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Agência Senado, 15
de maio de 2008
Ministro do Trabalho aposta na criação
de 2 milhões de novos empregos formais no país em
2008

O número de novas vagas no mercado de trabalho formal do país
em 2008 deve chegar a perto de 2 milhões, como previu nesta quarta-feira
(14) o ministro Carlos Lupi, do Trabalho e Emprego (MTE), em audiência
pública na Comissão de Assuntos Sociais (CAS). A se confirmar
a projeção, serão mais de 400 mil novos postos acima do
total de empregos formais criados em 2007, um acréscimo de 25% e um
novo recorde no país em valores absolutos.
O entusiasmo do ministro em relação
ao cenário econômico e seus efeitos sobre o mercado de trabalho
foi acompanhado de preocupação com a empregabilidade da
força de trabalho disponível. No ano passado, conforme
o ministro, um milhão de trabalhadores deixou de ser contratado
por falta das qualificações necessárias.
- Estamos batendo recordes na
geração de empregos, mas a questão da qualificação é o
grande desafio - reconheceu.
A audiência, proposta
pelos senadores Patrícia Saboya (PDT-CE) e Papaléo Paes
(PSDB-AP), tratou das políticas do governo federal para a inserção
e qualificação de jovens para o mercado de trabalho. Lupi
disse que, pela primeira vez, a oferta de empregos cresce de forma proporcionalmente
maior em favor do segmento formado pelos jovens e, ainda, por pessoas
com mais de 50 anos.
- Essas são as duas faixas
de maior empregabilidade. A tendência das empresas é no
sentido de empregar os jovens, pela força e vigor, e os mais experientes.
As empresas estão quebrando a discriminação anterior,
quando se achava que as pessoas com mais de cinqüenta anos deveriam
ficar em casa, abandonadas - afirmou.
Abordagem integrada
Com respeito à qualificação dos jovens, Lupi destacou
o enfoque integrado que o tema ganhou desde o ano passado, com a atuação
articulada de vários ministérios na condução de
programas antes dispersos. Como resultado, seis programas foram consolidados
em um único, o Pró-Jovem, financiado com recursos diretos do
Tesouro e que articula ações do próprio MTE, do Ministério
da Educação, do Ministério do Desenvolvimento Social e
Combate à Fome e da Secretaria Nacional da Juventude da Presidência
da República.
Uma das mudanças é a
ampliação da faixa etária de atendimento, agora
para brasileiros de 18 a 29 anos, quando antes compreendia jovens de
até 24 anos. Houve, igualmente, a unificação do
valor das bolsas pagas aos que são treinados, agora no valor de
R$ 600 mensais, para cursos que duram cerca de cinco meses. A preocupação,
como disse o ministro, é focar as famílias com renda de
até meio salário mínimo e desenvolver cursos de
acordo com as necessidades dos mercados locais, para assegurar a empregabilidade.
- A empregabilidade é um
dos requisitos para a manutenção dos convênios com
prefeituras e entidades, que devem oferecer garantia de emprego para
ao menos 30% dos matriculados. Se não for atingido esse percentual,
o convênio pode ficar sujeito a outras sanções -
disse.
Lupi destacou, ainda, que os
convênios agora podem ser feitos com municípios com mais
de 50 mil habitantes, quando anteriormente o acesso direto só era
possível para as que tinham mais de 250 mil habitantes. Somente
na linha de capacitação com recursos do Fundo de Amparo
ao Trabalhador (FAT), esclareceu o ministro, prevalece a linha de corte
de 250 mil habitantes para os convênios.
Como não existe oferta
suficiente de cursos nas redes formais de estados e municípios,
conforme Lupi, os programas não podem prescindir de convênios
de capacitação com entidades privadas. No entanto, ele
disse que as exigências são agora maiores e começam
com o lançamento de editais de chamada pública para selecionar
as entidades.
- Estamos procurando aperfeiçoar
os mecanismos, para que tudo seja o mais transparente e eficiente possível
- comentou.
Discriminação política
A senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN) elogiou as mudanças, sobretudo
o acesso aos convênios para prefeituras no caso de municípios
com menos de 250 mil habitantes. Segundo ela, as prefeituras conhecem melhor
as necessidades do mercado de trabalho local. Também disse que os prefeitos,
quando de oposição aos governos estaduais, muitas vezes eram
discriminados e tinham dificuldades de atrair cursos para seus municípios.
Em resposta à senadora,
Lupi disse que, mesmo nos casos de convênios feitos com os estados,
exige-se agora a discriminação de todos os municípios
atendidos. Isso está sendo feito, como disse, para impedir a "discriminação
partidária".
Cristovam Buarque (PDT-DF) considerou
positiva a ênfase atual na qualificação. Dessa forma,
como disse, "o emprego chega e o trabalho funciona". Luppi
confirmou que agora o foco das ações é de fato a
qualificação e, nesse ponto do debate, citou o problema
dos trabalhadores cadastrados no Sistema Nacional de Emprego que, depois
de convocados para testes, não ficaram nas empresas por falta
de domínio das atividades.
O ministro recebeu também
aplausos do senador Adelmir Santana (DEM-DF) pelo compromisso de, como
disse, "não incrementar em suas ações a politicagem
partidária". João Durval (PDT-BA) disse que o bom
trabalho de Lupi à frente do MTE justifica sua manutenção
no cargo no próximo governo ou, pelo menos, a preservação
das linhas de sua gestão.
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NOVA CENTRAL,
15 de maio de 2008 | Eventos
Encontro do FST fortalece a
unidade do sistema confederativo
FST defenderá unicidade, emprego
e direitos dos trabalhadores |
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O
primeiro Encontro Nacional do Forum Sindical dos Trabalhadores
(FST)foi
realizado no dia 13 de maio, terça-feira, em Brasília.
No evento foram debatidos a , estrutura sindical brasileira; redução
da jornada de trabalho; Previdência Social, Fundos e Pensões;
geração de emprego e renda – terceirizações,
cooperativas e condições de trabalho; e as convenções
151 e 158 da OIT.
No Encontro foi aprovado um documento exigindo modificações
na portaria nº 186, do Ministério do Trabalho, de forma a garantir
o princípio da unicidade sindical não só para os sindicatos,
mas também para as entidades de grau superior, como é o caso
das centrais. Este documento será encaminhado ao ministro do Trabalho,
Carlos Lupi, e ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar
Mendes. O FST afirma que a portaria contraria a unicidade sindical, prevista
pela Constituição, permitindo a possibilidade do pluralismo
nas entidades de grau superior.
O tema central do Encontro centrou-se na defesa da Unicidade Sindical,
do Emprego e dos Direitos Trabalhistas. Participaram cerca de 2.800 dirigentes
sindicais de sindicatos, federações, confederações
e centrais. Para o presidente da Nova Central, José Calixto Ramos,
o evento do FST foi um ato importante na afirmação da unidade
entre as entidades sindicais comprometidas com sistema Confederativo, a
unicidade sindical e o custeio compulsório, além da independência
e autonomia das entidades sindicais. |
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Da esq.: Calixto (CNTI/NCST), Ramthun (FETRACONSPAR/
NSCT) e Mazinho (FETICOM/AM)
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Segundo
o coordenador do FST, José Augusto da Silva Filho, “o
Encontro foi um passo importante para a defesa do sistema confederativo
e de nossas principais bandeiras, restabelecendo a luta de forma
preventiva, contra as ameaças que permeiam a classe trabalhadora,
através de propostas e projetos que precarizam e retiram
direitos”.
Seis palestrantes participaram do encontro: Altamiro Borges abordou
o tema “Estrutura
Sindical do Brasil”; senadores Paulo Paim (PT/RS) e Geraldo Mesquita
(PMDB/AC), respectivamente, “Redução da Jornada de
Trabalho” e “Previdência Social, Fundos e Pensões;
presidente do Ipea, Márcio Pochmann, “Geração
de Emprego e Renda – Terceirizações, Cooperativas e
Condições de Trabalho” e a diretora da OIT no Brasil,
Laís Abramo, comentou sobre as Convenções 151 e 158
da entidade; além de palestra sobre o tema “Reforma Agrária,
Meio Ambiente e Matriz Energética”. |
Ao final foi aprovada
a Carta de Brasília, no seguinte teor:
CARTA DE BRASILIA
Os trabalhadores de todo
o Brasil, reunidos em seu Encontro Nacional, convocado pelo FST – Fórum
Sindical dos Trabalhadores, no dia 13 de maio de 2008, em Brasília – DF,
na sala de Convenções do Americel Hall, analisaram
a pretensão do governo federal de alterar a estrutura
sindical, a necessidade da geração de emprego e
renda e as implicações que a envolvem como terceirizações,
cooperativas de trabalho e a necessária redução
da jornada de trabalho, bem como Previdência Social e Fundos
de Pensões, Convenções 151 e 158 da OIT,
Reforma Agrária, Meio Ambiente e Matriz Energética,
APROVARAM as seguintes resoluções:
1 – Estrutura Sindical
As pressões dos setores neoliberais e reacionários da sociedade
brasileira contra a nossa estrutura sindical são antigas e profundas,
tendo adquirido força com a continuidade do governo Lula.
Mas, a nossa vitória alcançada durante a Constituinte e
consagrada na Constituição da República de 05/10/1988,
que em seu artigo 8º assegura a unicidade, a contribuição
sindical e o sindicato por categorias econômicas e profissionais é fundamental
para o sindicalismo brasileiro, como instrumento importantíssimo
nas lutas e conquistas dos trabalhadores do Brasil.
Por isso, o Encontro Nacional do FST propõe:
a) retirada do Congresso Nacional, pelo governo Lula, da PEC número
369/2005, a qual, se aprovada, irá implodir a estrutura sindical
vigente, com danosas conseqüências para os trabalhadores do
campo, da cidade, do serviço público e suas entidades sindicais
representativas de grau superior;
b) reedição da Portaria número 186/2008, pelo Ministro
do Trabalho e Emprego, com a efetiva exclusão dos aspectos capazes
de permitir o pluralismo sindical nas federações e confederações
das categorias profissionais ou econômicas;
c) priorizar a campanha nacional de apoio ao projeto de Lei do Senado,
número 248/2006, de autoria do Senador Paulo Paim (PT/RS), que
regulamenta de forma categórica o desconto da Contribuição
Negocial, por ocasião das celebrações de convenções,
acordos coletivos ou decisões normativas da Justiça do
Trabalho;
d) desencadear campanha em nível nacional, pela aprovação,
pelo Congresso Nacional, de projeto de lei que regulamente a organização
dos trabalhadores em seus locais de trabalho;
e) lutar, em nível nacional, pela aprovação no Congresso
Nacional de projeto de lei que regulamente o direito de greve para os
servidores públicos.
2 – Redução da Jornada de Trabalho
e Geração de Emprego e Renda
A redução de 48 para 44 horas semanais, inscrita na Constituição
da República, durante estes 20 anos se mostrou ainda insuficiente
para garantir salário adequado e o necessário e justo descanso
semanal do trabalhador e possibilitar a efetiva geração
de emprego e renda, tão necessários ao Brasil.
Desta forma, o Plenário do Encontro Nacional propõe:
a) intensificação da luta nacional e urgente pela redução
da jornada de trabalho para 40 horas semanais, mediante a aprovação
da PEC – Proposta de Emenda à Constituição,
pelo Congresso Nacional;
b) desenvolver amplo leque de apoio às propostas de geração
de emprego e renda, com o fortalecimento do Salário Mínimo,
como importante fator de distribuição de renda e redução
das desigualdades regionais;
c) apoio de forma integral, pelo movimento sindical, de uma Reforma Tributária
que reduza o impacto da elevada carga tributária nas empresas
e sobre os salários;
d) desenvolver campanha nacional, pela redução dos juros
a um nível justo, que permita a realização de investimentos
que gerem empregos formais e facilite o desenvolvimento e o crescimento
econômico e social do Brasil (ou do País);
e) Impedir que as cooperativas de trabalho nos moldes atuais e a terceirização
de forma abusiva e indiscriminada agravam, ainda mais, o elevado índice
de desemprego e miséria em nossa pátria, intensificando
campanha nacional pela regulamentação imediata, pelo Congresso
Nacional, das chamadas cooperativas de trabalho ou de mão de obra
e a coibição da absurda e indiscriminada terceirização,
especialmente nas atividades fins das empresas privadas e do setor público.
