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Agência Câmara,
14 de junho de 2008
Empréstimos para devedores do
FGTS podem ser liberados
O Projeto de Lei 2914/08, do deputado licenciado José Pimentel,
permite que as instituições financeiras públicas
concedam empréstimos com recursos próprios para empresas
que estiverem em débito com as contribuições para
o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O projeto proíbe
a concessão desses empréstimos, no entanto, quando se tratar
de repasses de recursos oficiais.
Atualmente, a Lei 9.012/95 proíbe as instituições
oficiais de crédito de conceder qualquer tipo de empréstimo
ou outro benefício a empresas em débito com
o FGTS. Para obter financiamentos, as empresas precisam apresentar
uma certidão negativa de débito expedida pela
Caixa Econômica Federal.
De acordo com o autor, a alteração é necessária
para resguardar a competitividade das instituições
financeiras públicas. Pimentel ressalta que os bancos
oficiais são sociedades de economia mista ou empresas
públicas que exploram atividade econômica e
possuem metas relacionadas à competitividade e ao
desempenho financeiro. Ele lembra ainda que, de acordo com
a Constituição, os bancos públicos se
equiparam às instituições privadas na
concessão de crédito.
Tramitação
A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada
pelas comissões de Finanças e Tributação;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
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Agência Diap, 14
de junho de 2008
TARIFAS BANCÁRIAS
Bancos elevam juros de empréstimo
em junho, aponta Procon
Taxa média de juros sobe
para 5,61% ao mês; juros para o cheque especial também
sobem, segundo pesquisa
A taxa média de juros para os empréstimos pessoais e o
cheque especial subiram em junho, segundo pesquisa mensal da Fundação
Procon de São Paulo (Procon-SP). No caso do empréstimo
para pessoa física, a taxa dos bancos pesquisados foi de 5,61%
ao mês, o que corresponde a um aumento de 0,02 ponto porcentual à taxa
média do mês anterior, que era de 5,59%.
As altas apuradas nas taxas de empréstimo pessoal
em junho, na comparação com o mês anterior,
foram praticadas pelo Banco do Brasil, que alterou a taxa
de 5,60% ao mês para 5,90% e HSBC, de 4,74% para
4,78%. Já o Unibanco reduziu sua taxa de 6,59% em
maio para 6,45% este mês. As demais instituições
financeiras mantiveram suas taxas de empréstimo.
No caso do cheque especial, crédito pré-aprovado
que os bancos colocam à disposição
dos clientes, teve aumento de 0,12 ponto porcentual em
junho, passando de 8,61% ao mês em maio para 8,73%
ao mês.
As altas verificadas nas taxas de cheque especial em junho,
na comparação com o mês anterior, partiram
do Santander, que alterou de 8,38% ao mês em maior
para 9,29% em junho; HSBC, de 8,43% para 8,60% e Banco
do Brasil, de 8,15% para 8,30%. Os demais bancos mantiveram
suas taxas de cheque especial.
A pesquisa de juros para pessoa física do Procon-SP
considerou as taxas do Banco do Brasil, Bradesco, Caixa
Econômica Federal, HSBC, Itaú, Nossa Caixa,
Real, Safra, Santander e Unibanco, no último dia
9 de junho.
Para o levantamento, foi estipulado o período contratual
de 12 meses. Os dados coletados referem-se a taxas máximas
prefixadas para clientes não preferenciais, sendo
que, para o cheque especial, foi considerado o período
de 30 dias. (Com agências)
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Agência Diap, 14
de junho de 2008
ELEIÇÕES 2008
TSE cancela quase 2 milhões
de títulos pelo País
Objetivo da revisão é regularizar
cadastro eleitoral, para evitar fraudes e irregularidades
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou nesta sexta-feira,
13, que cancelou quase dois milhões de títulos
eleitorais em 24 Estados do País. De acordo com
a assessoria de imprensa do TSE, ao todo foram cancelados
1.866.020 títulos.
