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Agência Brasil, 27 de
junho de 2008
Sindicato único por categoria
pode ser restrição à liberdade sindical, defende
OIT
Marco Antônio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O princípio
da unicidade sindical, consagrada na Constituição Brasileira,
não é necessariamente um sinal de ausência de liberdade
sindical no Brasil, mas pode ser encarado como uma restrição.
Essa foi a afirmação da diretora da Organização
Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, Laís Abramo, que participa
na tarde de hoje (26) da cerimônia de lançamento oficial
do Relatório Global A liberdade de Associação e
a Liberdade Sindical na Prática: Lições Aprendidas.
Unicidade sindical é a obrigatoriedade, por lei, de que exista
apenas um sindicato representativo de uma determinada categoria em um
determinado município.
O Brasil é um dos países
que ainda não ratificou a convenção 87 da OIT, considerada
fundamental pela entidade. O texto estabelece que todos os trabalhadores
e empregadores têm o direito de constituir organizações
e de afiliar-se a instituições de forma livre, sem ingerência
ou intromissão do Estado. Nas Américas, apenas Brasil e
Estados Unidos não ratificaram a convenção.
“A convenção
87 propõe que a forma de organização sindical seja
decidida pelos seus membros. Tanto pode haver a opção pela
unicidade quanto pelo pluralismo. Por isso, há uma restrição
a ampla liberdade sindical”, afirmou.
Segundo Laís, a unicidade
e o imposto sindical obrigatório no Brasil são heranças
do sistema corporativista. Entretanto, ela reconhece que parte do movimento
sindical é favorável à unicidade sob a alegação
de que o pluralismo fragmenta as ações. Ainda segundo ela,
essa seria a razão pela qual a ratificação ainda
não foi feita pelo Congresso.
“A ratificação é uma
decisão soberana do país, mas nosso papel, como OIT, é promover
constantemente o princípio da liberdade sindical.”
A diretora da OIT ressaltou
que o Brasil já experimentou avanços significativos na
liberdade sindical nos últimos 20 anos, mas lembrou que ainda
há denúncias recentes em relação a práticas
anti-sindicais, como a perseguição a trabalhadores.
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Agência Brasil, 27
de junho de 2008
CUT defende reestruturação
do movimento sindical no Brasil
Ivan Richard
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A divulgação
do relatório da Organização Internacional
do Trabalho (OIT) que faz críticas ao Brasil por não
ter assinado a Convenção nº 87 pode servir como
motivação para que o país promova uma mudança
geral em sua estrutura sindical. A afirmação foi
feita hoje (26) pelo secretário de Relações
Internacionais da Central Única dos Trabalhadores (CUT),
João Felício.
Segundo ele, a principal mudança seria o fim do imposto sindical. “Estamos
em uma fase de profunda mudança, necessária na estrutura sindical
do país. Se não conseguirmos fazer essa mudança agora,
não vamos ter outro momento tão bom da nossa história”,
afirmou Felício. Para ele, a atual estrutura faz com que alguns sindicatos
existam apenas para receber recursos, e não para lutar pelos direitos
dos trabalhadores.
“ Porque existe o imposto sindical, o pelego que dirige o sindicato não
está preocupado em fazer sócios, porque tem o dinheiro entrando”,
criticou. “Tenho certeza de que, no dia em que acabar o imposto sindical
e tivermos as pessoas pagando de forma espontânea, com valor definido em
assembléia, teremos um sindicalismo muito mais abrangente, sério,
e acabaremos com essa pelegada que dirige sindicatos por aí”, disse.
Para João Felício, os últimos anos foram de avanços
no diálogo com o governo federal, mas essa realidade não se repetiu
em nível estadual. “É verdade que em muitas regiões
do país, por parte de governadores e empresários, não
existe respeito a organizações sindicais. O Brasil até hoje
não é signatário da Convenção 87 da OIT,
não por causa de Lula, mas por parte do próprio movimento sindical,
de trabalhadores e empresários que são contra.”
Ele acredita que alguns representantes dos trabalhadores são contra
a convenção da OIT porque defendem a unicidade sindical. “A
unicidade é uma concepção autoritária de organização
sindical. Temos que garantir ao cidadão o direito de se vincular à entidade
sindical que achar mais conveniente, e a unicidade não garante isso.”
Na opinião de João Felício, a melhor forma de garantir
a liberdade sindical e acabar com as perseguições é o
respeito às convenções da OIT. “Perseguição
a sindicalistas existe no mundo todo. Até os países mais avançados
têm dificuldade de relação com o mundo sindical. Mas a
melhor forma de combate a perseguições é o acatamento
das convenções da OIT”, finalizou.
O texto da Convenção 87 estabelece que todos os trabalhadores
e empregadores têm direito de constituir organizações e
de se filiar a instituições de forma livre, sem ingerência
ou intromissão do Estado. Nas Américas, apenas Brasil e Estados
Unidos não ratificaram a convenção.
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Agência Brasil, 27 de junho de 2008
Secretário afirma que no
Brasil "há ampla e total liberdade sindical"
Ivan Richard
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O Brasil
não precisa assinar a Convenção nº 87
da Organização Internacional do Trabalho (OIT)
para que haja respeito e liberdade na atividade sindical no país,
disse hoje (26) o secretário de Relações
do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, Luiz
Antonio de Medeiros. Para ele, no Brasil existe “ampla
e total liberdade sindical”.
O texto da Convenção n.º 87 estabelece que todos os trabalhadores
e empregadores têm o direito de constituir organizações
e de se afiliar a instituições de forma livre, sem ingerência
ou intromissão do Estado. Nas Américas, apenas Brasil e Estados
Unidos não ratificaram a convenção.
Para a OIT, a adoção das Convenções Internacionais
do Trabalho n.º 87 e n.º 98, referentes à liberdade sindical
e à negociação coletiva em vários países,
possibilitou avanços no respeito aos princípios trabalhistas
pelos governos, mas o cumprimento efetivo e universal das normas ainda demanda
ações de impacto nos próximos anos.
Em entrevista à Agência Brasil, o secretário de Relações
do Trabalho ressaltou que o relatório divulgado hoje pela OIT não
faz apenas críticas, mas também elogios ao Brasil. Segundo ele,
a organização exalta o reajuste dos salários, que ficaram
acima da inflação, e também o crescimento do número
de empregos. “Legalizamos as centrais sindicais que há 100 anos
lutavam por isso.”
“ Não precisa assinar a Convenção nº 87, que
não depende do governo, está na Câmara, para se ter liberdade
de organização.
Os Estados Unidos não assinaram e há total liberdade sindical.
No Brasil há total e irrestrita liberdade sindical, mesmo porque temos
um presidente que não esquece suas raízes, que são os
trabalhadores”, observou o secretário.
