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Gazeta do Povo, 7 de julho de 2008
Trabalho
Mão-de-obra especializada é subutilizada
Estudo mostra que economia brasileira cresce
mais lentamente que o número de pessoas qualificadas
Embora o Brasil esteja longe de ser um expoente mundial em termos de educação,
o país vive um paradoxo: sua economia cresce mais lentamente que o contingente
de pessoas qualificadas. O resultado disso é a subutilização
de mão-de-obra especializada, uma vez que o país não oferece
oportunidades para a utilização da qualificação
obtida por sua população A conclusão é do economista
Roberto Cavalcanti de Albuquerque, diretor-técnico do Fórum Nacional,
organizado pelo Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), em estudo divulgado
recentemente. “É o paradoxo brasileiro. O país tem uma
força de trabalho pouco qualificada, mas ao mesmo tempo não tem
sabido utilizá-la. A economia, nos anos 80 e 90, não foi capaz
de utilizar essa força integralmente”, avalia Albuquerque.
No estudo, o economista chegou ao Índice de Capital Humano (ICH), que
mede a “qualidade” da população com mais de 15 anos
de idade a partir de seus anos de estudo, desde a década de 70. O crescimento
do ICH foi comparado, ano a ano, com o avanço do Produto Interno Bruto
(PIB). Quando a expansão do PIB é maior que o ICH, a conclusão é de
que o país está aproveitando seu estoque de pessoal qualificado.
O cenário dá a entender que a economia aquecida abre oportunidades
para seus profissionais.
No entanto, quando o ICH cresce a taxas superiores às do PIB, ocorre
o inverso: mais qualificações e menos oportunidades. “E
aí é que vemos exemplos de engenheiros trabalhando como taxistas,
advogados como investigadores de polícia e outros profissionais com
mestrado e doutorado prestando concurso para cargos de nível médio.”
Outro reflexo dessa situação é a exportação
de talentos, uma vez que outros países têm condições
de absorver melhor que o Brasil a mão-de-obra especializada. “Hoje
o Brasil paga muito menos por um nível de qualificação
que outros países. É claro que há casos inversos, mas
para demandas muito específicas. No geral, o país paga pouco.”
O casal de engenheiros Pedro Paulo e Themis de Mello, após concluírem
programas de mestrado pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica
(ITA), trabalham hoje numa unidade da Airbus na Inglaterra. Os dois eram funcionários
da brasileira Embraer – o mestrado faz parte do programa de especialização
da companhia –, mas viram na fabricante francesa de aviões melhores
oportunidades. “Sem dúvida lá fora há muito mais
vagas nessa área”, diz Themis. Ela conta que cerca de 20% dos
colegas de mestrado também estão, como ela e o marido, trabalhando
fora do país. Além do trabalho na Airbus, o casal abriu uma empresa
de certificação de aeronaves. “A gente até pensa
em voltar para o Brasil e talvez abrir uma empresa aqui, mas o mercado ainda
está muito imaturo.”
Décadas anêmicas
Nas três décadas e meia avaliadas pelo estudo, somente os anos
70 tiveram um real aproveitamento de mão-de-obra. Também pudera.
De 70 a 79, o país cresceu a uma média de 9% ao ano, uma verdadeira “fábrica
de empregos”, como definiu o ex-ministro da Fazenda Mario Henrique Simonsen.
A relação ICH/PIB é menor que 1, o que denota intenso
uso produtivo do capital humano.
De 80 pra cá, o cenário mudou. “Depois disso, tivemos duas
décadas anêmicas do ponto de vista do crescimento”, diz
o Roberto Albuquerque. A relação ICH/PIB, nestas décadas,
foi de 2,28 no período entre 1980 e 2000. O resultado, segundo o estudo,
foi a “elevada subutilização do capital humano representada
pelo aumento da desocupação” nestas duas décadas.
A boa notícia que a pesquisa traz é que, de 2000 para cá,
o cenário está mudando. A economia tem esboçado sinais
de maior crescimento (o avanço do PIB do primeiro trimestre do ano veio
acima das expectativas, com expansão de 6,8%) e o desemprego tem diminuído.
A relação ICH/PIB, entre 2000 e 2006, caiu para 1,37. “A
fase de grande escassez do emprego está mudando nos últimos três
ou quatro anos. Eu acho que o maior crescimento vai absorver esse volume de
desemprego. E o nível de salário tende a se elevar. Até 2006
a gente tem estatísticas que mostram que o salário real está aumentando
em termos reais”, avalia Albuquerque.
Por outro lado, como há um estoque de mão-de-obra “sobrequalificada”,
a faixa da população com menos anos de estudo tende a ter dificuldade
de se colocar, segundo o autor da pesquisa.
Colaborou André Reguero Marques.
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VERMELHO, 07 de julho de
2008
G-8 começa cúpula cheio
de 'boas' intenções
A Cúpula dos oito países
mais ricos do mundo, que formam o chamado G-8, começou nesta
segunda-feira (7) no Japão, com o objetivo de debater durante
três dias a alta dos preços dos alimentos e dos combustíveis,
a ajuda financeira à África e as mudanças climáticas.
A assembléia anual do
Grupo dos Oito (G-8), os países mais desenvolvidos do planeta,
foi iniciada com uma sessão plenária na qual estiveram
presentes os governantes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos,
França, Reino Unido, Itália, Japão e Rússia.
Participaram também os
presidentes da Austrália, Brasil, China, Índia, Indonésia,
México, África do Sul e Coréia do Sul, entre outros
convidados.
Ao todo os assistentes ao encontro
serão 22 governantes: os oito dessa categoria de grupo dos países
ricos, sete da África e vários de outras economias em desenvolvimento.
A reunião desenvolve-se
no Hotel Windsor Toya, situado no alto de uma colina no norte da ilha
japonesa de Hokkaido, acessível só por uma estrada que
tem cada passo vigiado por efetivos de segurança ou helicópteros.
O encontro foi praticamente
aberto ontem com a chegada do premiê japonês, Yasuo Fukuda,
que encontrou-se quase de imediato, e separadamente, com o presidente
dos Estados Unidos, George W. Bush, e seu colega canadense, Stephen Harper.
O primeiro encontro do G-8 aconteceu
na França em 1975 com representantes dos Estados Unidos, Reino
Unido, Itália, a, então, República Federal da Alemanha
e Japão, além do país anfitrião. O Canadá incorporou-se
no ano seguinte e Rússia em 1997.
Mesmo que não sejam admitidos
ainda novos sócios, a lista de participantes à maioria
das cúpulas aumentou desde então.
A organização
da anterior reunião, há dois anos, correspondeu a Heiligendamm,
Alemanha, e em 2009 terá por sede a localidade da Maddalena, na
ilha italiana de Sardenha.
As prioridades da Cúpula incluem um acordo contra a mudança climática,
medidas para impulsionar a economia mundial e deter o encarecimento dos alimentos
e do petróleo, entre outras.
Mas há poucos indícios
de que os resultados vão estar à altura das expectativas
e a maioria dos especialistas aguarda uma declaração
final cheia de boas intenções, mas poucas decisões.
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VERMELHO, 07 de julho de
2008
Luis Nassif: Tempos turbulentos pela
frente
Há um ingrediente novo que
começará a tomar corpo nos próximos meses:
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convivendo com o
início de queda de sua popularidade. O ponto central é a
inflação. Em cima dela, o agravamento da crise internacional
e o aumento da vulnerabilidade externa do país.
Por Luis Nassif, no Blog do Nassif
Note que, mesmo no período
de maior popularidade de Lula, a imprensa não deu folga um só minuto.
Mesmo agora, o aumento da inflação está quase sendo
comemorado por alguns órgãos. Quando a crise se agravar
e reduzir a popularidade de Lula, se terá, simultaneamente, que
se enfrentar a crise e a guerra política – que ganhará outra
dimensão.
Não serão meses
fáceis. Especialmente porque o Banco Central conseguiu colocar
a economia em uma sinuca.
Quando a inflação estava sob controle, ele deveria ter reduzido
mais depressa os juros e limitado a queda do dólar – principal
instrumento de controle da inflação. Inclusive para poder apelar
um pouco mais para a apreciação cambial, se houvesse necessidade
Gastou tudo quando tinha condições de economizar.
Mais que isso, desde que o IGP
(o Índice Geral de Preços) perdeu fôlego, com a apreciação
cambial, muitos analistas aconselharam a Fazenda a aproveitar o momento
para mudar o indexador de contratos, do IGP para o IPCA (Índice
de Preços ao Consumidor Ampliado).
O IGP em muitos componentes
diretamente afetados por preços internacionais e pelo câmbio
30% de sua composição são preços no atacado – na
verdade, listas de preços cheios de empresas. Os descontos obtidos
pelo varejo quase nunca entram nas contas. 0utra parcela relevante é o Índice
Nacional da Construção Civil (INCC), que pega um mercado
aquecido.
Daqui para frente, a inflação
do IGP vai se irradiar para contratos de aluguel e tarifas públicas,
ampliando os riscos de uma volta da indexação da economia.
O que se terá, portanto, é uma
inflação internacional batendo pesado no país e
o câmbio praticamente batendo no seu limite de baixa. O BC não
pode reduzir os juros neste momento, para não explodir as expectativas.
Por isso, o dólar continuará caindo mais um pouco, talvez
teste o piso de R$ 1,55 ou mesmo R$ 1,50. Já há sinais
claro de saída de recursos das Bolsas e do mercado de renda fixa.