A Bahia liderou o ranking de cancelamentos: 677.790 eleitores
perderam o título. Só não houve revisão
no Amapá, em Roraima e no Distrito Federal. O objetivo
da revisão é regularizar cadastro eleitoral,
para evitar fraudes e irregularidades.
No mês de setembro de 2007, o TSE determinou a revisão
do eleitorado em 1.128 municípios do País,
quase um quarto das 5.564 cidades brasileiras. De acordo
com a assessoria do TSE, o artigo 92 da Lei das Eleições
determina a revisão quando "o número
de eleitores da cidade é superior a 80% da população,
o total de transferências de títulos do ano
em curso é 10% maior em relação às
transferências do ano anterior e o eleitorado for
superior ao dobro da população entre 10 e
15 anos, somados também os com mais de 70 anos”.
Segundo o TSE, os três requisitos devem ser cumpridos
simultaneamente.
O prazo para regularizar o título de eleitor acabou
no dia 7 de maio. No entanto, os cartórios continuam
abertos, mas apenas para expedição de segunda
via do título de eleitor, certidão de quitação
eleitoral ou para pagamento de multa referente à ausência
nas urnas.
Quem não estiver com a situação regularizada
na Justiça Eleitoral está impedido de retirar
o Cadastro de Pessoa Física (CPF) e passaporte.
A legislação brasileira ainda proíbe
a pessoa em situação irregular de participar
de concurso público e renovar matrícula em
estabelecimento de ensino oficial.
Pessoas que completaram 19 anos e estrangeiros naturalizados
há mais de um ano que ainda não retiraram
o título estão em situação
irregular perante a Justiça Eleitoral. Também
estão na lista negra das autoridades quem se alistou
mais de uma vez ou quem deixou de votar em três eleições
consecutivas e não justificou as ausências.
O eleitor que perdeu o título de eleitor e precisa
pedir a segunda via do documento tem até o dia 25
de setembro para fazê-lo. Para isso, o interessado
precisa encaminhar ao juiz de sua zona eleitoral o pedido
de emissão do novo título. Se a primeira
via do título estiver rasgada ou inutilizada, o
eleitor deve anexá-la ao requerimento. Quem estiver
fora do domicílio eleitoral pode fazer o pedido
ao juiz da região onde estiver. (Fonte:
AE)
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Diário Vermelho,
14 de junho de 2008
Mangabeira Unger debate mudanças
trabalhistas no FST
Apesar do tempo exíguo que não permitiu
aprofundar mais a discussão, a exposição
do ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira
Unger, perante o Forum Sindical dos Trabalhadores (FST),
na última terça-feira (10), suscitou vivos
debates na platéia de sindicalistas, que questionou
basicamente a umbiguidade do Ministério do Trabalho
no que diz respeito à Portaria 186, que dá margem
a interpretações sobre a unicidade e a pluralidade
sindical.
No final, tanto o ministro quanto o coordenador nacional
do FST, José Augusto da Silva Filho, se disseram
satisfeitos com o início do debate sobre o reordenamento
das relações entre o capital e o trabalho
no Brasil.
Mangabeira Unger, que já se reunira com outras
centrais sindicais, ouviu do secretário-geral da
Central Sindical de Profissionais (CSP), Itamar Revoredo
Kunert, que também é membro da diretoria
do DIAP, a ponderação de que “quaisquer
mudanças nas relações trabalhistas,
no País, não poderiam deixar de passar por
uma reforma previdenciária adequando-se às
modificações”. O ministro esquivou-se,
afirmando que se tratava de “um assunto tangencial,
embora importante”.
Observando que, por orientação do presidente
Lula, iniciara a preparação do texto “Diretrizes
a respeito da reconstrução das relações
entre o trabalho e o capital no Brasil”, o ministro
de Assuntos Estratégicos, disse que o seu objetivo,
com a abertura do debate, é “resgatar da informalidade
a metade da população economicamente ativa
do País”.
