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Agência Diap, 27 de
maio de 2008
JORNADA DE LUTA
Panfletagem nacional aquece movimento
pela redução da jornada
Hoje (27), os trabalhadores voltam às
ruas de todo País para uma grande panfletagem. A atividade, organizada
pelas centrais sindicais, antecede o Dia Nacional de Mobilização,
que acontece nesta quarta-feira (28), em defesa da redução
da jornada de trabalho, sem redução de salário;
pela ratificação das convenções 151 e 158
da OIT (Organização Internacional do Trabalho); pelo fim
do fator previdenciário; e pela reforma agrária.
A panfletagem tem o objetivo de compartilhar com a sociedade brasileira a pauta
da classe trabalhadora e sensibilizá-la sobre a importância de
aprovar medidas que representam melhorias efetivas nas relações
de trabalho de milhões de homens e mulheres que constroem o Brasil.
Os trabalhadores pretendem mostrar à população que o crescimento
e desenvolvimento do País, favorecidos pelo desempenho da economia,
podem ser traduzidos em mais empregos, redistribuição de renda,
garantia de direitos e ampliação de conquistas. Porém,
para que isso seja possível, é preciso pressão e mobilização
de toda a sociedade.
Protestos da quarta
No dia 28, serão realizados atos públicos, paralisações,
atrasos na entrada das fábricas e passeatas em todo o País, organizadas
pelas centrais - CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil),
CUT, Força Sindical, UGT (União Geral dos Trabalhadores), NCST
(Nova Central Sindical dos Trabalhadores) e CGTB (Central Geral dos Trabalhadores
do Brasil) - e suas entidades filiadas, para pressionar o Congresso Nacional
a atender as reivindicações que buscam benefícios para
a classe trabalhadora.
As centrais reivindicarão a redução da jornada de trabalho
de 44 para 40 horas semanais. Segundo as entidades, a redução,
além de gerar mais de dois milhões de empregos, também
trará mais saúde e qualidade de vida aos trabalhadores, já que
possibilita mais tempo para o estudo, lazer, descanso e convívio familiar.
Servidor público
A ratificação da Convenção 151, que estabelece
o direito à negociação coletiva no serviço público, é outra
bandeira da jornada. Para lideranças e especialistas, ela contribuirá para
a valorização dos serviços públicos - alvo do desprezo
e do abandono de políticas de sucateamento e privatizações.
A ratificação da Convenção 158 coíbe a demissão
sem justa causa, estabelecendo novos critérios e pondo freio ao desrespeito
e à total insegurança vigente no trabalho.
O fator previdenciário, entulho da era neoliberal, será duramente
atacado pelas centrais em função do alargamento draconiano para
o tempo e condições de aposentadoria do trabalhador brasileiro.
A luta pela reforma agrária, além de integrar as reivindicações
dos trabalhadores do campo com os da cidade, é uma antiga reivindicação
de inúmeros movimentos e entidades.
Ato da quarta
Em reunião realizada nesta segunda-feira (26), na sede do Sindicato
dos Jornalistas do Estado de São Paulo, os presidentes das centrais
acertaram os últimos preparativos para o Dia Nacional de Mobilizações,
que acontece nesta quarta-feira (28). A principal decisão foi o adiamento
da data da entrega do abaixo-assinado ao Congresso Nacional, que passou, em
princípio, para o dia 3 de junho.
No dia 3 ou 4 de junho, os movimentos sociais pretendem lançar a Frente
Nacional pela Aprovação da PEC 438 e um manifesto contra o trabalho
escravo. A PEC 438/01, expropria terras onde for constatada a prática
de trabalho escravo e está pendente de votação em segundo
turno na Câmara. Leia o manifesto
A decisão decorreu de uma tentativa que está sendo feita com
o presidente da Câmara dos deputados, Arlindo Chinaglia (PT/SP), de realizar
uma audiência pública na ocasião da entrega do abaixo-assinado.
(Com Portal Vermelho)
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Diário Vermelho, 27
de maio de 2008
Redução da jornada
trará 2 milhões de vagas, estima Dieese
Geração de 2.252.600
postos de trabalho no país. Para o Dieese [Departamento Intersindical
de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos], esse é o
saldo positivo que a diminuição da jornada semanal de trabalho
de 44 para 40 horas traria para a economia brasileira.
O centro de pesquisas chegou
a esse número com a seguinte conta. O Brasil tinha 22.526.000
pessoas com contrato de 44 horas de trabalho, em 2005, segundo dados
do Ministério do Trabalho e Emprego. Se cada um desses trabalhadores
deixar de trabalhar quatro horas semanais, serão necessários
mais dois milhões de funcionários para manter a produção.
A pesquisa também mostra
o impacto no bolso do empregador com a diminuição. "O
custo da força de trabalho no Brasil é baixa se comparado
a outros países. Se reduzirmos a jornada, mantendo os salários,
o custo aumenta apenas 1,99%, incluindo as despesas trabalhistas. Um
percentual muito pequeno", diz Suzanna Sochaczewski, membro da equipe
de educação e coordenadora de projeto do Dieese. Esse valor
baixo, para ela, derruba o argumento dos empregadores de que a redução
diminuiria a competitividade da economia brasileira no cenário
internacional.
A pesquisadora afirma ainda que
os empresários também terão vantagens: os trabalhadores
terão mais tempo para se qualificar, estarão mais descansados
e trabalharão com mais prazer. Essa combinação,
segundo ela, trará mais produtividade e redução
dos acidentes de trabalho.
Ela ressalta que a redução
deve vir acompanhada, obrigatoriamente, por um controle nas horas extras,
como taxações e imposição de limites -- hoje
o funcionário pode fazer até duas horas de trabalho a mais
por dia.
"A Constituição
de 88 diminuiu a jornada de 48 para 44 horas. Um mês depois da
promulgação, o número de trabalhadores que faziam
horas extras regularmente passou de cerca de 25% para aproximadamente
47%. Foi a estratégia patronal para não contratar mais
trabalhadores", diz.
Farmacêuticos
Outro estudo do Dieese analisou
o setor farmacêutico do Estado de São Paulo, que em 2007
reduziu a jornada de 44 para 42 horas e neste ano já definiu que,
em 2009, o tempo de trabalho semanal passará a ser de 40 horas
semanais.
