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Vermelho, 9 de julho de 2008
Milhares de sindicatos não
estão filiados às centrais
A batalha pela legalização
das centrais e a crescente exigência de representatividade estimulam
a concorrência entre as centrais pelos sindicatos, elevando a temperatura
dos processos eleitorais nas bases e demandando maior sindicalização.
Todavia, as centrais não deviam se preocupar tanto com a disputa
por entidades que já são filiadas às centrais, pois
há um universo amplo e pouco explorado de sindicatos independentes.
Ao todo são 4.500 entidades, segundo estatísticas do Ministério
do Trabalho.
Wagner Gomes, presidente da
CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), ciente desta
questão, orientou - durante reunião da direção
nacional da entidade, nesta terça-feira (8) em São Paulo
- os dirigentes sindicais da central a procurarem os independentes.
Ao abordar o tema, o secretário adjunto de Relações Internacionais
da CTB, João Batista Lemos, afirmou que o desafio é trabalhar
três objetivos: “organizar a Central, expandir sua influência
e garantir uma intervenção política justa e firme nas
lutas em curso no país”.
“ A expansão passa pelas eleições nos sindicatos,
para as quais devemos nos preparar melhor, tanto do ponto de vista humano quanto
material e financeiro, criando inclusive um fundo para as disputas”, ponderou
Batista, acrescentando que ao mesmo tempo é indispensável realizar
campanhas de sindicalização e intensificar os contatos com os sindicalistas
independentes.
Em relação à organização “o foco deve
ser na estruturação da CTB nos Estados, com direções
fortes do ponto de vista orgânico e político. É preciso
organizar os setores e ramos de atividade, além de estruturar as secretarias”,
afirmou. Em relação à intervenção política “neste
ano temos as eleições municipais e as campanhas pela redução
da jornada de trabalho, fim do fator previdenciário, convenções
158 e 151 da OIT e a reforma agrária. São bandeiras políticas
da classe trabalhadora que demandam uma grande unidade e mobilização
das bases”, conclui.
Portal da CTB
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O ESTADO DO PARANÁ,
09 de julho de 2008 | Economia
CNI reduz previsão do PIB em
2008 de 5% para 4,7%
Agência Estado
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduziu nesta
quarta-feira (9) a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto
(PIB) em 2008 de 5% para 4,7%, segundo o informe conjuntural do segundo trimestre
deste ano, no qual a entidade publica suas projeções para a economia
brasileira. Segundo a entidade, a queda da projeção para a expansão
do PIB deve-se, principalmente, a uma redução nas expectativas
em relação ao consumo das famílias. No informe conjuntural
do primeiro trimestre, a CNI projetava um aumento do consumo de 7,5%, mas reduziu
agora para 5,5%. Já a projeção de crescimento do PIB da
indústria foi mantida em 5%.
A CNI também revisou para
baixo a previsão de crescimento da Formação Bruta
de Capital Fixo (referente aos investimentos), passando de 14% no informe
conjuntural do primeiro trimestre de 2008 para 10,5% no documento divulgado
nesta quarta.
Na esteira dos analistas de mercado,
a entidade ampliou a sua previsão para o Índice de Preços
ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2008, elevando de 4,7% no último
documento para 6,4% agora, próximo do teto da meta de inflação
deste ano, que é de 6,5%.
A Confederação
Nacional da Indústria (CNI) reduziu hoje a previsão de
crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2008 de 5% para 4,7%, segundo
o informe conjuntural do segundo trimestre deste ano, no qual a entidade
publica suas projeções para a economia brasileira. Segundo
a entidade, a queda da projeção para a expansão
do PIB deve-se, principalmente, a uma redução nas expectativas
em relação ao consumo das famílias. No informe conjuntural
do primeiro trimestre, a CNI projetava um aumento do consumo de 7,5%,
mas reduziu agora para 5,5%. Já a projeção de crescimento
do PIB da indústria foi mantida em 5%.
A CNI também revisou para
baixo a previsão de crescimento da Formação Bruta
de Capital Fixo (referente aos investimentos), passando de 14% no informe
conjuntural do primeiro trimestre de 2008 para 10,5% no documento divulgado
hoje
Na esteira dos analistas de mercado,
a entidade ampliou a sua previsão para o Índice de Preços
ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2008, elevando de 4,7% no último
documento para 6,4% agora, próximo do teto da meta de inflação
deste ano, que é de 6,5%.
Contas externas
Em relação à balança
comercial, a CNI reduziu de US$ 25 bilhões para US$ 20 bilhões
a previsão de superávit comercial em 2008. A queda se deve à revisão
das expectativas em relação às importações,
que subiram de US$ 165 bilhões para US$ 170 bilhões. A
previsão para as exportações foi mantida em US$
190 bilhões.
A CNI também aumentou
a previsão de déficit em conta corrente (saldo de todas
as operações do País com o exterior), de US$ 15
bilhões para US$ 20 bilhões.
Em relação à balança
comercial, a CNI reduziu de US$ 25 bilhões para US$ 20 bilhões
a previsão de superávit comercial em 2008. A queda se deve à revisão
das expectativas em relação às importações,
que subiram de US$ 165 bilhões para US$ 170 bilhões. A
previsão para as exportações foi mantida em US$
190 bilhões.
A CNI também aumentou
a previsão de déficit em conta corrente (saldo de todas
as operações do País com o exterior), de US$ 15
bilhões para US$ 20 bilhões.
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AGÊNCIA SINDICAL, 09
de julho de 2008
Portaria 186: inconstitucionalidade
explícita. Veja parecer de José Carlos Arouca
A Portaria 186, baixada pelo Ministério do Trabalho no dia 10 de abril
passado, vem semeando confusão no movimento sindical ao estimular a
fundação de novas entidades, em flagrante desrespeito ao princípio
da unicidade sindical consagrado na Constituição de 88.
Segundo levantamento da Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS), entre os dias 16 de
abril e 24 de junho foram publicados 63 editais somente no Diário
Oficial da União de comissões pró-fundação
de Sindicatos, Federações e Confederações
(de trabalhadores e de empregadores).
