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Agência Câmara,
5 de julho de 2008
Projeto reajusta tabela do IR e cria
novas alíquotas
A Câmara analisa o Projeto de Lei 3089/08, da bancada do Psol na
Câmara - deputados Luciana Genro (RS), Chico Alencar (RJ) e Ivan
Valente (SP) -, que reajusta a tabela do Imposto de Renda das Pessoas
Físicas (IRPF) a partir do atual exercício. Caso a mudança
seja aprovada, a Receita Federal vai definir em regulamento a forma de
restituição dos valores pagos com alíquotas maiores.
Os parlamentares usaram como parâmetro para atualização
da tabela os valores vigentes em 1996, que foram corrigidos
até janeiro deste ano pelo Índice de Preços
ao Consumidor Ampliado (IPCA).
O projeto aumenta a faixa de isenção do IR
de R$ 1.372,82 para R$ 1.904,85. Já a alíquota
de 15% incidirá sobre os rendimentos mensais de R$
1.904,86 a R$ 3.806,42 (essa alíquota hoje incide
nos rendimentos de R$ 1.372,82 a R$ 2.743,25). A alíquota
de 27,5%, por sua vez, será aplicada aos rendimentos
superiores a R$ 3.806,42 (e não mais R$ 2.743,25).
Já a dedução por dependente da renda
tributável passa de R$ 137,99 para R$ 191,47. As deduções
totais com instrução saltam de R$ 2.592,29
para R$ 3.596,96 ao ano por pessoa.
Progressividade
A proposta também amplia o número de alíquotas
de duas para sete a partir do ano de 2009. "As atuais faixas e
alíquotas não possuem progressividade suficiente, começando
a tributar a renda a partir de um patamar muito baixo (R$ 1.372,81
mensais) e já a uma alíquota de 15%", diz a justificativa
do projeto.
Por outro lado, os deputados do Psol avaliam que a alíquota
máxima (27,5%) é baixa para os estratos da
sociedade com renda mais alta. Para eles, a alíquota
deveria chegar a até 50%, "como ocorre em alguns
países desenvolvidos".
O projeto estabelece as seguintes alíquotas de IR
em 2009, de acordo com a faixa de renda:
Isento - até R$ 1.904,85
5% - de R$ 1.904,86 até R$ 3 mil
10% - de R$ 3.000,01 até R$ 5 mil
15% - de 5.000,01 a R$ 7 mil
20% - de R$ 7.000,01 a R$ 10 mil
30% - de 10.000,01 a R$ 15 mil
40% - de 15.000,01 a R$ 20 mil
50% - acima de R$ 20 mil
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado
nas comissões de Finanças e Tributação;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:
- PL-3089/2008
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Diário Vermelho,
5 de julho de 2008
PAP: uma política soberana
de combate à inflação
O anúncio feito pelo
presidente Lula do Plano Agrícola Pecuário
(PAP) – que tem o objetivo de estimular a produção
agropecuária, aumentar a safra agrícola de
2008/2009 em 5% e assim fazer com que o país atinja
a produção de 150 milhões de toneladas
de grãos – é uma decisão de grande
alcance econômico, social e de afirmação
soberana.
Por Ronald Freitas*
As novas medidas indicam que para a safra deste e do próximo
ano serão disponibilizados R$78 bilhões para
créditos aos produtores, sendo R$13 bilhões
para a agricultura familiar. A taxa de juros será subsidiada
para 70% dos recursos disponibilizados aos grandes produtores,
sendo de 6,74% fixos ao ano, e para a agricultura familiar
com a taxa de 2% ao ano, enquanto a taxa básica
Selic está em 12, 25%.
Os preços mínimos dos produtos voltados
para o consumo interno de massas serão ajustados
significativamente. Em relação à safra
passada, o do feijão terá um aumento de 62,22%
, o milho entre 17,86% e 20% e o arroz entre 17,27% e 20%.
Do ponto de vista econômico, o Brasil é um
dos países capazes de ter uma produção
agropecuária de grande porte que atenda sua demanda
interna e de participar ativamente da oferta de grãos
e carnes no mercado internacional. Temos vocação
para isso pela grande disponibilidade de terras férteis,
clima favorável e o domínio de avançadas
tecnologias de produção no setor.
Em realidade, a proposta de se produzir 150 milhões
de toneladas de grãos na safra 2008/2009 ainda pode
ser considerada tímida diante o enorme potencial
produtivo que temos no setor. Mas é inequívoco
que significará importante avanço no rumo
de explorarmos o enorme potencial que temos. Registre-se,
que nos transformarmos em grandes fornecedores de alimentos;
não significa que sejamos um país produtor
de matérias primas agrícolas em detrimento
do desenvolvimento industrial. Ao contrario, podemos explorar
nossas potencialidades no setor que, juntamente com um
desenvolvimento industrial avançado, nos habilitará a
transformar o nosso país em uma nação
próspera e socialmente mais justa.
As medidas anunciadas têm uma significativa dimensão
social ao estimular fortemente a produção
de produtos agrícolas voltados para o mercado interno
como feijão, milho, arroz, trigo e mandioca, todos
fundamentais na cesta básica do brasileiro. Estímulo
materializado na alocação de créditos
subsidiados para a agricultura familiar e no estabelecimento
de uma política de preços mínimos
capazes de garantir o aumento da produção
e rentabilidade do setor.
Essas medidas objetivamente se inserem em uma política
de combate à inflação, na medida em
que estimulam a produção de alimentos e,
com isso, contribui para combater a onda atualmente em
curso de especulação com os preços
dos alimentos. Tais medidas de contenção
da inflação se chocam com as orientações
da última reunião dos bancos centrais dos
países desenvolvidos e do Banco Central tupiniquim,
que preconizam como política de combate à inflação
a restrição creditícia, a elevação
de juros, a recessão enfim.
