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Gazeta do Povo, 13 de junho de 2008
Aposentadoria
Câmara pode anular projeto
de reajuste
Lula diz que deputados devem dizer de onde
sairá dinheiro para projeto, que dá aos aposentados
o mesmo porcentual dado ao mínimo
A Câmara dos Deputados pode anular a votação do projeto
de lei que determina que o reajuste das aposentadorias têm de ser igual
ao do salário mínimo. O texto foi aprovado na noite de quarta-feira
em Comissão Especial. A secretaria da Mesa da Câmara dos Deputados
e a assessoria jurídica da Casa estão analisando se a votação
seguiu as normas regimentais ou não. O argumento é de que a aprovação
da proposta foi feita enquanto o plenário da Câmara estava trabalhando.
O regimento interno proíbe que as votações nas comissões
coincidam com o horário da ordem do dia do plenário.
A aprovação da proposta, uma emenda ao projeto que estabelece
a política do salário mínimo do senador Paulo Paim (PT-RS),
provocou a reação de deputados governistas, que pediram a anulação
da votação.
Sem condições
A medida preocupa o Planalto. Ontem, o presidente Lula sinalizou que deverá vetar
o projeto. Lula disse que o governo não tem condições
de pagar o reajuste dos benefícios da Previdência. “Não
tem ninguém que goste mais de dar aumento ao trabalhador do que eu.
Agora, só posso dar aquilo que tenho”, afirmou.
O presidente disse que, ao aprovar o reajuste das aposentadorias e pensões,
a Comissão precisa dizer de onde vai sair o dinheiro. “Se o aumento
concedido é maior do que a capacidade de arrecadação,
não tem como pagar”, afirmou. “Eu gostaria que toda vez
que as pessoas (no caso os parlamentares) aprovam uma despesa (também)
aprovassem uma receita. É assim na minha casa e certamente é assim
(também) na sua casa. É assim na casa de cada brasileiro. Toda
vez que a gente quer comprar alguma coisa, a gente vai ver se tem dinheiro,
depois se o salário comporta a quantidade de prestações
que vai fazer e depois a gente compra”, disse o presidente.
Lula cobrou responsabilidade do Congresso Nacional. “O Congresso Nacional
precisa ter a mesma responsabilidade que tem o Executivo. O presidente da República
não gera recursos. O governo federal recolhe os tributos que a sociedade
paga e faz a distribuição, de acordo com as necessidades (da
própria sociedade). Um deles é pagar benefícios previdenciários.
Ora, se o aumento concedido é maior do que a capacidade de arrecadação
do próprio sistema, não tem como pagar.”
A proposta que equipara o reajuste concedido ao mínimo aos benefícios
pagos pelo INSS aguarda agora votação no plenário da Câmara.
Ainda não tem data definida para a inclusão do tema na pauta
da Casa.
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NCST, 13 de junho de 2008
Um golpe contra os trabalhadores:
Relator quer impedir Ratificação
da Convenção 158
A Nova Central-NCST alerta a
todos os trabalhadores e trabalhadores brasileiras com relação
ao verdadeiro golpe que se pretende aplicar na Câmara dos Deputados,
contra a ratificação da Convenção 158 da
OIT, que proíbe a demissão imotivada.
O deputado mineiro Júlio Delgado (PSB/MG), que está entre os
possíveis candidatos a prefeito da cidade de Juiz de Fora, é o
relator da Convenção 158 e apresentou parecer contrário.
Neste sentido, caso seu parecer seja aprovado, a mensagem será arquivada.
O parecer contrário do
relator à mensagem está na pauta para votação
na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional,
e só não foi votado nesta quarta-feira (11), porque o deputado
Vieira da Cunha (PDT/RS) pediu vistas da matéria. Vieira da Cunha,
relator da mensagem da Convenção 151, pretende apresentar
voto em separado, contra o relatório de Delgado, e a favor a ratificação
da Convenção 158. Ele adverte sobre a possibilidade de
a matéria cair na Comissão caso o movimento sindical não
pressione o colegiado à rejeitar o parecer do deputado Júlio
Delgado.
