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Agência Câmara,
21 de junho de 2008
Projeto amplia licença-maternidade
em casos excepcionais
O Projeto de Lei 2932/08, já aprovado pelo Senado, aumenta a licença-maternidade
de 120 para 180 dias nos casos de nascimento múltiplo (mais de
um filho na mesma gestação), prematuro e de criança
portadora de doença ou malformação grave que demande,
em conseqüência, maior atenção que a normalmente
dispensada ao recém-nascido em circunstâncias normais. O
projeto, que altera a Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT), foi apresentado pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG).
De acordo com a proposta, as despesas com os dois meses
extras de salário-maternidade serão custeadas
por dotações próprias no orçamento
da seguridade social.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado
pelas comissões de Trabalho, de Administração
e Serviço Público; Seguridade Social e Família;
Finanças e Tributação; e Constituição
e Justiça e Cidadania.
Íntegra da proposta:
- PL-2932/2008
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Agência Câmara,
21 de junho de 2008
Projeto dá estabilidade
de três meses após férias
O Projeto de Lei 3035/08, apresentado pelo deputado Sandes Júnior
(PP-GO), acrescenta dispositivo à Consolidação das
Leis do Trabalho (CLT) para inibir a demissão do trabalhador ou
da trabalhadora que estiver retornando de férias ou de afastamento
do trabalho por 30 dias ou mais, seja para tratamento de saúde
ou por licença maternidade. Nesses casos, o empregado terá estabilidade
no emprego por três meses após o retorno.
Se vier a ser demitido sem justa causa durante esse período,
o funcionário terá direito a receber em dobro
a multa rescisória calculada sobre o Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço (FGTS).
Sandes Júnior afirma ser comum os trabalhadores serem
surpreendidos pela demissão após voltar de
férias ou de licença. O deputado argumenta
que a rescisão do contrato de trabalho, nesse contexto, "é injusta
porque apanha o trabalhador de surpresa e em momento de extrema
fragilidade".
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será examinado
pelas comissões de Trabalho, de Administração
e Serviço Público; e de Constituição e
Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:
- PL-3035/2008
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Agência Senado, 21
de junho de 2008
Paim propõe emissão
gratuita de segunda via de documentos roubados
O senador Paulo Paim (PT-RS) apresentou proposta de emenda à Constituição
(PEC 22/08) que determina a proibição da cobrança
de taxa - por parte da União, dos estados, do Distrito Federal
e dos municípios -, para emissão de segunda via de documentos
pessoais que tenham sido objeto de roubo ou furto. A proposta acrescenta
o artigo 152-A à seção que trata, na Constituição,
das limitações do poder de tributar.
Paim observa que alguns estados já isentam de cobrança
a emissão de segunda via de documentos furtados ou
roubados. Essas iniciativas, em sua opinião, demonstram
o caráter justo de sua proposta e impõem a
urgência em proporcionar tratamento uniforme da questão
em todo o território nacional.
Na avaliação do autor da proposta, a cobrança
de taxas para emissão de segunda via não é justa
para as vítimas de roubos ou furtos, que, como pondera
o senador, "além de sofrerem com o delito em
si, ainda se vêem obrigados a pagar para ter novamente
seus documentos".
"Tendo em vista que os documentos pessoais representam
elemento essencial para o exercício da cidadania,
o Poder Público não pode seguir indiferente
a esse sofrimento, cobrando uma segunda vez pela emissão
desses documentos", justifica o senador.
Paim lembra ainda que a situação é mais
preocupante quando se considera que as taxas cobradas representam ônus
muito grande para a parcela menos favorecida da população.
A PEC tramita na Comissão de Constituição
e Justiça e Cidadania (CCJ), aguardando designação
do relator.
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Agência Diap, 21
de junho de 2008
NORMAS INTERNACIONAIS
CUT elabora cartilha em favor
das Convenções 151 e 158 da OIT
Com o lema “Pra lutar é preciso conhecer”, a Central Única
dos Trabalhadores (CUT), entidade filiada ao Diap, lançou duas
cartilhas para subsidiar a militância nas discussões sobre
as Convenções 151 e 158 da Organização Internacional
do Trabalho (OIT).
As cartilhas foram elaboradas pela secretaria de comunicação
da entidade e buscam contribuir com o debate. Ao tempo, estimulam ainda
mais a luta dos dirigentes e militantes pela ratificação
das Convenções 151 e 158 no Brasil.
Preparo técnico
A CUT reforça o entendimento de que é necessário
preparo para orientar as bases para pressionar o Congresso
Nacional a aprovar as medidas que garantem e ampliam diretos
dos trabalhadores. A central recomenda, para tanto, que
as entidades sindicais que promovam discussões sobre
o tema e divulguem os materiais nas atividades realizadas.
Além das versões impressas, as publicações
também estão disponíveis no Portal
do Mundo do Trabalho – www.cut.org.br -
e podem ser reproduzidas nos sites das entidades.
Para reforçar as campanhas, a CUT também
lança os vídeos sobre as Convenções
151 e 158. O vídeo sobre a Convenção
151 já está na internet, disponível
no nosso Portal. O da Convenção 158 está sendo
finalizado e em breve estará no ar.
Cartilha
Convenção 151 – trata da organização
sindical e do processo de negociação dos
trabalhadores no serviço público.
Cartilha
Convenção 158 – trata da restrição às
demissões sem justa causa e combate à alta
rotatividade da mão-de-obra. (Com CUT)
Mais informações
Para mais informações basta entrar em contato
com a secretaria de comunicação no telefone:
(11) 2108.9298 ou na secretaria geral: (11) 2108.9100.