As cotações se mantém nos níveis atuais por
arbitragem nos mercados futuros internacionais.
É questão de tempo
para haver uma inflexão no ritmo do dólar. Provavelmente
no segundo semestre começará novamente a se valorizar.
Aí se terá um impacto adicional sobre a inflação,
uma fase de tensão até que as contas externas se recomponham,
tudo isto servindo de pano de fundo para o terceiro tempo da guerra entre
mídia e Lula.
No plano econômico, qual será a saída? Haverá um
impasse brutal entre a política de juros do BC e os impactos a dívida
pública e o câmbio. Teriam que ser tomadas medidas para impedir
uma apreciação adicional do câmbio, mas o governo Lula é extremamente
ortodoxo e temeroso de tomar decisões que mexam com o mercado.
Prepare-se para tempos
turbulentos.
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 07 de julho de 2008 | Dinheiro
GM analisa despedir milhares de pessoas
e vender marcas, diz jornal
da Folha Online
da Efe, em Nova York
A montadora americana General
Motors analisa a possibilidade de realizar milhares de demissões
em postos administrativos e a venda de algumas de suas marcas, após
a forte queda nas suas vendas e do preço de suas ações,
informou nesta segunda-feira o "Wall Street Journal".
Segundo o diário econômico,
as duas decisões fazem parte de uma grande reavaliação
da estratégia da General Motors, com o objetivo de cumprir a promessa
de voltar a ser rentável até 2010.
O corte de empregos deve ser
aprovado já em agosto, na reunião do Conselho de Administração
da montadora.
Já a venda de marcas deve
ser discutida na reunião. Uma delas, a Hummer, já está à venda
mas ainda não teve propostas. Atualmente a GM vende veículos
de oito marcas diferentes, sendo que cinco delas estão com desempenhos
ruins.
Sobre quais marcas seriam vendidas,
não há consenso. Uma parte das fontes consultadas pelo "WSJ" garantem
que as marcas Cadillac e Chevrolet não seriam postas à venda,
enquanto que outros dizem que até mesmo elas não estão
fora das discussões.
A General Motors também
analisa a possibilidade de oferecer novas ações para obter
capital. Mas, segundo o "WSJ", essa operação
só valeria a pena se fosse duplicada a quantidade de ações
no mercado, dado o preço reduzido dos papéis atualmente.
Analistas calculam que
a montadora precisa entre US$ 10 bilhões e US$ 15 bilhões
de financiamento adicional para seguir operando até 2010.
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 07 de julho de 2008 | Dinheiro
Crise pode deixar 100 milhões
na miséria, alertam ONU e Bird
da BBC
A alta dos preços dos
alimentos ameaça reverter todos os avanços globais com
desenvolvimento e levar 100 milhões de pessoas em todo o mundo
para baixo da linha de pobreza, advertiram nesta segunda-feira o secretário-geral
da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban
Ki-Moon, e o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick.
A declaração de
ambos foi feita na ilha de Hokkaido, no Japão, onde acontece a
reunião de cúpula anual do G8, o grupo dos sete países
mais industrializados do mundo mais a Rússia.
Ambos haviam participado de uma
reunião pela tarde com os líderes do G8 e oito chefes de
Estado ou governo africanos.
Ban e Zoellick cobraram dos países
do G8 uma ação urgente para combater a atual crise e para
prevenir futuras altas nos preços dos alimentos.
Segundo o secretário-geral
da ONU, o mundo enfrenta três crises simultâneas e interligadas
- dos alimentos, do clima e de desenvolvimento --para as quais são
necessárias soluções integradas.
"Nossos esforços
até agora têm sido muito divididos e esporádicos.
Agora é a hora de termos um enfoque diferente", afirmou Ban.
"A ONU está pronta
para ajudar com todos esses desafios globais", disse. Segundo ele, "todo
dólar investido hoje equivale a dez amanhã ou cem no dia
seguinte".
Oportunidade
O presidente do Banco Mundial
afirmou que a atual crise é uma oportunidade para que o mundo
consiga alcançar um caminho de desenvolvimento no longo prazo,
mas que para isso é necessário um comprometimento dos países
ricos por mais investimentos.
Segundo ele, investimentos em
projetos como irrigação podem ajudar a expandir as colheitas,
principalmente na África, e ajudar a combater a escassez global
de alimentos.
"Só 4,9% das terras
aráveis da África são irrigadas, contra 40% no Sudeste
Asiático", observou.
Segundo ele, os caminhos para
possíveis soluções para os problemas atuais já são
conhecidos, mas o que falta são mais recursos.
Impacto dos biocombustíveis
Questionados durante a conferência
sobre o impacto que os biocombustíveis teriam sobre a alta global
dos alimentos, Ban e Zoellick afirmaram que a produção
certamente afeta a atual crise, mas argumentaram que são necessários
mais estudos para avaliar a exata dimensão desse impacto.
Na semana passada, um documento
do Banco Mundial vazado para o jornal britânico "The Guardian" estimava
em 75% a parcela de culpa dos biocombustíveis na alta dos alimentos,
principalmente pelo desvio de cultivos como o milho ou a soja para a
sua produção.
"É verdade
que os biocombustíveis contribuem para o aumento no preço
dos alimentos, mas não está claro quanto", afirmou
Ban. "Acredito que precisa haver mais pesquisas para quantificar
isso."
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AGÊNCIA DIAP, 07 de
julho de 2008
SERVIDOR PÚBLICO
Convenção 151: Comissão
de Relações Exteriores pode votar mensagem
A Comissão de Relações
Exteriores da Câmara dos Deputados poderá votar, nesta
quarta-feira (9), a Mensagem 58/08, enviada pelo Governo, que submete à ratificação
do Congresso Nacional a Convenção 151 da Organização
Internacional do Trabalho (OIT).
A norma estabelece a negociação
coletiva no âmbito do serviço público federal, estadual
e municipal. Também reconhece os instrumentos válidos para
a solução de conflito, a mediação, a conciliação
ou a arbitragem.
Relator
O deputado Vieira da Cunha (PDT/RS) é o relator da proposta no colegiado.
Ele recomenda a ratificação da convenção, com ressalvas
para adaptar o texto à realidade institucional e jurídica brasileira.
Vieira da Cunha cita como exemplo
o termo "trabalhadores da administração pública" empregado
na convenção, o que, no caso brasileiro, excluiria os terceirizados,
por exemplo. Ele propõe a substituição do termo
por "pessoas empregadas pelas autoridades públicas".
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AGÊNCIA DIAP, 07 de
julho de 2008
REPARAÇÃO
Após 7 anos, Maria da Penha
recebe hoje indenização do Governo do Ceará
A biofarmacêutica Maria
da Penha, que dá nome à lei que endureceu as penas
para quem pratica violência doméstica, receberá hoje
(7), após sete anos de espera, indenização de
R$ 60 mil do Governo do Ceará.
Em 2001, a Comissão Interamericana
de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos
(OEA) condenou o Brasil por negligência e omissão pela demora
de 19 anos para punir o ex-marido de Penha, Marco Antonio Herredia Viveiros,
e recomendou o pagamento de indenização à biofarmacêutica.
Economista, Herredia foi condenado
a pouco mais de seis anos de prisão por atirar nas costas de Penha,
deixando-a paraplégica em 1983 e, depois, por tentar matá-la
eletrocutada. O criminoso foi preso em 2003 e já está em
liberdade.
Sancionada pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva em 2006, a Lei Maria da Penha prevê que
os agressores sejam presos em flagrante ou tenham decretada prisão
preventiva. Além disso, aumenta a pena máxima de um para
três anos de detenção. A lei acabou com o pagamento
de cestas básicas ou multas, penas a que estavam sujeitos anteriormente
os agressores. (Com Agência Brasil)
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CONSULTOR JURÍDICO,
07 de julho de 2008
Parte da soma
Atividade rural é contada a
partir dos 12 anos
É admitida, para fins previdenciários, a contagem de tempo de serviço
a partir dos 12 anos de idade. A conclusão é da 3ª Seção
do Superior Tribunal de Justiça, ao acolher ação rescisória
proposta por uma trabalhadora rural do Rio Grande do Sul contra o INSS.
Após falhar a tentativa
de se aposentar judicialmente, por falta de tempo suficiente, a trabalhadora
solicitou e o Tribunal Regional Federal da 4ª Região reconheceu
o seu direito à averbação do tempo trabalhado em
regime familiar, sem a necessidade de recolhimento de contribuição
previdenciária no período de 1965 a 1977.
O INSS recorreu, então,
ao Superior Tribunal de Justiça. Conseguiu reverter o entendimento
favorável à autora. Segundo a decisão da 5ª Turma,
a trabalhadora não poderia computar o tempo de serviço
rural anterior à Lei 8.213/91 para fins de contagem recíproca
de tempo de serviço rural e urbano e para se aposentar por tempo
de serviço, sem a respectiva contribuição.
Na Ação Rescisória
dirigida também ao STJ, a trabalhadora afirmou que o caso não
trata de contagem recíproca, expressão utilizada para definir
a soma do tempo de serviço público ao de atividade privada,
para a qual não pode ser dispensada a prova de contribuição.
