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Folha
de S.Paulo, 29 de maio de 2008
Redução de jornada reúne
1,2 milhão, segundo centrais
Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem

Trabalhadores durante ato na ponte Octavio Frias
de Oliveira
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Cerca de 1,2 milhão de trabalhadores de 19 Estados participaram ontem
de paralisações, manifestações, passeatas e atos
que ocorreram em todo o país para pedir redução da jornada
de trabalho de 44 para 40 horas semanais, segundo informações
das centrais sindicais.
Os protestos foram organizados por seis entidades que reúnem sindicatos
de trabalhadores: CUT, Força Sindical, UGT, CGTB, CTB e Nova Central.
Na próxima terça, os sindicalistas vão entregar aos parlamentares,
em ato no Congresso Nacional, um abaixo-assinado em que os trabalhadores pedem
a redução da jornada sem a redução nos salários,
como prevê a PEC 393 (Proposta de Emenda Constitucional), de 2001.
Os trabalhadores querem que o país adote as convenções
158 e 151 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que,
respectivamente, impede a demissão imotivada e possibilita a negociação
coletiva no funcionalismo público.
No Estado de São Paulo, cerca de 150 mil metalúrgicos fizeram
paralisações em empresas de 32 cidades. No ABC paulista, os trabalhadores
atrasaram a entrada dos turnos em ao menos quatro montadoras: Volks, Ford,
Scania e Mercedes-Benz.
Na capital, 5.000 bancários retardaram a abertura das agências
em uma hora, motoristas de ônibus pararam das 11h30 às 13h e 5.000
operários da construção civil, costureiras, químicos
e metalúrgicos protestaram na ponte estaiada Octavio Frias de Oliveira,
que liga a av. Jornalista Roberto Marinho à marginal Pinheiros. Em Curitiba,
o dia de protestos foi marcado por pancadaria entre manifestantes e a PM. Sete
pessoas ficaram feridas e quatro foram presas em protestos em frente a garagens
de empresas de transporte coletivo.
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O ESTADO DO PARANÁ,
29 de maio de 2008 | Economia
Protesto de trabalhadores termina em
confusão em Curitiba
Rosângela Oliveira
Foto: Daniel Derevecki

Manifestação pedia redução da jornada de trabalho.
As manifestações pela redução da jornada de trabalho
de 44h para 40h semanais foram marcadas por confusões em Curitiba.
Por volta das 5h sindicalistas
tentaram impedir que ônibus saíssem das garagens de três
empresas. A polícia militar foi chamada e houve confronto entre
os manifestantes.
Diversas pessoas ficaram feridas
e seis sindicalistas teriam sido presos. A PM confirmou a prisão
de quatro pessoas, por desacato e descumprimento de ordem judicial, mas
não confirmou feridos.
A expectativa dos organizadores
do Dia Nacional de Luta Pela Redução da Jornada de Trabalho
em Curitiba Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), Central Única
dos Trabalhadores (CUT) e Força Sindical era mobilizar perto de
dois mil participantes.
Porém pouco mais de 400
acompanharam a passeata, que saiu da Praça Afonso Botelho em direção à Praça
Rui Barbosa. Embora os dirigentes sindicais não admitam, a não
adesão dos motoristas e cobradores do transporte coletivo teria
enfraquecido a manifestação.
O presidente da Força
Sindical do Paraná, Sérgio Butka, alegou que durante assembléia
em frente às empresas de ônibus os trabalhadores decidiram
pela paralisação, mas foram impedidos por representantes
do próprio sindicato da categoria. Já o presidente do Sindicato
dos Motoristas e Cobradores nas Empresas de Transporte de Passageiros
de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), Denílson
Pires, negou a informação, e disse que os manifestantes
estavam obrigando os trabalhadores a pararem.
A PM foi chamada para cumprir
uma decisão judicial, obtida pela Prefeitura de Curitiba na noite
de terça-feira, que previa uma multa de R$ 100 mil à CUT,
Força Sindical e outras entidades, caso ocorresse o bloqueio de ônibus
em garagens, vias públicas ou terminais. O presidente da CUT do
Paraná, Roni Barbosa, disse que as entidades sindicais irão
pedir explicações para a Secretaria de Segurança
Pública sobre truculência da polícia.
“Não tinha
motivo para eles usarem a força, jogarem bomba e agredirem trabalhadores”,
falou. De acordo com a assessoria de imprensa da PM foram usadas bombas
de efeito moral para dispersar os manifestantes. Sobre possíveis
excessos, o comando da polícia afirmou que irá investigar,
e caso sejam confirmados, os responsáveis serão punidos.
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O ESTADO DO PARANÁ,
29 de maio de 2008 | Cidades
Professores estaduais protestam contra
redução da jornada
Newton Almeida
Professores da rede estadual de ensino reduziram ontem o tempo de aula nas
escolas no Paraná. A ação, que ganhou a adesão
de professores de mais de duas mil escolas, é um protesto pela redução
da carga horária para 40 horas semanais. Os professores também
reivindicam um reajuste de 38,57% nos salários.
Para o presidente da APP-Sindicato,
José Lemos, um dos pontos é, além de apoiar a luta
nacional pela redução da jornada de trabalho, o plano de
carreira para os demais funcionários da educação. “Queremos,
entre outros pontos, a gratificação noturna de 20% e auxílio
transporte para quem precisa ter mais condições de cumprir
com a carga horária”, afirma Lemos.
Ele conta que o sindicato já prepara
uma greve de advertência de 24h para o dia 4 de julho. Neste dia
também está programada uma passeata. “Faremos a concentração
na Praça Santos Andrade e seguiremos para o Palácio Iguaçu”,
prevê.
Ainda ontem, a APP-Sindicato
escolheria os representantes que iriam participar de assembléia,
prevista para o dia 14 de julho, onde classe vai analisar se a situação
evoluiu ou se haverá novas ações de reivindicação.
Para o professor Enzo Aparecido de Souza, que leciona no Colégio
Estadual do Paraná, a equiparação salarial é um
dos principais anseios da classe.
“A gente não
acha justo que cargos comissionados ganhem um salário tão
superior ao o que é pago aos professores. Também temos
curso superior e o 5% de reajuste que a Secretaria de Educação
determinou não é o suficiente para uma equiparação”,
afirma.
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VERMELHO, 29 de maio de 2008
Luta operária: lições
da história
As mobiizações de 28
de maio fazem parte de uma longa tradição no Brasil,
que deixam a lição de que não há conquista
sem luta.
Por José Carlos Ruy
A luta operária, no Brasil,
vai se rearticulando e reocupando as ruas. Foi o que se viu ontem, dia
28, quando cerca de 1,2 milhão de manifestantes fizeram paralisações,
manifestações, passeatas e atos em 19 Estados, defendendo
a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais
sem redução do salário, a aprovação
das resoluções 151 (que regulamenta a negociação
coletiva no serviço público) e 158 (que dificulta as demissões
imotivadas de trabalhadores) da OIT (Organização Internacional
do Trabalho) e a reforma agrária.
As manifestações
de ontem fazem parte da longa tradição de luta dos trabalhadores
brasileiros. Ela havia declinado temporariamente na década de
1990, sob o tacão dos governos neoliberais de Fernando Collor
de Mello e Fernando Henrique Cardoso e as graves ameaças que representaram
para os direitos sociais e para a organização dos trabalhadores.
Mas que foi sendo retomada a
partir de 2003, depois da posse do metalúrgico e sindicalista
Luiz Inácio Lula da Silva na presidência da República.