A próxima reunião
da Comissão será na próxima quarta-feira (18), quando
poderá votar ambos os pareceres às mensagens presidenciais.
Para garantir a aprovação
das normas na Comissão de Relações Exteriores, a
Nova Central convoca todos as suas entidades filiadas para uma forte
pressão sobre os deputados da Comissão, inclusive com presença
de diretores no dia da votação, em Brasília.
Também conclama aos demais
deputados da Comissão de Relações Exteriores para
que tenham a compreensão da importância do projeto para
o crescimento e a justiça social do País.
A Convenção 151
trata da negociação coletiva no âmbito do serviço
público; e a 158 diz respeito ao término da relação
de trabalho por iniciativa do empregador. (demissão imotivada)
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Folha
de S.Paulo, 13 de junho de 2008
Dilma se torna "vidraça" eleitoral,
diz Lula
Presidente compara sessão em que ex-diretora
da Anac acusa a Casa Civil de interferir na venda da Varig a "laranja
sem caldo" | Segundo Lula, "só Freud explica" depoimento
de Denise Abreu no Senado; Jobim diz que credibilidade dela é "abaixo
de zero"
LETÍCIA SANDER
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva afirmou ontem que a possibilidade de disputar as eleições
de 2010 como candidata pelo PT transformou a ministra Dilma Rousseff
(Casa Civil) numa "vidraça" para ataques da oposição.
Lula comparou o depoimento de Denise Abreu, ex-diretora da Agência Nacional
de Aviação Civil, a uma "laranja sem caldo". Disse
que só o pai da psicanálise, Sigmund Freud (1856-1939), poderia
analisar a sessão da véspera, na Comissão de Infra-Estrutura
do Senado.
" Aí eu acho que precisa perguntar para Freud. Só Freud explica
tudo aquilo lá", afirmou, em entrevista ao fim de uma cerimônia
no Planalto.
Para Lula, as denúncias sobre o processo de venda da Varig para a VarigLog
são mais uma tentativa de atingir Dilma, classificada por ele de "uma
pessoa da qualidade que o Brasil poucas vezes produziu igual, uma pessoa que
tem demonstrado uma capacidade de gerenciamento como ninguém".
" A impressão que eu tenho é que, como algumas pessoas imaginam
que a Dilma pode ser candidata a alguma coisa, ela virou vidraça para
todos os ataques que a oposição quer fazer. Eu acho que tem coisa
mais séria para fazer no Brasil."
Anteontem, em almoço no Alvorada, Lula afirmou aos presentes que Dilma "é o
nome do PT" para 2010. Ontem, em público, ele foi mais cauteloso. "Eu
quero construir uma candidatura da base do governo, porque tem muitos partidos
políticos. Essa discussão não está (...); certamente
está na oposição, porque a oposição já tem
muitos candidatos. O governo não tem candidato ainda, mas, certamente,
em algum momento, o governo vai ter."
Numa crítica à oposição, ele disse sentir pena
dos que perderam "oito horas, dez horas do seu tempo perguntando para
as pessoas coisas que não têm nenhuma importância",
referindo-se ao longo depoimento no Senado. Foi irônico ao afirmar que
o Brasil poderia ter "uma belíssima oposição",
que apresentasse propostas alternativas e mostrasse "as coisas que nós
estamos fazendo estão erradas, dizendo como é que nós
deveríamos fazer mais desenvolvimento industrial, mais salário". "É isso
que dá um debate, eu diria, bom para o Brasil, para o povo saber o momento
certo e como escolher [na eleição]."
Lula voltou a chamar as acusações de interferência do governo
no processo de venda da Varig de "abomináveis" e negou as
denúncias de que seu amigo, o advogado Roberto Teixeira, contratado
pela Va- rigLog, tenha sido beneficiado.
"Laranja sem caldo"
Questionado se Denise Abreu mentiu, Lula disse não saber, porque não
assistiu à sessão. Mas comentou a sua repercussão: "Mas
o que eu percebi é que o resultado é como se você espremesse
uma laranja que não tivesse caldo. Porque, na verdade, ela não
tinha o que fazer. Na verdade, não tinha o que fazer, eu não
sei como é que alguns senadores ficam tantas horas conversando".
