 |
Agência Diap, 2 de
julho de 2008
NORMA INTERNACIONAL
CNTI divulga manifesto pela aprovação
da Convenção 158 da OIT
Alertado pelo DIAP, o movimento
sindical se mobiliza pela aprovação da mensagem presidencial
que ratifica a Convenção 158 da OIT, que proíbe
a demissão imotivada.
Ameaçada de ser rejeitada pela Comissão de Relações
Exteriores da Câmara, já que o relator da matéria é contrário à ratificação
da norma internacional pelo Brasil.
O relator, deputado Júlio Delgado (PSB/MG), entende que as leis trabalhistas
preenchem o espaço legal que a Convenção 158 pretende
ocupar entre as normas protetivas do trabalho no País.
Desse modo, a CNTI (Confederação Nacional dos Trabalhadores na
Indústria), entidade filiada ao DIAP, lança manifesto pela aprovação
da Convenção 158 na primeira comissão da Câmara
em que a matéria está sendo analisada.
A mensagem está prevista para votação hoje (2). A sessão
está prevista para as 10 horas, no plenário 3.
Clique aqui e
leia a íntegra do manifesto da CNTI aos membros da Comissão de
Relações Exteriores da Câmara.
|
AGÊNCIA DIAP, 02 de
julho de 2008
NORMA INTERNACIONAL
Convenção 158: conheça
os deputados que votaram contra os trabalhadores
A assessoria do DIAP acompanhou, na manhã de hoje (2), a votação
do parecer do deputado Júlio Delgado (PSB/MG), contrário à ratificação,
pelo Brasil, da Convenção 158 da Organização Internacional
do Trabalho (OIT), que proíbe a demissão imotivada.
O placar de votação da votação da mensagem presidencial
59/08, que trata da Convenção 158 da OIT, registrou 20 votos
a favor do parecer de Delgado e apenas um voto contrário, do deputado
Nilsom Mourão (PT/AC).
A base do Governo no colegiado
não compareceu à reunião, o que acabou por contribuir
para que o lobby patronal, contrário à matéria,
aprovasse o parecer do parlamentar mineiro.
O deputado Fernando Gabeira
(PV/RJ), ao anunciar seu voto favorável ao parecer do relator,
justificou sua iniciativa dizendo: “nasci em bairro operário
conheço e sempre defendi a causa dos trabalhadores. Com o amadurecimento
e vivência parlamentar, nesta matéria [Convenção
158], os interesses dos trabalhadores são diferentes do posicionamento
das lideranças sindicais”.
Clique aqui e
conheça os parlamentares que votaram contra os trabalhadores.
|
AGÊNCIA DIAP, 02 de
julho de 2008
NORMA INTERNACIONAL
Lobby patronal derrota Convenção
158 nas Relações Exteriores
Por 20 votos contra 1, a Comissão
de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara
aprovou hoje o parecer contrário do relator, deputado Júlio
Delgado (PSB/MG). No parecer, Delgado pedia a rejeição
da ratitificação pelo Brasil da Convenção
158 da OIT, que proíbe a demissão imotivada.
Ele entende que a legislação
trabalhista atual protege o trabalhador, o que, na sua opinião,
torna a ratificação da Convenção 158 desnecessária.
Logo depois da votação,
o relator informou que fez uma consulta à Comissão de Constituição
e Justiça, que lhe informou que a matéria sendo rejeitada
na Comissão de Relações Exteriores poderia ser arquivada.
Desse modo, Júlio Delgado pediu o arquivamento da mensagem presidencial.
O presidente da Comissão,
deputado Marcondes Gadelha (PSB/PB), disse que também vai fazer
uma consulta à CCJ, a fim de examinar o pedido do relator. Caso
a informação proceda, Gadelha vai arquivar a matéria.
Se isto acontecer, nova mensagem
com este conteúdo só poderá ser apresentada na próxima
legislatura, em 2011.
Caso prevaleça a leitura
correta do Regimento Interno da Câmara, a mensagem presidencial
ainda deverá ser apreciada pelas comissões de Trabalho;
e de Constituição e Justiça.
Arquivamento
O pedido do relator não procede, pois apenas duas comissões
têm poder para arquivar matérias em caso de aprovação
de parecer contrário. São elas, as comissões de
Constituição e Justiça; e de Finanças e Tributação.
No caso de mensagem presidencial,
apenas o plenário pode decidir, ao rejeitar a matéria,
pelo seu arquivamento. Isto é, o plenário, instância
máxima da Câmara tem que se pronunciar sobre a questão,
a fim de enviá-la ou não à Casa revisora - o Senado.
Leia
a íntegra do parecer contrário do relator.
|
CONTAS ABERTAS, 01 de julho
de 2008
PAC desacelera em junho

O valor mensal reservado em orçamento para a realização
das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) diminuiu
em junho. Os empenhos (forma como a reserva orçamentária é chamada
no jargão econômico) chegaram a R$ 2,2 bilhões em maio.
Já em junho, R$ 1,2 bilhão foi reservado, uma diferença
de R$ 1 bilhão em relação ao mês anterior. Tal valor é aproximadamente
o que a União pretende investir (R$ 1,2 bilhão), por exemplo,
entre 2007 e 2010, na reforma do Trecho Sul do Rodoanel em São Paulo.
Veja aqui a
execução do PAC 2008 mês a mês.
Além disso, os gastos
efetivos com o PAC caíram 13% em junho em relação
ao mês anterior. O governo federal desembolsou R$ 846,2 milhões
nos últimos 30 dias, enquanto em maio o valor chegou a R$ 973
milhões, uma diferença de R$ 126,7 milhões. Assim
como nos primeiros meses de 2008, a maior parte dos valores pagos é referente
a dívidas de exercícios anteriores, os chamados restos
a pagar. Do total aplicado em junho, R$ 626,8 milhões são
restos a pagar, ou seja, 86%. Mesmo assim, junho foi o mês no qual
o pagamento de restos a pagar representou a menor porcentagem do valor
total previsto.
Como 2008 é ano eleitoral,
junho é o último mês em que o governo pode empenhar
novos recursos para iniciar obras do PAC, já que a lei proíbe
contrair novas despesas a partir do começo de julho. Os gastos
ficam restritos aos restos a pagar, que são as despesas já reservadas
no orçamento, e aos empenhos para obras já iniciadas. Por
isso, esperava-se que fossem empenhados mais recursos agora, para compensar
os próximos meses, nos quais o governo não poderá comprometer
novos recursos no orçamento. Apesar da impossibilidade legal decorrente
do período pré-eleitoral, o PAC já acumula R$ 9
bilhões em restos a pagar ainda não quitados, que podem
ser gradualmente pagos ao longo dos próximos meses.
A assessoria de imprensa da Casa
Civil afirma que o valor menor de empenhos em junho é natural
e que nos meses anteriores houve uma aceleração acima do
normal. Segundo a assessoria, a execução do PAC em abril
e maio teve de compensar os meses anteriores nos quais, com o atraso
na aprovação do orçamento, o governo também
não podia reservar novos recursos.
De fato, em abril e maio os valores
empenhados foram os maiores de 2008. Já em janeiro, por exemplo,
nada foi reservado em orçamento para o PAC, porque ainda não
havia orçamento para o ano. Em março, quando o orçamento
foi aprovado no final do mês, apenas R$ 147,1 milhões foram
empenhados, ou seja, sete vezes menos do que foi comprometido em junho.
Por isso, a assessoria de imprensa da Casa Civil afirma que o PAC não
desacelerou, agora é que estaria no ritmo normal.
A assessoria esclarece ainda
que o ritmo dos investimentos do PAC esse ano não depende do calendário
eleitoral. Segundo a assessoria, o programa segue um cronograma já estabelecido,
que pode ser consultado nas prestações de conta do PAC,
anunciadas a cada quatro meses pela equipe econômica do governo
e acessível no portal
no programa.
O cientista político Antônio
Flávio Testa não acredita que essa desaceleração
comprometerá a execução do PAC. Segundo ele, basta
vontade política. “Se o governo quiser, de fato, força
a burocracia a funcionar mais rapidamente e a cumprir prazos estabelecidos
pela legislação”, afirma Testa.