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Agência Diap, 21 de junho de 2008
FRAUDES E SONEGAÇÕES
Receita Federal do Brasil fará operação
contra fraude na Previdência
A Receita Federal inicia, na próxima segunda-feira
(23), uma megaoperação em todo o País para
combater fraudes e sonegações no pagamento das contribuições
previdenciárias, informou nesta sexta-feira (20), o secretário-adjunto
da Receita Paulo Ricardo Cardoso.
Depois de um cruzamento de dados iniciado no ano passado, a Receita
encontrou fortes indícios de sonegação em 6.455
empresas. Na segunda-feira, fiscais da Receita Federal já estarão
nas sedes de 1,7 mil dessas empresas para começar a análise
dos livros contábeis, dos registros dos empregados e dos prestadores
de serviços, para checar os indícios identificados
durante o processo de investigação iniciado no ano
passado. Segundo Cardoso, o potencial de sonegação,
no total desses casos, é de R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões.
Durante as investigações e cruzamento de dados, o
Fisco identificou diferenças de R$ 15 bilhões (base
de cálculo) entre a remuneração dos funcionários
declarada pelas empresas e o valor pago de contribuições
previdenciárias. Cardoso afirmou que os indícios são
muito fortes, e as divergências, muito significativas. Por
isso, acredita que as irregularidades serão confirmadas.
Super-Receita
A megaoperação é a primeira com foco nos tributos
previdenciários. Segundo o secretário-adjunto da Receita,
a operação decorre principalmente do cruzamento de dados
possibilitado pela unificação das antigas Secretaria
da Receita Federal e Secretaria da Receita Previdenciária (do
Ministério da Previdência), que resultou na chamada Super-Receita.
A operação é a terceira ação
da Estratégia Nacional de Atuação da Fiscalização
posta em prática pela Receita Federal. Na primeira ação,
os focos da fiscalização foram as operações
com cartão de crédito, imóveis e aluguéis.
Na segunda ação, há duas semanas, os indícios
de sonegação foram identificados com base na movimentação
financeira.
Multa
A multa para irregularidades nas contribuições previdenciárias
varia de 24% a 100% do valor devido. As empresas estão sujeitas
também à cobrança de juros de mora e podem ser
responsabilizadas na Justiça por crime contra a ordem tributária.
A Receita recomenda às empresas regularizarem a situação
antes do recebimento da intimação inicial do Fisco.
Em relação às 1.700 empresas que receberão
os fiscais já na próxima segunda-feira, o secretário-adjunto
observou que não há mais tempo para regularização. (Fonte:
Agência Estado)
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Diário Vermelho,
21 de junho de 2008
Patrões podem vencer
na disputa pelo fim da demissão imotivada
A ratificação das Convenções
151 e 158 da OIT (Organização Internacional
do Trabalho), pode ser votada na próxima semana. Na última
quarta-feira (18), na reunião da Comissão de
Relações Exteriores, a votação
foi suspensa porque teve início a sessão de
votação no plenário da Câmara,
o que impede as votações nas comissões.
Segundo a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), que
presidia a sessão, a expectativa é que ela
seja rejeitada.
“
A disputa não é entre oposição
e governo; é maior, é entre o capital e o trabalho”,
disse a parlamentar, em referência ao parecer do relator,
o socialista Júlio Delgado (MG), que recomenda a rejeição à ratificação
da Convenção 158. A matéria protege
o trabalhador contra a despedida arbitrária e sem
justa causa.
O deputado Dr. Rosinha lamentou que a proposta tenha recebido
parecer contrário. "Essa questão é extremamente
importante para os trabalhadores. É impressionante
como as opiniões já estão pré-formadas
pela rejeição da convenção,
sem sequer aprofundarmos as discussões. Se não
houver articulação das centrais sindicais,
nós perderemos essa queda de braço",
lamentou.
Alerta aos trabalhadores
Os deputados da Comissão de Relações
Exteriores alertam os sindicatos dos trabalhadores para
que se mobilizem em prol da ratificação da
Convenção 158, destacando que a convenção
158 protege o trabalhador contra demissões imotivadas
e arbitrárias, como as causadas por licença
maternidade, filiação sindical ou aquelas
devidas à cor, ao sexo ou ao estado civil do empregado.
A convenção também exige negociação
com os sindicatos de trabalhadores nos casos de conflitos
trabalhistas.
Dr. Rosinha explicou que a convenção 158
desagrada à maior parte dos empresários,
que não querem justificar suas demissões
infundadas. "No Brasil, demite-se um trabalhador sem
nenhum motivo. Depois se contrata outro funcionário
para exercer a mesma função, porém
com um salário em média 20% mais baixo. Temos
que evitar que a convenção 158, elaborada
por um órgão internacional de grande prestígio,
seja rejeitada no parlamento brasileiro", defendeu.
Em favor do empresariado
Em seu parecer, o deputado Júlio Delgado apresenta
as duas posições – dos defensores e
dos críticos da matéria. Ele lembra que “os
defensores entendem que a Convenção é importante
para frear a rotatividade do mercado de trabalho brasileiro,considerada
excessiva, assim como a estratégia de muitas empresas
de dispensar empregados de maior custo para contratar outros,
para os mesmos cargos, com salários menores”.
E destaca que “os críticos da matéria
consideram a Convenção antiquada para os
tempos modernos. Tendo sido aprovada em 1985, quando a
economia era mais fechada evidentemente, não podia
ter atualidade no mundo globalizado, que requer renovações
contínuas para fazer frente às inovações
nas tecnologias e nos modos de produzir. Seu impacto principal
no mercado de trabalho tem sido o de inibir a geração
de novos empregos, o que é danoso para os jovens
e adultos”.