Ele afirmou ainda que "o problema da mentira é que, quando você conta
uma mentira uma vez, é obrigado a mentir a vida inteira para justificar
aquela primeira mentira". E atacou a imprensa, ao dizer que fica pensando
como um jornal que acreditou nas acusações "vai sair desta,
agora". "Porque, quando você carrega na tinta com uma informação
que não é verdadeira, depois você precisa achar um jeito
de sair."
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, também criticou a ex-diretora da
Anac ontem, durante congresso promovido pela Fiesp em São Paulo. Para
Jobim, "ela só poderia provar as denúncias dela. O que ela
não fez e não poderia fazer, porque não há condição, é provar
qualquer coisa. Ou seja, foi um nada a declaração dela. Aliás,
eu havia dito que essa senhora tinha credibilidade abaixo de zero no passado,
e ela continua com a credibilidade abaixo de zero".
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Gazeta do Povo, 13 de junho
de 2008
Selic
Copom avisa, em tom sutil, que juros
vão continuar subindo
Ata da última reunião do Comitê de
Política Monetária indica que o Banco Central não
poupará esforços para colocar a inflação
de volta no centro da meta de 4,5%
O Banco Central avisou ontem por meio da ata do Comitê de Política
Monetária (Copom) que manterá o processo de alta dos juros enquanto
for necessário para colocar a inflação novamente na trajetória
das metas. Porém, a mensagem foi transmitida em um tom menos alarmista
do que o esperado pelo mercado financeiro. Apesar da aceleração
dos preços no Brasil e da deterioração do cenário
externo, o BC procurou transmitir segurança de que a pressão
inflacionária deve ser revertida no médio prazo com o aperto
monetário e o aumento do superávit primário das contas
do setor público.
No documento, o BC reconhece a piora do quadro e deixa claro que o aperto monetário
pode ser ainda mais forte, caso haja uma deterioração maior das
expectativas para a inflação. Ao contrário da ata anterior,
desta vez o BC não mencionou se “parte relevante do movimento
da taxa básica de juros” já havia sido feita.
A maior preocupação atual do BC, sinalizada na ata, é com
a inflação em 2009, cujas projeções se situam acima
do centro da meta de 4,5%. Como o IPCA de maio (o maior em 12 anos), divulgado
na quarta-feira, ficou muito mais alto do que o projetado e não foi
levado em conta na última decisão do Copom, o mercado avaliou
que a ata ficou defasada com a forte elevação dos preços
refletida também no IGP-M e no IPC-Fipe.
Na ata, o Copom repete várias vezes que as decisões na política
monetária têm defasagem no mecanismo de transmissão à economia.
Para o ex-diretor do BC e economista-chefe da Confederação Nacional
do Comércio, Carlos Eduardo de Freitas, a repetição mostra
que o foco do BC está na inflação de 2009. “Os índices
de 2008 já estão dados. Por mais que o BC não queira jogar
a toalha com relação à inflação do ano corrente,
há essa defasagem que ele mesmo admite. Por isso, o foco é o
próximo ano”, diz. Para 2009, por enquanto, o mercado espera IPCA
de 4,60%.
Alertas
Apesar do aumento dos investimentos e da desaceleração do crédito,
o BC mostrou na ata preocupação com o aquecimento da demanda
interna. Mostrando que não está superado o embate entre monetaristas
e desenvolvimentistas, a ata vem pontuada de alertas. No trecho em que o BC
trata da capacidade produtiva, a ata elogia o aumento dos investimentos industriais
nos últimos trimestres e admite que isso tem evitado que a pressão
inflacionária se propague.
A simpatia, no entanto, pára por aí. “Embora o investimento
venha contribuindo para suavizar a tendência de elevação
das taxas de utilização da capacidade, não tem sido suficiente
para conter tal processo (de aumento da demanda)”.
