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Folha
de S.Paulo, 20 de junho de 2008
Novos empregos formais já passam
de 1 milhão no ano
Marca era esperada para abril, mas foi alcançada
em maio devido a demissões em AL | Oferta de vagas registra desaceleração
em relação a abril e a maio de 2007; ministério
estima em 1,8 mi novos empregos no ano
LUCIANA OTONI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Entre janeiro e maio deste
ano, o número de novos postos de trabalho com carteira assinada
atingiu o recorde histórico de 1,052 milhão. Em maio,
especificamente, a oferta de vagas foi de 202.984 -desempenho 4,5%
menor que o de igual mês do ano passado.
A despeito de configurar um recorde, a oferta de mais de 1 milhão de
vagas era esperada pelo Ministério do Trabalho para abril, e não
para maio.
Mas a ocorrência de um grande número de demissões na indústria
do açúcar e do álcool em Alagoas no segundo trimestre
atrasou em um mês o resultado, que acabou sendo anunciado ontem pelo
ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
As demissões no Nordeste também foram citadas pelo governo como
motivo da queda do resultado do mercado de trabalho na comparação
com maio do ano passado.
" Esse ritmo dinâmico no mercado de trabalho vai se manter. Para o
ano, reafirmo a projeção de 1,8 milhão de novas vagas",
comentou o ministro. A meta se mostra factível. Nos 12 meses encerrados
em maio, a oferta de vagas superou em 1,7 milhão o total de postos de
emprego fechados.
O ritmo dinâmico na geração de emprego com carteira assinada é resultado
direto do maior crescimento da economia. Consumo aquecido, investimento em
alta e indústrias operando próximas ao limite da capacidade no
início do ano compuseram um quadro favorável para a maior admissão
de trabalhadores.
Desempenho
por setor
O setor de serviços liderou a oferta, admitindo 365 mil pessoas nos
cinco primeiros meses do ano. De acordo com o Ministério do Trabalho,
nesse setor as áreas que mais admitiram foram as de venda e aluguel
de imóveis, restaurantes, hotelaria, ensino e serviços médico-hospitalares.
O setor industrial ofertou 266 mil postos, seguidos pela construção
civil, 160 mil, agricultura, 134 mil, e pelo comércio, com 84 mil.
Para o restante de 2008, a tendência é de continuidade do bom
ritmo de admissão de empregados, embora com possibilidade de arrefecimento,
a depender dos efeitos do aumento dos juros.
Na avaliação do presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada), Marcio Pochmann, esse desempenho do mercado de trabalho indica a
melhora do ritmo de expansão da economia.
Efeitos sazonais
Para Pochmann, o resultado de mais de 1 milhão de vagas também
reflete aspectos sazonais como a eleição municipal, a maior encomenda
de máquinas e equipamentos para a realização de obras
públicas e o avanço do investimento no setor privado.
" Se há crescimento, há demanda forte por emprego. O que estamos
vendo é a maior contratação de trabalhadores para atender à maior
capacidade de produção das empresas e à melhora do investimento",
afirma o presidente do Ipea. "Daqui para a frente, mantido esse ritmo de
expansão de 5% do PIB, há condições de serem gerados
de 2 milhões a 2,5 milhões de novos postos por ano", diz Pochmann.
O economista lembra, contudo, que a permanência do atual nível
de expansão vai depender do tempo que o Banco Central mantiver os juros
elevados.
Segundo Pochmman, o aperto monetário pode começar a fazer efeito
-na economia e no mercado de trabalho- já no segundo semestre do ano.
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O ESTADO DO PARAN[A,
20 de junho de 2008 | Economia
Setor de serviços
foi destaque na geração de empregos em
maio
Agência Estado
Foto: Chuniti
Kawamura

O crescimento dos setores de serviço e da construção
civil, comprova o crescimento do poder de compra das classes mais baixas.
O setor de serviços foi o principal responsável pela criação
de empregos formais no mês de maio, segundo dados do Cadastro Geral
de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta quinta-feira pelo
ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi. Em números absolutos,
o setor teve um incremento de 55.361 postos de trabalho, o que corresponde
a um crescimento de 0,47% em relação a abril. Na comparação
com maio de 2007, a elevação foi de 0,36%.
No acumulado do ano, segundo o ministério, o setor registrou crescimento
recorde na série histórica do Caged, com a geração
de 365.377 postos, 3,2% a mais do que o mesmo período do ano anterior.
Outro destaque foi o setor agrícola, responsável pela criação
de 47.107 postos de trabalho.
Segundo o ministro Carlos Lupi, o crescimento dos setores de serviço
e da construção civil, em especial, comprova o crescimento
do poder de compra das classes mais baixas. Continua sendo forte a indústria
de transformação, construção civil, com recorde
em todo o período do Caged. Mais uma vez, provando [o crescimento]
do poder aquisitivo de quem ganha menos de três salários
mínimos porque está comprando a casa própria, conseguindo
financiamento e comprando mais do que anteriormente.
Na comparação por estado, o Caged revela que apenas Alagoas
(menos 7.645 postos) e Roraima (-299 postos) registraram queda na criação
de empregos formais. Segundo Lupi, a forte desaceleração
em Alagoas é fruto da mecanização da produção
e da entressafra do setor da cana-de-açúcar.
São Paulo foi o estado que mais registrou crescimento na geração
de empregos, com 75.734 novos postos, seguido por Minas Gerais (37.968)
e Paraná (16.739).
