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Gazeta do Povo, 15 de julho de 2008
Economia doméstica
Faça o seu orçamento
Só fazendo os cálculos é possível
descobrir porque as contas não estão fechando, e
encontrar saídas para os problemas financeiros
Você pode usar um caderninho, uma agenda, uma planilha eletrônica
ou um programa especializado para preparar seu orçamento doméstico.
Só não pode deixar de fazê-lo: segundo especialistas em
finanças pessoais, ele pode significar a diferença entre uma
conta no vermelho e dinheiro de sobra para investir.
“ Na prática, há um monte de coisas que as pessoas não
percebem na sua vida financeira até que fazem um levantamento das suas
receitas e despesas”, diz o consultor financeiro curitibano Raphael Cordeiro.
Há diversas maneiras diferentes de fazer isso, e também de usar
os dados resultantes. Cordeiro aconselha fazer o orçamento primeiro com
os dados que estão à mão, e mais tarde preparar um fluxo
de caixa mais detalhado, com os dados do mês. “Pode ser que aí a
pessoa perceba que falta dinheiro. Sinal de que ela não tem total controle
das suas finanças”, observa.
É muito comum essa situação ocorrer com profissionais liberais.
O fato de ter várias fontes de recursos e muito poucas receitas fixas
torna o controle mais complexo. É a situação oposta do assalariado,
que sabe o quanto ganha, mas não controla bem as despesas.
Para o consultor paulista Reinaldo Domingos, que se auto-intitula “terapeuta
financeiro”, o orçamento é um instrumento importante para
a realização dos sonhos. “A pessoa precisa estabelecer
objetivos, saber o que ela quer fazer com o dinheiro que ganha”, afirma.
Pode ser um sonho de consumo – comprar uma tevê de plasma ou um
carro novo, por exemplo – ou uma meta de longo prazo, como ter um valor
reservado para complementar a aposentadoria. “O meu gasto precisa ser
o que eu ganho menos o que eu reservo para realizar meu sonho”, receita. “Mas é fazendo
o orçamento que as pessoas costumam se assustar”, diz. “É assim
que elas descobrem o seu verdadeiro ‘eu financeiro’.”
Domingos sugere que as pessoas anotem detalhadamente os seus gastos por um
a três meses, com atenção especial nos desembolsos de pequeno
valor. “Os pequenos gastos é que levam à independência
financeira”, diz. Por pequenos gastos entendam-se os lanchinhos no meio
da tarde, as compras por impulso, uma compra a mais naquela saída para
o shopping. E são elas que revelam o verdadeiro perfil do consumidor. É possível,
diz ele, economizar dinheiro em grandes compras e deixar que ele escape nas
pequenas coisas.
Cordeiro não é tão duro no que se refere aos pequenos
gastos. “Se o sujeito está com muito aperto no seu fluxo de caixa,
cada centavo vai fazer diferença. Se não é o caso, pode
arredondar sem problemas”, diz.
Feito o orçamento – que nada mais é do que uma programação
de como serão usados os recursos disponíveis–, é preciso
segui-lo à risca. O acompanhamento pode ser feito por meio de caderninho
e calculadora ou por meios mais modernos. Cordeiro só não aconselha
o uso de softwares como o Money. “Os relatórios são complicados
demais”, diz. “Não achei neles nada que uma planilha do
Excel não resolva.”
Um erro comum é esquecer de programar despesas. Muitas vezes o consumidor
economiza recursos para dar de entrada num carro novo, mas deixa de colocar
na sua previsão de gastos as parcelas do financiamento. Nesse caso,
todos os meses vão fechar no negativo. E ainda tem o seguro, o IPVA,
o combustível...
O importante é manter o foco. Normalmente com pouco tempo de acompanhamento
a pessoa percebe onde está gastando demais e resolve os problemas, cortando
despesas excessivas. Há, no entanto, casos especiais. “Tem gente
que realmente tem dificuldade com números e que pode precisar do auxílio
de alguém que seja melhor do que ele em matemática ou até mesmo
de um contador”, diz Cordeiro. “Se a questão é de
renegociar taxas de juros com bancos, é melhor pedir ajuda a alguém
que conheça matemática financeira.”
Quando nem isso resolve, é sinal de que o problema não é simplesmente
financeiro. “Não é possível que a pessoa não
entenda que 2-3= -1”, comenta o consultor. “Eu já tive de
encaminhar pelo menos três pessoas a buscar orientação
psicológica.”
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FETICOM/SC,
15 de julho de 2008
CRICIÚMA/SC
Sindicato protesta contra demissão de funcionário
Cerca
de 80 trabalhadores da Cerâmica Gisele, antiga Recel, de
Criciúma devem paralisar as atividades a partir da próxima
segunda-feira. O movimento está sendo organizado pelo Sindicato
dos Trabalhadores Ceramistas de Criciúma e região em protesto
contra a demissão do funcionário e diretor do Sindicato,
Paulino José de Souza, ocorrida na última semana, segundo
o presidente do Sindicato, Itaci de Sá.
"Nos reunimos no começo desta tarde com a direção
que nada resolveu e encaminhou a questão para o departamento jurídico",
explica Itaci. Durante todo o dia de hoje protestos com a presença
de mais sindicatos da região foram realizados em frente à empresa.
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VERMELHO, 15 de julho de
2008
Especialistas revivem debate do "pleno
emprego" no Brasil
A taxa de desemprego está em
forte queda nos últimos meses. Em maio, a taxa de desocupação
ficou em 7,9%, o menor nível para esse mês desde 2002,
quando houve mudança de metodologia na Pesquisa Mensal de
Emprego (PME) do IBGE. O número já está dentro
do intervalo das estimativas do Banco Central (BC) para a controvertida "taxa
natural de desemprego", que oscila entre 7,4% e 8,5%, dependendo
da metodologia de cálculo adotada. O conceito se refere à taxa
que não provoca a aceleração da inflação.
A queda na taxa de desemprego
tem sido de fato bastante veloz e surpreendente. Os 7,9% de maio ficaram
2,2 pontos percentuais abaixo dos 10,1% observados no maio do ano passado.
Entre janeiro e abril, a taxa havia caído entre 1,2 e 1,6 ponto
na comparação com o mesmo período de 2007, o que
evidencia a aceleração no tombo da desocupação
em maio, como observa o economista Fábio Romão, da LCA
Consultores.
Para ele, porém, esse
ritmo não deve se manter nos próximos meses. Romão
acredita em altas um pouco mais modestas do nível de ocupação,
que, em maio, cresceu 4,6% nas seis regiões metropolitanas pesquisadas
pelo IBGE, em relação ao mesmo mês do ano passado.
Nos últimos meses de 2008, ele espera crescimento mais próximos
de 3%, na mesma base de comparação. "É um nível
ainda robusto, mas haverá alguma desaceleração até o
fim do ano." Ele acredita que a taxa de desemprego encerrará o
ano em 7,9%, um nível baixo para padrões brasileiros, mas
acima dos 7,4% de dezembro de 2007, quando foi registrado o menor número
da série iniciada em 2002.
Romão não acha
que o Brasil viva uma situação de pleno emprego. Para ele,
as desigualdades regionais do mercado de trabalho e de renda tornam muito
complicada essa avaliação. "Além disso, a PME,
ainda que seja uma pesquisa bem feita, engloba apenas seis regiões
metropolitanas. É precário dizer que há pleno emprego
sem levar a situação no resto do país."
O professor Samuel Pessôa,
da Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE) da
Fundação Getúlio Vargas (FGV), discorda de Romão.
Para ele, a economia opera em pleno emprego. Segundo ele, há vários
sinais de que o país está crescendo acima do seu potencial:
a inflação ganha velocidade, a utilização
de capacidade instalada da indústria está em níveis
elevados, a atividade econômica avança com força
- e o desemprego está em queda rápida.
Para Pessôa, isso indica
que a taxa desemprego está próxima do seu nível
natural ou até abaixo dela. Ele ressalta, porém, que esse é apenas
um dos indicadores que devem ser observados para verificar se a economia
cresce acima do seus limites não-inflacionários. No próprio
mercado de trabalho, Pessôa lembra que é fundamental acompanhar
a evolução dos aumentos de salários, comparando-os
com a produtividade. Reajustes que superam os ganhos de eficiência
são uma ameaça à estabilidade de preços.
Por enquanto, não há sinais claros de que isso esteja em
curso. Na indústria de transformação, por exemplo,
o custo do trabalho, calculado pela comparação dos salários
reais com a produtividade, cai 1,17% nos 12 meses até maio, mas
sobe 0,28% nos cinco primeiros meses do ano.
