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Agência Diap, 8 de junho de 2008
JUDICIÁRIO
Lula nomeia três novos ministros
para STJ
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou os desembargadores
Luís Felipe Salomão e Geraldo Og Niceas Marques e o
procurador-geral de Justiça Mauro Luiz Campbell como ministros
do Superior Tribunal de Justiça.
A nomeação foi publicada na edição de ontem
do Diário Oficial da União. Os três já foram
sabatinados pelo Senado em 28 de maio e aprovados pelo plenário
da Casa na última quarta-feira (4).
Os novos ministros irão ocupar, respectivamente, as vagas
deixadas pelo falecimento do ministro Helio Quaglia Barbosa e pelas
aposentadorias dos ministros Raphael de Barros Monteiro Filho e Francisco
Peçanha Martins.
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Congresso em Foco, 8 de junho de 2008
A fugaz falência de um grande
banco
Osvaldo Martins Rizzo*
A confraria financeira internacional está atônita.
Um dos maiores bancos de investimento do mundo – o Bear Stearns – entrou
em processo de insolvência e faliu em menos de três dias.
Enroscado em uma teia de papéis de derivativos de crédito
sem lastro, a instituição passou a perder a confiança
dos investidores e, em menos de 72 horas, quebrou. Como se sofresse
um enfarto fulminante, o quase centenário banco nem chegou
a agonizar.
Segundo o FMI, o mercado financeiro internacional gira três
vezes mais recursos do que o PIB mundial. Diariamente, papéis
representando bilhões de dólares são comercializados
com a única garantia implícita de que os participantes
da operação honrarão seus compromissos. Quando
alguém suspeita de algo, a confiança some instantaneamente
e prevalece o “salve-se quem puder”.
Muitos aplicadores que, até às vésperas da
bancarrota, possuíam cotas dos fundos mútuos administrados
pelo banco, enxergando uma oportunidade de auferir lucros, as venderam
e passaram a apostar contra o Bear Stearns acelerando a sua quebra.
Como chacais famintos, esses ex-parceiros decidiram que a caça
estava ferida e mataram-na, temporariamente saciando sua sede de
sangue.
Jogadores compulsivos viciados em carteado, os altos dirigentes
do banco falido apostaram pesado em bônus privados de alto
risco e perderam. Avaliado em cerca de 10% das reservas brasileiras,
o colchão de liquidez do banco foi consumido em menos de 48
horas, revelando-se insuficiente para conter a fuga de capitais.
Milhares de pessoas perderam seus empregos.
Para mitigar o risco sistêmico, numa operação
de socorro que não se via desde a Grande Depressão
da década de 1930, montada em um domingo, o Banco Central
dos EUA (o Fed) emprestou dinheiro do contribuinte para que outro
banco (o JP Morgan) comprasse as ações do Bear Stearns
por um preço inferior ao de um hamburger.
Como um gigante desmorona assim tão rapidamente?
O que deu tão errado?
Uma das principais características do atual período
econômico é a predominância de comportamentos
focados na obtenção de ganhos financeiros no curto
prazo, o que prioriza a aplicação em papéis
de alta liquidez. A enorme e generalizada desconfiança faz
com que ninguém queira acabar com o papel micado na mão,
daí a exigência pela liquidez imediata. Segundo um ditado árabe “o
capital financeiro é como o vento, só entra onde pode
sair rapidamente”.
Para tentar saciar a gula dos investidores, alguns pré-enfartados
executivos adotam táticas que incluem, até mesmo, fraudar
os dados contábeis das empresas visando o anúncio de
pseudos lucros suficientes para inflar o valor das ações.
Descoberta a fraude, gera-se desconfiança naqueles mesmos
que, até então, pressionavam pela obtenção
de taxas de retorno acima da média.
Nesse imediatista ambiente de negócios movido pela especulação
predatória, e também por vários estimulantes
químicos de uso ilegal, não se valoriza a produção;
o trabalho árduo e a perseverança em se alcançar
metas gratificantes de prazos mais longos. Esses valores são
considerados decadentes e, no Brasil, são chamados de “coisas
dos anos 50” pelos defensores desse estéril, mas “avançado” modelo.
Entorpecidos pelos efeitos alucinógenos causados pela insana
ganância, os financistas estão esquecendo que terras,
casas, prédios, máquinas, etc são os verdadeiros
e únicos ativos. Os papéis (bônus; ações;
títulos; etc) não são bens, mas apenas indicam
quem é o proprietário deles num determinado momento
histórico. O valor do título de propriedade como objeto é ínfimo
perante o bem material correspondente.
A realidade da Petrobras, por exemplo, são as suas instalações
fabris (plataformas de extração de petróleo;
refinarias; oleodutos; etc) capazes de gerar riqueza, e não
as suas ações que trocam de mãos nos pregões
todo dia. Se uma praga de traças roesse todas as ações,
a Petrobras poderia continuar a produzir. Contudo, se as instalações
fossem destruídas por bombardeios aéreos, as ações
por si só não gerariam outra petrolífera.
Os ativos reais constituem-se na verdadeira riqueza nacional e o
estoque de capital fixo é o resultado da produção
passada. Por sua parte, a riqueza financeira representa apenas a
maneira como os títulos de propriedade são convencionalmente
estabelecidos em relação aos bens reais.
Um grande banco de investimento não existe mais. Certamente
a humanidade não sentirá sua falta.
*Osvaldo Martins Rizzo é engenheiro e
ex-conselheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES).
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Gazeta do Povo, 8 de junho de 2008
Legislativo
Mais vereadores para quê?
Proposta de Emenda Constitucional prevê um
aumento no número de parlamentares nos municípios,
mas maioria das câmaras realiza apenas uma sessão
por semana porque há pouco trabalho
Enquanto a polêmica proposta que aumenta o número de
vereadores tramita no Congresso, a grande maioria das câmaras
municipais do país trabalha pouco. Muito pouco. Dos 399 municípios
paranaenses, por exemplo, em 96,7% o Legislativo faz apenas uma sessão
ordinária por semana.
Na prática, vereadores trabalham em um mês a mesma
carga horária cumprida em um dia por um trabalhador comum.
A legislação facilita a falta de controle sobre o
trabalho dos vereadores. Como não há uma lei geral
que regule o funcionamento dos legislativos municipais, são
os próprios parlamentares, por meio dos regimentos internos,
que definem quanto – e quando – vão trabalhar.
