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Vermelho, 14 de julho de
2008
Ipea: fator previdenciário reduz
aposentadoria em até 40%
O fator previdenciário é prejudicial
ao trabalhador, porque diminui o valor do benefício pago para
quem se aposenta por tempo de serviço, afirmou o técnico
de planejamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea),
Leonardo Alves Rangel. Ele participou de uma audiência pública,
na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara
dos Deputados, para debater o projeto de lei que extingue o fator previdenciário
no cálculo para recebimento do benefício.
Segundo Rangel, a redução
pode chegar até a 40% do valor do benefício, que seria
pago caso o trabalhador fosse aposentado por idade. "Um homem com
35 anos de contribuição após se aposentar, terá desconto
de 30% por causa do fator previdenciário. Para a mulher é pior.
Uma mulher com 31 anos de contribuição terá um desconto
de 40% no valor do benefício, aplicando o fator previdenciário",
explicou.
O diretor do Departamento de
Regime Geral de Previdência do Ministério da Previdência
Social, João Donadon, afirmou que o fator previdenciário
apenas prejudica os trabalhadores que têm salários maiores. "Os
mais afetados pelo fator são trabalhadores com alta renda, e não
os que ganham menos", afirmou.
Donadon disse ainda que o Ministério
não concorda com a extinção do fator previdenciário,
mas que está aberto a propostas alternativas.
"Sabemos que (o fator previdenciário)
não é o melhor do mundo, mas é o que podemos ter.
A previdência não concorda com mudança na regra,
porque quer uma previdência segura para todos", disse.
O projeto que extingue
o fator previdenciário, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS),
foi aprovado pelo Senado, mas ainda deve ser analisado pela Câmara
dos Deputados.
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CONSULTOR JURÍDICO,
14 de julho de 2008
Aumento de produção
Brasil precisa terceirizar atividades
econômicas
por José Eduardo de Resende Chaves
Júnior e Marcus Menezes Barberino Mendes
O Congresso Nacional está em
débito com as relações de trabalho no Brasil. Precisamos
urgentemente de uma lei regulando e autorizando a chamada terceirização
das atividades econômicas. O capitalismo pós-industrial
necessita da especialização e da externalização
das atividades. A empresa contemporânea que não se organizar
numa estrutura reticular, perde agilidade, criatividade, produtividade,
enfim, a empresa-pirâmide não consegue mais competir com
a empresa-rede.
Por falta de lei específica,
o Tribunal Superior do Trabalho passou a normatizar o assunto, através
da Súmula 331. Grosso modo, essa súmula criou a distinção
entre 'atividade-fim' e 'atividade-meio', autorizando apenas a terceirização
dessas últimas atividades.
A distinção entre
atividade-fim e atividade-meio já não tem mais sentido.
Hoje a reorganização produtiva desafia pensar no que é ou
não estratégico para a empresa. Não é à toa
que os bancos estão terceirizando até os serviços
de compensação e as teles as atividades de cabeamento.
Distribuidoras — elas próprias que já exercem uma
atividade essencialmente terceirizada — externalizam também
essa própria distribuição de produtos. Enfim, o
que se percebe é que quem não diferir a produção
está fora do mercado.
Hoje para o Direito do Trabalho,
melhor que falar em empresa — termo de difícil definição
jurídica — é pensar em 'empreendimento'. O 'empreendimento' é toda
a articulação produtiva, toda a sinergia reticular dos
fatores da produção. A dinâmica de produção
hoje não necessita mais de uma subordinação direta,
vertical e disciplinar do trabalhador. Mais do que isso, a reengenharia
da empresa permite que o trabalhador possa prestar o seu serviço,
concomitantemente, não apenas para uma mesma cadeia produtiva,
senão para várias.
O problema de uma externalização
desregulada, entretanto, é o de transformar a terceirização
em merchandising, ou seja, o de transformar o ser humano trabalhador
em simples objeto ou mercadoria. Ao fim e ao cabo, o ímpeto pelo
aumento de criatividade e produtividade da empresa se acomoda, pois os
excedentes obtidos com a pura e simples redução da remuneração
do empregado acaba satisfazendo. Perdem com isso os trabalhadores, sem
dúvida, mas também o Brasil, em competitividade. Ganhar
competitividade em cima dos salários é uma medida que só aumenta
a espiral de desqualificação do trabalhador.
Mas é importante não
confundir a regulação da terceirização com
duas vias absolutamente equivocadas e até mal-intencionadas, em
alguns casos: a pejotização e a parassubordinação,
ou seja, o processo a que o jurista espanhol Antonio Baylos denomina
'deslaboralização do trabalho'.
A parassubordinação é ainda
mais maléfica, pois, ao contrário da pejotização,
não pode ser nem em tese detectada como fraude, já que é a
própria legalização da fraude, uma vez que a proposta
nesse caso é de criação de uma outra regulação
(precária) do trabalho prestado aos empreendimentos em rede.
Além disso, a parassubordinação,
ao se apresentar como uma forma alternativa de contratação,
iria, na prática, transferir a concorrência da seara do
capital, para a do trabalho. Em outras palavras, seria uma espécie
de elisão trabalhista, migrando o par evasão-elisão
da esfera tributária, também para o mundo trabalhista.
A tendência da pejotização
dos trabalhadores, por outro lado, ao contrário de torná-los
seres humanos emancipados e autônomos, acaba, na prática,
reduzindo-os à condição de meros 'autômatos'.
A recente Lei n. 20 da Espanha, de 2007, chegou ao absurdo de criar a
figura do trabalhador autônomo-dependente, pura contradictio in
terminis.
Urge, pois, a edição
de uma lei de terceirização decente e séria para
o país, que efetivamente impulsione as empresas a explorar e aumentar
sua criatividade organizativa e produtiva, mas blindada contra a precarização
e a mera mercantilização do trabalho humano.
Com uma terceirização
regulada, todos se beneficiam e todos se responsabilizam pelo trabalho
e pelo risco econômico da atividade. A Argentina, Uruguai e Chile
já possuem legislação a respeito, o que torna
o débito do nosso Congresso um déficit, inclusive, de
integração regional.
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Agência Diap, 14 de
julho de 2008
PRODUÇÃO LOCAL
FAT: uso do fundo poderá beneficiar
municípios
A Comissão de Desenvolvimento
Regional e Turismo do Senado (CDR) se reúne, nesta terça-feira
(15), às 10h30. O colegiado poderá votar o projeto de lei
do senador Renan Calheiros (PMDB/AL) que altera a legislação
do Fundo do Amparo ao Trabalhador (FAT) para beneficiar os chamados Arranjos
Produtivos Locais (APLs).
Pela proposta (PLS 142/08), os programas de desenvolvimento econômico
financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES) com recursos do FAT deverão levar em consideração
o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das localidades, além
de estimular os arranjos produtivos locais.
O projeto define APL como aglomerados de agentes econômicos de uma mesma
cadeia produtiva, localizados em determinado território, com vínculos
expressivos de articulação e cooperação, que tenham
por fim primordial a competitividade, com geração de renda e
emprego locais.
Em sua justificação, Renan Calheiros argumenta que, diante dos
desafios da globalização, faz-se necessário estabelecer
novos modelos de desenvolvimento da produção local, que levem
em consideração as vocações regionais, "focados
nas inter-relações empresariais, na cooperação,
nas médias, pequenas e microempresas e no acesso a novos mercados".