Um dos marcos dessa retomada foi o movimento, vitorioso, contra a “”Emenda
3”, ocorrido em 2007. A “Emenda 3” foi o dispositivo
introduzido por parlamentares conservadores na lei que criou a Super
Receita, e que impedia a punição de empresas que contratassem
funcionários na forma de “micro-empresas”, sem registrá-los
em carteira e burlando seus direitos trabalhistas. A mobilização
dos trabalhadores, em todo o país, derrotou esse dispositivo e
apoiou seu veto pelo presidente Lula.
Outros momentos de mobilização
vitoriosa dos trabalhadores merecem ser relembrados pois mostram como
conquistas concretas, do ponto de vista econômico ou político,
só ocorrem depois de muita luta, mesmo quando se tratam de governos
que, como o atual, são aliados da luta social.
As grandes mobilizações
durante o governo João Goulart (1961-1964) são um exemplo.
O conflito entre os trabalhadores e as classes dominantes, principalmente
seus setores mais conservadores, foi muito agudo naquela época.
A luta operária avançava, sobressaltando os setores dominantes,
e sua resolução foi a interrupção violenta
daquele governo, e da legalidade constitucional, pelo golpe militar de
1964.
Mesmo assim houve conquistas
importantes. Talvez a principal tenha sido a passagem da agenda econômica
para a agenda política. Seu ponto alto foi a greve geral de 5
de julho de 1962. Foi a primeira greve geral nacional da história
brasileira, convocada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores
na Indústria e pelo Pacto de Unidade e Ação, uma
articulação que reunia vários sindicatos operários.
A greve teve objetivo claramente
político. Em 26 de junho daquele ano, Tancredo Neves havia renunciado
ao cargo de primeiro ministro (o regime vigente, então, foi o
curto parlamentarismo de 1961 a 1963). Para substituí-lo, o presidente
Goulart indicou o chanceler Santiago Dantas, visto com desconfiança
pelos conservadores e, por isso, vetado pelo Congresso Nacional. Em seu
lugar, Goulart indicou o deputado conservador Auro de Moura Andrade,
rapidamente aprovado pelo Congresso, por 222 votos (sobretudo dos partidos
conservadores liderados pelo Partido Social Democrático e pela
União Democrática Nacional) contra 51 (dados sobretudo
pelos deputados do Partido Trabalhista Brasileiro).
Auro de Moura Andrade ganhou
no Congresso mas não chegou sequer a assumir o cargo, derrotado
pela greve geral, que exigia – além de seu afastamento – a
formação de um governo democrático e nacionalista
e a aplicação do programa de reformas de base do presidente
Goulart.
Além de derrotar a perspectiva
de um governo direitista, a greve geral de 5 de julho de 1962 trouxe
outros ganhos para os trabalhadores. Um deles simbólico: foi nela
que ocorreu a primeira negociação direta entre um presidente
da República e dirigentes sindicais. Dessa negociação
resultou um benefício que ainda hoje perdura: naquela ocasião,
o presidente João Goulart sancionou a lei que criou o 13º salário,
benefício que nem mesmo os governos militares posteriores a 1964
ousaram cancelar.
Outro ganho foi organizativo.
Durante a paralisação surgiu o Comando Geral de Greve que,
no 4° Congresso Sindical Nacional, em agosto de 1962, foi transformado
no influente Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), o grande articulador
da luta operária naquele período. E que acumulou ganhos
políticos importantes. Por exemplo, foi uma greve de setembro
de 1962, que conseguiu antecipar a data da realização do
plebiscito para decidir entre os regimes parlamentarista ou presidencialista.
Depois da greve, o plebiscito foi marcado para 6 de janeiro de 1963 e,
nele, o presidencialismo foi amplamenta vitorioso, devolvendo ao presidente
Goulart a plenitude de seus poderes, que havia sido limitada quando o
parlamentarismo foi adotado, em setembro de 1961.
O movimento operário brasileiro
enfrentava, naquela época, muitas limitações, de
natureza política e mesmo organizativa, e que deixaram-no incapaz
de enfrentar o golpe militar de 1964. Mas este é outro assunto.
O importante, aqui, é ressaltar os ganhos – mesmo limitados
no tempo – alcançados na época, cuja lição
precisa ser assimilada: não há conquistas sociais e políticas
sem a organização, a mobilização e a luta
dos trabalhadores.
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ESTADÃO.COM/ SÃO
PAULO, 29 de maio de 2008 | Economia
Montadoras levam 53% dos incentivos
Marcelo Rehder
No melhor momento da sua história no País, a indústria
automobilística foi a mais beneficiada pelos incentivos fiscais a investimentos
concedidos pelo governo no pacote da nova política industrial. Dos R$
6,1 bilhões em desonerações fiscais previstas para estimular
os investimentos dos diversos setores da indústria até 2011,
as montadoras e os fabricantes de autopeças vão ficar com R$
3,2 bilhões, o que representa mais da metade (52,8%) dos subsídios.
"Não é justificável
uma concentração tão significativa dos incentivos
em um único setor", diz o economista Júlio Sérgio
Gomes de Almeida, assessor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento
Industrial (Iedi)e ex-secretário de Política Econômica
do Ministério da Fazenda, autor do levantamento sobre a desoneração
dos investimentos.
Para ele, a nova medida de desoneração
fiscal capaz de dar um relevante impulso adicional ao investimento é a
depreciação de máquinas e equipamentos em 20% do
prazo normal. O problema é que ela foi limitada à compra
de máquinas e equipamentos para a fabricação apenas
de bens de capital, automóveis e autopeças.
Por essa medida, a depreciação
de uma máquina, que ocorra normalmente em dez anos , por exemplo,
passará a se dar em apenas dois anos. Isso representa forte aumento
do valor da depreciação no período, com conseqüente
redução do lucro tributável e queda expressiva do
pagamento de tributos.
Pelos cálculos do Ministério
da Fazenda, só com esse incentivo às montadoras e fabricantes
de autopeças a renúncia fiscal atingirá R$ 3,022
bilhões até 2010. As montadoras ganharam também
mais prazo para recolher o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI),
de 10 para 30 dias. Nesse caso, o incentivo será de R$ 200 milhões
em 2008.
Gomes de Almeida observa que
a depreciação acelerada de máquinas e equipamentos é um
forte instrumento de estímulo ao investimento que muitos outros
países adotam em caráter horizontal, ou seja, abrangendo
os mais diversos setores. "O pequeno grande detalhe associado a
esta medida prevista na nova política industrial é que
ela ficou restrita ao setor automotivo e de bens de capital."
Segundo o assessor econômico
do Iedi, juntas, as cadeias produtivas desses dois setores respondem
por quase 20% da produção industrial do País. "São
setores destacados na estrutura industrial brasileira e merecedores de
prioridade, mas evidentemente não são os únicos
nessa situação."
O total de desoneração
fiscal previsto na nova política industrial é de R$ 24,1
bilhões até 2011. Além dos R$ 6,1 bilhões
em subsídios a investimentos, o valor engloba também medidas
de apoio a crédito, pesquisa e desenvolvimento (P&D) e exportação.
Incentivos a investimentos incluem R$ 1,073 bilhão ao setor de
bens de capital (depreciação acelerada) e R$ 1,001 bilhão
a setores intensivos em mão-de-obra.
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AGÊNCIA DIAP, 29 de
maio de 2008
TRANSFERÊNCIA DE RENDA
Seguro-desemprego: MTE aponta crescimento
e quer modernizar programa
Técnicos da Universidade de Brasília
fazem levantamento sobre as ações do Programa do Seguro-Desemprego,
desde início de 2008. A pesquisa vai subsidiar propostas para
modernizar e alinhar todas as iniciativas que compõem o programa
Desde o começo de 2008,
técnicos da Universidade de Brasília (UnB) fazem um levantamento
sobre as ações do Programa do Seguro-Desemprego, do Ministério
do Trabalho e Emprego. A pesquisa, que deve resultar na apresentação
de propostas para modernizar e alinhar todas as iniciativas que compõem
o programa, deve ser concluída somente no início de 2009.
