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AGÊNCIA DIAP, 21 de
julho de 2008
COMBATE À INFLAÇÃO
Centrais confirmam protesto contra
juros altos para o dia 23
Em reunião realizada na
sede nacional da CTB, na cidade de São Paulo, na última
sexta-feira (18), representantes da Força Sindical, UGT, CGTB
e NCST decidiram promover um ato em frente à sede paulista
do Banco Central (BC) no dia 23 de julho. A CUT não enviou
representante, mas será contatada e provavelmente participará do
ato.
A data foi escolhida por ser
o dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom)
anunciará a decisão de sua reunião para definir
a taxa básica de juros, a Selic. O ato será na Avenida
Paulista, 1.804, às 11 horas.
Há uma convicção
no pensamento político e econômico brasileiro avançado
de que o Brasil vive uma rara oportunidade de adentrar em um ciclo de
desenvolvimento duradouro, com ritmos e índices compatíveis
com seu porte e necessidades. Esse mesmo pensamento faz o alerta de que
esta oportunidade está sendo sufocada pela vigência de uma
política macroeconômica que, ao fixar juros estratosféricos,
superávits fiscais elevados e uma política cambial nociva às
exportações, obstaculiza o desenvolvimento duradouro.
A principal ferramenta desta
tendência conservadora é a manipulação da
taxa básica de juros, a Selic, pelo BC, que ameaça manter
o país preso ao velho círculo vicioso de crescimento, contração
e estagnação. Este alerta é emitido de toda parte — exceto
dos banqueiros, dos especuladores nacionais e estrangeiros, que multiplicam
a cada ano seus ganhos fabulosos. Os juros altos afetam a demanda por
produtos, a capacidade de financiamento da indústria e a decisão
de investimento.
Mesmo diante desse vigoroso coro
nacional pelo desenvolvimento, o "mercado" já pré-anuncia,
por meio da mídia, que o Copom vai, uma vez mais, aumentar a taxa
de juros. A justificativa do "mercado" e do Copom para tais
aumentos já deixou de ser, de tão surrada, argumento para
se tornar uma ladainha. A cada reunião da "autoridade monetária",
ela eleva os juros "devido o aumento dos preços", aos
riscos de não se cumprir as metas de inflação.
A chantagem
do Copom
De nada tem adiantado a opinião de inúmeros economistas que demonstram
cabalmente que os juros altos servem para combater a "inflação
de demanda" (causada pela falta de produtos no mercado ou pelo excesso
na capacidade de compra da população).
Como se sabe, é evidente
que no Brasil atual nem há falta de produtos, tampouco a população
anda com os bolsos cheios para provocar uma febre de consumo. Segundo
diferentes estudos, a pressão inflacionária não é de
demanda, e sim causada por diferentes outros fatores — principalmente
de natureza externa, como a alta dos alimentos e do petróleo,
além da queda dólar.
O Copom chantageia com o risco
nunca tecnicamente descartado de volta da inflação. Explora
o imaginário de um povo traumatizado pela carestia. "Fabrica" uma
dicotomia entre expansão econômica e estabilidade. Mas tal
discurso vai revelando sua inconsistência. As metas de inflação,
ditas por vozes gabaritadas como exageradas, vão se apresentando
como uma cortina de fumaça. A questão é: o Copom
está de olho nas metas de inflação ou com corpo
inteiro atado "às metas da banca, ao apetite insaciável
dos especuladores?"
Trabalhadores não podem se
calar
Na prática, essa política
de juros altos serve apenas aos interesses de uma minoria — os
20 mil clãs de famílias que especulam com os títulos
da dívida, segundo revelou, em 2005, um estudo do economista Marcio
Pochmann.
Nos últimos 20 anos, afirma, "houve
a transferência acumulada de R$ 1,2 trilhão ao ciclo da
financeirização por intermédio do pagamento de juros
aos ricos que detêm a posse dos títulos públicos",
diz ele. “As decisões do Copom são tomadas por apenas
oito pessoas, nenhuma delas detentora de mandato conferido pelo povo”,
afirma Wagner Gomes, presidente da CTB.
O Copom foi fundado no Governo
Fernando Henrique Cardoso (FHC), em junho de 1996. Desde então
tem se mantido como reduto do fundamentalismo monetarista, prejudicando
o desenvolvimento nacional em nome de um suposto rigor no combate à inflação.
