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Agência Diap, 23 de maio de 2008
SAÚDE DO TRABALHADOR
Juízes debatem acidente de trabalho
e doenças ocupacionais
A Associação Nacional dos Magistrados da Justiça
do Trabalho (Anamatra), realizará em agosto "Seminário
Nacional sobre Acidente de Trabalho e Saúde Ocupacional" em
parceria com a Amatra 2, a Escola da Magistratura da 2ª Região,
a Associação Brasileira de Advogados Trabalhistas (Abrat),
e a Ordem dos Advogados do Brasil.
O evento acontecerá em São Paualo contará ainda
com o apoio da Associação Latino-Americana de Juízes
do Trabalho (ALJT), da Associação Luso-Brasileira dos
Juristas Trabalhistas (Jutra) e da Associação Latino-Americana
de Juízes Trabalhistas.
A data e o local do evento estão sendo definidos pela comissão
organizadora e serão divulgadas em breve, no site da Anamatra
e das demais entidades promotoras e parceiras.
Reflexão
O evento tem como objetivo suscitar debate e reflexão acerca
das importantes questões que envolvem não só o
julgamento de processos que envolvem os acidentes e doenças
ocupacionais, mas também a fiscalização do trabalho
e do infortúnio.
"É importante que os magistrados fiquem atentos para a
divulgação da data do evento, de maneira que possam viabilizar
a participação no seminário", explica a diretora
de ensino e cultura da Anamatra, Fátima Stern, lembrando que
a Anamatra encaminhará ofício aos tribunais, destacando
a relevância do tema e da participação dos magistrados.
A sede do evento foi escolhida em face do grande número de
processos que tramita na Justiça do Trabalho de São Paulo,
versando sobre o adoecimento ocupacional. “Certamente será uma
oportunidade única de discutir o tema - atribuído à Justiça
do Trabalho após a Emenda 45 -, em face da realidade jurídica
e social de nosso Estado", afirma Sônia Lacerda, presidente
da Amatra 2.
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Agência Brasil, 23 de maio de 2008
Proibição de candidatos
processados volta à pauta do TSE
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE)) terá que reexaminar
a questão do registro de candidatos processados criminalmente
ou por improbidade administrativa, na medida em que o tema volte à Corte
sob a forma de processo, o que deverá acontecer devido à proximidade
das eleições municipais de outubro.
A opinião foi manifestada pelo presidente do TSE, ministro
Carlos Ayres Brito, após receber nesta quarta-feira (21) a Carta
de Brasília, com as conclusões do IV Senaje (Seminário
Nacional de Juízes, Promotores e Advogados). Entre elas, um
pedido para que a Justiça Eleitoral avalie a vida pregressa
dos candidatos, caso a caso, "com base em critérios objetivos,
observando-se o devido processo legal para acolher ou não os
pedidos de registro de candidatura".
O ministro recebeu a Carta de uma comissão de representantes
dos participantes do seminário, que foram ao seu gabinete no
Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar o documento. Ayres Brito
não quis dizer se é favorável à mudança
da regra atual, que permite o registro de candidatos com esse tipo
de processo na folha corrida, porque estaria antecipando seu voto num
julgamento futuro. Porém, lembrou que, em setembro de 2006,
votou contra a concessão de registro no julgamento do processo
do presidente do Vasco e ex-deputado Eurico Miranda.
" Eu me reservo para estudar e decidir no momento oportuno quanto
a essa questão", acrescentou o ministro. A Carta contém
outros dois pontos. No primeiro, defende a preservação
da Lei nº 9840-99, fruto de iniciativa popular, especialmente
quanto à execução imediata de decisões, à configuração
das condutas vedadas, independentemente da potencialidade lesiva, e à garantia
de prioridade na tramitação aos feitos eleitorais que
envolvam atos de corrupção eleitoral como forma de garantir
a celeridade. No segundo ponto, o documento alerta que é preciso
fortalecer os mecanismos de democracia direta.
Para tanto, a Carta sugere à Justiça Eleitoral a criação
de instrumentos que possibilitem a coleta de assinaturas dos cidadãos
nos cartórios eleitorais respectivos, como forma de viabilizar
a participação de todos nos projetos legislativos de
iniciativa popular, sem prejuízo de outras formas de mobilização
social para a reunião das assinaturas.
Carlos Ayres Brito prometeu fazer a leitura da Carta em sessão
administrativa do TSE e elogiou muito o trabalho dos participantes
do Senaje. O juiz eleitoral do Maranhão Marlon Ayres, um dos
coordenadores do MCCE (Movimento de Combate à Corrupção
Eleitoral), que promoveu o IV Senaje, foi quem entregou a o texto ao
ministro e disse estar certo de que as reivindicações
vão ecoar no Tribunal Superior Eleitoral. O MCCE pretende encaminhar
ao Congresso Nacional um projeto de lei de iniciativa popular, com
assinaturas de 1% do eleitorado brasileiro, para proibir o registro
de candidaturas que tenham problemas com a Justiça.
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Agência Brasil, 23 de maio de 2008
Para diretor da ONU, bioenergia brasileira é exemplo
mundial
A forma como o Brasil desenvolve e usa os biocombustíveis
deve ser seguida por outros países, na avaliação
do diretor-geral da Organização das Nações
Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi), Kandeh Yumkella.
Natural de Serra Leoa, ele atua na sede da Onudi em Viena, na Áustria,
e passou quatro dias em Foz do Iguaçu para participar do Fórum
Global de Energias Renováveis.
Yumkella disse que é preciso ter cuidado para não generalizar
a análise sobre os efeitos dos biocombustíveis na produção
de alimentos. Segundo ele, cada país deve observar a sua realidade,
levando em conta a sustentabilidade da produção de alimentos.
“ Esse é o tipo de diálogo aberto que devemos
ter, em vez de acreditar que todas as formas de bioenergia são
ruins, que é um perigo para a comida, não é verdade”,
disse. Ele acredita que exista relação entre a produção
de bioenergia e o preço dos alimentos, mas afirma que o Brasil
encontrou formas de fazer um balanço entre os estoques e a produção
de combustíveis, além de prestar atenção
nos impactos ambientais.
“ Este é o modelo para o qual devemos olhar. Vocês
sempre investiram em produção de alimentos e agronegócios
ao mesmo tempo em que estavam desenvolvendo o setor de bioenergia.
O modelo de vocês foi muito eficaz”, afirma.
Para Yumkella, o Brasil pode ajudar outros países com experiência
e treinamento na área de energias renováveis e o conhecimento
brasileiro neste setor poderia ser explorado economicamente. “O
Brasil deveria ver alguns países da América Latina e
da África como lugares nos quais é possível aplicar
algumas dessas idéias comercialmente”, disse.
Yumkella disse que saiu “inspirado e encorajado” do Fórum
Global de Energias Renováveis, por ver que existem muitas possibilidades
e que vários países já têm planos nesta área.
Ele defende, no entanto, que os governos invistam mais neste setor
para que as pesquisas sejam melhor desenvolvidas e, em conseqüência,
haja uma redução nos preços.
Ele destacou a forma como o Brasil integra a produção
de energias renováveis com a comunidade agrícola e disse
que os investimentos feitos para o desenvolvimento do etanol poderiam
ser estendidos para outras fontes, como a biomassa.