O cálculo da taxa natural
de desemprego é bastante polêmica. No relatório de
inflação de março, o BC traz algumas estimativas,
baseando-se em grande parte num estudo de Tito Nícias Teixeira
da Silva Filho, economista do próprio BC. Um dos cálculos
mostra que, de 1986 a 2006, a taxa natural seria de 7,4%. O próprio
relatório lembra, porém, que há "grande incerteza
por trás dessa estimativa", notando que, se excluído
1994, "ano em que a inflação foi fortemente reduzida
por causa do Plano Real", a taxa subiria para 9,9%.
O ex-ministro Antonio Delfim
Netto é um crítico ferrenho do conceito, também
conhecido como taxa de desemprego que não acelera a inflação
("nairu", no acrônimo em inglês). Delfim reserva à "nairu" a
mesma acidez que destina para a idéia de crescimento potencial,
que mede o ritmo de expansão da atividade econômica que
não leva a pressões sobre os preços. Segundo ele,
os cálculos para a taxa natural de desemprego apresentam "variâncias
gigantescas", não sendo, com isso, um bom guia para a política
monetária.
Em seus artigos, Delfim gosta
de lembrar que, nos anos 90, o ex-presidente do Federal Reserve (Fed,
o banco central americano) Alan Greenspan não aumentou os juros,
mesmo quando a taxa de desemprego caiu abaixo da "nairu" americana,
que ficaria na casa de 5%. A desocupação chegou a menos
de 4%, sem que houvesse pressões inflacionárias relevantes,
principalmente por causa dos fortes ganhos de produtividade.
O ex-ministro do Trabalho Edward
Amadeo, sócio da Gávea Investimentos, vê o conceito
de taxa natural de desemprego com outros olhos. "Ninguém
discute que se trata de um cálculo precário, mas eu pergunto:
trata-se de algo irrelevante, que não deve ser levado em conta?" Para
ele, o cálculo é útil para ajudar na condução
da política monetária, do mesmo modo que as estimativas
de crescimento potencial e de utilização de capacidade. "É claro
que não se deve aumentar automaticamente os juros quando o desemprego
bate em determinado nível, mas é um ingrediente importante
para o BC."
Amadeo diz não saber
dizer se a taxa de desemprego chegou ao seu nível "natural",
mas nota que ela recuou bastante nos últimos anos - de 12,3%,
em 2003, para cerca de 8%. Alguns setores, como a construção
civil, têm uma situação mais apertada, observa ele.
Amadeo lembra, porém, que os ganhos de produtividade continuam
robustos e, como Pessôa, ressalta que a "nairu" muda
ao longo do tempo, dependendo das condições estruturais
da economia.
Fonte: Valor Econômico
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AGÊNCIA DIAP, 15 de
julho de 2008
NORMA INTERNACIONAL
Convenção 187: segurança
e saúde no trabalho em debate
O 18º Congresso Mundial
sobre Segurança e Saúde no Trabalho, promovido pela
Organização Internacional do Trabalho (OIT), aprovou
declaração recomendando aos governos a adoção
de políticas para criar uma cultura de prevenção
de acidentes e doenças do trabalho.
Os participantes do encontro,
realizado entre 27 de junho e 4 de julho em Seul, consideraram essencial
que os países ratifiquem a Convenção 187 da OIT
e apliquem todos os dispositivos do organismo internacional para melhorar
os ambientes de trabalho.
Representante
Para o diretor do Departamento de Políticas de Saúde
e Segurança Ocupacional do Ministério da Previdência
Social, Remígio Todeschini, que representou o Brasil no evento,
os termos da declaração do 18º Congresso mostram que
o governo brasileiro está no caminho certo ao tomar diversas iniciativas
para reduzir os acidentes e melhorar as condições de trabalho
no país.
Ele lembrou que será publicada
nos próximos dias uma portaria com a composição
da comissão tripartite encarregada de propor medidas para aperfeiçoar
as condições de trabalho.
Todeschini explicou, durante
o congresso, a estratégia brasileira para reduzir a subnotificação
de acidentes e doenças do trabalho, com a adoção
a partir de abril do ano passado do Nexo Técnico Epidemiológico
(NTEP) e a introdução de alíquotas específicas
por empresa para a contribuição ao Seguro de Acidente de
Trabalho (SAT).
INSS
O NTEP permite ao médico
perito do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) identificar, a partir
de análise científica, se determinada doença decorre
da atividade profissional do trabalhador. Antes, o registro dependia
de comunicação da empresa.
O conhecimento da realidade,
destaca, é fundamental para a definição de políticas
públicas eficazes na redução dos acidentes e doenças
do trabalho. Outra medida importante é a implantação
do Fator Acidentário de Prevenção (FAP), que vai
resultar na cobrança de alíquotas de contribuição
ao SAT diferenciadas por empresa. As empresas que apresentarem menores
taxas de acidentes terão redução em suas alíquotas.
Aquelas com maior incidência irão pagar mais.
O Congresso também fez
recomendações às empresas, que devem tratar a prevenção
como parte integrante de suas atividades. A declaração
diz ainda que a gestão das empresas deve contemplar a busca de
ambientes seguros de trabalho. (Fonte: Ministério da Previdência
Social)
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JORNAL AGORA, 15 de julho
de 2008
Revisão do INSS na Justiça
ficará mais rápida
Entra em vigor no dia 8 de agosto
a lei que permite que ações terminem nos tribunais
inferiores se o STJ já tiver decisões sobre o mesmo
assunto
A partir de 8 de agosto, os processos judiciários -inclusive aqueles
contra o INSS - poderão ter julgamento final na segunda instância,
sem recurso ao STJ (Superior Tribunal de Justiça). Ontem, o presidente
do tribunal, ministro Humberto Gomes de Barros, assinou a resolução
que regulamenta a lei 11.672, publicada em maio. Os processos sobre um mesmo
tema poderão ter decisão final nos tribunais regionais ou de
Justiça. Segundo o STJ, assim, cerca de 75% dos processos não
chegarão mais ao tribunal. A maioria envolve órgãos do
governo, como o INSS.
Entre os processos que poderão
acabar mais cedo, estão algumas revisões previdenciárias.
O STJ já deu decisões favoráveis para a revisão
do teto de 1989 e para o acúmulo do auxílio-acidente com
a aposentadoria.
Pela nova regra, se a decisão
dos tribunais inferiores for igual à que o STJ já tomou
em situação anterior, não haverá chance de
recurso. Para isso, o entendimento do STJ deverá estar publicado
em uma súmula -orientação sobre determinado tema.
Há 357 súmulas, sendo 353 publicadas.
Recurso
Só poderá haver recurso se a decisão dos tribunais for
diferente. Se ainda não houver súmula sobre um tema, mas os tribunais
perceberem que há muitos recursos sendo pedidos a respeito dele, será possível
pedir que o STJ tome uma decisão sobre a ação.
Nesses casos, o presidente do tribunal de segunda instância poderá suspender
os julgamentos de ações semelhantes por 180 dias e enviar um
ou mais processos para o STJ. O tribunal terá 60 dias para julgar a
ação e publicar um novo entendimento, que deverá ser seguido
pelos tribunais inferiores. Se o prazo não for cumprido, os tribunais
de segundo grau poderão continuar com os recursos.
" A grande qualidade dessa lei é fazer com que as questões
semelhantes tenham soluções semelhantes, em prazos muito curtos",
disse o ministro Gomes de Barros. "Uma vez estabelecida a orientação,
espero que ela se torne um farol permanente para o juiz."
A mudança beneficiará principalmente quem entrou com uma ação
em varas da Justiça Federal (primeira instância) e está com
recurso sendo analisado na segunda (Tribunal Regional Federal). Quem tem ação
no juizado pode ser beneficiado se o juiz seguir as orientações
do STJ, mas o INSS poderá recorrer.
Para o STJ, agora a Justiça terá prazos mais rígidos e
os tribunais terão uma solução uniforme para julgamentos
repetitivos.
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CONGRESSO EM FOCO, 15 de
julho de 2008
Senado recua e desiste de criar cargos
sem concurso
A Mesa Diretora do Senado decidiu hoje (15) recuar da decisão de criar
97 cargos sem concurso público na Casa, com salários de quase
R$ 10 mil.
Os integrantes da Mesa haviam
decidido, no último dia 9, criar os cargos sem o aval do plenário
do Senado. Entretanto, a criação das vagas só poderia
ser feita por projeto de resolução, que deve ser submetido à votação
em plenário.
Ao Congresso em Foco, o líder
do DEM no Senado, José Agripino (RN), explicou que não
contrataria nenhum funcionário por meio dos novos cargos que seriam
criados. "Esse assunto não é dos líderes, é da
Mesa. Para mim, esse assunto está encerrado."
Diante do desgaste, os senadores
resolveram voltar atrás e arquivar o pedido para criação
de novos cargos no Senado. A Mesa Diretora é composta, além
do presidente, Garibaldi Alves (PMDB-RN), pelos senadores Tião
Viana (PT-AC), Alvaro Dias (PSDB-PR), Efraim Moraes (DEM-PB), Gerson
Camata (PMDB-ES), César Borges (DEM-BA) e Magno Malta (PR-ES).
