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Agência Diap, 13
de julho de 2008
EMPREGOS
Pequenas empresas contratam
mais e sem discriminação de gênero
Motivadas pelo aquecimento econômico, as microempresas brasileiras
foram as que mais abriram vagas no último ano. No saldo de contratações
e demissões, os empreendimentos com menos de nove funcionários,
que representam 83% do total em atuação no país,
aumentaram o quadro de pessoal em 1 milhão, somente em 2007.
As grandes companhias contrataram 300 mil pessoas, e as
pequenas e médias, 100 mil, cada. Dos ocupados no
setor privado, 50,8% estão em uma das 2,1 milhões
de micro e pequenas empresas formais de todo o país.
A abertura de postos de trabalho nos estabelecimentos
de menor porte se acelerou nos últimos seis anos.
As micro e pequenas empresas brasileiras foram responsáveis
por 43% dos 5,3 milhões de empregos formais criados
entre 2002 e 2006, segundo o levantamento Anuário
do Trabalho na Micro e Pequena Empresa, divulgado ontem
pelo Sebrae e pelo Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
“O aumento da contratação está diretamente
relacionado à melhor performance que as micro e
pequenas empresas estão tendo com o crescimento
da economia”, afirma o diretor-técnico do
Dieese, Clemente Ganz Lúcio.
Gênero
O documento cruza dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED),
do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), da Relações
Anuais de Informações Sociais (Rais) e da Pesquisa Nacional
por Amostra de Domicílios (Pnad).
O estudo mostra que as micro e pequenas companhias são
menos preconceituosas que as maiores. Quanto menor o estabelecimento,
maior é a quantidade de mulheres no quadro de funcionários.
Nas microempresas, elas representam 41,3% do total, enquanto
nas grandes equivalem a 36,3%. Além disso, a diferença
salarial é menor. Elas ganham 80,4% do salário
deles nas micros.
Nas empresas maiores o valor pago a elas não passa
de 77% do salário dos homens. Os jovens e os negros
também têm mais facilidade de inserção.
Os profissionais com menos de 30 anos representam 45,6%
dos quadro de pessoal das micro. E é nas empresas
menores que os negros encontram maior facilidade para comandar.
De cada 100 microempresas formais, 24 são de propriedade
de um negro. A proporção cai para 15 nas
maiores.
Escolaridade
Os funcionários das companhias de menor porte estão cada
vez mais escolarizados. Nas microempresas o volume de trabalhadores
que têm, pelo menos, o ensino médio, passou de 34,6% do
total para 45,9%, entre 2002 e 2006. Nas pequenas, o salto foi de 39,2%
para 49,8%.
O aumento da escolaridade eleva a produtividade, na avaliação
da brasiliense Fernanda Azevedo, de 23 anos, funcionária
de uma gráfica de pequeno porte localizada no Núcleo
Bandeirante.
Quando entrou na companhia, em 2001, ela possuía
apenas o ensino médio. Agora, com incentivo financeiro
da empresa, está cursando a faculdade de publicidade. “A
cada ano que passa sinto que estou mais bem preparada.
Antes, atendia telefone. Agora, cuido das vendas e do orçamento.” (Fonte:
Correio Braziliense)
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Agência Diap, 13
de julho de 2008
ECONOMIA
Inflação pesa
mais para aposentados
Os alimentos, que vêm influenciando os índices oficiais
de inflação para a população em geral, também
foram o principal fator de pressão na inflação medida
para as famílias compostas principalmente por pessoas com mais
de 60 anos de idade no segundo trimestre deste ano.
Neste período, o Índice de Preços
ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i) ficou em 2,65%,
a maior taxa trimestral desde março de 2003, quando
foi registrada alta de 5,28%. Com isso, o índice
acumula no ano variação de 4,05%, e de 6,36%
nos últimos 12 meses.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (11) pela
Fundação Getulio Vargas (FGV), apontam que
a alta dos preços da cesta de consumo específica
dessa parcela da população foi mais intensa
do que a dos produtos consumidos pela maioria dos brasileiros.
O IPC-3i superou o Índice de Preços ao Consumidor
- Brasil (IPC-BR) nas taxas trimestral, anual e nos últimos
12 meses.
Primeiro trimestre
No trimestre, enquanto o IPC-BR ficou em 2,38%, o IPC-3i
foi de 2,65%. No ano, o IPC-BR acumulou 3,84% e o IPC-3i,
4,05%; e nos últimos 12 meses, o IPC-BR ficou em
5,96%, enquanto o IPC-3i chegou a 6,36%.
No mês de junho, houve recuo em ambas as taxas quando
comparadas ao mês anterior. O IPC-BR passou de 0,87%
em maio para 0,77% em junho. Já o IPC-3i recuou
de 0,98% para 0,84%.
Alimentos
No segundo trimestre deste ano, as hortaliças e legumes (de
4,68% para 16,06%), as carnes bovinas (de -3,18% para 13,20%), os panificados
e biscoitos (de 3,09% para 12,89%) e os laticínios (de 1,28%
para 4,29%) exerceram as principais pressões para a alta dos
alimentos, cuja taxa subiu de 2,47% para 5,71%, na passagem de um trimestre
para o outro. Com isso, a contribuição do grupo alimentação
para o resultado do IPC-3i passou de 55% no trimestre anterior, para
66%, no atual.
De acordo com o levantamento da FGV, os itens que mais
influenciaram o resultado do IPC-3i foram o pão
francês, cujo índice passou de 0,25% no primeiro
trimestre do ano para 18,06% no segundo trimestre; batata-inglesa,
que subiu 29,54%, após alta de 0,16%; empregada
doméstica mensalista, cuja taxa ficou em 5,54%,
ante 0,13%; arroz branco, com alta de 33,18%, após
elevação de 0,13%, e tomate, cuja taxa passou
de 0,11% para 30,46%.
Medicamentos
Na passagem de um trimestre para o outro, também houve acréscimo
nas taxas de saúde e cuidados pessoais (de 1,15% para 2,17%),
com destaque para medicamentos em geral (de 0,20% para 3,33%); vestuário
(de -1,13% para 2,65%), cuja principal influência veio de roupas
(de -1,95% para 4,27%); transportes (de 0,13% para 0,65%), com a contribuição
de combustíveis e lubrificantes (de -0,45% para 1,31%); e habitação
(0,84% para 0,95%), puxada por gás de botijão (de 0,31%
para 2,20%).
Por outro lado, recuaram os preços de educação,
leitura e recreação (de 3,09% para 1,71%),
influenciado por cursos formais (4,81% para 0,00%); e despesas
diversas (de 1,08% para 0,62%), cujo principal destaque
foi o preço dos cigarros (de 1,42% para 0,00%). (Fonte:
Agência Brasil)
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Vermelho, 13 de julho de
2008
Não peçam ao
pobre para comer menos, diz Lula na Indonésia
" Não peçam aos pobres do mundo para comer menos", discursou
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste sábado (12) em sua
visita à Indonésia. Foi uma de suas várias críticas
aos países ricos, que, segundo ele, querem culpar os emergentes pela inflação
nos preços dos alimentos e do petróleo.