“O Governo Lula não
mudou esta orientação: a diferença é que
agora o monetarismo exacerbado do BC choca-se diretamente com a ala
do governo que deseja acelerar o crescimento”, explica Wagner
Gomes. “Os trabalhadores são os mais penalizados e não
podem se calar diante desta realidade”, diz. "É importante
um esforço em todo o país para fazer grandes atos no
dia 23", finaliza o presidente da CTB. (Fonte: Portal da CTB/Osvaldo
Bertolino)
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FOLHA
DE SÃO PAULO, 21 de julho de 2008 | Dinheiro
BNDES poderá pegar até R$
10 bi no FGTS
Governo estuda usar recursos do fundo para engordar
orçamento do banco estatal pagando taxas de juros mais baixas
| Operação pode causar perdas ao fundo de garantia, no
qual 28,5 milhões de trabalhadores têm dinheiro depositado
LEANDRA PERES
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Uma disputa política
entre a direção do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social) e representantes do FGTS (Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço) poderá acabar em prejuízo
para o fundo, no qual 28,5 milhões de trabalhadores têm
dinheiro depositado. O governo brasileiro discute usar até R$
10 bilhões de recursos do FGTS para engordar o orçamento
do banco estatal pagando taxas de juros menores do que a mínima
exigida pelo fundo.
Uma das alternativas em estudo é montar uma operação em
que o BNDES emitiria títulos, que passariam a ser carregados pelo FI-FGTS
(fundo de investimento em infra-estrutura com recursos do FGTS).
A proposta, no entanto, prevê que esses papéis sejam corrigidos
pela TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), atualmente em 6,25% ao ano. Esse
percentual é inferior ao rendimento mínimo exigido pelo FGTS
para financiar obras de infra-estrutura estimadas para este ano, em cerca de
7,6% ao ano.
Subsídio
ao BNDES
Esse descasamento faria com que houvesse, na verdade, um subsídio ao
BNDES e um prejuízo aos trabalhadores. O impacto, no entanto, ainda
não pode ser estimado porque depende do tempo que o BNDES ficará com
os recursos do FGTS em caixa e da variação dos juros pagos ao
fundo.
Uma eventual mudança no rumo do FI-FGTS contradiz todo o discurso do
governo sobre o fundo. Desde que criou o mecanismo, um dos principais argumentos
que vêm sendo usados para defendê-lo é que não implica
risco para o patrimônio do trabalhador.
A disputa que vem sendo travada nos bastidores do governo tem origem num problema
político. Sem dinheiro suficiente para emprestar às grandes empresas,
o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, convenceu o presidente da República,
Luiz Inácio Lula da Silva, a aumentar a dotação orçamentária
do banco.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, ficou encarregado de arrumar a fonte
de recursos. Como a Fazenda já colocou R$ 12,5 bilhões no BNDES
neste ano, não quer pôr mais dinheiro diretamente e está buscando
outras fontes, inclusive no FGTS.
Fortalecido pelo respaldo do presidente Lula, Coutinho ganhou força,
e as outras áreas do governo envolvidas na discussão -Caixa Econômica
Federal, Ministérios do Trabalho e das Cidades e representantes de trabalhadores
e empregadores- têm tido dificuldade em barrar a pressão.
Infra-estrutura
O FI-FGTS é a única porta de entrada do BNDES para abocanhar
dinheiro do fundo. Criado com o objetivo de financiar os setores de habitação
e saneamento, o FGTS passou a ter outro destino para suas aplicações
somente no ano passado, com o FI-FGTS.
Uma nova lei -considerada um dos pilares do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento)- permitiu que o dinheiro dos trabalhadores passasse a ser investido
em projetos de infra-estrutura. O valor total reservado para os projetos de
infra-estrutura é próximo de R$ 17 bilhões.
Apresentado ao Comitê de Investimentos do FI-FGTS em uma reunião
na última quarta-feira, o projeto do BNDES foi bombardeado tanto por
representantes do governo como por líderes sindicais. De acordo com
participantes da reunião, a engenharia financeira montada pelo BNDES é "inaceitável".
Além do prejuízo para o FGTS, há impedimentos legais que
só seriam contornados com eventuais mudanças nas atuais normas
de administração do fundo.
Atualmente, é vedado que o FI-FGTS seja um mero repassador de recursos.
Para que o BNDES pudesse receber o dinheiro, seria necessário mudar
esse regulamento.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
21 de julho de 2008 | Dinheiro
Comitê de fundo de investimento
deverá vetar repasse de recursos
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Comitê de Investimento
do FI-FGTS, fundo de investimento criado para financiar projetos de infra-estrutura
com recursos do trabalhador, decidiu que vai vetar a proposta de repasse
direto para o BNDES. O grupo recomenda "parceria" com o banco
de desenvolvimento, mas exige retorno mínimo nas operações,
que receberiam recursos do FI-FGTS diretamente, sem passar pelo caixa
do BNDES.