Balanço do ano
Como de costume, o órgão
campeão em empenhos e pagamentos do PAC é o Ministério
dos Transportes. A pasta já desembolsou R$ 2 bilhões esse
ano e já reservou em orçamento R$ 3 bilhões para
tocar obras do programa. Em segundo lugar vem o Ministério das
Cidades, com R$ 1,2 bilhão pago e R$ 1,2 bilhão de empenhos
realizados. Clique aqui para
ver o ranking por órgãos.
Mesmo com a queda relativa em
junho, os valores pagos e reservados no primeiro semestre de 2008 são
superiores aos do mesmo período de 2007 (veja aqui a
execução do PAC em 2007). O valor desembolsado esse ano é mais
que o dobro: a diferença é de R$ 1,9 bilhão. Os
empenhos nesses primeiros seis meses são 45% superiores aos do
mesmo período de 2007. A União já aplicou R$ 4 bilhões
em obras do PAC esse ano, o que representa 25% da dotação
de R$ 7,6 bilhões autorizada no orçamento 2008 para ser
aplicado no primeiro semestre.
O PAC é um programa federal
que alia investimentos públicos e privados para promover o crescimento
do país. Os dados citados na matéria referem-se apenas
aos valores orçamentários, ou seja, os desembolsados pela
administração federal direta. Os investimentos privados
e das empresas estatais não são contabilizados no Sistema
Integrado de Administração Financeira (Siafi), plataforma
na qual são lançadas todas as receitas e despesas do governo
federal.
Juliana Braga
Do Contas Abertas
|
AGÊNCIA DIAP, 02 de
julho de 2008
Inflação é prima-irmã da
especulação. Salário não tem nada com
isso
Por: Artur Henrique*
Começam a pipocar na
grande imprensa matérias que apontam os reajustes salariais
como um dos fatores que pressionam a inflação. O
ponto de partida de mais essa campanha conservadora foi dado por
um dos diretores do Banco Central, que em entrevista no final da
semana passada disse que "se há aumento de salário
sem elevação da produtividade, há pressão
inflacionária". Esse risco não existe, como
veremos adiante.
A partir daí repórteres
e analistas passaram a dar eco à tese, que se replicada à exaustão
pode convencer muita gente de que a culpa da inflação é do
trabalhador que conseguiu aumento real. O noticiário da TV até mesmo
ressuscitou a palavra "indexação" para se referir
ao assunto.
Em primeiro lugar queremos deixar
claro que somos contra a volta da inflação, pois sabemos
que a primeira a ser atingida é a classe trabalhadora.
Em seguida, é importante
frisar que os aumentos reais que temos conseguido desde 2004 não
pressionam a inflação, por motivos bastante simples:
- faz 14 anos que os salários
não são indexados no Brasil, ou seja, não há mais
nenhum mecanismo que repasse automaticamente aos salários a corrosão
inflacionária;
- no momento da desindexação
dos salários, em 1994, a URV entrou em cena após aumento
médio de preços que ultrapassou 400%, enquanto os salários
permaneceram estagnados no patamar anterior. Tarifas públicas
e contratos em geral, estes sim, não foram desindexados;
- nossas campanhas salariais
são anuais e, portanto, não têm como referência
picos inflacionários sazonais. Por tal característica,
não funcionam como puxadores de preços. Ao contrário,
nossas campanhas salariais contemporâneas apostam na estabilidade;
- os reajustes recentes recompõem
poder aquisitivo. Nunca embutem expectativa de inflação
futura;
- os reajustes salariais dos últimos
anos ainda permanecem abaixo dos ganhos de produtividade de todos os
setores de atividade. A indústria, em 2007, aumentou a produtividade
em 4,16%. No acumulado dos últimos 15 anos, a produtividade do
setor cresceu 150%;
- em 2007, o rendimento médio
do trabalhador cresceu 1,3%. O rendimento mensal médio dos brasileiros,
apesar do recente processo de recuperação – conquistado
com muito esforço – ainda é semelhante ao que possuíamos
em 2003. Em certas regiões metropolitanas, como São Paulo, é inferior.
Os dados estão todos no Anuário dos Trabalhadores, do Dieese;
- a comparação
entre produtividade nacional e rendimento médio dos assalariados
comprova uma situação extremamente injusta, pois os ganhos
não são divididos com seus principais autores, os trabalhadores.
Querer imputar aos reajustes a causa de pressões inflacionárias é uma
piada grosseira.
O que estamos assistindo hoje,
segundo demonstram diversos estudos, é a elevação
de produtos alimentícios, especialmente em função
da subida do preço do petróleo, causada pela especulação
internacional.
Fora isso, há diversos
setores do empresariado brasileiro especulando com estoques, à espera
de elevação mais acentuada de preços. Tantos outros,
por sua vez, estão elevando preços sem razões objetivas
para tanto, contando apenas com a inflação futura. Isso é um
cassino, uma roleta-russa apontada para a cabeça dos brasileiros
que vivem de sua força de trabalho.
O governo federal tem o papel
de combater essas práticas, e tem instrumentos para isso. De pronto,
já podemos lembrar do uso de estoques reguladores e do recurso à importação
emergencial. No médio prazo, outro instrumento deve ser o incremento
da produção de alimentos a partir da agricultura familiar
e da diminuição de nossa dependência da produção
de fertilizantes.
Queremos salários
mais fortes e distribuição de renda, fatores que geram
maior consumo popular e desenvolvimento. Paralelamente, mais produção
e menos especulação. Menos juros e mais desenvolvimento.
Com esses objetivos, nos próximos dias faremos atos em frente à Fiesp,
a um grande atacadista e a um grande banco. (*)
Presidente nacional da CUT
|
GAZETA MERCANTIL, 02 de julho
de 2008
Preços podem cair com aumento
de produtividade
O aquecimento do mercado imobiliário
tem levado a cadeia produtiva da construção a investir
cada vez mais em capacitação de mão-de-obra e também
na ampliação do parque industrial. Aliás, esse é o
principal discurso adotado pelo Sindicato da Indústria da Construção
Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) e pelo Sindicato da
Habitação de São Paulo (Secovi-SP), que acreditam
estar aí uma saída para reduzir os preços no setor
e conseguir passar sem abalos pela pressão inflacionária
que vem afetando a economia mundial. "A inflação é incompatível
com um segmento de longo prazo como o nosso. Temos que buscar alternativas
para reduzir custos", afirma o presidente do Secovi-SP, João
Batista Crestana.
Para atender a demanda com melhores preços, a indústria de materiais
de construção pretende ampliar sua capacidade de produção
no médio prazo e assim lucra com produtividade. Segundo sondagem realizada
em junho pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais
de Construção (Abramat), 54% das indústrias pretendem
realizar investimentos relevantes nos próximos 12 meses, na pesquisa
anterior essa taxa era de 53% em média. As empresas de materiais básicos
mostram aumento de 46% para 47% e as de materiais de acabamento aumento de
59% para 60%.
De acordo com Abramat, o nível de utilização da capacidade
instalada das indústrias de materiais de construção atingiu
85% em junho, sendo que o nível apontado para os fabricantes de materiais
básicos é de 84% de utilização da capacidade enquanto
nos fabricantes de materiais de acabamento é de 85%.
Apesar disso, o setor está menos otimista com o governo. A sondagem
mostra que houve uma queda na percepção dos empresário
quanto a ações do governo para incentivar o desenvolvimento do
setor. Ao todo, 68% dos consultados acreditam em ações importantes
enquanto 32% ao governo. (Vanessa Stecanella - InvestNews)
|
AGORA CORNÉLIO, 02
de junho de 2008
Plano Real completa 14 anos com inflação
acumulada de 227%
Fonte: Isaac Vilela
Plano Real completa 14 anos com inflação acumulada de 227% no
país. No período, entretanto, as passagens de ônibus intermunicipais
e interestaduais subiram mais de 250%. Os preços dos coletivos urbanos
aumentaram ainda mais, 472% em média. Mas os campeões em altas
de preços desde 1994 foram o telefone fixo e o gás de cozinha.
Ambos subiram cerca de 672% na média nacional. Por sua vez, o preço
da cesta básica subiu 29% em todas as capitais pesquisadas pelo Dieese
no primeiro semestre do ano e, nos últimos 12 meses, 52%. As maiores
altas foram verificadas em Recife, Natal e João Pessoa. Em São
Paulo, o custo da cesta básica chegou em junho último a 245 reais
e 24 centavos. Em Curitiba, o custo de vida subiu 21.55% entre os meses de
janeiro e junho. E ministro da Fazenda volta justificar o retorno da inflação
no país. Desta vez, Guido Mântega disse que a alta de preços é resultado
de muita especulação no mercado externo.