3 – Convenções 151 e 158 da
OIT
Contra as demissões imotivadas e em defesa da organização
dos servidores públicos.
Com o apoio de todo movimento sindical, o Governo Federal encaminhou
ao Congresso Nacional as mensagens para a aprovação das
Convenções 151 e 158 da Organização Internacional
do Trabalho - OIT.
A Convenção 151 institui o direito do funcionalismo público às
negociações coletivas, direito esse que já vem sendo
conquistado na prática, mas que ainda não está previsto
em nossa legislação. Com essa Convenção,
aqueles que, contratados pelo Estado, em suas diversas esferas (municipal,
estadual e federal), prestam serviços fundamentais e essenciais à população
brasileira, mas que ainda sofrem descriminação inaceitável
e odiosa.
Já a Convenção 158 coíbe a demissão
imotivada nas empresas privadas e só permite a dispensa em casos
de incapacidade econômico-financeira ou mudanças tecnológicos
e estruturais devidamente comprovadas, ou falta grave praticada pelo
trabalhador regularmente comprovada.
Nesse sentido, propomos:
a) imediata aprovação da Convenção 151 da
OIT pelo Congresso Nacional, assegurando-se o direito dos servidores
públicos à negociação coletiva e livre organização
nos seus sindicatos.
b) a imediata aprovação da Convenção 158
da OIT pelo Congresso Nacional, com a inclusão na legislação
brasileira de que recaia sobre o empregador o ônus da prova da
falta do trabalhador que justifique a sua demissão.
4 – Previdência Social, Fundos e Pensões
Pela extinção do Fator Previdenciário e pela recuperação
das aposentadorias e pensões
O Fator Previdenciário e as defasagens nos reajustes aposentadorias
e pensões do Regime Geral da Previdência Social continuam
agravando a situação de milhões de brasileiros que
construíram a riqueza nacional. O Fórum Nacional de Previdência
Social (FNPS) não conseguiu chegar a um consenso, pois os empresários
e o governo insistem em aumentar a idade mínima para aposentadoria,
o que é inaceitável.
O Senado Federal há poucos dias, em decisão histórica,
aprovou o fim do Fator Previdenciário e estendeu às aposentadorias
e pensões os mesmos critérios de reajuste do mínimo
(inflação + crescimento do PIB). O reajuste do mínimo
foi aprovado na Câmara, mas emenda que beneficiava os aposentados
com o mesmo critério foi rejeitada.
Os Fundos de Pensões constituem importantes instrumentos de complementações
de aposentadorias e pensões da Previdência Social e também
significativa poupança interna do país.
Entretanto, é necessária a fiscalização especifica
e rigorosa das suas atividades, a fim de serem evitados os escândalos
publicados frequentemente pela imprensa e prejuízos aos aposentados
e pensionistas.
Desta forma propomos:
a) a aprovação imediata pela Câmara dos Deputados
do PLS 296/2003, que extingue o Fator Previdenciário, cujas regras,
baseadas, principalmente, na expectativa de vida dos trabalhadores, retardam
e dificultam a concessão das aposentadorias.
b) aprovação imediata pela Câmara dos Deputados do
reajuste das aposentadorias e pensões pelos mesmos critérios
do salário mínimo, sob pena daqueles que ganham acima do
mínimo e até o teto do Regime Geral estarem, muito em breve,
ganhando somente o piso nacional.
c) a retomada da atuação do FNPS, a fim de que seja construído
um modelo que fortaleça a previdência pública e social
e elimine os riscos de sua privatização.
5 – Reforma Agrária, Meio Ambiente
e Matriz Energética
Em defesa da reforma agrária, do meio ambiente e das fontes energéticas
alternativas.
O Brasil dispõe de condições geográficas,
físicas, econômicas e culturais fantásticas para
atingir seu desenvolvimento auto-sustentável, de forma soberana,
e com a preservação do meio ambiente.
Dispomos de um território continental, temos água e matérias
primas abundantes, detemos uma biodiversidade invejável e ainda
dispomos de uma base econômica e industrial que, conjugados entre
si, permitem a superação de todos os resquícios
de subdesenvolvimento econômico, de desigualdade social e de atraso
cultural, ou seja, estamos destinados, inclusive, pela história
de luta de nosso povo e de nossos trabalhadores, a alcançar a
condição de país de primeiro mundo, em todos os
aspectos.
Mas, para isso, alguns desafios terão de ser enfrentados. Além
de superar os aspectos da política econômica neoliberal
(juros altos, impostos elevados, superávit primário, etc.),
precisamos promover e concluir algumas reformas estruturais para o pleno
desenvolvimento nacional.
Sendo assim, propomos:
a) a reforma agrária, com uma política agrícola
de fortes investimentos no setor, principalmente em tecnologia, onde
se destaca a necessidade de fortalecimento da Embrapa e de suas pesquisas,
e a indispensável implantação de uma política
agrária de zoneamento que impeça a prática da monocultura,
tão perversa ao desenvolvimento diversificado da agricultura brasileira.
b) a defesa do meio ambiente, com a adoção de reformas
urbanas nos grandes centros metropolitanos e de políticas racionais
de desenvolvimento econômico com a preservação de
nossos mananciais hídricos, nossas reservas florestais, nossa
biodiversidade, enfim, nossa qualidade de vida.
c) a instituição de uma Política Nacional Energética
que priorize nossas fontes alternativas, como a bioenergia, a energia
eólica, a energia solar, entre outras opções que,
com a defesa do controle nacional sob nosso território e sem prejuízo
da necessária auto-suficiência em petróleo, permitam
ao país construir uma matriz energética de baixo custo
econômico e de elevada capacidade de preservação
ambiental por basear-se em fontes renováveis.
Brasília-DF, 13
de Maio de 2008
FÓRUM
SINDICAL DOS TRABALHADORES - FST
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria
- CNTI
Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio
- CNTC
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes
Terrestres - CNTTT
Confederação Nacional das Profissões Liberais - CNPL
Conf. Nac. dos Trab. em Transp. Aquaviários e Aéreo, na
Pesca e nos Portos - CONTTMAF
Confederação Nacional dos Empregados em Empresas de Crédito
- CONTEC
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura
- CONTAG
Confederação Nacional dos Trab. em Estabelecimentos de
Ensino e Cultura - CNTEEC
Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalurgíticos
- CNTM
Confederação Nacional dos Trabalhadoares em Turismo e Hospitalidade
- CONTRATUH
Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Industrias
de Alimentação e Afins - CNTA
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde
- CNTS
Confederação dos Servidores Publicos do Brasil - CSPB
Confederação Nacional dos Trabalhadores Vigilantes - CNTV
Confederação Brasileira dos Trabalhadores Policiais Civis
- COBRAPOL
União Sindical Independente - USI
Coordenação Confederativa dos Trabalhadores - CCT
Nova Central Sindical dos Trabalhadores - NCST
Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB
Central Sindical dos Profissionais – CSP
União Geral dos Trabalhadores – UGT

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AGÊNCIA SINDICAL, 15
de maio de 2008
Jogo pesado contra o sindicalismo:
leia, entenda, defenda-se!
As denúncias contra Paulinho
da Força podem ser apenas denúncias contra um dos 513 deputados
federais. Mas pode ser mais. Aliás, é muito mais.
Em política, recomenda-se olhar para o que está acontecendo e
perguntar: mas o que realmente está acontecendo?
Veja. O que acontece no Brasil é um
processo continuado de recuperação da economia, acompanhado,
no campo sindical, de forte unidade do movimento, acumulando conquistas
concretas para os trabalhadores e as organizações de classe.
A lista é longa: aumento real de salários em mais de 90%
das negociações coletivas; seguidos aumentos para o salário
mínimo; derrota da Emenda 3; legalização das Centrais
e do custeio; assento do movimento sindical nos Conselhos do Sistema
S; encaminhamento ao Congresso das Convenções 151 e 158
da OIT; e uma agenda de lutas cujo ponto principal é a redução
da jornada para 40 horas.
Economia em crescimento e sindicalismo
unido apontam para a continuidade da ofensiva dos trabalhadores por salários,
direitos e garantias. E assim chega-se a 2010.
Em 2010, será travada
uma batalha política histórica, com o fim do governo Lula
e a possibilidade, real, do setor conservador ganhar novamente a presidência
da República. Os conservadores, liderados pelo PSDB, querem, desde
já, aplainar o terreno, sabendo que, para isso, pode tudo: menos
ter um movimento sindical unido e na ofensiva.
Quebrar todo o movimento é impossível.
Mas é plenamente viável enfraquecer elos importantes e,
lá na frente, quebrar a corrente. E aí os meios são
os mais diversos: denuncismo, demissão de sindicalistas, endurecimento
com o funcionalismo, reforma trabalhista neoliberal e assim por diante.
Vale registrar que a tentativa
de enfraquecer o sindicalismo é um movimento mundial. A direita
sabe que onde os Sindicatos não atuam ela tem mais chances de
ganhar os excluídos. Isso aconteceu na França, com a vitória
de Sarkozy, na Itália, com o retorno de Berlusconi; e agora na
Inglaterra com a derrota dos trabalhistas.
O que fazer? A linha estratégica
do sindicalismo é a busca de um modelo com desenvolvimento econômico,
emprego e distribuição de renda. Nesse sentido, Paulinho
tem jogado um papel fundamental junto às Centrais e no Congresso
Nacional. Portanto, todas as ações devem ser reforçadas,
seja em apoio aos nossos aliados, seja no âmbito de cada entidade
e também nas ações conjuntas do sindicalismo. A
primeira tarefa, fundamental, que se impõe vem agora em 28 de
maio, com o Dia Nacional de Luta pelas 40 horas.
A melhor defesa do movimento
sindical se faz com a luta cotidiana nos locais de trabalho, buscando
conquistas, fortalecendo a representatividade efetiva das organizações
e ampliando sua atuação institucional. Sem descuidar-se
das tarefas: 40 horas, garantia do veto à Emenda 3, Convenção
158, Convenção 151, derrubada do fator previdenciário
e campanhas salariais organizadas.
Esse é o remédio
que fortalece o sistema imunológico sindical e pode criar condições
para a vitória do campo popular nas próximas eleições
e em 2010.
João Franzin
Jornalista e assessor sindical
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GAZETA
DO POVO, 15 de maio de 2008
Eleições 2008
Senado aperta o cerco contra os “ficha-suja”
Projeto aprovado obriga a divulgação
dos nomes dos candidatos condenados em 1.ª instância. Alguns
senadores já se articulam para rever a decisão
Caio Castro Lima, com agências
Uma nova regra eleitoral promete mexer com os programas gratuitos nas eleições
deste ano e com vários candidatos a prefeito e vereadores. A Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou ontem
um projeto de lei do senador Pedro Simon (PMDB-RS) que obriga a Justiça
Eleitoral a divulgar, nas propagandas eleitorais, os nomes do candidatos que
tenham sido condenados em primeira instância por processos criminais. A
medida gerou enorme discussão e confusão entre os parlamentares,
que criticaram a idéia e sugeriram modificações.
A proposta foi aprovada em caráter
terminativo. Ou seja, vale como decisão do Senado e não
vai passar pelo plenário. Agora, a proposta, se seguir a tramitação
normal, deve seguir para a Câmara Federal. Mas o senador Artur
Virgílio (PSDB-AM) quer que a matéria passe por votação
em plenário e vai requerer isso à Mesa Diretora da
Casa. Para que o recurso dele seja aceito, pelo menos outros nove
senadores devem assinar o pedido.
Virgílio quer que
a divulgação dos processados aconteça apenas
quando eles forem condenados em segunda instância. A alteração
sugerida pelo tucano recebeu o apoio do líder do governo no
Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e do senador Valdir Raupp (PMDB-RO).