O que se discutia no recurso era o direito de a autora averbar o trabalho
rural a partir da data em que completou 12 anos de idade, no dia 2 de
maio de1965, até 31 de janeiro de 1977, o que foi reconhecido
pelo TRF. A trabalhadora sustentou, então, que a decisão
do STJ no Recurso Especial deveria ser rescindida para fazer valer a
decisão do tribunal.
A Ação Rescisória
foi aceita. “A contagem recíproca é, na verdade,
o direito à contagem de tempo de serviço prestado na atividade
privada, rural ou urbana, para fins de concessão de aposentadoria
no serviço público ou, vice-versa, em face da mudança
de regimes de previdência — geral ou estatutário”,
reconheceu a ministra Maria Thereza de Assis Moura, relatora da ação.
A ministra acrescentou que não
se pode confundir tal tese com a da trabalhadora. “A segurada sempre
prestou serviço na atividade privada e pretende a averbação
do tempo de serviço trabalhado como rural a partir dos seus 12
anos de idade.”
Após reconhecer o direito à averbação,
foi examinada a questão sobre a contribuição. Segundo
observou a relatora, a aposentadoria por tempo de serviço é regida
pelos artigos 52 a 56 da Lei 8.213/91, que incorporou no seu plano de
benefícios todos os trabalhadores rurais ao regime geral da previdência
social.
“Com a conversão
da medida provisória 1.523 na Lei 9.528/97, a redação
original do artigo 55, parágrafo 2º, da lei de benefícios,
restou definitivamente estabelecida, assegurando-se a contagem do tempo
de serviço rural para fins de aposentadoria em atividade urbana,
independentemente de contribuição relativa àquele
período”, concluiu Maria Thereza de Assis Moura.
Ficou, então, confirmado
o direito ao cômputo do trabalho rural, a partir do dia 2 de maio
de 1965, sem recolhimento de contribuições previdenciárias,
conforme ficou decidido pelo TRF.
AR 3.629
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 07 de julho de 2008 | Dinheiro
Sem acordo, greve dos Correios continua
em 23 Estados e DF
FERNANDO ANTUNES
colaboração para a Folha Online
A audiência de conciliação
entre o sindicato e a ECT (Empresa de Correios e Telégrafos),
na sede do TST (Tribunal Superior do Trabalho), foi suspensa no fim da
manhã desta segunda-feira sem uma definição sobre
a greve da categoria. Com isso, continua em 23 Estados mais Distrito
Federal a paralisação iniciada na terça-feira da
semana passada.
O presidente do TST, ministro
Rider Nogueira de Brito, propôs intermediar pessoalmente a negociação
mediante a volta de todos os funcionários da empresa ao trabalho.
Duas reuniões semanais, de acordo com a proposta, seriam realizadas
até o fim de julho entre as partes. Porém, Correios e sindicalistas
não chegaram a um acordo, e a audiência no TST será retomada
no próximo dia 15.
Segundo a Fetect (Federação
Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos
e Similares), a categoria reivindica o cumprimento integral de um acordo
assinado em novembro de 2007. Os principais pontos do acordo não
cumpridos seriam a incorporação de 30% de adicional de
periculosidade nos salários, negociação do plano
de carreira e participação nos lucros.
Por sua vez, os Correios afirmam
que o compromisso foi cumprido e mantêm o posicionamento de cortar
o ponto dos grevistas.
Retomada
Como não houve acordo
sobre o fim definitivo da greve, fica mantida a liminar do TST que determina
que pelo menos 50% dos funcionários dos Correios retomem o trabalho,
sob pena de multa diária de R$ 30 mil pelo descumprimento.
"Assim sendo, embora deva
ser reconhecida a utilização da greve como legítimo
instrumento de pressão sobre o empregador, faz-se necessário
resguardar o interesse público, com a manutenção,
ainda que parcial, dos serviços realizados pela empresa",
disse Brito em nota à imprensa, na sexta-feira.
Até o fim da manhã desta
segunda-feira, os Correios não tinham informações
atualizadas da adesão dos funcionários a greve. O último
levantamento, de sexta-feira, apontava que 36% dos carteiros de todo
o Brasil estavam de braços cruzados.
Em São Paulo, que
possui um quinto de todos os carteiros do país, 17% estavam
parados até aquele dia. Em Alagoas, Ceará, Paraíba,
Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe, esse percentual passava
dos 50%.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
07/07/2008
TST intermediará entendimentos com
Correios se carteiros suspenderem greve
Durante a audiência de
conciliação e instrução do dissídio
coletivo da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT)
realizada hoje (7), entre 9h e 11h30, o presidente do Tribunal Superior
do Trabalho, ministro Rider Nogueira de Brito, propôs intermediar
as negociações entre representantes dos trabalhadores e
da empresa, mediante a suspensão da greve a partir de amanhã.
Ele se dispôs a realizar duas reuniões por semana, na sede
do TST, para discutir, pontualmente, cada um dos itens relacionados com
as questões salariais e de benefícios, desde que a greve
seja suspensa, pelo menos até o final de julho.
Os representantes da Federação
Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos
e Similares – Fentect disseram que aceitam “de bom grado” a
intermediação do ministro, mas que dependem de decisões
das assembléias dos trabalhadores quanto à interrupção
da greve.
Os trabalhadores querem a incorporação
de um adicional de 30% sobre o salário básico, que era
pago aos carteiros que trabalham na distribuição em vias
públicas. A partir da aprovação do novo plano de
cargos, carreiras e salários, a ECT substituiu esse percentual
pelo pagamento de um valor linear de R$ 260,00, a título de adicional
de risco, estendido a outros profissionais que participam de atividades
de distribuição e coleta.
A audiência de hoje foi
suspensa e sua continuidade foi marcada para o dia 15 de julho, às
9h, na hipótese de não haver aceitação da
proposta formulada pelo ministro Rider Nogueira de Brito. Neste caso,
não havendo acordo entre as partes, haverá o sorteio do
relator do processo para julgamento do dissídio coletivo pelo
TST.(DC 195656/2008-000-00-00.6)
(Ribamar Teixeira)
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Gazeta do Povo, 7 de julho de 2008
Paraná tem 5,94% do capital
humano
O Paraná responde por 5,94% do capital humano brasileiro, uma participação
bastante alta, que reflete não só o peso demográfico do
estado mas também a qualificação de sua população.
De acordo com o estudo O IDS – Índice de Desenvolvimento Social,
1970-2007 – Uma Ferramenta de Análise da Evolução
Social do Brasil, suas Regiões e Estados, do economista Roberto Cavalcanti
de Albuquerque, o Paraná tem participações praticamente
equivalentes no ICH e no PIB brasileiros. “Significa que não há uma
grande subutilização de capital humano no estado. Ele está gerando
um PIB equivalente à importância de seu capital humano”,
explica Albuquerque.
Com relação ao capital humano, o Paraná aparece com 5,94%
do total nacional, atrás de São Paulo (26,13%), Minas Gerais
(10,25%), Rio de Janeiro (10,04%), Rio Grande do Sul (6,28%) e Bahia (6,02%).
O Paraná também é avaliado em 5º lugar quanto ao
desenvolvimento social entre os estados brasileiros, atrás do Distrito
Federal, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul. A Região
Sul é a melhor avaliada do país neste quesito. (FL)
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Agência Diap, 7 de
julho de 2008
Aumentar a unidade e combater a inflação
Por: João Guilherme Vargas
Netto*
O monstro acordou e os cantadores
da enrolação começam a sua toada. Dizem eles que
o repique inflacionário é provocado pelos ganhos reais
do salário mínimo, pelos reajustes de salários e
benefícios dos aposentados.
Estes enroladores não querem que a gente perceba que na cesta básica
os aumentos superam de muito os próprios ganhos do salário mínimo;
que eles (os aumentos) vêem se acumulando há mais de um ano e
que se aceleram (principalmente nas regiões mais pobres do Brasil e
entre os trabalhadores mais pobres). Há, portanto, muito mais um aumento
especulativo influenciado pelo clima de cassino nos setores financeiros e pelas
dificuldades circunstanciais das economias norte-americana e mundial, do que
uma sistemática e generalizada alta de preços decorrentes do
consumo dos trabalhadores.
O movimento sindical e os trabalhadores odeiam a inflação porque
perdem - e muito - com ela. Exigem firmemente seu controle de maneira a não
se prejudicarem. Mas, convenhamos, com os índices de produtividade superando
em três ou quatro vezes os ganhos reais de salários, como acreditar
que estes causem inflação?
Por experiência própria e acumulada, os trabalhadores não
querem ouvir falar de indexação (dos salários à inflação)
sob nenhuma de suas formas. Seria a aceitação de um processo
que pode e deve ser combatido com êxito, apesar da histeria dos interesseiros.
Este é um tema sério. A unidade de ação das centrais
sindicais – fator decisivo para as vitórias recentes do movimento
sindical – já exige a institucionalização de um
forum permanente de dirigentes das centrais. Seria, por exemplo, o Colégio
de Presidentes, capaz de implementar de maneira unitária, democrática,
correta, fundamentada e tempestiva a luta contra a inflação e
contra as perdas dos trabalhadores. A sistemática reunião de
dirigentes das centrais já vem ocorrendo por conta das discussões
sobre organização e recursos.
A reunião do Colégio de Presidentes para enfrentar a inflação
poderia contar com a valiosa assessoria do Dieese e com a ajuda de especialistas
amigos dos trabalhadores como os professores Luiz Gonzaga Belluzzo, Marcio
Pochmann, Aloísio Teixeira, Carlos Lessa e Waldir Quadros.
