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Agência Diap, 24 de maio de 2008
Fundo Soberano do Brasil
Por: Paulo Nogueira Batista Jr.*
Hoje, quero falar um pouco sobre o fundo soberano que será criado
pelo governo. Como o projeto completo ainda não veio a público, é cedo
para uma avaliação definitiva. Isso não impediu,
entretanto, que muitos economistas e jornalistas fizessem críticas
severas e às vezes raivosas. Até um certo Napoleão
de hospício, ex-presidente do Banco Central, que andava bastante
recolhido, escapou do asilo para reviver as glórias de Austerlitz.
E atracou-se furiosamente com o "cofrinho" do ministro
da Fazenda.
Esse é um problema recorrente do debate econômico brasileiro:
a adjetivação, não raro pesada, substitui a
análise e a argumentação. Pode ser mais divertido,
mas não acrescenta grande coisa.
Repare, leitor, a origem das críticas ao fundo soberano.
Elas vêm quase sempre do mercado, isto é, de economistas
de banco, financistas, ex-diretores do Banco Central e jornalistas
ligados a esse meio. É a turma da bufunfa, em suma.
O leitor talvez conheça a minha implicância com essa
turma. São os donos não só do dinheiro, mas
da Verdade, com v maiúsculo mesmo. Estão representados
em todos os cantos: nos governos, nas empresas, nas universidades,
nas famílias e nos lares mais recônditos. É dose.
Os assuntos mais delicados e controvertidos são tratados
de forma dogmática e unilateral. Qualquer objeção é descartada
liminarmente como "populismo" ou "desconhecimento
das leis da economia".
O fundo soberano está sendo vitimado por esse tipo de abordagem.
Longe de mim desprezar todas as preocupações levantadas
por críticos do projeto. Diversas são válidas
e devem ser consideradas no desenho final do Fundo. Mas a carga de
preconceito é evidente.
Por que o preconceito? Uma possível razão, provavelmente
secundária: o adjetivo "soberano". A turma da bufunfa
tem ojeriza à noção de soberania nacional. Marx
e Engels escreveram, no Manifesto do Partido Comunista de 1848, que "os
trabalhadores não têm pátria". Mas os trabalhadores
até que têm pátria. A história posterior
parece ter desmentido a suposição do Manifesto. Quem
não tem pátria é o dinheiro. Os bufunfeiros
são essencialmente cosmopolitas, no pior sentido do termo.
Mas estou perdendo um pouco o fio da meada. A explicação
mais plausível para a reação ao fundo soberano é outra:
a sua criação redistribuirá poder e atribuições
dentro do governo. Ocorrerá um certo esvaziamento do Banco
Central em benefício do Ministério da Fazenda e do
BNDES. O fundo será administrado pelo Tesouro Nacional, uma
secretaria do Ministério da Fazenda. Na prática, o
Tesouro passará a compartilhar a autoridade cambial com o
Banco Central.
A julgar pelas informações publicadas, o fundo tem
como um dos seus objetivos contribuir para a absorção
do excedente de moeda estrangeira. Evidentemente, a atuação
do Tesouro no mercado cambial terá que ser coordenada com
o BC. Esse tipo de arranjo é perfeitamente possível
e existe em outros países.
Nos EUA, por exemplo, o Federal Reserve e a Secretaria do Tesouro
compartilham a autoridade cambial e trabalham de forma coordenada.
Uma forma de facilitar e institucionalizar essa coordenação
seria incluir no Copom (Comitê de Política Monetária
do Banco Central) um representante do Ministério da Fazenda
e designar para o conselho do fundo soberano um representante do
Banco Central. Um dos secretários da Fazenda e um dos diretores
do Banco Central poderiam exercer essas funções "ex
officio".
A turma da bufunfa daria "arrancos triunfais de cachorro atropelado".
(*) Economista e diretor-executivo do FMI; artigo
publicado na Folha de S.Paulo
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A Hora do Povo, 24 de maio de 2008
Álvaro Dias quebrou o decoro
ao vazar e inventar "dossiê"
Em 1953, Carlos Lacerda, sem nada,
em mesmo pretexto, para caluniar o governo Getúlio, falsificou
uma carta – a famosa “Carta Brandi” - em que
um suposto deputado argentino combinava com o então ministro
do Trabalho, João Goulart, a instalação de
uma “república sindicalista” no Brasil. Certamente,
não seria por respeito à verdade que esse golpista
deixaria o governo em paz. Na falta de alguma franja a que se agarrar,
o patife inventou uma, falsificando uma carta para atingir o herdeiro
político de Getúlio e futuro presidente do país.
A pressa da oposição em encerrar CPMI dos cartões
evidencia que agora há o que investigar. O governo não
usou nenhum dado contra quem quer que seja.
Por Carlos Lopes, para a Hora do Povo
Depois de mais de meio século, Lacerda tem, enfim, no meio
político, um seguidor no ramo da falsificação
e da fraude mais abjeta. Um seguidor muito mais medíocre,
apagado, parvo, ainda que com algumas propensões bem assemelhadas
ao seu ídolo. Sabe-se que a história se repete sempre
em forma de comédia. Assim, em vez de Lacerda, a reação
hoje em dia só tem um certo Álvaro Dias para falsificar
documentos e atribuir “dossiês” ao governo.
Isso foi o que emergiu dos depoimentos do assessor de Dias, André Fernandes,
e do ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil, Aparecido
Pires, na terça-feira. Logo no dia seguinte, a oposição,
depois de mais de dois meses de ninharias ridículas, mostrou
sua firme disposição de acabar com a CPMI dos Cartões
Corporativos. A quem beneficia isso? Certamente não é aos
inocentes, à ministra Dilma ou ao governo em geral, nem a
oposição faria nada para beneficiá-los.
Antes, não havia substância nessa CPI. Agora, há o
que investigar. Foi exatamente porque não havia o que usar
contra o governo Lula na questão dos cartões corporativos,
que se inventou a história do dossiê - um estranho dossiê contra
a oposição que não incriminava ninguém
da oposição, que foi vazado para a imprensa pela oposição
e que foi divulgado pela mídia da oposição.
