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FOLHA
DE SÃO PAULO, 26 de junho de 2008 | Dinheiro
Indústria maior cresce ainda mais
Em 2006, empresas com mais funcionários
concentravam 60% da produção, diz IBGE | Dez anos antes,
essa participação era de 48,7%; domínio pertence
a 764 companhias, apenas 0,5% de um total de 155 mil
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
Megaindústrias com mais
de mil empregados ganharam força. O peso delas no valor da transformação
industrial (espécie de PIB do setor) subiu de 48,7% em 1996
para 60% em 2006, segundo a Pesquisa Anual Industrial do IBGE. Em 2000,
o percentual era 53,8%.
Em 2006, esse grupo contava só com 764 companhias -0,5% do total de
155 mil indústrias. No emprego, a participação delas também
avançou -de 29,4% em 1996 para 27,2% em 2000 e 31,9% em 2006.
Segundo Isabella Nunes, gerente da pesquisa do IBGE, as grandes empresas passaram
por forte reestruturação nos anos 90, reduzindo custos e cortando
empregos. Aumentaram a produtividade num ritmo mais acelerado e tomaram espaço
das firmas de menor porte. No período de 1996 a 2000, o emprego nas
companhias maiores caiu 4,2%. De 2000 a 2006, subiu 48,9%.
" As empresas maiores se beneficiaram mais da maior estabilidade da economia
a partir de 2000, com juros em queda e inflação sob controle. Elas
ganharam mais capacidade para investir e, por serem mais abertas ao exterior,
aproveitaram mais o crescimento das exportações", disse Nunes.
No setor de refino de petróleo e produção de álcool,
as companhias com mais de mil empregados representavam, em 2006, 95,4% do valor
da transformação industrial -a diferença entre o valor
bruto da produção e os custos. No de fumo, o percentual era de
89,8%.
Pelos critérios do IBGE, também são consideradas grandes
empresas aquelas com mais de 250 funcionários. Nesse grupo mais amplo,
estavam 2,2% do total de companhias. Esse contingente produzia 78,9% do valor
de transformação do setor em 2006 e empregava 50% da força
de trabalho da indústria -de 6,8 milhões de pessoas.
Em 2006, o "PIB industrial" (valor da transformação)
chegou a R$ 555 bilhões. O faturamento somou R$ 1,3 trilhão,
segundo o IBGE.
Menos salário
As megaindústrias com mais de mil funcionários também
pagavam mais: 5,7 salários mínimos (R$ 2.366, em valores de 2008),
acima da remuneração média de todo o setor industrial
-4 salários (R$ 1.660).
Pelos dados, fica clara uma aparente contradição: os ramos que
mais geram postos de trabalho são, em geral, os que pior remuneram seus
empregados.
As indústrias de alimentos e bebidas e a de vestuário lideravam
a participação no emprego -21% e 7,7%, respectivamente. Estavam
entre as que pagavam os piores salários -2,9 e 1,7 mínimo, respectivamente.
Segundo Silvio Sales, coordenador de Indústria do IBGE, as atividades
que empregam mais utilizam processos produtivos mais tradicionais e menos inovadores.
Por isso, demandam mais mão-de-obra.
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 26 de junho de 2008 | Dinheiro
Desemprego atinge menor nível
para mês de maio, aponta IBGE
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
A taxa de desemprego no Brasil,
de 7,9% em maio, atingiu o menor nível para o mês e o segundo
menor índice de toda a série iniciada em 2002, acima apenas
do verificado em dezembro de 2007 (7,4%), segundo dados divulgados pelo
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira.
O índice caiu 0,6 ponto percentual em relação a
abril (quando ficou em 8,5%) e de 2,2 p.p. em relação a
maio do ano passado (10,1%).
Foi a primeira queda da taxa
de desemprego no ano. Responsável pela Pesquisa Mensal de Emprego,
Cimar Azeredo destacou que a redução aconteceu antes do
que normalmente acontece. No ano passado, por exemplo, a primeira queda
da taxa de desemprego foi verificada em junho.
"Os dados são extremamente
positivos e mostra a força do mercado de trabalho em 2008. Já havíamos
percebido essa tendência, e isso se dá pelo cenário
econômico positivo, cujos indicadores são positivos",
afirmou.
Para Azeredo, a tendência é que
o mercado de trabalho continue positivo, a não ser que algum fator
econômico, como a alta da inflação e a taxa de juros,
prejudique esse bom momento.
"A situação
do mercado de trabalho em 2008 é favorável em relação
ao que foi notado nos último anos", observou.
O rendimento médio real
habitual dos ocupados (R$ 1.208,20) caiu 1% na comparação
mensal, mas subiu 1,5% no ano. O rendimento médio real domiciliar
per capita (R$ 784,73) caiu 1,3% no mês e subiu 5,6% no ano. A
massa de rendimento real habitual dos ocupados (R$ 26,2 bilhões)
ficou estável no mês e cresceu 7,1% no ano.
"A queda no rendimento médio
real se deve à inflação mais alta. É o efeito
imediato sobre a renda", comentou Azeredo. "A inflação
já começa a deteriorar o rendimento do trabalhador."
O INPC (Índice Nacional
de Preços ao Consumidor), que é utilizado na pesquisa,
verificado nas seis regiões metropolitanas pesquisadas, teve alta
de 0,97% em maio. As maiores elevações foram verificadas
em Recife (PE), 1,26%; e em São Paulo (SP), 1,13%.
A população desocupada
diminuiu em 7,5% em maio (ficando em 1,8 milhão de pessoas) em
relação a abril e 20,4% em relação a maio
do ano passado. A população ocupada (21,5 milhões)
não registrou alteração significativa na comparação
com abril, mas cresceu 4,6% em relação a maio de 2007.
O número de trabalhadores
com carteira assinada, 9,5 milhões de pessoas, não se
alterou em relação a abril, mas teve alta de 9,5% na
comparação com maio de 2007.
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O ESTADO DO PARANÁ,
26 de junho de 2008 | Economia
Inflação já provoca
queda na renda do trabalhador
Agência Estado
A queda de 1% na renda média real dos trabalhadores nas seis principais
regiões metropolitanas do País em maio ante abril foi provocada
por causa do aumento da inflação no período, segundo o
gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, Cimar Azeredo. O deflator usado
nesse indicador de renda é o INPC médio das seis regiões.
O Índice Nacional de Preços
ao Consumidor (INPC), também calculado pelo IBGE e referente à camada
de renda mais baixa da população, tem registrado taxas
mais elevadas do que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo
(IPCA), já que os produtos alimentícios têm peso
maior no INPC. Em maio, o rendimento médio nas seis regiões
foi de R$ 1.208,20.
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AGÊNCIA SINDICAL, 26
de junho de 2008
Despesa com seguro-desemprego e abono
salarial deve crescer 23% em 2009
Os recursos destinados ao pagamento
de benefícios do seguro-desemprego e do abono salarial em 2009
deverão somar cerca R$ 23,8 bilhões, valor 23,2% maior
que o previsto para 2008. A decisão foi tomada ontem (24) pelo
Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), que
reúne representantes do governo, dos trabalhadores e empregadores.
