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Agência Diap, 17 de maio de 2008
BALANÇO
Dieese divulga estudo sobre pisos
salariais
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socieconômicos (Dieese) colocou disponível no último
dia 12, em seu site na internet, o “Estudos
e Pesquisas número 39, Balanço dos Pisos Salariais Negociados
em 2007”.
Em 2007, 56% dos pisos salariais estabelecidos em acordos e convenções
coletivas firmadas em 646 processos de negociação atingiram,
no máximo, 1,25 salário mínimo. Em 2005, o primeiro
ano em que o Dieese, por meio do Sistema de Acompanhamento de Salários
(SAS) realizou este levantamento, 25% das informações
então obtidas apresentavam patamar similar.
Por outro lado, no mesmo período diminuiu a proporção
de categorias que negociam valores superiores a 2,5 mínimos:
passaram de 9,5%, em 2005, para 4,5%, em 2007. A tendência de
aproximação dos pisos salariais negociados ao salário
mínimo é decorrência dos aumentos reais aplicados
ao menor salário oficial do País, nos últimos
anos.
Setor econômico
Estes reajustes acima da inflação resultam de campanha
desenvolvida pelas centrais sindicais com o objetivo de se estabelecer
uma política de correção para este piso. Entre 2005
e 2007, o aumento real do salário mínimo correspondeu a
19%, quando comparado com o Índice Nacional de Preços ao
Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE).
Apesar desta concentração de pisos mais perto do salário
mínimo, as negociações de 2007 foram favoráveis
aos trabalhadores e asseguraram aumentos reais de salário (leia
mais), principalmente para o piso, que historicamente tem tratamento
diferenciado nas negociações. Assim, embora os ganhos
alcançados pelos pisos tenham sido inferiores aos obtidos pelo
salário mínimo, esse resultado decorre mais da evolução
do salário mínimo e menos da negociação
dos pisos salariais.
Quando se considera o comportamento dos pisos segundo setor econômico,
verifica-se que o pior resultado ocorreu no setor rural, onde aproximadamente
90% dos pisos acordados superaram o mínimo em no máximo
25%. No comércio, 85% das negociações conquistaram
pisos de até 1,5 mínimos e 9%, obtiveram pisos superiores
a 2 mínimos.
Formação universitária
Na indústria, quase 80% das convenções e acordos
fixaram pisos de até 1,5 salário e mais da metade não
superou 1,25. Nos serviços está o maior percentual de pisos
que valem mais de 2 mínimos: 14%. Mas o maior piso foi localizado
na indústria metalúrgica: 8,5 mínimos.
Os dados de 2007 mostram que os pisos salariais pagos a trabalhadores
com formação universitária chegam a corresponder
a 2,8 vezes o dos que não têm o mesmo nível de
escolaridade. Do painel de 646 informações consideradas
em 2007, 33% dos pisos negociados no último ano encontravam-se
abaixo do salário mínimo de R$ 415, fixado a partir de
1º março de 2008.
Parte deles correspondia a categorias com data-base entre janeiro
e março e que provavelmente já alteraram seus valores.
Porém, cerca de 23% do painel são de meses posteriores
e seus valores devem ser automaticamente reajustados para o valor do
mínimo.
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Diário Vermelho, 17 de maio de 2008
Altamiro Borges: a batalha
do fator previdenciário
O governo Lula, que neste segundo mandato
ainda não baixou medidas graves de regressão dos
direitos trabalhistas, está na berlinda. O Senado aprovou
o projeto do petista gaúcho Paulo Paim (PT-RS) que extingue
o fator previdenciário, uma excrescência imposta
por FHC que reduziu a já misera renda dos aposentados
e pensionistas. Diante da decisão, a equipe econômica,
sempre apegada à ortodoxia do ajuste fiscal, pressiona
os deputados e já ameaça com o veto presidencial
ao projeto do senador, um ex-sindicalista que fundou a CUT ao
lado de Lula. A briga promete ser quente.
Por Altamiro Borges*
Em reunião no final de abril, dirigentes das principais centrais
sindicais do país manifestaram seu apoio ao projeto do senador
Paim, que elimina o fator previdenciário e garante o mesmo reajuste
do salário mínimo aos aposentados.
Conforme declarou Wagner Gomes, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores
e Trabalhadoras do Brasil), “o sindicalismo está vigilante
e preparado para mobilizar suas bases em defesa destas duas medidas,
que já foram aprovadas no Senado e, em breve, serão apreciadas
e votadas na Câmara Federal”.
As centrais planejam realizar várias atividades para pressionar
os deputados federais e o governo Lula, incluindo uma barulhenta concentração
na Câmara dos Deputados em 15 de maio.
Matemática perversa dos tucanos
O fator previdenciário foi instituído pela Lei 9.876,
aprovada em novembro de 1999, no bojo da contra-reforma de FHC. Ele é um
perverso mecanismo contábil de arrocho dos trabalhadores que
retarda os pedidos de aposentadorias por tempo de contribuição,
elevando em cinco anos a idade média de quem requer o benefício.
Como a redução dos rendimentos é expressiva (ele
fica menor quanto mais cedo a pessoa se aposenta), o trabalhador é obrigado
a adiar o acesso ao benefício.
Aplicado no cálculo da contribuição, o fator
reduz em 30 e 35% - respectivamente para homens e mulheres – o
valor da aposentadoria e da pensão em comparação
com o salário da ativa.
Não é para menos que o fim deste monstrengo tucano foi
saudado por várias categorias. Na base do próprio presidente
Lula, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC divulgou boletim com
o título: “Fim do fator previdenciário, vitória
dos trabalhadores”.
