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UOL, 18 de maio de 2008
'De quem é a Amazônia,
afinal?', diz 'NY Times'
Uma reportagem publicada neste domingo no jornal americano The
New York Times afirma que a sugestão feita por líderes
globais de que a Amazônia não é patrimônio
exclusivo de nenhum país está causando preocupação
no Brasil.
No texto intitulado "De quem é esta floresta amazônica,
afinal?", assinado pelo correspondente do jornal no Rio de Janeiro
Alexei Barrionuevo, o jornal diz que "um coro de líderes
internacionais está declarando mais abertamente a Amazônia
como parte de um patrimônio muito maior do que apenas das nações
que dividem o seu território".
O jornal cita o ex-vice-presidente americano Al Gore, que em 1989
disse que "ao contrário do que os brasileiros acreditam,
a Amazônia não é propriedade deles, ela pertence
a todos nós".
"Esses comentários não são bem-aceitos aqui
(no Brasil)", diz o jornal. "Aliás, eles reacenderam
velhas atitudes de protecionismo territorial e observação
de invasores estrangeiros escondidos." Acesso restrito O jornal
afirma que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
tenta aprovar uma lei para restringir o acesso à floresta amazônica,
impondo um regime de licenças tanto para estrangeiros como para
brasileiros.
"Mas muitos especialistas em Amazônia dizem que as restrições
propostas entram em conflito com os próprios esforços
(do presidente Lula) de dar ao Brasil uma voz maior nas negociações
sobre mudanças climáticas globais - um reconhecimento
implícito de que a Amazônia é crítica para
o mundo como um todo", afirma a reportagem.
O jornal diz que "visto em um contexto global, as restrições
refletem um debate maior sobre direitos de soberania contra o patrimônio
da humanidade".
"Também existe uma briga sobre quem tem o direito de dar
acesso a cientistas internacionais e ambientalistas que querem proteger
essas áreas, e para companhias que querem explorá-las." "É uma
briga que deve apenas se tornar mais complicada nos próximos
anos, à luz de duas tendências conflituosas: uma demanda
crescente por recursos energéticos e uma preocupação
crescente com mudanças climáticas e poluição."
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Agência Diap, 18 de maio de 2008
PESSOA JURÍDICA
Mantega apresenta às
centrais proposta para substituir Emenda 3
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, apresentou na última
sexta-feira (16), a representantes das centrais sindicais
a proposta de projeto de lei do Governo para substituir a
polêmica Emenda 3, que trata dos trabalhadores contratados
como pessoa jurídica, os chamados PJ.
Além de definir os setores cultural, artístico e desportivo
como os que poderão ter contratos com PJ, o projeto estipula
uma alíquota de 10% para as empresas que contratarem o profissional
dessas três áreas. O valor será recolhido à Previdência
Social.
Com o veto do presidente Lula, publicado em 19 de março de
2007, caiu a tentativa de parlamentares oposicionistas de proibir os
auditores fiscais da Receita Federal de multar ou até mesmo
fechar empresas que mantêm trabalhadores com vínculo empregatício
sem registro em carteira, recebendo remuneração por meio
de empresas prestadoras de serviço – os chamados PJs,
ou pessoas jurídicas.
A Emenda 3 repassava para a Justiça do Trabalho a definição
de vínculo empregatício. Na prática, profissionais
liberais poderiam atuar como pessoas jurídicas em vez de terem
contrato de trabalho e direitos previstos na Consolidação
das Leis Trabalhistas (CLT).
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Vermelho, 18 de maio de 2008
Energia: 70% da safra de cana-de-açúcar
vira biocombustível
Perto de 70% do total de cana-de-açúcar processado
até agora na safra 2008/09 do Brasil foi direcionado para a
produção de álcool, informou a União da
Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica). De acordo
com levantamento parcial da safra, divulgado na noite desta quarta-feira
(14) pela entidade, 67% de 20,7 milhões de toneladas de cana
foi para álcool, enquanto 33% se destinou à produção
de açúcar.
" Nunca no passado o setor trabalhou com uma divisão de percentuais
entre etanol e açúcar tão fortemente voltada para o etanol,
algo que ocorreu pontualmente agora em função de uma necessidade
específica, que era garantir o abastecimento", afirmou o diretor
técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues.
Como esperado, as chuvas atípicas para o período fizeram
com que o volume de cana processado até agora ficasse praticamente
estável (alta de apenas 2,2%) na comparação com
igual período no ano passado, quando a safra foi menor.
Como resultado da forte orientação alcooleira da safra,
a produção de açúcar na safra atual até o
dia 1º de maio foi de 674 mil toneladas, 20,8% abaixo da registrada
em igual período da safra anterior. A Unica informou que as
chuvas nos meses de março e abril geraram uma perda de 30% no
aproveitamento do tempo para as usinas da região centro-sul.
Segundo a entidade, o índice de aproveitamento do tempo para
o período março-abril caiu para 55% na safra 2008/09,
contra 78% no mesmo período durante a safra 2007/08. "Na
prática, isso significa que 10 milhões de toneladas de
cana deixaram de ser processadas até o final de abril",
disse Pádua, acrescentando que devido às chuvas cerca
de 40 usinas com início de atividades previsto para março
e abril postergaram a moagem.
A produtividade está baixa no início do processamento
na comparação com a safra passada. Até 1º de
maio foi verificada média de 103,1 quilos de ATR (açúcar
total recuperável) por tonelada de cana, contra 113,5 quilos
no ano passado.
Fonte: Reuters
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Agência Brasil, 18 de maio de 2008
A Amazônia não está indefesa
e não vai virar carvão, afirma Minc
Nielmar de Oliveira
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - O secretário do Ambiente do Rio de Janeiro,
Carlos Minc, afirmou hoje (19) que a Amazônia “não
vai virar carvão, porque agente vai manter para a Amazônia
não só a política que vinha sendo adotada pela
ministra Marina Silva, como boa parte de sua equipe, que já se
colocou à disposição. Vamos também fazer
outras coisas que ela ainda não havia feito e que esperamos
tenhamos condições de realizar”.