Para ele, “qualquer mudança deve garantir
a inclusão dessa maioria”. Ele chamou atenção
para “urgência da mudança”, sob
pena de a economia brasileira “correr o risco de
ficar presa, no mundo, entre as de trabalho barato e de
tecnologia (e de produtividade) altas”. Para Mangabeira,
o Brasil “não tem futuro como uma China com
menos gente”.
Além da exclusão da maioria – para
o ministro, “um veneno” – o regime vigente “assegura
representação sindical oficial sem garantir
representação vigorosa, independente e, portanto,
legítima”, salientando que, embora exaltando
a unicidade sindical, esse sistema “evoluiu paradoxalmente
para a proliferação exuberante de sindicatos – muitos
representativos de fato e muitos outros imposturas de representação”.
E ele acrescenta: “O enfraquecimento da representação é uma
vulnerabilidade e uma ameaça”.
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Congresso em Foco, 14 de
junho de 2008
Obama e o novo sonho americano
Oito anos e uma nova chance
Desde que Al Gore perdeu no Colégio
Eleitoral para Bush, os Estados Unidos têm a melhor
oportunidade para mostrar uma nova face ao planeta
Marcos Magalhães*
Ali pela metade do século 20, o ano 2000 sempre
era visto como referência para as previsões
de futuro. Como seria o mundo em 2000? Estaria mais para
o sonho dourado dos Jetsons ou para o sombrio cenário
traçado por pacifistas e ambientalistas? Até o
início do último ano do século, não
eram muitos os sinais de que alguma nova era estaria chegando.
De certa forma, porém, o mundo começou mesmo
a mudar em 2000, ano em que aconteceu a primeira eleição
de George W. Bush para a presidência dos Estados
Unidos. Oito anos mais tarde e às vésperas
de uma nova eleição, no entanto, existe quase
uma unanimidade na percepção de que a mudança
não foi para melhor.
Naquela noite de novembro, em que o pêndulo político norte-americano
estava prestes a rumar no sentido dos republicanos, ainda havia muita
expectativa em relação aos resultados das eleições.
A embaixada dos Estados Unidos montou uma grande festa em Brasília.
Na Casa Thomas Jefferson, tradicional estabelecimento de ensino de
inglês e difusão da cultura norte-americana, no Lago Sul,
centenas de convidados podiam acompanhar por amplos telões os últimos
resultados das apurações.
Mais do que isso, cada pessoa que chegava ao local era
imediatamente convidada a votar em uma urna eletrônica
bem brasileira em Bush ou no candidato democrata, Al Gore.
De acordo com suas preferências, os convidados ganhavam
ainda bottoms de seu candidato preferido. E podiam debater
animadamente as eleições entre goles de Coca-Cola
e cachorros quentes.
O resultado em Brasília foi uma goleada a favor
de Gore. Nos Estados Unidos, o candidato democrata também
ganhou no número de votos – mas perdeu no
Colégio Eleitoral, aquele tipo de instituição
da qual os brasileiros mais velhos gostam de se esquecer.
Se outras eleições fossem simuladas em diversos
países da América do Sul ou da Europa, provavelmente
o resultado teria sido o mesmo: a vitória de Gore,
o ex-vice-presidente de Bill Clinton que depois viria a
se dedicar a uma cruzada contra o aquecimento do planeta.
Quem manda nos Estados Unidos, porém, são
apenas os norte-americanos, naturalmente. E soa mesmo inútil
se perguntar como teria sido o mundo se o resultado da
eleição tivesse sido outro. Agora, oito anos
mais tarde, existe outra oportunidade, talvez ainda maior,
de se mudar o rumo dos Estados Unidos e, de certa forma,
do restante do planeta.
De um lado, estará John McCain, um pouco ortodoxo
republicano que não evitou criticar o que lhe pareceu
errado no governo Bush. Do outro, a grande surpresa das
eleições – o senador negro Barack Obama,
que atropelou o favoritismo de Hillary Clinton e já fez
história ao superar, até aqui, outro grande
rival: o preconceito racial.