A pesquisa demonstra, com base
nos dados da Rais (Relação Anual de Informações
Sociais) e do Caged (Cadastro Geral de Admitidos e Desligados), que em
2007 houve um saldo positivo de 896 novos trabalhadores no setor -- aumento
de 1,9%, ou 48.101 empregos.
No período de 2004
a 2005, a variação do emprego no setor farmacêutico
foi de 2,8%: de 46.229 para 47.526 vagas. Em 2006, ocorreu redução
de 0,7% -- 47.205 postos.
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Diário Vermelho, 27
de maio de 2008
Centrais analisam proposta em substituição à Emenda
3
Na última sexta-feira
(16) o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reuniu-se com representantes
das seis maiores centrais sindicais brasileiras para apresentar o esboço
da proposta, que será encaminhada pelo governo ao Congresso Nacional,
em substituição à Emenda 3 - que impede a fiscalização
e punição das empresas que burlam a legislação
trabalhista. A CTB foi representada pelo secretário adjunto de
Relações Internacionais, João Batista Lemos, e o
jornalista e assessor Umberto Martins.

Ministro com sindicalistas na sexta
A irregularidade ocorre especialmente através da contratação
de funcionários como Pessoa Jurídica (PJ), mascarando a relação
de assalariamento e sonegando direitos como férias, 13º, descanso
semanal remunerado, licença maternidade, entre outros previstos na CLT
e na Constituição.
De forma sorrateira, a Emenda 3, proposta pelo ex-senador Ney Suassuna (PMDB),
abria caminho para a generalização desta prática e fechava
as portas inclusive à identificação e combate do trabalho
escravo pelos fiscais. Por esta razão, foi vetada pelo presidente Lula,
que se mostrou sensível aos argumentos e às manifestações
populares lideradas pelas centrais sindicais contra a emenda.
Pressão da Globo
Todavia, a pressão patronal pela manutenção da Emenda
3, principalmente da poderosa Rede Globo de Comunicações, é vigorosa
e ecoa com força no Congresso Nacional, sobretudo no Senado, onde muitos
são proprietários de canais locais que retransmitem os enfadonhos
programas globais. Os senadores ameaçam derrubar o veto presidencial
se o governo não apresentar uma alternativa que contemple, ainda que
parcialmente, os interesses empresariais.
O problema é político e a intenção do governo,
a julgar pelos esclarecimentos do ministro da Fazenda, Guido Mantega, é elaborar
um projeto, com o apoio das centrais, que restrinja ao máximo a possibilidade
de contratação de trabalhadores como Pessoas Jurídicas
(PJ). A idéia é definir três atividades econômicas
(cultural, artística e desportiva) sujeitas a este tipo de relação
trabalhista, estipulando uma alíquota de 10% como contribuição
previdenciária para as empresas que empregarem PJs.
Mesmo nessas atividades, a possibilidade de contratação como
PJ não seria irrestrita, devendo observar certos critérios. Contratos
de prestação de serviço com características de
habitualidade e subordinação, por exemplo, devem ser regidos
pela CLT, na iniciativa privada, ou pelo regime estatutário, no setor
público. O artigo 129, que trata do tema, teria de ser revogado.
Prevalece, entre os sindicalistas, a compreensão de que algumas atividades, às
quais estão associadas determinadas profissões (artistas, atletas,
jornalistas e profissionais liberais, mas não todos), podem ser enquadradas
como PJ. Porém, todo cuidado é pouco para impedir abusos e contratações
irregulares e precárias. As centrais assumiram o compromisso de analisar
a proposta do Ministério da Fazenda e externar uma posição à respeito
na próxima reunião com o ministro, marcada para o próximo
dia 26 de maio (segunda-feira).
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FOLHA DE LONDRINA, 27 de
maio de 2008 | Economia
Impostômetro alcança R$
1 tri e é ampliado
Painel eletrônico mostra o valor de
todos os tributos pagos no País em tempo real
São Paulo - A arrecadação de impostos cresce tanto que
o Impostômetro precisou ser ampliado com a inclusão das casas
decimais dos trilhões de reais. O painel eletrônico mantido pela
Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e o Instituto
Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) mostra o valor de todos
os tributos pagos no País em tempo real. A expectativa é de que
o Impostômetro alcance, pela primeira vez, mais de R$ 1 trilhão
no último dia de 2008. No ano passado, o painel marcou R$ 921 bilhões.
O novo painel foi inaugurado
ontem no prédio da ACSP, localizado no centro da capital paulista.
A data foi escolhida por um motivo especial. Segundo o IBPT, até esta
terça-feira o brasileiro trabalhou só para pagar os tributos
(impostos, taxas e contribuições) exigidos pelos governos
federal, estadual e municipal. Agora é que vai começar
a trabalhar para o próprio sustento. Pelos cálculos da
entidade, este ano o brasileiro trabalharia em média quatro meses
e 27 dias somente para pagar os tributos sobre o rendimento, consumo,
patrimônio e outros. Ou seja, 40,51% do seu rendimento bruto se
destinará para o pagamento de toda essa carga tributária.
O Impostômetro confirma
que a cada ano os brasileiros têm pago cada vez mais impostos.
Em 2003, início do primeiro mandato do governo Lula, o contribuinte
teve que destinar, em média, 36,98% do seu rendimento para pagamento
desses tributos. Nos anos seguintes, o comprometimento de renda subiu
para 37,81%, 38,35% e 39,72%. Em 2007, chegou a 40,01%.
Segundo o IBPT, 75% dos impostos
são pagos por empresas e 25% por pessoas físicas. Porém,
todo o valor é repassado para as pessoas físicas, já que
os impostos estão embutidos no preço das mercadorias e
serviços que o consumidor adquire. Para Alencar Burti, presidente
da ACSP, todo cidadão tem direito a receber informações
claras sobre o quanto é pago de impostos no País. Segundo
ele, só assim a sociedade poderá cobrar dos seus governantes
serviços públicos com qualidade. ‘‘Ouvimos
falar tanto na reativação de impostos ou na criação
de novos tributos e o Impostômetro mostra que, neste ano, a arrecadação
passará do bilhão para o trilhão’’,
diz Burti.