Carlos Minc foi convidado a assumir o Ministério do Meio Ambiente
no lugar de Marina Silva, que pediu demissão no último
dia 13. A declaração tem como endereço a comunidade
internacional, que demonstrou preocupação em relação à situação
da Amazônia após a saída da ministra Marina Silva
do Ministério do Meio Ambiente.
Minc disse que percebeu, em entrevista concedida a jornalistas estrangeiros
ainda em Paris, que a primeira sinalização em âmbito
internacional como reflexo do afastamento de Marina Silva foi a de
que a Amazônia ficaria indefesa, uma vez que para a imprensa
internacional “a defensora da Amazônia” estava saindo
do ministério e, portanto, a região ficaria “entregue”.
“Eu falei com a imprensa estrangeira, e uma das primeiras perguntas
que eles fizeram foi 'Qual a garantia que o mundo teria de que a Amazônia
não seria devastada, uma vez que a sua principal guardiã,
depois de várias derrotas e enfraquecimentos, havia jogado a
toalha?'”
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Agência Brasil, 18 de maio de 2008
Minc quer Forças Armadas
na defesa de parques e reservas da Amazônia
Nielmar de Oliveira
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - O secretário do Ambiente do Rio de Janeiro,
Carlos Minc, informou hoje (18), ao desembarcar no Aeroporto Internacional
do Galeão-Tom Jobim, no Rio de Janeiro, proveniente de Paris,
que vai propor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a participação
das Forças Armadas na defesa dos parques nacionais e das reservas
indígenas e extrativistas da Amazônia.
Minc será recebido amanhã, no Palácio do Planalto,
pelo presidente Lula, quando vai ser formalizado o convite para assumir
o Ministério do Meio Ambiente.
Ao admitir que considera a região o principal desafio de sua
gestão à frente do Ministério do Meio Ambiente,
Minc explicou que a intenção é “replicar” uma
das medidas adotadas durante sua gestão à frente do meio
ambiente no estado do Rio de Janeiro.
“Aqui no Rio nós criamos os guardas-parque. Ou seja,
diante da insuficiência de fiscais, colocamos destacamentos do
Corpo de Bombeiros em nossos parques e áreas de proteção
ambiental. Então eu vou propor ao presidente que se crie destacamentos,
ou que se aloque alguns regimentos das Forças Armadas para funcionar
dentro dos grandes parques nacionais, tomando conta do entorno deles
e também das reservas extrativistas, replicando, com as adequações
necessárias, o que fizemos aqui no estado”, disse.
O secretário do Ambiente ressaltou, porém, que a sugestão
ainda terá que ser negociada entre o presidente as Forças
Armadas, “pois este é um papel que não me cabe,
mas sim ao presidente, que é o comandante supremo das Forças
Armadas. Regimentos podem vir a se integrar na defesa das unidades
de conservação, das reservas extrativistas e dos seus
entorno”.
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Gazeta do Povo, 18 de maio de 2008
Formação e qualificação
O S da questão
Proposta de mudança na gestão
dos recursos arrecadados com contribuições dos trabalhadores
cria antagonismo entre governo e empresários
Era começo dos anos 60 quando um jovem retirante pernambucano
ingressou no curso de torneiro-mecânico do Serviço Nacional
de Educação de Aprendizagem Industrial (Senai), em São
Paulo. Aos 16 anos, Luiz Inácio da Silva já havia sido
engraxate, tintureiro e office-boy, mas queria tornar-se um operário
qualificado para subir de posto na fábrica de parafusos Marte.
Formou-se três anos depois, conseguiu trabalho na Metalúrgica
Aliança (onde perdeu o mindinho esquerdo), virou líder
sindical, pôs Lula no meio do nome e hoje está no sexto
ano do mandato de presidente da República.
Quase cinco décadas após o começo dessa história,
o seu ponto de partida está prestes a passar por uma revolução.
Os ministérios da Educação e do Trabalho fazem
os últimos ajustes de um projeto de lei que será encaminhado
ao Congresso Nacional para mudar a gestão dos recursos administrados
pelo Sistema S, composto por entidades como o Senai e o Serviço
Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).
Em jogo, mais do que a formação e a qualificação
da mão-de-obra no país, está a gestão de
R$ 8 bilhões ao ano – o que abriu uma guerra com instituições
que representam o setor, como a Confederação Nacional
da Indústria (CNI).
Recursos
A intenção do governo é descentralizar a distribuição
do dinheiro, dentro de uma estratégia que beneficie as cidades
que tenham mais eficiência na aplicação da verba.
O porta-voz da proposta é o ministro da Educação,
Fernando Haddad. Ele planeja fortalecer os cursos técnicos de
Ensino Médio, conjugando as aulas regulares com as profissionalizantes.
A meta é saltar dos 60 mil estudantes formados pelo Sistema
S ao ano, nos cursos de longa duração, para 800 mil.
Além disso, garantir a gratuidade para alunos de escolas públicas
ou com bolsa integral de instituições particulares – o
que não ocorre hoje.
A multiplicação das vagas ocorreria graças ao
novo sistema de gestão do dinheiro, que contaria com diferentes
fundos nacionais, e a uma mudança de prioridade na captação
dos recursos.
Arrecadação
Atualmente, os trabalhadores de empresas comerciais e industriais
de médio e grande porte pagam compulsoriamente 2,5% dos salários
ao mês para o Sistema S.
Dessa porcentagem, 1,5% vai para ação social e lazer – representadas
pelos serviços sociais da indústria e do comércio
(Sesi e Sesc) e 1% para a qualificação profissional (Senai
e Senac). O governo, agora, quer inverter essas frações.
R$ 8 bilhões
Serão arrecadados neste ano pelo Sistema S com o desconto em folha
de pagamento.
2,5% dos salários dos trabalhadores da indústria e do comércio
são descontados todo mês para o Sistema S.
R$ 5.062,00 por aluno foi o gasto do governo nos Centros de Tecnologia
no ano passado, em cursos técnicos de 1,2 mil horas.
R$ 3.065,00 por aluno foi o gasto do Senai-PR no ano passado, em cursos
técnicos de 600 horas.