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O ESTADO DO PARAN[A, 20 de
junho de 2008 | Economia
Inflação continua
dentro da meta com intervalo, diz Mantega
Adriana Fernandes - Agência Estado
Brasília - O ministro
da Fazenda, Guido Mantega, assegurou nesta quinta-feira, em entrevista
no auditório do Ministério, que a inflação
continua dentro das meta, no intervalo de tolerância de dois
pontos porcentuais para cima e para baixo (o centro da meta para este
ano é de 4,5%). Ao comentar a pressão inflacionária
no País, ele afirmou que fica nítido o papel dos alimentos
na elevação dos índices nos últimos meses.
Segundo ele, o mundo está vivendo o maior choque desde os anos 1970.
Está tendo choque simultâneo de petróleo, alimentos e commodities
metálicas. O ministro ponderou, entretanto, que o Brasil está numa
situação melhor do que outros países, com a economia continuando
a crescer. "A rigor, a economia continua crescendo e, em outros países
a atividade econômica desacelerou. Aqui, continuamos com crescimento
satisfatório", reforçou.
Mantega disse que durante a reunião com o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e economistas "ilustres" nesta manhã foi feita
uma avaliação das medidas adotadas pelo governo para combater
a inflação. Sem citar números, ele comentou que o aumento
do superávit primário é muito importante para reduzir
a demanda agregada na economia, que traz impactos para a inflação.
Segundo o ministro, o Brasil vive uma combinação de elevação
de preços externos, no momento em que a economia está aquecida.
Essa situação, ponderou, leva à preocupação
do governo de não permitir o contágio e impedir a propagação
do aumento dos preços.
O ministro destacou a importância da necessidade de impedir essa propagação
e ponderou que a elevação do preço do petróleo
impacta outros preços, como adubos, que leva ao aumento dos preços
dos alimentos. "O trabalho do governo é impedir sua propagação
e tomar as medidas necessárias para atenuar o aumento da demanda",
repetiu.
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Vermelho, 20 de junho de
2008
Governo atacará inflação
investindo na safra
O ministro da Agricultura, Reinhold
Stephanes, disse nesta quinta (19) que o melhor o antídoto para
combater a alta de preços é produzir mais no país.
Para isso, o governo vai investir este ano R$ 65 bilhões visando
o aumento de 5% na safra, que dependendo das condições
climáticas, pode chegar a 148 milhões de toneladas de grãos.
Além do aumento da produção interna para manter a estabilidade
de preços, o ministro diz que a perspectiva também é aumentar
a exportação, aproveitando a demanda do mercado externo.
Sthephanes diz que a alta de preço no país se deu por um choque
externo. Segundo ele, o aumento da demanda por alimentos elevou os preços
das commodites no mundo, o que acabou refletindo internamente. “Os preços
subiram em quase todos os países e até que em menor intensidade
no Brasil, exatamente por sermos auto-suficiente. O melhor antídoto é produzir
mais, ou seja, aproveitar essa oportunidade não só para produzir
ao mercado interno, mas aproveitar a demanda externa”.
As prioridades serão o aumento do plantio de feijão, arroz, milho
e trigo. “O feijão evidentemente em primeiro lugar”, disse
o ministro. Segundo o Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10),
com dados coletados entre 11 de maio a 10 de junho, o feijão teve uma
alta significativa no varejo de 20,95%, a produção é insuficiente
para atender à demanda.
Embora seja auto-suficiente na produção de arroz, com pequena
variação positiva, o ministro diz que será importante
investir no produto para estabilizar a variação de preço.
No caso do trigo, que o Brasil importa principalmente da Argentina, Stephanes
anunciou que este ano haverá um aumento de 20% na safra.
“ O milho é outro produto muito sensível, somos auto-suficientes
e exportador em pequena escala, mas o milho faz parte da cadeia de produção
de algumas carnes como a suinocultura e avicultura, além de surgir a partir
dele outros subprodutos”, explicou.
Questionado sobre a possibilidade de os agricultores direcionarem grande parte
da produção ao mercado externo, o ministro disse que o governo “não
vai cair na armadilha” em que alguns países caíram ao tabelar
preços sem possuir produção, ou limitar e taxar as exportações
como ocorreu na Argentina. “Isso acaba desorganizando o próprio
setor produtivo. Nós vamos monitorar e incentivar o aumento da produção.
Não há o desejo de intervenção na produção”,
disse.
De Brasília,
Iram Alfaia
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Gazeta do Povo, 20 de junho de 2008
Política monetária
Lula descarta congelamento de preços
para conter inflação
Presidente diz que não quer “artificialismo”.
Para Mantega, alta nos preços será contida com aumento
da oferta
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva descartou ontem, durante reunião com ministros
e economistas, a adoção do congelamento de preços
para controlar a inflação, como fizeram nos últimos
dias os governos do México e do Uruguai. “Não
quero artificialismos”, disse o presidente durante a reunião,
segundo relato de alguns participantes. Lula determinou a preparação
de medidas de estímulo à produção agrícola,
de tal forma que o Brasil colha safras recordes nos próximos
dois anos.
“ A inflação será combatida com o aumento da oferta”,
disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, após a reunião. “Estamos
preparando uma grande safra”, afirmou. “Aqui não vamos fazer
nada disso (congelar os preços dos alimentos)”, garantiu. Questionado
sobre a eficácia das medidas adotadas por México, Venezuela e Uruguai,
Mantega disse que não opina “sobre a política de países
amigos”.
Mantega garantiu que durante a reunião não se discutiu o aumento
do superávit primário (economia para pagar parte dos juros) ou
de medidas para conter o crédito. “Já elevamos a meta de
superávit de 3,8% do PIB (Produto Interno Bruto) para 4,3% do PIB”,
disse. “É difícil fazer mais do que isso”, acrescentou.
Segundo ele, para obter os 4,3% do PIB o governo terá que “cortar
despesas este ano”.