Quando o assunto é petróleo, o Copom alerta que o preço
da matéria-prima subiu “consideravelmente” desde a reunião
de abril Mesmo assim, a previsão oficial do BC para a gasolina é de
preços estáveis em 2008 (leia mais na página 18). A boa
notícia, no entanto, é seguida por um alerta. “Cabe assinalar,
entretanto, que, independentemente do comportamento dos preços da gasolina,
a elevação consistente dos preços internacionais do petróleo
se transmite à economia doméstica tanto por meio de cadeias produtivas,
como a petroquímica”.
Em outro trecho, os diretores do BC destacam a ajuda dos produtos importados
para conter aumentos de preço. Na ata, o Copom diz que a influência
positiva existe, mas é preciso olhar para o outro lado. “Embora
o setor externo exerça alguma disciplina sobre a inflação
no setor de transacionáveis (mercadorias), o aquecimento da demanda
doméstica pode desencadear pressões inflacionárias mais
intensas no setor de não-transacionáveis, por exemplo, nos preços
dos serviços”, diz.

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Folha
de S.Paulo, 13 de junho de 2008
Copom quer usar dados do trabalho em projeção
SHEILA D'AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
O Banco Central quer incluir mais informações sobre o mercado
de trabalho nos modelos usados pelo Copom (Comitê de Política
Monetária) para projetar a inflação e calibrar a taxa
de juros. O tema está sendo discutido internamente, e a avaliação
dos defensores da tese é que os dados sobre emprego são um importante
indicador do comportamento da demanda e uma forma de medir os riscos inflacionários
futuros.
Segundo a Folha apurou, a tese vem ganhando força diante da combinação
de choque nos preços dos alimentos e das commodities (como petróleo
e minérios) com um crescimento da massa salarial. Os dados recentes
da economia brasileira mostram que há grande correlação
entre aumento da massa salarial e do consumo das famílias, elevando
o PIB.
A avaliação é que o crescimento da renda abre espaço
para absorver elevações de preços, o que pode tornar a
pressão inflacionária permanente e não um fato isolado.
Hoje, o comportamento do emprego é considerado nas análises dos
diretores do BC, mas não tem tanta ênfase nos cálculos
matemáticos da inflação.
Num cenário de forte crescimento econômico, como o atual, o comportamento
dos salários impacta ainda mais a inflação por aumentar
o poder de barganha dos empregados em negociações salariais.
A possibilidade de sindicatos fortes -como bancários e metalúrgicos,
que têm dissídios coletivos previstos para o segundo semestre-
conseguirem reajustes reais elevados já entrou no radar do BC e pode
justificar um aperto maior nos juros para conter pressões nos preços,
sobretudo em 2009.
A discussão entre os diretores para explicitar a inclusão das
informações sobre o mercado de trabalho como medida de riscos
para a inflação segue uma tendência internacional.
Por enquanto, o BC sustenta que a alta do IPCA, índice de referência
para o governo, não foi uma surpresa e estava nos cálculos dos
diretores do Copom. Esse foi um dos principais recados repassados, ontem, ao
mercado pelo diretor de Política Econômica, Mário Mesquita,
em reuniões com economistas em São Paulo.
Em maio, o IPCA chegou a 0,79%, superando as expectativas de 0,65%. A discussão
se o cenário traçado na ata da última reunião do
Copom, divulgada ontem, era velho dominou boa parte das discussões.
Presente aos encontros Henrique Meirelles (BC) entrou mudo e saiu calado. Mesquita
falou e também foi econômico, segundo relatos ouvidos pela Folha.
Ele sinalizou que o BC já previa a alta e que o Copom está "seguro
do ritmo" de aumento. Mesquita disse que, para melhorar a interpretação
do relatório de inflação, o BC explicitará a data
de corte usada nos cálculos e cenários avaliados.
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O ESTADO DO PARANÁ,
13 de junho de 2008 | Economia
Importação de calçados
cresce 52,9% nos 5 primeiros meses do ano
Agência Estado
As importações de calçados cresceram 52,9% nos cinco primeiros
meses do ano em relação ao mesmo período do ano passado,
para US$ 122,2 milhões. Foram desembarcados no período 17,1 milhões
de pares, o que representou um incremento de 49,3% nas compras de calçados
em relação a 2007, informou hoje a Associação Brasileira
das Indústrias de Calçados (Abicalçados).
