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Agência Diap, 7 de
junho de 2008
RESUMO DA SEMANA
Debate: redução
da jornada de trabalho em destaque
Esta foi uma semana importante para o mundo do trabalho. O desfecho da
grande campanha pela redução da jornada de trabalho, sem
redução de salário organizada pelas centrais sindicais
foi com chave de ouro, num debate no plenário da Câmara,
sob a presidência do deputado Arlindo Chinaglia (PT/SP), que mediou
a comissão geral realizada no dia 3.
Deputados, presidentes das centrais, especialistas, professores e representantes
patronais se revezaram no plenário, contra e a favor da redução
da jornada de 44 para 40 horas semanais.
Antes de iniciar os debates, as centrais entregaram a
Chinaglia as mais de 1 milhão e 500 mil assinaturas
colhidas no abaixo-assinado Brasil afora a favor da redução
da jornada e pela aprovação da PEC 393/01,
dos senadores Inácio Arruda (PCdoB/CE) e Paulo Paim
(PT/RS), que diminui a jornada laboral. Clique aqui e
leia a cobertura completa do evento
Merece destaque ainda na cena política e econômica
desta semana o novo aumento da taxa de juros, o desembarque
de Luiz Marinho e Marta Suplicy do Governo, o lançamento
da frente contra o trabalho escravo, a distribuição
na CCJ da Câmara do projeto que regulamenta o direito
de greve no serviço público, a apresentação
do relatório contrário à Convenção
158, a abertura de processo contra o deputado Paulo Pereira
da Silva (PDT/SP) no Conselho de Ética da Câmara,
e a sanção do projeto de lei que determina
a obrigatoriedade do ensino de filosofia e sociologia no
currículo do ensino médio.
Taxa Selic
Pela segunda vez neste ano, o Comitê de Política Monetária
(Copom) do Banco Central (BC) corrige a taxa básica de juros
para cima, elevando-a de 11,75% para 12,25% ao ano, em decisão
unânime e sem viés. A justificativa, de acordo com o colegiado
de diretores do BC, é a necessidade de conter o aumento do consumo
interno e segurar a inflação o mais próximo possível
do centro da meta de 4,5% ao ano. Leia
mais
Centrais e movimentos sociais discordam e prometem protestar
contra a decisão do Copom, em Brasília, na
próxima semana. Leia
mais
Eleições 2008
Luiz Marinho e Marta Suplicy desembarcaram do Governo esta semana para
disputar as eleições municipais de 5 de outubro. Marinho
disputara a Prefeitura de São Bernardo do Campo, e Marta, a
de São Paulo. O Substituto de Marinho será o deputado
José Pimentel (PT/CE) (leia
mais). Já o da ex-ministra do Turismo ainda não está definido.
Por enquanto, fica em seu lugar o atual secretário-executivo,
Luiz Barretto Filho. Leia
mais
Trabalho escravo
Nesta quarta-feira (4), o movimento contra o trabalho
escravo lançou a frente e o manifesto contra esta
prática e pela aprovação da PEC 438/01,
que pune o neoescravista com a expropriação
da terra. Leia
mais
Direito de greve
O deputado Magela (PT/DF) é o relator, na CCJ, do PL 4.497/01,
da deputada Rita Camata (PMDB/ES), que trata da regulamentação
do direito dos servidores públicos. Leia artigo sobre
o substitutivo ao projeto aprovado na Comissão de Trabalho.
Convenção 158
Esta semana, o relator, deputado Júlio Delgado (PSB/MG), da
Mensagem presidencial que ratifica a Convenção 158 da
OIT apresentou parecer contrário à matéria na
Comissão de Relações Exteriores da Câmara. Leia
mais
Caso BNDES
O Conselho de Ética da Câmara abriu esta semana processo
contra o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT/S) por quebra do decoro
parlamentar (leia
mais). O STF também poderá abrir processo contra
o deputado. O ministro do Supremo e presidente do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE), Carlos Ayres Britto, informou que até o final
desta semana, deve anunciar a decisão sobre o inquérito
contra o deputado. Leia
mais
Filosofia e sociologia
Na última segunda-feira (2), o presidente em exercício
José Alencar sancionou o projeto de lei que determina a obrigatoriedade
do ensino de filosofia e sociologia nas escolas de ensino médio – publica
e privadas – do País. Leia
mais
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Vermelho, 7 de junho de
2008
RJ: quebra de acordos
estremece relação entre PMDB e PT
Após receber a notícia do rompimento
do apoio do PMDB à candidatura do deputado estadual
Alessandro Molon (PT-RJ) à Prefeitura do Rio, o diretório
estadual do PT deve reavaliar seu relacionamento com o governador
Sérgio Cabral (PMDB). "Isso [o rompimento] gerou
um incômodo geral no partido. Não entendemos
porque eles fizeram isso. Tínhamos um bom relacionamento
com o Cabral, agora vamos reavaliar como ficará a
nossa relação no Estado", disse à Folha
Online Alberto Cantalice, presidente do diretório
estadual do PT no Estado.