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Congresso em Foco, 23 de maio de 2008
Cotas e rendimento acadêmico
no Brasil
Bajonas Teixeira de Brito Junior*
Dr.Rameiro veio buscar-me. Não sei por que o chamam de “doutor” e
duvido muito que ele próprio saiba encontrar a razão
desse tratamento. A única explicação verossímil
seria a de que todo brasileiro bem colocado na vida já nasce
com direito a esse título (...). (Von Binzer, Ina, Os Meus Romanos – Alegrias
e Tristezas de uma Educadora Alemã no Brasil, Rio de Janeiro:
Paz e Terra, 1994. Carta de 27 de maio de 1881)
Menciona-se (...) a presença de estudantes de cor já nos
primeiros anos da Escola de São Paulo, aos quais, por sinal,
um dos professores se recusava a cumprimentar alegando que negro não
podia ser doutor. (Carvalho, J.M., A construção da ordem:
a elite política imperial. Brasília: UnB, 1980, p.60)
Uma sociedade em que uns nascem doutores, sem precisar tornarem-se,
e outros não o são, mesmo que se tornem, será um
tanto excêntrica. Por estranho que soe este raciocínio,
que surge do confronto das duas citações acima, nós,
que estamos na Universidade Pública brasileira, sabemos que
isso é assim mesmo. Os alunos, em sua esmagadora maioria, são
crias dos cursinhos. O que é um cursinho? Nada mais que uma
escola de boas maneiras, para a classe média, preparando-a para
este ambiente exclusivo que é a Universidade Pública.
Entrar na Universidade Pública é, antes de tudo, um privilégio,
isto é, uma espécie de marca que se adquire não
por capacidade, mas por nobreza. Na verdade não é algo
que se adquire, mas que já se tem. Entrar na universidade, só confirma
que já se tem a tal fidalguia. Quem precisa se tornar se já é?
Fidalgo, a palavra portuguesa para nobre, significa justamente “filho
de algo”. Melhor dizendo, filho de alguém. Há uma
tendência na sociedade brasileira ao pavor da mudança
social. O ideal é como no poema em que, de dentro um ovo inteiramente
branco, sai um pelicano. Que põe outro ovo, inteiramente branco,
do qual sai outro pelicano.... Ad nauseam. Ad infinitum. O efeito disso é uma
paisagem imutável, como uma floresta artificial de eucaliptos. É preciso
quebrar o ovo, inteiramente branco, e fazer uma omelete, em que se
misturem as cores da clara e da gema. A política de cotas pode
fazer isso? Tem forças para quebrar a casca do biopoder patriarcal
inteiramente branco?
Se entrar na universidade é um privilégio, o que resta
a fazer nela? Nada a não ser enquadrar-se dentro dos rituais
diários da busca constante do privilégio. Este desejo
aparece numa infinidade de demandas por chances exclusivas com que
um professor lida diariamente no ensino superior público: entregar
os trabalhos depois dos prazos; obter boas notas por simpatia; ir às
aulas, mas sem fanatismo; estudar, mas o mínimo possível,
e só quando der; aproveitar todo feriado, que começa
uma semana antes, e termina, uma depois; chegar atrasado às
aulas; sair cedo por motivo urgente; comemorar intensamente todo ponto
facultativo; enforcar sempre que possível; matar quando necessário,
etc. etc. A luz no final do túnel é o diploma. E a realidade
pós-diploma é, preferencialmente, um emprego público
conquistado com o suor e o esforço de uma indicação.
Os melhores, isto é, os mais privilegiados, se tornam dirigentes
de repartições públicas ou coisa do gênero,
adaptando-se facilmente à rubrica dos cargos comissionados.
Geralmente, estes afortunados foram os piores alunos na universidade
que, por uma distorção típica do espelho social
brasileiro, são vistos como exemplos a serem seguidos.
Importa a competência? Não. Há lugar para os mais
ambiciosos? De modo algum. Qualquer seriedade competitiva, natural
para os americanos, alemães, franceses, chineses ou japoneses, é vista
como atitude desviante e semi-imoral — são os tolerados,
mas não amados, CDFs. Admira-se que numa tal sociedade, com
uma fortíssima tara estagnante, se descubra muitas vezes que
a universidade é uma fraude? Lembro de Costa Lima, que num texto
interessante, dizia que os eventos de crítica literária
no Brasil são mais encontros de comadres que acontecimentos
intelectuais. E os de filosofia? E os de botânica? A universidade
brasileira, calcada no exclusivismo de classe e de cor é, na
verdade, uma grande fraude. Estou falando da Universidade Pública,
a privada situa-se num patamar muito aquém e sequer como farsa
se pode credenciar. Salvo as exceções bem conhecidas.
Veja-se que repudio inteiramente o discurso simplório que assevera
que a entrada dos negros na Universidade Pública iria baixar
o nível. Este, aliás, o discurso do ex-coordenador do
curso de medicina da UFBA Antonio Natalino Manta Dantas, que se referiu à contaminação
trazida pelas cotas, entre outros delírios, para explicar o
fracasso do curso por ele coordenado. Minha posição é bem
outra, ou seja, que hoje o nível é muito baixo, e as
cotas certamente o elevaria.
Falando nisso, considere-se o vexame escandaloso do Instituto de Física
da USP ocorrido recentemente. Colegas denunciam-se por plágio,
o diretor se diz vítima de perseguição política,
fala-se em dossiês “de 10 a 15 centímetros de espessura” com
inúmeras denúncias de plágio, etc. O fato é que
não fosse a cumplicidade que recobre cada departamento no país,
uma espécie de biombo de ferro atrás do qual se oculta
a lama doméstica, tudo seria muito mais escabroso. A universidade
pública costuma reivindicar seu lugar a partir da sua (potencial)
colaboração para o desenvolvimento do país. Ela
esquece quase sempre que com o exclusivismo racial, a tara por privilégios,
o comadrismo acadêmico e a inépcia intelectual, termina
contribuindo muito mais para retardar aquela possibilidade. De certo
que aqui também, como em tudo nesse mundo, quem procurar vai
achar exceções. Mas isso não altera a regra geral.
Mas, retomando o fio da meada, não creio que seja mera coincidência
que, pela primeira vez em nossa história, a classe média
tenha sido mobilizada, de forma ampla, por um debate referente à educação.
A verdade é que nas últimas décadas ela se manteve
apática diante desses temas. Mas a questão das cotas,
diz respeito a algo que sempre foi o coração da legitimidade
social da classe média — sua participação
no privilégio pela via da educação. Dinheiro falta
e continuamos todos fregueses do fim do mês; Poder, nem se fala.
Mas um titulozinho de doutor, uma mesadazinha do CNPq, uma bolsa-sanduíche
no exterior, e tudo vai se ajeitando. Mesmo, quando mais não
seja, o gostinho de estar na Universidade Pública. E ter que
dividir isso com os negros? Ora... faça-me o favor.