Isso não significa que o dinheiro do FGTS será preservado. O
comitê, que é dominado pelo governo, pode ser pressionado a mudar
de posição. Além disso, a instância máxima
de decisão sobre os recursos do trabalhador é o Conselho Curador
do FGTS, no qual governo também tem maioria de votos.
Procurado pela Folha, o governo, oficialmente, manteve o silêncio sobre
o potencial prejuízo da operação. O BNDES, principal interessado
na proposta, informou que não comentará o assunto, mesma decisão
do Ministério da Fazenda e do Trabalho, responsável pela gestão
do fundo. Representantes do Comitê de Investimento ligados às
centrais sindicais e confederações patronais também não
se manifestaram.
A proposta de uso dos recursos do FGTS para empréstimos do BNDES vem
sendo discutida há algum tempo pelo governo. Há cerca de três
semanas, o ministro Guido Mantega (Fazenda) reuniu os ministros Carlos Lupi
(Trabalho), Márcio Fortes (Cidades), o presidente do BNDES, Luciano
Coutinho, e a presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Coelho,
para decidir como seria feito o repasse dos recursos.
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FOLHA DE LONDRINA, 21 de
julho de 2008 | Política
Em ano eleitoral, Lula abre o cofre
para cidades aliadas
Das 50 cidades que mais receberam transferências
federais, a base aliada administra 43
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu o cofre
para os aliados no ano das eleições municipais. Das 50 cidades
que mais receberam transferências federais, a base aliada administra
43. Ao todo, o governo federal já liberou R$ 8,5 bilhões para
convênios com Estados, municípios e entidades públicas
e privadas desde o início do ano. Metade disso foi paga nos últimos
40 dias, com a proximidade do prazo final estipulado pela Lei Eleitoral para
que o governo inicie obras.
A reportagem identificou os 935
municípios que receberam mais de R$ 800 mil neste primeiro semestre.
O grupo soma R$ 2,7 bilhões em liberações. Destes,
81% dos recursos foram repassados para partidos da base aliada - o PT,
que tem 7% dos prefeitos do País, abocanhou 23% das verbas, seguido
por outra sigla governista, o PMDB, com 22% dos recursos liberados.
Ou seja, os prefeitos do PT e
do PMDB, juntos, receberam 45% dos recursos liberados para todos os municípios
pesquisados. Com o PSB e o PR na soma, essa conta sobe para 60%. Dos
oposicionistas, o PSDB é o que teve a maior parcela de repasses,
com 10%. Todos estes dados são oficiais e foram coletados pela
assessoria do DEM no sistema eletrônico de registro dos gastos
federais (o Siafi) e processados pela reportagem.
A prefeitura de Salvador, com
2,8 milhões de habitantes e dirigida pelo candidato à reeleição
João Henrique, do PMDB, é a maior beneficiária:
R$ 99,3 milhões. A capital baiana recebeu R$ 75 milhões
por obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC),
repassados pelo Ministério das Cidades. Do Ministério da
Integração Nacional, comandado pelo peemedebista e também
baiano Geddel Vieira Lima, recebeu outros R$ 5 milhões. Um dos
convênios, assinado em 1º de julho, teve a primeira parcela,
de R$ 2 milhões, liberada no mesmo dia.
A Lei Eleitoral proíbe
que, até o final da eleição municipal, o governo
federal transfira verbas para pagamento de obras que não tenham
sido iniciadas até 4 de julho. Por isso a pressa dos ministérios
em assinar papéis e fazer o primeiro pagamento ainda em junho
ou início de julho.
A capital de São Paulo,
dirigida pelo DEM, de oposição, aparece em segundo lugar
na lista das prefeituras mais beneficiadas, com R$ 59,1 milhões,
ou 2,2% das verbas, embora concentre 6,4% da população
do País. O contrário da situação de Salvador,
que concentra 1,5% da população brasileira e recebe 3,6%
das verbas.
Em terceiro lugar aparece uma
das surpresas da lista. Boa Vista, hoje comandada pelo prefeito Iradilson
Sampaio (PSB), recebeu R$ 49,1 milhões em liberações.
