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Agência Diap, 20 de
maio de 2008
EMPREGABILIADE
Emprego em abril continua crescendo,
mas cai em comparação com 2007
O número de empregos formais
no País teve queda de 2,47% em abril, em relação
ao mesmo mês do ano passado, embora tenha registrado pequena alta
em relação a março deste ano, de 1%. Os dados são
do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), pesquisa realizada
mensalmente pelo Ministério do Trabalho.
Foram gerados 294.522 empregos com carteira assinada em abril deste ano, contra
301.991 no mesmo período do ano passado. No quadrimestre, o crescimento
do número de vagas foi de 2,93%, totalizando 848.962 empregos formais.
No acumulado dos últimos 12 meses, a alta foi ainda maior, 6,29%, totalizando
1,764 milhão de empregos formais.
Apesar da pequena queda em abril, o
ministro do Trabalho, Carlos Lupi, espera bater a marca de 1 milhão
de novos empregos formais estimada para o primeiro semestre já em
maio. A expectativa para 2008 continua sendo de 1,8 milhão
de novos postos de trabalho com carteira assinada.
Salário e sindicato
Por outro lado, o aumento crescente dos salários tem relação
com o incremento do emprego. A correção anual dos pisos salariais
das categorias que trabalham em atividades de baixa qualificação "exigem
uma estratégia dos sindicatos para que eles [os trabalhadores] tenham
uma remuneração mais justa, a exemplo da luta política
que foi travada pelas centrais sindicais em relação ao salário
mínimo".
Esse é o entendimento do coordenador de Relações Sindicais
do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos
(Dieese), José Silvestre de Oliveira, ao comentar o balanço divulgado
hoje (12) pelo órgão, sobre os pisos fixados para as diversas
categorias de trabalhadores, no ano passado.
Ele destaca que, em geral, as categorias que ganham pisos salariais são
minorias nas folhas de salários das empresas e lembra que os dados do
Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério
do Trabalho, apontam que cerca de 60% da classe trabalhadora ganha até três
salários mínimos. Mas, para o economista, apesar dos pisos salariais
não estarem sendo reajustados no mesmo patamar do salário mínimo,
os trabalhadores vêm tendo ganho de massa salarial.
Qualificação
Oliveira chama atenção para o fato de que o piso salarial, quase
sempre, é concedido a trabalhadores que estão começando
numa categoria, enquanto os mais qualificados são mais bem pagos. Os
setores onde se ganha menos, nas zonas urbanas, conforme o economista, são
a construção civil e a indústria de confecção
e vestuário. "Em áreas mais estruturadas, como a química
ou metalúrgica, os salários, certamente, são mais altos",
disse.
De acordo com o Dieese, no ano passado, o maior piso negociado foi no segmento
metalúrgico, que ficou em R$ 3.230 para o cargo de engenheiro, ramo
em que os salários variam, normalmente, entre 1 e 8,5 salários
mínimos.
O economista do Dieese ressaltou que os pisos salariais são diferenciados
nas diversas regiões do país, mas que, na média nacional,
o setor de metalurgia, registrou piso de 2,07 salários mínimos.
Na região Sudeste, a maior média de piso aferida, no ano passado,
foi de 1,58 salário mínimo e, na região Norte, está a
menor média de piso salarial, que foi de 1,18 salário mínimo.
(Com Radiobrás)
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AGÊNCIA DIAP, 20 de
maio de 2008
Altamiro Borges: O cerco midiático
ao sindicalismo
A mídia burguesa resolveu
declarar guerra aberta ao sindicalismo brasileiro. Todos os dias algum
sindicato ou central ocupa as manchetes de jornais e revistas e fartos
espaços nas telinhas da TV. Há poucos meses a vítima
foi a CUT, com denúncias de desvio de verbas públicas da
Federação da Agricultura Familiar de Santa Catarina – alvo
de investigação na CPI da ONGs. Agora, a bola da vez é a
Força Sindical, bombardeada com acusações de corrupção
no uso de recurso do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES). A revista Veja, que não é flor que se
cheire, deu até uma capa tenebrosa contra o presidente desta central,
o deputado Paulo Pereira.
Por
Altamiro Borges*
O cerco midiático ao sindicalismo,
abanado por alguns setores de esquerda, não é algo ingênuo.
Ele não visa contribuir para o justo debate sobre o fortalecimento
das organizações de classe dos trabalhadores, inclusive
com a depuração do que há de podre neste meio. Muito
pelo contrário. O objetivo da mídia hegemônica, que
só os ingênuos e os sectários não enxergam, é estigmatizar
as entidades sindicais. Os ataques são duros, mas as provas são
escassas. O que fica para o receptor da mensagem, porém, é que
todo o sindicalismo é corrupto, vendido e fisiológico.
Bem ao estilo dos recorrentes ataques “éticos” ao
MST, esta ofensiva visa criminalizar o movimento sindical.
Motivos da recente histeria
Os ataques também não
ocorrem por acaso. Surgem numa hora em que há sinais de retomada
da capacidade de pressão do sindicalismo. Em decorrência
do tímido crescimento da economia e do clima de maior democracia
no país, nos últimos anos houve uma interrupção
na queda da taxa de sindicalização. Ela cresceu de 16,73%,
em 2001, para 18,35%, no final de 2005. A maior geração
de emprego também aumentou o poder de barganha dos trabalhadores.
Segundo o Dieese, no ano passado quase 90% das categorias conquistaram
aumento salarial acima da inflação e derrotaram várias
regressões trabalhistas, como o banco de horas – um fato
inédito nas últimas décadas.