O senador por Alagoas lembrou que o próprio BNDES vem apoiando sistematicamente
os arranjos produtivos locais, a ponto de ter criado uma área específica
para fomentar o crédito ao segmento.
Ele disse, ainda, haver experiências positivas no Pará, no ramo
de frutas; em Mato Grosso do Sul, na cerâmica: em Minas Gerais, na área
de calçados (em Serrana); e, em Alagoas, nos setores de piscicultura,
movelaria e turismo, entre outros.
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Congresso em Foco, 14 de
julho de 2008
Nave tributária desgovernada
Osiris Lopes Filho*
A proposta de instituição da Contribuição Social
para a Saúde (CSS) constitui impressionante demonstração
de ausência de racionalidade na política tributária do
governo Lula. Trata-se de ressuscitar a extinta CPMF, em versão de intensidade
atenuada, reduzida a sua alíquota para 0,10%, portanto, correspondendo
a um quarto da finada contribuição, extinta em 31 de dezembro
do ano passado.
Predomina no governo federal
primitiva obsessão arrecadatória de obter receita tributária
a qualquer custo, mesmo que em ofensa à disciplinação
explícita estabelecida na Constituição e em sacrifício
do povo brasileiro. Expandiram-se as despesas a cargo do governo federal
e procura-se obter os recursos para cobri-las, sem que se realize a compatibilização
equilibrada entre as fontes de recursos e os gastos governamentais.
Foi encaminhada no início
do ano proposta de reforma constitucional na área tributária
que modifica substancialmente o conjunto de tributos do país.
Em especial, as contribuições à seguridade social.
Substituem-se várias fontes
de financiamento à seguridade social – PIS, Cofins, CSLL – nessa
proposta, colocando-se em recomposição um novo imposto
incidente sobre a circulação de bens e prestação
de serviços, da competência da União, que passará a
prover recursos para vários fundos destinados a financiar a seguridade
social, o desenvolvimento regional e os fundos de participação
dos estados e dos municípios. Consiste em profunda reformulação
da matéria tributária e da financeira.
A proposta de reforma tributária
acaba com toda a estruturação da seguridade social, como
concebida na Constituição atual, que prevê fontes
autônomas de recursos para dar-lhe sustentação, mediante
a Cofins, a contribuição para o PIS e CSLL. Nessa linha,
propõe-se a redução da contribuição
patronal para a previdência social, de 20%, para 14%, sem definir-se,
com clareza, como se realizará a recomposição dessa
perda de receita decorrente da redução de alíquota.
O projeto se propõe, enfim,
a realizar uma reforma macro do financiamento do poder público,
por meio dos tributos, e, paralelamente, tenta-se recriar a CPMF, nessa
versão mitigada da CSS.
Quanto à CSS, a bem da
verdade, constitui tentativa da qual o governo Lula não assume
a paternidade explícita, mas se rende timidamente constrangido à sua
efetivação.
A crise econômica mundial,
cujos efeitos já chegaram ao país (inflação
ascendente, aumento exponencial do petróleo e seus derivados,
e elevação dos preços dos alimentos) exigem uma
tomada de posição clara dos rumos a serem dados à política
econômica, com reflexos nas áreas tributária e financeira.
O que se tem na questão
tributária são propostas confusas de aprendiz de feiticeiro,
sem orientação firme, que possa aglutinar os interesses
dos entes federados e do povo, padecente tributário que, pelo
que se desenha, vai ter a continuidade crescente da espoliação
tributária sem obter a contra-partida de serviços públicos
razoáveis.
*Osiris de Azevedo Lopes Filho, advogado
e professor de Direito na Universidade de Brasília (UnB), foi
secretário da Receita Federal.
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Gazeta do Povo, 14 de julho de 2008
Fomento
Indústria está mais
dependente do BNDES
O investimento produtivo brasileiro
aumentou substancialmente sua dependência do Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a partir do
ano passado. A participação do banco na formação
de capital – traduzida, grosso modo, como a participação
nos investimentos das empresas – que, historicamente, se
situava entre 6% e 6,8%, saltou no ano passado para 8,3% do total.
No primeiro semestre ficou perto de 10%, e deve fechar o ano pouco
acima disso.
À primeira vista, a impressão é de que o BNDES está aumentando
sua importância como opção de financiamento ao capital, em
detrimento de outras fontes de recursos no mercado financeiro. O presidente do
banco, Luciano Coutinho, no entanto, sustenta que o ciclo pesado de investimentos
de longo prazo – mais difícil de atrair financiamento privado por
causa da demora na maturação – provoca a mudança.
O BNDES já anunciou que sua liberação de recursos este
ano deve chegar a R$ 84 bilhões. Se a projeção se concretizar,
isso irá representar uma elevação de quase 30% em relação
ao recorde registrado no ano passado, de R$ 64,9 bilhões. A carga, porém, é maior
do que o banco pode suportar. Para honrar os financiamentos, o banco irá aumentar
o giro de sua carteira de ações – o saldo de compra e venda
de títulos na BNDESPar, o braço de participações
em empresas do banco, deve ficar neste ano em R$ 17 bilhões.
Entrevista
Por que o peso do BNDES está aumentando nos investimentos?
O que está acontecendo é, primeiro, uma aceleração
geral dos investimentos. Quando se entra num ciclo de crescimento, começa
a haver projetos mais intensivos em capital, novas fábricas, novas unidades.
E o BNDES é a única alternativa disponível?
Quando há demanda por grandes investimentos e prazo
de maturação muito longo, é natural que o BNDES
tenha uma demanda que cresce mais forte do que a média.
O BNDES não está, então, substituindo o mercado?
Não vejo um processo de substituição, mas de combinação
de fontes. O fato de o BNDES ter uma taxa mais favorável não
deve ser encarado negativamente. Se isso não existisse, é discutível
a tese de que o sistema bancário teria uma taxa muito mais baixa enquanto
a Selic tiver de ser o que ela é.
Luciano Coutinho, presidente do BNDES.
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O ESTADO DO PARANÁ,
14 de julho de 2008 | Economia
Governo já projeta desaceleração
do PIB para 2009
Agência Estado
A estratégia do governo
para estabilizar a economia é impedir que o ajuste seja feito
pelo "efeito destruidor" da inflação, que penaliza
as camadas mais pobres da população e desorganiza os preços
nos diversos setores econômicos. A calibragem das taxas de juros,
capitaneada pelo Banco Central (BC), é ainda o principal instrumento
para desacelerar a atividade para algo entre 4% e 4,5% em 2009, sem jogar
o País numa recessão desnecessária. O cenário
mais favorável considera que a economia crescerá um pouco
abaixo do Produto Interno Bruto (PIB) potencial, controverso cálculo
que aponta o ritmo de expansão que não põe em risco
o controle dos preços. As estimativas otimistas colocam o PIB
potencial em cerca de 5% e as mais pessimistas, na casa dos 4%.
A desaceleração
da economia do ritmo de 5,8%, no fim de 2007, para o intervalo entre
4% a 4,5% no ano que vem, não deve ser entendida como uma medida
drástica. "Ninguém quer fazer uma recessão",
pondera um ministro. Ele cita como referência o ajuste adotado
em 2005, quando o nível de crescimento foi arrastado para a marca
dos 3,2%, o que criou "um estado de apreensão" no governo,
mas, ainda assim, não inibiu os investimentos privados. A situação é muito
diferente e a economia, agora, tem melhor condição de resposta
para se adaptar a um ritmo compatível com o desejo de trazer a
inflação para a meta de 4,5%, definida para os próximos
dois anos.