O resultado das importações
contrasta com um crescimento de apenas 2% no faturamento das indústrias
calçadistas com as exportações. Nos cinco primeiros
meses do ano, as vendas do setor ao exterior foram de US$ 784,2 milhões.
Em relação ao volume de pares embarcados ocorreu um aumento
de apenas 0,8%, para 78,5 milhões de pares. Se for considerado
apenas o resultado de maio, o faturamento com as exportações
recuou 3,6%.
Os calçados importados
têm origem basicamente no mercado asiático. Os desembarques
chineses responderam por 72,8% das compras, com 15,034 milhões
de pares de sapato, a um custo de US$ 89,1 milhões - alta de 65,6%.
Em seguida está o Vietnã, com US$ 18,928 milhões
em importações, o que significa um incremento de 55,08%
sobre o resultado dos cinco primeiros meses do ano passado.
Por destinos, os Estados Unidos
mantêm a liderança como principal mercado ao calçado
brasileiro nos cinco primeiros meses do ano, com US$ 220,2 milhões
em importações. No entanto, na comparação
com igual período do ano passado as vendas ao norte-americanos
caíram 28,7%. Na seqüência aparecem Reino Unido (US$
96,4 milhões), Argentina (US$ 68,09 milhões) e Itália
(US$ 65,9 milhões).
As exportações
de calçados estão sendo puxadas pelos embarques de calçados
sintéticos, que totalizaram 46,4 milhões de pares do produto,
a um lucro médio de US$ 10,65. Já as vendas de sapatos
de couro, com maior valor agregado, foram de 26,2 milhões de pares,
com um preço médio de US$ 20,45. Esse resultado reflete
a mudança na estrutura produtiva do setor, que vem concentrando
cada vez mais unidades na região Nordeste, que exportam basicamente
sapatos sintéticos.
Do Ceará, partiram
29,02 milhões de pares, uma participação de 36,9%
sobre o montante embarcado. Em seguida aparece, o Rio Grande do Sul,
com 24,8 milhões. Por faturamento, as indústrias gaúchas
lideram com uma receita de US$ 471,6 milhões, o que representa
60,1% das vendas ao exterior de calçados.
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Vermelho, 13 de junho de
2008
Japão registra a maior inflação
dos últimos 27 anos
O crescimento do Japão
foi revisado para 1% no primeiro trimestre nesta quarta-feira (11), mas
essa pode ser a última boa notícia para a segunda maior
economia do mundo à medida em que o aumento no custo das matérias-primas
e um desaquecimento na economia global mostram seu efeitos.
Os números divulgados
mostraram que a inflação geral foi a maior em 27 anos – reforçando
as expectativas de que o Banco do Japão eleve as taxas de juros
no final do ano.
A revisão no produto interno
bruto subiu ante estimativa preliminar de 0,8% e superaram o teto das
previsões, de 0,9%, com dados de investimento revisados para cima.
Numa base anual, o crescimento
do PIB foi revisado para 4,0%, contra 3,3% segundo leitura preliminar.
Os números deram força à bolsa japonesa, fazendo
o índice Nikkei subir mais de 1,2 ponto percentual.
Economistas afirmaram que os
dados confirmaram que as fortes exportações, especialmente
as direcionadas para economias emergentes, impulsionaram o crescimento
no trimestre, mas eles continuam alertas sobre as perspectivas.
"Nós não podemos
contar mais com consumo e exportações, que ajudaram no
crescimento no primeiro trimestre", afirmou Takeshi Minami, economista-chefe
no Norinchukin Research Institute.
"Observando os dados em
condições econômicas mais recentes, creio que existe
uma chance de que o Japão possa passar por uma fase ligeiramente
negativa", acrescentou.
Os preços no atacado no
país cresceram 4,7% em maio ante ano anterior, acima da previsão
do mercado de aumento de 4,1%.