O governo Lula vende certos artigos de felicidade barata que iludem
os olhos, mas vão dar dores de cabeça muito em breve. É o
caso da proliferação do ensino superior de baixíssima
qualidade, que apenas universaliza o ethos universitário no
padrão classe média, permitindo que empresários
inescrupulosos explorem o desejo generalizado em cada um de ser – por
que não? – também um detentor de privilégios
da classe remediada. A chegada do ensino superior aos subúrbios, às
cidades do interior, o ensino à distância, o crédito
para universitários, etc., propiciados através das arapucas
credenciadas pelo MEC, é hoje uma grande desgraça (ia
escrever “risco”, mas não seria certo. Não
estamos diante de uma possibilidade, mas de um fato). Desgraça
porque explora além da conta, não ensina, não
forma, produz grandes taxas de evasão e, da promessa inicial
de felicidade fácil, deixa no fim só uma dívida
vultosa para o ex-estudante, que fica sem diploma e sem festa de formatura.
As cotas podem ser o antídoto a tudo isso? Seria pedir demais.
As cotas podem, além de um pálido corretivo para a exclusão
dos negros, ser um momento significativo na libertação
das classes médias mais ou menos brancas. Isso se conseguir
desfazer o vínculo entre privilégio e ensino superior.
Pelas estatísticas do rendimento dos estudantes que ingressaram
através das cotas, isso parece ser possível. Esses estudantes
têm atuado de forma muito mais acadêmica e competitiva,
e obtido um rendimento acima da mediocridade da média, isto é,
da classe média. Seria preciso que este espírito se tornasse
dominante dentro da universidade brasileira para que, enfim, umas boas
vassouradas pudessem varrer os tempos de privilégios, de fixação
nos canudos, de seminários de comadres, de curriolas que dominam
recursos, de desprezo pelo aprendizado e fé nas indicações.
A Universidade pública seria beneficiada como os CEFETs que,
hoje, apresentam um padrão de rendimento, dedicação
e aprendizado que, em geral, parece bem superior às IFES (Confira-se
os resultados do ENEM-2008). E isso, certamente, se deve à extração
mais popular dos alunos das escolas técnicas e a seriedade com
que encaram a formação técnica. O ensino superior
precisa de mais ambição acadêmica. No Brasil, ambição
continua sendo o traço dominante do (mau) caráter de
violões de novela. A modéstia, o aparente desinteresse,
a inclinação ao trabalho porco, tudo isso é atitude
mais sábia ao (com sorte) futuro detentor de cargo comissionado
(leia-se: administrador público). Mas nenhum sistema de produção
intelectual se desenvolve sem ambição. Ambiciosos eram
os jovens que cercavam Freud, ou os pesquisadores em torno de Einstein.
Enfim, não existe vida intelectual sem ambição.
As cotas no ensino superior público trariam uma injeção
de sangue novo e de ambições legítimas.
Mas criar ilusões aqui é tolice porque 1) o ensino superior
público é minúsculo em relação ao
privado e, principalmente, em relação à atual
dinâmica expansiva do ensino superior privado; 2) a forma como
se expande o sistema privado, desmoraliza todo o ensino superior no
país, e os privilégios que fazem jus e demais benesses
ofertadas pelo governo federal, nem de longe encontram uma oposição
que os possa reverter. Por isso, as cotas, que podem salvar os brancos,
e minorar um pouco as injustiças em relação aos
negros, também podem muito bem servir como um belo falso debate,
que nos deixa cegos para a verdadeira implosão do já precário
sistema superior de ensino com a expansão selvagem do ensino
superior privado e, como se não bastasse, do ensino à distância
privado.
Creio que só o surgimento de um movimento massivo, que reivindicasse
uma radical reforma do ensino superior, pela qual, entre muitas outras
coisas, se impusesse a obrigatoriedade das cotas a custo social zero
também dentro das faculdades privadas (nas PUCs, nas São
Tadeus, nas Cândido Mendes, nas Mackenzies, etc.), poderia acenar
com algum futuro sucesso. Vamos torcer. Eu sou pessimista. Por enquanto,
curso universitário ainda é uma miragem inscrita entre
dois ritos de passagem que não levam a lugar nenhum — o
trote e a festa de formatura.
*Bajonas Teixeira de Brito Júnior é doutor
em filosofia e avaliador de Cursos e Instituições do
MEC.
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Gazeta do Povo, 23 de maio de 2008
Urbanismo
Curitiba cresce. E o meio ambiente,
como fica?
Basta um olhar mais atento ao passar pelas
regiões distantes do centro para perceber: com o mercado da
construção civil aquecido, áreas verdes vão
sendo substituídas por tijolos e cimento
Curitiba está um canteiro de obra. Você já deve
ter percebido isso, seja nas obras viárias ou na construção
civil. No meio de áreas verdes, cada vez mais surgem casas,
prédios e estabelecimentos comerciais. O volume de alvarás
para novas construções (residenciais e não residenciais)
na capital atingiu, no primeiro trimestre deste ano, 610,5 mil metros
quadrados, um aumento de 54% em relação ao mesmo período
de 2007. Com o aumento das construções, como fica o meio
ambiente?
Para o doutor em Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Paraná,
Eduardo Gobbi, na medida em que a cidade expande, é natural
que o espaço verde vá sendo reduzido. “A discussão
que surge é se pretende-se que a cidade chegue ao limite que
o plano diretor permite, de 6 milhões de pessoas. A gente quer
isso? Se não for isso, a sociedade tem que se mobilizar”,
diz.
O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc),
no entanto, não trabalha com a previsão de 6 milhões
de habitantes. Segundo Susana Andrade, supervisora de informações
do Ippuc, o crescimento populacional de Curitiba está em torno
de 1,8% ao ano, o que é considerado controlado. As demais capitais
da região Sul tiveram crescimento de 2,2% (Florianópolis)
e 0,7% (Porto Alegre). A média nacional foi de 1,4%, segundo
ela.
Com relação à construção civil,
Susana aponta que surgem novas opções de habitação
(substituindo as casas por condomínios) e há um processo
em curso de renovação da cidade, devido ao envelhecimento
natural das edificações. Sobre o impacto disso no meio
ambiente, diz: “Tudo que se desmatar legalmente tem um ônus,
tem que reconstituir em outro lugar. Havendo respeito pela legislação,
não vejo problema no processo.”
Segundo a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, enquanto o órgão
autorizou o corte de 7.839 árvores (o equivalente a 23 mil metros
quadrados) em 2008, foram repostas 16.102 árvores (48,3 mil
metros quadrados) no mesmo período. O secretário municipal
do Meio Ambiente, José Antônio Andreguetto, explica que
as árvores cortadas eram na maioria de espécies exóticas
(não nativas): pínus, eucalipto, bracatinga. Ele completa
que na comparação com anos anteriores não há mudança
na média de supressão de bosques.
Conforme Andreguetto, foram emitidas 172 multas neste ano por corte
irregular e há 122 fiscais em atividade para coibir irregularidades,
além de cerca de 1,5 mil guardas municipais. “Os mecanismos
fazem com que Curitiba seja uma área urbana com alto índice
de área verde e não é o ‘boom’ da
construção civil que vai acabar com ela.”
Construção
Para a doutora em engenharia florestal e professora da Pontifícia
Universidade Católica do Paraná, Letícia Hardt,
com a construção civil acelerada, algumas áreas
verdes são eliminadas. “O ritmo da construção
civil vai eliminando áreas verdes e, se não for acompanhado
do tratamento adequado, acaba alterando a qualidade da paisagem.”