Fruto desta nova realidade, mais
favorável à luta dos trabalhadores, o sindicalismo tem
arrancado importantes conquistas institucionais – como o veto presidencial à Emenda-3
da precarização do trabalho, a legalização
das centrais, o envio para a ratificação das convenções
151 (que garante o direito de negociação coletiva aos servidores
públicos) e 158 (que proíbe a demissão imotivada)
da OIT. Percebendo os novos ventos e revelando maior maturidade, as centrais
sindicais se unem e preparam nova ofensiva para conquistar a estratégica
redução da jornada. Os protestos unitários de 28
de maio inclusive podem ser o estopim de uma greve geral nacional pelas
40 horas.
Fraqueza reveladora do Estadão
Estas razões políticas – e
não os motivos éticos de um udenismo rastaqüera – é que
explicam este novo cerco midiático ao sindicalismo. Preventivamente,
a nata da burguesia que controla a mídia tenta abortar a possibilidade
da retomada da capacidade de pressão sindical dos trabalhadores.
As emissoras privadas de TV no seu linguajar mais rebaixado abordam apenas
as emotivas questões éticas para satanizar os sindicatos – são
os imorais falando de moral. Já os jornais e revistas, nos seus
editorais e reportagens de fundo, apresentam os verdadeiros motivos da
atual campanha de fustigamento do sindicalismo. Não é preciso
muito esforço para entender a sua hábil manobra.
O jornal O Estado de S.Paulo,
que tem a virtude de não esconder o que pensa, recentemente fez
longa reportagem sobre o tema. “Era Lula consagra a república
sindical”, estampou a manchete, retomando o velho bordão
dos golpistas de 1964. No texto, ele explicita as razões dos temores
da famíglia Mesquita. “Com a regulamentação
das centrais, o presidente Lula acaba de consagrar o seu governo como
o que mais benefícios concedeu aos sindicalistas. Cinco anos após
sua eleição, mais de uma dezena de conquistas podem ser
listadas, como reflexo direto de suas origens, mas também da massiva
ocupação de cargos no comando da máquina federal
por ex-sindicalistas”.
A lista das conquistas sindicais
No box sugestivamente intitulado
de “sindicalistas no poder”, o jornalão questiona
o fato de que hoje 45% dos cargos de alto comando no governo Lula serem
ocupados por sindicalizados, como se a sindicalização fosse
um crime no reino do individualismo capitalista. O artigo também
tenta desqualificar os dirigentes sindicais que ocupam posições
de destaque nesta gestão – numa prova cabal de preconceito
de classe, de nojo do trabalhador, como se somente a elite burguesa tivesse
competência para exercer o poder. Mas o que causa maior irritação
no jornalão conservador são as conquistas dos trabalhadores
no atual governo. A lista apresentada é emblemática:
“Acordo com o governo de
reajuste [salário mínimo] até 2023 indexado ao aumento
da inflação, mais a variação do PIB; acordo
para correção da tabela do Imposto de Renda, estagnada
desde o governo FHC; criação das centrais oficialmente,
que passam a receber parte do dinheiro arrecado com o imposto sindical;
edição da medida provisória 388, que modifica as
regras para o trabalho aos domingos no comércio; oficialização
da participação do movimento sindical nos conselhos do
Sesi, Senai, Sesc e Senac [Sistema S]; envio ao Congresso das convenções
151 e 158 da OIT; retirada do projeto de lei que estava no Congresso
alterando a CLT; impedimento do andamento das propostas de reforma sindical
e da Previdência, por falta de entendimento com os patrões”.
O falso ecletismo da Folha
Se o Estadão prima pela
fraqueza, já a Folha de S.Paulo ainda tenta enganar os incautos
com seu patético ecletismo. Em menos de um mês, publicou
dois editorias marotos contra o sindicalismo. No mais recente, intitulado “acabou
em farsa”, o jornal da famíglia Frias, que apregoou o golpe
militar e apoiou a ditadura – inclusive doando as suas peruas para
transportar presos políticos à tortura –, aparece
travestido de defensor da liberdade sindical. No seu cinismo, ele critica
a Lei 11.648, de 31 de março, que garantiu a legalização
das centrais. Para o jornal, esta lei “atrelou as finanças
das centrais ao Estado, a pretexto do seu ‘reconhecimento’ legal.
As agremiações ganharam o direito a um quinhão do
imposto sindical – tributo que é o pilar da tutela varguista”.
Para a mídia burguesa,
que se locupleta com fartas verbas da publicidade estatal e com sinistros
subsídios públicos, o sindicalismo dos trabalhadores deveria
viver à mingua, sem recursos para desenvolver suas lutas. Para
ela, os sindicatos deveriam subsistir somente com as contribuições
voluntárias dos sócios – de preferência, sem
desconto na folha de pagamento – num mundo em que impera a ditadura
das fábricas, a perversa rotatividade no emprego e o elevado desemprego.
Falsa, ela divulga que apenas no Brasil os sindicatos contam com tributos,
escondendo que na maioria dos países há leis de apoio à ação
sindical – como os fundos de solidariedade na Europa.
No segundo editorial, “teoria
e prática sindical”, a Folha prega a imediata adoção
da Convenção 87 da Organização Internacional
do Trabalho, que abre brechas para a implantação do pluralismo
sindical no Brasil. “O caminho para promover a verdadeira reforma
sindical, que de fato elimine a indevida tutela estatal, é a [ratificação]
da Convenção 87. O documento, que era defendido pela CUT
até a chegada de Lula ao poder, preconiza a eliminação
das contribuições compulsórias e da unidade sindical”.