A assessoria de Garibaldi
avisou que enviará nota à tarde explicando a decisão.
(Tatiana Damasceno)
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VERMELHO, 15 de julho de
2008
Reflexões de Fidel Castro: A
fraqueza das potências
Este é um tema sério.
A Cúpula dos líderes das oito potências mais
industrializadas do planeta foi realizada nos dias 7, 8 e 9 de julho
numa zona montanhosa em frente do Toyako, lago formado na cratera
de um vulcão, ao norte da ilha de Hokkaido, no extremo setentrional
do arquipélago japonês. Não podia ter sido escolhido
um lugar mais afastado e isolado do mundano ruído.
Por Fidel Castro
A 150 quilômetros desse
lugar, 21 mil policiais japoneses, com impressionantes escudos e capacetes,
custodiavam o centro urbano de Sapporo, prontos para neutralizarem protestos.
Mais 20 mil vigiavam as ruas da próprio Tóquio, a capital
do Japão.
Integram o G-8, por ordem alfabética,
a Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha,
Itália, Japão e Rússia. Seus líderes vivem
acossados por problemas, entre outros, os vestígios do passado
e a tendência crescente para o domínio político,
econômico, tecnológico e militar dos Estados Unidos. Todos
deverão encarar um enxame de problemas nacionais e internacionais
inadiáveis, que exigem soluções urgentes.
Convidaram para sua reunião
em Toyako o chamado G-5: o Brasil, China, Índia, México
e África do Sul, para ouvi-los num café da manhã.
Também foram convidados para conversar durante uma hora outros
três países de economias emergentes: a Austrália,
Coréia do Sul e Indonésia.
Segundo estimativas, em 11 de
julho de 2008, a população do planeta beirava mais de 6,7
bilhões de habitantes. Os países em desenvolvimento acima
referidos possuem mais de 65% da população mundial.
Nos três dias, realizaram-se
reuniões multilaterais e bilaterais de todo tipo. Os países
em desenvolvimento convidados ao encontro reuniram-se em Hokkaido e falaram
sem papas na língua.
Na declaração
final da Cúpula, as potências industrializadas do G-8 proclamaram
que se tinha obtido uma grande concessão: os Estados Unidos, e
com eles, as outras potências do grupo, tinham-se comprometido
a reduzir a emissão de gases exigida, para o ano de 2050, daqui
a 42 anos!, isto é, para o dia de São Nunca. Nenhum dos
demais problemas críticos que deram lugar a tão estranha
cúpula tinha sido resolvido.
Dela emanaram importantes notícias
que falam por si próprias, e das quais apenas escolho textualmente
algumas:
"… fracassaram em
atingir um acordo com países emergentes sobre como responder à mudança
climática".
" As 16 principais economias
comprometeram-se a diminuir consideravelmente as emissões de gases,
embora países emergentes ratificassem suas exigências de
fundos e tecnologias aos mais poderosos."
" O presidente Hu Jintao
rejeitou acusações de que a crise alimentar é devida
ao crescimento econômico de alguns países em desenvolvimento."
" Lula sugeriu que a FAO
atribuiu a alta global dos alimentos às manobras especulativas
com as matérias-primas."
" O Fundo Mundial para a
Natureza qualificou de patético o comportamento dos países
ricos do G-8, os quais acusou de iludirem sua responsabilidade na luta
contra a mudança climática."
" Os subsídios agrícolas
foram hoje o ponto de maior atrito na reunião do G-8 e do G-5."
" Os funcionários
do Banco Central Europeu disseram que continuavam preocupados pela inflação,
apesar da subida das taxas de juros."
" 'É uma falha completa,
não avançaram e sim evitaram adotar claros objetivos de
redução de emissão de gases a médio prazo',
salientou o Greenpeace."
" 'A Rússia está extremamente
contrariada pela assinatura, na terça-feira, de um acordo para
o escudo espacial entre Washington e Praga,' disse o presidente Medvedev
no Japão."
" Especialistas militares
russos reagiram com indignação à assinatura de um
acordo entre os Estados Unidos e Praga para a instalação
do escudo antimísseis e exigiram duras medidas de represália."
Em 10 de julho continuaram chegando
a Cuba as lamentações sobre as conseqüências
do atual caos, vinculadas ou não diretamente à Cúpula
do Japão.
" Os corais também
sofrem estresse devido a fatores, como a mudança climática
e a poluição, que provocaram que um terço de estes
construtores de recifes estejam em perigo de extinção.
Os recifes de coral, cuja construção precisa de milhões
de anos, albergam mais de 25 % das espécies marinhas."
Nesse mesmo dia, e sem ter relação
com a outra notícia, na União Internacional para a Conservação
da Natureza (UICN) e na Organização das Nações
Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) se espalhou
a seguinte informação: "As variações
de temperatura devido à mudança climática terão
forte impacto na pesca e na aqüicultura, com importantes conseqüências
para a segurança alimentar de algumas populações.
Explicou-se que os alimentos aquáticos são muito nutritivos
e contribuem com 20% ou mais do consumo médio per capita de proteína
animal de 2,8 bilhões de pessoas, principalmente nos países
em desenvolvimento."
Nesse dia, do continente africano
eram lançadas igualmente duras críticas:
" O Pacto Europeu sobre
Imigração começa a despertar indignação
na África, à qual o Senegal pediu que reaja diante do que
alguns descrevem como um ‘muro’ erigido pela Europa contra
os desesperados do Sul", declarou o ministro das Relações
Exteriores desse país no fim de uma reunião de especialistas
em Dakar.
Por seu lado, o jornal El País,
de Burkina Fasso publicou:
" Para deter a malta de
desesperados que geralmente chegam do sul para tomar de surpresa suas
fronteiras, a Europa não encontrou nada melhor que levantar um
muro.
" A época dos novos
muros é um anacronismo na era da mundialização…"
Não pára a chuva
de queixas. Enquanto o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon
Brown, ainda se encontrava no Japão, um estudo da cadeia britânica
BBC informava a baixa moral das Forças Armadas britânicas.
" Segundo o estudo do Ministério
da Defesa do Reino Unido, quase a metade do pessoal militar desse país
está pronto para deixar as Forças Armadas.
" Os 47% dos entrevistados
do Exército e da Marinha Real e os 44% da Real Força Aérea
disseram que estão com vontade de deixar as Forças Armadas.
" Entre as inquietações
manifestadas… estão os freqüentes desdobramentos no
estrangeiro, o pagamento e a habitação.
" O Exército Regular
já padece um déficit de uns cinco mil soldados em meio às
preocupações de que oficiais jovens inexperientes e oficiais
não-comissionados desertam, havendo taxas sem precedentes.
" Quanto à moral
nos diversos serviços, 59% dos entrevistados do Exército
disseram que o nível estava ‘baixo ou muito baixo’,
64% na Marinha Real, 38 % na Infantaria da Marinha, e 72% na Real Força
Aérea".
Uma questão que magoa
a sensibilidade das pessoas, em qualquer sistema social, é o desrespeito
a sua privacidade. Antes, por exemplo, as leis protegiam a correspondência.
Mais tarde, a proteção foi estendida às comunicações
telefônicas, um meio de comunicação mais rápido
e instantâneo. As leis dos Estados Unidos proibiam a interceptação
sem licença judicial. A violação delas dava lugar
a processos judiciais, que nesse país chegaram a avultadas somas.
Em 9 de julho passado, enquanto
Bush se reunia com seus colegas do G-8 e o governo dos Estados Unidos — apesar
de seus genocídios — pretendia ser considerado campeão
dos direitos humanos, o Senado dos Estados Unidos aprovou, com 68 votos
a favor e 28 contra, "uma lei que moderniza a Lei de Espionagem
e concede imunidade às empresas das telecomunicações
que colaboram com o governo…"
A luta contra o terrorismo é o
conhecido pretexto, e as interceptações se vinham fazendo
durante anos sem licença alguma. "Agora é mais fácil
proteger os estadunidenses", declarou Bush ao voltar ao país,
do roseiral da Casa Branca.
"A iniciativa autoriza escutas
telefônicas sem licença judicial que usam as redes dos Estados
Unidos, quer sejam de estadunidenses ou de estrangeiros".
A lei anterior, que data de
1978, "não incluía as novas tecnologias de comunicações
como celulares, internet e correio eletrônico". Como a imensa
maioria das comunicações são captadas pelos Estados
Unidos, "a medida aprovada protege as empresas de comunicações
de demandas multimilionárias de pessoas que alegam violação
da privacidade".
A lei é aplicada de maneira
retroativa. "A União Americana de Liberdades Civis qualificou
a lei de ‘inconstitucional’ e de ‘ataque às
liberdades civis e ao direito à privacidade’."
