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Agência Câmara,
3 de julho de 2008
Comissão rejeita norma da OIT
sobre demissão injustificada
Diógenes Santos

Delgado: legislação trabalhista já é suficiente
para garantir o direito dos trabalhadores.
A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional
rejeitou nesta quarta-feira, por 20 votos a 1, a adesão do Brasil à Convenção
158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que acaba
com a demissão sem justa causa.
O relator da mensagem de encaminhamento
da convenção na comissão, deputado Júlio
Delgado (PSB-MG), afirmou que a legislação trabalhista
já é suficiente para garantir o direito dos trabalhadores
e que o tratado conflita com a Constituição, que adotou
um sistema indenizatório.
De acordo com a Convenção
158, só é permitida a demissão de empregados se
a empresa comprovar crise financeira; em conjunturas de mudanças
tecnológicas; ou se ficar demonstrado que o demissionário
não tem mais condições de exercer suas funções,
por incompetência, por exemplo.
O tratado internacional foi submetido
ao Congresso Nacional pelo presidente da República, Luiz Inácio
Lula da Silva, por meio da Mensagem 59/08, em fevereiro deste ano. É uma
das principais reivindicações de grande parte das organizações
sindicais.
Arquivamento
Logo depois da votação, o relator informou que fez uma consulta à Comissão
de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), que lhe
informou que a matéria, sendo rejeitada na Comissão de Relações
Exteriores, poderia ser arquivada. Desse modo, Júlio Delgado pediu o
arquivamento da mensagem presidencial. Se isso acontecer, nova mensagem com
esse conteúdo só poderá ser apresentada na próxima
sessão legislativa, em 2009.
Defensores da convenção
afirmam que o pedido do relator não procede, argumentando que
apenas duas comissões têm poder para arquivar matérias
em caso de aprovação de parecer contrário - CCJ
e de Finanças e Tributação. Conforme essa interpretação,
no caso de mensagem presidencial, apenas o Plenário poderia decidir,
ao rejeitar a matéria, pelo seu arquivamento.
O chefe da assessoria jurídica
da Secretaria-Geral da Mesa, Fernando Sabóia, assegurou que a
matéria não será arquivada. "Após a
votação nas comissões de Trabalho; e de Constituição
e Justiça, o projeto entrará na Ordem do Dia do Plenário",
disse.
Interesses
econômicos
O deputado Nilson Mourão (PT-AC), único a votar a favor da convenção,
afirmou que prevaleceram na votação os interesses econômicos. "Nessa
hora não tem base aliada ou oposição. Tem os interesses
dos empresários", disse. "Se a base aliada não tivesse
votado contra, a convenção não teria sido rejeitada",
deduziu.
Para Júlio Delgado, a
norma internacional é prejudicial aos trabalhadores e à economia. "O
alto custo e a restrição de dispensas tendem a reduzir
a rotatividade, mas vão inibir a geração de empregos.
Fechando-se a porta de saída, fecha-se a porta de entrada",
ressaltou o relator.
"Esse argumento não
tem a menor procedência", rebateu Nilson Mourão. "O
que garante a geração de empregos é o crescimento
da economia", disse. O deputado lembrou que o empresário,
na vigência da convenção, poderia demitir, "mas
não por qualquer motivo". Ele acrescentou que algumas demissões
vedadas no tratado, como a de gestantes e por motivos raciais, já estão
previstas na legislação brasileira. "A aprovação
da convenção apenas reafirmaria [os direitos dos trabalhadores]",
destacou.
O líder do governo, deputado
Henrique Fontana (PT-RS), também defendeu a adoção
da convenção. "Eu considero uma votação
equivocada de parte da oposição. Nós vamos continuar
debatendo, porque essa é uma votação em uma única
comissão. A Convenção 158 moderniza as relações
de trabalho no País. Não se pode acreditar que, em pleno
século 21, nós continuemos com a idéia de que a
demissão pode ser arbitrária", afirmou.
Mercosul
De acordo com o relator, apenas 34 dos 181 países que integram a OIT
ratificaram até agora a convenção, sendo somente dois
nas Américas: Venezuela e Antígua e Barbuda. Ele destacou que
nenhum dos países do Mercosul é signatário do tratado,
assim como nenhum dos integrantes do BRIC (Brasil, Rússia, Índia
e China).
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Agência Câmara,
3 de julho de 2008
Com FGTS, estabilidade foi substituída
por indenização
A proibição de demissão imotivada vigorou no Brasil antes
de 1966, quando entrou em vigor a lei que criou o Fundo de Garantia por Tempo
de Serviço (FGTS). No novo regime, em troca da estabilidade após
10 anos no emprego, o trabalhador celetista ganhou direito a um depósito
mensal em conta vinculada de 8% do valor de seu salário, mais 10% de
multa em caso de demissão sem justa causa.
A Constituição
de 1988 previu a edição de lei complementar para definir
a indenização pelo desligamento imotivado do empregado.
Enquanto essa lei não existe, vale a multa de 40%.
Inconstitucionalidade
Na década de 90, o Brasil chegou a ratificar a Convenção
158, aprovada pelo Congresso em 1992. O Supremo Tribunal Federal (STF), porém,
julgou inconstitucional a regulamentação da demissão sem
justa causa por meio do tratado em 1996.