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Gazeta do Povo, 18 de maio de 2008
Formação e qualificação
Empresários preparam resistência
Presidente da CNI, Armando Monteiro
Neto, será o responsável por “minar” a proposta
governista no Congresso
As alterações propostas pelo governo federal para o
Sistema S foram encaradas como uma afronta pelos atuais administradores
do sistema. Como o “anti-Haddad” surge o presidente da
Confederação Nacional da Indústria (CNI), o deputado
federal Armando Monteiro Neto. O principal embate entre eles deve ser
travado no Congresso Nacional, que nas próximas semanas promoverá audiências
públicas para discutir o assunto.
O primeiro encontro estava marcado para a última quarta-feira,
na Comissão de Educação do Senado, mas foi adiado.
Um dia depois, Haddad e Monteiro Neto participaram de um debate em
São Paulo, no qual as trocas de farpas se intensificaram. O
ministro insinuou que o atual sistema era “elitista” e
o empresário disse que a proposta governista era “uma
tentativa encabulada de estatização”.
Daniel Castellano/Gazeta do Povo
“É um altíssimo risco
substituir um sistema que funciona por um outro que, na prática,
significa apenas mais poder nas mãos do governo.” Rodrigo
Rocha Loures, presidente da Federação das Indústrias
do Estado do Paraná (Fiep).
Henry Milleo/Gazeta do Povo

“ Sofremos com a falta de conhecimento
dos alunos que vêm da escola pública.” Darci Piana,
presidente da Federação do Comércio do Paraná
As definições traçam a linha de argumentação
dos que defendem os dois lados. “É um altíssimo
risco substituir um sistema que funciona por um outro que no papel
pode parecer atraente, mas que na prática significa apenas mais
poder nas mãos do governo”, afirma o presidente da Federação
das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo Rocha
Loures. O paranaense foi um dos participantes da discussão realizada
há três dias.
O presidente da Federação do Comércio do Paraná,
Darci Piana, vai mais longe. Segundo ele, o problema está nos
péssimos resultados do ensino público, o que não
pode ser compensado com mudanças no Sistema S. “É inegável
que nossos cursos funcionam bem. Só que muitas vezes sofremos
com a falta de conhecimentos básicos dos alunos que vêm
da escola pública.”
Apesar de os grupos empresariais terem reagido rapidamente à discussão,
especialistas em ensino técnico ressaltam que o projeto não
pretende tirar recursos do atual modelo. “Não se fala
de enfraquecer os empresários, muito menos de diminuir recursos.
O que está sendo proposto é implementação
de um sistema de gestão de recursos mais moderno”, argumenta
o pedagogo e doutor em Educação pela PUC-SP, Gaudêncio
Frigoto.
Para a professora Lucília Machado, coordenadora da Especialização
em Gestão de Projetos Educacionais do Centro Universitário
UNA, de Belo Horizonte (MG), as alterações estão
dentro de uma lógica empresarial. “As unidades que tiverem
mais resultados receberão mais recursos. Não é o
exemplo de competitividade que defendem os empresários?”
A polêmica deve se estender pelos próximos meses e dificilmente
trará um consenso. Depois de o texto receber os últimos
ajustes nos ministérios da Educação e do Trabalho,
segue para a Casa Civil e depois para o Congresso. Não se sabe
ainda qual será posicionamento final do presidente Lula – embora
o ex-aluno do Senai esteja bem mais propenso a mudar o sistema que
iniciou sua sinuosa trajetória até o Palácio do
Planalto.
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Gazeta do Povo, 18 de maio de 2008
Formação e qualificação
Polêmica está na
gestão do dinheiro
A verba descontada da folha
de pagamento não passa por qualquer aparato estatal
e é aplicada apenas nos próprios estados em que é arrecadada
O Sistema S foi criado em 1942 pelo então presidente Getúlio
Vargas, como parte do processo de fomento à industrialização
do país. A proposta nasceu dos empresários Roberto Simonsen
e Euvaldo Lodi, que precisavam formar mão-de-obra para um novo
mercado que nascia no país.
A solução era lógica e ao mesmo tempo corporativista:
dava aos setores que entendiam quais eram suas necessidades os recursos
para respondê-las.
É a capacidade de detecção dessa demanda no mercado
atual que define a divisão ideológica entre os que defendem
e os que atacam as propostas do governo. O pedagogo Gaudêncio
Frigoto estuda o tema há 30 anos e ressalta que as mudanças
são necessárias. “Não se trata de negar
a competência dessas entidades na qualificação
profissional, mas elas têm de cumprir a sua função
social.”
Segundo ele, muitas das unidades do Senai e do Senac são descritas
como “unidades de negócio” e concorrem com entidades
privadas. “O sistema é socialmente injusto, politicamente
inaceitável e, sob o ponto de vista capitalista, desleal com
outras instituições que não recebem recursos públicos.”
Atualmente, a maioria dos cursos e treinamentos e treinamentos oferecidos é de
curta duração e têm custo ao aluno. A verba descontada
da folha de pagamento não passa por qualquer aparato estatal
e é aplicada apenas nos próprios estados em que é arrecadada.
A intenção do governo é criar mais ofertas gratuitas
de média e longa duração.
“Claramente as ofertas de cursos estão concentradas em
São Paulo, só que há demanda de regiões
menos desenvolvidas, do Norte, do Nordeste. A alteração
no sistema ajudaria para o desenvolvimento mais equilibrado da nação”,
afirma a professora mineira Lucília Machado. Para ela, o Brasil
avançou do modelo corporativista da década de 40.
Os empresários, entretanto, acreditam que é legítima
a oferta de cursos a partir da demanda setorial. O presidente da Fecomércio-PR,
Darci Piana, cita o exemplo dos trabalhadores treinados pelo Senac
para a vendas de Natal. “Ensinamos a fazer um pacote de presente,
a atender o telefone, porque existe espaço para isso nesta época.
Mas nem por isso deixamos de lado o capacitação mais
sofisticada.”
O presidente da Fiep, Rodrigo Rocha Loures, destaca que os recursos
compulsórios não são suficientes para manter e
aperfeiçoar o sistema atual. Segundo ele, o Senai-PR formou
no ano passado 73 mil alunos, a um custo de R$ 60 milhões. Os
custos de administração e de investimentos, porém,
consumiram outros R$ 24 milhões.