Na reunião, os conselheiros
aprovaram a pré-proposta de orçamento que o Fundo de Amparo
ao Trabalhador terá no próximo ano, destinando R$ 38,2
bilhões ao pagamento do seguro-desemprego, abono salarial e programas
de geração de emprego e renda.
Este ano - Em 2008, o orçamento
aprovado do FAT é de R$ 33,9 bilhões, sendo que a pré-proposta
do Conselho foi de R$ 32,8 bilhões. Desse valor, R$ 14,6 bilhões
vão para o pagamento do seguro-desemprego e R$ 6,2 bilhões
para o pagamento do abono salarial. Em 2009, as projeções
são de R$ 16,4 bilhões para o seguro-desemprego e R$ 7,4
bilhões para o abono salarial, dentro de um orçamento de
R$ 38,2 bilhões aprovado.
Mais informações:
Telefone (61) 3317.6537
www.mte.gov.br
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 26 de junho de 2008 | Brasil
Eleições municipais aumentam
número de suplentes no Senado a partir de agosto
GABRIELA GUERREIRO
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília |
As eleições municipais
de outubro vão aumentar o número de suplentes no Senado
a partir de agosto, quando pelo menos três parlamentares pretendem
se licenciar do cargo para se dedicarem às campanhas nos Estados
e municípios. Com as novas licenças, o número de
suplentes deve chegar a 20 na Casa Legislativa --o que representa o total
de 24% dos 81 senadores.
Os senadores Raimundo Colombo
(DEM-SC), Kátia Abreu (DEM-TO) e Fernando Collor de Mello (PTB-AL)
vão se licenciar do cargo para se dedicarem às campanhas
municipais. Abreu também vai se empenhar em sua candidatura à presidência
da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), mas pretende
participar de atividades de campanha em Tocantins.
Collor, por sua vez, vai se afastar
pela segunda vez do Senado desde que assumiu o cargo, em fevereiro do
ano passado. O ex-presidente ficou pelo menos seis meses longe do Senado
em 2007 para atender a convites para ministrar palestras em todo o país
sobre reforma política e meio ambiente.
Colombo e Collor são presidentes
estaduais, respectivamente, do DEM e PTB. Por esse motivo, decidiram
licenciar-se da Casa para se dedicarem até outubro às eleições
municipais em Santa Catarina e Alagoas.
O número de suplentes
deve crescer ainda mais, uma vez que os senadores Patrícia Saboya
(PDT-CE) e Marcelo Crivella (PRB-RJ) já anunciaram suas pré-candidaturas às
prefeituras de Fortaleza e Rio de Janeiro, respectivamente.
Os dois parlamentares ainda não
definiram se vão pedir licença no Senado, mas admitem que
podem solicitar o afastamento temporário da Casa Legislativa para
se dedicarem às campanhas municipais --o que deve ocorrer entre
agosto e outubro.
Suplentes
Ao contrário da Câmara,
no Senado os suplentes não são eleitos nas urnas, mas sim
indicados pelos senadores titulares. Cada senador tem direito a dois
suplentes, que não precisam ser do mesmo partido do titular. Alguns
senadores acabam escolhendo, nos bastidores, suplentes que se tornaram
financiadores de suas campanhas eleitorais.
Outros indicam familiares para
os cargos, como ocorreu com os senadores Edison Lobão Filho (PMDB-MA)
e Antônio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA) --que
assumiram os mandatos em substituição aos senadores Edison
Lobão (PMDB-MA), ministro de Minas e Energia, e Antônio
Carlos Magalhães, morto no ano passado.
Dos 81 senadores eleitos para
o Congresso, 15 são atualmente suplentes que não receberam
votos nas urnas para chegarem ao Senado. Pela proporção
atual, 18,5% das cadeiras da Casa Legislativa são ocupadas por
suplentes.
Na Câmara, os suplentes
são os candidatos que mais receberam votos em cada partido,
mas não conseguiram estar entre o número de vagas para
o Legislativo. Por este motivo, a polêmica dos "suplentes" não
mobiliza os deputados, já que todos que chegam à Casa
Legislativa receberam votos nas urnas.
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VERMELHO, 26 de junho de
2008 | Brasil
TCU considera irregulares contas de
3 mil gestores públicos
O Tribunal de Contas da União
(TCU) julgou irregulares as contas da administração
pública de 3,1 mil gestores. A lista foi divulgada hoje (26)
pelo tribunal e inclui instituições públicas,
como prefeituras, bancos, empresas estatais, entre outras. A lista
está disponível no site do TCU e tem 339 páginas,
dividas por cada um dos 27 Estados. Todas as pessoas tiveram as contas
relativas aos cargos ou funções rejeitadas pelo Tribunal
de Contas em última instância. Aqueles que já tiveram
as contas recusadas, mas que ainda podem recorrer da análise
não estão listados.
O presidente do Tribunal, ministro
Walton Alencar Rodrigues, entregou hoje ao presidente do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto, a lista de responsáveis
com contas julgadas irregulares para fins de inelegibilidade. A declaração
de inelegibilidade é competência exclusiva da Justiça
Eleitoral. Mas esta --declaração de inegibilidade-- é uma
decisão que deve ser avaliada com muita cautela pela justiça
eleitoral e, provavelmente não será alvo de deliberação
antes das eleições de outubro, pois poderia gerar grande
instabilidade na disputa eleitoral e levantar suspeitas de ação
política do TSE.
O Estado da Bahia tem o maior
número de pessoas na listagem - 488. Em seguida, estão
Maranhão, com 408 pessoas, Distrito Federal, com 321, e o Pará,
com 304. Em São Paulo, 272 pessoas que exerciam cargos ou funções
públicas tiveram as contas rejeitadas e conseqüentemente
os nomes incluídos na relação. No Rio de Janeiro,
128 pessoas foram incluídas na lista. Em Minas Gerais, foram 295
nomes.
De acordo com o TCU, a relação será atualizada até 31
de dezembro de 2008, “levando em conta recursos cabíveis, interpostos
em tempo hábil, com efeito suspensivo, e inclusões de novos nomes,
em razão de condenações após a remessa da primeira
relação”, diz o tribunal em nota.
Contas federais aprovadas com ressalvas
Na terça-feira (24),
o TCU aprovou, com 22 ressalvas, o parecer prévio das contas do
governo federal, referentes ao exercício financeiro de 2007, primeiro
ano de gestão do segundo mandato do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. O documento, que teve como relator o ministro Benjamin
Zymler, será encaminhado ao Congresso Nacional, para julgamento
das contas.
Segundo o relatório,
o Poder Executivo Federal observou os princípios fundamentais
de contabilidade aplicados à administração pública.
Os balanços demonstram adequadamente as posições
financeira, orçamentária e patrimonial da União
em 31 de dezembro de 2007, e foram respeitados os parâmetros e
limites definidos na Lei de Responsabilidade Fiscal.