IMPOSTOS - População
brasileira pagou R$ 500 bilhões em tributos nos primeiros seis
meses de 2008. Valor foi alcançado nesta última terça-feira
(dia 01 de junho) pelo chamado “Impostômetro”, mantido
pela Associação Comercial de São Paulo, que marca
o imposto nosso de todos os dias. No ano passado essa quantia de R$ 500
bilhões foi atingida somente no dia 22 de julho. Isso mostra que
a arrecadação de impostos pode chegar este ano a R$ 1 trilhão.
E governo Lula promete enviar ao Congresso Nacional ainda este mês
projeto de ampla reforma para cobrança de dívidas tributárias.
Proposta prevê a extinção de débitos antigos
e de baixo valor, além da redução de juros e multa.
GREVES - No
ano passado, foram registradas no Brasil mais de trezentas greves, que
resultaram na paralisação de quase trinta mil horas de
trabalho em todo o país. A constatação é do
Dieese, através de seu sistema de acompanhamento de greves. Do
total de greves, mais da metade foram empreendidas pelos trabalhadores
da esfera pública, seja municípios, estados ou união,
além dos empregados em empresas estatais. Na avaliação
do Dieese, entre os fatores que explicam a participação
menor do setor privado está a insegurança e a fragilidade
do vínculo empregatício, em que o empresariado dispõe
do recurso da dispensa imotivada, freqüentemente utilizada para
coibir as mobilizações. Além disso, o Dieese destaca
que as greves na esfera pública são motivadas pela inexistência
da data-base. A principal exigência dos servidores públicos
nas greves, foi reajuste salarial no momento, os funcionários
dos correios estão paralisados por tempo indeterminado em todo
o país.
IMPOSTO SINDICAL -
Deputado Augusto Carvalho adiantou que vai votar contra o imposto sindical
obrigatório na reforma sindical que deverá ser apreciada
em breve pelo Congresso Nacional. Na sua opinião, o imposto sindical
obrigatório cria verdadeira “usina de corrupção” no
país. Neste último mês de março, o salário
de um dia dos trabalhadores foi descontado para financiar o chamado imposto
sindical obrigatório que arrecadou este ano mais de 1 bilhão
de reais. Para o presidente da Força Sindical, deputado Paulo
Pereira da Silva, a obrigatoriedade da contribuição fortalece
a atuação sindical no Brasil.
REFORMA PREVIDENCIÁRIA -
Nova proposta de reforma na Previdência Social chega ao Congresso
Nacional só depois das eleições municipais de outubro.
A afirmação é do ministro José Pimentel.
Ele disse que o governo lula tem pressa na aprovação da
reforma na previdência social que contemplará, por exemplo,
o aumento do tempo de contribuição e de idade mínima
para aposentadorias e pensões, sendo 65 anos para homens e 60
anos para as mulheres trabalhadoras, além de eliminar distorções
existentes hoje no sistema previdenciário brasileiro. O rombo
nas contas da previdência social já totaliza este ano mais
de 12 bilhões e 500 milhões de reais.
CARNE CLANDESTINA -
Ex-presidente do Conselho Nacional de Pecuária de Corte afirmou,
em São Paulo, que 30% da carne consumida atualmente no país
vêm de frigoríficos clandestinos sem nenhum tipo de inspeção
da vigilância sanitária animal. Segundo João Carlos
Meirelles, os consumidores precisam ficar em alerta porque o produto
clandestino vendido livremente no mercado brasileiro pode resultar em
sérios problemas de saúde. eEe alerta também que
a carne bovina pode vir a faltar em algumas regiões do país
neste ano por causa do aumento das exportações em mais
de 30%. O pecuarista prevê ainda um aumento de até 10% na
carne bovina a nível de consumidor a partir de agosto. no governo
lula, a carne bovina já subiu mais de 250% no bolso do consumidor
brasileiro. Esses aumentos no preço da carne bovina estão
mais freqüentes nos últimos meses.
ACIDENTES DE TRÂNSITO -
Os custos anuais de acidentes de trânsito no Brasil, estimados
pela Associação Nacional de Transportes Públicos,
ficam em torno de R$ 28 bilhões. De acordo com dados da entidade,
o trânsito brasileiro deixa por ano cerca de 34 mil mortes, 100
mil pessoas com deficiências temporárias ou permanentes
e pelo menos 400 mil feridos. são 40 milhões de veículos
devidamente registrados. A Associação Nacional de Transportes
Públicos estima que o setor movimente R$ 100 bilhões atualmente
no Brasil.
|
AGÊNCIA SINDICAL, 01
de julho de 2008
Superintendência do Trabalho
exige respeito a leis na construção civil de São
Paulo
A Superintendência Regional
do Trabalho e Emprego de São Paulo realizou, na segunda-feira
(30), reunião com representantes de 43 das maiores construtoras
do Estado que, juntas, respondem por 85% das obras e da economia do setor
da construção civil paulista.
O objetivo foi notificar os empresários
sobre a aplicação da lei quanto à formalidade, cumprimento
das cláusulas da Convenção Coletiva e atenção às
normas de segurança e saúde do trabalhador. A Superintendência
deu prazo de 30 dias para o saneamento de irregularidades.
As Blitze realizadas nos mais
de 9 mil canteiros de obras existentes hoje em São Paulo demonstram
que, se uma construção tem 100 pintores, 90 não
tem Carteira assinada, como manda a lei. O mesmo vem ocorrendo em diversos
outros ramos de atividade.
Cartel – O
presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção
Civil de São Paulo, Antonio de Sousa Ramalho, afirma: “Isso é resultado
da política de cartel traçada pelas construtoras, com tabela
de preços e custos que alija os empregados das empresas contratadas.”
O Sindicato também constata
que diversas cláusulas da Convenção Coletiva são
permanentemente fraudadas. “O café da manhã normalmente
está longe do acordado. As condições de alojamento,
equipamento de segurança e área de vivência são
desumanas”, afirma Ramalho.
Mais informações:
www.sintraconsp.org.br
|
VERMELHO, 02 de julho de
2008 | Brasil
Câmara pedirá ao TSE que
libere propaganda eleitoral na Internet
A Câmara dos Deputados decidiu pedir ao presidente do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE), Carlos Ayres Britto, que revogue a Resolução
que permite a propaganda eleitoral na internet apenas na página do candidato.
A decisão foi tomada na audiência que ocorreu nesta terça-feira
(1o), na Comissão de Ciência e Tecnologia, para discutir o uso
da Internet na campanha eleitoral deste ano.
O deputado Julio Semeghini (PSDB-SP)
disse que pedirá uma audiência com o ministro. Segundo ele,
não haveria necessidade de se regulamentar a propaganda eleitoral
na internet.
Em fevereiro, o TSE publicou
uma resolução para que a propaganda eleitoral acontecesse
apenas pela internet. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro
(TRE-RJ), contudo, permitiu que os candidatos fizessem campanha no
site, em blogs e orkut. Essa norma, até agora, vale apenas para
o Rio de Janeiro.
|
CONGRESSO EM FOCO, 02 de
julho de 2008
Senado aprova cotas para alunos de
escolas públicas
Estudantes que cursaram todo o ensino fundamental em escolas públicas
poderão ter reservada metade das vagas em universidades federais e instituições
federais de educação profissionalizantes. A Comissão de
Educação do Senado aprovou ontem (1º) projeto de lei que
reserva de 50% das vagas para esses estudantes. A matéria segue para
apreciação na Câmara.
Polêmica, a proposta prevê ainda
que, dentro desse percentual, sejam reservadas vagas específicas
para negros e índios. Pelo projeto, a distribuição
de vagas deve ser feita de acordo com a proporção de negros
e índios em cada estado.
“Não me venha com
essa história de que as oportunidades são iguais, porque
elas não são. A gente só corrige a desigualdade
tratando diferentemente os diferentes”, defende a autora do projeto,
senadora Ideli Salvati (PT-SC). “Esse projeto privilegia o estudante
da escola pública, que normalmente também vem com o viés
da baixa renda”, acrescenta.