Os depoimentos confirmaram que um funcionário da Casa Civil – sabe-se
lá porque motivos – passou a um assessor de Álvaro
Dias algumas planilhas que faziam parte de um banco de dados; que
este assessor passou a Dias essas planilhas (somente a Dias, confirmou
ele, e a ninguém mais); e que essa foi a origem da fraude
que apareceu naquele chiqueiro da imprensa reacionária, a
Veja.
Evidentemente, não é compatível com a função
de senador da República a falsificação de um
documento, a violação de sigilo e a prevaricação.
E não há lei que o isente de responder por esses crimes.
“Prevaricação” (essa a que estamos nos
referindo) é crime definido pelo Código Penal como “retardar
ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo
contra disposição expressa de lei, para satisfazer
interesse ou sentimento pessoal” (Art. 319, Cap. I, “Dos
crimes praticados por funcionário público contra a
administração em geral”, Título XI, “Dos
crimes praticados contra a administração pública”).
Ao tomar conhecimento das planilhas entregues por seu assessor,
Dias estava obrigado a denunciar imediatamente o vazamento. Em vez
disso, passou-as à “Veja”, usando-as para uma
conspiração (ainda que pífia) contra o governo
eleito legalmente, acumpliciado com mais alguns golpistas – no
Congresso e, sobretudo, na mídia.
Não é verdade que todos os dados divulgados por Dias
tenham deixado de ser sigilosos. Há, por exemplo, a identificação
de quatro agentes da Agência Brasileira de Inteligência
(Abin), designados por suas iniciais e seus CPFs - a partir dos quais é possível
obter seus nomes no site da Receita Federal - com as quantias que
eles manejaram das despesas secretas do governo. Se isso não é sigiloso,
o que será?
Mais extensamente, a violação de sigilo não
se dá apenas quando um dado é classificado oficialmente
como “sigiloso”. O orçamento de uma família
não é oficialmente sigiloso e nem por isso é lícito
alguém espalhar cópias dele pela vizinhança.
Da mesma forma, os dados armazenados na Casa Civil, ainda que não
oficialmente sigilosos, não estão lá para serem
divulgados. Ou será que é lícito, apesar de
não ser um dado sigiloso, divulgar os pequenos gastos da antiga
primeira-dama com fechos para sutiã? A quem interessa isso,
senão somente às autoridades que são obrigadas
a revisar os gastos da Presidência?
Por último, e mais importante, a falsificação.
As planilhas que Dias entregou à “Veja” não
são comprometedoras para Fernando Henrique ou para qualquer
oposicionista. Elas realmente faziam parte de um banco de dados da
Casa Civil, onde deviam ter ficado. Dar a esses dados e planilhas
o caráter de “dossiê” é uma falsificação,
uma falsificação ideológica – ou seja,
tenta-se passar uma idéia falsa de alguma coisa. Em termos
populares, tenta-se vender gato por lebre. O governo não usou
um só desses dados contra alguém. Não os publicou,
não os divulgou, não os vazou para a imprensa. Quem
fez isso foi Dias, perpetrando uma falsificação, atribuindo
ao governo o que este não fez.
Coluna
Porém, há mais do que falsificação “ideológica”.
Nas planilhas divulgadas pela mídia, há uma coluna
intitulada “observações”. A ministra Dilma
Rousseff, em seu depoimento no Senado, revelou que essa coluna não
existe nas planilhas da Casa Civil. Realmente, não teria lógica
que a Casa Civil arquivasse planilhas com uma coluna de “observações” tipo “uíscão” ou “CAVIAR” (assim,
em letras maiúsculas) ou “saldo para campanha eleitoral” (ao
lado de uma compra de champanhe no governo Fernando Henrique).
Essa coluna, evidentemente, é o que faz com que as planilhas
copiadas do banco de dados da Casa Civil tenham uma aparência
de “dossiê”. Ou seja, a partir de planilhas e dados
verdadeiros, perpetrou-se uma falsificação para torná-las
um suposto “dossiê”. Sem essa coluna, a história
perde credibilidade.
A questão é: quem acrescentou essa coluna nas planilhas?
Se não foi o funcionário da Casa Civil (até porque
essa coluna não existia nos originais, e nada em seu depoimento
sugere que ele tivesse algum interesse nessa adulteração),
ela deve ter sido feita no gabinete de Álvaro Dias – ou
por ele, ou por seu assessor, ou pelos dois – para aumentar
o apetite da mídia pelo material que obsequiosamente lhe ofereceu.
A hipótese de que os falsários estejam na “Veja”,
que tem uma alentada folha-corrida nesse tipo de coisa, esbarra no
fato de que essa coluna também existe na cópia publicada
pela “Folha de S. Paulo”, o outro órgão
que também recebeu as planilhas, assim como na cópia
divulgada pelo blogueiro Ricardo Noblat, que revelou a autoria de Álvaro
Dias no vazamento.
Portanto, agora há, realmente, o que investigar. Os culpados
têm de ser punidos. Não é aceitando a impunidade
geral que se vai avançar na democracia. Então, que
se remeta, para processo de cassação, o falsificador
ao Conselho de Ética – na impossibilidade de enviá-lo à delegacia
de polícia mais próxima.
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Diário Vermelho, 24 de maio de 2008
Centrais preparam grande ato pela
redução da jornada de trabalho
Ilustração: Rodrigo Chinellatto

A Central de Trabalhadoras e Trabalhadores Brasileiros (CTB) e as outras
centrais sindicais - CGTB, CUT, Força Sindical, NCST e UGT - estão
se preparando para o grande evento que realizarão na próxima
quarta-feira, 28 de maio, em Brasília, que denominaram de Dia
Nacional de Mobilização e Luta pela redução
da jornada de trabalho sem redução de salário.