Foram feitas 15 recomendações
aos ministérios da Integração Nacional, do Planejamento,
Orçamento e Gestão, da Fazenda, de Minas e Energia, da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento, do Meio Ambiente, dos Transportes, às
secretarias do Tesouro Nacional e da Receita Federal do Brasil, às
Centrais Elétricas Brasileiras, ao Comando da Marinha, à Caixa
Econômica Federal e aos bancos Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES), do Nordeste do Brasil (BNB), da Amazônia (Basa)
e do Brasil (BB), para correção das falhas detectadas.
As ressalvas referem-se a descumprimento de normas, como manutenção
de volume expressivo de restos a pagar não-processados, inscritos ou
revalidados no exercício de 2007; inexistência de sistema de custos
para avaliação e acompanhamento da gestão orçamentária,
financeira e patrimonial; deficiência no planejamento das metas físicas
e financeiras das ações; utilização de procedimentos
inadequados para apresentação de valores na demonstração
das variações patrimoniais; ausência de registro das receitas
vinculadas aos fundos da administração indireta, a exemplo do
que ocorre com o Fundo de Universalização dos Serviços
de Telecomunicações (Fust), entre outras.
Da redação,
com informações do site do TCU
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CUT, 26 de junho de 2008
Convenção 87
Liberdade sindical e direito de sindicalização
são direitos humanos fundamentais, diz a OIT
Publicado: 26/06/2008 - 12:30
Por: OIT/Brasil
O Relatório Global “A liberdade de associação e
a liberdade sindical na prática: lições aprendidas”,
divulgado nesta quinta (26) pela Organização Internacional do
Trabalho (OIT), oferece uma visão panorâmica da aplicação
e do cumprimento efetivo dos princípios e direitos universais relativos à liberdade
de associação, liberdade sindical e negociação
coletiva. A data escolhido para o lançamento coincide com o décimo
aniversário da adoção da Declaração da OIT
relativa aos princípios e direitos fundamentais no trabalho e seu seguimento,
e com o 60º aniversário da adoção da Convenção
sobre liberdade sindical e proteção do direito de sindicalização,
1948 (número 87).
A ratificação
das convenções internacionais do trabalho nº 87 e
nº 98 relativas à liberdade sindical e à negociação
coletiva expressa o compromisso de implementar os princípios e
direitos nelas plasmados.
O Relatório Global registra
avanços na ampliação da ratificação
dessas convenções pelos Estados-Membros da OIT, mas indica
também que ainda é necessário um maior esforço
para atingir a ratificação universal de ambas as convenções,
compromisso assumido pelos constituintes tripartites da OIT há dez
anos atrás, ao aprovar a Declaração sobre os Direitos
e Princípios Fundamentais do Trabalho.
Até 2007, de um total
de 182 Estados-Membros, 148 haviam ratificado a Convenção
nº 87 e 158 haviam ratificado a Convenção nº 98.
O Relatório aponta que é preocupante o fato de a Convenção
nº 87 ter se tornado a menos ratificada das oito Convenções
fundamentais.
A Convenção nº 98
foi ratificada pelo Brasil em novembro de 1952. Porém, o mesmo
não aconteceu até hoje com a Convenção nº 87,
sobre liberdade sindical e direito de sindicalização, considerada
um dos mais importantes tratados multilaterais da OIT.
Todos os trabalhadores e empregadores
têm o direito de constituir as organizações que julgarem
convenientes e de afiliar-se a elas, com o objetivo de promover e defender
seus respectivos interesses e de celebrar negociações coletivas
com a outra parte, livremente e sem ingerência de umas sobre as
outras, nem intromissão do Estado.
A liberdade sindical e a liberdade
de associação são um direito humano fundamental
que, junto com o direito de negociação coletiva, representam
um valor central da OIT. Os direitos de sindicalização
e de negociação coletiva permitem promover a democracia,
uma boa governança do mercado de trabalho e condições
de trabalho decentes.
O presente Relatório
parte, como os outros dois Relatórios Globais que foram publicados
sobre este tema em 2000 e 2004, respectivamente, da premissa segundo
a qual a única maneira de conseguir o objetivo da OIT de um trabalho
decente para todas as mulheres e homens em condições de
liberdade, igualdade, segurança e dignidade humana é que
eles tenham a oportunidade de expressar-se sobre o que estes conceitos
significam.
A liberdade sindical e
de associação, o direito de sindicalização
e de negociação coletiva são direitos humanos
fundamentais cujo exercício tem grande transcendência
nas condições de trabalho e de vida, assim como o desenvolvimento
e o progresso dos sistemas econômicos e sociais.
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CONSULTOR JURÍDICO,
26 de junho de 2008
Após 60 anos
Brasil não ratifica convenção
da liberdade sindical
por Daniel Roncaglia
A Convenção 87
da Organização Internacional do Trabalho, sobre a Liberdade
Sindical e a Proteção do Direito de Sindicalização,
completa seu 60º aniversário este ano. Apesar de todo esse
tempo, o Brasil ainda não ratificou a norma, que é considerada
pela OIT uma das oito convenções fundamentais. A omissão
desrespeita acordo que o país assinou com os colegas do Mercosul
há dez anos.
Para a entidade, é preocupante
o fato de ela ser a norma, entre as fundamentais, que menos foi assinada
pelos os 182 países-membros da entidade. Metade dos trabalhadores
de Estados que fazem parte da OIT vive em cinco países que não
ratificaram a convenção: Brasil, China, Índia, Estados
Unidos e Irã. Até o final de 2007, 148 aderiram ao documento.
Para entender o motivo dessa
situação a organização elaborou o Relatório
Global A liberdade de associação e a liberdade sindical
na prática: lições aprendidas, lançado nesta
quinta-feira (26/6) e que está na terceira edição.
O estudo traça um panorama geral do estado de liberdade de associação
e negociação coletiva dos trabalhadores do mundo. Ele pretende
servir como um norte para os governos sobre a questão.
A entidade afirma que houve avanços
na ampliação desta norma e da Convenção 98,
que fala sobre a Aplicação dos Princípios do Direito
de Sindicalização e de Negociação Coletiva.
A última é aceita pelo Brasil desde 1952. No entanto, para
a OIT ainda é preciso de um esforço maior para atingir
uma ratificação universal dos dois documentos.
Segundo documento da OIT, essa
situação “deixa uma grande proporção
de empregadores e trabalhadores, no âmbito mundial, sem a proteção
legal oferecida por estes instrumentos internacionais”. Desde o último
documento sobre o assunto, lançado em 2004, os governos não
implementaram ações significativas para mudar esse panorama.
Ainda é comum, segundo
o estudo da OIT, a interferência governamental no processo de organização
sindical. Os governos sujeitam, por exemplo, os sindicatos a aceitarem
acordos que seguem a política econômica. Outro problema é a
imposição do local onde as negociações devem
acontecer, em geral na própria empresa. A arbitragem compulsória,
a promoção de contratos individuais e acordos coletivos
com trabalhadores não-sindicalizados são outros fatores
negativos lembrados pela OIT.