Tal contrabando seria “a base de todo o sindicalismo independente”.
Como se observa, a mídia burguesa sabe o que quer – diferentemente
de algumas correntes de esquerda.
* Altamiro Borges é jornalista,
membro do Comitê Central do PCdoB e autor do livro recém-lançado “Sindicalismo,
resistência e alternativas” (Editora Anita Garibaldi).
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AGÊNCIA DIAP, 20 de
maio de 2008
TRABALHO ESCRAVO
Centrais e movimentos sociais se mobilizam
para aprovar PEC 438/01
Com apoio das centrais sindicais e dos movimentos sociais será realizado,
nesta quarta-feira (21), encontro para lançar a frente nacional contra
o trabalho escravo.
A frente será formada
por centrais, parlamentares e entidades da sociedade civil. A idéia é que
com a ampla mobilização seja possível aprovar a
PEC 438/01, do ex-senador Ademir Andrade (PSB/PA), ainda neste semestre,
antes do recesso parlamentar e também do início do período
eleitoral.
O encontro será às
14 horas, no plenário 19, da ala Alexandre Costa.
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 20 de maio de 2008 | Dinheiro
Desemprego entre jovens é três
vezes maior do que entre adultos
KAREN CAMACHO
Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online
Um estudo divulgado nesta terça-feira
detalha uma realidade que os jovens já percebem na prática,
a falta de emprego. Segundo pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada), o desemprego entre jovens de 15 a 24 anos é 3,5 vezes
maior do que entre os trabalhadores considerados adultos, com mais de
24 anos. O estudo foi organizado por Jorge Abrahão de Castro e
Luseni Aquino.
A taxa utilizada pelo estudo é de
2005 --para permitir a comparação com outros países--
e apresenta crescimento em relação a anos anteriores. Em
2000, o desemprego dos jovens era três vezes maior ao dos adultos,
em 1995, 2,9 e, em 1990, 2,8 vezes.
O desemprego entre os jovens
no Brasil também é um dos maiores entre dez países
pesquisados, em relação a situação dos adultos,
perdendo para a Itália (3,9), Suécia (3,8) e para o Reino
Unido (3,6).
Abaixo do Brasil estão:
Argentina (3,1), Estados Unidos (2,8), França (2,7), Espanha (2,6),
México (2,4) e Alemanha (1,4).
O índice de desemprego
entre os jovens é de 19%, aponta a pesquisa, a maior dos anos
pesquisados: 18% (2000), 11% (1995), 7% (1990) e 6% (1985).
De acordo com o estudo, o desemprego é maior
entre os jovens porque a demissão desses trabalhadores tem um
custo mais baixo para as empresas e porque, por terem menos experiência,
podem ser considerados menos "essenciais".
O dado, no entanto, é confrontado
pela pesquisa pelo fato de os trabalhadores mais jovens apresentarem,
em média, mais atributos de escolaridade na comparação
com os mais velhos.
Os pesquisadores ressaltam, portanto,
que, em um período de rápida transformação
nos processos produtivos, as empresas podem ver vantagens em contratar
funcionários com menos experiência.
Metade
Em 2005, 46,6% dos desempregados
eram jovens, contra participação de 43,8% em 2000, de acordo
com estudo. Em 1995, no entanto, os jovens eram 51,1% dos desempregados.
Esse índice é o
mais alto na comparação com outros países pesquisados, à frente
de México (40,4%), Argentina (39,6%), Reino Unido (38,6%), Suécia
(33,3%), Estados Unidos (33,2%), Itália (25,9%), Espanha (25,6%),
França (22,1%) e Alemanha (16,3%).
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BEM PARANÁ, 20 de
maio de 2008 | Economia
Brasileiro trabalha 148 dias para pagar
impostos
Somente a partir do dia 28 deste mês, o dinheiro que os trabalhadores
brasileiros recebem poderá ser usado em benefício próprio.
Nos 148 primeiros dias do ano, ou até o dia 27, a população
ainda trabalha para pagar impostos.
O cálculo é do
presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário,
Gilberto Luiz do Amaral. Ao participar de audiência pública
na Comissão Especial da Reforma Tributária da Câmara,
ele disse que o efeito cascata incide sobre todos os produtos e serviços,
sem que nenhum fique livre disso.
Segundo o presidente do IBPT,
o sistema tributário brasileiro é um dos mais caros e complesxo
s do mundo, pois onera tanto o trabalhador quanto a produção.
Amaral citou o exemplo da gasolina, que tem uma carga nominal de 53%,
mas efetivamente essa carga chega a 113%, em função do
efeito cascata.
Ele lembrou que existem
mais de 3,2 mil normas tributárias em vigor no país e,
para que as empresas fiquem em dia com Fisco, existem 97 obrigações
acessórias, que em 2007 retiraram R$ 35 bilhões das empresas,
o que representa 1,5% do faturamento no período. Nas três
esferas de governo, arrecadados R$ 923 bilhões.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
20 de maio de 2008
MPT faz campanha em defesa de direitos
trabalhistas no Rio
Agência Brasil
Procuradores do MPT (Ministério
Público do Trabalho) fazem nesta terça-feira (20/5), na
Central do Brasil, campanha para conscientizar o carioca sobre questões
trabalhistas.
