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Agêcia Diap, 19 de
julho de 2008
DIÁRIO OFICIAL
Leia resumo das principais
decisões tomadas pelos três poderes da República
Entre várias decisões tomadas nesta
semana destaca-se a sanção da lei que estabelece
o piso nacional de R$ 950 para os professores e a Instrução
Normativa 5, do Ministério do Planejamento, sobre
a conversão de provento proporcional em integral.
Outro destaque foi a Instrução Normativa
4, sobre o retorno dos anistiados do governo Collor.
Principais decisões publicadas no DOU
Seção I
Exonerações e nomeações publicadas
no DOU
Seção II
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Vermelho, 19 de julho de
2008
Receita do FMI contra inflação
livra a cara dos países ricos
Em relatório divulgado nesta
quinta-feira, 17-7, o Fundo Monetário Internacional
(FMI) comunicou a revisão de suas previsões para
a inflação mundial em 2008. A projeção
para os países mais ricos subiu de 2,6% para 3,4%. Para
os mais pobres e os chamados "emergentes", a estimativa
passou de 7,4% para 9,1%.
Por Umberto Martins*
A conjuntura econômica colocou os bancos centrais
do mundo entre a cruz e a espada, já que o combate à inflação
sugere a necessidade de aumentar as taxas de juros, mas uma
política nesta direção pode agravar
a crise econômica, irradiada a partir dos EUA, empurrando
as economias para o precipício da recessão.
Dois pesos e duas medidas
O FMI avalia que nos países desenvolvidos o aumento
dos juros ainda não se faz necessário, mas
não tem dúvidas em receitar o remédio
amargo para os pobres. Neste caso, o órgão
afirma que será preciso "haver um ajuste da política
monetária e uma disciplina orçamentária
rigorosa", o que significa sacrificar o desenvolvimento
no altar da recessão.
É um despropósito, que evidencia o uso de
dois pesos e duas medidas pela instituição,
que continua subserviente ao Departamento de Estado dos EUA
e às potências capitalistas. É sabido
que o desalinhamento dos preços tem a ver com a crise
financeira e os desequilíbrios da economia norte-americana,
destacadamente com a persistente queda do dólar.
Ajuste nos EUA
Por que o Fundo não recomenda um ajuste econômico
nos EUA, cuja sociedade consome bem mais do que produz, incorrendo
num endividamento assustador e corrompendo, com tal parasitismo,
os fundamentos do padrão dólar? Será que
também não é hora de debater a necessidade
de um profundo rearranjo da ordem monetária vigente,
tendo em vista o esgotamento do papel do dólar como
moeda internacional? Os pobres devem pagar sozinhos pela
crise do capitalismo internacional?
Convém lembrar que, recentemente, o francês
Dominique Strauss-Kahn, diretor gerente do FMI, recomendou
o arrocho generalizado dos salários como forma de
combater a inflação na América Latina.
Destacou que é preciso impedir reajustes para recompor
o poder de compra dos salários, corroído pela
alta de preços, principalmente do funcionalismo público.
Evidentemente, ele não teve coragem de propor o
mesmo para os EUA e os países ricos. Embora apresentados à opinião
pública como argumentos técnicos e científicos,
essas prelações pouco ou nada têm a ver
com a ciência econômica. No fundo, apenas servem
aos interesses das transnacionais, da banca internacional
e das potências capitalistas.
De todo modo, as opiniões transmitidas pelos economistas
do Fundo não devem ser consideradas como palavras
ao vento. Movidos por uma orientação econômica
conservadora, muitos governos de países economicamente
mais débeis e dependentes tendem a adotar as políticas
ditadas pela instituição, que como já vimos
por aqui prenunciam (na teoria e na prática) recessão,
desemprego e arrocho salarial. A tentativa de impor à classe
trabalhadora a conta da inflação também
tem o apoio dos grandes capitalistas e banqueiros e vai demandar
maior mobilização e luta dos sindicatos e outras
organizações populares.
Crescimento maior
Para o crescimento mundial do PIB (Produto Interno Bruto),
o FMI revisou sua projeção para 4,1% em 2008,
contra os 3,7% estimados em abril. De acordo com a instituição,
a projeção mudou porque "a desaceleração
econômica no primeiro trimestre foi menos acentuada" do
que o previsto.
Para os Estados Unidos, o FMI estima que o PIB deva registrar
um crescimento de 1,3% em 2008, contra os 0,5% projetados
anteriormente. Para a zona do euro, a revisão foi
modesta e passou de 1,4% em abril para 1,7% na projeção
atual. Ao longo dos próximos meses será possível
perceber se não há uma dose excessiva de otimismo
nessas projeções.
* Umberto Martins, jornalista, é assessor
da CTB
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Vermelho, 19 de julho de
2008
Congresso da Conlutas aprova
unificação com a Intersindical
Em seu 1º Congresso, realizado de 3 a 6 de julho,
em Betim, Minas Gerias, a Coordenação Nacional
de Lutas (Conlutas) - entidade que reúne, em sua maioria,
dirigentes e militantes do PSTU nos movimentos socais - foi
aprovada a unificação com a Intersindical.
Segundo a organização do congresso, cerca de
3 mil pessoas, entre delegados, convidados e observadores
participaram do evento.