Ao lançar o PAP, o governo toma uma medida que
na prática materializa uma atitude soberana de nosso
país no que diz respeito à gestão
de nossa economia, ao desenvolvimento de nossa agricultura
e, por conseqüência, da política de crescimento
econômico com distribuição de renda,
ao contrário do preconizado pelos economistas caudatários
da ortodoxia monetarista, encastelados no Banco Central,
que pregam a desaceleração do crescimento.
* Ronald Freitas, advogado, é secretário
nacional de Relações Institucionais do PCdoB.
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Diário Vermelho,
5 de julho de 2008
Paulo Nogueira Batista Jr:
A relação entre inflação e juros
A inflação é o
tema do momento. Na última quarta-feira (2), a Folha
publicou com destaque os resultados de pesquisa do Dieese
que mostram o rápido aumento do custo da cesta básica
em 16 capitais. Nos 12 meses até junho, o aumento
da cesta variou de 27% em Porto Alegre a 52% em Natal.
Por Paulo Nogueira Batista Jr*
As expectativas de inflação continuam subindo.
Segundo o último levantamento semanal do BC, as
estimativas de mercado situam a inflação
medida pelo IPCA em 6,3% em 2008, quase batendo no teto
da meta oficial. A inflação esperada para
2008 vem aumentando há 14 semanas consecutivas.
O que deve ser feito? Como se sabe, a aceleração
da inflação é um fenômeno mundial.
Mas não podemos, é claro, contar com iniciativas
de âmbito internacional. Haverá discursos,
documentos, resoluções, mas de prático
pouco se fará em benefício de países
de renda média como o Brasil.
O governo brasileiro terá de agir por conta própria
e já começou a fazê-lo. O risco, entretanto, é que
a sua reação venha a se basear demais na
alta da taxa de juros, em prejuízo de outros objetivos
da política econômica.
Há diversos motivos para não carregar a
mão no aumento dos juros. Primeiro, o Brasil já detém,
praticamente sem contestação, o título
de campeão mundial da usura. Continua a ser um paraíso
para rentistas e especuladores.
Segundo, se a alta dos juros atingir os investimentos
das empresas que não têm acesso a linhas de
crédito favorecidas, estaremos comprometendo não
apenas o crescimento presente como também o crescimento
futuro da economia. Quanto maior o investimento hoje, maior
tende a ser, no futuro, a taxa de expansão do PIB
compatível com o controle da inflação.
Terceiro, a alta dos juros básicos atinge o próprio
governo. A dívida pública é preponderantemente
interna. Em termos
líquidos, a dívida externa do setor público é negativa.
Grande parte da dívida interna está indexada à taxa
Selic ou tem prazo médio muito curto.
Por último, quanto mais altos forem os juros no
Brasil, maior será a tendência à sobrevalorização
cambial. O estrago nas contas externas já é considerável,
e o governo não deve permitir que a deterioração
continue indefinidamente. O Banco Central projeta um déficit
do balanço de pagamentos em conta corrente de US$
21 bilhões em 2008. O levantamento de mercado acima
referido indica projeções medianas de US$
23 bilhões para o déficit em conta corrente
em 2008 e de US$ 31,9 bilhões em 2009.
Na situação atual, não temos nem
a compensação de um efeito favorável
da valorização cambial sobre as contas públicas.
Como o setor público é credor líquido
em moeda estrangeira, o fortalecimento do real contribui
para aumentar a dívida do setor público.
No período janeiro-maio, por exemplo, os juros nominais
e a valorização cambial contribuíram
para aumentar a razão entre a dívida pública
líquida e o PIB em 2,5 pontos percentuais e em 0,7
ponto percentual, respectivamente.
O grande desafio é domar a inflação
e seus efeitos sobre os pobres sem prejudicar demais o
dinamismo da economia e os investimentos. Alguma redução
no ritmo de expansão do PIB parece inevitável.
A economia vinha crescendo em torno de 6% até o
primeiro trimestre deste ano. Não será surpresa
se a taxa de crescimento diminuir para a faixa de 4,5%
a 5%. Mas a queda será maior se houver uma reação
radical da política monetária.
* Paulo Nogueira Batista Jr é economista
e diretor-executivo do FMI
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Congresso em Foco, 5 de
julho de 2008
Crônica da estagflação
anunciada
Celso Lungaretti*
Um fantasma ronda o mundo: o fantasma
da estagflação.
Dissecando o assunto de todos os ângulos possíveis, economistas,
autoridades governamentais, personalidades e jornalistas alimentam,
no Brasil, a sinistrose que os meios de comunicação irradiam
para toda a sociedade. Ressurgem as remarcações preventivas
de preços, de triste memória.
Existe já um consenso de que este segundo semestre será muito
ruim para nós. Ou o governo federal adotará medidas duras,
obrigando-nos a cortar despesas e privarmo-nos daquilo a que nos acostumáramos;
ou a inflação vai disparar, prejudicando a quase todos,
mas, com maior intensidade, àqueles que têm menos defesas
contra ela (os pobres).
A que se deve este apagão na economia mundial, após tantos
anos de crescimento significativo?
Os expertos sentenciam que os Bancos Centrais das nações
desenvolvidas foram coniventes com operações mirabolantes,
ultrapassando de tal maneira os ativos reais nos quais deveriam estar
respaldadas que o desabamento do castelo de cartas era pura questão
de tempo.
Mas, será que tudo se reduz mesmo a um mero desleixo das autoridades
que deveriam evitar a transformação do mercado financeiro
em cassino?
Ora, a alternância de fases de expansão e retração
econômicas marca o capitalismo desde o seu início. Por
que desta vez seria diferente? De onde os doutos economistas tiraram
a idéia de que o crescimento agora seria ininterrupto? Isto
me parece mais expressão de desejo do que análise isenta.
