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Gazeta do Povo, 26 de maio de 2008
Emenda constitucional
Em votação, 7,6 mil
vagas de vereador
PEC com o objetivo de “corrigir distorções” criadas
pela redução das câmaras de vereadores em 2004
deve ser apreciada pela Câmara dos Deputados nesta semana
A Câmara dos Deputados deve votar nesta semana uma proposta de emenda
constitucional que pode aumentar em 7.639 o número de vereadores no
país nas próximas eleições. Segundo o autor da
chamada PEC dos Vereadores, deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), a intenção
do projeto é “corrigir distorções” que ocorreram
com a publicação da resolução do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE), em 2004, que reduziu o número de vereadores no país
de 60.276 para 51.875 vagas.
A PEC também vai reduzir o volume de recursos repassados pelas prefeituras
aos legislativos municipais. Isso porque, embora tenha ocorrido a redução
do número de representantes nas eleições de 2004, os valores
repassados às câmaras municipais não foram, na ocasião,
alterados.
Caso a proposta seja aprovada, o número de vagas subirá para
59.514, ou seja 762 vereadores a menos do que havia nas eleições
de 2000. Conforme o estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Administração
Municipal (Ibam) sobre a PEC, a alteração vai estabelecer uma
melhor representação política, já que a resolução
do TSE de 2004 fez com que 89,5% das câmaras municipais do país
tivessem a mesma representatividade, embora seja grande a diferença
populacional das cidades.
Pela resolução do TSE, os municípios com população
até 47.619 habitantes teriam o mesmo número de representantes – ou
seja, nove vereadores. De acordo com o Ibam, é evidente que um município
com população inferior a 10 mil habitantes apresenta complexidade
bastante diferente daquela apresentada por um município com população
superior a 50 mil habitantes.
A nova proposta divide o número de vagas nas câmaras municipais
brasileiras em 25 faixas. A primeira delas estabelece que em municípios
de até 15 mil habitantes, será nove o número de representantes.
A segunda, determina que, nas cidades entre 15 mil e 30 mil, o número
de vereadores será 11, e assim por diante.
Tramitando na Câmara desde 2004, a PEC sofreu diversas alterações
do relator, o então deputado Luiz Eduardo Greenhalg, que elaborou o
substitutivo, e pode receber novas emendas, para alterar os critérios
de repasses às câmaras. Segundo Pompeo de Mattos, a comissão
que está discutindo a PEC dos Vereadores praticamente chegou a um consenso
sobre as regras para estabelecer o número de parlamentares nas câmaras,
mas ainda não há acordo sobre qual será a redução
dos recursos. “A única dúvida hoje é qual será a
redução dos repasses, que pode variar entre 40% e 70%”,
declarou Pompeo de Mattos, ao lembrar que, além dele próprio,
os parlamentares Mário Heringer (PDT-MG) e Vítor Penido (DEM-MG)
também propõem reduções nos repasses.
Segundo o deputado federal Alfredo Kaefer (PSDB-PR), integrante da Frente Municipalista
do Congresso Nacional, há uma possibilidade de aglutinar as propostas
dos três deputados, para se chegar a um consenso. “Acho que a proposta
passa se houver uma redução de gastos nos orçamentos das
câmaras.”
O Congresso Nacional tem pouco tempo para conseguir a aprovação
da proposta, a fim de que ela possa valer nas eleições de outubro.
A PEC precisa ser votada em dois turnos na Câmara e no Senado até o
dia 30 junho, data-limite para os partidos realizarem convenções
e indicarem seus candidatos. Caso a PEC não seja aprovada, passará a
valer os regulamentos dispostos nas leis orgânicas dos municípios,
desde que respeitem os dispositivos constitucionais. O TSE pode decidir também
editar nova resolução que regule o número de vereadores
nos municípios brasileiros.
Paraná pode ter acréscimo
de 11,8%
Caso a proposta de emenda constitucional dos vereadores seja aprovada a tempo
de valer para as eleições deste ano, o Paraná pode ter
um acréscimo de 438 representantes em relação à eleição
passada. Assim, passaria de 3.697 parelamentares para um total de 4.135, segundo
o Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam). Isso
representa um acréscimo de 11,8% – índice menor que a média
nacional: 14,7%.
Entre os municípios com mais de 300 mil habitantes, Curitiba é o
que teria menor impacto, com o acréscimo de apenas uma cadeira. Já Maringá e
Londrina podem ganhar respectivamente mais oito e seis cadeiras.
Três municípios – Guarapuava, Piraquara e Umuarama – teriam
um aumento de nove representantes. E dez cidades – Almirante Tamandaré,
Apucarana, Arapongas, Araucária, Cambé, Campo Largo, Colombo,
Paranaguá, Pinhais e Toledo – ficariam com mais oito cadeiras
em suas câmaras. Em 62 cidades, que representam 15,5% do total do estado,
haveria um aumento de duas vagas. Em 281 cidades (70%), onde há menos
de 15 mil habitantes, devem ser mantidos nove vereadores.

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CUT, 26 de maio de 2008
Paralisação em São José dos
Campos
Mais de dez mil operários
da construção civil exigem aumento real
Por: Leonardo Severo

Milhares de operários da construção civil
participaram da assembléia
Sem aumento real, o bicho vai
pegar! Com esta conclamação, cerca de dez mil operários
da construção civil que trabalham nas obras da Refinaria
de São José dos Campos decidiram continuar paralisados
por 15% de aumento real e reposição pelo INPC. Com data-base
em maio, a categoria exige o reembolso das passagens para os trabalhadores
que residem com seus familiares a partir de 200 km (a cada 60 dias);
auxílio-alimentação de R$ 200,00; Participação
nos Lucros e Resultados (PLR) nos mesmos moldes do Consórcio Propeno
- conquistada após uma greve realizada pelo Sindicato no mês
de setembro -; e convênio médico com cobertura nacional.