Sampaio é candidato à reeleição em uma coligação
com o PT e conta com o apoio do líder do governo no Senado, Romero
Jucá (PMDB-RR). ''Trabalhei pela liberação de verbas
para Boa Vista como outros políticos trabalharam. E também
trabalhei para a liberação de recursos para o governo do
Estado, embora a administração seja do PSDB. Não
há relação com o calendário eleitoral'',
diz ele.
Na lista das 50 prefeituras que
mais receberam recursos, o partido do presidente Lula aparece 16 vezes.
''No caso do Rio, há muitas obras ainda em início. Por
isso, o fluxo de liberações é baixo'', diz Jucá.
''O importante é que, ao empenhar as verbas, o governo contemplou
todos os partidos'', completa ele.
Sônia Filgueiras e
Sérgio Gobetti
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 21 de julho de 2008 | Brasil
Marta e Alckmin travam batalha por
apoio de sindicatos em São Paulo
THIAGO FARIA
colaboração para a Folha Online
Os dois candidatos que disputam
a liderança nas pesquisas de intenção de votos na
corrida pela Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy (PT) e Geraldo
Alckmin (PSDB), travam uma batalha paralela nas eleições
deste ano. Ambos buscam agregar o maior número de sindicatos de
classes em suas campanhas.
Em vantagem, a candidata do PT
recebeu na quarta-feira (16) o apoio oficial das seis principais centrais
sindicais da capital paulista: CUT (Central Única dos Trabalhadores),
Força Sindical, CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras
do Brasil), CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), UGT (União
Geral dos Trabalhadores) e NCST (Nova Central Sindical dos Trabalhadores).
Somente a CUT e a Força
Sindical reúnem mais de 80 sindicatos na capital, o que representaria
mais de 2 milhões de trabalhadores, segundo estimativas dos dirigentes
das centrais.
Boa parte deste apoio deve-se
a articulações do presidente da Força Sindical,
deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força.
O partido de Paulinho concentra parte dos diretores da central.
Enquanto isso, Alckmin conta
com a ajuda do seu candidato a vice, Campos Machado (PTB), para conseguir
o apoio de sindicalistas.
Desde o início da campanha,
o tucano participou de encontros de campanha em cerca de cinco sindicatos
da cidade. Machado diz ser responsável por 90% deste apoio e pretende,
nos próximos dias, fechar com outros 20 sindicatos. "A nossa
intenção é agregar cerca de 100 sindicatos na cidade à campanha",
diz o vice na chapa de Alckmin.
Ameaça
O coordenador de campanha de
Marta, deputado Carlos Zaratini (PT), diz que o assédio de Alckmin
ao sindicatos não ameaça a petista. "A esmagadora
maioria dos sindicatos vai apoiar a Marta."
Segundo ele, mesmo em sindicatos
que declararam apoio à candidatura Alckmin, há dissidentes
que estão com Marta. "O presidente do sindicato dos taxistas
[Natalício Bezerra (PTB)] vai apoiar o Alckmin porque é candidato à vereador.
Agora, os diretores do sindicato estão apoiando a Marta",
afirma Zaratini.
Kassab
Na contramão de Marta
e Alckmin está o candidato à reeleição Gilberto
Kassab (DEM). A assessoria de campanha do candidato não soube
informar se o atual prefeito já recebeu o apoio de algum sindicato
da cidade. No entanto, até o momento, Kassab não participou
de evento de campanha com sindicalistas.
Medidas recentes tomadas
pela prefeitura, como o pacote de restrições ao tráfego
de caminhões na cidade, desagradaram alguns representantes de
classes da cidade, como o Setcesp (Sindicato das Empresas de Transportes
de Carga de São Paulo) e a APAS (Associação Paulista
de Supermercados).
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O ESTADO DO PARANÁ,
21 de julho de 2008 | Política
Homens são maioria na disputa
eleitoral de 2008
Roger Pereira
Homem, casado, agricultor, com ensino médio completo e idade entre 45
e 59 anos. Esse é o perfil médio do candidato paranaense nas
eleições municipais deste ano, incluindo os postulantes para
prefeito, para vice-prefeito e para uma cadeira na Câmara Municipal de
suas cidades. O perfil é feito a partir das estatísticas divulgadas
ontem pela Justiça Eleitoral sobre os candidatos registrados até agora
para as disputas de outubro nos 399 municípios do estado.
Por enquanto - os números
podem sofrer alteração até o final de agosto - serão
25.410 candidatos em todo o estado, sendo 1.045 candidatos a prefeito,
1.045 candidatos a vice-prefeito e 23.320 candidatos a vereador.
Se nas estatísticas do
eleitorado o número de mulheres já supera o de homens,
entre os candidatos o cenário que predomina ainda é machista.