Segundo Marx, o pecado original do capitalismo é a mais-valia:
como os assalariados não recebem de volta o valor total dos
bens que produzem, estão impedidos de adquiri-los todos, daí o
descompasso entre o estoque de produtos oferecidos e o poder aquisitivo
dos consumidores.
Até a metade do século passado, isto se reequilibrava
de formas dramáticas: desde as queimas de café para evitar
a queda do preço internacional do produto (distribuí-lo
aos carentes estava fora de cogitação!) até as
guerras, que geravam um mercado cativo para a produção
excedente, na forma de armamentos.
Com o advento das armas nucleares, entretanto, os conflitos entre potências
passaram a ter o pequeno inconveniente de poderem extinguir a espécie
humana. Então, desde 1962, ano da crise dos mísseis cubanos,
as crises passaram a ser administradas com mais cautela. Os gigantes
nunca mais se enfrentaram, passando a não intervir quando algum
deles surrava um nanico da sua esfera de influência.
A desigualdade, entretanto, continuou caracterizando o capitalismo,
com a agravante de que os formidáveis avanços científicos
e tecnológicos das duas últimas décadas criaram
plenas condições para proporcionar-se a cada habitante
do planeta o suficiente para uma existência digna.
Em vez disso, o que houve foi um incremento ad absurdum das atividades
parasitárias, totalmente inúteis para o ser humano, cuja
expressão mais conspícua, claro, são os bancos,
amos e senhores do capitalismo atual.
E, para que os bens e serviços continuassem sendo consumidos
independentemente do poder aquisitivo insuficiente dos consumidores,
expandiu-se a oferta de crédito também ad absurdum. Então,
desde as nações até as famílias passaram
a operar com as contabilidades mais insensatas, em que as contas nunca
fecham e os débitos, impagáveis, são sempre empurrados
para o futuro.
É sobre esse pano-de-fundo de artificialidade básica que se projeta
a atuação dos grandes especuladores do mercado financeiro, cujo
campo de ação foi enormemente ampliado pelo advento da internet.
Atribuir-lhes (ou às autoridades que não os policiaram
suficientemente) a responsabilidade pela estagflação
anunciada é tão falacioso agora quanto, por exemplo,
na quebra da Bolsa em 1929. O nome do vilão sempre foi outro:
capitalismo.
A indústria cultural, hoje totalmente a serviço dos poderosos,
incute em seus públicos a noção de que a realidade
presente é a única possível e as opções
existentes são apenas as oferecidas dentro do sistema. Então,
termos de conformarmo-nos com a etapa de vacas magras que se avizinha,
como preço a pagarmos pela fase anterior, em que as vacas nem
sequer foram realmente gordas, com o espetáculo do crescimento
deixando muito a desejar...
Mas, salta aos olhos estarmos, isto sim, pagando pelas mazelas do capitalismo,
que se torna mais nocivo à medida que aumenta o potencial (criminosamente
desperdiçado!) para construirmos uma sociedade igualitária
e livre, em que ninguém mais seja limitado pela necessidade.
Talvez o estímulo à diferenciação e à busca
do privilégio tenha sido essencial no passado, como motivação
para o homem dominar a natureza e alcançar a atual capacidade
de geração de riquezas.
Hoje, entretanto, já temos tudo de que precisávamos.
O que nos aflige não é mais a insuficiência de
recursos, mas sim seu mau aproveitamento, com a desigualdade obscena
condenando nações inteiras e parcelas da população
de outros países a existências subumanas; e a prevalência
de interesses particulares sobre o bem comum levando à dilapidação
insensata dos recursos finitos do planeta.
Não há nenhum mandamento divino ou lei natural que nos
obrigue a seguirmos o rumo atual até o mais amargo fim. Tudo
depende de vontade e consciência, corações e mentes. “Onde
vivem os homens, a ajuda só pode vir dos homens”, disse
o grande Brecht.
*Celso Lungaretti, 57 anos, é jornalista
em São Paulo, com longa atuação em
redações e na área de comunicação
corporativa, e escritor. Escreveu Náufrago da utopia
(Geração Editorial, 2005). Mais dele em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/.
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Agência Brasil, 5
de julho de 2008
TST determina que 50% dos trabalhadores
dos Correios permaneçam no trabalho
Lourenço Canuto
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O Tribunal Superior do Trabalho (TST)
determinou hoje (4) à Federação Nacional
dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos
e Similares (Fentect) que, no mínimo 50% dos funcionários
do setor sejam mantidos em serviço, a fim de assegurar
a realização dos “serviços inadiáveis
e de interesse público”.
Em caso de inobservância o tribunal informou que
vai aplicar multa diária de R$ 30 mil à entidade
representativa. O TST tomou a medida, ao conceder liminar
interposta pela ECT, visando assegurar o cumprimento das
atividades essenciais ao interesse público.
A audiência de conciliação entre a
Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) e os servidores
está marcada para a próxima segunda-feira
(7), de acordo com informação da Fentect.
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Agência Brasil, 5
de julho de 2008
Justiça determina que
insalubridade seja calculada sobre salário contratual
Luciana Lima
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O salário mínimo não
pode mais servir de base para o cálculo do adicional
de insalubridade. A decisão consta na Súmula
228 do Tribunal Superior do Trabalho (TST) publicada no
Diário da Justiça de hoje (4).
Na última sessão do Tribunal Pleno, o Supremo
Tribunal Federal (STF) decidiu que o adicional de insalubridade
deve ser calculado sobre o salário básico,
salvo critério mais vantajoso fixado em acordos
coletivos.
Além disso, o adicional de insalubridade passa
a fazer parte da base de cálculo da hora extra.