“O que se discute é a filosofia que deve orientar a gestão
desses recursos. Se isso deve ficar a cargo da comunidade industrial,
como é hoje, ou dirigido pelo governo. Para mim, a conclusão é simples:
basta comparar as escolas do Senai com as do governo para ver qual
administração é melhor”, diz o industrial.
O Sistema S
Entenda como funciona e qual a proposta
de mudança do governo:
O que é?
Sistema S é o conjunto de entidades responsáveis pela
oferta de lazer, cultura e qualificação profissional
de trabalhadores de vários setores.
Quem compõe?
As principais entidades são o Serviço Nacional de Aprendizagem
do Comércio (Senac), Serviço Social do Comércio
(Sesc), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai)
e o Serviço Social da Indústria (Sesi). Há ainda
o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, o Serviço Social
do Transporte, o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte,
o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo e o Serviço
de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.
Quem sustenta?
Os funcionários dos setores do comércio e indústria.
Atualmente, cada trabalhador paga 2,5% do salário diretamente
ao sistema para manter os serviços – 1,5% fica para o
lazer e ação social e 1% para educação.
Qual é a proposta do governo?
Criar, por meio de projeto de lei, o Fundo de Educação
Técnica e Profissional (Funtep), que receberia o recurso no
lugar do Sistema S. O recurso seria repassado às entidades respectivas,
que precisariam seguir determinações do Ministério
da Educação. Além disso, haveria uma inversão
das porcentagens de recursos: 1,5% para a educação e
1% para a área social e lazer.
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Gazeta do Povo, 18 de maio de 2008
Trabalho
Sindicalismo, 30 anos depois
Greve de 1978 inaugurou nova fase da
luta sindical, que hoje está acuada pela globalização
e pela proximidade com o governo

Lula discursa para metalúrgicos durante
a greve histórica de 1980, no ABC Paulista: o sindicalista
chegou ao poder, mas o sindicalismo hoje está enfraquecido
O dia 15 de maio de 1978 entrou para história política
do país. Depois de quase dez anos da edição do Ato
Institucional nº 5, que recrudesceu a ditadura militar e suspendeu
as manifestações de cunho político, metalúrgicos
da fábrica da Scania, em São Bernardo do Campo (SP), entravam
em greve. Foi a primeira paralisação de trabalhadores em
uma década.
Na semana que passou, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
na época um dirigente sindical, reconheceu a importância
do movimento de 78. Segundo Lula, aquela greve foi a primeira de outras,
realizadas no fim dos anos 70 e início dos 80, que melhoraram
as condições de vida dos trabalhadores, formaram a “consciência
política” dos operários e culminaram na formação
da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do PT.
Trinta anos depois, muita coisa mudou no Brasil. A democracia foi
restabelecida, a globalização se tornou uma realidade
e o então líder sindical chegou à Presidência.
Essa última mudança no panorama brasileiro significou
também um dos maiores desafios para o movimento sindical no
país: manter a sua autonomia frente ao governo.
“Por essa proximidade, os sindicatos, às vezes, têm
uma unanimidade em relação ao governo, não conseguem
desafiá-lo”, diz o professor de Sociologia Sadi Dal Rosso,
da Universidade de Brasília (UnB). O presidente eleito do Sindicato
dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, discorda. Para
ele, os sindicatos não perderam a sua autonomia. Na opinião
de Nobre, os movimentos deixaram de ser tão combativos e de
fazer tantas greves no governo Lula porque o presidente abre espaço
para o diálogo, o que não existia antes.
O cientista político Ricardo Costa de Oliveira, da UFPR, diz
que a chegada dos sindicalistas ao governo foi mais benéfica
do que desfavorável para o movimento sindical. Na avaliação
dele, estar no governo fez o movimento amadurecer. “Estar no
poder mostrou para os sindicalistas que suas reivindicações
não serão realizadas de uma hora para outra.”
O deputado federal do Paraná Dr. Rosinha (PT), que foi um dos
principais membros do movimento sindical no estado nas décadas
de 70 e 80, diz acreditar que esse amadurecimento veio acompanhado
de certa frustração. “Nós exigíamos
muitas mudanças, mas conseguimos concretizar muito poucas.” Segundo
ele, isso aconteceu porque “o movimento sindical chegou ao governo,
mas não conseguiu ainda chegar ao poder”.
Além de certa frustração, esse choque de realidade
também dividiu o movimento. Atualmente, existem 17 centrais
sindicais registradas no Ministério do Trabalho. “Essa
pulverização das centrais é ruim. Na verdade,
elas deveriam ser poucas para conseguir representar os interesses do
trabalhador de forma mais uniforme”, afirma Dal Rosso.
O professor de História Contemporânea Wilson Maske, da
PUCPR, diz que o movimento sindical também se enfraqueceu devido à conjuntura
internacional, de globalização. “Hoje, se uma empresa
começa a ser muito pressionada pelo sindicato de um país,
ela simplesmente se muda para outro lugar onde a pressão dos
trabalhadores não seja tão forte.”
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Gazeta do Povo, 18 de maio de 2008
Trabalho
Imposto sindical divide o movimento
O presidente da CUT no Paraná, Roni Barbosa, diz que
o fim do imposto sindical é um dos principais pontos de discórdia
dentro do sindicalismo. O imposto – que é descontado de
todos trabalhadores no mês de março e corresponde a um
dia de trabalho – foi criado na década de 40, por Getúlio
Vargas.
O tributo arrecada R$ 125 milhões anuais e acaba sendo a fonte
de receita de muitos sindicatos pequenos, alguns sem representatividade
alguma e que são montados apenas para receber os recursos. Do
total arrecadado, 60% são repassados aos sindicatos, 15% às
federações sindicais, 5% às confederações,
10% às centrais e outros 10% vão para o governo.
“Não existe um consenso sobre esse assunto. Nós
defendemos o fim do imposto compulsório e a criação
de uma contribuição negociada, mas nem todos pensam assim”,
afirma Barbosa. O deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR), porém,
diz que “todas as centrais lutaram a favor do imposto”.