Segundo o STF, essa questão
só poderia ser disciplinada em lei complementar. Além
disso, a reintegração do empregado demitido de maneira
irregular, conforme previsto na norma internacional, seria incompatível
com a Constituição, que prevê, em vez disso, a
indenização em dinheiro. O então presidente da
República, Fernando Henrique Cardoso, deu fim à vigência
da convenção no Brasil a partir do ano seguinte.
Reportagem - Edvaldo Fernandes
Edição - Marcos Rossi
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NCST, 03 de julho de 2008
Centrais sindicais ajudarão nas
políticas públicas trabalhistas
Passado um mês da publicação da Lei 11.658/08, o movimento
sindical ainda não se deu conta do papel estratégico que passam
a jogar as centrais sindicais brasileiras na formulação das políticas
públicas no âmbito das relações de trabalho, tanto
do setor publico, quanto da iniciativa privada. Sua importância e influência,
por força das novas atribuições legais, transcendem ao
Governo Lula.
Desde o Governo Sarney, amparadas no artigo 10 da Constituição,
as centrais sindicais ocupavam importantes espaços de diálogo
social, mas isto decorria mais da vontade política dos governantes,
do que propriamente de obrigação de ordem legal.
Com a publicação da Lei 11.658, as centrais sindicais — que
já gozavam de legitimidade e representatividade — ganharam poder
político expresso na prerrogativa de coordenar a representação
geral dos trabalhadores por intermédio de suas filiadas, além
de participar de negociações em fóruns, colegiados de órgãos
públicos e de demais instâncias tripartites, nas quais estejam
em discussão assuntos de interesse geral dos trabalhadores.
Aparentemente, trata-se de simples coordenação, por intermédio
de entidades filiadas, mas a leitura correta é outra. Caberá às
centrais sindicais indicar, entre os seus filiados, aqueles que terão
a responsabilidade de discutir, formular e negociar nas instâncias com
poder de decisão em matéria trabalhista, previdenciária
e sindicais, inclusive no que diz respeito aos servidores públicos.
Isto significa que filiar-se a uma central sindical passou a ser uma condição
quase que indispensável para ter voz e voto nas instâncias de
formulação de políticas públicas que realmente
importam, independentemente do governante do dia.
É verdade que para os temas corporativos, que envolvam a relação
bilateral — entre entidade sindical e empresa ou entre entidades sindicais
representativas das categorias econômicas e profissionais – a prerrogativa
continua sendo dos sindicatos, federações e confederações
específicas.
Mas a grande política e os temas gerais — salário mínimo,
previdência, legislação trabalhista e sindical, imposto
de renda, política de saúde, educação, segurança
etc — estão reservados às centrais, que, aliás têm
dado exemplo de maturidade e unidade política.
Com este texto prentedemos chamar a atenção para um dado da realidade.
As centrais sindicais serão protagonistas na formulação
de políticas públicas no mundo do trabalho, tanto pela legitimidade
e representatividade, quanto por imperativo legal.
NCST - Revista Consultor Jurídico
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Gazeta do Povo, 3 de julho de 2008
Plano Safra
Estratégia para conter alta
dos alimentos é produzir mais e melhor
Agronegócio receberá R$ 65
bilhões para garantir o abastecimento do mercado interno
e abrandar a inflação dos produtos
A principal aposta do governo federal para combater a inflação
está no campo. Durante o anúncio do Plano Agrícola e Pecuário
(PAP) para a temporada 2008/09, ontem, em Curitiba, ficou claro que uma boa
produção agrícola é percebida em Brasília
como uma espécie de freio para o aumento no preço dos alimentos.
Ao mesmo tempo em que atacam um problema macroeconômico, as medidas – apesar
de não atenderem a todas as demandas apresentadas pelo setor produtivo – resultam
no maior e mais amplo programa de financiamento agrícola do país.
A meta é incrementar em 5% a colheita de grãos já no próximo
ciclo, para 150 milhões de toneladas. Para isso, o governo elevou em
12% o crédito rural para a agricultura comercial, num montante total
de R$ 65 bilhões. Com mais recursos, a intenção é garantir
a renda necessária para o produtor ampliar a produção,
abastecer o mercado interno e frear a alta dos alimentos que vão à mesa
do consumidor. Trata-se de uma das únicas medidas para conter a inflação
que foge do campo da política monetária. O aumento da taxa Selic,
afinal de contas, tem efeito incerto sobre as pressões inflacionárias
vindas dos produtos agrícolas e do petróleo.
Diante de uma platéia de mais de mil pessoas – a maioria produtores
rurais –, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi enfático
sobre a participação do agronegócio nesse processo. “A única
e melhor forma de combater a inflação é aumentar a produção.
Neste momento, em que se fala de crise por causa da alta dos alimentos, temos
que dar a resposta – não contendo a capacidade de consumo e de
produção, mas aumentando a produtividade.”
“Confortável”
Apesar da preocupação com os atuais índices de inflação,
Lula avalia que a situação ainda é “confortável”.
Ele lembrou que, entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China),
o país que tem a menor inflação é o Brasil. Assim,
o presidente acredita que “estamos dentro da meta que nós estabelecemos
de 4,5%, com dois [pontos porcentuais] para cima ou dois para baixo.”