Por decisão da Justiça,
o Sindicato e a comissão de empresa deverão acompanhar
conjuntamente a mobilização, já que elementos vinculados
ao PSTU/Conlutas tentaram dividir os trabalhadores, quase levando o movimento à derrota.
Nesta segunda-feira, às
16 horas, em Campinas será instalado o dissídio coletivo,
com a presença da representação sindical.
O presidente da Confederação
Nacional de Sindicatos dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e da Madeira (Conticom/CUT), Waldemar de Oliveira, e vários diretores
da entidade acompanharam a assembléia, respaldando a ação
do Sindicato contra os divisionistas e provocadores, e conclamando a
categoria a manter-se unida e mobilizada para garantir direitos e avançar.
" A construção
civil é o setor que mais cresce no país, tendo superado
a marca dos 13% de aumento no ano passado. No estado de São Paulo,
o crescimento foi ainda maior: 16%. Novas linhas de financiamento, redução
de impostos e crédito mais barato somam-se ao PAC (Programa de
Aceleração do Crescimento), multiplicando os canteiros
de obras e os empregos. Nas obras da refinaria, são milhares de
novos postos de trabalho. Isso abre espaço para aumento real",
declarou Waldemar.
Segundo o presidente da Conticom/CUT, "a
hora é de unidade e mobilização". Waldemar
denunciou que "em plena campanha salarial da categoria, um grupo
de divisionistas do PSTU tentou desacreditar a diretoria do Sindicato,
com uma campanha de mentiras e desinformação, onde venderem
ilusões ao trabalhador".
Leonardo@cut.org.br
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AGÊNCIA DIAP, 26 de
maio de 2008
SEGURO-DESEMPREGO
Gasto com desempregado só perde
para o da Previdência
Governo já estuda limitar
benefício. Gasto maior com seguro-desemprego é creditado à formalização
do mercado. Segundo governo, em 2007 houve 14,3 milhões de contratações
e 12,7 milhões de desligamentos e a rotatividade foi de 44,8%
Enquanto a economia brasileira
vive seu melhor momento desde o Plano Real, o seguro-desemprego expande
seus gastos em ritmo bem acima do previsto e caminha para se tornar o
segundo maior programa social tocado pela União.
Diante do número de pedidos
do benefício nos primeiros meses do ano, o governo decidiu recalcular
as despesas previstas para o ano, de R$ 13,8 bilhões, fixados
no Orçamento aprovado pelo Congresso, para R$ 15 bilhões.
A escalada dos gastos já inspira estudos para restringir o benefício.
Com a nova estimativa, o programa
passa a superar, na lista das iniciativas sociais mais dispendiosas a
cargo do governo federal, o Benefício de Prestação
Continuada pago a idosos e a deficientes de baixa renda desde a aprovação
da Loas (Lei Orgânica de Assistência Social), em 1993.
Atrás
da Previdência
Entre os maiores programas de transferência de renda do país,
o seguro-desemprego, existente há 22 anos, agora fica atrás apenas
da imbatível Previdência Social. Principal marca da administração
petista, o Bolsa Família ocupa a quarta colocação, atrás
do BPC.
A transferência direta
de renda a famílias é a modalidade que mais cresce no gasto
público social. Mesmo antes da revisão dos números,
o seguro já superava o Brasil Universitário, que inclui
todas as instituições federais de ensino superior, e a
parcela executada pela União das maiores ações do
SUS (Sistema Único de Saúde).
A expansão do programa
não é, obviamente, motivo de comemoração
na área econômica do governo -tampouco na área social.
Os gastos com os desempregados estão entre as despesas federais
que mais crescem neste ano, ao lado dos investimentos, declarados prioridade
do segundo mandato de Lula.
Ao contrário do que pode
parecer, o motivo principal do aumento dos gastos não é o
reajuste do salário mínimo, piso para os benefícios
do programa, para R$ 415. O crescimento do seguro-desemprego supera,
com folga, o dos demais programas vinculados ao mínimo, como a
Previdência e o BPC. A razão é mesmo o surpreendente
aumento do número de requerentes atendidos.
No ano passado, estimava-se que
o programa atenderia 5,9 milhões de trabalhadores, mas o número
saltou para 6,4 milhões. A quantidade de beneficiários
deste ano, que na projeção anterior era de 6,1 milhões,
já foi elevada para 6,6 milhões.
Mais
carteira assinada
Em documentos oficiais, o fenômeno é justificado pela maior formalização
da mão-de-obra nos últimos anos, ou seja, pelo aumento da proporção
de trabalhadores com carteira assinada. O seguro-desemprego atende a trabalhadores
demitidos sem justa causa -e os informais não podem comprovar o direito
ao benefício.
Segundo dados do Ministério
do Trabalho, o número de empregos formais saltou de 22,3 milhões,
no início de 2002, para 29,1 milhões, no final do ano passado.
Por essa explicação, a expansão do seguro-desemprego é uma
espécie de efeito colateral do crescimento econômico: os
trabalhadores conquistaram mais lugares no mercado formal e, conseqüentemente,
mais direitos.
No entanto, o mesmo raciocínio
implica uma taxa de rotatividade de mão-de-obra que as próprias
autoridades consideram anormal. Sempre segundo o ministério, houve
em 2007 14,3 milhões de contratações e 12,7 milhões
de desligamentos, para montante médio de 28,4 milhões de
trabalhadores formais no ano - o que resulta em rotatividade de 44,8%.
Superestimação
" Esses percentuais são de fato muito elevados e podem estar superestimados",
avalia relatório anexado ao projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias
para 2009, enviado pelo Executivo ao Congresso. O texto prevê que os beneficiários
do seguro-desemprego cheguem a 7 milhões no ano eleitoral de 2010, o que
significará R$ 19,2 bilhões em valores atuais.
A ampliação do
mercado formal também é usada para explicar o crescimento
de outro programa a cargo do Ministério do Trabalho - o abono
salarial.