Entre um e outro, o deputado optou em favorecer os empresários,
alegando que a constituição brasileira de
1988 criou “princípios modernos no conjunto
de proteções fundamentais: a compensação
indenizatória pelo empregador, o sistema intocável
do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e o seguro
desemprego pelo Estado”, acrescentando que “este
regramento comprovadamente eficiente e moderno” exclui
a necessidade de qualquer outra solução.
Favorável ao servidor público
Já a convenção 151, cujo relator é o
deputado Vieira da Cunha, recebeu parecer favorável.
A matéria trata dos direitos e garantias das organizações
sindicais de defesa dos interesses dos servidores públicos.
A Convenção define ainda as normas gerais
para a negociação coletiva dentro do serviço
público e será aplicada a todos os empregados
pelas autoridades públicas da União, Estados
e Municípios.
De Brasília
Márcia Xavier
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Congresso em Foco, 21 de
junho de 2008
Nelson Jobim e o projeto da
superpolícia
Bajonas Teixeira de Brito
Junior*
Nenhum lugar poderia ser mais simbólico para a
execução do projeto piloto de uma superpolícia
arquitetado pelo ministro Nelson Jobim que a favela do
morro da Providência. Ou será que vamos esquecer
que o nome "favela" surgiu quando, retornando
das chacinas de Canudos há mais de cem anos, depois
de deixar para trás cerca de 25.000 mortos, os veteranos
começaram a ocupar a região do Centro do
Rio de Janeiro em que, hoje, fica a favela do morro da
Providência? Parece que, como diria Dom Casmurro,
a história do Brasil tem sempre que juntar as duas
pontas do tempo.
O assassinato dos três jovens no Rio de Janeiro
merece da parte de qualquer um que se preocupe com os rumos
da democracia brasileira uma reflexão profunda.
Em primeiro lugar porque, por mais bárbaro que seja
o ato na nossa primeira percepção, vendo
ali uma atrocidade que envolve seqüestro e homicídio
triplamente qualificado, por forças públicas,
há, ao que tudo indica, ainda um agravante mais
hediondo: as torturas que os jovens sofreram nas mãos
a que foram entregues pelos seus raptores. Uma das mães
relatou que o rosto do filho encontrava-se completamente
desfigurado. Portanto, não é pouca coisa
aquilo com que se tem que lidar. Certamente, seria equivocado
afirmar que o Exército foi responsável direto,
o que não parece ser o caso. Irresponsabilidade,
contudo, seria não se perguntar como marcharam os
fatos para que chegassem a uma ocorrência tão
repulsiva.
A resposta a esta pergunta vai nos mostrar que há um
projeto que se articula dentro do Estado, que tem entre
seus promotores o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e que
se encaminha para garantir a participação
do exército na segurança pública,
como uma superpolícia, à qual nem sequer
se aplicaria a legislação que regula as polícias
hoje. E lembremos que, para muitos, essa polícia
goza de demasiados caminhos para a impunidade.
Ninguém ignora que a democracia brasileira é em
grau superlativo excludente, mantendo na marginalidade
imensos contingentes da população. A defasagem
entre os que usufruem de ganhos democráticos e as
legiões dos sem-democracia é tão drástica
e ampla que não é deslocada a questão
de se a forma política do Estado brasileiro, a democracia,
não significa ao fim das contas apenas um engodo.
Basta ver o tema da violência policial em todos os
estados brasileiros. Contudo, de uns tempos para cá,
percebem-se movimentos nítidos no sentido de dar
um cunho ainda mais contundente, letal e discriminatório,
aos modos de dominação que se costuraram
dentro desta democracia.
As duas principais iniciativas que se verificam aí são
de cunho repressivo. E ambas estão sendo postas à prova
no Rio de Janeiro. Uma, a das milícias, se pode
chamar de vertente concentracional e criminosa, uma vez
que se vale do espaço dos bairros pobres (as comunidades,
ou favelas) para, dentro deles, estabelecer um sistema
de extorsão de lucros calcada na compulsão
e na violência. Exatamente como se dava dentro dos
campos de concentração, em que a exploração
do trabalho era feita sob ameaça constante e imediata
de morte. É formada por bombeiros, policiais e ex-policiais,
guardas penitenciários e, segundo diversas matérias
publicadas nos jornais, seus coordenadores são políticos.
A outra é, em muitos sentidos, absolutamente contrária
a essa primeira: é de caráter público,
se estabelece dentro de parâmetros institucionais
e legais, e visa a solucionar um problema essencial do
país, a segurança pública. Num contexto
em que não faltam vozes para afirmar que a violência
trava o desenvolvimento do país, até nesse
sentido o projeto se enquadraria numa perspectiva de construção
da nacionalidade. Este é o projeto de uso do Exército
na segurança pública. Seu principal porta-voz
e promotor é o ministro da Defesa, Nelson Jobim,
que, se fosse bem sucedido com ele, certamente engrossaria
seu capital político para uma ambição
que já deixou aflorar: a de chegar à Presidência
da República. Dificilmente será equivocada
a desconfiança de que sua insistência na permanência
das tropas no morro da Providência se relaciona com
o sonho presidencial. E bastaria a insensibilidade e a
infelicidade atroz de suas palavras, ao nos exortar para "não
deixar que as mortes contaminem as obras", para indicar
o erro completo do projeto do ministro.
Vejamos o projeto. Segundo o ministro afirmou na noite
de 12 de junho, está em elaboração
um projeto na forma de um estatuto jurídico especial,
para que as Forças Armadas atuem na garantia da
segurança pública. E o façam sem estarem
sujeitas às mesmas leis que o policial comum tem
que respeitar em operações urbanas. Portanto,
está-se visando a algo além do policial comum.