Ela nota que a área nativa poderia ser melhor aproveitada pela
construção civil. “São empreendimentos grandes
e que tomam bastante área para estacionamento. A própria
construção ocupa muito o terreno. É uma coisa
mínima para dar uma maqueada, poderia ter mais área verde,
contribuindo para a amenização da paisagem urbana.”
Crescimento da renda, manutenção do emprego e menores
prestações ao consumidor impulsionaram a construção
civil, segundo o vice-presidente do Sindicato da Indústria da
Construção Civil (Sinduscon) no Paraná, Normando
Bau. Ele completa que todas as ações desse bom momento
são feitas porque a legislação permite. “Acho
que ela passa pela compensação. Se alguma construção
tiver que cortar árvore, tem que plantar outra. Dessa forma
você está sendo coerente, preservando o meio ambiente
e indo nessa linha através das compensações. Ou
não. Simplesmente você não faz (a obra).”

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Gazeta do Povo, 23 de maio de 2008
Eleições
Prefeitos fazem “rodízio” de
cidades para se manter no poder
Políticos que não poderiam
se reeleger a um terceiro mandato renunciam ao cargo para concorrer
em municípios vizinhos
Os ex-prefeitos paranaenses Arquimedes Ziroldo, conhecido como Bega,
e Francisco Menin (o Chico Menin) moram a centenas de quilômetros
de distância, mas têm algo em comum além de terem
renunciado ao cargo em abril deste ano. Bega deixou a prefeitura de
Pitangueiras, no Norte do Estado, enquanto Chico Menin abriu mão
da chefia do município de Santa Tereza do Oeste, cidade vizinha
de Cascavel. Impedidos pela legislação de concorrer a
um terceiro mandato consecutivo, os dois mudaram de domicílio
eleitoral e irão disputar as eleições em cidades
vizinhas.
O “rodízio” de municípios para um prefeito
não sair do poder é uma prática que aproveita
uma brecha da legislação eleitoral. Para se manter no
posto político máximo do município, os prefeitos
paranaenses seguem os passos de outros colegas, como o prefeito Yves
Ribeiro (PSB), de Paulista, no interior de Pernambuco, que pode chegar
ao quinto mandato consecutivo governando três cidades diferentes.
Bega governou Pitangueiras por 12 anos e agora quer comandar a vizinha
Astorga. Pitangueiras, aliás, foi desmembrada de Rolândia
em 1990 e, até agora, só teve dois prefeitos. Bega foi
o primeiro governante, fez o seu sucessor, se elegeu na eleição
seguinte e se reelegeu em 2004. A reportagem tentou entrevistá-lo,
mas Bega não foi localizado.
Chico Menin também não concluiu seu mandato em Santa
Tereza do Oeste. O ex-prefeito renunciou pouco depois de ter completado
sete anos no poder. Como não poderia se reeleger, Menin decidiu
tentar a eleição para prefeito em outra cidade. E almeja
um vôo maior: quer ser prefeito de Cascavel, um dos maiores municípios
do estado.
O candidato ganhou a simpatia do eleitorado de Santa Tereza do Oeste
não apenas por ser radialista e cantor sertanejo nas horas vagas,
mas por ter levado indústrias ao município, que tinha
sua economia baseada na agricultura. E é levantando a bandeira
da industrialização que ele pretende conseguir votos
em Cascavel. Sobre o desafio de governar uma cidade maior, caso venha
a ser eleito, o candidato responde que a experiência de estar à frente
de Santa Tereza foi válida por proporcionar um contato direto
com a vida dos seus eleitores. Para agradar ao novo eleitorado, Menin
gravou um tributo a Cascavel no seu último CD.
Outro caso de “prefeito profissional” está no Norte
Pioneiro. Dirceu Rodrigues foi prefeito por três mandatos em
Siqueira Campos. Agora, ele quer comandar, a partir de 2009, os destinos
de Jacarezinho, distante 65 quilômetros da sua cidade de origem.
Ele ainda vai disputar as prévias do PV, mas está confiante
na sua empreitada. “Está tudo certo para que isso aconteça.
Sou mesmo pré-candidato pelo PV.”
Rodrigues diz que escolheu Jacarezinho porque não tem mais
espaço político em Siqueira Campos, já que Antônio
Liechocki (PMDB), seu ex-vice prefeito e atual prefeito da cidade,
já anunciou que vai disputar a reeleição. Para
não rachar o seu próprio grupo político no município,
Rodrigues desistiu de disputar o pleito em casa.
* * * * * *
Colaboraram Claudemir Hauptmann, Marco Martins
e Maurício Borges
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Gazeta do Povo, 23 de maio de 2008
Eleições
Município com 25 anos teve só dois
prefeitos
Quando não é um único
prefeito que quer se manter no poder, são amigos ou parentes
que se revezam no posto. Em São Jorge do Patrocínio,
na Região Noroeste do Paraná, desde a emancipação
do município, em 1983, dois amigos se revezam no cargo de
prefeito.
Aparecido Faleiros de Souza, o primeiro prefeito do município,
e Cláudio Alves Palozi, o atual, dividem os mandatos há 25
anos. Ao que tudo indica, deverão continuar a alternância
por pelo menos mais uma gestão. O médico Augusto Dudechi
bem que tentou quebrar a hegemonia da dupla, por três vezes,
mas foi derrotado em todas as tentativas.
Ainda na Região Noroeste, o casal Isadel Fátima dos
Santos (Dona Isa) e Hosny Sérgio Yankosvisk dos Santos (Dr.
Théo) soma oito anos à frente da prefeitura de Icaraíma.
Ele foi prefeito na gestão 1997/2000, perdeu a reeleição
para Paulo Zampieri, mas ganhou a disputa tendo como candidata a esposa,
Dona Isa em 2004. Um dos dois nomes deverá disputar a próxima
eleição.
Em Alto Paraíso, a alternância é menor, mas a
primeira prefeita do município, Dayze Meire Jardim, eleita em
1993 contou com o irmão, Dércio Jardim Júnior,
o atual prefeito, para levar a família de volta ao poder. Ela
só não se candidatou porque foi condenada por improbidade
administrativa e está com os direitos políticos suspensos
até 2012.
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Gazeta do Povo, 23 de maio de 2008
Eleições
Legislação tem brechas
que permitem a prática
A prática adotada pelos prefeitos profissionais é criticada
até mesmo pela Associação dos Municípios
do Paraná (AMP). O atual presidente, Moacyr Fadel (PMDB),
que é candidato à reeleição no município
de Castro, nos Campos Gerais, afirma que a estratégia é repreensível
desde que a candidatura seja motivada apenas pelo desejo de se manter
no poder. “Mas, não podemos interferir na democracia,
se os eleitores quiserem essa pessoa no poder”, atenta. Ele
lembra que as entidades que representam os prefeitos defendem a aprovação
do mandato de cinco anos, em vez dos atuais quatro, sem direito a
reeleição. A proposta ainda tramita na Câmara
dos Deputados.