Cerca de 3 mil pessoas participaram
do congresso
Atnágoras Lopes, dirigente do Sindicato da Construção
Civil de Belém (PA), foi um dos que mais defenderam a unificação
com a Intersindical. Ele criticou os que, em nome da unidade, atuam
pela divisão.
"Muito se falou em unidade. Estiveram aqui companheiros
do MTL, que pautaram a unidade em nome da humildade, mas
o movimento que fizeram, de ruptura com esse congresso
a poucos dias de sua realização, foi no sentido
oposto ao fortalecimento de uma alternativa de direção",
afirmou.
"Construir a unidade para além desse ginásio é a
tarefas de nossas vidas", defendeu o dirigente operário. "Quando
a classe trabalhadora fala em unidade, não é retórica,
mas uma necessidade concreta na luta contra o capitalismo",
disse Cyro Garcia, do PSTU e da Oposição
Bancária no Rio de Janeiro.
Cyro chamou a formação de uma alternativa única
que una os setores combativos da classe trabalhadora. "Apesar
de todas as vitórias que a Conlutas conquistou,
como na construção civil de Fortaleza e na
Revap de São José dos Campos, assim como
na GM, na luta contra o banco de horas, ainda somos poucos.
Para avançar na luta, fazemos um claro chamado à Intersindical,
apontando a realização de um congresso de
unificação", defendeu Cyro.
Os delegados aprovaram o chamado à unidade com
a Intersindical e medidas concretas para isso, como a retomada
do Fórum Nacional de Mobilizações
e uma atividade no próximo Fórum Social Mundial.
Além disso, a unidade será buscada nas lutas
cotidianas, no trabalho com as oposições
sindicais e nas campanhas salariais.
Fonte: Colutas
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Congresso em Foco, 19 de
julho de 2008
Não basta ser pai...
Dentre as obrigações
do pai, estão assistência médica e psicológica,
alimentação especial e todos os custos clínicos
Fábio Góis
Está nas mãos do presidente Lula um projeto
de lei que torna ainda mais abrangente o direito das mães à pensão
alimentícia. Trata-se do Projeto de Lei 7.376/06,
de autoria do ex-senador Rodolpho Tourinho (PFL-BA), que
estabelece obrigatoriedade do pai em compartilhar com a mulher
gestante, na proporção dos recursos de ambos,
todas as despesas decorrentes do período da gravidez,
desde a concepção até o momento do parto.
Aprovada na Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) do Senado, em 15 de julho, a matéria
seguiu para Câmara e, sem alarde, foi aprovada por
unanimidade e em caráter terminativo (ou conclusivo,
sem necessidade de ir plenário ou a alguma outra comissão)
na CCJ da Câmara, onde tramitou em regime de prioridade.
Agora, a proposição aguarda apenas a sanção
presidencial, o que deve acontecer nos próximos dias.
Segundo o texto do relator, deputado Pastor Manoel Ferreira
(PTB-RJ), entre as obrigações do pai estão – além
da prioritária, que é o fornecimento de alimentos
gravídicos – assistência médica
e psicológica, alimentação especial
e todos os custos clínicos (exames de praxe, medicamentos,
internações, parto).
Polêmica, a matéria altera artigos do Código
de Processo Civil. A única diferença entre
o projeto e a lei que determina o pagamento de pensão
alimentícia, além de esta ser executada depois
do nascimento do filho, é que a mãe também
deve custear parte das despesas adicionais do período
da gestação. Para o relator, a proposição
assegura e amplia os preceitos constitucionais do direito à saúde
e à vida.
“Esse não é um projeto que quer apenas
modificar um texto na Constituição, mas destacar
a mulher como uma pessoa que precisa ter mais apoio e uma
assistência melhor, durante o período da gestação.
No momento em que ela manifestar a gravidez e que esta gravidez
for atestada por um médico ou órgão
competente, o indivíduo considerado o pai já estará obrigado
a dar a assistência alimentícia à grávida”,
justificou o deputado, por meio de sua assessoria de imprensa.
O deputado acredita que a matéria será especialmente
festejada pelas mulheres. "Acho que a expansão
do prazo de pagamento da pensão alimentícia
vai ao encontro dos direitos e interesses da mulher brasileira”,
opinou, lembrando que a proposição aumenta
a responsabilidade do pai. “Certamente irá tornar
muitos homens mais responsáveis no trato a suas companheiras,
entendendo que também a gestação é de
responsabilidade dos dois."
Amparo ao feto
Em seu parecer, Pastor Manoel Ferreira alega que a matéria “traz
inovações benéficas, permitindo que
a mulher gestante seja assistida de forma adequada, já a
partir da concepção”. Segundo o deputado,
a mãe não é a única beneficiada,
mas também o feto.
“Os alimentos não podem ser fornecidos contemplando
apenas as necessidades básicas da gestante. Tratando-se
de uma situação em que a mulher precisa de
outros cuidados, (...) a prestação alimentar
deve incluir esses itens, sem os quais a mulher e o feto
ficariam desamparados”, acrescenta o petebista.
Aos homens que tenham dúvidas em relação à paternidade,
o projeto faz uma ressalva: garante indenização,
ou ressarcimento, pelos danos causados ao réu (no
caso, o suposto pai, questionado pela gestante junto à Justiça) “no
caso de demonstração negativa de paternidade”.