Mantega disse que não há medidas sendo estudadas para redução
do crédito, pois, segundo explicou, as medidas já adotadas pelo
governo, inclusive o aumento das taxas de juros pelo Banco Central, já encareceram
o custo do dinheiro e está reduzindo o consumo.
Durante a reunião, Mantega fez uma exposição sobre o quadro
econômico. Ele disse que o mundo está sofrendo o maior choque
de preços de commodities desde os anos 70. Segundo ele, a inflação
aumentou em praticamente todos os países do mundo e a alta dos preços
afetam os alimentos, o petróleo e os minerais.
Os dados apresentados pelo ministro mostraram que o preço dos alimentos
subiram 14,6% de maio de 2007 e maio deste ano, enquanto que a inflação
dos demais itens foi de apenas 3,2%. Segundo o ministro, no entanto, “essa
inflação é passageira e o governo impedirá que
ela se propague aqui dentro”. A tese principal apresentada por Mantega
foi a de que as medidas já adotadas pelo governo estão surtindo
efeito, com a redução do consumo das famílias e da demanda
global da economia. Mas o ministro deixou claro que o governo não deseja
produzir uma recessão ou uma redução forte do crescimento.
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FOLHA DE LONDRINA, 20 de
junho de 2008 | Economia
Arrecadação de impostos
bate novo recorde
Nos cinco primeiros meses do ano, a Receita
Federal arrecadou R$ 271,9 bilhões

Curitiba - Quem trabalha com tecnologia, está sempre envolvido com o
que há de mais novo e moderno na área. Certo? Errado. Para algumas
pessoas, trabalhar com tecnologia é conviver com o passado, sem que
isso signifique, no entanto, um retrocesso. Algumas máquinas e recursos
ainda encontram mercado graças ao preço ou a sua adaptação às
novas realidades.
A fotografia analógica,
por exemplo, perdeu mercado e mudou de público, mas se mantém
graças às classes C e D e a fotógrafos amadores
que cultivam a paixão pelo filme. ''Em geral quem tem a fotografia
como hobby tem a câmera digital, mas também utiliza a analógica'',
conta Moacir Francisco, sócio-proprietário da Vimo Fotografia.
Francisco ainda mantém em estoque algumas máquinas fotográficas
de filme. ''A saída é pequena, mas acaba atendendo alguns
clientes'', justifica. A empresa também faz manutenção
de câmeras analógicas e revelação de filmes.
No total, o trabalho com a fotografia tradicional representa 10% a 20%
do movimento da empresa.
Os filmes e as câmeras,
ao contrário do que se possa imaginar, não desapareceram
do mercado. A Kodak ainda investe na linha básica de filmes e
na comercialização de câmeras de uso único.
Esses produtos têm como público-alvo as classes C e D que,
segundo a empresa, não migraram para a fotografia digital. A companhia
lançou recentemente uma campanha para esse público chamada
Sua Casa em Um Clique, no qual o consumidor que juntar duas caixinhas
de filmes de 24 ou 36 poses concorre a uma casa no valor de R$ 50 mil
ou a 540 prêmios instantâneos.
Já as câmeras descartáveis
são destinadas a oferecer conveniência e marcam presença
em eventos e pontos turísticos. Estão ali para atender
quem esqueceu a câmera em casa e não quer perder a chance
de eternizar uma imagem. Para as classes C e D, a Kodak está lançando
uma câmera simples, no mesmo estilo da descartável, mas
que permite o uso continuo. O produto, denominado EC70, tem preço
sugerido de R$ 25.
Willian Silveira trabalha há oito
anos com informática. Gerente de uma loja de equipamentos, Silveira
compra computadores, monitores e impressoras usadas para consertar e
vender. Placas queimadas e equipamentos danificados são vendidos
como sucata. Segundo Silveira, computadores com processadores Intel Pentium
II e III e outros com velocidade de processamento semelhante são
a opção de compra para quem quer gastar pouco para adquirir
uma máquina.
Na Big Alves Informática,
empresa em que trabalha, um computador completo pode custar de R$ 300
a R$ 800,00, parcelado em até três vezes no cartão
de crédito. ''A maior parte dos equipamentos são vendidos
para o consumidor final, que procura um equipamento acessível'',
explica Silveira. ''Vendemos muito para lojistas. Quem tem um comércio
pequeno em geral não quer investir numa máquina nova para
realizar tarefas simples, como controle de estoque'', diz.
A empresa também vende
peças de reposição, como placas-mãe e memórias,
e monitores de 15, 17 e 19 polegadas. Nada de tela plana e LCD. Esse
tipo de comércio, no entanto, está perdendo espaço,
diz Willian. ''O produto novo está mais barato'', aponta. Os computadores
novos também são mais acessíveis já que nos
grandes magazines há oferta de crédito fácil para
a aquisição.
Demandas
''As máquinas com processadores
mais antigos desempenham perfeitamente as funções básicas
de um computador doméstico'', explica o professor do curso de
Informática da Universidade Federal do Paraná, Heraldo
Madeira. No entanto, diz, os usuários tendem a apresentar novas
demandas e justificar o uso de equipamentos mais novos e com melhor poder
de processamento. ''Os jogos para computador, por exemplo, estão
sempre exigindo máquinas melhores'', aponta.
Segundo Madeira, o usuário
corporativo é mais conservador na atualização de
softwares e do parque de máquinas. ''As empresas tem mais a perder.
Uma decisão equivocada nessa área pode até causar
prejuízo para a organização'', diz. ''A questão,
em relação a tecnologia, é analisar se a que está sendo
utilizada é adequada ou não às demandas do usuário'',
avalia.
O professor mantém, na
UFPR, um acervo único de equipamentos de informática antigos
para mostrar aos alunos conceitos da área. ''Os conceitos permanecem
os mesmos. O que muda é a miniaturização'', diz.