Para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Paraná,
Alberto de Paula Machado, a postura dos prefeitos profissionais “agride
todos os princípios morais e éticos que devem nortear
as eleições para o Executivo”. Machado sugere que
a Justiça eleitoral deva avançar sobre o tema da mesma
forma como foi contrária à infidelidade partidária.
A advogada Carla Cristine Karpstein, especialista em Direito Eleitoral,
diz que o problema está nas brechas abertas no Código
Eleitoral e na Resolução 20.132/98 do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE). Segundo ela, a legislação ignora a transferência
oportunista do título eleitoral. “Isso acaba permitindo
fraudes, principalmente entre prefeitos e vereadores que exercem alguma
influência em municípios vizinhos, notadamente no interior
dos estados. Hoje, efetivamente, não existe na legislação
restrição a esse tipo de subterfúgio que pode,
em vários casos, perpetuar uma pessoa no poder.”
A estratégia usada pelos prefeitos foi tema de debate no fórum
on-line da Rede Empresarial, um projeto desenvolvido pela Federação
das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) em parceria
com a Federação das Associações Comerciais,
Industriais e Empresariais do Paraná (Faciap). Internautas de
todo o estado se manifestaram contrários à prática.
O coordenador da Rede Empresarial, José Marinho, justifica que
o tema foi escolhido por ter forte apelo em ano eleitoral e por estimular
as pessoas a pensarem em política.
Walter Costa Porto, ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE),
cientista político e professor de Direito Eleitoral da Universidade
de Brasília (UnB), diz que a mudança é responsabilidade
do eleitor. “O eleitor está cansado de corrupção,
mas deveria pensar: quem elege os corruptos? Por isso, a responsabilidade
cai toda nas mãos do eleitor.” Machado, da OAB, concorda. “O
voto é o principal elemento do exercício da democracia.” (MGS)
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Folha de Londrina, 23 de maio de 2008
Trabalhadores fazem greve na França
Paris - Milhares de franceses fizeram greve e saíram às
ruas ontem contra o projeto do governo do presidente Nicolas Sarkozy
de aumentar de 40 para 41 anos o tempo de contribuição
para a aposentadoria. As cinco principais centrais sindicais do país
convocaram greve geral e protestos por todo o país. A CGT, principal
entidade sindical, estimou em 700 mil o número de manifestantes
que saíram às ruas. Só em Paris, foram 70 mil -
ou 28 mil, de acordo com a polícia.
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Folha de Londrina, 23 de maio de 2008
SEU DIREITO - COMPRA E VENDA
Quais são os cuidados
ao assinar um contrato de compra e venda de um terreno?
Alguns cuidados devem ser observados antes de assinar um
contrato de compra e venda. São eles:
– somente realize o negócio com a intermediação
de um corretor de imóveis devidamente inscrito no Creci (Conselho
Regional de Corretores de Imóveis);
– analise todas as cláusulas do contrato e caso haja
dúvidas procure a orientação de um órgão
de proteção e defesa do consumidor ou de um advogado
especializado;
– o contrato deve ter a qualificação e endereço
das partes, nome e localização do loteamento, número
e data do registro, descrição, confrontações, áreas
e demais características do terreno, preço, prazo, valor
do sinal, forma e local de pagamento, taxas de juros de financiamento
e de mora, a quem cabe o pagamento de impostos e taxas do terreno e
a forma de acerto, caso haja diferença na metragem do imóvel;
– exija o contrato de compra e venda devidamente assinado pelas
partes e por duas testemunhas;
– após a assinatura pelas partes e testemunhas, registre
o contrato no Cartório de Registro de Imóveis, para a
efetiva garantia do negócio.
Ao concluir os pagamentos, providencie a escritura definitiva, que
deverá ser lavrada no Tabelionato de Notas, munido de todos
os documentos pessoais do comprador, respectiva prova de quitação,
contrato, entre outros dados.
Em seguida, registre a escritura no Cartório de Registro de
Imóveis competente para a efetiva garantia da propriedade do
imóvel. Após estas providências, peça por
escrito na Prefeitura a alteração do Imposto Territorial
Urbano (IPTU) para seu nome e endereço.
Fundação Procon de São
Paulo
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Folha de Londrina, 23 de maio de 2008
Empresas dão mais chance aos
quarentões
Candidatos dessa faixa etária estão
mais valorizados para cargos de alto nível e, segundo dados
estatísticos o número de contratações é alto
São Paulo - As empresas estão contratando mais pessoas
maduras para trabalhar em suas equipes. Quando a contratação
envolve cargos de alto nível, elas preferem pessoas com experiência,
e isso geralmente não é o caso de profissionais muito jovens.
Além disso, o mundo moderno, com todas as suas particularidades,
tem feito as pessoas envelhecerem menos, pois existe a preocupação
com a saúde, a conscientização da boa alimentação,
o desenvolvimento da tecnologia e a necessidade constante da atualização
do conhecimento.
Analisando números interessantes, a Curriculum.com.br, empresa
que oferece serviços avançados aos Recursos Humanos e
para recolocação profissional, concluiu que 1/3 dos profissionais
com mais de 40 anos conseguiu emprego através do site. A empresa
verificou os currículos cadastrados nos últimos quatro
anos nessa faixa etária e observou os que estão empregados.
''O mundo atual é bem diferente do mundo de 50 anos atrás
e isto é uma tendência. É comum vermos hoje pessoas
que ainda são 'jovens', mesmo já tendo uma idade mais
avançada, e as empresas tendem a desejar este perfil de profissional
para alta gerência. Nesta hora, a Internet tem se mostrado o
meio onde as companhias encontram esses candidatos'', afirma Marcelo
Abrileri, presidente da empresa.
Dados gerais da Curriculum.com.br mostram ainda que mais de 156 mil
pessoas informaram que foram recolocadas em 2007 e só nos últimos
seis meses este número já ultrapassa 95.000 pessoas.
O site tem mais de 2,7 milhões de currículos não-duplicados
em sua base e é o que mais propicia contratações
no Brasil.
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O Estado do Paraná, 23 de maio de
2008
Morre o senador Jefferson Péres
Faleceu às 6h30 da manhã desta sexta-feira (23)
o líder do PDT no Senado, Jefferson Péres (PDT-AM),
aos 76 anos. Professor, advogado, com longa carreira de vereador
em Manaus, onde nasceu, Jefferson Péres ocupava vaga no Senado
desde 1995. Exercia seu segundo mandato como senador.
Senado
Quando soube da morte do líder do PDT, Jefferson Péres,
o presidente do Senado, Garibaldi Alves, dirigiu-se ao Congresso, onde
chegou expressando sua tristeza. Ele disse que Péres será sempre
lembrado por sua atuação como um combatente em defesa
da democracia e da Amazônia.
Perdemos um grande senador, um grande homem público, um homem
dedicado à defesa da nossa democracia. Era um dos sustentáculos
da coluna vertebral do Senado. Um grande pregador, um grande peregrino
em defesa da ética. Será sempre lembrado pela maneira
como defendia a prevalência dos valores éticos na cena
política. Era um combatente em favor de suas idéias.
Era um político incansável na defesa dos seus ideais,
incansável na luta para que o Senado fosse um poder independente.