A decisão retroage ao dia 9 de maio de 2008. “A
base de cálculo da hora extra é o resultado
da soma do salário contratual mais o adicional de
insalubridade”, decidiu o STF.
A decisão agradou uma das categorias mais atingidas
pelas condições de trabalho insalubres: os
metalúrgicos. Cerca de 20% desses profissionais
recebem o adicional de insalubridade e terão aumento
no contra-cheque.
De acordo com o secretário de Assuntos Parlamentares
da Confederação Nacional dos Trabalhadores
Metalúrgicos (CNTM), Carlos Cavalcante Lacerda,
os trabalhadores vinham recebendo, em média, R$
80 pelo adicional de insalubridade.
Pelos seus cálculos, o adicional agora será de
R$ 400. Lacerda informou que a média salarial da
categoria é de R$ 2 mil.
A maioria dos metalúrgicos que recebem insalubridade
são os que trabalham em fornos e auto-fornos. “O
ideal para nós seria que nenhum trabalhador precisasse
receber o adicional de insalubridade. No entanto, isso
ainda não é uma realidade”, considerou
o secretário da CNTM, entidade que no início
deste ano entrou com uma ação direta de inconstitucionalidade
(Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo a mudança
no cálculo do adicional de insalubridade.
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Gazeta do Povo, 5 de julho
de 2008
Ensino médio
Inscrições ao
Enem serão reabertas na internet
BRASÍLIA - As inscrições para o Exame
Nacional de Ensino Médio (Enem) serão reabertas
entre os dias 7 e 11 de julho, somente na internet, de
acordo com texto publicado ontem no Diário Oficial
da União, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Anísio Teixeira (Inep), órgão do Ministério
da Educação (MEC). O pagamento da taxa de
R$ 35 deve ser feito até o dia 14.
Segundo o Inep, o prazo foi prorrogado porque houve grande
demanda de alunos que escreveram para o MEC informando
que perderam o prazo de inscrição.
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Gazeta do Povo, 5 de julho
de 2008
Conflito
Em Paris, Ingrid diz que Brasil
ofereceu mediação com as Farc
Ex-refém, que deverá ser
recebida pelo Papa, afirma que pretende fazer uma maratona
pelos países da América do Sul
Recebida como heroína em Paris, em meio a especulações
e dúvidas sobre as circunstâncias de sua libertação,
a política colombiana Ingrid Betancourt disse ontem,
em entrevista no Palácio do Eliseu, que o governo
brasileiro se ofereceu como um canal de comunicação
com as Forças Armadas Revolucionárias Colombianas
(Farc).
Indagada sobre a ausência de qualquer referência
ao Brasil nos agradecimentos que ela e o presidente francês,
Nicolas Sarkozy, fizeram a governos da América do
Sul, Ingrid escolheu um tom diplomático. Elogiou o
presidente Lula e acrescentou que o Brasil chegou a se oferecer
como possível interlocutor da guerrilha, que a manteve
refém por seis anos.
“ Toda a América Latina se mobilizou e eu incluo
nesta campanha o presidente Lula’’, disse Ingrid,
sentada entre os filhos Lorenzo e Mélanie. “Eu
sei que ele conhecia o meu caso, sei que ele fez o necessário
para que o presidente (colombiano, Álvaro) Uribe soubesse
que é possível contar com o Brasil para contatos
com as Farc.’’
Visita
A ex-candidata à Presidência da Colômbia
disse que pretende ir ao Brasil em breve para pedir a Lula
que ajude na libertação dos reféns que
permanecem em poder das Farc.
“Reconheço o esforço e o interesse que
o presidente Lula teve pelo meu caso. Espero encontrá-lo
em breve para que ele nos ajude nesta segunda etapa crucial,
que é a libertação dos que ainda estão
na selva’’, disse Ingrid. “Que os brasileiros
não se preocupem, porque, se eles têm a sensação
de que o que fizeram não foi suficiente, terão
sempre uma oportunidade de fazer mais.’’
A mãe de Ingrid, Yolanda Pulecio, que em dezembro “suplicou’’ a
ajuda de Lula para libertar sua filha, deu a entender que
outros países haviam feito mais para merecer os agradecimentos
da família Betancourt.
“Hoje, por exemplo, a (presidente argentina) Cristina
Kirchner me telefonou aqui’’, disse Yolanda à reportagem,
pouco antes de deixar o Eliseu com a filha e os netos. Questionada
se algum representante do governo brasileiro havia feito
gesto semelhante, Yolanda respondeu: “Até este
momento, não.’’
O Vaticano afirmou ontem que o pontífice receberá a
ex-refém assim que possível.
Ingrid também incluiu em seus planos um giro por
países da América do Sul, entre eles o Brasil.
O destaque, porém, mais uma vez foi dado à Argentina. “Eu
quero ir ao Brasil, assim como quero ir à Argentina,
abraçar Cristina Kirchner. Também quero ir
ao Chile, Peru, Equador, e também à Venezuela,
(estar) com Hugo Chavez.’’
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Folha de Londrina, 5 de
julho de 2008
SEU DIREITO
APOSENTADORIA
O que acontece se eu contratar uma empresa
privada para fins de aposentadoria complementar e esta empresa abrir
falência?
As entidades abertas de previdência complementar privada são
reguladas pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (órgão
vinculado ao Ministério da Fazenda) e fiscalizadas pela Superintendência
dos Seguros Privados. Porém não há garantia do governo
em caso de prejuízo, devendo este ser assumido inteiramente pelo
participante.
A lei 11.196/2005 inovou ao trazer a possibilidade de a entidade
aberta de previdência complementar e as sociedades seguradoras
constituírem fundos de investimento, com patrimônio
segregado, vinculados exclusivamente a planos de previdência
complementar. Neste caso, decretada a insolvência da seguradora,
o passivo não se misturaria com o ativo em nome dos cotistas.