Segundo a juíza eleitoral Noeli Reback, a Constituição
rege apenas o subsídio a ser pago aos vereadores, de acordo
com o orçamento municipal.
Pouco trabalho
Levantamento feito pela reportagem mostra que, do total de municípios
do Paraná, em 386 câmaras os vereadores se reúnem
uma única vez na semana. Doze câmaras fazem entre seis
e oito sessões mensais e apenas uma, a de Curitiba, realiza
12 encontros por mês – ou seja, três por semana.
O privilégio de ter mais de uma sessão semanal está limitado
a cidades maiores, como Ponta Grossa, Londrina e Guarapuava.
Em Ponta Grossa, onde as sessões ocorrem às segundas
e quartas-feiras, houve proposta recente para a realização
da terceira sessão, no entanto ela foi rejeitada pelos vereadores.
Cascavel, no Oeste do estado, concentra todas as sessões
mensais em apenas uma quinzena. São três encontros na
primeira semana do mês e mais três na segunda. Nas outras
duas semanas do mês, não há nenhuma sessão.
Segundo o presidente da Casa, Júlio César Leme, o regimento
deve ser alterado nos próximos dias para que as sessões
ocorreram semanalmente, às segundas e terças. Leme
se defende das críticas. “Não podemos querer
associar o trabalho do Legislativo unicamente à realização
de sessões na Câmara”, diz.
Mas há exemplos claros de que, sem as sessões, muitos
vereadores nem dão as caras. Em Araruna, no Centro-Oeste,
os vereadores recebem um salário bruto de R$ 1,7 mil para
comparecer à Câmara uma vez por semana. “Eles
vêm apenas nos dias das sessões. Quando sobra um tempinho,
um ou outro vereador aparece por aqui”, afirma o diretor da
Casa, Claudemir de Freitas. Segundo ele, a ausência durante
o expediente é motivada por outras atividades dos vereadores. “Tem
médico, agricultor, metalúrgico, agropecuarista, contador
e funcionário público”. Os assessores, que cumprem
expediente na Câmara, são responsáveis pelo atendimento à população.
Em Umuarama, no Noroeste, pelo menos metade dos vereadores não é encontrada
com freqüência na Casa. Os dez parlamentares têm
direito a dois assessores e são eles que mantêm o atendimento
nos gabinetes durante a semana.
Em Maringá, onde há duas sessões semanais,
a ausência de vereadores, motivada pelos interesses extra-Câmara, é um
problema. No dia 23 de abril, por exemplo, a sessão não
aconteceu por falta de quorum, apenas seis dos 15 vereadores compareceram.
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Gazeta do Povo, 8 de junho de 2008
Lesgislativo
População ignora o
trabalho das câmaras
Na maioria das vezes, sessões são
realizadas sem a presença de representantes da comunidade
Das 500 poltronas existentes no plenário da Câmara
Municipal de Santo Antônio da Platina, no Norte Pioneiro, apenas
14 eram ocupadas por populares na noite da segunda-feira passada, único
dia na semana em que é realizado o encontro dos vereadores.
O retrato do plenário vazio se repete todas as semanas, conforme
o vereador Paulo César Alcântara da Silva (PR). “Apesar
das diferenças políticas, nós vereadores fizemos
um pacto pela comunidade e hoje discutimos todas as matérias
que chegam até a casa até a exaustão”,
garante.
Platéia
A última – e talvez única – vez em que
a sessão contou com platéia, foi quando os parlamentares
se reuniram para cassar o mandato do ex-prefeito, José Ritti
Filho (PR), há um ano. “Depois disso, nunca mais percebi
o interesse das pessoas pelo que ocorre no Legislativo. Às
vezes, uma ou outra fileira está ocupada, mas isso é raro”,
diz Silva.
O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral
em Ponta Grossa fez as vezes do eleitor e resolveu acompanhar cada
sessão, registrando todas as discussões em imagens
e sons. O porta-voz do Movimento, Henrique Henneberg, lamenta que
as “conversas de bastidores” escapam às câmeras. “Só conseguimos
acompanhar os resultados, mas as negociações, as conversas
de bastidores, não”, comentou.
A ausência de debates não é bem vista por quem
analisa as sessões. Em Maringá, onde as sessões
se resumem à leitura dos projetos, o professor de História
e Sociologia, Gilson Aguiar, acredita que falta dedicação. “É preciso
ter um monitoramento de como e quanto tempo o vereador gasta trabalhando
como legislador”, disse.
24 horas
Para o presidente licenciado da União dos Vereadores do Paraná (Uvepar),
Bento Batista da Silva (PTB), que está há cinco anos à frente
da entidade e também há quatro meses na presidência
da União dos Vereadores do Brasil (UVB), o vereador trabalha “24
horas” por dia e não apenas nas sessões ordinárias.
Ele dá exemplos, como as reuniões das comissões
parlamentares e especiais e as sessões extraordinárias,
que podem ser convocadas pelos presidentes das Câmaras Municipais
e prefeitos.
“Se o vereador está num velório e alguém
pede iluminação na sua rua ou ainda se está num
campo de futebol e se um popular pede uma ajuda, ele não pode
deixar de ajudar, seu trabalho não pára”, garante.
O presidente da Câmara de Cascavel, Júlio Leme, concorda. “Vereador
trabalha mais que prefeito.”
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Gazeta do Povo, 8 de junho de 2008
Orçamento
Câmaras podem sofrer cortes
Mais de um terço dos legislativos
terá orçamento menor se o Senado aprovar a emenda
que aumenta o número de vereadores, mas reduz verbas
Mais de um terço das Câmaras Municipais terá de
cortar despesas se o Senado aprovar a Proposta de Emenda Constitucional
(PEC) 333/2004. O projeto aumenta o número de vereadores,
mas reduz as verbas para sustentá-los, ao estabelecer novos
critérios para repasses de recursos.
Segundo estudo do economista e geógrafo François Bremaeker,
consultor do Instituto Brasileiro de Administração
Municipal (Ibam), 36,7% dos legislativos municipais terão
orçamentos mais curtos a partir de 2009, caso os senadores
aprovem o texto até 30 de junho.
A Câmara Municipal de Curitiba, que tem neste ano um orçamento
de R$ 76 milhões, será uma das atingidas se a nova
lei entrar em vigor. A previsão é de que os vereadores
tenham R$ 29 milhões a menos para gastar em 2009.