Um homem que sempre esteve absolutamente voltado para a boa causa,
como a da necessidade de restringir-se o poder do Executivo em editar
medidas provisórias. Não podemos esquecer que era também
um incansável defensor da Amazônia. Foi uma perda inestimável
- reiterou Garibaldi.
Garibaldi Alves telefonou para a viúva, Marlídice, a
fim de colocar-se à disposição de qualquer pleito
concernente ao enterro. Ainda consternada com os acontecimentos da
manhã desta sexta-feira (23), quando Jefferson Péres
acordou e depois começou a queixar-se de mal-estar, morrendo
em seguida, a viúva disse que nada decidiu até agora.
Provavelmente, Jeferson Péres será enterrado neste sábado
(24) em Manaus.
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Folha de S.Paulo, 23 de maio de 2008
Para Mello, CPMF pode ser recriada
por projeto de lei
Ministro do STF dá sinal verde
a iniciativa da Câmara
GABRIELA GUERREIRO
DA FOLHA ONLINE, EM BRASÍLIA
ADRIANO CEOLIN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio
Mello considera constitucional a recriação da CPMF via
projeto de lei complementar de iniciativa da Câmara. Mello disse à Folha
que, embora o artigo 154 da Constituição proíba
a criação de impostos cumulativos (que incidem sobre
todas as etapas do processo produtivo), a contribuição
não está incluída nesse rol.
" Essa cláusula diz respeito a impostos, nós estamos no âmbito
dos tributos, gênero que é espécie de contribuição.
A regra não se aplica", disse.
Segundo o ministro, o parágrafo 4º do artigo 195 da Constituição
prevê que "a lei poderá instituir outras fontes destinadas
a garantir a manutenção ou expansão da seguridade
social" desde que obedecida a regra da não-cumulatividade.
O ex-ministro do STF Carlos Velloso também argumenta que a criação
de contribuições sociais não é matéria
privativa do chefe do Executivo.
Apesar do sinal verde de Mello, a reedição da CPMF por
meio de lei complementar encontra resistências. A oposição
ameaça recorrer ao STF para derrubar a contribuição
caso seja recriada por lei complementar porque a Constituição
limita essa possibilidade a impostos não cumulativos.
A base aliada do governo não descarta retirar a cumulatividade
da CPMF para assegurar a sua aprovação via lei complementar,
com alíquota de 0,1%. Os governistas pediram à Receita
Federal um parecer sobre as perdas reais de arrecadação
com a mudança. Eles calculam que a arrecadação pode
cair de R$ 10 bilhões para R$ 3 bilhões. A alternativa
para compensar a modificação seria taxar bebidas e cigarros,
além de repassar parte da arrecadação do DPVAT (seguro
obrigatório de veículos) para a saúde.
A ofensiva pró-CPMF teve início com a inclusão da
regulamentação da emenda 29 (que amplia o repasse de recursos
para a saúde) na pauta da Câmara. O governo resiste em editar
PEC (proposta de emenda constitucional) para restabelecer a contribuição
porque precisa do apoio de 308 deputados para aprovar a matéria,
em dois turnos, enquanto o projeto de lei complementar passa na Câmara
com a adesão de 257 deputados.
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Folha de S.Paulo, 23 de maio de 2008
Greve geral é novo golpe para
Sarkozy
Paralisação convocada
por maiores centrais sindicais protesta contra plano de aumentar
tempo de contribuição para aposentadoria
Apesar de adesão parcial, organizadores dizem
que 700 mil foram às ruas; atos têm o apoio de 60% da
população, afirma enquete
Joel Saget/France Presse

Manifestantes protestam em Paris contra projeto
do governo de aumentar o tempo de contribuição para
a aposentadoria na França
CÍNTIA CARDOSO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM PARIS
Centenas de milhares de franceses pararam de trabalhar e saíram às
ruas ontem contra o projeto do governo de Nicolas Sarkozy de aumentar
de 40 para 41 anos o tempo de contribuição para a aposentadoria.
As cinco principais centrais sindicais do país convocaram greve
geral e protestos disseminados.
A CGT, principal entidade sindical, estimou em 700 mil os manifestantes
que saíram às ruas para protestar. Só em Paris,
dizem terem sido 70 mil -já a polícia fala em 28 mil. O
governo francês argumenta que a combinação do déficit
das contas públicas e o aumento da esperança de vida da
população torna imprescindível a mudança
no sistema previdenciário. O regime único de aposentadoria
tem um rombo de 4,6 bilhões.
Uma sondagem divulgada pelo jornal "Libération" mostra
que 60% dos entrevistados apóiam a greve de ontem e 36% são
contra. Os franceses, no entanto, estão divididos quanto à necessidade
de reformas. Para 49%, inevitavelmente a França será obrigada
a adotar um regime de aposentadoria inspirado do modelo americano. Ou
seja, onde cada empregado é responsável pelo pagamento
de sua própria aposentadoria.
Paradoxalmente, apenas 22% concordam com um período mais longo
de contribuição. O engenheiro de sistemas Samuel Marchand é um
dos partidários da mudança. "Eu comecei a contribuir
aos 25 anos. Acho justo ter que contribuir mais tempo, mas me preocupo
com a questão do desemprego na faixa dos 50 anos. Não adianta
nada eu ter disposição para trabalhar e perder o emprego
quando ficar mais velho", afirmou.
Essa , aliás, parece ser uma das principais preocupações
de Xavier Bertrand, ministro do Trabalho. O governo determinou que, até o
fim de 2009, as empresas assinem acordos de compromisso para aumentar
a participação de empregados entre 55 e 64 anos.
O gesto, entretanto, não foi suficiente para acalmar os ânimos.
As centrais argumentam que é injusto elevar os anos de contribuição
com base em cálculos da expectativa de vida porque um operário
vive, em média, menos tempo do que um executivo.
Uma das centrais, a CFDT, apóia o princípio de prolongamento
da contribuição, mas afirma que é inútil
passar de 40 anos para 41 anos com uma taxa de emprego de apenas 38%
entre os trabalhadores entre 55 e 64 anos. Já as centrais CGT
e FO discordam das propostas do governo. Esse cisma sindicalista parece
ter sido sentido na taxa de adesão à greve. A média
nacional entre os funcionários públicos foi de 8%, chegando
a 25% em alguns setores, como o ferroviário.
Os representantes sindicais, porém, minimizaram esses dados. Em
comunicado, as centrais afirmaram que o mais importante foi a mobilização
nas ruas. Além da manifestação na praça da
Bastilha, em Paris, também foram realizados protestos em outras
80 cidades.
Transtornos
Mesmo com a adesão baixa, o movimento já foi suficiente
para perturbar o cotidiano dos franceses. Na capital, os trens do metrô circularam
normalmente, mas o trem urbano que liga os principais aeroportos da capital,
Orly e Charles de Gaulle, teve a circulação reduzida em
50%. Em outras linhas, um terço dos trens não circulou.
A mobilização também provocou reflexos no tráfego
aéreo -foram registrados atrasos por causa da adesão de
alguns funcionários da companhia aérea AirFrance. Os vôos
para o Brasil da empresa, porém, não foram afetados pela
greve. No interior do país, os reflexos foram mais fortes. Em
Marselha, uma das linhas de metrô deixou de funcionar, e somente
35% dos ônibus saíram das garagens. Em Toulose, sete vôos
da AirFrance para Paris foram cancelados.