Até então o patrimônio dos planos de benefícios
abertos, apesar de constituído por recursos de terceiros (participantes,
segurados e instituidoras), encontrava-se vinculado ao patrimônio
da entidade de previdência complementar. Ocorrida a falência
da entidade, os créditos dos participantes seriam pagos somente
após o pagamento de débitos de natureza trabalhista,
fiscal ou com privilégio para pagamento.
Recomenda-se assim que a contratação se dê com
instituição financeira sólida e que o participante
acompanhe regularmente a saúde financeira do plano mediante
a análise das publicações de balancetes feitos
pelas entidades, obrigadas a apresentar demonstrações
financeiras nos prazos e na forma determinada pela lei complementar
109/01 (art. 40).
Importante ainda é verificar no momento da contratação
se haverá a possibilidade de portar os valores vertidos, ou
seja, transferi-los para outra entidade, e quais seriam as taxas
cobradas para tanto. Deste modo, observado o mau desempenho financeiro
da entidade, o participante poderia migrar para outra que detivesse
maior estabilidade no mercado financeiro.
Patrícia Giovanna Furlan Basso,
advogada
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O Estado do Paraná,
5 de julho de 2008
Produção das
indústrias do Paraná é a que mais cresce
no Brasil
Indústria da edição
e impressão cresceu mais de 200%.
A indústria do Paraná caminha em ritmo acelerado.
Na passagem de abril para maio, a produção
industrial cresceu 4,3%, o melhor resultado entre os 14 locais
pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
No período anterior - entre março e abril
-, a indústria paranaense havia registrado queda de
0,6%. Em nível nacional, a produção
industrial caiu 0,5%, com resultado negativo em oito locais.
Na comparação com maio de 2007, a produção
industrial paranaense cresceu 14% - segundo melhor resultado
do País, atrás apenas do Espírito Santo
(20,3%), e 20.º resultado positivo consecutivo.
O desempenho do Paraná ficou bem acima da média
nacional, que foi de 2,4%. Resultados positivos também
no acumulado do ano - variação de 11% na indústria
paranaense, acima de 6,2% que foi a média do País
- e no acumulado dos últimos 12 meses: 8,1%, pouco
acima da média nacional de 6,7%.
No Paraná, o crescimento de 14% em maio foi puxado
principalmente pela indústria de edição
e impressão, que registrou variação
positiva de 207,6%. Segundo o IBGE, o crescimento atípico
desse setor pode ser explicado pelo aumento de encomendas
especiais de livros e impressos didáticos, conjugado
com uma baixa base de comparação em maio de
2007.
Também contribuíram positivamente a indústria
de veículos automotores (com crescimento de 14,1%)
- impulsionada pelo aumento na fabricação de
caminhões - e a indústria de alimentos (8,4%),
com maior produção de carnes, miudezas de aves
e rações.
Na ponta contrária, os destaques negativos vieram
da indústria de outros produtos químicos (-22,6%),
com redução na produção de amônia;
indústria de máquinas, aparelhos e materiais
elétricos (-19,1%), devido à menor produção
de partes e peças para aparelhos de interrupção
e o setor da madeira (-9%), influenciado pelos painéis
de madeira. Entre as 14 atividades pesquisadas, oito registraram
aumento na produção e outras seis, queda.
Ano
No acumulado do ano (janeiro a maio), a produção
industrial do Paraná cresceu 11% - o segundo melhor
resultado do País, atrás apenas do Espírito
Santo, que cresceu 17,1%. As maiores contribuições
positivas na formação da taxa geral vieram
da indústria de veículos automotores, com crescimento
de 35,5%; máquinas e equipamentos (20,6%), edição
e impressão (25,2%) e celulose e papel (14,9%), devido,
sobretudo, ao crescimento nos itens caminhões e automóveis;
máquinas para colheita e tratores agrícolas;
livros e impressos didáticos; e cartolina, respectivamente.
Por outro lado, os impactos negativos mais relevantes vieram
da indústria de alimentos -com queda de 3%, puxado
pelo decréscimo em carnes e miudezas de aves - e outros
produtos químicos (-12,2%), pressionados principalmente
pela menor produção de amônia. No ano,
oito dos 14 ramos aumentaram a produção na
comparação com o mesmo período do ano
passado.
País
Em nível nacional, oito dos 14 locais pesquisados
pelo IBGE registraram queda na produção industrial
na passagem de abril para maio. Os recuos mais acentuados
ocorreram no Rio Grande do Sul (-4,2%) e Santa Catarina (-3,1%).
As demais taxas negativas foram apuradas no Ceará (-2,2%),
Goiás (-2,1%), Pernambuco (-1,5%), Nordeste (-0,8%),
São Paulo (-0,3%) e Amazonas (-0,2%). Ainda nessa
comparação, além do Paraná, houve
expansão no Rio de Janeiro (2,4%), Espírito
Santo (2,2%), Pará (2,1%), Bahia (1,0%) e Minas Gerais
(0,8%).
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O Estado do Paraná,
5 de julho de 2008
Brasil chegou no fim da festa
do grau de investimento
Mais de um mês depois de o Brasil ter conquistado
o segundo grau de investimento (investment grade), concedido
pela agência de classificação de risco
Fitch no dia 29 de maio, ainda não se confirmaram
as previsões do mercado de que esse fato traria mais
investimentos e empréstimos para o País. Pelo
contrário, junho teve saída líquida
de recursos estrangeiros de US$ 5,57 bilhões na conta
financeira.
Para o diretor-executivo da Fitch Ratings no País,
Rafael Guedes o principal motivo para a frustração
das expectativas até agora é que o Brasil
chegou no fim da festa da economia mundial ao todo da lista
de baixo risco de investimento. "Houve uma festa que
durou muito tempo e agora tudo indica que a festa está acabando:
tem menos bebida, a banda já não toca mais
como antes e há muita gente que bebeu demais",
disse Guedes.