A possibilidade de indenização se refere à quantia
empregada, para o custeio dos benefícios à gestante,
pelo pai equivocadamente responsabilizado pela gestação.
Precisão
Na descrição dos procedimentos judiciais para
o requerimento da “pensão gestante”, o
projeto reza que “a parte autora indicará as
circunstâncias em que a concepção ocorreu
e as provas que dispõe para provar o alegado, apontando,
ainda, o suposto pai, sua qualificação e quanto
ganha aproximadamente ou os recursos de que dispõe,
e exporá suas necessidades”. O réu acionado
terá cinco dias para apresentar sua resposta ao juiz
competente, a partir do dia do ajuizamento da petição
solicitando o benefício.
No caso de a gestante descobrir posteriormente a gravidez,
caberá ao juiz estabelecer um critério de cálculo
para a reposição dos gastos adicionais efetuados
pela mulher, de forma retroativa. Assim, faz-se necessária
a apresentação de certificado médico
que defina e comprove o início da concepção,
para efeito de cálculo.
Já diante de indícios ou da certeza acerca
da paternidade, o juiz fixará alimentos gravídicos
que deverão ser providenciados por pai e mãe
até o nascimento da criança, de acordo com
as necessidades maternas e as condições financeiras
do pai. Depois do nascimento, o “parágrafo único” do
projeto define que a provisão de tais alimentos sejam
automaticamente convertidos em pensão alimentícia
convencional, em favor do menor, até que uma das partes
requeira a revisão da mesma.
Segundas intenções
Médico de formação, o senador Tião
Viana (PT-AC) falou ao Congresso em Foco sobre o projeto
do ex-senador Rodolpho Tourinho (DEM-BA). Para ele, é preciso
cuidado com temas relativos à questão social. “Eu
sou muito comedido quando o assunto em questão envolve
uma rede de proteção que extrapola o papel
do Estado”, declarou o petista.
De acordo com o senador do Acre, o projeto pode ter alguma
importância, mas precisa eliminar alguns riscos – como
a má fé eventual de uma mãe que use
a gravidez indevidamente, alegando falsamente a paternidade
em razão de interesses menores.
“Em um primeiro momento, eu respeito a proposição
do autor. Existe a polêmica de que, se uma mãe
está subnutrida, o seu filho terá problemas
no futuro”, afirmou Tião. “Mas todas essas
medidas – que envolvem a questão previdenciária
e uma rede de proteção social – envolvem
esse risco.”
Procurado pela reportagem para comentar os pontos polêmicos
do projeto, o ex-senador Rodolpho Tourinho, que atualmente é servidor
da Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo, não foi localizado. De acordo
com sua assessoria, ele está “incomunicável” por
estar em viagem ao interior do estado.
Excesso de PAs
Depois do caso extraconjugal – entre outros “delitos” – do
senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que quase levou à sua
cassação, o tema das pensões alimentícias
esteve à baila no Senado em boa parte do ano passado.
Renan foi acusado de receber dinheiro de um lobista para
pagar pensão alimentícia à jornalista
Mônica Veloso, com quem teve uma filha fora do casamento.
Caso a lei estivesse em vigor, o senador licenciado Gilvan
Borges (PMDB-AP) teria aumentado em muito o valor que teria
de pagar às respectivas mães, se a nova proposição
estivesse em vigor à época das concepções.
Responsável por 12 pensões alimentícias,
não raro ele profere declarações, digamos,
desconcertantes – e não importa o lugar em que
esteja.
Em junho do ano passado, em pleno Conselho de Ética
do Senado, Borges justificou da seguinte maneira o fato de
ter tido filho com 12 mulheres: devido ao fato de ser um
homem do povo e transitar “livremente”, tem muitas
relações interpessoais. “Eu, por ser
um homem do povo e transitar livremente, não prestava
atenção no serviço”, disse o senador,
levando seus pares às gargalhadas. Detalhe: ele comparou
as pensões a uma cooperativa e disse ainda que assumia
as de eleitores presos por não terem dinheiro para
pagá-las.
Outras declarações de Borges, membro do Conselho
de Ética, são igualmente polêmicas. Ao
defender o nepotismo (empregar parents em cargos públicos)
e explicar o fato de ter mãe e esposa trabalhando
em seu gabinete, ele se saiu com esta: “Uma me pariu
e outra dorme comigo”. A propósito: dono de
um império do setor de comunicações
no Amapá (duas emissoras de TV na capital, Macapá,
e várias emissoras de rádio em quase todos
os municípios do estado), Borges defende a anexação
da Guiana Francesa pelo governo brasileiro e a eutanásia.
O Congresso em Foco tentou contatar o senador amapaense,
mas sua assessoria de imprensa informou que ele está,
a exemplo de Rodolpho Tourinho, “incomunicável” em
viagem ao interior do Amapá.