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Agência Brasil, 27
de junho de 2008
Liberdade sindical e de negociação
coletiva precisa ser respeitada, defende OIT
Marco Antônio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A confirmação
das Convenções Internacionais do Trabalho n.º 87
e n.º 98, referentes à liberdade sindical e à negociação
coletiva em vários países, possibilitou avanços
no respeito aos princípios trabalhistas pelos governos,
mas o cumprimento efetivo e universal das normas ainda demanda
ações de impacto nos próximos anos. Essa é a
principal conclusão do Relatório Global A liberdade
de Associação e a Liberdade Sindical na Prática:
Lições Aprendidas, divulgado hoje (26) pela Organização
Internacional do Trabalho (OIT).
O Brasil é um dos países
que não assinaram a Convenção n.º 87. O texto
estabelece que todos os trabalhadores e empregadores têm o direito
de constituir organizações e de afiliar-se a instituições
de forma livre, sem ingerência ou intromissão do Estado.
“Embora a ratificação
das duas convenções seja importante, o verdadeiro desafio
está na aplicação efetiva. O trabalho de controle
da OIT mostra a necessidade de redobrar esforços na promoção
do respeito dos direitos e na implementação dos seus princípios,
tanto nos países que as ratificaram como nos que não as
ratificaram”, afirma o documento.
Como um sinal de que os sindicatos
e as organizações de empregadores ainda enfrentam diariamente
obstáculos significativos, a OIT ressalta que os órgãos
de controle filiados registraram nos últimos quatro anos um aumento
no número de queixas referentes a atos de discriminação
anti-sindical e de ingerência. Na prática, tratam-se de
demissões, transferências, não-promoções
e não-contratações de sindicalistas ou trabalhadores
sindicalizados.
Os principais problemas, pela
descrição do relatório, são "restrições à constituição
de organizações ou ao direito de nelas se filiarem, ingerência
do Estado e de outras entidades no funcionamento das organizações
de empregadores e de trabalhadores, restrições à negociação
coletiva, discriminação de trabalhadores sindicalizados,
e restrição indevida do direito de greve”.
A OIT indica professores e trabalhadores
dos serviços de saúde como as categorias mais enfrentam
dificuldade no exercício do direito de organização
e de negociação coletiva.
No que tange os avanços
recentes, o documento destaca a posição adotada pelo Banco
Mundial e os bancos regionais de desenvolvimento na concessão
de financiamentos: “As instituições financeiras exigem
cada vez mais que os beneficiários dos empréstimos respeitem
a legislação nacional e as normas internacionais do trabalho.
Reconhecem assim que sem o respeito da liberdade sindical e da negociação
coletiva não pode existir uma política econômica
sólida.”
O relatório também
lembra que os acordos de livre comércio bilaterais, multilaterais
e de integração econômica regional contêm disposições
que remetem às normas internacionais do trabalho.
O documento que marca o
60º aniversário de adoção da Convenção
n.º87 da OIT sobre a Liberdade Sindical e a Proteção
do Direito Sindical será lançado oficialmente no Brasil
em cerimônia na tarde de hoje, a partir das 15 horas, no Tribunal
Superior do Trabalho. Estarão presentes a diretora da OIT no
Brasil, Laís Abramo, e o especialista em normas internacionais
do Trabalho Christian Ramos Veloz.
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Agência Brasil, 27
de junho de 2008
OIT cobra vontade política
de governos para ratificar normas sobre liberdade sindical
Marco Antônio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O Relatório
Global A liberdade de Associação e a Liberdade Sindical
na Prática: Lições Aprendidas, divulgado hoje
(26) pela Organização Internacional do Trabalho,
revela que até 2007, de um total de 182 estados membros
da OIT, 148 haviam ratificado a Convenção nº 87
e 158 haviam ratificado a Convenção nº 98, relativas à liberdade
sindical e à negociação coletiva.
No documento, a adoção universal e efetiva da legislação é condicionada
a uma maior “vontade política” dos governantes. Cerca de
metade da população ativa total dos estados-membros da OIT vive
em cinco países que ainda não ratificaram a Convenção
nº 87, entre eles o Brasil. Os outros quatro são China, Índia,
República Islâmica do Irã e Estados Unidos.
A norma garante a todos os trabalhadores
e empregadores o direito de constituir livremente, sem ingerência
ou intromissão do Estado, as organizações que julgarem
convenientes e de se afiliar a elas.
“ Nos últimos quatro anos, esses países não tomaram
quaisquer medidas significativas no sentido da ratificação,” critica
a OIT no relatório. “O Estado deve ter a capacidade administrativa
e técnica necessária para garantir a aplicação desses
princípios. Uma administração do trabalho forte e eficaz é importante
para promover a negociação coletiva”, acrescenta.
A OIT ressalta também o papel dos governos para que a liberdade sindical
e a negociação coletiva se tornem realidade na economia informal: “Em
alguns países, a grande maioria dos trabalhadores concentra-se na economia
informal. Em geral, a taxa de sindicalização é baixa e
a negociação coletiva é rara. É um fato que as
normas do trabalho não são aplicadas na economia informal, o
que está na origem de muitos casos de baixos salários, durações
excessivas do trabalho, condições de trabalho perigosas e de
exploração dos trabalhadores.”
O Brasil também é citado no relatório por uma parceria
entre o Tribunal Superior do Trabalho (TST) e Centro Internacional de Formação
da OIT, em Turim (Itália), que resultou, desde 2004, no reforço
de capacitação de juízes e juristas.
“Quase todos os membros
do tribunal brasileiro beneficiaram de formação sobre
os princípios e normas em matéria de liberdade sindical,
ministrada em Turim ou em Genebra. Aumentar o conhecimento dos agentes
judiciários sobre os princípios e direitos fundamentais
levará a que sejam melhor aplicados nas suas decisões”,
destaca o documento.
O relatório será lançado oficialmente no Brasil em cerimônia
na tarde de hoje, a partir das 15h, no Tribunal Superior do Trabalho. Estarão
presentes a diretora da OIT no Brasil, Laís Abramo, e o especialista
em normas internacionais do trabalho, Christian Ramos Veloz. A divulgação
marca marca o 60º aniversário de adoção da Convenção
nº 87 da OIT sobre a liberdade sindical e a proteção do
direito sindical.
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Agência Diap, 27 de
junho de 2008
NORMA INTERNACIONAL
OIT defende liberdade sindical e
negociação coletiva como direitos da humanidade
A Organização
Internacional do Trabalho (OIT) divulgou hoje (26) o Relatório
Global "A liberdade de associação e a liberdade
sindical na prática: lições aprendidas".
O documento, no entendimento
da entidade, oferece uma visão panorâmica da aplicação
e do cumprimento efetivo dos princípios e direitos universais
relativos à liberdade de associação, liberdade sindical
e negociação coletiva.
A ratificação das
convenções internacionais do trabalho 87 e 98 relativas à liberdade
sindical e à negociação coletiva expressa o compromisso
de implementar os princípios e direitos nelas plasmados.
Avanços
e desafios
O Relatório Global registra avanços na ampliação
da ratificação dessas convenções pelos Estados-Membros
da OIT, mas indica também que ainda é necessário
um maior esforço para atingir a ratificação universal
de ambas as convenções, compromisso assumido pelos constituintes
tripartites da OIT há dez anos, ao aprovar a Declaração
sobre os Direitos e Princípios Fundamentais do Trabalho.