Já os senadores Antônio Carlos Júnior (DEM-BA),
Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) e Wellington Salgado (PMDB-MG)
argumentaram que a divulgação não deve ocorrer
enquanto o julgamento do candidato não for definitivamente
encerrado.
Simon defendeu a proposta
dizendo que ela permitirá aos eleitores conhecer a situação
jurídica dos candidatos e obter, assim, mais informações
que lhes permitam votar “de forma mais consciente”. Ele
ressaltou ainda que a Justiça Eleitoral terá de destacar
que os candidatos citados não podem ser considerados culpados
até que os respectivos processos sejam concluídos.
O autor do projeto disse ainda que os senadores contrários à idéia “estão
marchando contra a opinião pública”. Ele lembrou
que deputados federais e senadores, por exemplo, não podem
ser julgados em primeira instância, mas pelo Supremo Tribunal
Federal (STF), “que nunca condena parlamentares”. “Não é à toa
que as últimas pesquisas mostram Lula nas alturas e o Congresso
Nacional com uma aprovação baixíssima”,
lembrou Simon.
A líder do PT
no Senado, Ideli Salvatti (PT-SC), manifestou-se contra o projeto
de Simon, porque o texto, de acordo com ela, fere o princípio
constitucional de presunção de inocência. Ela
ressaltou que a solução estaria na agilização
dos processos que tramitam na Justiça. Os senadores Almeida
Lima (PMDB-SE) e Epitácio Cafeteira (PTB-MA) apresentaram
argumentos semelhantes ao de Ideli. Mas o relator da matéria,
senador Jefferson Peres, discordou de que o projeto desrespeita
o princípio da presunção de inocência. “O
projeto não cerceia direitos nem propõe a inelegibilidade
dos candidatos em questão. Pretende-se apenas que o eleitor
seja informado, mantendo-se o direito do candidato de se defender
e de rebater as acusações.” Também apoiaram
o projeto de Simon os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Jarbas
Vasconcelos (PMDB-PE). “A proposta de Simon visa à transparência”,
disse Jarbas.
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MIDIAMAX/ MATO GROSSO DO
SUL, 15 de maio de 2008 | Economia
Campo Grande/ MS: Com baixos salários,
cresce informalidade na Construção Civil
Osvaldo Júnior
Os baixos salários no mercado formal da construção civil
de Campo Grande provocam uma migração de trabalhadores para a
informalidade. Segundo estimativa do presidente do Sintracom (Sindicato dos
Trabalhadores da Indústria da Construção Civil e do Mobiliário
de Campo Grande) Samuel da Silva Freitas, o número de trabalhadores
informais, na Capital, já chega a 10 mil e está em ascensão.
Muitos também estão deixando a cidade rumo ao interior e, mesmo,
a outros estados.
Freitas estima uma carência
aproximada de cinco mil trabalhadores nas empresas de construção
civil da cidade. Esse déficit é causado, por um lado, pela
falta de qualificação e, por outro, pelos salários
menores do setor formal em relação ao informal.
A questão da qualificação é tratada
entre sindicato e Governo. O sindicalista afirma que solicitou à Funtrab
(Fundação do Trabalho e Qualificação Profissional)
a realização de cursos em caráter emergencial. O
número mínimo de trabalhadores a serem qualificados deve
ser, inicialmente, de mil da Capital e de 2 mil do interior, calcula
Freitas. “Também pedimos que o Governo conceda uma bolsa
para ajudar nas despesas do trabalhador que estiver realizando o curso”,
completa.
Salários
Mas qualificação
não esgota as soluções da mão-de-obra na
construção civil. De acordo com Freitas, outro problema é salarial.
Ele afirma que, em Campo Grande, houve reajuste para todas as funções.
O aumento, realizado neste mês, é retroativo a março,
data-base da categoria. O piso salarial do pedreiro sofreu alta de 9%,
passando de R$ 550 para R$ 600. O servente teve o salário elevado
em 10% – de R$ 400 subiu para R$ 440. O mestre-de-obra, função
com a maior remuneração, teve o salário majorado
de R$ 1.012 para R$ 1.072, 90 – alta relativa de 6%.
Esses reajustes, conforme Freitas,
estão longe de atingir os valores ganhos pelos trabalhadores informais.
Segundo o presidente do Sintracom, o pedreiro autônomo chega a
receber R$ 350 por semana. O salário mensal, de R$ 1.400, corresponde
ao dobro do atual piso do profissional que está no mercado formal.
O trabalhador com a função de mestre-de-obra chega a ter
uma renda de R$ 3 mil, 179% maior que o salário-base pago pelas
empresas.
Samuel Freitas estima que o número
de trabalhadores informais da construção civil em Campo
Grande chegue a 10 mil. Esse volume, que já representa a metade
da quantidade dos que têm carteira assinada (estimado em 20 mil),
está crescendo, projeta o sindicalista.
Na avaliação de
Freitas, o crescimento da informalidade é algo negativo. “Os
trabalhadores sem registro em carteira não têm segurança,
estabilidade e deixam de ter acesso aos direitos trabalhistas”,
alerta.
Para tentar superar o impasse
entre melhoria de renda e ausência de garantias trabalhistas, o
sindicato negocia com as empresas aumentos salariais mais expressivos. “Estamos
buscando sensibilizar os empregadores quanto aos salários para
não ficarem sem trabalhadores”, diz.
Os baixos salários
têm levado trabalhadores para fora da Capital. O destino mais
procurado, em Mato Grosso do Sul, é Três Lagoas, em razão
da expansão industrial. Os profissionais também estão
saindo do estado. “Muitos que ajudaram na construção
da Igreja Universal, por exemplo, estão sendo procurados por
empresas de outros estados. Essas empresas chegam a ligar para as casas
dos trabalhadores”, conta.
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CAMPO GRANDE NEWS, 15 de
maio de 2008 | Economia
Achar mão-de-obra qualificada é desafio
para construtor
Fernanda Mathias
Em um momento de forte aquecimento da construção civil, o empreiteiro
de Campo Grande e do interior enfrenta dificuldades para encontrar mão-de-obra
qualificada e muitas vezes tem de pagar acima do piso para segurar os funcionários
no canteiro. Nas obras, placas de contratação evidenciam o problema.
O setor precisaria no momento
de 10 mil funcionários qualificados, principalmente carpinteiros,
armadores e azulejista. A mão-de-obra representa cerca de 40%
do custo da construção.
Proprietário da obra de
um hotel que é construído em terreno em frente ao Shopping
Campo Grande, o empresário Jair Pandolfo calcula que a obra corra
com 30% de atraso em relação ao desempenho que poderia
ter se tivesse com todo o quadro de funcionários completo. A previsão
de inauguração do hotel é no fim do próximo
ano. Serão 140 apartamentos, 12 mil metros construídos.
Hoje trabalham 30 funcionários
na obra, um quadro reduzido à metade do previsto inicialmente,
por falta de oferta. Desde janeiro, quando as obras tiveram início,
a placa de contratação está em frente ao canteiro,
mas não houve sucesso na busca por pessoal. Outro desafio, afirma
o empresário, é manter os funcionários no canteiro
uma vez que, segundo ele, muitas vezes eles são assediados com
propostas de serviços por salários maiores já na
saída da obra.
O proprietário da Ducan
Construções, Cláudio Anache, afirma que a oferta
reduzida acaba acarretando em propostas de salários cerca de 30%
acima do piso. É neste patamar que a Federação dos
Trabalhadores quer corrigir o piso na convenção que está em
andamento.
Anache diz que isso acaba impactando
no custo final da obra e o contratante tendo de recorrer a financiamentos
ou outros meios para pagar pela diferença em relação
ao orçamento inicial do imóvel. “O negócio
não fica prejudicado, mas não podemos deixar aumentar o
preço de uma forma que comece a desestimular a construção”,
diz.
Ele afirma que em cidades na
região de divisa de outros Estados já se começa
a contratar mão-de-obra de fora e defende agilidade na qualificação
para que este processo seja estancado e os postos ocupados por trabalhadores
do Estado.
Qualificação – Diante
da falta de profissionais qualificados, o setor de construção
civil está se movimentando e desde janeiro busca recursos para
qualificar 10 mil trabalhadores, sendo cinco mil em Campo Grande e outros
cinco mil no interior de Mato Grosso do Sul, principalmente para as cidades
de Três Lagoas e Dourados.
O presidente do Sinduscon (Sindicato
da Indústria da Construção Civil), Jary Castro,
afirma que seriam necessários R$ 6 milhões para isso e
deposita expectativas no chamado PAC (Plano de Aceleração
do Crescimento) da Construção Civil, lançado pelo
governo federal. A articulação por recursos envolve a iniciativa
privada, o governo estadual e municípios.
Castro afirma que esses 10 mil
trabalhadores teriam absorção imediata no mercado, devido
ao boom na construção civil. Sobre o fato de ocorrerem
assédios nas saídas de construção civil,
com oferta de melhores salários, ele diz que a busca por mão-de-obra é um
comportamento natural do mercado. “É a lei da oferta e procura”,
diz. Porém, Jary afirma que é difícil para o grande
construtor ofertar salários diferentes do piso, porque isso impactaria
no custo da obra e do produto final.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores
na Construção Civil o problema de falta de mão-de-obra é conseqüência
de anos de paradeira na construção civil, que acabou fazendo
com que os trabalhadores se voltassem para outras profissões para
garantir o sustento.
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O ESTADO DE SÃO PAULO,
15 de maio de 2008 | Economia
Brasileiro gasta logo as moedas
que junta, diz pesquisa
AE - Agencia Estado
BRASÍLIA - Se o governo começar a guardar dinheiro no ritmo que
o brasileiro junta moedas no cofrinho, o Fundo Soberano do Brasil (FSB) pode
demorar um pouco a sair. Pesquisa feita no ano passado mostra que só 25%
dos brasileiros guardam moedas. Entre esses, mais da metade (54%) não
agüenta esperar e usa o dinheiro em uma semana. Há os que são
mais ansiosos ainda: 2% usam as moedinhas em menos de uma semana. Conforme
o tempo passa, diminui o número de pessoas que conseguem manter o dinheiro
no cofrinho: 14% mantêm por um mês, 8% por seis meses, 4% por um
ano e apenas 3% por mais de um ano.
A pesquisa, feita pelo Datafolha
a pedido do Banco Central (BC), mostra que 75% das pessoas que recebem
moedas não conseguem colocá-las no cofre. Mas há uma
parcela que junta moedas pensando no futuro, como comparou o ministro
da Fazenda, Guido Mantega. Ontem, ele disse que o FSB, que vai ajudar
empresas brasileiras no exterior, terá funcionamento semelhante
ao hábito de juntar moedas em um cofrinho.
É como um cofrinho. Você não
tem cofrinho na sua casa? Você ganha o salário, faz as despesas
e sobram recursos. Aí você coloca no cofrinho. Vamos colocar
no cofrinho o excedente?, disse ele, ao anunciar a criação
do FSB. As informações são
do jornal O Estado de S. Paulo.
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CUT, 15 de maio de 2008
INSS muda agenda de aposentadoria
Segurado agora precisa ter mais
de 40 anos para conseguir marcar uma data para pedir o benefício
Os segurados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) que forem solicitar
a aposentadoria devem ter, a partir de agora, ao menos 40 anos de idade para
conseguirem marcar um horário nos postos da Previdência.
O limite foi criado no sistema de controle dos agendamentos, que fornece as
datas disponíveis tanto para os pedidos feitos pela central de atendimento
telefônico 135 quanto para os agendamentos solicitados pela internet,
no endereço eletrônico do INSS (www.inss.gov.br).
Se, na hora de agendar o atendimento, o segurado não tiver a idade mínima,
o sistema não concluirá o agendamento e informará em qual
data o pedido poderá ser feito. Isto é, quando o segurado terá idade
suficiente para pedir o benefício. No caso da aposentadoria por idade,
o sistema só permitirá o agendamento se o segurado tiver mais
de 60 anos (homens) ou de 55 anos (mulheres).
A idade e o sexo do segurado são checados por meio do NIT (Número
de Identificação do Trabalhador) ou do PIS.