Fonte: Reuters
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O ESTADO DO PARANÁ,
13 de junho de 2008 | Nacional
Região Nordeste lidera ranking
do trabalho infantil
Agência Brasil
O coordenador da Organização Internacional do Trabalho (OIT),
Renato Mendes, explica que existem dois tipos de ranking do trabalho infantil
no Brasil – um que apresenta os números absolutos de casos de
exploração de crianças e adolescentes e outro que apresenta
percentuais comparados aos dados regionais e nacionais. O Nordeste é líder
em ambos os casos.
A preocupação maior, segundo Mendes, é a Bahia. O estado
responde por cerca de 10% do total de crianças trabalhando em todo o
país e a 45% dos casos registrados na Região Nordeste. Maranhão
e Piauí também são apontados pela OIT como destaques negativos.
A cada 100 crianças que vivem nesses estados, cerca de 17 trabalham
e não conseguem alcançar sucesso escolar por questões
relacionadas à exploração.
Mendes ressalta que o perfil
do trabalho infantil no Brasil tem se modificado desde 2005. Grande parte
dos casos – que no passado era registrada na agricultura – pode
ser encontrada atualmente nos centros urbanos, sobretudo em empregos
informais como o trabalho infantil doméstico, o trabalho nas ruas
ou mesmo o aliciamento de crianças e adolescentes para o roubo
e para o tráfico de drogas.
“Na zona rural, você vai
ter uma situação cultural de aceitação do
trabalho infantil. Nos centros urbanos, a situação está muito
mais dispersa, o que dificulta a ação do Estado brasileiro.
Facilitaria se a sociedade mudasse o seu comportamento cultural em relação
ao trabalho infantil, informando as autoridades sobre a existência,
em sua comunidade, de situações de trabalho infantil”.
Ele destaca que o primeiro passo
a ser tomado, assim que uma situação de exploração
da mão-de-obra infantil é identificada, é o de procurar
o conselho tutelar. Caso o órgão não exista no município,
a dica é recorrer a uma superintendência regional do trabalho
ou mesmo ao Ministério Público do Trabalho.
“A partir daí, qualquer
autoridade que tenha recebido a denúncia tem a obrigação
de verificar a veracidade. Se as crianças estão ali, ela
deve encaminhá-las aos órgãos de proteção
para que sejam incluídas em programas sociais. Se houver um adulto
por trás, explorando essa criança, é obrigação
dessa autoridade penalizar”.
Mendes reforça que caso
a atividade infantil seja constatada na cadeia formal de trabalho, o
Ministério do Trabalho e Emprego deve multar a empresa. O valor
da multa é convertido para o Fundo de Amparo ao Trabalhador. Caso
a criança tenha se machucado ou adquirido alguma doença
grave relacionada ao trabalho, o empregador pode ser penalizado com cadeia.
“O Estatuto da Criança
e do Adolescente é claro: governo, sociedade e família
são responsáveis pela proteção da criança.
São responsáveis aqueles que exploram crianças
mas também, por omissão, são responsáveis
aqueles que vêem e não denunciam.”
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Agência Câmara,
13 de junho de 2008
Trabalho aprova lanche para quem ganha
menos de R$ 622,50
Laycer Tomaz

Gorete apresentou emenda para contemplar apenas os trabalhadores
que ganham menos de 1,5 salário mínimo.
A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço
Público aprovou ontem o Projeto de Lei 1337/07, do deputado Uldurico
Pinto (PMN-BA), que obriga as empresas a fornecer vale-lanche in natura aos
trabalhadores que exerçam atividade que exija esforço físico
e tenham remuneração menor que dois salários mínimos.
A matéria foi aprovada com emenda da relatora, deputada Gorete Pereira
(PR-CE), que contempla apenas os trabalhadores que ganham menos de 1,5 salário
mínimo (o equivalente a R$ 622,50 hoje). Ela explicou que a alteração
tem como objetivo não onerar demais os pequenos e médios empregadores.
O projeto prevê que o lanche
seja entregue no início da jornada de trabalho. A comida não
pode ter natureza salarial, ou seja, não pode ser descontada da
remuneração nem constitui base de incidência de contribuição
previdenciária, de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) ou do Imposto de Renda.