Na terça-feira (27), haverá uma panfletagem unitária
das centrais em âmbito nacionais, com distribuição
de material para esclarecer as razões das assembléias,
passeatas e paralisações. Uma nota conjunta já foi
distribuída conclamando o máximo de esforços
visando a mobilização nesta reta de chegada.
No dia seguinte ao ato, na quinta-feira (29), as centrais entregarão
o abaixo-assinado ao Congresso Nacional. No mesmo dia, os presidentes
das centrais concederão uma entrevista coletiva.
Também está sendo intensificada a coleta de assinaturas
do abaixo-assinado em apoio à campanha pela redução
da jornada de trabalho sem redução de salários.
O secretário-geral da CTB, Pascoal Carneiro, disse que é importante
acelerar as mobilizações desde já para que no
dia 28 de maio a central ocupe um lugar de destaque nas ações
que o movimento sindical está preparando. "O ponto alto
destes preparativos é a coleta de assinatura nas bases",
disse.
O secretariado da CTB orienta os sindicatos ligados à central
a recolher no mínimo mil assinaturas cada um. Em cada local
de trabalho a central deve promover formas para recolher o máximo
de assinaturas.
Visual próprio
Wagner Gomes, presidente da CTB, ressaltou que ao mesmo tempo é preciso
fazer ampla divulgação das bandeiras que a central
elegeu como prioritárias — redução da
jornada de trabalho sem redução de salário;
ratificação das convenções 151 e 158
da OIT; reforma agrária; e fim do fator previdenciário. "Cada
Estado deve avaliar a melhor forma de fazer esta atividade levando
em conta a meta mínima de mil assinatura por entidade",
disse ele.
O presidente da CTB também destacou importância da
realização de assembléias nas categorias para
avaliar as formas de participação no "Dia Nacional
de Lutas e Mobilizações". "A CTB deve aparecer
com seu visual próprio, mas não deve esquecer a prioridade
de construir atividades unitárias", lembrou.
Gerar mais empregos
Os atos públicos, passeatas e assembléias que serão
realizados de norte a sul do país serão realizados
no dia 28 representa o esforço das centrais sindicais para
sensibilizar o Congresso Nacional a aprovar medidas de interesse
dos trabalhadores. "É preciso lutar para que o bom momento
da economia se traduza na geração de empregos, de melhores
salários e mais distribuição da renda, na garantia
de direitos e ampliação das conquistas trabalhistas",
diz a nota distribuída pelas entidades sindciais.
Com a redução da jornada de trabalho constitucional
para 40 horas semanais sem redução dos salários,
através da aprovação do Projeto de Emenda Constitucional
(PEC), serão criados mais de 2 milhões de novos empregos
além de possibilitar um tempo maior para os trabalhadores
dedicarem-se às famílias, ao estudo, à qualificação
profissional, ao descanso e ao lazer.
De Brasília, Márcia Xavier
Com agências
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Congresso em Foco, 24 de maio de 2008
Brasil e Argentina
Estímulo ao entendimento
As pouco conhecidas escolas de fronteira
podem ser o embrião de um relacionamento mais profundo do
Brasil com os países vizinhos
Marcos Magalhães*
Desde que os então presidentes José Sarney e Raúl
Alfonsín decidiram enterrar perto das Cataratas do Iguaçu
antigos fantasmas desconfiados, outros presidentes, governadores,
ministros e homens de negócios já cruzaram milhares
de vezes as fronteiras entre Brasil e Argentina, espalhando antídotos
contra desentendimentos do passado. Mas poucos terão feitos
tanto para o futuro quanto singelas professoras que todas as semanas
atravessam a linha imaginária que separa os dois maiores países
da América do Sul.
No mundo dos fatos oficiais, Argentina e Brasil vivem um casamento
frio e desmotivado. Cada um em seu mundo particular. Depois de experimentar
um surto de crescimento elevado, com taxas superiores a 8% ao ano,
os argentinos temem a volta da inflação e começam
a desviar suas poupanças para o mais seguro Uruguai, do outro
lado do rio da Prata. O peso derrete diante do dólar, e o
país desconfia de si mesmo.
Os brasileiros, mesmo diante de um longo caminho a percorrer, começam
a experimentar os frutos de sua ortodoxia improvável. Obtiveram
o grau de investimento e atraem capitais como em poucos momentos
da história. A bolsa sobe. E a inflação, apesar
de nervosa, ainda não faz lembrar o grande dragão que
queimava os salários poucos dias depois de eles entrarem nas
contas bancárias dos trabalhadores.
Na política externa, apesar da paz aparente, os dois países
também parecem experimentar diferentes opções.
A Argentina, dependente de recursos externos e ainda às voltas
com as desconfianças dos investidores tradicionais, mantém
um namoro firme com a Venezuela de Hugo Chávez.
O Brasil se lança ao mundo e negocia parcerias com pesos
pesados como China, Índia, Rússia e África do
Sul. Na América do Sul, investe em relações
melhores com diversos vizinhos. Mas enfrenta momentos de solidão
e cobranças, como demonstram as bandeiras brasileiras recentemente
queimadas em ruas do Paraguai, durante uma manifestação
pela revisão do Tratado de Itaipu.
Se Brasil e Argentina não vivem momentos de conflito, tampouco
passam por uma fase de mútua sedução. O turismo
cresceu, mas aquelas antigas desconfianças muitas vezes ainda
persistem nas relações pessoais. E, atualmente, muito
mais por preconceitos dos brasileiros em relação aos
argentinos do que vice-versa. Ou não será assim? Os
inúmeros títulos brasileiros nas prateleiras de uma
loja de disco em Buenos Aires – sem a esperada contrapartida
nas lojas do Rio ou de São Paulo – são um exemplo
de que há mais abertura atualmente dos argentinos em relação
ao Brasil.