O nível de crescimento
da economia de 4% é considerado um nível "melhor
do que o passado" e um sinalizador mais importante que os 3,2%
de 2005. "Um crescimento acima de 4% é uma coisa extraordinária",
disseram dois ministros. O cenário internacional sugere que
os países vão desacelerar suas economias. O processo é irreversível,
seja por força do aumento das taxas de juros ou por meio da
inflação. "É inevitável essa desaceleração;
não vamos continuar crescendo porque a capacidade de continuar
crescendo chegou ao limite", sustentam alguns analistas. As informações
são do jornal O Estado de S. Paulo.
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O ESTADO DO PARANÁ,
14 de julho de 2008 | Economia
Mulheres ocupam mais espaço
no mercado formal de trabalho
Agência Estado
As mulheres brasileiras têm conquistado gradativamente seu espaço
no mercado de trabalho formal em quatro setores da economia: comércio,
serviços, indústria e construção. Num estudo comparativo
entre os anos de 2002 e 2006, o setor da indústria tem sido mais representativo
nessa conquista. Por outro lado, a participação dos homens apresenta
uma queda contínua em todos os setores, apresentando apenas um leve
crescimento na área da construção.
Essa e outras análises
fazem parte do Anuário do Trabalho na Micro e Pequena Empresa
2008, encomendado pelo Sebrae ao Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O estudo é uma compilação
de várias bases de dados que trazem informações
do mercado de trabalho no período de 2002 a 2006.
Para formulação
do levantamento, foram utilizados informações do Dieese,
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Relação
Anual de Informações Sociais (Rais), Pesquisa Nacional
por Amostra de Domicílio (Pnad), Ministério do Trabalho
e Pesquisa do Emprego e Desemprego (PED) e Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados (Caged).
Com base nos dados da Rais 2006,
foram utilizadas informações de 6.073.056 micro, pequenas,
médias e grandes empresas formais. Dessas, 2.241.071 declararam
ter empregados, sendo 97,5% delas (2.184.934) micro e pequenas empresas
(MPE) e 2,5% (56.137) médias e grandes empresas. No que se refere à mão-de-obra,
essas MPE pesquisadas empregam 13.248.527 pessoas. Já as médias
e grandes empresas empregam 12.827.677. Esse dado confirma que as micro
e pequenas empresas são responsáveis pela maior parte dos
empregos formais no País.
O diretor-técnico do Dieese,
Clemente Ganz Lúcio, explica que nesta segunda edição
houve algumas inovações na metodologia do anuário.
A primeira edição compilou dados dos anos de 2001 a 2005. “O
atual estudo traz novas informações, como dados metropolitanos
e do Distrito Federal - baseados na Pesquisa de Emprego e Desemprego
(PED) - a distribuição de empresas e empregados por setores
de atividade e localidade. Também foi feita a atualização
e aprimoramento das bases de dados da Rais”.
Mulheres nos negócios
Sob o aspecto do gênero,
o estudo revela que na microempresa, embora o homem ocupe predominantemente
as vagas de trabalho nos quatro setores da economia pesquisados, com
um total de 3.627.548 em 2006, é a mulher que a cada ano vem conquistando
novos espaços no mercado. Na microempresa, entre 2002 e 2006,
houve um crescimento de 39,6%, o que representava 2.074.260 mulheres,
para 41,3%, o que corresponde a 2.552.261 mulheres. Embora, o crescimento
tenha sido apenas de 1,3 percentual, ele vem ocorrendo todos os anos.
O crescimento mais significativo
na microempresa, em termos setoriais, assim como nos últimos sete
anos – período da última pesquisa – ocorreu
na indústria, passando de 31% para 32,9%. Em seguida, veio o comércio
que passou, de 41,5%, para 43,1%. O setor de serviços teve um
crescimento de 48,1% para 49,3%. Como nos anos anteriores, a construção é o único
setor em que a mulher apresenta decréscimo de 0,5%. No entanto,
são essas poucas mulheres (6,6%) presentes nesse setor que recebem
os maiores salários. Em 2006, elas recebiam, em média,
12,5% mais que os homens.
Por outro lado, o homem vem tendo
uma queda contínua de participação em todos os setores.
No comércio, houve uma queda de 58,5%, em 2002, para 56,9%, em
2006. Assim como nos setor de serviços, 51,9% para 50,7%, e na
indústria, de 69% para 67,1%. O setor da construção
foi o único que registrou leve crescimento de 92% para 92,5%.
Também na pequena empresa,
o emprego feminino cresceu mais que o masculino, com participação
de 36,1% para 37,4% entre 2002 e 2006. O segmento do comércio
foi o que apresentou maior ampliação da participação
feminina, 1,9 ponto percentual, tendo passado de 36,2% para 38,1%.
Nas Regiões Metropolitanas,
as mulheres estão mais presentes nas micro e pequenas empresas:
Salvador (44,4%); Distrito Federal (42,1%); Belo Horizonte (42%); São
Paulo (39,6%); Porto Alegre (39,5%); e Recife (38,3%). As médias
e grandes empresas destinam suas vagas de trabalho para cerca de 33%
a 38% das mulheres.
MPE e mercado de trabalho
De 2002 a 2005, as micro e pequenas
empresas foram responsáveis por aproximadamente 52% dos empregos
formais urbanos do País, gerando 5,3 milhões postos de
trabalho no período. Esse crescimento foi acompanhado pelo aumento
no número de estabelecimentos, sendo: 3,9% ao ano de MPE, na comparação
entre 2002 e 2006, e 5,4% ao ano nas pequenas empresas no mesmo período.
Isso frente a um crescimento de 4,1% ao ano no total das empresas, independente
do seu porte.
Do ponto de vista setorial, as
micro e pequenas empresas dos setores de comércio e de serviços
representaram 84% do universo de estabelecimentos formais brasileiros,
totalizando mais de 1,8 milhão de estabelecimentos em 2006. Em
todos os estados brasileiros, o emprego formal entre as microempresas é maior
no comércio, com exceção do Distrito Federal e do
Rio de Janeiro, onde o setor de serviços supera o comércio.
Quando são considerados
os empregos formais urbanos nas pequenas empresas, também seguindo
os setores de atividade econômica, a participação
do setor de serviços é nacionalmente superior à do
comércio, ficando o primeiro com 37% dos postos e o segundo com
32%.
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JB ONLINE, 14 de julho de
2008
Homens assumem a faxina e mulheres
invadem a construção civil
Carolina Bellei, Jornal do Brasil
RIO - Já foi o tempo em que se dizia que lugar de mulher é na
cozinha. Ou mesmo que varrer casa não é serviço para homens.
Em duas frentes de trabalho no Rio, os papéis começam a se misturar.
Como revelam as rotinas da paraibana Sueli Martins, 28 anos, e do carioca Richard
Nicholson Gonçalves, de 36 anos.
Ela largou avental, vassoura,
panela e espanador para usar capacete e luvas e trabalhar com espátula,
massa e serra, enquanto ele abraçou as tarefas do lar. Sueli ganha
a vida como operária em uma obra na Barra. Já Richard é empregado
doméstico na Lagoa.