Ao detalhar as medidas, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, destacou
o entendimento de todas as áreas do governo na construção
de uma nova política agrícola. Ele observou que não se
trata mais de um plano do Ministério da Agricultura, mas uma proposta
de governo, que beneficia não apenas o campo, mas toda a economia do
país. Em edições passadas, era comum os ministérios
da Fazenda e do Planejamento interferirem bastante nas medidas agrícolas,
o que, segundo Stephanes, dessa vez não ocorreu.
A preocupação, reconhece o ministro, está em alguns gargalos
que dificultam a expansão do setor, como o alto preço dos adubos,
que representam de 30% a 50% do custo de produção. Ele afirmou
que o governo está se mobilizando para anunciar até o fim do
ano medidas para atingir a auto-suficiência em fertilizantes dentro de
dez anos. Ele também disse ser contra qualquer imposto na importação
de fertilizantes. “A tendência é desonerar. Taxar, nunca.”
Foco
Apesar do forte viés de combate à inflação, o ministro
ressaltou que o plano está focado na recuperação de renda
do produtor, prejudicado em dois anos de crise no campo (2003/04 e 2004/05).
Para isso, foram anunciadas uma série de medidas de sustentação
da atividade, como reajuste dos preços mínimos, crédito à comercialização
e seguro rural, além dos recursos de custeio e investimentos.
Em resumo
Apesar do esforço do governo federal na implantação de
medidas estruturais, de longo prazo, o avanço mais concreto do Plano
Safra 2008/09 é a ampliação dos recursos para custeio
e comercialização. Confira os principais pontos anunciados ontem:
• Ampliação dos recursos de crédito rural, para R$
65 bilhões. R$ 55 bilhões vão para custeio e R$ 10 bilhões
para investimentos;
• R$ 45,4 bilhões em juros controlados de crédito rural,
com taxas fixas de 6,75% ao ano;
• R$ 3,8 bilhões destinados à comercialização,
sendo R$ 2,3 bilhões para formação de estoques públicos
e R$ 1,5 bilhão para equalização de preços ao produtor;
• Reajuste médio de 30% no preço mínimo dos principais
produtos agrícolas;
• Linha de crédito de R$ 1 bilhão, a juro controlado, para
recuperar áreas degradadas;
• Eliminação da taxa flat de 4% nos financiamentos para modernização
da frota rural feitos pelo BNDES;
• Recursos de R$ 160 milhões para subvenção ao Prêmio
do Seguro Rural;
• O limite de renda para o Proger Rural passa de R$ 220 mil para R$ 250
mil;
• Aumento no limite de financiamento por produtor, de R$ 300 mil para R$
400 mil (valor médio);
• Os recursos do Prodecoop (destinado às cooperativas) saltam de
R$ 400 milhões para R$ 1 bilhão;
• O financiamento para o feijão fica desvinculado do limite estabelecido
por produtor.
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O ESTADO DO PARANÁ,
03 de julho de 2008 | Política
Lula fala de eleições
em sua viagem ao Paraná
Joyce Carvalho e Roger Pereira
Um jantar na casa do apresentador Carlos Massa, o Ratinho, na noite de terça-feira,
foi o primeiro compromisso do presidente Lula na visita que fez a Curitiba
para anunciar o Plano Agrícola e Pecuário.
Principal articulador da coligação
do PT de Gleisi Hoffmann com o PSC de Ratinho Júnior na capital
paranaense, Lula fez questão de sacramentar a aliança.
O ministro do Planejamento, Paulo
Bernardo; a candidata à Prefeitura de Curitiba pelo Partido dos
Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, que recebeu o presidente no aeroporto;
o presidente da Itaipu Binacional, Jorge Samek; e o deputado federal
Ratinho Junior também participaram do encontro.
O presidente, que era esperado
na residência oficial do Cangüiri, para jantar com o governador
Roberto Requião (PMDB) e com o pré-candidato do PMDB à prefeitura
de Curitiba, ex-reitor Carlos Moreira Júnior, acabou preferindo
visitar o amigo e aliado na disputa municipal de outubro. Com Requião,
Lula encontrou-se para um café da manhã.
Já durante o anúncio
do Plano Agrícola, na manhã de ontem, Gleisi e Moreira
ficaram na platéia enquanto o prefeito Beto Richa (PSDB) participou
da solenidade. “O prefeito Beto Richa tinha mesmo que ser convidado
e se fazer presente na solenidade por ser prefeito da cidade onde o lançamento
do plano foi realizado. Mas, além da questão protocolar,
todos os candidatos às eleições municipais deste
ano, isso inclui o Beto Richa, querem tentar colar no presidente Lula,
que está com a popularidade crescente e realizando um excelente
governo”, disse Gleisi, através de sua assessoria.
Segundo Ratinho, a visita de
Lula foi por conta da amizade dos dois, que vem desde 1982, época
na qual Ratinho era vereador na cidade paranaense de Jandaia do Sul.
Mas o apoio do filho de Ratinho à candidatura de Gleisi foi um
dos destaques da conversa.
“Ele me pediu para que
apoiasse a Gleisi, como cidadão. E para que o partido do meu filho
(PSC) entrasse para valer na campanha. O Lula também me pediu
para subir no palanque com a Gleisi. Se eu puder, se a legislação
deixar, eu vou fazer isso”, comentou Ratinho.