A situação parece
incontrolável, de forma que várias entidades começam
a se movimentar no sentido de acionar o Supremo Tribunal Federal (STF),
através de Ação Direta de Inconstitucionalidade
(Adin), contra a portaria. A iniciativa se sustenta em opiniões
de eminentes autoridades jurídicas, como o desembargador aposentado
do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, José Carlos
Arouca, cujo parecer reproduzimos.
Na prática – O
embate já extrapolou o terreno jurídico para se instalar
no dia-a-dia sindical, como ocorreu na tarde de 3 de julho, na sede da
CUT, bairro do Brás, Capital paulista, quando se tentou fundar
a Federação dos Trabalhadores no Comércio e Serviços,
ligada à Contracs-CUT. Houve aglomeração, bate-boca
e registro de boletim de ocorrência no 8º DP contra a tentativa
de fundação.
Clique
aqui para ler a íntegra do parecer
Mais informações:
Saiba mais sobre a portaria 186
www.diap.org.br
www.mte.gov.br
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MIDIAMAX NEWS, 09 de julho de 2008 | Economia
Construção Civil em
MS oferece reajuste salarial de 6%
João Prestes
As indústrias da construção civil do Estado oferecem reajuste
salarial de 6% aos 11.766 funcionários formais do setor, segundo informou
hoje (9) o Sinduscon/MS (Sindicato Intermunicipal das Indústrias da
Construção de Mato Grosso do Sul).
O aumento é retroativo a 1º de maio deste ano e vale para todos
os trabalhadores nas indústrias de construção civil e
do mobiliário de Mato Grosso do Sul, excluídos os municípios
de Corumbá e Ladário, de acordo com a convenção
coletiva celebrada entre representantes dos patrões e empregados.
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CONSULTOR JURÍDICO,
09 de julho de 2008
Lista transparente
Site pode publicar lista de candidatos
com ficha suja
por Daniel Roncaglia
O vereador de São Paulo,
Beto Custódio (PT), não conseguiu retirar do ar informações
do site Excelências sobre suas contas de campanha rejeitadas pela
Justiça Eleitoral. Custódio concorreu a deputado em 1998.
A juíza Maria Silvia Gomes Sterman, da 1ª Zona Eleitoral
de São Paulo, julgou na terça-feira (8/7) improcedente
representação do vereador contra a ONG Transparência
Brasil, que mantém em seu site informações sobre
a vida pregressa de candidatos e políticos.
“Em diversos princípios
constitucionais verifica-se expressamente a defesa do direito à informação,
a despeito da existência de outros tantos ali previstos de forma
incidental ou de possível aferição”, anotou
a juíza. Para Maria Silvia, no caso, no entanto, não houve
violação de qualquer outro princípio que pudesse
justificar uma ordem para a não divulgação da informação.
A juíza cita decisão
de igual teor tomada na segunda-feira (7/7). O juiz Marco Antônio
Martin Vargas, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, julgou
improcedente representação do vereador de São Paulo
Ricardo Teixeira (PSDB), que pedia direito de resposta ao jornal Metro
por reportagem baseada em dados da Transparência Brasil.
Em parecer, a promotora Maria
Amélia Nardy Pereira destaca que as informações
do site são dados públicos e lembra que a Transparência
Brasil abre espaço para os políticos apresentarem seus
argumentos e justificativas.
Claudio Weber Abramo,
diretor do Transparência Brasil, diz que a decisão mostra
que a Justiça Eleitoral e a Procuradoria não estão
comprando a idéia de que a vida pregressa de candidatos é irrelevante. “O
eleitor precisa conhecer a vida pública e pregressa do candidato”,
diz.
Abramo acredita que o site simplifica
a vida do eleitor ao reunir em um só lugar informações
essenciais sobre os candidatos. “É um ganho. Se tivesse
que procurar sobre cada indivíduo em vários lugares, seria
uma dificuldade para o eleitor”, afirma.
O advogado Guilherme
Amorim Campos da Silva, que defende a ONG, argumentou na sua
defesa que o acesso à informação é um direito
fundamental para o voto livre e consciente. “A Constituição
assegura o acesso à informação, inclusive dos
candidatos a cargos públicos”, afirma.
Silva lembrou ainda que o site
disponibiliza espaço para resposta dos políticos. “É um
processo e uma informação pública”, reafirma
o advogado. Ele diz que este é o primeiro ataque que o site sofre
nestas eleições. No entanto, é comum durante anos
eleitorais o site ser contestado na Justiça.
Semana passada, o presidente
da Associação dos Magistrados do Brasil, chegou a criticar
a falta da especificidade da Transparência Brasil ao publicar os
processos a que respondem candidatos em todo o país. A associação
de juízes pretende publicar uma lista semelhante.
Clique
aqui para ler a decisão.
Clique
aqui para ler o Parecer do MP.
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CONSULTOR JURÍDICO,
09 de julho de 2008
Trabalho terceirizado
Empresa paga créditos trabalhistas
se utiliza serviços
A falta de prova de que não era beneficiada pelo serviço de uma
copeira, contratada por outra empresa, fez a indústria de alimentos
Emegê ser responsabilizada subsidiariamente pelos créditos trabalhistas
da funcionária. Ela foi contratada e demitida pela empresa Ki-Massas
Produtos Alimentícios. A decisão foi confirmada pela Subseção
I Especializada em Dissídios Individuais (SBDI-1), do Tribunal Superior
do Trabalho.
Para a ministra Maria Cristina
Irigoyen Peduzzi, ficou provado que a empresa se beneficiava do trabalho
da copeira, e, por isso, deve responder subsidiariamente pelas verbas
que não foram pagas, na forma da Súmula 331, IV, do TST.
Depois de ser admitida, em maio
de 1995, como auxiliar de embalagem, ela passou a exercer a função
de auxiliar de produção e, por fim, de copeira, até ser
demitida sem justa causa, em setembro de 2003. Em janeiro de 2004, reclamou à 4ª Vara
do Trabalho do Distrito Federal que não recebeu as verbas rescisórias
e pediu, entre outros itens, a responsabilização subsidiária
da Emegê pela dívida. O pedido foi negado.