Um superpolicial, cujas leis seriam diferentes daquelas
aplicáveis ao restante dos mortais. Segundo o ministro,
até que o novo código seja instituído,
o militar não pode atuar sem permanecer vulnerável
a processos com alegações criminais. É preciso
dizer mais alguma coisa? O que aconteceria com os militares
agora acusados no Rio, se este projeto já houvesse
sido aprovado?
Mas, vamos considerar a polícia brasileira. Segundo
o renomado sociólogo francês Loïc Wacquant,
entrevistado pela Folha de S. Paulo em maio de 2006, as
elites políticas brasileiras usam o "estado
penal – política, tribunais e sistema judiciário – como
o único instrumento não só de controle
da criminalidade como de distribuição de
renda e de fim da pobreza urbana". O resultado disso,
continua ele, é que só a polícia de
São Paulo mata mais que as polícias de todos
os países da Europa juntos (leia
mais). Ora, em janeiro de 2007, uma matéria
de Bruno Tavares para O Estado de S. Paulo mostrava que,
em média, a polícia do Rio de Janeiro matava
dez vezes mais que a de São Paulo (leia
mais).
Considerando esses dados, não podemos escapar da
conclusão de que, no que tange à segurança
pública, nos encontramos frente a uma situação
pavorosa. E, no entanto, na cabeça do ministro da
Defesa isso não é suficiente. É preciso
mais. É preciso ir além. A polícia,
com todas as suas vicissitudes, com tudo que vemos de impunidade,
ainda é pouco. É preciso dotar os militares
de um estatuto próprio que os resguarde diante da
justiça nas ações em meio à população
urbana. Onde vamos parar? Vamos parar no projeto de Jobim,
no projeto de um grupo da sociedade brasileira em que,
segundo o ministro, incluem-se "vários governadores
e setores da sociedade que querem o Exército nas
ruas". O morro da Providência pode ser tomado
como projeto piloto. Um projeto que, no exterior, diz Nelson
Jobim, já está tendo êxito no Haiti. "O
Exército, a Marinha e a Aeronáutica têm
expertise para tratar de conflitos em áreas urbanas",
diz o ministro. O Haiti é aqui.
Depoimentos dos moradores da Providência falam do
período em que o Exército tem ocupado a favela
como um período de horror. Em matéria publicada
no site da Globo, encontramos um relato estarrecedor da
situação. Cito apenas um dentre outros depoimentos: "Nós
já estamos sendo violentados há muito tempo,
com espancamentos, arrogância, prisões indevidas
e agora as mortes dos meninos pelo Exército. Hoje
nós estamos vivendo uma vida massacrada, não
podemos ter atitude, temos horário para entrar e
sair, uma vida ridícula, sobressaltados com medo
de eles invadirem nossa casa” (leia).
Pois é esta a expertise que Jobim quer trazer para
o Brasil.
É de admirar que, ao fim, tenhamos chegado a um
resultado trágico? Mas as coisas não param
por aí. Matéria da Agência Estado mostra,
através de documento do próprio Exército,
que a operação que se desenrola no morro
da Providência não é uma operação
de apoio às obras do projeto Cimento Social, não é uma
operação subsidiária, mas sim uma
operação de ocupação da comunidade.
O documento que a instrui é apresentado na matéria
em resumo do modo seguinte: "No documento da 9ª Brigada,
o que se nota são regras para uma típica
operação de ocupação da comunidade.
Não há referência à segurança
dos canteiros de obras ou dos operários. Prevê-se,
inclusive, a reação dos militares diante
de situações como hostilidade dos moradores,
encontro de pessoas armadas ou de cadáveres, arremesso
de granadas contra a tropa e a revista de suspeitos, entre
outras" (leia
mais).
Tudo parece convergir para a conclusão de que,
no morro da Providência, se montou, como um projeto
piloto, um campo de prova daquilo que os setores conservadores
da sociedade brasileira querem como política social
para o século XXI. Uma substituição
da polícia, dessa polícia já absurdamente
violenta que conhecemos, por uma estrutura de choque ainda
muito mais frontal. Prova disso é a própria
reação das tropas com os primeiros protestos
dos moradores: as paredes estão cheias de marcas
de balas de fuzis e diversos moradores foram intoxicados
com as bombas de gás lançadas sobre os manifestantes.
Jobim quer algo que faça o Bope parecer brincadeira
de criança.
A sociedade brasileira, cada vez mais, marcha para se
tornar um grande campo escravista que, paulatinamente,
em razão do crescimento populacional e do adensamento
de todas as suas atrocidades históricas, foi substituindo
o capitão do mato, pela guarda nacional, a guarda
nacional pela força policial, a força policial
tradicional pela polícia militar, a polícia
militar pelos batalhões especiais (BOPE, ROTA, COI,
etc. etc.) e agora vê, como se fosse um câncer
com suas metástases, duas derivações
igualmente malignas, as milícias e o uso das forças
armadas contra a população urbana.
Não se pode deixar que a ambição
de Nelson Jobim de chegar à Presidência da
República, que o desejo de manutenção
de privilégios às custas da eternização
da abjeta desigualdade que caracteriza o país, introduza
a guerra social preventiva generalizada. Porque é isso,
de fato, que está em questão: militarizar
a sociedade de forma a conter as massas humanas relegadas à miséria
com o uso de tanques, granadas e fuzis. O olhar hostil
de jovens que se vêem excluídos das ruas em
que cresceram é tomado como casus bellicus, motivo
para guerra. Isso é um absurdo insano. Lula chamou
de insano o ato de entrega dos três rapazes, mas
esqueceu de dizer que esta insanidade só foi possível
em razão de uma outra, montada e dirigida a partir
do Estado, de dentro de alguns ministérios.