Segundo o texto, a aprovação do PLS 296/03 do senador
Paulo Paim representa “uma alteração de amplo e
importante alcance social”. Além de extinguir o fator
previdenciário, “esse redutor das aposentadorias”,
o projeto “estende a política de valorização
do salário mínimo às aposentadorias e pensões.
O sindicato, que projetou Lula no cenário nacional, promete
pressionar o governo e elogia a “tenacidade do senador Paim”.
A desculpa esfarrapada do déficit
Apesar do uníssono apoio ao fim do fator previdenciário,
o Palácio do Planalto parece decidido a sabotar a vitória.
O atual ministro da pasta, Luiz Marinho, que por ironia da história
já presidiu o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, informou às
centrais que o presidente Lula vetará o projeto, caso ele não
seja rejeitado pela Câmara Federal. A desculpa apresentada é a
mesma de sempre: a de que a medida elevará o déficit
da Previdência Social.
Durante a campanha eleitoral de 2006, o candidato Lula garantiu nos
palanques que “a Previdência não é deficitária”,
contrapondo-se aos agourentos neoliberais que propunham mais arrocho
no setor. Agora, parece, mudou o discurso.
A realidade, porém, rejeita os mitos neoliberais. No primeiro
trimestre deste ano, em decorrência do tímido aquecimento
da economia, o déficit da previdência baixou 17,2% na
comparação com o mesmo período de 2007.
A própria Folha de S.Paulo, ativa defensora da destruição
do setor, foi forçada a admitir que “a redução
do rombo reflete a maior criação de empregos formais,
que impulsiona a arrecadação das contribuições
que financiam a Previdência. Entre janeiro e março, foram
criadas 554 mil vagas – aumento de 39% em relação
a 2007. Com isso, a arrecadação no trimestre chegou a
R$ 35,4 bilhões, alta de 9,9% em relação ao mesmo
período do ano passado”.
* Altamiro Borges é jornalista, membro do
Comitê Central do PCdoB e autor do livro recém-lançado “Sindicalismo,
resistência e alternativas” (Editora Anita Garibaldi).
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Agência CUT, 17 de maio de 2008
CUT realiza oficina para discutir
Portaria 186 e suas implicações
O real significado da Portaria 186, suas implicações para
a disputa sindical nas bases e o que cada confederação,
federação e sindicato deve fazer em relação às
mudanças introduzidas pela nova legislação serão
temas discutidos nas próximas segunda e terça, dias 19
e 20 de maio, durante oficina que a CUT vai realizar em São Paulo.
A Oficina sobre Organização Sindical vai acontecer
na sede da Contraf (Confederação dos Trabalhadores no
Ramo Financeiro) – rua Libero Badaró 158, Centro da capital
paulista. A sede da Contraf fica próxima da estação
São Bento do metrô.
A realização desta oficina insere-se no projeto Construindo
o Futuro, iniciado em 2004 através de um conjunto de debates
e atividades que deram suporte às intervenções
da CUT no projeto de reforma sindical e, posteriormente, na luta pelo
reconhecimento das centrais.
As secretarias Geral, de Organização Sindical e de
Política Sindical consideram imprescindível a participação
de todas as confederações e federações
nacionais.
Veja a programação:
Dia 19
10h00: Mesa I – Abertura dos trabalhos e apresentação
dos objetivos da Oficina:
Artur Henrique da Silva Santos – Presidente da CUT
Quintino Marques Severo – Secretario Geral
Denise Motta Dau – Secretária de Organização
Coordenador - Vágner Freitas – Secretário de
Política Sindical
10h30: Mesa II – Tema: Diagnóstico dos Ramos
da CUT.
Quintino Severo – Secretário Geral
Coordenadora – Rosane Silva - Secretária Nacional Sobre
a Mulher Trabalhadora
Debate com os participantes
14h30: Mesa III
Tema: Portaria 186 –Aspectos jurídicos, legais e suas
implicações para a organização sindical.
José Eymard Loguércio - Assessor Jurídico da
CUT
Coordenadora da Mesa – Denise Motta Dau – Secretária
Nacional de Organização
Debate com os participantes
17h00: Mesa IV
Tema: Apresentação do Estudo do Observatório
Social sobre a China.
18h30 – Encerramento
Dia 20
09h00: Mesa V
Os desafios CUT – Cenários e Estratégias para
o próximo período
Denise Motta Dau – Secretaria Nacional de Organização
Vagner Freitas – Secretário Nacional de Política
Sindical
Debate com os participantes
13h00: Encerramento
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Agência CUT, 17 de maio de 2008
Quanto vale a dignidade do trabalhador?
R$ 590, para uma juíza do Trabalho
de Jaraguá do Sul-SC
Para uma juíza do Trabalho de Jaraguá do Sul (SC) que
julgou causa em que foi constatado assédio moral de um gerente
contra uma trabalhadora, a dignidade do trabalhador/a vale pouco, bem
pouco: exatos R$ 590,00.
A trabalhadora "E.R.S", vendedora e caixa de uma revenda
de pneus de Jaraguá do Sul foi vítima de assédio
moral por parte do gerente da empresa que, entre outras coisas, chamava
a trabalhadora publicamente de "burra", "devagar",
além de dizer que ela "não aprendia nada".
Até mesmo a testemunha de defesa do gerente informou que ele "tratava
inclusive clientes de forma inadequada".