Até as 19h00 de ontem,
o painel mostrava que o pagamento de tributos este ano já havia
superado R$ 400,380 bilhões. Com esse dinheiro, segundo o IBPT,
o governo poderia construir 33,364 milhões de salas de aula equipadas
ou mais de 5 milhões de Km de rede de esgoto ou fornecer medicamentos
para toda a população por quase 15 anos ou contratar mais
de 34,515 milhões de professores do ensino fundamental.
Agência
Estado
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Gazeta do Povo, 27 de maio
de 2008
Governo federal
Nova CPMF teria alíquota de
0,2%
Base aliada foi orientada para atrasar a
votação do projeto da Emenda 29. Assim, governo teria
mais tempo para encontrar fontes de financiamento para a saúde
Orientada pelo Palácio do Planalto a “cozinhar” no Congresso
a regulamentação da Emenda 29, a base aliada prepara novas propostas
com o intuito de alterar o projeto já aprovado pelos senadores e, assim,
forçá-lo a uma nova fase de votação no Senado.
O governo quer ganhar tempo para que o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva não seja obrigado a vetar a proposta, que garante mais recursos
para saúde, sem que haja uma nova fonte de receitas para os gastos.
Parlamentares da base e
representantes do governo ainda não definiram o formato da proposta
do novo imposto para a saúde. O grupo tenta agora afastar o
risco de ver o projeto ser acusado de ter efeito cumulativo – ou
seja, de o contribuinte pagá-lo mais de uma vez, não
apenas quando emite um cheque ou faz um saque de dinheiro.
Para isso, assessores estudam algumas alternativas, como aumentar a alíquota
da proposta da nova CPMF de 0,1% para 0,2%. O imposto seria pago, mas haveria
desconto em outro conjunto de pagamentos. Todas as estratégias estudadas
visam chegar ao mesmo ponto: atingir R$ 10 bilhões por ano para financiar
os gastos extras com a saúde.
Outro caminho para chegar aos R$ 10 bilhões extras seria reduzir a alíquota
para 0,05% – o que traria para os cofres do governo federal R$ 3 bilhões
a mais. Os R$ 7 bilhões restantes teriam de ser reunidos por um eventual
aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre cigarros e do
seguro obrigatório.
Além de dúvidas sobre o valor da alíquota, há indefinições
sobre o formato da proposta – e o momento em que ela poderia ser apresentada.
Diante de tantas indefinições, há quem afirme que o projeto
dificilmente será avaliado esta semana (em princípio, a votação
da nova CPMF está marcada para amanhã). Por enquanto, apenas
dois pontos são consenso: o imposto seria permanente e destinado integralmente
para o Fundo Nacional de Saúde.
Sem repasse
Embora não admita a paternidade da idéia de recriação
da CPMF, o presidente Lula ontem criticou o fim da imposto, que geraria uma
arrecadação R$ 40 bilhões neste ano para os cofres públicos.
Sem citar nomes ou setores da economia, Lula disse que o fim da cobrança
do tributo não foi repassado para os preços dos produtos, que
não ficaram mais baratos por conta da extinção da CPMF.
“ Engraçado, não vi nenhum produto reduzir preço depois
que acabou a CPMF. Me parece que não foi passado para custo do produto
os 0,38% (da alíquota da antiga CPMF)”, disse Lula hoje ao participar
da cerimônia de abertura do 20º Fórum Nacional do Inae (Instituto
Nacional de Altos Estudos), no Rio.
O presidente criticou também os parlamentares de oposição,
que derrubaram a cobrança da CPMF e deixaram a saúde pública
sem financiamento. “Vi uma guerra pela CPMF. Tiraram R$ 40 bilhões
do orçamento do governo. E quem mais perdeu com isso? Foi o PAC da Saúde,
que já estava pronto”, afirmou Lula.
O líder do PT, deputado Maurício Rands (PE), disse que o governo
pretendia recriar a CPMF paralelamente à votação da Emenda
29 por meio do projeto de lei complementar. A contribuição teria
alíquota de 0,10%, com arrecadação prevista de R$ 10 bilhões.
O governo resiste em editar PEC para restabelecer a contribuição
porque precisa do apoio de 308 deputados para aprovar a matéria, em
dois turnos, enquanto o projeto passa na Câmara com a adesão de
257 deputados.
Apesar da posição contrária da oposição,
o petista argumenta que a recriação via projeto de lei complementar é constitucional
porque já existe jurisprudência no STF que autoriza o Congresso
Nacional a recriar impostos.
Tributaristas argumentam, no entanto, que o artigo 154 da Constituição
proíbe a criação de impostos cumulativos (que incidem
sobre todas as etapas do processo produtivo), como é o caso da CPMF.
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Folha
de S.Paulo, 27 de maio de 2008
Preços não caíram
com fim da CPMF, diz Lula
Presidente afirma que sua política econômica
não é só continuidade e elogia "empresários
que não tiveram medo do Lula' | Em evento no Rio, petista diz
que o Brasil está em um "caminho sustentável" e
fez críticas ao protecionismo dos países desenvolvidos
JANAINA LAGE
ROBERTO MACHADO
DA SUCURSAL DO RIO
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva cobrou ontem a queda nos preços em razão
do fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre
Movimentação Financeira). Ele criticou o fim do imposto
do cheque e afirmou que a perda na arrecadação, estimada
em R$ 40 bilhões/ano, prejudicou o PAC da Saúde.
" Não vi nenhum produto reduzir de preço depois que acabou
a CPMF, me parece que não foi passado para o custo do produto os 0,38%.
Parece que aumentou apenas nos ganhos daqueles que pagavam CPMF porque muita
gente ainda teima em acreditar que o Estado tem que ser fraco", afirmou,
em discurso no 20º Fórum Nacional, na sede do BNDES, no Rio.
De acordo com o presidente, o Estado fraco não governa e prejudica os
mais pobres. Segundo ele, essa parcela da população não é organizada
para reclamar, não vai a Brasília nem faz lobby e é a
que mais depende de políticas públicas.
O presidente destacou os esforços do governo para dinamizar a economia
com as obras do PAC e a nova política industrial, mas disse que diversos
itens dependem agora do Congresso, como o projeto de emenda da reforma tributária.