Pelas simulações de Bremaeker, no mínimo 2
mil cidades precisarão reduzir repasses para os legislativos.
A proposta já passou na Câmara dos Deputados e gerou
um movimento de vereadores para que só o número de
vagas seja votado por enquanto - a questão das verbas ficaria
para depois.
“O sentimento no Senado é de que os deputados passaram
para os senadores uma bucha de canhão”, diz o diretor-executivo
da União de Vereadores do Brasil, Sebastião Misiara,
ex-vereador em Barretos (SP). Na semana passada, ele integrou uma
comitiva de dirigentes de entidades de vereadores que esteve no Senado,
expondo a situação, que considera preocupante.
Depois do encontro, o ex-parlamentar admite dois cenários.
No primeiro, a proposta seria desmembrada, para que o aumento no
número de cadeiras pudesse ser votado em separado, até o
fim deste mês, possibilitando que o novo texto vigorasse já nas
eleições de 2008 e deixando para mais tarde a discussão
de recursos. No segundo, a proposta inteira não seria votada
este ano, evitando polêmica no ano eleitoral, mas impedindo
também a expansão imediata do número de vagas.
As duas possibilidades são levantadas no Senado. Na quarta-feira,
representantes dos vereadores se encontrarão com representantes
da Comissão de Constituição e Justiça
da Casa para tentar uma solução.
A Emenda 333 é resultado de pressões de políticos
inconformados com a redução no número de vereadores,
determinada pelo Judiciário em 2004, a partir de uma questão
envolvendo o número de parlamentares municipais da cidade
de Mira Estrela (SP). O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) considerou
que muitos municípios interpretavam equivocadamente a legislação,
inflando os plenários municipais, e mandou cortar 8.528 cadeiras
em todo o país.
O PP e o PDT entraram no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a
medida, mas o plenário, por 10 a 1, manteve o entendimento
da Justiça Eleitoral. Depois disso, sob pressão das
Câmaras Municipais, o Congresso articulou a emenda. O medo
da reação da opinião pública contra o
aumento no número de cadeiras, contudo, levou à inclusão
da proposição de reduzir os gastos.
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Gazeta do Povo, 8 de junho de 2008
Inflação
Reajuste de preços ganha fôlego
e se pulveriza por vários setores
Demanda aquecida e aumento dos
custos estimulam repasses. Alta acumulada nos últimos
12 meses já supera meta do governo
A alta dos alimentos tem sido apontada como a grande vilã da
inflação nos últimos meses, mas a demanda aquecida
e a elevação de custos com insumos e mão-de-obra
estão favorecendo reajustes também em outros segmentos
de bens de consumo e serviços. Além dos alimentos e
das bebidas, outros 80 itens tiveram aumentos superiores a 4,5% na
capital paranaense nos últimos 12 meses, segundo os dados
do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
que serve de referência para o regime de metas de inflação
do governo federal.
Nessa lista estão, por exemplo, o aluguel residencial, que
subiu 7,81% e o condomínio (6,32%), o transporte escolar (8,35%),
consertos de automóvel (12,71%), calçados (6,9%) e
educação infantil (6,12%). Os índices dos últimos
meses deixam claro que se firmou a tendência de disseminação
de remarcações. As elevações não
são generalizadas – alguns segmentos registram deflação – mas
mostram que a correção de preços vai além
dos produtos que estão na mesa da população.
Além de ter de enfrentar a alta do feijão, o consumidor
está pagando mais pelas roupas, pelo aluguel, para ir ao cinema
e até para ver o time de futebol do coração – o
preço dos ingressos subiu 23,59%.
Em Curitiba, a inflação medida pelo IPCA, acumulada
nos últimos 12 meses até abril – último
dado disponível –, está em 4,68%, pouco abaixo
da média nacional, que ficou em 5,04%, mas ainda assim acima
do centro da meta estipulada pelo governo (4,5% para 2008). A preocupação
com a rápida aceleração da inflação
levou o Comitê de Política Monetária (Copom)
do Banco Central a elevar, na última quarta-feira, pela segunda
vez neste ano, a taxa básica de juros (Selic), que passou
de 11,75% para 12,25% ao ano.
“Embora esteja ainda bastante concentrada em alimentos, a
inflação se espalha para outros setores. Uma das pressões é o
impacto da alta do preço do petróleo na cadeia de insumos
e de transporte”, diz o coordenador do curso de economia da
Unifae, Gilmar Mendes Lourenço.
Para especialistas, o consumo aquecido e aumento da renda favorecem
o repasse de custos. As causas variam conforme o setor mas, assim
como no caso dos alimentos – cuja alta foi puxa pelos preços
internacionais das commodities agrícolas –, parte da
inflação de outros bens de consumo é “importada”.
A escalada do preço do petróleo – o barril bateu,
na última sexta-feira, a marca histórica de US$ 138,54 – e
seus derivados, assim como das commodities metálicas, têm
impacto nos custos das indústrias, que são pressionados
ainda pelos reajustes salariais.
Um exemplo desse movimento pôde ser visto na semana passada,
quando a Braskem anunciou reajuste médio de 20% nos preços
das resinas, em razão do preço do nafta, atrelado ao
petróleo. E não deve parar por aí. O banco Morgan
Stanley prevê que o barril do petróleo deva chegar a
US$ 150 dentro de um mês, com a crescente tensão no
Oriente Médio, provocada pela possibilidade de uma ofensiva
militar de Israel ao Irã, um dos principais produtores de
petróleo.
“A inflação é hoje um fenômeno
mundial, que vem atingindo em maior ou menor grau diversas economias
e o Brasil não escapa dessa tendência”, diz Lourenço.
De acordo com estimativas compiladas pela revista inglesa The Economist,
dois terços da população mundial deverá conviver
com inflação acima de 10% neste ano. Neste bloco estão
a China (8,5%), a Rússia (13,3%) e o Chile (8,3%).
Sob controle
Na avaliação do professor de economia Marcelo Curado,
da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a velocidade que
a inflação vem ganhando nos últimos meses deve
fazer o Brasil fechar o ano com uma taxa de 5,5% a 6%. Mas, para
ele, inflação acima do centro não precisa provocar
alarme. “O fato de o país ter uma inflação
maior do que o esperado não significa dizer que há um
descontrole e que isso provocará a volta da hiperinflação.” Ele
argumenta que os setores em que não há muita concorrência
estão registrando reajustes bem inferiores ao dos alimentos. “Não
dá para comparar a alta de 150% do feijão com o de
7% de serviços.”