E as professoras da fronteira, como entram na história? Em
cidades gêmeas, como Uruguaiana e Paso de los Libres, elas
protagonizam, há quatro anos, uma experiência quase
desconhecida de integração. Uma vez por semana, professoras
argentinas se deslocam para o Brasil e passam o dia todo à frente
de uma turma de brasileirinhos. E professoras brasileiras cruzam
a fronteira para dar aulas aos pequenos argentinos. Todas as crianças
envolvidas estudam da primeira à quarta séries do ensino
fundamental e têm, portanto, algo entre sete e dez anos.
As professoras argentinas não dão aulas de espanhol.
Nem as brasileiras dão aulas de português. Elas dão
aulas em suas próprias línguas, para crianças
que estão abertas ao novo. Apresentam as suas culturas às
crianças do país vizinho. E criam espaço para
o aparecimento de uma geração inteira de estudantes
bilíngües e abertos à compreensão da cultura
dos que vivem do outro lado da fronteira. A experiência é nova,
o bilingüismo ainda é mais uma meta que uma realidade.
Mas parece ter vindo para ficar. Tanto que já se pensa, no
Ministério da Educação, em parcerias semelhantes
com outros países, como Paraguai, Uruguai e Bolívia.
Toda essa experiência, relatada há poucos dias a integrantes
do Parlamento do Mercosul, indica o caminho para se aprofundar a
integração continental. O caminho passa pelas pessoas.
Quanto mais se entenda o outro, desde cedo, tanto mais chances haverá de
solução para futuros conflitos entre países
vizinhos. Diferenças entre países sempre existirão,
como se pode ver hoje na Europa, palco do mais avançado processo
de integração da história da humanidade.
Ali também, porém, existe uma aposta cada vez maior
na aproximação de pessoas de diferentes países.
Jovens europeus circulam com uma desenvoltura cada vez maior entre
os países vizinhos. Aprendem outras línguas, vivem
outras culturas, fazem novas amizades. O mesmo poderia ser feito
aqui na América do Sul. As escolas de fronteira têm
o seu papel na aproximação entre cidades vizinhas.
Muito mais, no entanto, ainda pode ser feito, inclusive no ensino
do espanhol e do português, para que um dia muitos jovens sul-americanos
sejam, de fato, bilíngües. E mais dispostos a se aproximar
dos vizinhos.
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Agência Brasil, 24 de maio de 2008
TSE vai gastar cerca de R$ 500 milhões
com eleições municipais
Ivan Richard
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A preparação da estrutura para
as eleições municipais de outubro vão custar
cerca de R$500 milhões, divulgou hoje (23) o Tribunal Superior
Eleitoral (TSE). Serão dois milhões de mesários,
mais de 15 mil técnicos da área de tecnologia da informação
e 380 mil seções eleitorais.
Além dos gastos com alimentação dos mesários
e dos técnicos no dia do pleito, existe também a despesa
com trabalho de engenharia logística, desde a fabricação
das urnas eletrônicas até a entrega do aparelho às
seções eleitorais.
De acordo com nota divulgada hoje pelo TSE, ao sair da fábrica
a urna é entregue aos tribunais, sempre acompanhada por um
servidor da Justiça Eleitoral, responsável pela integridade
do patrimônio.
"A movimentação das urnas até os municípios
mais distantes do país é o maior desafio da Justiça
Eleitoral. As dimensões continentais do Brasil já representam
obstáculos à locomoção das urnas e estes
obstáculos sempre existiram", afirma o tribunal num dos
trecho da nota.
Ainda na fábrica, as urnas são testadas para garantir
resistência à locomoção e aos mais diversos
tipos de transporte. "O deslocamento das urnas mobiliza desde
aviões, automóveis e barcos até "voadeiras",
que são pequenos barcos usado no Norte do país para
atingir as populações ribeirinhas, e os jegues, muito
usados para se chegar às regiões mais distantes do
Nordeste", descreve a nota do TSE.
Segundo o TSE, depois das eleições, há ainda
o cuidado no armazenamento das urnas tanto em relação à umidade
e à temperatura quanto no que se refere aos dados contidos
nos equipamentos.
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Gazeta do Povo, 24 de maio de 2008
Legendas
Partidos que estão no poder
atraem filiados e crescem
Dados do TSE mostram que, desde 2004,
o PSDB em Curitiba, o PMDB no Paraná e o PT em todo
o país conseguiram aumentar o número de integrantes
O poder é como um ímã para atrair filiados.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que, de 2004 até abril
deste ano, os partidos de quem ocupa cargos executivos registraram
um aumento do número de filiados.
O PSDB de Curitiba tinha 4.019 integrantes em 2004, quando o tucano
Beto Richa se elegeu para a prefeitura. Hoje, soma 9.307 integrantes,
o que representa aumento de 131,6%. Já o PMDB do Paraná – e
do governador Roberto Requião – cresceu 5,3% no mesmo
período, saltando de 164.715 filiados em 2004 para os atuais
173.450. O PT, em âmbito nacional, teve aumento de 15,4% nos últimos
quatro anos de Lula, pulando de 989.399 integrantes em 2004 para
1.141.438 petistas em todo o Brasil.
Especialistas consultados pela Gazeta do Povo são unânimes
em relacionar o aumento de filiados de um partido ao fato de um representante
partidário ocupar um cargo executivo. O cientista político
Carlos Magno Bittencourt, da PUCPR, é taxativo: “O político
que está no poder faz aumentar o número de filiados
do seu partido”. O cientista político Fábio Wanderley
Reis, da Universidade Federal de Minas Gerais, endossa a tese: “A
titularidade do poder é atraente. Há dinheiro, e isso
mobiliza gente”, afirma.
Estrutura
A cientista política Maria do Socorro Braga, da Universidade
Federal de São Carlos, observa que os partidos tradicionais
(PMDB, PTB, PDT, PSDB e PT) conseguem manter uma média de
filiados, independente de ter membros em cargos executivos. “Essas
agremiações têm história, são profissionais,
bem organizadas e possuem estrutura. Nada mais natural que manter
uma média de filiados”, diz.