Contrário, em parte, à medida,
o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) apóia a criação
de reserva de vagas para alunos de escolas públicas, mas discorda
da reserva em função da cor da pele. “Não
acho que esse viés discriminatório seja o caminho para
democratizar. A necessidade de reserva de vagas, em primeiro lugar, revela
o fracasso do ensino básico no Brasil. Se tivéssemos um
ensino básico de qualidade, não teríamos isso”,
argumenta Dias.
Por causa de emenda apresentada
pelo senador Paulo Paim (PT-RS), o projeto contempla também as
pessoas com deficiência, que terão acesso às vagas
reservadas independentemente de serem oriundas de escolas públicas.
Não há previsão
de regras específica para privilegiar candidatos de baixa renda.
O ex-ministro da Educação Paulo Renato (PSDB-SP) sugere
que sejam incluídos os critérios de renda. Ele defende
que 25% das vagas sejam reservadas para alunos de famílias que
ganham até três salários mínimos, hoje o equivalente
a R$ 1.349,91.
Contrapontos
Os deputados terão agora
a responsabilidade de apreciar duas matérias sobre o mesmo tema.
Além do PLS 546/07, aprovado ontem pelos senadores, a Câmara
protela a votação do Projeto de Lei 73, que tramita na
Casa desde 1999 sob forte polêmica.
Uma das diferenças entre
o projeto da Câmara e o PL aprovado no Senado é que o primeiro
institui reserva para alunos que cursaram todo o ensino médio
em escolas públicas e o segundo garante a cota a alunos que tenham
feito todo o ensino fundamental em escolas públicas.
Para os que defendem a reserva
de vagas, o percentual de 50% ainda é pouco. Em entrevista ao
Congresso em Foco, no dia 26 de maio, o Frei David Raimundo dos Santos,
uma das figuras emblemáticas na defesa das cotas raciais, afirmou
que há uma dívida histórica com negros e índios.
“Nós afro-brasileiros
gostaríamos que os deputados e os senadores conseguissem entender
que há uma dívida, que precisa ser paga agora, com políticas
públicas. Se não houver políticas públicas,
seremos obrigados a investir em indenização financeira”,
advertiu.
Os contrários às
cotas, argumentam a inconstitucionalidade da matéria, que estimularia "uma
discriminação reversa”. Também em entrevista
ao Congresso em Foco, a procuradora de Justiça no Distrito Federal
Roberta Kaufmann avaliou que falta um recorte social nos projetos de
lei que estabelecem a adoção de cotas em universidades.
“A política
afirmativa de cotas no Brasil é muito simbólica. É feita
para passar a imagem de que o Poder Legislativo está preocupado
com a questão. Mas essa política não resolve o
problema”, considerou. (Renata
Camargo)
|
CUT, 02 de julho de 2008
INSS vai facilitar contagem do tempo
de serviço
Por: Agora
Servidores do INSS podereão pedir provas às empresas para verificar
o vínculo do segurado. Concessão e revisão deverão
ficar mais fáceis
O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) alterou o regulamento de concessão
e revisões dos benefícios. Agora, é possível que
o servidor do instituto procure as empresas para pedir provas documentais e
informações que confirmem o vínculo empregatício
e as contribuições do segurado.
Desse modo, quem ainda não tem a documentação completa
ou perdeu algum documento terá mais facilidade para se aposentar ou
aumentar o benefício com uma revisão que peça a incorporação
do período não contabilizado antes na aposentadoria.
A alteração no regulamento do INSS foi publicada ontem no "Diário
Oficial" da União.
As empresas procuradas pelo INSS terão de disponibilizar os documentos
que servirão como prova para a concessão ou a revisão
do benefício. Quem já está aposentado, mas não
teve todo o período trabalhado reconhecido pelo INSS porque não
tinha prova documental, poderá pedir a revisão do valor do benefício.
Basta indicar qual é a empresa que tem os documentos.
A mudança favorece os segurados que trabalharam em empresas que foram
vendidas e mudaram de nome. "É muito mais fácil para o INSS
pedir essas provas às empresas do que o segurado, sozinho, reunir todos
os documentos. Foi uma decisão acertada do Ministério da Previdência",
diz Gustavo Alves, presidente do Iape (Instituto dos Advogados Previdenciários
de São Paulo).
De acordo com Alves, a medida também deve ajuda a evitar irregularidades. "Quando
o INSS faz o pedido direto à empresa, é mais difícil haver
fraude nas informações."
Contagem
Os servidores do INSS que farão a solicitação de documentos
e informações sobre as contribuições previdenciárias
terão uma função parecida com a dos antigos auditores
fiscais, que faziam a fiscalização das contribuições
previdenciárias e agora trabalham para a Receita Federal.
O segurado que não consegue provar todo o período de contribuição
ao INSS terá uma chance de ter toda a contagem reconhecida pela Previdência
sem ter que entrar com uma ação na Justiça Federal.
Atualmente, cerca de 5 milhões de processos contra o INSS estão
aguardando uma decisão da Justiça.
" A solicitação de provas junto às empresas para confirmar
o tempo de contribuição é comum entre os juizes federais.
O INSS está adotando uma prática eficaz para garantir o direito
dos segurados", comenta Alves.
A nova regulamentação também vai acelerar a análise
dos pedidos de recursos administrativos que estão aguardando resposta
no INSS.
Quem já teve o pedido negado e contestou a decisão terá chances
maiores de ter o benefício concedido com as informações
fornecidas pela empresa.
|
ÚLTIMA INSTÂNCIA,
02 de julho de 2008
Decisão que dispensa INSS de
corrigir salários-maternidade é questionada
O MPF (Ministério Público Federal) da cidade pernambucana de
Serra Talhada questionou decisão da 18ª Vara da Justiça
de Pernambuco que dispensou o INSS (Instituto Nacional de Seguridade Nacional)
de corrigir monetariamente os valores pagos como salário-maternidade
a partir do momento em que as seguradas começam a ter direito ao benefício
até seu recebimento.
Segundo o MPF, a procuradora
da República Andréa Walmsley, autora do agravo de instrumento,
alegou que a decisão possibilitaria lesão grave e de difícil
reparação.
No recurso foi pedida a antecipação
da tutela recursal, determinando que o INSS passasse a atuar em todo
o Estado de acordo com os princípios legais, respeitando a correção
monetária do salário-maternidade. No pedido, em caso de
descumprimento, a multa foi calculada em R$ 100 mil.
O MPF ajuizou em maio deste ano
uma ação para sanar as irregularidades referentes ao cálculo
dos salários-maternidade solicitados pelas seguradas após
o parto.
Na ocasião, o INSS alegou
que a atualização monetária do primeiro pagamento
só ocorre quando existe atraso de responsabilidade da previdência
social, após 45 dias da apresentação da documentação
necessária à permissão do recebimento do benefício.
No entendimento do MPF, porém,
a correção não tem nenhuma natureza sancionadora,
sendo destinada somente para a reposição das perdas causadas
pela inflação em determinado período. Afirma ainda
que, ao afirmar que não existe lesão grave ou de difícil
reparação, a Justiça Federal, pôs em segundo
plano a realidade social das beneficiárias de Pernambuco.
"Trata-se, em sua grande
maioria, de pessoas pobres, sabidamente ´assistidas´ por
uma das Defensorias Públicas Estaduais menos estruturadas do país
e com limitações de acesso à Defensoria Pública
da União, que, no interior do Nordeste brasileiro, ainda não
se faz presente a contento”, disse a procuradora da República.
De acordo com o MPF, isso
torna impensável o ajuizamento de ações individuais
por cada segurada lesada devido a ausência de correção
monetária nos valores de seus benefícios.
|
Agência Diap, 2 de
julho de 2008
DATA-BASE
Escalada inflacionária acirra
negociações salariais no 2o semestre
Categorias importantes, como
a dos metalúrgicos, têm data-base no 2º semestre. A
escalada da inflação ameaça azedar as negociações
salariais do segundo semestre, período que concentra a data-base
das categorias mais organizadas do País, como metalúrgicos,
químicos, bancários e petroleiros.
Alegando dificuldade para absorver ou repassar para seus preços aumentos
de custos, as empresas sinalizam que este ano vai ser muito difícil
conceder reajustes salariais acima da inflação. Os sindicalistas
reagem dizendo que os trabalhadores não abrem mão do aumento
real de salários e já acenam com a possibilidade de greves.
“ Se eles endurecerem, vamos endurecer também”, diz Eleno
Bezerra, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo
e da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos
da Força Sindical.