Notícias procedentes
da Suécia comunicavam: "A aliança de centro-direita
do primeiro-ministro Frederick Reinfeldt, rejeitou a proposta do Partido
Social-Democrata de rever a lei que permite ao Departamento de Rádio
de Defesa (FRA) ter acesso a todas as conversas telefônicas e ao
tráfico de dados por cabo do e para o exterior do país.
" A conhecida como Lei FRA,
também batizada como Lei Orwell pelo livro 1984, desse escritor
britânico, recebeu uma forte crítica do empresariado em
forma de carta aberta no Dagens Nyheter", principal diário
da Suécia.
" O governo justificou a
adoção da lei, aprovada a 19 de junho passado para aperfeiçoar
a luta contra as ameaças terroristas".
Outro jornal sueco, o Svenska
Dagbladet, publicou ontem que "um dos motivos principais da lei é,
contudo, controlar a informação procedente da Rússia
e usá-la para negociar intercâmbios com outros países,
já que por volta de 80% do tráfico das comunicações
exteriores da Rússia por cabo passa pela Suécia.
" A lei começará a
vigorar em 1º de janeiro do 2009. Milhares de pessoas se manifestaram
há uns dias em Estocolmo e Malmö contra a Lei FRA, e já foram
organizadas passeatas similares para as próximas semanas em todo
o país, articuladas em torno de vários ‘blogs’ e
grupos da rede social Facebook."
Não param as queixas
em toda parte. Por exemplo, um telegrama afirma: "Os alemães
estão mais pessimistas sobre seu panorama econômico que
em qualquer outro momento, desde a reunificação em 1990,
devido à alta dos preços, conforme a enquete."
Outros expressam:
• " A taxa de desemprego
no Canadá atingiu 6,2% no mês de junho."
• "O governo russo
recusou a proposta de Condoleezza Rice de uma mediação
internacional para resolver o conflito das regiões separatistas
de Abjasia e Osetia do Sul, motivo de tensões crescentes entre
o Moscou e a Geórgia."
• "Dois soldados da
OTAN foram mortos e outro ferido na quinta-feira, num atentado a bomba
no leste do Afeganistão, anunciou a Força Internacional
de Ajuda à Segurança (ISAF)."
• "A Rússia
afirma que os exercícios do Irão de um novo míssil
de longo alcance confirmam que Moscou tem razão quando qualifica
de desnecessário a colocação de elementos do escudo
antimísseis dos Estados Unidos na Europa."
• "O exército
de Israel assegura que são infundadas as acusações
de supostos vôos de caça-bombardeiros israelenses que treinam
no Iraque um possível ataque a instalações nucleares
iranianas."
• "A Grã-Bretanha
exprimiu sua decepção pelo veto imposto pela Rússia
e China, no Conselho de Segurança da ONU, a um projeto de Resolução
que pretendia sancionar o Zimbábue."
• O Sudão convocou
hoje os embaixadores dos cinco países-membros permanentes do Conselho
de Segurança da ONU para exigir explicações sobre
uma possível ordem de detenção contra o presidente
Al-Bachir."
• "Uma nova ‘bomba
especial’ é a principal ameaça para os soldados ianques
no Iraque, segundo o general estadunidense Jeffery Hammons."
• "Encontram cadáveres
de dois soldados ianques que estavam desaparecidos no Iraque há mais
de um ano."
Todas são do dia 11 de
julho. Poderiam ser incluídas nestas linhas dezenas de notícias
semelhantes publicadas no mesmo dia. Aos sábados, diminuem as
informações; aos domingos quase não há notícias,
os repórteres em geral descansam. Mas, hoje é segunda-feira.
Todos os dias surgem em nosso
mundo de hoje novos e cada vez mais espinhosos problemas, que esgotam
a capacidade dos chefes de Estado e de Governo para encará-los.
Não é uma crítica; é uma
observação. Não se pode esperar dos seres humanos
faculdades sobrenaturais. O melhor sempre será o otimismo. Não
há outra hipótese. Foi por isso que um dia falei de uma
espécie em perigo de extinção.
Fidel Castro Ruz
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VERMELHO,
15 de julho de 2008
Argentina: governo e ruralistas voltam
a medir forças
O conflito entre os
produtores agropecuários e o governo da Argentina terá nesta
terça-feira (15) outro dia de manifestações
de força. Grupos favoráveis e contrários à posição
dos ruralistas realizarão protestos em diversos pontos do
país, como forma de pressionar os senadores que decidiram
na quarta-feira a questão dos impostos sobre as exportações
agrícolas.
A manifestação
pró-governo acontecerá diante do Congresso e terá como único
orador o ex-presidente Néstor Kirchner, que acredita que irão
comparecer ao ato cerca de 50 mil pessoas.
Os principais simpatizantes
do governo estarão representados pela central sindical CGT,
organizações sociais, governadores e intendentes (prefeitos)
do Partido Justicialista, aliados da presidente Cristina Fernández
de Kirchner.
Hugo Moyano, reeleito na
semana passada titular da CGT, prometeu mobilizar até o Congresso
cerca de dez mil filiados do seu sindicato de caminhoneiros. Hebe
de Bonafini, líder das Mães da Plaza de Mayo, convocou
uma manifestação "contra a direita fascista e
a oligarquia proprietária de terras que acreditam ainda que
têm a impunidade e o poder para voltar ao governo".
Vários intelectuais
irão ao Congresso também para reivindicar "mais
democracia e mais distribuição de riqueza" através
de um documento assinado pelo poeta Juan Gelman, pelo cineasta Leonardo
Favio, pelo ator Alfredo Alcón, pelo dramaturgo Tito Cossa,
entre outros.
Direita também pressiona
As quatro entidades agropecuárias
organizarão um ato no bairro de Palermo, setor exclusivo das
classes média e alta, que mostraram o seu apoio à paralisação
dos ruralistas por meio de "panelaços".
Um palco foi montado a poucos
metros da embaixada dos Estados Unidos, e os organizadores acreditam
que cerca de 60 a 100 mil pessoas irão participar do evento.
O governo possuía,
até o fim de semana, uma diferença de quatro a cinco
votos a favor para sancionar o projeto, já aprovado pela Câmara
dos Deputados.
No entanto, a senadora opositora
Maria Eugenia Estenssoro afirmou que "a votação
será cabeça a cabeça", uma vez que três
legisladores dados como aliados pelo governo se mostravam indecisos
nesta segunda-feira. Eles cogitam escolher por uma terceira opção
de projeto, mas ainda não se manifestam oficialmente.
Da redação,
com informações da Ansa Latina
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
15/07/2008
Correios: TST apresenta nova proposta para
fim da greve e sorteia relator do processo
O presidente do Tribunal Superior
do Trabalho, ministro Rider Nogueira de Brito, apresentou hoje (15) uma
nova proposta na tentativa de pôr fim à greve dos empregados
da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), e estabeleceu
o prazo até as 12h do dia 17 de julho para que as partes se manifestem.
Rider de Brito propôs o pagamento definitivo de uma gratificação
de 30% aos carteiros, a serem calculados sobre o salário base
de cada um e pagos proporcionalmente às horas efetivamente trabalhadas
em serviços de coleta e entrega. Havendo aceitação,
a categoria suspenderia a greve imediatamente. Outro ponto é o
pagamento de 50% dos dias parados, além da proibição
de demissões pelo prazo de 60 dias, a partir de 18 de julho.
O ministro Rider de Brito esclareceu
que, encerrada a audiência de conciliação (o que
ocorreu hoje pela manhã), o processo será julgado pelo
TST, em data a ser definida. Para isso, foi sorteado o relator do processo,
ministro Maurício Godinho Delgado. Também foi estabelecido
o prazo – até as 18h do dia 16 de julho – para apresentação
das razões finais, isto é, para as manifestações
formais sobre quaisquer documentos juntados aos autos pelas partes ou
pela Presidência.
O presidente do Tribunal enfatizou
que essa é mais uma tentativa de levar as partes a um acordo,
na medida em que não houve aceitação, pelos trabalhadores,
de sua proposta anterior, pela qual ele se dispunha a intermediar negociações
pontuais, em seu gabinete, entre representantes da empresa e dos empregados.
Rider de Brito esclareceu que ambas as partes podem e devem se manifestar
concordando ou discordando, desde que se apresentem suas fundamentações
por escrito. Além disso, acentuou, pode haver sugestões
para aperfeiçoar o que foi proposto. “Se os trabalhadores
chegarem, em assembléia, a outra proposta, o TST a encaminhará à empresa”.
Indagado sobre a abusividade
da greve, Rider de Brito esclareceu que a questão já foi
encaminhada pelo TST ao Ministério Público do Trabalho,
a quem caberá as diligências para verificar o cumprimento
da determinação para que os trabalhadores mantenham 50%
do efetivo em atividade nas agências dos Correios.