Parte das máquinas mantidas por Madeira foram coletadas na própria
universidade. ''Outras instituições fizeram a atualização
dos equipamentos e jogaram o que era velho fora. Aqui conseguimos preservar'',
conta.
Agência Estado
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Agência Brasil,
20 de junho de 2008
Censo 2010 terá atualização
contínua
Danilo Macedo
Repórter da Agência Brasil
Elza Fiúza/ABr

Brasília - O ministro do Planejamento,
Paulo Bernardo, apresenta a estrutura do Censo Demográfico
2010 aos gestores e técnicos do governo federal
Brasília - O próximo censo populacional, em 2010, terá um
cadastro atualizado continuamente, para evitar defasagem. Atualmente,
a atualização completa só é feita a cada
década. A novidade foi anunciada hoje (19) Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE).
“Um dos objetivos
e novidades do censo 2010 é construir um cadastro de
todos os domicílios do país, que possa ser atualizado
de tal maneira que não precisemos de outros dez anos
para atualizar as informações sobre a população
brasileira”, disse o presidente do órgão,
Eduardo Pereira Nunes.
Os últimos censos
foram feitos em intervalos de dez anos, com atualização
do número de habitantes num período intermediário.
Segundo o presidente do IBGE, esse modelo gera algumas incoerências
e diferenças entre o dado censitário e a projeção
populacional. Por isso, a idéia é fazer uma atualização
anual, o que também contribuirá para a melhor
distribuição do Fundo de Participação
dos Municípios (FPM), que varia de acordo com o número
de habitantes de cada localidade.
“Com o censo
contínuo, a cada ano, vamos recensear uma parcela da
população e ir acumulando os dados, de tal maneira
que todos os anos tenhamos informações atualizadas
sobre a população brasileira, que serão
utilíssimos para informações mais precisas
sobre a população de cada município e
fundamental para o TCU [Tribunal de Contas da União]
repartir o FPM”, explicou Nunes, em evento de apresentação
antes da primeira reunião do processo censitário
de 2010, no Ministério do Planejamento.
Os números mostram
a amplitude da pesquisa que será realizada em 2010.
Serão contratados e treinados 240 mil profissionais
para coleta de dados em cerca de 58 milhões de domicílios
espalhados pelos 5.564 municípios brasileiros. Os recenseadores
usarão 220 mil computadores de mão equipados
com receptores de GPS.
O custo total da operação,
ao longo de três anos, desde o início dos trabalhos
até a divulgação dos resultados finais,
será de aproximadamente R$ 1,4 bilhão, equivalente
a pouco mais de R$ 24 por domicílio.
O censo identificará idade,
sexo, etnia, língua falada, cor, nível de instrução
e de saúde, emprego e renda da população
brasileira, incluindo ainda informações sobre
localização, qualidade e entorno dessas moradias
(se estão em favela, se há infra-estrutura urbana,
se existe poluição naquela área).
Na reunião
de hoje, os representantes do IBGE começaram a ouvir
sugestões de diversos órgãos do governo
sobre perguntas que vão formar o questionário
a ser aplicado na pesquisa. Depois dessa etapa, serão
escolhidas algumas perguntas. O tempo de entrevista não
pode ser superior a 30 minutos.
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FOLHA DE LONDRINA, 20 de
junho de 2008 | Economia
Déficit da Previdência
cai com mercado aquecido
Brasília- O secretário de Políticas de Previdência
Social, Helmut Schwarzer, informou pntem que o mercado de trabalho formal aquecido
continua impulsionando a arrecadação previdenciária e
este é o principal motivo que explica a redução de 16,8%
no déficit acumulado nas contas este ano em relação a
igual período do ano passado. Apenas em maio, o déficit caiu
22,9% em relação ao mesmo mês de 2007. ''É uma queda
muito significativa e, em grande parte, explicada pelo mercado formal urbano'',
comentou o secretário.
A arrecadação da
Previdência Social cresceu 10,3% de janeiro a maio ante os mesmos
meses de 2007, enquanto as despesas aumentaram 3,5% na mesma comparação.
Em maio sobre maio do ano passado, as receitas cresceram 3,5% e os gastos
subiram apenas 1,8%. Schwarzer destacou que essa equação
ajuda as contas previdenciárias e apontou duas hipóteses
com que trabalham os técnicos do Ministério da Previdência
para explicar o fenômeno.
A primeira é a influência
positiva na redução das concessões de benefícios
por incapacidade, como os auxílios-doença, pagos a trabalhadores
que se acidentam ou adoecem e ficam afastados do trabalho por mais de
15 dias. Em maio deste ano, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)
pagou cerca de 1,3 milhão de auxílios enquanto em maio
do ano passado o total de benefícios era de 1,5 milhão.
''Uma segunda hipótese é que
o mercado formal aquecido, ávido por mão-de-obra, dá mais
chances de as pessoas que antes passavam muito tempo recebendo auxílio-doença
hoje possam se recolocar em atividade'', afirmou Schwarzer.
Isabel Sobral
Agência Estado
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FOLHA DE LONDRINA, 20 de
junho de 2008 | Economia
Exigências de empresas na admissão
são ilegais
Ministério Público do Trabalho
alerta sobre casos de discriminação em processos de
contratações
Curitiba - Procurar emprego não é fácil. Mas existem algumas
dificuldades que, além de injustas, são ilegais. O alerta é do
Ministério Público do Trabalho (MPT), que atua em casos de discriminação
em processos de admissão. ''Os casos mais comuns com os quais lidamos é de
empresas que investigam se o candidato já processou um empregador'',
conta a procuradora do Trabalho, Andrea Silveira, que é do Núcleo
de Combate à Discriminação da Procuradoria. Segundo ela,
esse tipo de levantamento vai contra o direito constitucional de cada brasileiro
de ter acesso universal à Justiça.