Até 2007, de um total
de 182 Estados-Membros, 148 haviam ratificado a Convenção
nº 87 e 158 haviam ratificado a Convenção nº 98.
O Relatório aponta que é preocupante o fato de a Convenção
nº 87 ter se tornado a menos ratificada das oito Convenções
fundamentais.
Brasil
A Convenção nº 98 foi ratificada pelo Brasil em novembro
de 1952. Porém, o mesmo não aconteceu até hoje com a Convenção
nº 87, sobre liberdade sindical e direito de sindicalização,
considerada um dos mais importantes tratados multilaterais da OIT.
Todos os trabalhadores e empregadores
têm o direito de constituir as organizações que julgarem
convenientes e de afiliar-se a elas, com o objetivo de promover e defender
seus respectivos interesses e de celebrar negociações coletivas
com a outra parte, livremente e sem ingerência de umas sobre as
outras, nem intromissão do Estado.
Direito
humano
A liberdade sindical e a liberdade de associação são um
direito humano fundamental que, junto com o direito de negociação
coletiva, representam um valor central da OIT. Os direitos de sindicalização
e de negociação coletiva permitem promover a democracia, uma
boa governança do mercado de trabalho e condições de trabalho
decentes.
O presente Relatório parte,
como os outros dois Relatório Globais que foram publicados sobre
este tema em 2000 e 2004 respectivamente, da premissa segundo a qual
a única maneira de conseguir o objetivo da OIT de um trabalho
decente para todas as mulheres e homens em condições de
liberdade, igualdade, segurança e dignidade humana é que
eles tenham a oportunidade de expressar-se sobre o que estes conceitos
significam.
A liberdade sindical e
de associação, o direito de sindicalização
e de negociação coletiva são direitos humanos
fundamentais cujo exercício tem grande transcendência
nas condições de trabalho e de vida, assim como o desenvolvimento
e o progresso dos sistemas econômicos e sociais. (Com OIT)
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Vermelho, 27 de junho de
2008
Perguntas e respostas esclarecem como
funcionará a CSS
Aprovada pela Câmara dos
Deputados, a CSS (Contribuição Social para a Saúde),
se passar também pelo Senado, vai injetar quase R$ 12 bilhões
a mais na saúde pública brasileira a partir de 2009. Ela
foi criada como parte da regulamentação da Emenda 29, que
define regras claras sobre a aplicação de verbas no setor.
Só pagará a CSS, com alíquota de 0,1%, quem receber
salários, pensões e aposentadorias acima de R$ 3.038. Confira
abaixo todas as informações sobre a Contribuição:
Financiamento da Saúde:
A Emenda Constitucional 29 e sua Lei Complementar.
Na Constituição de 1988, ao contrário da educação,
a saúde não obteve a garantia de investimentos mínimos
anuais nos orçamentos dos três níveis de governo. A falta
de financiamento adequado levou à criação da CPMF em 1996.
Entretanto, o dinheiro que seria para a saúde passou a ser dividido
com outras áreas.
Somente em 2000, através da Emenda Constitucional 29 (EC 29), passaram
a ser exigidos montantes mínimos a serem aplicados na saúde:
12% das receitas líquidas dos Estados; 15% da arrecadação
dos Municípios; o gasto do ano anterior corrigido pela variação
nominal do PIB (o crescimento anual da economia + a taxa de inflação
anual) como valor mínimo do governo federal. Mas os governos estaduais,
alegando não haver lei disciplinadora, passaram a computar como despesas
em ações e serviços públicos de saúde gastos
de outras áreas, diminuindo as verbas da saúde. O pior exemplo é o
do Rio Grande do Sul, que aplica apenas 6%. Além disso, o valor investido
pelo governo federal mostrou-se insuficiente.
A EC 29 determinou que Lei Complementar estabeleceria critérios de rateio
dos recursos da saúde entre a União, Estados e Municípios,
além de definir mecanismos de fiscalização e controle
para combater desvios e fraudes. Estipulou, ainda, que a cada cinco anos seriam
revisados os valores aplicados no setor.
É esta Lei Complementar que o deputado Pepe Vargas (PT-RS) tem a responsabilidade
de relatar.
O que propõe o substitutivo do Deputado Pepe Vargas?
O substitutivo do Deputado Pepe Vargas mantém os critérios que
definem os montantes mínimos a serem aplicados na saúde pelos
três níveis de governo. A estes valores propõe um acréscimo
a ser investido pelo governo federal. Este valor adicional será obtido
através da criação da Contribuição Social
para a Saúde, que permitirá um aumento de cerca de R$ 11,8 bilhões
aos R$ 53,3 bilhões que seriam aplicados na saúde em 2009 através
da regra atual. Assim, dos R$ 48,5 bilhões aplicados em 2008, passaríamos
para cerca de R$ 65 bilhões em 2009.
O Projeto de Lei define o que pode e o que não pode ser considerado
como despesa em ações e serviços públicos de saúde.
Com isso, os Estados ficarão impedidos de computar despesas estranhas à saúde,
o que acrescentará aos investimentos estaduais cerca de R$ 3,5 bilhões
a mais do que hoje. Além disso, ele estabelece regras rígidas
de fiscalização e controle dos recursos aplicados na saúde,
que dificultarão fraudes e desvios do dinheiro destinado a esta área,
bem como critérios mais justos de rateio das verbas da saúde
entre o governo federal, os Estados e os Municípios.
É preciso criar a Contribuição Social
para a Saúde?
Sem uma contribuição específica para a saúde não
há garantia de mais recursos para o setor. Com a extinção
da CPMF a União deixará de arrecadar R$ 40 bilhões neste
ano. Com isso, a saúde perde R$ 16,4 bilhões, a Previdência
Social R$ 8,4 bilhões, o Fundo de Erradicação da Pobreza
R$ 6,7 bilhões e a Desvinculação dos Recursos da União
(DRU) deixa de reter R$ 8,5 bilhões. O aumento do Imposto sobre Operações
Financeiras e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido
dos Bancos compensa só metade destes valores e são tributos que
o governo não tem obrigação legal de transferir para a
saúde.
Mas não é preciso diminuir a cobrança
impostos?
É preciso. Durante o governo FHC a carga tributária subiu de 24%
para 32,6% do PIB. Segundo estimativa do Tribunal de Contas da União,
a carga deverá fechar 2007 em 36,18%. Para reduzir esse número,
o presidente Lula encaminhou ao Congresso Nacional o Projeto de Emenda Constitucional
(PEC) 233/2008, conhecida como PEC da Reforma Tributária. A Comissão
Especial instalada para apreciação deste Projeto, da qual o Deputado
Pepe Vargas faz parte, deverá votar o relatório desta matéria
até 17 de Julho, permitindo que a seguir ela entre na pauta de votações
do Plenário.
A Reforma Tributária reduzirá o número
de impostos e a carga tributária?