Durante a audiência, o
ministro ressaltou seu empenho em buscar, o tempo todo, um desfecho negociado
para o conflito, inclusive colocando-se à disposição
para intermediar as negociações pontuais sobre cada uma
das questões econômicas da relação entre empregados
e empresa. “Eu fiz tudo por uma conciliação – e
teria feito se minha proposta tivesse sido aceita”, lembrou. Ao
comentar a decisão dos empregados de rejeitar sua intermediação,
Rider de Brito ressaltou que se trata de uma decisão soberana
da instância máxima da categoria, que são as assembléias
dos trabalhadores, e que, diante disso, resta aguardar um pronunciamento
sobre a nova proposta. “Processo significa caminhar para a frente”,
concluiu.
Ribamar Teixeira
|
Congresso em Foco, 15 de
julho de 2008
Gilmar Mendes — normal, absolutamente
normal
Bajonas Teixeira de Brito Junior
*
A situação criada no Judiciário com as últimas
ações do presidente do Supremo preocupam, sobretudo porque aparecem
como uma Hidra, dadas suas muitas cabeças ou, mais precisamente, seus
muitos habeas corpus. Digo isso porque alguns acontecimentos em torno do ministro
têm sido objeto de murmúrios de desagrado, quando não de
gritos mesmo de indignação. No caso dos 130 juízes da
3ª Região, foi um manifesto de indignação e clara
discordância, como eles próprios afirmam, frente à atitude
de Gilmar Mendes. Dizem os signatários, em defesa do juiz federal Fausto
de Sanctis, que “não se vislumbra motivação plausível
para que um juiz seja investigado por ter um determinado entendimento jurídico”.
Gilmar Mendes, como noticiou-se
no sábado, dia 12, disse considerar "absolutamente normal" a
reação dos juízes, e que de sua parte teria feito
apenas um registro ao notificar o Conselho Nacional de Justiça
(CNJ). Já o professor de direito José Ribas Vieira, por
quem tive a honra de ser orientado em minha monografia de conclusão
de curso na Universidade Federal Fluminense (UFF), discorda. “Tecnicamente,
o registro feito à corregedoria do CNJ equivale a um pedido de
investigação”, afirmou em entrevista ao Estadão.
E certamente ele tem razão, e tem razão também o
juiz De Sanctis ao sentir-se intimidado.
Mas tem mais. Não faz muito tempo, o presidente da Comissão Nacional
de Defesa da República e da Democracia da OAB-SP, Fábio Konder
Comparato, escrevia estas palavras no Painel do Leitor da Folha de S. Paulo:
" Este jornal estampou, em sua edição de 8/6, anúncio
da revista Serafina contendo entrevista com o atual ministro-presidente do Supremo
Tribunal Federal. Sua Excelência, fotografado em trajes domésticos
e em postura descontraída, revela que manteve relações de
amizade com a esposa durante 30 anos antes do casamento. É consternante
ter que lembrar, nos dias de hoje, que a proteção do recato da
vida privada constitui preceito ético elementar dos agentes públicos,
notadamente dos magistrados."
Que resposta Gilmar Mendes daria a essa indignação e a esse consternamento?
Creio que simplesmente a de sempre: “Absolutamente normal”. Tiro
essa conclusão a partir de um outro assunto que, como uma peça
de quebra-cabeça (de Hidras), parece encaixar-se perfeitamente no figurino.
O caso da demarcação de forma contínua da reserva Raposa
Serra do Sol. Parecendo se perfilar ao lado dos chamados “produtores
rurais” da região, isto é, dos invasores das terras indígenas,
afirmou o presidente do STF que a demarcação de grandes áreas
de forma contínua pode, em tese, “causar problemas”.
Certamente, muitos se perguntaram se, em tese, dada a tensão na região
e a violência dos invasores contra a população indígena,
não seria o caso de o presidente manter-se em silêncio. Mas parece
que sua intenção foi a melhor possível, tanto que falou
em “julgamento técnico” e em “desideologizar o debate”,
só não especificando se em tese ou fora de tese. De todo modo,
não é só a sua afirmação, de que manter
a demarcação contínua pode trazer problemas, que parece
prenunciar uma inclinação aos interesses dos latifundiários.
Não. As coisas não terminam ai. Questionado sobre as conseqüências
de uma possível decisão do STF contra a demarcação
contínua, afirmou, segundo os jornais, que "o tribunal, por ser
uma corte suprema, tem que lidar com as conseqüências dos seus julgados.
Nós lidamos com isso com grande tranqüilidade e sabemos lidar com
os efeitos políticos das nossas decisões". Portanto, nesse
caso também, tudo muito tranqüilo. Absolutamente normal.
Por fim, recordo aqui o caso,
lembrado ontem (14 de julho) em artigo de Mauro Santayana no Jornal do
Brasil: o professor Dalmo Dallari, entre as razões que invocou
contra a nomeação de Gilmar Mendes para o STF, arrolou
o fato de que “a Advocacia Geral da União, cujo titular
era Gilmar, havia pago R$ 32.400 ao Instituto Brasiliense de Direito
Público, do qual o atual presidente do STF era um dos proprietários,
a fim de que seus subordinados ali fizessem cursos”. Gilmar Mendes
garante tratar-se de uma instituição científica.
Normal. Absolutamente normal.
Mas, indo lá e dando uma
olhada nos convênios institucionais do IDP, espantei-me ao não
encontrar universidades e institutos de renome, mas apenas o Ministério
da Justiça, o Tribunal Regional do Trabalho, o Tribunal Superior
Eleitoral, diversas associações de funcionários
públicos etc. Caso existam, que motivo teria o instituto para
ocultar seus convênios institucionais com reconhecidos centros
de excelência, deixando à mostra apenas seus convênios
com instituições públicas e associações
civis?
Pergunto-me aqui, por fim,
o que pensaria Gilmar Mendes se um grupo de cidadãos preocupados
com a defesa da democracia e do Estado de Direito, como Fábio
Konder Comparato, e com a qualidade dos juizes do STF, como Dalmo Dallari,
resolvessem pedir o seu impeachment através de um manifesto
enviado ao Supremo Tribunal Federal, ao Conselho Nacional de Justiça,
ao Senado Federal e à Presidência da República.
De fato, não sei o que ele diria, mas eu, que já assinei
a petição, responderia simplesmente o seguinte: normal,
absolutamente normal.
* Bajonas Teixeira de Brito Junior é professor
universitário e doutor em Filosofia, autor do ensaio, traduzido
pelo filósofo francês Michael Soubbotnik, Aspects historiques
et logiques de la classification raciale au Brésil (Cf. na internet),
e do livro Lógica do disparate.
|
Gazeta do Povo, 15 de julho
de 2008
Bebidas
US$ 52 bilhões que venceram
o “orgulho americano”
Depois de um mês de resistência,
a Anheuser-Busch, que fabrica a cerveja Budweiser, uma das marcas
mais tradicionais dos EUA, é vendida à InBev. O negócio
formou a maior cervejaria do mundo

“Vamos combinar as melhores práticas das duas empresas
para ser a melhor do mundo.”
Carlos Brito, presidente da InBev.
Um aumento de US$ 5 por
ação foi decisivo para que a belgo-brasileira InBev,
segunda maior cervejaria do mundo, dobrasse a resistência da
concorrente americana Anheuser-Busch, a terceira maior empresa do setor.
No fim da noite de domingo, após um mês de negociações,
os acionistas da proprietária da marca Budweiser aceitaram vender
a companhia. A InBev elevou sua oferta de compra de US$ 65 para US$
70 por ação, o que resultou em um negócio de aproximadamente
US$ 52 bilhões (cerca de R$ 82,9 bilhões) que formou
a Anheuser-Busch Inbev – empresa que, ao superar a britânica
SAB Miller, tornou-se a maior cervejaria do planeta e uma das cinco
maiores fabricantes mundiais de bens de consumo.
O valor da compra equivale a quase quatro vezes o gasto pela Vale para comprar
a mineradora canadense Inco (US$ 13,2 bilhões), em outubro de 2006,
na maior aquisição já feita no exterior por uma empresa
brasileira.
Juntas, InBev – empresa fundada em 2004, com a fusão da brasileira
AmBev com a belga Interbrew – e Anheuser-Busch produziram cerca de 460
milhões de hectolitros em 2007, com receita de US$ 36,4 bilhões
e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação)
de US$ 10,7 bilhões. O presidente da InBev, o brasileiro Carlos Brito,
será o executivo-chefe da nova empresa. A diretoria será composta
pelos atuais diretores da InBev, pelo presidente da Anheuser-Busch, August
Busch IV e um outro membro da diretoria da empresa americana.
A Inbev fez a primeira oferta à direção da Anheuser-Busch
em 11 de junho. No fim do mês, a fabricante da Budweiser rejeitou a oferta
da InBev por consider que ela subestimava “os ativos excepcionais e as
perspectivas” da companhia americana. A InBev considerou a possibilidade
de tentar afastar o executivo-chefe da Anheuser-Busch, mas, no fim, as duas
companhias chegaram a um acordo amigável. O acerto combina com o slogan “fazer
amigos é o nosso negócio”, usado pela cervejaria norte-americana,
mas chega a ser surpreendente, considerando-se a promessa de August Busch IV
de não vender a empresa e a “frente patriótica” mobilizada
nos Estados Unidos contra o negócio.