Em vista disso, creio que a sociedade organizada deveria
pedir a saída do ministro Nelson Jobim. Creio que
em qualquer lugar do mundo, este ministro já teria
entregue o boné e estaria sujeito a uma investigação
minuciosa, versando sobre as ligações do
projeto por ele apoiado, que pretende transformar em lei
até dezembro deste ano, com a ocupação
da Providência como uma experiência piloto
e os fatos macabros que terminaram por se consumar. Não
se pode tapar o sol com a peneira e desconhecer que o reforço
do latifúndio através da política
dos biocombustíveis, o desmonte do Estado pela via
das privatizações, a regressão dos
direitos sociais e a fragilização das regras
de garantia do trabalhador, hoje parecem prestes a ungirem
o Brasil como um Império Neoescravista.
O que falta? Talvez apenas isso: uma superpolícia,
treinada para enfrentar no campo de batalha o poder de
fogo de inimigos bem preparados, que, contudo, será realocada
para o enfrentamento interno, isto é, para oprimir,
aterrorizar e barbarizar mulheres, crianças, jovens
e idosos desarmados. Não se podem aceitar as barbaridades
que acabamos de presenciar, muito menos o projeto sobre
o qual se estrutura e que, como é fácil prever,
promete muitas outras reedições dos mesmos
fatos. E é preciso verificar a parcela de responsabilidade
de Nelson Jobim em tudo isso.
* Bajonas Teixeira de Brito Junior é doutor
em Filosofia, autor do ensaio, traduzido pelo filósofo
francês Michael Soubbotnik, Aspects historiques et
logiques de la classification raciale au Brésil
(Cf. na Internet), e do livro Lógica do disparate.
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MTE, 21 de junho de 2008
Construção civil
contribui com a geração de mais de 160 mil
empregos formais em maio
A Construção Civil continua apresentando desempenho recorde
na criação de emprego, segundo dados do Cadastro Geral
de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados na última quinta-feira
(19) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Foram abertos
28.670 empregos com registros em carteira em maio, resultado 108,8% superior
ao obtido no mesmo período do ano passado. Nos cinco primeiros
meses do ano, a Construção Civil acumulou uma alta de 10,48%
ou geração de 160.395 empregos, a maior taxa do período
dentre os setores e o melhor desempenho relativo e absoluto da série
do Caged.
Por região, a Sudeste segue no topo do ranking onde
foi gerado o maior número de postos no mês de
maio: foram 11.944 empregos, com destaque para o estado de
Minas Gerais, com 5.279 vagas. O Nordeste vem na seqüência,
com 6.030 empregos formais, sendo 3.181 criados na Bahia.
Na região Sul houve abertura de 4.123 postos; a maior
parte (3.095) apenas no Paraná. O Centro-Oeste contribui
com 3.707 empregos, dos quais 1.921 foram gerados em Goiás.
Na região Norte, foram contabilizados 2.866 postos,
com 1.126 somente em Tocantins.
Caged - Em maio, foram gerados
202.984 empregos com carteira assinada. Nos primeiros cinco
meses do ano, houve aumento de 1.051.946 assalariados com
carteira assinada (+3,63%), um número recorde de criação
de postos de trabalho da série histórica do
Caged. Nos últimos 12 meses, foram gerados 1.755.502
empregos (+6,21%), resultado superior ao verificado no mesmo
período do ano anterior. Entre 2003 e 2008, foram
criados 7.320.714 postos de trabalho. Os dados do Caged foram
divulgados na última quinta-feira (19), em Brasília,
pelo ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi.
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STJ, 21 de junho de 2008
DECISÃO
Aposentadoria do INSS integra
partilha de bens se gerada durante o casamento
Verbas recebidas após a separação do casal e referentes
a benefício previdenciário da aposentadoria do INSS que
foram nascidas e pleiteadas durante o casamento devem ser partilhadas.
Com esse entendimento, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça
(STJ) reconheceu o direito da ex-mulher para receber uma parte da verba.
A ex-esposa, em ação de separação
judicial litigiosa, pediu que os valores recebidos na aposentadoria
do seu ex-esposo integrassem a partilha de bens do casal.
Em primeira instância, o juiz excluiu tais bens da
partilha, por entender que não constituíam
bens comuns do casal. O Tribunal de Justiça do Rio
Grande do Sul reformou a sentença.
No recurso para o STJ, a defesa do ex-marido sustenta que
as verbas recebidas a título de beneficio do INSS
não devem entrar na partilha de bens, pois se trata
de frutos civis do trabalho, excluídos da comunhão
de acordo com o artigo 263, XIII, do Código Civil
de 1916.
O relator do caso, ministro Massami Uyeda, não conheceu
do pedido do esposo por entender que a verba em questão
refere-se à aposentadoria especial cujo direito foi
reconhecido judicialmente, correspondente à atividade
desenvolvida pelo marido no período em que esteve
casado. O entendimento do ministro foi seguido por todos
da Turma.
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Gazeta do Povo, 21 de junho
de 2008
Foz do Iguaçu
Casa do Trabalhador é inaugurada
A primeira Casa do Trabalhador Brasileiro foi inaugurada ontem
em Foz do Iguaçu com o objetivo de atender os imigrantes com
dificuldades no exterior e orientá-los sobre direitos e deveres.