Sim. Tributos como Cofins, PIS, Contribuição do Salário-educação
e Cide-combustíveis serão extintos. No seu lugar será criado
o Imposto sobre o Valor Adicionado-Federal (IVA-F). A Contribuição
Social Sobre o Lucro Líquido será extinta, incorporando-se ao
Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. Além desta simplificação
tributária, que reduz custos para as empresas, a contribuição
que elas pagam ao INSS, hoje de 20% sobre a folha de pagamento, será reduzida,
progressivamente, para 14%. Haverá nova Legislação para
o ICMS, unificada nacionalmente, o que acabará com a guerra fiscal entre
os estados. Está prevista também a desoneração
dos alimentos da cesta básica e diversos outros mecanismos de redução
da carga de impostos. O volume de impostos que será diminuído é superior
aos valores da CSS, garantindo a diminuição da carga tributária.
Como será cobrada a Contribuição Social
para a Saúde?
Ela tributará as movimentações financeiras. Quem ganha
mais pagará mais e a maioria das pessoas estará isenta. A alíquota
será de 0,1%, bem menor que os 0,38% da CPMF. Quem especula no mercado
financeiro pagará mais do que paga hoje. Quem pratica sonegação
fiscal, bem como quem atua no mercado informal e não paga impostos,
não conseguirá escapar deste tributo. Além disso, ele
permite fiscalizar, através de cruzamento de dados dos contribuintes,
formas diversas de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e outros
ilícitos.
Quando iniciará a cobrança da CSS?
Caso aprovada, iniciará em 1º de janeiro de 2009, pois os efeitos
positivos da diminuição de impostos previstos na PEC da Reforma
Tributaria só iniciam no próximo ano.
Quem estará isento de pagar a CSS?
Aposentados, pensionistas e todos que ganham até R$ 3.038,00 mensais
e contribuem para a previdência social. Com isso, 95% dos contribuintes
pessoas físicas estarão isentos. Em todo Brasil, menos de 5 milhões
de contribuintes pessoas físicas pagarão a CSS.
Como a isenção será garantida?
O rendimento até R$ 3.038,00, movimentado na conta bancária do
contribuinte, terá recolhimento de 0,1% de CSS. Uma pessoa que recebe
salário ou rendimento de R$ 3.000,00 pagará R$ 3 de CSS e terá desconto
deste valor ao pagar a Previdência. Teria que pagar R$ 333, mas pagará R$
330. Se for aposentado ou pensionista receberá os R$ 3 como um acréscimo
no seu benefício, recebendo R$ 3.003. A regra vale para os contribuintes
do Regime Geral de Previdência (iniciativa privada) e para os contribuintes
dos regimes próprios do funcionalismo público.
E quem ganha mais do que R$ 3.038,00 mensais?
Acima deste valor pagará só a diferença entre o limite
da isenção e os seus vencimentos. Uma pessoa que recebe R$ 6.038
líquidos pagará apenas R$ 3 de CSS, já que até os
R$ 3.038 gozará da isenção.
Então a classe média, que paga seu plano de saúde, será penalizada?
A legislação do Imposto de Renda permite aos contribuintes deduzir
integralmente, do imposto de renda a pagar, os gastos com planos de saúde
e despesas com serviços particulares de profissionais de saúde.
Na prática, as classes de renda mais alta têm acesso à saúde
privada e não pagam por isto, uma vez que abatem estes gastos do Imposto
de Renda.
Estas deduções atingiram R$ 20 bilhões em 2007, dinheiro
que poderia estar sendo aplicado no SUS, que atende 140 milhões de brasileiros
que dependem exclusivamente dele. Os planos de saúde atendem apenas
40 milhões de pessoas, mas elas também utilizam o SUS, pois os
tratamentos mais caros não são cobertos pelos planos, obrigando-as
a recorrer ao sistema público. Transplantes, hemodiálise, tratamento
para o câncer, são exemplos disto. Sem falar dos acidentes de
trânsito, que são atendidos nos serviços de urgência
do SUS ou dos programas de vacinação.
A CSS é uma contribuição com princípio
de solidariedade social?
As pessoas com maior renda, que têm acesso à saúde privada
e descontam o pagamento por ela do Imposto de Renda, contribuirão mensalmente
com um pequeno valor para melhorar o atendimento à saúde dos
mais pobres. Além disso, elas serão beneficiadas com a redução
de impostos prevista na Reforma Tributária. Uma pessoa, que por hipótese,
ganhe R$ 12.000 mensais de vencimentos líquidos, pagará R$ 9
de CSS por mês. Isto é menos do que cinco cafezinhos expressos
por mês.
O dinheiro da CSS vai para a saúde mesmo?
O Projeto de Lei regulamenta que 100% do dinheiro arrecadado pela CSS, inclusive
a parcela retida pela DRU, terá destinação exclusiva para
a saúde e será enviado diretamente ao Fundo Nacional de Saúde,
sem passar pelo caixa geral do governo. É muito diferente da CPMF, cujos
recursos não tinham vinculação exclusiva para a saúde
e iam para o caixa geral do governo.
As empresas vão repassar o aumento de custos para o
preço dos produtos?
Não há razão para isso. Elas pagavam 0,38% de CPMF. Com
sua extinção, não diminuíram o preço dos
seus produtos. Com a alíquota de 0,1% da CSS elas ainda estarão
lucrando. Além disso, na PEC da Reforma Tributária está prevista
a redução da contribuição das empresas para o INSS,
que diminuirá progressivamente de 20% para 14% sobre a folha de salários.
Terão, portanto, grande diminuição de impostos.
Mas não está havendo um recorde de arrecadação
neste ano?
O excesso de arrecadação precisa ser melhor analisado. Todos
os anos, no primeiro trimestre, há uma arrecadação maior
do que nos outros meses. Isto ocorre devido a certos tributos que são
pagos nos três primeiros meses. Neste ano, ainda tivemos uma grande arrecadação
propiciada por leilões de exploração de petróleo,
o que não acontece todos os anos. Boa parte da arrecadação é decorrente
das contribuições para o INSS, que o governo não pode
utilizar livremente, já que são destinados ao pagamento das aposentadorias
e benefícios previdenciários. O dinheiro restante não
fica todo com o governo federal. Cerca de 40% deste valor deve ser transferido
aos Estados e aos Municípios. Depois disso, do que sobra, é preciso
reservar o dinheiro obrigatório da educação e de outros
fundos constitucionais. Enfim, sobra pouco para o governo decidir onde pode
aplicar de forma livre.
Os recursos de livre aplicação que restam não suprem a
necessidade da saúde?
O grande problema é que estes recursos de livre aplicação
devem suprir outras necessidades além da saúde. Parte considerável
precisa garantir os investimentos do Plano de Aceleração do Crescimento
(PAC). O PAC envolve investimentos em três áreas: 1) Infra-estrutura
Logística (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); 2) Infra-estrutura
Energética (hidroelétricas, termoelétricas, energia eólica,
extração de petróleo e gás, biocombustíveis);
e 3) Infra-estrutura Social (habitação popular e saneamento básico).
O Brasil ficou quase duas décadas sem investimentos consideráveis
nestas áreas. Investimentos em logística e energia são
decisivos para evitar um apagão no crescimento econômico. O crescimento
econômico garante emprego e renda, que junto com os investimentos em
habitação e saúde, melhoram as condições
de saúde da população.