Além dessa tarefa imediata, o Colégio de Presidentes deveria
tratar também da organização da 5ª Marcha da Classe
Trabalhadora, em Brasília, com os temas unitários do mundo sindical.
A organização da Marcha servirá para que nos preparemos
para enfrentar a forte contra-ofensiva de nossos adversários no Congresso
Nacional após as eleições de outubro; o perigo desta ofensiva
pode ser avaliado pela estrondosa vitória que obtiveram na Comissão
de Relações Exteriores da Câmara Federal em votação
contra a Convenção 158 da OIT.
(*) Membro do corpo técnico do Diap
e consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em São
Paulo.
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NCST, 7 de julho de 2008
Projeto do governo isenta cooperativas
de impostos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai encaminhar ao Congresso Nacional
dois projetos de lei que beneficiam as cooperativas. O primeiro dá isenção
do pagamento de alguns impostos. O segundo regulamenta o ato cooperativo. As
informações são da Agência Brasil.
De acordo com o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, o projeto
de lei complementar isenta as cooperativas do pagamento do Imposto de Renda
da Pessoa Jurídica, da Contribuição Social sobre o Lucro
Líquido (CSLL), do Imposto sobre Circulação de Mercadorias
e Serviços (ICMS), do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza
(ISS) e do Imposto de Transmissão de Inter Vivos (taxa cobrada sobre
um imóvel sempre que muda de proprietário).
A medida, de acordo com Rachid, vai acabar com o que ele classifica de bitributação
dos cooperados. Atualmente, os trabalhadores de cooperativas pagam imposto
de renda como pessoa física e jurídica, por exemplo.
O projeto de lei ordinário regulamenta o ato cooperativo, definindo
os critérios para a formação de uma cooperativa e a incidência
tributária que cabe ao setor.
De acordo com a Receita Federal, os principais ramos do cooperativismo que
serão beneficiados são o agropecuário, a produção
industrial, a eletrificação rural, o transporte rodoviário
de cargas, de passageiros, trabalho, saúde, habitação,
mineração, educação, social, crédito e corretores
de seguros.
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Congresso em Foco, 7 de julho de 2008
Campanhas turbinadas
TCU admite que não fiscaliza o uso
da verba indenizatória e dinheiro pode ter beneficiado 89
deputados candidados apesar da restrição da lei eleitoral
Tatiana Damasceno
Os deputados federais candidatos nas eleições municipais gastaram,
entre janeiro e junho deste ano, R$ 6.402.652,62 com a verba indenizatória.
O levantamento exclusivo do Congresso em Foco (leia a íntegra), que
tem como base os dados publicados no site da Câmara, revela que apenas
dois dos 89 deputados na disputa pelos cargos de prefeito e vice-prefeito deixaram
de usar o recurso que podem ter turbinado suas campanhas.
É que apesar da aparente transparência, com a publicação
dos dados no seu portal, a Câmara não permite o acesso às
notas fiscais apresentadas pelos deputados para justificar as despesas. Sempre
que aparecem denúncias sobre o uso irregular, a explicação é a
de que as contas são auditadas pelo Tribunal de Contas da União
(TCU). Só que, na prática, o TCU não tem condições
de fazer um controle detalhado sobre estas despesas.
É o que confirma o procurador do TCU, Marinus Marsico. Ele admite que
há dificuldade de controle no uso da verba. “É humanamente
impossível o tribunal auditar estas contas”.
Marinus também entende que como se trata de gasto público, não
há motivo para o sigilo sobre as notas fiscais. O procurador não
vê impedimento legal para o acesso às notas fiscais. “Seria
recomendável o alcance dessa informação à população. É ideal
que todas as indenizações tenham este tipo de publicidade”,
afirma.
A verba de indenização, ou de representação, é o
recurso que os deputados têm a disposição para gastos em
seus estados de origem. Eles são reembolsados pelos gastos com o escritório
nos estados, combustível, consultorias e pesquisas, locomoção
e hospedagem, segurança especializada e divulgação do
mandato.
Cada deputado tem direito ao reembolso de R$ 180 mil por ano, o que dá uma
média de R$ 15 mil por mês. O único gasto limitado é o
de combustível, a R$ 27 mil por semestre, R$ 4.500 por mês. A
medida foi adotada pela Casa depois de denúncias do uso de notas frias
de combustíveis para justificar outras despesas.
Mas é a chamada verba de “divulgação do mandato
parlamentar” que deveria ser vista de perto antes das eleições,
e que como as outras, não sofre nenhuma fiscalização atualmente.
Em ano eleitoral, esta rubrica só poderá ser efetuada até abril,
por conta das restrições da legislação eleitoral.
Entretanto, por conta da falta de transparência na utilização
da verba indenizatória, deputados candidatos podem ter usado a verba
em favor de suas campanhas eleitorais.
Questionada pelo Congresso em Foco se as notas fiscais apresentadas pelos deputados
não seriam genéricas ao ponto de darem margem para usos incorretos,
a assessoria de Relações Institucionais da Câmara respondeu
que a Casa não tem como controlar se os serviços foram realmente
feitos. A assessoria alega que há controle sobre uso da verba indenizatória,
apesar de admitir que não tem como controlar o mau uso dessa.
Ranking dos gastos
Dos 89 candidatos, sendo 81 a prefeito e oito a vice-prefeito, 15 utilizaram
metade do valor disponível de verba para o ano, R$ 90 mil. Entre eles
está o deputado Aldo Rebelo, que desistiu de se candidatar à prefeitura
de São Paulo para ser vice na chapa da ex-prefeita Marta Suplicy (PT).
Dois candidatos não apresentaram nenhum gasto da verba indenizatória:
o candidato à prefeitura de São Paulo, Paulo Maluf (PP-SP), e
Rômulo Gouveia (PSDB-PB), que concorre à prefeitura de Campina
Grande. O deputado paraibano está licenciado do cargo desde fevereiro
deste ano quando foi nomeado secretário chefe da Casa Civil do governador
do seu estado, Cássio Cunha Lima (PSDB). Como estava fora do exercício
do mandato, Gouveia não poderia mesmo fazer uso da verba, mas apenas
ter gastos com seu gabinete em Brasília.
O deputado Francisco Rossi (PMDB-SP) lidera o ranking dos maiores gastos em
despesas com escritório no estado. Rossi disputa a prefeitura de Osasco
(SP). Dos R$ 90 mil que o deputado recebeu para reembolsar suas despesas, R$
53.483,80 foram utilizados para os gastos do escritório que Rossi mantém
em Osasco. O congressista disse ao Congresso em Foco que considera seus gastos “absolutamente
normais”. “Eu não faço nada que seja fora dos padrões”.
Gorete Pereira (PR-CE), candidata à prefeitura de Juazeiro (CE), apresentou
o maior gasto com divulgação do mandato. No total, a deputada
gastou R$ 40.300. Gorete diz que o valor elevado é pelo fato de ser
a única mulher a representar o estado na Câmara e, por isso, ter
que atender a demanda das vereadoras e deputadas estaduais. Ela afirma que
gastou a verba principalmente com uma cartilha sobre a Lei Maria da Penha e
com seu jornal.
O candidato que mais gastou na rubrica “locomoção, hospedagem
e alimentação” é o deputado Pedro Fernandes (PTB-MA),
com R$ 68.447, 18. Fernandes atribui o valor às viagens feitas pelo
estado.
O deputado diz que já visitou 102 cidades este ano. “Os assessores
tem carros e se eu vou pedir um favor o mínimo que tenho que fazer é botar
gasolina no carro deles. Eu tenho que dar 30 litros, 20 litros”, diz.
Para ele, o uso da verba não favorece os congressistas. “Verba
indenizatória não enriquece ninguém. Ninguém vê o
que os ministros gastam. Isso não é o mais importante para o
Brasil”, argumenta.
No quesito “consultoria”, o campeão de gastos foi o deputado
Arnaldo Viana (PDT-RJ), que tenta se eleger na cidade de Campos, no Rio de
Janeiro. Ele gastou R$ 60 mil na rubrica, que inclui consultoria, assessoria,
pesquisas e trabalhos técnicos. A reportagem tentou repetidas vezes
entrar em contato com o deputado, mas não obteve retorno.
“Estou sendo vítima”
Na semana passada, o jornal Correio Braziliense mostrou reportagem mostrando
que um dos candidatos à prefeitura de Londrina, deputado Barbosa Neto
(PDT-PR), foi acusado por um ex-funcionário de gabinete de apropriação
de parte dos salários dos funcionários e desvio de verba indenizatória.
O deputado teria usado recursos da verba destinados à consultoria para
pagar um advogado que atua em seus processos particulares.
Barbosa Neto atribui a denúncia ao fato de estar bem cotado nas pesquisas
eleitorais para a prefeitura de Londrina. “Estou sendo vítima
por conta das eleições municipais. Quero trazer tudo esmiuçado”,
respondeu ao Congresso em Foco.
O deputado não enxerga benefício no fato dos deputados que concorrem
ao pleito deste ano já contarem com todo o aparato disponibilizado pela
Câmara. “É ilegal fazer campanha com estrutura de gabinete,
por isso vou fazer um comitê separado. Eu não gosto de faltar às
sessões na Câmara. Eu gostaria até de pedir licença,
mas fui aconselhado a ficar por conta das votações. Eu não
acho justo faltar”, afirma.