A decisão do rompimento do acordo entre PT com o PMDB foi definida
na quarta-feira(4), em viagem de Cabral à Grécia. Lá,
o ex-secretário estadual de Esportes Eduardo Paes anunciou seu
pedido de demissão do cargo e a idéia de se lançar
candidato pelo PMDB à prefeitura. Na viagem, também esteve
presente o prefeito do Rio, Cesar Maia (DEM).
A decisão foi comunicada oficialmente ontem, após
reunião do PMDB com a alegação de
que o PT não conseguiria entregar as contrapartidas
prometidas --prefeituras de cidades do interior. O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva também foi comunicado
ontem à noite pelo governador Sérgio Cabral
sobre o rompimento da aliança.
O PT, no entanto, argumenta que já havia garantido
o apoio ao PMDB em 22 municípios do Rio. Segundo
Cantalice, o PMDB alega que o "estopim" para
a racha foi a indefinição do apoio no município
de Queimados. "Ainda estávamos negociando com
os líderes do partido na cidade. O PMDB não
soube esperar. É um município pequeno, isso
não é motivo para quebrar uma aliança
como a que tínhamos", disse.
Neste sábado (7), os líderes do diretório
estadual do PT no Rio devem se reunir para definir os rumos
da campanha petista, e repensar o apoio ao PMDB nos 22
municípios. "Fomos pegos de surpresa. Ainda
mais, porque foram eles que nos procuraram primeiro [para
formar a aliança]. Agora vamos decidir o que é melhor
para o partido", afirmou Cantalice.
Apesar da ruptura com o PMDB, o PT afirma que a candidatura
de Molon está confirmada, e que buscará apoios
com outros partidos a partir da segunda-feira (9). O nome
do vice da chapa também deverá entrar na
pauta de discussões do partido a partir da próxima
semana.
Nesta sexta-feira (6), o vice-governador do Rio, Luiz
Fernando Pezão (PMDB), disse que o motivo do rompimento
foi a falta de consenso em dez municípios.
"Não deu certo [o acordo]. Tínhamos
pedido cerca de dez cidades o apoio no interior e não
fecharam nenhuma cidade com a gente. Das dez, fecharam
só duas", afirmou Pezão, que participou
de cerimônia no Palácio do Planalto.
Com o rompimento, o secretário estadual de Esportes,
Eduardo Paes, antes apontado por Cabral como seu favorito,
deve ser confirmado o candidato do PMDB, mesmo a contragosto
do presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Picciani
(PMDB), e do grupo do ex-governador Anthony Garotinho.
Parte do PMDB não aceita
Paes
A iniciativa de Paes de se lançar candidato surpreendeu até mesmo
setores do PMDB. O nome do ex-secretário gera polêmicas
e racha no partido. Além disso, o grupo contrário à sua
candidatura alega que o comunicado oficial sobre a exoneração
de Paes foi publicado com data de janeiro, o que é irregular.
O assunto será tema de reunião na segunda-feira pela
manhã. O grupo de Cabral promete agir como bombeiro e evitar
controvérsias.
" Não tem confusão nenhuma. [Eduardo Paes] já é o
candidato. É claro que segunda-feira a gente vai ter que votar na convenção
para derrubar a aliança com o DEM [e o PP firmada no ano passado] e [Paes]
vai ser consagrado nosso candidato", afirmou Pezão. "Vamos enfrentar
todo mundo, a militância está super animada. Está muito bom."
Porém, o grupo liderado pelos deputados federais Eduardo Cunha
e Nelson Burnier resistem à indicação de Paes
como o candidato do PMDB à prefeitura. Eles vão defender
a impugnação da candidatura de Paes.
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Vermelho, 7 de junho de
2008
Ipea: CSS também
terá o papel de inibir sonegação
O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea),
Marcio Pochmann, defende a criação da Contribuição
Social para a Saúde (CSS). A proposta do novo imposto, que substituiria
a Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF), foi anexada à regulamentação
da Emenda 29, que destina mais recursos para o setor.
Segundo Pochmann, ao fazer a reforma tributária “é preciso
olhar para o futuro”, ou seja, a tributação também
tem que se atualizar e substituir os antigos formulários por meios
mais modernos. Além disso, ele argumentou na última quinta-feira
(5) que o novo tributo teria um papel importante no monitoramento do
sistema financeiro.
“ Pessoas que não declaravam Imposto de Renda, mas tinham quantias
enormes em circulação no sistema financeiro só foram descobertas
com a existência da CPMF. Precisamos olhar o papel da tributação
não apenas como valor de arrecadação, temos que observar
também do ponto de vista do monitoramento”, disse Pochmann.
De acordo com ele, o Brasil vive uma experiência de pós-industrialização,
em que se observa o aumento da prestação de serviços.
Diante desse quadro, afirmou, seria “importante constituir uma
estrutura tributária com base nesse futuro”. “Do ponto
de vista de um tributo que custa pouco, não exige fiscalização
e que viabiliza uma arrecadação quase que imediata, ele é,
a meu ver, muito interessante e oportuno”, afirmou.