Sueli afirma não se arrepender
de ter trocado de profissão e ainda ressalta que atualmente ganha
mais como rejuntadora – ela coloca massas entre os espaços
dos azulejos.
– Adoro o que eu faço
e só penso em me aperfeiçoar – conta Sueli, que pretende
fazer curso para aplicar azulejos.
– Nessa profissão
tenho muito mais reconhecimento e é um prazer ver o trabalho pronto.
Para Richard, a decisão
de largar a empresa onde trabalhava como copeiro também foi acertada.
Ele conseguiu triplicar a renda de
R$ 500 mensais e investir na
reforma da sua casa.
– Hoje moro em uma mansão – brinca
Richard, que construiu sua casa em Belford Roxo.
– E consegui fazer tudo
graças ao dinheiro que consigo tirar com as faxinas.
Papéis trocados
Os casos de Sueli e Richard
não são isolados. O doméstico é apenas um
dos 13.101 homens que trabalham com esse serviço no município
do Rio, segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio
(Pnad), de 2006, feita para o Instituto Pereira Passos.
A surpresa da pesquisa é que
na Pnad de 2004 não havia registro de homens nesta função.
Já a operária
faz parte dos 3% de mulheres que trabalham com construção
civil no Brasil, num total de 5,83 milhões de pessoas, de acordo
com a mesma Pnad de 2006.
Em contrapartida, a pesquisa
ainda revela que o número de mulheres que trabalham como domésticas
caiu na cidade. Há quatro anos eram 203 mil, mas atualmente são
184 mil.
Para os papéis trocados,
as características de cada sexo são exaltadas.
Se de um lado há delicadeza,
do outro, a força. Para a presidente do Sindicato das Domésticas
do Rio, Carli Maria dos Santos, algumas funções da casa
precisam de um braço forte.
– Sempre achei que faxina
fosse serviço de homem – argumenta Carli. – Eles têm
mais força para arrastar móveis, limpar vidro e lustrar,
por exemplo.
Já o encarregado de obra
Lenildo dos Santos, supervisor de Sueli, diz preferir mulheres em serviços
de acabamento, como rejuntes, pinturas e colocação de azulejos.
– Ela são mais caprichosas,
têm mais cuidado e atenção – afirma Lenildo. –
Há cerca de dois anos
tenho optado por mulheres em serviços que exijam bem mais delicadeza.
Com 42 anos, Lenildo afirma
respeitar as mulheres que trabalham nos canteiros de obra e diz que não
iria se importar se sua mulher optasse pela carreira.
– Só não
ia querer que trabalhasse comigo. Ela já diz que sou mandão
em casa, imagina trabalhando junto.
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Agência Brasil, 14 de julho de 2008
PEC de Clodovil quer reduzir o
número de deputados pela metade
Iolando Lourenço
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Quase no apagar das luzes
do primeiro semestre legislativo, o deputado Clodovil Hernandes (PR-SP) apresentou à Mesa
da Câmara proposta de emenda à Constituição (PEC)
que visa reduzir o número de deputados federais dos atuais 513 para
250. A proposta recebeu o apoiamento de 279 deputados, mas bastava o apoio
de 172 deputados para que ela fosse apresentada. Agora a proposta deverá ser
encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça
e de Cidadania (CCJ), para uma primeira análise de admissibilidade e
dos pressupostos de constitucionalidade e juridicidade.
De acordo com a PEC, a representação por estado e pelo Distrito
Federal será estabelecida por lei complementar, proporcionalmente à população,
procedendo-se aos ajustes necessários, no ano anterior às eleições.
A proposta estabelece que nenhuma unidade da federação poderá ter
menos de quatro deputados federais e nem mais de 35. Atualmente, a menor representação
tem oito deputados, o que atinge oito estados e o DF, e a maior, 70 deputados,
que é o caso de São Paulo. “O atual número de deputados
nos parece excessivo, mormente em um momento em que a sociedade se volta contra
a classe política e exige a depuração de seus quadros”,
afirma o parlamentar paulista, na justificativa à sua proposta.
Clodovil afirma que a Câmara exerce atividades que viabilizam a realização
dos anseios da população com a discussão e aprovação
de propostas sobre as mais diferentes áreas. “Entendemos que a
Câmara, com 250 membros, já possuirá amplas condições
de representar a diversidade da sociedade brasileira, e possibilitará um
enxugamento de estruturas administrativas que redundará até mesmo
em significativa diminuição de despesas públicas como
ganho secundário”, justifica Clodovil.
Se a proposta vier a ser aprovada haverá um corte de 263 deputados e
uma redução de gastos, só em despesas com esses parlamentares,
da ordem de R$ 26,3 milhões por mês, se considerar que o deputado
custa por mês algo em torno de R$ 100 mil, incluindo salário,
despesas com pessoal de gabinete, verba indenizatória, moradia e passagens.
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O ESTADO DO PARANÁ,
14 de julho de 2008 | Política
Lei eliminaria 20% dos candidatos nesta
eleição
Redação O Estado do Paraná
Se a lei que torna inelegível o político com pendências
na Justiça fosse aprovada pelo Senado e entrasse em vigor antes das
eleições deste ano, de 15% a 20% dos candidatos registrados teriam
problemas para participar do pleito. A estimativa é do secretário-geral
da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), juiz Paulo Henrique
Machado, com base nos números preliminares colhidos junto aos 3.200
juízes eleitorais do País.
A associação vem
solicitando a todos os juízes eleitorais as informações
sobre os registros de candidatos a prefeito e vice-prefeito e as certidões
criminais de cada candidato para divulgar à sociedade a lista
dos políticos com “ficha suja” que vão disputar
prefeituras neste ano. A AMB promete disponibilizar a lista no dia 15
de agosto. Com os dados recebidos até agora, Paulo Henrique Machado
aponta que um em cada cinco candidatos tem problemas com a Justiça.
A lei atual determina que um
político só se torna inelegível se condenado em última
instância - quando não é mais possível recorrer.
Na última terça, porém, a Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) do Senado aprovou projeto que altera esta lei.
Pelo texto, que ainda precisa ir a votação no plenário
da Casa e na Câmara, fica proibida a candidatura de políticos
condenados - ainda que em primeira instância - por crimes eleitorais,
corrupção, improbidade administrativa ou com penas superiores
a dez anos de detenção.
O tema voltou à tona no
início de junho, quando, respondendo a consulta, o Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) manteve, por 4 votos a 3, o entendimento de que as candidaturas
de políticos com “ficha suja” devem ser permitidas,
a menos que eles já tenham sido condenados sem possibilidade de
recorrer.
A AMB entrou com liminar no Supremo
Tribunal Federal (STF) contra a decisão. O texto deve ir a votação
no Supremo em agosto. A comissão do Senado, então, decidiu
votar o projeto de lei a respeito, que há anos tramita na Casa.
A secretário-geral da
AMB revelou que tem havido algumas dificuldades para receber as informações,
inclusive por pressões políticas locais. “Há um
receio, uma preocupação com a divulgação,
o que não faz sentido, já que é uma questão
de garantir o acesso a informações que são públicas”,
diz o magistrado.