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FOLHA DE LONDRINA, 27 de
junho de 2008 | Economia
Desemprego pode fechar 2008 com queda
recorde
Rio de Janeiro - O gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, Cimar Azeredo,
disse que a tendência é de novas quedas na taxa de desemprego,
até dezembro de 2008, exceto se fatores externos venham a afetar o desempenho
do mercado de trabalho. Como exemplo desses fatores, ele citou a inflação,
a alta dos juros e as crises externas. ''Juros e inflação podem
comprometer um pouco esse processo, mas, exceto na renda, os efeitos demoram,
não são imediatos'', afirmou.
Segundo ele, os resultados do
mercado de trabalho em maio, com taxa de desemprego em 7,9% (a menor
taxa para maio desde 2002), aumento no número de trabalhadores
ocupados e queda no contingente de desocupados, ''são extremamente
positivos''. O gerente da pesquisa afirmou que o desempenho reflete o
bom cenário econômico do País. ''O ano de 2008 vem
registrando indicadores positivos na economia e isso vem se refletindo
no mercado de trabalho'', disse.
Azeredo ressaltou que este ano
''uma inflexão significativa'' na taxa de desemprego ocorreu ''mais
cedo e com mais força'', já que no ano passado só houve
queda na taxa em junho. Historicamente, a taxa de desemprego sobe de
janeiro até o final do primeiro semestre, iniciando então
um processo de queda até o final do ano. ''A situação
no mercado de trabalho em 2008 é favorável em relação
aos últimos anos'', afirmou, acrescentando que ''a taxa (de desemprego)
tende a fechar o ano com novo recorde (de queda)''.
O recorde mensal entre as menores
taxas de desemprego mensais apuradas pelo IBGE, até o momento, é dezembro
de 2007, quando foi de 7,4%, a mais baixa da série iniciada em
março de 2002. A taxa no mês de dezembro é sempre
a menor apurada mensalmente a cada ano.
Jacqueline Farid
Agência Estado
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Folha de S.Paulo, 27 de junho
de 2008
14% da Amazônia é "terra
de ninguém", diz estudo oficial
Incra não sabe quem tem posse de área
que equivale aos Estados de SP, RS e PR | Levantamento feito pelo
instituto do governo revela que maior quantidade de terrenos desconhecidos
está no Pará, com 288,6 mil km2
EDUARDO SCOLESE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Um levantamento recém-concluído
pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária) revela que o órgão desconhece uma área
da Amazônia Legal que, somada, equivale a duas vezes o território
da Alemanha ou às áreas dos Estados de São Paulo,
Rio Grande do Sul e Paraná juntas.
O Incra não sabe se esses 710,2 mil quilômetros quadrados estão
nas mãos de posseiros ou de grileiros. Nem o que está sendo produzido,
plantado ou devastado nessas terras públicas da União. O volume
desconhecido, que representa 14% da Amazônia Legal e 65% da parte sob
responsabilidade exclusiva do Incra na região, está espalhado
pelos Estados do Norte e Mato Grosso. Também na Amazônia Legal,
o Maranhão não possui terras nessa situação, segundo
o levantamento do órgão obtido pela Folha.
A maior quantidade de terrenos desconhecidos do ponto de vista de situação
fundiária está no Pará, com 288,6 mil quilômetros
quadrados, área equivalente ao Rio Grande do Sul e que representa 23%
da área total do Estado. No Pará, chama a atenção
o fato de as "manchas" desconhecidas estarem sobrepostas às
rodovias BR-163 (Cuiabá-Santarém) e Transamazônica e ao
leste do Estado, onde há o forte avanço da pecuária e
da mineração.
No ranking, o Pará é seguido por Amazonas (141,8 mil quilômetros
quadrados) e Rondônia (89,3 mil quilômetros quadrados). Em relação
ao tamanho do Estado, o maior percentual de terrenos desconhecidos está em
Rondônia (37%), Roraima (29%) e Amapá (25%).
Para mudar esse quadro e fugir da visão parcial de satélites,
o Incra terá de fazer a regularização fundiária,
ou seja, promover o georreferenciamento das glebas públicas federais,
que é um mapa preciso com as coordenadas da propriedade, fazer a varredura
in loco de cada uma delas, regularizar os documentos, afastar os grileiros
e dar uma destinação a essas áreas, como transformá-las
em reserva ambiental e assentamento ou simplesmente incluí-las no eixo
de desenvolvimento da economia local.
Dos 710,2 mil quilômetros quadrados de áreas desconhecidas, o
governo pretende concluir o trabalho em pelo menos 200 mil quilômetros
quadrados delas até o final deste ano.
" O nosso objetivo é estabelecer um plano para os próximos
cinco, seis anos. O momento exige que a gente faça mais e mais rápido",
disse o presidente do Incra, Rolf Hackbart. "Mas [esse prazo] não
[pode ser cumprido] com o Incra como está hoje. É preciso mais
servidores e mais equipamentos, além de parcerias com os militares e com
os institutos de terra dos Estados. Não queremos mais grilagem, e sim
terra legal na Amazônia Legal."
O documento do Incra será entregue na semana que vem pelo ministro Guilherme
Cassel (Desenvolvimento Agrário) ao colega Mangabeira Unger (Assuntos
Estratégicos), em reunião do PAS (Programa Amazônia Sustentável).
A idéia de Cassel, do qual o Incra é subordinado, é apontar
a divisão de responsabilidades na Amazônia Legal. Segundo o documento,
cabe ao Incra uma extensão não-contínua de 1,1 milhão
de quilômetros quadrados da Amazônia Legal , sendo cerca de 35%
disso áreas de assentamentos. O restante dos 5 milhões de quilômetros
quadrados (59% do território nacional) cabe ao governo do Amazonas, à Funai
(Fundação Nacional do Índio), ao Ministério do
Meio Ambiente e às Forças Armadas, entre outros.
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Folha
de S.Paulo, 27 de junho de 2008
Associação quer que OIT se
pronuncie sobre o amianto
Objetivo é ver proibido o uso do mineral
no Brasil
FÁTIMA FERNANDES
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
A Abrea (Associação
Brasileira dos Expostos ao Amianto) pediu formalmente ontem, em Brasília, à OIT
(Organização Internacional do Trabalho) um pronunciamento
sobre o fato de indústrias brasileiras que extraem e usam
amianto para produzir telhas e caixas-d'água patrocinarem
entidades de trabalhadores para defender o uso controlado do mineral
no país.
O pedido foi feito por meio de queixa para que a OIT recomende ao governo brasileiro
a adoção de medidas que possam proibir o que a Abrea entende
como "prática anti-sindical".
A Abrea se baseia no artigo 2º da Convenção 98 da OIT, que "veda às
organizações de empresas manter com recursos organizações
de trabalhadores com o objeto de sujeitá-las ao controle de empregadores".