Até as 19h, os 600 mil
cariocas que passam, em média, pela Central poderão se
informar ou denunciar irregularidades nas relações de trabalho
como, por exemplo, a ausência do depósito do FGTS (Fundo
de Garantia por Tempo de Serviço), o pagamento do décimo-terceiro
salário, de férias e do seguro-desemprego.
A procuradora geral do Trabalho,
Guadalupe Louro Couto, uma das idealizadoras da campanha, ressalta a
necessidade de o trabalhador conhecer os direitos que tem para saber
se estão sendo violados.
Por meio da entrega de cartilhas
educativas, a campanha mostra ao trabalhador como atuam cooperativas
fraudulentas, especializadas em sonegar direitos trabalhistas.
"São muitas fraudes
a que temos conhecimento. A principal é a utilização
de cooperativas para sonegar os direitos dos trabalhadores. Mas também
temos outras formas como, por exemplo, a utilização de
pessoa jurídica, porém o trabalho continua sendo executado
com todos os elementos da relação de emprego de pessoa
física", explicou.
Guadalupe Couto explica que nesta
campanha foram investidos R$300 mil, decorrentes de uma multa imposta
pelo MPT a duas empresas no ramo da saúde, que descumpriram a
lei ao contratarem mão-de-obra de cooperados sem garantia de direitos.
O trabalhador que se sentir
lesado pode fazer denúncias anônimas por meio do número
0800 221 331.
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NCST, 20 de maio de 2008
Analistas projetam crescimento econômico
de 4,69% para 2008
Os analistas de mercado aumentaram a projeção para o crescimento
da economia de 4,66% para 4,69%, neste ano. Segundo o boletim Focus, publicação
semanal do Banco Central com base em pesquisa feita com especialistas sobre
os principais indicadores econômicos, a projeção para o
Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos
no país, entretanto, foi mantida em 4%.
De acordo com o boletim, também
foi alterada a expectativa para o investimento estrangeiro direto de
US$ 31 bilhões para US$ 32 bilhões. Para 2009, foi mantida
projeção de US$ 30 bilhões.
A estimativa de saldo da balança
comercial (exportações menos importações)
caiu de US$ 25 bilhões para US$ 24,20 bilhões. Para 2009,
a expectativa também caiu de US$ 16 bilhões para US$ 15
bilhões. Quanto à cotação do dólar
ao final de 2008, a estimativa passou de R$ 1,72 para R$ 1,70.
A projeção para
o déficit em conta corrente, que envolve todas as transações
do Brasil com o exterior, subiu de US$ 19,80 bilhões para US$
20 bilhões, em 2008, e de US$ 25,85 bilhões para U$S 28,65
bilhões no ano que vem.
Para a taxa básica
de juros, a Selic, os analistas mantiveram a projeção
em 13,25%, ao final deste ano e elevaram de 11,25% para 12%, ao fim
de 2009.
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FOLHA DE LONDRINA, 20 de maio de 2008 | Economia
Carteira de crédito da Caixa
cresce 24,5%
Brasília- A carteira de crédito da Caixa Econômica Federal
cresceu 24,5% nos 12 meses encerrados em março, para R$ 53,436 bilhões.
A expansão foi liderada pelas operações do setor habitacional.
Para o ano de 2008, a direção do banco aposta em expansão
da carteira de 30%. Conforme o balanço da Caixa divulgado ontem, as
operações de crédito habitacional lideraram, com evolução
de 23,8%, para R$ 33,871 bilhões. Entre as demais operações
de empréstimos, houve expansão de 19,9% no trimestre na comparação
com igual período de 2007, para R$ 20,198 bilhões.
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Gazeta do Povo, 20 de maio de 2008
Crédito
Consignado tem novas regras
Os saques em espécie com cartão de crédito consignado
estão proibidos. É o que determina instrução normativa
do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) publicada ontem no Diário
Oficial da União. A medida, contudo, só irá vigorar em
15 dias, prazo necessário para que os bancos se adaptem à proibição,
explicou a assessoria do Ministério da Previdência Social. A instrução
normativa, de número 28, baixada para conter fraudes, evitar endividamento
excessivo dos aposentados com o crédito consignado e disciplinar o uso
do cartão de crédito consignado, proibiu também a reserva
de margem no crédito consignado sem autorização prévia
do beneficiário e a oferta de empréstimos com prazo de carência
para início do pagamento.
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Gazeta do Povo, 20 de maio de 2008
Bancos
Lucro da Caixa avança 12,2%,
para R$ 873 milhões
A Caixa Econômica Federal (CEF) registrou lucro líquido de R$
873 milhões no primeiro trimestre de 2008. O resultado é 12,2%
superior que o apurado no primeiro trimestre de 2007. Entre janeiro e março
de 2008 o retorno sobre o patrimônio líquido do banco ficou em
34,7%, ante 35,7% observado no primeiro trimestre de 2007.
Segundo a direção da Caixa, a melhora do resultado no primeiro
trimestre foi possibilitada pelo aumento de 18,5% no resultado da intermediação
financeira, que somou R$ 2,956 bilhões no período. No trimestre,
as despesas com pessoal aumentaram em ritmo menor, de 8,3%, e atingiram R$
1,822 bilhão.
O resultado operacional cresceu 33,8%, para R$ 1,247 bilhão. Segundo
a Caixa, R$ 154 milhões do lucro serão destinados à União
na forma de juros sobre o capital próprio do banco.