Ao comentar sua participação na reunião do G8 no
Japão, Lula disse que os ricos não querem "discutir
a crise imobiliária dos Estados Unidos ou os prejuízos
dos bancos europeus e procuram jogar a culpa nos países em desenvolvimento".
Lula pediu uma urgente discussão com números
e base científica sobre qual é a "verdadeira
incidência" do preço do petróleo
no preço dos alimentos do mundo. "Ninguém
fala sobre a especulação, sobretudo nas Bolsas
de futuros, e culpam a China por consumir. Não é o
etanol que é responsável pela alta do preço
do petróleo."
Para o presidente, uma boa resposta à crise alimentar
pode sair nas discussões na Rodada Doha da Organização
Mundial do Comércio. "Um bom acordo na Rodada
Doha, que abrisse o mercado da Europa e diminuísse
os subsídios americanos, incentivaria a produção
de alimentos. Graças a Deus temos terra, sol, água
e tecnologia para produzir mais."
Brasil e Indonésia assinaram acordos de cooperação
em biocombustíveis. Em entrevista no palácio
presidencial de Jacarta, Lula desviou da pergunta sobre
a defesa do etanol na Indonésia -que produz o combustível
a partir da palma e onde as florestas tropicais são
devastadas em ritmo maior que o da Amazônia. "Cada
país sabe exatamente como plantar", disse. "Ninguém
tem mais interesse em preservar as florestas que nós
mesmos", afirmou.
Lula contemporizou a defesa das florestas. "Se um
dia houver equilíbrio no padrão de consumo
da humanidade, seremos menos culpados pelos estragos que
já fizemos ao planeta."
Em resposta a um jornalista local, Lula afirmou que o
Brasil é "sui generis", que "não
tem, nem terá crise energética a curto prazo".
O presidente disse que 85% da energia elétrica no
país é renovável e limpa, que 87%
dos carros produzidos no pais são flexíveis
e que o etanol emite menos gases.
Comércio e muros
Como no Vietnã, o presidente repetiu várias
vezes que há uma crise nos países ricos e
o quão importante é o comércio Sul-Sul "contra
a lógica ultrapassada de dependência das economias
do Norte".
Mas a relação comercial entre os dois países ainda é bem
pequena. A soma de exportações e importações
entre eles é de US$ 1,5 bilhão (o equivalente a 0,5%
do comércio exterior brasileiro).
A Indonésia é o quarto país mais
populoso do mundo, com 237 milhões de habitantes,
mas seu PIB é de apenas US$ 437 bilhões – menos
que a metade da economia do México.
Questionado sobre o apoio da Indonésia à pretensão
brasileira de assumir um assento permanente no Conselho
de Segurança da ONU, algo que a diplomacia brasileira
repete em cada visita, o presidente indonésio, Susilo
Bambang Yudhoyono, disse que concordava que o conselho
deveria ser reformulado. Ele afirmou que o Brasil tem as
condições para ser novo membro, mas aproveitou
para lançar a candidatura da própria Indonésia, "como
o país muçulmano mais populoso do mundo".
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Folha de Londrina, 13 de
julho de 2008
Popularidade não garante
eleição
Candidatos engraçados, divertidos ou com bordões de efeito
se tornam rapidamente conhecidos e são motivo de comentários,
principalmente após o início da propaganda eleitoral gratuita
no rádio e televisão. Mas, na opinião do professor
de Sociologia da Pontícia Universidade Católica do Paraná Lindomar
Wessler Boneti, essa popularidade não se transforma em votos.
De acordo com o professor, o peso maior na hora de decidir o voto
ainda é da representatividade. ‘‘Um ponto fundamental é a
identificação então, quanto mais ‘‘real’’ o
personagem, mais ele poderá angariar votos’’, afirma.
Embora, ressalta o professor, nem sempre exista uma relação
direta profissional ou de classe social. ‘‘É importante
notar que a identificação nem sempre se faz pela semelhança
mas também pela idéia da projeção. A pessoa
pobre que almeja ser da classe burguesa pode ver no candidato desta
classe a representação de seu projeto de vida’’,
diz.
Os candidatos que utilizam personagens mais apelativos ou valem-se
apenas do aspecto engraçado ou diferenciado para conseguir o
voto, podem não obter bons resultados, segundo o professor. ‘‘Uma
parte da sociedade vota nestes cidadãos como forma de protesto,
mas este eleitor não ultrapassa 5% do total. O candidato não
pode passar a imagem de palhaço se não ficará famoso,
mas poderá não se eleger’’, adverte.
Benati afirma que a estratégia pode ser positiva se, após
conquistar a atenção do eleitor, o candidato tiver propostas
a oferecer.‘‘Se além da imagem engraçada
o candidato trouxer propostas concretas de como ele irá representar
o eleitor, poderá ser uma boa estratégia. Mas de forma
alguma pode cair no rídiculo’’, completa. ‘‘E
o ideal é que seja realmente assim. A consciência política
não permite que você vote em alguém porque o acha
engraçado. O eleitor precisa analisar quem realmente poderá representá-lo
para decidir seu voto’’, finaliza. (K.L.M.)
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Folha de Londrina, 13 de
julho de 2008
Metade dos candidatos não
tem ensino superior
Catarina Scortecci
Equipe da Folha
Curitiba - Dos 868 candidatos que se inscreveram para
as cadeiras de prefeito, vice-prefeito e vereador em Curitiba,
120 têm ensino fundamental (incompleto ou completo).
Dos 120, 32 tem ensino fundamental incompleto e 88 tem
ensino fundamental completo. Seis candidatos informaram
que sabem ‘‘ler e escrever’’. Do
total de inscritos à disputa, 42 disseram ter ensino
médio incompleto e 267 informaram que têm
ensino médio completo. Os demais, quase a metade
do total, têm ensino superior incompleto (103) e
completo (330).
Do total de candidatos inscritos, 188 são mulheres:
186 candidatas a vereadora, uma candidata a prefeita e
uma candidata a vice-prefeita. Os dados foram levantados
pela reportagem a partir de informações solicitadas à assessoria
de imprensa do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná.
Na última sexta-feira, todos os candidatos ao
pleito de Curitiba tiveram seus nomes publicados no Diário
da Justiça. Ontem iniciou o prazo para que candidatos,
partidos políticos, coligações e o
Ministério Público Eleitoral entrem com pedidos
de impugnação das candidaturas na Capital.
O prazo termina na próxima quarta-feira. A análise
dos registros das candidaturas em Curitiba será feita
pelo juiz eleitoral Roberto Massaro, da 1ª zona eleitoral.