No termo de audiência, a juíza relata: "demonstrada,
portanto, a prática adotada pelo preposto ... no uso de tratamento
descortês para com a autora na frente de outras pessoas (clientes
e colegas de trabalho), resta demonstrada a pressão psicológica
no ambiente de trabalho, passível de gerar constrangimentos
e humilhações à reclamante. As agressões
verbais praticadas pelo preposto da empresa caracterizam ato ilícito
que viola a esfera íntima da pessoa humana, gerando direito à indenização
a título de danos morais, justamente por ofender os valores
mais íntimos do indivíduo".
" Apesar da justas palavras da juíza, o resultado foi
decepcionante. A honra da trabalhadora, ferida por meses a fio, publicamente,
vale apenas R$ 590,00 para quem julgou a causa. A própria juíza
cita que a indenização tem caráter compensatório
e natureza pedagógica em relação ao empregador,
mas com essa sentença, o empregador vai entender que não
há problemas em tratar mal os trabalhadores. Dignidade não
tem preço, mas essa indenização beira o descaso",
alertou Lucilene Binsfeld, presidenta da Contracs/CUT.
O conteúdo do termo de audiência também demonstra
que a trabalhadora exercia múltiplas funções na
loja e era constantemente sobrecarregada, considerou Lucilene.
O Sindicato dos Comerciários de Jaraguá do Sul já está recorrendo
da sentença: "Trabalhador tem direito a um local de trabalho
sadio. A trabalhadora estava adoecendo na empresa. Diante disso muito
me espanta a sentença. A juíza acha que R$ 590,00 pune
a empresa. Nossa indignação não é tanto
pelo dinheiro, reivindicamos uma punição justa para que
isso não aconteça com outros trabalhadores dessa mesma
empresa e sirva de lição para outras empresas também",
explicou Ana Roeder, presidenta do sindicato.
Assédio moral
É cada vez maior o número de denúncias de trabalhadores
que sofreram e sofrem assédio moral. "Os trabalhadores
estão mais conscientes do problema e buscando seus direitos",
explicou Valeir Ertle, tesoureiro da Contracs/CUT e bacharel em direito.
Para o dirigente sindical, todo trabalhador/a exposto a esse tipo
de agressão moral e psicológica deve buscar seus direitos,
até mesmo para tornar o mercado de trabalho mais humano." Se
o trabalhador, trabalhadora, for vítima de assédio moral,
deve procurar seu sindicato e lutar por justiça", concluiu
Lucilene.
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Força Sindical, 17 de maio de 2008
Lupi institui comissão
tripartite para prevenir acidentes de trabalho
Escrito por Agência
Sindical
Estimativa é de que cerca
de 4% do Produto Interno Bruto anual do mundo são gastos
com acidentes e doenças profissionais
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, assinou terça-feira
(13), com os ministros da Previdência Social, Luiz Marinho, e
da Saúde, José Gomes Temporão, Portaria que institui
a Comissão Tripartite de Saúde e Segurança no
Trabalho. Formada por representantes dos trabalhadores, empresários
e dos três ministérios envolvidos, ela terá como
objetivo estudar medidas a fim de elaborar um plano de ações
para prevenir acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.
A solenidade foi no auditório do Ministério do Trabalho
e Emprego, em Brasília.
"É de fundamental importância a criação
dessa comissão. A relação entre trabalhador e
empregador é um fato que tem avançado na sociedade moderna,
sendo estratégico para toda a sociedade", disse Lupi, lembrando
que o Ministério do Trabalho conta com dois setores que atuam
na área de segurança e saúde do trabalhador: a
Fundacentro e a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT).
A comissão vai trabalhar em questões como o aperfeiçoamento
do sistema nacional de segurança e saúde no trabalho,
por meio da definição de papéis e de mecanismos
de interlocução permanente entre seus membros; na elaboração
de um programa nacional de saúde e segurança no trabalho,
com definição de estratégias e plano de ação,
além do monitoramento, avaliação e revisão
periódica entre os ministérios. Pretende-se, ainda, reunir
instrumentos para que o País adote, no futuro, a Convenção
187 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Convenção - A Convenção 187 da OIT é tida
como o marco promocional para a segurança e saúde no
trabalho. Esta norma destina-se a promover uma cultura de prevenção.
Ela estabelece, por exemplo, que o país-membro deverá ter
uma rede de formação e informação de SST
que permita, através da educação, suscitar mudanças
positivas no ambiente de trabalho beneficiando todas as partes interessadas,
incluindo trabalhadores, empresas e toda a sociedade.
A OIT estima que cerca de 4% do Produto Interno Bruto anual do mundo
(cerca de US$ 1,25 trilhão) sejam perdidos em gastos diretos
e indiretos provenientes de acidentes e doenças profissionais,
em termos de tempo de trabalho, indenizações pagas aos
trabalhadores, interrupção de produção
e gastos médicos.
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Gazeta do Povo, 17 de maio de 2008
Representação
Juiz que vetou chinelo está na
mira do CNJ
O corregedor-geral da Justiça do Trabalho determinou
ao Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR)
o encaminhamento imediato ao Conselho Nacional de Justiça
(CNJ) da representação contra o juiz do Trabalho
Bento Luiz de Azambuja Moreira, da 3ª Vara do Trabalho
de Cascavel, no Oeste do Estado, que, em junho de 2007, adiou
a audiência por considerar o calçado do trabalhador
(um chinelo de dedos) “incompatível com a dignidade
do Poder Judiciário”. Na ocasião, a Corregedoria
Regional apurou os fatos e verificou tratar-se de “prática
repetidamente adotada pelo juiz”.
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Gazeta do Povo, 17 de maio de 2008
Impostos
Sem alarde, aliados do governo
articulam a recriação da CPMF
Base também estuda destinar
para a saúde parte dos recursos obtidos com os impostos
sobre bebidas e cigarros
Sem alarde, aliados do governo articulam o retorno de uma espécie
de Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF) para financiar a saúde. A medida faz parte
do acordo entre governo e líderes partidários para aprovar
a emenda 29 – que determina a repartição dos recursos
da saúde.