Essa é a tese defendida pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega,
que reivindica uma tolerância maior com a inflação
para não esfriar a economia. Ele vem batendo, ainda que de
maneira velada, na teoria de “o perigo do contágio”.
Tese esta propalada pelo presidente do BC, Henrique Meirelles, que
considera que a economia aquecida, embalada pelo crédito,
e em menor grau pelo aumento da renda e do emprego, pode esbarrar
na capacidade de abastecimento de alguns setores e alavancar reajustes. “A
questão se limita a uma conta de oferta e demanda. O Brasil
só registrou inflação de demanda uma única
vez, em 1986, quando houve um aumento da renda e faltou produtos
no mercado. Hoje estamos muito longe disso”, diz o professor
Judas Tadeu Grassi Mendes, diretor do Estação Business
School-Ibmec.
Os motivos
A inflação está causando
estragos ao redor do mundo.
Veja as causas:
Petróleo
Disparada do preço do petróleo, provocado pela demanda
global e pela ameaça de guerras.
Alimentos
Aumento do consumo de alimentos e quebra de safras em vários
países, além da utilização dos grãos
para a produção de biocombustíveis na Europa e
nos Estados Unidos.
China
Aumento da demanda da China, que jogou nas alturas os preços
das commodities agrícolas e metálicas.
EUA
A crise imobiliária nos EUA. Com a desvalorização
do dólar e o recuo nas taxas de juros americanas, os investidores
migraram suas apostas para o mercado de commodities. Com o aumento
da especulação, as cotações sobem ainda
mais.
Em casa
No Brasil, crescimento dos gastos do governo e expansão do consumo
agravam o quadro.
Juros
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Gazeta do Povo, 8 de junho de 2008
Inflação
Previsão é de que o
cenário piore no ano que vem
Preços administrados devem
levar o IPCA para acima da meta também em 2009
Analistas do mercado financeiro apontam para uma inflação
superior à meta não só esse ano, mas também
para 2009. Na semana passada, pela primeira vez, o relatório
Focus, elaborado semanalmente pelo Banco Central com a opinião
de 100 analistas econômicos do setor privado, mostra a expectativa
de uma inflação de 4,6% para o próximo ano.
O documento foi divulgado na terça-feira, um dia antes de
o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco
Central anunciar a elevação da taxa básica de
juros (Selic) para 12,25% ao ano. “A previsão é de
deterioração do cenário. Não há indícios
de que os preços das matérias-primas vão ceder,
com o agravante do impacto dos preços administrados. Eles
são corrigidos pelo IGP-M – que também reajusta
aluguéis e que acumula alta de 9% – e serão sentidos
em 2009”, afirma o professor de economia da Universidade Federal
do Paraná (UFPR), Marcelo Curado.
Segundo ele, outra questão é como vai se comportar
o preço da gasolina, que registra deflação de
1,8% nos últimos 12 meses no país. Para o professor,
o combustível está sendo “artificialmente” mantido
nesses patamares. “Esse movimento não se sustenta com
o barril do petróleo batendo recordes”, afirma.
Os preços no atacado, que têm subido rapidamente nos últimos
meses, vão ter reflexo também em 2009, assim como a
alta dos preços da China. Os produtos chineses estão
subindo em dólar, o que pode ter reflexo no Brasil, ainda
que o câmbio atue como uma “barreira” para a elevação
doas cotações dos produtos importados.
Os efeitos da crise norte-americana também devem gerar pressões
inflacionárias, segundo um relatório da Organização
para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Na semana passada, a entidade disse em documento que as pressões
inflacionárias podem aumentar mais do que indicam os preços
do petróleo e dos alimentos. Segundo a organização,
a elevação nos custos dos empréstimo, após
a crise do crédito, pode ter impacto adverso de queda na oferta
de bens e serviços, o que, por conseqüência tende
a aumentar a pressão de alta sobre os preços.
Para o professor de economia Alcides Leite, da Trevisan Escola de
Negócios, no entanto, tem que se levar em consideração
também os efeitos da queda na demanda nos Estados Unidos,
que podem segurar os reajustes. No Brasil, o consumo também
deve reduzir com a alta dos juros, que encarece o crédito,
responsável por garantir o aumento das vendas de vários
setores. “O potencial de compra do brasileiro está batendo
no teto”, afirma o coordenador do curso de economia da Unifae,
Gilmar Mendes Lourenço. “Algumas famílias já comprometem
40% do orçamento com dívidas, o que é um limitador
para o consumo em um cenário de inflação e alta
dos juros.”
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Folha de Londrina, 8 de junho de 2008
Juíza vê 'novos
conflitos' na relação de trabalho
Magistrada defende regras que regulamentem
as formas de controle do uso de tecnologia pelos empregados
na empresa
O Brasil precisa de regras claras para regulamentar as formas de
controle nas relações de trabalho, em especial no que
se refere aos recursos da tecnologia. A proposta é defendida
pela juíza Emília Simeão Albino Sako, do Tribunal
Regional do Trabalho, em Curitiba. Ela falou sobre o assunto em uma
mesa redonda sobre o tema ''Política Trabalhista e Relações
de Trabalho no Brasil'', promovida pela Associação
dos Diplomados na Escola Superior de Guerra em Londrina. O evento
foi realizado quinta-feira à noite, na Faculdade Arthur Thomas.
Antes de se aprofundar no tema, a juíza quis saber a opinião
dos presentes se o rastreamento do computador de um funcionário
caracteriza ou não invasão de privacidade, mesmo quando
a pessoa usa seus recursos indevidamente. O assunto dividiu opiniões,
mas ela foi clara ao afirmar que caracteriza invasão de privacidade
sim, o que, pela Constituição brasileira, é um
direito inviolável. ''O empregador não pode entrar
no espaço virtual do trabalhador'', afirmou.
A juíza disse que o empregador só pode tomar providências
em relação ao assunto se o trabalhador for suspeito
de ato ilícito. ''É preciso uma razão forte
para se chegar a esse ponto''. Outro aspecto citado é que
tal averiguação deve acontecer no horário de
trabalho e na presença de algum representante da categoria.