A copeira recorreu e o Tribunal
Regional do Trabalho da 10ª Região reverteu a decisão
a seu favor. A empresa foi condenada subsidiariamente ao entendimento
de que embora o contrato entre as duas empresas estabelecesse que cabia à Ki-Massas
produzir, embalar e acondicionar os produtos de panificação
para a Emegê, a prestação de serviço ocorreu
sob as características do processo de terceirização.
Para a segunda instância,
ficou provado que o todo o controle da produção da Ki-Massas – da
qualidade aos estoques – era feito diretamente em suas instalações
por profissionais da Emegê.
A empresa recorreu. O recurso
foi negado pela 4ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que entrou
com embargos no SBDI-1. Para a ministra Maria Cristina Peduzzi, as alegações
de que o contrato teria sido rescindido litigiosamente não são
motivos para isentar a Emegê da responsabilidade.
Segundo a ministra, faltou aos
embargos da empresa “elemento suficiente para infirmar a conclusão
do acórdão regional no sentido de que foi beneficiada pelo
labor da empregada, figurando, pois, como tomadora dos serviços”.
E-ED-RR-77-2004-004-10-00.2
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CONSULTOR JURÍDICO,
09 de julho de 2008
Impactos sociais
Os biocombustíveis e a dignidade
do trabalhador
por Euclides Di Dário
Investir em alternativas energéticas
e incentivar a criação de empregos é indiscutivelmente
uma necessidade para qualquer nação. Que existem, nesse
setor, muitos interesses envolvidos também é claro. A transformação
da cadeia energética exige, contudo, um detalhado planejamento
para que os efeitos negativos sejam identificados e solucionados e o
saldo seja amplamente positivo para a sociedade.
O preço do petróleo
está em alta e os combustíveis fósseis são
apontados como um dos principais causadores do aquecimento global. Os
biocombustíveis se apresentam como uma alternativa energética
menos poluidora. O Brasil lançou nos anos 70 o pró-alcool
e hoje o etanol é largamente utilizado na frota automotiva brasileira.
O Brasil pretende transformar-se no maior produtor mundial de biocombustíveis.
O Programa Nacional de Produção
e uso do Biodiesel (PNPB) é sem dúvida inovador e seu lançamento
trouxe a expectativa de que ele traria uma nova matriz de produção
na área de energia, com avanço na inclusão social
de agricultores familiares e os pequenos produtores rurais dos assentamentos
da reforma agrária na cadeia de produção do biocombustível.
Trouxe também a perspectiva de redução da agressão
ambiental causada pelos combustíveis fósseis. Existem,
contudo, preocupações em relação a implantação
do programa.
A utilização da
soja, por exemplo, pode causar aumento da devastação para
seu plantio, que avança sobre o cerrado e a floresta amazônica
e seus biomas. As condições de trabalho também merecem
nossa atenção. Há que se avaliar, então,
os impactos ambientais e os sociais. Quais serão os efeitos para
a floresta, para a biodiversidade e para a produção de
alimentos? Haverá agravamento no conflito de terras, como serão
as relações trabalhistas? Haverá diminuição
ou aumento da pobreza e da exclusão social?
Em termos de criação
de empregos é preciso coibir a exploração da mão
de obra barata que se dá através de trabalho escravo e
de trabalho infantil. Essas chagas existem e existiam antes mesmo do
inicio da produção de biocombustíveis e o receio é que
sua ocorrência aumente e fuja ao controle do Estado. Há ainda
que se proteger os pequenos produtores que são os que mais empregam,
em relação as grandes investidores que poderão apoderar-se
de toda a cadeia de produção.
Temos que aprender com o processo
de produção do etanol. Os trabalhadores, em diversos casos,
estão sujeitos a uma super exploração. Eles realizam
um trabalho árduo, sujeito a acidentes, a jornada de trabalho é excessiva,
a alimentação é precária e a remuneração é baixa.
Em relação ao trabalho
dos cortadores de cana a pesquisadora Maria Aparecida de Moraes Silva,
da Unesp, afirma o seguinte: “Este trabalho, por ser extremamente
penoso e perigoso, pois, além das mortes por excesso de esforço,
o número de acidentados é muito elevado, causa um desgaste
galopante da força de trabalho”.
A argumentação
segundo a qual interesses de petroleiras estejam criando problemas
no programa brasileiro de produção de biocombustíveis é,
ao meu ver, frágil. Que há interesses contrariados, os
há, mas é necessário demonstrar um planejamento
robusto de mudança da cadeia energética. Os resultados
falarão por si. É preciso controlar impactos ambientais,
regulamentar a produção e priorizar a dignidade dos trabalhadores.
O respeito aos direitos trabalhistas e às condições
adequadas de trabalho representam uma vitrine do plano de biocombustíveis.
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Vermelho, 9 de julho de 2008
Joílson Cardoso: patrões
decretaram guerra à Convenção 158
Garantir a ratificação
da Convenção 158 da OIT (Organização Internacional
do Trabalho), que proíbe demissão sem justa causa, não
será tarefa fácil para o movimento sindical e a classe
trabalhadora brasileira, na opinião do secretário de Política
Sindical e Relações Institucionais da CTB (Central dos
Trabalhadores e Trabalhadoras do brasil), Joílson Cardoso.
Falando durante a reunião
da direção nacional da central, nesta terça-feira
(8) em São Paulo, Cardoso contou que o forte lobby patronal
na Comissão de Relações Exteriores e Defesa da
Câmara Federal para derrotar a mensagem presidencial que propõe
a ratificação da Convenção 158 acabou surgindo
efeito. No último dia 2, a comissão aprovou por 20 votos
a 1 o parecer contrário à iniciativa do deputado Júlio
Delgado (PSB-MG).
Subestimação
Representantes do patronato compareceram em peso na reunião da comissão,
em contraste com a representação dos trabalhadores. O movimento
sindical não concedeu a devida importância ao tema, subestimando
sua relevância, segundo o dirigente da CTB.