Para o INSS, as mudanças deverão dificultar que atravessadores
façam vários agendamentos para depois vender as vagas. Agora,
só quem tem ao menos idade para se aposentar pode marcar horário
nos postos.
Limites
Uma segurada que hoje tem 27 anos de idade só poderá agendar
uma data para pedir a aposentadoria por idade em 2036, quando completará 55
anos. Para um segurado que hoje tem 34 anos de idade, o sistema só vai
liberar o pedido de agendamento para a aposentadoria por idade em 2033 -quando
ele completará 60 anos.
Para o pedido de aposentadoria assistencial, a idade mínima para o agendamento é de
65 anos, tanto para homens quanto para mulheres.
O sistema também impõe limite de idade para os pedidos de aposentadoria
por tempo de contribuição e para a aposentadoria especial. Nesses
casos, o segurado precisa ter pelo menos 40 anos.
Além da idade mínima para fazer o agendamento, é necessário
ter também o tempo de contribuição exigido -que não é reconhecido
pelo sistema de agendamento.
Na aposentadoria especial, o pedido do benefício pode ser feitos após
15 anos, 20 anos ou 25 anos de trabalho em condições especiais,
dependendo do ramo de atividade do trabalhador.
Para a aposentadoria por tempo de contribuição, o homem precisa
comprovar 35 anos de contribuição, e a mulher, 30 anos.
Na consulta feita ontem, às 16h, no site do INSS, existiam vagas disponíveis
para pedir a aposentadoria na primeira semana de junho em agências de
todas as regiões da capital.
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CUT, 15 de maio de 2008
Quanto vale a dignidade do trabalhador?
R$ 590, para uma juíza do Trabalho
de Jaraguá do Sul-SC
Por: Suzana Vier/Contracs
Para uma juíza do Trabalho
de Jaraguá do Sul (SC) que julgou causa em que foi constatado
assédio moral de um gerente contra uma trabalhadora, a dignidade
do trabalhador/a vale pouco, bem pouco: exatos R$ 590,00.
A trabalhadora "E.R.S",
vendedora e caixa de uma revenda de pneus de Jaraguá do Sul foi
vítima de assédio moral por parte do gerente da empresa
que, entre outras coisas, chamava a trabalhadora publicamente de "burra", "devagar",
além de dizer que ela "não aprendia nada".
Até mesmo a testemunha
de defesa do gerente informou que ele "tratava inclusive clientes
de forma inadequada".
No termo de audiência,
a juíza relata: "demonstrada, portanto, a prática
adotada pelo preposto ... no uso de tratamento descortês para com
a autora na frente de outras pessoas (clientes e colegas de trabalho),
resta demonstrada a pressão psicológica no ambiente de
trabalho, passível de gerar constrangimentos e humilhações à reclamante.
As agressões verbais praticadas pelo preposto da empresa caracterizam
ato ilícito que viola a esfera íntima da pessoa humana,
gerando direito à indenização a título de
danos morais, justamente por ofender os valores mais íntimos do
indivíduo".
" Apesar da justas palavras da juíza, o resultado foi decepcionante.
A honra da trabalhadora, ferida por meses a fio, publicamente, vale apenas R$
590,00 para quem julgou a causa. A própria juíza cita que a indenização
tem caráter compensatório e natureza pedagógica em relação
ao empregador, mas com essa sentença, o empregador vai entender que não
há problemas em tratar mal os trabalhadores. Dignidade não tem
preço, mas essa indenização beira o descaso", alertou
Lucilene Binsfeld, presidenta da Contracs/CUT.
O conteúdo do termo de audiência também demonstra que a
trabalhadora exercia múltiplas funções na loja e era constantemente
sobrecarregada, considerou Lucilene.
O Sindicato dos Comerciários de Jaraguá do Sul já está recorrendo
da sentença: "Trabalhador tem direito a um local de trabalho sadio.
A trabalhadora estava adoecendo na empresa. Diante disso muito me espanta a
sentença. A juíza acha que R$ 590,00 pune a empresa. Nossa indignação
não é tanto pelo dinheiro, reivindicamos uma punição
justa para que isso não aconteça com outros trabalhadores dessa
mesma empresa e sirva de lição para outras empresas também",
explicou Ana Roeder, presidenta do sindicato.
Assédio moral
É cada vez maior o número
de denúncias de trabalhadores que sofreram e sofrem assédio
moral.
" Os trabalhadores estão mais conscientes do problema e buscando
seus direitos", explicou Valeir Ertle, tesoureiro da Contracs/CUT e bacharel
em direito.
Para o dirigente sindical, todo trabalhador/a exposto a esse tipo de agressão
moral e psicológica deve buscar seus direitos, até mesmo para
tornar o mercado de trabalho mais humano.
" Se o trabalhador, trabalhadora, for vítima de assédio moral,
deve procurar seu sindicato e lutar por justiça", concluiu Lucilene.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
15/05/2008
Colégio indenizará professora
demitida por mudar filho para outra escola
A Sétima Turma do Tribunal
Superior do Trabalho restabeleceu sentença que condenou o Colégio
Arquidiocesano Sagrado Coração de Jesus, de Aracaju (SE),
a pagar indenização por dano moral a uma professora demitida
sem justa causa após ter tirado seu filho do colégio e
o matriculado em outra escola. A demissão, além de ter
indevido caráter punitivo, ocorreu um ano de a professora completar
tempo suficiente para a aposentadoria.
A professora trabalhou por mais
de 24 anos no Arquidiocesano, lecionando inglês. Com base em convenção
coletiva, seu filho estudava no colégio com bolsa integral. Mais
tarde, a família decidiu transferir o filho, já adolescente,
para outro estabelecimento, conhecido pelos bons resultados no vestibular.
Segundo informações prestadas no processo, no início
do ano letivo de 2006 a professora foi comunicada, “de maneira
abrupta e intensamente vexatória”, durante reunião
da direção, que seu filho deveria retornar ao colégio,
sob pena de ser demitida. Recusando-se a concordar com a exigência,
recebeu aviso-prévio e foi demitida. Ainda de acordo com os autos,
o diretor da escola teria dito à professora “que fosse pedir
emprego na escola para qual seu filho foi transferido".
Ajuizou então reclamação
trabalhista em que pedia reintegração ao colégio,
a declaração de nulidade da demissão e indenização
por danos morais. Na inicial, explicava que a demissão causara “intenso
abalo psicoemocional e verdadeiro sentimento de humilhação,
inferiorização”, levando-a a tomar remédios
controlados para tratar de depressão. O filho, sentindo-se culpado
pela situação, também teria tido abalos psicológicos.
O colégio admitiu os motivos
da demissão: na sua avaliação, a professora deixou
claro que não enxergava com bons olhos a linha educacional adotada
ali. Alegou que “não seria salutar” manter em seu
quadro uma profissional que, apesar de seu “alto grau de sofisticação
acadêmica” e dos anos de trabalho na instituição,
externasse tal opinião, que deporia contra a escola. A demissão
seria legítima, com base no princípio da livre-concorrência
e no direito potestativo do empregador – e citou como exemplo uma
revenda de automóveis. A cena proposta pelo Arquidiocesano é a
de alguém que pretende comprar um automóvel da Ford e,
ao chegar à concessionária, vê que o vendedor tem
um carro da Fiat. Ao perguntar o motivo, recebe como resposta: “Ora,
porque os automóveis da Ford não são bons. Bons
são os da Fiat.”
A sentença de primeiro
grau determinou a reintegração e fixou a indenização
por dano moral no valor de R$ 10 mil. A condenação, porém,
foi revogada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 20ª Região
(SE). De acordo com o TRT/SE, a despedida de empregado que não
detém estabilidade se constitui em poder meramente potestativo
do empregador e, embora faltasse apenas um ano para a aposentadoria,
não se tratava de despedida obstativa, pois não há norma
legal que ampare a pretensão.
A professora recorreu então
ao TST. O ministro Pedro Paulo Manus, redator do acórdão,
afirmou em seu voto que o direito de o empregador demitir seus empregados
não é ilimitado. Além disso, a Constituição
Federal rechaça a idéia de mercantilização
da educação, “sendo infeliz e despropositada a comparação
do trabalho docente com a atividade de vendas de automóveis como
pretenso fundamento à afirmação da livre concorrência”.
Para o ministro, a decisão da professora de mudar seu filho de
escola em busca de uma situação mais favorável ao
estudante, antes de ser um direito, é um dever dos pais, não
sendo sequer um ato reprovável. “Não há fundamento
para obrigar o pai professor a matricular seu filho na escola empregadora,
nem para impedir que promova mudança de escola”, afirmou. “Isso
não significa, como quer fazer crer o colégio, reprovação
ao seu desempenho escolar.”
Em seu voto, o ministro Pedro
Manus ressalta que a professora ingressou no Arquidiocesano aos 22 anos
de idade e, ao longo dos 24 anos de serviço, não tinha
qualquer anotação em seus assentamentos. A demissão,
portanto, foi um revide injusto e completamente desproporcional. O dano
moral estaria caracterizado, também, pelo fato de a professora
ser conhecida na cidade de Aracaju e ter colaborado na formação
escolar de inúmeras pessoas que, de um momento para outro, passaram
a saber de sua dispensa, sumária e sem motivo aparente. A decisão
foi por maioria, ficando vencido o ministro Ives Gandra Martins Filho.
(RR 229/2006-004-20-00.4)
(Carmem Feijó)
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Agência Diap, 15 de
maio de 2008
JUSTIÇA DO TRABALHO
Trabalho aprova rito sumaríssimo,
Comissão quer ouvir MTE sobre registro sindical
A comissão de Trabalho
da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (14), o requerimento
175/08, do deputado Vicentinho (PT/SP), que convida o secretário
nacional de Relações do Trabalho, Antônio Medeiros.
O parlamentar pede que o representante
do Executivo, responsável pelos processos de reconhecimento de
entidades sindicais, tire dúvidas sobre questões referentes à Portaria
186/08, do Ministério do Trabalho. A portaria modifica a forma
do registro sindical junto ao MTE e, de acordo com parecer elaborado
pelo advogado e membro do corpo técnico do DIAP, Hélio
Gherardi, a portaria abre espaço para a pluralidade no movimento
sindical.
Justiça
do trabalho
O colegiado aprovou também o substitutivo da relatora, deputado Andréa
Zito (PSDB/RJ) ao Projeto de Lei 1.432/03, do deputado Dr° Rosinha (PT/PR).
A matéria altera a legislação sobre o rito sumaríssimo
na Justiça do Trabalho.
Outra proposição
aprovada no colegiado foi o PL 412-A/03. O projeto dispõe sobre
a concessão de incentivo fiscal para as pessoas jurídicas
que firmarem contratos de trabalho com pessoas portadoras de deficiência
e com pessoas idosas com mais de 60 anos. O relator, deputado Roberto
Santiago (PV/SP), emitiu parecer favorável a proposta, que foi
referendada em unanimidade pela colegiado. (André Santos)
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NCST, 15 de Maio de 2008
Centrais Sindicais e a Mobilização
Nacional para o dia 28 de maio
TESE SOBRE A REDUÇÃO DA JORNADA
DE TRABALHO
Ricardo Antunes
I. A redução da jornada ou do tempo semanal de trabalho (sem
redução de salário) tem sido uma das mais importantes
reivindicações do mundo do trabalho, uma vez que se constitui
num mecanismo de contraposição à extração
do mais-valia realizada pelo capital. Desde o advento do capitalismo que a
redução da jornada de trabalho mostra-se como central na ação
dos trabalhadores, condição preliminar para uma vida emancipada,
conforme escreveu Marx, em 1866, para o Congresso Internacional dos Trabalhadores
de Genebra.