Segundo ela, esta é a mais nova forma de conflito nas relações
de trabalho e está contribuindo para aumentar o número
de ações nos tribunais.
Ao citar a necessidade de regras claras para resolver este tipo
de conflito, a juíza citou o exemplo de acordo coletivo do
trabalho em uma empresa de telefonia na Espanha. Um dos itens do
acordo deixa claro que ''o computador não pode ser usado para
fins particulares''. E acrescentou: ''Nós temos que aperfeiçoar
esta questão no Brasil; é preciso que existam regras
claras, porque se não há regras, significa que é permitido''.
A juíza Neide Akiko Fugivala Pedroso, da Terceira Vara do
Trabalho em Londrina, também participou da mesa redonda. Ela
concorda com os argumentos da doutora Emília, mas reconhece
que o assunto é complexo porque, em última instância,
a empresa é responsável pelos atos do trabalhador,
uma vez que estas relações têm como característica
a subordinação.
Eli Araujo
Reportagem local
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O Estado do Paraná, 8 de junho de
2008
Indústria gerou
mais de 1.000 empregos em Curitiba
Redação
De janeiro a abril foram abertas 1.744 novas vagas no setor industrial
da capital paranaense. A informação é do Observatório
do Trabalho, da Secretaria Municipal do Trabalho e Emprego de Curitiba,
com base nos dados do CAGED (Cadastro Geral de Empregados).
“A Indústria de Transformação emprega
aproximadamente 93 mil trabalhadores no município de Curitiba,
sendo responsável por 16,45% do total de empregos com carteira
assinada (CLT) do município”, explica Raul D´Araujo
Santos, Secretário Municipal do Trabalho.
O aumento das vagas representa variação de 1,91% no
quadrimestre. Em janeiro foi registrado o aumento de 1.260 vagas
(variação de 1,38%), em fevereiro houve queda de 554
postos de trabalho (variação de 0,60%), em março
o emprego industrial voltou a crescer e gerou 712 vagas (variação
de 0,77%) e no mês de abril foram criados 326 postos de trabalho
(variação de 0,35%).
Santos afirma que a boa fase do emprego industrial no município
faz de Curitiba a quarta capital brasileira no ranking dos empregos
industriais nas cidades com população superior a um
milhão. “Curitiba está em quarto lugar no emprego
industrial e em terceiro na avaliação do emprego industrial
versos emprego total”, diz o secretário.
Subsetores
No primeiro quadrimestre de 2008 os subsetores que mais geraram
empregos no município foram: indústria mecânica
(742 vagas); eletro e comunicações (481 vagas) e material
de transporte (397 vagas). Os subsetores que menos geraram vagas
foram: alimentos e bebidas (- 879 vagas); indústria de calçados
(- 2 vagas) e madeira e mobiliário (-44 vagas).
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O Estado do Paraná, 8 de junho de
2008
O trabalhador e os riscos
do retorno da inflação
Edésio Passos
Os reajustes salariais nos acordos e convenções coletivas
de trabalho têm por base o Índice Nacional dos Preços
ao Consumidor (INPC/IBGE), agora acumulado em 12 meses a 5,9%. Relembre-se
que 2002 fechou com 14,74%, atingindo 16,33% entre 2/02 a 1/03. De
12/02 a 11/03 o índice ficou em 12,76%. Era o principal obstáculo
a ser ultrapassado, finalmente registrando 5,72% no período
de 12/03 a 11/04, estabilizando a correlação entre
preços dos produtos e reajustes salariais, equilibrando o
mercado de trabalho. Assim, gradativamente, as negociações
coletivas se harmonizaram, primeiro crescendo a concessão
integral do INPC a todas as categorias profissionais para, já em
2007, os aumentos reais serem inseridos em larga escala nos instrumentos
normativos, como continua sucedendo neste ano. Entretanto, a alta
significativa, a nível mundial, nos preços dos alimentos,
das commodities, dos produtos metálicos, do petróleo
e derivados, está desequilibrando essa condição
de estabilidade em desfavor do assalariado.
O diretor do Diap e analista político, o jornalista Antônio
Augusto de Queiroz, em recente artigo, analisa a questão dos
efeitos da inflação na atual conjuntura econômica
e nas negociações coletivas, antevendo um quadro de
dificuldades. Eis o seu texto:
“Inflação: riscos e reflexos
sobre as relações de trabalho
O Brasil vive um momento singular de sua história, com uma
trípliceção: democracia, crescimento econômico
(com estabilidade de preços e distribuição de
renda), e consciência ambiental, como bem pontuou o consultor
sindical e membro do corpo técnico do DIAP, João Guilherme
Vargas Netto. Uma das pernas desse tripé, entretanto, está ameaçada
pela pressão internacional sobre alguns preços, o que
poderá justificar medidas preventivas contra o retorno da
inflação com reflexos nas relações de
trabalho. A ameaça decorre de um verdadeiro choque, em nível
mundial, nos preços de petróleo, de alimentos e de
commodites, com pressões inflacionárias muito fortes,
inclusive no Brasil. Embora o País seja beneficiário
direto do aumento desses preços, já que é grande
produtor e exportador dos três itens, a população,
em geral, e, os assalariados, em particular, poderão ser penalizados
com a reação da equipe econômica e do Banco Central
no enfrentamento da ameaça de inflação.
O assunto não ganhou grande destaque nos veículos
de comunicação, ainda, mas os analistas já antecipam
possíveis medidas de combate à inflação,
entre as quais um profundo corte nos gastos públicos (despesas
com pessoal e previdência) e aumento do superávit primário
e das taxas de juros. Outros, adversários da distribuição
de renda, já especulam que os salários da iniciativa
privada têm crescido mais que os ganhos de produtividade (em
alguns setores da economia) e que isto teria efeito inflacionário,
insinuando que deve haver desaceleração nos ganhos
reais nas negociações coletivas. De fato, se for confirmada
a tendência de crescimento da inflação (e será em
nível planetário), independentemente das medidas que
o ministério da Fazenda e o secretário do Tesouro venham
a tomar, o Banco Central do Brasil, que possui autonomia operacional,
não terá nenhuma dúvida em arrochar a política
monetária e aumentar os juros no País, com reflexos
desastrosos sobre a cadeia produtiva em geral e o mundo do trabalho,
em particular, tanto dos servidores públicos quanto dos trabalhadores
do setor privado.