Se novas urnas eletrônicas forem instaladas em Brasília
ou em outras capitais sul-americanas, muito provavelmente
a vitória será mais uma vez dos democratas.
O mesmo ocorreria na maioria das capitais européias,
ou mesmo nas maiores cidades africanas, que passariam a
ter em Obama uma referência com a qual nunca pensaram
que poderiam contar.
As eleições deste ano podem ajudar os Estados
Unidos a superar aquela que seja, talvez, a maior onda
de anti-americanismo da história em todo o mundo.
Os americanos gostam de exaltar sua capacidade de liderança
mundial, com base não apenas em seu poderio militar
e econômico, mas também no que chamam de soft
power – ou seja, o poder das idéias, da cultura,
do exemplo. Mas quem andar pelo mundo hoje ouvindo a opinião
popular sobre os Estados Unidos de Bush provavelmente vai
recolher duras queixas contra o militarismo, a falta de
diálogo e a postura norte-americana em relação
a temas sensíveis, como o meio ambiente.
Para mudar esse quadro, o novo presidente vai precisar
fazer bem mais do que uma boa campanha de relações
públicas. Vai precisar ouvir muito. Vai ter de abrir
o diálogo com forças políticas novas,
em diversas partes do mundo. E terá pela frente,
principalmente, a dura tarefa de mostrar que os Estados
Unidos podem ser, mais uma vez, uma fonte de inspiração
para outros países.
Ao se deixar fotografar de jeans e capacete de ciclista,
poucos dias após assegurar a sua nomeação
como candidato democrata, Obama deu um novo passo na construção
da imagem de um político jovem, progressista e diferente,
bem diferente, de tudo o que Bush atualmente representa.
As fotos em que ele e a esposa aparecem sorridentes, formando
um casal negro bonito e bem-sucedido, também ajudarão
a mostrar ao mundo que ali existe uma alternativa. O restante
do planeta parece respirar aliviado ao acompanhar o fim
da era Bush. E, se as urnas dessa vez sorrirem para os
democratas, haverá uma grande torcida espalhada
pelo mundo para que Obama coloque em prática a palavra
que escolheu para simbolizar a sua campanha – mudança.
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Folha de Londrina, 14 de
junho de 2008
Empresa maior paga salários
mais baixos
Valor médio pago pelas empresas
com mais de 250 empregados era de 4,7 salários mínimos
em 2000; seis anos depois, valor tinha caído para
3

Rio de Janeiro - O salário pago pelas grandes empresas do comércio
brasileiro não acompanhou a evolução do salário
mínimo neste início de século. Segundo a Pesquisa
Anual de Comércio (PAC) do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE), o valor médio pago pelas companhias
com mais de 250 empregados era de 4,7 salários mínimos
em 2000. Seis anos depois, esse valor tinha caído para 3 salários
mínimos.
No setor como um todo, a renda dos trabalhadores recuou
10%, passando de 2 salários mínimos em 2005
para 1,8 em 2006, mostra o levantamento. O mínimo
teve reajuste de quase 17% no período, passando
de R$ 300 para R$ 350. ''O mínimo cresceu bastante,
acima da inflação, e o salário médio
não teve o mesmo fôlego'', diz o técnico
do IBGE Luiz Andres Paixão. ''Mas o trabalhador
do comércio teve ganho salarial'', afirma Paixão.
Segundo ele, o salário médio real dos empregados
no setor foi de R$ 623 mensais em 2006, contra R$ 601 em
2005. ''Houve um aumento de 3,7%'', diz Paixão.
Em 2006, o segmento líder em produtividade foi o
de combustíveis e lubrificantes. No atacado, cada
trabalhador em atuação nessa atividade respondeu
por um valor adicionado de R$ 168.199. No varejo, por R$
34.004. ''É um segmento muito particular, que reúne
poucas empresas, emprega pouca gente e gera muita receita'',
afirma o técnico do IBGE.