A convenção tem extraordinária importância para
o movimento sindical, pois é um passo fundamental para fortalecer a
organização de base dos trabalhadores e trabalhadoras ao regular
o término das relações de trabalho e restringir as possibilidades
de demissão. Graças à liberdade absoluta que o capital
desfruta de demitir, o Brasil possui hoje uma das mais altas taxas de rotatividade
da mão-de-obra no mundo.
Mobilização
A Comissão de Relações Exteriores e Defesa da Câmara
Federal decidirá numa próxima reunião se pede o arquivamento
da mensagem, como advogam os partidários do lobby patronal, ou se a
encaminham para apreciação de outras comissões. “É preciso
estar atento aos desdobramentos desta luta e ampliar a mobilização
em defesa da Convenção 158”, alerta Joílson.
Ele também criticou duramente o deputado Júlio Delgado, cujo
relatório traduz com muita fidelidade os pontos de vistas dos capitalistas. “Ele
não seguiu a orientação do PSB, que reiterou em várias
instâncias uma posição favorável à Convenção
158 da OIT”, assegura o sindicalista, que também é secretário
sindical nacional do PSB e entrou com representação no partido
contra Delgado e dois outros parlamentares socialistas (Marcondes Gadelha,
da Paraíba e o carioca Eduardo Lopes) que votaram contra os interesses
da classe trabalhadora.
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Vermelho, 9 de julho de 2008
Emergentes levarão ao G8 preocupação
com comida e petróleo
Embora as decisões do
G8 já tenham sido sinalizadas, Brasil, China, Índia, México
e África do Sul (componente do G5) levarão nesta quarta-feira
(9) ao grupo dos sete países mais industrializados do mundo e
a Rússia sua preocupação com a crise mundial de
alimentos e a disparada nos preços do petróleo. O discurso
das potências emergentes foi articulado em reunião nesta
segunda-feira (7) na cidade de Sapporo, na Ilha de Hokkaido, no Japão.
“As causas do aumento dos
preços dos alimentos são múltiplas e complexas,
mas concordamos que não é justo e não se deve culpar
as economias em desenvolvimento por esses problemas”, disse o presidente
do México, Felipe Calderón, ao final do encontro de cerca
de uma hora e meia. O México coordena o G5, que representa cerca
de 45% da população mundial.
Afinados na versão de
que a especulação nos mercados que comercializam safras
futuras é uma das principais causas da inflação
tanto dos alimentos quanto do petróleo, os líderes do G5
defendem, em seu documento final, um sistema financeiro estável,
ordenado e transparente. Também pedem um maior envolvimento da
comunidade internacional e de organismos internacionais. “Buscamos
acelerar inovações tecnológicas e incrementar a
cooperação internacional para melhorar a produção
agrícola no mundo”, resumiu Calderón.
Clima
Com relação às
mudanças climáticas, inicialmente o tema central da cúpula
do G8, o G5 frisa que a cabe aos países ricos – e maiores
poluidores – liderar o processo global para redução
de emissões. “Não se deve debitar dos países
em desenvolvimento o que é uma clara responsabilidade dos países
desenvolvidos, que devem assumir a liderança nesse tema”,
afirmou o presidente, frisando a necessidade de investimentos em novas
tecnologias e seu acesso a custo razoável. O México chegou
a propor a criação de um Fundo Verde, sugestão que
será analisada pelos demais países do G5.
Ainda que sutilmente, Brasil,
México, China, índia e África do Sul reiterem a
reivindicação de uma participação mais ativa
no G8 – afirmam que é preciso melhorar a coordenação
entre as economias avançadas e as economias emergentes. O G5 participa
como convidado do G8 desde a cúpula de 2005, em Gleanegles, na
Escócia, mas apenas em reuniões ampliadas, sem qualquer
interferência nos processos decisórios do grupo de poderosos.
Embora tenha cogitado não
comparecer ao G8 deste ano justamente pela falta de influência
dos países em desenvolvimento, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva mostrou que está disposto a continuar dialogando
mesma que pela atual fórmula: sugeriu que em 2009 o G5 se reúna
meses antes da cúpula do G8 (que será realizada na Itália)
para articular posições. Caso a proposta seja aceita pelos
demais países, a reunião deve ocorrer no Brasil.
“A expectativa é que
esse diálogo possa ter influência, cedo ou tarde, no que
pensa o próprio G8”, afirmou à imprensa o ministro
das Relações Exteriores, Celso Amorim. “Água
mole em pedra dura tanto bate até que fura.”
Fonte: Agência Brasil
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Folha de S.Paulo, 9 de julho
de 2008
Ricos e emergentes colidem sobre o
clima e a inflação
G8 promete cortar em 50% emissões
de gases que causam aquecimento até 2050 | Meta é criticada
por não ser "vinculante" e pela falta de objetivo
no médio prazo; blocos divergem sobre ação contra
alta global de preços
Associated Press/RIA Novosti

Da esq. à dir., Bush (EUA), Fukuda (Japão), Sarkozy (França),
Medvedev (Rússia), Harper (Canadá) e Barroso (UE) plantam árvores
para celebrar encontro do G8
CLÓVIS
ROSSI
ENVIADO ESPECIAL A HOKKAIDO
O G8, o clube dos sete países mais ricos do mundo e a Rússia,
e o G5 (Brasil, China, Índia, África do Sul e México)
chegam para a cúpula conjunta de hoje com posições bastante
divergentes, quando não diretamente em confronto, como fica explícito
nos comunicados finais que cada grupo emitiu separadamente ontem.
No capítulo "mudança climática", que deveria
ser o principal tema dos encontros de Hokkaido (Japão), o G8 terminou
sua própria cúpula com a decisão de "compartilhar" com
todos os países a meta de reduzir pelo menos em 50%, até 2050,
as emissões dos gases que causam o aquecimento global. Mas a meta "não é vinculante
para o G8", conforme a Folha ouviu no Ministério de Relações
Exteriores japonês.
Já o G5 (Brasil, China, Índia, México e África
do Sul) preferiu dizer que "não se deve responsabilizar os países
em desenvolvimento pelo que é clara responsabilidade dos países
desenvolvidos".
Decodificando a embolada linguagem diplomática: ambas as partes reiteram
as posições que trouxeram para Hokkaido.
