou um troféu pela contribuição.
Para Heloise, todos ficaram mais motivados com a ação, que deve
continuar.
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
07/05/2008
Professor com jornada de quatro horas não
pode receber menos que o mínimo
Uma professora contratada pelo
Município de Várzea Alegre, no Ceará, com jornada
de quatro horas diárias, teve reconhecido seu direito a receber
pelo menos um salário-mínimo por mês. A decisão,
da Seção Especializada em Dissídios Individuais
(SDI-1), foi proferida esta semana pela maioria dos ministros presentes
ao julgamento de um recurso de embargos no Tribunal Superior do Trabalho.
Servidora pública municipal
desde 1983, a professora cearense recebia R$ 120 por mês para dar
aula na Escola de Ensino Fundamental Maria Amélia, das 13h às
17h, de segunda a sexta. O município alegava que, por ela ter
uma jornada de quatro horas, seu salário deveria ser proporcional
ao número de horas trabalhadas.
A professora pleiteou em ação
reclamatória trabalhista, além do reconhecimento do direito
a receber o salário-mínimo, o pagamento de gratificação
de 40% por efetiva regência de classe e de adicional de qüinqüênio
(5% a cada cinco anos de serviço), estabelecidos pela Lei Orgânica
do Município de Várzea Alegre.
A Vara do Trabalho de Iguatu
(CE) condenou o município a pagar a gratificação,
os qüinqüênios e as diferenças salariais, considerando
o direito da trabalhadora a receber o salário mínimo, mas
descontando parcelas já pagas de natureza salarial. Recursos foram
interpostos e, após julgamento no Tribunal Regional do Trabalho
e na Quarta Turma do TST, a trabalhadora apresentou embargos à SDI-1.
A ministra Rosa Maria Weber,
relatora dos embargos, verificou que a Orientação Jurisprudencial
nº 206 do TST consagra a interpretação de que o artigo
318 da CLT prevê jornada especial aos docentes, proporcionando
o pagamento, como extras, das horas que excederem à quarta diária,
no caso de aulas consecutivas, ou à sexta diária, no caso
de aulas intercaladas.
A relatora entende que a jornada
especial visa resguardar o professor do desgaste típico da profissão
e garantir-lhe o tempo necessário para elaborar e corrigir provas
e trabalhos, traçar planos de aula e buscar a constante atualização
de seus conhecimentos. Sendo assim, concluiu a ministra que “não
condiz com a outorga de jornada especial o pagamento de salário
proporcional à duração de trabalho de oito horas
diárias e 44 semanais”.
Em sua análise da questão,
a ministra Rosa Maria avalia que o docente não pode ter o benefício
da jornada especial interpretado em seu desfavor, com o pagamento de
salário-mínimo proporcional à duração
de trabalho de oito horas diárias. Assim, a jornada especial redundaria
em verdadeiro “presente de grego”.
Se a professora de Várzea
Alegre trabalhava quatro horas-aula consecutivas, a ministra considerou
que ela perfazia a jornada máxima prevista no artigo 318 da
CLT e que não seria possível chegar a outra conclusão
senão a de que ela tem direito à contraprestação
de ao menos um salário-mínimo mensal. A proposta apresentada
pela relatora, e aprovada pela maioria da SDI-1, foi a de dar provimento
aos embargos, acrescendo à condenação as diferenças
salariais pleiteadas - calculadas com base no salário-mínimo
mensal - e reflexos respectivos. (E-RR-1257/2005-026-07-00.6)
|
07/05/2008
Telemar: empregado desligado após
privatização não obtém incentivo à demissão
Um ex-técnico de telecomunicações
da Telemar Norte Leste, do Rio de Janeiro, demitido em 2002 após
24 anos de trabalho, teve frustrada a pretensão de receber na
Justiça Trabalhista o redutor de 30% do Plano Incentivado de Rescisão
Contratual (PIRC), concedido a funcionários que se desligaram
antes da privatização da empresa, em meados de 1998. O
processo foi julgado Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho,
que não aceitou o apelo do reclamante contra decisão desfavorável
do Tribunal Regional da 1ª Região (RJ). O recurso de revista
não atendeu às exigências processuais que permitiria à Turma
analisar do mérito do pedido.