Pago a trabalhadores com renda
mensal média de até dois mínimos, o abono custa
ao governo menos da metade da despesa com o seguro-desemprego, mas é o
segundo maior programa de transferência de renda em número
de beneficiários -o Bolsa Família é o terceiro.
As previsões de
gastos com o abono neste ano foram elevadas dos R$ 5,5 bilhões
do Orçamento para R$ 6,1 bilhões. (Fonte:
Folha de S.Paulo; intertítulos do Diap)
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AGÊNCIA DIAP, 26 de
maio de 2008
DIA DE LUTA
Centrais discutem hoje calendário
de mobilização do dia 28
Hoje, às 14 horas, no
Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, os presidentes das
centrais sindicais acertarão os últimos detalhes
do Dia Nacional de Luta pela Redução da Jornada de
Trabalho de 44 horas para 40 horas sem redução de
salários.
Para o Dia Nacional de Luta estão
programadas manifestações e paralisações
em vários estados do País.
Está previsto ainda,
para o dia 29 (quina-feira), que as centrais entregarão no Congresso
Nacional as assinaturas pela aprovação da PEC 393/01,
dos senadores Paulo Paim (PT/RS) e Inácio Arruda (PCdoB/CE),
que reduz a jornada de trabalho e aumenta o percentual das horas extras.
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GAZETA DO POVO, 26 de maio
de 2008 | Economia
Discurso
Lula afirma que economia do país
cresce ao ritmo de 5% ao ano
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva afirmou que "neste momento, nossa economia cresce
ao ritmo de 5% ao ano". Ele lembrou que, no ano passado, a expansão
do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 5,4%. O presidente discursou esta
manhã no 20º Fórum Nacional, realizado na sede do
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no
Rio de Janeiro.
Lula considerou essencial o zelo
pelas finanças públicas e enfatizou a redução
da pobreza e da desigualdade como "o melhor" da sua política
econômica. "Nossos olhos e ouvidos têm de estar abertos à população",
disse.
O presidente criticou os
que viam a política econômica do seu governo como continuidade
do anterior e os que atribuíram as evoluções na
economia brasileira ao ambiente internacional favorável no primeiro
mandato. "Não há economia sustentável sem
inclusão social. Não vale a pena governar se não
for para reduzir pobreza e desigualdade", destacou.
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AGÊNCIA DIAP, 26 de
maio de 2008
CAPITAL HUMANO
País subutiliza mão-de-obra
qualificada, aponta estudo
Desde 1980, capital humano
cresce num ritmo muito superior ao da economia. Roberto Albuquerque,
do Inae, avalia que hoje, se o Brasil crescer 5% ao ano, pode aproveitar
melhor sua mão-de-obra qualificada
O Brasil vive, desde 1980, um
paradoxo. De um lado, há poucas dúvidas de que a baixa
qualificação de sua mão-de-obra é um sério
entrave para o crescimento econômico. De outro, olhando para trás,
o que se verifica é que o crescimento da economia foi insuficiente
para aproveitar a melhoria na qualificação de seu capital
humano.
Esse quadro fica claro na análise
de um estudo que será divulgado nesta semana no 20º Fórum
Nacional, de 26 a 30 de maio no Rio, pelo diretor-técnico do Inae
(Instituto Nacional de Altos Estudos), Roberto Cavalcanti de Albuquerque.
O trabalho compara a evolução do capital humano brasileiro
- medido por meio do tamanho da população com 15 anos ou
mais de idade e sua alfabetização e escolaridade média
- com a variação do PIB desde 1970.
Na primeira década comparada,
essas duas variáveis cresceram em ritmos similares, o que indica
que a economia gerava empregos compatíveis com a qualificação
da mão-de-obra. Desde 1980, porém, há um descolamento
das duas variáveis e o capital humano passa a crescer num ritmo
muito superior ao da economia, indicando subaproveitamento do potencial
da mão-de-obra.
Aspecto
importante
Albuquerque explica que esse aparente paradoxo ocorreu no Brasil porque a formação
de uma mão-de-obra qualificada é aspecto importante, mas não
o único, a influenciar o crescimento econômico. "É preciso
ter, de um lado, um processo de formação de capital humano dinâmico,
mas, de outro, tem que ter também uma economia que gere os empregos
compatíveis com essa evolução. Foi justamente isso que
faltou ao Brasil nos anos 80 e 90."
Para o diretor-técnico
do Inae, no entanto, as condições hoje são mais
favoráveis ao melhor aproveitamento do capital humano: "Se
o país conseguir crescer num ritmo de 4% a 5% ao ano, o cenário
até 2015 é otimista, já que a pressão por
vagas no mercado de trabalho tende a diminuir por causa do crescimento
demográfico em ritmo mais lento".
Desenvolvimento
Social
Além de analisar a relação entre crescimento econômico
e capital humano, o estudo também analisa a evolução social
no Brasil a partir de um novo indicador: o IDS (Índice de Desenvolvimento
Social). A exemplo do que faz o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano),
da ONU, o IDS considera indicadores de saúde, educação
e renda para comparar regiões, mas agrega a essas três dimensões
também aspectos relativos ao trabalho e à habitação.
O IDS permite comparar a situação
de regiões e Estados brasileiros desde 1970. Ele mostra que a
desigualdade entre regiões caiu bastante, com o Norte e o Nordeste
se aproximando do restante do país.
Outra análise possível
a partir do trabalho é a comparação entre o grau
de desenvolvimento social e o PIB per capita. Ao confrontar essas duas
variáveis, é possível identificar Estados ou regiões
que poderiam estar numa posição melhor do ponto de vista
de seus indicadores sociais se aproveitassem melhor sua riqueza.
Um exemplo claro disso é a
comparação das regiões Sul e Sudeste. Apesar de
ter um PIB per capita 17% superior ao do Sul, o Sudeste fica atrás
dessa região quando se leva em conta o conjunto de seus indicadores
sociais medido pelo IDS.