Crédito
A carteira de crédito da Caixa Econômica Federal cresceu 24,5%
nos 12 meses encerrados em março, para R$ 53,436 bilhões. A expansão
foi liderada pelas operações do setor habitacional. Para o ano
de 2008, a direção do banco aposta em expansão da carteira
de 30%.
Conforme o balanço, o crescimento foi maior nas operações
de crédito habitacional – 23,8%, para R$ 33,871 bilhões.
Entre as demais operações de empréstimos, houve expansão
de 19,9% no trimestre, na comparação com igual período
de 2007.
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JB ONLINE, 20 de maio de
2008 | Economia
SP: Trabalhadores do setor civil têm
reajuste de 8,51%
SÃO PAULO, 19 de maio de 2008 - Os presidentes do SindusCon-SP (Sindicato
da Indústria da Construção Civil do Estado de São
Paulo), João Cláudio Robusti, da Feticom (Federação
dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário
do Estado de São Paulo), Emilio Alves Ferreira, e de 28 sindicatos de
trabalhadores do interior do estado, assinaram Convenção Coletiva
de Trabalho no último dia 16 de maio.
Pelo acordo, os salários
têm reajuste de 8,51% desde 1º de maio. O salário normativo
aumentou para R$ 628,10 por mês ou R$ 2,855 por hora, para 220
horas mensais. O vale-refeição passou a ser de R$ 10. Alternativamente,
as empresas poderão conceder cestas básicas, que passou
para 30 quilos, com acréscimo de vários produtos.
As demais disposições
da convenção coletiva firmada em 2007 continuam em vigor,
como o valor das horas extras, as exigências para a contratação
de subempreiteiros, o banco de horas, a possibilidade de contratação
de seguro de vida, a possibilidade de opção pelo plano
de saúde do Seconci-SP e a formação de duas comissões
paritárias: uma para a elaboração de propostas que
contribuam para erradicar o déficit habitacional e criar empregos
formais, e outra para discutir metodologias, formas e modalidades de
pagamento da participação dos trabalhadores nos resultados
das empresas.
As disposições
da convenção valem para os municípios abrangidos
pelos sindicatos de trabalhadores da construção civil de
Araras, Araraquara, Assis, Barra Bonita, Barretos, Campos do Jordão,
Capivari, Cruzeiro, Duartina e região, Franca, Itapeva, Itatiba,
Itu, Jaboticabal, Jaú, Marília, Mirassol e Votuporanga,
Mococa, Mogi Guaçu, Estiva, Espírito Santo do Pinhal, Itapira,
São João da Boa Vista, Aguaí e Santo Antonio do
Jardim (SP), Ourinhos, Panorama, Piracicaba, Presidente Prudente, Registro,
Ribeirão Preto, São Carlos, São José do Rio
Preto e Sorocaba e região.
O SindusCon-SP continua em negociações
com outros sindicatos do interior do Estado, com vistas à assinatura
de novos acordos. A convenção coletiva para os trabalhadores
da capital paulista já foi assinada, também com reajuste
de 8,51%.
(Redação - InvestNews)
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Gazeta do Povo, 20 de maio de 2008
Financiamentos
Um empurrão para a casa própria
Mais prazo e juros menores. Mudanças
no sistema de crédito imobiliário beneficiaram, em
especial, a classe média
A arquiteta Andréa
Turra e a família estão há uma semana curtindo
a casa nova, seu primeiro imóvel próprio – um
sobrado no Campo Comprido, recém comprado por meio de um
financiamento pela Caixa Econômica Federal. Os R$ 85 mil
financiados serão pagos em 15 anos, em parcelas decrescentes
que começam agora em R$ 1.282. “Fizemos as contas
e percebemos que o valor da parcela é equivalente ao que
pagaríamos de aluguel”, conta.
Andréa faz parte de um grupo de pessoas que não pára de
crescer: aquele formado por brasileiros que, fazendo a mesma conta, trocaram
o aluguel por um carnê de financiamento habitacional. Embora ainda represente
uma fatia pequena do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o volume de crédito
imobiliário concedido no país está perto dos recordes
da década de 80. A estimativa da Associação Brasileira
das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) é de
que 250 mil unidades sejam financiadas ao longo deste ano.
O setor vive um período de forte expansão, que ganhou fôlego
ainda maior ao longo do ano passado graças a uma série de mudanças
nas suas regras. Alterações de prazos e de taxas que beneficiaram,
em especial, a classe média. “Meus pais, que compraram o imóvel
deles no passado e me ajudaram agora, puderam sentir a diferença. Está bem
mais fácil agora do que há 10 anos”, diz Andréa.
“ As mudanças decorreram do momento conjuntural que o país
vive, de estabilidade econômica, redução da inflação
e de uma legislação mais adequada para o setor”, diz o superintendente
geral da Abecip, José Pereira Gonçalves. “Com isso, os bancos
tiveram condições de aumentar os prazos e diminuir os juros.” Para
o superintendente, a condição é muito favorável para
quem pretende comprar um imóvel – “como há muito tempo
não se vê”.
A ampliação de prazo começou pela Caixa Econômica
Federal e foi seguida por instituições privadas. Em setembro
do ano passado, o banco aumentou de 20 para 30 anos o prazo máximo dos
financiamentos. Outra mudança importante foi a concessão de crédito
para famílias com renda mensal superior a R$ 4,9 mil – até então,
trabalhadores acima dessa faixa de renda não podiam obter crédito
imobiliário com recursos do Fundo de Garantia. A vantagem de usar os
recursos do FGTS é o juro mais baixo.