II. Nos dias atuais, esta formulação ganha ainda mais concretude,
pois mostra-se como um mecanismo importante (ainda que, quando considerado
isoladamente, bastante limitado) para tentar minimizar o desemprego estrutural
que atinge um conjunto enorme de trabalhadores e trabalhadoras. Mas, se a proposta
for concebida para além da esfera da imediatidade, a redução
da jornada de trabalho configura-se como um ponto de partida decisivo, ancorado
no universo da vida cotidiana, para, por um lado, permitir uma reflexão
fundamental sobre o tempo, o tempo de trabalho, o autocontrole sobre o tempo
de trabalho e o tempo de vida. E, por outro, ao possibilitar o afloramento
de uma vida dotada de sentido fora do trabalho.
Através da luta pela redução da jornada (ou do tempo),
pode-se articular tanto a ação contra algumas das formas de opressão
e exploração do trabalho, como também às formas
contemporâneas do estranhamento/alienação, que se realizam
fora do mundo produtivo, na esfera do consumo material e simbólico,
no espaço reprodutivo fora do trabalho (produtivo). Pode-se articular
a ação contra o controle opressivo no tempo de trabalho e contra
o controle opressivo no tempo de vida. De modo que lutar pela redução
da jornada de trabalho implica lutar pelo controle (e redução)
do tempo opressivo de trabalho.
III. Com isso apresentamos outra tese que nos parece crucial: uma vida cheia
de sentido fora do trabalho supõe uma vida dotada de sentido dentro
do trabalho. Não é possível compatibilizar trabalho assalariado,
fetichizado e estranhado/alienado com tempo (verdadeiramente) livre. Uma vida
desprovida de sentido no trabalho é incompatível com uma vida
cheia de sentido fora do trabalho. Em alguma medida, a esfera fora do trabalho
estará maculada pela desefetivação que se dá no
interior da vida laborativa.
Como o sistema global do capital dos nossos dias abrange também as esferas
da vida fora do trabalho, a desfetichização da sociedade do consumo
tem como condição imprescindível a desfetichização
no modo de produção das coisas. O que torna a sua conquista muito
mais difícil, se não se inter-relaciona decisivamente a ação
pelo tempo livre com a luta contra a lógica do capital e a vigência
do trabalho abstrato. Do contrário, acaba-se fazendo ou uma reivindicação
subordinada à Ordem, onde se crê na possibilidade de obtê-la
pela via do consenso e da interação, sem tocar nos fundamentos
do sistema, sem ferir os interesses do capital ou, o que é ainda pior,
acaba-se gradativamente por abandonar as formas de ação contra
o capital e de seus sistema de metabolismo social, numa práxis social
resignada. Restaria, então, a opção de tentar “civilizá-lo”,
de realizar a “utopia do preenchimento”, do “possível”,
visando conquistar pelo “consenso” o "tempo livre", em
plena era do toyotismo, da acumulação flexível, das desregulamentações,
das terceirizações, das precarizações, do desemprego
estrutural, da desmontagem do welfare state, do culto do mercado, da sociedade
destrutiva dos consumos materiais e simbólicos, enfim, da (des)sociabilização
radical dos nossos dias. Neste universo, a (positiva) ampliação
dos espaços públicos tem como corolário a (também
positiva) redução das atividades laborativas. Mas seu limite
maior - e que não é o único - aflora quando se propõe
a restringir, limitar, mas não desconstruir e contrapor-se radical e
antagonicamente ao sistema de metabolismo social do capital. Desse passo um
tanto resignado, para o convívio com o capital, a distância fica
pequena. Isso sem mencionar o fato de estas formulações são,
em grande parte das vezes, marcadas por um acentuado europocentrismo, que não
reflete (e consequentemente) não incorpora analiticamente a totalidade
do trabalho social. Imaginar estas formulações encontrando vigência
na Ásia, América Latina, África, tão somente “limitando
o desenvolvimento da razão instrumental” e “ampliando os
espaços públicos” é por certo uma abstração
desprovida de qualquer sentido efetivamente emancipatório.
IV. Uma vida cheia de sentido em todas as esferas do ser social somente poderá efetivar-se
através da demolição das barreiras existentes entre tempo
de trabalho e tempo de não-trabalho, de modo que, a partir de uma atividade
vital cheia de sentido, autodeterminada, para além da divisão
hierárquica que subordina o trabalho ao capital hoje vigente e, portanto,
sob bases inteiramente novas, possa se desenvolver uma nova sociabilidade.
Tecida e criada por indivíduos (homens e mulheres) sociais e livremente
associados, onde ética, arte, filosofia, tempo verdadeiramente livre
e ócio, em conformidade com as aspirações mais autênticas,
suscitadas no interior da vida cotidiana, possibilitem as condições
para a efetivação da identidade entre indivíduo e gênero
humano, na multilateralidade de suas dimensões. Em formas inteiramente
novas de sociabilidade, onde liberdade e necessidade se realizem mutuamente.
Se o trabalho torna-se dotado de sentido, será também (e decisivamente)
através da arte, da poesia, da pintura, da literatura, da música,
do tempo livre, do ócio, que o ser social poderá humanizar-se
e emancipar-se em seu sentido mais profundo. Estas considerações
anteriormente feitas, nos permitem indicar as teses que seguem.
V. A luta pela redução da jornada ou tempo de trabalho deve estar
no centro das ações do mundo do trabalho hoje, em escala mundial.
Lutar pela redução do trabalho visando, no plano mais imediato,
minimizar o brutal desemprego estrutural que é consequência da
lógica destrutiva do capital e de seu sistema. Reduzir a jornada ou
o tempo de trabalho para que não prolifere ainda mais a sociedade dos
precarizados e dos desempregados. À justa consigna trabalhar menos,
para todos trabalharem, deve-se, entretanto, adicionar outra não menos
decisiva: produzir o que? E para quem?
VI. O direito ao trabalho é uma reivindicação necessária
não porque se preze e se cultue o trabalho assalariado, heterodeterminado,
estranhado e fetichizado (que deve ser radicalmente eliminado, com o fim do
capital), mas porque estar fora do trabalho, no universo do capitalismo vigente,
particularmente para a massa de trabalhadores e trabalhadoras (que totalizam
mais do que dois/terços da humanidade) que vivem no chamado Terceiro
Mundo, desprovidos completamente de instrumentos verdadeiros de seguridade
social, significa uma desefetivação, des-realização
brutalização e desumanização ainda maiores do que
aquelas já vivenciadas pela classe-que-vive-do-trabalho. Mas é imperioso
acrescentar que também no chamado Primeiro Mundo, o desemprego e as
formas precarizadas de trabalho tem sido cada vez mais intensos, processos
que se agravam com o desmoronamento gradativo do welfare state. Portanto, também
nestes países o direito ao emprego, articulado com a redução
da jornada e do tempo de trabalho, torna-se uma reivindicação
capaz que responder às efetivas reivindicações presentes
no cotidiano da classe trabalhadora.
VII. Esta luta pelo direito ao trabalho em tempo reduzido e pela ampliação
do tempo fora do trabalho (o chamado “tempo livre”), sem redução
de salário - o que, faça-se um parênteses, é muito
diferente de flexibilizar a jornada, uma vez que esta se encontra em sintonia
com a lógica do capital - deve estar intimamente articulada à luta
contra o sistema de metabolismo social do capital que converte o "tempo
livre" em tempo de consumo para o capital, onde o indivíduo é impelido
a “capacitar-se” para melhor "competir" no mercado de
trabalho, ou ainda a exaurir-se num consumo coisificado e fetichizado, inteiramente
desprovido de sentido. Portanto, a luta imediata pela redução
da jornada ou do tempo de trabalho torna-se inteiramente compatível
com o direito ao trabalho (em jornada reduzida e sem redução
de salário).
Desse modo, a luta contemporânea pela redução da jornada
(ou do tempo) de trabalho e a luta pelo emprego, ao invés de serem excludentes,
tornam-se necessariamente complementares. Aliás, não foi outra
a indicação de Marx, em O Capital, ao apontar as decisivas conexões
entre trabalho e tempo livre: "De fato, o reino da liberdade começa
onde o trabalho deixa de ser determinado por necessidade e por utilidade exteriormente
imposta; por natureza, situa-se além da esfera da produção
material propriamente dita. O selvagem tem de lutar com a natureza para satisfazer
as necessidades, para manter e reproduzir a vida, e o mesmo tem de fazer o
civilizado, sejam quais forem a forma de sociedade e o modo de produção.
Acresce, desenvolvendo-se, o reino do imprescindível. É que aumentam
as necessidades, mas, ao mesmo tempo, ampliam-se as forças produtivas
para satisfazê-las. A liberdade nesse domínio só pode consistir
nisso: o homem social, os produtores associados regulam racionalmente o intercâmbio
material com a natureza, controlam-no coletivamente, sem deixar que ele seja
a força cega que os domina; efetuam-no com o menor dispêndio de
energias e nas condições mais adequadas e mais condignas com
a natureza humana. Mas, esse esforço situar-se-á sempre no reino
das necessidade. Além dele começa o desenvolvimento das forças
humanas como um fim em si mesmo, o reino genuíno da liberdade, o qual
só pode florescer tendo por base o reino da necessidade. E a condição
fundamental desse desenvolvimento humano é a redução da
jornada de trabalho." (Marx, O Capital, Livro III, Vol. 6, Ed. Civilização
Brasileira, 1974, RJ, p 942).
Ricardo Antunes é professor
da Unicamp e também Coordenador da Coleção Mundo
do Trabalho
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UOL, 15 de maio de 2008
10% dos mais ricos no Brasil detêm
75% da riqueza, diz Ipea
KAREN CAMACHO
Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online
O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) elaborou um levantamento
que aponta as desigualdades no Brasil. Um dos dados mostra que os 10% mais
ricos concentram 75,4% da riqueza do país.
Os dados, obtidos pela Folha Online, serão apresentados pelo presidente
do Ipea, Márcio Pochmann, nesta quinta-feira ao CDES (Conselho de Desenvolvimento
Econômico e Social). O objetivo, segundo ele, é oferecer elementos
para a discussão da reforma tributária.
A pesquisa também mostra como é essa concentração
em três capitais brasileiras. Em São Paulo, a concentração
na mão dos 10% mais ricos é de 73,4%, em Salvador é de
67% e, no Rio, de 62,9%.
Para Pochmann, a injustiça do sistema tributário é uma
das responsáveis pelas diferenças. "O dado mostra que o
Brasil, a despeito das mudanças políticas, continua sem alterações
nas desigualdades estruturais. O rico continua pagando pouco imposto",
afirmou.
Apenas para efeito de comparação, ao final do século 18,
os 10% mais ricos concentravam 68% da riqueza no Rio de Janeiro --único
dado disponível.
" Mesmo com as mudanças no regime político e no padrão
de desenvolvimento, a riqueza permanece pessimamente distribuída entre
os brasileiros. É um absurdo uma concentração assim",
afirma.
A pesquisa do Ipea também mostra o peso da carga tributária entre
ricos e pobres, que chegam a pagar até 44,5% mais impostos. Para reduzir
as desigualdades, o economista defende que os ricos tenham uma tributação
exclusiva.
Pochmann afirmou que um dos caminhos é discutir uma reforma tributária
que melhore a cobrança de impostos de acordo com a classe social.
" Nenhum país conseguiu acabar com as desigualdades sociais sem uma
reforma tributária", afirmou.
A pesquisa do Ipea também mostra um dado inédito. A carga tributária
do país, excluindo as transferências de renda e pagamento de juros,
cai a 12%, considerada por Pochmann insuficiente para que o Estado cumpra as
suas funções.
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UOL, 15 de maio de 2008
Pobres pagam 44% mais impostos do que
ricos
KAREN CAMACHO
Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online
Os impostos no Brasil pesam mais sobre os que têm menor renda. Os 10%
mais pobres pagam 44,5% mais do que os 10% mais ricos, de acordo com pesquisa
elaborada pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Segundo o estudo, a carga tributária representa 22,7% da renda dos 10%
mais ricos. Para os 10% mais pobres, no entanto, o peso equivale a 32,8% de
sua renda.
Os dados, obtidos pela Folha Online, serão apresentados pelo presidente
do Ipea, Márcio Pochmann, nesta quinta-feira ao CDES (Conselho de Desenvolvimento
Econômico e Social). O objetivo, segundo ele, é oferecer elementos
para a discussão da reforma tributária.