Segundo o apresentador, Lula
prometeu estar em Curitiba para apoiar a candidatura de Gleisi. “Para
o Lula, Curitiba tem que dar uma mudada, com uma cabeça diferente.
São 18 anos com o mesmo grupo mandando”, afirmou. Ratinho
ainda disse que seu filho pediu ao presidente que ajudasse na liberação
de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)
para o metrô de Curitiba. “O Lula disse que isso vai depender
do próximo prefeito, de quem vier”, contou.
De acordo com Ratinho,
Lula está muito otimista com os avanços do Brasil. Falou
sobre as bacias de petróleo, os programas sociais, produção
de alimentos. Ratinho e o presidente conversaram também sobre
a expansão do Bolsa Família no Paraná. “Ele
disse que vai deixar o País dez vezes melhor do que pegou”,
declarou.
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FOLHA DE LONDRINA, 03 de
julho de 2008 | Política
Projeto cria ‘janela da traição’ para
político mudar de partido
Proposta aprovada ontem na CCJ da Câmara
dos Deputados permite a volta do troca-troca partidário
Brasília - A Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ) da Câmara aprovou ontem projeto de lei complementar do deputado
Flávio Dino (PCdoB-MA) que flexibiliza a regra de fidelidade partidária
estabelecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e abre brechas para a volta
do troca-troca partidário. Pela nova proposta, um ano e trinta dias
antes de cada eleição, na véspera do prazo limite para
filiações partidárias com vista a lançamento de
candidaturas, os políticos terão uma janela de um mês para
mudar de partido sem correr o risco de perder o mandato.
Essa troca só poderá ser
feita uma vez em cada legislatura e apenas dentro da circunscrição
de atuação do político. Ou seja, a janela não
vale, por exemplo, no caso de um deputado federal querer mudar de partido
para concorrer a uma prefeitura. Mas vale se o deputado quiser concorrer à reeleição.
A criação da janela
abre completamente o jogo para mudanças partidárias. Hoje,
elas são proibidas. Se não for comprovadamente justificada
por perseguição partidária ou pela mudança
radical de programa partidário, a troca custa o mandato do parlamentar,
uma vez que, na interpretação do Judiciário, o dono
do mandato é o partido pelo qual o político concorreu.
Contrários à medida,
os parlamentares de oposição batizaram a proposta de ''janela
da traição''. Para eles, será reaberto o processo
que permitiu ao governo atrair parlamentares da oposição
para aumentar sua base de apoio.
''Com esse projeto, a CCJ está marcando
data e hora para que a infidelidade partidária aconteça.
Agora, os políticos vão ter dia certo para pular a cerca. É a
criação da janela da traição'', criticou
o deputado Efraim Filho (DEM-RN).
Aprovada por 33 votos contra
8, a proposta ainda precisa ser votada pelo plenário da Câmara
antes de ser enviada ao Senado para apreciação.
Mas a idéia é que
toda a tramitação da votação, incluindo Câmara
e Senado, seja feita até o primeiro semestre de 2009 para que
as propostas possam ser adotadas nas eleições de 2010.
Nesse caso, já poderia haver uma ''janela da traição''
no próximo ano.
O deputado Flávio Dino
defendeu seu projeto, afirmando que ele estabelece regras claras para
a fidelidade partidária e disse que a janela para mudanças
de legenda é necessária. ''Sou a favor da fidelidade partidária
e o projeto fixa os mecanismos para que isso funcione adequadamente.
Mas defendo a criação da janela. Isso aqui não é a
Inglaterra, onde os partidos têm 300 anos. Aqui, os partidos têm
cinco anos. Como você vai congelar esse quadro partidário
e não permitir nenhuma mudança?''
Marcelo de Moraes
Agência Estado
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Folha de S.Paulo, 3 de julho
de 2008
Colômbia resgata Ingrid e mais
14 reféns
Exército se infiltrou nas Farc e conseguiu
efetuar libertação sem disparar nenhum tiro | Além
de presa-símbolo de guerrilha, 3 americanos e 11 militares
foram resgatados | Ex-candidata relata que só soube que estava
salva já no helicóptero que os resgatou; "Somos
o Exército, vocês estão livres", bradou
soldado
Rodrigo Arangua/France Presse

Livre, Ingrid Betancourt chega a base aérea em Bogotá após
resgate
DA REDAÇÃO
O Exército colombiano resgatou ontem a ex-candidata presidencial Ingrid
Betancourt e outros 14 reféns das Farc (Forças Armadas Revolucionárias
da Colômbia), entre eles três norte-americanos.
Ingrid estava em poder das Farc desde 23 de fevereiro de 2002 e era uma espécie
de símbolo dos reféns da guerrilha, tendo motivado marchas ao
redor do mundo e gestões de diferentes chefes de Estado em prol de sua
soltura.
O anúncio da libertação de Ingrid e dos demais foi feito
pelo ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, por volta das 14h10 de ontem (16h10
de Brasília). "Foram resgatados sãos e salvos 15 dos seqüestrados
das Farc. Entre eles estão Ingrid Betancourt, os três cidadãos
norte-americanos e 11 membros de nossa força pública."