O juiz rebate o argumento de
que impedir a candidatura antes da sentença final seria uma “condenação
prévia”. Segundo ele, “é preciso fazer uma
ponderação de valores. Qual dano seria maior? Uma pessoa
não poder se candidatar, apesar de ainda não ter sido condenada
em definitivo, ou essa pessoa ser eleita e cometer danos irreparáveis?”. “O
cidadão comum não pode prestar um concurso para policial
se tiver inscrição no Serasa, e o político vai ao
tribunal e diz: ‘Estou resolvendo isso, ainda não há uma
condenação definitiva’, e fica tudo bem”, compara
Machado.
Comissão do Congresso
pendurada no STF
Congresso em Foco
Uma das comissões mais
importantes do Congresso Nacional, que tem a responsabilidade de examinar
e emitir parecer sobre os gastos da Presidência da República
e os programas que recebem verbas federais, a Comissão Mista do
Orçamento (CMO) tem metade de sua mesa diretora envolvidas em
processos no Supremo Tribunal Federal (STF).
Com a nomeação
do senador Marconi Perillo (PSDB-GO) para o posto de primeiro vice-presidente,
a CMO terá dois assentos da presidência do colegiado composta
por parlamentares com processos na corte responsável pelas denúncias
que envolvem deputados e senadores devido ao foro privilegiado.
O senador - que integra pela
primeira vez a CMO - responde a três inquéritos abertos
no STF por crimes contra a administração pública,
licitação pública, corrupção ativa
e passiva. Além dos inquéritos, também tramita no
STF uma petição em que o parlamentar é investigado
por crimes eleitorais cometidos em 2006. Todos os quatro processos correm
em segredo de Justiça.
O senador Gim Argello (PTB-DF),
que assumiu que ocupa o cargo de terceiro vice-presidente é o
outro integrante da presidência da comissão às voltas
com a Justiça. Contra o petebista tramita inquérito no
STF em que é acusado de crime contra o patrimônio e apropriação
indébita. Peculato, corrupção passiva e lavagem
de dinheiro. Ele classifica o processo como acusações com
objetivos políticos, ocorridas às vésperas das eleições
de 2002.
Argello assumiu o cargo de senador
após renúncia de Joaquim Roriz (PMDB-DF), acusado de participação
em um esquema de desvio de recursos do Banco de Brasília (BRB),
investigado pela Operação Aquarela, da Polícia Civil
do Distrito Federal e do Ministério Público Federal. Gim
Argello também é suspeito de participar do esquema.
Mais casos no Congresso
Mas o fato de ter parlamentares
que respondem a processos na Justiça não é uma prerrogativa
da presidência da CMO. Levantamento do site Congresso em Foco mostra
ainda que quase metade dos congressistas escolhidos para elaborar os
relatórios setoriais - que irão compor o relatório
final - da proposta orçamentária da União para 2009,
também responde a processos na alta corte. Dos dez relatores setoriais,
quatro são acusados de terem cometido crimes contra o patrimônio
e o sistema financeiro nacional, lavagem de dinheiro, corrupção
passiva e apropriação indébita.
Além deles, outros seis
integrantes da comissão, composta por 30 deputados e dez senadores
titulares, também são alvo de investigação.
Na relação, constam três membros dos comitês
criados no âmbito do colegiado para fiscalizar a execução
orçamentária, avaliar a receita e a admissibilidade das
emendas parlamentares.
Para a deputada Luciana Genro
(RS), líder do Psol na Câmara, ter um parlamentar com processo
na Justiça na presidência das comissões do Congresso
não causa espanto. “Para mim não me surpreende, o
Senado já mostrou que não está preocupado com a
conduta ética de seus integrantes quando absolveu Renan Calheiros
(PMDB-AL). Mas isso também acontece aqui na Câmara”,
disse, referindo-se aos seis processos arquivados no Senado, em 2007,
contra o senador alagoano.
A deputada lembrou que
o Psol tem feito a sua parte apresentando denúncias ao Conselho
de Ética do Senado apontando possíveis quebra de decoro.
Mas ela lamentou que o Conselho, que já havia absolvido Renan
Calheiros, arquivou a denúncia contra Marconi Perillo.
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O ESTADO DO PARANÁ,
14 de julho de 2008 | Economia
Campanha eleitoral “aquece” a
economia
Lyrian Saiki
Eles não engrossam o mercado de trabalho formal, não aparecem
nas estatísticas, são pouco remunerados, mas têm papel
fundamental nos próximos três meses. São os cabos eleitorais,
que ainda estão trabalhando de forma tímida no centro e alguns
cruzamentos da cidade, mas que vão se multiplicar nas próximas
semanas, à medida que o dia das eleições municipais (5
de outubro) se aproximar. A campanha eleitoral mexe ainda com outros setores
da economia, com destaque para a indústria gráfica - responsável
pela produção de santinhos, panfletos, jornais, bandeiras, faixas,
banners -, empresas de publicidade e propaganda, além de alimentação,
transporte, telecomunicação.
“Não há levantamento,
pesquisa que identifique o número de trabalhadores temporários
por conta das eleições, nem a massa de renda que entra
na economia. Mas apesar de toda a movimentação, não é algo
tão significativo assim”, ponderou o chefe do Departamento
de Economia da UniFae, Gilmar Lourenço. Só em Curitiba,
os partidos prevêem gastar R$ 48 milhões - soma de todos
os valores declarados à Justiça Federal.
Para Lourenço, mais importante
do que essa soma de valores é quanto os governos dos três
níveis - municipal, estadual e federal - gastam em anos eleitorais. “São
serviços, obras públicas que não seriam realizadas
caso não houvesse eleição”, disse. Sobre os
cabos eleitorais, Lourenço destacou que se trata de um serviço
precário, que não exige qualquer tipo de qualificação
do candidato e o salário é baixo. “Acho que não
chega a R$ 30 por dia. É um bico para completar a renda da família
ou para um estudante viver menos dependente da família por dois
ou três meses”, resumiu.
Partidos
Em consulta ao partidos políticos
que vão disputar a eleição de Curitiba, a coligação
que lançou Gleisi Hoffmann (PT) como candidata já contratou
400 temporários até agora, segundo a assessoria de imprensa. “É o
pessoal de apoio, de comunicação e vários outros”,
explicou. A assessoria não informou qual a estimativa de contratação
até a data da eleição. Ao Tribunal Regional Eleitoral
do Paraná (TRE-PR), a coligação fez estimativa de
gastos de R$ 14 milhões.
De acordo com Mateus Maranhão,
coordenador da campanha do deputado estadual Fábio Camargo (PTB)
- candidato que fez a previsão mais elevada de gastos para a campanha
eleitoral: R$ 14 milhões -, cerca de 1,5 mil pessoas devem trabalhar
na campanha, entre voluntários e contratados. Segundo Maranhão,
a contratação de cabos eleitorais ainda não começou. “A
população ainda não está ligada nas eleições.
A partir do dia 19 de agosto, quando começa o horário eleitoral
no rádio e na tv, é que a campanha vai ganhar força”,
disse. Segundo ele, os cabos eleitorais geralmente têm vínculo
com algum filiado do partido. “São pessoas que aproveitam
esse período para ganhar um dinheiro extra.”