Trunfo
Os trabalhadores têm como trunfo o fato de as empresas terem pouco estoque
e muitos contratos a cumprir em decorrência do ritmo de atividade, que
continua acelerado. “Como uma empresa de autopeças, por exemplo,
pode ficar parada com as montadoras batendo recordes de produção?”,
indaga.
Com data-base em novembro, os 700 mil metalúrgicos da Força no
Estado de São Paulo decidiram antecipar de setembro para agosto a definição
da pauta de reivindicações e da estratégia da campanha.
Eles sabem que a queda-de-braço com as empresas vai ser dura.
“ Vamos entrar na negociação já com outro aumento
dos juros e isso vai ser usado pelos empresários como argumento para dificultar
um acordo”, observa Bezerra. Nos dias 22 e 23 de julho, o Comitê de
Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) vai se reunir
e deve elevar novamente a taxa básica de juros (Selic).
O objetivo é esfriar a demanda, reduzindo o espaço para repasses
de aumentos de custo para os preços, o que pressionaria ainda mais a
inflação. Os sindicalistas crêem, contudo, que as indústrias
metalúrgicas ganharam produtividade suficiente para absorver o impacto
do aumento real dos salários, sem repassá-lo para os preços.
A produtividade pode ser medida pela capacidade de uma empresa produzir mais
com a mesma quantidade de mão-de-obra.
Lucratividade em alta
“ A indústria nunca produziu, vendeu e lucrou tanto quanto nos últimos
meses”, afirma Valmir Marques, presidente da Federação dos
Sindicatos Metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Marques fala em nome de 250 mil metalúrgicos cutistas no Estado de São
Paulo, que têm data-base em agosto, setembro e novembro. “Não
vamos ser econômicos na discussão do índice de aumento
real.”
A mesma disposição é demonstrada pelos químicos,
cuja data-base é novembro. “Vamos brigar pela continuidade do
processo de aumento real dos salários”, afirma Sérgio Luís
Leite, secretário-geral da Federação dos Trabalhadores
nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do estado de São
Paulo, entidade ligada à Força.
Empresários e representantes de sindicatos patronais se esquivam de
falar abertamente sobre estratégias de negociação salarial.Nos
bastidores, porém, dizem que será difícil conceder aumento
real de salários.
Cobertor curto
No ano passado, a produtividade do trabalho na média da indústria
brasileira cresceu 4,2%, segundo o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento
Industrial (Iedi). O ganho de eficiência foi maior que a evolução
da remuneração média da mão-de-obra, que teve aumento
real de 3,1%. Isso sinaliza que os aumentos salariais foram concedidos sem
pressões sobre a inflação. No entanto, a situação
hoje é bem diferente.
“ O cobertor ficou curto”, afirma Júlio Sérgio Gomes
de Almeida, assessor econômico do Iedi. “A produtividade vai bem,
só que é insuficiente para permitir que a média das empresas
consiga cobrir o aumento dos preços de matérias-primas fundamentais,
a valorização do câmbio e ainda assim continuar com os aumentos
de salários.”
Além de desacelerar a concessão de aumentos reais, a pressão
inflacionária já começa a comer o poder de compra dos
salários, observa Clemente Ganz Lúcio, diretor-técnico
do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese).“A perspectiva para os próximos meses é de uma
inflação ainda mais alta.”
Uma das propostas discutidas para recuperar o poder de compra dos salários
prevê campanhas emergenciais para antecipação de reajustes.
Nessas discussões, os sindicalistas não consideram gatilho salarial. “O
mecanismo alimenta a inflação e o maior prejudicado é sempre
o trabalhador”, diz João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral
da Força. (Fonte: O Estado de S.Paulo; com intertítulos do Diap)
|
O ESTADO DO PARANÁ,
02 de junho de 2008 | Economia
Salário mínimo ideal
seria de R$ 2.072,70, segundo Dieese
Agência Estado
Com base no preço médio
da cesta básica de Porto Alegre (R$ 246 72), a mais cara
do País no mês de junho, o Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)
estimou que o salário mínimo ideal para suprir as
despesas de uma família com dois adultos e duas crianças
seria no mês passado de R$ 2.072,70, o que representa 4,99
vezes o valor atual, de R$ 415,00.
Em maio, o salário
mínimo ideal foi calculado pelo Dieese em R$ 1.918,12, o que
representava 4,62 vezes o piso. Já em junho de 2007, o mínimo
ideal era de R$ 1.628,96, ou 4,28 vezes o piso em vigor à época,
de R$ 380,00.
|
Folha
de S.Paulo, 2 de julho de 2008
Cesta básica tem aumento de até 52%
em 12 meses
Maiores altas ocorreram nas capitais do Nordeste,
aponta Dieese; feijão, carne, arroz e batata são vistos
como os vilões da inflação | Para o Dieese, avanço
de dois dígitos no preço dos alimentos supera em muito
os reajustes anuais de um dígito do salário mínimo
TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
A inflação mundial dos alimentos já elevou em até 52%
o preço da cesta básica do brasileiro em um ano, levando a uma
corrosão no poder de compra dos trabalhadores, sobretudo os de menor
renda e que comprometem a maior parte do orçamento com alimentação.
Pesquisa do Dieese mostra que as maiores variações da cesta básica
aparecem em capitais do Nordeste, como Natal, João Pessoa, Recife e
Fortaleza, que subiram, respectivamente, 51,85%, 45,02%, 44,92% e 43,3% nos últimos
12 meses.
Por outro lado, Porto Alegre e São Paulo, as duas capitais com o maior
preço da cesta básica (R$ 246,72 e R$ 245,24, respectivamente),
tiveram os menores aumentos no período de um ano: de 27,24% e 30,83%.
A pesquisa revela que a cesta básica do brasileiro sobe em ritmo de
dois dígitos, enquanto os aumentos salariais anuais são de um
dígito. Para José Maurício Soares, coordenador da pesquisa
do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos),
os aumentos acumulados em 12 meses foram bastante superiores ao reajuste de
9,21% do salário mínimo, que chegou a R$ 415 em abril.
Segundo o Dieese, há um ano o trabalhador que ganha o salário
mínimo gastava em média 91 horas e 33 minutos para comprar a
cesta básica; no mês passado, precisava de 115 horas e 25 minutos.
Descontada a contribuição previdenciária, a compra da
cesta básica exigia 57,03% de um salário mínimo, contra
45,06% há um ano.
Só nos seis primeiros meses de 2008, a cesta básica acumula uma
alta de 29,24% em Recife e de 25,91% em Natal. Em Porto Alegre e em São
Paulo, as variações foram menores, de 15,87% e 14,26%.
Não há uma média brasileira da cesta básica. A
pesquisa é feita em 16 capitais, respeitando particularidades e hábitos
de alimentação de cada região.
Soares afirma que a cesta básica sobe mais no Nordeste por conta do
maior peso de alimentos como feijão e carne, dois dos atuais vilões
da inflação. Em um ano, o feijão subiu até 184,8%,
em Natal, e a carne, até 44,18% em Aracaju.
" Os vilões [da inflação] são o arroz, a carne,
o feijão e a batata. Precisamos de um incentivo à produção
agrícola para que aumente a oferta e os preços caiam. Se a alta
do feijão ficar em 50%, em relação a 2007, já dará uma
grande diferença na cesta básica neste ano", disse.
O professor da FEA-USP Heron do Carmo, especialista em inflação,
também defende o estímulo à produção para
combater a alta de produtos como o feijão, que praticamente só fazem
parte da cesta brasileira.
"É fundamental um estímulo à oferta. Há instrumentos
dentro das regras de mercado que podem ser adotados pela política agrícola
e amortecer essas altas. O aumento da cesta básica afeta muito a renda
das famílias mais pobres. Para uma família pobre, o aumento de
R$ 30 com alimentos é o preço da prestação de um
eletrodoméstico. Sobra menos para outros gastos", disse Heron do
Carmo.
Especulação
De todos os itens pesquisados pelo Dieese, o aumento do feijão é o
que mais preocupa neste ano. Segundo Soares, o feijão havia recuado
em abril em 14 das 16 capitais pesquisadas. Em junho, aconteceu o inverso:
subiu em 14 das 16. Só em junho, o feijão chegou a subir 31,09%
em João Pessoa, mas recuou 6,3% em Belém.
A tendência de alta se deve à quebra na safra do ano passado e
ao plantio com atraso neste ano. Neste semestre, a expectativa é que
os preços recuem com as novas colheitas.