" Cabe agora a congressistas, governadores e prefeitos e a agentes econômicos
e sociais fazerem a sua parte e mudarem a rotina do calendário em ano
eleitoral", disse. Citou ainda a necessidade de aprovação
das mudanças na lei das licitações e no novo sistema brasileiro
de defesa da concorrência.
Crescimento
Lula rebateu as críticas de que a política econômica atual
representa só a continuidade da adotada no governo anterior e que o
país tem sido beneficiado pelo cenário internacional.
Segundo ele, a sorte não teria sido suficiente para colocar o país
no patamar atual. Lula afirmou que a economia cresce a um ritmo de 5% ao ano
e que o país está num "caminho sustentável"-crescimento
acompanhado de inclusão social.
Para o presidente, o momento atual da economia foi sonhado por muitos. "Os
empresários que acreditaram na economia brasileira e fizeram investimentos,
os empresários que não tiveram medo do Lula e não fugiram
para Miami", disse, em referência a uma declaração
do ex-presidente da Fiesp Mário Amato que, em 1989 afirmara que, se
Lula fosse eleito presidente, 800 mil empresários deixariam o país
em direção à cidade dos EUA.
Protecionismo
Para Lula, a geografia mundial está em processo de mudança, o
que deve beneficiar os países emergentes. "Vários países
em desenvolvimento estão crescendo a um ritmo mais vigoroso do que as
economias tradicionais. Com isso, o elevador social começa a funcionar."
Neste cenário, num futuro próximo, as economias emergentes deverão
se tornar responsáveis por metade da taxa de crescimento da economia
mundial, segundo Lula.
" Os subsídios e o protecionismo agrícola que semeiam obstáculos
no caminho da Rodada Doha são também os principais fatores que
estimulam a inflação mundial dos alimentos. (...) A barreira protecionista é um
muro de indiferença que as nações desenvolvidas erguem para
perpetuar a miséria nas nações pobres", disse.
Lula comparou os países desenvolvidos, como Suécia, à casa
de um recém-casado que voltou de lua-de-mel, em que tudo está no
lugar. "O Brasil é uma casa de um casal que já tem dez filhos
que brigam entre si."
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Folha de S.Paulo, 27 de maio
de 2008
SOCIAIS & CIA.
Entidades sem fim lucrativo
crescem no país
Avanço em três anos supera
23%, mas não reflete número real do setor, pois muitas
mantêm registro mesmo sem funcionar | Organizações
empregavam 1,5 mi de pessoas em 2002, número que também
deve crescer na pesquisa que o IBGE divulgará em agosto
Ricardo Nogueira/Folha Imagem

Loja do Greenpeace em SP vende produtos como fonte de renda; setor ganha importância
no país
ANDRÉ PALHANO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
O número de entidades
sem fins lucrativos registrou aumento de 23,2% no Brasil, pulando de
276 mil entidades em 2002 para cerca de 340 mil em 2005, segundo dados
preliminares apurados pela Folha.
Os números consolidados serão divulgados em agosto na pesquisa "As
Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos
no Brasil (Fasfil)", principal levantamento do setor, realizado pelo IBGE
em parceria com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), com
o apoio da Abong (Associação Brasileira das Organizações
Não-Governamentais) e do Gife (Grupo de Institutos, Fundações
e Empresas).
Os números refletem a importância e o peso que as organizações
da sociedade civil adquiriram nos últimos anos no país (para
ter uma idéia, em 1996 eram apenas 105 mil entidades), mas não é um
retrato fiel das entidades.
É que muitas delas continuam cadastradas mesmo sem qualquer atividade.
Trata-se de um fenômeno explicado pela burocracia: ao contrário
das empresas, as entidades praticamente não têm trabalho, nem custos,
para se manterem oficialmente abertas.
" Esse é um problema que temos de enfrentar na pesquisa, muitas vezes
gerado pela própria incapacidade de as entidades encerrarem suas atividades
formalmente", explica a coordenadora da pesquisa no IBGE, Ana Rosa Pais
Ribeiro. As estatísticas relacionadas às taxas de mortalidade no
setor, por conta disso, são pouco confiáveis.
Em 2002, segundo os dados da última pesquisa, as organizações
sem fins lucrativos empregavam 1,5 milhão de pessoas em diversas áreas.
Esse é um número que também deve crescer na pesquisa que
será divulgada pelo IBGE em agosto.
Para ser classificada como Fasfil, as entidades precisam reunir cinco características
básicas: não ter fins lucrativos, não estar subordinada
ao Estado, gerenciar suas próprias atividades, ser legalmente constituída
e ter sido estabelecida de maneira voluntária pelas pessoas. Entram
aqui diversos perfis de associações sem fins lucrativos, como
clubes esportivos e recreativos, sindicatos, instituições de
ensino, organizações não-governamentais (ONGs) e fundações
e institutos, entre outros.
O aumento expressivo do número de organizações é uma
das principais causas do que alguns já chamam de "crise de financiamento" no
terceiro setor, caracterizada por mudanças importantes no modo como
os projetos sociais e ambientais são financiados e pelo acirramento
da competição pelos recursos.
Das cinco principais fontes de financiamento do setor (ver gráfico),
três passaram por alterações estruturais. Uma das principais
diz respeito ao chamado investimento social privado, que é o investimento
realizado pelas empresas na área socioambiental.
Na década de 90, quando esse investimento ganhou fôlego, as empresas
participavam basicamente como financiadoras dos projetos idealizados e realizados
pelas organizações da sociedade civil, sobretudo pelas ONGs.
Maior
participação
Esse quadro mudou radicalmente, com as empresas participando mais ativamente
dos projetos e cobrando resultados de seus parceiros. Assim, não é mais
o dinheiro que se adapta ao projeto, mas sim os projetos que se adaptam ao
dinheiro.
" Hoje, as empresas não participam apenas com os recursos financeiros,
mas também com seus modelos de gestão, de avaliação
e de acompanhamento dos projetos, buscando uma avaliação mais precisa
do impacto gerado e do alinhamento com os objetivos da empresa", resume
a diretora do Instituto Oi Futuro, Samara Werner.