A cidade foi escolhida para o lançamento do projeto piloto
no país por estar localizada estrategicamente na tríplice
fronteira de Brasil, Paraguai e Argentina. Somente no Paraguai vivem
cerca de 300 mil brasileiros, parte deles enfrenta problemas com
registro de terras e documentos.
A proposta é oferecer assistência jurídica,
médica e odontológica.A unidade funciona num
antigo módulo da Polícia Militar, e está localizada
na Rua Oswaldo Cruz, 400, perto da Ponte da Amizade.
O telefone é (45) 3901-3365.
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Gazeta do Povo, 21 de junho
de 2008
Construção civil
Índice do aluguel é o
maior em 6 anos
Na segunda prévia de junho,
IGP-M acumula alta de 13,27% em 12 meses. Elevação
exige acompanhamento cuidadoso, diz economista
Não bastassem os preços de alimentos continuarem
subindo, mais um grupo de produtos vêm jogar ainda
mais lenha na fogueira inflacionária: os custos da
construção civil. É o que mostrou ontem
a segunda prévia de junho do Índice Geral de
Preços – Mercado (IGP-M), que apontou inflação
de 1,83%, um avanço em comparação à alta
de 1,54% nos preços em igual prévia em maio.
A aceleração é também a mais
alta, na mesma base de comparação, desde dezembro
de 2002, quando esse tipo de indicador subiu 3,26%.
Dos três itens que compõem o indicador, o Índice
Nacional de Custo da Construção (INCC) passou
de 0,82% em maio para 2,84% em junho, a maior alta desde
junho de 1995. Na mesma base de comparação,
o Índice de Preços por Atacado (IPA) passou
de 2,02% para 2,05%; o Índice de Preços ao
Consumidor (IPC) saiu de alta de 0,47% para alta de 0,78%.
Segundo o coordenador de análises econômicas
da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão
Quadros, foi esse avanço mais intenso de preços
na construção civil o responsável pela
aceleração. Ele calculou que o INCC foi responsável
por praticamente dois terços da elevação.
O economista disse que o cenário de inflação
pressionada na construção civil não é novidade.
O atual aquecimento da demanda no mercado interno tem puxado
para cima os preços do setor há algum tempo.
Na prática, os preços da construção
têm sentido mais o impacto de repasses de elevações
de preços no atacado do que a inflação
do varejo. Isso porque, além da forte demanda no mercado
interno, esse setor também já experimentava
uma espécie de “boom” desde 2007, quando
o número de empreendimentos aumentou, de forma expressiva.
Novas pressões
A taxa acumulada em 12 meses do IGP-M até junho,
de 13,27%, é a mais forte desde outubro de 2003, quando
o índice acumulou elevação de 17,32%. “Temos
novas pressões de elevações de preços
que estão entrando no cálculo do índice.
Mas temos outros aumentos de preços que estão
perdendo força”, afirmou Quadros.
O economista-chefe do JPMorgan, Fábio Akira, avalia
que a redução do preço do milho no atacado,
com um recuo de 6,93%, foi o grande destaque da pesquisa
anunciada ontem, mas o cenário deste item no exterior
não garante novas quedas daqui para frente. “Depois
das enchentes que aconteceram nos Estados Unidos, não
dá para ter muita esperança de que os preços
permanecerão baixos aqui.”
Quadros, da FGV, ainda ressalta que, mesmo a possibilidade
de uma taxa abaixo de 2% no IGP-M de junho “não
muda nada” em termos de política econômica.
As evoluções de preços continuam exigindo
atenção e acompanhamento cuidadoso, por parte
do Banco Central, na análise do economista.
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Gazeta do Povo, 21 de junho
de 2008
Habitação
Feirão da casa própria
abre negociações
Durante o evento promovido pela Caixa
Econômica Federal, cerca de 10 mil imóveis são
oferecidos. Em alguns casos, é possível financiar
100% do valor da casa
No primeiro dia do 4º Feirão da Casa Própria,
que será realizado pela Caixa Econômica Federal
até amanhã, em Curitiba, ocorreram mais de
160 negociações, com 30 cartas de crédito
liberadas e cerca de 10 negócios fechados. Apesar
da aparente inexpressividade dos números, a assessoria
de imprensa da Caixa garante que eles estão dentro
do esperado, já que ontem era dia útil e
o maior movimento deve ocorrer neste fim de semana. No
evento, são oferecidos mais de 10 mil imóveis,
sendo 6 mil novos e 4 mil usados.
Cerca de cem construtoras, incorporadoras e imobiliárias
de Curitiba e região metropolitana dividem espaço
com uma agência da Caixa montada no local. O financiamento
pode chegar a 100% do valor do imóvel, dependendo
do que o cliente procura, e os juros variam de 5,5% a 11,38%,
de acordo com a renda do comprador e o total da compra.
No evento, também é possível adquirir
casas e apartamentos em construção ou terrenos.
Além destes, a Caixa ainda comercializa imóveis
que foram para leilão, por alienação,
mas não foram vendidos. “Mas isso representa
1% dos imóveis oferecidos aqui na feira. A maioria é negociada
com as construtoras e imobiliárias”, revela
Julian de Azevedo Barrozo, da assessoria da Caixa.
Segundo a Caixa, tais opções são
importantes para impulsionar a área de construção
civil “e para garantir o sonho da casa própria”.
Segundo Gerson Adolan, analista de negócios do Sindicato
da Indústria da Constução Civil no
Paraná (Sinduscon-PR), o feirão realmente
impulsiona as vendas. “E isso ocorre num momento
importante que estamos atravessando: 2008 está superando,
ainda antes do meio do ano, os resultados de 2004, que
até recentemente era considerado o melhor ano das últimas
duas décadas no setor”, comemora.