O mesmo acontece com o arroz, que registrou avanço de 45,4% em junho
em Aracaju e de 31,91% em Salvador.
A alta reflete o atraso no plantio devido à seca brasileira e à escassez
na Ásia. "No caso do arroz, há um componente de especulação.
O produtor estoca e espera vender com preço mais alto depois",
disse Soares.
|
Gazeta do Povo, 2 de julho
de 2008
Produção
Indústria sinaliza cansaço
com juro alto e câmbio ruim
Em maio, setor recuou 0,5% em relação
a abril. Retração na fabricação de máquinas
e equipamentos preocupa analistas
Sob influência de inflação e juros mais altos, do câmbio
e do calendário desfavoráveis, a produção industrial
dá os primeiros sinais de arrefecimento: em maio, caiu 0,5% na comparação
livre de efeitos sazonais com abril, quando havia crescido 0,2%, segundo o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já em
relação a maio de 2007, houve expansão de 2,4%, abaixo
da registrada em abril, que foi de 10%.
Iniciado em abril, o aumento da taxa básica Selic não teve ainda
um efeito direto sobre a produção, mas as perspectivas de elevação
já tinham aumentado os juros futuros de mercado desde dezembro passado.
O fenômeno mexeu agora com as expectativas de empresários, segundo
o economista Tomás Goulart, do banco Modal.
O economista Sérgio Vale, da MB Associados, compartilha da mesma opinião: “Os
juros futuros mais altos já afetam as expectativas e podem ter mexido
com decisões de investimento”.
Um primeiro sinal de alerta, diz, é a freada na produção
de bens de capital (máquinas e equipamentos), importante componente
do investimento. Em relação a abril, a categoria registrou queda
de 4,9% – o pior resultado desde junho de 2005 (6,1%).
“ Foi uma desaceleração muito forte. Espero que não
seja uma tendência, mas a produção de bens de capital deve
desacelerar daqui para a frente, embora não com a mesma intensidade de
maio”, diz Vale.
Para Goulart, a queda dos bens de capital foi a principal “notícia
negativa” revelada pela pesquisa do IBGE de maio. No entanto, o setor
que teve o maior impacto negativo no desempenho da indústria foi o de
veículos automotores (-5,5%). Vale ressaltar que, ao contrário
da produção, as vendas do segmento continuaram em alta.
Para Silvio Sales, coordenador de Indústria do IBGE, porém, o
setor vive um quadro de “estabilização da produção
neste ano”, embora num patamar elevado. Sales ressaltou ainda que o recuo
de abril para maio foi provocado especialmente pelo “efeito calendário”.
Diferentemente do padrão histórico, diz, maio teve um dia útil
a menos.
Calendário
Foi justamente o menor número de dias úteis que impactou a produção
mensal de veículos, já que as vendas de automóveis continuam
batendo recordes no país. Assim, de acordo com a Associação
Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o ritmo
diário de produção nas montadoras foi maior em maio que
em abril. Segundo os dados da Anfavea, foram 14.494 veículos por dia
no mês de maio, contra 14.311 em abril. Com isso, a entidade calcula
que, não fosse pelo número menor de dias úteis, a produção
total do mês de maio teria empatado com a de abril ou até superado
as 300 mil unidades de carros de passeio, utilitários, caminhões
e ônibus fabricados naquele mês – recorde histórico
do setor.
Sales, do IBGE, ressalta que em junho e durante o segundo semestre deste ano
o calendário vai “jogar favoravelmente” com os resultados
mensais, pois todos os feriados cairão em fins de semana.
Bens de capital
De acordo com dados divulgados ontem pela Associação Brasileira
da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o setor obteve
faturamento de R$ 29,7 bilhões entre janeiro e maio deste ano, alta
de 26% em relação ao mesmo período de 2007. Na comparação
mês a mês, porém, a taxa de crescimento decresceu de 46,7%
em janeiro para 13,4% em maio.
Na avaliação do presidente da Abimaq, Luiz Aubert Neto, o setor
já caminha para um ritmo de desaceleração que pode resultar
em crescimento zero em 2009, como conseqüência dos efeitos dos juros
e do câmbio. Para este ano, a Abimaq projeta crescimento de 10% a 12%
no faturamento. Essa evolução deve-se ao fato de que uma parcela
das encomendas para este ano já foi realizada, diz Aubert.
A Abimaq prepara um estudo sobre as tarifas de importação praticadas
no setor. Segundo o presidente da entidade, o imposto de importação
para bens de capital fica em torno de 9%, enquanto o setor automotivo tem uma
tarifa de 35% e o setor naval, 48%. “Isso é mais uma fragilidade
que enfrentamos.”
Sinais de “fobia” em
relação à inflação
A indústria brasileira está dando sinais de estar sendo afetada
pela restrição monetária conduzida pelo Banco Central
(BC). Esta é a avaliação do economista-sênior da
Moody’s Economy para a América Latina, Alfredo Coutino. Para ele,
a desaceleração da produção industrial em maio
pode ser resultado não apenas de fator sazonal, mas também o
primeiro sinal de “uma economia sendo prejudicada por uma restrição
monetária não justificada”. Técnicos do IBGE acreditam
que a alta da taxa Selic não influenciou a produção industrial
de maio, mas Coutino argumenta que o país poderia ser uma “das
primeiras vítimas” do que ele classifica como fobia em relação à inflação.
Agência Estado
|
Folha
de S.Paulo, 2 de julho de 2008
Inflação em alta derruba
rendimento das contas do FGTS
Somente entre janeiro e maio deste ano, diferença é de
1,26%; estudo mostra que trabalhadores tiveram perda de R$ 4,38 bi |
Tendência é que diferença aumente até o final
do ano e, com isso, o FGTS tenha rendimento negativo de 1,77%, calcula
matemático
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O trabalhador que tem recursos
depositados no FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço)
está perdendo dinheiro para a inflação. É que
o rendimento acumulado pelo fundo até maio já é 1,26%
inferior ao aumento dos preços. A tendência é que
essa diferença aumente até o final do ano e, com isso,
o FGTS tenha rendimento negativo de 1,77%.
Os cálculos do professor José Dutra Sobrinho, da USP (Universidade
de São Paulo), levam em conta o rendimento acumulado pelo FGTS até maio
e projeções de juros que chegariam a dezembro em 14,25%, conforme
esperado pelo mercado financeiro, e inflação de 6,30% para este
ano.
" Num cenário de inflação em alta, a tendência é de
rendimento real negativo porque a taxa de juros sobe para combater o aumento
de preços, mas a TR [Taxa Referencial, que responde por parte do rendimento
do FGTS] cresce numa proporção menor do que os juros", explica
o matemático.
Quando há rendimento real negativo, o dinheiro no FGTS perde valor. É como
se uma parte da poupança feita pelo trabalhador desaparecesse.
Pela lei, o governo tem que pagar ao trabalhador o equivalente à variação
da TR e juros de 3% ao ano. A taxa referencial é calculada com base
nos CDBs negociados pelos bancos, descontada de um redutor fixado pelo BC (Banco
Central).
Assim, quando a taxa de juros sobe, a TR também aumenta. O percentual
seria praticamente o mesmo dos juros se não houvesse a aplicação
do redutor. Como há a dedução, a taxa acaba ficando abaixo
dos padrões de mercado.
Com isso, o rendimento do FGTS acaba sendo baixo. A vantagem para o trabalhador,
embora indireta, é que a TR também corrige operações
como financiamento habitacional. Dessa forma, quem tem esses empréstimos
acaba pagando menos juros.
Essa não é a primeira vez que o FGTS rende menos que a inflação.
Além dos períodos de descontrole inflacionário da década
de 80, houve perda em anos como 2002 e 2003, quando o rendimento do fundo ficou
respectivamente 5,91% e 1,38% abaixo da inflação.
Em 2007, a remuneração do FGTS praticamente empatou com a elevação
dos preços. O rendimento foi de 4,49%, enquanto a inflação
medida pelo índice usado pelo governo como meta (o IPCA) foi de 4,46%.
O Ministério do Trabalho, que é o responsável pela administração
do FGTS, informou que não poderia comentar o assunto porque o secretário-executivo
do Conselho Curador não estava em Brasília.
Menos
R$ 4,38 bi no ano
Segundo cálculos do Instituto FGTS Fácil, ONG especializada em
informações sobre o fundo, enquanto a TR rendeu 0,3357% entre
janeiro e maio deste ano, o INPC aumentou 3,3225%.