O coordenador de campanha do
candidato Carlos Moreira (PMDB), Rasca Rodrigues, informou que a fase
ainda é de captação de recursos e que não
há previsão de temporários a serem contratados durante
toda a campanha. “Vamos começar com duzentas pessoas”,
disse. Indefinição também quando o assunto é o
salário a ser pago. “O que baseia a campanha eleitoral é a
voz do corredor, é aquilo que se troca de informações
entre os candidatos. Se um cabo eleitoral ganha menos, ele vai trabalhar
para quem paga mais”, disse. E acrescentou: “O próprio
mercado vai estipular os valores que serão pagos aos cabos eleitorais.”
Voluntários
Na ponta contrária, o
candidato que declarou o menor valor a ser gasto durante a campanha -
R$ 100 mil -, Bruno Meirinho, do PSOL, não deve contratar cabos
eleitorais, segundo a assessoria de imprensa. “Todos os militantes
são voluntários, nenhum cabo eleitoral será contratado.
Primeiro, porque o orçamento não comporta e, segundo, porque
faz parte da política do partido trabalhar apenas com quem está envolvido
no projeto.”
Oportunidade para ganho extra
Desempregado há duas semanas,
o cabo eleitoral Edson Campos, 22, aproveitou o período de campanha
eleitoral para fazer um bico. “Vou torcer para a candidata vencer,
mas não quero estar aqui até as eleições”,
disse o rapaz, que continua procurando trabalho com carteira assinada,
enquanto agita a bandeira do partido. Para trabalhar na campanha, Edson
diz que vai receber R$ 416,00 líquidos, além de vale-transporte
e vale-refeição de R$ 7,00 por dia. O dinheiro já tem
destino: vai para uma poupança. “Estou querendo casar, construir
uma casa”, disse.
Para Regina Aparecida de Carvalho,
19, trabalhar como cabo eleitoral também é uma oportunidade
para garantir um dinheiro extra. “Nunca tinha trabalhado. Com esse
dinheiro, vou pagar contas, comprar roupas”, disse Regina, que
também vai receber um salário mínimo.
Por amor ao partido, o inspetor
de escola Jair Cardoso de Oliveira, 53, está aproveitando as férias
para trabalhar na campanha. “Quando as aulas recomeçarem,
vou continuar na campanha”, disse. Segundo Oliveira, as pessoas
que trabalham em campanhas do partido geralmente são por indicação.
Também por amor à bandeira, a manicure Alessandra da Silva,
34, vai deixar o serviço autônomo nos próximos três
meses para se dedicar à campanha. “Como manicure, ganho
cerca de R$ 600 ao mês. Aqui, vou receber um pouco menos, mas vai
valer a pena”, disse.
Gráficas esperam aumentar faturamento
em até 20%
Toneladas e mais toneladas de
papéis já têm um destino certo: vão se transformar
em santinhos, panfletos e jornais nos próximos dias. O presidente
do Sindicato da Indústria Gráfica no Paraná, Sidney
Paciornik, aposta que a campanha eleitoral aumente em 20% o faturamento
das empresas do setor, de maneira geral. “Apenas algumas gráficas,
cerca de 20% do total, sofrem o efeito direto das eleições.
Por algum motivo - ou porque tem relacionamento com o candidato ou porque
conta com estrutura adequada - algumas se tornam fornecedoras de material
para os políticos”, comentou.
De maneira indireta, porém,
praticamente todas acabam se beneficiando do trabalho extra. “É um
trabalho penoso, muito urgente e que exige muitos cortes para fazer o
santinho. Há gráficas que precisam fechar para outros clientes
e ficar apenas com os políticos. Acabam passando serviço
para outras. Nesse caso, as gráficas menores também se
beneficiam”, disse.
O período eleitoral é curto
e exige muito trabalho. “Algumas gráficas chegam a dobrar
a quantidade de serviço nesta época, a ponto de criar
turnos extras, fazer contratações”, lembrou Paciornik. “Dá uma
boa aquecida no setor.” Os santinhos são os campeões. “Um
santinho na mão certa, na hora certa, pode significar um voto
para o candidato. Não é a única ferramenta de
campanha, mas é importantíssimo”, salientou. Em
todo o Paraná, há cerca de 1,2 mil gráficas -
aproximadamente 400 na Grande Curitiba. O setor emprega no Estado cerca
de 10 mil pessoas.
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FOLHA DE LONDRINA, 14 de
julho de 2008 | Opinião
Candidatos representam o que o povo é
Se o círculo social tem gente desonesta,
também desse meio irão emergir os postulantes desonestos
Os candidatos a cargos eletivos são produtos do meio e não de
fora dele, por isso que os mais diferentes tipos se apresentam. Se a sociedade é formada
por uma múltipla gama de personalidades, com diferenciadas atividades
profissionais incluindo figuras exóticas e de comportamentos sociais
diversos, é desse núcleo que irão emergir os candidatos.
Elegê-los ou não é uma decisão do eleitorado. O
que importa é que, no mínimo, sejam honestos em seus propósitos
e se mantenham nessa conduta, se eleitos, e prestem bom serviço à comunidade.
E apenas serem honestos ainda
não basta, porque é necessário que tenham bom desempenho
na função que se propõem exercer. Reportagem de
ontem deste Jornal mostrou que dentre os 868 que estão se habilitando à Câmara
Municipal de Curitiba existe um travesti, um ex-gari, um sósia
de Mister Bean, uma mulher borracheira e uma professora de 76 anos que
usa como símbolo de campanha um facão. Esta porque certo
dia, na escola, valendo-se de um facão que havia servido para
uma dança gaúcha, brandiu o instrumento contra um maloqueiro
e o fez correr. Daquelas quase 9 centenas de candidatos, metade não
tem curso superior, mas esta é também uma realidade do
conjunto da sociedade. Se certo tipo de popularidade não é garantia
de eleição, não há porque estranhar os diferentes
modelos de postulantes.
Isto vale também para
a triste realidade de que, se o círculo social tem gente desonesta,
desse meio saem candidatos desonestos, que buscam entrar na vida pública
com o único propósito de ter um bom emprego e levar vantagens
pessoais. Alguns chegam a afirmar isso aos seus íntimos. Compete
aos partidos políticos, como primeira seleção, homologar
aqueles com mais aparência de seriedade e com passado de vida limpa,
e também entre estes destacar os que mostrem mais preparo. Certo é que
os partidos contemplam também algumas sabidas nulidades, e o povo às
vezes vota nelas como forma de protesto. Muitos se lembram que, no final
da década de 50, os paulistas elegeram vereadores o hipopótamo
Cacareco e o macaco Tião, do zoológico público.
Eram livres manifestações de repulsa aos políticos
- já naqueles tempos e como sempre no Brasil - mas todas essas
coisas empobrecem a legitimidade de um pleito eleitoral.
Nos casos citados, importa
que o travesti não faça da Câmara um palco de exibicionismo,
se guindado ao poder; que Mister Bim (este o nome registrado) não
converta seu desempenho em palhaçadas; que a professora Maria
do Facão, como é conhecida, use a arma de seus conhecimentos
de mestra, e assim com todos aqueles que se elegem. Os simples, mas
com virtudes, são ainda melhores que os doutos eventualmente
vestidos com pele de cordeiro, mas lobos.
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O ESTADO DO PARANÁ,
14 de julho de 2008 | Cidades
Maioridade com conquistas e muitos
desafios pela frente
Newton Almeida
Foto: Aliocha Maurício

Em 2006, o Sipia registrou mais de 54 mil violações dos direitos
fundamentais das crianças.