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CUT, 19 de julho de 2008
Justiça: trabalhador
ganha ação de racismo no ABC
O soldador Carlos Roberto dos Santos ganhou uma ação de
racismo que moveu contra a Prensas Schuler, de Diadema, pela conduta
de seu chefe, que o ofendia de forma discriminatória
O soldador Carlos Roberto dos Santos ganhou uma ação
de racismo que moveu contra a Prensas Schuler, de Diadema,
pela conduta de seu chefe imediato, que frequentemente o
ofendia de forma discriminatória com termos como "macaco".
A Justiça do Trabalho condenou a fábrica a
indenizar o companheiro com uma quantia em dinheiro.
Esta é uma decisão inédita na categoria,
mas que pode se repetir daqui para frente pois, apesar das
empresas instruírem seus funcionários de cargos
de liderança contra essa prática, infelizmente
ainda há pessoas com esse tipo de comportamento.
"Lamentavelmente a mídia, por exemplo, apresenta
o negro em cargos inexpressíveis. Os desenhos animados
não tem heróis negros. E, nas empresas, o numero
de chefes negros é totalmente insignificante",
lembra Daniel Calazans, diretor do Sindicato e membro da
Comissão de Combate ao Racismo dos Metalúrgicos
do ABC.
Preconceito disfarçado - Calazans garante que essa
prática dos trabalhadores sofrem com preconceito no
chão de fábrica é mais comum do que
se imagina são atitudes sutis, além de situações
mais constrangedoras, como a sofrida pelo companheiro Carlos. "O
que nos resta é seguir esse exemplo de denunciar esse
tipo de atitude odiosa."
Quando perguntado qual conselho daria para um companheiro
que passasse pelo mesmo problema, Carlos Roberto Santos não
hesita. "Ter a coragem que eu tive de enfrentar. Não
vale a pena aguentar as ofensas por medo de perder o emprego.
Eu mesmo, se soubesse dessa possibilidade antes, não
teria esperado tanto tempo", aconselha, ao garantir
que faria tudo novamente.
Futuro - Recente estudo do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea) mostra que a população negra
será maioria no Brasil ainda este ano e em 2010 superará a
soma de brancos, indígenas e amarelos no País. "Por
isso nós reivindicamos cada vez mais ações
afirmativas e políticas públicas de inclusão
e respeito porque sua maioria absoluta da população é negra",
afirma Daniel Calazans.
O diretor do Sindicato lembra ainda que no atual governo
a população afrodescendente tem conseguido
o reconhecimento de seus direitos.
"Mas, ainda falta muito para superar esse abismo de
502 anos de exclusão absoluta", finaliza o dirigente.
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Agência Brasil, 19
de julho de 2008
Brasil tem papel importante
nas relações entre países sul-americanos,
diz professor
Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A visita do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva à Bolívia e à Colômbia
neste fim de semana será importante para acelerar
o processo de integração na América
do Sul e para a concretização das ações
da União de Nações Sul-Americanas
(Unasul). A avaliação é do professor
de Relações Internacionais da Universidade
de Brasília (UnB) Virgílio Arraes.
Para ele, o Brasil tem um importante papel como mediador
das relações entre os países do continente,
especialmente entre a Colômbia e a Venezuela, que
recentemente tiveram suas relações estremecidas. “A
presença brasileira como mediadora pode contribuir
para que haja uma proximidade maior entre os dois países,
e assim o processo de integração possa seguir
mais robustamente”, afirma.
Arraes avalia que criação da Unasul é uma
idéia excelente, mas que ainda faltam condições
políticas para que a integração do
continente se concretize. Um dos objetivos da viagem de
Lula é justamente debater com os presidentes da
Bolívia e da Colômbia o andamento das ações
referentes à Unasul.
O principal requisito para que a integração
proposta pela Unasul se concretize é a dissolução
de divergências políticas, que, segundo Arraes,
muitas vezes se tornam desavenças econômicas.
Ele diz também que é preciso criar políticas
sociais para intensificar a livre circulação
de pessoas dentro da América do Sul.
“É um processo que leva anos. São
muitas as dificuldades, e os esforços deveriam ser
para concretizar blocos menores, como o Mercosul e a Comunidade
Andina. Assim, a Unasul surgiria quase naturalmente”,
acrescenta o professor.
Segundo ele, os países da América do Sul
não têm condições de concretizar,
a curto prazo, a criação de um Conselho Sul-Americano
de Defesa, nem de um Banco Central único para a
região. O professor diz ainda que é preciso
primeiro promover maior integração física
e política do continente e melhorar a infra-estrutura
dos países, além de intensificar o comércio
entre eles.
Arraes lembra que o Brasil não deve se posicionar
oficialmente sobre a presença das Forças
Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)
no país, que, na sua avaliação, vive
situação próxima à de uma guerra
civil. “Caso convocado, o Brasil não poderia
se furtar a colaborar. Mas não acredito que o Brasil
se disponha a ter uma participação intensa
em uma questão que é local: o conflito entre
o governo central e forças militares bem armadas
e com uma plataforma política”, afirma.
Na Bolívia, Lula deverá assinar a liberação
de US$ 230 milhões para o governo de Evo Morales
usar na construção da rodovia Rurrenabaque-Riberalta.
Para Arraes, o anúncio do financiamento sinaliza
uma parceria política entre os presidentes.
“A visita tem um reflexo de proximidade entre os
dois países, que sinaliza o desejo do governo boliviano
de normalizar o seu relacionamento com o Brasil, o que
afastaria o fantasma de a Bolívia se tornar um elemento
de instabilidade regional”, avalia o professor.