Destaque
negativo
O mesmo pode ser feito com os estados. Neste caso, o destaque negativo é o
Rio, que tem o terceiro maior PIB per capita do país, mas apenas o sétimo
maior desenvolvimento social. Mato Grosso, Amazonas e Pernambuco são
outros exemplos de desenvolvimento social aquém do PIB per capita, quando
comparados com as demais unidades da federação.
Por outro lado, além dos
três Estados da região Sul, Tocantins e Ceará são
exemplos de unidades da Federação em que seu desempenho
social é melhor na comparação nacional do que o
seu PIB per capita.
Albuquerque explica que, no caso
da região Sul, um indicador importante a explicar o melhor aproveitamento
de sua riqueza em termos de desenvolvimento social é a menor desigualdade
nos rendimentos, que é um dos indicadores considerados na elaboração
do IDS.
No caso do Rio de Janeiro,
duas dimensões colocam o Estado para baixo nessa comparação:
a alta taxa de desemprego e um desempenho ruim na área da saúde
quando ele é comparado com Estados com PIB per capita semelhante. (Fonte:
Folha de S.Paulo; intertítulos do Diap)
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O ESTADO DO PARANÁ,
26 de maio de 2008 | Política
Lula diz que após Unasul, região
caminha para ter moeda única
Agência Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu programa semanal de rádio,
Café com o Presidente, analisou a criação da União
das Nações Sul-Americanas (Unasul), que nasceu no primeiro encontro,
na semana passada em Brasília, com a presença de 12 representantes
de países da América do Sul, e disse que "na verdade, muita
coisa ainda não se concretizou". "Nós agora estamos
criando o Banco da América do Sul. Nós vamos caminhar para, no
futuro, termos um banco central único, para ter moeda única.
Nós vamos caminhar para isso. Agora, isso é um processo e não é uma
coisa rápida", acrescentou.
Lula afirmou que sua idéia
de criação do Conselho de Defesa sul-americano pode ser
analisada novamente em 90 dias, com a elaboração de uma
proposta melhor e que supere divergências, que ele reconheceu existir.
O presidente lembrou, entretanto, que "dos 12 países, apenas
a Colômbia colocou objeção". E complementou: "Depois
eu conversei com o presidente (Alvaro) Uribe. Vamos voltar a conversar.
Estou viajando à Colômbia no dia 20 de julho. E eu acho
que as coisas vão se acertar. O que é importante para mim é uma
frase que eu disse quando eu tomei posse em 2003: nós vamos começar
fazendo o necessário, depois a gente vai fazer o possível
e quando menos imaginar nós estaremos fazendo o impossível".
Conforme o presidente, "era
impossível, há cinco anos, a gente pensar que a situação
da América do Sul estivesse do jeito que está". "Com
muitos presidentes comprometidos com a maioria do povo, com a inclusão
social, eleitos democraticamente, com as instituições se
fortalecendo e com a criação da Unasul", explicou.
Lula também disse que a instituição era um sonho
que tinha desde 2004 e parecia "uma coisa impossível porque
aqui, na América do Sul, nós fomos preparados, doutrinados
para acreditar que nós não daríamos certo em nada,
que nós somos pobres, que nós brigamos muito, e que nós
temos que depender dos Estados Unidos e da União Européia".
Lula admitiu que a Unasul nasceu
de um sonho seu e que "nós vamos vencendo as barreiras e
vamos vencendo também os céticos, as pessoas que não
acreditam em nada". O presidente defendeu que se invista na Bolívia,
Paraguai e Uruguai, que são os países economicamente mais
frágeis em sua avaliação. "Nós temos
obrigação de ajudá-los, porque quanto mais forte
economicamente forem os países da América do Sul, mais
tranqüilidade todos nós vamos ter, mais paz, mais democracia,
mais comércio, mais empresas, mais empregos, mais renda, mais
desenvolvimento. É isso que nós buscamos para a América
do Sul e eu acho que é isso que foi consolidado com a assinatura
do tratado" que criou a Unasul.
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CUT, 26 de maio de 2008
Armação anti-sindical
UTC Engenharia sorteia brinde para fura-greve
Por: Norian Segatto
A UTC engenharia é uma das gigantes do ramo, com contratos milionários
com empresas como a Petrobrás. No balanço de 2006 (o de 2007
ainda não está publicado na página da empresa) registrou
receita líquida de R$ 525 milhões e lucro acumulado de R$ 59,3
milhões. Apesar do porte e de empregar milhares de trabalhadores em
todo o país, essa empresa continua agindo como uma boca-de-porco de
fundo de quintal, sem valorizar os verdadeiros responsáveis por esse
excelente lucro: seus trabalhadores.
Após uma greve de 20
dias realizada na Petrobrás, na Refinaria do Planalto (Replan),
em Campinas, quando cerca de 1.500 trabalhadores cruzaram os braços
para exigir um abono de R$ 200, a UTC passou a perseguir e demitir, inclusive
candidatos à Cipa. Agora, junto com outras duas empresas que atuam
na refinaria, a Gutierrez e a Zarif, lança nova investida contra
a organização dos trabalhadores: para evitar uma paralisação
marcada para ter início no dia 21, a UTC prometeu sortear brindes
para quem furar a greve. Panfletos distribuídos na Refinaria dizem
que o sorteio pode acontecer "qualquer dia" e só irá concorrer
quem estiver presente.
O diretor do Sindicato dos Petroleiros
Unificado, Jefferson de Paula, diz que os trabalhadores receberam com
indignação a notícia do sorteio. "Os trabalhadores
da construção civil estão em dissídio coletivo,
tal atitude da UTC e suas quarteirizadas é um ataque aos trabalhadores,
que querem reajuste digno, auxílio-moradia, melhores condições
de trabalho, segurança e aumento real. Essa tática de premiar
pelegos e fura-greves remonta à ditadura militar, quando havia
o tal do ‘operário-padrão’, que nada mais era
do que um trofeuzinho para quem traia a categoria", afirma o dirigente.