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Gazeta do Povo, 7 de julho de 2008
Eleições
Curitibano vota por obrigação
No perfil traçado pela Paraná Pesquisas,
eleitor da capital se mostra incrédulo em relação
aos políticos
A três meses das eleições municipais, o curitibano dá pistas
de que não está muito preocupado com o pleito. Conforme pesquisa
encomendada pela Gazeta do Povo ao instituto Paraná Pesquisas, a maioria
dos eleitores (51%) não compareceria às urnas se o voto não
fosse obrigatório no Brasil. A largada oficial para a campanha eleitoral
foi dada ontem, com um debate entre os candidatos a prefeito promovido na paróquia
da Barreirinha (leia box).
Os dados coletados pela Paraná Pesquisas demonstram ainda que metade
dos entrevistados vota no candidato e não no partido. Em meio a discussões
sobre fidelidade partidária e reforma política, os resultados
do levantamento ecoam como um sinal aos políticos que vêm por
aí: o eleitor está insatisfeito.
De acordo com Murilo Hidalgo Lopes de Oliveira, diretor da Paraná Pesquisas,
o estudo aponta para a falta de credibilidade da política no Brasil. “O
eleitor vê muitas notícias negativas, então acaba ficando
incrédulo”, afirma. Para o pesquisador, o fim da obrigatoriedade
do voto poderia resultar em uma nova política do “cabresto”. “O
que impera ainda é o poder econômico e muitos candidatos poderiam
utilizar esta possibilidade de forma ainda mais abusiva do que hoje, comprando
literalmente os eleitores”, afirma. O presidente da OAB Paraná,
Alberto de Paula Machado, também diz acreditar que o voto deve permanecer
obrigatório. “Este descrédito é fruto do próprio
mau comportamento de alguns integrantes do poder público. O voto facultativo
abriria uma margem maior para a compra de votos.” Esta, porém,
não é uma posição oficial da OAB. “Vamos
fazer uma consulta para verificar o que os advogados pensam sobre o assunto,
pois é um tema muito complexo e as opiniões são divergentes”,
diz Machado.
Apesar de o voto obrigatório ser exceção no mundo – apenas
24 países estipulam obrigatoriedade –, o professor da Universidade
Federal do Paraná (UFPR) e cientista político, Adriano Codato, é a
favor do voto obrigatório porque, segundo ele, o Brasil tem um contexto
complexo. “Países com tradições democráticas
e uma população com consciência da importância do
estado têm geralmente maior participação nas urnas. Na
França este porcentual chega a mais de 50%. Já nos Estados Unidos
varia em uma margem de 30%. Ambos têm eleições facultativas,
mas tradições diferentes” diz. De acordo com Codato, se
somadas as abstenções, votos brancos e nulos se tem um percentual
próximo a 30%, que pode ser considerado normal em vista da história
política do Brasil. “No nosso país, se fosse abolida a
obrigatoriedade, provavelmente as pessoas que deixariam de votar seriam as
mais ricas, pois são as que menos dependem do Estado”, diz o professor.
O número de eleitores contra o voto obrigatório também
não surpreende o professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa
(UEPG) Émerson Servi. De acordo com ele, estes dados não fogem
da média nacional e também são semelhantes a de outros
países. “No caso brasileiro sou a favor do voto obrigatório.
Ainda temos muitas desigualdades regionais e isso (o voto facultativo) acabaria
reduzindo mais ainda a voz de quem já quase não a tem. Temos
de resolver problemas estruturais primeiro”, afima Servi.
Passado condena
Outro dado que chama atenção na pesquisa é o fato de os
eleitores não avaliarem as propostas dos possíveis políticos
e sim seu passado público: 68% dos entrevistados afirmam escolher o
candidato a prefeito pelo trabalho que já mostrou. “Acredito que
esta resposta se refira a vida pública que os candidatos têm”,
diz o pesquisador Murilo Hidalgo. O cientista político Adriano Codato
observa que “para cargos do executivo, o que importa é a reputação”.
Os eleitores revelaram avaliar mais as propostas de campanha dos candidatos
a vereador. “Isto se deve a proximidade com o político. O cidadão
pode cobrar diretamente o vereador”, afirma Hidalgo. Esta avaliação
pode ser considerada racional por parte do eleitor, de acordo com Codato. “De
certa forma, o cidadão age assim: o voto pela obra. São poucas
as pessoas que votam hoje por ideologia, isto é para extrema esquerda
e extrema direita”, diz o cientista político. O professor Émerson
Servi diz acreditar que os brasileiros ainda têm uma relação
muito personalista com os políticos, mais focada na vida pessoal do
que nas propostas.
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Gazeta do Povo, 7 de julho
de 2008
Eleições
Eleitor desconfia das pesquisas
A grande maioria dos eleitores afirma que
pesquisas não influenciam na escolha do candidato
O estudo sobre o perfil do eleitor curitibano, promovido pela Paraná Pesquisas
com exclusividade para a Gazeta do Povo, também mostrou que parte dos
cidadãos não confia nas pesquisas eleitorais. Quase metade diz
não acreditar nos números divulgados. Contudo, este valor sobe
para 88,67% quando se trata da influência das pesquisas na hora da escolha
do voto. A maioria dos entrevistados não altera sua decisão em
função da publicação de dados sobre a corrida eleitoral.
Este porcentual vai de encontro a polêmica gerada pela divulgação
ou não das pesquisas. Muitos candidatos afirmam que a publicação
poderia influenciar no voto.
Nesse ano, uma decisão do TSE pode piorar este quadro. O tribunal publicou
a resolução nº 22.623 que permite o uso de enquetes sem
registro prévio. Na legislação anterior, qualquer pesquisa
sobre o período eleitoral deveria ser cadastrada para que se pudesse
identificar quem contratou e qual a metodologia utilizada. “Esta nova
resolução permite que se façam pesquisas sem rigor científico
. Se o eleitor não legitima estes dados hoje, com o uso destas sondagens,
isto só tende a piorar”, afirma o pesquisador Murilo Hidalgo,
da Paraná Pesquisas. A Justiça eleitoral afirma que vai fiscalizar
quem não seguir a lei. Porém, de acordo com Hidalgo, as enquetes
podem ser direcionadas e se tornar tendenciosas. “Muitas vezes esses
dados entram como manchetes. Se for publicada uma sondagem em um jornal, deve
constar que não houve rigor científico. Também não
sabemos como será feita a fiscalização nos municípios
menores.”
O advogado Francisco Zardo diz que não há problema se ficar claro
para o eleitor que se trata de uma sondagem. “Se a legislação
for seguida, a sondagem é válida, é uma curiosidade para
o eleitor”, afirma o advogado com atuação em direito eleitoral.
De acordo com ele, a fiscalização ocorrerá por parte dos
cidadãos, candidatos, Ministério Público e Tribunal Regional
Eleitoral. “E se algum jornal utilizar esta resolução de
maneira incorreta, colocando, por exemplo, que se trata de uma enquete em letras
pequenas e a manchete em letras grandes, é uma tentativa de enganar
o leitor, assim como propaganda enganosa. Estes casos serão punidos.” Para
quem descumprir a legislação haverá multa e possibilidade
de detenção.

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FOLHA DE LONDRINA, 07 de
julho de 2008 | Opinião
IBGE abre mais de mil vagas para o
censo 2010
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IGBE) anunciou a
realização de concurso público para contratação
de 700 agentes censitários e 332 analistas censitários, para
trabalharem na preparação do Censo Demográfico de 2010.
O edital para as vagas de analisa ainda não foi divulgado.
O concurso para preencher as
vagas de agente tem como pré-requisito a conclusão do Ensino
Médio. Selecionados trabalharão na atualização
de mapas municipais e cadastro de endereços por um período
de 12 meses, com possibilidade de prorrogação do mesmo
período. No Paraná, 42 cidades receberão os aprovados.
O salário é de
R$ 600,00 por uma jornada de 40 horas semanais, com benefícios
como auxílio alimentação e transporte. Das 700 vagas,
5% serão destinadas a portadores de necessidades especiais.
As inscrições custam
R$ 14,50 e poderão ser feitas pela internet ou nas agências
dos Correios credenciadas. A seleção será feita
por meio de prova objetiva, prevista para a segunda quinzena de setembro.
Outras informações sobre o processo seletivo no www.consuplan.net.
Analista
Os selecionados para as 332 vagas
do cargo de analista censitário vão trabalhar nas 27 capitais
brasileiras. Para concorrer, é preciso ter curso superior completo
em Administração, Estatística, Geografia, Análise
de Sistemas, Ciências Contábeis, Comunicação
Social (Jornalismo e Produção Editorial), Design, Economia,
Engenharia de Produção, Engenharia de Sistema, Pedagogia,
entre outros. O profissional trabalhará na apuração
de dados, infra-estrutura e disseminação de dados do Censo
2010.
A remuneração mensal é de
aproximadamente R$ 4 mil, além de benefícios de alimentação
e transporte para uma jornada de 40 horas semanais. A inscrição
custa até R$ 100,00. Os valores exatos só serão
definidos quando for escolhida, por licitação, a empresa
que realizará o concurso.