Oitenta por cento dos postulantes a um cargo eletivo neste ano são
homens. O número de candidatas mulheres sequer atinge a cota mínima
estabelecida para cada partido, 30%. Sem mulheres candidatas, muitas
legendas acabam tendo de abrir mão de algumas candidaturas.
Segundo as estatísticas
disponibilizadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a grande maioria
dos candidatos é casada (71%). Os candidatos têm dezenas
de ocupação, mas merece destaque o fato de 3.019 serem
agricultores e 996 serem vereadores tentando reeleição
ou a Prefeitura. Outro dado interessante é o fato de 2.098 candidatos
serem servidores públicos. Os servidores públicos que disputam
eleição têm a possibilidade de se licenciar do trabalho
durante a campanha eleitoral. Quatro candidatos registrados no TRE são
analfabetos, enquanto a maioria dos concorrentes tem ensino médio
completo (9.131). A maioria dos candidatos (10.280) está na faixa
etária de 45 a 59 anos. A segunda faixa com maior incidência é a
anterior, dos 35 aos 44, que tem 8,617 candidatos. Nos extremos, 203
candidatos têm menos de 20 anos e 21 deles têm mais de 79.
Partidos
O TRE também divulgou
as estatísticas quanto ao número de candidatos por partido.
O PMDB, maior partido do estado, mantém seu gigantismo sendo a
sigla que lançou o maior número de candidatos. São
247 peemedebistas concorrendo a prefeituras, 173 a vice e 3.295 candidatos
a vereador. O PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o
que tem o segundo maior número de candidatos, 2.446. São
11 candidatos a prefeito, 109 a vice e 2.226 a vereador.
Os outros dois partidos com mais
de cem candidatos a prefeito são o PSDB (107) e o PDT (102). Eles
também são os únicos, além de PT e PMDB,
com mais de dois mil candidatos a vereador: 2.123 para os tucanos e 2.083
para os pedetistas.

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O ESTADO DO PARANÁ,
21 de julho de 2008 | Política
Senado divulga balanço
Brasília - Uma parte significativa do trabalho dos senadores este ano
foi dedicada à votação de matérias e à participação
em audiências públicas nas 11 comissões permanentes do
Senado. Os colegiados realizaram, de 6 de fevereiro a 16 de julho, 259 reuniões
e examinaram um total de 902 matérias. No período, os parlamentares
também participaram de atividades promovidas por oito das 32 subcomissões
da Casa, que realizaram 29 reuniões.
Do total de proposições
analisadas nas comissões permanentes, 195 foram projetos de autoria
dos senadores, dos quais 68 receberam decisão terminativa e 127
foram enviados a outra comissão ou ao Plenário. Os parlamentares
também examinaram, nas comissões, 62 propostas de autoria
dos deputados.
Mais da metade dos projetos de lei do Senado (PLS) foi apreciada pelas Comissões
de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e de Educação,
Cultura e Esporte (CE). A primeira analisou 57 PLS (30%) e a segunda, 47 (24%).
Juntos, os dois colegiados também foram responsáveis por cerca
de 60% dos projetos de lei da Câmara (PLC) - 19 (30,6%) votados na CE
e 18 (29%)na CCJ.
Entre as matérias
aprovadas pela Comissão de Constituição, Justiça
e Cidadania, destaca-se o substitutivo do senador Demóstenes
Torres (DEM-GO) a 21 projetos estabelecendo regras para situações
de inelegibilidade. A proposta acolhida pela CCJ torna inelegível
o candidato condenado em primeira instância, acabando com a exigência
de condenação em última instância para a
inelegibilidade. Para entrar em vigor, o texto precisa ainda do voto
do Plenário do Senado e da Câmara dos Deputados.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
21 de julho de 2008
Resolução do TSE inclui
novidades na prestação de contas dos candidatos
Amaro Terto
As campanhas eleitorais nem bem
começaram e os candidatos e partidos já se depararam com
novidades na prestação de contas. A Resolução
do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) 22.718/08 trouxe modificações
e novos entendimentos sobre o uso e declaração dos recursos
financeiros destinados às campanhas.
Com o intuito de esclarecer dúvidas
de candidatos e partidos sobre estes assuntos, a 1ª Zona Eleitoral
de São Paulo realizou nesta última quinta-feira (17/7)
uma palestra de orientação aos que pretendem ocupar cargos
eletivos nestas eleições.