" Esse é mais um elemento que comprova a injustiça tributária,
que acentua a desigualdade entre os brasileiros", afirma Pochmann.
A explicação para a diferença entre o peso dos impostos
está na forma de cobrança.
A base da arrecadação no Brasil é mais forte na chamada
tributação indireta, ou seja, embutida em alimentos ou bens de
consumo. Como o brasileiro mais pobre gasta a maior parte de sua renda em consumo,
paga mais impostos.
Considerando apenas a tributação indireta, a carga dos mais pobres é de
29,1%, contra 10,7% dos mais ricos.
Na comparação apenas da tributação direta, como
o Imposto de Renda, os mais pobres pagam o equivalente a 3,7% de sua renda,
enquanto que os mais ricos pagam 12%.
" O mais pobre compromete mais a sua renda com produtos de sobrevivência,
por isso paga mais imposto. A tributação é indireta, que
tem estrutura fortemente regressiva", afirmou.
Para Pochmann, esse modelo é inaceitável. A pesquisa mostra que,
por conta da tributação desigual, a concentração
das riquezas continua fortemente nas mãos dos mais ricos. Ele defende
a criação de um imposto extra sobre fortunas ou heranças,
no caso de patrimônios.
A pesquisa do Ipea também mostra um dado inédito. A carga tributária
do país, excluindo as transferências de renda e pagamento de juros,
cai a 12%, considerada por Pochmann insuficiente para que o Estado cumpra as
suas funções.
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UOL, 15 de maio de 2008
Ipea defende criação de
imposto sobre fortunas e heranças
KAREN CAMACHO
Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online
Os brasileiros mais ricos deveriam pagar um imposto extra sobre suas fortunas
ou heranças para reduzir as desigualdades sociais e de renda no país.
Essa é a tese defendida pelo presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada), o economista Márcio Pochmann.
Para ele, o sistema tributário atual não ajuda na redução
das desigualdades e a reforma tributária deveria incluir essa medida.
" Não há imposto sobre riqueza ou herança. Faltam impostos
sobre as fortunas. Apesar das mudanças políticas no país,
o rico continua pagando pouco imposto", afirmou.
A defesa foi feita com base nos dados de pesquisa do Ipea que mostra a concentração
de renda no país e a queda da carga tributária quando são
excluídas as transferências de renda, o pagamento de juros e os
subsídios a empresas.
Os dados, obtidos pela Folha Online, serão apresentados por Pochmann,
nesta quinta-feira, ao CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e
Social). O objetivo, segundo ele, é oferecer elementos para a discussão
da reforma tributária.
O estudo mostra, por exemplo, que para os 10% mais ricos a carga tributária
representa 22,7%. Para os 10% mais pobres, no entanto, o peso equivale a 32,8%
de sua renda.
" O Brasil arrecada mal. A carga tributária é pessimamente
distribuída", afirmou Pochmann. Para ele, o novo imposto deveria
ficar a cargo da Receita Federal.
O estudo também mostra que os 10% mais ricos concentram 75,4% da riqueza
do país.
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Agência Diap, 15 de
maio de 2008
MEDIDA PROVISÓRIA
STF decide suspender MP por não
respeitar Constituição
O Supremo Tribunal Federal (STF)
concedeu, nesta quarta-feira (14), liminar (decisão provisória)
suspendendo a Medida Provisória (MP) 405, de 18 de dezembro de
2007, que abriu crédito extraordinário no valor de R$ 5,4
bilhões para a justiça eleitoral e diversos órgãos
do Poder Executivo.
A decisão é uma
respostas a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI)
4048 no tribunal, impetrada pelo PSDB que alega que a MP não respeitou
os pressupostos constitucionais da urgência e da relevância
necessários para uma MP, nem os da imprevisibilidade e da urgência,
requeridos para a abertura de créditos extraordinários.
Votaram a favor da suspensão
os ministros Gilmar Mendes, que foi o relator da ADI, Eros Grau, Cármen
Lúcia Antunes Rocha, Carlos Ayres Britto, Marco Aurélio
e Celso de Mello. Já os ministros Ricardo Lewandowski, Joaquim
Barbosa, Cezar Peluso, Menezes Direito e Ellen Gracie votaram contra.
Congresso
O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB/RR), disse que
a decisão do supremo deve ser acatada. "O que o governo precisa
fazer agora é analisar a profundidade da decisão e verificar
quais os caminhos para que o governo não perca instrumento no momento
em que precisar de recursos pra alguma emergência ou alguma ação
que seja inadiável," comentou sobre a decisão.
A edição de medidas provisórias pelo governo tem sido
bastante criticada nos últimos tempos. Durante a posse do novo presidente
do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, em abril, o excesso de MPs
foi alvo de críticas do próprio Gilmar e também do presidente
da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto.
Gilmar Mendes disse na ocasião que o modelo de MPs está “desgastado” e
que isso “afeta a construção de um processo democrático
livre e dinâmico”.
Críticas
“É necessário que se encontre um modelo de aplicação
das medidas provisórias que possibilite o uso racional desse instrumento,
viabilizando, assim, tanto a condução ágil e eficiente dos
governos quanto à atuação independente dos legisladores”,
declarou.
Já o presidente da OAB
disse que há uma “banalização” das MPs,
o que, para ele, é uma “agressão permanente” à Constituição. “Medida
provisória é exceção – não regra.
Transformou-se em rotina o que deveria existir apenas em casos de urgência
e relevância”, disse Cezar Britto, durante a posse, diante
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
PEC das
MPs
A Câmara dos Deputados deverá votar, ainda este mês, uma
proposta de emenda a constituição (PEC) 511/06, do senador Antonio
Carlos Magalhães (DEM/BA), que foi aprovada na comissão especial
sob a relatoria do deputado Leonardo Picciani (PMDB/RJ).
De acordo com o texto,
entre as mudanças estão a admissibilidade da MP, que
será analisada pela CCJ nos 10 primeiros dias de tramitação
em cada uma das Casas do Congresso (Câmara e Senado). Entre outras
mudanças, as novas regras, se aprovadas pelo Congresso, vedam
o poder de apresentação de MP para revogar outra medida
provisória. Leia mais. (André Santos,
com G1)
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Gazeta do Povo, 15 de maio de 2008
Câmara dos Deputados
Corregedoria deve pedir abertura de processo
de cassação de Paulinho
A corregedoria da Câmara dos Deputados já definiu o caminho para
pedir a abertura de processo de perda de mandato do deputado Paulo Pereira
da Silva, o Paulinho da Força Sindical (PDT-SP). Mesmo que não
haja provas do suposto envolvimento de Paulinho no esquema de desvio de dinheiro
do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o deputado
poderá ser processado por ter ferido o Código de Ética
Parlamentar, infração verificada em conversa que manteve com
o advogado e ex-conselheiro do BNDES Ricardo Tosto. Na Câmara, o processo é disciplinar
e não criminal.
O principal argumento para sustentar um pedido de cassação baseia-se
na conversa, interceptada pela Polícia Federal, entre Paulinho e Tosto
no início do mês. O telefonema de Tosto a Paulinho foi feito duas
horas depois de o ex-conselheiro ter deixado a carceragem da PF. No diálogo,
Paulinho afirma, segundo relatório da polícia, que vai “mexer
os pauzinhos” no Congresso para convocar o ministro da Justiça,
Tarso Genro, para explicar por que Tosto havia sido preso.
Essa conversa foi interpretada por procuradores e policiais como uma forma
de constranger e influenciar nos rumos da investigação e, na
Câmara, pode significar quebra de decoro parlamentar. O Código
de Ética prevê como procedimento incompatível com o decoro
parlamentar, punível com a perda de mandato, abusar das prerrogativas
constitucionais asseguradas aos membros do Congresso Nacional. Ou seja, nesse
caso, Paulinho poderia ter usado o mandato com a intenção de
intimidar o ministro, superior hierárquico da PF.
Paulinho entregou ontem sua defesa ao corregedor. Ele reafirmou ser vítima
de uma “perseguição política” por causa de
sua atuação em defesa dos trabalhadores. Disse que está buscando
identificar as pessoas que o estariam perseguindo. “Um punhado de nomes”,
disse Paulinho em entrevista após deixar o gabinete do corregedor.
O deputado confirmou que conversou com o advogado Ricardo Tosto, insistindo
para que ele não se afastasse do cargo de consultor do BNDES. “Eu
falei para ele ficar e que não aceitávamos a saída dele
nem por um período. Ele queria se afastar para se defender. Eu falei: ‘a
Força Sindical não aceita’”, afirmou o deputado.
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Folha de S.Paulo, 15 de maio
de 2008
Caixa financiará 100% dos imóveis
usados
DO "AGORA"
Já é possível financiar 100% de um imóvel usado
pela Caixa Econômica Federal a partir de uma linha de crédito
que utiliza recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).
Antes, o financiamento total só era permitido para a compra de imóveis
novos.
A novidade foi divulgada ontem pelo banco e já estava valendo no primeiro
dia de funcionamento do 4º Feirão Caixa da Casa Própria,
que acontece no pavilhão azul do Expo Center Norte, zona norte da capital
paulista, até domingo.
Além de todo o valor da casa poder ser parcelado, os juros cobrados
ainda são mais baixos, já que as taxas dessa linha de crédito
variam de 6% a 8,16% ao ano.
No entanto, para se beneficiar desse novo financiamento, o interessado precisa
comprar um imóvel de até R$ 130 mil e parcelar o valor em, no
máximo, 20 anos (240 meses).
Para contratos mais longos, o percentual do valor financiado varia conforme
o período. Entre 240 e 300 meses, por exemplo, a Caixa financia 90%
do preço. Já para os contratos entre 301 e 360 meses, o percentual
de financiamento continua sendo de 80%, como antes.
" Com certeza, essa medida facilita e amplia significativamente o acesso
da população à casa própria", disse o vice-presidente
da Caixa, Jorge Hereda, na abertura do feirão.
Carta de Crédito
Para contratar a Carta de Crédito FGTS, é preciso ir a uma das
agências da Caixa Econômica para solicitar o financiamento e dar
entrada na documentação -durante o feirão, isso pode ser
feito no próprio local do evento.
Após a aprovação do cadastro e da capacidade de pagamento
do interessado, a Caixa fornecerá a carta de crédito, com validade
de 15 dias.
A partir daí, é preciso levantar a documentação
do imóvel e esperar que o banco faça uma avaliação
do preço e do risco da operação. O valor financiado será o
mais baixo entre o avaliado pela Caixa e o pedido pelo vendedor. O comprador
depois deve ir a uma agência assinar o contrato e pagar as taxas necessárias.
Segundo a Caixa, o dinheiro é liberado quando o contrato é apresentado.
No feirão, estão à venda 90 mil imóveis da região
metropolitana de São Paulo. A Caixa espera neste ano fechar 22 mil negócios
durante a feira, quase o mesmo resultado da soma das três edições
anteriores do evento. (ELIANE MENDONÇA)
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Folha de S.Paulo, 15 de maio
de 2008
Crédito para habitação
tem início em julho
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Banco do Brasil pretende começar a operar com crédito imobiliário
por meio do SFH (Sistema Financeiro da Habitação) até o
mês de julho, de acordo com o vice-presidente de Finanças do BB,
Aldo Luiz Mendes. A idéia, diz o executivo, é formar uma carteira
de R$ 1 bilhão em financiamentos até o final deste ano.
Até hoje, o Banco do Brasil só negocia empréstimos imobiliários
por meio de uma parceria com a Poupex, uma associação de poupança
ligada ao Exército. O banco enfrentava restrições legais
para atuar nesse mercado porque era obrigado, até dois meses atrás,
a usar o dinheiro captado nas cadernetas de poupança em crédito
rural, e não em financiamentos habitacionais, como a maioria das instituições
financeiras.
Essa limitação, porém, foi revogada em março pelo
CMN (Conselho Monetário Nacional), que liberou o uso da chamada poupança
rural também em crédito imobiliário. O Banco do Brasil
pretende alcançar uma carteira de R$ 4,5 bilhões nessa modalidade
num prazo de quatro anos.