Segundo a organização do feirão,
o consumidor interessado em participar do feirão
deve ter em mãos carteira de identidade, CPF, comprovante
de residência e comprovante de renda para ter liberado
o crédito. A partir da aprovação do
crédito, é emitida a carta no valor do financiamento.
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Gazeta do Povo, 21 de junho
de 2008
Habitação
Sonho da casa própria
vira realidade, mas parcelas exigem cuidados
O contador Fábio Luiz da Silva, 36 anos, foi
o primeiro comprador do 4º Feirão da Casa Própria,
realizado pela Caixa Econômica Federal. Cansado de
morar nos fundos da casa da mãe, junto com a esposa,
a auxiliar de enfermagem Josvânia, 29, Silva finalmente
garantiu seu primeiro imóvel: um apartamento de três
quartos no bairro Rebouças, arrematado por R$ 67 mil
a serem pagos em 20 anos. “Entrar no apartamento vai
ser uma emoção muito grande. É realmente
um sonho realizado”. Para ele, o segredo reside no
esforço, na paciência e na persistência.
Luciane de Castro, profissional de televendas, e Adriano
Aparecido Bradeleone, auxiliar de almoxarifado, conseguiram
sua carta de crédito no valor de R$ 52,5 mil, que é o
próprio valor do imóvel que conseguiram em
Araucária, na região metropolitana da capital.
Ela conta que os dois já estavam morando juntos
na casa de sua mãe, mas que agora vão conseguir
sua própria moradia, que deverá ficar pronta
em fevereiro e terá 46 metros quadrados.
Márcia Bonni, 35 anos, dona de um restaurante
próximo ao Marumby Expo Center, no bairro Guaíra,
foi até a feira para ter seu crédito aprovado.
Ela já tinha um imóvel em vista e foi lá só para
ganhar sua carta. “O evento facilita essas coisas,
mesmo eu não vindo aqui para escolher um imóvel”,
explica ela, que vai comprar um apartamento de 40 metros
quadrados no Sítio Cercado e se livrar do aluguel
de R$ 300. As parcelas são um pouco mais caras,
R$ 460. “Mas o importante é que estou investindo
esse dinheiro em algo que é meu”, relata.
Precauções
Segundo o advogado especialista em Sistema Financeiro
de Habitação (SFH) Orlando Anzoategui, à primeira
vista tudo parece muito bom, mas certas precauções
devem ser observadas na compra da casa própria.
Uma delas é jamais ultrapassar 30% da renda familiar
com parcelas. “Isso porque há outros gastos
fundamentais como vestuário, educação,
saúde, que não podem ficar comprometidos”,
explica.
De acordo com Anzoatequi, o mutuário deve evitar
parcelas atrasadas, porque os bancos podem – após
três meses sem pagamento – tirar a posse do
bem. O advogado alerta ainda para o cuidado quanto aos
financiamentos de longo prazo. Ele recomenda no máximo
cinco anos. “Depois disso, os juros acabam sendo
muito maiores, e muita coisa pode mudar no meio do caminho,
tanto na família como na economia do país”,
explica.
Serviço
O 4º Feirão da Casa Própria ocorre
até a amanhã no Marumby Expo Center (Av.
Wenceslau Bráz, 1046, Guaíra, Curitiba).
Hoje, das 10h às 21 h, e amanhã, das 10h às
18 h.
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O Estado do Paraná, 21 de junho
de 2008
Norma contra entrevista de pré-candidato
pode ser revista
A origem das ações da promotoria de São
Paulo contra a Folha de S. Paulo e a revista Veja - e agora contra
o jornal O Estado de S.Paulo - está na resolução
do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2006, que valerá para
as eleições deste ano. O texto, que impede os jornalistas
de entrevistar pré-candidatos sobre suas propostas, afronta
a Constituição, segundo o presidente do TSE e ministro
do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto. “Eu
entendo que ela se contrapõe à Constituição”,
afirmou Britto.
O presidente do TSE revelou que pretende, já na próxima
semana, levar o assunto ao plenário do tribunal para que os
ministros resolvam esse problema de uma vez por todas. O objetivo é evitar
que ocorram mais ações desse tipo contra jornais e
revistas. O ministro explicou que a Constituição estabeleceu
ressalvas para o trabalho de rádios e televisões, mas
não restringiu a atividade dos jornais. Assim, concorda um
ex-presidente do TSE, a resolução teria exorbitado
de seu alcance e seria inconstitucional.
Esse dispositivo, aprovado em 2006, determinou que jornais e revistas
podem publicar entrevistas com os pré-candidatos, desde que
as propostas dos políticos não sejam abordadas no texto. “Os
pré-candidatos poderão participar de entrevistas, debates
e encontros antes de 6 de julho de 2008, desde que não exponham
propostas de campanha”, estabeleceu a norma.
É com base nessa resolução que os promotores
eleitorais de São Paulo acionaram judicialmente a Folha de
S. Paulo e a revista Veja por entrevistar a ex-prefeita Marta Suplicy,
pré-candidata do PT à prefeitura. No caso do jornal
O Estado de S.Paulo, três promotoras representaram anteontem
ao Tribunal Regional Eleitoral paulista contra o jornal e também
contra o prefeito Gilberto Kassab, por entender que, em entrevista,
ficou caracterizada propaganda eleitoral antecipada.