Quanto
custa sua honra
Você venderia sua honra
e prejudicaria seus companheiros por uns 80 reais? É isso que
os patrões da UTC, Gutierrez e Zarif querem que seus empregados
façam quando oferecem um aparelhinho de MP3. "Isso parece
com os invasores portugueses que vieram ao Brasil, ofereceram espelhinhos
para os índios e depois dizimaram quase todos; esses patrões
querem acabar com a organização dos trabalhadores oferecendo
migalhas", avalia o diretor do Sindipetro Unificado, Rogério
Santa Rosa.
Apesar das ameaças e
da tentativa de cooptação, os terceirizados da UTC e de
outras empresas da Replan paralisaram as atividades na quarta-feira,
dia 21. Cerca de 3 mil trabalhadores aderiram à greve, que faz
parte do calendário da campanha salarial da construção
civil.
Unidade
na luta
A arma do trabalhador é a
unidade de classe. Na greve de 1995, na Petrobrás, o governo FHC
ameaçou de demissão milhares de trabalhadores caso não
retornassem imediatamente ao trabalho. Qual foi a atitude do movimento
sindical à época? Todos os trabalhadores assinaram carta
de demissão e as deixaram aos cuidados da FUP, se algum trabalhador
fosse demitido, no dia seguinte a empresa e o governo receberiam 50 mil
cartas de demissão. Diante da postura dos trabalhadores, FHC afinou
e a greve prosseguiu por 32 dias.
www.sindicalismoecultura.blogspot.com

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26/05/2008
JT de Rondônia condena empresa a indenizar
trabalhador que inalou formol
O Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região (RO/AC) manteve por
unanimidade decisão da 4ª Vara do Trabalho de Porto Velho que condenou
a transportadora de cargas perigosas Gobor a pagar indenização
por danos morais a empregado que inalou formol por falta de equipamento de
proteção. Ao analisar o recurso do autor, a Turma acresceu à condenação
pensão mensal alimentícia pelo resto da vida, com base no último
vencimento convertido em salários mínimos, com as garantias de
capital da empresa para o pagamento.
O pagamento da pensão
será retroativo ao ano 2000. Naquele ano o empregado, ao transportar
carregamento de formol sem equipamentos de segurança individual
(EPI), não fornecidos pela empresa, inalou grande quantidade de
formaldeído. Passou a sofrer de crises renais crônicas e
foi transferido de função para o quadro de seguranças
pelo próprio empregador.
Os advogados da empresa embasaram
a defesa em parecer médico em que o perito informou não
haver relatos, “na literatura disponível, da ocorrência
de insuficiência renal crônica, que leva o paciente a hemodiálise,
por inalação de formaldeído [formol]”. Entretanto,
depois de cuidadosa pesquisa na rede mundial de computadores, foi constatada
divergência sobre a informação do médico perito.
A principal divergência,
constante no sítio do Instituto Nacional do Câncer (INCA), é que “a
inalação de formol pode causar insuficiência renal
crônica, além de lesões como corrosão no estômago
e estrias esofágicas e colapso circulatório e nos rins
após a ingestão. A inalação ou aspiração
do produto pode provocar severas alterações pulmonares
ao entrar em contato com o meio ácido estomacal. Outras conseqüências
são danos degenerativos no fígado, rins, coração
e cérebro”.
Em seus votos, os integrantes
da 2ª Turma do TRT-RO/AC reconheceram o nexo de causalidade entre
o dano à saúde do trabalhador e o acidente de trabalho
e consideraram comprovada nos autos a incapacidade para o trabalho por
culpa da empresa, que transportava carga química perigosa/insalubre
de forma ilegal e não forneceu EPI para a vítima. Desta
forma, entenderam que o empregador deve ser condenado ao pagamento de
pensão alimentícia vitalícia ao empregado, a título
de lucros cessantes (renda que o trabalhador deixou de auferir em razão
de sua incapacidade laborativa).
(Celso Gomes, do TRT da 14ª Região)
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26/05/2008
Imprensa oficial de Roraima deve publicar
gratuitamente atos da JT
Com a justificativa da ausência
de previsão legal para contemplar a gratuidade da publicação,
o Estado de Roraima se recusou a publicar edital da Justiça
do Trabalho no Diário Oficial estadual em abril de 2006. Após
determinação da 2ª Vara do Trabalho de Boa Vista
para que fosse publicado o edital, o Estado, inconformado, impetrou
mandado de segurança contra o juiz (aqui chamado de autoridade
coatora). O mandado, rejeitado pelo Tribunal Regional do Trabalho da
11ª Região (RR), foi objeto de recurso ordinário
em mandado de segurança (ROMS) julgado pela Seção
Especializada em Dissídios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior
do Trabalho.
Ao apreciar o mandado, o TRT/RR
entendeu ser incabível a cobrança de publicações
de expedientes forenses pelos órgãos de imprensa oficial
e negou a segurança contra o ato judicial que determinou à Imprensa
Oficial do Estado de Roraima a publicação gratuita das
matérias constantes dos processos em tramitação
naquele Tribunal. O Regional considerou que o serviço de imprensa
oficial é essencialmente voltado para o interesse público,
e a publicidade dos atos decisórios da Justiça do Trabalho é fundamental à Justiça
do Trabalho e ao Estado de Roraima.
O TRT ressaltou, também,
que o ato atacado foi proferido de acordo com a previsão legal
de gratuidade contida no artigo 8º, IV, Decreto Federal nº 4.520,
de 16.12.2002, e no artigo 1.216 do CPC. O decreto federal dispõe
que são publicados gratuitamente os despachos, resoluções,
pautas, atas, editais relativos à justiça gratuita, intimações,
notas de expediente dos cartórios judiciais, acórdãos
e demais atos oficiais do Poder Judiciário. Já o CPC determina
aos órgãos oficiais da União e dos Estados a publicação
gratuita, no dia seguinte ao da entrega dos originais, dos despachos,
intimações, atas das sessões dos tribunais e notas
de expediente dos cartórios.