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Gazeta do Povo, 19 de julho
de 2008
Integração
Lula assina acordo para construção
de rodovia na Bolívia
Estrada de 508 quilômetros
vai ligar La Paz, a capital boliviana, a Porto Velho, capital
de Rondônia
Riberalta, Bolívia - O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva assinou ontem contrato com o presidente da
Bolívia, Evo Morales, para a liberação
de US$ 230 milhões (R$ 365,8 milhões) para
a construção de 508 km de rodovia ligando
Porto Vellho, capital de Rondônia, e La Paz, capital
boliviana.
A estrada permitirá o acesso aos portos chilenos
e peruanos no Pacífico pelas rodovias brasileiras.
O Brasil ficará responsável por erguer a
ponte entre Guajará-Mirim e Guayaramerín,
que será ligada à rodovia.
Durante a assinatura do contrato, em Riberalta, na Bolívia,
Lula elogiou o colega Evo Morales, que enfrentará,
no dia 10 de agosto, um referendo revocatório presidencial,
no qual a população dirá se quer que
ele permaneça na chefia do governo boliviano, assim
como os governadores de nove departamentos (estados).
Lula lembrou ao “companheiro Evo Morales” a
grande alegria que sentiu quando o povo boliviano elegeu
um índio para presidente: “Tenho convicção
de que a importância da sua eleição
na Bolívia tenha sido, talvez, muito mais significativa
do que a eleição de um metalúrgico
para a Presidência do Brasil.”
O presidente reafirmou que a Petrobras está disposta
a investir na exploração de gás em
solo boliviano. “Está clara nossa decisão
de investir na energia da Bolívia.’’
Evo Morales retribuiu os elogios de Lula afirmando que
o presidente brasileiro tem sido “solidário
ao povo da Bolívia’’ e tem certeza de
que as promessas do Brasil sairão do papel. “Tenho
certeza que esses investimentos não são apenas
discurso’’, afirmou Morales.
O encontro dos presidentes ocorreu no departamento de
Beni, um dos que querem autonomia em relação
ao governo central boliviano. O departamento é governado
pela oposição a Morales. O Brasil é o
principal sócio comercial de Bolívia. As
compras brasileiras de gás natural boliviano superam
US$ 1 bilhão (R$ 1,59 bilhão).
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, também
participou do evento. Ele assinou contrato com Morales
para a liberação de US$ 300 milhões
(R$ 477 milhões) para projetos rodoviários
e para a criação de uma empresa binacional
socioprodutiva que instalará no território
boliviano produtoras de laticínios, beneficiadoras
de milho e fábricas de plásticos injetados. “A
Bolívia ainda não tem recursos que são
vitais para a integração”, declarou
Chávez.
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Gazeta do Povo, 19 de julho
de 2008
Mercado financeiro
Ações de empresas
do PR vão mal na Bovespa
Em pouco mais de seis meses, um investidor
que tivesse aplicado apenas em companhias paranaenses teria
tido prejuízo de 21%. Só GVT, Copel e Paraná Banco
registraram valorização
As empresas paranaenses de capital aberto tiveram um mau
início de ano. Um investidor que tivesse montado
uma carteira apenas com ações de empresas
do Paraná no final de 2007, teria acumulado até hoje
um prejuízo de 21% no valor aplicado. Apenas três,
dentre as doze companhias do estado com ações
cotadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa),
tiveram valorização entre o último
pregão do ano passado e o fechamento de ontem. No
mesmo período o Ibovespa, índice de referência
da bolsa brasileira, perdeu 6,1%.
O destaque positivo foram as ações da empresa
de telecomunicações GVT, que tem sede em
Curitiba, com alta de 8,53%. A companhia apresentou desempenho
ligeiramente melhor do que as empresas do setor de telefonia
fixa. Na avaliação do consultor Anderson
de Poli, da Omar Camargo Corretora, o resultado não
surpreende. “A GVT é uma empresa de telefonia
um pouco à frente das outras. Ela inovou ao lançar
a telefonia em VoIP [pela internet], e os papéis
acabaram se beneficiando”, diz Poli.
Já as ações do Paraná Banco,
que tiveram a segunda maior valorização dentre
os papéis paranaenses (3,33%), perderam muito desde
que foram lançadas, mas continuam figurando como
uma opção para quem quer montar uma carteira
de dividendos, pagando em torno de 6% trimestralmente.
A Copel, com valorização de 1,69%, vem embalada
pelo bom momento do setor de energia elétrica no
Brasil. A empresa tem o papel mais negociado dentre as
empresas paranaenses. “Para sustentar o crescimento,
o setor de energia terá que se expandir significativamente.
Isso tem valorizado ações de empresas como
Copel, Cemig, Eletrobrás e CPFL”, ressalta
o corretor Ricardo Mariya Júnior, da Planner.
Tirando as ações de GVT, Paraná Banco
e Copel, os outros papéis paranaenses só tiveram
queda. A maior desvalorização ocorreu nas
ações da Positivo Informática. Neste
ano, os papéis da fabricante de computadores tiveram
perda de 67,14% no valor de mercado. O fim dos subsídios
no ICMS paranaense e paulista diminuiu a expectativa de
lucros e afastou os investidores.