O mapeamento foi recomendado
pelo Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat)
ao MTE por meio da resolução 556, publicada em 28 de setembro
de 2007, no Diário Oficial da União. A proposta do Codefat
baseia-se na necessidade de promover um balanço do programa que
existe desde 1986 e que, até então, não tinha seus
procedimentos submetidos a estudos mais acurados.
Integração
A avaliação parte
do tripé básico do Programa: seguro-desemprego, orientação
profissional e intermediação de mão-de-obra e a
qualificação social e profissional, além da interface
com instrumentos de planejamento, operacionalização e acompanhamento,
como é a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS),
a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO),
a Relação Anual de Informações Sociais (Rais)
e o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
"A idéia é,
a partir da avaliação, potencializar e integrar as ações
do Programa, que não está limitado apenas ao pagamento
do seguro-desemprego", esclareceu o Diretor do Departamento de Emprego
e Salário (DES), Rodolfo Torelly, que integra o Grupo de Trabalho
responsável por acompanhar o desenvolvimento do estudo.
Mudanças nas regras
Torelly reiterou ainda que não é de
interesse do MTE mudar as regras que permitem a distribuição
do seguro-desemprego, conforme foi divulgado nos últimos dias
em alguns veículos de comunicação.
"Não existe sequer
a cogitação de que seja ampliado de seis meses para um
ano o prazo de trabalho obrigatório com registro em carteira como
requisito para o benefício".
Crescimento do fundo
De acordo com levantamento do
MTE, os gastos do FAT com o benefício cresceram de 2002 a 2007
a uma taxa média anual de 17,58%. A expansão, conforme
avaliação do Ministério, pode ser atribuída
a quatro fatores:
1 - Crescimento do mercado de
trabalho e da rotatividade: de acordo com o Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados (Caged), do MTE, houve um crescimento do número
de assalariados celetistas no mercado de trabalho nos últimos
anos. Em 2006, por exemplo, houve a geração de 1,2 mihão
de postos com carteira assinada. No ano passado, o mercado formal abriu
as portas para 1,6 milhão de trabalhadores. Esse crescimento aquece
a economia. Ao mesmo tempo, estimula a rotatividade, conforme revela
o Caged. Em 2005, ela foi de 3,45%. Subiu, em 2006, para 3,49%. E, no
ano seguinte, cresceu para 3,64%.
2 - Demitidos sem justa causa:
ainda segundo dados do Caged, o número de demitidos sem justa
causa tem se elevado expressivamente nos últimos anos , ampliando,
assim, a quantidade de requerentes pelo benefício. No ano passado,
7,5 millhões de trabalhadores foram demitidos sem justa causa,
com 6 milhões tornando-se segurado. Outro fator é o ampliado
período entre a demissão e o reemprego. Pelos números
do Caged, aproximadamente 53% dos trabalhadores demitidos ficam por mais
de um mês fora do mercado formal.
3 - Tempo de Permanência
no Emprego: aproximadamente 40% dos demitidos sem justa de causa permanecem
na empresa por um tempo médio de dois anos ou mais, fator que
permite a concessão do número máximo de parcelas
do benefício (sete parcelas)
4 - Aumento do salário
mínimo: pela lei que regulamenta o Programa Seguro-Desemprego,
o valor do benefício não pode ser inferior a um salário-mínimo.
Com o aumento dele, automaticamente eleva-se o custeio do programa. Entre
2002 e 2007, o salário-mínimo apresentou aumento médio
de 13,34%. Com o seu aumento, automaticamente eleva-se o custeio do Programa.
Saiba
mais sobre o Seguro-desemprego
O seguro-desemprego é um
benefício integrante da seguridade social, garantido pelo art.7º dos
Direitos Sociais da Constituição Federal e tem por finalidade
prover assistência financeira temporária ao trabalhador
dispensado involuntariamente, mas também auxiliar o trabalhador
na manutenção e busca de emprego, por meio de ações
integradas de intermediação de mão-de-obra e qualificação
profissional.
No Brasil, foi introduzido no
ano de 1986 e, após a Constituição de 1988, passou
a integrar o Programa do Seguro-Desemprego. O Programa foi instituído
pela Lei n.º 7.998/90, que definiu, também, a sua fonte de
custeio, o Fundo de Amparo ao Trabalhador - FAT, o que permitiu a criação
de critérios de concessão mais acessíveis aos trabalhadores
e mudanças substanciais nas normas para o cálculo dos valores.
O FAT tem como fonte principal
os recursos das contribuições do PIS e Pasep, recolhidas
pelos empregadores à alíquota de 0,65% sobre o faturamento
bruto das empresas. Dos recursos que constituem a receita do FAT, 40%
são repassados ao BNDES para aplicação no financiamento
em programas de desenvolvimento econômico. Os outros 60% destinam-se
ao pagamento do Abono Salarial e ao custeio do Programa do Seguro-Desemprego.
Além das ações
de pagamento do benefício Seguro-Desemprego, da intermediação
de mão-de-obra e da qualificação profissional, atualmente
executadas por meio de parceria com os Estados, o Distrito Federal e
os municípios com mais de duzentos mil habitantes o Programa conta,
ainda, com linhas de crédito voltadas para o financiamento de
ações empreendedoras, indutoras de emprego e renda, com ênfase
no apoio a setores intensivos em mão-de-obra, prioritários
das políticas governamentais de desenvolvimento, como as micro
e pequenas empresas.
Os públicos-alvos atendidos
são as micro e pequenas empresas, cooperativas e associações
de trabalhadores, profissionais liberais e microempreendedores de baixa
renda, de áreas urbanas e rurais. (Fonte: MTE)
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CONGRESSO EM FOCO, 29 de
maio de 2008
Mesa não decide mais processos
contra senadores
O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), afirmou, há pouco,
que representações contra senadores passam a ser encaminhadas
diretamente ao Conselho de Ética. Segundo o presidente, a representação
contra o senador Marconi Perillo (PSDB-GO) foi a última recebida pela
Mesa Diretora.
Garibaldi avaliou que a Mesa
não tem o dever de decidir sobre esse tipo de matéria. “A
partir de agora o Conselho diz se o processo é admissível
ou não”, afirma. A decisão foi tomada durante a reunião
da Mesa Diretora na manhã desta quinta-feira.
Na Câmara, os processos
ainda são recebidos pela Mesa Diretora, que decide se encaminha
ou não para o Conselho de Ética. O processo contra o deputado
Paulo da Força (PDT-SP), por exemplo, passou pelo crivo da Mesa,
antes de ser enviado ao Conselho da Casa.
Caso Perillo
O presidente do Senado afirmou,
ainda, que a representação contra o senador Marconi Perillo,
apresentada pelo Psol, foi inconsistente. Segundo Garibaldi, a representação
do Psol não considerou a denúncia que a Procuradoria Geral
da República encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF).
“Não podemos expor
o Senado a denúncias sem a menor consistência”, disse. “De
maneira nenhuma, vamos aceitar denúncias dessa natureza”,
completou.
Na manhã, a Mesa Diretora
arquivou, por unanimidade, a representação contra o senador
Perillo, acusado de tráfico de influência, peculato e caixa
dois na campanha eleitoral de 2006. (Renata
Camargo)
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AGÊNCIA DIAP, 29 de
maio de 2008
REPRESENTAÇÃO MUNICIPAL
Câmara aumenta número
de vereadores e diminui gastos
A Câmara aprovou, na noite
da última terça-feira (27), proposta que cria 24 faixas
de números de vereadores, de acordo com o tamanho da população
de cada município. O texto aprovado aumenta o número
de vereadores dos atuais 51.748 para 59.791, mas reduz os gastos
com vereadores de R$ 6 bilhões para R$ 4,8 bilhões
anuais, porque o limite de gastos das prefeituras com cada câmara
foi fixado em 2% a 4,5% da arrecadação da prefeitura.