O repasse de recursos de empresas a entidades sindicais ocorre por meio do
Instituto Brasileiro do Crisotila, criado em 2002 e patrocinado por 11 indústrias. "A
queixa denuncia a grave violação da liberdade e da autonomia
sindicais em função da ajuda financeira da indústria do
amianto a entidades sindicais, como está explícito no Acordo
Nacional para Uso Controlado do Amianto Crisotila [tipo que existe no país]".
Esse acordo foi firmado entre a Comissão Nacional dos Trabalhadores
do Amianto (CNTA), ligada à CNTI (Confederação Nacional
dos Trabalhadores na Indústria), 7 sindicatos de trabalhadores, 11 indústrias
e o Instituto Brasileiro do Crisotila.
" O Estado tem de tomar medidas para censurar essa relação.
Se a OIT emite um pronunciamento em relação a isso, o Brasil pode
sofrer retaliações perante outros países, já que
as relações comerciais entre os países são pautadas
pela observância de cláusulas sociais", afirma Mauro de Azevedo
Menezes, advogado da Abrea.
Para Élio A. Martins, presidente da Eternit, uma das 11 empresas que
assinam o acordo com a comissão de trabalhadores, o repasse é transparente.
" Vivemos em uma democracia e isso [queixa à OIT] só engrandece
a discussão. O acordo é transparente. A lei federal nº 9.055
[que disciplina o uso do amianto no Brasil] prevê repasse para treinamento
dos trabalhadores. Eles precisam ser treinados, viajar, participar de seminários
para ter mais informação e discutir o assunto."
Martins afirma que "seria interessante ver de onde vêm os recursos
que financiam essas associações [que representam ex-trabalhadores,
como a Abrea] que defendem o fim do amianto no país".
O presidente da Eternit esteve ontem na sede da Fiesp (Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo) para discutir o uso controlado
do amianto e o impacto que o banimento do mineral teria no país.
" Existe uma pesquisa em curso, realizada pela USP e pela Unicamp, que vai
dar uma resposta científica a esse debate." Ele diz que não é possível
comparar o banimento no Brasil com o banimento na Europa. "Lá se
usava o amianto anfibólio; aqui se usa o crisotila."
" Se a pesquisa constatar que o produto está contaminando a população,
e se não houver meios de evitar isso, engrossarei a fileira dos que pedem
o banimento. Mas a única exigência que faço é que
a OMS [Organização Mundial da Saúde] diga que as fibras
alternativas são seguras e não causam riscos. O que se tem de informação
hoje é que o risco dessas fibras [alternativas] é indeterminado."
Martins também destaca que, desde a década de 80, não
há novos casos registrados de doenças causadas pelo uso do amianto
no Brasil. "A maioria das pessoas que está identificada com problema
ou que fez acordo com a companhia está dentro da pesquisa da Sama, passando
pelas juntas médicas da USP e da Unicamp. Parte dos processos contra
a companhia chegou ao final porque, no momento da perícia, se confirmou
que não tinha problema da doença ou que a doença não
era causada pelo amianto."
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CNTA, 27 de junho de 2008
Sindicatos não recebem recursos
para defender o amianto crisotila
Diferente do que publicou o Jornal
Folha de São Paulo, nas edições dos dias 23 e 24
de junho, sindicatos de trabalhadores não recebem recursos de
empresários ou do IBC (Instituto Brasileiro do Crisotila) para
defenderem o amianto. Infelizmente, o jornal distorceu o que estabelece
o Acordo Nacional para Uso Controlado do Amianto Crisotila, firmado pelos
trabalhadores, governo e empresários, em que se determina que
empresas de exploração e industrialização
do amianto crisotila devem repassar recursos à Comissão
Nacional dos Trabalhadores do Amianto (CNTA), para garantir exclusivamente
a qualificação do trabalhador que atua no setor e a fiscalização
para assegurar o uso controlado e responsável do amianto crisotila,
como garante a Lei 9.055, de 1º de junho de 1.995, que disciplina
a extração, industrialização, utilização,
comercialização e transporte do amianto e seus derivados,
bem como das fibras naturais e artificiais, de qualquer origem, utilizadas
para o mesmo fim.
É importante deixar claro que o item 20, do anexo 12, da NR-15, que trata
de “limites de tolerância para poeiras minerais” determina
que “o empregador deve garantir informação e treinamento
aos trabalhadores, com frequência mínima anual, priorizando os riscos
e as medidas de proteção e controle devido à exposição
do asbesto”. A CNTA simplesmente trabalha para garantir ambientes saudáveis
de trabalho e entendemos que os empresários que atuam neste setor de mineração é que
deve garantir os recursos para o desenvolvimento destas atividades. Anualmente,
a CNTA realiza curso de treinamento com trabalhadores que compõem a comissão
de fiscalização da mina de Cana Brava, localizada na cidade de
Minaçu, de das fábricas de telhas e caixa d´água,
existentes no País, desenvolvendo uma função que caberia
ao governo realizar. Além disso, fiscaliza periodicamente as indústrias,
para garantir que o uso controlado seja plenamente aplicado, garantindo assim
a manutenção desta atividade, sem causar problemas de saúde
ao trabalhador. Isso tem custo e a CNTA entende que não é o trabalhador
que deve pagar esta conta, mas sim as empresas, que têm lucro com esta
atividade.
A CNTA, reiteramos, defende o uso controlado e responsável do amianto
crisotila, um produto nacional, que gera mais de 170 mil empregos diretos e
indiretos no setor. No entanto, para que se possa fazer o uso controlado há necessidade
do treinamento dos trabalhadores e é o que a CNTA tem feito, de forma
sistemática, através de cursos, seminários e congressos.
O trabalhador precisa estar preparado para trabalhar com o mineral.
A CNTA também deixa claro que ninguém recebe recursos para defender
o amianto, mas sim o seu uso controlado e responsável do amianto crisotila,
que tem gerado empregos e divisas para o País. Além do que, desde
que se empregou o uso controlado e responsável, defendido pela CNTA,
a partir da década de 80, não se registrou novos casos de doenças
profissionais em função da utilização deste mineral,
sendo hoje uma referência para outras categorias de trabalhadores.
USO CONTROLADO – A CNTA defende o uso controlado
e responsável do amianto crisotila uma vez que o trabalhador,
praticamente, não tem contato com o crisotila, já que
a maior parte do processo é feito de forma enclausurada e ou
umedecida. Em função disso, hoje, diferente do que ocorreu
no passado, não há nenhum risco para os trabalhadores,
que aderiram ao uso controlado e responsável, assim como para
a população que utiliza produtos que contém o
crisotila e o mundo precisa saber disso.
O QUE É A CNTA – A Comissão Nacional
dos Trabalhadores do Amianto é uma organização de trabalhadores
da mineração e indústria do fibrocimento que utilizam
amianto crisotila, e que defende o uso controlado e responsável do
mineral no Brasil.
A CNTA foi criada em 23 de julho de 1988, pelos sindicatos e federações
de trabalhadores da construção civil, e a Confederação
Nacional dos Trabalhadores da Indústria (CNTI). A Comissão Nacional
dos Trabalhadores do Amianto é representada por 24 entidades sindicais
e apoiada pelas 15 federações de trabalhadores da construção
civil, que totalizam 100% dos sindicatos do seguimento.