A reportagem apurou que as alternativas para recriar a CPMF não
estão fechadas. Mas foram apresentadas ao longo da semana aos
ministros Guido Mantega (Fazenda), José Múcio Monteiro
(Relações Institucionais) e José Gomes Temporão
(Saúde).
A idéia é garantir fontes de recursos para assegurar
a execução da emenda 29 (que aumenta as verbas para a
saúde). Também está em estudo destinar para a
saúde parte dos recursos obtidos com os impostos sobre bebidas
e cigarros.
A proposta de recriar a CPMF divide os aliados do governo. O líder
do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), diz que é necessário
encontrar fontes seguras de recursos para implementar a emenda 29.
Para Fontana, não será possível pôr em
prática o que determina a medida. Múcio advertiu ontem
que é necessário apresentar fontes de recursos antes
de aprovar a emenda 29 na Câmara dos Deputados.
Pela emenda 29, a União deve repassar 8,5% da sua receita bruta
para o setor. Até 2011, o porcentual deverá chegar a
10%, o que deverá atingir R$ 23 bilhões. Já os
estados deverão repassar 12% de sua arrecadação
e os municípios 15% para o setor da saúde.
O governo alega que não tem fontes de arrecadação
para garantir esses repasses. Isso ocorre justamente no momento em
que a Câmara se prepara para votar a emenda.
O presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), quer votar a proposta
na última semana de maio.
Nas reuniões realizadas ao longo da semana, alguns parlamentares
sugeriram ainda o repasse de parte da arrecadação dos
impostos sobre fumo e bebidas para a saúde. Cálculos
gerais estimam que só neste ano os dois setores vão gerar
mais R$ 3 bilhões em impostos.
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Gazeta do Povo, 17 de maio de 2008
Pessoas jurídicas
Emenda 3 tem novo projeto
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, se reuniu ontem com representantes
de centrais sindicais para definir a proposta de regulamentação
da emenda 3, que trata dos trabalhadores contratados como pessoas jurídicas.
A proposta apresentada por Mantega no fim de abril foi ampliada. Antes,
a idéia seria permitir que profissionais do setor artístico
e cultural possam ter esse tipo de contrato, fora das regras da CLT.
Agora, os profissionais do setor desportivo também passariam
a ter o privilégio. A empresa empregadora teria de pagar uma
alíquota previdenciária de 10% sobre o salário.
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Gazeta do Povo, 17 de maio de 2008
Mercado financeiro
Expectativa de mais um grau de
investimento faz bolsa disparar
Investidores esperam que a agência
de classificação de risco Fitch siga a concorrente Stantard & Poor’s
e conceda o “investment grade” ao Brasil ainda em 2008.
Dólar cai para o menor patamar desde janeiro de 1999
A expectativa pela promoção do Brasil para mais um grau
de investimento, desta vez pela agência de classificação
de risco Fitch Ratings, empurrou a Bolsa de Valores de São Paulo
(Bovespa) para o seu oitavo recorde neste ano. O Ibovespa, principal índice
de ações, teve avanço de 1,78%, para os 72.766
pontos, nível recorde. O giro financeiro foi de R$ 6,86 bilhões.
Na semana, a alta foi de 4,48%. Em 2008, até o pregão
de ontem, a bolsa acumula ganho de 13,9%.
O dólar comercial foi trocado por R$ 1,642 na venda, a menor
cotação desde janeiro de 1999, o que representou um declínio
de 0,84% no dia. A taxa de risco-país atingiu 201 pontos, retração
de 4,20%. “O mercado espera a qualquer momento que a agência
Fitch anuncie a promoção do Brasil a bom pagador [grau
de investimento]”, afirma o gerente da corretora Advanced, Roberto
Moraes.
Na quinta-feira à noite, o Fundo Monetário Internacional
(FMI) avaliou como positiva a criação do fundo soberano
brasileiro e comunicou ter expectativas de que “pelo menos mais
uma” agência internacional de classificação
de risco conceda o grau de investimento para o país ainda esse
ano. “Se o ‘investment grade’ não for concedido
pela Fitch, a bolsa vai retrair mesmo”, afirma o assessor de
investimentos da corretora Souza Barros, Luiz Roberto Monteiro. Desde
que a agência Standard & Poor’s elevou o Brasil a grau
de investimento, em 30 de abril, a Bovespa valorizou-se 14%.
Cenário externo
Na Europa, as principais bolsas de valores concluíram os negócios
com valorização, puxadas pelas ações do
setor petrolífero. Em Londres, o índice FTSE avançou
0,84%, o índice alemão Dax subiu 1,07% enquanto o francês
Cac teve alta de 0,41%. Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones
registrou leve queda 0,05%.
Papéis
Na semana, 54 ações do índice Ibovespa – formado
pelos 66 papéis de maior liquidez – terminaram com ganhos
acumulados. Os principais destaques foram Souza Cruz ON (alta de 11,89%),
Nossa Caixa ON (11,04%) e Net PN (9,86%).
A contínua alta nos preços do petróleo e das
commodities favoreceu a valorização das ações
das maiores companhias da bolsa. O petróleo subiu 1,75% em Nova
Iorque e encerrou vendido a US$ 126,29 – novo pico histórico.
Com isso, os papéis da Petrobras subiram 2,65% (ON) e 2,20%
(PN) no pregão de ontem. As siderúrgicas tiveram desempenho
ainda melhor. As ações da Gerdau subiram 5,06% (PN) e
4,11% (ON); as da Vale ganharam 3,57% (ON) e 3,13% (PNA).