Críticas ao Copom
O presidente do Ipea criticou a decisão do Comitê de Política
Monetária (Copom) de elevar a taxa de juros. Segundo ele, a postura
do Banco Central indica que há uma concepção de
que a inflação no Brasil ocorre pela demanda e a elevação
da taxa de juros desaceleraria o consumo na produção. Para
ele, o problema da inflação atual não é de
demanda, mas de custo.
“ A opção por utilizar fundamentalmente os juros pode ter
efeitos de desacelerar a inflação, mas terá efeitos maiores,
negativos sobre a produção, investimentos e na sociedade”.
Segundo Pochmann, o país teria outros caminhos
melhores para conter a alta inflacionária, como
aumento de impostos, contenção do crédito
e ampliação das importações. “Inflação
de custo se combate com outro tipo de ação
e não com [elevação dos] juros”,
disse o presidente do Ipea, acrescentando que esse aumento
pode interromper a formação do ciclo de investimento.
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Vermelho, 7 de junho de
2008
Wagner Gomes: 10 bons
motivos para reduzir a jornada
A redução da
jornada de trabalho sem redução de salários,
uma aspiração histórica da classe trabalhadora,
entrou para a ordem do dia em nosso país. As centrais
sindicais estão unidas em defesa da Proposta de Emenda
Constitucional (PEC), de autoria dos senadores Paulo Paim
(PT-RS) e Inácio Arruda (PCdoB-CE), que diminui a
jornada semanal das atuais 44 horas previstas na Constituição
para 40 horas num primeiro momento e 36 horas posteriormente.
Por Wagner Gomes*, no Portal da
CTB
Os argumentos patronais contra a iniciativa não
são razoáveis. É possível enumerar
pelo menos dez bons motivos para reduzir a jornada sem diminuir
o valor real dos salários:
1 - O avanço da produtividade do
trabalho permite à sociedade produzir os bens e serviços
de que necessita para satisfazer as necessidades e demandas
sociais trabalhando cada vez menos ou, em outras palavras,
com jornadas bem menores. O economista Márcio Pochmann,
presidente do IPEA, estima que, hoje em dia, uma jornada
de 12 horas semanais seria suficiente para produzir a mesma
riqueza que produzimos com uma jornada legal de 44 horas,
desde que houvesse pleno emprego. Estamos reivindicando uma
jornada mais modesta, de 40 horas semanais, como um primeiro
passo neste sentido;
2 - A experiência nos ensina que,
no sistema de produção capitalista, a automação
crescente invariavelmente resulta no desemprego em massa,
se não for acompanhada da redução da
jornada de trabalho. No Brasil, apesar da melhoria do mercado
de trabalho no governo Lula, ainda existe um contingente
de aproximadamente 10 milhões de desempregados e uma
multidão ainda mais numerosa de subempregados. Queremos
a redução da jornada para combater o desemprego
e a informalidade. Confiamos na estimativa do DIEESE de que
a instituição das 40 horas semanais vai gerar
mais de 2 milhões de novos postos de trabalho, se
for acompanhada de uma regulação mais restritiva
das horas extras e do banco de horas;
3 - Queremos a redução
da jornada para ampliar o tempo livre da classe trabalhadora,
tempo que poderá ser dedicado à família,
ao lazer, ao descanso ou a outra finalidade qualquer, livremente
definida pelo (a) trabalhador (a). Quem trabalha merece
usufruir dos benefícios criados pelo trabalho e
pelo avanço da produtividade. A vida não
se resume ao trabalho. O lazer e a liberdade de usufruir
os prazeres da vida não podem ser privilégios
dos ricos;
4 - Queremos a redução
da jornada para elevar o nível de escolaridade e
a educação da classe trabalhadora brasileira.
Advogamos a idéia de que o tempo liberado pela redução
da jornada também pode e deve ser ocupado no estudo.
Isto vai contribuir para elevar a produtividade do trabalho,
a competitividade da economia e o PIB nacional;
5 - Queremos a redução
da jornada para promover o crescimento da economia brasileira.
A elevação do nível de emprego e dos
salários vai fortalecer o mercado interno, ampliar
o consumo e estimular os negócios no comércio
e na indústria;
6 - Queremos a redução
da jornada para aumentar a participação da
renda do trabalho no PIB, através do aumento dos
salários reais por hora e do nível de emprego,
de forma a reverter o processo perverso de depreciação
da força de trabalho brasileira, refletida na substancial
redução da participação dos
salários no PIB verificada ao longo dos últimos
anos. A remuneração do trabalho chegou a
representar mais de 50% do PIB nos anos 1980, mas em 2006
a participação do trabalho no PIB tinha declinado
para cerca de 35%;
7 - Queremos a redução
da jornada para ampliar a oferta de emprego no mercado
formal e reduzir a informalidade e a precariedade crescente
dos contratos e das relações entre capital
e trabalho;
8 - Queremos a redução
da jornada pelo bem do Brasil, como uma iniciativa fundamental
compreendida num novo projeto de desenvolvimento nacional,
fundado na soberania e na valorização do
trabalho. O crescimento da produção e o desenvolvimento
devem servir aos interesses da maioria e não apenas à maximização
dos lucros capitalistas, que muitas vezes é obtida
em detrimento do emprego e das condições
de vida da classe trabalhadora;
9 - Queremos a redução
da jornada porque é uma aspiração
histórica justa da classe trabalhadora e uma tendência
objetiva decorrente do avanço da produtividade do
trabalho;
10 - Queremos a redução
da jornada sem redução de salários
porque é uma bandeira que unifica o movimento sindical
e popular e está afinada com os interesses e os
anseios do povo brasileiro.