Para a menor faixa populacional,
de até 15 mil habitantes, a Câmara Municipal poderá ter
no máximo nove vereadores. A maior faixa é de 55 vereadores
para o município com mais de oito milhões de habitantes
- o que atinge apenas a cidade de São Paulo. Para conhecer todas
as faixas clique aqui.
A proposta de emenda à Constituição
(PEC) 333/04, do deputado Pompeo de Mattos (PDT/RS), também diminui
os percentuais de gastos com as câmaras calculados sobre a receita
tributária dos municípios. Hoje, esse limite está em
R$ 5% a 8% da receita, dependendo da arrecadação do município.
Os percentuais vão variar com base no número de habitantes
e do total da receita arrecadada pelos municípios.
O objetivo da matéria é resolver
a polêmica criada em 2004, quando o Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) interpretou a Constituição Federal quanto ao número
de vereadores que poderiam ser eleitos naquele ano, extinguindo mais
de oito mil vagas nas câmaras dos 5.562 municípios.
O deputado Flávio Dino
(PCdoB/MA) ressaltou que "o fortalecimento dos legislativos municipais
aumentará a sua pluralidade política, com maior eficiência
de sua função fiscalizadora e de expressão dos interesses
das comunidades".
Segundo
turno
No final da noite desta quarta-feira (28) foi aprovada, em segundo
turno, por 359 votos a 10 e 4 abstenções a proposta, foi
fruto de uma emenda relatada pelo deputado Vitor Penido (DEM/MG).
A matéria será votada em dois turnos no Senado para ser enviada
para promulgação pelo presidente da República. Se for
promulgada até o dia 30 de junho, segundo o deputado Daniel Almeida
(PCdoB/BA), as novas regras podem vigorar já para as eleições
deste ano.
Apesar de concordar com o texto
final, o autor da PEC acredita que o Senado poderá ajustar detalhes
quanto aos repasses para as câmaras. "A minha parte eu já fiz.
Do jeito que está nós andamos muito. É uma grande
vitória do Parlamento", disse Pompeo de Mattos.
O texto fora aprovado em
primeiro turno, na terça-feira (27), por 419 votos a 8 e 3 abstenções.
(Com agências)
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AGÊNCIA SINDICAL, 29
de maio de 2008 | Opinião
Participação dos empregados
nos conselhos de administração de estatais
Por Antônio Augusto de Queiroz
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, em cumprimento à promessa feita às Centrais
Sindicais, encaminhou ao Congresso Nacional o Projeto de Lei 3.407/08
(referente à Mensagem Presidencial 240, de 29 de abril de 2008),
dispondo sobre a participação de empregados nos conselhos
de administração das empresas públicas e sociedades
de economia mista e demais empresas em que a União, direta ou
indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto.
O projeto de lei do Executivo,
elaborado na gestão do presidente Lula, dá efetividade
ao parágrafo único do artigo 140 da Lei 6.404/76, acrescentado
pela Lei 10.303/01, da gestão FHC, prevendo que “O estatuto
poderá prever a participação no conselho de representantes
dos empregados, escolhidos pelo voto destes, em eleição
direta, organizada pela empresa, em conjunto com as entidades sindicais
que os representem”. As Leis 6.404/76 e 10.303/01 tratam das Sociedades
por Ações.
Pelo projeto, as empresas estatais
com mais de 200 empregados poderão eleger diretamente um representante
para o conselho de administração, em pleito organizado
pela empresa e a entidade sindical. O escolhido deverá preencher
todos os requisitos exigidos em lei e no estatuto da empresa para os
demais integrantes do conselho, inclusive experiência e escolaridade.
Por configurar conflito de interesse,
o representante dos empregados no conselho não poderá participar
de discussões e deliberações sobre assuntos que
envolvam relações sindicais, remuneração,
benefícios e vantagens, inclusive matérias de previdência
complementar e assistenciais.
O texto garante ao acionista
majoritário a maioria no conselho de administração,
ficando autorizado, se necessário, o aumento do número
de conselheiros para assegurar o direito do acionista controlador de
eleger a maioria dos conselheiros.
A iniciativa do presidente Lula é louvável
sob todos os pontos de vistas. Ela valoriza a governança participativa.
Cumpre promessa feita ao movimento sindical. E dá efetividade
ao dispositivo criado por seu antecessor, que optou por não regulamentar
a participação dos empregados nos conselhos de administração
das estatais, porque sua prioridade era vendê-las e não
democratizar a gestão.
Antônio Augusto de Queiroz é jornalista,
analista político e diretor de Documentação do Diap
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AGÊNCIA SINDICAL, 29
de maio de 2008 | Opinião
Inflação: riscos e
reflexos sobre as relações de trabalho
O Brasil vive um momento singular
de sua história, com uma tríplice combinação:
democracia, crescimento econômico (com estabilidade de preços
e distribuição de renda), e consciência ambiental,
como bem pontuou o consultor sindical e membro do corpo técnico
do DIAP, João Guilherme Vargas Netto. Uma das pernas desse tripé,
entretanto, está ameaçada pela pressão internacional
sobre alguns preços, o que poderá justificar medidas preventivas
contra o retorno da inflação com reflexos nas relações
de trabalho.
A ameaça decorre de um
verdadeiro choque, em nível mundial, nos preços de petróleo,
de alimentos e de commodites, com pressões inflacionárias
muito fortes, inclusive no Brasil. Embora o País seja beneficiário
direto do aumento desses preços, já que é grande
produtor e exportador dos três itens, a população,
em geral, e, os assalariados, em particular, poderão ser penalizados
com a reação da equipe econômica e do Banco Central
no enfrentamento da ameaça de inflação.
O assunto não ganhou grande
destaque nos veículos de comunicação, ainda, mas
os “analistas” já antecipam possíveis medidas
de combate à inflação, entre as quais um profundo
corte nos gastos públicos (despesas com pessoal e previdência)
e aumento do superávit primário e das taxas de juros. Outros,
adversários da distribuição de renda, já especulam
que os salários da iniciativa privada têm crescido mais
que os ganhos de produtividade (em alguns setores da economia) e que
isto teria efeito inflacionário, insinuando que deve haver desaceleração
nos ganhos reais nas negociações coletivas.
De fato, se for confirmada a
tendência de crescimento da inflação (e será em
nível planetário), independentemente das medidas que o
ministério da Fazenda e o secretário do Tesouro venham
a tomar, o Banco Central do Brasil, que possui autonomia operacional,
não terá nenhuma dúvida em arrochar a política
monetária e aumentar os juros no País, com reflexos desastrosos
sobre a cadeia produtiva em geral e o mundo do trabalho, em particular,
tanto dos servidores públicos quanto dos trabalhadores do setor
privado.
Para os servidores, o reflexo
seria, além de congelamento salarial após o realinhamento
em curso, uma maior pressão para aprovar o pacote de maldades
que se encontra no Congresso: PLP 1, PEC dos Precatórios, Lei
de Greve, Fundações Públicas com contratação
pela CLT, demissão por insuficiência de desempenho e previdência
complementar privada, entre outros.
Para os assalariados, além
do risco de negociações com mera reposição
da inflação, colocaria em risco a aprovação
da convenção 158 da OIT, do projeto que põe fim
ao fator previdenciário, além de diminuir as chances de
sucesso da campanha pela redução da jornada (para 40 horas
semanais) sem redução de salário.