O presidente do PSDB de Curitiba, vereador João Cláudio
Derosso, reconhece que o fato de Beto Richa “estar” prefeito
de Curitiba ajudar a seduzir filiados, mas salienta que o partido
também se mobiliza. “O PSDB tem núcleos de base
em todos os 75 bairros da cidade e toda semana são realizadas
reuniões com a finalidade de apresentar aos filiados as propostas
e as ações do partido”, explica. De acordo com
Derosso, é inevitável que um partido com membro em
cargo executivo faça “inflar” o número
de filiados.
Trunfo
Já no PMDB, o governador é considerado um “talismã”.
Requião é um trunfo”, diz o presidente estadual
do partido, Waldyr Pugliesi. Para ele, as políticas públicas
implantadas por Requião são um dos chamarizes para
as pessoas se filiarem à legenda. Mas Pugliesi acredita que
não é apenas a presença de Requião o
fator determinante para o aumento do número de peemedebistas
em âmbito estadual. “O PMDB é um grande partido,
tem um histórico de lutas em prol da liberdade e isso também
mobiliza as pessoas a entrar na legenda.”
A pré-candidata do PT à prefeitura de Curitiba, Gleisi
Hoffmann, presidente licenciada do partido no estado, não
tem dúvida de que o fato de Lula ser presidente faz o número
de petistas aumentar em todo o Brasil. Mas ela observa que o partido,
desde a sua fundação, na década de 1980, realiza
campanhas de adesão. “Sempre fazemos campanhas para
atrair ao PT quem não é filiado. Isso faz parte do
modus operandi petista.”
Com 13,7 mil integrantes, PP é o
maior partido de Curitiba
O Partido Progressista (PP) não é exatamente um dos partidos
mais badalados do país, do estado ou de Curitiba. Nunca elegeu
um presidente, um governador do Paraná nem mesmo um prefeito de
Curitiba. Mas hoje é a legenda que mais tem filiados na capital
paranaense. Atualmente, há 13.719 pepistas na cidade.
O presidente do PP de Curitiba, Alberto Klauss, acredita que o partido
tem atraído filiados por que é “transparente”. “Somos
de direita e não escondemos isso de ninguém. Diferente
de alguns partidos, por exemplo, que se dizem de esquerda mas que
não passam de fisiológicos”, afirma. De acordo
com ele, o PP cresce em Curitiba por que recebe os filiados e deixa
todos à vontade para manifestar o que pensam nas reuniões
realizadas uma vez por mês. Klauss, que é empresário,
ainda conta de que maneira toca o partido: “Como uma empresa”.
Discussão política
A empresária Cenira Hirt, de 42 anos, se filiou ao PP de
Curitiba há cinco anos. “Antes, nem gostava de política.
Agora, não me imagino fora do PP”, afirma. Ela garante
que não é pré-candidata a vereadora e a nenhum
outro cargo. “Não tenho vocação para a
vida parlamentar. Gosto é de discutir política”,
enfatiza. De acordo com ela, a principal vantagem de participar das
reuniões mensais do partido é o aprimoramento do senso
crítico. “Depois que entrei no partido, fiquei mais
atenta. Não acredito mais em qualquer discurso. Agora, questiono
mais, discuto mais.”
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Gazeta do Povo, 24 de maio de 2008
Pesquisa
Cresce a aprovação
de Requião e Lula
Governador do Paraná interrompe
série de queda na popularidade em Curitiba, segundo
levantamento da Paraná Pesquisas
O governador Roberto Requião (PMDB) conseguiu elevar de 44%
para 52% a aprovação do seu governo, entre os curitibanos,
no período entre dezembro de 2007 a maio de 2008. É o
que revela um levantamento feito pela Paraná Pesquisas a pedido
da Gazeta do Povo. Embora mais da metade dos moradores de Curitiba
estejam satisfeitos com a administração, o governador
não conseguiu segurar o mesmo porcentual de quando foi reeleito
em 2006.
No comparativo com pesquisas anteriores feitas pela Paraná Pesquisas
e publicadas pela Gazeta do Povo, passados quase 19 meses da eleição,
Requião perdeu 11 pontos de popularidade.
A aprovação do governador vinha apresentando queda
desde dezembro de 2006, quando tinha 63%. Em julho de 2007 caiu para
57% e para 49% em dezembro do ano passado, quando atingiu a pior
avaliação. Neste mês, subiu 3 pontos porcentuais.
Apesar de não ter recuperado a aprovação do
início do governo, Requião conseguiu um aumento no
número de pessoas que considera que a administração
avançou.
Dos entrevistados, 27% acreditam que o governo melhorou em relação
a dezembro de 2007, quando o índice era de 20 %. Outros 23%
consideram a administração pior do que em 2007 e para
47% nada mudou.
O perfil dos entrevistados mostra que quanto maior o grau de escolaridade,
maior a desaprovação do governador. Entre os que têm
curso superior, 51% desaprovam sua gestão. É justamente
no ensino fundamental que está a maior aprovação:
61% aprovam o governo.
A administração de Requião não agrada
a maioria dos jovens, na faixa etária de 16 a 24 anos, onde
tem 55 % de reprovação. A melhor aceitação
está na terceira idade: 60% dos que têm acima de 60
anos. O governador também é o preferido dos homens – 56%.
A situação do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva é mais confortável do que a do governador do
Paraná: além dos 58% de aprovação, 40%
dos entrevistados consideram que o mandato dele melhorou desde que
foi reeleito, em 2006. Para 22%, a administração Lula
piorou e 37% acreditam que ficou na mesma.
Levantamento da Paraná Pesquisas mostra que em dezembro de
2006, Lula aparecia com 56% de aprovação de seu governo,
sofreu uma queda de cinco pontos porcentuais em julho de 2007, mas
agora voltou a alcançar o índice inicial. O crescimento
da popularidade de Lula se dá em um período em que
o governo sofreu duros ataques da oposição pela divulgação
do dossiê dos gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso,
o que está sendo investigado pela Polícia Federal e
Pela CPI dos Cartões Corporativos.