No entanto, o Estado de Roraima,
em recurso ao TST, insistiu no direito de agir somente em conformidade
com a lei, alegando que não há legislação
estadual que discipline a gratuidade da publicação de expedientes
do Poder Judiciário Federal no Diário Oficial do Estado
de Roraima. Para a SDI-2, porém, não há direito
líquido e certo a ser tutelado em mandado de segurança,
devido à ausência de ilegalidade ou abuso de poder praticado
pela autoridade dita coatora (o juiz da 2ª Vara do Trabalho de Boa
Vista).
A Seção Especializada,
ao negar provimento ao ROMS, julgou que, como decidiu o Regional, o ato
atacado, datado de 26/04/2006, respaldou-se em princípios legais,
no interesse público e em previsões legais de gratuidade
do Decreto Federal nº 4.520 e do CPC. O ministro Alberto Bresciani,
relator, citou em sua proposta de voto que o Decreto Estadual nº 7.616-E,
publicado em janeiro de 2007, prevê em seu artigo 4º a publicação
gratuita dos atos oficiais administrativos, normativos e de pessoal dos órgãos
do Poder Judiciário, assim como os despachos, intimações,
atas das sessões dos Tribunais e notas de expediente dos cartórios.
(RXOF e ROMS-396/2006-000-11-00.9)
(Lourdes Tavares)
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Folha
de S.Paulo, 26 de maio de 2008
Governo paga a empresas 54 vezes o que
doaram ao PT
Só das 20 maiores contribuintes, partido
recebeu R$ 8,7 milhões no ano passado | No segundo mandato de
Lula, empresas receberam R$ 473 milhões do governo federal; PT
foi o partido que mais obteve contribuições
FERNANDA ODILLA
RANIER BRAGON
LETÍCIA SANDER
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Parte das 20 empresas que mais doaram dinheiro ao PT em 2007 recebeu no segundo
mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pagamentos do governo
federal que totalizam ao menos 54 vezes o valor repassado ao partido.
A contabilidade do PT entregue no último dia 30 ao TSE (Tribunal Superior
Eleitoral) registra R$ 8,7 milhões em doações feitas por
20 empresas em 2007, metade desse valor oriundo de empreiteiras ou empresas
de construção civil.
Consulta ao Portal da Transparência do governo federal (www.transparencia.gov.br)
mostra que 8 das 20 doadoras receberam do governo, diretamente ou por meio
de empresas do mesmo grupo, um total de pelo menos R$ 473 milhões em
2007 e 2008. A empreiteira Andrade Gutierrez foi a maior doadora do PT em 2007,
com R$ 1,5 milhão. Do Portal da Transparência, ela consta como
beneficiária de R$ 45 milhões desde 2007.
O valor obtido no portal é subestimado, já que não abrange
possíveis subsidiárias não detectadas pela reportagem
e pagamentos feitos pelas estatais, que não são abrangidas pelo
portal do governo.
Um exemplo: a UCT Engenharia doou R$ 800 mil para o PT e não aparece
no portal como beneficiária em 2007 e 2008. Mas ela firmou em outubro
do ano passado contrato no valor de US$ 139,7 milhões para, em parceria
com a Rolls-Royce Energy Systems, fazer a provisão, montagem e operação
dos módulos de engenharia elétrica da P-56, plataforma da Petrobras
na Bacia de Campos.
O tesoureiro do PT, Paulo Ferreira, argumentou que todas as grandes empreiteiras
e bancos, principais doadoras do PT nos últimos anos, têm alguma
relação com os governos federal, estadual e municipal. "Não
vejo estranheza em colaborarem, porque nossos doadores são esses grandes
grupos." Ferreira afirmou que algumas empresas assumiram o compromisso
de ajudar, ainda em 2007, a quitar dívidas de campanha da reeleição
de Lula.
A Folha procurou as empresas doadoras do PT para saber o que as motivou a colaborar
financeiramente com o partido. As que se dispuseram a falar disseram que ou
simplesmente atenderam ao pedido de doação, ou são tradicionalmente
colaboradoras de partidos.
" Nosso melhor vendedor de álcool é o presidente", afirmou
o diretor de operações da sucro-alcooleira Goiasa Goiatuba Álcool,
Júlio Capobianco Filho. A empresa doou R$ 800 mil para o PT. No portal,
o grupo do qual faz parte a empresa aparece como beneficiário de R$ 142
milhões desde 2007. "O grupo não doa para ter contratos, mas,
sempre que procurados, avaliamos os pedidos", disse Capobianco Filho, acrescentando
que já foi chamado de "burro" por doar ao PT.
A assessoria da Andrade Gutierrez disse "que acredita no exercício
da cidadania corporativa" e que se reserva ao direito de não comentar
a doação. A WTorre informa não estar envolvida com nenhuma
obra do governo federal, mas que prefere doar em anos sem eleição.
Entre os quatro maiores partidos, o PT foi o que obteve maior volume de recursos
de empresas privadas. O PSDB arrecadou R$ 3 milhões. As doadoras do
PSDB receberam do governo federal, de acordo com o Portal da Transparência,
R$ 134 milhões. PMDB e DEM não registraram doações.
Anualmente, os partidos políticos são obrigados a apresentar
a suas prestações de contas ao TSE, que as julga depois de uma
lenta análise. Caso sejam rejeitadas, o partido fica por um ano sem
o dinheiro do fundo partidário, principal fonte de recurso das legendas.
A prestação de contas do PT de 2006 ainda está pendente
de julgamento, com recomendação da área técnica
do TSE pela rejeição por vários motivos, entre eles suposto
uso irregular de dinheiro do fundo partidário e recebimento de doação
de fonte vedada pela lei.