São 852 candidatos a uma cadeira na Câmara
da Capital paranaense: 41 do PP; 55 do PSB; 43 do PMN;
52 do PV; 58 da coligação ‘‘Cidade
Para Todos’’ (PHS e PT); 53 do DEM; 48 do PSC;
75 da coligação entre PSDB e PR; 69 da coligação ‘‘Uma
só Curitiba’’ (PTB e PRTB); 4 do PTdoB;
5 da coligação ‘‘Frente de Esquerda
Curitiba’’ (PSOL, PCB e PSTU); 52 da coligação ‘‘Curitiba
Mais Justa Para Todos’’ (PTC e PRB); 62 da
coligação ‘‘Voto Limpo’’ (PRP
e PPS); 51 do PSL; 41 do PSDC; 71 da coligação
entre PDT e PTN; 53 do PMDB e 19 do PCdoB.
Já o posto de prefeito e de vice-prefeito de Curitiba
serão disputados por 16 candidatos. Concorrem ao
cargo de chefe do Executivo os seguintes nomes: Ricardo
Gomyde pelo PCdoB, Carlos Moreira pelo PMDB; Lauro Rodrigues
pelo PTdoB; Maurício Furtado pelo PV; Beto Richa
pelo coligação ‘‘Curitiba - O
Trabalho Continua’’ (PSDB, PP, PSL, PDT, DEM,
PSB, PPS, PR, PSDC, PRP e PTN); Gleisi Hoffmann pela coligação ‘‘Curitiba
para Todos’’ (PT, PTC, PHS, PMN, PRB e PSC);
Bruno Meirinho pela coligação ‘‘Frente
de Esquerda Curitiba’’ (PSOL, PCB e PSTU);
e Fábio Camargo pela coligação ‘‘Uma
só Curitiba’’ (PTB e PRTB).
Fausto Macedo
Agência Estado
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Gazeta do Povo, 13 de julho
de 2008
Eleições nas capitais
20 prefeitos tentam a reeleição
Para cientista político, modelo
eleitoral brasileiro criou uma espécie de plebiscito
no meio de um possível mandato de oito anos
Nenhum prefeito das 26 capitais brasileiras que pode tentar
a reeleição ficará de fora da disputa
deste ano. A exemplo de Beto Richa (PSDB) em Curitiba,
outros 20 buscam mais quatro anos na administração
municipal. Os únicos impedidos, por já estarem
no segundo mandato, são os de Belo Horizonte (MG),
Rio de Janeiro (RJ), Macapá (AP), Natal (RN), São
Luís (MA) e Recife (PE).
Na teoria, todos os que tentam permanecer no cargo entram
na corrida eleitoral como favoritos. Apenas a máquina
pública não é suficiente para uma
vitória fácil. “É só lembrar
o exemplo da Marta Suplicy, que concorria à reeleição
e perdeu para Serra em 2004”, diz o cientista político
David Fleischer, da Universidade de Brasília.
O professor afirma que o modelo eleitoral brasileiro criou
uma espécie de plebiscito no meio de um possível
mandato de oito anos. “O eleitor julga se o sujeito
que está no poder merece continuar no cargo ou não.” Por
isso, ele não estranha o fato de que os prefeitos
de capitais que podem concorrer novamente não desperdicem
a oportunidade.
Sem comemoração
Historicamente, há ainda mais razões para
evitar comemorações antecipadas. Um estudo
feito pelo economista e geógrafo François
de Bremaeker, do Instituto Brasileiro de Administração
Municipal, aponta que 45,6% dos 3.389 prefeitos brasileiros
que podiam concorrer à reeleição em
2004 foram vencedores.
O índice cresceu em relação a 2000,
quando foi permitida pela primeira vez a reeleição
nos municípios. Na época, os prefeitos seguiram
no posto em 39,4% das 5.558 cidades do país. Entre
2000 e 2004, houve aumento no número de reeleições
municipais em 20 estados.
O Paraná, entretanto, ficou entre os seis que apresentaram
variação contrária, junto com Rondônia,
Roraima, Maranhão, Minas Gerais e Mato Grosso do
Sul. Em 2000, os paranaenses reelegeram 160 (40,1%) dos
399 prefeitos que podiam disputar a reeleição.
Quatro anos depois, foram 89 reeleitos (37,2%) em 239 cidades
em que o novo mandato era possível.
Conservador
Terceira cidade mais populosa do estado, Maringá nunca
reelegeu um prefeito em disputas seqüenciais. Já na
capital, Cassio Taniguchi (DEM) reelegeu-se em 2000 e ainda
foi sucedido pelo vice, Beto Richa em 2004. “O eleitor
curitibano é mais conservador do que a média”,
diz Mauro Rehbein, mestrando em Sociologia Política
pela Universidade Federal do Paraná.
Em agosto, ele defenderá uma tese de conclusão
do curso que trata dos últimos 50 anos das eleições
municipais em Curitiba. Segundo ele, a cidade mantém
o mesmo grupo político, sem maiores distinções
entre o perfil dos prefeitos, há 20 anos.
Se a reeleição para prefeito não
agrada a maioria dos paranaenses, o mesmo não ocorre
nos pleitos para governador. Tanto Jaime Lerner (DEM),
em 1998, quanto Roberto Requião (PMDB), em 2006,
conseguiram se reeleger.
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O Estado do Paraná,
13 de julho de 2008
Direito e Justiça
Declaração da
OIT sobre a Justiça social para uma Globalização
Eqüitativa, 2008 (2)
Edésio Passos
Dando seqüência à divulgação
da “Declaração da OIT sobre a Justiça
social para uma Globalização Eqüitativa,
2008” apresentamos, em sua complementação,
as normativas da OIT sobre o método de aplicação
e o seguimento, traduzindo as ações necessárias à implementação
da resolução adotada na Conferência
da OIT, em Genebra, a 10 de junho. A Declaração
da OIT está sendo disponibilizada, em sua íntegra,
nos sites do Ministério do Trabalho e Emprego e
no do DIAP.