O presidente tem aprovação semelhante em todas as
faixas etárias. Comparando com o governador Roberto Requião,
existem alguns indicativos em comum. Lula tem maior aprovação
entre os homens – 62% – e no público com menor
escolaridade.
Dos entrevistados, o presidente é o preferido por aqueles
que tem apenas ensino fundamental: 66%. Já entre os que concluíram
o ensino superior, 48 % aprovam o governo petista.
Especialistas atribuem alta à diminuição
das brigas
Uma das explicações dos especialistas para o aumento da
aprovação do governo Requião é a diminuição
das brigas e do clima de instabilidade política envolvendo a administração.
Para a cientista política e professora da Universidade Federal
do Paraná (UFPR), Luciana Veiga, os números mostram que
o governador, desde a reeleição, vinha experimentando uma
queda firme, apontando para a tendência de grande desgaste, típica
dos segundos mandatos.
O período foi marcado, segundo ela, por profundos embates
entre o governador e as instituições que têm
a função de fiscalizar o Executivo, como o Legislativo,
o Judiciário, o Ministério Público e a própria
imprensa. “Os recorrentes embates estavam deixando as pessoas
inseguras e preocupadas a respeito da estabilidade e do desempenho
do governador”, disse Luciana Veiga.
O cientista político Adriano Codato, professor da Universidade
Federal do Paraná (UFPR), também fez avaliação
semelhante, relacionando o estilo do governo com a aprovação
popular. Segundo ele, o início do segundo mandato de Requião
foi marcado por escândalos, acusações e denúncias. “O
governo saiu desse fogo cruzado e diminuiu a taxa de rejeição”,
disse.
Sobre o presidente Lula, a explicação ainda está na
sua grande popularidade. “Vale o bom momento da economia, mas
sobretudo a identificação popular que a maioria da
população tem com o presidente. As coisas não
pegam nele”, diz Codato.
Para o diretor da Paraná Pesquisa, Murilo Hidalgo de Oliveira,
analisando os números por classe social, renda e escolaridade,
a conclusão é que o governo Lula leva vantagem por
ter um apelo maior na área social.
Kátia Chagas

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Gazeta do Povo, 24 de maio de 2008
Febraban
Baixa renda abre mais contas
O crescimento das chamadas contas simplificadas, destinadas à população
de baixa renda e que não exigem movimentações
superiores a R$ 1 mil, foi de 12,2% no ano passado em relação
a 2006, segundo a pesquisa “O setor bancário em números”,
da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
O número supera a abertura de contas correntes em geral, que no
período foi de 9,3%. De acordo com a Febraban, o número
de correspondentes não-bancários (unidades onde os clientes
podem realizar pagamentos de água, luz, telefone, cobrança
bancária e impostos) registrou no ano passado um incremento de
15,5% sobre o montante de 2006, para 84,3 mil unidades. A pesquisa destaca
ainda o crescimento no ano passado de 9,2% dos usuários de internet
banking. Em 2006, os clientes do serviço somavam 27,3 milhões,
número que saltou para 29,8 milhões em 2007.
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Folha de Londrina, 24 de maio de 2008
SEU DIREITO
INFRAÇÃO DE TRÂNSITO
Na rua da minha casa observo diariamente
veículos estacionados na esquina. A quem devo recorrer para
resolver o problema?
Estacionar o veículo em uma esquina constitui infração
média, com aplicação de multa e remoção
do veículo, de acordo com o artigo 181 do Código de
Trânsito Brasileiro. A competência para cumprir e fazer
cumprir a legislação e as normas de trânsito é do órgão
executivo de trânsito (artigo 24), que, em Londrina, é a
Companhia Municial de Trânsito e Urbanização
de Londrina - CMTU.
O artigo 72 do código, por exemplo, afirma que todo cidadão
tem o direito de solicitar, por escrito, aos órgãos
ou entidades do Sistema Nacional de Trânsito, sinalização,
fiscalização e implantação de equipamentos
de segurança, bem como sugerir alterações em
normas. Afirma, no artigo 73, que estes mesmos órgãos
têm o dever de analisar as solicitações e responder,
por escrito, dentro de prazos mínimos, sobre a possibilidade
ou não de atendimento, esclarecendo ou justificando a análise
efetuada, e se pertinente, informando ao solicitante quando tal evento
ocorrerá.
Ou seja, os cidadãos possuem direito de questionar, sugerir
e exigir respostas das entidades responsáveis pelo trânsito,
bem como exigir que haja trânsito seguro, pois este é um
direito de todos também previsto no código. No entanto, é imperioso
lembrar que cabe a cada cidadão observar a si mesmo e as suas
atitudes no trânsito. As condições seguras dependem
do cumprimento das normas de circulação e da conduta
de cada um.
Portanto, quando houver necessidade de acionar o órgão
competente para fiscalizar uma conduta ilícita de outra pessoa,
aproveite para também consultar um Código de Trânsito
e seus 94 artigos de infrações, refletir sobre possíveis
infrações que tenha cometido, mudar seu comportamento
e contribuir para um trânsito melhor.
Mariana Menezes Tescaro, advogada
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Folha de Londrina, 24 de maio de 2008
Fila em banco dá direito à indenização
Cliente irá receber R$ 3 mil do
Banco Real porque teve que aguardar 42 minutos pelo atendimento
Arquivo FOLHA
Coordenador do Procon, Flávio Caetano
de Paula, orienta consumidores a guardar a senha, onde deve estar
impresso o horário de chegada
O tempo perdido por uma cliente em uma fila de banco terá que
ser recompensado. Em uma decisão inédita do Juizado Especial
Cível de Londrina, o Banco Real foi condenado por danos morais
a pagar R$ 3 mil à cliente Alifrancy Pussi Farias Accorsi porque
ela teve que aguardar 42 minutos pelo atendimento. A lei estadual 13.400/01
estabelece prazo máximo de 20 minutos para dar atendimento aos
usuários de seus serviços em dias normais, como era o caso
da autora da ação, ou 30 minutos em véspera ou após
feriados prolongados. A sentença é da semana passada, mas
o banco ainda pode recorrer da decisão.