* Wagner Gomes é presidente
do Sindicato dos Metroviários de São Paulo
e da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do
Brasil)
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Vermelho, 7 de junho de
2008
Lula diz que lei eleitoral é "falso
moralismo"
Em discurso no Palácio do Planalto, no início da tarde
desta sexta-feira (6), o presidente Lula classificou como “lado
podre da hipocrisia brasileira” e “falso moralismo” a
legislação eleitoral que impede a assinatura de novos convênios
com municípios para a realização de obras três
meses antes das eleições.
Em meio ao lançamento de obras do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC), Lula afirmou que perderá quase
um ano de seu mandato sem poder fazer contratos para novas
obras.
“A partir de julho, não poderemos assinar
ordens de serviço, porque a eleição
neste país, ao invés de consagrar a democracia,
obriga quem governa a ficar um ano sem governar”,
disse em discurso. “Por um falso moralismo deste
país, se parte do pressuposto que um presidente
ou governador assinar contrato com prefeito é beneficiar
o prefeito. É o lado podre da hipocrisia brasileira
que faz você parar por um determinado tempo porque
causa suspeição”, criticou Lula.
Roda gigante
Em seu discurso, o presidente Lula comparou o Programa
de Aceleração do Crescimento a uma “roda-gigante”. “O
PAC é exatamente essa roda-gigante que não
pode parar de girar. Ela tem que girar alguns seguidos
anos para que o Brasil consagre a possibilidade de fazer
reparação com os pobres deste país.
Porque quando a gente analisa uma pessoa que mora em uma
palafita, ou que mora em uma favela, nós só sabemos
dizer ‘coitadinho, mora mal’. Passa perto da
casa dele, três meses antes das eleições.
Depois, aquele lugar passa a ser um lugar inadequado para
a gente voltar a visitar”, disse.
Lula defendeu que os convênios firmados para as
obras do Programa de Aceleração independem
de partido. “Eu duvido que tenha algo mais republicano
do que o PAC. Eu duvido que algum prefeito, de qualquer
partido, tenha sido preterido no seu projeto por conta
de pertencer a alguma organização política
diferente da minha”, disse.
Governadores
Segundo Lula, uma dos benefícios trazidos pelo
PAC foi unir prefeitos e governadores em torno de obras
para a sociedade. Em resposta a manchetes de jornais que
afirmam que o governo federal privilegia aliados nos estados,
Lula disse que tem assinado convênios em São
Paulo, onde o governador é o tucano José Serra. “Fui
a São Paulo assinar o PAC com o Kassab [prefeito
pelo DEM], que não é meu aliado. E fui assinar
o PAC com o Serra [governador pelo PSDB], que não é meu
aliado”, justificou.
O presidente falou ainda da assinatura de projetos com
o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda
(DEM). “O Arruda é o mais esperto dos governadores.
O Arruda, de vez em quando, pede audiência para mim.
E vem agradecer a obra do PAC. Eu fico todo feliz. Aí ele
pede um aparte e diz 'presidente, tem uns pedidos aqui'.
E vai puxando as obras do PAC. E isso é que faz
a roda-gigante do PAC não parar de girar”. (Renata
Camargo)
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Agência Brasil, 7
de junho de 2008
INSS convoca mais de
6 mil segurados para reavaliação de auxílios-doença
Brasília - O Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS) começou a enviar o 12º lote de cartas
para que 6.542 beneficiários façam a reavaliação
dos auxílios-doença concedidos há dois
anos, com prazo para terminar em julho.
A nova perícia deve ser agendada em até dez
dias, contados a partir da data de recebimento da correspondência.
Os segurados podem marcar a perícia médica
de revisão do auxílio-doença, pela
Central 135 ou pela internet, na página do Ministério
da Previdência Social.
Quem receber o comunicado e não agendar, ou deixar
de comparecer à perícia, terá o benefício
cessado. Ao marcar a ida à agência da Previdência
Social, o benefício fica automaticamente prorrogado
até a data da perícia.
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Gazeta do Povo, 7 de junho
de 2008
Eleições 2008
Beto Richa propõe
aliança a Rubens Bueno
Objetivo da parceria é fortalecer
o prefeito para que ele vença a eleição
de outubro já no primeiro turno. Executiva do PPS
vai analisar a proposta
O prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), e o senador
Osmar Dias (PDT) pediram ontem o apoio do presidente estadual
do PPS, Rubens Bueno, já no primeiro turno das eleições
municipais deste ano. Rubens Bueno, que é pré-candidato à prefeitura
de Curitiba, disse que a Executiva do partido é que
irá analisar as propostas de aliança. “Vamos
reunir o Diretório Estadual na segunda-feira e vamos
avaliar a proposta”, afirmou Bueno, lembrando que
outras legendas, como o PT e o PCdoB, também propuseram
aliança com o PPS.