Assim, somente nos cinco primeiros meses deste ano os trabalhadores deixaram
de receber R$ 4,38 bilhões nas contas do FGTS, calcula o instituto.
No cálculo não estão computados os juros de 3% ao ano,
que incidem sobre mais de 98% das contas (há outras com juros de 4%,
5% e 6% ao ano).
Para o leitor avaliar o tamanho dessa perda, uma pessoa que tivesse R$ 10 mil
de saldo ao final de 2007 tem hoje R$ 11.966. Se a correção fosse
pelo INPC, teria R$ 17.289.
Segundo Mario Avelino, presidente do instituto, a correção do
FGTS vem perdendo para o INPC desde 2001. Nesse período, ele calcula
que as perdas foram de R$ 49,77 bilhões.
|
Agência Câmara,
2 de julho de 2008
MP prepara Banco Central para internacionalizar
Real
A Câmara analisa a Medida Provisória 435/08, que prepara o Banco
Central do Brasil para realizar as ações necessárias a
fim de que o Real se torne uma moeda conversível em outros países.
Essa internacionalização permite tanto que bancos brasileiros
cumpram ordens de pagamento emitidas no exterior em reais, quanto que bancos
estrangeiros possuam correspondentes bancários para cobrança
no Brasil.
O Banco Central (BC) foi autorizado
a manter contas de depósito em reais de outros bancos centrais,
e de instituições bancárias estrangeiras, para a
compensação dessas transações no mercado
internacional. Dessa forma, serviços comuns de compensação
e liquidação poderão ser feitos em reais, sem necessidade
de conversão, atualmente feita com relação ao dólar.
O BC espera que essa medida permita
que o Real passe a integrar os ativos internacionais de bancos centrais
de outros países, em especial os da América do Sul, com
os quais o relacionamento comercial brasileiro é mais intenso.
Segundo a direção do BC, as medidas são as mesmas
adotadas por países que têm moedas conversíveis,
e, assim como têm dólares, outros países poderão
basear suas reservas em reais.
Como forma de acelerar a interação
com a Argentina, a MP também libera uma linha de crédito
do Banco Central de 120 milhões de dólares (o equivalente
a cerca de R$ 192 milhões) para o Banco Central da Argentina.
Isso deve cobrir as compensações entre os dois países,
e a Argentina deve abrir uma linha de crédito semelhante para
o Banco Central brasileiro em pesos. Esse é o primeiro passo para
um Sistema de Pagamentos em Moedas Locais (SML) criado por acordo pelo
Conselho do Mercosul em 2006.
Desvalorização
Outro ajuste feito pela MP impede a contagem da desvalorização
de reservas do Banco Central em moeda estrangeira como passivo para efeito
dos resultados semestrais do banco. Atualmente, as operações
de swap, em que o banco compra e vende dólares para intervir no mercado
cambial, e os ativos mantidos em moeda estrangeira pelo banco têm apresentado
déficit por conta da desvalorização do dólar. Em
2007, foram R$ 55,6 bilhões negativos na conta do BC.
O superávit financeiro
será utilizado pelo Tesouro Nacional para cobrir esse déficit.
A conta tem sido feita dessa maneira, mas a rubrica aparece no balanço
do BC como um possível "prejuízo", o que não é correto,
segundo a justificativa do banco para a medida. Serão emitidos
títulos em favor do BC para essa operação, o que
na prática aumenta a carteira de títulos disponíveis
para que o BC intervenha na política cambial, hoje limitada em
R$ 116 bilhões.
As medidas ainda precisam de
regulamentação do Conselho Monetário Nacional (CMN).
Íntegra
da proposta:
- MPV-435/2008
|
Gazeta do Povo, 2 de julho de 2008
Campanha eleitoral
Candidatos pegam carona na popularidade
de Lula
Presidente lança programa agrícola
em Curitiba, e tucanos, petistas e peemedebistas participarão
de evento
Quatro dias antes do início legal da campanha eleitoral para a prefeitura
de Curitiba, a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à capital
paranaense mexe com os bastidores políticos. Dois candidatos a prefeito,
Carlos Moreira (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT), pretendem tirar proveito da presença
de Lula para definirem apoios e iniciarem a campanha eleitoral mais fortalecidos,
embalados pela popularidade do presidente.
Lula chegou ao Aeroporto Afonso Pena às 20h15 de ontem e foi recebido
na pista por Gleisi e pelo diretor da Usina de Itaipu, o petista Jorge Samek.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, marido da candidata, também
participou. O grupo desviou Lula do caminho ao Hotel Pestana, no centro de
Curitiba, para uma reunião política de uma hora, no apartamento
do deputado federal Ratinho Júnior (PSC), no bairro Água Verde.
Cinco veículos com políticos do estado acompanhavam o comboio
presidencial, numa demonstração de que os objetivos da visita
vão além da agenda desta quarta-feira.
Hoje pela manhã, depois de tomar café com o governador Roberto
Requião (PMDB), Lula vai lançar o Plano Agrícola e Pecuário
(PAP) 2008/09. O prefeito Beto Richa (PSDB) – que tenta a reeleição –,
Moreira e Gleisi devem participar do evento.
Richa foi convidado por Lula para estar no palanque. No mesmo espaço
estará o governador, que apóia a candidatura de Moreira, ex-reitor
da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Moreira não foi convidado ao palanque. O candidato peemedebista diz
que a proximidade com Lula é positiva. “Sempre é bom. O
presidente tem uma popularidade imensa. O governador também está com
uma aprovação excelente. Estando perto do presidente é positivo.”
Moreira ainda disse que terá um encontrou (no café da manhã de
hoje) com o governador e o presidente. Ao ser perguntado se pretende usar as
imagens do presidente durante a campanha, o candidato foi reticente. “Ainda
não pensei se vamos utilizar as imagens do presidente. Até porque
existe uma questão ética envolvida. O PT não iria ver
com bons olhos. O partido é o da candidata Gleisi e ela é que
tem a preferência para utilizar imagens do presidente”, disse.
Mesmo sendo do mesmo partido do presidente, a candidata Gleisi Hoffmann disse
que não fará uso eleitoral da presença de Lula. A candidata
descartou a possibilidade de aproveitar a presença de Lula para gravar
imagens para a campanha eleitoral.
“ Não tem nada a ver. Se for para gravar imagem com Lula será marcado
um dia e um local específico. Agora não é o momento. Nem
houve um pedido nosso para isso”, afirmou Gleisi. Ela disse que vai participar
do lançamento do plano agrícola como “militante do partido”.
É a primeira vez que o lançamento do plano ocorre fora de Brasília.
A proximidade do evento com o início da campanha eleitoral em Curitiba
aconteceu por acaso, segundo a petista. “É coincidência. Boa,
por sinal. O presidente sempre ajuda na campanha”, admitiu a candidata.
|
Agência Diap, 2 de
julho de 2008
CASO BNDES
Paulinho: acusações
são improcedentes; defesa pede arquivamento das representações
O presidente do Conselho de Ética
e Decoro Parlamentar da Câmara, deputado Sérgio Moraes (PTB/RS),
divulgou nesta terça-feira (1o), a defesa do deputado Paulo Pereira
da Silva (PDT/SP), acusado de envolvimento no esquema de desvio de verbas
do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES),
investigado pela Polícia Federal (PF) na operação
Santa Tereza. O depoimento de Paulo Pereira no Conselho está marcado
para o próximo dia 8.
No documento, o deputado pede a improcedência das representações
e o arquivamento do processo contra ele por falta de provas. Não existe,
de acordo com o deputado, dado concreto que revele que ele tenha recebido qualquer
vantagem econômica do suposto esquema de desvio de recursos do BNDES.
Autos sem os cheques
Sobre as anotações de que teria recebido dois cheques a título
de comissão sobre recursos liberados pelo BNDES, Paulo Pereira afirmou
que essa denúncia não consta dos autos. "Não há cópias
dos tais cheques. Nem das alardeadas anotações. Nem de extratos
bancários ou documentos equivalentes que retratem o caminho e a destinação
dos referidos títulos", diz.
Paulo Pereira garante que não recebeu os cheques nem qualquer outro
valor da empresa de Marcos Mantovani, contratado por uma empreiteira de Praia
Grande (SP) para atuar no contrato firmado entre a prefeitura da cidade e o
BNDES. O parlamentar ressalta que a planilha que dizem ter sido apreendida
pela Polícia Federal não está nos autos.