Na sentença - homologada pelo juiz Rodrigo Afonso Bressan
- o juiz leigo José Itiro Yabe afirmou que ''os bancos não
podem ter em mente que o cliente quando se desloca à agência
não tem outra coisa a fazer, perdendo horas em filas à espera
de um atendimento digno''. Ele ainda alegou que a situação
relatada pela cliente não pode ser atribuída ''ao simples
ocaso da natureza, mas sim a uma má prestação
dos serviços anteriormente garantidos e não cumpridos.
Além de que configura um profundo descaso com o consumidor.
Segundo o advogado Sandro Barioni de Matos, que representa Alifrancy,
sua cliente se sentiu humilhada e desrespeitada, além de um
grande desconforto e um sentimento de afronta aos seus direitos por
ter de esperar tanto tempo por atendimento. ''A autora é uma
profissional liberal (advogada), que não dispõe do
dia todo para utilizar de serviços bancários. Como
se trata de uma profissional liberal, ela somente terá rendimentos
se efetivamente trabalhar'', alega o advogado.
Ele comenta que no dia do atendimento, em 12 de fevereiro do ano
passado, somente dois caixas estavam funcionando. Na ação,
ainda é relatado que a agência não dispõe
de um caixa exclusivo para atendimento prioritário a idosos,
gestantes e deficientes e sempre que algum ''cliente prioritário''
chegava os demais tinham que esperar que o atendimento fosse realizado,
para que pudessem voltar a ser atendidos. ''É claro que idosos,
gestantes e deficientes têm direito ao atendimento prioritário,
mas as instituições bancárias não podem
fazer esse atendimento em detrimento dos demais'', alega Matos.
A reportagem não conseguiu contato, ontem à tarde,
com a assessoria de imprensa do Banco Real. Na sentença, há o
relato de que a instituição disse inexistir provas
da ocorrência da permanência na fila pelo período
alegado (42 minutos) e da impossibilidade de se aforar o controle
de tempo em razão de fatores externos a sua vontade. O juiz
ainda afirma que o banco sequer soube dizer quantos caixas tinha
disponíveis na agência para atendimento dos clientes.
Procon - O chefe do Núcleo Municipal de Proteção
e Defesa do Consumidor (Procon), Flávio Caetano de Paula,
orienta os consumidores a guardar o protocolo retirado para atendimentos
(senha), onde deve estar impresso o horário de chegada. Ao
chegar ser atendido, o cliente deve solicitar ao caixa que ele escreva
nesse protocolo o horário de atendimento e assine. ''Esse
protocolo é a prova da demora do atendimento'', afirma. Os
consumidores que quiserem fazer valer seus direitos devem tirar uma
fotocópia do protocolo e comparecer ao Procon e também
podem procurar o Juizado Especial.
Fernanda Mazzini
Reportagem Local
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Folha de S.Paulo, 24 de maio de 2008
EMPREGO
Construção
cria 113 mil postos de trabalho no 1º trimestre
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Puxada especialmente pelo crescimento do setor imobiliário
em São Paulo, a indústria da construção
civil criou no primeiro trimestre deste ano mais que a metade das
vagas de trabalho geradas em 2007, aponta estudo do Sinduscon-SP
(sindicato de construtoras) e da FGV Projetos.
Nos três primeiros meses do ano, o mercado de trabalho no setor
absorveu 113,8 mil trabalhadores, número 185,5% maior do que o
registrado no mesmo período do ano passado. Em todo o ano de 2007,
foram criadas 206,6 mil vagas. " O carro-chefe desse crescimento é o
mercado imobiliário em São Paulo, não o PAC [Programa
de Aceleração do Crescimento]", disse o diretor de
Relação Capital-Trabalho do Sinduscon-SP, Haruo Ishikawa.
Só no Estado, foram criadas 37,3 mil vagas de trabalho. O segundo
melhor mercado de trabalho na construção civil está no
Nordeste, aponta Ishikawa, em razão especialmente do aporte de
capital estrangeiro na infra-estrutura de turismo.
A rápida expansão no mercado de trabalho, porém,
já provoca um déficit de 220 mil empregados qualificados
na construção civil no país, diz Antonio de Sousa
Ramalho, presidente do Sintracon-SP (sindicato dos trabalhadores da construção
civil). "Hoje pagamos pela falta de investimentos na qualificação
profissional nesse setor por muito tempo."
Para suprir momentaneamente a falta trabalhadores qualificados, Ramalho
afirma ter iniciado negociações com grandes construtoras
para "importar" trabalhadores de outros países, especialmente
da Bolívia, para trabalhar em obras no país.
" Vamos precisar de trabalhadores para empreendimentos grandes. Para a construção
de usina de Jirau, em Rondônia, por exemplo, será necessário
um acréscimo de 35 mil trabalhadores. Não temos um contingente
desse com qualificação", afirma Ramalho. Segundo ele, o setor
está discutindo as questões legais para trazer trabalhadores estrangeiros.
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Revista Consultor Jurídico, 24 de
maio de 2008
Repercussão bilionária
Prescrição da
contribuição previdenciária é de
cinco anos
por Roberto Rodrigues de Morais
Está na pauta do Plenário do Supremo Tribunal Federal
da próxima quinta-feira (29/5) quatro Recursos Extraordinários
envolvendo os temas prescrição e decadência,
sendo um de relatoria da ministra Carmem Lúcia [1] e três
do presidente da Corte, ministro Gilmar Mendes [2]. A pauta é de
grande importância pela conseqüência que o resultado
do julgamento trará não só para o Judiciário,
mas para a administração da arrecadação
previdenciária, agora à cargo da Receita Federal do
Brasil.