Naquele ano, eleitoral, o PT arrecadou R$ 43 milhões em doações,
sendo que as empreiteiras (R$ 12,5 milhões) e os bancos (R$ 8,8 milhões)
foram os mais generosos. O topo do ranking tinha Andrade Gutierrez (R$ 6,4
milhões) e Santander Banespa (R$ 3,2 milhões).
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Folha de S.Paulo, 26 de maio de 2008
Doadoras têm concessão
de serviço público
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Entre os principais doadores do PT em 2007, há pelo menos três
empresas que são sócias de concessionárias de serviço
público, além de outras duas que são investigadas pela
Polícia Federal sob suspeita de que seriam laranjas da Cisco, uma das
maiores empresas mundiais de redes para computadores.
A legislação eleitoral proíbe doação de
empresa que possui concessão pública. A legalidade do repasse
de recursos de empresas que são vinculadas a elas foi tema de julgamento
do TSE no final de 2006, quando por 4 votos a 2 se decidiu considerar válida
a doação. As doadores do PT que têm vínculos com
concessionárias públicas são a Construtora OAS, a Carioca
Christiani Nielsen e a Vega Engenharia Ambiental.
A OAS e a Carioca são sócias na CRT, concessionária da
rodovia federal Rio-Teresópolis. A Vega é acionista majoritária
da Loga (Logística Ambiental de São Paulo), concessionária
de lixo da região noroeste da capital paulista.
O tesoureiro do PT, Paulo Ferreira, afirmou ver "zero de problemas" nas
doações. "A decisão do tribunal é que acionista
não é concessionário", disse.
A Vega, por meio de nota, afirma que "a doação do PT é apenas
uma das ações que mantém a tônica da empresa de
sempre apoiar ações junto à comunidade". A OAS não
respondeu. A Carioca se limitou a dizer que os acionistas definem critérios
de doação.
A Cisco é investigada sob suspeita de ter montado uma rede de empresas
laranjas no Brasil para sonegar impostos de importação.
Policiais federais afirmaram, reservadamente, que a empresa teria doado R$
500 mil por meio de duas empresas laranjas da Bahia.
Segundo os policiais, a Cisco teria sido beneficiada em licitação
com a Caixa. A multinacional e a Caixa negam a acusação. O partido
diz que jamais vinculou "qualquer doação ao PT a processos
licitatórios ou a concorrências no serviço público".
(FO, RB e LS)
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FOLHA DE LONDRINA, 26 de
maio de 2008 | Economia
Dívida elevada impede o Brasil
de crescer mais
O maior desafio do governo é melhorar
a política fiscal, atrair mais investimento e expandir a atividade
econômica, diz agência
São Paulo - O Brasil terá dificuldades para elevar os atuais
níveis de crescimento econômico se não conseguir aprovar
reformas importantes, como a tributária e previdenciária. Para
a diretora da Standard & Poor’s (S&P), Lisa Schineller - a mulher
que ajudou a promover o País ao grau de investimento -, daqui para frente
o maior desafio do governo é melhorar a política fiscal, atrair
mais investimento e expandir a atividade econômica. ''Nossa avaliação é que
nas condições atuais o nível de crescimento sustentável
do País ficará entre 4% e 4,5%'', diz, em entrevista exclusiva
ao Grupo Estado. ''O Brasil ainda não tem habilidade de crescer 5,4%
por ano.''
Ela reconhece que a parte fiscal é um
dos pontos mais fracos do rating do Brasil. ''A relação
dívida/PIB (Produto Interno Bruto) de 47% é muito alta. É quase
o dobro da média da categoria BBB, que é de 20% do PIB.''
A política do governo, para resolver esse problema, completa Lisa, é manter
uma queda da dívida mais lenta.
''Uma redução mais
profunda teria um impacto mais favorável no ritmo de crescimento
e facilitaria um nível maior de investimento. As reformas podem
ajudar o País a ter uma economia mais forte.''
Apesar da elevada dívida,
Lisa esclarece que a S&P concedeu o grau de investimento pela combinação
de uma série de outros indicadores, como a ''impressionante''
melhora da vulnerabilidade externa, compromisso de uma política
pragmática fiscal e monetária e nível de crescimento
mais sustentável. Além disso, há maior segurança
para o investidor de que o governo tem capacidade de honrar compromissos,
avalia Lisa, que acompanha o rating do Brasil há nove anos. ''Em
quase uma década de política consistente na parte macro,
as mudanças foram surpreendentes, com inflação baixa
e melhora nas contas fiscais e externas.'' Tudo isso foi levando em conta
no momento de inserir o Brasil no clube de países considerados
mais seguros.
Mas o trabalho ainda está no
início. A nota dada pela S&P é apenas o primeiro nível
da escala grau de investimento rumo ao AAA. Ela alerta que chegar a esse
grupo não significa estar imune a qualquer rebaixamento de classificação.
Na história da S&P, nove países já perderam
o grau de investimento. Dois deles são da América Latina
- Colômbia e Uruguai -, que ainda não conseguiram recuperar
a nota.
Em todos os casos, diz Lisa,
o rebaixamento ocorreu por causa da política fiscal, maior fragilidade
do Brasil. ''Para manter o grau de investimento é preciso manter
uma política pragmática.''
A diretora da S&P reconhece
que o bom momento do cenário global deu espaço para o Brasil
promover as mudanças. ''Mas o governo também teve méritos.''
Isso porque outros países, inclusive da América Latina,
não tiveram a mesma evolução. Nem Venezuela e Equador,
que têm petróleo e mais espaço para crescer, conseguiram
desempenho semelhante ao do Brasil, diz Lisa.
''A Argentina cresceu muito depois
da crise, mas suas políticas tem várias inconsistências
em termos de inflação.'' No Brasil, diz ela, houve mais
compromisso por parte do governo. Um exemplo é a manutenção
da independência operacional do Banco Central.