Para o presidente Álvaro Uribe, que falaria somente no final da noite,
o feito foi comparável às "maiores epopéias da humanidade". "A
operação teve a luz do Espírito Santo e a proteção
de Nosso Senhor e da Virgem em todas as suas expressões", disse
Uribe durante um encontro com bispos colombianos.
O resgate, ocorrido a cerca de 70 km ao sul da cidade de San José de
Guaviare (no departamento de Guaviare, centro do país), foi fruto de
uma operação de inteligência do Exército colombiano
e ocorreu sem o disparo de nenhum tiro.
De acordo com Santos, os serviços de inteligência do Exército
conseguiram se infiltrar nas Farc. "Como os seqüestrados estavam
divididos em três grupos, conseguimos que eles fossem reunidos num só lugar
e fosse permitido seu transporte ao sul do país para que supostamente
passassem às ordens de Alfonso Cano [chefe da guerrilha]."
" Coordenamos para que os seqüestrados fossem recolhidos num local
predeterminado por um helicóptero de uma organização fictícia",
continuou. Só que o helicóptero, explicou Santos, na realidade
era do Exército, tripulado por pessoal da inteligência, e voou para
San José de Guaviare.
Nas palavras do ministro de Interior e Justiça, Fabio Valencia, "nem
em filme poderíamos imaginar o Exército enganando as Farc".
"César" e
engano
A própria Ingrid, que se reuniu com a mãe e o marido em uma base
militar em Bogotá no fim da tarde de ontem, deu detalhes da libertação.
Segundo ela, alguns dos militares que se fizeram passar por guerrilheiros usavam
camisas com imagens de Che Guevara. "Eles falavam como guerrilheiros e
se vestiam como tais."
Segundo a ex-candidata, nem ela nem os guerrilheiros reais suspeitaram da operação.
O responsável permanente pela escolta dos seqüestrados era Gerardo
Aguilar Ramírez, cujo codinome é César, chefe da Frente
1, uma das unidades mais importantes das Farc. Especialistas acreditam que
ele foi cooptado pelos militares.
Os reféns só souberam do resgate dentro do helicóptero,
quando um dos militares disfarçados gritou: "Somos o Exército
da Colômbia, vocês estão livres", contou ela. Ingrid
qualificou seu resgate de "golpe fulminante" para as Farc e disse
ver a guerrilha enfraquecida.
O resgate de ontem é o mais duro entre os recentes golpes sofridos pelas
Farc, mais antiga guerrilha em ação na América Latina.
Em março, o Exército colombiano atacou um acampamento do grupo
no Equador, matando o número dois da organização, Raúl
Reyes. Dias depois, também do secretariado da guerrilha, Ivan Ríos
foi morto por seu guarda-costas.
Dois meses depois, o governo anunciou a morte do cabeça da guerrilha,
Manuel Marulanda, o Tirofijo. As Farc dizem que as causas foram naturais, mas
Bogotá insinuou que seria resultado de suas ações militares.
Uribe foi alvo de intensas críticas e pressões internacionais
para que aceitasse as exigências das Farc para a libertação
de reféns -a principal delas era a desmilitarização dos
municípios de Pradera e Florida (oeste). Mas resistiu e continuou a
apostar nas ações militares.
Outros
libertados
Além de Ingrid, foram libertados os norte-americanos Thomas Howes, Keith
Stansell e Marc Gonsalves, seqüestrados em 2003. Eles trabalhavam para
uma firma contratada pelo Departamento de Defesa.
Horas antes do resgate, o candidato republicano à Presidência
dos EUA, John McCain, em visita à Colômbia, pedira que o governo
seguisse em seu empenho para libertar os americanos. Depois da operação
bem-sucedida, McCain informou em nota que fora avisado na véspera por
Uribe do que aconteceria. "Estou agradecido com o êxito dessa operação
de muito alto risco", disse.
Críticos também acusaram Uribe, no passado, de não se
empenhar pela libertação de Ingrid porque ela seria a única
pessoa que poderia ameaçá-lo nas urnas.
24 ainda
cativos
Com o resgate, restam agora em poder das Farc 24 reféns políticos
-aqueles que são alvo de barganha com o governo da guerrilha, que quer
soltar cerca de 500 guerrilheiros presos.
Santos anunciou que Bogotá continuará empenhada pelos demais
reféns, mas apelou às Farc para que os entreguem pacificamente.
" Uma vez mais fazemos um chamado aos novos líderes das Farc para
que deponham armas, não se façam matar nem sacrifiquem seus homens,
se desmobilizem. O governo reitera que, se querem negociar a sério e de
boa-fé, oferecemo-lhes uma paz digna", declarou.
Com agências internacionais
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Folha de S.Paulo, 3 de julho
de 2008
Perfil
Ex-candidata ainda sonha ser
presidente
DA REDAÇÃO
Emocionada e vestindo traje militar, Ingrid Betancourt agradeceu ontem ao "impecável
Exército colombiano" e a todos os que se esforçaram pela
libertação dos reféns das Farc.
Sorridente e aparentando boa saúde, a mulher que abraçou a mãe,
Yolanda Pulecio, e o marido, Juan Carlos Lecompte, ao desembarcar na base militar
de Catam (oeste de Bogotá) era bastante diferente da esquálida
figura que mirava o chão, em 2007, na mais recente foto divulgada pela
guerrilha.