O Japão e a União Européia, favoráveis à meta
de reduzir as emissões em 50% até 2050, tentaram convencer os
Estados Unidos a endossá-la. Mas o presidente George Walker Bush insistiu
em que a China e a Índia também deveriam assumir compromissos
fortes.
Resultado: o G8 terminou por jogar para o restante do planeta a responsabilidade
de, "juntos", alcançar a meta, sem o que os Estados Unidos
não se comprometem com ela. Como China e Índia, membros do G5,
devolvem a bola para o campo dos países ricos, fica tudo como estava.
Ainda mais que não houve, conforme já se previa, a fixação
de metas para o médio prazo (2020), por mais que o comunicado do G8
diga que fazer progressos rumo à meta de 2050 "exigirá objetivos
de médio prazo e planos nacionais para alcançá-los".
Com isso, o debate se transfere para as negociações no âmbito
das Nações Unidas, que já tem reunião marcada para
2009 em Copenhague, em tese o novo marco zero da negociação sobre
mudança climática.
Preços
No segundo tema relevante das cúpulas de Hokkaido (a situação
econômica global, com destaque para a disparada de preços de alimentos
e petróleo), as ênfases são igualmente diferentes.
Os países ricos não anunciaram nenhuma medida realmente de impacto
para enfrentar o duplo desafio. No caso do petróleo, cobraram dos países
produtores que aumentem a curto prazo a produção e a capacidade
de refino, para aumentar a oferta. Para reduzir a demanda, "é importante
fazer esforços adicionais para aperfeiçoar a eficiência
energética assim como promover diversificação da energia".
Platitudes, portanto.
Já o G5 prefere, de novo, devolver a bola ao mundo rico, ao afirmar
que "não é justo culpar as economias em desenvolvimento
por esses problemas" [altos preços do petróleo e da comida].
Mais: a cúpula do G5 pôs ênfase na especulação,
como um dos principais fatores a provocar a disparada dos preços tanto
de alimentos como do petróleo. A do G8 minimiza esse aspecto.
O chanceler Celso Amorim chegou a lembrar que "o que se vende de petróleo
nos mercados futuros equivale à demanda de toda a China". Ou, posto
de outra forma, "há clara contaminação entre os preços
futuros e os atuais", diz o chanceler.
O único ponto de concordância entre os dois grupos é na
necessidade de que se estude o problema dos preços, em especial o de
alimentos e commodities. O G8 encomendou a um grupo de peritos o monitoramento
e o apoio à Força Tarefa sobre a Crise Alimentar Global, já criada
no âmbito das Nações Unidas. Caberá a ela estabelecer
um "quadro abrangente de ação".
Já o G5 limitou-se a dizer que é "urgente diagnosticar o
problema e apontar soluções".
As duas teses respondem, direta ou indiretamente, à constatação
de que ninguém tem certeza sobre as causas da chamada "agflação",
a disparada de preços de alimentos. Há vários fatores,
que vão desde o aumento da demanda em grandes países emergentes,
como China e Índia, até quebras de safras por desastres naturais,
passando pela especulação que tanto preocupa o G5.
Qual o peso de cada fator, no entanto, ainda é matéria em aberto.
Os dois grupos ficarão frente a frente hoje, em dois momentos. Primeiro,
na reunião entre G5 e G8. Depois, no MME (Meeting of Major Economies
ou Encontro das Maiores Economias, do qual participam os países do G8
e do G5 mais Austrália, Indonésia e Coréia do Sul). Em
tese, deveriam discutir mudança climática, até porque
esses 16 países respondem por 80% das emissões de gases que causam
o aquecimento global. Mas, se depender do G5, será dada "ênfase
particular aos incrementos de preços de alimentos e energia", afirma
o presidente do México, Felipe Calderón.
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Congresso
em Foco, 9 de julho de 2008
CCJ aprova restrições a candidatos
com ficha suja
Por meio de votação simbólica,
a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)
do Senado acaba de aprovar uma proposição unindo 21 projetos,
de diferentes partidos, que dispõem sobre a inelegibilidade
de candidatos a cargos eletivos. Relatada pelo senador Demóstenes
Torres (DEM-GO), a proposta impede o registro de candidatura daqueles
que já tenham condenação na Justiça, em
qualquer instância. A matéria segue agora para o plenário,
onde deve ser votada amanhã (9). Caso seja aprovada na Câmara
e no Senado, e sancionada pelo presidente Lula, valerá só a
partir de 2010.
Apresentada na CCJ na forma de substitutivo,
a proposta altera a Lei Complementar nº 64/1990, a chamada Lei
das Inelegibilidades. Segundo o texto do substitutivo, ficarão
impedidos de disputar eleições aqueles que foram condenados,
em qualquer instância, pela prática de crimes como tortura,
terrorismo e racismo (e os demais hediondos), os dolosos contra a vida,
contra a administração pública ou o sistema financeiro,
bem como por improbidade administrativa.
Ao deixar a reunião na CCJ, Demóstenes
explicou que, segundo a proposta, os chamados processos com trânsito
em julgado (sentença definitiva, sem possibilidade de recursos)
não são mais o único critério para a inelegibilidade.
O senador explicou que, ao proferir condenação a um candidato,
juízes de primeiro grau determinam automaticamente a proibição
de registro de candidatura.
Entre outros pontos, a proposta impede que
deputados e senadores renunciem para manter os direitos políticos
em processos por quebra de decoro parlamentar, com o objetivo de concorrer
a novos pleitos eleitorais. Segundo Demóstenes, a renúncia
levará à inelegibilidade por oito anos. Além disso,
candidatos à reeleição devem deixar o cargo quatro
meses antes das eleições. Em caso de segundo turno, explica
Demóstenes, o prazo de desligamento será um mês.
"Todo mundo que está no poder tende
a usar o cargo para conseguir a sua reeleição. Essas
medidas vão fazer com que a vida pública cresça
e nós tenhamos uma maior oportunidade de eleger representantes
melhores", acredita Demóstenes.