Diretoria da CNTA (Comissão
Nacional dos Trabalhadores do
Amianto Crisotila)
Comissão Nacional dos
Trabalhadores do Amianto
Órgão do Departamento Profissional dos trabalhadores da Construção
e do Mobiliário da C.N.T.I.
Rua Fernando de Barros, 648 – Cx. Postal 84 – CEP 13.360-000 – Capivari – SP
Fone (019) 3491-2229 – Fax: (019) 3491-3304
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FOLHA DE LONDRINA, 27 de
junho de 2008 | Política
Três grandes empreiteiras concentram
obras do PAC
Segundo a ONG Contas Abertas, Delta Construções,
SPA Engenharia e CR Almeida são as maiores beneficiadas com
repasses de recursos federais
Agência Estado
Brasília - Pulverizadas
por todos os Estados, as principais obras do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) estão concentradas em poucas empreiteiras.
Levantamento realizado pela ONG Contas Abertas, especializada no acompanhamento
da execução orçamentária da União,
mostra que desde o ano passado três construtoras permanecem na
lista das seis maiores beneficiadas com repasse de recursos federais:
a Delta Construções, a SPA Engenharia Indústria
e Comércio e a CR Almeida - Engenharia de Obras.
De acordo com a pesquisa,
a Delta Construções, que toca 85 obras do PAC, é a
empreiteira que mais recebeu recursos desde o lançamento do
programa, em janeiro de 2007. Para a construtora, foram destinados
contratos no valor de R$ 410 milhões referentes a restauração
de rodovias federais, conservação preventiva e rotineira
e adequação e recuperação de trechos de
pelo menos 21 Estados.
Em segundo lugar, está a
CR Almeida, com R$ 309,8 milhões. A empreiteira é responsável
por parte estratégica do PAC, como obras rodoviárias,
ferroviárias, metroviárias, aeroportuárias e energéticas
e construção de barragens.
A SPA Engenharia recebeu R$
280,3 milhões nesse período. A construtora é responsável,
por exemplo, por trechos da Ferrovia Norte-Sul. Para tocar essa obra,
a construtora recebeu este ano o valor de R$ 52,3 milhões. A
SPA também é responsável por executar a sinalização
rodoviária nacional.
Até agora, o PAC foi
responsável por aplicar cerca de R$ 11,1 bilhões em obras
de infra-estrutura. O valor, segundo o Contas Abertas, refere-se ao
PAC orçamentário, obras que podem ser acompanhadas no
Orçamento Geral da União por meio do Siafi (Sistema Integrado
de Administração Financeira), que exclui investimentos
das estatais e de empresas privadas.
Agência Estado
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FOLHA DE LONDRINA, 27 de
junho de 2008 | Política
Paulinho apresenta defesa ao Conselho
de Ética
Brasília - Vinte e três
dias depois de ser notificado, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP),
presidente da Força Sindical, entregou sua defesa escrita ao Conselho
de Ética da Câmara. O deputado aproveitou o ritmo dos trabalhos
da Casa e usou todo o prazo de cinco sessões ordinárias
para protocolar o documento. As festas juninas no Nordeste e o fim do
período de convenções para escolha dos candidatos
a prefeito esvaziaram a Câmara e muitas sessões deixaram
de ser realizadas neste mês.
O presidente do conselho, deputado
Sérgio Moraes (PTB-RS), marcou duas datas -2 e 8 de julho - para
o depoimento de Paulinho no colegiado. Caberá ao deputado escolher
o dia que preferir. Moraes, no entanto, disse que Paulinho não é obrigado
a comparecer para fazer sua defesa oral. ‘‘É um convite’’,
disse Moraes.
Na defesa escrita, Paulinho
apresenta quatro testemunhas que deverão ser também convidadas
pelo conselho para depor. Moraes não divulgou o conteúdo
da defesa nem a relação dos nomes apresentados por Paulinho.
O deputado não quis falar ontem. O documento assinado por Paulinho
e pelo advogado Leônidas Ribeiro Scholz tem 274 páginas
numeradas.
O relator do processo, deputado
Paulo Piau (PMDB-MG), afirmou que espera para o início da próxima
semana a chegada ao conselho dos documentos que serão enviados
pelo Supremo Tribunal Federal (STF) com os dados sigilosos do inquérito
aberto para apurar suposto envolvimento de Paulinho no esquema de desvio
de dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES), descoberto pela Polícia Federal na Operação
Santa Tereza. ‘‘O relatório da PF é o documento-chave.
Foi ali que surgiu o caso e a denúncia’’, afirmou
Piau.
A demora na entrega da defesa
escrita favorece o deputado. No dia 18 de julho a Câmara entra
em recesso e, a partir de agosto e até final de outubro, estará esvaziada
por causa do período eleitoral, o que poderá atrasar ainda
mais a conclusão do processo no conselho e, em última instância,
no plenário.
O presidente do conselho disse
que, apesar desse cenário, cumprirá seu trabalho. ‘‘Não
trabalho com o calendário eleitoral e não posso trabalhar
com o recesso. Tenho de fazer o meu trabalho’’, disse Moraes,
afirmando que fará os convites que forem necessários para
realizar os depoimentos.
Denise Madueño
Agência Estado
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Agência Senado, 27 de junho de 2008
Cristovam propõe maior
dedução no IR para empregador que incentivar escolaridade
de trabalhador doméstico
Tramita na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) projeto de lei que permite
que o desconto da contribuição patronal do imposto de renda das
pessoas físicas seja feito em dobro quando o empregado doméstico
freqüentar instituição de ensino. A matéria (PLS
254/08), de autoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), permite o descontono
caso de os empregados domésticos terem carteira assinada. A escola freqüentada
pode ser pública ou particular.
Para Cristovam Buarque, a medida estimula a escolarização dessa
classe de trabalhadores. "Com isso, os patrões passarão
a estimular seus empregados a se matricularem na rede oficial de ensino ou,
pelo menos, não imporão obstáculos à freqüência
escolar", afirma Cristovam.
Na justificação de seu projeto, o senador cita dados do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) segundo os quais o número
médio de anos de estudo da categoria é de apenas 5,9, enquanto
a média da população ocupada é de 9,2 anos. Segundo
a mesma pesquisa, somente 7,8% dos trabalhadores domésticos freqüentavam
escola em março de 2008, enquanto 2,7% faziam curso supletivo ou alfabetização
de adultos.
Após analisado na CAS, o projeto seguirá para votação
em decisão terminativa na Comissão de Assuntos Econômicos
(CAE).
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RÁDIO E TELEVISÃO
DE PORTUGAL, 27 de junho de 2008
Economia
Construção Civil/Espanha:
Sindicatos defendem retirada de alvará a empresas que discriminem
salarialmente trabalhadores
Porto, 27 Jun (Lusa) - O presidente
do Sindicato da Construção do Norte, Albano Ribeiro, defendeu
hoje, no Porto, a retirada do alvará às empresas que discriminem,
a nível salarial, os trabalhadores nacionais e estrangeiros que
desempenhem as mesmas funções.