A Providência, indústria de não-tecidos,
tubos e conexões com sede em São José dos
Pinhais, também teve queda expressiva: 40,59%. “A
empresa gerou uma boa expectativa no mercado quando abriu
capital. Tinha tudo para dar certo. Nós, inclusive,
apostamos em bons resultados, mas o mercado parece que
não aceitou”, lamenta Poli.
A América Latina Logística (ALL), sofreu
perdas de 9,72%, mas deve se recuperar em breve. O setor
de logística deu uma freada no fim do ano passado,
mas vem acompanhando o ritmo de recuperação
da bolsa.
Pequenas
Outras empresas do estado como Café Cacique, Café Iguaçu,
Battistella e Sanepar também mantêm ações
na bolsa, mas todas possuem baixo volume de negócios
e pouca liquidez, ou seja, são pouco atraentes para
o investidor.
Apesar do fraco resultado geral, Mariya Júnior
aponta o mercado de ações como uma boa opção
de investimento. “Mas é preciso paciência
e ver sempre na perspectiva do longo prazo. Quem retira
o investimento, preocupado com uma queda, acaba perdendo
em dobro”, aponta o consultor.
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Gazeta do Povo, 19 de julho
de 2008
Mercado financeiro
Setor financeiro se recupera,
mas bolsa cai
A recuperação do setor bancário não
foi suficiente para garantir ganhos à Bolsa de Valores
de São Paulo na semana, que encerrou o período
com baixa de 0,27%. No pregão de ontem, a perda
registrada pela Bovespa ficou em 0,2%. Alguns resultados
trimestrais melhores que o esperado nos Estados Unidos,
como o anunciado pelo Citigroup (leia mais ao lado), permitiram
que os bancos se recuperassem nos últimos pregões,
movimento que foi acompanhados pelas instituições
financeiras locais.
As ações preferenciais do Itaú foram
o principal destaque e subiram 10,86% na semana. Logo atrás,
apareceram os papéis preferenciais do Bradesco,
com alta de 8,68%, e os units do Unibanco, com ganho de
7,31%. O papel ordinário do Banco do Brasil teve
valorização de 4,83% na semana. “O
setor bancário está com muitas oportunidades
interessantes e que podem ser aproveitadas”, afirma
o gestor da corretora Umuarama, Rafael Moysés.
EUA
O mercado norte-americano teve resultados distintos ontem,
influenciados por notícias corporativas. O índice
Dow Jones, que reúne as 30 ações de
maior liquidez, teve alta de 0,44%. Já a bolsa eletrônica
Nasdaq, dos papéis de empresas de alta tecnologia,
terminou com queda de 1,28%. Os balanços decepcionantes
de Microsoft e Google afetaram o desempenho da Nasdaq.
Apesar de o resultado do índice Ibovespa não
ter sido muito animador na semana, 47 de suas 66 ações
encerraram o período com ganhos.Além dos
papéis do setor bancário, as ações
PN da TAM e ON da Natura chamaram a atenção,
com valorizações na semana de 16,24% e 13,05%,
respectivamente.
O resultado da bolsa paulista também não
foi melhor na semana porque as ações de Vale
e Petrobras, as de maior peso na composição
do Ibovespa, terminaram o período com quedas expressivas.
Os papéis da mineradora acumularam perdas de 8,29%
(ordinárias) e 6,49% (preferenciais `A”).
Já as da Petrobras recuaram 6,97% (ordinárias)
e 5,91% (preferenciais). O enfraquecimento do petróleo
no exterior foi um fator de peso no resultado dos papéis
da Petrobras. O barril do petróleo encerrou negociado
a US$ 128,88 em Nova Iorque, em baixa de 0,32% – uma
semana atrás, o produto chegou a superar os US$
145.
No mercado de câmbio, a sexta-feira foi tranqüila.
Com o fluxo favorável, o dólar terminou as
operações vendido por R$ 1,589, mantendo-se
em seu menor nível desde janeiro de 99. Com a depreciação
de 0,63% de hoje, o dólar acumula queda de 10,58%
diante do real no ano.
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Folha de Londrina, 19 de
julho de 2008
SEU DIREITO
FÉRIAS E COMISSÕES
Trabalho como vendedora e recebo
salário fixo além das comissões. Quando
eu sair de férias, como será feito o cálculo
dos pagamentos das comissões?
As férias foram prestigiadas pela Consolidação
das Leis Trabalhistas visando desenvolver meios necessários
ao empregado para que ele pudesse recuperar as condições
físicas e mentais despendidas no trabalho.
As férias representavam, inicialmente, um descanso
remunerado só com o valor do salário mensal.
Mais modernamente contam com um adicional constitucional
correspondente a 1/3 do valor do cálculo das férias,
permitindo assim que o empregado goze seu período
com condições financeiras.
Para auferir o valor que receberá relativo às
comissões, deve-se somar os valores das 12 últimas
comissões e dividi-las por 12, desta forma, encontra-se
a média mensal das comissões recebidas. Este
será o valor recebido nas férias com relação às
comissões.