Um das novidades é a descrição
dos gastos com transporte ou despesa do candidato e de pessoal a serviço
da candidatura, realização de comícios e eventos
destinados à promoção de candidaturas, jingles,
vinhetas e slogans.
Também está definitivamente
proibida a dívida de campanha. Não é permitido nem
a partido nem a terceiros assumirem dívida de candidatos. Toda
despesa que for contraída tem de ser paga até o dia da
eleição, caso o candidato não tenha recursos suficientes
para saldar os compromissos assumidos.
“O candidato não
pode arrecadar para saldar dívidas que nada tenham a ver com a
campanha”, afirmou Pedro Creje, um dos analistas da Justiça
Eleitoral.
As sobras de campanhas, que é a
diferença positiva entre gastos e despesas, serão transferidas
aos partidos políticos.
“Caloteiros”
Outro assunto abordado durante as palestra de orientação, foram
os chamados “calotes” dados a fornecedores. “Enquanto a dívida
de campanha era assumida pelos partidos, esse problema não era da Justiça
Eleitoral.
A partir desta eleição,
em que as dívidas de campanha não são mais transferidas
para os partidos, qualquer reclamação de fornecedor que
telefonar reclamando sobre o não pagamento, o setor de apreciação
de contas documentará isso para apreciação do juiz.
Portanto, estejam atentos aos pagamentos de seus compromissos”,
disse Rita Gonçalves, analista de contas das campanhas eleitorais
da capital.
A impressão de todo material
de campanha, como santinhos, faixas, banners, cartão de visita
e adesivos, necessariamente deverá ter o CNPJ (Cadastro Nacional
de Pessoas Jurídicas) a empresa responsável pela sua confecção,
assim como o CNPJ ou CPF (Cadastro de Pessoa Física) de quem realizou
o pagamento (candidato ou doador do material). A tiragem também
terá de constar na material impresso.
A prestação de
contas parciais é outra novidade desta campanha. O candidato terá de
enviar relatório discriminando os recursos ou estimáveis
em dinheiro recebidos para o financiamento da campanha eleitoral e os
gastos que foram realizados. Os dados ficarão disponíveis
nos sites do TRE e do TSE.
O prazo para a primeira declaração é 6
de agosto. Já a entrega do segundo relatório deve ser feita
até 6 de setembro.
Limites
para doação de recursos
Quem quiser doar recursos para as campanhas, tem de respeitar limites determinados
pela Justiça Eleitoral, de acordo com os valores declarados ao IR (Imposto
de Renda).
Pessoa física: 10% de
sua renda bruta recebida no ano de 2007;
Pessoas jurídicas: 2% do faturamento bruto do ano de 2007 e;
Recursos próprios dos candidatos: ao valor máximo de limite de
gastos estabelecido em lei ou pelo partido.
Quem não cumprir esta
determinação, pode sofrer penalidades. Para empresas, a
multa varia de cinco a dez vezes o valor doado, de acordo com o critério
do juiz eleitoral, além da proibição de participação
em licitações e contratos com o poder público por
um prazo de cinco anos.
Já as pessoas físicas,
têm o mesmo valor de multa (cinco a dez vezes o valor doado para
a campanha).
Além das punições
aos doadores, os candidatos também podem ser processados por abuso
do poder econômico, já que os dados informados na prestação
de contas serão cruzados com as informações declaradas
ao IR (Imposto de Renda) dos que fizeram as doações.
A legislação eleitoral
proíbe que alguns órgãos e sociedades façam
doação de recursos para as campanhas como entidade ou governo
estrangeiro, órgão da administração pública
direta e indireta ou fundação mantida com recursos provenientes
do poder público, concessionário ou permissionário
de serviço público, entidades de utilidade pública,
beneficentes e religiosas, Ongs (Organizações não-governamentais),
organizações da sociedade civil de interesse publico, sociedades
cooperativas de qualquer grau ou natureza.
A utilização de
recursos de qualquer um dos destas entidades fará com que haja
a desaprovação das contas, ainda que se faça a restituição
dos valores doados.
Plantão de dúvidas
Para os candidatos que ainda tiverem dúvidas sobre como proceder para
declarar os gastos de campanha, a 1ª Zona Eleitoral dispõe de dois
telefones para esta finalidade: (11)3101-9023 ou (11) 3106-5397, que atenderão
de segunda a segunda, das 9h às 19h.