Ele afirma que viu de perto o lobby feito pelos sindicalistas para
a manutenção do pagamento obrigatório, quando
se cogitou extingui-lo no Congresso.
Para o professor de História Wilson Maske, da PUCPR, o imposto
desmobiliza o movimento sindical, pois os sindicatos recebem o dinheiro
e não precisam mais reunir os trabalhadores para manter sua
estrutura. (CO)
 
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O Estado do Paraná, 18 de maio de
2008
Direito e Justiça
Ministro Dalazen: tribunal operoso,
pautado pela moralidade e pela busca da eficiência
Edésio Passos
O corregedor-geral da Justiça do Trabalho, ministro do TST
João Oreste Dalazen, encerrou, em 9 de maio, a correição
ordinária no Tribunal Regional do Trabalho da 9.ª Região,
iniciada em 5 de maio. Em sessão pública, apresentou
as conclusões sobre questões administrativas e jurisdicionais
do TRT paranaense. Em linhas gerais, o TRT-PR exibiu uma performance
positiva, não só animadora, mas exemplar. Dalazen afirmou
que o 9º Regional “é um tribunal sério, operoso
e pautado na moralidade e na busca da eficiência, tendo como
norte a população”.
Entretanto, algumas observações são valiosas
para nosso Tribunal, já que considerou uma estrutura adversa
face a carência de pessoal e grande volume de processos para
julgamento. Nosso Regional é o sexto do Brasil em movimentação
processual, mas apresenta um quadro semelhante ao vivido pela Justiça
do Trabalho de todo o país. O ministro considera que o esforço
de magistrados e servidores, aliado a medidas voltadas para dar mais
celeridade aos julgamentos, encontram o obstáculo do número
cada vez maior de processos recebidos, o que resulta em elevada taxa
de congestionamento.
Nas Varas do Trabalho do Paraná, há cerca de 185 mil
processos em fase de execução. A taxa de congestionamento
tem apresentado queda: em 2006 era de 46% e hoje a marca é de
38%. Dos 24 TRTs, nosso Regional tem a décima-quarta taxa mais
elevada do Brasil. Já nos processos em fase de conhecimento,
a taxa é a quarta mais alta do país, com 62.589 processos
pendentes de solução. Segundo a ata correicional, essa
pendência deve-se ao aumento do número de processos recebidos
em 2007, que foi 18% superior ao registrado em 2006. Em 2007 foram
recebidas 104.192 reclamações trabalhistas e solucionadas
105.161. Em média, cada magistrado de primeiro grau solucionou,
em 2007, 378 processos, ou seja, 62% do total de recebidos na primeira
instância no período.
Ainda em 2007, no Tribunal foram recebidos 40.362 processos e julgados
38.006, com percentual de solução de 78%. Comparado a
2006, o total de recebidos é 15% maior e o de solucionados é 12%
superior. Cada desembargador federal solucionou 1.520 processos. Segundo
o ministro, uma boa colocação, se comparado com outros
Regionais do Trabalho.
De acordo com a correição, no que tange à área
administrativa na Justiça do Trabalho do Paraná não
há marasmo, tampouco imobilismo. Dalazen considera um Tribunal “inventivo,
colocando em prática iniciativas avançadas na área
de informática e positivas em gestão pública”.
Exemplificou com o Sistema AUD, registro audiovisual de depoimentos
em sala de audiência, que está sendo colocado em prática
experimental na Justiça do Trabalho do Paraná. Destacou
também os trabalhos voltados à responsabilidade social,
como farmácia e biblioteca solidárias, além de
campanhas de arrecadação de alimentos e de agasalhos.
Ao final da leitura da ata correicional, o ministro João Oreste
Dalazen indicou recomendações ao TRT do Paraná,
dentre elas (1) realização de curso de cálculos
trabalhistas pela Escola de Administração Judiciária
do Tribunal (2) transferência da Vara do Trabalho de Loanda para
o Fórum de Araucária, tendo em vista a movimentação
processual das unidades judiciárias (3) designação
de sessões extraordinárias, visando à redução
de resíduos processuais da Seção Especializada.
O ministro Dalazen é prata da casa, pois no Paraná acumulou
sua longa experiência como advogado, procurador, professor universitário,
escritor e magistrado. Desde 96 no TST, se destaca por suas posições
avançadas no campo da jurisprudência e o seu dinamismo
no campo da atuação social, desde sua missão na
OIT, como no enfrentamento dos difíceis lítígios
corporativos das entidades dos trabalhadores. Simples, mas direto,
no trato pessoal, consegue unir sua capacidade de decisão, com
a rapidez de sua atuação institucional. Vale a pena conhecer
seus brilhantes votos nos processos do TST, como seus despachos e atas
correicionais, com suas argutas observações visando o
aperfeiçoamento do Judiciário Trabalhista.
Competência da JT: Seguradora e Empresa
Sentença do Juiz Luciano Augusto de Toledo Coelho, da Vara
do Trabalho de Araucária, Paraná, e acórdão
da lavra do Desembargador Federal Marco Antônio Vianna Mansur,
do E. TRT9, decidiram sobre a competência da Justiça do
Trabalho em relação a acidente do trabalho e as repercussões
jurídicas entre a Seguradora e a Empresa. Assinala o Juiz Toledo
Coelho:”A experiência prática, entretanto, com as
lides acidentárias, em decorrência da alteração,
mostrou uma realidade até então não observada,
e que fez com que meu posicionamento se alterasse ponderando cada caso.
Ocorre que retirando-se da lide a seguradora, a conciliação,
objetivo primeiro do processo do trabalho, resta imensamente prejudicada,
uma vez que em caso de conciliação a seguradora não
paga o seguro, em regra, exigindo para isso sentença condenatória.