''É uma iniciativa cruel
das empresas porque elas mesmo aconselham os trabalhadores a procurar
seus direitos nos tribunais e depois os discriminam por isso'', avalia.
''Pedir antecedentes criminais também é ilegal na maior
parte das ocupações'', adianta. E reforça: as informações
sobre o trânsito do candidato na Justiça do Trabalho ou
outra corte qualquer não podem ser utilizadas contra ele na hora
da contratação. ''Os critérios que a empresa pode
utilizar na seleção precisam ser coerentes com os objetivos
do cargo oferecido'', orienta.
Estão na mira do MPT diversas
práticas, entre elas a de pedir ao candidato a anexação
de uma foto ao currículo. ''Não se pede isso gratuitamente.
Em geral é para analisar as feições da pessoa'',
diz. Para Andrea, um dos problemas com a exigência de boa aparência é que
esse não é um critério objetivo. ''O que é ter
boa aparência? Em geral o que se avalia nesse caso é a raça,
a ascendência da pessoa'', analisa. O MPT, diz ela, está investigando
pelo menos uma empresa de Curitiba que exige a apresentação
de foto durante a seleção.
Outras restrições à contratação
de pessoal também não encontram respaldo constitucional.
Quem se sentir discriminado durante uma seleção para emprego
por procurar o MPT. ''A Procuradoria não atua em casos individuais,
mas se for comprovada a discriminação o caso vira de interesse
público'', informa. Segundo Andrea, a maior parte dos casos é resolvida
com a assinatura de um termo de ajuste de conduta por parte da empresa.
''Estipulamos uma multa para o descumprimento das cláusulas do
acordo'', diz.
Para Juliano Rabelo, do Grupo
de Estudos de Relações de Trabalho (Gertra) da Associação
Brasileira de Recursos Humanos do Paraná (ABRH-PR), algumas exigências
das empresas são injustas. ''Se a pessoa está desempregada é claro
que vai ter dificuldades para manter as contas em dia'', avalia. ''Mas
mesmo assim conheço muitas empresas de RH que insistem em fazer
essa consulta'', revela.
''Quem seleciona tem que ter
o cuidado para não ferir direitos constitucionais na hora de avaliar
os candidatos'', recomenda. O Gertra reúne profissionais da área
de Recursos Humanos. ''Quando um tema é polêmico, chamamos
um especialista para vir falar conosco a respeito'', explica. ''Nosso
próximo encontro será sobre a redução da
jornada de trabalho para 40 horas'', adianta.
Fique atento caso a empresa
- pesquise antecendentes criminais
ou histórico de processos judiciais
- pergunte se o candidato já processou
algum ex-empregador
- investigue o nível de
endividamento do candidato
- exija que o candidato tenha uma determinada religião
- peça laudo, exame ou perícia para determinar gravidez ou esterilidade
da candidata
- não seleciona
profissionais por critérios diversos da qualificação
profissional (peso, idade, origem)
Rosiane Correia de Freitas
Equipe da Folha
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FOLHA DE LONDRINA, 20 de
junho de 2008 | Curitiba
Em busca de pedreiros
Crescimento na construção civil
faz com que profissionais qualificados sejam disputados por empresas
do setor

O pedreiro Valdir Pedroso foi alfabetizado através do
projeto Canteiro da Educação
Eles trabalham com sol intenso, chuva forte, frio e calor. Muitas vezes sofrem
preconceito pela profissão. No entanto, para atrair maior quantidade
de pedreiros com o objetivo de atender a demanda de construções,
o Serviço Social do Sindicato da Indústria da Construção
Civil do Paraná (Seconci) passa a oferecer benefícios para a
classe. Eles desenvolvem ações e atividades que valorizam os
profissionais deste setor.
Cursos de aperfeiçoamento,
ginástica laboral no canteiro de obras, palestras sobre qualidade
de vida e saúde (drogas, alcoolismo, tabagismo e segurança
no trabalho), apresentações de peças teatrais
com temas educativos e motivacionais são algumas das ações
que o Seconci desenvolve com os profissionais da construção
civil. São 6 mil atendimentos por mês. Além destas
atividades, as empresas que seguem os padrões exigidos possuem
banheiro no local da obra, espaço apropriado para comer, aparatos
de segurança, uniforme e espaço para tomar banho ao fim
do expediente.
Esta vitória que os
trabalhadores tiveram ainda não refletiu no aumento de profissionais
interessados em atuar no setor. Não houve nos últimos
anos incentivo para que eles ficassem na construção civil,
já que no passado não havia muita opção
de emprego nesta área. Como hoje a falta de mão-de-obra
especializada atrasa a construção de residências
e prédios comerciais, o Sindicato da Indústria da Construção
Civil do Paraná (Sinduscon-PR) foi atrás da verba do
Plano Setorial de Qualificação (Planseq), do governo
Federal, para capacitar 13 mil pessoas que recebem o Bolsa Família
para atuar na construção civil. São R$ 7,3 milhões
investidos no projeto. O Paraná foi o primeiro Estado a solicitar
verba do Planseq para este setor. Os cursos de capacitação
devem iniciar ainda este ano.
João Carlos Cunha Guarinello,
proprietário da Concretiza Construtora de Obras, do Grupo Resistence,
diz que comprar um imóvel está mais fácil devido
ao grande número de empréstimos realizados. ‘‘Isso
fez com que profissionais da construção civil fossem
mais valorizados’’, explica o empresário.
A Laguna Construtora & Incorporadora
não pretende perder seus funcionários tão cedo.