Considerado por alguns educadores como uma das maiores conquistas pelos direitos
da criança, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa
hoje a sua maioridade. Criado há 18 anos, o ECA, segundo especialistas,
gerou inúmeros avanços para a sociedade, entretanto, são
apontados uma série de fatores que ainda precisam de atenção
do poder público e da sociedade.
Entre os fatos que mais chamam
a atenção entre as violações dos direitos
fundamentais previstos pelo ECA estão os casos de abuso e exploração
sexual infantil. Mais de um terço das denúncias registradas
pelo Disque Denúncia Nacional de Abuso e Exploração
Sexual Contra Crianças e Adolescentes, da Secretaria Especial
dos Direitos Humanos (SEDH), é referente a esse tipo de violação.
De acordo com o coordenador estadual
do Sistema de Informação para a Infância e Adolescência
(Sipia), Marcos Kohls, nos últimos três anos, do universo
de violações dos cinco direito fundamentais previstos pelo
ECA, em média, 16% são referentes às violências
física, psicológica e sexual.
Em 2006, o Sipia registrou mais
de 54 mil violações dos direitos fundamentais. Destas,
9.491 foram referentes a violências físicas, psicológicas
e sexuais. No mesmo ano, foram quase 2 mil casos de violência sexual
contra crianças e adolescentes. Em 2007, foram contabilizados
7.166 casos de violências. Entretanto, segundo Kohls, não
se pode afirmar que o número de casos diminuiu porque os dados
ainda não fecharam.
“Gradativamente, desde
2006, mais conselhos tutelares passaram a utilizar o sistema. Se tivermos
100% de adesão dos conselhos ao sistema, poderemos nos aproximar
da realidade e mapear os locais de maior incidência”, afirma
Kohls. Os dados do Sipia são atualizados conforme os atendimentos
realizados pelos conselheiros tutelares.
Segundo a SEDH, o número
de denúncias de abuso e exploração sexual de crianças
só fica atrás das notificações de negligências
(34,6%), e de violência física e psicológica (33,54%).
O órgão confirma que o número de denúncias
aumentou significativamente nos últimos cinco anos. Diariamente,
o Disque Denúncia registra 1.868 atendimentos similares a esse
tipo de violação.
O Paraná tem a 23.ª maior
média de denúncias entre os Estados da Federação.
Para cada 100 mil habitantes, a média é de 33,24 denúncias
emitidas no Estado. Nesse quesito, o Distrito Federal é o que
mais denuncia, com 80,54 notificações para cada 100 mil
habitantes.
De maio de 2003 a junho de 2008,
o Disque Denúncia encaminhou aos órgãos de defesa
dos direitos da criança e do adolescente quase 70 mil denúncias
em todo o País. Neste ano, o Disque Denúncia vem recebendo
uma média de 93 denúncias por dia.
Para denunciar situações
de risco para crianças e adolescentes, a população
pode discar o número 100, do Disque Denúncia. O serviço
funciona diariamente das 8h às 22h, inclusive finais de semana
e feriados.
ECA garante direitos
Nesta semana, uma série
de eventos alusivos ao aniversário do Estatuto da Criança
e do Adolescente (ECA) se desencadearam pelo Paraná.
Na última quarta-feira,
a Assembléia Legislativa do Paraná promoveu uma audiência
pública comemorativa para debater os avanços do ECA no
Estado. Na ocasião, foram debatidos os principais pontos que ainda
precisam ser corrigidos e os aspectos positivos dos últimos 18
anos.
Para o promotor de Justiça
do Ministério Público (MP) do Paraná, Murillo Digiácomo,
o grande destaque da implementação do ECA é que,
depois que a lei passou a vigorar, as crianças e os adolescentes
passaram a ser sujeitos de direitos. “O grande desafio é fazer
com que esses direitos se efetivem.
Para isso, é preciso que
hajam políticas públicas”, comenta o promotor.
Digiácomo afirma que
atualmente se investe pouco em políticas públicas de prevenção
e se gasta muito com repressão. “Esses investimentos têm
reflexos positivos lá na frente. Não podemos agir somente
quando o problema já está instalado”, diz.
O promotor afirma que é preciso
o envolvimento de toda a sociedade para que haja uma diminuição
significativa das ocorrências de violência contra menores. “Hoje
existe uma noção equivocada de que o atendimento é só a
cargo dos conselhos tutelares e do poder público. Precisarmos
fazer com que também as famílias assumam suas responsabilidades.”
Dependência
Digiácomo ressalta que
o uso de entorpecentes é tido como a principal causa da violência,
não só com adolescentes, mas em todos as faixas etárias. “Precisamos
de políticas de prevenção e estrutura para a recuperação
de jovens que sofrem de dependência química”, afirma.
O promotor acredita que, para
isso, o Poder Executivo deveria investir pesado em saúde.
Educação
Segundo o promotor, dentre a
população carcerária adulta, a média de escolarização é muito
baixa. Portanto, para ele, é fundamental o combate à evasão
escolar e a implantação de programas de inserção
escolar para os adolescentes que se afastaram dos estudos.
Envolvimento do poder público
Segundo Digiácomo, existe o princípio constitucional de que a
criança e o adolescente são prioridade absoluta para municípios
e Estados. “No percentual mínimo que deve ser destinado à saúde,
por exemplo, o recurso prioritário deveria ser destinado à criança.”
MPF quer restringir propaganda
Na última quinta-feira,
o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação
civil pública pela restrição do horário de
veiculação de propagandas de cerveja nas emissoras de rádio
e televisão. A medida, segundo o MPF, visa atender a competência
atribuída pelo ECA ao órgão, que deveria promover
ações para a efetivação dos direitos constitucionais
relativos à criança e ao adolescente.
Caso a Justiça Federal
de Curitiba acate a solicitação do MPF, a medida passa
a valer para todo o território nacional. O órgão
informou que “tais comerciais não só estimulam o
comportamento de risco, como expõem crianças e adolescentes
ao universo adulto, atrelando, na maioria das vezes, o consumo de bebidas
alcoólicas a uma vida de êxito, alegria e saúde -
o que, por certo, não corresponde à realidade”.
Para o diretor secretário
do Sindicato das Agências de Propaganda do Estado do Paraná,
Helisson Schiavinato, o MPF quer atribuir à publicidade um ônus
indevido. “A culpa pelo que acontece em decorrência do abuso
do álcool não é da publicidade”. Para Schiavinato,
outras medidas deveriam ser tomadas para inibir a venda de bebidas alcoólicas
para menores. “Não adianta não passar na televisão
e um pai abrir uma garrafa de bebida diante do filho. Não podemos
ser culpados pela atitude de criminosos que vendem bebidas alcoólicas
para crianças”, afirma.
Schiavinato acredita que não
haverá grande impacto nas vendas e que o mercado deve se alinhar
caso a determinação seja acatada pela Justiça. “O
mercado de cigarro nunca cresceu tanto quanto nos últimos anos,
mesmo depois da total proibição da veiculação
desse material na mídia”.
A reportagem de O Estado procurou
a procuradora regional dos Direitos do Cidadão do MPF, Antônia
Lélia Sanches, porém a assessoria do MPF informou que ela
não se pronunciaria sobre a medida.