O descumprimento da obrigação
acarretará multa de R$ 100 por trabalhador não atendido.
O valor, de acordo com o projeto, será reajustado anualmente pela
taxa Selic.
Tramitação
A proposta ainda será analisada em caráter conclusivo pela Comissão
de Constituição e Justiça e de Cidadania.
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FOLHA DE LONDRINA, 13 de
junho de 2008 | Geral
MP flagra trabalhadores em situação
degradante
Curitiba- O Ministério Público (MP) do Trabalho no Paraná e
a Superintendência Regional do Trabalho encontraram, ontem, 27 trabalhadores
em situação degradante no município de Cerro Azul, a 92
km de Curitiba. Entre eles, quatro adolescentes de 13 a 15 anos e, segundo
o superitendente regional do trabalho substituto, Sergio Silveira de Barros,
foram encontradas também três crianças de 9 anos no local.
De acordo com o procurador do
MPT, Luercy Lino Lopes, eles trabalhavam na colheita de tangerina em
condições precárias. Sem acesso à água
potável e instalações sanitárias, os trabalhadores
também não possuiam registro em carteira, nem equipamentos
de proteção. O transporte dos trabalhadores era feito na
carroceria de tratores, nas caixas utilizadas para embalagem das frutas.
Durante todo o dia, o procurador e os auditores fiscais permaneceram
no local colhendo depoimentos.
Para Sergio Silveira de Barros,
a descoberta é ''apenas a ponta do iceberg''. ''Nesta época
de colheita, é comum que famílias, inclusive as crianças,
se envolvam no trabalho'', explica. Se for comprovado a situação
de trabalho degradante ou escravo, o empregador pode ser multado de 370
a 3.700 Ufir - cada Ufir vale R$ 1,064 - e ter seu nome incluído
no cadastro de exploradores de mão-de-obra escrava.
Marcela Rocha Mendes
Equipe da Folha
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
13/06/2008
Testemunhas contrárias a laudo pericial
confirmam periculosidade
A empresa capixaba Protection
Sistemas de Vigilância Ltda. foi condenada a pagar adicional de
insalubridade e reflexos a dois vigilantes. Embora laudo pericial tenha
atestado o contrário, provas testemunhais denunciaram a exposição
dos trabalhadores aos agentes nocivos. A Segunda Turma do Tribunal Superior
do Trabalho não aceitou recurso patronal e confirmou a decisão
da Justiça do Trabalho da 17ª Região (ES), ao entendimento
de que o laudo pericial não impede o juiz de tomar decisão
contrária, baseada em outras provas apresentadas no processo,
conforme prevê o artigo 195 da CLT.
De acordo com a reclamação
dos empregados, ajuizada em 2000 na 5ª Vara do Trabalho de Vitória,
eles foram contratados em maio de 1998 pela Protection para atuar como
vigilantes no galpão da Messer Griesheim do Brasil, no qual se
armazenava grande quantidade de produtos inflamáveis, como oxigênio,
hidrogênio, argônio, metano, acetileno, nitrogênio
e GLP, manipulados para serem distribuídos no mercado consumidor.
Informaram também que lhes cabia verificar se havia vazamentos
nos produtos estocados e conferir o carregamento dos caminhões
que transportavam os produtos. Trabalharam nessa atividade até setembro
de 2000 sem receber o adicional de periculosidade que consideravam devido
e reclamavam o recebimento na j
Justiça.
Com a sentença favorável
aos vigilantes, a empresa recorreu e o Tribunal Regional confirmou o
julgamento do primeiro grau. Entendeu que, a despeito de o perito ter
afirmado, com base em informações dos empregados da empresa,
que os vigilantes nunca entravam no galpão, as provas testemunhais
nos autos, ao contrário, declararam que eles eram obrigados a
ir àquele local para cumprir uma de suas tarefas, que era verificar
e informar à empresa sobre eventuais vazamentos dos produtos armazenados.