Força-tarefa
A disposição em aprovar a proposta
se intensificou no dia 24 de junho, quando uma reunião no gabinete
de Pedro Simon (PMDB-RS), que reuniu Demóstenes e Jarbas Vasconcelos
(PMDB-PE), ensejou a apresentação de um projeto de unificação
das 21 matérias sobre o assunto. Na ocasião, os membros
da CCJ ressaltaram a necessidade de que a matéria tramitasse
em regime de urgência até a votação em plenário.
“Hoje o Brasil é o país
da impunidade. Tem político que a gente conhece, com muitos
anos de política, com mais de 30, 40 processos, dezenas de condenações,
mas nenhuma de caráter definitivo”, criticou Pedro Simon
(leia).
Para justificar a importância Demóstenes
disse que, caso os senadores não promovessem as alterações
na Lei de Inelegibilidades, o Judiciário novamente acabaria
por legislar no lugar do Congresso. “Muitas vezes o STF decidiu
em decorrência de nossa omissão”, disse o parlamentar
goiano, lembrando da questão da fidelidade partidária,
cuja apreciação e definição de diretrizes
ficou a cargo do STF e do TSE.
Otimismo
Ao Congresso em Foco, o presidente da CCJ,
senador Marco Maciel (DEM-PE), destacou a necessidade de adequação
na Lei das Inelegibilidades. "Acrescentamos novas inegibilidades às
já existentes. Isso representa uma avanço, mas [sua vigência]
dependerá do plenário do Senado e, em seguida, da Câmara
dos Deputados", disse, lembrando que o "parágrafo
nono" da Constituição permite que lei complementar
promova adequações à lei.
"Que nós possamos ter essa lei
em vigor a partir de 2010. É um avanço que se dá no
sentido de melhorar as instituições políticas
brasileiras", acrescentou Maciel, recorrendo ao estadista José Bonifácio. "A
política deve ser filha da moral e da sã razão."
Mais cedo, ao chegar ao Congresso, o presidente
do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), reafirmou seu otimismo em relação à chegada
da matéria em plenário, já nesta quarta-feira,
para votação. “Acredito que esse projeto será aprovado.
Pode ser que haja alguém com restrição ao projeto,
mas não há uma manifestação clara disso.
A tendência é de aprovação”, resumiu
o peemedebista. (Fábio Góis)
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Folha
de S.Paulo, 9 de julho de 2008
Para membros do conselho, defesa de Paulinho é frágil
Pedetista nega participação em
suposto desvio no BNDES e admite ligação com Moura | Paulo
Piau (PMDB), relator do processo no Conselho de Ética da Câmara,
afirma que questões ainda precisam ser respondidas pelo deputado
MARIA CLARA CABRAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O depoimento do deputado
Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical,
teve, na opinião dos membros do Conselho de Ética da
Câmara, dois pontos vulneráveis: a explicação
sobre o cheque de João Pedro de Moura, no valor de R$ 37,5
mil, destinado para a ONG Meu Guri, e a ligação do
parlamentar com o coronel da Polícia Militar, Wilson Consani.
Ontem, por cerca de duas horas, Paulinho deu explicações aos
membros do conselho e negou as acusações de participação
em esquema de desvio de dinheiro do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social).
No depoimento, Paulinho tentou explicar diversas vezes a transação
realizada com Moura em torno de um apartamento. Segundo o deputado, Moura,
que foi conselheiro do BNDES, teria doado o imóvel, avaliado em cerca
de R$ 80 mil, para a Meu Guri, presidida por Elza Pereira, mulher do deputado.
Como não foi vendido e acumulou dívidas, Moura deu o cheque de
R$ 37,5 mil para "comprar de volta" o apartamento.
" Ele precisa dar uma explicação mais contundente, pois essa
está muito vulnerável. São questões que ainda precisam
ser respondidas", disse o relator do processo no conselho, Paulo Piau (PMDB-MG).
Paulinho também admitiu que conhecia "e bem" Moura e que o
ex-assessor esteve diversas vezes em seu gabinete para conversar sobre a Força
Sindical. O deputado negou saber que Moura usava cartões com seu nome,
mas admitiu que as gravações interceptadas pela Polícia
Federal com citações de "Paulinho" dão a entender
que se referem a ele.
" Não nego que o conhecia [Moura], e bem, e que várias vezes
ele esteve em meu gabinete. Não nego que o Paulinho citado [nas conversas]
induz a ser Paulo Pereira da Silva. Mas nego as acusações. Não é preciso
ir longe para conhecer alguém que use o nome de outro para obter prestígio",
disse.
Em seu relatório, a PF constatou que Moura figurou formalmente como
testemunha da doação de R$ 1,32 milhão feito pelo BNDES
para a ONG Meu Guri. Meses depois de assinar o contrato prevendo a liberação
da verba, Moura foi nomeado conselheiro do banco.
Outro ponto fraco do depoimento, na opinião dos membros do colegiado, é a
ligação de Paulinho com o coronel da Polícia Militar,
Wilson Consani, apontado pela PF como operador do esquema de desvio de verbas
do BNDES.
O pedetista admitiu ainda que falou com Consani na véspera em que a
Operação Santa Tereza foi deflagrada. Paulinho alega, porém,
que a gravação divulgada que falavam sobre uma "operação" não
era a da PF, e sim uma operação que envolvia uma das filhas do
deputado.
No relatório do corregedor-geral da Câmara, Inocêncio Oliveira
(PR-PE), é citada uma ligação, interceptada pela PF, em
que Adriana Consani, mulher de Consani, conversa com seu marido sobre o contato
feito com Paulinho para falar sobre as prisões realizadas pela operação.
Apesar de o relatório da PF mostrar que, durante a conversa, o casal
fez seis citações a Paulinho, o deputado nega ter feito qualquer
contato com Adriana. "As informações dele são completamente
divergentes da corregedoria", disse Efraim Filho (DEM-PB).
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FOLHA DE LONDRINA, 09 de
julho de 2008 | Cidades
Quando o menor de idade pode trabalhar?