Do valor da média das comissões soma-se
o salário-base, do valor auferido acrescenta-se
o 1/3 constitucional, chegando por final ao valor das férias.
Para exemplificar, vamos usar um empregado que aufere
R$ 900 de salário-base e que a soma das 12 últimas
comissões chega-se ao valor de R$ 3.600. Ao dividir
esta quantia por 12, encontra-se a média de comissões
no valor de R$ 300. A este montante será acrescido
o salário-base, que neste exemplo usamos o valor
de R$ 900. Somando-se a média das comissões
mais o salário-base (R$ 300 + R$ 900), chega-se
ao total de R$ 1.200. Deste valor, acrescenta-se o 1/3
constitucional, que no caso seria de R$ 400.
Assim, soma-se R$ 1.200 + R$ 400, chegando-se a um total
de R$ 1.600, valor este final das férias a serem
recebidas.
João Felipe Barros de
Albuquerque, advogado
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O Estado do Paraná,
19 de julho de 2008
Poupança continua em
alta no mercado
Brasília - As cadernetas de poupança encerraram junho com
captação positiva de R$ 1,529 bilhão. O montante é 39,5%
maior do que o registrado em maio, quando os depósitos superaram
os saques em R$ 1,096 bilhão. Esse foi o segundo mês consecutivo
de resultado positivo. Segundo o Banco Central, os poupadores também
ganharam R$ 1,389 bilhão em rendimentos no mês passado.
Assim, o estoque das cadernetas encerrou junho com R$ 247,315 bilhões.
No semestre, a poupança registrou o ingresso de R$ 4,434 bilhões.
Apesar do resultado positivo, o desempenho é 49,5% menor que
o registrado em igual período do ano passado. Esse ritmo mais
fraco pode ser explicado em parte com a perda de competitividade das
cadernetas frente a outras aplicações em tempos de alta
da inflação.
Segundo levantamento feito pelo Estado no início do mês,
a poupança rendeu 4,09% no semestre. No mesmo período,
o Índice Geral de Preços ao Consumidor (IGP-M) subiu
6,82% e os fundos de renda fixa, que também perderam da inflação,
subiram 4,55%.
Fernando Nakagawa
Agência Estado
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O Estado do Paraná,
19 de julho de 2008
Minc assina pacto para elevar
uso de madeira certificada
O Governo Federal irá dobrar a área
destinada a concessões de florestas públicas
em 2009, passando de 2 para 4 milhões de hectares
como meta. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (18)
pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, em Belém,
como uma das contrapartidas para garantir o compromisso da
indústria de utilizar apenas madeira certificada.
O Pacto pela Madeira Legal e Desenvolvimento Sustentável
foi assinado por Minc, a governadora do Pará, Ana
Júlia Carepa, e representantes da Federação
das Indústrias do Pará (Fiepa), Associação
das Indústrias Exportadoras de Madeiras do Estado
do Pará (Aimex) e Grupo de Produtores Florestais Certificados
da Amazônia (Pfca).
Válido por um ano, o pacto firma o compromisso
do empresariado de adquirir apenas produtos florestais
certificados, e dos governos federal e estadual de garantirem
condições favoráveis para isso, com
disponibilização de recursos, agilização
dos licenciamentos ambientais e aumento das áreas
disponíveis para concessões florestais, ações
reunidas com as quais se espera dobrar a oferta de madeira
legal e certificada para o mercado.
Carlos Minc declarou que o pacto surge atrelado a outros
acordos que vão garantir o seu cumprimento. Entre
eles, acordos de cooperação entre os governos
federal e estadual para o monitoramento ambiental e para
a realização da regularização
fundiária na região, assim como a padronização
dos critérios e procedimentos de fiscalização,
que proporcionará, nos cálculos do ministro,
uma redução da média de liberação
das licenças ambientais mais complexas de 28 para
13 meses.
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Folha de S.Paulo, 19 de
julho de 2008
VINICIUS MOTA
O terceiro mandato
já começou
SÃO PAULO - O lulismo continuará no poder em 2011, não
importa o vencedor das eleições presidenciais do ano anterior.
Quem busca elucidar esse enigma nas movimentações de granadeiros
petistas de baixa patente, como o folclórico deputado Devanir
Ribeiro, erra o alvo.
A resposta está diante dos olhos, em operações como
a compra da Brasil Telecom pela Oi, financiada e permitida por um mutirão
governista capitaneado pelo Planalto. Com R$ 4,3 bilhões do Banco
do Brasil e R$ 2,6 bilhões do BNDES, mais da metade da necessidade
de capital para a transação será garantida pela
gestão Lula. O governo também entra com mão-de-obra
normativa -vai mudar o decreto que impede fusões- e a boa vontade
de acionistas como fundos de pensão e, de novo, o BNDES.
Tanto empenho há de ser recompensado. A influência, no "big
business" telefônico, de diversos núcleos políticos
e quadros partidários hoje no governo vai perdurar por longos
anos. Na dúvida, consultem-se diretorias e conselhos administrativos
e fiscais de grandes empresas beneficiárias das privatizações,
da política de juros ou da normatização ("regulação")
dos anos FHC. Muitos fernandistas estão firmes em seu quarto mandato.