Ora, se a seguradora não participar da lide, sabendo de antemão
que o empregador deverá manejar ação cível,
mais custosa e demorada, o interesse na conciliação diminui
sensivelmente, e é isso que tenho sentido na prática
diária com as seguradoras. A não aceitação
pela Justiça do Trabalho dessa competência traria ao empregador
perigoso desestímulo para fazer o seguro, eis que deveria aguardar
sentença condenatória para apenas então discutir
a responsabilidade securitária. Ora, nesse caso a unidade de
convicção restaria prejudicada, pois novamente os fatos
seriam discutidos no cível correndo-se inclusive risco de decisão
contraditória. Se o STF e a EC 45/2004 trouxeram para a Justiça
do Trabalho as lides acidentárias, penso que o fato de ser uma
lide entre duas empresas não se sobrepõe à necessidade
de se fixar competência plena para todas as questões decorrentes,
da qual faz parte a lide secundária. A questão de o juiz
do trabalho não poder decidir lide entre empresas deve ser superada
em alguns casos, como por exemplo na questão do representante
comercial, relação de trabalho que a meu ver também é nossa
competência, após a EC 45/2004”.
Por sua vez, o des. Vianna Mansur confirma, magistralmente: “Não
há controvérsia de que estes autos foram enviados a esta
Corte em virtude das mudanças trazidas pela EC 45/04. Todas
as modificações constitucionais se prestam à melhoria
da prestação jurisdicional. Nesta linha de raciocínio,
considerar a Justiça do Trabalho incompetente para o julgamento
da lide secundária implicaria em enorme prejuízo ao jurisdicionado,
não só por frustrar a possibilidade de conciliação,
como muito bem destacado pelo Juízo de origem, mas por contrariar,
também, outros princípios constitucionais, tais como
o da razoável duração do processo e aqueles ligados à valorização
do trabalho. Considerando que o objetivo maior do Direito como um todo
- não somente do seu ramo justrabalhista - é o bem estar
social, fica claro que a conclusão alcançada pela r.
sentença é a que melhor atende este objetivo. O interesse
particular da seguradora não pode se sobrepor a valores caros à sociedade,
nem às garantias constitucionais. Se a idéia de pacificação
social está intimamente ligada ao Poder Judiciário (já que
a ele cabe a aplicação do Direito), absolutamente despropositado
o argumento de que a conciliação não seria um
dos fins visados pelo Judiciário” (vide sentença
e acórdão em TRT PR 99609.2006.654.09.00.3).
TST: Dano moral e material
“AGRAVO DE INSTRUMENTO. ACIDENTE DE TRABALHO. DANO MORAL E MATERIAL.
DESPROVIMENTO. Não é possível proceder à revisão
da v. decisão sem o reexame do fato e da prova, a teor da Súmula
126 do c. TST, quando a delimitação fática é no
sentido da culpa do empregador, que não zelou quanto ao ambiente
de trabalho do empregado, que trabalhava em caminhão cegonha
e foi atingido pela janela por objeto arremessado e, em conseqüência,
perdeu a visão de um dos olhos. A prova dos autos foi no sentido
de que o acidente ocorreu porque o empregador não promoveu a
redução do risco físico, com a instalação
de ar condicionado, a atenuar o calor do empregado, visto que o caminhão
cegonha é o ambiente de trabalho do autor” (TST-AIRR-142/2006-088-03-40.8-Nivaldo
Vallois x Alcides da Silva e Sada Ltda). Eis transcrição
parcial do acórdão do TRTMG: “ O autor era motorista
de caminhão cegonha, exercendo seu mister no transporte de veículos
da cidade de Betim para diversas localidades do País. A cabine
do caminhão era seu ambiente de trabalho. A Constituição
da República prevê, em seu art. 7.º, XXII, o seguinte:
redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de
normas de saúde, higiene e segurança. Logo, na hipótese
vertente, se o empregador tivesse promovido a redução
do risco físico e estressante que afeta a saúde do autor
no seu ambiente de trabalho, a cabine do caminhão cegonha, com
a instalação de ar condicionado, certamente que não
haveria necessidade de manter o quebra vento aberto, para atenuar o
calor que ele sentia. (...) Nesse contexto de dor moral, perda parcial
e permanente da capacidade laborativa, dano, nexo causal e culpa, a
reparação pecuniária é medida que se impõe.
Em face do exposto, e com base no sabido tripé punir, compensar,
prevenir, e ainda, na capacidade econômica dos reclamados, provejo
o recurso para julgar procedentes os pedidos, condenando-os, solidariamente,
ao pagamento da indenização por danos moral e material,
nos valores de R$ 100.000,00 e R$ 50.000,00, respectivamente”.
FGTS e outros números
De janeiro a março de 2008 foram recolhidos ao FGTS R$11.941
bilhões e sacados R$9.388 bilhões, crescimento de arrecadação
de mais 33,6% relativamente ao mesmo período de 2007. Para o
mesmo período comparativo, a Confederação Nacional
da Indústria divulga crescimento de 7,6% no faturamento, 6%
nas horas trabalhadas e 4,9% no emprego. Já a Economática
diz que o lucro de 257 empresas com ações negociadas
na Bolsa de Valores de São Paulo de 2006 para 2007 foi de 20,16%.
Pesquisa do DIEESE constata que a cesta básica de alimentos
do trabalhador aumentou, em abril, em todas as 16 capitais, superando,
em média, o reajuste de 9,21% concedido ao salário mínimo
nacional. A Petrobrás vai contratar 14 mil funcionários
nos próximos três anos, elevando sua força de trabalho
para 74 mil funcionários.
Portaria 186/08
Na Carta de Brasília, aprovada pelas principais entidades sindicais
de trabalhadores, um dos pontos destacados foi pela “reedição
da Portaria número 186/2008, pelo Ministro do Trabalho e Emprego,
com a efetiva exclusão dos aspectos capazes de permitir o pluralismo
sindical nas federações e confederações
das categorias profissionais ou econômicas”.
Convenções da OIT
Também na Carta de Brasília os dirigentes sindicais
propugnam pela “imediata aprovação da Convenção
151 da OIT pelo Congresso Nacional, assegurando-se o direito dos servidores
públicos à negociação coletiva e livre
organização nos seus sindicatos; e ainda pela imediata
aprovação da Convenção 158 da OIT pelo
Congresso Nacional, com a inclusão na legislação
brasileira de que recaia sobre o empregador o ônus da prova da
falta do trabalhador que justifique a sua demissão”.