1,3 mi de empresas
O comércio varejista brasileiro apresentava, em
2006, 1,3 milhão de empresas (83,6% do total das
empresas comerciais, que inclui também o atacado
e o segmento de veículos), com aproximadamente 5,8
milhões de pessoas ocupadas, despendendo R$ 39,8
bilhões em salários, retiradas e outras remunerações
(64,6% do total do comércio). Apesar de reunir o
maior número de empresas, o varejo dispunha de apenas
41,3% da receita operacional líquida do comércio
em 2006.
Segundo a PAC, os destaques do varejo em 2006 foram o
comércio de combustíveis e lubrificantes
(R$ 104,8 bilhões, com 1.870 empresas), que liderou
a receita líquida de revenda do varejo. Por sua
vez, a atividade de hiper e supermercados, com 9,8 mil
empresas, obteve R$ 100 bilhões de receita e ocupou
722,5 mil pessoas.
No que diz respeito ao comércio atacadista, foram
gerados, em 2006, R$ 462 bilhões (43,5% do total
do comércio) em receita operacional líquida,
com 1,9 mil empresas (ou 7,2% do total do comércio.
A pesquisa revelou que 1,1 milhão de pessoas estavam
ocupadas nas empresas atacadistas, ou 14,8% do total.
O restante das empresas comerciais é composto pelo
segmento de veículos, peças e motocicletas
(9,2% do total do comércio), que geraram R$ 156,1
bilhões (14,7% do total) em receita operacional
líquida em 2006, ocupando 711,7 mil pessoas (9,4%
do total).
As vendas de veículos automotores obteve a maior
receita líquida de revenda deste segmento (R$ 108,6
bilhões), enquanto as vendas de peças para
veículos liderou o número de pessoas ocupadas
(437,2 mil pessoas).
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O Estado do Paraná,
14 de junho de 2008
Tucanos oferecem “projeto
2010” ao DEM
Com a vaga de candidato a vice-prefeito já reservada
para Luciano Ducci, do PSB, o prefeito Beto Richa e o presidente
estadual do PSDB, deputado estadual Valdir Rossoni, tentam
atrair o DEM para o bloco da reeleição em Curitiba
oferecendo espaço na aliança de 2010 para a
sucessão estadual.
Ontem, Beto e Rossoni se reuniram com o presidente estadual
do DEM, deputado federal Abelardo Lupion, o pré-candidato
a prefeito, Osmar Bertoldi e deputados do partido. Mas
foi só o começo da negociação,
que prossegue na próxima segunda-feira, 16. “Foi
uma reunião para quebrar o gelo”, definiu
Lupion.
Anteontem, Lupion havia condicionado o acordo em Curitiba
a um acerto entre os dois partidos na capital paulista,
onde o DEM esperava obter o apoio do PSDB para o atual
prefeito Gilberto Kassab.
Ontem, entretanto, Lupion afirmou que, embora a vaga de
vice-prefeito fosse importante para o partido e o processo
eleitoral em São Paulo também pese nessa
decisão, o projeto para 2010 também conta
na hora de decidir se será mantida a candidatura
de Bertoldi à prefeitura.
“Nós temos um projeto para 2010 e isso é importante
para nós. Não seremos adesistas neste processo
de 2008. Queremos um partilhamento de idéias que
esteja dentro do processo de crescimento dos Democratas”,
afirmou.
Lupion disse que expressou a Beto e Rossoni a frustração
do partido com a decisão de Beto de definir nome
do candidato a vice-prefeito antes de conversar com eles,
mas que o DEM não irá limitar a discussão
a cargos.
“Não vamos nos apequenar”, disse o
presidente do DEM. Ele disse que vai conversar com os vereadores
e pré-candidatos a vereador na segunda-feira para
avaliar o que fazer em Curitiba. O DEM listou 120 pré-candidatos
a vereador. “Essa decisão interfere com os
nossos pré-candidatos. É uma expectativa
de eleição que não pode sumir de uma
hora para outra”, comentou o presidente estadual
do DEM. O presidente estadual do PSDB afirmou que a conversa
funcionou para reduzir a distância entre as duas
siglas e que o que está em jogo em 2008 é o
projeto eleitoral de 2010.