Assunto voltou a ser discutido após
decisão da Justiça que atingiu a Liga dos Engraxates
de Londrina
Celso Pacheco
A decisão judicial que
atingiu a Liga dos Engraxates, há duas semanas, gerou uma grande
polêmica em Londrina. A FOLHA tem recebido diversas manifestações
de leitores contrários à decisão. A principal preocupação
de quem defende a continuidade do trabalho desses engraxates é que,
sem esse trabalho, de que forma os jovens vão aproveitar o seu
tempo ocioso.
Segundo a sentença, os
jovens que fazem parte da entidade podem continuar atuando nas funções,
cabendo à Liga, ''o mais rápido possível'', encaminhá-los
para outras atividades. ''Dizer que esses jovens, a partir da sentença
estão totalmente desamparados não é verdade. Em
relação a novos jovens a sentença é taxativa,
não pode a Liga submetê-los à condição
que vinha'', afirma o procurador do Trabalho em Londrina Alberto Emiliano
de Oliveira Neto, que entrou com ação e que resultou na
decisão judicial.
Segundo o advogado da Liga dos
Engraxates, Paulo Alceu Dalle Laste, a principal alegação
do Ministério Público do Trabalho é que não
se tratam de menores aprendizes nem de uma atividade profissionalizante,
e que esses jovens, todos entre 16 e 18 anos, não têm carteira
assinada nem vínculo de emprego com a entidade. ''Mas a Liga é uma
entidade assistencial que só os encaminha para que eles tenham
uma renda própria e possam se manter. Não há relação
de emprego'', explica, acrescentando que não há como discutir
o assunto sem abordar também a realidade social em que esses jovens
estão inseridos. ''O trabalho como engraxates é o que lhes
implementa os direitos constitucionais, a existência digna, a valorização
do trabalho, a erradicação da pobreza, a justiça
social; isso não é o Estado quem está dando a eles,
mas a Liga'', defende.
O advogado acrescenta que a instituição
ainda realiza acompanhamento escolar, encaminhamento para cursos profissionalizantes
e que o trabalho de engraxate não é a principal atividade
promovida pela Liga. ''Também nos preocupamos com o futuro deles,
entendemos que ser engraxate não é um trabalho em si para
levar para a vida, mas é uma atividade que pode servir de ponte
para que esses jovens sejam encaminhados para as empresas.''
''Não há nenhum
problema em um menor de idade trabalhar. A Liga pode atuar dando assistência
na formação profissional, acolhendo esses jovens e dando
cursos. Mas o trabalho como engraxate não implica necessariamente
na formação profissional. É só um meio de
obterem renda mensal'', argumenta o procurador. Ele lembra que, segundo
o artigo 428 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT),
pode ser contratado como adolescente aprendiz o jovem com idade entre
14 e 24 anos.
A perspectiva de futuro oferecida
pela função de engraxate é questionada também
pela professora de Direito Constitucional da Universidade Estadual de
Londrina (UEL) Vilma do Amaral, que há 15 anos coordena um projeto
sobre o ECA. Ela ressalta que não está defendendo que esses
jovens fiquem ociosos, mas sim que o tempo gasto com esse trabalho poderia
ser utilizado de outra forma. ''As pessoas dizem que esses adolescentes
deveriam trabalhar para não ficarem ociosos, mas por outro lado
qual o preparo eles estão tendo para serem recebidos pelo mercado
de trabalho? Não seria mais interessante buscar ensinamentos que
fossem mais proveitosos para o futuro deles? O que é melhor, eles
estarem nas ruas engraxando sapatos ou trabalhando como aprendizes dentro
de uma empresa?''
Para a professora, mesmo que
se extinguisse esse trabalho de engraxate, isso não acarretaria
em um dano social tão relevante, nem que não pudesse ser
substituído por adultos. ''Comenta-se que não existe falta
de trabalho, mas de mão-de-obra especializada. Por que não
direcionar a formação desses jovens a essas áreas,
para que o mercado possa absorvê-los?'', sugere. (Colaborou Fernanda
Borges)
Adriana Ito
Reportagem Local
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FOLHA DE LONDRINA, 09 de
julho de 2008 | Cidades
Como funciona a Lei do Aprendiz
Juridicamente, há três institutos legais que tratam do trabalho
de adolescentes: a Constituição, o Estatuto da Criança
e do Adolescente (ECA) e a Consolidação das Leis Trabalhistas
(CLT). Pela lei, adolescentes com menos de 14 anos em hipótese alguma
podem praticar qualquer atividade com caráter laboral. Entre 14 e 16
anos, ele pode atuar apenas como adolescente aprendiz, desde que seja oferecida
formação para a inserção para o mercado de trabalho
e que esse jovem continue frequentando o ensino regular.
Já a partir dos 16 anos, é possível
enquadrar-se tanto na lei do aprendiz quanto arranjar um emprego com
carteira assinada e jornada normal de trabalho, sem distinção
salarial e com os mesmos direitos trabalhistas. Neste caso, a única
diferença é que, entre os 16 e os 18 anos, esse adolescente
não pode executar trabalho insalubre, perigoso, penoso, em horário
noturno ou que comprometa sua educação.
Para o trabalho dos jovens da
Liga dos Engraxates ser inserido na legislação do adolescente
aprendiz, seria preciso que esses adolescentes pusessem em prática
o aprendizado profissionalizante. Como não há esse vínculo,
para a professora Vilma do Amaral, da UEL, a Liga é apenas uma
entidade que presta assistência aos jovens, e, dessa forma, não
poderia colocá-los para atuar como engraxates. Para ela, também
não seria possível conciliar estudos, trabalho de engraxate
e aprendizado profissionalizante porque este último precisa ser
teórico e prático. Assim, as três atividades significariam
uma carga horária excessiva para esses jovens.
De acordo com a CLT, as empresas
são obrigadas a ter em seu quadro funcional entre 5% e 15% de
aprendizes entre as funções que demandam formação
profissional. ''Mas será que são todas as empresas que
comportam isso? O MP do Trabalho deveria atuar fiscalizando as empresas,
para ver se estão cumprindo a lei'', alega o advogado da Liga
dos Engraxates, Paulo Alceu Dalle Laste.