Reportagem Local
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FOLHA DE LONDRINA, 07 de
julho de 2008 | Cidades
Reunião tenta colocar um ponto
final na greve dos Correios
Curitiba - Hoje acontece uma reunião de conciliação dos
trabalhadores dos Correios no Tribunal Superior do Trabalho (TST), às
9 horas. No final da tarde, a categoria se reúne em Curitiba, na esquina
da ruas João Negrão e Iguaçu, para avaliar uma eventual
negociação.
Ontem, o Sindicato dos Trabalhadores
nos Correios (Sintcom-PR) realizou um dia de greve ''em família'',
nas imediações da sede estadual na Rua João Negrão.
A manifestação contou com distribuição de
pipoca, algodão-doce, cachorro-quente, brincadeiras e atividades
recreativas para as crianças. A intenção foi reunir
os trabalhadores em greve e seus familiares.
De acordo com o diretor do Sintcom-PR,
Sebastião Cruz, cerca de cem pessoas participaram do protesto
que começou por volta de meio-dia e terminou às 17 horas.
A categoria está acampada no local desde 30 de junho. A greve
começou em 1º de julho.
A paralisação nacional
atinge 23 Estados e o Distrito Federal. Apenas Mato Grosso, Mato Grosso
do Sul e Tocantins não decretaram greve. No Paraná, a adesão
subiu de 70% para 85%, conforme o Sintcom-PR. Mais de 1,5 milhão
de correspondências deixaram de ser entregues no Estado.
Levantamento preliminar do Sintcom-PR
aponta que pelo menos 49 municípios paranaenses estão em
greve, incluídas todas as médias e grandes cidades do Estado.
Os trabalhadores reclamam o descumprimento do acordo sobre adicional
de risco de 30% para os carteiros; a tentativa de imposição
do plano de cargos, carreiras e salários (PCCS) sem negociação
e a não revisão da participação nos lucros,
distribuída de forma desigual.
Andréa Bertoldi
Equipe da FOLHA
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GLOBO.COM, 07 de julho de
2008 | Economia
A mais
Multa do FGTS poderá ter revisão
Elisa Campos - Diário de SP
SÃO PAULO - Cerca de 3 milhões de trabalhadores que sacaram dinheiro
do FGTS antes de 1989 poderão ter direito à correção
da multa de 40% do Fundo, caso tenham sido ou venham a ser demitidos sem justa
causa. Nesse ano, houve uma alteração da lei. Até então,
a quantia sacada do FGTS era computada ao saldo do Fundo na hora do cálculo
da multa de 40%, mas não era corrigida monetariamente, nem acrescida
de juros.
De 1989 para frente, ficou estabelecido
que isso deveria ser feito. No entanto, quem realizou retirada antes
disso não tem o valor do saque corrigido automaticamente pela
Caixa Econômica Federal. É preciso solicitar o serviço
ao banco. Quem mudou de emprego depois do saque, entretanto, não
será beneficiado com a correção, já que a
multa é calculada com base no saldo da nova conta.
Por exemplo: um trabalhador,
com R$ 100 mil de FGTS, que tivesse sacado dois anos antes R$ 20 mil
para compra de um apartamento e fosse demitido. Antes de 1989, a multa
de 40% seria calculada sobre R$ 120 mil. A partir de então, o
cálculo também leva em consideração a correção
monetária, com acréscimo de juros, desses R$ 20 mil, o
que aumenta o valor da base do cálculo.
Segundo o Instituto FGTS, um
profissional que sempre tenha ganhado um salário-mínimo
de janeiro de 1967 a janeiro de 1980, teria acumulado Cr$ 33.877,34.
Caso ele retirasse todo esse saldo para comprar uma casa e esse montante
fosse atualizado, hoje o dinheiro teria rendido R$ 5.822,37, o que daria
um acréscimo de R$ 2.328,94 na multa do FGTS, caso viesse a ser
demitido.
- A atualização
não é automática, embora esteja prevista em lei
- diz Mario Avelino, presidente do instituto. Procurada, a Caixa não
se pronunciou.
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Folha
de S.Paulo, 7 de julho de 2008
Mercado reduz projeção do
PIB de 2009 para até 3%
Inflação e juros em alta sustentam
previsão negativa
DA SUCURSAL DO RIO
A resposta do Banco Central à escalada inflacionária- elevações
da taxa básica de juros- está fazendo com que bancos e consultorias
rebaixem as suas previsões para o desempenho da economia no próximo
ano. E já há quem projete crescimento de apenas 3%.
É o caso da Unibanco. Segundo a economista Giovanna Rocca, os números
da atividade no segundo trimestre, quando divulgados, vão ilustrar a atual
trajetória de desaceleração: "É inevitável,
diante do forte crescimento da demanda. Além disso, a economia já estará sob
o impacto da alta dos juros".
A projeção anterior do Unibanco era de um crescimento de 3,4%-
já bem abaixo da expectativa média do mercado. Segundo a pesquisa
Focus, do Banco Central, que reúne semanalmente as projeções
do setor privado, as instituições financeiras, na média,
esperam crescimento de 4% em 2009.
Mas muitas dessas estimativas estão sendo refeitas nos últimos
dias -à luz de uma dupla pressão inflacionária, externa
e interna. A queda da produção industrial registrada em maio
pelo IBGE (recuo de 0,5% em relação a abril) alimentou a percepção
de muitos analistas de que a economia brasileira se desacelera rapidamente.
Para a LCA consultores, o crescimento do PIB cairá para 3,3% no ano
que vem, resultado de uma pressão que levará o IPCA, índice
usado como meta oficial pelo governo, a estourar o "teto" de 6,5%
neste ano, fechando em 6,8%.
Para evitar descontrole maior da inflação, o Banco Central passou
a elevar a taxa básica de juros desde abril. De lá para cá,
os juros subiram um ponto percentual, de 11,25% ao ano para 12,25%. E há certo
consenso entre os analistas de que fecharão o ano em 14,25%. "Evidentemente é um
cenário de piora. Felizmente, não será recessão,
como tivemos no passado. Mas é mais do que sinal amarelo: o ajuste está a
caminho, com desaceleração geral", diz Francisco Pessoa,
da LCA.
Ele prevê que o consumo caia dos 5,7% registrados no ano passado para
3,8% em 2009. E que a Formação Bruta de Capital Fixo (a taxa
de investimento) migre de 13,4% para 7,8% nesse mesmo período.
Caso se confirmem as projeções do mercado financeiro, o desempenho
da economia ficará bem abaixo do que ainda hoje promete o governo federal.
Na semana passada, na Câmara dos Deputados, o ministro da Fazenda, Guido
Mantega, reafirmou que a meta é sustentar crescimento de 5%, em 2009
e nos anos seguintes.
Capacidade
No início do ano, antes que as pressões inflacionárias
tivessem se intensificado, o mercado já previa um crescimento de, no
máximo, 4,5% em 2009- mas isso num cenário em que o IPCA encerraria
2008 em 4,3%, com juros básicos de 11,25% em dezembro.
" Voltamos à discussão do produto potencial. Ficou claro que
o crescimento [do PIB] de 5,4% [no ano passado] ficou acima. Seja qual for o
PIB potencial, ele não é de 5%", afirma a economista Teresa
Fernandes, da MB Associados.
O PIB potencial é um conceito usado pelos economistas que define quanto
o nível de atividade de um país pode crescer sem provocar pressões
inflacionárias- se o consumo cresce mais do que a capacidade do setor
produtivo de oferecer bens e serviços, a tendência será a
de que os preços subam.
A estimativa de qual seria o PIB potencial brasileiro varia de acordo com a
instituição que realiza a pesquisa e com a metodologia utilizada
(o Banco Central não divulga projeções sobre o assunto)
-e é normalmente combustível para polêmicas entre economistas.
"O aperto monetário de agora mostra que a conta não estava
fechando, foi algo além do que podíamos. Além disso, há pressões
inflacionárias que vêm de fora. É melhor ir devagar e sempre
do que recorrer à ilusão do crescimento que não é sustentável",
conclui Zeina Latif, economista do banco Real. (ROBERTO MACHADO)
|
Folha de S.Paulo, 7 de julho
de 2008
32% das cidades encolheram em 8 anos
Entre os anos de 2000 e 2007, enquanto a
população brasileira cresceu, 1.747 municípios
brasileiros perderam gente | É o caso de, principalmente,
cidades pequenas, que cederam habitantes para regiões metropolitanas
ou localidades de médio porte
Duda Pinto/Folha Imagem

O frigorífico Armour, que, fundado por ingleses em bairro que levou
seu nome em Santana do Livramento (RS), fechou em 1999
ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO
Na contramão de um país
que ainda cresce, 1.747 municípios brasileiros (32% do total)
perderam população de 2000 a 2007. São, principalmente,
cidades pequenas -com menos de 10 mil moradores-, que cederam habitantes
para regiões metropolitanas ou localidades de médio porte
mais industrializadas e com mais ofertas de emprego ou estudo.
Além dessas cidades que encolheram, outras 1.799 (33% do total) registraram
no período crescimento meramente vegetativo, inferior a 1% ao ano. Isso
indica que elas também têm saldo migratório negativo (cedem
mais população do que ganham), mas ainda crescem porque o número
de nascimentos supera o de mortes e compensa a perda por emigração.
As comparações são feitas utilizando o Censo Demográfico
de 2000 e a Contagem da População de 2007, realizados pelo IBGE.