Petróleo bate em US$ 127 com previsões
sombrias
O preço do petróleo bateu novos recordes ontem. Os investidores
não se impressionaram com a iniciativa da Arábia Saudita
em elevar sua produção diária da commodity em 300
mil barris. O banco americano de investimentos Goldman Sachs fez previsões
pouco favoráveis (mais uma vez) para os preços do óleo.
Com as pressões do mercado, o barril encerrou o dia cotado a US$
126,29 (alta de 1,75%) na Bolsa Mercantil de Nova Iorque (Nymex, na sigla
em inglês) e durante as negociações chegou a ser
vendido a US$ 127,82.
O Goldman Sachs avalia que o barril deve chegar a US$ 141 no segundo
semestre deste ano, citando “estreitas condições
de fornecimento” e que as tendências para os preços “continuam
a ser de alta”. Na semana passada, o mesmo banco revelou que
espera que o barril de petróleo atinja US$ 200 dentro dos próximos
dois anos, como parte de uma disparada provocada por dificuldades na
ampliação da oferta mundial do produto.
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O Estado do Paraná, 17 de maio de
2008
Paulinho ficou 'desesperado'
com operação, revela PF
De acordo com o relatório 10 da Polícia
Federal, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) ficou “desesperado” com
a Operação Santa Tereza, que desmontou suposto
esquema de desvio de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES). Paulinho se comprometeu
a providenciar advogado e até a tirar da prisão
o coronel da Polícia Militar Wilson Consani, seu amigo
e homem de confiança, apontado pela Procuradoria da
República como um dos principais operadores da trama
BNDES.
As informações do relatório da PF de 35 páginas
descrevem a reação de alvos da missão e alguns
de seus familiares. Todos caíram no grampo da PF, autorizado
judicialmente. Adriana Consani, mulher do coronel Wilson Consani, foi
interceptada dia 25 de abril, às 9h54. Ela telefonou para o
marido, que estava preso na Custódia da PF desde o dia anterior,
capturado pela Santa Tereza. Adriana disse ao marido que estava ligando
a pedido de Miguel, que a PF acredita ser dirigente do Sindicato dos
Metalúrgicos de São Paulo.
O relatório resume a conversa do casal Consani, com 6 citações
a Paulinho. “Adriana diz que o Paulinho está mandando
um advogado para Consani e é para ele (coronel) ficar tranqüilo.
Adriana diz que o Paulinho Pereira ligou para ela e disse que todo
mundo que foi preso ninguém está preocupado...Consani
pergunta o que o Paulinho falou. Adriana diz que o Paulinho está desesperado
e falou para Consani ficar despreocupado que ele (Paulinho) irá tira-lo
de lá, diz que ele (Paulinho) está muito preocupado.
Alerta
Adriana contou ao coronel que, no dia da operação, 24
de abril, esteve em sua residência o lobista José Brito
de França. Segundo a PF, França agia em parceria com
João Pedro de Moura, amigo e ex-assessor de Paulinho. Moura
está preso.
O relatório da PF confirma que na véspera da operação, às
22h58 de 23 de abril, o coronel Consani ligou para José Gaspar,
vice-presidente do PDT. O militar estava empenhado em alertar Paulinho
sobre os passos da PF. “Continua avisando sobre a deflagração
da operação”, diz o relatório. “Destaca-se
a preocupação relativa ao possível envolvimento
do deputado Paulo Pereira da Silva e o envolvimento de ONGs.”
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Folha de Londrina, 17 de maio de 2008
SEU DIREITO
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR
Tenho 40 anos de idade e quero
começar a investir em um plano de previdência
privada, mas não sei por onde começar. Qual é a
melhor opção?
Infelizmente, no Brasil, a Previdência Social não é considerada
uma aposentadoria em que o trabalhador na velhice não precise
mais trabalhar, e sim como uma complementação do rendimento
familiar, devido aos baixos e defasados salários de benefícios.
Existem no País vários bancos que oferecem este tipo
de serviço e os planos variam de acordo com o perfil do investidor
(conservador, moderado e arrojado). Variam também o regulamento
do plano contratado, o tempo de investimento e o valor a ser depositado
periodicamente.
Na Previdência Privada, o contribuinte que durante determinado
período acumule recursos para a sua aposentadoria, de acordo
com o regulamento do plano contratado, poderá reverter tais
adicionais em renda vitalícia, temporária ou pecúlio
(importância paga de uma única vez).
Vale ressaltar que no Brasil muitos contribuintes estão utilizando
a Previdência Privada como investimento, o que possibilita em
algum momento resgatar os valores depositados. Já a Previdência
Social não funciona desta forma, já que permite ao segurado
resgatar os valores contribuídos por meio da aposentadoria,
de caráter vitalício.
Assim, quem tiver interesse de vincular a previdência privada à social
deverá pesquisar grupos financeiros consolidados no mercado.
Quando for optar pelo banco que irá administrar seu plano de
previdência, deverá escolher a empresa com planos mais
próximos de seu perfil. Quanto antes você adquirir um
plano de previdência complementar, menor poderá ser a
sua contribuição e maior será seu benefício.