O presidente da nova companhia disse que considera “justo” o valor
oferecido pela InBev e afirmou que os US$ 52 bilhões serão obtidos
por meio de empréstimos, emissão de ações em bolsa
de valores e venda de ativos “não essenciais”. “A
proposta da InBev se apóia em uma firme trajetória de expansão
internacional, assim como em um crescimento e rentabilidade consistente”,
disse Carlos Brito. O negócio, segundo ele, criará uma companhia “mais
forte, mais competitiva no mercado mundial, com uma pasta de marcas imbatível
e uma boa rede de distribuição”.
Marcas
As duas gigantes cervejeiras vendem cerca de 300 marcas nos cinco continentes.
Além da Budweiser, a Anheuser-Busch é dona de marcas como Bud
Light e Busch. A InBev, por sua vez, controla Antarctica, Brahma, Stella Artois,
Quilmes e Labatt Blue. Em seu site, os norte-americanos afirmam que a marca
Budweiser será o carro-chefe do novo grupo.
Críticas
A incorporação, que já havia sido criticada por políticos
como o democrata Barack Obama, candidato à presidência dos Estados
Unidos, foi novamente atacada ontem. A senadora democrata Claire McCaskill,
do estado do Missouri, onde fica a sede da Anheuser-Busch, disse estar “decepcionada” e
afirmou que o negócio só ocorreu “por causa do dólar
fraco”. Por outro lado, Cindy McCain, esposa do candidato republicano
John McCain, é acionista da Anheuser-Busch – e deve levar um bom
dinheiro com o negócio, já que tinha cerca de US$ 1 milhão
em ações da empresa no fim de 2007.
Fusão deve ser aprovada até o
fim do ano
O presidente da InBev, o brasileiro Carlos Brito, acredita que a compra da
Anheuser-Busch será aprovada pelos órgãos de defesa da
concorrência até o fim do ano. Em teleconferência com a
imprensa, o executivo disse ontem que as duas empresas têm operações
complementares no mundo, com poucas sobreposições. Ele destacou
que os únicos mercados onde ambas têm operações
são o Reino Unido e a China – e, mesmo assim, na China elas operam
em duas regiões diferentes.
O executivo disse que a integração dos negócios deverá ser
realizada com rapidez para que todos se beneficiem das vantagens competitivas
da nova companhia. “Vamos combinar as melhores práticas das duas
empresas para ser a melhor do mundo”, afirmou. No mercado norte-americano,
o executivo acredita que a união das cervejarias vai acelerar o processo
de inovação de produtos no futuro. “As marcas importadas
têm um valor muito alto nos Estados Unidos.”
Brasil
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deverá ser
notificado formalmente dentro de 15 dias úteis sobre o negócio.
O conhecimento que o Cade tem hoje se resume, segundo assessores, ao que foi
publicado pela imprensa.
Em princípio, somente pelo fato de a InBev ter presença no Brasil,
a operação terá que passar pelo crivo do Cade. Pela legislação
brasileira, qualquer fusão, aquisição ou associação
que envolvam empresas com faturamento anual superior a R$ 400 milhões
ou detenham mais de 20% de um determinado setor econômico devem ser notificadas
ao Cade para julgamento do impacto concorrencial do negócio.
A Secretaria de Direito Econômico (SDE), do Ministério da Justiça,
e a Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), do Ministério
da Fazenda, farão a instrução do processo para, depois,
o conselho julgá-lo. Após a notificação, o Cade
sorteará um conselheiro-relator para o caso.
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Vermelho,
15 de julho de 2008
Dani Rodrik: A morte do consenso da globalização
Esta não é a primeira vez em que a
economia mundial vê o colapso da globalização.
A era do padrão-ouro, com sua livre mobilidade de capitais e
livre comércio, teve um fim abrupto em 1914 e não pôde
ser ressuscitada após a Primeira Guerra Mundial. Estaremos prestes
a testemunhar um colapso econômico mundial similar?
Por Dani Rodrik, para o Valor
Econômico*
A indagação não é extravagante. Embora tenha viabilizado
níveis inéditos de prosperidade em países avançados,
e tenha sido uma benção para centenas de milhões de trabalhadores
pobres na China e em outros países da Ásia, a globalização
econômica repousa sobre alicerces frágeis. Diferente de mercados
nacionais, que tendem a se apoiar em instituições regulamentadoras
e políticas domésticas, os mercados mundiais são apenas "fracamente
inseridos". Não existe qualquer autoridade antitruste mundial,
nenhum emprestador mundial de última instância, nenhuma agência
fiscalizadora mundial, nenhuma rede de segurança mundial e, naturalmente,
nenhuma democracia mundial. Em outras palavras, os mercados mundiais sofrem
de fraca governança, e portanto de escassa legitimidade popular.
Desdobramentos recentes ressaltaram
a urgência com que essas questões estão sendo discutidas.
A campanha eleitoral presidencial nos EUA enfatiza a fragilidade do
apoio ao livre comércio no país mais poderoso do mundo.
A crise no mercado de crédito imobiliário de segunda
linha americano evidenciou de que modo a ausência de coordenação
e regulamentação internacionais pode exacerbar a fragilidade
intrínseca dos mercado financeiros. A alta nos preços
dos alimentos expôs o lado negativo da interdependência
econômica desacompanhada de esquemas de transferências
e compensações mundiais. Por outro lado, o encarecimento
do petróleo provocou aumentos nos custos de transportes, levando
analistas a ponderar se a era da terceirização está chegando
ao fim. E paira sempre a iminência de calamidades resultantes
das mudanças climáticas, que podem ser a mais grave ameaça
com que o mundo já se defrontou.
Então, se a globalização
está em perigo, quais são seus verdadeiros inimigos?
Houve um tempo em que as elites mundiais podiam se reconfortar, considerando
a oposição ao regime de comércio mundial como
gerada por anarquistas violentos, protecionistas preocupados com seus
próprios interesses, ativistas sindicais e jovens ignorantes,
embora idealistas. Nesse período, as elites podiam considerar-se
verdadeiramente progressistas, porque compreendiam que salvaguardar
e promover o avanço da globalização era o melhor
remédio contra a pobreza e a insegurança.
Mas essa certeza praticamente
desapareceu, substituída por dúvidas, questionamentos
e ceticismo. Cessaram também os violentos protestos de rua e
movimentos de massas contra a globalização. Notícia,
hoje, é a crescente lista de economistas ortodoxos que estão
questionando as supostamente irrestritas virtudes da globalização.
Assim, Paul Samuelson, autor
do livro-texto que se constituiu em marco histórico do pensamento
econômico do Pós-Guerra, lembra seus colegas economistas
que os ganhos da China com a globalização podem acontecer às
custas dos EUA; Paul Krugman, o mais importante teórico atual
em comércio internacional, argumenta que o comércio com
países de baixa renda já é suficientemente grande
para ter efeito sobre a desigualdade; Alan Blinder, ex-vice-presidente
do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA), preocupado com que
a terceirização internacional cause perturbações
sem precedentes na força de trabalho americana; Martin Wolf,
colunista do Financial Times e um dos mais articulados defensores da
globalização, escreve sobre seu desapontamento diante
das conseqüências da globalização financeira;
e Larry Summers, ex-secretário do Tesouro americano e "Sr.
Globalização" do governo Clinton, pondera sobre
os riscos de um nivelamento por baixo na arena das regulamentações
nacionais e sobre a necessidade de padrões trabalhistas internacionais.
Embora essas preocupações
não signifiquem um ataque totalmente antagônico desfechado
por pensadores como Joseph Stiglitz, agraciado com um Prêmio
Nobel de Economia, constituem, mesmo assim, notável guinada
no clima intelectual. Além disso, mesmo aqueles que não
perderam suas convicções freqüentemente discordam
com veemência sobre o rumo desejado para a globalização.
Por exemplo, Jagdish Bhagwati,
destacado defensor do livre comércio, e Fred Bergsten, diretor
do Peterson Institute for International Economics, um instituto pró-globalização,
têm se posicionado na linha de frente, argumentando que os críticos
exageram enormemente os males da globalização e subestimam
seus benefícios. Mas os debates entre os dois sobre os méritos
de acordos de comércio regional - Bergsten a favor, Bhagwati
contra - são tão acalorados quanto as divergências
com os autores mencionados acima.