Dados do Comitê de Liberdade
Sindical mostram que de março de 2004 a junho de 2007, as principais
reclamações referem-se à discriminação
anti-sindical, que correspondem a 26% dos casos. Em seguida vêm
questões relativas à negociação coletiva
(15%), negação das liberdades civis (13%), estabelecimento
de organizações (12%), regulamentos, atividades e eleições
(11%) e direito de greve (11%).
Dos 366 casos analisados pelo
comitê, 61% acontecerem em países da América. Ásia-Pacífico
responde por 15% dos casos enquanto, na Europa, o número chega
a 13%.
Bons exemplos
O Brasil e a Turquia apresentaram,
no entanto, exemplos positivos na questão sindical, segundo entendimento
da OIT. Um dos avanços foi a retirada de dispositivos que impunham
arbitragem compulsória para resolver disputas coletivas.
Outra questão foi a ampliação
dos temas incluídos nas negociações coletivas. Agora
os trabalhadores não só reivindicam a melhora de salário
e das condições de trabalho. Estão na pauta dos
sindicatos, questões como a política de empresa, a qualificação
profissional e a igualdade de gênero.
A OIT cita como exemplo a ser
seguindo pelo mundo o caso do sindicato dos trabalhadores metalúrgicos
do Brasil que criaram programas de alfabetização e de aperfeiçoamento
de profissionais fora do mercado.
Estrutura sindical no Brasil
Existem atualmente no país
7.827 sindicatos de trabalhadores e 3.776 sindicatos de empregadores.
Isso significa que, no cadastro ativo no Ministério do Trabalho,
estão listados 11.603 sindicatos em funcionamento.
Dos sindicatos de trabalhadores,
3.834 são filiados a alguma central sindical. Já dos 3.776
sindicatos de empregadores, 2.777 são urbanos e 999, rurais.
A taxa de sindicalização
atualmente é de 19,1% do total de ocupados segundo o IBGE. Nos últimos
anos, houve uma leve recuperação do índice. Em 1992,
a média era 18% de sindicalizados. Seis anos depois, o número
caiu para 16,7%. Com o aquecimento da economia, o número vem aumentando
desde então.
Um indicador positivo do período
recente é o aumento da porcentagem dos reajustes salariais definidos
em negociação coletiva que obtiveram correções
iguais ou superiores à inflação. Enquanto em 2003,
apenas 42% das categorias conseguiram um reajuste acima da inflação,
o número cresceu para 96% no ano retrasado, segundo o Dieese.
Nos anos 1990, a média girou entre 50% a 60%.
Convenções fundamentais
As oito convenções
fundamentais são: 29 (Trabalho Forçado, de 1930); 87
(Liberdade Sindical e a Proteção do Direito Sindical,
de 1948); 98 (Direito de Sindicalização e de Negociação
Coletiva, de 1949); 100 (Igualdade de Remuneração, de
1951); 105 (Abolição do Trabalho Forçado, de 1957);
111 (Discriminação, de 1958); 138 (Idade Mínima
para a admissão ao trabalho, de 1973) e 182 (Proibição
das Piores Formas de Trabalho Infantil e a Ação Imediata
para sua Eliminação, de 1999).
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CONSULTOR JURÍDICO,
26 de junho de 2008
Ponto fundamental
Empresas devem cuidar de gestão
das relações sindicais
por Marcel Tadeu Alves da Silva
Gestão e treinamento são
dois pontos fundamentais para o sucesso de qualquer atividade empresarial.
Nas áreas trabalhista e sindical não é diferente.
A importância e a própria eficácia do treinamento
consistem na apresentação aos participantes, por intermédio
de uma abordagem dinâmica e interativa, de uma visão diferenciada
quanto à gestão das relações trabalhistas
e sindicais, de acordo com aquilo que denominamos processo de negociação
coletiva de trabalho, ou seja: uma metodologia moderna de direcionamento
estratégico nessa área de atuação.
O conteúdo do treinamento é construído
justamente com base em casos concretos, sendo que os conceitos nele difundidos
representam uma visão sistêmica da área sindical
(e do processo de negociação) e são semelhantes àqueles
de um estratagema de negócios, com planejamento e ações
de curto, médio e longo prazo, avaliando-se, conseqüentemente,
resultados dentro desses períodos de tempo.
Um exemplo concreto é a
aplicação de abordagem relativa às competências
cruzadas, que combina ao mesmo tempo formas de comunicação
entre a liderança, empregados e dirigentes sindicais com um misto
de gestão de pessoas e métodos jurídicos que fornece
formas de gestão e mecanismos de prevenção do assédio
moral.
Há atualmente à disposição
das empresas um arsenal de ferramentas para gestão do ambiente
do trabalho, tais como: pesquisas de clima, entrevistas de desligamento, índices
de aceitação do layout dos ambientes fabris, mapa de vulnerabilidades,
mapeamento das demandas trabalhistas, entre outros. Essas ferramentas
dão um bom direcionamento do que deve permanecer ou ser modificado
para uma boa gestão do ambiente de trabalho.
A boa gestão do ambiente
e essas respostas dos empregados são essenciais para direcionar
o projeto. Esse se diferencia por ser efetivado, dentre outros aspectos,
por treinamentos, mediante abordagem expositiva, com uma visão
crítica que fornece uma análise completa do tema, com uma
ampla abertura para o campo da interação e discussão,
sendo indicado a todos que participam direta ou indiretamente da gestão
das relações sindicais da empresa.
Na atual conjuntura, a discussão
sindical envolve muitos fatores como, por exemplo, debates sobre as cláusulas
econômicas. Antigamente, se discutia uma recomposição
da inflação na casa de dois dígitos. Isso não
acontece mais e a conseqüência é um impulso para uma
negociação mais pesada sobre vários enfoques junto
a relação de emprego, dentre eles, os mecanismos de remuneração,
benefícios e cláusulas sociais. Com isso, a interligação
da negociação com os processos de recursos humanos e o
gerenciamento das relações trabalhistas tomou uma dimensão
maior ainda.
Atualmente, são
muitas as propostas em discussão sobre a reforma sindical. Muito
tem se discutido quanto à organização das entidades
sindicais, sua forma de custeio, dentre outros temas. Mas, o que de
concreto aconteceu foi à aprovação da Emenda 45,
que trouxe o comum acordo que, em tese, diminui o poder normativo,
uma vez que a parte que decidir ingressar com um dissídio deve
ter o consenso da outra. Na prática, porém, a discussão
ainda não tem um posicionamento solidificado.
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CONSULTOR JURÍDICO,
26 de junho de 2008
Dignidade profissional
Direito trabalhista deve se adequar
aos idosos
por Euclides Di Dário
Num país que tem enorme
dificuldade para criar novos postos de trabalho falar de participação
do idoso no mercado de trabalho parece uma heresia. Mas a verdade é que
muitas vezes a luta pela obtenção da renda necessária
para a família não pode dispensar o trabalho dos idosos.
E se a expectativa de vida está crescendo por que não contar
com aqueles mais experientes e ainda em condições para
contribuir com seu trabalho. A sociedade brasileira está envelhecendo
e os idosos são em número cada vez maior.