Beto Richa e Osmar foram ontem à tarde à reunião
da Executiva Nacional do PPS em Curitiba, no Hotel Bourbon,
fazer o convite a Bueno. Estavam acompanhados pelo coordenador
da campanha de reeleição do prefeito, Euclides
Scalco, e pelo presidente estadual do PSDB, Valdir Rossoni. “Conheço
o potencial do PPS, em especial do Rubens Bueno”,
afirmou Beto Richa. Na avaliação do prefeito,
o PPS tem afinidades ideológicas e programáticas
com o PSDB. “A aliança seria bem aceita pela
população. Entendo e respeito a iniciativa
de candidatura própria do PPS, só informei
a Rubens Bueno que temos o desejo de caminhar juntos já no
início da campanha.”
Na segunda-feira, Beto Richa deve lançar sua pré-candidatura à reeleição.
Segundo o prefeito, o vice ainda não está decidido
e será objeto de discussão com os partidos
aliados. “O vice será alguém que some
na chapa, mas a palavra final será minha”,
disse Richa.
Embora venha defendendo candidatura própria, Rubens
Bueno quer avaliar com cuidado o convite, já que
o prefeito tem declarado que a vaga de vice está em
aberto. A deliberação tirada da reunião
da Executiva Nacional do PPS ontem, segundo Bueno, não
traz obstáculos para alianças, desde que
elas estejam pautadas em planos de governo considerados
eficazes. No caso de cidades com mais de 100 mil habitantes,
diz Bueno, que é também secretário-geral
do partido, o diretório nacional e vai acompanhar
as alianças.
O presidente nacional do PPS, Roberto Freire, esteve presente
ontem na reunião com os líderes tucanos e
pedetistas e afirmou ver com simpatia uma aliança
da legenda com o PSDB e PPS. “Tem de analisar se é (a
aliança) algo essencial. Se for, virá com
muita satisfação.”
Roberto Freire afirmou ainda que o PPS está planejando
lançar candidatos a prefeito em todos os municípios
em que for possível, em especial nas capitais. Mas
isso não impediria uma coligação em
Curitiba, se fosse um projeto político. “Temos
candidatos a prefeito em 20 capitais, mas a realidade de
cada lugar vai indicar a melhor opção.”
Com planos para uma aliança partidária até 2010,
quando pretende concorrer ao governo do estado, Osmar Dias
disse que, como o PDT faz parte da aliança na disputa
da capital, é natural que a legenda esteja à disposição
para ajudar a construir parcerias em torno do nome de Beto
Richa. Ele lembrou também que Bueno teve 20% dos
votos na última eleição. “É importante
consolidar as alianças agora, porque assim aumentam
as chances de vitória no primeiro turno.”
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Folha de Londrina, 7 de
junho de 2008
SEU DIREITO
FGTS
Quero sair da empresa
em que trabalho, mas se eu pedir demissão, perco os
direitos trabalhistas. Caso eu consiga fechar um acordo com
a empresa, terei direito de receber o FGTS?
Prezado(a) leitor(a), atualmente o Fundo de Garantia por
Tempo de Serviço (FGTS) é disciplinado pela
lei 8.036, de 11 de maio de 1990, sendo regulamentado pelo
decreto 99.684, de 8 de novembro de 1990.
Nestas normatizações encontra-se previsto
que o FGTS é uma poupança, portanto, não é indenização.
Todavia, não é uma poupança cujos
valores podem ser utilizados livremente pelo trabalhador,
mas apenas nas situações previstas em lei.
Dentre as possibilidades para saque ou utilização,
vejamos algumas: a) demissão sem justa causa; b)
rescisão por culpa do empregador (chamada rescisão
indireta); c) rescisão por culpa recíproca
ou então em casos de força maior; d) extinção
da empresa ou então falecimento do empregador pessoa
física; e) aposentadoria; f) utilização
para pagamento de financiamento habitacional do SFH; g)
quando o trabalhador adquirir tumor maligno, HIV ou quando
ele ou seus dependentes estiverem em fase terminal, em
razão de doença grave; h) quando ficar a
conta do FGTS parada durante 3 (três) anos seguidos
devido à inexistência de vínculo de
emprego; entre outros.
Além disso, é importante não esquecer
que o empregado demitido sem justa causa tem direito ao
depósito da multa de 40% (quarenta por cento) sobre
todo o valor depositado em sua conta do FGTS proveniente
do contrato de trabalho rescindido.
Portanto, como visto acima, o acordo entre empregado e
empregador não se encontra dentre as formas autorizadoras
para levantamento do FGTS, pois o empregador não
tem poderes para autorizar ou não o saque.
Caso o empregador aceite (já que trará a
este maiores custos), poderá demitir sem justa causa
o funcionário ao invés de aceitar o pedido
de demissão, quando então será possível
ao empregado sacar o fundo de garantia depositado. Porém,
isto não é acordo, mas sim a alteração
dos motivos da rescisão contratual.