Para isso, oferece benefícios como café da manhã,
almoço, seguro de saúde, treinamentos semanais sobre
saúde, segurança e técnicas de trabalho, áreas
de convivência como vestiários, banheiros e refeitórios,
oportunidade de alfabetização no canteiro de obras e
programa de metas da empresa. Em uma das obras existem oito pedreiros
e 10 carpinteiros, além de serventes, guincheiros e demais funcionários.
Porém, a construtora está em busca de mais profissionais.
A Laguna realiza hoje três
obras de edifícios. Uma delas ficará pronta apenas em
2010, o que garante emprego para muita gente. Segundo o diretor geral
da construtora, Gabriel Raad, eles agora procuram por mais pedreiros
para dar conta do volume de trabalho. Para o diretor, atividades que
promovem o bem estar do funcionário são fundamentais
para uma boa produção. ‘‘Dar um ambiente
saudável, elevar a auto-estima do profissional e aperfeiçoar
suas competências garantem a sustentabilidade do setor da construção
civil’’, garante Raad.
Um dos funcionários
da Laguna é o pedreiro Valdir Pedroso. Ele não possuía
muita familiaridade com a língua portuguesa, tendo dificuldade
em escrever e ler. Assim, resolveu participar do projeto ‘‘Canteiro
da Educação’’, desenvolvido pelo Sindicato
das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe) e com apoio da Secretaria
Estadual e Municipal de Educação e do Sinduscon-PR. O
curso durou três meses com aulas todos os dias, realizadas no
próprio local de trabalho. ‘‘Não paguei nada
e o curso ajudou muito no meu trabalho’’, conta Pedroso.
Funcionários de outras empresas também podem participar
do projeto, sem nenhum custo.
Diogo Cavazotti
Equipe da Folha
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FOLHA DE LONDRINA, 20 de
junho de 2008 | Curitiba
Atendimento odontológico no
canteiro de obras
Mauro Frasson

Unidade móvel de odontologia do Seconci leva saúde aos pedreiros
de diversas obras de Curitiba
O pedreiro Gilson Ribeiro da Silva não precisa se deslocar até um
consultório para receber atendimento odontológico. No próprio
local que trabalha uma unidade móvel de saúde do Sinduscon vai
para realizar exames e consultas gratuitas aos funcionários da Doria
Construções Civis. Isso é feito durante o horário
de trabalho. ‘‘É muito bom. Fica mais fácil pra gente’’,
conta Silva. Além disso, os funcionários da empresa ainda recebem
café da manhã, almoço e podem realizar demais atendimentos
de saúde na sede do Seconci durante o expediente.
O odontologista que presta os
atendimentos, André Luiz Villatore Assef, atende todos os pedreiros
da obra. ‘‘O preço do tratamento e a falta de tempo
afasta o funcionário dos consultórios. O trabalho feito
na unidade móvel é importante para eles’’,
explica.
Atualmente a Doria possui 480
funcionários, número que atende as necessidades da empresa. ‘‘A
falta de profissionais já esteve mais crítica, como no
final do ano passado’’, diz Maira Andrea Doria Mattana, diretora
da construtora. Porém, em breve eles irão precisar de mais
mão-de-obra qualificada pois novos projetos serão executados.
Ultimamente a procura
por profissionais da construção civil está acirrada.
Em uma emissora de rádio, uma construtora que acaba de iniciar
suas atividades em Curitiba anunciou que está contratando aproximadamente
400 pessoas para atuar no setor. Funcionários da Laguna já foram
sondados para trabalhar na concorrente. (D.C.)
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FOLHA DE LONDRINA, 20 de
junho de 2008 | Curitiba
Novos postos de trabalho
Segundo dados do Sindicato da Indústria da Construção
Civil do Paraná (Sinduscon), apenas no primeiro trimestre deste ano
4.013 novos postos de trabalho foram criados no setor. No mesmo período
de 2007 o número foi de 1.900, contabilizando crescimento de 111% apenas
em Curitiba. No Paraná o crescimento foi de 69%.
O volume de alvarás
para novas construções residenciais ou comerciais atingiu,
de janeiro a abril deste ano, 843.952 metros quadrados, registrando
aumento de 52% em relação ao ano passado. Os alvarás
exclusivamente residenciais aumentaram 69%. (D.C.)
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FOLHA DE LONDRINA, 20 de junho de 2008 | Curitiba
Remuneração aumenta
O piso salarial estipulado para pedreiros, eletricistas, carpinteiros, encanadores,
pintores e outros profissionais do setor da construção civil é de
R$ 770, mais R$ 93 para alimentação. Profissionais com mais experiência
e qualificação têm salários próximos de R$
1 mil, mais que o dobro do mínimo regional, de R$ 464. Os profissionais
contam também com assistência médica e odontológica,
custeada pelas empresas conveniadas ao Seconci-PR (Serviço Social do
Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná).
(D.C.)
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FOLHA DE LONDRINA, 20 de
junho de 2008 | Curitiba
Cuidado com profissionais não
qualificados
O gerente comercial Álvaro
Muinos Vazques e sua esposa, a procuradora federal Giovanna Alves Cim,
iniciaram em janeiro de 2007 a construção da casa própria.
A previsão de conclusão das obras era dezembro do ano passado.
Porém, o engenheiro responsável esteve ausente durante
o maior período da construção e os pedreiros erraram
o projeto. O resultado foi uma casa torta.
‘‘Diferente
do projeto original, algumas salas ficaram maiores, o que dificultou
para colocar o telhado. O alinhamento de toda a casa ficou errado.
O engenheiro deixou tudo na mão dos pedreiros. A gente nem se
mudou ainda’’, reclama Giovana, que agora se divide entre
a casa de sua mãe e a da família do marido. A falta de
experiência dos funcionários resultou em uma casa mais
cara. Agora, a previsão de término da construção é em
agosto deste ano. (D.C.)