O executivo informou, porém, que há mais
empresas preparando captações no mercado
externo. Guedes destacou que, no longo prazo, o investment
grade ajudará o País a atrair recursos com
custos menores. Ele também disse que, "no futuro,
os fundos de pensão vão ter o Brasil nos
seus índices, mas isso é um processo que
acontece aos poucos, não é logo depois do
investment grade". "Eles têm de fazer uma
seleção", afirmou.
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O Estado do Paraná,
5 de julho de 2008
Termina o prazo para registro
de candidatos
Massaro vai julgar os registros.
A campanha eleitoral deste ano começa oficialmente
amanhã, dia 6. Os candidatos estão liberados
para ir em busca do voto do eleitor, seja distribuindo
propaganda, fazendo comícios e debates e promovendo
carreata pela cidade.
A propaganda eleitoral em rádio e televisão
começa somente no dia 19 de agosto e vai até 2
de outubro. Mas já na próxima semana, a partir
de quarta-feira, dia 9, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE)
vai começar a reunir os representantes dos partidos
para definir a distribuição do tempo do horário
eleitoral gratuito.
E, hoje, dia 5, termina, às 19 horas, o prazo para
que os partidos e coligações requeiram o
registro de candidaturas a prefeito e vereador, às
eleições municipais de outubro deste ano.
Se o partido não fizer a solicitação,
o candidato tem até a próxima segunda-feira,
dia 7, para fazer a sua própria inscrição.
Os pedidos serão julgados pelos juizes eleitorais,
em cada município. Em Curitiba, esta tarefa será do
juiz da 1.ª Zona Eleitoral, Roberto Antonio Massaro.
Na próxima semana, o juiz determinará a publicação
dos nomes, e somente após a divulgação
da lista, que será afixada nos cartórios,
será aberto o prazo de impugnação
das candidaturas.
Durante cinco dias, os partidos ou candidatos podem entrar
com os pedidos de obstrução dos registros.
Até 16 de agosto, todos os pedidos de registro e
de impugnação terão que estar julgados.
Proibições
Os registros podem ser cassados por diferentes motivos.
Um deles é aplicado aos atuais administradores (prefeitos,
vice-prefeitos e presidentes de Câmaras Municipais),
candidatos à reeleição.
A partir de hoje, eles estão proibidos de fazer
publicidade institucional dos atos, programas, obras, serviços
e campanhas dos órgãos públicos municipais
ou das entidades da administração indireta.
A lei excetua da regra apenas casos de “grave e urgente
necessidade pública, assim reconhecida pela Justiça
Eleitoral”.
Ainda a partir de hoje, os candidatos a prefeito e vice-prefeito
também ficam proibidos de participar de inaugurações
de obras públicas. O descumprimento pode resultar
na cassação dos seus registros de candidatos às
próximas eleições.
Também começa a valer a proibição
para que os agentes públicos contratem ou demitam
servidores sem justa causa do serviço público
nas cidades em que haverá eleições.
O veto termina apenas quando os novos prefeitos tomarem
posse, no próximo ano.
Quem ocupa cargos em comissão ou funções
de confiança pode ser exonerado durante o período
eleitoral. E quem for aprovado em concursos públicos
que tenham sido homologados até 5 de julho poderá ser
chamado independente das restrições da lei
eleitoral.
As transferências de recursos também ficam
interrompidas durante a campanha eleitoral, a partir de
amanhã, seja do governo federal para os estados
ou destes para os municípios.
A legislação abre exceções
e permite o repasse de dinheiro apenas para obras em andamento
e com cronograma prefixado e para atender a situações
de emergência e calamidade pública.
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Folha de S.Paulo, 5 de
julho de 2008
Lula proporá ao G8 ação
contra especulação
Entre as medidas, está a fixação
de limite para a atuação de "hedge funds" no
mercado futuro de índices de commodities
Objetivo é evitar a disparada de
preços como o do petróleo e o de produtos agrícolas;
países divergem sobre forma de enfrentar o problema
VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai propor
na próxima reunião do G8 (os setes países
mais ricos e a Rússia) medidas concretas visando uma "ação
mundial coordenada" para reduzir a especulação
no mercado de commodities (como petróleo e produtos
agrícolas, com preços cotados internacionalmente).
Entre as medidas, em elaboração no Ministério
da Fazenda, está a fixação de limites para a atuação
de "hedge funds" (fundos altamente especulativos) no mercado
futuro de índices de commodities a fim de evitar a disparada
de preços como os do petróleo, que atingiu os US$ 145
no mercado internacional nos últimos dias.
Lula participa do encontro como convidado, nos dias 8 e 9, no Japão.
Ele embarca amanhã e quer não só debater o tema
da especulação financeira no mercado de commodities como
defender a adoção de medidas para frear esse movimento.
O assunto já foi discutido na reunião preparatória
do G8, realizada em Osaka no mês passado pelos ministros das
Finanças dos sete países mais ricos e a Rússia.
Na ocasião, o ministro italiano chegou a defender medidas de
regulação nos investimentos especulativos em commodities,
mas não foi apoiado por outros colegas, como dos Estados Unidos
e do Reino Unido. Apesar de haver um certo consenso de que parte da
alta dos preços de produtos como petróleo, soja e milho
está relacionada à atuação de especuladores,
há divergências entre os países mais desenvolvidos
sobre a melhor forma de enfrentar o problema.
Proteção
Analistas costumam destacar que os investidores passaram a atuar fortemente
em commodities depois que outros ativos se desvalorizaram, como dólar,
imóveis e mercado acionário, em busca de proteção
para seu capital.