" Travei muitas batalhas, tentei a fuga diversas vezes, procurei manter
a esperança como mantemos a cabeça fora d'água. Mas hoje,
mamita, sinto-me vencida", dizia, em carta entregue junto com a foto.
Nascida no Natal de 1961, em Bogotá, numa família de forte tradição
política, Ingrid era candidata à Presidência pelo partido
Oxigênio quando foi seqüestrada, em fevereiro de 2002. Ontem, ela
disse que "ainda aspira servir à Colômbia como presidente".
A libertação de Ingrid, que tem também cidadania francesa,
foi uma prioridade da França nos 77 meses de cativeiro. O Parlamento
Europeu declarou apoio à causa, e o partido Itália dos Valores
(IDV) criou neste ano um comitê para promover a sua candidatura ao Prêmio
Nobel da Paz.
Ainda criança, Ingrid mudou-se para Paris, onde seu pai, Gabriel Betancourt,
era embaixador na Unesco. Lá, viveu a maior parte da infância
e juventude, cursou o renomado Instituto de Estudos Políticos e conheceu
seu ex-marido, o diplomata Fabrice Delloye, pai de seus filhos, Mélanie
e Lorenzo.
Política
Em 1989, Ingrid voltou à Colômbia. Em 1994, foi eleita deputada
pelo Partido Liberal. Deixou a legenda para fundar o partido verde Oxigênio,
com plataforma pacifista e anticorrupção, e foi eleita senadora
em 1998. O seqüestro interrompeu a campanha à Presidência
pela legenda em ascensão.
Na selva, Ingrid acompanhava notícias da família por meio de
programas como o "Vozes do Seqüestro", aos quais também
agradeceu ontem. Pelo rádio, soube da morte do pai, do mestrado da filha
e comoveu-se ao ouvir a voz adulta do filho, que viu pela última vez
aos 13 anos.
Com agências internacionais
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FOLHA DE LONDRINA, 03 de
julho de 2008 | Política
Criação de municípios
terá regras rígidas
Brasília - Nas regiões Sul e Sudeste só poderão
ser criados municípios com população igual ou superior
a 15 mil habitantes. Nas regiões Centro Oeste e Nordeste só serão
criados municípios com população igual ou superior a 10
mil habitantes. Já na região Norte, só será autorizada
a criação de municípios com população igual
ou superior a 5 mil habitantes. É o que determina o substitutivo do
senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) aprovado ontem na Comissão de Constituição
e Justiça do Senado (CCJ) que impõe regras mais rígidas
para a criação, incorporação, fusão e o
desdobramento de municípios. A proposta tramita em regime de urgência,
mas pela discussão ocorrida na comissão, ficou claro que será emendada
no plenário para atender a interesses dos redutos eleitorais de senadores.
Terá, então de ser examinada novamente pela CCJ, antes de ser
encaminhada à Câmara dos Deputados.
Além da população,
o texto especifica que só poderão ser transformados em
municípios as localidades que tenham eleitorado igual ou superior
a 50% de sua população e aqueles com viabilidade econômico-financeira,
político-administrativa e sócio ambiental e urbana. Outra
exigência é a de ter núcleo urbano já constituído,
dotado de infra-estrutura e área urbana não situada em
reserva indígena, área de preservação ambiental
ou área pertencente à União, suas autarquias e fundação
e continuidade territorial. O presidente da CCJ, senador Marco Maciel
(DEM), lembrou que o Supremo Tribunal Federal (STF) deu um prazo de 18
meses para o Congresso regulamentar a lei em vigor, de 1966. Enquanto
isso não ocorre, 27 localidades, em seis Estados continuarão
aguardando a decisão do tribunal sobre sua ''transformação''
em municípios.
No seu parecer, Jereissati afirma
que a norma aprovada na Constituinte de 1988 gerou um abuso na criação
de municípios, o que levou a mudança da lei em 1996, que
tampouco ajudou a evitar a criação de municípios
sem condição de se manterem. Segundo ele, de 1984 a 1997,
foram instalados 1.045 novos municípios no País, dos quais
94,5% com menos de 20 mil habitantes. ''Tais conclusões indicam
que a proliferação de pequenos e micromunicípios
levou a uma pulverização dos recursos a eles repassados,
utilizados basicamente no pagamento de vereadores e de funcionários
administrativos das câmaras municipais.''
Rosa Costa
Agência Estado
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Folha de S.Paulo, 3 de julho de 2008
Correios querem que TST considere
greve abusiva
Sedex 10, Sedex Hoje e Disque Coleta foram
suspensos
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A ECT (Empresa de Correios e Telégrafos) ingressa hoje no TST (Tribunal
Superior do Trabalho) com recurso alegando que a greve deflagrada por carteiros,
atendentes e operadores na segunda-feira é abusiva e prejudicial à sociedade.
O recurso ao TST é a segunda iniciativa dos Correios para enfraquecer
a greve. Ontem, no segundo dia da paralisação, a empresa determinou
o desconto dos dias parados dos funcionários que mantiverem os braços
cruzados.
Com apenas dois dias de greve, os efeitos são visíveis. Para
normalizar os serviços em São Paulo, por exemplo, vai ser necessário
meio dia extra de trabalho, tempo que vai aumentar à medida que a greve
continuar.