Na opinião do consultor Ricardo Voltolini, diretor da consultoria Idéia
Sustentável, há uma tendência clara de as organizações
serem chamadas para atuar mais como consultoras do que como operadoras dos
projetos financiados pelas empresas. "Isso tem gerado muita reclamação,
mas é uma mudança estrutural que diz respeito ao próprio
amadurecimento do investimento social privado no país, que saiu de uma
fase puramente filantrópica para o investimento de fato. Nesse ambiente,
as organizações não podem mais ver as empresas como meros
financiadores de seus projetos."
Recursos públicos
Outra mudança da estrutura de financiamento no terceiro setor está relacionada à gestão
dos recursos públicos, uma das principais fontes de financiamento do
setor no Brasil e no mundo. "Na gestão anterior de governo, vimos
um reforço do movimento de execução das políticas
públicas pelas organizações da sociedade civil, por exemplo,
nos programas relacionados à Aids ou em projetos como o Comunidade Solidária
e o Alfabetização Solidária. Neste governo, por uma série
de razões, o movimento é exatamente oposto", diz o secretário-geral
do Gife, Fernando Rossetti. Os escândalos de desvio de recursos públicos
envolvendo ONGs e fundações, segundo ele, pioraram o quadro.
Outro movimento visível é o das agências de cooperação
internacional e fundações estrangeiras, que, aos poucos, começam
a focar sua atuação -e seus recursos- em outras regiões
do planeta, sobretudo na África e em alguns países da Ásia,
que, além dos níveis de pobreza alarmantes, estão menos
cobertos pelo financiamento dos agentes locais.
Gigantes internacionais do terceiro setor como a W.K. Kellogg Foundation vêm,
por exemplo, estudando um amplo reposicionamento de seus investimentos sociais
no Brasil.
Além disso, muitas organizações começaram a procurar
mais recursos de financiadores locais. É o caso do Fundo Cristão
para Crianças, uma das principais agências de desenvolvimento
infantil no Brasil, que pretende inverter sua matriz de financiamento nos próximos
anos, hoje representada em mais de 80% por recursos externos.
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Folha de S.Paulo, 27 de maio de 2008
Contabilidade de consultor aponta
cheque a "Paulinho"
Segundo a Polícia Federal, trata-se
de referência ao deputado Paulo Pereira da Silva | Cheque
de R$ 18,4 mil foi emitido dias depois do início da liberação
de empréstimo de R$ 124 milhões tomado por prefeitura
no BNDES
RUBENS VALENTE
DA REPORTAGEM LOCAL
Um documento da contabilidade
da empresa de consultoria Progus, de Marcos Vieira Mantovani, preso
pela Operação Santa Tereza, indica que o pagamento
de um cheque de R$ 18.397,50 da boate WE foi feito a "Paulinho",
que, segundo a Polícia Federal, é o deputado federal
Paulo Pereira da Silva (PDT-SP). O nome foi escrito, e rasurado
a caneta, ao lado da expressão "Praia Grande",
numa ficha de controle de cheques em poder da Progus.
Por meio de seu advogado, Antonio Rosella, o parlamentar voltou a negar ontem
ter recebido qualquer pagamento da Progus ou de Mantovani (leia texto à pág.
A5).
A emissão do cheque ocorreu dias após a liberação
da primeira parcela do empréstimo de R$ 124 milhões tomado pela
Prefeitura de Praia Grande (SP) no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social). Conforme revelou a Folha em 1º de maio, o cheque é um
dos principais indícios contra o parlamentar. Um possível pedido
para abertura de um inquérito sobre a conduta do deputado, a tramitar
no STF (Supremo Tribunal Federal), está sendo analisado pela Procuradoria
Geral da República, em Brasília.
Além de "Paulinho", outro cheque de R$ 18,3 mil deveria ser
pago, segundo o controle interno da Progus, para "Ricardo Tosto",
que é advogado da Força Sindical, presidida por Paulinho, e membro
do conselho de Administração do BNDES, afastado quando do início
da Operação Santa Tereza, no final de abril passado. Tosto tem
afirmado, por meio de sua assessoria, que Mantovani era seu cliente, e eventuais
pagamentos feitos por ele seriam relacionados a essa "relação
cliente-advogado".
Os dois cheques foram emitidos pela casa de prostituição WE,
localizada nos Jardins, em São Paulo, e depositados na conta de Mantovani.
A PF acredita que o consultor emitiu outros cheques ou fez saques em dinheiro
para dar o destino final aos dois pagamentos.
Em ambos os casos, além do registro na contabilidade da Progus, há outras
duas evidências sobre os pagamentos: papéis grampeados em cada
cheque, com as inscrições "RT" e "PA", e
uma conversa eletrônica mantida entre Mantovani e sua filha, Carol, que
o ajuda na empresa, divulgada pelo "O Globo" na última sexta-feira.
A PF apreendeu no computador de Mantovani a cópia de um diálogo
no programa MSN durante o qual Carol pede orientações sobre o
depósito dos dois cheques. "Um é para o Ricardo Tosto e
o outro é pra quem? Vou fazer aquela planilha de controle", escreveu
a ajudante de Mantovani. Ele respondeu: "pa", em letras minúsculas.
Carol não entendeu o código ("pa?"), e o consultor
esclareceu: "Paulinho".
A PF, em relatório entregue na semana passada à Justiça
Federal, concluiu não ter dúvidas de que os pagamentos têm
relação com o empréstimo feito pelo BNDES à Prefeitura
de Praia Grande.
" As cópias dos cheques elencados acima (originais já apensados
ao processo) correspondem à 1ª parcela liberada pelo BNDES para a
Prefeitura de Praia Grande. O dinheiro "saiu" da [empreiteira] Termaq,
através de "nota fiscal de prestação de serviços-Progus",
foi depositado na casa WE (Original WE Bar e Restaurante Ltda.) e posteriormente
repassado para: Progus; Impostos; Ricardo Tosto - "RT", e Paulo Pereira
da Silva - "PA'", descreveu o relatório da PF que analisou os
documentos apreendidos em 18 endereços diferentes.
Neste relatório a PF também afirmou que "ficou clara" a
participação do congressista na "organização
criminosa".