Trata-se, por enquanto, de mera
tendência e com reflexos em todo o mundo, não havendo razão
para o Governo colocar em risco as conquistas econômicas e sociais
acumuladas. As autoridades não podem nem devem se apavorar, tomando
medidas que inibam o consumo, o emprego e as negociações
salariais, nem tampouco aumentem, artificialmente, mediante majoração
das taxas de juros, o endividamento das famílias. O momento requer
muita prudência.
Antônio Augusto de Queiroz é jornalista,
analista político e diretor de Documentação do Diap
|
VERMELHO, 29 de maio de 2008
Procon: bancos descumprem regras sobre
tarifas
Uma pesquisa divulgada nesta
quarta-feira (28) pela Fundação Procon São Paulo
aponta que alguns bancos ainda não cumprem as normas estabelecidas
pelo Banco Central (BC) para a cobrança de tarifas, vigentes desde
o dia 30 de abril.
No levantamento realizado com
dez instituições financeiras, foi verificado que nem todas
elas padronizaram a nomenclatura das taxas cobradas pelos serviços
prestados a seus clientes, conforme fixa a Resolução 3.518
do BC, e nem todas informam de forma correta quais são os serviços
gratuitos incluídos nos seus pacotes de tarifas.
" Percebemos que alguns
bancos ainda estão em adaptação e descumprem alguns
pontos do regulamento", afirmou o assistente de direção
do Procon-SP, Diógenes Donizete. "As regras são um
avanço para o consumidor, tornam as relações entre
banco e correntista mais transparentes, mas ainda existem problemas",
disse.
A entidade também comparou
os valores cobrados pelo mesmo serviço, em cada um dos bancos
consultados, no início de fevereiro e no dia em que as regras
do BC entraram em vigor. Segundo o órgão, foram verificados
aumentos de até 433% no valor das taxas durante o período.
"Houve aumentos, isso é fato.
Mas se os bancos ajustam as tarifas, os consumidores também podem
se ajustar", afirmou Donizete, reforçando que consumidores
devem pesquisar quais as instituições oferecem as tarifas
mais baixas.
De acordo com o Procon-SP, o
preço de um extrato mensal pode variar de R$ 1,30 até R$
10, dependendo do banco. No caso dos pacotes padronizados de serviços,
há bancos que cobram taxas mensais de R$ 15 e outros que cobram
R$ 28.
Ainda de acordo com Donizete,
os consumidores também devem ficar atentos ao seu padrão
de utilização dos serviços bancários para
economizar com as tarifas. Ele disse que muitos acabam aderindo a pacotes
que incluem serviços que nem sempre são usados e, com isso,
perdem a chance de gastar menos.
Para comprovar a possibilidade,
o Procon-SP elaborou um perfil hipotético de um cliente bancário,
baseado no que a entidade acredita ser o da maioria dos consumidores.
A entidade comparou o gasto mensal desse cliente com tarifas, levando
em consideração duas situações: a primeira,
em que ele adere a um pacote padronizado de serviços e a segunda,
em que ele não adere ao pacote e paga por cada serviço
separadamente.
Como resultado, a conclusão é de
que, pagando separadamente, na média, o cliente gasta R$ 11,10
por mês. E, aderindo ao pacote, o cliente paga R$ 21,40, quase
o dobro. "Claro que isso é foi feito em um perfil hipotético,
em uma média, mas já mostra como pesquisar é importante",
enfatizou.
Em comunicado, a Federação
Brasileira de Bancos (Febraban) informou que, "quanto às
diferenças de preços [das tarifas], elas são a melhor
prova de que há forte concorrência entre os bancos, os quais
disputam clientelas de diferentes segmentos oferecendo serviços
diferenciados, para cada tipo de público e consumidor".
Já sobre os demais pontos
verificados na pesquisa do Procon-SP, a Febraban considerou que seria
necessário um estudo mais detalhado sobre os itens apontados para
uma avaliação mais ponderada.
O Banco Central, responsável
pela apuração das irregularidades apontadas, foi procurado
para comentar a pesquisa. O órgão não respondeu à reportagem.
Agência Brasil
|
ÚLTIMA INSTÂNCIA,
29 de maio de 2008
Prescrição em ação
de danos morais por acidente de trabalho é de cinco anos
A 7ª Turma do TST (Tribunal Superior do Trabalho) mudou decisão
do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 18ª Região (Goiás)
e aplicou a prescrição trabalhista a ação movida
por uma ex-empregada da Brasil Telecom de Goiás aposentada por invalidez.
A ação foi interposta
seis anos após a ocorrência da constatação
da lesão. A decisão da 7ª Turma foi proferida no julgamento
do recurso de revista da empresa contra a decisão do TRT, que
entendeu que a ação não estava prescrita, uma vez
que foi interposta dentro do prazo estabelecido na regra da transição
estabelecida no Código Civil atual.
De acordo com informações
do TST, a empregada, admitida em maio de 1976, por meio de concurso público,
na função de auxiliar técnica de telecomunicações,
foi comunicada, em abril de 1997, de que estava incapacitada para o trabalho.
A funcionária tinha desenvolvido
LER (lesão por esforço repetitivo) nos 16 anos em que trabalhou
como digitadora. Em abril de 2003, ajuizou reclamação trabalhista
na 9ª Vara de Família, Sucessões e Cível de
Goiânia, para pedir, entre outros, indenização por
danos materiais e morais. Alegou ter sofrido danos irreparáveis
no exercício das suas atividades laborais, pois não conseguia
executar as mais simples atividades que requerem a utilização
dos membros superiores e estava impossibilitada de acesso a tratamentos
adequados, porque também arcava com as despesas da família.
A instância inicial declarou-se
incompetente para a causa, ao entendimento de que a Emenda Constitucional
nº 45/04 estabelece que as ações decorrentes de acidente
de trabalho são da competência da Justiça do Trabalho.
O Superior Tribunal de Justiça determinou que a ação
fosse processada na Justiça Trabalhista.
Depois de transitar no primeiro
e no segundo grau da Justiça do Trabalho, a ação
da aposentada chegou ao TST como recurso de revista da empresa. O relator,
ministro Ives Gandra Martins Filho, informou que a controvérsia
girava em torno de se definir qual a prescrição aplicável
ao pedido de indenização por danos morais e materiais decorrentes
de acidente de trabalho que ocasionou as lesões na empregada.
A decisão regional adotou
como marco prescricional a data da vigência do novo Código
(12/01/2003), sob a justificativa de que os fatos ocorreram na vigência
do Código Civil revogado, e aplicou a regra de transição
para fundamentar a sua decisão.
Para o relator, o posicionamento
regional foi reformado porque a indenização pleiteada estava
diretamente ligada à relação de trabalho e, neste
caso, há dispositivo constitucional específico regendo
a matéria, que já vigorava na época dos fatos. O
ministro lembrou que o TST já adotou o entendimento de que é aplicável à indenização
por danos morais e materiais a mesma prescrição prevista
para os demais créditos trabalhistas antes mesmo da vigência
da Emenda Constitucional nº 45/2004.
O ministro Ives Gandra reformou
a decisão regional e aplicou a prescrição prevista
no artigo 7º, XXIX, da Constituição, que é qüinqüenal,
observado o prazo de dois anos após a extinção do
contrato de trabalho. Com a aplicação da prescrição
qüinqüenal, a Sétima Turma extinguiu o processo com
resolução de mérito, e declarou prejudicado o exame
da questão dos danos materiais e do montante das indenizações
deferidas.