Nenhum desses intelectuais,
naturalmente, é contra a globalização. O que eles
querem não é reverter a globalização, mas
criar novas instituições e mecanismos compensatórios
- doméstica ou internacionalmente -, que tornem a globalização
mais eficaz, justa e sustentável. Suas propostas de políticas
são freqüentemente vagas (quando chegam a ser formuladas)
e alvo de escasso consenso. Mas as disputas centradas na globalização
saíram nitidamente para bem longe das ruas, para os artigos
da imprensa financeira e fóruns de respeitados institutos de
estudos.
Esse é um ponto importante
que precisa ser compreendido pelos entusiastas da globalização,
pois freqüentemente comportam-se como se o "campo adversário" fosse
integrado por protecionistas e anarquistas. Hoje, a pergunta não é mais: "você é favorável
ou contrário à globalização?" A questão
agora é, "quais deveriam ser as regras da globalização?" Os
verdadeiros antagonistas dos defensores da globalização,
hoje, não são jovens em barricadas, mas seus colegas
intelectuais.
As primeiras décadas
após 1945 foram balizadas pelo Consenso de Bretton Woods - um
multilateralismo superficial que permitiu às autoridades econômico-financeiras
mirarem nas necessidades sociais e empregatícias internas, ao
mesmo tempo em que criaram as condições para que o comércio
mundial fosse revitalizado e florescesse. Esse regime foi superado,
na década de 80 e 90, por uma agenda de aprofundamento de liberalização
e integração econômica.
Esse modelo, já aprendemos, é insustentável.
Para que a globalização venha a sobreviver, será necessário
um novo consenso intelectual que lhe dê sustentação.
A economia mundial aguarda desesperadamente seu novo Keynes.
* Dani Rodrik é professor
de economia política na Escola de Governo John F. Kennedy, na
Universidade Harvard
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Vermelho, 15 de julho de
2008
Para jornalista dos EUA, Fed é ameaça à América
Latina
Após ser importunada durante
décadas por desvalorizações monetárias e
inflação, a América Latina enfrenta uma nova ameaça
econômica: o Federal Reserve (Banco Central norte-americano), afirma
uma colunista do jornal americano "The Wall Street Journal".
"Durante décadas
a América Latina foi importunada por desvalorizações
monetárias, inflação e crescimento opaco. Mas tão
logo alguns países-chave levaram a sério a estabilidade
dos preços e começaram a usufruir dos benefícios
trazidos pelo crescimento, a região está sendo ameaçada
pelo Fed", diz Mary Anastásia O'Grady, que assina a coluna
The Americas (As Américas).
A colunista diz que o BC norte-americano
está "exportando inflação para o resto do mundo" à medida
que o preço das commodities, atrelado ao dólar, está subindo às
alturas.
"Os países latino-americanos
que atrelaram suas moedas ao dólar agora estão descobrindo
que este padrão monetário está afundando."
Culpar as vítimas
Na avaliação da
colunista, não tem sido fácil, mas nos últimos anos
muitos bancos centrais da América Latina têm conseguido
combater a inflação impondo taxas de juros mais altas do
que o ideal.
Tais medidas impopulares, no
entanto, têm pouco efeito no combate à inflação,
afirma O'Grady. Com o petróleo e as commodities com o preço
atrelado ao dólar, que está vendo seu valor afundar, "não
há outro lugar para as cotações desses bens irem
a não ser para cima".
A coluna diz que o Fed não
se mostra disposto a assumir a responsabilidade pelos problemas com o
dólar e agora "está culpando as vítimas - as
economias emergentes - pelos problemas decorrentes da alta no preço
dos alimentos e dos combustíveis".
Além disso, o BC americano
também ignora outra "grande asneira" americana: o gigantesco
programa de etanol baseado no milho, o que tem contribuído para
pressionar ainda mais o preço mundial dos grãos.
"Mas com certeza esse modelo
não é exemplo no Brasil, onde a expansão do investimento
e do crescimento têm sido uma conseqüência do sucesso
brasileiro ao implementar a correção monetária".
"Não é nada
encorajador saber que autoridades do Fed acham que a inflação
global é causada pelo crescimento e não tem nada a ver
com o dólar fraco", diz a colunista.
"Eu achava que a Curva de
Phillips - que alega que a inflação é um subproduto
do crescimento - havia sido descartada há 30 anos. Mas aos olhos
do Fed, parece que não", conclui.
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FOLHA DE LONDRINA, 15 de
julho de 2008 | Política
Jucá barra projeto que veta
candidatos ‘ficha suja’
Romero Jucá (PMDB-RR): ''É mais
do que inquisição, porque a inquisição
era uma decisão do tribunal''
Brasília - Única iniciativa adotada este ano pelo Congresso para
barrar os candidatos com ficha suja, o substitutivo aprovado na Comissão
de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) não sairá do
papel. O líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), brecou
o texto, que nem deverá ser examinado em plenário, alegando que
os termos da proposta equiparam-se a ''um linchamento individual'', ao tornar
inelegível os candidatos condenados em primeira ou única instância.
''Aí é a inquisição,
aliás, é mais do que inquisição, porque a
inquisição era uma decisão do tribunal'', alegou.
Jucá não descarta a possibilidade de o governo assumir,
no próximo ano, a paternidade de medidas para moralizar as eleições,
como parte de um pacote encabeçado pela reforma política.
''A reforma política precisa
ser feita, mudando as regras das eleições e aí você pode
endurecer as regras da inelegibilidade, mas endurecer dentro de um mecanismo
lógico e justo, que tenha direito de defesa'', afirmou. ''Não
se pode simplesmente transferir a um juizado de primeiro grau a discussão
de alguém ficar inelegível, cassar ou não o mandato.
Quer dizer, seria muita fragilidade, o caminho não é este,
não é fragilizar o mandato popular.''
A reação do líder,
já evidenciada na CCJ pela líder do bloco do governo, Ideli
Salvatti (PT-SC), só se tornou conhecida depois da aprovação
do substitutivo na comissão. E meses depois de o presidente do
Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), ter pedido ao senador Demóstenes
Torres (DEM -GO) que preparasse um substitutivo, com base nas propostas
existentes na Casa sobre o assunto.
Para Demóstenes, o líder
age de má-fé, ao ignorar a intenção do Legislativo
de regulamentar a Lei de Inelegibilidade quanto à vida pregressa
do candidato. ''Não pode ser analfabetismo, porque o Jucá não é analfabeto,
o que falta a ele é espírito público, ele é mal
intencionado e está dando vazão a isso'', criticou. O senador
lembrou que, ''até mesmo para se contratar uma empregada doméstica, é preciso
conhecer sua vida passada''.
''E um político condenado
depois de passar pelas mãos do delegado, do promotor e do juiz,
com certeza não merece estar na vida pública''. Quanto
ao breque do governo, Demóstenes afirma que tampouco a oposição
tem intenção de aprovar o substitutivo. ''A oposição
se junta ao governo, que já deixou claro sua posição
favorável aos ficha-suja e se o governo não quer, com certeza
a matéria não anda, será mais uma esquecida no gavetão
do Garibaldi'', afirmou, referindo-se à praxe adotada pelo presidente
do Senado de não incluir na pauta matérias que contrariem
o governo.
Garibaldi minimizou a intenção
do líder governista de paralisar a tramitação da
proposta, alegando que não haveria tempo para adotar as novas
regras nas eleições deste ano. Segundo ele, é o
Congresso, e não o governo, que deve ser encarregar, não
só desta lei, mas também de outras leis. Jucá é categórico
quanto à sua posição: ''Não se pode depender
de um juiz de primeiro grau determinar que alguém fique inelegível
por oito anos'', insistiu.Não é a solução
que foi votada na CCJ que vai resolver a questão''.
Rosa Costa
Agência Estado
|
Agência Câmara,
15 de julho de 2008
Ação civil pública
pode prescrever em cinco anos
Bernardo Hélio
O Projeto de Lei 3377/08, apresentado pelo deputado Carlos Souza (PP-AM), estabelece
prazo de cinco anos para a prescrição da ação civil
pública. É acrescentado artigo à Lei 7.347/85, que atualmente
não prevê esse tipo de prazo.
Segundo o deputado, a prescrição é importante
para "garantir a segurança jurídica por decurso de
tempo, quando o interessado deixa passar o prazo de exercício
do seu direito subjetivo de cobrar o cumprimento de uma obrigação".
"A tutela jurisdicional
para satisfazer determinado direito não deve persistir indefinidamente,
para que haja tranqüilidade nas relações entre os
indivíduos", ressalta. "A inatividade dos legitimados à propositura
da ação civil pública, com presunção
de abandono ou de renúncia do direito, deve acarretar a prescrição",
acrescenta Carlos Souza. Do contrário, sustenta o deputado, há o
risco de perpetuar-se uma situação de instabilidade.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será examinado apenas
pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.