Jossan Batistute, advogado e
professor
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Folha de S.Paulo, 7 de
junho de 2008
Ibama refaz cálculos
e reduz multas a empresa de sueco para R$ 381 mi
Valor total por supostos danos
ambientais cometidos pela Gethal era de R$ 450 mi
KÁTIA BRASIL, DA AGÊNCIA
FOLHA, EM MANAUS
HUDSON CORRÊA, DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Procuradoria Jurídica do Ibama no Amazonas desmembrou
ontem uma das multas em nove autos de infração
por supostos danos ambientais e refez cálculos para
evitar que a Justiça derrube a cobrança contra
a empresa Gethal, do empresário sueco-britânico
Johan Eliasch. Com a medida, o valor total cai de R$ 450
milhões para R$ 381,2 milhões.
Segundo o Ibama, a madeireira explorou, comercializou e transportou
madeira nobre da floresta na região de Manicoré (AM)
em desacordo com a legislação ambiental brasileira. Também
não cumpriu acordo firmado em 2005 com o órgão.
O desmembramento da multa obedece a dispositivo da Lei de Crimes Ambientais,
que estipula o valor máximo por multa em R$ 50 milhões,
afirmou o gerente administrativo do Ibama, Henrique Pereira.
Ele disse que a Procuradoria Jurídica alertou o órgão
ontem, antes de enviar a notificação à Gethal. "É uma
correção. Fazendo isso estamos evitando que a empresa
alegue que a multa é exorbitante." Nas ações
que a Gethal responde na Justiça e somam R$ 16,2 milhões
por suposto dano ambiental, a empresa ingressou com recursos alegando
multa exorbitante.
A multa desmembrada ontem em nove autos de infração caiu
de R$ 350 milhões para R$ 274.282.500. O Ibama diz que a Gethal
desmatou 21.398 hectares de floresta em várias partes na área
de manejo florestal em Manicoré (AM). Terá que repor
o volume de 699.809 m3 ou 230 mil árvores.
A segunda multa, que era R$ de 100 milhões, teve o cálculo
refeito e passou para R$ 106,9 milhões, aplicada pelo descumprimento
de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), firmado em 2005 com o órgão
ambiental. Essa infração não está prevista
na Lei de Crimes Ambientais.
Além das multas, o Ibama anunciou que mantém suspensos
os planos de manejo florestal da Gethal em Carauari, Lábrea,
Novo Aripuanã, Humaitá e Itacoatiara. Dois planos da
Gethal estão dentro de terras indígenas: Pinatuba (Manicoré)
e Searihan (Lábrea).
Em 2006, o empresário Johan Eliasch se apresentou à Folha
como dono de 160 mil hectares de floresta, adquiridos em 2005, em Itacoatiara,
Manicoré e Lábrea. O Incra no Amazonas diz que as 57
terras somam 121,2 mil hectares e vai analisar a dominialidade da propriedade,
podendo pedir o cancelamento das terras.
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Folha de S.Paulo, 7 de
junho de 2008
Fiesp vê desaceleração
da economia no 1º trimestre
Aumento no preço dos
alimentos fez consumo cair
DA REPORTAGEM LOCAL
A alta da inflação, puxada pelo setor de
alimentos, a redução das exportações
e o aumento das importações levaram a Fiesp
(Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo) a prever desaceleração
da economia no primeiro trimestre deste ano. O desempenho
do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro nos primeiros
três meses deste ano será divulgado na próxima
terça-feira pelo IBGE.
O PIB do primeiro trimestre deste ano, para a Fiesp, deve crescer 0,7%
sobre o último trimestre do ano passado, o que representa desaceleração
da atividade econômica, já que, nos três últimos
trimestres anteriores, a média de crescimento trimestral do
PIB foi de 1,6%.
Para a federação, o PIB da indústria também
vai crescer menos, assim como o do setor de serviços e o consumo
das famílias. "A expectativa é de desaceleração
de todos os setores. Se os preços dos alimentos e de outros
itens sobem, diminui a renda disponível para o consumo, o que
causa desaceleração da atividade econômica",
diz André Rebelo, gerente do Departamento de Pesquisas e Estudos
Econômicos da Fiesp.
O consumo das famílias, que cresceu 3,7% no último trimestre
do ano passado em relação ao trimestre imediatamente
anterior, deve crescer 1,5% no primeiro trimestre deste ano em relação
ao trimestre anterior, na avaliação da Fiesp.
E as exportações, que cresceram 2,6% nos últimos
três meses do ano passado, deverão registrar queda de
5,8% no primeiro trimestre deste ano, segundo projeção
da federação.
Apesar da prevista desaceleração da atividade econômica,
os investimentos devem manter ritmo de crescimento. No último
trimestre do ano passado, os investimentos (formação
bruta de capital fixo) subiram 2,6% em relação ao trimestre
imediatamente anterior. A expectativa da Fiesp é que suba 4,5%
nos primeiros três meses deste ano em relação ao último
trimestre de 2007. "Os empresários estão confiando
mais na economia e por isso estão investindo mais", afirma
Rebelo.