A executiva avalia que a decisão
da autoridade monetária de elevar os juros na última reunião
do Comitê de Política Monetária traduz isso. ''O
nível de crescimento vai suavizar, mas é um mal que precisa
ser feito para conter a inflação e ter mais benefícios
no futuro.''
Renée Pereira
Agência Estado
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Agência Diap, 26 de
maio de 2008
MERCADO INFORMAL
Senado debate participação
dos salários na renda nacional
A Comissão de Assuntos
Sociais (CAS) do Senado, realiza nesta terça-feira (27), às
11h, audiência pública para discutir o mercado informal,
a participação dos salários na formação
da renda nacional e a nova estrutura sindical.
O ministro do Núcleo de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger,
foi convidado para participar dos debates.
Conta-salário
O colegiado voltou a agendar e poderá votar o substitutivo a dois projetos
que permitem ao trabalhador escolher a agência bancária em que
deseja receber sua remuneração.
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Agência Diap, 26 de
maio de 2008
CONSTRANGIMENTO
Projeto que proíbe revista íntima
em trabalhador está na pauta da CCJ
A Comissão de Constituição
Justiça da Câmara poderá apreciar, nesta semana,
o PL 583/07, da deputada Alice Portugal (PCdoB/BA), que dispõe
sobre a proibição de revista íntima de funcionárias
nos locais de trabalho.
A matéria já foi aprovada pela Comissão de Trabalho onde
foi modificada pelo relator, que ampliou os benefícios do projeto, proibindo
as revistas íntimas em trabalhadores e trabalhadoras.
O relator no colegiado é o deputado Pinto Itamaraty (PSDB/MA), que apresentou
parecer favorável à matéria. A proposta passará ainda
pelo plenário da Casa.
Periculosidade
O colegiado poderá votar ainda o PL 7.378/06, do senador Paulo Paim
(PT/RS), que concede adicional de periculosidade aos eletricitários.
A matéria também já passou pela Comissão de Trabalho
da Casa, onde foi aprovada.
O projeto é amplo, pois prevê benefício para qualquer trabalhador
que, por conta da atividade, tenha que lidar permanentemente com eletricidade.
O relator na CCJ é o deputado Pastor Manoel Ferreira (PTB/RJ), que apresentou
parecer favorável à proposta. Se a matéria for aprovada,
em razão de ser analisada em caráter terminativo, será encaminhada à sanção
presidencial, caso não haja recurso contrário à decisão
do colegiado.
A CCJ realiza sessões nesta terça-feira (27), no plenário
1, a partir das 14 horas e, também, nesta quarta-feira (28), pela manhã,
no mesmo plenário.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
26/05/2008
Operário que perdeu quatro dedos
em prensa receberá pensão vitalícia
A Primeira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho condenou a Kepler Weber Industrial, de Campo Grande
(MS), a pagar pensão mensal vitalícia a um operador de
prensa que teve quatro dedos esmagados por uma prensa de quatro toneladas,
num acidente de trabalho. Ao contrário da Justiça do Trabalho
da 24ª Região (MS), o TST entendeu que o acidente resultou
na diminuição significativa da capacidade de trabalho do
operário, o que justifica a concessão da pensão.
O trabalhador foi admitido como
operador de prensa para perfuração de chapas de aço
em agosto de 2005. Menos de dois meses depois, sofreu o acidente: a colega
que operava a prensa junto com ele acionou a máquina sem que ele
tivesse retirado sua mão. O botão de emergência não
funcionou, e o trabalhador teve os dedos de sua mão direita esmagados,
com lesões múltiplas nos ligamentos, nos nervos e nas articulações.
Pediu, na ação trabalhista, indenização por
danos materiais, morais e estéticos.
Na contestação,
a Kepler Weber alegou que o acidente ocorreu “por culpa exclusiva
do trabalhador, que desrespeitou todas as orientações e
instruções passadas diariamente a todos os seus colaboradores”.
Afirmou que a empresa, com mais de 80 anos no mercado, desenvolvia programas
de medicina e segurança no trabalho a fim de eliminar riscos a
seus trabalhadores, e que suas máquinas, com dispositivos de segurança “da
mais alta tecnologia”, são diariamente verificadas.
A 3ª Vara do Trabalho de
Campo Grande condenou a empresa ao pagamento de indenização
por danos morais, inclusive estéticos, no valor de R$ 50 mil.
Negou, no entanto, o pedido de pensão vitalícia por considerar
que as lesões, embora irreversíveis, “não
o impediam de trabalhar e levar uma vida praticamente normal”.
A decisão foi mantida pelo TRT/MS, cujo entendimento foi o de
que o benefício por invalidez pelo INSS supriria essa necessidade.
No recurso de revista ao TST,
o operador sustentou que o benefício do INSS não impede
o recebimento de pensão mensal, e que o próprio TRT reconheceu
a sua incapacidade para o trabalho. O relator, ministro Walmir Oliveira
da Costa, afirmou em seu voto que o ordenamento jurídico nacional
garante a concessão de pensão àqueles que tenham
sofrido redução de sua capacidade de trabalho em virtude
de dano causado por terceiro (artigo 950 do Código Civil). Ressaltou,
ainda, que o benefício previdenciário e a pensão
mensal a título de dano moral possuem fatos geradores diversos. “O
primeiro é decorrente do custeio patronal e profissional decorrente
das contribuições ao INSS, com liberação
independente de ato culposo do empregador”, explicou. “O
segundo diz respeito à obrigação patronal em ressarcir
o dano resultante do infortúnio em que concorreu com culpa.”
Por unanimidade, a Primeira Turma
deferiu o pagamento de pensão no valor equivalente à remuneração
recebida pelo trabalhador, até que ele complete 65 anos de idade.
(RR 1932/2005-003-24-00.0)
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