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Folha de S.Paulo, 14 de
junho de 2008
Só 18 senadores da base
se dizem pró-CSS
Enquete feita pela Folha ouviu 52
dos 54 congressistas aliados; 13 pretendem votar contra a
nova CPMF e 15 dizem estar indecisos
Há resistências ao projeto
até mesmo no PT -Flávio Arns se declara contra;
Serys Slhessarenko, Marina Silva e Delcídio Amaral,
indecisos
ADRIANO CEOLIN
LUCAS FERRAZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo vai precisar trabalhar duro para convencer sua
base no Senado a aprovar a CSS (Contribuição
Social para a Saúde). Enquete realizada pela Folha
com 52 dos 54 senadores aliados ao Planalto mostra que
13 governistas pretendem votar contra a CSS. Apenas 18
se mostraram favoráveis ao projeto e outros 15 dizem
estar indecisos. O projeto precisa de 41 dos 81 votos para
ser aprovado.
No levantamento, feito ontem e anteontem, seis congressistas se negaram
a responder a enquete, enquanto José Sarney (PMDB-AP) e Virgínio
de Carvalho (PSC-SE) não foram localizados pela reportagem.
A CSS foi aprovada quarta na Câmara com só dois votos
acima do necessário. Na votação, 53 integrantes
da base aliada ficaram contra o governo. Isso causou estranheza entre
os governistas do Senado, que já consideravam difícil
a aprovação do projeto na Casa, que, em dezembro de 2007,
derrubou a prorrogação da CPMF.
Na época, o presidente Lula se empenhou pela manutenção
do tributo, mas sua ação foi frustrada: por cinco votos,
o governo foi derrotado. Agora, para evitar desgaste, Lula tem deixado
a articulação da CSS nas mãos dos líderes
no Congresso. Dessa vez, a situação do governo parece
pior. Até no PT há resistências. O senador Flávio
Arns (PR) já declarou publicamente ser contra o tributo. Serys
Slhessarenko (MT), Marina Silva (AC) e Delcídio Amaral (MS)
se dizem indecisos.
" Há muitas defecções. Pedi à líder Ideli
Salvatti que marcasse uma reunião para discutir como deverá ser
o posicionamento formal do partido", disse Amaral. Ideli confirmou que fará uma
reunião na terça. No PDT, o líder da bancada, Osmar Dias
(PR), afirmou que pretende fechar questão contra a CSS. O partido tem
cinco senadores. Patrícia Saboya (CE) e Jefferson Praia (AM) já declararam
voto contra. João Durval (BA) diz estar indeciso.
Senador que costuma relatar matérias importantes para o governo,
Francisco Dornelles (PP-RJ) também tem dito que vai votar contra.
O líder do PSB, Renato Casagrande (ES), diz estar indeciso,
mas já manifestou que deseja votar contra.
O PMDB está dividido. Dos 19 senadores ouvidos pela Folha, seis
se disseram a favor, quatro pretendem votar contra e cinco dizem estar
indecisos. A enquete não incluiu Garibaldi Alves (RN). Presidente
da Casa, ele só vota em caso de empate.
Apesar da possibilidade de adiar a votação da CSS no
Senado para dezembro, após as eleições, o líder
do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), diz que prefere "votar
o projeto logo". "Como se trata de um tributo, teríamos
de esperar três meses para começar a arrecadar." O
governo quer que a CSS seja cobrada já no início de 2009.
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Folha de S.Paulo, 14 de
junho de 2008
Gás de lixo pode produzir
15% da energia do Brasil
Técnica incentiva manejo correto
de resíduo e ajuda a combater o efeito estufa
Apesar do potencial, estudo realizado
para o Ministério das Minas e Energia privilegia
energias eólica e solar como alternativas
Danilo Verpa/Folha Imagem

Aterro sanitário Bandeirantes,
na zona norte de SP, que gera energia a partir do gás
metano
ANDRÉ LOBATO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
O lixo das 300 maiores cidades brasileiras poderia produzir
15% da energia elétrica total consumida no país.