“II. Método de Aplicação
A Conferência reconhece que, numa economia globalizada:
A posta em prática da Seção I da presente
Declaração demanda que a OIT apóie
de maneira eficaz os esforços de seus Membros. Com
tal finalidade, a Organização deveria revisar
e adaptar suas práticas institucionais para melhorar
sua governança e reforçar suas capacidades,
com o fim de utilizar, da melhor forma possível,
seus recursos humanos e financeiros, e a vantagem única
que representa sua estrutura tripartite e seu sistema normativo,
com vistas a:
- compreender melhor as necessidades de seus Membros,
no que concerne a cada um de seus objetivos estratégicos,
bem como a ação da desenvolvida pela OIT
para responder a essas necessidades, no marco de um ponto
recorrente inscrito na ordem do dia da Conferência,
de forma a:
- determinar de que maneira a OIT pode responder de forma
mais eficaz e essas necessidades mediante a utilização
coordenada de todos seus meios de ação;
- determinar os recursos necessários para responder
a essas necessidades e, caso proceda, atrair recursos adicionais,
e
- orientar o Conselho de Administração e
a Oficina no cumprimento de suas responsabilidades;
reforçar e coordenar sua cooperação
técnica e conhecimentos especializados que oferece,
com o fim de:
- apoiar os esforços desempenhados por cada Membro
avançando sobre uma base tripartite, visando a alcançar
todos os objetivos estratégicos, assim como prestar
assistência, mediante programas por país em
prol do trabalho decente, quando proceda, e no contexto
do sistema das Nações Unidas, e
- auxiliar, sempre que necessário, a reforçar
a capacidade institucional dos Estados Membros, assim como
das organizações representativas de empregadores
e trabalhadores para facilitar a condução
de uma política social pertinente e coerente além
de um desenvolvimento sustentável;
- favorecer a compreensão e intercâmbio de
conhecimentos sobre as sinergias existentes entre os objetivos
estratégicos mediante uma análise empírica
e a discussão tripartite de experiências concretas,
com a cooperação voluntária de países
interessados, para orientar os Membros na tomada de decisões à respeito
das potencialidades e desafios da globalização;
- assistir, quando necessário, aos Membros que
demandem e que desejem promover em conjunto com os objetivos
estratégicos no marco dos acordos bilaterais ou
multilaterais, sempre e quando sejam compatíveis
com suas obrigações à respeito da
OIT, e
- estabelecer, em consulta com as organizações
nacionais e internacionais representativas de empregadores
e trabalhadores, novas parcerias com entidades não-estatais
e atores econômicos, tais como as empresas multinacionais
e os sindicatos que atuem em nível setorial em escala
mundial, com o fim de melhorar a eficácia dos programas
e atividades operacionais da OIT, conseguir que lhes prestem
apoio de forma apropriada e promover por qualquer outro
meio adequado os objetivos estratégicos da OIT.
Estratégia global e integrada
Ao mesmo tempo, os Membros devem assumir a responsabilidade
fundamental de contribuir, mediante sua política
econômica e social, à realização
de uma estratégia global e integrada para colocar
em prática os objetivos estratégicos, incluindo
a Agenda do Trabalho Decente, esboçados na Seção
I da presente Declaração. A aplicação
da Agenda do Trabalho Decente no plano nacional dependerá das
necessidades e prioridades dos países e incumbirá aos
Estados Membros, decidir, em consulta com as organizações
representativas de empregadores e trabalhadores, a forma
em que será cumprida essa responsabilidade. Com
essa finalidade, poderiam considerar, entre outras formas:
- a adoção de uma estratégia nacional
e/ou regional para o trabalho decente, articulada em torno
de uma série de prioridades para a consecução
integrada dos objetivos estratégicos.
- o estabelecimento, se necessário com o auxilio
da OIT, de indicadores ou estatísticas apropriados,
para verificar e validar os progressos realizados;
- o exame de sua situação em termos de ratificação
ou aplicação de instrumentos da OIT visando
a alcançar uma cobertura cada vez mais ampla de
cada um dos objetivos estratégicos, enfatizando
os instrumentos classificados como normas fundamentais
do trabalho, bem como aqueles que se consideram mais significativos
sob o ponto de vista da governança, que tratam do
tripartismo, da política de emprego e da inspeção
do trabalho;
- a adoção de medidas apropriadas para coordenar
de forma adequada as posturas expressadas em nome do Estado
Membro nos foros internacionais pertinentes e todas as
medidas que poderiam ser tomadas à luz da presente
Declaração;
- a promoção de empresas sustentáveis;
- o intercâmbio, de ser necessário, de práticas
nacionais ou regionais em relação à aplicação
de iniciativas nacionais e/ou regionais bem sucedidas que
incluam um elemento de trabalho decente, e
- a apresentação, sobre uma base bilateral,
regional ou multilateral na medida em que seus recursos
permitam, de um apoio apropriado aos esforços desenvolvidos
por outros Membros, para dar efeito aos princípios
e objetivos referidos na presente Declaração.
Outras organizações internacionais e regionais
cujos mandatos abrangem âmbitos interligados, têm
um papel importante a ser desempenhado na colocação
e prática do enfoque integrado. A OIT deveria convidá-los
a promover o trabalho decente, tendo presente que cada
organismo manterá pleno controle a respeito de seu
mandato. Dado que a política comercial e dos mercados
financeiros repercute no emprego, incumbe à OIT
validar esses efeitos com o fim de alcançar o objetivo
de colocar o emprego como elemento fundamental das políticas
econômicas.
III. Disposições Finais
O Diretor-Geral da Secretaria Internacional do Trabalho
será responsável de que a presente Declaração
seja comunicada a todos os Membros e, por seu intermédio, às
organizações representativas de empregadores
e trabalhadores, às organizações internacionais
competentes interligadas nos âmbitos internacional
e regional, bem como a toda outra entidade que o Conselho
de Administração possa determinar. Os governos,
assim como as organizações de empregadores
e trabalhadores no âmbito nacional, deverão
dar a conhecer a Declaração em todos os foros
em que participem ou estejam representados, e difundi-lo
de todos os meios possíveis entre as entidades suscetíveis
de estar interessadas.
O Conselho de Administração e o Diretor-Geral
da Secretaria Internacional do Trabalho serão os
responsáveis de estabelecer as modalidades necessárias
para aplicar, à maior brevidade, a Seção
II da presente Declaração.
O impacto da presente Declaração, e particularmente
as medidas adotadas para promover sua aplicação
serão objeto, no momento em que o Conselho de Administração
julgue oportuno e segundo as modalidades que determine,
de exame por parte da Conferência Internacional do
Trabalho com o fim de apreciar quais medidas poderiam ser
apropriadas”.
Seguimento da Declaração
“I. Objetivo geral e campo de aplicação
A finalidade deste seguimento é determinar os meios
com os quais a Organização apoiará os
esforços desenvolvidos pelos Membros para tornar
efetivo seu compromisso de alcançar os quatro objetivos
estratégicos importantes para pôr em prática
o mandato constitucional da Organização.
No marco deste seguimento, procura-se fazer o melhor uso
possível de todos os meios de ação
disponíveis em virtude da Constituição
da OIT para o cumprimento de seu mandato.
II. Ação por parte da Organização
para prestar assistência a seus Membros Administração,
recursos e relações exteriores
A. O Diretor Geral tomará as medidas necessárias,
incluída a formulação de propostas
ao Conselho de Administração, para garantir
os meios pelos quais a Organização assistirá os
Membros nos esforços desenvolvidos em virtude da
presente Declaração. Essas medidas incluirão
o exame e revisão de práticas institucionais
e da governança da OIT, tal como enunciado na Declaração
e deverão considerar a necessidade de assegurar
a: A coerência, a coordenação e a colaboração
no âmbito da Secretaria Internacional do Trabalho
em vistas de seu bom funcionamento; O reforço e
a manutenção em matéria de políticas
e capacidade operacional; Uma utilização
eficiente e eficaz de recursos, dos processos de gestão
e das estruturas institucionais; A idoneidade das competências
e da base de conhecimentos, bem como a eficácia
das estruturas de governança; A promoção
de parcerias eficazes no âmbito do sistema multilateral
e das Nações Unidas para reforçar
os programas e atividades operacionais da OIT ou promover,
de todas as formas possíveis, seus objetivos, e
A identificação, atualização
e promoção da lista de normas que apresentem
maior importância em relação com a
governança. Compreender a situação
e as necessidades dos Membros e responder a essas necessidades.