RR-1164/2005-006-18-00.7
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Folha de S.Paulo, 29 de maio de 2008
GOVERNO
Lula define sucessores de
Marta e Luiz Marinho
O presidente Lula já praticamente definiu os substitutos dos ministros
Marta Suplicy (Turismo) e Luiz Marinho (Previdência), que deixam o governo
na próxima semana para se dedicar à campanha municipal. A petista
deve ser substituída por seu secretário-executivo na pasta, Luiz
Eduardo Barretto. Já a vaga de Marinho deve ser ocupada pelo deputado
federal José Pimentel (PT-CE). Segundo a Folha apurou, Lula indicou
a seus auxiliares que deve nomear Barretto e Pimentel na semana que vem.
|
Folha
de S.Paulo, 29 de maio de 2008
BC estuda medidas para conter crédito
Banco está preocupado com os empréstimos
de longo prazo e suspeita de irregularidades nas operações
de leasing | Declarações de diretor da instituição,
Alvir Hoffmann, assustam platéia formada por executivos de bancos
em evento em São Paulo
GUILHERME BARROS
COLUNISTA DA FOLHA
O Banco Central estuda medidas prudenciais para conter o crescimento do crédito
e pode criar medidas para restringir as operações de lançamento
de debêntures (títulos emitidos para captar recursos) das empresas
de leasing ligadas a bancos. O Banco Central considera a possibilidade de que
algumas dessas operações com debêntures sejam irregulares.
A informação foi dada pelo diretor de fiscalização
do BC, Alvir Hoffmann, em almoço na segunda-feira, em São Paulo,
para mais de cem executivos de bancos na posse do novo presidente da ABBI (Associação
Brasileira de Bancos Internacionais), Dewes Rubira.
A cerimônia de transmissão de cargo da ABBI foi fechada, e Hoffmann
era o principal convidado. Segundo a Folha apurou, o diretor surpreendeu os
executivos presentes com o teor de suas declarações.
Hoffmann disse que estava preocupado com o crescimento do crédito no
país, principalmente as operações de longo prazo. Citou,
por exemplo, os financiamentos à compra de veículos em 84 meses.
O problema, segundo Hoffmann, é que o carro normalmente é trocado
antes de o empréstimo acabar. O diretor do BC também manifestou
preocupação com o crescimento do empréstimo compulsório.
Também chamaram a atenção dos executivos os comentários
a respeito das operações de lançamento de debêntures
das empresas de leasing ligadas aos bancos. Segundo presentes, Hoffmann disse
que a operação era "falta grave" e que poderia até ser
considerada crime. Ele aventou a hipótese de o BC encaminhar a operação
a avaliação do Ministério Público.
Já o presidente do BC, Henrique Meirelles, reuniu-se ontem com o presidente
da Febraban, Fabio Barbosa, e outros banqueiros para falar de leasing e disse
que via desvirtuamento nas operações dos bancos nessa área.
Procurado pela Folha ontem, Hoffmann afirmou, por meio da assessoria do BC,
que o que fez na segunda-feira foi manifestar "preocupação
com o crédito em prazo longo compatível com a natureza das garantias
ou com a estrutura de funding". Também disse que o BC "monitora
e analisa o mercado o tempo todo, mas não antecipa nenhuma medida prudencial
que venha a tomar".
Sobre possíveis irregularidades no leasing (em forte expansão),
disse que "recomendou às instituições que seja bem
estudada a adequação legal de novos produtos de captação
de "funding", como debêntures".
As declarações de Hoffmann assustaram os executivos presentes
e geraram rumores no mercado nos últimos dias de que o BC pode tomar
medidas para conter o crédito, que atingiu o recorde de R$ 1 trilhão
em abril, ou 36% do PIB. Essas medidas teriam dois objetivos.
O primeiro, evitar que se repita, no Brasil, em algumas modalidades de crédito,
como o consignado e o financiamento de automóveis, o mesmo que aconteceu
nos EUA com os empréstimos no mercado "subprime" (financiamentos
de alto risco), que colapsou. O outro objetivo seria evitar que todo o trabalho
do BC de redução da pressão da demanda para conter a alta
da inflação se concentre na alta dos juros.
Na semana que vem, o BC se reúne para decidir a nova taxa básica
de juros da economia, e as apostas do mercado vão de uma nova alta de
0,5 a até 1 ponto percentual.
Já há algum tempo se cogita no governo a possibilidade de o BC
vir a adotar medidas prudenciais para conter o crescimento do crédito.
A idéia não é limitar os prazos dos empréstimos
bancários, como defendeu recentemente o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
mas passar a exigir dos bancos um índice maior de capitalização
para os empréstimos de mais longo prazo.
O Banco Central ainda não definiu o que poderá fazer.
No ano passado, o BC interveio nos limites de exposição cambial
para os bancos, que é uma medida prudencial. A autoridade monetária
passou a exigir a alocação de capital para determinados tipos
de risco, o que obrigou as instituições a diminuírem suas
exposições na área do câmbio. Outras medidas, como
o aumento do recolhimento compulsório (dinheiro dos bancos retido pelo
BC), não estão sendo cogitadas porque o compulsório no
Brasil já seria muito alto.
|
Congresso em Foco, 29 de maio de 2008
Nova contribuição ameaçada
no Senado
Dos 45 senadores que votaram a favor da
CPMF, pelo menos sete dizem ser contrários à criação
de tributo para financiar a saúde
Renata Camargo
Se aprovada na Câmara, onde o governo dispõe de maioria, a Contribuição
Social para a Saúde (CCS), que vai financiar a Emenda 29, corre sério
risco de ser rejeitada no Senado, Casa que enterrou em dezembro do ano passado
a CPMF.
Levantamento feito pelo Congresso em Foco mostra que, pelo menos, sete dos
45 senadores que votaram a favor da prorrogação da contribuição
estão dispostos a votar contra a criação do novo tributo
para financiar a saúde. Esse grupo pode, na verdade, aumentar se os
governistas indecisos, que somam 13 desse total, decidirem votar contra a matéria.
Por outro lado, apenas um dos entrevistados que votaram pela derrubada da CPMF
em 2007 admitiu a possibilidade de mudar de orientação agora.
Ou seja, se as projeções se confirmarem, o governo dificilmente
terá os 41 votos necessários no Senado para aprovar o projeto
de lei complementar. Nesse caso, o Planalto poderia contar com, no máximo,
39 votos – dois a menos do que o necessário.
"Absurdo"
Entre os governistas que não aceitam a criação de um novo
tributo está um petista, o senador Flávio Arns (PR). Ele classifica
como “absurda” a proposta de um imposto para substituir a CPMF
e argumenta que a nova cobrança vai de encontro à demanda da
sociedade que pede uma menor carga tributária. “Acho um absurdo.
A arrecadação está muito bem. Basta o governo priorizá-la
para a saúde”, defende.
O senador Osmar Dias (PDT-PR), também favorável à CPMF
em dezembro, é contrário a uma nova tributação.
O parlamentar argumenta que a arrecadação tem aumentado consideravelmente
e que é preciso concentrar esforços na reforma tributária. “Assim
o governo mostra que não acredita na própria reforma que encaminhou”,
avalia o pedetista.
Uma das principais referências do governo na área tributária
no Senado, Francisco Dornelles (PP-RJ) também está disposto a
mudar de posição e já se coloca contra uma nova cobrança. “Não
importa o nome. É tudo igual. Sou contra qualquer aumento de carga tributária.
Se quiserem, utilizem os impostos existentes”, afirma.
Assim como Dorneles, Arns e Osmar, os também governistas Renato Casagrande
(PSB-ES), João Vicente Claudino (PTB-PI), Gerson Camata (PMDB-ES) e
Patrícia Saboya (PDT-CE) estão contra a criação
da chamada nova CPMF.