Para os servidores, o reflexo seria, além de congelamento
salarial após o realinhamento em curso, uma maior pressão
para aprovar o pacote de maldades que se encontra no Congresso: PLP
1, PEC dos Precatórios, Lei de Greve, Fundações
Públicas com contratação pela CLT, demissão
por insuficiência de desempenho e previdência complementar
privada, entre outros. Para os assalariados, além do risco
de negociações com mera reposição da
inflação, colocaria em risco a aprovação
da convenção 158 da OIT, do projeto que põe
fim ao fator previdenciário, além de diminuir as chances
de sucesso da campanha pela redução da jornada (para
40 horas semanais) sem redução de salário. Trata-se,
por enquanto, de mera tendência e com reflexos em todo o mundo,
não havendo razão para o Governo colocar em risco as
conquistas econômicas e sociais acumuladas. As autoridades
não podem nem devem se apavorar, tomando medidas que inibam
o consumo, o emprego e as negociações salariais, nem
tampouco aumentem, artificialmente, mediante majoração
das taxas de juros, o endividamento das famílias. O momento
requer muita prudência”.
Alimentos: relatório da FAO
O relatório da Organização das Nações
Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) divulgado
em 22 de maio, informa que “os preços dos alimentos
em todo o mundo não deverão cair substancialmente nos
próximos anos, mesmo com aumento da produção
(...) países mais pobres terão de pagar US$ 169 bilhões
neste ano para se alimentar, 40% mais que em 2007 e quatro vezes
mais que o importado em 2000(...) No total, o mundo gastará com
alimentos US$ 215 bilhões a mais neste ano que em 2007, uma
alta de 26%. Grande parte dessa conta irá para o pagamento
de arroz, trigo e óleos vegetais. Os três setores atingiram
níveis recordes de preço (...) Para a FAO, o cenário
deve levar a um aumento da fome no mundo. ‘Alimentos não
são mais baratos como foram’, afirmou o diretor-assistente
da FAO, Hafez Ghanem. O planeta tem hoje 854 milhões de famintos,
número que deve aumentar.Para a ONU, a crise é a pior
em mais de meio século (...) Hoje, a crise ocorre diante de
uma produção recorde de cereais, de 2,1 bilhões
de toneladas. Mas a volatilidade, inclusive no trigo, deve continuar” (Jamil
Chade, in O Estado de S.Paulo, edição de 23/5/2008).
Na reunião que criou o Unasul (União Sul-Americana
das Nações) ficou decidido que o próximo encontro
dos chefes de Estado tratará da questão dos alimentos:”Uma
preocupação que temos é que todos os avanços
obtidos contra a pobreza em nosso continente podem sofrer retrocessos
se não enfrentarmos unidos o alto preço dos alimentos
e das fontes de energia”, declarou a presidente do Chile e
do Unasul Michele Bachelet. O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, na mesma oportunidade, afirmou que “quando a escassez
de alimentos ameaça a paz social em muitas partes do mundo, é em
nossa região que muitos vêm buscar respostas”.
Responsabilidade civil pré-contratual
O juiz do trabalho Dr. Luciano Augusto de Toledo Coelho escreve
sobre “Responsabilidade Civil pré-contratual em Direito
do trabalho”, livro editado pela LTr e recentemente lançado
em Curitiba, nascido de sua dissertação no mestrado
em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do
Paraná. Na linha erudita, segura e criativa de seus pais,
os professores Luiz Fernando Coelho e Anna Maria de Toledo Coelho,
mergulha em temas não apenas complexos, mas originais e pouco
explorados na literatura jurídico-laboral. É o que
assinala o professor Marco Antônio Villatore no prefácio
da obra: “Esta excelente obra, bem exemplifica o perfeccionismo
do autor, entrando em detalhes poucas vezes encontrados em outros
livros que abordam parte deste assunto, escrevendo de forma clara
e objetiva, pelo que é, portanto, imprescindível para
todos os aplicadores do Direito que se atenham a analisar as responsabilidades
do empregador”. Eis alguns temas abordados na obra: globalização
e tecnologia; os direitos do trabalhador na fase pré-contratual;
a plataforma da responsabilidade civil pré-contratual; princípios
gerais de Direito e cláusulas gerais; responsabilidade civil
pré-contratual (e contrato preliminar, conceito e delimitação,
dano pré-contratual, a perda de uma chance pela atuação
consequente, interesse negativo, natureza jurídica e questão
da culpa, competência da Justiça do Trabalho) e tutela
específica do interesse positivo na responsabilidade pré-contratual.
A interpretação do TST
O Tribunal Superior do Trabalho, pela Orientação Jurisprudencial
365, da SDI I, não reconhece aos membros do Conselho Fiscal
do Sindicato a estabilidade no emprego fixada na norma constitucional
do art. 8.º, VIII, à luz da interpretação
conjugada da CF/88 e CLT (arts. 543 e 522). Considera-os “fiscalizadores
da gestão financeira do sindicato”, pois não “representam
ou atuam na defesa dos direitos da categoria”. Eis o que o
texto constitucional afirma: “é vedada a dispensa do
empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo
de direção ou representação sindical
e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o
final do mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei” (na
mesma linha do art.543, § 3.º, da CLT).A base principal
da interpretação restritiva está no parágrafo
2.º do art. 522 da CLT. E agora, José? perguntam-se os
milhares de dirigentes sindicais conselheiros fiscais até então
protegidos pela regra constitucional.