Não se discute a importância
do trabalho para a realização das pessoas e sendo assim
dar oportunidade para que os idosos possam trabalhar contribui diretamente
para que eles se mantenham ativos e saudáveis. Não obstante
a importância de cuidarmos dos idosos fala-se em aposentar precocemente
os mais velhos para que estes possam dar lugar aos mais novos. Muitas
empresas praticam mesmo um processo de rejuvenescimento do quadro de
pessoas com o objetivo de reduzir a folha de pagamento.
E se a permanência no mercado
do trabalho é difícil o que dizer da reinserção.
O que se observa é que uma pessoa com mais de 40, que nem idoso
ainda é, tem dificuldade para se recolocar no mercado de trabalho.
Os empregadores preferem os mais jovens, por que podem pagar menos e
confiam que os jovens têm mais energia e ousadia. Apostam que com
o andamento do trabalho estes venham a adquirir mais experiência.
Resta saber que a legislação
está preparada para regular e proteger os direitos dos trabalhadores
idosos.
Um idoso tem uma probabilidade
maior de aceitar um emprego com menos garantias trabalhistas. De acordo
com dados do IBGE, dentre os aposentados que trabalhavam em 1998, apenas
7,5% dos homens e 6% das mulheres tinham carteira assinada. A grande
maioria dos idosos aposentados que trabalhavam estava lotada no setor
agrícola, 53,6% dos homens e 42,6% das mulheres.
Isso noz faz refletir sobre
a necessidade de adequar as normas do direito do trabalho para atender
a realidade dos trabalhadores idosos. É preciso que os legisladores
encontrem um ponto de compromisso entre normas que incentivem o aproveitamento
dos idosos no mercado de trabalho e a necessidade de manter sua dignidade
profissional. Os dados demonstram que a participação
do idoso brasileiro na economia é maior que nos países
desenvolvidos, contudo essa participação se dá em
grande parte de forma informal e com baixa remuneração.
A inclusão social do idoso é mandamento para uma sociedade
justa.
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FOLHA DE LONDRINA, 26 de
junho de 2008 | Economia
Demanda eleva preços de materiais
de construção
O aumento da demanda em praticamente todos os setores do varejo chegou também à construção
civil. O segmento já registra alta de preços de materiais de
construção - alguns produtos tiveram seus custos reajustados
em até 20% - e também falta mão-de-obra qualificada para
executar os serviços nos principais pólos do Estado: Região
Metropolitana de Curitiba, Londrina e Maringá. Esse fenômeno tem
contribuído para uma maior formalização do setor e à valorização
do próprio profissional, que tiveram seus salários reajustados
e passaram a ser disputados pelas construtoras.
Na avaliação do
economista Vamberto Santana, assessor econômico da Federação
do Comércio do Paraná, o ''culpado'' pelo aumento de preços
e dos empregos é a própria demanda. ''(A pressão)
Não é só da indústria da construção
civil, mas dos consumidores. Os financiamentos do governo e o aumento
da renda levaram muitas famílias a promover consertos e melhorias
em suas casas. De fato aumentou o volume das construções'',
comenta. Segundo ele, os salários de pedreiros e marceneiros,
por exemplo, subiram entre 10% e 15% em todo o Estado e chegam a variar
de R$ 800 a R$ 1,5 mil, dependendo da empresa e da qualificação.
Já os preços dos
materiais de construção estão em ascendência
desde o início do ano. Itens fundamentais em uma obra como cimento,
ferragens, areia e pedra estão até 20% mais caros no varejo.
Segundo Adriano Montanari, presidente da Federação do Comércio
de Materiais de Construção do Paraná, o custo do
aço foi reajustado em cerca de 15%, puxado pela cotação
no mercado externo. Também foram registrados aumentos nos preços
do tijolo (entre 8% e 10%), do cimento (entre 3% e 3,5%), da areia e
da pedra (de 5% a 6%).
''Os preços dos materiais
não estão subindo tanto quanto (os preços) dos alimentos
até porque os comerciantes estão cautelosos e estão
repassando o aumento dos custos devagar para que as vendas não
sejam prejudicadas'', argumenta Montanari. Ele acrescenta, inclusive,
que o movimento nas lojas chegou a crescer, em média, 10% se comparado
com o mesmo período do ano anterior. ''Antes os preços
estavam defasados, agora o consumo foi normalizado. Quando há mais
procura que oferta os preços sobem, é a lei do mercado'',
comenta.
Este aumento de preços
dos produtos também deve começar a repercutir no preço
do metro quadrado construído, na avaliação de César
Luiz Gonçalves, presidente do Sindicato Intermunicipal do Comércio
Varejista de Materiais de Construção do Paraná.
Segundo ele, a inflação do setor é de cerca de 10%
ao ano, quase o dobro da inflação oficial que está na
casa dos 5%. ''O varejo não está afoito para repassar este
aumento de preços, mas quando a indústria aumenta (os preços),
o comércio também tem que aumentar para não cair
a margem de lucro'', argumenta.
Segundo ele, até abril
as vendas tinham crescido cerca de 16% no Paraná na comparação
com o mesmo período do ano passado, enquanto no restante do País
o movimento havia sido 15% maior. Gonçalves acrescenta que o ''movimento
formiguinha'' também está em expansão. ''Para as
classes C e D é um orgulho ampliar sua casa e estas ações
individuais estão provocando este aumento no movimento'', observa.
Fernanda Mazzini
Reportagem Local
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FOLHA DE LONDRINA, 26 de
junho de 2008 | Economia
Custo final das obras vai ficar mais
caro
Reajuste deverá ser repassado aos
consumidores
O aumento dos preços dos materiais de construção encarece
o custo final das obras, diz Osmar Ceolin Alves, presidente do Sindicato da
Indústria da Construção Civil de Londrina. Segundo ele,
a maior dificuldade está sendo enfrentada pelas construtoras que trabalham
com obras públicas porque os preços não podem ser reajustados
durante um ano. ''O mercado vai ficar aquecido até quando? Até que
ponto o cliente vai absorver este aumento de preços?'', questiona.
Alves acrescenta que este reajuste
de custos deverá ser repassado aos consumidores, uma vez que a
margem de lucro das construtoras é pequena. ''O setor está aquecido,
mas não é um aquecimento tão forte. Está crescendo,
principalmente, as incorporações de casas e apartamentos
e as reformas'', comenta. Ele diz que um bom profissional sempre faltou
no mercado e que, por isso, a entidade lançou programa de qualificação
da mão-de-obra. Além disso, também há um
programa de combate à informalidade, tanto na contratação
de pessoal como da própria obra.
A segurança dos trabalhadores
também está em discussão. No mês passado o
Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou decisão em que pessoas
físicas também são responsáveis pela segurança
dos trabalhadores. A Norma Resolutiva 18 (NR 18) existe há 12
anos mas, até então, havia uma discussão jurídica
sobre a responsabilidade das pessoas físicas e, por isso, a lei
só era cumprida pelas empresas ou seja por pessoas jurídicas.
A partir da decisão, os sindicatos da indústria da construção
e dos trabalhadores devem incluir a NR 18 na Convenção
Coletiva de Trabalho, que já está em discussão.