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VERMELHO, 21 de julho de
2008 | Colunas
A burocracia profissionalizada, uma
conquista do Brasil
por Antônio Augusto de Queiroz*
Em palestra sobre o funcionamento
do governo costumo dizer, ''de modo simplista'', que se alguém
quiser resolver um problema na Administração Pública
Federal deve procurar um funcionário de carreira em posto
de comando. Se quiser tirar uma foto deve procurar o ministro ou
presidente da empresa ou órgão. De preferência
deve fazer as duas coisas.
O Governo - qualquer governo
- possui a mesma lógica de funcionamento. Os ocupantes dos cargos
de primeiro escalão falam para fora do governo, anunciando e sustentando
as decisões políticas, enquanto o segundo escalão
fala para dentro, dando efetividade às decisões políticas,
cujo cumprimento depende da credibilidade deste perante seus pares.
De fato, a área técnica
ou a burocracia profissionalizada, que formula, valida e implementa as
políticas, como regra, só coloca em prática uma
ordem se estiver convencida de seu respaldo legal ou se tiver certeza
da credibilidade e legitimidade do ordenador, em geral um profissional
de carreira com legitimidade perante a burocracia do órgão.
As políticas públicas
podem ser decididas na cúpula ou nascer nos escalões intermediários
da burocracia. No primeiro caso, para serem colocadas em prática,
necessitam do respaldo técnico, sem o qual dificilmente são
implementadas ou mesmo transformadas em ato legal. No segundo, as sugestões
já chegam para a decisão política com análise
de impacto e em harmonia com as diretrizes governamentais.
Essa referência ao método
de atuação dos governos vem a propósito da notícia
(às vezes apresentada sob a forma de denúncia) de que os
governos estão sendo aparelhados por pessoas vinculadas a partidos
e sem qualificação para o exercício de funções
públicas. A burocracia profissionalizada - e a do Brasil é das
mais competentes e preparadas do mundo - tem sido um bom antídoto
para esse tipo de situação.
Existem exemplos, inclusive na área
econômica, de dirigentes que ocupam cargos no Governo cujas idéias
e propostas, mesmo contestadas pelos escalões intermediários
e técnicos de carreira, ganham corpo, e, graças à pressão
política ou à ânsia do titular em mostrar serviço,
findam sendo incluídas em projetos de lei ou medidas provisórias.
Mas isto é exceção. É o chamado efeito inibitório.
Mas quem faz uso desse tipo de expediente, em geral, paga um preço
alto, além de ganhar fama de mau gestor.
A verdade, entretanto, é que
enquanto houver o presidencialismo de coalizão, no qual o presidente
da República precisa compartilhar a gestão para arregimentar
base parlamentar, continuará essa prática de trazer gente
de fora para assumir postos de comando no Poder Executivo. Trazer de
fora não é o principal problema, mas trazer gente sem qualificação.
O suposto aparelhamento, entretanto, produz bem menos estragos do que
a oposição e a imprensa noticiam. Os controles existentes
sobre os gestores - de carreira ou de livre provimento - são rigorosos,
tanto pela CGU - Controladoria Geral da União, quanto pelo TCU
- Tribunal de Contas da
União.
É claro que pode haver
casos de incompetência e até de corrupção
- em governo de esquerda e de direita - mas ambas serão rapidamente
detectadas e denunciadas aos órgãos encarregados da orientação
ou da aplicação de punição, seja penal ou
civil. O importante é que haja mudança da cultura política
e cada vez mais funcionários de carreira, sensíveis ao
comando político mas capazes de dizer ''não'', estejam
próximos do poder de decisão e ocupem cargos de alta direção
sem serem tachado de inimigos do povo ou de ''herança maldita''.
As carreiras de Estado - que
aguardam atualização salarial compatível com suas
atribuições, importância e responsabilidade - são
formadas por profissionais competentes e comprometidos com os ideais
republicanos, estando em perfeitas condições de assumir
as responsabilidades próprias da alta direção. Entre
elas merecem destaque, no Poder Executivo, a carreira de auditoria, os
analistas e técnicos do Banco Central, da CGU, do Tesouro Nacional
e os gestores governamentais. No Legislativo, os analistas e técnicos
do TCU e os consultores legislativos, analistas e técnicos da
Câmara e do Senado. No Judiciário e no Ministério
Público, além dos membros, os analistas e técnicos.
A Administração
Pública, pelo menos no plano federal, já deu significativos
passos no sentido da profissionalização, a ponto de, como
regra, nenhum gestor, de carreira ou de livre provimento, tomar decisões
sem respaldo técnico de funcionários de carreira e sem
a manifestação dos respectivos órgãos jurídicos.