E decidiram fazer investimentos em mercados de commodities porque há,
hoje, um ambiente propício para especulação no
setor diante de uma demanda mundial crescente e oferta limitada de
petróleo e produtos agrícolas -fator principal para a
disparada dos preços internacionais.
Daí que a solução para o problema passaria mais
pelo aumento da oferta mundial desses produtos e pela adoção
de medidas que pudessem, por exemplo, conter a desvalorização
do dólar provocada pela crise americana e pela redução
dos juros pelo Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos).
O presidente Lula avalia que, independentemente de medidas desse tipo,
os países desenvolvidos precisam adotar "ações
coordenadas" para reduzir a especulação no mercado
de commodities que estão elevando a inflação mundial
e provocando desabastecimento em países pobres.
O Congresso dos Estados Unidos também está debatendo
medidas no mesmo caminho, que contam com o apoio até de megainvestidores
como George Soros. Entre as propostas em discussão no Congresso
americano, está a proibição de que fundos de pensão
apliquem em commodities, o que é criticado pelo mercado e não
conta com o apoio do governo.
Há o temor de que medidas severas na área possam afugentar
os investidores e provocar uma queda acentuada dos preços nesse
setor, provocando enormes prejuízos a empresários do
ramo petroleiro e de produtos agrícolas.
Cálculos apontam, por exemplo, que restrições
na especulação financeira no mercado futuro de petróleo
poderiam derrubar os preços do produto para a faixa entre US$
65 e US$ 75 o barril. O interesse de fundos especuladores pelas commodities
tem crescido nos últimos anos. De acordo com especialistas,
o investimento total no segmento aumentou em cerca de US$ 40 bilhões
em 2007, atingindo a marca de US$ 175 bilhões.
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Folha de S.Paulo, 5 de
julho de 2008
Cidades médias têm
maior crescimento econômico do país
Indústria substitui agropecuária
e impulsiona a expansão de municípios que têm
entre 100 mil e 500 mil habitantes
Crescimento demográfico também é mais
acentuado; cidades grandes perdem participação
no PIB total, pequenas, na população
AMARO GRASSI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
As cidades de tamanho médio vêm liderando a
expansão da atividade econômica industrial brasileira
desde pelo menos o início da década. É o
que demonstra um cruzamento de dados recém-concluído
pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada)
para o período compreendido entre 2002 e 2005.
A pesquisa, feita a partir de estatísticas e estimativas do
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostra
que as cidades com entre 100 mil e 500 mil habitantes superam as demais
em crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), do PIB per capita e
demográfico.
Segundo o Ipea, o PIB nas cidades dentro desse corte cresceu, em média,
a uma taxa de 5,27% ao ano, contra 4,63% das grandes e 4,29% das pequenas
no período. A desagregação dos índices
por setor da economia revela ainda o crescimento do PIB industrial
e de serviços em detrimento da atividade agropecuária.
O crescimento econômico tem se dado à custa das cidades
com mais de 500 mil habitantes, capitais sobretudo, que perdem participação
no total do PIB do Brasil. Mas o aumento populacional cobra o preço
nas cidades abaixo dos 100 mil. Os índices não contabilizam
os anos de 2006 e 2007, de maior crescimento do país.
Apesar do indício de desconcentração regional,
a maioria dos 236 municípios nessa faixa, nos quais vivem 47
milhões de pessoas, ainda está sobretudo na região
Sudeste (118 municípios) (veja mapa abaixo), com alta concentração
no Estado de São Paulo (64). Logo atrás vêm o Sul
(46) e o Nordeste (43).
No entanto alguns dos maiores índices de crescimento demográfico
encontram-se nas cidades médias do Norte (16) e do Centro-Oeste
(13), áreas de fronteira econômica.
Elos de integração
Para essa pesquisa, o Ipea considerou cidades médias os municípios
com população maior do que 100 mil e menor do que 500
mil habitantes. Na prática, contudo, elas podem ser destacadas
de acordo com sua função no sistema urbano nacional.
Para Diana Motta, da Diretoria de Estudos Regionais e Urbanos do Ipea,
elas caracterizam-se por constituir "elos de integração
regional". E podem ser de três tipos, diz: as que gravitam
em torno de regiões metropolitanas; as que centralizam uma aglomeração
de cidades menores; e as isoladas.
Muitas dessas cidades compõem as regiões metropolitanas
das principais capitais e, portanto, não significam necessariamente
interiorização. Cidades que são elos de integração,
mas que devido a um desenvolvimento mais antigo e consolidado ultrapassaram
os 500 mil habitantes, ficam fora desse recorte. Por exemplo, Londrina
(PR), Uberlândia (MG) e algumas de São Paulo, todas do
segundo tipo.
Segundo o diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da
Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo), José Roriz, as empresas procuram no interior proximidade
do acesso à matéria-prima e do mercado e mão-de-obra
especializada. Além disso, "elas saem buscando vantagens
fiscais".
Reaglomeração
A interiorização do desenvolvimento econômico é,
em certa medida, um fenômeno conhecido desde pelo menos meados
da década de 1990. O que a pesquisa do Ipea evidencia é a
reaglomeração em cidades intermediárias, isto é,
que retêm parte do êxodo do interior e atraem investimentos
antes destinados às metrópoles.
Um trabalho do pesquisador do Ipea Lauro Ramos sobre mercado de trabalho,
de 2006, por exemplo, mostra o melhor desempenho das áreas urbanas
não-metropolitanas em fatores como ocupação, ocupação
industrial, desemprego, informalidade e renda de 1992 a 2005.
Há um certo consenso de que a migração econômica
para o interior guarda relação estreita com a abertura
econômica da década passada, que abriu o país à competição
internacional. As melhorias em comunicação e a qualidade
dos serviços prestados nas cidades de tamanho médio foram
facilitadores.