Braulio Borges, economista da LCA Consultores, diz que a economia está se
desacelerando também porque as exportações caíram
e as importações crescem em ritmo forte. " Os Estados
Unidos, o principal parceiro do Brasil, reduziram as compras de empresas
brasileiras, sem contar o impacto da greve dos fiscais da Receita Federal
nos embarques, que atrasaram", afirma Borges.
Na sua avaliação, o desempenho do PIB no segundo trimestre
também deverá ser fraco. "Indicadores de vendas
de carros, consumo de energia elétrica e produção
mostram que a economia continua se desacelerando. Além de os
preços dos alimentos estarem mais elevados, os juros estão
subindo, com impacto sobre a renda dos consumidores."
Para a LCA, o PIB do primeiro trimestre deste ano deve crescer 0,6%
na comparação com o último trimestre do ano passado. "Tanto
a demanda interna como o setor externo devem ter sido os responsáveis
pela desaceleração da atividade no começo deste
ano."
A Fiesp, que previa alta de 4,7% para o PIB industrial neste ano, agora
estima aumento de 4,5%. Para a federação, também
devem crescer menos neste ano os setores de agropecuária (de
4,6% para 4,3%) e de serviços (de 4,8% para 4,4%). (FF)
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Última Instância,
7 de junho de 2008
Roubo de carro gera
devolução de IPVA, diz TJ-MG
Os desembargadores da 8ª Câmara Cível do Tribunal de
Justiça de Minas Gerais determinaram a restituição
a J. M. S. de parte do valor pago como IPVA (Imposto sobre a Propriedade
de Veículos Automotores) depois que ele teve o carro roubado,
em maio de 2006, em Belo Horizonte.
O autor moveu a ação contra o Estado com
pedido de indenização por danos materiais
e morais cumulada com a restituição proporcional
do IPVA pago. No processo, requereu a condenação
ao pagamento de R$ 30 mil a título de danos materiais
pelo roubo de um veículo ano 2002/2003, a restituição
do IPVA pago, e ainda 100 vezes o valor dos danos materiais
a título de danos morais, pelo fato de o carro ter
sido roubado em via pública.
A alegação é a de que a restituição
proporcional dos impostos relativos a 2006 é justificável,
já que ele não teve o veículo em sua
posse durante todo o ano. O proprietário do carro
afirmou também que o roubo em via pública
ocorreu porque o serviço estatal de segurança
não funcionou como deveria.
Para ele, “se o Estado tivesse cuidado para que
a segurança das vias públicas fosse adequada,
o dano poderia ter sido evitado”. Assim, a indenização
por danos morais seria devida porque o roubo diminuiu seu
patrimônio de forma brusca, causando sofrimento para
toda a família.
O Estado contestou as alegações, afirmando
que a pretensão de J. M. S. não procede,
porque o autor da ação estaria querendo “transformar
o poder público em ‘segurador universal’ de
todos os danos que ocorrem na sociedade, em qualquer tempo
e lugar, o que é totalmente absurdo e impossível”.
Para o relator, desembargador Fernando Bráulio, “não é razoável
responsabilizar o Estado como se ele fosse protetor universal
de todos, pelos crimes de terceiros sem nexo de causa e
efeito”.
Ele considerou que, no que tange ao pedido de indenização
pelos danos materiais, não é possível
que o Estado seja condenado, uma vez que o roubo não
teve qualquer vinculação com condutas praticadas
por agentes do Estado e nem relacionado com algo que o
Estado se omitiu quando deveria agir. Portanto, não
ocorrendo responsabilidade do Estado pelo roubo do veículo,
o relator entendeu que não há que se falar
em danos materiais e morais.
O desembargador considerou pertinente, no entanto, a restituição
do IPVA pago, “uma vez que já é pacífico
em nossos tribunais decisões que dão por
procedente tal pedido”.
Em seu voto, o desembargador Silas Vieira manifestou divergência
em relação à devolução
do imposto. Para ele, em 1º de janeiro de 2006, J.
M. S. já era proprietário do veículo
automotor, o que, por si só, “fez nascer a
obrigação tributária, não havendo
que se falar em devolução proporcional”.
O voto do desembargador Silas Vieira foi vencido, já que
o desembargador Edgard Penna Amorim, votou de acordo com
o relator, dando provimento parcial ao recurso.
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Última Instância,
7 de junho de 2008
Previdência quer
incluir feirante e camelô como contribuinte
O novo ministro da Previdência, o deputado federal José Pimentel
(PT-PE), confirmado na quinta-feira (5/6) pela Presidência da República,
assumirá o cargo na próxima semana com a proposta de criar
uma nova categoria de contribuintes para a Previdência Social:
o micro-empreendedor individual.
Essa categoria será formada por feirantes, camelôs,
sacoleiras, pipoqueiros, enfim, trabalhadores que ainda
se encontram na informalidade e que poderão contribuir
com R$ 50 mensais para a Previdência.
A proposta tramita na Câmara dos Deputados e o novo
ministro quer que ela seja aprovada o mais rápido
possível. Em entrevista, Pimentel se colocou favorável à ampliação
da base de contribuintes da Previdência e da incidência
da contribuição sobre o faturamento das empresas
e não sobre a folha de pagamento.