Apostas
O financiamento para aquisição de imóveis é uma
das apostas do BB para crescer no mercado de crédito. Outra iniciativa
são os empréstimos que financiam a compra de veículos,
que no final de março somavam R$ 3,544 bilhões, crescimento de
175% em relação a março do ano passado.
A carteira de crédito total do banco chegou a R$ 172,8 bilhões
no final do primeiro trimestre. A meta é que, neste ano, o saldo de
empréstimos liberados pelo banco cresça 25%.
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Folha de S.Paulo, 15 de maio
de 2008
Lula estuda reajustar em 5% o valor
do Bolsa Família
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva estuda dar um reajuste de 5% aos benefícios do programa
Bolsa Família devido à alta da inflação nos últimos
doze meses, sobretudo por causa do aumento do preço dos alimentos
de consumo popular, como o pão francês, o arroz e o feijão.
O principal obstáculo hoje ao reajuste, segundo apurou a Folha, é a
proximidade das eleições municipais de 1º de outubro. O
governo teme que um eventual reajuste seja tachado como eleitoral e possa ser
questionado na Justiça.
O último e único reajuste dado ao Bolsa Família, o principal
programa social do governo, ocorreu no ano passado. Foi de 18,25%. O programa
foi criado em outubro de 2003, quando houve a união de diversos benefícios
de transferência de renda aos mais pobres.
Auxiliares do presidente favoráveis ao reajuste defendem que valeria
a pena dar uma nova correção porque que seria difícil
a oposição sustentar um discurso político contrário à medida
justamente num ano eleitoral. Uma correção de 5% equivaleria
a pouco mais de R$ 500 milhões.
Hoje o mínimo que uma família recebe do programa é R$
18 -valor equivalente a um filho. No entanto, se essa família é considerada
miserável, recebe um piso de R$ 58. Uma família é considerada
miserável se tem renda per capita mensal de até R$ 50.
Os benefícios de R$ 18 podem ser dados a três filhos no máximo,
com idade de até 15 anos. Há também benefícios
de R$ 30 para dois filhos adolescentes, com idade de até 17 anos. No
máximo, uma família recebe hoje R$ 172.
Resumindo: a correção de 5% teria um impacto de R$ 0,90 no menor
benefício e de R$ 8,60 no maior.
Lula avalia que conceder o reajuste seria gastar uma quantia pequena de dinheiro
para beneficiar muita gente. O presidente tem dito reservadamente, por exemplo,
que acabou de lançar um programa para beneficiar exportadores que prevê desembolso
de R$ 21 bilhões em quatro anos. Ou seja, gasta mais e mais facilmente
com os mais ricos.
O governo tem uma despesa anual de cerca de R$ 10,9 bilhões com o Bolsa
Família. O programa atende cerca de 11 milhões de famílias.
Ao lado do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que prevê investimentos
na infra-estrutura do país, o Bolsa Família é uma ação
prioritária do governo.
O eventual reajuste do Bolsa Família vem sendo discutido reservadamente.
Nas últimas semanas, Lula tem manifestado maior preocupação
com a alta da inflação. Ele já pediu que o Ministério
da Agricultura prepare medidas para tentar combater a alta dos alimentos.
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Agência Câmara,
15 de maio de 2008
Secretário quer compensação
ao INSS na reforma tributária
J. Batista

Helmut Schwarzer (E) quer evitar eventuais prejuízos
com a desoneração da folha de pagamento.
O secretário de Políticas de Previdência Social do Ministério
da Previdência, Helmut Schwarzer, defendeu nesta quarta-feira a definição
de uma fonte de financiamento compensatória do Instituto Nacional do
Seguro Social (INSS) para uma eventual perda de receitas com a desoneração
da folha de pagamentos, prevista na reforma tributária (PECs 233/08
e 31/07). Segundo ele, essa compensação poderia ser incluída
no texto da reforma ou no projeto de lei que, posteriormente, regulamentará a
PEC.
"É importante que
seja garantido o fluxo de financiamento do Regime Geral de Previdência
Social", disse Schwarzer, que participou de audiência pública
conjunta da comissão especial da reforma tributária e da
Comissão de Seguridade Social e Família.
A proposta do governo, que não
está explícita na PEC da Reforma Tributária, é de
que a contribuição patronal à Previdência
Social caia de 20% para 14% em seis anos, com a redução
de um ponto percentual ao ano, a partir do segundo ano da aprovação
da reforma. A PEC remete essa redução para lei ordinária.
Mercado
de trabalho
O secretário de Políticas de Previdência Social afirmou
que a redução da alíquota de contribuição
patronal pode ter um efeito positivo sobre o mercado de trabalho, com a formalização
e a geração de novos investimentos. Ele ressaltou, contudo, que
esse efeito não será suficiente para compensar a necessidade
de financiamento da Previdência.
Na audiência, Schwarzer
mostrou simulações do impacto que a desoneração
da folha de pagamentos causaria sobre as contas previdenciárias.
Segundo os cálculos exibidos, a redução prevista
da contribuição patronal para o INSS, dos atuais 20% para
14% em seis anos, demandaria a criação de 5,3 milhões
novos empregos formais para compensar a eventual perda de receita.
Schwarzer alertou também
sobre a necessidade de separar o que é contribuição
previdenciária do que é redistribuição de
renda para, a partir daí, definir alíquotas e saber se
há ou não espaço para a desoneração
da folha.
Estimativas
da Fazenda
Também na audiência, o secretário de Política Econômica
do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, assegurou que a desoneração
da folha não terá impacto nas contas da Previdência Social.
Ele afirmou, no entanto, que o governo precisa discutir com o Congresso uma
forma de garantir que o déficit da Previdência não aumente
em razão da reforma tributária e da desoneração
da folha.
O relator da reforma tributária,
deputado Sandro Mabel (PR-GO), não se comprometeu a incluir em
seu substitutivo algum tipo de vinculação de receita para
compensar eventuais perdas de arrecadação da Previdência
Social com a desoneração da folha de pagamentos. Segundo
ele, ainda é cedo para decidir qual será a fonte de financiamento
que poderá compensar o INSS.
Na véspera da audiência,
o ministro da Previdência, Luiz Marinho, já havia chamado
a atenção para a necessidade de compensar o INSS. Marinho
sugeriu que uma parte da arrecadação do IVA Federal,
o novo imposto previsto para substituir outros cinco tributos, fosse
vinculada à Previdência.
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Agência
Brasil, 15 de maio de 2008
Desoneração da folha
patronal será compensada para não afetar previdência,
diz Appy
Luciana Lima
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O governo
pretende compensar a desoneração de até seis
pontos percentuais na folha de pagamento das empresas, que consta
da proposta de reforma tributária, para não provocar
impacto nas contas da previdência social, disse hoje (14) o
secretário do Tesouro Nacional, Bernard Appy. Em audiência
pública na comissão especial da Câmara dos Deputados
que discute o tema, ele disse que o governo está comprometido
em buscar uma solução para evitar o aumento do déficit
previdenciário.
O secretário disse ter garantias
do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que não haverá impacto
na receita da previdência. De acordo com Appy, o ministro
também garantiu que nenhum outro imposto será criado
para essa compensação e que a equipe econômica
também não aumentará nenhum imposto já existente.
"O governo está estudando
uma outra fonte para compensar esse impacto. Ainda não há definição
de como isso será feito, mas temos a garantia do ministro
da Fazenda de que esse ajuste será feito e não haverá aumento
do déficit", disse Appy aos deputados.
O secretário apresentou
números do Tesouro que indicam previsão de aumento
na dívida da previdência de R$ 3 bilhões para
cada um ponto percentual de desoneração. O Artigo
11 da proposta determina a redução gradual, em seis
anos. A idéia é reduzir, a cada ano, um ponto percentual.
No final de seis anos, a alíquota diminuiria dos atuais
20% para 14% da folha de pagamento.
Mesmo com a garantia do
ministro, o secretário enfrentou resistência tanto
de deputados da oposição quanto de integrantes do
próprio governo. Os parlamentares querem a definição
de como o governo compensará essa desoneração,
antes de votarem a proposta.
O secretário-executivo
do Ministério da previdência Social, Helmut Schwarzer
disse que a desoneração é preocupante. "A
alternativa para a reposição de receita precisa estar
bem explícita no texto para que não seja necessária
uma nova reforma da previdência daqui a pouco", opinou.
Schwarzer defendeu que parte do Imposto sobre Valor Agregado (IVA),
a ser criado pela reforma, seja destinado à previdência.
Ontem (13), o ministro
da previdência Social, Luiz Marinho, criticou a desoneração
da folha de salários de parte da contribuição
patronal de exportadoras de software. A proposta faz parte da política
industrial lançada pelo governo no início da semana.
Diante da garantia
do ministro, os deputados fizeram a contraproposta de discutir
a alternativa com o governo na comissão especial da Câmara.
O presidente da comissão, deputado Antonio Palocci (PT-SP),
e o relator, deputado Sandro Mabel (PR-GO), afirmaram que a idéia é a
de votação da proposta até o final de junho.
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Folha de S.Paulo, 15 de maio de 2008
EVENTO FOLHA
Debate sobre Sistema S tem
inscrições encerradas
DA REDAÇÃO
Estão encerradas as inscrições para o debate sobre a proposta
de reforma do Sistema S, evento que a Folha promove hoje, às 19h, em
seu auditório. Estarão presentes o ministro da Educação,
Fernando Haddad, o presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, o presidente da
Fecomercio SP, Abram Szajman, e o diretor-presidente do Ibmec-SP, Claudio Haddad.
O debate poderá ser acompanhado ao vivo pela internet (www.tvuol.com.br).
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Folha de S.Paulo, 15 de maio de 2008
SEMINÁRIO
Governo boicota evento que
pede mudança no FGTS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Conselho Curador do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) decidiu
por unanimidade não participar do seminário sobre o fundo que
será realizado hoje na Câmara dos Deputados. O evento será aberto às
9h pelo presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia.
A recusa do conselho em participar foi acertada no último dia 6, em
reunião em Brasília. A alegação é que o
conselho não reconhece o Instituto FGTS Fácil como uma ONG com
legitimidade para levantar a discussão de assuntos sobre o fundo.
Mario Avelino, presidente do Instituto FGTS Fácil, vê no boicote
uma ação política do governo. "O governo não
quer perder o monopólio sobre o uso dos recursos do fundo, uma verdadeira
galinha dos ovos de ouro."
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Gazeta do Povo, 15 de maio de 2008
Mudança no Planalto
Minc terá de conciliar política
ambiental com desenvolvimento
Confirmação de secretário
do Rio como substituto de Marina Silva foi recebida com cautela
por ambientalistas e comemoração de ruralistas
O substituto de Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente, Carlos
Minc, tem um duro desafio pela frente: atender aos pedidos do Palácio
do Planalto para a liberação de licenças ambientais e
garantir a implementação das políticas de preservação
do meio ambiente desenvolvidas pela pasta. Minc, atual secretário de
Meio Ambiente do Rio de Janeiro, foi confirmado ontem pelo presidente Luiz
Inácio Lula da Silva para o lugar da ministra, depois de uma maratona
de negociações com integrantes da base de apoio do governo. Lula
demonstrou ter pressa para encerrar o desgaste provocado com a saída
de Marina. O presidente chegou a convidar para o posto o ex-governador do Acre
Jorge Viana (PT), que recusou o convite.
Paulo Araujo/Agência O Dia

Carlos Minc troca o governo do Rio pelo Planalto: ex-guerrilheiro enfrentará pressões
que derrubaram Marina.
Para defender a pasta, o ministro terá de mostrar habilidade em administrar
uma divisão de poder na área de Meio Ambiente, já que
o ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, foi nomeado por
Lula para coordenar o conselho gestor do Plano Amazônia Sustentável.
A nomeação de Unger foi o ato que faltava para Marina pedir demissão.
Entre os desafios de Minc (ver quadro), está também combater
de forma eficiente a invasão da agropecuária sobre a Amazônia
e o cerrado, ponto de divergência entre ambientalistas e produtores.