B. A Organização estabelecerá um
sistema de discussões recorrentes pela Conferência
Internacional do Trabalho com base nas modalidades determinadas
pelo Conselho de Administração, sem duplicar
os mecanismos de controle da OIT, com o fim de: - compreender
melhor a situação e diversas necessidades
de seus Membros com relação a cada um dos
objetivos estratégicos e responder com melhor eficácia
a essas necessidades, utilizando para isso o conjunto de
meios de ação de que dispõe, com inclusão
da normativa, a cooperação técnica,
e as capacidades técnicas e de análise da
Secretaria e ajustar, em conseqüência, suas
prioridades e programas de ação, - e avaliar
os resultados das atividades da OIT com o objetivo de apoiar
as decisões relativas ao programa e orçamento,
bem como outros aspectos da governança.
Assistência técnica e serviços
de assessoramento
C. Prévia demanda dos governos e das organizações
representativas de trabalhadores e empregadores, a Organização
proporcionará toda a assistência apropriada
nos limites de seu mandato, para apoiar os esforços
desenvolvidos pelos Membros com o fim de avançar
na consecução dos objetivos estratégicos
no âmbito de uma estratégia nacional e/ou
regional integrada e coerente,
- reforçando e coordenar suas atividades de cooperação
técnica no marco de programas nacionais de trabalho
decente e no contexto do sistema das Nações
Unidas;
- proporcionando conhecimentos técnicos e assistência
de caráter geral, que cada Membro poderá solicitar,
com o fim de formular uma estratégia nacional, explorando
a possibilidade de alianças inovadoras para sua
colocação em prática;
- elaborando ferramentas apropriadas para avaliar eficazmente
os progressos realizados e as repercussões que outros
fatores e políticas podem ter nos esforços
dos Membros, e
- considerando as necessidades especiais e as capacidades
dos países em desenvolvimento e das organizações
representativas de trabalhadores e empregadores, mediante
inclusive a mobilização de recursos.
Pesquisa, coleta e intercâmbio de informações
D. A Organização adotará todas as
medidas apropriadas para reforçar sua capacidade
de pesquisa, sua base de conhecimentos empíricos
e sua compreensão da forma em que os objetivos estratégicos
interagem entre si e contribuem ao progresso social, a
sustentabilidade das empresas, o desenvolvimento sustentável
e a erradicação da pobreza na economia mundial.
Essas medidas poderiam incluir o intercâmbio tripartite
de experiências e boas práticas nos planos
internacional, regional e nacional, no marco de:
- estudos realizados sobre uma base ad hoc e sobre a base
da cooperação voluntária dos governos
e das organizações representativas de empregadores
e trabalhadores dos países interessados; ou
- quaisquer outros tipos de mecanismos, tais como exames
de pares, que os Membros interessados possam querer estabelecer
ou nos quais estariam dispostos a participar voluntariamente.
III - Avaliação pela Conferência
A. O impacto da presente Declaração, particularmente
na medida em que tenha contribuído a promover entre
os Membros, os fins e objetivos da Organização,
pela colocação em prática integrada
de seus objetivos estratégicos, será objeto
de avaliação pela Conferência, a qual
poderá ser renovada num certo tempo, no âmbito
de um ponto inscrito em sua ordem do dia.
B. A Secretaria preparará para a Conferência
uma informação que avaliará as repercussões
da Declaração, contendo informação
sobre:
- as ações ou medidas tomadas em virtude
da presente Declaração, informação
que poderá ser proporcionadas pelos mandantes tripartites
mediante os serviços da OIT, em particular nas regiões,
ou proceder de qualquer outra fonte fidedigna;
- as medidas tomadas pelo Conselho de Administração
e a Secretaria para assegurar um seguimento das questões
pertinentes relativas à governança, à capacidade
e à base de conhecimentos em relação
com a consecução dos objetivos estratégicos,
com inclusão dos programas e as atividades da OIT
e suas repercussões, e
- os possíveis impactos da Declaração
em relação com outras organizações
internacionais interessadas.
C. As organizações multilaterais interessadas
terão a possibilidade de participar na avaliação
das repercussões e na discussão correspondente.
Outras entidades interessadas poderão assistir à discussão
e participar, a convite do Conselho de Administração.
D. À luz de sua avaliação, a Conferência
deverá pronunciar-se sobre a oportunidade de efetuar
novas avaliações ou adotar qualquer outro
tipo de medidas apropriadas”.
Fortalecimento da capacidade da OIT
Segue resolução sobre o fortalecimento da
capacidade da OIT para prestar assistência aos membros
em conseqüência de seus objetivos no contexto
da globalização, visando que (1) suas aplicações
não deveriam duplicar os mecanismos de controle
existentes da OIT (2) o Diretor-Geral apresentar, em caráter
prioritário, um plano de aplicação
ao Conselho de Administração em sua reunião
de novembro de 2008 e, se o Conselho de Administração
considerar necessário, uma série de propostas
finais para exame em sua seguinte reunião, que incluam
todos os elementos relativos à aplicação
prevista na Declaração, questões de
capacidade e de governança; aplicar plenamente a
gestão com base nos resultados, incluindo a plena
utilização dos sistemas de informática”.
Edésio Passos é advogado.
edesiopassos@terra.com.br
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Folha de S.Paulo, 13 de
julho de 2008
Salários em alta alimentam
a inflação
Aumento real é obtido em 83,5%
das negociações no primeiro semestre, e economistas
temem impacto nos preços
Preocupação é que
reajustes ajudem a manter demanda aquecida e elevem custo
das empresas; percentual de ganho é inferior ao
de 2007
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Apesar da alta da inflação, os trabalhadores
conseguiram obter aumento real na maior parte dos acordos
salariais negociados no primeiro semestre. A concessão
de ganhos reais no momento em que a inflação
sobe com mais força divide a opinião de economistas
e especialistas em mercado de trabalho. Enquanto parte
se preocupa por acreditar que o ganho real pressiona a
inflação no futuro, parte defende que o aumento
subiu em ritmo inferior à produtividade das empresas.
O aumento real foi obtido em 83,5% de 91 negociações
feitas em 16 Estados por categorias profissionais com data-base entre
janeiro e maio, segundo levantamento da Folha com sindicatos e centrais
sindicais.
Os ganhos se concentram, em sua maior parte, no intervalo até 1%
acima da inflação medida pelo INPC do IBGE (indicador
mais usado nas negociações e que serve para reajustar
o salário mínimo). Entre os acordos que superaram a inflação,
o percentual de aumento real é inferior ao concedido em 2007,
quando ficaram de 1,01% a 2% acima do INPC.
O Dieese prepara para agosto a divulgação de estudo nacional
sobre a concessão de reajustes salariais, mas confirma já ter
verificado, nas negociações de janeiro a maio, as tendências
apontadas no levantamento da Folha.