Na última semana a Caixa anunciou outra mudança: será possível
financiar até 100% do imóvel, por até 30 anos, utilizando
o programa Carta de Crédito FGTS. Essa linha utiliza recursos do Fundo
sem necessidade de depósitos na conta do FGTS para contratar o serviço.
Antes da mudança, o financiamento era de até 90% para pagamento
em até 25 anos e, de 80%, para até 30 anos.
“ As classes média e média baixa foram as mais beneficiadas.
Hoje elas têm acesso a financiamentos com juros de cerca de 6% ao ano,
mais TR. São taxas similares às dos países desenvolvidos”,
diz a diretora da área de pesquisas de mercado da Ademi Paraná,
Ana Paula Ribeiro Tocci.
Volume
Nos três primeiros meses deste ano, o volume de contratações
de crédito imobiliário via Sistema Brasileiro de Poupança
e Empréstimos (SBPE), que usa recursos da caderneta de poupança,
totalizou R$ 5,48 bilhões. Segundo a Abecip, o número é 88%
maior do que o registrado no mesmo período do ano passado e supera o
montante de todo o ano de 2005 – quando foram contratados R$ 4,85 bilhões.
Em abril, os financiamentos alcançaram R$ 2,049 bilhões – o
segundo melhor mês já registrado, inferiores apenas às
de novembro do ano passado, quando chegaram a R$ 2,38 bilhões.
Só os mutuários da Caixa Econômica tiveram a sua disposição,
ao longo do ano passado, R$ 8,1 bilhões em recursos do Fundo de Garantia
por Tempo de Serviço (FGTS) – 6,9% a mais que o valor aplicado
em 2006 –, R$ 5,9 bilhões do SBPE (um crescimento de 53%) e R$
1,2 bilhão referente a aplicações de outros recursos.
Mais simples
Abaixo, algumas mudanças recentes no financiamento imobiliário.
Usando o FGTS
Renda – O limite de renda para financiamentos foi extinto no ano passado.
Agora, basta ser cotista do fundo há mais de três anos.
Teto – Os imóveis podem ter valor de mercado de até R$
350 mil, em qualquer lugar do país, com crédito limitado a R$
245 mil.
Juros – A nova taxa, que entrou em vigor em janeiro, é de 7,66%
ao ano acima da TR.
Fontes – Bancos privados já podem oferecer financiamento com recursos
do FGTS.
* * * * * *
Pela Caixa Econômica
Prazo – O tempo máximo de financiamento aumentou de 20 para 30
anos nas operações com recursos da poupança.
Faixa – Foi criada uma terceira faixa de valor para imóveis financiados
pelo SFH. Com isso, foi possível diminuir a taxa de juros para imóveis
entre R$ 130 mil e R$ 200 mil.
Taxas – O custo do seguro habitacional caiu 35%, e a taxa de administração
baixou de R$ 25 para R$ 21,43.
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Folha de S. Paulo, 20 de
maio de 2008
Governo diz que nova CPMF será atribuição
do Congresso
Planalto afirma que sem receita para verbas
extras da saúde vai vetar a emenda 29 | Presidente Lula determina
que a negociação sobre o tema deverá ser conduzida
pelo ministro José Múcio, e não por Guido Mantega
LETÍCIA SANDER
VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Por determinação
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo jogou para
o Congresso a responsabilidade de apontar uma fonte para financiar projetos
da área da saúde e, se houver acordo, recriar um imposto
nos moldes da extinta CPMF. Caso contrário, vetará o aumento
de verbas da saúde sem previsão de receita.
O tema tomou a maior parte da reunião de Lula com seus principais subordinados,
na manhã de ontem. Depois de duas horas de debates, coube ao ministro
José Múcio (Relações Institucionais) o anúncio
de que não partirá do Planalto, pelo menos oficialmente, a idéia
de recriar a CPMF.
" Nós não vamos interferir. O governo vai aguardar que a Casa
[o Congresso] dê uma solução. Não queremos reviver
a situação que vivemos em dezembro [quando a CPMF foi extinta,
depois de uma derrota do governo no Senado]", disse.
Na semana passada, ministros e líderes reuniram-se reservadamente e
discutiram a possibilidade de o governo apresentar a proposta da recriação
da CPMF, mas com uma alíquota menor, de 0,08%.
Ficou decidido que a idéia seria apresentada ao presidente, que não
quis patrociná-la. Lula concorda com a proposta, mas avalia não
ter sentido bancá-la como se fosse do governo devido à derrota
do ano passado.
Durante a reunião, Lula foi questionado se o Planalto deveria anunciar
que vetaria a proposta de aumento das verbas para a saúde caso não
seja aprovada a receita específica. "Não precisamos criar
um clima de animosidade, tenho certeza de que o Congresso vai fazer tudo de
forma sustentável", respondeu. Acrescentou, porém, que o
veto será necessário se não for aprovada a receita para
bancar as verbas extras da saúde.
O presidente determinou ainda que as negociações sobre o tema
deverão ser conduzidas pelo ministro José Múcio, com o
ministro Guido Mantega (Fazenda) fora da "linha de frente" das conversas
com a Câmara.
Segundo Múcio, o governo não tem verba para arcar com os compromissos
previstos na chamada emenda 29, já aprovada no Senado e na pauta de
votação da Câmara. O projeto prevê mais dinheiro
para a saúde até 2010. Somente neste ano, se aprovado, o orçamento
da saúde saltará de R$ 48,5 bilhões para R$ 58,4 bilhões.