A confirmação de Minc foi recebida com cautela por ambientalistas
e comemoração de ruralistas, numa demonstração
da pressão que o novo titular do Meio Ambiente vai enfrentar.
Para Roberto Smeraldi, diretor da Amigos da Terra – Amazônia Brasileira,
Lula quer “selo verde”, ou seja, alguém com projeção
nacional e internacional que possa substituir Marina como “cortina de
fumaça” ambiental para a orientação desenvolvimentista
do governo. O coordenador de Campanhas do Greenpeace, Marcelo Furtado foi além. “O
que este governo quer é um carimbador”, disse ele, em relação às
licenças ambientais.
Do outro lado, o deputado Homero Pereira (PR-MT), que já foi presidente
da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso
(Famato), e a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) avaliaram que a substituição
de Marina Silva por Minc abrirá um “canal de diálogo” para
os produtores rurais no governo na área ambiental.
Diante das críticas internas e de fora do país contra a saída
da ministra, Lula garantiu que a política ambiental do governo não
mudará. “A companheira Marina se foi, a política continua”,
garantiu. “Não tem política do ministro do Meio Ambiente,
não tem política do ministro da Comunicação, não
tem política do ministro da Indústria e Comércio. Tem
política de governo”, acrescentou o presidente.
Desafios
Os maiores problemas para o novo ministro do Meio Ambiente estão na
Região Amazônica.
Negociação com governadores e administração do
PAS O ministro vai ter de enfrentar uma briga dura com governadores das regiões
Norte e Centro-Oeste, críticos da política ambiental que vinha
sendo implementada por Marina Silva. Terá também de ser hábil
em administrar uma divisão de poder na área ambiental com o ministro
de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, nomeado para a coordenação
do conselho gestor do Plano Amazônia Sustentável.
Combater o avanço agropecuário sobre o cerrado e a Amazônia
Produtores de soja e criadores de gado tem ampliado suas áreas de cultivo
nas regiões Norte e centro-Oeste, devastando significativas áreas
do cerrado e da floresta amazônica. A Amazônia já perdeu
uma área de 700 mil quilômetros quadrados de floresta. O cerrado,
ocupa hoje apenas 20% da área original.
Impedir o desmatamento do que restou da Mata Atlântica Resta apenas 7%
da Mata Atlântica. No Sul, as florestas de araucárias praticamente
acabaram e os campos foram ocupados pela agropecuária.
Reservas de água A falta de saneamento básico, a emissão
de polentes, a ocupação desordenada do solo e o desmatamento
são os principais fatores de degradação dos recursos hídricos
brasileiros. Todas as bacias hídricas barsileiras apresentam problemas.
Biopirataria na Amazônia Com poucos efetivos militares na região
de fronteira com países vizinhos, o Brasil tem dificuldades de combater
a evasão de plantas e animais da Amazônia.
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NCST, 15 de maio de 2008
Lula considera a Amazônia como
questão de soberania nacional
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou nesta quarta-feira que
a Amazônia deve ser tratada e respeitada como "soberania nacional" e
descartou intervenções estrangeiras na região. Mas Lula
disse que o governo brasileiro aceita "repartir de forma solidária" os
benefícios da região porque os brasileiros não são "trogloditas".
Ele lembrou que para partilhar é necessário haver contrapartida
dos interessados com apoio a políticas de desenvolvimento para a região.
Lula e a chanceler da Alemanha, Ângela Merkel, concederam entrevista
coletiva em conjunto no Palácio do Planalto.
" A Amazônia é de fato e de direito da inteira responsabilidade
da soberania nacional", disse Lula, respondendo a um jornalista alemão
que questionou se o Brasil aceitaria intervenção estrangeira nas
ações de preservação da Amazônia. "Agora
não somos nenhum troglodita para não entender que a preservação
da Amazônia não pode ser interesse apenas do Brasil porque nós
queremos partilhar a riqueza da biodiversidade, ainda inexplorada da Amazônia
com os cientistas do mundo inteiro e poderemos partilhar isso."
Segundo Lula, o governo brasileiro se dispõe a dividir benefícios
na Amazônia, mas quer como contrapartida apoio para implementação
de políticas de desenvolvimento para a região. De acordo com
ele, é fundamental lembrar que naquela área estão 25 milhões
de pessoas que precisam ter qualidade de vida.
" Queremos partilhar os benefícios que a Amazônia oferecer
enquanto floresta em pé aos 6 bilhões de seres humanos no mundo.
Mas é preciso que a gente também tenha clareza que se manter a
floresta em pé é uma coisa tão importante para o mundo, é importante
também que o mundo compreenda que isso tem um custo. Porque lá [na
região da Amazônia] moram 25 milhões de habitantes, que querem
ter acesso à casa, a rodovias e à televisão e a computadores,
que é no fundo, no fundo, o desejo de todos os seres humanos", ressaltou
o presidente.
Lula afirmou ainda que o ideal seria que todos os governos tivessem a mesma
disponibilidade de "compartilhar" eventuais descobertas e benefícios.
Como exemplo, o presidente citou a eventual descoberta para a cura do câncer
por algum país que deveria dividir seus efeitos, sem calcular ganhos.
" O Brasil tem toda a disposição de discutir as questões
da Amazônia com o mundo inteiro, como eu gostaria que o país que
descobrisse o remédio para enfrentar o câncer não fizesse
disso uma mercadologia individual, mas que fosse transformado em um benefício
para a humanidade. E não transformando em mercadologia porque nós
sabemos que os ricos irão ter acesso e os pobres irão morrer na
véspera", disse Lula.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
15/05/2008
Falta de zelo da defesa quase custa R$ 32
milhões à CEEE
De R$ 32 milhões para
R$ 250 mil. Uma redução que só foi possível
porque a Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho aplicou os princípios
de ordem pública da proporcionalidade e razoabilidade ao julgar
ação em que o advogado de um sindicato receberia honorários
milionários, a serem pagos pela Companhia Estadual de Energia
Elétrica – CEEE. Relator do recurso de revista da CEEE,
o ministro Barros Levenhagen apresentou proposta de reforma de decisão
regional aceita unanimemente pela Turma.
Tudo começou há cerca
de vinte anos. Em junho de 1988, o Sindicato dos Trabalhadores de Energia
Elétrica no Estado do Rio Grande do Sul - Sinergisul ajuizou,
como substituto processual, ação de cumprimento, com pedido
liminar de pagamento do acordo normativo que previa o reajuste de 26,06%, índice
da inflação de junho de 1987 (conhecido como Plano Bresser).
Pleiteou também o pagamento de honorários advocatícios,
alegando que os trabalhadores não dispunham dos meios para responderem
pelos ônus econômicos decorrentes da demanda.
A CEEE, na sua defesa, deixou
de atacar o pedido de honorários advocatícios do sindicato.
Ao analisar a ação, a 15ª Vara do Trabalho de Porto
Alegre (RS) julgou procedentes os pedidos e condenou a empresa ao pagamento
dos honorários, por não ter havido contestação
quanto a esse aspecto. A CEEE recorreu, então, ao Tribunal Regional
do Trabalho da 4ª Região, inclusive contra a condenação
em honorários advocatícios.
Nessa fase recursal, houve acordo
parcial quanto ao reajuste salarial. Empresa e o sindicato estabeleceram
também que a base de cálculo dos honorários seria
o valor do acordo, mas deixaram a questão da condenação
aos honorários para o TRT decidir. Nessa mesma hora, o sindicato
cedeu o crédito dos honorários ao advogado que o assistia.
O acerto foi homologado, e o Tribunal Regional, quando apreciou o recurso
ordinário da CEEE, negou-lhe provimento, mantendo, assim, a sentença
quanto à condenação dos honorários, que não
foram objeto de composição entre as partes.
A CEEE, então, interpôs
recurso de revista ao TST, embargos à SDI e recurso extraordinário
(para o STF), todos sem sucesso. Agora, na fase de execução,
o caso volta novamente ao TST. Em 2002, o valor da condenação
em honorários advocatícios estava em R$ 32 milhões.
O relator, ao analisar que as partes se acertaram sobre os direitos pleiteados
na ação de cumprimento, salvo em relação
aos honorários advocatícios, deixados de fora e transferidos
ao advogado do sindicato, com a base de cálculo ali previamente
estabelecida, concluiu que a deficiência da defesa da CEEE atentou
contra o princípio da moralidade administrativa do artigo 37,
caput, da Constituição Federal.
Ficou delineada, assim, a possibilidade
jurídica da atividade cognitiva complementar sobre os critérios
a serem observados para o cálculo da verba honorária. O
ministro Barros Levenhagen pôde, então, aplicar o parágrafo
quarto do artigo 20 do CPC, onde se estabelece que nas causas em que
for vencida a Fazenda Pública, e nas execuções,
embargadas ou não, “os honorários serão fixados
consoante apreciação eqüitativa do juiz”. Para
o relator, a CEEE se enquadra nessa lei por ser concessionária
de serviço público na área de distribuição
de energia elétrica, embora seja sociedade de economia mista.
Para fixar os honorários,
o ministro considerou o grau de zelo do profissional, a comodidade
do lugar da prestação de serviço (em Porto Alegre)
e a constatação de não lhe ter sido exigida desmesurada
atividade jurídica. Afinal, a ação de cumprimento
envolveu questão exclusivamente de direito e, principalmente,
por ter sido firmado acordo. Com base nesse entendimento, a Quarta
Turma conheceu do recurso de revista e deu-lhe provimento para reformar
o acórdão recorrido e fixar os honorários advocatícios
em R$ 250 mil, valor atualizado até a data do julgamento.(RR-6078/1988-015-04-00.6)
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14/05/2008
TST admite que vigência de sentença
normativa não se limite a um ano
A sentença normativa deve
vigorar, desde seu termo inicial, até que novo diploma coletivo,
judicial ou privado (sentença normativa, convenção
ou acordo coletivo de trabalho) a revogue explicita ou tacitamente, respeitado
o prazo máximo legal de quatro anos de vigência. Este foi
o entendimento adotado pela Seção Especializada em Dissídios
Coletivos (SDC) do Tribunal Superior do Trabalho no julgamento de recurso
ordinário em dissídio coletivo em que eram partes 26 entidades
representativas de diversas categorias de empregados e empregadores do
Rio Grande do Sul.
O dissídio foi ajuizado
em 200. O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS)
julgou-o parcialmente procedente e estabeleceu, na sentença normativa,
vigência a partir de 1º de maio de 2004, sem fixar prazo final.
Diversas entidades recorreram ao TST, entre elas o Sindicato das Indústrias
de Produtos Farmacêuticos no Estado do Rio Grande do Sul, que buscou
a impugnação de várias cláusulas. Entre outras
alegações, aduziu que o instrumento normativo deve vigorar
pelo período de um ano, por força de lei.
O relator da matéria,
ministro Maurício Godinho Delgado, embora destacando que a jurisprudência
do TST tenha adotado o entendimento de conferir vigência de um
ano para as sentenças normativas, afirmou em seu voto que não
há regra legal imperativa que obrigue tal vigência. “A
lei apenas fala em prazo máximo de quatro anos”, observou,
em referência ao artigo 868, parágrafo único, da
CLT. O relator assinalou que o ideal é que as regras vigorem até que
novo instrumento normativo crie novas regras para a situação
coletiva das partes, revogando as anteriores. “O diploma revogador
pode ser judicial (sentença normativa) ou privado (convenção
coletiva ou acordo coletivo de trabalho), é claro”, explicou.
Na votação,
o presidente do TST, ministro Rider Nogueira de Brito, lembrou que
o assunto foi abordado em seu discurso de posse na Presidência. “Manter
as partes nesse estado de beligerância e incerteza, a cada ano
tendo que entabular novas negociações, realmente não é aconselhável.
Se as partes entenderem que devem fixar um prazo maior ou mesmo indeterminado,
isto é bom", afirmou. A decisão foi por maioria,
ficando vencida a ministra Dora Costa, que estabelecia a vigência
de um ano. (RODC 1439/2004-000-04-00.0)

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