Os Estados onde há maior proporção de municípios
que estão encolhendo são os da região Sul, especialmente
Rio Grande do Sul e Paraná.
Apesar de o fenômeno ser mais intenso no Sul, um mapa feito pelo IBGE
que identifica todos os municípios brasileiros pela taxa de crescimento
ou diminuição mostra que há regiões em vários
Estados que estão perdendo população.
Isso acontece no sul da Bahia, no Vale do Ribeira (sul de São Paulo
e norte do Paraná), no oeste de Goiás e até em algumas
regiões do Norte do país -onde o crescimento demográfico é mais
intenso.
Filhos
No caso da região Sul, onde a proporção de municípios
que encolhem é maior, o coordenador de População e Indicadores
Sociais do IBGE, Luiz Antônio Pinto de Oliveira, destaca que o enfraquecimento
da agricultura familiar e o crescimento da agroindústria e da industrialização
são os fatores que levam essas áreas a perder população.
" Nas pequenas propriedades, as famílias já não seguram
os filhos em suas terras. Eles migram para regiões metropolitanas ou pólos
regionais industriais em busca de melhores ofertas de emprego e de mais acesso
a serviços de saúde e educação", diz Oliveira.
Ricardo Cardoso, estatístico do IBGE, lembra também que o processo
de mecanização da colheita tem contribuído para diminuir
a oferta de empregos em áreas cuja economia é basicamente agrícola.
Além do impacto econômico negativo por causa da perda da mão-de-obra,
esses municípios que encolhem acabam também perdendo recursos
de transferências governamentais, já que várias fontes
de financiamento, especialmente o Fundo de Participação dos Municípios,
levam em conta o número de habitantes para definir quanto cada prefeitura
receberá.
Real
valorizado
No Rio Grande do Sul, o economista José Antônio Alonso, da Fundação
de Economia e Estatística (órgão do governo gaúcho),
diz que, além da crise das pequenas e médias propriedades agrícolas,
nos últimos anos tem contribuído para o esvaziamento populacional
em várias cidades a valorização do real, já que
os produtos dos países vizinhos acabam ficando muito mais baratos, o
que desestimula a indústria.
" Em algumas cidades na divisa com o Uruguai e a Argentina, o comércio é a única
atividade que restou depois que as indústrias desapareceram", afirma.
O economista aponta também que, no caso da região sul do Estado,
contribui para o esvaziamento populacional o fato de a agricultura ser dependente
de poucos produtos.
"É uma região quase de monocultura. No passado, dependia apenas
de gado e de lã. Depois, a lã foi perdendo a força e dando
lugar ao arroz. Essa área tem recebido alguns investimentos, mas eles
são de longa maturação e, no curto prazo, acredito que ainda
serão insuficientes para alavancar a região", diz Alonso.
|
Folha de S.Paulo, 7 de julho
de 2008
Sonho da "carteira assinada" esvazia
pequenas cidades do PR
JOSÉ MASCHIO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM LONDRINA
Os municípios paranaenses
que mais perderam população têm em comum um forte êxodo
rural e terras impróprias para a agricultura mecanizada. O crescimento
econômico do país, nos últimos três anos, ainda
acelerou a fuga de seus munícipes para cidades maiores, em busca
de um trabalho com carteira assinada.
Altamira do Paraná e Nova Cantu (região centro-oeste do Estado)
são as campeãs em perda populacional: 38% e 21% da população,
respectivamente.
Em 2000, Altamira do Paraná (505 km de Curitiba) tinha 6.999 habitantes
e viu esse número minguar para 4.369 no censo do IBGE de 2007. Nova
Cantu (475 km da capital) baixou de 9.914 para 7.795. Nesses municípios,
com forte concentração de pequenos produtores, a falta de perspectiva
econômica fez com que as propriedades fossem vendidas e a população
migrasse para a região metropolitana de Curitiba e cidades maiores na
região, como Campo Mourão e Maringá.
"" Estamos tentando estancar essa sangria populacional com projetos
de geração de renda e trabalho no campo, com forte apoio à pecuária
de leite e à criação do bicho-da-seda. Já estamos
revertendo o processo de migração, que foi grande entre 2002 e
2004", afirma o prefeito de Altamira do Paraná, Ademar Klein (PSB).
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Folha de S.Paulo, 7 de julho de 2008
POPULAÇÃO:
Crescimento no País de 2000
a 2007 foi de 14 milhões
A perda de população em quase um terço das cidades brasileiras
foi compensada pelo crescimento dos municípios de médio porte
e das grandes regiões metropolitanas. De 2000 a 2007, a população
de todo o país saltou de 170 para 184 milhões, uma variação
de 8%. Apesar desse crescimento, a contagem revelou que o país tinha
3 milhões a menos de habitantes do que se projetava no Censo Demográfico
de 2000. Para economizar recursos, não foi feita a contagem nos 129
maiores municípios, que representam 40% da população do
país.
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GAZETA MERCANTIL, 07 de julho de 2008
Gesso amplia espaço na construção
civil
Tecnologia relativamente nova no Brasil, o drywall, sistema de construção
para tetos e paredes feito em gesso, vem ganhando mais espaço no mercado
brasileiro de construção, tradicionalmente erguido em alvenaria, à base
de cimento. Esse fator, aliado ao aquecimento da economia nacional e o avanço
dos lançamentos imobiliários, tem garantido ao drywall um crescimento
superior ao da média da construção civil. As vendas de
materiais de construção cresceram 8,5% em 2007, faturando R$
39,4 bilhões, segundo a Associação Nacional dos Comerciantes
de Material de Construção (Anamaco).
O mercado de cimento, monitorado pelo Sindicato Nacional da Indústria
de Cimento (SNIC) , vendeu 10% mais no mesmo ano, chegando a 45 milhões
de toneladas. Já o consumo de placas de gesso pa-ra drywall teve incremento
de 29% em 2007, para 20 milhões de m, segundo a Associação
Brasileira dos Fabricantes de Chapas para Drywall (Associação
Drywall).
No primeiro trimestre, o setor acumulou crescimento de 20%, com 4,8 milhões
m, e a Associação Drywall projeta alta de 25% até fim
de 2008, tendo em vista que as vendas no segundo semestre costumam ser maiores.
Investimentos
A movimentação do mercado tem levado as empresas do setor - representado
por três multinacionais que se instalaram no Brasil na década
de 90 - a investir em expansão. A francesa Lafarge, tradicional fabricante
de cimento, trouxe a Lafarge Gypsum, sua unidade produtora de gesso, em 1995
para o Brasil. Agora, concluída a expansão da fábrica
em Petrolina (PE) - que passou de uma capacidade de 6 milhões ao ano
para 20 milhões -, investe na consolidação de seus negócios
na América do Sul. Em parceira com a belga Etex, irá construir
uma fábrica na Colômbia que deve ficar pronta no primeiro trimestre
de 2009, com capacidade de 15 milhões m/ano. O investimento, de cerca
de US$ 40 milhões, será dividido entre as duas empresas, e a
produção, inicialmente, irá suprir o mercado colombiano.
Com a mesma Etex, a Lafarge Gypsum também possui uma fábrica
na Argentina, que desde o início do ano usa para complementar o fornecimento à região
Sul do Brasil, uma das que mais cresce na construção em gesso.
As vendas da empresa aumentaram 25% em 2007 e devem crescer mais 25% em 2008. É o
dobro dos 12% da expansão que a Lafarge espera para a produção
de cimento. "Nosso crescimento ganhou impulso com a abertura de capital
das construtoras em 2007, o que incrementou o mercado como um todo", disse
o presidente da Lafarge Gypsum, Mário Castro.
Expansão de capacidade
A tendência de alta também está ampliando os negócios
da Placo, fabricante de placas de gesso pertencente ao grupo francês
Saint-Gobain. O aumento da demanda levará a empresa, em janeiro de 2009,
a uma ampliação de 20% da capacidade de sua fábrica, em
Mogi das Cruzes (SP), que atualmente pode produzir 12 milhões m de chapas
de drywall ao ano. Serão investidos € 2 milhões na compra
de uma nova linha de equipamentos.
A Placo encerrou 2007 com ocupação de 61% da capacidade, e projeta
75% para fechar 2008. As taxas aceleradas de crescimento estão levando
a empresa a se preparar para uma produção maior. A partir de
2010, tanto a Placo quanto a Lafarge devem determinar uma nova agenda de investimentos,
com ampliação de instalações ou a implantação
de uma nova fábrica em alguma outra região do País, a
ser definida.
" Tudo tem o seu tempo de penetração no mercado. Ninguém
gosta do novo. No Brasil se está muito acostumado à alvenaria,
e há uma certa resistência ou desconhecimento quanto ao gesso que
estamos combatendo", disse o diretor geral da Placo, Álvaro Villagrán,
que é também presidente da Associação Drywall.
De acordo com pesquisa de mercado encomendada pela Knauf - empresa de origem
alemã que completa a trinca de produtoras de drywall no Brasil -, a
penetração da solução de gesso nas construções
residenciais não chega a 15%. Todo o resto ainda é feito em alvenaria,
a base de cimento.
A grande presença do drywall está no segmento comercial. Mais
leve, de manuseio fácil e com melhor isolamento acústico que
o cimento, as placas de gesso estão em cerca de 70% das construções
comerciais, como shoppings, hospitais, hotéis e cinemas. Hotéis
da rede Accor, o recém-inaugurado Shop-ping Cidade Jardim, em São
Paulo, e o Museu de Arte Contemporânea (MAC), projetado por Oscar Niemeyer
em Niterói (RJ), são exemplos de empreendimentos que usaram a
estrutura de gesso.