A queda de Palocci, adepto das relações preferenciais com
os bancos, coincidiu com uma mudança de estilo do governo Lula
nesse quesito. O apetite para intervir em grandes negócios público-privados
deu um salto sob Dilma Rousseff, mãe do PAC e musa dos empreiteiros.
O governo patrocina a reorganização do capital na telefonia,
na petroquímica e em outros setores da economia, aprofundando
e estendendo no tempo a confluência estatal, sindical e partidária
no mundo dos negócios. A simbiose crescente entre principais partidos,
sindicatos e empresas do país, sob fiança do erário, é a
principal ameaça à capacidade do Estado de arbitrar conflitos
a favor do interesse público.
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Folha de S.Paulo, 19 de
julho de 2008
Reajuste de telefonia fixa
pode ser menor neste ano
Índice que mede produtividade
deve reduzir impacto da inflação
DO "AGORA"
As ligações feitas de telefones fixos ficarão
mais caras no início da semana que vem. Ontem, foi
divulgado pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações)
o índice que faltava para ser usado no cálculo
do reajuste dos serviços, o chamado Fator X, que foi
de 2,92%.
O Fator X é um redutor do reajuste para o consumidor, que reflete
os ganhos e os custos das operadoras de telefonia. Ele é reduzido
do IST (Índice de Serviços de Telecomunicações),
que é considerado a inflação do setor. A Anatel
já divulgou o IST que será utilizado para o reajuste
deste ano: 4,46%.
No ano passado, o IST foi menor (2,91%), mas o Fator X também
(cerca de 1%, variando a cada empresa). Por isso, a alta para o cliente
da Telefônica ficou em 2,2%.
Neste ano, o Fator X mais alto deve compensar o IST maior. Segundo
cálculos do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor)
com base no contrato de concessão da Telesp (atual Telefônica),
o reajuste deve ficar perto de 1,4%. A Anatel informou ontem que só deve
divulgar o reajuste nos próximos dias. Segundo a agência,
não há como prever o aumento oficial considerando na
conta só o IST e o Fator X.
Segundo a Telefônica, o reajuste oficial só será publicado
depois de a Anatel fazer o anúncio. A expectativa é que
as novas tarifas sejam divulgadas nos jornais de grande circulação
entre segunda e terça-feira. Os novos preços começam
a vigorar 48 horas depois da publicação.
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Última Instância,
19 de julho de 2008
Sanepar é condenada
a indenizar trabalhadores em área de risco
A decisão do juiz da 1ª Vara do Trabalho de Londrina, Fabrício
Sartori, que condenou a Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná)
a pagar adicional de periculosidade aos trabalhadores que fazem à manutenção
nas estações de tratamento de esgoto foi mantida pelos
desembargadores da 5ª Turma do TRT (Tribunal Regional do Trabalho)
da 9ª Região (Paraná).
Em recurso ao TRT-PR, a empresa alegou que o perito não
tinha medido a quantidade de gás metano necessária
para uma explosão dentro de um sistema de tratamento
de esgoto. Segundo a Sanepar, não estariam caracterizadas
as condições necessárias ao pagamento
de adicional de periculosidade.
“A simples existência do gás metano,
que é inflamável, no local de trabalho gera
por si só a periculosidade, sendo que a concentração
do gás metano relaciona-se apenas no que se refere
ao maior ou menor risco de explosão”, é o
que diz o argumento que negou a justificativa da Sanepar.
Segundo o TRT, o perito informou no processo "que não é necessário
medir a concentração de metano, visto que o
mesmo é inflamável e melhor prova não
há do que ometano queimando na chaminé de saída
dos ralfs (sistema de tratamento de esgoto) da própria
reclamada".
A ação contra a empresa de saneamento foi
impetrada pelo Sindael (Sindicato dos Trabalhadores na Captação,
Purificação, Tratamento e Distribuição
de Água e Captação, Tratamento e Serviços
em Esgoto de Meio Ambiente de Londrina e Região).
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
19/07/2008
A contraproposta dos trabalhadores da
ECT
A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas
de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) formalizou hoje à tarde
seu posicionamento sobre a proposta de acordo formulada pelo Tribunal
Superior do Trabalho, rejeitando-a e apresentando contraproposta.
A Fentect propõe que a ECT suspenda a implantação
do plano de cargos e salários de 2008 e restabeleça sua
rediscussão com os empregados, mediante pauta previamente estabelecida,
com a mediação do TST. A empresa pagaria, “em definitivo,
a todos os funcionários que trabalham na distribuição
de cartas e encomendas, em vias públicas, uma gratificação
de 30% do salário base de cada trabalhador, conforme Termo de
Compromisso”. As duas partes trabalhariam de comum acordo para
a estabelecer uma “Gratificação de Triagem e Transbordo” para
todos os trabalhadores que executam essas atividades. A ECT manteria “o
pagamento da AAG a todos os atendentes comerciais” e faria “a
revisão da PLR do exercício de 2007”, conforme
proposta protocolada pela Fentect.
A representação dos empregados também reivindica
que a empresa não efetue retaliações em função
da greve e não desconte os dias parados.
Conforme já divulgado anteriormente, o TST aguarda até as
17h de hoje para que as partes cheguem a um acordo. Caso isso não
aconteça, será marcada a data para julgamento do dissídio.
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