Pimentel acredita que, com o crescimento da economia e
com a adoção dessas medidas, a tendência é de
queda cada vez maior do déficit previdenciário.
O ministro tomará posse na próxima quarta-feira,
no Palácio do Planalto.
Pergunta — O senhor aceitou o desafio
de assumir um ministério cujo déficit atingiu
R$ 2,7 bilhões em abril. O senhor já pensou
em soluções para diminuir esse déficit?
José Pimentel — De 2003
pra cá, a realidade é outra. Com a reforma
da Previdência, o déficit é decrescente,
está reduzindo ano a ano. Nós criamos uma
previdência pública básica, com regras únicas
para o trabalhador celetista e para o servidor público.
Temos um piso de um salário mínimo e um teto
que, hoje, soma R$ 3.038. Resultado: temos hoje 35 milhões
de contribuintes. Em 2003, tínhamos apenas 27 milhões
de contribuintes.
Pergunta — O que fez o número
de contribuintes aumentar?
José Pimentel — Isso se
dá em face de dois grandes motivos. Um é o
crescimento da economia, que insere mais trabalhadores
com carteira assinada. O outro motivo é a Lei Geral
das Micro e Pequenas Empresas. Em junho de 2007, nós
tínhamos 1,3 milhão de empresas formais.
Agora, em abril de 2008, temos 3 milhões de empresas.
Por isso, nesse período, nós aumentamos em
8 milhões os contribuintes da Previdência.
Os indicadores de nossa economia são muito sólidos.
Por isso, a Previdência, nos quatro primeiros meses
de 2008, arrecadou R$ 2,5 milhões a mais que o mesmo
período de 2007.
Pergunta — O que o senhor pretende
fazer para ampliar mais essa base?
José Pimentel — Vamos fazer
a segunda grande mudança no Simples federal, criando
o micro-empreendedor individual. A proposta já foi
aprovada na Comissão de Finanças da Câmara
e está prontinha para ser votada em Plenário
com urgência. Queremos trazer mais 4 milhões
de contribuintes para a Previdência que são
os feirantes, camelôs, sacoleiras, pipoqueiros, borracheiros.
Eles terão uma contribuição de R$
50 por mês para a previdência pública
e serão isentos de pagar todos os outros impostos
do Simples.
Pergunta — A reforma tributária
prevê uma desoneração gradativa de
6% na folha patronal, ao longo de seis anos, medida que
causou uma posição de alerta ao ex-ministro
Luiz Marinho, que se preocupou com o aumento do déficit.
Até agora, o governo não indicou de onde
vai tirar recursos para cobrir essa defasagem. Qual sua
opinião em relação a essa medida?
José Pimentel — O Simples
nacional instituiu zero de contribuição patronal
para o INSS [Instituto Nacional do Seguro Social], beneficiando
98% de todas as empresas comerciais e industriais, além
de zerar também a contribuição patronal
sobre a folha de pegamento de 75% das empresas de serviços.
Nós, hoje, temos 3 milhões de empresas formais
que têm zero de contribuição. Transferimos
a contribuição da folha para o faturamento.
Pergunta — O senhor atendeu ao
pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para
assumir o ministério e cedeu às exigências
de ficar até o final de 2010. Isso o impede de disputar
as eleições. O senhor abriu mão da
reeleição?
José Pimentel — Mandato
de deputado federal ou de senador é um serviço
público temporário. Nosso papel é servir
bem à sociedade e ao Brasil. Estou indo para uma
nova tarefa e vou continuar servindo bem à sociedade
e ao Brasil. Aqueles que acham que mandato é um
emprego terminam parando na Polícia Federal. Não
faço parte desse grupo.
Pergunta — O senhor foi relator
da reforma da Previdência, aprovada em 2003. No entanto,
os problemas de gestão continuam. O que o senhor
pretende fazer para melhorar a gestão da Previdência?
José Pimentel — Na reforma
da Previdência, lá em 2003, fizemos uma série
recomendações. Algumas já estão
sendo implantadas. A primeira é a humanização
no Sistema de Atendimento ao Beneficiário. Até 2003,
levava-se, em média, 120 dias para se fazer uma
perícia médica. O presidente Lula determinou
a realização de um concurso público,
peritos foram contratados e, hoje, o prazo médio
no Brasil é de cinco dias.
Aqui, no Ceará, existem postos para os quais você telefona
hoje e é atendido no outro dia. Você marca
a perícia por telefone, com hora certa e dia determinado.
Tínhamos ainda um represamento de processos de aposentadoria.
Esse item também já reduziu bastante. Temos
também uma pendência muito grande para resolver
ações em tramitação na Justiça
especializada. É bom registrar que, em 2008, o ministro
Marinho fez a primeira grande composição
com o Tribunal Federal da 3ª Região, dando
baixa em mais de 40 mil processos, numa grande reconciliação
que pretendemos dar continuidade. Além disso, temos
que valorizar o servidor público da Previdência
através da capacitação e da melhoria
salarial. Esse item também precisa de continuidade.
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