''Se ocorrer algum acidente
na obra o contratante pode ser responsabilizado criminalmente e se
este item for incluído na convenção acreditamos
que fica mais fácil a fiscalização por parte do
Ministério do Trabalho e dos dois sindicatos. Esta decisão
do STF é boa para os trabalhadores'', avalia José Carlos
Salgueiro, 2º secretário do Sinduscon. Segundo ele, a maioria
dos acidentes registrados em Londrina acontece em obras de particulares
por falta de equipamentos de segurança e de cuidados necessários
(F.M.)
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FOLHA DE LONDRINA, 26 de
junho de 2008 | Economia
‘Pedreiros são disputados
a tapa’
O pedreiro e carpinteiro Edvaldo Ferreira da Silva afirma nunca ter ficado
desempregado em 12 anos de profissão. Funcionário efetivo da
Construtora A. Yoshii há oito anos, ele afirma que o seu salário é cerca
de 20% maior do que o piso da categoria. ‘‘Acho que ganho mais
pela experiência, pelo conhecimento. Concorrência tem, mas tem
pedreiro que pega o serviço quase de graça e depois não
sai bem feito’’, comenta.
Além disso, trabalho
não falta. ‘‘Quando tenho tempo faço bicos
sábado e domingo para complementar o orçamento’’,
diz Silva. E tanta dedicação também trouxe resultados:
já conseguiu construir sua casa própria. Ele faz parte
de uma estatística que mostra o desempenho positivo da construção
civil em Londrina. Somente na última segunda-feira haviam 80 vagas
para pedreiros, carpinteiros, encanadores e marceneiros na Agência
do Trabalhador. ‘‘Neste ano as vagas quase triplicaram com
relação ao ano passado’’, afirma o gerente
Roberto Gonçalves.
Ele também é enfático
ao afirmar a falta de mão-de-obra para o setor. ‘‘Não
conseguimos preencher todas as vagas. Os pedreiros estão sendo
disputados ‘a tapa’ pelas empreiteiras’’, diz.
Segundo Denilson Pestana, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na
Construção Civil de Londrina (Sintracom) dois fatores estão
ocorrendo em Londrina: a formalização dos empregos informais
que já existiam e o aquecimento dos empregos com registro em carteira.
Atualmente seriam cerca de 5 mil trabalhadores na construção,
contra cerca de 3 mil registrados há dois anos.
‘‘Há cinco
anos a crise do setor levou muitos profissionais a deixar a profissão
e o que está ocorrendo agora é o retorno destes trabalhadores à atividade’’,
comenta Pestana. Por isso, na sua avaliação o momento deve
ser aproveitado para valorizar os profissionais. A negociação
salarial já foi iniciada e o pedido inicial de reajuste salarial é de
28%. O piso atual da categoria é R$ 880 incluído vale-compras.
Por isso, a partir do segundo
semestre o sindicato pretende propor negociações individuais
por empresa e, se for o caso, organizar mobilizações também
por empresas. ‘‘Durante o período de crise fizemos
concessões para não perdermos os dedos. Agora temos que
recuperar os anéis e valorizar os dedos’’, compara.
O reajuste de preços ocorreu também no mercado informal.
A diária de um pedreiro hoje não sai por menos de R$ 50,
ante um preço de R$ 30 a R$ 35 pago há pouco tempo. (F.M.)
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GAZETA DO POVO, 26 de junho
de 2008 | Economia
Inflação
Trabalhador sente no bolso o encarecimento
das refeições
Publicado em 26/06/2008 | Estelita
Hass Carazzai
Os dados do IPCA-15 mostram que
os alimentos continuam sendo os vilões da vez, os principais responsáveis
por puxar a inflação para cima. De janeiro a junho deste
ano, os artigos de alimentação subiram 10% em Curitiba – a
média nacional é de 8,6%. Produtos como feijão preto,
cebola, óleo de soja e tomate tiveram alguns dos aumentos mais
significativos – na capital paranaense, os preços subiram
61%, 81%, 43% e 119%, respectivamente.
O aumento impacta tanto quem
faz suas refeições em casa – a alimentação
no domicílio teve alta de 11% em Curitiba desde janeiro – quanto
quem almoça fora. Apenas em junho, a alimentação
fora de casa ficou 2,09% mais cara em Curitiba. “Comer fora está mais
caro desde fevereiro”, comenta a auxiliar administrativa Juliana
Biazussi. Ela e as colegas de trabalho almoçam todos os dias em
um restaurante por quilo no centro de Curitiba, e têm gastado,
nos últimos meses, R$ 50 a mais por mês com a conta do bufê. “Não
tem muito como fugir disso; os preços são todos semelhantes”,
diz a contadora Ana Letícia Guerra. “Só se trouxer
marmita.”
A gerente do restaurante por
quilo Aroma da Fazenda, Simone de Araújo, teve de aumentar o preço
ao consumidor: no início de junho, o quilo passou de R$ 16,99
para R$ 17,99 – um aumento de 6%, depois de um ano e meio com o
mesmo preço. “A carne vermelha foi o que mais subiu; chegou
a 35% de aumento”, diz ela. No último mês, legumes
e hortaliças também tiveram aumento por conta do inverno
e o preço do feijão com arroz também tem subido
desde janeiro. Mas, segundo Simone, a carne vermelha ainda representa
o maior impacto sob o preço. “Eu tenho colocado mais peixe
e camarão. Mas não resolve muito porque tem gente que não
gosta. Não tem como deixar de oferecer carne vermelha.”
Para o funcionário público
Norberto Quental, que almoça fora todos os dias, a única
opção do consumidor é escolher o restaurante mais
barato. “Nos lugares mais sofisticados, como churrascarias, o aumento
foi violento, na faixa dos R$ 10 por pessoa”, diz ele, que também
sentiu o impacto no orçamento familiar. “A conta do supermercado
está pesando bastante de dois meses para cá.”
Mesmo quem optava por um
sanduíche na hora do almoço sentiu a diferença
no preço – o aumento foi de 4% de janeiro a junho em Curitiba,
segundo o IBGE. Para o estudante Everson Seger, o usual sanduíche
na hora do almoço já não compensa. “O lanche
subiu mais de R$ 1,50. Vale mais a pena fazer uma refeição,
com uma comida um pouco melhor. O sanduíche não é mais
econômico.”
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AGÊNCIA BRASIL, 26
de junho de 2008
Mangabeira Unger discute reforma sindical
com trabalhadores
Agência Brasil
São Paulo - O ministro Extraordinário de Assuntos Estratégicos,
Mangabeira Unger, discute hoje (26) com a União Geral dos Trabalhadores
(UGT) a reforma sindical e a retirada do Sistema S da folha salarial. Será às
9h, na Rua Formosa. Ele vai apresentar diretrizes sobre a reconstrução
das relações entre o trabalho e o capital no Brasil.