Se a inflação persistir elevada neste semestre, as negociações
tendem a ficar mais difíceis. Sindicalistas dizem não
abrir mão de repor a aceleração dos preços
nos salários e não descartam paralisações.
Na previsão do Dieese, a proporção de acordos
com reajustes superiores ao INPC deve se reduzir em conseqüência
da alta dos juros e da inflação.
Há dois meses, a Diretoria de Política Econômica
do Banco Central ressaltou que, em um cenário de crescimento,
o comportamento dos salários tem impacto mais intenso na inflação
por aumentar o poder de barganha dos sindicatos. O BC quer incluir
mais informações sobre o mercado de trabalho nos modelos
usados pelo Copom (Comitê de Política Monetária)
para projetar a inflação e alterar a taxa de juros.
Para Tomás Málaga, economista-chefe do banco Itaú,
como os aumentos reais concedidos estão abaixo da produtividade
das empresas, os salários não afetam, em tese, a inflação.
" Nos 12 meses encerrados em abril, a produtividade cresceu 4,5% no setor
industrial pelos dados do IBGE, e os ganhos reais têm sido inferiores a
esse percentual. Ainda estamos recuperando o poder de compra com um pouco de
aumento real. A reposição está coberta pela produtividade."
O cenário no segundo semestre, diz, pode ser "outra história". "Se
a pressão sobre o preço dos alimentos e do petróleo
continuar, os trabalhadores podem lutar por reajustes ainda maiores,
acima do patamar de produtividade, para evitar a corrosão dos
salários. E isso preocupa", diz Málaga.
O ganho real repassado aos salários ajuda a manter a demanda
aquecida, o que pode, combinado ao aumento de custos das empresas,
gerar mais inflação, avalia José Márcio
Camargo, professor da PUC-RJ e economista da Opus Gestão de
Recursos. "Como o mercado de trabalho ainda está aquecido,
com o desemprego em queda, os trabalhadores pedem reajustes maiores
para compensar a inflação. Quando isso ocorre, gera mais
pressão sobre os custos das empresas. Com a demanda aquecida
e o custo aumentando, as empresas repassam os custos da folha de pagamento
para os preços, o que realimenta a inflação."
Camargo destaca ainda que o custo unitário do trabalho (razão
entre o salário real médio e a produtividade) tem crescido
perto de 1% ao mês na média dos últimos seis meses. "Isso
certamente pressiona a inflação em algum momento."
Mão-de-obra escassa
Alexandre Schwartsman, economista-chefe para América Latina
do Banco Santander, ressalta que, com a escassez de mão-de-obra
qualificada, alguns setores concedem reajustes mais expressivos para
não correrem o risco de perder os empregados. "Quando é preciso
aumentar a produção para atender a demanda, paga-se mais
porque está faltando gente, máquina.
O aumento de salário não é a causa da inflação,
mas é a forma pela qual a pressão de demanda se produz
em aumento de preços." Para Fábio Romão,
economista da LCA, os ganhos reais não exercem pressão
na intensidade que técnicos do BC acreditam. "Os aumentos
reais neste ano têm sido em intervalos inferiores aos de 2007.
E o salário mínimo, que serve de parâmetro para
o reajuste de quem está na informalidade e para categorias menos
organizadas, também teve ganho real inferior a anos anteriores." Neste
ano, o mínimo subiu 4,1% acima da inflação. Em
2007, 5,3%. E, em 2006, 12,9%.
" Como a inflação está mais salgada, o gasto com alimentação
acaba roubando a renda disponível para outros bens, o que tem impacto
no consumo. Esse fator também tem de ser considerado." Romão
destaca que o mercado de trabalho já deu sinais de desaceleração
-o emprego formal cresce em ritmo menor que em 2007 e o rendimento médio
real também recuou em maio, diz o IBGE.
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Folha de S.Paulo, 13 de
julho de 2008
Sindicatos querem unir campanhas
salariais
Até 2 milhões de trabalhadores
têm data-base entre agosto e novembro
CUT afirma que valores reivindicados
são compatíveis com os ganhos das empresas;
Força diz não aceitar aumento real menor
que o de 2007
DA REPORTAGEM LOCAL
As campanhas salariais unificadas devem ser retomadas
pelas centrais sindicais a partir deste semestre como estratégia
para buscar reajustes superiores à inflação.
Entre 1,5 milhão e 2 milhões de trabalhadores
com data-base entre agosto e novembro -como bancários,
metalúrgicos, químicos e petroleiros- preparam-se
para negociar em um cenário de inflação
ainda mais alta do que a do semestre passado.
Metalúrgicos da CUT e da Força Sindical já se
preparam para a queda-de-braço. "Reivindicaremos aumento
real compatível com o crescimento dos setores. Não seremos
bodes expiatórios. Se vierem com o discurso de que a inflação
rebaixará o grau de investimento, o recado será: a meta
de crescimento da produção de veículos deste ano
será ameaçada porque os metalúrgicos vão
parar", diz Carlos Alberto Grana, presidente da confederação
dos metalúrgicos da CUT.
A reação por parte da Força Sindical é a
mesma. "O discurso do Copom de que os salários pressionam
a inflação é tudo que os empresários queriam
ouvir. A inflação sobe porque as empresas aproveitaram
o consumo em alta e reajustaram preços. Não aceitamos
aumento real menor do que o do ano passado [2,6%]", diz Eleno
Bezerra, presidente da confederação dos metalúrgicos
da Força.
Inflação "importada"
Para o Dieese, a inflação é "importada". "Nos últimos
quatro anos, houve ganho real nas negociações e ninguém
falou que os salários pressionavam a inflação",
afirma José Silvestre Prado de Oliveira, coordenador de relações
sindicais do Dieese. "A inflação é importada,
está focada em alimentos e na alta do petróleo. Mesmo
que o BC aumente juros, isso terá pouco efeito na inflação.
A economia vai se desacelerar, mas esse efeito será sentido
principalmente a partir de 2009. Só que na mesa de negociação
o impacto da alta do juros é imediato."
Artur Henrique, presidente da CUT, diz que os valores reivindicados
são compatíveis com os ganhos das empresas. "A participação
dos trabalhadores na renda nacional demonstra que a produtividade da
indústria é maior do que os aumentos conquistados pelos
trabalhadores." E ressalta: "Ninguém está pedindo
gatilho salarial. Os trabalhadores foram os que mais sofreram no passado
com essa prática."
Outro fator apontado pelo Dieese é que os aumentos reais obtidos
neste ano não são generalizados, foram mais expressivos
em setores que mantêm atividade aquecida -caso da construção
civil e do ramo metalúrgico. E mais significativos no setor
de serviços para categorias cujos salários médios
são mais próximos aos pisos salariais -caso de asseio
e conservação, segurança e vigilância e
comerciários do Nordeste.
Para compensar os efeitos da inflação, os comerciários
da capital apontaram -em uma votação virtual e em urnas
espalhadas pela capital- que, além do aumento real, na pauta
de reivindicação devem constar cesta básica, melhorias
no vale-refeição e outros itens relacionados à alimentação.