A decadência já foi reduzida de dez para cinco
anos pela Corte Especial do Egrégio Superior Tribunal de
Justiça [3], verbis:
1. As contribuições sociais, inclusive as destinadas
a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime
da Constituição de 1988, natureza tributária.
Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art.
146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei
complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição
e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula
inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente,
padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212,
de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o
lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência
Social.
2. Argüição de inconstitucionalidade julgada
procedente.
Segundo o ministro Teori Albino Zavascki — relator do recurso
especial em que houve a argüição de inconstitucionalidade — as
contribuições sociais destinadas a financiar a seguridade
social têm natureza tributária. Por isso, caberia a
uma lei complementar, e não ordinária, dispor sobre
normas gerais de prescrição e decadência tributárias,
tal qual estabelece a Constituição Federal [4].
Com a decisão da Corte Especial — por unanimidade — a
retroatividade das cobranças do INSS fica limitada em cinco
anos, de acordo com o estabelecido no Código Tributário
Nacional [5].
Trata-se de julgado relevante, pois a decadência é uma
das causas de extinção do crédito tributário.
Com o decurso do prazo prescrito no Código Tributário
Nacional — para a constituição do crédito
tributário (obrigação) — ocorre a falta
do ato administrativo lançamento, o que obstará ao
sujeito ativo executar a obrigação tributária,
pois para que essa seja exeqüível, deverá estar
legalmente constituída.
Veja-se a respeito da inconstitucionalidade de lei, o magistério
do professor José Afonso da Silva:
“O fundamento desta inconstitucionalidade está no fato
de que do Princípio da Supremacia da Constituição
resulta o da compatibilidade vertical das normas da ordenação
jurídica de um país, no sentido de que as normas de
grau inferior somente valerão se forem compatíveis
com as normas de grau superior, que é a Constituição.
As que não forem compatíveis com ela são inválidas,
pois a incompatibilidade vertical resolve-se em favor das normas
de grau mais elevado, que funcionam como fundamento de validade das
inferiores”
Essa incompatibilidade vertical de normas inferiores (leis, decretos
etc.) com a Constituição é o que, tecnicamente,
se chama inconstitucionalidade das leis ou dos atos do Poder Público,
e que se manifesta sob dois aspectos:
(I) formalmente, quando tais normas são formadas por autoridades
incompetentes ou em desacordo com formalidades ou procedimentos estabelecidos
pela constituição;
(II) materialmente, quando o conteúdo de tais leis ou atos
contraria preceito ou princípio da Constituição.
Apesar do julgado da Corte Especial do STJ [5], o INSS continua
autuando, via Receita Federal do Brasil, e cobrando judicialmente
seus créditos retroagindo a dez anos, em desacordo com a jurisprudência
firmada pela Corte Superior, que julgou inconstitucional o artigo
de lei que autorizava a autarquia a apurar e constituir créditos
pelo prazo de dez anos, como consta nos incisos I e II do artigo
45 da Lei 8.212/91, que dispõe sobre a seguridade social [6].
Os Tribunais Regionais Federais começaram a aplicar a nova
regra, assimilando a decisão Superior [7], pois, segundo o
relator do caso, “a controvérsia sobre o prazo prescricional
das contribuições previdenciárias se encontra
superada após a declaração de inconstitucionalidade
do artigo 45 da Lei 8.212/91 pelo STJ.”
A declaração de inconstitucionalidade da lei que preconiza
prazo de decadência de dez anos para o lançamento das
contribuições previdenciárias trás conseqüências
imediatas não somente no processo executório em trâmite
no Poder Judiciário, mas no procedimentos administrativos
(impugnações em NFLDs) em andamento na administração
tributária federal (Delegacias de Julgamento da Receita Federal
do Brasil e 2º Conselho de Contribuintes do Ministério
da Fazenda).
Segundo dados da Previdência, atualizados até setembro
de 2007, há na dívida ativa do órgão
cerca de R$ 130 bilhões, onde estão contidos com certeza
valores levantados pelo fisco contidos entre o 5º e o 10º ano,
retroagindo desde as NFLDs e AIs, embora tenha seguido a lei, esta
ficará fora do mundo jurídico e fulminará, pela
decadência, o direito da Previdência em mantê-los
na dívida ativa.
O julgamento do STF colocará ponto final na polêmica.
A uma, por ser decisão do plenário; a duas, pela possibilidade
de ser aplicada a Repercussão Geral e o Efeito Vinculante,
ferramentas moderna onde as decisões do plenário deverão
ser obedecidas, inflexivelmente, por todos juízes e pela administração
pública direta e indireta, no caso a Receita Federal do Brasil.
Espera-se um julgamento não político, onde a Carta
Magna seja respeitada, no ano que se comemora 20 anos de sua promulgação.
Notas:
[1] RE 559.943 (relatora: Ministra Cármen Lúcia),
RE 559.882, RE 556.664, RE 560626 (relator: Ministro Gilmar Mendes).
[2] Artigo 45 e 46 da Lei 8.212/91
[3] AI no Recurso Especial 616.348 – MG, DJ de 15/10/2007.
[4] Artigo 146, III, b, da CF/1988
[5] Lei 5.162, de 25/10/1966; Artigo 173. O direito de a Fazenda
Pública constituir o crédito tributário extingue-se
após 5 (cinco) anos, contados: I — do primeiro dia do
exercício seguinte àquele em que o lançamento
poderia ter sido efetuado; II — da data em que se tornar definitiva
a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento
anteriormente efetuado.
[6] Artigo 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir
seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados:
I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em
que o crédito poderia ter sido constituído; II - da
data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,
por vício formal, a constituição de crédito
anteriormente efetuada.
[7] EDAC 2006.38.10.001345-3/MG; Embargos de Declaração
na Apelação Civil — 8ª Turma — TRF-1ª Região.
Bibliografia:
(a) Curso de Direito Constitucional Positivo, ed. Malheiros, 20ª edição,
p.47.
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