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FOLHA DE LONDRINA, 27 de
maio de 2008 | Geral
Lula repudia pressão e diz que
Amazônia é do Brasil
Presidente foi aplaudido na abertura do 20º Fórum
Nacional
‘mundo precisa entender que a Amazônia pertence ao
povo brasileiro’
Rio- Com um discurso marcado por ataques aos países desenvolvidos, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva repudiou ontem as pressões
internacionais sobre a Amazônia, reafirmou que o Brasil é o dono
da região e conclamou os brasileiros a defender os biocombustíveis
nos debates sobre energia e meio ambiente. Segundo Lula, a Amazônia pertence
''ao povo brasileiro'' e deve ser preservada, mas seus habitantes também
têm direito ao desenvolvimento e aos bens disponíveis para os
moradores de outros pontos do País. Sem citar os Estados Unidos, o presidente
afirmou que o Protocolo de Kyoto (acordo mundial para limitar as emissões
de gases-estufa), sem apoio de quem deveria referendá-lo - os EUA não
assinaram o tratado-''já faliu''. As nações mais ricas,
porém, lembrou, tentam responsabilizar a América Latina pela
poluição mundial.
''Eu queria aproveitar para dizer
aqui que o mundo precisa entender que a Amazônia brasileira tem
dono'', disse Lula, sob aplausos, em discurso na abertura do 20º Fórum
Nacional, na sede do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES). ''E o dono da Amazônia é o povo brasileiro.
São os índios, são os seringueiros, são os
pescadores... Mas também somos nós, que somos brasileiros
e temos consciência de que é preciso diminuir o desmatamento
sim, é preciso diminuir as queimadas sim. Mas também temos
consciência de que precisamos desenvolver a Amazônia. Lá moram
quase 25 milhões de habitantes, que querem acesso aos bens que
temos aqui no Rio de Janeiro, em São Paulo, ou em qualquer outro
lugar. Por que essas pessoas têm que ficar segregadas?''
Lula declarou que o debate sobre
a Amazônia dominará as duas próximas décadas.
''É muito engraçado que os países que são
responsáveis por 70% da poluição do planeta agora
fiquem de olho na Amazônia, na América do Sul, como se fosse
apenas nossa a responsabilidade de fazermos o que eles não fizeram
durante todo o século passado'', declarou. ''O Protocolo de Kyoto
já faliu. Foi muito bonito assinar, maravilhoso, todo mundo assinou...
Agora, quem tinha que tomar medidas para cumprir o Protocolo de Kyoto
nem referendou. Fomos nós que referendamos.''
Segundo o presidente, com a utilização
de 100% de etanol o Brasil conseguiu ''tirar do ar'' 800 milhões
de toneladas de CO2. Entre os presentes à cerimônia, estavam
o embaixador do Japão no Brasil, Ken Shimanouchi, e jornalistas
estrangeiros, entre eles o norte-americano Roger Cohen, do New York Times,
convidado para o fórum. Na semana passada, o jornal dos EUA publicou
reportagem cujo título era: ''De quem é a Floresta Amazônica''?
Wilson Tosta
Agência Estado
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FOLHA DE LONDRINA, 27 de
maio de 2008 | Geral
OMS quer que Brasil reveja política
de combate ao fumo
Documento sugere que o País reveja
a política de preços do cigarro e acelere implantação
de ambientes livres de fumo
Brasília- A Organização Mundial de Saúde (OMS)
vai apresentar hoje ao governo uma série de recomendações
para aprimorar a política de controle do tabagismo. O documento, mesmo
redigido na polida linguagem diplomática contém censuras à política
brasileira para o setor.
O trabalho, preparado por uma
equipe de 20 consultores, vai sugerir que o País reveja a política
de preços do cigarro e acelere a implantação de
ambientes livres de fumo. Essas duas medidas, combinadas, são
consideradas essenciais para reduzir e prevenir o tabagismo mundialmente.
Embora tenha exercido a liderança
durante anos na adoção de combate ao consumo de cigarro,
o Brasil ainda mantém dois pontos extremamente vulneráveis.
O preço do cigarro brasileiro é um dos mais baratos do
mundo - um facilitador para o consumo do produto principalmente entre
jovens. Há também grandes resistências para implantar
a política de ambientes livres do cigarro. São poucos os
locais no País onde fumar em locais fechados é proibido.
Para tentar driblar essa resistência
e interpretações distintas sobre a legislação
hoje sobre o tema, um projeto de lei foi preparado proibindo totalmente
o fumo em ambientes fechados. Apesar de ser defendido pelo Ministério
da Saúde, ter sido apresentado no PAC da Saúde, o projeto
está desde fevereiro em análise na Casa Civil.
O ministro da Saúde, José Gomes
Temporão, também por várias vezes defendeu o aumento
do imposto sobre cigarros. Essa mudança agora está sendo
analisada pelo governo, mas ainda enfrenta resistências para ser
implantada. Para especialistas, o ideal seria alterar toda a política
de impostos, por meio de um projeto de lei.
Esta é a primeira vez
que a OMS faz uma análise de um programa de controle do tabagismo.
Há duas semanas, consultores visitaram alguns locais-chave, conversaram
com especialistas e funcionários da administração.
Lígia Formenti
Agência Estado
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Gazeta do Povo, 27 de maio de 2008
Educação superior
Cotas raciais dividem a Câmara
Reserva de vagas nas universidades federais
para estudantes de escolas públicas tem apoio da oposição
e da base aliada, mas não há acordo quanto ao benefício
para negros e indígenas
O projeto de lei que institui cotas nas universidades federais está na
pauta de votações da Câmara dos deputados nesta semana.
Mas, antes de ir à votação, o colégio de líderes
da Câmara deve se reunir amanhã com o Ministro da Educação,
Fernando Haddad, na presidência da Casa, para discutir o projeto. Se
chegarem em um acordo, o único empecilho para que a proposta vá a
plenário será a votação da nova CPMF e o de regulamentação
da emenda 29 – que amplia os gastos do governo federal para a saúde – que
devem dominar a maior parte da sessão de quarta-feira.
A reunião foi convocada porque a base aliada e a oposição
ainda não chegaram a um acordo sobre alguns dispositivos da proposta.