A estratégia definida ontem no Palácio do Planalto, de aprovar
a idéia sem participar diretamente da cooptação de votos,
ficou explícita nas declarações de Múcio. "O
governo verdadeiramente, oficialmente, não vai propor. Em sendo aprovada
[a recriação do imposto], a vitória é do Parlamento.
Em não sendo, a conseqüência também é do Parlamento",
disse.
Na Câmara, o PT diz que pode apresentar uma proposta para a criação
de um novo imposto. "Já solicitei estudos para a apresentação
de um projeto que crie uma nova contribuição sem a necessidade
de uma PEC.
Se não tiver jeito, no entanto, estou disposto a "ser o pai" [de
uma PEC], pois apenas o aumento de tributação em cima do cigarro
não seria suficiente [para arcar com as despesas da emenda 29]",
afirmou o líder do PT na Casa, Maurício Rands (PE). O líder
do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), disse que só apoiará a
criação de um novo tributo com a prova do governo de que o fundo
seria destinado exclusivamente para a saúde.
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Folha de S. Paulo, 20 de maio de 2008
Lula volta a reclamar de veto à CPMF
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
No mesmo dia em que o governo negou oficialmente que vai propor a recriação
da CPMF, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, em solenidade
com prefeitos, senadores da oposição responsáveis pela
derrubada do imposto do cheque.
Lula mostrava aos prefeitos a maquete com o modelo de creches que serão
financiadas pelo governo federal, quando afirmou: "Quando a gente fizer
esta creche [...] a gente vai pegar os ministros da área econômica,
os senadores que votaram contra a CPMF e a gente vai levar[...] E eles vão
perceber que é preciso mais dinheiro", afirmou. "Vão
perceber o que nós poderíamos fazer com R$ 40 bilhões
a mais por ano no Orçamento e o que vamos deixar de fazer", disse
se referindo à previsão de arrecadação da CPMF
neste ano.
Mais de 2.000 prefeitos estavam na solenidade que comemorou um ano do lançamento
Plano de Desenvolvimento da Educação.
O tema CPMF voltou aos discursos de Lula neste mês, justamente no momento
em que, nos bastidores, se discute a recriação do imposto.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
20 de maio de 2008
Fazendeiro é condenado por uso
de mão-de-obra escrava no Maranhão
Agência Brasil
A Justiça Federal do Maranhão
condenou a 14 anos de prisão o fazendeiro Gilberto Andrade, por
manter trabalhadores em situação análoga à escravidão
em suas fazendas. Gilberto já respondia a vários processos
por trabalho escravo no Maranhão e no Pará, onde ele foi
acusado de marcar a ferro um dos trabalhadores, que reclamou da má qualidade
da comida e da falta de pagamento dos salários.
No Maranhão, existem sete
processos criminais contra o fazendeiro, todos por manter pessoas em
situação de trabalho escravo. “Os trabalhadores eram
mantidos em situação desumana de trabalho, no meio do mato,
sem comida ou com comida muito precária, sem água potável,
sem lugar para dormir, sem um lugar higienizado, sem moradia, com banheiro
e água, seja para tomar banho, seja para a sua higiene pessoal,
seja para matar a sede”, informou o procurador da República
no Maranhão, José Leite Filho. Segundo ele, o fazendeiro é um
das primeiras pessoas no país a terem registro de trabalho escravo,
em 1979.
Em 2005, Gilberto Andrade teve
sua prisão preventiva decretada, mas foi solto, porque o Tribunal
Regional Federal da 1ª Região, sediado em Brasília,
entendeu que o crime era estadual, anulou o processo e o encaminhou à Justiça
Estadual.
Esse foi o primeiro processo
concluído contra Gilberto Andrade. “A prisão não
foi especificamente por conta dessa condenação, a prisão
dele aqui no Maranhão foi por conta dos inúmeros processos
que ele tem contra si, como o de redução à condição
análoga à de escravo, crime de ocultação
de cadáver e de aliciamento de trabalhadores, além da multa
de 7,2 mil salários-mínimos, no valor vigente à época
dos crimes. E desse fato novo no Pará que ele foi novamente encontrado
com trabalhadores em situação de escravidão”,
disse o procurador.
De acordo com o procurador
José Leite Filho, o crime de trabalho escravo não é um
privilégio das regiões Norte e Nordeste. “Bolivianos,
peruanos, paraguaios são submetidos a situações
desumanas ou degradantes de trabalho em São Paulo, no Nordeste
e Norte. Isso ocorre por conta da situação precária
geral em que vive a população no interior no campo, que
se vê obrigada a aceitar qualquer coisa para trabalhar”,
disse o procurador.
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CONSULTOR JURÍDICO,
20 de maio de 2008
Situação excepcional
Doença justifica antecipação
de créditos trabalhistas
Um trabalhador deve ter sua indenização no valor de R$ 18 mil
antecipada para pagar o tratamento de uma filha que sofre de doença
grave. A decisão é do juiz Luiz Aparecido Ferreira Torres, do
núcleo de conciliação do Tribunal Regional do Trabalho
23ª Região (Mato Grosso). O credor aguardava na fila a sua vez
para receber os créditos a que tinha direito. A garota precisa se tratar
fora do estado.
O processo faz parte dos débitos
deixados pela Cotrapuc, cooperativa de trabalho que congregava prestadores
de serviço da Sanecap, empresa de saneamento de Cuiabá.
A empresa municipal assumiu os débitos.