A pauta com os pedidos de 430 mil comerciários será aprovada
e definida em assembléia amanhã.
" Estamos nos preparando para uma negociação mais difícil
porque no início do ano a realidade era uma, e agora é outra",
diz Ricardo Patah, presidente da UGT e do sindicato dos comerciários.
Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese, lembra
ainda que, apesar dos aumentos reais, os trabalhadores estão
ainda longe de compensar as perdas salariais do passado. "A recuperação é lenta." O
rendimento médio real dos assalariados da região metropolitana
de São Paulo equivale a 54% do que era em 1985. Pesquisa do
Dieese e da Fundação Seade mostra que há dez anos
o rendimento médio real valia R$ 1.548 (abril de 1998). Em abril
deste ano, era de R$ 1.206.
As categorias que não conseguirem aumentos reais devem negociar
incremento nos benefícios, afirma Pedro Jorge Oliveira, assessor
econômico do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo. "Os
vigilantes, por exemplo, não obtiveram neste ano reajuste acima
da inflação. Em compensação, negociaram
um adicional de risco de vida, que, na prática, vai garantir
três parcelas de 3% de aumento durante os próximos três
anos."
(CLAUDIA ROLLI)
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Folha de S.Paulo, 13 de
julho de 2008
foco
Operário diz
que terá mais folga para pagar prestação
de carro após aumento
DA REPORTAGEM LOCAL
Com o aumento real colocado no bolso neste ano, o pedreiro
Dianei Lima Soares, 33, afirma que terá mais "folga" para
pagar parte das prestações do carro comprado
em 2007 por meio de um financiamento.
" Comprei um Gol 97 por R$ 13 mil e tive de financiar cerca de 40%. O aumento
no salário veio em boa hora", afirma Soares, que mora com a mulher
e uma filha em uma casa própria com dois quartos, em Parelheiros (zona
sul de São Paulo).
Aproveitando o aquecimento do setor da construção civil,
o sindicato dos trabalhadores da capital civil negociou reajuste de
8,51%, sendo 2,46% de aumento real (acima da inflação).
" Há cinco, dez anos, era mais difícil um pedreiro comprar
uma casa, um carro. O trabalhador tem mesmo que aproveitar que mais e mais obras
se erguem pela cidade para negociar melhoria nos salários", afirma
o pedreiro.
E quem não concede reajuste, diz Soares, corre o risco de perder
a mão-de-obra. "Recebo diversos convites de obras vizinhas.
Estão sempre procurando gente." (CR)
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Folha de S.Paulo, 13 de
julho de 2008
Subir juro antes reduz ciclo
de alta, afirma BC
Taxa também sobe menos com "ações
preventivas"
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Países que subiram juros antes da disparada da
inflação precisaram elevar menos as taxas
e ainda puderam começar a reduzir os juros mais
rapidamente que aqueles que reagiram tardiamente à subida
de preços. Esse recado está num estudo anexado
ao relatório de inflação divulgado
pelo Banco Central em abril.
Além de se defender das acusações de conservadorismo,
o trabalho também dá uma pista do que os diretores pensam
sobre a próxima disputa no governo: a velocidade com que a inflação
deve convergir para os 4,5%, definidos como centro da meta para inflação.
Para dimensionar as vantagens do que o BC chamou na ata do Copom de
abril como aumento "preventivo" das taxas de juros, o banco
analisou 50 ciclos de elevações nos juros, sendo que
em 22 deles os bancos centrais começaram a subir os juros antes
de a inflação nos seis meses anteriores à decisão
ultrapassar o centro da meta. Esses casos foram considerados como "ações
preventivas".
Em outros 28 exemplos, os bancos centrais reagiram depois que a inflação
média já havia se desviado do centro das metas. Foram
incluídas experiências de Nova Zelândia, Chile,
Israel, Suíça, Tailândia, Turquia e Guatemala,
entre outros.
A conclusão a que o BC chegou é que o aumento de juros
durou 17,3 meses, em média, no caso das políticas monetárias
preventivas, e 21,5 meses quando os bancos centrais reagiram mais tarde.
Os juros acumulados no período de aperto monetário também
foram mais favoráveis aos BCs que agiram mais cedo: 68,6% contra
91,8%. Por último, a produção industrial nos casos
analisados se manteve positiva quando os juros subiram mais cedo, mas
registraram pequena queda nos países que demoraram mais a iniciar
o ciclo de alta da taxa.
" Ciclos contracionistas preventivos são relativamente mais curtos,
mais brandos, mais eficazes e menos custosos do que os reativos. [...] Ações
de política monetária preventivas parecem ser mais eficazes no
sentido de reduzir a inflação, bem como implicam menores custos
em termos de atividade", explica o BC no relatório.
Outra observação diz respeito ao controle de pressões
inflacionárias que têm origem no excesso de demanda. Nesses
casos, o documento diz que os aumentos de preços "tendem
a ser mais facilmente controlados no estágio inicial, antes
de contaminar as expectativas dos agentes e as decisões de preços
e salários de forma persistente".
Na quinta-feira passada, o presidente do BC, Henrique Meirelles, disse
que perseguirá o centro da meta de inflação (4,5%)
no ano que vem. Por enquanto, com os índices de inflação
apontando para o teto fixado pelo governo (6,5%), Meirelles parece
ter respaldo político para implementar sua política preventiva
e menos custosa.
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Folha de S.Paulo, 13 de
julho de 2008
Quanto mais tempo na pobreza,
mais difícil é deixá-la
Estudo do Ipea e da ONU diz que geração
do emprego tem impacto restrito no tempo em que as famílias
permanecem na pobreza
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
Quanto mais tempo uma família permanece na pobreza,
mais difícil é escapar dessa condição,
revela estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada). Se ficar por dois meses abaixo da linha que
divide pobres e não-pobres, a chance de cruzar essa
fronteira é de 50%. Após 15 meses, cai e
se estabiliza em 10%.
A evolução da "pobreza crônica" é progressiva.
Com três meses, a família tem 40% de possibilidade de
deixá-la. Mas, se completar um ano nessa situação,
as chances declinam para 20%. Em média, as famílias avaliadas
se encontraram por 2,7 meses na pobreza.
São consideradas pobres aquelas famílias com renda domiciliar
per capita menor do que R$ 147 por mês, a preços médios
das seis principais regiões metropolitanas do país (São
Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife)
em junho deste ano. Esse parâmetro é o adotado pelo Banco
Mundial.
Os dados e as conclusões constam no estudo "Mudanças
no Mercado de Trabalho Retiram Famílias da Pobreza?", de
autoria dos pesquisadores Ana Flávia Machado e Rafael Ribas.
O trabalho usou como fonte de dados a Pesquisa Mensal de Emprego, do
IBGE. Como parte da amostra da pesquisa acompanha as mesmas pessoas
por um período de 18 meses, é possível verificar
a entrada e a saída desse contingente da pobreza. Para calcular
as chances de permanência nessa condição, os autores
usaram modelos econométricos.