O relator do substitutivo ao projeto da deputada Nice Lobão (DEM-MA),
Carlos Abicalil (PT-MT), afirmou que o projeto tem o aval do Poder Executivo. “O
ministro (Fernando Haddad) deve conversar com as lideranças amanhã,
para explicar alguns pontos da proposta.” Segundo Abicalil, há dificuldades
da bancada tucana e Democrata de aceitar as reservas étnicas para negros
e indígenas.
Pelo projeto, 50% das vagas das universidades federais serão destinadas
a estudantes que fizeram integralmente seus estudos em escolas públicas.
Essas vagas devem ser distribuídas entre estudantes negros, indígenas
e brancos na proporção em que esses grupos aparecem no estado
em que a universidade estiver instalada. De acordo com levantamento realizado
pelo laboratório de Políticas Públicas da Universidade
Estadual do Rio de Janeiro, atualmente 35 instituições públicas
estaduais e federais possuem algum tipo de cotas raciais ou sociais.
Na avaliação do deputado e ex-ministro Paulo Renato Souza (PSDB-SP),
não há divergências sobre o percentual estabelecido no
projeto para cotistas que fizeram integralmente seus estudos em escolas públicas.
Porém, segundo o deputado, o problema é a criação
de cotas raciais. “Não temos problemas raciais no Brasil, como
o que existe em outros países. O que temos é uma brutal diferença
social.”
O líder do Democratas, Antônio Carlos Magalhães Neto (Dem-BA),
afirmou querer discutir esse detalhe na reunião do Colégio de
Líderes. “Cotas raciais são perfeitamente justificáveis
na Bahia, mas não em outros estados.” O deputado acredita que
a proposta deve ir à votação somente na próxima
semana.
Para o presidente da Frente Ampla de Defesa Racial no Congresso Nacional, deputado
Carlos Santana (PT-RJ), aqueles que não querem dizer que são
contra, argumentam contra as cotas raciais, dizendo-se favoráveis à cotas
sociais.” No lado oposto, há os contrários aos projeto,
como o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Ele considera que o projeto afirma
o racismo no país e deixa em segundo plano a questão da competência
pessoal. “Não é justo você dividir o país
entre cotistas.”
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O ESTADO DO PARANÁ,
27 de maio de 2008 | Nacional
Libertados 38 em ação
contra trabalho escravo no Pará
Agência Estado
O Grupo Especial de Fiscalização
Móvel do Ministério do Trabalho resgatou 38 trabalhadores
de condição semelhante à escravidão em
São Félix do Xingu, no Pará. Nesta segunda-feira,
eles começaram a receber seus pagamentos. No total, o fazendeiro
Ernoel Rodrigues Junior deve pagar ao grupo R$ 75 mil.
Há dois meses os trabalhadores
viviam isolados, em condições insalubres, não recebiam
salários e se endividavam para comprar alimentação. "Além
disso, eles trabalhavam na preparação para desmatamento
de uma área de reserva pública, o que é mais um
agravante para o crime", disse o coordenador dos fiscais, Benedito
de Lima e Silva Filho.
No acampamento, os trabalhadores
não dispunham de instalações sanitárias, água
potável, nem podiam deixar o local, situação que
caracteriza trabalho escravo. Eles só foram libertados pois um
dos trabalhadores fugiu a pé e procurou a Comissão Pastoral
da Terra para fazer uma denúncia. Após a denúncia,
o Grupo Especial de Fiscalização Móvel seguiu para
a fazenda, em local de difícil acesso, e só chegou após
13 horas de viagem, contando com a ajuda de tratores.
"Era impossível retirar
os funcionários por terra", disse o coordenador da força-tarefa
formada pelo Ministério do Trabalho, Polícia Federal e
Ministério Público do Trabalho. "A retirada dos trabalhadores,
no sábado, só foi possível com a ajuda da Aeronáutica,
que disponibilizou helicópteros para a operação.
Os trabalhadores foram
hospedados em hotéis de São Félix do Xingu, de
onde serão enviados de volta para as cidades de origem. Grande
parte dos funcionários foi trazida do município de Xambioá,
Tocantins. Além dos salários a que têm direito,
todos receberão seguro-desemprego. A terra de onde foram retirados
os trabalhadores, conhecida como Fazenda do Junior Baiano, fica em área
pública.
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CONSULTOR JURÍDICO,
27 de maio de 2008
Cálculo dominante
Saldo das contas do FGTS deve ser corrigido
pela Selic
As ações sobre saldos de contas vinculadas ao FGTS devem ser
corrigidas pela taxa Selic. A medida, da Turma Nacional de Uniformização
da Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais, vale apenas para as
ações ajuizadas após o dia 11 de janeiro de 2003, quando
entrou em vigência o novo Código Civil.
A decisão da TNU foi dada
em incidente de uniformização contra o acórdão
da Turma Recursal do Juizado Especial Federal de Ribeirão Preto.
Na oportunidade foi mantida a sentença de primeira instância,
que decidiu que os juros de mora são de 0,5% ao mês, a partir
da citação.
O reclamante sustenta que o acórdão
vai contra jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça
e diverge do entendimento das Turmas Recursais dos Juizados Especiais
Federais de Minas Gerais e de Goiás.
A juíza federal Maria
Divina Vitória, relatora do caso, acatou a tese do autor, por
entender que a jurisprudência do STJ é pacífica no
sentido de que deve ser aplicada, a título de juros moratórios,
a taxa de 0,5%, desde a citação, até o advento do
novo Código Civil, quando a partir de então, serão
calculados nos termos do artigo 406 do Código.
O artigo 406 diz: “Quando
os juros moratórios não forem convencionados, ou o forem
sem taxa estipulada, ou quando provierem de determinação
da lei serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para
a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional”.
A taxa é a Selic como dispõem o artigo 13 da Lei 9.250/95.
Processo 2006.63.02.013995-3
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O CORREIO, 27 de maio de 2008
RS: Piso mínimo regional
chega aos R$ 477,00
por »Luis Bacedoni
Projeto de lei encaminhado pelo Governo do Estado à Assembléia
Legislativa definindo o percentual de reajuste do mínimo regional foi
aprovado por unanimidade, nesta terça-feira, durante votação
no plenário do Legislativo.
Os novos valores variam entre R$ 477,40 e R$ 519,20 e serão retroativos
a 1º de maio. Representantes das entidades sindicais acompanharam a votação
das galerias.