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Agência Câmara,
20 de junho de 2008
Projeto proíbe descontos no
salário de trabalhador
A Câmara analisa o Projeto de Lei 2930/08, do Senado, que proíbe
descontos nos salários de trabalhadores de estabelecimentos comerciais
dos valores relativos a pagamentos feitos por usuários por meio de cheques
sem fundos ou de cartões de crédito roubados. Além disso,
a proposta proíbe o desconto nos salários de valores que tenham
sido roubados ou furtados e registrados em boletim de ocorrência policial.
De acordo com a proposta, os
acordos e convenções coletivas estabelecerão regras
preventivas para o recebimento de cheques bancários, cartões
de crédito ou de débito e para a guarda dos valores resultantes
dos serviços prestados no estabelecimento.
Tramitação
Antes de ir a Plenário, o projeto deverá ser examinado pelas
comissões de Trabalho, de Administração e Serviço
Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra
da proposta:
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PL-2930/2008
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GAZETA DO POVO, 20 de junho
de 2008 | Vida e Cidadania/ Justiça | Pág. 12
JustiçaPrecedente
Dano moral desde o útero
Superior Tribunal de Justiça (STJ) concede
indenização por danos morais a nascituro
Publicado em 20/06/2008 | Vinícius
Dias, com informações do Consultor Jurídico
A 3ª Turma do STJ reconheceu, na última terça-feira, o direito
de um nascituro de receber indenização por danos morais. Unânime,
a decisão do STJ manteve o entendimento do Tribunal de Justiça
do Rio Grande do Sul (TJRS), que já havia se posicionado a favor da
indenização devida à criança, que ainda não
havia nascido quando seu pai morreu, em um acidente de trabalho. A decisão é um
raro precedente: de acordo com o sistema de pesquisa de jurisprudência
do STJ, apenas mais um posicionamento similar foi tomado pela Corte em seus
19 anos de existência.
A mãe do nascituro envolvido
no caso, depois da morte do marido, ajuizou ação de indenização
por danos morais e materiais contra a empresa onde o pai de família
trabalhava, no Rio Grande do Sul. A primeira instância gaúcha
condenou a empresa ao pagamento de pensão mensal a título
de danos materiais, além do pagamento de danos morais – arbitrados
em R$ 39 mil para a viúva e R$ 26 mil para cada filho, inclusive
para o que ainda estava em gestação quando o pai morreu.
O TJRS manteve a decisão que, recorrida, foi parar no STJ.
Para atenuar a condenação, a empresa argumentou que a indenização
por dano moral não deveria ter sido fixada em montante igual para os
filhos nascidos e para o nascituro. A relatora do caso, ministra Nancy Andrighi,
não aceitou a tese. Para ela, a diminuição do valor indenizatório
em relação ao nascituro é descabida, uma vez que não é possível
quantificar a dor moral e, “para dizer que a dor do nascituro é menor
seria necessário, antes, dizer que é possível medi-la”.
Segundo a ministra, “se fosse possível alguma mensuração
do sofrimento decorrente da ausência de um pai, arriscaria dizer que
a dor do nascituro poderia ser considerada ainda maior do que aquela suportada
por seus irmãos, já vivos quando do falecimento do genitor. Afinal,
maior do que a agonia de perder um pai é a angústia de jamais
ter podido conhecê-lo, de nunca ter recebido dele um gesto de carinho,
enfim, de ser privado de qualquer lembrança ou contato, por mais remoto
que seja, com aquele que lhe proporcionou a vida”.
No Paraná
O sistema online de pesquisa
de jurisprudência do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR)
destaca uma decisão nos mesmos moldes da tomada nesta semana pelo
STJ. O acórdão data de 2002 e o caso foi relatado pelo
desembargador Carlos Mansur Arida – na época, no extinto
Tribunal de Alçada. A decisão reconhece o direito de um
nascituro de receber indenização por danos morais (e materiais),
em conseqüência da morte de seu pai em acidente automobilístico.
Relatou o desembargador Arida, na ocasião: “quanto aos danos
morais, no caso em apreço, é inegável que, ao perder
o pai, mesmo o nascituro os sofre, pois ficou prematuramente privado
da companhia do pai e de sua orientação”.
Expectativa de direitos
Uma dúvida persiste:
o direito do nascituro se manteria caso o mesmo nascesse morto? Para
o desembargador Arida, não. De acordo com seu acórdão, “o
nascituro apenas tem uma expectativa de direitos que se concretizarão
se nascer com vida e a partir de então passam a ser assegurados
pela lei”. Já William Artur Pussi, juiz da Vara de Família,
Infância e Juventude em Cianorte (PR) e autor do livro Personalidade
Jurídica do Nascituro, diz que, “apesar de o Código
Civil considerar ‘pessoa’ apenas quem nasce com vida, a
tendência atual é considerar a ‘pessoa’ desde
antes do nascimento”. Uma vez considerada “pessoa”,
o nascituro faria jus à indenização, ainda que
não tivesse nascido com vida – nesse caso, os direitos
passariam ao herdeiro do natimorto.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
20/06/2008
Pagar a professor de História menos
que ao de Informática é discriminação
Um professor de História
e Geografia do Centro Educacional de Realengo (RJ) obteve, da Sexta Turma
do Tribunal Superior do Trabalho, equiparação salarial
com seu colega que ministrava aulas de Informática. A Sexta Turma
entendeu que configurava manifesta discriminação o fato
de a hora-aula do professor de História ser inferior à do
de informática, e que o estabelecimento estaria dando tratamento
remuneratório diferenciado com base em fator injustamente desqualificante,
atribuindo a uma matéria mais importância do que a outra.