Integram o Sistema S o
Serviço Social da Indústria (Sesi), o Serviço
Social do Comércio (Sesc), o Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial (Senai), o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial
(Senac), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), o
Serviço Social do Transporte (Sest), o Serviço Nacional
de Aprendizagem do Transporte (Senat), o Serviço Nacional de
Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) e o Serviço de Apoio às
Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
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AGÊNCIA DIAP, 26 de junho
de 2008
CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS
Anamatra faz reunião para debater
PL que consolida legislação trabalhista
A Anamatra sediou hoje (25/06) a primeira reunião do Grupo de Assessoramento
Técnico Externo do Projeto de Lei 1987/2007, que pretende reunir em
um único texto o teor de toda a legislação material trabalhista
brasileira. A reunião foi coordenada pelo juiz Renato Henry Sant'Anna,
diretor de assuntos legislativos da Anamatra, e teve como objetivo estabelecer
os nortes da atuação do grupo na análise do Projeto de
autoria do deputado Cândido Vaccarezza (PT/SP).
O Grupo deliberou por atuar de forma a conseguir consensos nas críticas
e sugestões, porém sem pretensão de construção
de única conclusão sobre diversos assuntos a serem tratados. "Eventual
documento produzido trará as decisões da maioria e fará menção às
posições e ressalvas dos participantes vencidos", afirma
o documento, resultado da reunião, que será encaminhando ao deputado
Vaccarezza.
O consenso do Grupo é que a atuação de seus integrantes
será orientada pelos princípios constitucionais e do Direito
do Trabalho, bem como pela luta contra a precarização dos direitos
dos trabalhadores, observando e zelando por todas as suas conquistas históricas. "Pretendemos
colaborar com o trabalho do deputado Vaccarezza, porém defendendo sempre
a preservação do Direito do Trabalho brasileiro", explica
o juiz Renato Sant'Anna.
" A Anamatra avalia que o processo de consolidação, por ter
forte apoio político dentro da Câmara, é uma realidade, daí o
porquê da importância e necessidade do acompanhamento crítico
e cuidadoso por parte dos magistrados e demais operadores do Direito", pondera
Sant'Anna. Vale lembrar que a Anamatra apresentou ao Grupo de Trabalho (GTCL),
em novembro de 2007, uma análise preliminar elaborada por sua Comissão
Legislativa, com críticas e sugestões ao Projeto, muitas delas
já incorporadas ao texto-base.
GT de consolidação
O Grupo de Assessoramento Técnico Externo do Projeto de Lei 1987/2007
foi criado por sugestão da Anamatra, durante a participação
do juiz Renato Sant'Anna no "Seminário sobre a Consolidação
das Leis Materiais Trabalhistas", evento promovido pelo deputado Vaccarezza,
no mês de abril deste ano, na Câmara dos Deputados.
Na ocasião, o deputado acatou a sugestão da magistratura trabalhista
de criação do grupo, composto por juízes, procuradores
do trabalho e advogados.
Atualmente, o PL encontra-se sob a análise do Grupo de Trabalho de Consolidação
das Leis (GTCL), criado pela Câmara especificamente para consolidar a
legislação brasileira, incluindo a trabalhista. No Grupo, o PL
tem como relator o deputado Arnaldo Jardim (PPS/SP), que ainda não apresentou
parecer. (Fonte: Anamatra)
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FOLHA DE LONDRINA, 26 de
junho de 2008 | Política
Entidades lançam comitê para
fiscalizar candidatos
OAB, Acil e Igreja Católica criam
hoje grupo que acompanhará eventuais casos de uso da máquina
e de compra de votos
Receber as denúncias
de uso da máquina e de compra de votos e encaminhá-las
como representações ao Ministério Público
Eleitoral (MPE) ou diretamente à Justiça Eleitoral para
adoção de medidas. Essa é a proposta do ''Comitê 9840
Eleitor Consciente'', grupo que objetiva divulgar e garantir o cumprimento
da lei federal 9840/99, que prevê a cassação do registro
ou do diploma de candidatos beneficiados pela compra de votos ou pelo
uso da máquina administrativa, durante o período eleitoral.
Em Londrina, a iniciativa - já aplicada em outras cidades brasileiras,
na campanha liderada pela Confederação Nacional dos Bispos
do Brasil (CNBB) - será lançada oficialmente hoje sob a
coordenação da subseção regional da Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB) juntamente com a Associação
Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e a Pastoral Fé e Política
da Igreja Católica. O evento está marcado para as 19 horas
na sede da OAB.
Conforme as lideranças
do comitê, entre os focos de atuação estão,
além da fiscalização das ações dos
candidatos, a conscientização que implemente e consolide
o lema de que ''voto não tem preço, tem consequências''
e, após o pleito, a participação e o acompanhamento
pela sociedade das ações dos agentes políticos e
do orçamento público.
O coordenador da Pastoral em
Londrina, Gílson Vória, lembra que a lei que dá nome
ao comitê é fruto de um projeto de iniciativa popular que
nasceu da coleta de assinaturas por meio de abaixo-assinado. ''A proposta
agora é que o comitê centralize as denúncias, as
analise e as dê uma forma jurídica aceitável para
ser consideradas em processo'', explicou Vória. Segundo ele, a
estrutura e a logística do comitê serão definidos
na reunião de hoje, da qual outras entidades da sociedade civil
poderão aderir à iniciativa. ''Não sabemos até que
ponto se identificará, por exemplo, um caso de uso da máquina,
mas se sabe que volta e meia isso ocorre. Os casos de compra de voto,
porém, serão mais fáceis de perceber, pois na eleição
passada muita gente queria denunciar isso e não sabia onde. O
Comitê tentará defender essas pessoas da melhor forma possível.''
Representante da OAB no grupo,
o advogado Luís Hasegawa, também coordenador da comissão
de Administração Pública da entidade, adiantou que,
hoje à noite, deve propor às demais entidades interessadas
em abraçar a causa que o recebimento das denúncias em ''estado
bruto'' ocorra nelas próprias e mesmo nas comunidades.
''A OAB dará o suporte
jurídico necessário ao encaminhamento dessas medidas à Promotoria
ou à Justiça Eleitoral, para que investigue os agentes;
a cassação de mandatos já é algo que não
dependerá mais de nós'', afirmou Hasegawa, salientando
que, pela lei 9840/99, já são cerca de 600 cassações
de mandato e diplomações Brasil afora. ''O ideal seria
que ninguém precisasse ser cassado, que as pessoas não
precisassem se preocupar. Mas temos que ficar atentos às consequências
do voto e ver a origem delas antes de eleger o agente. Não basta
só ver o problema depois'', acredita.
Janaina Garcia
Reportagem Local
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O ESTADO DO PARANÁ,
26 de junho de 2008 | Economia
Greve de caminhoneiros acabou não
acontecendo
Flávio Laginski
A greve nacional dos caminhoneiros que estava marcada para ontem acabou não
acontecendo. O movimento, que nasceu em São Paulo, era organizado pela
Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), exigia repasse
do reajuste do diesel ao frete, pagamento de vale-pedágio e o fim da
proibição da circulação de caminhões na
cidade de São Paulo.