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O Estado do Paraná,
21 de junho de 2008
Ratinho Júnior está quase
nos braços de Gleisi
O PT espera nas próximas horas uma resposta do deputado federal
Ratinho Júnior (PSC) ao convite para ser candidato a vice-prefeito
na chapa de Gleisi Hoffmann, candidata à prefeitura de Curitiba,
nas eleições municipais deste ano. Ratinho Júnior
passou a tarde de ontem, 19, em reuniões com integrantes do partido
para discutir a proposta formulada anteontem por Gleisi, durante encontro
com o secretário geral do PSC, Lineu Tomaz.
Antes de responder ao PT, o PSC está buscando um
acordo com o PR do deputado estadual Carlos Simões,
cortejado pelo PMDB para ser candidato a vice-prefeito
do ex-reitor da Universidade Federal do Paraná Carlos
Augusto Moreira Júnior. Com cerca de 2 minutos e
meio no horário da propaganda eleitoral gratuita,
o PR está sendo disputado por todos os lados. Os
tucanos não confirmam, mas até mesmo no superlotado
palanque à reeleição do prefeito Beto
Richa está sendo guardado um lugar para o grupo
de Simões.
O PSC é base do governo do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e, mesmo optando pela candidatura própria,
não fará oposição ao PT. Para
o PT, não há problema em que o PSC lance
Ratinho Júnior. Ao contrário, seria mais
um reforço na estratégia da oposição
a Beto de ter vários candidatos alinhados em palanques
diferentes.
Mas o PSC precisa de aliados para sustentar a candidatura
de Ratinho Júnior. O PR também está na
coalizão do governo Lula e poderia fornecer esse
apoio. Mas está conversando com o PMDB, que não
desistiu das negociações.
“Ainda estamos tentando”, afirmou o presidente
municipal do PMDB, Doático Santos. Em todo o caso,
o PMDB já tem o deputado estadual Kielse Crisóstomo
de plantão para assumir a candidatura a vice-prefeito
se não for fechado o acordo com Simões e
o PR.
O presidente estadual do PR, deputado federal Fernando
Giacobo, disse que está acompanhando de longe as
conversas. “A decisão cabe à executiva
e quem está coordenando é o Simões.
Eu só acompanho”, disse Giacobo. Simões
não foi localizado por O Estado do Paraná.
No caso do PT, se Ratinho Júnior for candidato,
a solução para a posição de
vice pode ser interna, com a indicação do
vereador André Passos. O PT, por enquanto, tem a
adesão do PHS e PMN.
O PT também está conversando com o PRB,
o partido do vice-presidente da República, José Alencar.
Mas o PRB está rachado. Enquanto o deputado estadual
Edson Praczyk discute a composição com o
PT, o secretário geral do partido, ex-deputado federal
Oliveira Filho ameaça criar uma dissidência
se a sigla fechar apoio a Gleisi.
Oliveira quer levar o partido para o palanque de Beto
Richa, para onde já foi outro possível aliado
do PT: o PSL. O apoio ao tucano ia ser aprovado em convenção,
marcada para ontem à noite, segundo informou nota
divulgada pelo Secretario Geral do PSL de Curitiba, José Carlos
Chicarelli.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
20/06/2008
Segundo mandato tácito revoga o
primeiro
Quando ocorre situação que leva ao reconhecimento de
mandato tácito em audiência na Justiça do Trabalho
e, na audiência subseqüente, a parte comparece representada
por outro advogado, caracterizando, assim, um segundo mandato tácito,
o primeiro é revogado. Este é o teor da decisão
da Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que rejeitou recurso
do Município de Passos (MG) por irregularidade processual.
O caso é de uma agente de saúde que trabalhou durante
dois anos para o município, por intermédio de uma cooperativa.
Após ser demitida, ela entrou com ação trabalhista
requerendo o reconhecimento de vínculo de emprego, o registro
em carteira de trabalho e o conseqüente pagamento das verbas rescisórias,
como aviso prévio, férias, décimo terceiro salário,
depósito de FGTS e recolhimento do INSS. A ação
foi movida contra a Ampla Cooperativa de Serviços e, subsidiariamente,
o município de Passos. Em resumo, ela argumentou que a cooperativa
deveria ser descaracterizada como tal porque, na realidade, se tratava
de mera empresa de intermediação de mão-de-obra.
A agente obteve sentença favorável: a 2ª Vara de
Trabalho de Passos reconheceu o vínculo de emprego com a cooperativa
e responsabilizou o município, subsidiariamente, pelas conseqüências
daí decorrentes - anotação do contrato em carteira
de trabalho, pagamento das verbas rescisórias e expedição
de guia para seguro-desemprego.
O município recorreu, inicialmente, em recurso ordinário,
alegando, basicamente, ser parte ilegítima na questão.
Mas o Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG) negou
provimento ao recurso e manteve a sentença original. O município
entrou com recurso de revista, cujo seguimento foi negado pelo TRT,
sob o entendimento de que a matéria só poderia ser apreciada
mediante a reavaliação de fatos e provas, o que é impedido
pela Súmula 126 do TST. Na tentativa de “destrancar” o
recurso, o município apelou ao TST, insistindo na argumentação
de que não ficou devidamente comprovado o vínculo de
emprego em questão.
O relator da matéria, ministro Horácio Senna Pires,
manifestou-se pela rejeição do agravo de instrumento,
por considerar que houve irregularidade de representação
processual. Após observar que o requerimento de agravo foi assinado
pelo procurador municipal de Passos, na condição de advogado
constituído, o ministro considerou que o mandato tácito
conferido quando participou da primeira audiência foi revogado
na segunda audiência, quando o município se fez representar
por outro advogado. Na avaliação do ministro, mesmo se
tratando, em ambos os casos, de mandatos tácitos, o segundo
revoga o primeiro. (AIRR 425/2006-101-03-40.5)
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