"É absolutamente inacreditável que, em pleno Século
21 e num País cuja lei máxima solenemente consagra, entre outros
predicados e garantias individuais fundamentais, a amplitude do direito de defesa,
o contraditório e o devido processo legal, exista processo de caráter
punitivo em que peças e documentos havidos por incriminadores não
integrem os respectivos autos", protesta.
Ele contesta a utilização da planilha ou de qualquer outro papel
como prova contra quem não o tenha assinado ou, no mínimo, participado
de sua confecção.
Doação
O deputado acentuou ainda que, em depoimento, o conselheiro do BNDES João
Pedro de Moura, ex-assessor de Paulo Pereira e apontado como principal executor
do desvio de verbas do banco estatal, revelou que mentiu ao citar o nome do
deputado, quando, na verdade, o dinheiro era para ele.
O parlamentar do PDT salientou que não há relação
alguma entre a doação de R$ 37,5 mil feita por João Pedro
Moura à ONG Meu Guri, cuja presidente é a mulher do Paulo Pereira,
e o suposto desvio de verbas do BNDES. O depósito efetuado por Moura
em favor da ONG, observa, é anterior às liberações
de recursos pelo BNDES investigados pela Polícia Federal.
O processo, na avaliação do parlamentar, trata apenas de alegações,
inferências, suspeitas, "nada de concreto".
Paulo Pereira apresentou como testemunhas de defesa o ministro de Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge; o presidente do
BNDES, Luciano Coutinho; o coronel reformado da Polícia Militar Wilson
Consani Júnior; e João Pedro de Moura.
Decisão do STF
O presidente do Conselho de Ética afirmou que o processo contra Paulo
Pereira deveria ter primeiro uma decisão da Justiça.
Sérgio Moraes observa que o conselho vai trabalhar em cima de recorte
de jornais, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não liberou
o acesso à cópia dos autos do inquérito. Além disso,
segundo ele, o conselho precisaria de 30 dias para examinar os processos. (Com
Agência Câmara)
|
Agência Diap, 2 de
julho de 2008
SAÚDE DO TRABALHADOR
CNTA diz que recursos recebidos de
empresas são fruto de acordo coletivo
Principal entidade de representação
dos trabalhadores da indústria do amianto no Brasil, a Comissão
Nacional dos Trabalhadores do Amianto (CNTA) - vinculada à Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI) - diz ter recebido
com surpresa a denúncia - formalizada por uma associação
de expostos ao mineral na Organização Internacional do
Trabalho (OIT) - de que seria cooptada para atender interesses do patronato.
A direção da CNTA diz que os recursos recebidos das empresas
não são repassados diretamente a sindicatos e são fruto
de uma acordo coletivo “público e transparente” assinado
inclusive pelo Ministério de Minas e Energia.
“ Nenhum sindicato dos trabalhadores do amianto recebe nada de empresários.
O que ocorre e muita gente confunde é que entre as diversas cláusulas
do acordo coletivo, tem uma que fala que o Instituto Brasileiro do Crisotila
[organização mantida por contribuições de empresários]
deve viabilizar recursos para garantir postos de trabalho de forma responsável,
segura e controlada”, afirmou à Agência Brasil o vice-presidente
da CNTA, Adílson Santana.
“ As empresas pagam salários de dirigentes sindicais porque está previsto
no acordo, independente de gostar da gente, achar a gente bonzinho ou não.
Nosso sindicato não tem recursos financeiros para bancar e isso ocorre
também em outros segmentos”, acrescentou. .
O dirigente da comissão de trabalhadores diz ter a convicção
de que defende uma atividade que não oferece mais riscos de contaminação à mão-de-obra.
E lembra que, individualmente, sindicatos de trabalhadores do amianto têm
acordos benéficos com as empresas.
“ Temos acordos coletivos com empresa para garantir aumento de salário.
Temos acordo para parar fábrica caso tiver algum problema. Em Minaçu
(GO), tem até pagamento pela empresa de universidade para qualquer trabalhador
que quiser fazer faculdade. Assistência médica, odontológica
e curso técnico pagos pele empresa. Isso é prática anti-sindical?”,
questionou Santana.
O vice-presidente da CNTA garante que a entidade está de portas abertas
para ajudar algum ex-funcionário de indústria de amianto que
tenha adoecido por ter atuado antes de 1980 e sinaliza que o objetivo da Abrea
de proibir o uso do amianto no Brasil é estimulado por grupos econômicos
que trabalham com material alternativo.
“ Temos certeza que tem [interesses econômicos]. Quem trabalha com
fibra sintética explorou muitos anos o amianto no Brasil. Há um
contra-senso tremendo”, criticou Santana. (Fonte: Radiobrás)
|
Agência Diap, 2 de
julho de 2008
SAÚDE DO TRABALHADOR
Sindicato de trabalhadores critica "campanha" para
proibir amianto no Brasil
Em nota divulgada pelo presidente
Adelman Araújo Filho (Chiru), o Sindicato dos Trabalhadores na
Indústria da Extração de Minerais Não Metálicos
de Minaçu (GO) critica o que chama de “campanha desenfreada
para banir o amianto no Brasil”.
Chiru afirma que quem patrocina a alegada campanha adota uma postura “injusta,
de caráter econômico, com interesses individuais sem visão
coletiva e nem um pouco preocupada com os trabalhadores, os principais afetados.”
O dirigente sindical também garante ter plena convicção
de que é possível trabalhar com amianto de forma segura. Diz
que o setor é hoje referência no exterior em organização
do local de trabalho.
“ O mineral amianto não é o primeiro na lista de produtos
perigosos, pelo contrário é o 130º. Porque proibir apenas
o amianto?”, questionou.
Ao se referir à denúncia protocolada na Organização
Internacional do Trabalho (OIT) pela Associação Brasileira de
Expostos ao Amianto (Abrea), de que os sindicatos do setor são cooptados
pelo patronato, Chiru lista uma série de benefícios garantidos
aos trabalhadores mediante acordo coletivo com a Mineradora Sama: pagamento
de faculdade, assistência médica e odontológica aos empregados,
subsídio de farmácia de até 80% do valor da compra com
receita médica; cestas básicas e refeições gratuitas,
entre outros.
“ Os trabalhadores do segmento amianto são auto-suficientes para
saber o que querem. Estamos convictos de nossa segurança e não
precisamos de abelhudos sem nenhum conhecimento de causa, com interesses escusos
interferindo em nossa atividade”, protestou Chiru. (Fonte: Agência
Brasil)
|
NCST, 2 de julho de 2008
Auxílio-doença só pode
ser suspenso com processo administrativo
Para a suspensão do benefício de auxílio-doença, é necessária
a instauração de procedimento administrativo a fim de evitar
atuação arbitrária da Administração. O entendimento
unânime é da 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça,
que negou recurso ajuizado pelo INSS contra o beneficiário Manoel Pedrosa
Neto.
O INSS alegou que o benefício recebido por Pedrosa Neto é temporário
e sua cessação depende apenas de perícia médica
conclusiva da sua recuperação. Sustentou, ainda, que o beneficiário
não compareceu à perícia médica designada, tendo
o benefício sido suspenso.
De acordo com o relator, ministro Napoleão Nunes Maia Filho, o segurado
em gozo de auxílio-doença deverá se submeter à inspeção
de saúde, que poderá apresentar as seguintes conclusões:
continuação das condições geradoras de benefício,
permanecendo o seu tratamento e o pagamento; incapacidade de se recuperar para
qualquer atividade, com concessão de aposentadoria por invalidez; e
habilitação para desempenho da mesma atividade, ou de outra,
sem redução da capacidade laborativa, cessando o pagamento do
auxílio-doença.
“ O auxílio-doença somente poderá ser cancelado pelo
INSS nessas situações legalmente determinadas. Não estando
a hipótese dos autos (ausência do segurado na perícia médica)
incluída nesse rol, a decisão de suspensão do benefício
deverá ser precedida de regular procedimento administrativo”, afirmou
o ministro.
O ministro ressaltou, ainda, que deve ser repelido o cancelamento abrupto de
benefício previdenciário por se tratar de verba de caráter
alimentar, sob pena de comprometimento da própria subsistência
do segurado.
REsp 1034611
|