Andre Benedetti, advogado
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Folha de S.Paulo, 17 de maio de 2008
Mulheres atuam 18 h em casa por
semana; os homens, 5 h
Comparação leva
em conta profissionais com jornada de trabalho acima de 40
h
Estudo mostra que 85% dos homens têm jornada
no mercado de trabalho de 40 horas ou mais por semana; entre as mulheres,
são 56%
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Mulheres com jornada semanal de 40 horas ou mais no mercado de trabalho
trabalham quase três vezes mais em serviços domésticos
do que homens que cumprem a mesma jornada de trabalho. Enquanto eles
trabalham, em média, 5 horas semanais fazendo serviços
em casa, elas dedicam 18 horas por semana às mesmas tarefas.
O resultado é apontado por estudo do Ibmec São Paulo para
avaliar as desigualdades entre homens e mulheres quanto à participação
no trabalho dentro e fora casa. O levantamento foi feito a partir de
dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de
2006, do IBGE, e levou em conta informações de 206,5 mil
pessoas com renda familiar média de R$ 1.634. A idade média
dos chefes de família e seus parceiros é de 46 e 41 anos,
respectivamente.
Entre os homens, 85,06% têm jornada de 40 horas ou mais por semana.
Na média eles, dedicam 5 horas semanais ao serviço doméstico.
O percentual de mulheres que cumprem horário de 40 horas ou mais
no trabalho é menor: 56,29%. Entretanto, elas dispensam 18 horas
semanais para as tarefas domésticas.
" Comparando mulheres e homens, casados ou não, a diferença
persiste. A mulher trabalha em casa, no mínimo, o dobro do que o homem.
Dependendo da jornada no mercado de trabalho, essa diferença chega a três
ou até quatro vezes", diz Regina Madalozzo, pesquisadora do Ibmec
e uma das autoras do estudo.
Renda, educação e idade são três fatores que
explicam, segundo ela, as desigualdades entre homens e mulheres ao cumprir
jornada em casa. " Quanto maior é a participação
da mulher na renda da família, menos horas ela dedica ao trabalho
doméstico. Ela tem mais poder para negociar as horas trabalhadas
em casa. Se ganha mais, tem mais voz ativa", afirma a pesquisadora.
Prova disso, segundo diz, é que uma das variáveis do estudo
mostra que, para cada ponto percentual que a mulher aumenta sua participação
na renda da família, diminui em cerca de 8 horas o trabalho doméstico
que ela executa por semana.
No caso dos homens, também há redução, mas
a variação é menor. A diminuição é de
duas horas semanais para cada ponto percentual em que ele aumenta a renda
em relação à familiar. "O que isso mostra é que
trabalhar em casa não é somente uma questão cultural
e social, mas também existe o aspecto econômico", diz.
No Sul do país, segundo com o estudo, os homens dedicam mais tempo
aos serviços domésticos do que nas demais regiões. "Ele
trabalha em casa uma hora a mais do que um homem da região Sudeste.
Esse tempo chega a quase duas horas se comparado ao dispensado por um
homem do Centro-Oeste ao trabalho doméstico." Nesse caso,
segundo ela, o que pode explicar essa maior participação é a
questão cultural. "A região tem peculiaridades em
relação a colonização e costumes. No Sul,
os homens têm o hábito de cozinhar mais."
A redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, reivindicada
pela centrais sindicais, não deve ter impacto, segundo diz, nas
desigualdades das jornada de homens e mulheres. "Com o tempo, a
tendência é que os homens façam mais horas extras
para incrementar a renda e diminuam ainda mais o pouco tempo que dedicam
ao trabalho doméstico."
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Folha de S.Paulo, 17 de maio de 2008
foco
Com dupla jornada, bibliotecária
trabalha até 86 horas por semana
Eduardo Knapp/Folha Imagem

Wilma Teixeira no instituto de pesquisa
onde trabalha
DA REPORTAGEM LOCAL
Wilma Aparecida Cavazini Teixeira, 51, cumpre uma jornada de 44 horas
de segunda a sexta-feira como bibliotecária de um instituto
de pesquisa no centro da cidade. Em casa, são ao menos seis
horas de tarefas domésticas por dia, ou 42 horas semanais já que
não consegue "folga" da função de dona-de-casa
sábados e domingos.
" Nunca havia parado para fazer a conta. É uma jornada extensa",
afirma, sem reclamar da dupla jornada de 86 horas semanais que diz cumprir com
prazer. "A mulher toma a iniciativa e faz o serviço em casa porque
os filhos estudam e trabalham, porque o marido também tem uma jornada
extensa. Procuro não me estressar."
Com três filhos, acorda por volta de 7h e até o meio-dia
se dedica a tarefas domésticas. Das 12h30 às 22h, é bibliotecária. "Meu
marido é corretor de imóveis e trabalha de domingo a domingo,
das 7h30 até as 19h30. Em casa a jornada é longa para todos." (CR)
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Folha de S.Paulo, 17 de maio de 2008
Dólar volta ao patamar
da máxi de 1999
Cotação de R$
1,642 é a mais baixa desde janeiro daquele ano, período
da crise que levou governo a optar por flutuação
da moeda
Dólar acumula depreciação de
7,6% diante do real em em 2008; consultoria calcula que, considerada
a inflação, cotação é a menor desde
1994
FABRICIO VIEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL
O dólar rompeu mais uma barreira e desceu ontem a seu mais
baixo patamar desde janeiro de 99, período da crise cambial
que levou o governo a adotar a livre flutuação da moeda.
A queda de 0,85% registrada ontem levou o dólar a ser cotado
a R$ 1,642, o mais baixo valor desde 20 de janeiro de 99.
No dia 15 de janeiro daquele ano, quando o governo acabou com a banda
cambial, o dólar subiu de R$ 1,32 para R$ 1,465.
No mercado financeiro, voltou-se a especular sobre a possibilidade de
a Fitch Ratings promover o Brasil a grau de investimento muito em breve
-expectativa que favoreceu o recuo da moeda estrangeira.