Entre os indecisos está o líder do PMDB, senador Valdir Raupp
(RO). “Estamos discutindo na bancada uma forma de reduzir algum tipo
de imposto das empresas, caso seja aprovada a nova taxa”, diz. “Será um
desgaste trazer a proposta para o Senado”.
Indecisão
O Congresso em Foco ouviu 59 dos 81 senadores, entre eles 36 parlamentares
da base aliada e 23 da oposição. Entre os governistas, a maioria
(14) afirma que ainda não decidiu o voto. Oito disseram “não” à volta
de uma “CPMF” e 11 declararam ser favoráveis. Três
senadores não quiseram se posicionar. “Estamos esperando um posicionamento
do governo. Antes disso, somos só expectadores”, afirma o líder
do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).
A posição da senadora Ideli Salvatti (PT-SC), líder do
partido no Senado, também é de cautela. “Ainda não
temos uma posição do partido. Como apoiamos a prorrogação
da CPMF, tendo a acreditar que a bancada vai ter a mesma posição,
até por coerência”, diz.
Dos entrevistados da oposição, 21 se posicionaram contra a CCS.
Apenas um, o senador Marco Maciel (DEM-PE), não quis se posicionar.
Integrante da ala oposicionista do PMDB, o senador Geraldo Mesquita Júnior
(AC), que votou contra a CPMF em dezembro, admite votar a nova proposta, mas
com ressalvas.
Segundo o líder do DEM, o senador José Agripino (RN), qualquer
aumento da carga tributária será rechaçado pelos democratas. “Não
há qualquer justificativa para votar a favor”, diz.
Na avaliação do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN),
a matéria não passa na Casa, ainda que seja em forma de projeto
de lei complementar. Como PLC, a matéria precisa de 41 votos a favor.
Se fosse apresentada como proposta de emenda constitucional, a exemplo da CPMF,
seriam necessários 45 votos favoráveis (veja como cada senador
votou em relação à CPMF).
“ Por PLC, você facilita a aprovação na Câmara,
mas no Senado a discussão não vai ser fácil”, afirmou
ao Congresso em Foco. “Minha posição pessoal é contra.
Devemos encontrar outra solução para resolver o problema da saúde”,
completou.
Arrecadação recorde
Uníssono, o argumento maior dos contrários à CSS é que
a carga tributária no Brasil é uma das maiores. Acrescido a esse
argumento está o de que o país tem batido recordes de arrecadação
de impostos.
A arrecadação em abril bateu o quarto recorde consecutivo do
ano, fechando em R$ 56,209 bilhões em impostos, 12,09% a mais que no
mesmo mês de 2007. Só nos primeiros quatro meses do ano, o governo
arrecadou R$ 31 bilhões a mais do que no ano passado.
“É desnecessário um novo tributo. O governo vem batendo recordes
de arrecadação. Não acho que tenha ambiente nem mesmo dentro
da base para aprovar essa proposta no Senado”, afirma o senador Expedito
Júnior (PR-RO).
“ De armas em punho”, como ele mesmo disse, o senador tucano Alvaro
Dias (PR) afirma que a oposição irá até as últimas
conseqüências para derrubar a matéria. O parlamentar garante
que irá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) caso o projeto seja
aprovado. “Só a tentativa de aprovar esse novo imposto é um
escárnio”, disse o parlamentar que aposta na inconstitucionalidade
do novo tributo.
Inconstitucional
O argumento da inconstitucionalidade é uma das cartas na manga da oposição.
O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) aposta que o STF pode derrubar
o projeto de lei, caso aprovado no Senado. “Estão criando um imposto
como retaliação para burlar a lei da Casa. O Supremo vai considerar
isso”, avalia.
Oposição e aliados se firmam no mesmo artigo constitucional para
defender e bater na nova contribuição. De acordo com o parágrafo
4 do artigo 195 da Constituição Federal, pode-se instituir, mediante
lei complementar, impostos não previstos para a seguridade social desde
que não sejam cumulativos.
A nova contribuição será cumulativa. Mas o senador Antonio
Carlos Valadares (PSB-SE) argumenta que a CCS não é um imposto. “A
contribuição entra na categoria de tributo. Isso a Constituição
não impede que seja criado. O STF não deve barrar a matéria,
porque ela não é inconstitucional”, defende o senador.
Valadares, que dará o parecer a favor, foi o relator do projeto de lei
que instituiu a cobrança da CPMF (então IPFM) no governo do ex-presidente
Itamar Franco.
Menor alíquota
A CSS propõe alíquota de 0,10%, em contraposição à taxa
de 0,38% da CPMF. A nova cobrança será permanente, ao invés
de provisória como a CPMF. A favor da CSS, o senador João Pedro
(PT-AM) afirma que a baixa alíquota é uma vantagem. “Por
que não contribuir? Esse imposto tem um alcance social justo para nós
mantermos uma política de saúde”, diz.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) concorda. Ele avalia que a alíquota
proposta é modesta e perfeitamente factível. “Senadores
da própria oposição sinalizam serem favoráveis
com a nova alíquota”, diz. Para o parlamentar, a população
vai receber bem a nova cobrança. “Quem utiliza o SUS vai dar boas-vindas
e a recriação desse imposto vai ser compreendida, inclusive pelas
pessoas que têm um nível maior de riqueza, pois ela tem um sentido
maior”, defende.
O governo até ampliou a isenção da contribuição
para tentar aprová-la ontem à noite. No entanto, a votação
se dará na próxima semana. Pela nova proposta, ficariam isentos
da “nova CPMF” os aposentados, pensionistas e os trabalhadores
formais que recebem até R$ 3.038,99 mensais. Os trabalhadores que ganham
acima desse valor só pagariam a CSS sobre o excedente. Com as novas
condições, o governo espera arrecadar R$ 9,4 bilhões por
ano com o tributo.
Referendo popular
Admitindo votar agora a favor da nova contribuição, o senador
Geraldo Mesquita Júnior, que rejeitou a CPMF em dezembro, afirma que
vai sugerir em Plenário a inclusão de dispositivo remetendo a
discussão a um referendo popular. Segundo o parlamentar, em um país
de carga tributária excessiva, o Congresso Nacional não pode
criar novo tributo sem o consentimento da população.
“ Voto majoração de impostos desde que a população
diga: ‘a gente aceita esse novo imposto’. Fora isso, vou rever minha
posição”, diz. O parlamentar sugere um referendo para as
próximas eleições em outubro.
Aprovar com ressalvas também será o posicionamento do senador
Paulo Paim (PT-RS). O petista, que votou a favor da CPMF e, provavelmente,
será pressionado para manter seu parecer favorável, afirma, em
nota, que só haverá coerência da volta da cobrança
se os recursos também forem aplicados para aposentadorias e pensões.
Uma nova cobrança só para a saúde seria desmerecer a dívida
histórica com aposentados e pensionistas. “Todos parecem esquecer
que a CPMF também era fonte de recursos para a Previdência”,
declarou.
|
Diário
Vermelho, 29 de maio de 2008
Renato Rabelo: A Amazônia é dos
brasileiros
A divulgação pela imprensa,
no último final de semana, de que um informe reservado da
Agência Brasileira de Inteligência (Abin) revela que
está sendo investigada a atuação do empresário
sueco Johan Eliasch – consultor do primeiro ministro britânico
Gordon Brown – interessado em comprar uma área de
160 mil hectares de terra no Estado de Mato Grosso, na região
amazônica. Este empresário teria promovido uma série
de reuniões com investidores ingleses, entre 2006 e 2007,
com o objetivo de comprar grandes extensões de terra na
Amazônia e chegou mesmo a levantar, em tese, o preço
pelo qual toda a região poderia ser comprada: 50 bilhões
de dólares!