Ainda assim, o consumo no Brasil é baixo. A média é de
0,1 metro por habitante ao ano. É dez vezes menos que na Argentina (1
m por habitante/ano) e vinte vezes menor comparado ao Chile (2 m).
Nos Estados Unidos a alternativa existe há mais de 100 anos, e tem um
consumo de 10 m por habitante ao ano. Em países da Europa, onde o drywall
está há 70 anos, a média anual varia entre 4 m e 7 m por
habitante.
Na Knauf, disse seu presidente, Günter Leitner, o crescimento de 25% ao
ano será suprido pela ocupação maior da capacidade, hoje
em 66%. A partir de 2009, a empresa pondera a expansão das instalações,
que têm hoje capacidade para 12 milhões m de chapas de gesso.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág.
4)(Juliana Elias)
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AGÊNCIA SINDICAL, 07
de julho de 2008
Fiscalização contra trabalho
escravo será reforçada
O Ministério do Trabalho acaba de anunciar que o Grupo Especial de Fiscalização
Móvel, que combate o trabalho escravo e degradante, vai contar com mais
equipes de auditores fiscais. O grupo, sempre composto por auditores do trabalho,
procurador do Ministério Público do Trabalho e policiais federais,
já resgatou mais de 28 mil trabalhadores desde 1995.
Serão criadas mais seis
equipes. Uma específica para a Região Sul do País,
de caráter nacional, e outras cinco equipes que vão atuar
no Mato Grosso. Atualmente, seis equipes de caráter regional já atuam
nos estados do Pará, Maranhão, Goiás, Tocantins,
Mato Grosso do Sul e Bahia.
Segundo o coordenador nacional
do Grupo Móvel, Marcelo Campos, o aumento de denúncias
de uso de mão-de-obra análoga a de escravo nos setores
sucroalcooleiro, de erva-mate e principalmente na indústria de
extração de pinus no Sul, motivou a criação
de novas equipes.
Mais informações:
Telefone (61) 3317.6537
www.mte.gov.br
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VERMELHO, 07 de julho de
2008
Formação: uma exigência
do sindicalismo classista
por Augusto César Petta*
Faz cinco anos que assumi o
trabalho de formação política e sindical no
Centro de Estudos Sindicais -CES, tendo como público-alvo
os dirigentes sindicais. Em sua quase totalidade, aqueles que comparecem
aos cursos, o fazem com o espírito aberto para a aprendizagem.
Para um professor como eu, transmitir conhecimentos e trocar experiências
com aqueles que querem apreender, é muito gratificante.
Os sindicalistas durante os
cursos encontram respostas, mesmo que incompletas, às suas ansiedades
e questionamentos.Via de regra reconhecem a importância do estudo
para a prática sindical e renovam suas energias com novas perspectivas
para as atividades que serão desenvolvidas no período posterior.
Reforçam a consciência da necessidade da formação
contínua.
Nesses tempos de neoliberalismo
e reestruturação produtiva, os sindicatos em geral, respondem às
questões imediatas da categoria, deixando para um segundo plano
o processo de formação política e sindical. Dificilmente
nos dias atuais, os trabalhadores procurarão o sindicato para
solicitar que promova curso, debate, palestra sobre temas sindicais e
políticos.
Sabemos que esse processo de
formação acontece para os trabalhadores de duas formas:
a primeira, na prática, como por exemplo numa greve em que a contradição
capital e trabalho fica muito explícita, ou nas lutas em que os
trabalhadores buscam interferir na definição das políticas
públicas e na gestão do Estado; a segunda, através
do estudo, da pesquisa, da elaboração de textos, dos cursos,
dos simpósios, das palestras e dos debates sobre a realidade social,
política e econômica. Esse processo é mais avançado
quando se consegue articular dialeticamente a teoria e a prática.
Lênin, o grande líder da Revolução Russa ,
ao mesmo tempo que participava intensamente do movimento político,
estudava e escrevia constantemente, refletindo sobre a história
e a conjuntura na qual vários acontecimentos de extrema relevância
ocorriam.
Sempre, o processo de formação foi importante. No início
do século passado, os anarco-sindicalistas, que tiveram a hegemonia
do movimento sindical, durante mais de duas décadas, chegaram a criar
uma Universidade para que os trabalhadores estudassem temas ligados à Filosofia
e às questões sociais e do trabalho. Parece-nos, no entanto,
que essa necessidade cresceu pelo fato de nos situarmos, hoje no Brasil, diante
de um Governo dirigido por um operário e ex-sindicalista. Quando os
governos, se situavam no campo oposto ao nosso, comandados totalmente pela
política neoliberal, não tínhamos dúvidas maiores
de como atuar. Situávamo-nos na oposição ao Governo. Hoje,
diante de um Governo de contradições e de disputa entre interesses
antagônicos - em que ora predominam os interesses do capital, ora predominam
interesses do trabalho - há uma necessidade premente de nos capacitarmos
para adquirirmos condições de atuar de forma propositiva e crítica,
contemplando efetivamente os interesses dos trabalhadores. Torna-se prioritária
a construção teórica e prática de um projeto nacional
de desenvolvimento com valorização do trabalho e distribuição
de renda. A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil- CTB - tem
se empenhado na elaboração e implantação desse
projeto e estimula que as entidades filiadas priorizem a formação.
Nesse sentido, as entidades devem , no mínimo ter uma secretaria de
formação que se responsabilize em realizar atividades e levantar
continuamente a necessidade do debate, para que os diretores e a categoria
como um todo passem por um processo contínuo de formação.
Não basta, no entanto, que a questão
da formação fique sob a responsabilidade de um diretor, é necessário
que os outros diretores também se preocupem com o assunto. O
processo de formação precisa ser fruto de um trabalho
coletivo.Todos os diretores da entidade precisam estar imbuídos
da necessidade de se formarem e de contribuírem na formação
dos outros.Todos, independentemente da função que exerçam,
precisam ter a atenção voltada para a maior politização
dos trabalhadores. Marx dizia que o sindicato precisa ser uma escola
de socialismo, e isso se torna realidade na medida que os trabalhadores
irão adquirindo a consciência da força que têm
, desde que estejam unidos no combate ao sistema capitalista , a consciência
de que o modo de produção capitalista está baseado
na exploração e que será superado e historicamente
será substituído pelo modo de produção
socialista.
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Agência Diap, 7 de
julho de 2008
PREVIDÊNCIA SOCIAL
Redutor de aposentadorias: Seguridade
Social debate fator previdenciário
A Comissão de Seguridade
Social da Câmara realiza audiência pública sobre o
Projeto de Lei 3.299/08, do senador Paulo Paim (PT/RS), que extingue
o fator previdenciário - fórmula aplicada no momento do
pedido de aposentadoria para calcular o valor do benefício de
acordo com a idade e o tempo de contribuição do segurado.
Para o debate foram convidados o presidente da Confederação Brasileira
dos Aposentados e Pensionistas (Cobap), Hermélio Campo; o diretor do
Departamento do Regime Geral de Previdência Social do Ministério
da Previdência, João Donadon; a presidente da Associação
Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência Social (Anfip), Assunta
Di Dea Bergamsco; e o técnico de Planejamento e Pesquisa do Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Leonardo Alves Rangel.
A reunião será no plenário 7, às 9h30, desta quinta-feira
(10).
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Gazeta do Povo, 7 de julho de 2008
Tira dúvida
Conta para salário não é obrigatória
Gostaria de saber se um empregado, ao ser admitido, é obrigado a abrir
conta corrente no banco escolhido pelo empregador. Ele não deveria ter
a opção de ter conta salário? Se houver opção,
onde posso encontrar embasamento legal?
Gisele Razzolini (Curitiba-PR)
Não, o empregado não é obrigado a abrir uma conta-corrente
no banco escolhido pelo empregador, como esclarece o professor de Direito do
Trabalho da Universidade Positivo, Luís Felipe Moraes. O trabalhador
pode optar por receber o dinheiro na boca do caixa ou, ainda, abrir uma conta
salário no banco estipulado pelo empregador. A conta salário
não admite outros depósitos que não o da empresa pagadora
e não pode ser movimentada utilizando cheques. Também não
são cobradas tarifas por movimentação bancária.
Nela, o valor integral do salário será repassado automaticamente à conta
de preferência do trabalhador no mesmo dia do crédito, em até 12
h, sem custo nenhum.
A obrigatoriedade de abertura de conta salário foi determinada pela
Resolução 3.424 do Conselho Monetário Nacional (CMN).
Desde abril de 2007, todo banco deve oferecer a opção da conta
salário aos clientes que recebem seus vencimentos na instituição.
Para contratos de trabalho anteriores ao dia 5 de setembro de 2006, a norma
só vale a partir de 1º de janeiro de 2009.
Moraes também lembra que, na maioria das vezes, os bancos oferecem vantagens
e isenção de taxas para o empregado que optar pela abertura de
uma conta-corrente na instituição. Vale a pena observar as condições
oferecidas e avaliar qual é a melhor opção.
De qualquer forma, o conselho de quem trabalha em instituições
financeiras é optar por administrar seus gastos e receitas em uma única
conta bancária.
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