Fator previdenciário e aposentadorias
No que concerne a projetos de lei, a Carta de Brasília assinala
(a) a aprovação imediata pela Câmara dos Deputados
do PLS 296/2003, que extingue o Fator Previdenciário, cujas
regras, baseadas, principalmente, na expectativa de vida dos trabalhadores,
retardam e dificultam a concessão das aposentadorias (b) aprovação
imediata pela Câmara dos Deputados do reajuste das aposentadorias
e pensões pelos mesmos critérios do salário mínimo,
sob pena daqueles que ganham acima do mínimo e até o
teto do Regime Geral estarem, muito em breve, ganhando somente o piso
nacional (c) a retomada da atuação do FNPS, a fim de
que seja construído um modelo que fortaleça a previdência
pública e social e elimine os riscos de sua privatização.
Artigo 8.º da CF/88
Em seus posicionamentos, os dirigentes sindicais reunidos em Brasília,
acentuam: “a nossa vitória alcançada durante a
Constituinte e consagrada na Constituição da República
de 5/10/1988, que em seu artigo 8.º assegura a unicidade, a contribuição
sindical e o sindicato por categorias econômicas e profissionais é fundamental
para o sindicalismo brasileiro, como instrumento importantíssimo
nas lutas e conquistas dos trabalhadores do Brasil”, propondo-se à “intensificação
da luta nacional e urgente pela redução da jornada de
trabalho para 40 horas semanais, mediante a aprovação
da PEC Proposta de Emenda à Constituição, pelo
Congresso Nacional”, assim como “priorizar a campanha nacional
de apoio ao projeto de Lei do Senado, número 248/2006, de autoria
do senador Paulo Paim (PT/RS), que regulamenta de forma categórica
o desconto da Contribuição Negocial, por ocasião
das celebrações de convenções, acordos
coletivos ou decisões normativas da Justiça do Trabalho”.
Anote
Leia os livros editados pela LTr e lançados em noite de autógrafos,
dia 16 último, na sede da Amatra-IX (1) Acosso Psíquico
no Ambiente de Trabalho, de Zeno Simm (2) Direitos Fundamentais e Acesso à Justiça
na Constituição, de Mauro Vasni Paroski (3) Responsabilidade
Civil Pré-Contratual em Direito do Trabalho”, de Luciano
Augusto de Toledo Coelho *** A Editora Boitempo lançou o número
11 da Revista “Margem Esquerda” e o livro sobre acontecimentos
de 1968, de Tariq Ali, “O Poder das Barricadas” *** De
22 a 24 de junho a OAB.PR realiza a IV Conferência Estadual dos
Advogados, com solenidade de abertura no Teatro Guaíra *** No
site Última Instância encontra-se o artigo do dr. Cezar
Britto, presidente nacional da OAB, sobre “Cidadania e Quinto
Constitucional” *** Conheça o “Plano Amazônia
Sustentável”, apresentado pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, no site www.planalto.gov.br, política inovadora
de desenvolvimento regional baseada no uso sustentável dos recursos
naturais com estratégias voltadas para a geração
de emprego e redução das desigualdades sociais.
“Após 40 anos, o contexto mudou radicalmente. O mundo
da Guerra Fria desapareceu, assim como escolas e fábricas organizadas
como casernas, sindicatos de trabalhadores autoritários, ataques
contra homossexuais e a obrigação das mulheres de obter
permissão de seus maridos antes de se habilitarem para trabalhar
ou abrir uma conta bancária. Aquele mundo foi substituído
por um mundo multilateral, que inclui Aids, desemprego, crises climáticas
e energéticas e assim por diante. Então, permitamos às
novas gerações que definam suas próprias batalhas
e desejos” (“O ilusório legado de 1968”, por
Daniel Cohn-Bendit, lider estudantil nas revoltas de 1968 na Europa,
hoje co-presidente dos Verdes/Grupo da Aliança Européia
Livre no Parlamento Europeu, in Valor Econômico, edição
de 6,maio,2008).
Edésio Passos é advogado. edesiopassos@terra.com.br
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Folha de S.Paulo, 18 de maio de 2008
Emprego formal deve
bater recorde histórico de contratação
em abril
Número de trabalhadores
com carteira acrescidos ao mercado superou 302 mil
JULIANNA SOFIA
LUCIANA OTONI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O número de trabalhadores contratados com carteira assinado
superou 302 mil em abril, segundo informações preliminares
das estatísticas oficiais do saldo de emprego e desemprego no
mercado formal. Se confirmado na divulgação que o Ministério
do Trabalho fará nesta semana, abril terá sido o melhor
mês da série histórica da pesquisa mensal de emprego
formal, iniciada em 1992. Até agora, o melhor número é o
de abril do ano passado, quando as contratações com carteira
assinada totalizaram 301.991.
Com o desempenho do último mês, o número de trabalhadores
admitidos no mercado formal no primeiro quadrimestre deve ficar em 850
mil. Diante dessa performance, o Ministério do Trabalho pretende
elevar de 1,8 milhão para 2 milhões a estimativa para 2008
do número de contratações com carteira assinada,
estabelecendo um novo recorde para o total de vagas geradas em um ano.
Para o diretor-técnico do Dieese (Departamento Intersindical de
Estatística e Estudos Socioeconômicos), Clemente Ganz Lúcio,
o dinamismo reflete a continuidade da expansão da economia, influenciada
por aumento de renda, crédito e investimento.
Lúcio explica que a consistência do crescimento tem provocado
elevação do número de contratações
com carteira assinada entre autônomos e também no setor
público. Ele, contudo, destaca que o melhor desempenho tem sido
o do mercado formal. "O número de empregos com carteira assinada
tem aumentado quatro vezes mais que a ampliação de vagas
no setor público e se mantém 40% acima das contratações
no segmento dos autônomos, o que mostra que a expansão do
mercado de trabalho tem sido puxada pelas contratações
com carteira assinada", comentou.
De acordo com o diretor-técnico do Dieese, a continuidade do crescimento
e as expectativas favoráveis dos empresários para os próximos
meses têm feito com que trabalhadores que atuavam no mercado informal
por meio de contratos sejam progressivamente incorporados ao mercado
formal, fator que reforça as estatísticas.