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BEM PARANÁ, 15 de
julho de 2008 | Economia
Mordida de cães: Trezentos carteiros
estão afastados
As mordidas de cães são o terceiro
motivo de acidentes de trabalho
Da Redação
Para marcar as duas semanas de greve dos trabalhadores dos Correios, representantes
do Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom-PR) realizaram
ontem, na Boca Maldita, uma demonstração dos riscos de ataque
de cães de guarda que a categoria sofre. As mordidas são o terceiro
motivo de acidentes de trabalho entre os carteiros. Em 2007, o Paraná ocupou
o segundo lugar no ranking, com 1.047 casos registrados, ficando atrás
apenas de São Paulo, com 1.612 casos.
Representantes da categoria afirmam que esse número não expressa
a realidade, visto que muitos profissionais não registram acidentes
leves. Estima-se que, atualmente, cerca de 300 funcionários estejam
afastados de suas funções por conta de mordidas de cães
somente no Paraná. Estatísticas divulgadas pela Empresa Brasileira
de Correio e Telégrafos (ECT) revelam que, nos últimos cinco
anos, mais de cinco mil carteiros sofreram ataques de cães no Brasil.
A greve dos trabalhadores dos
Correios já ultrapassa duas semanas e entra para a história
como a maior greve já deflagrada pela categoria. Desde que os
trabalhadores pararam, em 1º de julho, inúmeras assembléias
já aconteceram em Brasília porém, sem muitos avanços.
Para a manhã de hoje está marcado mais um encontro entre
líderes sindicais e representantes da empresa, em Brasília,
em audiência no Tribunal Superior do Trabalho (TST).
“Se o acordo for cumprido,
nós voltamos a trabalhar imediatamente. Senão, a greve
continua. Não tem o que negociar. A empresa tem de cumprir com
o acordo firmado”, disse Anderson Antônio Baessa, diretor
de mobilização de base do Sintcom-PR.
Ainda de acordo com o sindicato, os carteiros exigem do presidente Lula o afastamento
do presidente nacional da empresa, Carlos Henrique Custódio, apontado
como o principal responsável pela atual paralisação. Desde
a semana passada, trabalhadores da categoria no Paraná estão
recolhendo assinaturas para um abaixo-assinado contra a permanência de
Custódio.
O descumprimento do acordo pela
ECT sobre o adicional de risco de 30% para os carteiros, a tentativa
de imposição do Plano de Cargos, Carreiras e Salários
(PCCS) sem negociação com a categoria e a não-revisão
da participação nos lucros, que teria sido distribuída
de forma desigual, são os três principais motivos da greve
a categoria. A greve atinge 23 estados e no Paraná a adesão é de
85% dos profissionais.
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O ESTADO DO PARANÁ,
15 de julho de 2008 | Cidades
Audiência no TST pode pôr
fim à greve nos Correios
Hélio Miguel
Uma audiência de conciliação, a ser realizada hoje pela
manhã no Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília, pode
ser decisiva para o futuro da greve dos funcionários da Empresa Brasileira
de Correios e Telégrafos (ECT).
Caso não haja acordo,
o TST deverá sortear um relator e marcar data para julgar a legalidade
da greve.
Hoje, ainda pela manhã,
os funcionários dos Correios em Curitiba devem realizar uma assembléia
para avaliar o resultado da reunião.
O secretário-geral do
Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom/PR),
Nilson Rodrigues dos Santos, diz que o prognóstico não é bom. “A
proposta de acordo da semana passada já foi rejeitada pelos empregados.
Então, não estamos com muita expectativa”, diz.
Grevistas de Curitiba fizeram
ontem, na Boca Maldita, uma demonstração do risco que os
carteiros passam durante a entrega de correspondências. Foi feita
uma simulação de ataque de cães e entregue uma carta à população,
que listava outros riscos do trabalho, como o câncer de pele, problemas
de coluna e assaltos. A idéia era justificar o porquê da
reivindicação dos 30% de adicional de risco, um dos motivos
da greve.
Ontem ainda, em Brasília,
cerca de 500 empregados da ECT fizeram uma manifestação
em frente ao Palácio do Planalto. Além do adicional de
risco, os funcionários reivindicam a negociação
de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) e a revisão
da participação nos lucros.
A greve, que entra hoje
em seu 15.º dia, já causou o atraso na entrega de cerca
de 3 milhões de correspondências no Paraná. Segundo
a ECT, o número é estável em relação à semana
passada porque, enquanto entregas continuam sendo feitas, muitas empresas
estão evitando postar novas correspondências.
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FOLHA DE LONDRINA, 15 de
julho de 2008 | Geral
Trabalhador condenado por agir de
má-fé em processo trabalhista
Curitiba - A 4 Turma do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná confirmou
a condenação de um trabalhador que agiu de má-fé em
processo trabalhista a pagar multa em prol do Hospital do Câncer de Londrina.
O TRT julgou recurso do desembargador Sergio Murilo Rodrigues Lemos e manteve
decisão do juiz da 3 Vara do Trabalho de Londrina, Júlio Ricardo
de Paula Amaral.
O trabalhador havia ajuizado
ação trabalhista contra empresa de telecomunicações
reivindicando direitos trabalhistas. Ele afirmou que foi alvo de tiro
durante jornada de trabalho, quando deixava colegas de trabalho em suas
casas. Ao final da instrução processual, concluiu-se que
o empregado levou um tiro decorrente de uma briga em bar depois da jornada
de trabalho.
Por ter alterado a verdade dos
fatos, o juiz aplicou multa por litigância de má-fé ao
empregado. O juiz entendeu que ''a coletividade foi lesada pelo ato praticado
pelo empregado''.
Reportagem Local
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CONSULTOR JURÍDICO,
15 de julho de 2008
Maus tratos
Ambev é processada por assédio
moral na Paraíba
A Companhia de Bebidas das Américas (Ambev) vai responder a processo
na Paraíba. O Ministério Público do Trabalho entrou com
uma Ação Civil Pública contra a empresa. A alegação é de
que a fábrica da Ambev no estado humilha seus empregados. O MPT pede
indenização de R$ 1 milhão aos trabalhadores.
“Há provas de maus
tratos, agressões verbais e opressões de toda sorte no
ambiente de trabalho, o que contraria, dentre outras regras o princípio
da dignidade da pessoa humana”, disse o procurador Eduardo Varandas,
que assina a ação.
Segundo o MPT, em reclamações
trabalhistas, ex-empregados da AmBev se queixaram que sofreram pressão
psicológica e tratamento desrespeitoso. O mau trato viria de chefes
de setor ao reclamar de eventuais erros nas tarefas da fábrica.
Segundo o procurador Eduardo
Varandas, é inegável que a conduta adotada pela Ambev causou
e ainda causa lesão aos interesses da coletividade de trabalhadores.
Sobre o valor da indenização,
o procurador justificou que na Ação Civil Pública
com pedido de liminar “os danos morais causados à coletividade
devem ser reparados mediante a condenação ao pagamento
de uma prestação pecuniária, cujo valor sirva,
de um lado, para desestimular as violações ao ordenamento
jurídico e, de outro, contribuir para prover o Estado dos meios
materiais necessários ao combate a essa espécie de violação
da ordem jurídica, bem como para propiciar a reconstituição
dos bens lesados”.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
15 de julho de 2008
Para TRT-SP, aposentadoria espontânea
não extingue contrato de trabalho
A desembargadora federal do trabalho Vânia Paranhos e os desembargadores
da 12ª Turma do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 2ª Região
(SP) reconheceram que a aposentadoria espontânea não é suficiente
para pôr fim ao contrato de trabalho, sem vínculo empregatício.
“A aposentadoria espontânea
não é causa de extinção do contrato de trabalho,
não repercutindo no vínculo empregatício do empregado.
Nessa conformidade, em não havendo extinção do contrato
de trabalho pelo ato da aposentadoria, não há, pois, que
se falar em nulidade do contrato pela permanência do servidor público
no período subseqüente à sua aposentadoria quando
não precedido de aprovação em concurso público”,
decidiram os magistrados.
O autor da ação
pediu a reforma da sentença por não ter sido autorizado
o pagamento da multa de 40% sobre os depósitos do FGTS (Fundo
de Garantia por Tempo de Serviço) de todo o contrato de trabalho,
que foi fundamentado no entendimento de que a aposentadoria espontânea
do recorrente é motivo de extinção do contrato trabalhista.
“O benefício percebido
pelo trabalhador do órgão previdenciário trata de
um direito conquistado em razão das contribuições
efetuadas ao INSS, não se confundindo com o direito à multa
do FGTS quando de sua dispensa imotivada”, disse a desembargadora.
Sendo assim, os desembargadores
federais da 12ª Turma decidiram aceitar o recurso interposto pelo
reclamante, acrescendo à condenação o pagamento
da multa de 40% sobre o saldo do FGTS sobre todo o período do
contrato de trabalho, mesmo anteriormente à aposentadoria.
A decisão unânime
dos desembargadores federais do trabalho da 12ª Turma do
TRT-SP foi publicada em 30 de maio deste ano.
Processo TRT-SP 01217.2006.263.02.00-9.
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