" Depois do segundo mês na pobreza, a família tende a permanecer
cada vez mais tempo até chegar a 15 meses, quando a probabilidade se estabiliza
na casa dos 10%", diz Rafael Ribas, pesquisador do Centro de Internacional
de Pobreza, ligado ao Ipea e à ONU.
O estudo diz que a geração de emprego tem pouco impacto
no tempo de permanência das famílias na pobreza. "A
redução do desemprego não tira pessoas da pobreza
no curto prazo. Quem se emprega primeiro são aqueles que já têm
uma condição mais favorável, que já possuem
um renda complementar", afirma Ribas.
Segundo ele, a literatura sobre mercado de trabalho registra que as
primeiras pessoas a se ocuparem são as que estão no chamado "desemprego
voluntário" -ficam paradas em busca de oportunidade melhor.
Outro fenômeno comum, diz, é que, quando a renda aumenta,
voltam ao mercado trabalhadores com "a possibilidade de escolher
e que se retiraram quando o rendimento estava baixo". "Na
alta, os mais qualificados se empregam no setor formal. A renda maior
cria uma barreira para os mais pobres e menos qualificados."
Ainda assim, a renda é, de todas as variáveis do mercado
de trabalho, a que mais influencia o tempo de permanência na
pobreza -especialmente a do setor informal, segundo o estudo. "Quando
o mercado informal está aquecido e o rendimento aumenta, há um
impacto significativo", diz Ribas.
Segundo o estudo, a alta de 1% na renda dos trabalhadores sem carteira
reduz de 6% a 12% a probabilidade de manutenção de uma
família na pobreza. Já a taxa de desemprego tem efeito
praticamente nulo. A "sorte", diz, é que atualmente
o rendimento no setor informal sobe com mais intensidade do que no
formal graças aos reajustes reais do salário mínimo.
" De fato, quanto mais tempo uma família fica na pobreza, é mais
complicado para ela sair", diz o economista Fábio Romão, da
LCA. Lygia Cesar, da MCM, afirma que o aumento do salário mínimo
reduz o tempo de uma família na pobreza, mas é uma solução
de curto prazo. "O ideal é ampliar o investimento em educação."
Retrato
O estudo do Ipea retratou também os fatores para as famílias
ficarem mais sujeitas à pobreza: maior número de membros
no domicílio e presença de crianças, adolescentes
e adultos analfabetos.
Na outra ponta, lares com estrutura mais envelhecida têm menor
probabilidade de serem pobres: as famílias com idosos possuem
20% menos chance de ficarem na pobreza.
Saídas
Para conseguir retirar famílias da pobreza, não basta
ao Estado realizar políticas pró-emprego, dizem especialistas. É preciso,
no curto prazo, lançar mão de programas de transferência
direta de renda.
" Somente política pró-emprego não basta. É preciso
investir em educação. Mas, no curto prazo, programas de transferência
de renda são muito eficientes, em especial quando têm retorno educacional",
diz Fábio Romão, da LCA.
Segundo ele, modelos como o do Bolsa Família são positivos,
pois atrelam o benefício à freqüência escolar
das crianças das famílias atendidas. O especialista também
defende a política de valorização real do salário
mínimo como instrumento de redistribuição de renda
e de saída da pobreza.
Lygia Cesar, economista da MCM, diz que o reajuste real do salário
mínimo é medida de curto prazo. Só o investimento
maciço em educação, diz, pode assegurar a saída "consistente" da
pobreza crônica.
O estudo do Ipea também conclui que políticas de redução
da pobreza devem transpor o mercado de trabalho. O importante é criar
condições suficientes para que haja "sustento digno
e condições para reverter a situação no
longo prazo por intermédio da qualificação". " Para
essa população, políticas de geração
de emprego podem ser ineficazes para a retirada da pobreza", diz
o texto.
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Folha de S.Paulo, 13 de
julho de 2008
Bico na construção civil é a única
alternativa
DA SUCURSAL DO RIO
Com o mesmo nome de uma famosa via na boêmia Lapa, no
centro do Rio, a rua Gomes Freire no bairro de Marapicu, em
Nova Iguaçu (Baixada Fluminense), é um retrato
da pobreza crônica: chefes de família vivem como
subempregados -quase todos de bicos na construção
civil- e com renda insuficiente para atender às necessidades
básicas do lar.
" Faço biscate quando tem, quando aparece, mas a concorrência é grande.
Todo mundo aqui mexe com obra. Num mês bom, consigo trabalhar, no máximo,
três semanas. Dá uns R$ 400, em média. No máximo,
R$ 500", diz José Francisco de Souza Cardoso, 40.
Ele vive com a mulher, Luciana, numa modesta casa, sem reboco e com
a "área de serviço" ainda feita de tábuas
com seus quatro filhos -todos homens. Nos fundos, onde o esgoto corre
a céu aberto, cria meia dúzia de galinhas e uma porca
prenha -"às meias", como diz, com o vizinho de frente
e amigo, Adegilson João da Silva, 50.
Além da porca, os dois têm em comum o subemprego e a insuficiência
de renda. " Eu só cuido da casa. E ele faz biscates, mas
nem sempre aparece. Quando está bom, dá para tirar uns
R$ 500 no mês. Vivemos com muito aperto", relata Luiza dos
Santos Silva, mulher de Adegilson, sobre a situação do
marido.
Na quinta-feira passada, porém, Silva teve mais sorte que o
vizinho: tinha arrumado um bico naquela semana, que lhe renderia R$
150. O casal tem cinco filhos, e o único rendimento adicional
são os R$ 200 que a filha mais velha, Sandra, recebe para atender
telefonemas numa ONG (Organização Não-Governamental)
do bairro que oferece cursos de informática.
Abaixo da linha
Somada a renda do pai e da filha, a família de sete pessoas
vive com apenas R$ 100 per capita ao mês -abaixo da linha de
pobreza definida pelo Banco Mundial (R$ 147 per capita).
No local, emprego formal é uma raridade e a alta persistente
do preço dos alimentos restringe ainda mais o padrão
de consumo dos moradores. José Francisco de Souza Cardoso relata
que há mais de quatro anos não tem a carteira de trabalho
assinada.
Adegilson vive a situação há mais tempo: 14 anos
fora do mercado formal, desde que perdeu o emprego de vigia em Itaipu
(região oceânica de Niterói), segundo a mulher,
Luiza.
A situação se repete na vizinhança: "Eu não
sei o que é carteira assinada há 18 anos. Nesse tempo,
tenho vivido apenas de biscate em obra, fazendo serviço de pedreiro,
mas nem sempre aparece", conta Luiz Faustino, 50, cujo último
emprego formal também foi na construção civil.
Ele também reclama da concorrência: "Tem muito pedreiro
por aqui. Também não sobra mais nada para fazer. Mas
isso é ruim porque a gente acaba ganhando muito pouco. Nem dá para
as despesas".
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