MPT x Usina
Recém saída de uma greve geral de seus empregados,
a Usina Central do Paraná, de Porecatu, enfrenta na Justiça
do Trabalho uma ação civil pública com antecipação
de tutela, assinada pelos procuradores do trabalho Antonio Marcos
Fonseca de Souza e Marcelo Adriano da Silva. O pedido inicial explicita
longa série de normas a serem observadas pela usina de açucar-álcool,
culminando com o pedido de condenação a multa e indenização
pelo dano moral coletivo na ordem de dez milhões de reais
a favor do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). A antecipação
de tutela não foi concedida. A empresa e seus proprietários
já foram citados para oferecer resposta no prazo de trinta
dias.(vide no site do TRTPR 00528 2008 562 09 00 2). O Conselho Estadual
do Trabalho realizou reunião sobre a situação
dos trabalhadores da Usina Central do Paraná, com a participação
do Procurador-geral do Estado, Dr. Carlos Marés, e do procurador
do Trabalho, Dr. Ricardo Bruel. Os empregados, sem o pagamento do
FGTS e do INSS, e atraso salarial com os trabalhadores autônomos
e terceirizados. Há preocupação de que a Usina
encerre as atividades, já que as dívidas do grupo seriam
maiores do que o valor da empresa. Na região de Porecatu,
milhares de pessoas dependem do trabalho na Usina, que envolve cinco
municípios, há 30 anos sofrendo com esse processo social,
tão antigo quanto a criação da empresa. Segundo
o presidente do CET, Carlos Zimmer, foi elaborado documento com as
decisões adotadas no encontro e analisada uma ação
sindical e social unificada, com uma estratégia jurídica
viável, a ser entregue ao secretário do Trabalho Nelson
Garcia e encaminhado ao Governo Federal. Entre os pontos da resolução
há a possibilidade de intervenção na empresa
e nas fazendas através de um sistema cooperativo, mantendo-se
a produção da usina. “Vamos também sugerir
a desapropriação das terras, privilegiando os trabalhadores
para ocupar esse espaço. Outra ação importante é cuidar
da manutenção das políticas publicas, através
de transferência de renda. Para isso contamos com o Governo
do Estado para articular uma reunião, envolvendo o governo
federal, já que este é um tema nacional”. De
acordo com Carlos Marés, o Governo do Paraná não
irá medir esforços para a resolver a situação
do município. “O governador Roberto Requião,
autorizou a utilização de qualquer instrumento legal,
como intervenção estatal na Usina, a empresa tem uma
dívida grande e vamos fazer o possível para resolver
a situação”. Entre os participantes da reunião,
estavam os representantes dos sindicatos das categorias envolvidas
com o trabalho na usina (alimentação, rodoviários
e rurais); do Conselho da Assistência Social da SETP; e o presidente
da Federação dos Trabalhadores na Indústria
da Alimentação, Ernani Garcia Ferreira (informações
da Coordenação Federativa dos Trabalhadores).
Direito do Trabalho na IV Conferência
O painel sobre questões laborais na IV Conferência
Estadual dos Advogados (dia 24, 14hs) está subordinado à temática “Nova
conformação da Justiça do Trabalho”, participando
os advogados Carlos Roberto Ribas Santiago (Novas demandas na Justiça
do Trabalho), José Affonso Dallegrave Neto (Responsabilidade
Civil no Direito do Trabalho) e Sidnei Machado (Acidentes de Trabalho:
Questões Controvertidas). A professora de Direito do Trabalho
da UFPR, dra. Aldacy Rachid Coutinho, estará no painel sobre “A
Qualificação dos Operadores de Direito”, analisando
o tema “Ensino Jurídico” (dia 24, 9hs).
Global Fórum América Latina
A Federação das Indústrias do Estado do Paraná,
através da Universidade da Indústria, promoverá de
18 a 20 de junho, em Curitiba, o Global Fórum América
Latina, iniciativa inovadora visando aspectos de transformação
na educação, nos negócios e na vivência
da vida profissional. Trata-se de um “encontro de líderes
empresariais e acadêmicos, do governo e da sociedade civil,
para um diálogo a favor do desenvolvimento sustentável”,
com a presença de Ram Charam, um dos mais aclamados e influentes
consultores da atualidade (informações www.globalforum.com.br).
Maldita guerra
“Maldita Guerra. Nova História da Guerra do Paraguai” é o
título do excelente livro de Francisco Doratioto (edição
da Companhia das Letras, 2.ª edição, 2007, 617
pgs), mestre e doutor em história das relações
internacionais pela Universidade de Brasília. Na véspera
do novo governo federal paraguaio (posse a 15 de agosto) é oportuna
a reimpressão da obra revista pelo autor. A guerra perdurou
de dezembro de 1864 a março de 1870 e a análise de
Doratioto parte da premissa que “a superação
dos regimes autoritários, os avanços do conhecimento
histórico e a abertura dos arquivos criaram as condições
para uma análise mais objetiva da Guerra do Paraguai, para
além de simplificações ou deturpações.
Com essa perspectiva, este livro, apoiado em vasta e diversificada
documentação, parte dela inédita, busca explicar
as origens da guerra e o seu desenvolvimento”.
Curso
“Prática Processual Trabalhista. Aspectos atuais e
polêmicos. Módulo: Acidente de Trabalho”. Lições
do Professor Sidnei Machado. Dia 28 de junho, das 9 às 13h.
Centro de Treinamento Lex, Curitiba (informações: 41.2169.1556).
“ E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento
de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo: - Dar-te-ei
todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue
e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
E Jesus,
respondendo, disse-lhe: - Vai-te,
Satanás; porque está escrito:
adorarás o Senhor teu Deus e só a
Ele servirás” (Lucas, Cap.V.,vs.5-8).
“E o operário disse: Não!
/
- Loucura gritou o patrão /
Não vês o que te dou eu? / -
Mentira! disse o operário / Não podes dar-me o que é meu” (“O
Operário em Construção”, Vinicius de
Moraes)
Edésio Passos é advogado.
edesiopassos@terra.com.br
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Folha de S.Paulo, 8 de junho de 2008
Movimento de inflação
e juros ameaça ganhos
DA REPORTAGEM LOCAL
O movimento de alta da inflação, puxado pelo setor
de alimentos, e a taxa de juros básica da economia, que resulta
em queda da renda disponível para os consumidores, podem ter
impacto negativo nos ganhos alcançados pelos prestadores de
serviços nos últimos anos.
" Da mesma forma que o aumento da renda e do emprego resulta em maior procura
por táxis, costureiras e cabeleireiros, o efeito contrário reduz
a demanda por esses profissionais", diz Fábio Silveira, sócio-diretor
da RC Consultores.
Para ele, a renda disponível para o consumidor deve encolher "um
pouco" neste ano, especialmente a partir do segundo semestre. "Existe
a expectativa de um aumento modesto da inadimplência nos próximos
meses e isso contribui para que as famílias diminuam a velocidade
de tomada de crédito."