A estimativa consta no Plano Decenal de Produção
de Energia 2008/ 2017 e considera todo o lixo recolhido
nestes municípios. O documento deveria ser lançado
ainda neste mês e está em fase final de elaboração.
Apesar dessa previsão, o Ministério de Minas e Energia
-que encomenda o relatório desde 2006, para balizar suas ações-
não tem planos de realizar leilões com a energia do lixo
nos próximos anos. Segundo o governo, as prioridades em fontes
renováveis são eólica, solar e hidrelétrica.
A falta de perspectivas aumenta a defasagem do Brasil na tecnologia
de eletricidade produzida por meio do lixo, na avaliação
do professor Luciano Bastos, responsável pelo capítulo
que avalia esse potencial no plano decenal a ser lançado.
Bastos, que é pesquisador do Ivig (Instituto Virtual Internacional
de Mudanças Globais), diz que a única usina construída
especialmente para aproveitar o potencial energético dos dejetos é a
termelétrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com
capacidade de 200 kW por mês, suficiente para abastecer 2.300
casas.
Além dessa usina, há os aterros sanitários Novagerar,
em Nova Iguaçu (zona metropolitana do Rio), Bandeirantes e São
João, em São Paulo, que utilizam o gás metano
resultante da decomposição natural da matéria
orgânica.
Carbono à venda
A transformação de lixo em energia teria ainda duas conseqüências
benéficas, na opinião de pesquisadores. A primeira é incentivar
a armazenagem correta dos resíduos, que passam a ser matéria-prima.
Dados do IBGE de 2000 indicam que 63,3% dos municípios brasileiros
tratam o lixo de forma errada -em geral apenas determinam o terreno
em que os detritos devem ser jogados.
Outro benefício seria econômico: assim como outras fontes
de energia renovável, o lixo pode gerar créditos de carbono
e favorecer o Brasil nas negociações sobre mudanças
climáticas. A geração de créditos se deve à queima
do metano, produto natural da decomposição orgânica.
Este gás é mais danoso ao aquecimento global do que o
gás carbônico CO2 -mas é eliminado com a combustão.
O aterro Novagerar foi o primeiro do mundo a vender créditos
pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), do Protocolo de Kyoto. "Nossa
intenção é deixar de ser uma empresa de resíduos
e passar a ser de energia", diz a diretora Adriana Felipeto. A
empresa calcula que o investimento necessário para gerar seis
megawatts (energia para 24 mil casas) será de US$ 6 milhões.
Para Felipeto, empresas com ações na Bolsa têm
mais interesse em comprar a energia do lixo e, por isso, a demanda
deve aumentar com o grau de investimento, pois mais companhias devem
abrir capital.
" Há um reconhecimento claro da importância do aproveitamento
da energia do lixo", diz Manoel Avelino, presidente da Arcadis Logos Engenharia
-sócia nos aterros Bandeirantes e São João.
A energia gerada no Bandeirantes (20 MW ou 160 mil casas) é usada
pelo Unibanco e a do São João (24.8 MW ou 198,4 mil casas) é vendida
para grandes consumidores, como shopping centers. Bastos afirma que,
diferentemente das usinas, os aterros não são projetados
para gerar energia, apenas armazenar lixo, e por isso são menos
eficientes.
Atraso tecnológico
Para Sabetai Calderoni, doutor em ciências pela USP e especialista
em reciclagem, há três razões para o atraso brasileiro
na produção:
1) as parcerias público-privadas,
maiores facilitadoras dos processos de reciclagem no seu
entender, são recentes;
2) o interesse na manutenção
dos investimentos em aterros;
3) só recentemente os preços
de disposição ficaram mais caros.
O assessor de comunicação da Empresa de Pesquisa Energética,
instituição ligada ao Ministério da Ciência
e Tecnologia responsável pelo decênio, Oldon Machado,
diz que o plano decenal tem números sobre os investimentos necessários,
mas não específica as fontes alternativas mencionadas.