Em todo o país, o volume diário de correspondências e encomendas é de
30 milhões. Somente na capital paulista e na região do ABC o
movimento é de 18 milhões de correspondências e encomendas
por dia.
Devido à greve, a ECT decidiu suspender a prestação dos
serviços de Sedex Hoje, Sedex 10 e Disque Coleta. As agências
funcionam normalmente.
Parte dos carteiros, atendentes e operadores deflagrou a greve na segunda-feira
alegando o descumprimento pelos Correios do termo de compromisso assinado em
novembro. Segundo os grevistas, o acordo estabelecia o pagamento de adicional
de periculosidade de 30% sobre os salários e começou a ser pago
em dezembro. Em junho, o adicional foi substituído por um bônus
de atividade de R$ 260.
A diretoria alega que não irá negociar porque não considera
que há descumprimento do acordo e que a legislação trabalhista
não prevê o pagamento de adicional de periculosidade a carteiros
e demais empregados. A categoria afirma que o adicional de periculosidade de
30% sobre os salários era um acerto prévio e que a substituição
pelo adicional de atividade não soluciona o impasse.
Os números sobre a adesão dos empregados à greve não
são uniformes. Os Correios informam que até ontem 40% dos 55
mil carteiros paralisaram suas atividades.
Na Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas
de Correios e Telégrafos), a indicação era que 80% da área
operacional estava parada, envolvendo empregados distribuídos em 22
Estados. (LO)
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O ESTADO DO PARANÁ,
03 de julho de 2008 | Cidades
PR: Trabalho infantil nas indústrias
de fumo do Estado será denunciado
Elizangela Wroniski
A Comissão de Diretos Humanos (CDH) do Senado levará aos ministérios
do Trabalho e da Saúde a denúncia de exploração
de mão-de-obra infantil pela indústria fumageira nos estados
da região Sul.
Estima-se que só no Paraná cerca
de 70 mil crianças e adolescentes trabalhem em alguma fase do
processo de produção de fumo. Nos três estados da
região, eles somariam 380 mil.
Também será criado
um grupo de trabalho para acompanhar as ações desenvolvidas
pelo governo federal para resolver o problema.
A decisão foi tomada ontem
durante audiência pública promovida pela CDH. Segundo a
procuradora do Ministério Público do Trabalho do Paraná (MPT-PR),
Margaret Matos de Carvalho, existem cerca de 35 mil famílias trabalhando
com fumo no Paraná. Dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento
Econômico e Social (Ipardes) mostram que há cerca de duas
crianças ou adolescentes em cada uma delas.
Como é a própria
indústria que define a classificação do material
e o preço a ser pago, os agricultores ficam em desvantagem e,
sem dinheiro para contratar pessoas para ajudar na safra, são
as crianças que ficam encarregadas do trabalho.
O senador Flávio Arns
(PT), membro da comissão, destacou ainda que, além dos
problemas de saúde, as crianças estariam tendo dificuldade
na escola.
Os MPTs do Paraná e
Santa Catarina já acionaram a Justiça, ajuizando ações
civis públicas contra as indústrias fumageiras.
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FOLHA DE LONDRINA, 03 de
junho de 2008 | Economia
Pagamento do abono PIS/Pasep bate recorde
Brasília - O pagamento do abono salarial de um salário mínimo
(R$ 415) no período 2007/2008 bateu recorde. Segundo o Ministério
do Trabalho, 95,4% dos trabalhadores que tinham direito a receber o PIS/Pasep
fizeram o saque, o equivalente a 13,5 milhões de pessoas.
O prazo para o resgate terminou
na última segunda-feira. Tinham direito a receber o abono, ano-base
2006, cerca de 14,2 milhões pessoas. Destas, 652.612 deixaram
de sacar os R$ 415.
O pagamento do PIS/Pasep se iniciou
em julho de 2007 e foram pagos pouco mais de R$ 5 bilhões em benefícios,
sobrando cerca de R$ 270,8 milhões, que retornam ao Fundo de Amparo
ao Trabalhador (FAT).
O governo começa a pagar
em agosto o abono salarial de um salário mínimo com base
no ano de 2007. Serão mais de 15,5 milhões de beneficiados,
segundo o Ministério do Trabalho.
Para os trabalhadores com carteira
assinada, o dinheiro precisa ser sacado na Caixa Econômica Federal.
Os servidores públicos recebem pelo Banco do Brasil.
São beneficiados apenas
os trabalhadores que estão cadastrados no PIS/Pasep há pelo
menos cinco anos (desde 2003) e que tenham recebido, em média,
até dois salários mínimos durante o período
trabalhado em 2007.
Além disso, a pessoa precisa
ter trabalhado com carteira assinada ou sido nomeado efetivamente em
cargo público durante pelo menos 30 dias no ano passado por empregadores
contribuintes do PIS/Pasep.
A tabela de pagamento estará disponível
ainda neste mês no site do Ministério do Trabalho. Quem
não sacar o dinheiro até o dia 30 de junho de 2009, perde
o benefício.