O dólar acumula queda de 7,6% ante o real neste ano. Em 2007,
já havia recuado 16,85%. Alexandre Ferreira, vice-presidente de
moeda estrangeira do banco WestLB, destaca alguns pontos que ajudam a
explicar o movimento cambial. Entre esses, estão a valorização
das commodities no exterior, o diferencial dos juros praticados no país
e lá fora e a política agressiva do Banco Central para
conter a inflação.
" Podemos ter ainda uma apreciação maior do real. Mas temos
de considerar que já estamos tendo uma deterioração em pontos
como a balança comercial e a conta corrente, que devem ajudar a conter
um pouco a valorização." A última pesquisa do BC, feita
com cem instituições financeiras, mostrou que a projeção
média é que a moeda esteja cotada em torno de R$ 1,72 no fim de
2008. Ou seja, a perspectiva é que a moeda americana não siga se
deteriorando.
A queda do dólar ontem não se restringiu ao Brasil. Muitas
moedas se apreciaram diante da divisa americana, como o peso mexicano
(que se valorizou em 0,47% ontem) e o peso colombiano (que subiu 0,54%).
" A tendência do câmbio ainda é de apreciação,
principalmente se a Fitch ratificar as expectativas do mercado e elevar o país
a grau de investimento, decisão que poderia trazer mais recursos de investidores
internacionais para o mercado local", afirma Newton Rosa, economista-chefe
da SulAmérica Investimentos.
O economista diz que o governo não deve fazer nada de mais radical
para tentar conter a apreciação do real. A criação
do fundo soberano, anunciada nesta semana, não foi suficiente
para segurar as cotações. Como o Tesouro deve, no futuro,
adquirir divisas no mercado para compor o fundo, especulou-se que sua
criação pudesse pressionar as cotações.
Queda contínua
Segundo cálculo feito por Carlos Daniel Coradi, diretor-presidente
da EFC (Engenheiros Financeiros & Consultores), se o câmbio
for deflacionado, levando em consideração um índice
de preços como o IGP-M, o dólar mostrará estar em
sua menor cotação desde o lançamento do Real, em
94.
Após bater em seu pico histórico em outubro de 2002 -época
da tensão que marcou o período eleitoral-, quando encostou
em R$ 4, o dólar tem se depreciado ano a ano. Desde o início
do governo Lula, a queda acumulada da moeda americana diante do real
supera 53%.
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Folha de S.Paulo, 17 de maio de 2008
CRÉDITO
Poupança financia R$
2 bi para habitação
DO VALOR ONLINE
As contratações de financiamentos habitacionais com
recursos da caderneta de poupança atingiram R$ 2,049 bilhões
em abril, alta de 71,6% sobre igual período de 2007 (R$ 1,19
bilhão), segundo a Associação Brasileira de Entidades
de Crédito Imobiliário e Poupança.
Nos 12 meses até abril, as operações do Sistema
Brasileiro de Poupança e Empréstimo atingiram R$ 21,71
bilhões, um crescimento de 96% ante os 12 meses anteriores.
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Folha de S.Paulo, 17 de maio de 2008
DEBATE
Reforma no Sistema S gera debate
acalorado
Presidente da CNI fala em "estatização",
mas ministro da Educação diz que as mudanças adotam
padrões comuns na iniciativa privada
Bastou o Ministério da Educação
(MEC) lançar a proposta de reforma do Sistema S, em março,
para que a discussão esquentasse. Grandes industriais foram
a público apoiar a manutenção do sistema, enquanto
governo e empresários ligados à educação
defendiam mudanças. Anteontem, a Folha promoveu um debate sobre
o tema em seu auditório. A polêmica repetiu-se. Posições
contundentes e ânimos exaltados permearam as discussões
sobre o sistema, formado por Sesc, Senac, Senai e Sesi, entre outros
serviços de educação e cultura do trabalhador.
CRISTIANE BARBIERI
DA REPORTAGEM LOCAL
"Esse é um processo encabulado de estatização",
afirmou Armando Monteiro Neto, presidente da CNI (Confederação
Nacional da Indústria). "A permanência do empresariado
no sistema só tem sentido se continuarmos comandando a gestão
estratégica e não terceirizados na gestão operacional."
De acordo com Monteiro Neto, o sucesso do Sistema S está no fato
de seus cursos profissionalizantes estarem vinculados às demandas
do setor produtivo e não por atender a políticas públicas
de educação.
" O Brasil deve ampliar a escolaridade do trabalhador, mas me parece que
a visão que preside essa iniciativa é contaminada por viés
confiscatório", afirmou. "É como se dissessem: "já fizemos
o Prouni [Programa Universidade para Todos], o Fundeb [Fundo para Educação
Básica], precisamos de mais recursos para o nível médio,
e onde tem recursos? No Sistema S. Vamos arrumar uma forma de reorientar esses
recursos"."
O ministro da Educação, Fernando Haddad rebateu. Segundo
ele, da mesma maneira que pode ser considerada estatizante, ao introduzir
regras de repartição de recursos premiando as unidades
regionais de melhor desempenho, a proposta não é antiempresarial
e usa ferramentas comuns do setor privado:
" Tanto no setor público quanto no privado, vale a pena estimular
regras de desempenho, repartição por produção, valorização
por mérito e esforço. Colocamos assim a competição
de mercado em jogo."