O juiz Torres afirmou que, por
se tratar de situação excepcional de doença grave
e considerando o princípio constitucional da dignidade da pessoa
humana "não vê este juízo outra alternativa
para a solução deste caso em que o exequente demonstra
através da juntada de laudos médicos que se trata de uma
necessidade além de gravíssima também de extrema
urgência.”
Segundo o juiz, a liberação
não prejudica a ordem de recebimento dos demais credores, uma
vez o dinheiro usado na antecipação não saiu do
repasse mensal feito pela empresa e sim de saldo disponível em
conta judicial oriundo de depósitos recursais feitos pela Sanecap.
Processo 00649.1998.002.23.00-9
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
20/05/2008
Estabilidade sindical não se aplica
a membro de conselho
A estabilidade a dirigente sindical, prevista na CLT, não se estende
a membros eleitos para o conselho fiscal. Com esse entendimento, a Seção
I Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior
do Trabalho negou provimento a recurso interposto por ex-empregada do jornal
Correio Braziliense.
Ela havia entrado com ação
trabalhista contra o jornal requerendo, entre outros itens, a anulação
de sua dispensa, sustentando que sua condição de membro
do conselho fiscal do sindicato da categoria lhe asseguraria estabilidade
no emprego. Após ter seu pedido negado, em sentença da
11ª Vara do Trabalho de Brasília (DF), a ex-empregada recorreu
ao Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (DF/TO). Mantida
a decisão, ela apelou ao TST.
A questão foi analisada,
inicialmente, em recurso de revista julgado pela Terceira Turma, que
negou provimento ao recurso, destacando que a estabilidade sindical é garantida
apenas aos membros titulares da diretoria do sindicato. Para contestar
essa decisão, a ex-empregada interpôs embargos à SDI-1,
sustentando que o artigo 522 da CLT garante estabilidade provisória
a seis membros do conselho fiscal (três titulares e três
suplentes).
O relator na SDI-1, ministro
Brito Pereira, observou que a lei, ao estabelecer diferenciação
entre as funções e competências dos membros do conselho
fiscal e de diretores do sindicato, limita a estes a aplicação
da estabilidade. “De fato, a intenção do legislador
foi garantir aos dirigentes sindicais que defendem os interesses da categoria
perante os poderes públicos e as empresas, a estabilidade pretendida”,
assinala Brito Pereira.
O ministro também acentuou
que o TST esclareceu a controvérsia sobre o assunto por meio da
Súmula 369, que dispõe: “O artigo 522 da CLT, que
limita a sete o número de dirigentes sindicais, foi recepcionado
pela Constituição Federal de 1988”. Não estando
inserida neste limite, a autora da ação não é beneficiária
da estabilidade provisória, concluiu. (E-RR-1258/2001-011-10-00.1)
Ribamar Teixeira
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20/05/2008
Contratado sem concurso público,
empregado é demitido
A Oitava Turma do Tribunal Superior
do Trabalho entendeu nula a contratação sem concurso público,
após a Constituição Federal de 1988, de vigia da
Agespisa – Água e Esgotos do Estado do Piauí S/A.
Com a nulidade do contrato, o trabalhador tem direito apenas ao salário
correspondente ao período trabalhado e aos valores do FGTS. Contratado
em julho de 2002, o empregado trabalhava em turnos de revezamento (trabalhava
num dia e folgava no outro). Na reclamação trabalhista,
afirmou que a empresa nunca assinou sua CTPS e o demitiu, sem justa causa,
em abril de 2005.
Sua alegação era
a de que a Agespisa tentou mascarar uma falsa prestação
de serviços sem vínculo empregatício ao impor ao
empregado o recolhimento, mês a mês, de verba relativa ao
ISS – Imposto sobre Serviços –, como se ele fosse
prestador autônomo de serviços. Esse fato, segundo ele,
gerou descontos e perda salarial, pois os recolhimentos eram da ordem
de cinco por cento sobre o salário mensal, incidindo sobre tais
verbas os descontos previdenciários.
Na Justiça do Trabalho,
o empregado postulou o reconhecimento do vínculo empregatício
e a conseqüente anotação na CTPS, aviso prévio,
13º salário, férias e abono, horas extras, adicional
noturno, FGTS mais multa de quarenta por cento e indenização
de seguro desemprego. A sentença (PI) julgou entendeu caracterizado
o vínculo empregatício.
Tanto o empregado quanto a Agespisa
interpuseram recurso ordinário ao Tribunal Regional do Trabalho
da 22ª Região, que aceitou a justificativa da empresa (sociedade
estadual de economia mista) quanto à nulidade contratual, visto
que o empregado passou a prestar serviços em data posterior à vigência
da atual Constituição Federal. O TRT observou que a contratação
ocorreu quando o concurso público já era exigido para a
investidura em cargo ou emprego público, seja federal, estadual
e municipal, pelo artigo 37, parágrafo 2º, da Constituição
Federal de 1988. Manteve, no entanto, a condenação ao pagamento
de férias, 13º, adicional noturno, horas extras e a devolução
dos valores descontados a título de ISS.
A empresa recorreu então
ao TST, sob o argumento de que, uma vez compreendida a nulidade do contrato
de trabalho, o empregado faz jus somente ao pagamento da contraprestação
pactuada pelos dias trabalhados e os depósitos do FGTS. A Turma
seguiu o voto da relatora, ministra Maria Cristina Peduzzi, e restringiu
a condenação ao pagamento das horas totais de trabalho,
e à devolução dos descontos do ISS e dos depósitos
referentes ao FGTS. (RR-389/2005-101-22-00.0)
Lourdes Côrtes

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