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Folha de S.Paulo, 23 de maio de 2008
Petrobras quer mais 4 refinarias até 2015
Presidente da estatal diz que país
pode ter auto-suficiência no refino a partir de 2015, o que
turbinaria saldo comercial
Gabrielli diz que novas descobertas podem deixar
empresa como a 5ª maior do setor e admite ação política
no preço do combustível
VALDO CRUZ
HUMBERTO MEDINA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Brasil deverá se tornar auto-suficiente na produção
de derivados de petróleo a partir de 2015, com a construção
de mais quatro novas refinarias -duas em curso e outras duas em estudo,
elevando o total de unidades no Brasil para 15.
" Se nós tivermos essas [15] refinarias em 2015, seremos provavelmente
auto-suficientes", disse à Folha o presidente da Petrobras, José Sergio
Gabrielli, 58. Segundo ele, a capacidade de refino deverá passar de 1,9
milhão de barris por dia para 3,6 milhões.
Hoje, o Brasil produz petróleo acima de suas necessidades, mas
de um tipo pesado, que não gera a gasolina e o diesel suficientes
para atender à demanda interna, obrigando a empresa a importá-los,
o que reduz o saldo comercial.
Uma delas, confirmou Gabrielli, deve ser no Maranhão, terra do
atual ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, a quem a estatal
está ligada. Ele diz, porém, que é "uma coincidência
positiva" a escolha do Estado do ministro. Quanto à quarta
refinaria, diz que ainda não haveria definição.
Petista, professor da Universidade Federal da Bahia, Gabrielli avalia
que o preço do petróleo vai se manter elevado pelos próximos
quatro a cinco anos, variando entre US$ 80 e US$ 120 o barril. "É uma
realidade definitiva", diz ele.
Segundo Gabrielli, a estatal não tem outro caminho senão
continuar investindo na Bolívia, apesar da instabilidade no vizinho. "A
Bolívia representa hoje 50% da oferta de gás no Brasil.
Você quer parar São Paulo? Nós não queremos
também; então precisamos do gás da Bolívia."
Para Gabrielli, não houve interferência política
no reajuste dos combustíveis, que ficou quase três anos
congelado apesar da forte alta do petróleo: "É importante
discutir com o governo os impactos macroeconômicos", defendeu.
A seguir, trechos da entrevista na última terça-feira em
seu gabinete, em Brasília, antes de a estatal confirmar nova descoberta
na bacia de Santos.
FOLHA - O presidente Lula disse há poucos
dias que, em breve, haverá eleição direta para
presidente da Petrobras e ele indicaria o novo presidente do país,
tentando dimensionar a importância da estatal no futuro. Que
futuro é esse?
JOSÉ SERGIO GABRIELLI - Nós
somos uma empresa que tem, talvez, uma perspectiva de crescimento
da produção de petróleo e de gás
maior do que a de todas as empresas do mundo. Isso antes
das descobertas que fizemos nas áreas de Tupi, do
pré-sal. Mais importante que o crescimento da produção
de petróleo é que nós temos a perspectiva
de crescer no refino, estamos construindo neste momento duas
refinarias [Comperj e Abreu Lima] e podemos construir uma
terceira e uma quarta refinarias até 2015. Teremos
15, hoje temos 11.
FOLHA - Quais são essas novas?
GABRIELLI - Estão em construção
a refinaria de Pernambuco, o Comperj (RJ), uma refinaria petroquímica,
e estamos fechando os estudos de uma refinaria premium, provavelmente
no Maranhão. Uma refinaria para a produção de
diesel de alta qualidade, gasolina de altíssima qualidade,
voltada mais para a exportação, aproveitando a localização
para exportar para Estados Unidos e Europa.
FOLHA - Pesa aí o fato de o ministro de Minas
e Energia, Edison Lobão, ser do Maranhão?
GABRIELLI - É uma coincidência positiva, mas não é uma
escolha porque ele é o ministro, nem deveria ser uma decisão
de não ser lá porque ele é ministro. É tecnicamente
adequada pela localização estratégica.
FOLHA - O sr. acha que pode acontecer o cenário
traçado por alguns analistas de o barril custar US$ 200?
GABRIELLI - Temos hoje um crescimento da demanda na faixa de
1,8%, 1,9% ao ano. A oferta está crescendo na faixa de 1,6%, 1,8%.
Então, estão caminhando quase igual. Por aí, não
se espera nenhuma mudança brusca de preço.
FOLHA - Então por que os preços não
param de subir?
GABRIELLI - Porque as expectativas passam a ser mais relevantes.
Com taxas de juros baixas, os agentes financeiros vão para cima
do preço do petróleo. Virou uma aplicação
financeira que você ganha na volatilidade. Nossa expectativa é que
o preço permaneça alto, com enorme volatilidade.
FOLHA - Em que patamar, US$ 100 o barril?
GABRIELLI - Numa faixa maior de variação, talvez
entre US$ 80 e US$ 120, nos próximos quatro a cinco anos. É uma
realidade definitiva. Preço de petróleo barato dificilmente
teremos num horizonte visível de quatro a cinco anos.
FOLHA - Mesmo com a alta do barril, hoje na casa
de US$ 100, a Petrobras demorou mais de dois anos para reajustar o
preço da gasolina e do diesel. Houve interferência política
no controle desses preços?
GABRIELLI - Se pegar o preço do barril
em reais, só nos últimos três meses realmente
teve diferença entre o preço da Petrobras e o
internacional, por conta da depreciação do dólar.
FOLHA - Mas a empresa deixou de ganhar com o atraso
no reajuste?
GABRIELLI - É muito difícil de fazer essa conta.
Se tivesse isso, o que aconteceria com a economia em termos de crescimento
do país?
FOLHA - Mas o sr. considera normal discutir preço
no Planalto, pedir o aval?
GABRIELLI - É importante discutir com o governo os impactos
macroeconômicos. Porque a Petrobras é uma empresa grande.
Você não acha que as decisões da Exxon são
discutidas com o governo americano, onde ela vai, onde não vai?
FOLHA - Há previsão de quando um dos
megacampos poderá produzir?
GABRIELLI - Perfuração, já estamos fazendo.
Produção, em Tupi, num teste de longa duração,
de 20 mil a 30 mil barris por dia, a partir de março de 2009,
para testar fluxo, capacidade de produção, coletar dados,
que leva de seis a oito meses. Em finais de 2010, devemos iniciar o projeto
piloto de Tupi, com 100 mil barris por dia.
FOLHA - Com os investimentos em refinarias, quando
o Brasil terá auto-suficiência propriamente dita?
GABRIELLI - Se tivermos essas refinarias em 2015, seremos provavelmente
auto-suficientes, se a nossa projeção de demanda se confirmar.
FOLHA - Em quanto vai aumentar a capacidade de refino?
GABRIELLI - Temos hoje capacidade de 1,9 milhão de barris
por dia. Deveremos ir para alguma coisa próxima de 3,6 milhões.
Os nossos problemas principais são diesel e nafta.