O professor foi contratado pelo
Centro Educacional Realengo em fevereiro de 1994 para dar aulas para
o ensino médio. Na mesma época, o centro contratou também
outros professores, com salário-aula 42% superiores. Ao ser demitido,
no fim de 1999, ajuizou a reclamação trabalhista em que
pedia, entre outras verbas, a equiparação salarial. A 7ª Vara
do Trabalho do Rio de Janeiro e o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região
(RJ) julgaram improcedente o pedido de equiparação. O juiz
de primeiro grau considerou que “a disciplina de informática,
por si só, é muito mais complexa, até porque se
trata de matéria relativamente nova e que exige do professor permanente
atualização”. Para o TRT/RJ, não havia dúvidas
quanto à igualdade de nível cultural entre ambos, “mas
a equiparação só seria possível pelo tipo
de atividade que exercem especificamente”, e o fato de serem matérias
distintas não permitiria avaliar a perfeição técnica
e a identidade de funções.
Ao recorrer ao TST, o professor
sustentou que as decisões das instâncias ordinárias
contrariavam o princípio da isonomia, uma vez que, em se tratando
de professores de nível médio, “todos são
igualmente importantes na formação do cidadão”.
O ministro Maurício Godinho Delgado, relator do recurso, acolheu
sua argumentação e ressaltou que o combate à discriminação,
uma das mais importantes áreas do avanço do Direito nas
modernas democracias ocidentais, foi absorvido também pelo Direito
do Trabalho.
O relator lembrou que, embora
a CLT (artigo 461) estabeleça critérios para a equiparação
(identidade de função, de empregador e de localidade e
simultaneidade desses três fatores), ela também traz disposições
sobre o trabalho do professor: exige-se apenas habilitação
legal e registro no Ministério da Educação (artigo
317) e estabelece que a remuneração seja fixada pelo número
de horas semanais. “Não há, nesses ou nos demais
artigos, distinção em relação às matérias
ministradas”, assinalou. A Lei nº 9.394/1999 (Lei de Diretrizes
e Bases da Educação) faz distinção apenas
entre educação básica (educação infantil,
ensino fundamental e ensino médio) e superior. Esses fundamentos
afastaram a premissa de que professores que lecionam matérias
distintas não possuem identidade de função.
Quanto ao entendimento
adotado pelo TRT de que não seria possível avaliar a
perfeição técnica para fins de equiparação,
o ministro Maurício Delgado afirmou ser ônus do empregador
provar o fato capaz de modificar, impedir ou extinguir a equiparação
salarial. “Se não houve essa prova, ou se ela é inviável,
o fato alegado como impeditivo não se sustenta”, afirmou. “Evidenciado
o fato constitutivo – a identidade de funções – e
não demonstrados os fatos obstativos – a impossibilidade
de avaliar a diferença técnica -, é inviável
manter-se a diferença de remuneração, por afrontar
os preceitos constitucionais da igualdade (artigo 5º, caput),
da isonomia e da não-diferenciação do trabalho
(artigo 7º, incisos XXX e XXXII)”, concluiu. (RR 95049/2003-900-01-00.1)
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20/06/2008
Justiça do Trabalho rejeita competência
para julgar denúncia-crime
A Justiça do Trabalho
vem-se julgando incompetente para apreciar ação do Ministério
Público do Trabalho de Florianópolis que acusa um advogado
de crime de denunciação caluniosa. Com remessa determinada à Justiça
Comum Estadual desde a primeira instância, o processo chegou ao
Tribunal Superior do Trabalho em agravo de instrumento do advogado implicado.
A Primeira Turma, no entanto, negou provimento ao apelo, mantendo, assim,
a posição de incompetência para apreciar e julgar
ações de cunho criminal.
O Ministério Público,
ao buscar a 5ª Vara do Trabalho de Florianópolis para oferecer
denúncia-crime contra o advogado, esclareceu que o acusado apresentou
denúncia ao MPT contra a empresa Blumelar Eletro Refrigeração
Ltda., que supostamente teria praticado ilícitos trabalhistas.
No entanto, após realizadas as fiscalizações, não
foi constatada nenhuma irregularidade.
O advogado alega que apenas solicitou,
em nome de sua cliente, a apuração dos fatos de que tinha
conhecimento, que declara verdadeiros. Argumenta, ainda, que o MPT/SC
tem espaço específico para denúncias, “onde
qualquer pessoa do povo pode alcagüetar quem quiser, pelos mais
variados motivos, inclusive no anonimato”. O interessante, no caso, é que
a cliente que atuou como noticiante é a filha do proprietário
da empresa. Ela afirmou que o pai mantinha um trabalhador sem o registro
na carteira de trabalho.
A Vara de Florianópolis
declarou a incompetência absoluta da Justiça do Trabalho
para apreciar a questão. Determinou, então, a remessa dos
autos à Justiça Estadual, a fim de ser distribuído
a uma das Varas Criminais da capital catarinense. O MPT recorreu ao Tribunal
Regional do Trabalho da 12ª Região (SC), que considerou não
haver necessidade de reformar a sentença.
O Regional avaliou que, mesmo
após as inovações da Emenda Constitucional nº 45,
que ampliou sua competência, a Justiça do Trabalho continua
incompetente para processar e julgar ações penais. Ao recorrer
ao TST, o advogado alegou violação dos princípios
constitucionais da inafastabilidade do Poder Judiciário, do contraditório
e da ampla defesa.
Para o ministro relator, Vieira
de Mello Filho, “a insatisfação não pode ser
resolvida em face dessas alegações”. E ressaltou
que “as partes continuam recorrendo em juízo, recebendo
a devida prestação jurisdicional, não lhes sendo
subtraído o direito ao contraditório e à ampla defesa,
garantidos na Lei Maior”. (AIRR-5975/2006-035-12-40.0)
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