No Estado de São Paulo, onde o processo teve início e
foi mais acelerado, o interior superou a Grande São Paulo em
peso industrial em 2004. Para Motta, não é possível
fazer uma previsão nesse sentido para todo o país, mas
trata-se, sem dúvida, de uma tendência.
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AMARO GRASSI participou da 45ª turma de treinamento da Folha,
que foi patrocinada pela Philip Morris Brasil e pela Odebrecht
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Folha de S.Paulo, 5 de
julho de 2008
FOCO
Estreante, Arapongas
precisa decidir se vale a pena crescer ainda mais
IAGO BOLÍVAR
ENVIADO ESPECIAL A ARAPONGAS (PR)
Em uma cidade com 98% das ruas asfaltadas, a terra vermelha
que foi base da economia cafeeira só é vista
nos canteiros de obra. Dela erguem-se prédios, galpões
e casas, financiados pela riqueza da indústria que
fez Arapongas, no Paraná, superar a marca de 100 mil
habitantes e entrar neste ano no grupo das cidades médias
brasileiras.
A população passou de 85 mil em 2000 para 103 mil, segundo
IBGE. Diante de números crescentes em todas as áreas
-a arrecadação teve um salto de 52% em três anos-,
o secretário municipal de Finanças diz que talvez seja
a hora de desacelerar.
" Esse crescimento também tem custos, e às vezes eles são
maiores do que os benefícios", afirma Josias Gamero.
A preocupação da maioria é aproveitar o bom momento.
O engenheiro araponguense Luiz Antônio Rodrigues, responsável
pela construção de vários galpões industriais,
está fazendo o seu primeiro prédio. E vai ser logo o
maior da cidade, com 18 andares. Enquanto dá detalhes da obra,
orçada em R$ 15 milhões, e diz que a maioria dos 60 apartamentos
está vendida -a R$ 450 mil, cada um-, ele atende o celular. "Aí,
vendemos mais um!" O comprador escolheu uma unidade de outro prédio,
que ainda não começou a ser construído.
Na base do desenvolvimento, está a indústria de móveis.
Há 195 fábricas, quase todas de proprietários
da própria cidade, que tem tradição no setor.
A tendência se fortaleceu em 1975, quando geadas levaram a produção
de café ao colapso. Mas foi o crescimento do poder de compra
das classes populares, principalmente a partir de 2004, que acelerou
a economia local.
Localizada entre Londrina e Maringá, Arapongas começou
a receber parte dos moradores do interior do Paraná que se dirigiam às
duas cidades à procura de emprego. É o caso da cortadora
de tecido Maria Isabel de Souza, de 32 anos. Há três anos,
ela saiu de Centenário do Sul, a 85 quilômetros de Arapongas, à procura
de empregos distantes da roça para ela e o marido. Ele trabalha
como pedreiro.
" Valeu a pena" diz. "Ganhamos mais e nossos filhos estudam em
escolas melhores." Para atender aos novos alunos, duas escolas estaduais
foram construídas neste ano. E a prefeitura já não sabe
se, fora dos dados oficiais, há alguma nova rua sem asfalto.
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Folha de S.Paulo, 5 de
julho de 2008
Desconcentração
favorece diminuição de desigualdades
COLABORAÇÃO PARA A
FOLHA
O crescimento das cidades médias favorece, entre
outras coisas, a redução de desigualdades regionais
e de renda, segundo especialistas. Ao promover uma melhora
na qualidade das ocupações fora das metrópoles,
diminuem diferenças salariais e atraem mão-de-obra
qualificada. Em geral, essas cidades especializam-se em um
ramo de atividade econômica.
Para Lauro Ramos, do Ipea, tem havido uma convergência, desde
o Plano Real pelo menos, da qualidade do emprego criado no interior
e nas metrópoles. O interior urbano "não está mais
tão abaixo das regiões metropolitanas como esteve no
passado", diz. "E é lícito concluir que isso
tenha reflexo na queda da diferença de renda, de uma certa desigualdade."
Mas, se nas capitais e entorno o desenvolvimento econômico se
deu historicamente pela diversificação, no interior está sendo
diferente. A dispersão da atividade econômica industrial
tem se baseado na especialização, propiciando uma relativa
diminuição das desigualdades regionais -ainda muito acentuadas,
no entanto.
De acordo com Clélio Campolina, pesquisador do Cedeplar (Centro
de Desenvolvimento e Planejamento Regional), da UFMG (Universidade
Federal de Minas Gerais), são três as grandes áreas
econômicas do país originadas pela interiorização
e desenvolvimento das cidades médias.
Na região Sudeste-Sul, de industrialização já consolidada,
destacam-se as atividades tecnologicamente mais sofisticadas, como
o complexo metal-mecânico e elétrico, telecomunicações
e indústria química. Setores "com muita complementaridade
produtiva", diz.
Em parte de SP, PR e SC há também forte presença
agro-industrial, ligada à cana-de-açúcar principalmente.
No Centro-Oeste, são indústrias ligadas ao complexo agroindustrial,
e no Nordeste, indústrias de tecnologia menos sofisticada, em
parte transferidas do Sudeste.
Mão-de-obra
Os reflexos do desenvolvimento do interior, e das cidades médias
em particular, também são sentidos nas migrações
internas. Rosana Baeninger, pesquisadora do Nepo (Núcleo de
Estudos Populacionais), da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas),
diz que São Paulo, além de ainda atrair muito, é hoje
o pólo que mais expulsa pessoas no país.
Para ela, essas pessoas estão indo para o interior, que ganha
em capacidade de retenção. "Há um processo
de urbanização no Brasil que independe dos desenvolvimentos
metropolitanos", diz. Com as cidades médias, "acontecerá o
mesmo que ocorreu com as metrópoles, elas vão criar um
entorno regional". (AG)
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