Insatisfeita, a empresa interpôs,
sem êxito, recurso ao TST, pedindo a modificação
da decisão. O relator do processo na Segunda Turma, ministro Vantuil
Abdala, observou que a perícia confirmou a presença dos
produtos nocivos no galpão, ou seja, “não descaracterizou
esse ambiente como área de risco ou afirmou que não se
enquadrava na previsão da NR-16”. E que a decisão
regional de considerar que não é necessária a exposição
permanente na área de risco se ajusta aos termos da Orientação
Jurisprudencial nº 324 da SDI-1 do TST. “O adicional de periculosidade
não é devido somente quando o contato com agente perigoso é eventual”,
esclareceu.
O relator concluiu que
uma vez que Tribunal Regional afirmou que os empregados percebam o
adicional pela jornada contratual, a eles são devidos “o
pagamento de tal verba com relação ao serviço
realizado em horário suplementar, devendo essa refletir no décimo
terceiro salário e férias, em face do seu caráter
salarial e pagamento de forma habitual”. E afirmou que, embora
a empresa tenha alegado que o adicional de periculosidade possui natureza
indenizatória, o entendimento do Tribunal é pela natureza
salarial, nos termos da Súmula 132. (RR-1.090/2000-005-17-00.3)
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13/06/2008
Quinta Turma rejeita competência da
JT em ação de advogado contra cliente
Em se tratando de profissional
liberal ou autônomo, que trabalha por conta própria, a relação
entre ele e seu cliente é de consumo, e está fora da competência
da Justiça do Trabalho. Este foi o entendimento adotado pela Quinta
Turma do Tribunal Superior do Trabalho ao rejeitar recurso de revista
de um advogado de Indaial (SC) que buscou receber, por meio de ação
trabalhista, honorários advocatícios não pagos por
um casal de empresários que contrataram seus serviços.
A ação começou
na Vara do Trabalho de Indaial. Nela, o advogado informava ter assinado,
em agosto de 2004, contrato de prestação de serviços
com o casal de empresários, com fixação de honorários
em R$ 14 mil em seis parcelas, a partir do mês da contratação.
Até janeiro de 2006, porém, apenas duas parcelas teriam
sido pagas. As partes então teriam renegociado o débito,
mas, “apesar da renegociação, nenhuma das parcelas
foi paga”, informou a inicial. Os empresários contestaram
as afirmações do advogado e questionaram a competência
da Justiça do Trabalho para julgar a matéria.
A sentença de primeiro
grau e o acórdão do Tribunal Regional da 12ª Região
(SC) rejeitaram os apelos do advogado. Sob o entendimento de que o caso
não versava sobre relação de trabalho, acolheram
a prefacial de incompetência suscitada pelos empresários.
O advogado então recorreu ao TST, insistindo que a rejeição
do processo violaria o artigo 114 da Constituição Federal,
incisos I e IX, que define a competência da Justiça do Trabalho.
A relatora do recurso de revista,
ministra Kátia Magalhães Arruda, assinalou que a Emenda
Constitucional nº 45/2004 ampliou sensivelmente a competência
da Justiça do Trabalho, que passou a abranger também as
relações de trabalho, e não apenas de emprego. “Contudo,
essa ampliação tem limites materiais, de modo a evitar
o conflito de competência em face da Justiça ordinária
para processamento de ações que decorram de relação
de consumo”, explicou.
O Código de Proteção
e Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990) define serviço
como “qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante
remuneração, inclusive as de natureza bancária,
financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes
de caráter trabalhista.” Nesses termos, a relatora concluiu
que, no caso julgado, não havia propriamente uma relação
de trabalho, e sim a prestação de serviços advocatícios,
exercida por profissional autônomo diretamente contratado pelo
destinatário final do serviço, caracterizando-se típica
relação de consumo. “Seria constatada relação
de trabalho caso o prestador de serviço de advocacia exercesse
sua profissão, por exemplo, para um escritório de advocacia
ou vinculado a outro advogado que contratasse seus serviços profissionais”,
exemplificou a relatora. “No caso, a relação é semelhante à que
existe entre dentista e paciente, médico e paciente, corretor
de imóveis e comprador etc.”, concluiu. (RR 2629/2006-018-12-00.0)

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