Conselhos tutelares são avanço
Para a conselheira tutelar Jussara
da Silva Gouveia, a instituição dos conselhos é um
avanço evidente do ECA. “Hoje temos conselhos em 100% dos
399 municípios do Estado. Isso permite à sociedade acompanhar
de perto os problemas em torno das nossas crianças e adolescentes”,
conta.
Contudo, de acordo com o coordenador
do Sistema de Informação para a Infância e Adolescência
(Sipia), Marcos Kohls, dos 413 conselhos tutelares do Paraná,
alguns ainda apresentam problemas estruturais, que, segundo ele, acabam
impedindo que os conselheiros atendam às ocorrências de
violação dos direitos da criança com eficiência.
Kohls relata que alguns municípios
deveriam contar com um número maior de conselhos. O Conselho Nacional
dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) recomenda que
cada município tenha um conselho tutelar para cada 200 mil habitantes.
“Em Foz do Iguaçu,
por exemplo, onde somados a população de trânsito
com a residente passa de 400 mil, existe apenas um conselho.
Isso acaba sobrecarregando o
trabalho dos conselheiros locais”, afirma. Kols conta que, por
outro lado, Curitiba é uma referência nesse quesito, pois
conta com nove conselhos tutelares.
O coordenador do Sipia
ressalta que, a medida em que os conselhos vão aderindo ao banco
de dados da Sipia, “é possível fazer um trabalho
de análise e visualizar onde está a maior incidência
de violações”.
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JORNAL A TARDE, 14 de julho
de 2008 | Brasil
Quanto mais cedo começam a
trabalhar, menos chances de ascensão profissional têm
os adolescentes, diz OIT
Brasília - Nem todas as formas de trabalho são vetadas aos adolescentes.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) diz que eles podem trabalhar
a partir dos 14 anos na condição de aprendiz, ou seja, em empresas
que tenham um programa de aprendizado elaborado para recebê-los.
A partir dos 16 anos os adolescentes
já podem trabalhar recebendo salário e desempenhando funções
como um adulto, desde que elas não sejam insalubres e que a carga
de trabalho não seja incompatível com as atividades escolares.
Eles não podem trabalhar no período noturno e devem receber
salário equivalente ao dos adultos, de acordo com o número
de horas que trabalhem – mas nunca menos que um salário
mínimo.
De acordo com Renato Mendes,
coordenador de projetos para erradicação do trabalho infantil
na Organização Internacional do Trabalho (OIT), respeitados
esses critérios, não há problemas para o desenvolvimento
físico ou psicológico do adolescente.
Mesmo assim, ele diz que,
ao contrário do que indica o senso comum, quanto mais cedo se
começa a trabalhar, menor será o salário na vida
adulta. “A OIT tem um estudo que mostra que o trabalho precoce
faz com que aquele adolescente absorva menos informação
na escola. Isso prejudica a escalada dele na vida profissional, fazendo
com que os que começam mais cedo tenham salários menores,
porque geralmente têm menos tempo de estudo e menos conteúdo”,
explicou Mendes.
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O ESTADO DO PARANÁ,
14 de julho de 2008 | Direito & Justiça
Gestão nas relações
sindicais e trabalhistas
Marcel Tadeu Alves da Silva
Gestão e treinamento são dois pontos fundamentais para o sucesso
de qualquer atividade empresarial. Nas áreas trabalhista e sindical
não é diferente. A importância e a própria eficácia
do treinamento consistem na apresentação aos participantes, por
intermédio de uma abordagem dinâmica e interativa, de uma visão
diferenciada quanto à gestão das relações trabalhistas
e sindicais, de acordo com aquilo que denominamos processo de negociação
coletiva de trabalho, ou seja: uma metodologia moderna de direcionamento estratégico
nessa área de atuação.
O conteúdo do treinamento é construído
justamente com base em casos concretos, sendo que os conceitos nele difundidos
representam uma visão sistêmica da área sindical
(e do processo de negociação) e são semelhantes àqueles
de um estratagema de negócios, com planejamento e ações
de curto, médio e longo prazo, avaliando-se, conseqüentemente,
resultados dentro desses períodos de tempo.
Um exemplo concreto é a
aplicação de abordagem relativa às competências
cruzadas, que combina ao mesmo tempo formas de comunicação
entre a liderança, empregados e dirigentes sindicais com um misto
de gestão de pessoas e métodos jurídicos que fornece
formas de gestão e mecanismos de prevenção do assédio
moral.
Há atualmente à disposição
das empresas um arsenal de ferramentas para gestão do ambiente
do trabalho, tais como: pesquisas de clima, entrevistas de desligamento, índices
de aceitação do “layout” dos ambientes fabris,
mapa de vulnerabilidades, mapeamento das demandas trabalhistas, entre
outros. Essas ferramentas dão um bom direcionamento do que deve
permanecer ou ser modificado para uma boa gestão do ambiente de
trabalho.
A boa gestão do ambiente
e essas respostas dos empregados são essenciais para direcionar
o projeto. Esse se diferencia por ser efetivado, dentre outros aspectos,
por treinamentos, mediante abordagem expositiva, com uma visão
crítica que fornece uma análise completa do tema, com uma
ampla abertura para o campo da interação e discussão,
sendo indicado a todos que participam direta ou indiretamente da gestão
das relações sindicais da empresa.
Na atual conjuntura, a discussão
sindical envolve muitos fatores como, por exemplo, debates sobre as cláusulas
econômicas. Antigamente, se discutia uma recomposição
da inflação na casa de dois dígitos. Isso não
acontece mais e a conseqüência é um impulso para uma
negociação mais pesada sobre vários enfoques junto
a relação de emprego, dentre eles, os mecanismos de remuneração,
benefícios e cláusulas sociais. Com isso, a interligação
da negociação com os processos de recursos humanos e o
gerenciamento das relações trabalhistas tomou uma dimensão
maior ainda.
Atualmente, são muitas
as propostas em discussão sobre a reforma sindical. Muito tem
se discutido quanto à organização das entidades
sindicais, sua forma de custeio, dentre outros temas. Mas, o que de concreto
aconteceu foi à aprovação da Emenda 45, que trouxe
o “comum acordo” que, em tese, diminui o poder normativo,
uma vez que a parte que decidir ingressar com um dissídio deve
ter o consenso da outra. Na prática, porém, a discussão
ainda não tem um posicionamento solidificado.
Marcel Tadeu Alves da Silva atua
na área de direito coletivo e sindical do Peixoto e Cury Advogados.
mts@peixotoecury.com.br
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Agência Diap, 14 de
julho de 2008
MÃO-DE-OBRA
Projeto proíbe agências
de emprego de cobrarem taxas de cadastro
A Comissão de Constituição
e Justiça da Câmara, analisa em sua pauta ordinária
desta semana o PL 210/07, que proíbe, em todo território
nacional, a cobrança pelas agências de mão-de-obra
de taxas de cadastramento de trabalhadores em busca de emprego.
O projeto, do deputado Jorginho Maluly (DEM/SP), cujo relator no colegiado é o
deputado Nelson Trad (PMDB/MS), que apresentou parecer favorável ao
texto. A matéria já foi aprovada na Comissão de Trabalho
da Casa, cujo relator foi o deputado Pedro Henry (PP/MT).
Os Deputados Regis de Oliveira (PSC/SP) e Sérgio Brito (PDT/BA) apresentaram
votos em separado.
O colegiado tem sua primeira reunião agenda para está terça-feira
(15), às 14h30, no plenário 1.
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