Para Caio Megale, economista da consultoria Mauá, a inflação
no setor de alimentos preocupa. A expansão do crédito,
que sustenta parte do crescimento econômico do país, tende
a ter um limite, mas ainda não é possível estimar
quando ele chegará, segundo avalia. (FF
e CR)
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Folha de S.Paulo, 8 de junho de 2008
Salário mínimo é referência
para reajustes
DA REPORTAGEM LOCAL
O aumento real que o salário mínimo vem conquistando
desde 2003 serve de referência nas negociações
salariais de categorias menos organizadas.
Esse fato, somado ao aumento de demanda por prestadores de serviços,
em conseqüência da expansão do emprego e da renda,
tem resultado em ganhos reais para trabalhadores que antes não
conseguiam sequer recuperar as perdas da inflação no
contracheque.
" A doméstica recebe reajuste toda vez que o salário mínimo
aumenta. Ele serve de parâmetro para nossa categoria. Nas regiões
em que existe o mínimo regional, como São Paulo e Rio, por exemplo,
os reajustes são ainda melhores", diz Creuza Maria Oliveira, presidente
da Federação Nacional dos Trabalhadores Domésticos.
" Mas é bom lembrar que ainda há problemas gravíssimos
na categoria, como a baixa escolaridade, a falta de registro e até mesmo
o trabalho quase escravo em regiões como o Nordeste", diz a sindicalista.
No país, existem cerca de 8 milhões de empregados domésticos,
segundo o IBGE.
A média salarial de uma costureira em São Paulo e Osasco é de
R$ 850 -25% maior do que a do ano passado (R$ 650), segundo o sindicato
da categoria. Esse aumento ocorreu porque no ano passado o sindicato
conseguiu criar a função de costureira-piloto -profissional
capaz de desenhar, moldar, cortar e costurar uma peça.
" Conseguimos negociar em R$ 732 o piso mínimo para a costureira-piloto.
Por isso, o salário médio da categoria subiu mais que a inflação
[INPC, índice mais usado nas negociações salariais]",
diz Eunice Cabral, presidente do sindicato.
Na capital paulista e em Osasco são 80 mil costureiras com carteira
assinada. A sindicalista estima que outras 180 mil trabalhem na informalidade.
A data-base da categoria é em julho. "O nosso pedido é de
reajuste de 15% neste ano e temos boas chances de conseguir esse aumento",
diz.
Os trabalhadores nas indústrias de calçados de Franca
têm obtido aumento real de salário desde 2000, segundo
Paulo Afonso Ribeiro, presidente do sindicato da categoria. O piso
salarial é de R$ 520 e o salário médio, de R$
660. Em fevereiro, data-base da categoria, o reajuste salarial dos
sapateiros na região foi de 7%.
" O setor calçadista não está mais em crise. Em 1997,
a indústria de calçados de Franca empregava 14 mil pessoas e hoje
emprega 23 mil. As empresas se adaptaram a um novo modelo de produção,
inclusive estabelecendo novos nichos de mercado. Há cinco anos, o setor
exportava para 35 países. Hoje são mais de 80", diz. (FF e
CR)
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Última Instância, 8 de junho
de 2008
Escola deve aceitar matrícula
de aluno menor de seis anos
Decisão da 2ª Câmara Cível do Tribunal de
Justiça de Minas Gerais determinou que uma escola municipal
de Uberlândia aceite a matricula do aluno P.P.T. na primeira
série do ensino fundamental, mesmo que ele não tenha
seis anos completos.
A escola não queria efetivar a matrícula do aluno
alegando que o aluno deveria ter completado seis anos de idade até o
dia 30 de junho, conforme determina a Resolução 770/2006,
da Secretaria de Estado de Educação.
Os pais da criança entraram na Justiça. Em primeira
instância, conseguiram decisão temporária. O
município recorreu. O relator do processo, desembargador Roney
Oliveira, decidiu manter a sentença. Ele considerou o fato
de o aluno ter concluído o ensino pré-escolar.
“É inadmissível que o aluno seja impedido de
avançar em seus estudos, por se tratar a educação
de garantia constitucional a ser prestada pelo Estado, que não
criou limites etários mínimos ou máximos como
condicionantes da matrícula das crianças”, disse
em seu voto.
Ainda segundo o desembargador, caso o aluno repetisse a etapa do
ensino em que se encontra, sua aprendizagem poderia ser comprometida, “além
de lhe causar prejuízos de ordem psicológica, vez que
o retirará do convívio com seus colegas de turma”.
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Última Instância, 8 de junho
de 2008
Programa pretende reduzir
40% de ações ajuizadas contra o INSS
A AGU (Advocacia-Geral da União) e o Ministério da Previdência
lançaram nesta semana o Programa de Redução de
Demandas Judiciais do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). O
objetivo é diminuir em 40% por ano a quantidade de ações
protocoladas contra o instituto e tentar resolver os conflitos administrativamente.
A partir de agora os procuradores federais da AGU darão assistência
jurídica aos servidores do INSS nas agências, para retirar
dúvidas sobre o deferimento de benefícios previdenciários
e verificar porque quase a metade dos pedidos negados administrativamente
são concedidos pela Justiça.
Atualmente, existem na Justiça 5 milhões de ações
contra o INSS, sendo que todo mês são ajuizados 180
mil novos processos, que se referem à média de 46,58%
dos benefícios negados pela Previdência todos os meses.
“Ganha o estado, o cidadão e o contribuinte. Essa nova
sistemática de análise dos pedidos do INSS levará a
uma redução dos custos do instituto e a diminuição
de ações na Justiça. Esperamos no prazo de um
ano diminuir cerca de um milhão de ações que
dão entrada hoje na Justiça. Com isso, desburocratiza,
diminui o tempo para o cidadão ser atendido, além de
custos de estrutura do Judiciário, da AGU e do INSS”,
afirmou o advogado-geral da União, ministro José Antonio
Dias Toffoli.
Segundo ele, o grande indeferimento de pedidos ocorre muitas vezes
porque os servidores, preocupados com futuras penalidades por parte
da administração, interpretam a legislação
previdenciária de maneira muito exigente.
“Por isso, é necessário melhorar a eficiência
da análise dos pedidos. Eles não são advogados
e os procuradores federais darão segurança jurídica
a esta análise, para que não haja abusos ou deferimentos
incorretos. Se atuarmos enquanto advocacia pública junto às
agências do INSS, dando esta segurança e orientação
do que a Justiça já decidiu, e aquilo que é direito
do beneficiário, evidentemente que evitaremos que sejam negados
aquilo que é direito do cidadão”, afirmou.
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