De acordo com o TRT/RJ, a Telemar,
ao criar o PIRC, estabeleceu que quem aderisse ao programa entre 11 e
16 de novembro de 1998 receberia uma vantagem proporcional ao tempo de
serviço na empresa. Disse, também, que se a meta de demissões
fixada para a reestruturação administrativa da empresa
não fosse atingida nesse período, por ocasião da
privatização procederia a quantas dispensas fossem necessárias.
Neste caso, os demitidos teriam direito ao incentivo, mas com um redutor
de 30%. A empresa, porém, adiantou que não aplicaria os
benefícios e incentivos às futuras demissões e que
poderia suspender o plano a qualquer momento, sem aviso prévio.
O trabalhador em questão
não aderiu formalmente ao plano, e foi dispensado em setembro
de 2002. Ajuizou então a reclamação trabalhista
alegando ter direito ao incentivo financeiro, que, no seu entendimento,
ainda estaria vigente, uma vez que a empresa não provou ter revogado
o plano. Sustentou ainda que a Telemar vinha reiteradamente promovendo
dispensas em massa nos últimos anos, na tentativa de se reestruturar.
No julgamento do recurso ordinário,
o TRT/RJ entendeu, no entanto, que tanto o inventivo financeiro pago àqueles
que aderissem ao plano quanto o redutor de 30% para os que fossem demitidos
sem ter optado pelo PIRC tinham vigência limitada ao prazo de vigência
do plano. Embora a empresa tivesse assegurado a vantagem com o redutor às
demissões posteriores, para o Regional a interpretação
da norma tem de levar em consideração a real intenção
da empresa ao implantar o programa. “Não há como
se ter como ainda vigentes regras próprias de um programa de demissão
voluntária criado para atender questões circunstanciais
atreladas à reestruturação da empresa”, decidiu
o TRT/RJ.
O recorrer ao TST, o trabalhador
insistiu na tese de que o benefício ainda estaria em vigor quando
da sua demissão. O relator do recurso, ministro Walmir Oliveira
da Costa, porém, explicou que o Tribunal Regional indeferiu o
pedido por dois fundamentos básicos: a adesão do empregado
ao plano deveria ocorrer durante a sua vigência, o que não
ocorreu; e as dispensas efetivadas posteriormente estavam relacionadas
a uma nova etapa do processo de reestruturação da empresa,
que não a obrigava a seguir os procedimentos adotados no PIRC.
A admissão do recurso
de revista depende de algumas condições, entre elas a demonstração
de divergência jurisprudencial específica – a existência
de decisões em sentido contrário em matéria semelhante.
O relator assinalou que, no caso, as divergências apresentadas
pelo trabalhador não contemplavam as mesmas premissas adotadas
pelo TRT: a primeira mencionava que o direito ao redutor de 30% estava
estabelecido em norma interna instituída pela Telemar, que garantia
aos funcionários que não aderiram ao plano receberem o
redutor quando fossem demitidos por interesse da empresa; outra simplesmente
defendia que a condenação nos benefícios instituídos
pelo Pirc era irretocável.
Com fundamento nas Súmulas
nos 23 e 296 do TST, de ordem processual, que determinam o não-conhecimento
do recurso nessas circunstâncias, o relator não analisou
o mérito da questão – o alegado direito do empregado
a receber a verba pleiteada. O voto do relator foi seguido pelos demais
ministros da Primeira Turma. (RR1495-2002-068-01-00.3)

|
| JORNAL DO ESTADO, 07 de maio de 2008 | Cidades
| Pág. B3 |
| |
|
|
|