O governo tem 15 dias para sancionar o projeto, de sua própria autoria,
a partir da data de recebimento.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
27/05/2008
Insalubridade: Sétima Turma aplica
salário mínimo como base de cálculo
A Súmula Vinculante nº 4
do Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da utilização
do salário mínimo como base de cálculo do adicional
de insalubridade, mas vedou a substituição desse parâmetro
por meio de decisão judicial. Até que novo critério
seja adotado, por lei ou por negociação ou sentença
coletiva, ele continuará a ser aplicado quando a categoria não
tiver piso salarial. Este fundamento foi adotado pela Sétima Turma
do Tribunal Superior do Trabalho em duas decisões recentes sobre
a matéria.
O entendimento da Sétima
Turma é o de que o STF, ao analisar a questão constitucional
sobre a base de cálculo do adicional de insalubridade e editar
a Súmula Vinculante nº 4, adotou técnica decisória
conhecida no direito constitucional alemão como “declaração
de inconstitucionalidade sem pronúncia da nulidade“: a norma,
embora declarada inconstitucional, continua a reger as relações
obrigacionais, em face da impossibilidade de o Poder Judiciário
se sobrepor ao Legislativo para definir critério diverso para
a regulação da matéria.
A Súmula Vinculante nº 4
estabelece que, “salvo os casos previstos na Constituição
Federal, o salário mínimo não pode ser usado como
indexador de base de cálculo de vantagem de servidor público
ou de empregado, nem ser substituído por decisão judicial.
Para o relator, se não fosse a ressalva final, poder-se-ia cogitar
a substituição do critério do artigo 192 da CLT,
relativo ao adicional de insalubridade, pelo previsto no artigo 193,
parágrafo 1º, da CLT para o adicional de periculosidade -
o salário-base do trabalhador, uma vez que insalubridade e periculosidade
são ambas fatores de risco para o trabalhador. “Mas a parte
final da súmula não permite criar novo critério
“A solução
adotada pelo STF colocou-se como intermediária entre duas soluções
extremas”, explica o ministro Ives Gandra Filho. “Uma propunha
o congelamento do valor do salário mínimo e a aplicação
dos índices de reajuste salariais, critério ainda mais
prejudicial para os trabalhadores; a outra era a utilização
da remuneração como base de cálculo.” No processo
trabalhista, os processos em que se discute o adicional de insalubridade
são, quase sempre, propostos pelos empregados, que buscam uma
base de cálculo mais ampla. O relator ressalta que o STF inclusive
rejeitou a tese da conversão do salário mínimo em
pecúnia e a aplicação posterior dos índices
de correção dos salários. “Se o reajuste do
salário mínimo for mais elevado que o da inflação
do período, os trabalhadores que pleiteassem uma base de cálculo
mais ampla seriam prejudicados por uma decisão judicial que reduziria
a vantagem pedida”, explica.
“Como a parte final
da Súmula nº 4 não permite criar novo critério
por decisão judicial, até que se edite norma legal ou
convencional estabelecendo base de cálculo distinta do salário
mínimo para o adicional de periculosidade, continuará a
ser aplicado esse critério, salvo a hipótese da Súmula
nº 17 do TST, que prevê o piso salarial da categoria, para
aquelas que o possuam (já que o piso salarial é o salário
mínimo da categoria)”, concluiu o relator. (RR 1118/2004-005-17-00.6
e RR 1814/2004-010-15-00.9)
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27/05/2008
Confirmação da gravidez durante
aviso prévio não dá direito a estabilidade
Empregada que tem a gravidez
confirmada durante o aviso prévio não alcança a
estabilidade provisória da gestante. Seguindo a jurisprudência
(Súmula nº 371), a Primeira Turma do Tribunal Superior do
Trabalho rejeitou (não conheceu) o recurso de revista interposto
por uma auxiliar de limpeza contra a Higilimp Limpeza Ambiental Ltda.
A ação foi ajuizada
na 68ª Vara do Trabalho de São Paulo pela empregada, que
se encontrava grávida desde maio de 2006. Admitida fevereiro do
mesmo ano, na reclamação alegou ser do conhecimento da
Higilimp seu estado gravídico, porque apresentava enjôos
e mal estar nos últimos dias do contrato de trabalho – a
demissão ocorreu em junho de 2006.
Acreditando fazer jus à estabilidade
provisória, conforme previsto no artigo 10º, inciso II, letra “b” do
Ato das Disposições Constitucionais Transitórias
da Constituição Federal de 1988, buscou na Justiça
do Trabalho a declaração de nulidade da rescisão
contratual, até a data da efetiva reintegração com
o pagamento de todos os benefícios, licença-maternidade
de 120 dias, aumentos salariais, 13º, férias e FGTS, ou a
indenização correspondente.
A decisão do primeiro
grau condenou a empresa a reintegrá-la e pagar-lhe os salários
com respectivos reflexos, mas a Higilimp postulou no Tribunal Regional
do Trabalho da 2ª Região (São Paulo) a reforma da
decisão anterior. O Regional acolheu seu pedido porque, segundo
atestado no exame gestacional realizado em 17/08/2006, a empregada estava
grávida havia doze semanas. Deduziu que a concepção
ocorreu entre os dias 24 a 27 de maio de 2006, portanto, no curso do
aviso prévio, e entendeu inverídica a afirmação
de que a empresa tinha ciência da sua gravidez. Concluiu que a
empregada buscou apenas receber sem trabalhar, pois, quando colocado
o emprego à sua disposição, afirmou que aceitaria
somente se recebesse todos os salários, desde a dispensa, e não
aceitou a reintegração.
A empregada recorreu ao TST,
mas a Primeira Turma manteve o mesmo entendimento do Regional.. “Trata-se
da hipótese em que a confirmação da gravidez ocorreu
no curso do aviso prévio, e que o exame gestacional foi realizado
após a rescisão do contrato de trabalho”, observou
o relator, ministro Walmir Oliveira da Costa. “Nesse contexto,
o contrato de trabalho tem seus efeitos limitados às vantagens
econômicas obtidas no período de pré-aviso e, portanto,
não alcança a estabilidade provisória”, concluiu.
(RR-2150/2006-068-02-00.5)

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