FOLHA - O presidente da Bolívia, Evo Morales,
disse que, se as empresas não investirem em gás, as reservas
serão retomadas pelo país. O que o senhor acha disso? É complicado
investir em um país como a Bolívia?
GABRIELLI - Nós precisamos investir
na Bolívia. A Bolívia representa hoje 50% da
oferta de gás no Brasil. Você quer parar São
Paulo? Nós não queremos também, então
precisamos do gás da Bolívia. Não tem
jeito, não podemos fugir dela.
FOLHA - Quando a gente pode fugir dela?
GABRIELLI - Até 2019 não fugiremos dela. Não
tem jeito. No máximo, a gente reduz o nosso grau de dependência,
aumentando a produção nacional.
FOLHA - Então não adianta ter uma posição
de rompimento?
GABRIELLI - Rompimento é um tiro no
pé. Precisamos do gás, e eles sabem disso. E
eles precisam de nós. É uma dependência
mútua.
FOLHA - Qual a perspectiva da empresa nos investimentos
em álcool?
GABRIELLI - A Petrobras quer ser um "player" importante
na logística e na comercialização, principalmente
para exportação. Não queremos disputar a produção
com produtores nacionais nem queremos disputar o mercado interno.
FOLHA - Qual a ambição do sr., em que
posição quer deixar a Petrobras?
GABRIELLI - Nossa meta estratégica é ser uma das
cinco maiores empresas de energia do mundo.
FOLHA - Hoje, onde estamos?
GABRIELLI - Somos hoje, no ranking de todas as empresas de petróleo,
a 14ª, a 15ª das empresas de energia. Se nós pegarmos
só as empresas com ações em Bolsa, somos a sétima.
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Folha de S.Paulo, 23 de maio de 2008
Descobertas mudam imagem da empresa
DA SUCURSAL DO RIO
As descobertas de megacampos de óleo e gás na camada
do pré-sal mudaram a imagem da Petrobras -e resultaram num ganho
expressivo para os seus acionistas. Apesar de a estatal conter por
meses um reajuste dos combustíveis (que só veio no último
dia 2), o valor de mercado da companhia cresceu 68% no primeiro trimestre
deste ano. Continuou em alta e atingiu US$ 287 bilhões no final
da semana passada.
As ações ainda tiveram fôlego para subir 1,64% (preferenciais)
anteontem, dia em que a Bovespa caiu 1,66%. O desempenho alçou
a estatal ao posto de sexta maior empresa em valor de mercado do mundo, à frente
da gigante Microsoft.
Tal avanço se deve quase que exclusivamente às novas
descobertas do pré-sal na bacia de Santos: Tupi, Júpiter
e Carioca -embora a capacidade desses campos ainda não esteja
confirmada, principalmente a do último. O certo é que
o pré-sal multiplicará em muitas vezes as reservas brasileiras.
Comprovados, são hoje 14 bilhões de barris. Só na
nova província especialistas estimam 70 bilhões de barris.
A estatal se beneficia ainda da alta do preço do petróleo
e, mais recentemente, do reajuste dos combustíveis, que injeta
R$ 6 bilhões na companhia a cada trimestre.
No primeiro trimestre deste ano, a empresa se beneficiou da alta do petróleo,
do aumento modesto da produção (2%) e do fim de despesas
não-recorrentes (cobertura de rombo bilionário no plano
de pensão Petros). Como tudo isso, o lucro da Petrobras superou
as expectativas do mercado e atingiu R$ 6,925 bilhões nos três
primeiros meses do ano.
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Notícias do Tribunal Superior do Trabalho
23/05/2008
RedeTV! indenizará câmera
por ser alvo de piadas de Monique Evans
A Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou recurso
da RedeTV!(TV Ômega) contra condenação ao pagamento
de indenização por dano moral a um operador de TV do
programa “Noite Afora” que era alvo de piadas veiculadas
em rede nacional. A Turma considerou grave o dano causado ao operador – apelidado
de “Todinho” ou “Nescauzinho” porque, segundo
a apresentadora do programa, Monique Evans, “é marronzinho
e tem um canudinho pequenininho” - e manteve a condenação,
no valor de R$ 5 mil.
O operador foi contratado em 1999 e demitido em 2003. Em abril de
2002, passou a trabalhar na gravação do programa “Noite
Afora”, que ia ao ar de madrugada. Na inicial da ação
trabalhista, explicou que o programa tinha “grande apelo erótico,
com entrevistas relacionadas a sexo e fantasias eróticas, desfile
de lingerie e roupas íntimas, strip teases e exposição
de objetos sexuais.” Ainda de acordo com o operador, a apresentadora
passou a usar os funcionários da equipe de gravação
nas suas brincadeiras durante o programa. Além de ser alvo de
piadas, era levado a participar de quadros “com modelos seminuas”.
Informou que, sob pena de demissão, foi pressionado a assinar
termo que autorizava a apresentadora a fazer qualquer tipo de “brincadeira” durante
as gravações e exibi-las no programa.
Esses fatos, alegou, causaram grave crise em seu casamento e em suas
relações familiares. Religioso e freqüentador da
paróquia de sua vizinhança, o operador afirmou que “a
imagem de homem sério e respeitado que sempre teve junto aos
seus começou a desmoronar”, e que alguns amigos e parentes
se afastaram, “envergonhados de estarem próximos a uma
pessoa ligada à luxúria”. A sentença da
1ª Vara do Trabalho de Barueri (SP) condenou a TV Ômega
a pagar indenização por dano moral no valor de R$ 5 mil,
decisão mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
(SP) – que, em seguida, negou seguimento a recurso de revista
da empresa.
No agravo de instrumento ao TST, a TV Ômega sustentou que, de
acordo com as testemunhas ouvidas no processo, o operador não
se sentiria ofendido com os apelidos, pelo qual já seria conhecido
antes de aparecer no programa. O relator, ministro Walmir Oliveira
da Costa, observou que o TRT julgou comprovado o constrangimento público
do empregado, não contestado pela empresa, “devido ao
tratamento depreciativo que lhe dava a apresentadora ao referir-se à sua
cor e a seu órgão sexual”. (AIRR 563/2004-201-02-40.6)
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Pág. Nº 133
ISSN 1677-7069 | 3 | Nº 97, sexta-feira, 23 de maio de 2008
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SINDICATO DOS EMPREGADOS EM EMPRESAS
PÚBLICAS E PRIVADAS DE SANEAMENTO BÁSICO
E MEIO AMBIENTE NO MUNICÍPIO DO RIO
DE JANEIRO
EDITAL DE CONVOCAÇÃO
Ficam convocados todos os Empregados em
Empresas Públicas
e Privadas de Saneamento Básico e Meio Ambiente no Município
do Rio Janeiro, para AGE, a ser realizada no dia 03 de junho
de 2008, às 08:00h ou 08:30h em segunda e última
convocação, na Rua Irineu Marinho nº 30,
Sala 1007-Centro, com a seguinte ORDEM DO DIA: 1) Fundação do Sindicato da
Categoria; 2) Aprovação dos Estatutos; 3) Eleição da Diretoria; 4) Fixação de mensalidades
social e 5) Assuntos Gerais.
Rio de Janeiro-RJ, 14 de maio de 2008.
SIDNEI DA CONCEIÇÃO
Presidente da Comissão
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