Segundo o secretário da
Federação Nacional dos Caminhoneiros Autônomos (Fenacam)
e presidente do Sindicato dos Caminhoneiros do Paraná (Sindicam/PR),
Laertes José de Freitas, a tentativa de paralisação
estava fadada ao fracasso.
“Já imaginava que
não daria em nada esse protesto. A pauta de reivindicações
era muito frágil, faltou diálogo com outras lideranças
e nenhuma entidade legalmente constituída apoiou a manifestação”,
revelou o sindicalista, que afirmou ainda que o repasse do diesel ao
frete, uma das exigências pautadas, era complicada demais porque
o frete não tem um preço fixo.
Freitas disse também
que a Fenacam e o Sindicam sempre se posicionaram contra a greve. “Instruímos
aos caminhoneiros para não aderirem à manifestação.
Não havia motivos para justificar tal ato”, disse ele.
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AGÊNCIA DIAP, 26 de junho de 2008
ESTADO DE GREVE
Trabalhadores dos Correios podem
parar por cumprimento de acordo coletivo
Os trabalhadores dos Correios e Telégrafos (ECT) podem parar a partir
do dia 1º de julho caso a direção da empresa insista em
cumprir o acordo firmado com a Federação Nacional dos Trabalhadores
em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), o Ministério
das Comunicações e subscrita pelo senador Paulo Paim (PT/RS).
A Fentect afirma que a ECT insiste em não cumprir o acordo assinado
e que prevê o pagamento no mês de julho do Adicional de Risco,
a implantação do Adicional de Atividade de Distribuição
e Coleta (AADC) e o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS).
A Fentect declara também que a direção da empresa desrespeita
os trabalhadores ao não reconhece as entidades representativas da categoria
como organismos de negociação, discussão e deliberação
para os assuntos que dizem respeito aos trabalhadores dos Correios.
A greve em nível nacional, prevista para começar no dia 1º de
julho somente será evitada se a direção da ECT incorporar
o adicional de risco aos trabalhadores, conforme prevê o Termo de Compromisso,
até o dia 27 de junho, e que a concessão do AADC não substitui
o Adicional de Risco. (Alysson Alves)
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AGÊNCIA DIAP, 26 de
junho de 2008
DIREITOS TRABALHISTAS
Servidor comissionados podem conquistar
direitos trabalhistas
A Comissão de Constituição e Justiça da (CCJ) admitiu
nesta quarta-feira (25) a Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) 53/07, de autoria do deputado Jofran Frejat (PR/DF). A proposta garante
direito a aviso prévio, seguro-desemprego e Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço (FGTS) aos servidores de cargo em comissão de livre
nomeação.
O relator do projeto na CCJ,
deputado Pastor Manoel Ferreira (PTB/RJ), apresentou parecer favorável,
por considerar importante o início da discussão do tema. "Não
podemos mais postergar o debate sobre os direitos dos ocupantes de cargos
em comissão que não ocupam cargo efetivo, sob pena de deixarmos
ao desamparo milhares de servidores que contribuem efetivamente para
a eficiência, a continuidade e o aperfeiçoamento do serviço
público", disse.
A PEC será agora
analisada por uma comissão especial, antes de seguir para votação
em dois turnos no Plenário. (Com Agência Câmara)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
26/06/2008
Justa causa não pode ser alegada
depois de comunicada a demissão
A Quinta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho manteve decisão do Tribunal Regional do Trabalho da
4ª Região (RS) que não admitiu que o Unibanco de Santa
Maria – RS convertesse para justa causa a demissão de um
empregado que inicialmente fora comunicado de que seria dispensado sem
justa causa, sob a acusação de que ele teria cometido faltas
graves. De acordo com a decisão regional, a iniciativa da dispensa
motivada ocorreu em data posterior ao último dia de trabalho do
empregado.
Admitido em dezembro de 1998,
o bancário foi avisado, em abril de 2004, que o banco não
precisaria mais de seus serviços. Compareceu no dia e local indicados,
mas não houve o acerto de contas. Posteriormente, recebeu a comunicação
da empresa de que o motivo da rescisão havia sido modificado:
com a suspeita de que o bancário teria feito operações
irregulares a fim de obter vantagens pessoais, sua demissão seria
então por justa causa. Inconformado, o empregado entrou com ação
trabalhista contra o banco e obteve decisões favoráveis
no primeiro e no segundo grau.
Sem êxito, o banco interpôs
agravo de instrumento para o TST, pretendendo dar seguimento a seu recurso
de revista, trancado pelo TRT/RS. Para a relatora do processo na Quinta
Turma, ministra Kátia Magalhães Arruda, a decisão
regional “concluiu que a dispensa imotivada, com determinação
de que era o último dia de trabalho do empregado, tornou-se irreversível,
sem postergação de sua eficácia, não podendo
ser revertida em justa causa por suspeita de falta grave cometida anteriormente,
praticada no curso da relação empregatícia”.
A própria empresa informou
no seu recurso que tomou conhecimento da suspeita de ato de improbidade
no dia do pagamento das verbas rescisórias, e não na data
da demissão (com aviso prévio indenizado). A Quinta Turma
decidiu, unanimemente, não aceitar o agravo de instrumento do
Unibanco. (AIRR-767-2004-701-04-40.7)
(Mário Correia)
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26/06/2008
Empregado obrigado a segurar tartaruga no
trabalho ganha indenização
A prática de expor seus
empregados a situações ridículas levou a Justiça
do Trabalho a condenar uma distribuidora de bebidas ao pagamento de indenização
por dano moral no valor de R$ 20 mil. Em ação trabalhista
movida contra a empresa, um dos empregados ridicularizados relatou algumas
das “brincadeiras” a que era submetido e que o motivaram
a requerer reparo por dano moral: carregar uma âncora de 20 kg,
cantar músicas desmoralizantes, pendurar fantasmas na mesa da
equipe de vendas de pior resultado, segurar uma tartaruga e desfilar
com um objeto de plástico na cabeça, semelhante a um monte
de fezes.
A distribuidora Bebidas Real
São Gonçalo foi condenada, em sentença de primeiro
grau, ao pagamento de R$ 20 mil reais, correspondente a 10 vezes o salário
que pagava ao empregado. A empresa recorreu, mas o Tribunal Regional
do Trabalho da 1ª Região (RJ) não só manteve
a sentença, como aplicou multa por litigância de má-fé e
determinou que ela pagasse, também, os honorários advocatícios.
Inconformada, a empresa recorreu
ao Tribunal Superior do Trabalho, contestando o pagamento dos honorários,
sob o argumento de que o autor da ação não se encontrava
assistido por sindicado profissional, como determina a Súmula
219 do TST. O relator da matéria, ministro Aloysio Corrêa
da Veiga, rejeitou o recurso, destacando que a decisão do TRT
nesse aspecto se deu em caráter punitivo, como parte de sanção
aplicável com base no Código de Processo Civil, em função
da litigância de má-fé por parte da empresa. Assim,
concluiu o ministro, torna-se inviável contestá-la sob
o argumento de contrariedade à Súmula 219. (RR 646/2003-263-01-00.1)
(Ribamar Teixeira)

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