2.300
casas podem ser abastecidas por mês com a eletricidade de uma
termelétrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro feita
especialmente para aproveitar a energia do lixo.
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Folha de S.Paulo, 14 de
junho de 2008
DAGOBERTO LIMA GODOY
Redução
da jornada de trabalho
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A negociação coletiva exige sindicatos que tenham forte
respaldo dos trabalhadores e o respeito dos empregadores
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A NOVA campanha para a redução da jornada de trabalho,
por força de lei, é prova evidente da falta de força
dos sindicatos promotores e suas centrais. Além disso, apóia-se
em argumentos falaciosos.
A legislação trabalhista -desde a metade do século
passado, quando foi criada a CLT- garante os meios para os trabalhadores
conquistarem jornada de trabalho reduzida. E isso vem ocorrendo em
inúmeros casos por meio da convenção coletiva
de trabalho, na qual são estabelecidas regras especiais para
os contratos de trabalho. Por esse caminho, várias categorias
já trabalham menos que as 44 horas semanais da lei, como é o
caso, noticiado pela Folha, dos químicos na indústria
farmacêutica de São Paulo, que conseguiram redução
da jornada para 40 horas semanais a partir de 2009, sem diminuição
dos salários.
Então, qual é o problema? A negociação
coletiva exige sindicatos que tenham um forte respaldo dos trabalhadores
e o respeito dos empregadores. Se o movimento sindical não atende
a tais premissas, o remédio é ir à rua, buscar
o apoio de passantes desprevenidos e fazer barulho para impressionar
os meios políticos.
Para esses sindicalistas, não importa se a proposta que alardeiam
não se ajusta à realidade da grande maioria das empresas,
em luta pela sobrevivência diante da competição
globalizada. Tampouco lhes interessa se os exemplos que usam (geralmente
de países europeus) já foram ou estejam sendo revistos.
Primeiro equívoco: a redução
da jornada resultará na criação de
mais 2 milhões ou 3 milhões de empregos.
A afirmação pressupõe que as empresas
poderão repassar aos preços o custo dos novos
empregos, sem perder lugar no mercado. Como isso não é fácil,
a reação empresarial mais esperada será a
racionalização e a automação
dos processos, compensando as horas perdidas com mais produtividade.
E a expectativa de novos empregos terá grande frustração
(basta observar as experiências de outros países
ou a do próprio Brasil, quando a Constituição
Federal de 1988 reduziu a jornada de 48 para 44 horas por
semana).
Segundo equívoco: trabalhar menos,
ganhando o mesmo, é uma forma de os empregados receberem
parte dos ganhos de produtividade que a economia nacional
obtém. Dois problemas não considerados: um,
que a produtividade não vem aumentando uniformemente
em todos os setores e regiões, enquanto a lei imporia
a redução da jornada para todos; dois, que
a maior produtividade não gerou automaticamente
mais lucros, mas, para a maioria das empresas, mera condição
de sobrevivência no mercado competitivo.
Terceiro equívoco: a jornada de
44 horas não deixa tempo para o trabalhador se dedicar à família,
ao lazer e ao próprio aperfeiçoamento profissional.
Na verdade, quando isso de fato acontece, em geral nas
grandes cidades, deve-se muito ao tempo perdido nos deslocamentos
de casa para o trabalho e vice-versa, equivalente, na média,
de 10% a 15% das 44 horas.
Se os sindicalistas estão verdadeiramente interessados em bem-estar
sustentável para os trabalhadores, deveriam mostrar sua força
na negociação de convênios e acordos coletivos,
de forma que as vantagens obtidas não minem a competitividade
das empresas. As campanhas de efeito político deveriam exigir
mais competência dos governos, na gestão pública
e na aplicação dos tributos, para melhorar a infra-estrutura
social e econômica do país.
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DAGOBERTO LIMA GODOY , 60, advogado e consultor, é membro do
Conselho de Administração da OIT (Organização
Internacional do Trabalho).
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