Já o procurador do Trabalho
Alberto Emiliano de Oliveira Neto apresenta uma situação
completamente inversa: muitas empresas estariam reclamado que não
conseguem cumprir essa cota mínima ''porque não encontram
jovens com a qualificação técnica para ocupar essas
vagas''.
Segundo o procurador, o MP está atuando
para forçar as empresas a cumprir essa cota, por meio de denúncias
e através de um trabalho em conjunto com a Delegacia do Trabalho,
e há hoje em andamento 10 procedimentos investigativos e uma ação
civil pública relativos à lei do aprendiz. Além
disso, foi realizada uma audiência pública em março
para tratar da lei, e todo mês um procurador do trabalho participa
de uma reunião do fórum de educação profissionalizante.
''Quando entramos com ações,
as empresas dizem no processo que não estão encontrando
jovens para preencher essas vagas. Me parece que está faltando
uma comunicação nos dois lados, não só em
relação à Liga, mas em relação a
todos os jovens que vem encontrando dificuldade muito grande em igressar
no mercado de trabalho de forma digna'', ressaltou. (A.I. e F.B.)
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FOLHA DE LONDRINA, 09 de
julho de 2008 | Economia
Siemens anuncia corte de 16.750 funcionários
Demissões não devem atingir
a unidade industrial do Paraná, informou sindicato
Curitiba - A companhia de eletrônicos e engenharia alemã Siemens
informou ontem que vai eliminar 16.750 empregos em todo o mundo como parte
de seu plano para cortar gastos com vendas e com administração.
A atitude também faz parte das medidas de reestruturação
da empresa.
Do total, 12,6 mil empregos serão
eliminados como resultado de cortes de gastos com administração
e 4,15 mil em consequência da reestruturação. Na
Alemanha, cerca de 5,25 mil postos de trabalho serão afetados.
A assessoria de imprensa da companhia informou que serão feitos
10 mil cortes na Europa e o restante em outras localidades. O Brasil
ainda não foi citado. Isso significa que os cortes não
estão descartados nas fábricas brasileiras. A Siemens possui
hoje sete fábricas no País.
O presidente do Sindicato dos
Trabalhadores das Indústrias de Eletroeletrônicos de Curitiba
e Região Metropolitana (Seletroar), Paulo Bastos, disse que, na
semana passada, o setor de Recursos Humanos da fábrica de Curitiba
informou que não devem ocorrer cortes na unidade industrial do
Paraná. A fábrica de Curitiba produz centrais de telefone
e telefone sem fio e emprega cerca de 700 funcionários.
''Contra o cenário de
economia desacelerada, precisamos nos tornar mais eficientes'', declarou
o presidente da empresa, Peter Loescher. O diretor de pessoal da Siemens,
Siegfried Russwurm, afirmou que a companhia quer começar as negociações
com representantes dos empregados rapidamente, para implementar os cortes
da forma ''mais socialmente responsável possível''.
A Siemens também confirmou
que quer cortar 1,2 bilhão de euros (US$ 1,87 bilhão) em
custos com administração, passando para 10,9 bilhões
de euros em 2010. A empresa anunciou ainda que planeja vender a subsidiária
Segment Industrie Montage Services (SIMS), que tem cerca de 1,2 mil funcionários
em 35 cidades da Alemanha.
Os projetos de reestruturação
da companhia vão afetar amplamente sua divisão de telefones
móveis, onde 2,5 mil empregos serão eliminados, incluindo
700 vagas no setor administrativo e cerca de 1,8 mil na área de
engenharia e produção. Na divisão de aparelhos do
setor de saúde, a Siemens planeja cortar 1,55 mil empregos ligados à administração.
Outras 1,25 mil vagas serão fechadas como consequência da
reestruturação.
Andréa Bertoldi com
Agência Estado
Equipe da Folha
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Agência Diap, 9 de
julho de 2008
INDENIZAÇÃO
Banco deve pagar cerca de R$ 200
mil a funcionária de agência assaltada
A 38ª Vara do Trabalho do
Rio de Janeiro condenou o Banrisul (Banco do Estado do Rio Grande do
Sul) a indenizar uma bancária por dano material e moral. O valor
a que o banco foi condenado é de aproximadamente R$ 200 mil e
decorre do fato da funcionária ter sofrido três assaltos
dentro do posto de atendimento da instituição em que trabalhava
na cidade do Rio de Janeiro.
A bancária pleiteava um valor indenizatório cinco vezes maior
que o estabelecido, porém o juiz José Mateus Alexandre Romano
entendeu que a pretensão era exagerada. Por se tratar de decisão
de primeira instância, ambas as partes podem interpor recurso.
O caso
Segundo a sentença, o posto de atendimento do banco em que a bancária
trabalhava, num condomínio na zona sul da cidade, foi assaltado três
vezes, talvez por falta de uma maior segurança, que não possuía
estrutura completa como a das agências normais.
A bancária relatou ter sofrido grande abalo emocional diante do ocorrido,
o que teria lhe causado grandes prejuízos, tanto no aspecto pessoal,
com a necessidade da busca por tratamento psicológico, como no profissional,
com a perda de promoção tida como certa. Tal situação
teria ainda causado a sua prematura aposentadoria por invalidez.
Na decisão, o juiz entendeu que, se é responsabilidade do banco
zelar pela segurança de seus clientes e também dos funcionários,
o mesmo teria a obrigação de reforçar a segurança
após a ocorrência do primeiro crime. Afirmou, também, que
a instituição financeira não provou que tivesse dado a
devida assistência médico e psicológica à sua funcionária.
Segundo a advogada da bancária, Gisa Silva, do escritório Machado
Silva Consultoria Jurídica, o juiz entendeu que houve omissão
por parte do banco, pois o posto não tinha porta giratória com
detector de metais.
“ Além disso, o banco deixou de prestar assistência psicológica à bancária,
que ficou abalada e desenvolveu síndrome do pânico, o que ocasionou
a sua aposentadoria por invalidez”.
Procurada pela reportagem de Última Instância, a assessoria de
imprensa do Banrisul informou que o banco já interpôs recurso
ordinário contra a decisão da 38ª Vara do Trabalho do Rio
de Janeiro. (Fonte: Última Instância)
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