Eduardo Cucolo
Folhapres
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NCST, 03 de julho de 2008
Pai que desconhece existência do
filho não pode pagar por abandono afetivo
Só cabe indenização por danos morais por abandono afetivo
se há repúdio por parte do pai para reconhecer o filho. O entendimento é da
8ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande
do Sul, ao negar o recurso apresentado por um filho que pediu indenização
por abandono afetivo. Os desembargadores constataram não haver comprovação
de que o pai tivesse ciência da paternidade.
O desembargador Alzir Felippe Schmitz afirmou não haver uma única
prova de que o pai abandonou voluntariamente o filho ou tinha consciência
da gravidez da companheira quando ocorreu a separação. Segundo
o desembargador, o pai só foi comunicado da existência do filho,
já com 25 anos de idade, quando foi citado na ação. E,
confirmada a paternidade, aceitou-a sem contra-argumentar. Por isso, não
houve ato ilícito e inexistiu razão para o pagamento de indenização.
O filho entrou com ação de investigação de paternidade
cumulada com reparação por danos morais. Ele sustentou que seu
pai nunca quis ter contato com ele, privando-o do convívio e do afeto
paterno.
De acordo com os autos, o pai reconheceu que manteve relacionamento com a mãe
do autor durante 18 meses. Informou que obteve notícias um ano após
o fim da relação de que ela havia tido um filho. Mas como nunca
foi procurado para tratar deste assunto e para qualquer tipo de auxílio
financeiro, deduziu que não era o pai da criança.
Diante do laudo de confirmação da paternidade, a juíza
Inajara Martini Bigolin, da Comarca de Santa Rosa (RS), declarou o réu
como pai biológico e determinou a retificação do registro
de nascimento com o nome do pai e seus ascendentes. Entretanto, julgou improcedente
o pedido de indenização. O filho recorreu ao TJ, que manteve
a decisão de primeiro grau. Cabe recurso.
Processo 70.024.047.284
NCST - Revista Consultor Jurídico
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
03/07/2008
TST autua num único dia 23 mil processos
Graças ao desenvolvimento
de ferramentas de informática que permitem aproveitar informações
fornecidas pelas instâncias inferiores, o Tribunal Superior do
Trabalho realizou ontem (01) a autuação em lote de 23.837
processos. Até então, cerca de 53 mil processos aguardavam
autuação no Tribunal, oriundos dos Tribunais Regionais
do Trabalho. O procedimento era feito manualmente: os servidores tinham
de digitar, processo por processo, os dados necessários, como
o nome das partes e dos advogados, número do processo na origem
e outros.
A autuação é o
ato pelo qual se inicia a formação dos autos de um processo – a
partir do qual, portanto, ele passa a tramitar. Anualmente, o TST recebe
mais de 120 mil recursos e agravos contra decisões de TRTs, que,
uma vez protocolados, ficam aguardando a autuação para
que possam ser distribuídos aos ministros. Só depois de
autuados os processos ficam visíveis para acompanhamento pelas
partes e advogados interessados e são inseridos no sistema de
acompanhamento processual.
Relatórios gerados pela
ferramenta Business Objects permitiram a identificação
dos pontos críticos desse processo. A partir daí, a Presidência,
a Secretaria do Tribunal e a Secretaria de Tecnologia da Informação
desenvolveram soluções que integram à autuação
as informações já cadastradas eletronicamente pelos
Regionais (que antes as enviavam em papel). Com isso, todos os procedimentos
de digitação deixarão de ser feitos, bastando apenas
a conferência.
Os mais de 23 mil processos autuados
ontem serão distribuídos, no retorno das atividades judiciárias
em agosto, aos ministros do Tribunal. Até o fim de agosto, outro
lote semelhante deve ser autuado. A expectativa é de que até setembro
o estoque de processos que aguardam autuação se esgote,
e todas as ações que chegarem ao TST poderão ser
imediatamente distribuídas para os relatores.
(Carmem Feijó)
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03/07/2008
Súmula 228: nova redação
será publicada amanhã (04)
A nova redação
da Súmula nº 228 do Tribunal Superior do Trabalho, que trata
da base de cálculo do adicional de insalubridade, será publicada
no Diário da Justiça amanhã (04). Aprovada na última
sessão do Tribunal Pleno, realizada na semana passada, a alteração
foi motivada pela edição, pelo Supremo Tribunal Federal,
da Súmula Vinculante nº 4, que veda a utilização
do salário mínimo como indexador de base de cálculo
de vantagem de servidor público ou de empregado e torna, assim,
inconstitucional o artigo nº 192 da CLT.
Com a modificação,
a redação da Súmula nº 228 passa a ser a seguinte:
SÚMULA 228.
ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. BASE DE CALCULO. A partir
de 9 de maio de 2008, data da publicação da Súmula
Vinculante nº 4 do Supremo Tribunal Federal, o adicional de insalubridade
será calculado sobre o salário básico, salvo critério
mais vantajoso fixado em instrumento coletivo.
A mesma resolução
que altera a Súmula nº 228 ainda cancela a Súmula
nº 17 e a Orientação Jurisprudencial nº 02 da
Seção Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1)
e confere nova redação à Orientação
Jurisprudencial nº 47 da SDI-1, nos seguintes termos:
47. HORA EXTRA. ADICIONAL
DE INSALUBRIDADE. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo
da hora extra é o resultado da soma do salário contratual
mais o adicional de insalubridade.
A resolução entra
em vigor na data de sua publicação.
(Carmem Feijó)
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