O maior nível de contratações tem ocorrido no setor
de serviços, na indústria e na construção.
Embora em menor nível, o agronegócio também tem
ampliado as vagas. A professora da Esalq/USP Márcia Azanha acrescenta
que a maior demanda por alimentos estimula a produção nacional
e, conseqüentemente, a contratação no campo. Ela lembra
que, apesar do alto nível de mecanização de algumas
culturas, como cana, soja e milho, a tendência é de ampliação
das ocupações em propriedades rurais.
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Revista Consultor Jurídico, 18 de
maio de 2008
União de poderes
Previdência e
Justiça fazem acordo para reduzir processos
por Luiz Marinho e Marli Ferreira
O ALTO índice de benefícios indeferidos tem impacto
desfavorável à União e prejudica os segurados
do INSS. Os custos operacionais e financeiros são altíssimos.
Pelo menos 1,5 milhão de segurados ajuizaram ações
contra a Previdência na Justiça Federal em 2007 -20% recorreram
antes mesmo da resposta do órgão.
Ao analisarmos a situação, constatamos que grande parte
dessas ações poderia ter sido evitada com a qualificação
dos servidores que, na dúvida, negam pedidos dos segurados.
Ou seja, padronização dos procedimentos internos e mais
sintonia com a Justiça para, sempre que necessário, modernizar
a legislação em vigor.
Nesse sentido, a Previdência firmou um acordo de cooperação
técnica com o Judiciário para reduzir o número
de processos e acelerar a concessão do benefício a quem
tem direito. Criamos um grupo de trabalho para uniformizar entendimentos
sobre matérias já pacificadas nos tribunais superiores,
de normas administrativas judiciais e forma de tramitação
nas varas de Justiça, além de promover troca de informações.
Em paralelo, começamos mutirões de conciliação
para apreciação de processos relativos à Previdência
para desafogar a Justiça. O primeiro, em dezembro, envolveu
26 tribunais de Justiça, 22 do trabalho e os cinco regionais
federais, com 182.209 audiências e 77.902 (42,66%) acordos.
A parceria inédita com a Justiça contribuirá ainda
com o combate às fraudes e a imediata implantação
do benefício. Disponibilizaremos as bases de dados do Cadastro
Nacional de Informações Sociais e, em contrapartida,
teremos acesso ao Sistema de Processo Eletrônico do CNJ. As sentenças
serão enviadas ao INSS virtualmente, com todos os dados do segurado,
para que a revisão ou a concessão do benefício
saia na hora.
O intercâmbio de dados impedirá a existência de
benefícios com base em vínculos fraudulentos, com uso
de documentos falsos e nomes de pessoas falecidas. O que for pacificado
na Justiça não será mais objeto de recurso do
INSS. Isso não tem sentido quando já se formou jurisprudência
nos tribunais sobre certa matéria.
A Constituição de 1988 trouxe profundas e importantes
mudanças na seara dos direitos sociais, dando cumprimento aos
princípios do Estado democrático de Direito, trazendo
para o centro das reflexões da estruturação política
do Estado brasileiro o homem na sua inteireza, dando-lhe a dignidade
que lhe é inerente.
Com força jurídica plena de significado para os mais
desassistidos da sorte, para o idoso que verteu toda a vida em prol
da construção da sociedade, esta, por meio das ações
integradas descritas na lei maior, assegura-lhes direitos relativos à saúde, à Previdência
e à assistência social.
No Tribunal Regional Federal da 3ª Região, esperam decisão
definitiva em termos de matéria previdenciária cerca
de 180 mil processos, número que tende a aumentar ao serem julgadas
ações pelos juízes federais e estaduais, estes últimos
em cidades que não têm varas da Justiça Federal.
É demanda reprimida que gera perplexidade e irresignação
em milhares de beneficiários, apesar do enorme esforço
feito pelo tribunal para que esse estoque tenha baixa definitiva. Para
responder à sociedade, foi firmada importante parceria entre
o TRF-3 e a Previdência, coordenada pelo CNJ, para rápido
equacionamento das demandas, de início em relação à aposentadoria
rural e aos benefícios assistenciais por meio da conciliação,
feita agora em segundo grau (recurso), um grande avanço. Serão
levados de início à mesa de negociação
45 mil processos.
Ganhamos todos. Os segurados, pela imediata resolução
de sua questão, com a implantação imediata de
benefícios e eventuais valores pagos; e o Judiciário,
porque envia à sociedade os sinais mais efetivos de sua atuação
firme e voltada ao interesse público. Ganha igualmente o INSS,
porque não terá que arcar com os pesados ônus da
morosidade, com juros e correção monetária. Estanca-se
o sangramento dos cofres públicos.
Estanca-se a angústia do cidadão que há anos
espera a decisão definitiva dessas ações.
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Revista Consultor Jurídico, 18 de
maio de 2008
Para CJF, contribuição
previdenciária não incide sobre adicional de
férias
O CJF (Conselho da Justiça Federal) aprovou o entendimento segundo
o qual não incide contribuição previdenciária
sobre a totalidade do adicional de férias, e não apenas
quando se trata de retribuição pelo exercício de
função comissionada ou cargo em comissão.
A regra se aplica aos magistrados e servidores da Justiça Federal
de primeiro e segundo graus. A decisão do CJF foi dada em sessão
realizada nesta sexta-feira (16), na Seção Judiciária
do estado de Alagoas, em Maceió.
O entendimento altera o art. 12, § 2º, da Resolução
nº 585/2007. O pedido de esclarecimento foi feito pela Presidência
do Tribunal Regional Federal da 4ª Região quanto à incidência
da contribuição previdenciária sobre o adicional
de férias.
O pedido apontou aparente conflito entre a resolução,
a qual determina que não incidirá contribuição
previdenciária sobre o adicional de férias no que se
refere à retribuição pelo exercício de
função comissionada ou cargo em comissão, e as
decisões do Pedido de Providências nº 1328 e nos
Procedimentos de Controle Administrativo nºs 183 e 184, do Conselho
Nacional de Justiça, no sentido de não incidência
de contribuição previdenciária sobre a totalidade
do adicional de férias.
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