O economista Claudio Haddad, diretor-presidente do Ibmec-São Paulo,
concordou com o ministro. Para ele, o mundo é outro desde a criação
do Sistema S, em 1942, e a organização precisa ser reavaliada. "Muita
coisa boa é feita pelo Sistema S, mas seria caso de polícia
se acontecesse o contrário, com um orçamento anual de R$
8 bilhões", afirmou. "É preciso discutir qual
o impacto, a eficácia e a relação custo/benefício."
Nesse ponto a platéia, formada majoritariamente por pessoas ligadas
ao Sistema S, começou a ficar incomodada e a questionar Claudio
Haddad.
" Tais recursos são compulsórios, o mínimo que se deveria
esperar é uma total transparência e total prestação
de contas de para onde eles estão indo e, infelizmente, isso não é feito",
disse Haddad. "O setor privado dá um mau exemplo porque entrando
nos sites do Sistema S, não há uma única cifra, não
tem balanços, documentos auditados, nada é divulgado."
Claudio Haddad também criticou o fato de todos os trabalhadores
pagarem para que só alguns sejam treinados, já que as contribuições
para o sistema recaem sobre todas as empresas. Além disso, diz
ele, mesmo com os subsídios, os cursos são tão caros
quanto os oferecidos por faculdades privadas.
" Quem vai às peças de teatro do Sesc? É o trabalhador
operário ou são os 10% mais ricos da população brasileira?
Quem é beneficiado?", disse Claudio Haddad. "O projeto do governo é corajoso
porque finalmente mexe numa caixa-preta."
Os ânimos, nessa hora, acirraram-se ainda mais. Mesmo com a platéia
relativamente acalmada pelo mediador, o colunista da Folha Gilberto Dimenstein,
Abram Szajman, presidente da Fecomércio SP (Federação
do Comércio do Estado de São Paulo) e do Sesc-SP, manifestou-se: "Eu
não sou ladrão!". Szajman foi aplaudido efusivamente,
enquanto Claudio Haddad recebeu alguns aplausos tímidos.
Mesmo com o calor das manifestações, o debate foi encerrado
num tom conciliador. Os participantes concordaram com a relevância
da discussão e que, entre os pontos abordados, não há diferença
irreconciliável. O ministro fez questão de lembrar que
o projeto ainda não foi enviado ao Congresso e pode, portanto,
ser aperfeiçoado. Disse que fará uma comissão governo-Sistema
S. Um dos pontos que ele não abre mão é a gratuidade
dos cursos.
Veja a seguir alguns tópicos
abordados durante o debate:
ESTATIZAÇÃO
Monteiro Neto - Esse é um processo
encabulado de estatização. Não tem sentido o
empresariado permanecer no sistema sem continuar na gestão
estratégica e ficando apenas restrito à parte operacional
das escolas. Já que o governo vai assumir a gestão
estratégica e está ampliando a rede de ensino profissionalizante,
que assuma a gestão operacional.
Fernando Haddad - O governo
não pretende selecionar as pessoas que serão
capacitadas, não pretende escolher os cursos e o dinheiro
não sairá do sistema. Nunca passou pela cabeça
de ninguém constituir um fundo público com recursos
do Sistema S. Só queremos garantir carga horária
de 200 horas, compromisso com a escolaridade do trabalhador
e regras de desempenho para o repasse dos recursos.
ORÇAMENTO
Fernando Haddad - Mantidos os R$ 3,2
bilhões do orçamento atual [do Sistema S destinados
a educação de trabalhadores], seria possível
formar 800 mil técnicos por ano.
Claudio Haddad - Claro que com
R$ 8 bilhões por ano muita coisa boa é feita.
Se não fosse, seria caso de polícia. O problema é:
qual é o impacto efetivo desses programas?
Szajman - Para impressionar
o público, sai no jornal que o orçamento [do
Sistema S] é de R$ 8 bilhões. Só que isso é a
soma de todas as entidades. O departamento nacional Senac recebe
R$ 904 milhões por ano, para dividir pelo Brasil inteiro.
TRANSPARÊNCIA
Cláudio Haddad - Tais recursos
são compulsórios, o mínimo que se deveria esperar é uma
total transparência e prestação de contas e,
infelizmente, isso não é feito. O setor privado dá um
mau exemplo. Entrando nos sites do Sistema S não há uma única
cifra, não tem balanços, documentos auditados, nada é divulgado.
O projeto do governo é corajoso porque está mexendo
numa caixa-preta. O sistema S é uma caixa-preta.
Szajman - Eu não sou
ladrão! As informações estão no
Tribunal de Contas da União e na Procuradoria Geral
da União e são exaustivamente auditadas também
pelo governo! Até nossos centavos são fiscalizados.
Monteiro Neto - Fazemos pesquisas
o tempo todo com as indústrias, e os índices
de aprovação são altíssimos, bem
como o uso de nossas estruturas. Temos pesquisas das mais variadas áreas
e segmentos de atuação, que estão à disposição
para consultas.
DURAÇÃO DOS CURSOS
Monteiro Neto - Um eletricista industrial
que precisa, para se atualizar, fazer curso de CLP (Controlador de
Lógica Programável), pode se habilitar com curso de
40 horas. Demandaria um curso de 1.200 horas para operar CLP? Não.
Fernando Haddad - A carga
mínima de duração tem de ser de 200
horas. Estudos mostram que, ao não combinar a formação
geral com a formação específica mais
amadurecida, a cada mudança no processo produtivo,
esse trabalhador terá de voltar ao sistema, se requalificar
para uma mudança pontual e ficará onerando
ainda mais o sistema. As empresas que quiserem cursos "taylor
made" [customizados], que paguem e não onerem
o sistema.
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NA INTERNET
www.folha.com.br/081373
Assista ao vídeo com a íntegra
do debate sobre as
mudanças no Sistema S
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