Por Renato Rabelo*
Trata-se de uma grande provocação
e um verdadeiro atentado à soberania de nossa Pátria.
O governo brasileiro reagiu prontamente, numa declaração
contundente do próprio Presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, em reunião no auditório do BNDES, no Rio
de Janeiro: “O mundo precisa entender que a Amazônia
brasileira tem dono, e que o dono da Amazônia é o
povo brasileiro. São os índios, são os seringueiros,
são os pescadores e também nós, que somos
brasileiros e temos consciência de que precisamos desenvolver
a Amazônia”.
De fato, não se pode cair na armadilha
de que o problema da Amazônia é fruto de uma contradição
entre “ambientalistas” versus “desenvolvimentistas”.
A questão é de dimensão e gravidade muito
maior. Alguns poucos acham que a Amazônia deve ser uma grande
floresta vistosa e intocável, enquanto outros pensam que
o negócio é depredar a região para dela extrair
tudo o que se possa. Os brasileiros, entretanto, em sua grande
maioria, sabem que devemos mesmo é desenvolver a região
amazônica de forma sustentável, preservando seu ecossistema
e respeitando os direitos dos que lá vivem e trabalham.
Para que essa imensa tarefa tenha pleno êxito
será preciso mobilizar as forças avançadas
da nação, os cientistas e intelectuais, os movimentos
sociais, para se chegar a um plano de desenvolvimento sustentado
da Amazônia, que garanta a soberania nacional, que coloque
as riquezas da biodiversidade e do solo amazônico a serviço
do povo brasileiro, e não daqueles que foram incapazes de
produzir um desenvolvimento sustentado, sendo os maiores poluidores
do planeta e que até hoje sequer respeitam o que foi assinado
no protocolo de Kyoto, no Japão, em 1997. Aliás,
como disse o presidente Lula na abertura do XX Fórum Nacional
do Instituto de Altos Estudos (Inae), “quem tinha que tomar
medidas para cumprir o protocolo de Kyoto, nem o referendou. Fomos
nós que referendamos. E fomos nós, com a utilização
de 100% de etanol, que tiramos do ar 800 milhões de toneladas”.
(*) Presidente do Partido Comunista do
Brasil
|
Folha de S.Paulo, 29 de maio de 2008
TRABALHO 1
Aposentado demitido terá multa
do FGTS
DO "AGORA"
Os aposentados que, após a concessão do benefício, continuarem
trabalhando na mesma empresa e forem demitidos sem justa causa têm direito à multa
de 40% sobre o saldo do FGTS de todo o período trabalhado.
A decisão consta da orientação jurisprudencial 361, do
TST, que substitui a 177, cancelada em 2006 (ela dizia que a multa era devida
apenas sobre o período trabalhado posterior à aposentadoria).
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
29/05/2008
Aposentada por invalidez perde ação
por prescrição de prazo
A Sétima Turma do Tribunal
Superior do Trabalho mudou decisão do Tribunal Regional da 18ª Região
(GO) e aplicou a prescrição trabalhista a ação
movida por uma ex-empregada da Brasil Telecom de Goiás aposentada
por invalidez. A ação foi interposta seis anos após
a ocorrência da constatação da lesão. A decisão
da Sétima Turma foi proferida no julgamento do recurso de revista
da empresa contra a decisão do TRT/GO, que entendeu que a ação
não estava prescrita, uma vez que foi interposta dentro do prazo
estabelecido na regra da transição estabelecida no Código
Civil atual.
Admitida em maio de 1976, por
meio de concurso público, na função de auxiliar
técnica de telecomunicações, a empregada foi comunicada,
em abril de 1997, de que estava incapacitada para o trabalho. Tinha desenvolvido
lesão por esforço repetitivo (LER) nos dezesseis anos em
que trabalhou como digitadora. Em abril de 2003, ajuizou reclamação
trabalhista na 9ª Vara de Família, Sucessões e Cível
de Goiânia, para pedir, entre outros, indenização
por danos materiais e morais. Alegou ter sofrido danos irreparáveis
no exercício das suas atividades laborais, pois não conseguia
executar as mais simples atividades que requerem a utilização
dos membros superiores e estava impossibilitada de acesso a tratamentos
adequados, porque também arcava com as despesas da família.
A instância inicial declarou-se
incompetente para a causa, ao entendimento de que a Emenda Constitucional
nº 45/04 estabelece que as ações decorrentes de acidente
de trabalho são da competência da Justiça do Trabalho.
O Superior Tribunal de Justiça determinou que a ação
fosse processada na Justiça Trabalhista.
Depois de transitar no primeiro
e no segundo grau da Justiça do Trabalho, a ação
da aposentada chegou ao TST como recurso de revista da empresa. O relator,
ministro Ives Gandra Martins Filho, informou que a controvérsia
girava em torno de se definir qual a prescrição aplicável
ao pedido de indenização por danos morais e materiais decorrentes
de acidente de trabalho que ocasionou as lesões na empregada.
A decisão regional adotou como marco prescricional a data da vigência
do novo Código (12/01/2003), sob a justificativa de que os fatos
ocorreram na vigência do Código Civil revogado, e aplicou
a regra de transição para fundamentar a sua decisão.
Para o relator, o posicionamento
regional foi reformado porque a indenização pleiteada estava
diretamente ligada à relação de trabalho e, neste
caso, há dispositivo constitucional específico regendo
a matéria, que já vigorava na época dos fatos. O
ministro lembrou que o TST já adotou o entendimento de que é aplicável à indenização
por danos morais e materiais a mesma prescrição prevista
para os demais créditos trabalhistas antes mesmo da vigência
da Emenda Constitucional nº 45/2004.
O ministro Ives Gandra reformou
a decisão regional e aplicou a prescrição prevista
no artigo 7º, XXIX, da Constituição, que é qüinqüenal,
observado o prazo de dois anos após a extinção do
contrato de trabalho. Com a aplicação da prescrição
qüinqüenal, a Sétima Turma extinguiu o processo com
resolução de mérito, e declarou prejudicado o exame
da questão dos danos materiais e do montante das indenizações
deferidas. (RR-1164/2005-006-18-00.7)
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COMISSÃO PRÓ-FUNDAÇÃO
DO SINDICATO
DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS
DE CONFECÇÕES DE ROUPAS
DE JARAGUÁ -GOIÁS
EDITAL DE CONVOCAÇÃO
ASSEMBLÉIA GERAL ORDINÁRIA
Pelo
presente edital, ficam convocados todos os Trabalhadores nas
Indústrias de Confecções de Roupas da base
territorial abrangida pelo município de Jaraguá/GO,
integrantes das categorias componentes do segundo grupo, a que
se refere o plano da Confederação Nacional dos
Trabalhadores na Indústria - CNTI, do quadro de atividades
e profissões a que se refere o artigo 577 da CLT, para
participarem da Assembléia Geral da categoria, que será realizada
no dia 09 de junho de 2008, às 18:30 (dezoito e trinta)
horas, à Rua Coronel Diógenes C. Ribeiro, nº 402,
Sala 04 - Bairro Feliz - Jaraguá/ GO, para deliberarem
sobre a seguinte ordem do dia:
a)
Fundação do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria
de Confecções de Roupas de Jaraguá/GO; b)
Discussão e Aprovação
do Estatuto Social da Entidade; c)
Eleição e Posse da Diretoria Provisória.
Jaraguá/GO, 26 de maio de 2008.
Maria Aparecida de Mesquita de Paula,
pela Comissão Pró-Fundação.
Jaraguá, 26 de maio de 2008.
MARIA APARECIDA DE MESQUITA DE PAULA
p/ Comissão Pró-Fundação
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