No final de uma reunião
com representantes da Federación Galega de Construción,
Madeira e Afins, Albano Ribeiro propôs que as empresas do sector
que não cumpram essa regra devem ser sancionadas, retirando-lhes
o alvará por três anos e impedindo-as de concorrer a obras
públicas ou privadas.
Uma segunda proposta de Albano
Ribeiro tem a ver com as empresas angariadoras de mão-de-obra.
Segundo o sindicalista, estas
empresas devem ser obrigadas a apresentar, mensalmente, à Inspecção-Geral
do Trabalho o recibo do vencimento dos trabalhadores que angariam.
Caso isso não ocorra,
Albano Ribeiro entende que lhes "deverá ser aplicada uma
sanção pecuniária, de três mil euros dia,
por cada trabalhador".
Albano Ribeiro sustentou que
cerca de 70 por cento dos portugueses, a trabalhar na construção
civil em Espanha, "foram levados por essas pseudo-empresas que não
cumprem em matéria salarial, de alojamento e segurança
no trabalho".
As duas propostas, hoje divulgadas
no final da reunião entre os dois sindicatos, foram já apresentadas
ao presidente da Comissão Europeia, como sendo a solução
para "acabar com as ilegalidades".
Estas e outras propostas serão
também analisadas num encontro que deverá realizar-se,
no final de Julho, em Santiago de Compostela, entre sindicatos do sector
e a Inspecção-Geral do Trabalho, dos dois países,
a Associação dos Empresários da Construção
de Espanha e a Junta da Galiza.
"Iremos analisar as propostas
mais adequadas que possam contribuir para reduzir os conflitos entre
trabalhadores dos dois países e dignificar a profissão",
frisou Albano Ribeiro.
Nos últimos meses, sindicatos
espanhóis têm acusado os portugueses, que trabalham na construção
civil na Galiza, de praticarem "um autêntico dumping social
e laboral", tendo mesmo surgido "várias situações
de tensão" entre trabalhadores dos dois países.
Os trabalhadores espanhóis
acusam os portugueses de aceitarem condições de trabalho
precárias, sem direito a subsídios de férias ou
de Natal e com horários que chegam às 12 horas diárias.
Jesus Varela, da Federación
Galega de Construción, Madeira e Afins, salientou que no âmbito
da lei reguladora da subcontratação em Espanha, será obrigatório,
a partir de 27 de Agosto, o registo de todas as empresas que trabalham
na área da construção, em Espanha.
"É mais um instrumento
para detectar anomalias que hoje são quase impossíveis
de averiguar", sublinhou.
De acordo com este dirigente
sindical existem, em Espanha, cerca de 60 mil trabalhadores portugueses
na construção civil, 20 mil dos quais estão na Galiza.
Jesus Varela defendeu a necessidade
dos sindicatos se unirem e trabalharem em conjunto para "acabar
com a exploração laboral".
Albano Ribeiro insistiu ainda
na necessidade de aumentar o salário dos trabalhadores da construção
civil em Portugal, passando dos actuais 531.50 euros mensais para os
800 euros.
"Esta será uma
das maneiras de fazer regressar muitos dos trabalhadores que se virem
obrigados a abandonar o país para oferecerem uma vida mais digna às
suas famílias", frisou.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
27/06/2008
Lojas Americanas condenadas por anotação
indevida na carteira de trabalho
A anotação arbitrária
feita na carteira de trabalho de um empregado, registrando que sua dispensa
se deu por justa causa por incontinência de conduta e mau procedimento,
resultou na condenação imposta às Lojas Americanas
S.A. no valor de R$ 50 mil ao empregado prejudicado. A Segunda Turma
do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou agravo da empresa e manteve
as decisões anteriores, que descaracterizaram a justa causa e
concluíram que a anotação indevida teve repercussão
moral negativa para o empregado.
O auxiliar de loja foi contratado
em outubro de 2001. Em 2005, segundo a inicial da reclamação
trabalhista, foi surpreendido com a rescisão do seu contrato de
trabalho. Ao dar baixa, a empresa anotou a justa causa na carteira, por
achar que o trabalhador cometera desfalque financeiro. A 3ª Vara
do Trabalho de Piracicaba, ao julgar a ação trabalhista
em primeiro grau, descaracterizou a justa causa e considerou que, diante
isso, a carteira de trabalho ficou inutilizada com a anotação
e não poderia ser reaproveitada, mesmo com a determinação
de retificação contida na sentença.
As Americanas alegaram, nos recursos subseqüentes, que a demissão
foi por justo motivo, insistindo na alegação de que o empregado
adulterara documentos da contabilidade da empresa. O Tribunal Regional do Trabalho
da 15ª Região (SP/Campinas) manteve a sentença e considerou
que a indenização de R$ 50 mil definida pela Vara do Trabalho “foi
proporcional ao prejuízo sofrido, na medida em que a anotação
indevida de justa causa por desfalque financeiro causou transtorno que acompanhará o
empregado por toda sua vida profissional”.
A empresa buscou, no TST, que
seu recurso tivesse seguimento, mas não obteve sucesso. O ministro
José Simpliciano Fernandes, relator do agravo, afirmou que o dano
restou configurado no momento do recebimento da CTPS, e considerou, ainda,
ser razoável a compensação financeira estipulada,
por estar de acordo com o dano experimentado pelo empregado. (AIRR-1281/2005-137-15-40.8).
(Lourdes Côrtes)
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27/06/2008
Construtora compensará empregado
por suprimir café da manhã
A construtora M. Roscoe S.A.
foi condenada pela Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho a pagar
indenização a um trabalhador por não fornecer café da
manhã e, assim, contrariar benefício assegurado em cláusula
coletiva da categoria. A decisão reforma o acórdão
do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, que havia rejeitado
recurso ordinário do trabalhador.
Ao ajuizar a reclamação
trabalhista, o empregado alegou que, por força das disposições
normativas, a empresa estava obrigada a conceder-lhe, diariamente, almoço
completo ou tíquete-refeição e cesta básica
e, também, café da manhã. Em relação
ao almoço, o TRT/SP considerou que havia o fornecimento das refeições
e que o trabalhador pagava parte de seus alimentos, conforme recibos
integrantes do processo. Quanto ao café da manhã, porém,
embora observando que o fornecimento não era feito, o TRT julgou
que a norma coletiva não previa a conversão do benefício
em indenização.
Ao recorrer ao TST, o empregado
pediu que a construtora fosse responsabilizada por perdas e danos pelo
descumprimento da obrigação contratual. O relator do recurso,
ministro Horácio Senna Pires, deu razão ao trabalhador,
pois o artigo 159 do Código Civil de 1916 dispõe que “aquele
que, por ação ou omissão voluntária, negligência
ou imprudência, violar direito ou causar prejuízo a outrem,
fica obrigada a reparar o dano”. O texto foi mantido no atual Código
Civil, no artigo 186. “Resta caracterizado, assim, o dano causado
ao trabalhador”, concluiu o relator.
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