Apesar das resistências localizadas e de algumas tentativas de
criação de ''trens da alegria'', o sistema de mérito
tem avançado e a política de remuneração
também avança no sentido da valorização e
retenção desses quadros no serviço público.
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*Antônio Augusto de Queiroz, Jornalista
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O ESTADO DO PARANÁ,
21 de julho de 2008 | Cidades
Correios voltam a funcionar em todo
Brasil
Allan Costa Pinto
Os funcionários dos Correios, em greve há 21 dias, devem voltar
ao trabalho amanhã. Eles se reúnem em assembléia, hoje à tarde,
para avaliar o acordo “costurado” no sábado, entre a Federação
Nacional da categoria (Fentect) e o Ministro das Comunicações,
Hélio Costa, numa reunião que durou mais de sete horas em Brasília.
Pelo acordo, a empresa se compromete
a pagar em definitivo o adicional de 30% do salário-base para
todos os 43 mil carteiros que trabalham na distribuição
e coleta externa. Aos outros 16 mil trabalhadores, que atuam na distribuição
e no atendimento das agências, a empresa pagará um valor
fixo de R$ 260.
Paraná
O diretor de Finanças
do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Paraná (Sintcom-PR),
Sebastião Cruz disse que o pagamento do adicional será retroativo
ao mês de junho. O pagamento dos 30% havia sido prometido os trabalhadores
há sete meses, para ser incorporado aos salários a partir
de março.
“Como isso não foi
cumprido, em abril fizemos uma greve de sete dias, sendo que a promessa
era para pagar em junho, e eles novamente tentaram nos enrolar”,
falou o sindicalista. Pelo acordo firmado no sábado, os dias parados
não serão descontados, mas, em troca os trabalhadores irão
compensar as horas para normalizar a entrega das correspondências:
130 milhões de cartas e objetos em ntodo o país.
Data-base
E no próximo mês,
data-base da categoria, os funcionários dos Correios começam
uma nova discussão. Dessa vez será sobre o plano de cargos,
carreiras e salários (PCCS). Sebastião Cruz acrescentou
que também farão parte da pauta de reivindicações
a participação nos lucros, que segundo ele, vem sendo feita
de forma desigual.
“Enquanto diretores da
empresa receberam entre R$ 40 mil a R$ 20 mil, os carteiros apenas R$
300. Isso não é justo e vamos discutir na seqüência”,
falou.
O sindicalista falou ainda que os trabalhadores continuam colhendo assinaturas
para um documento pedindo o afastamento do presidente dos Correios, Carlos
Henrique Custódio, e do diretor regional da empresa no Paraná,
Itamar Ribeiro.
O representante do Sintcom-PR
afirma que Custódio deveria ser processado por má gestão
pública e pelo transtorno causado aos trabalhadores e à população
brasileira. “Foi ele que construiu essa greve por não
cumprir o acordo”, disse. Já contra Ribeiro, a bronca
do sindicato é pela falta de diálogo com os trabalhadores.
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FOLHA DE LONDRINA, 21 de
julho de 2008 | Mundo
Polêmica entre Brasil e EUA
Genebra - Norte-americanos e brasileiros se envolveram ontem em uma polêmica
sobre Joseph Goebbels, depois de declarações do chanceler brasileiro,
Celso Amorim, comparando a atitude dos países ricos na Organização
Mundial de Comércio (OMC) com a do chefe da propaganda do Terceiro Reich.
Às vésperas do
começo de uma semana crucial de negociações na OMC,
destinada a alcançar um acordo histórico Norte-Sul sobre
a liberalização do comércio, o porta-voz da delegação
norte-americana, Sean Spicer, considerou ''inoportunos'' os comentários
do chanceler brasileiro.
Durante uma entrevista coletiva à imprensa
concedida sábado na sede da OMC em Genebra, Celso Amorim criticou
energicamente a atitude dos países ricos nas negociações,
acusando-os de considerar que a questão agrícola já estava
praticamente aceita pelos 152 países-membros.
''Resta muito a fazer na agricultura'',
destacou Amorim, que citou Goebbels (''uma mentira repetida muitas vezes
se torna uma verdade''). Segundo o porta-voz norte-americano, ''no momento
em que se tenta chegar a um resultado favorável para as negociações,
esse tipo de afirmação é muito inoportuna''.
Ao se referir à ''história
pessoal'' da negociadora norte-americana Susan Schwab, filha de sobreviventes
do Holocausto, Sean Spicer considerou que um ministro das Relações
Exteriores deveria ''considerar alguns sentimentos''.
Segundo sua assessoria de imprensa,
Amorim ''não tem intenção de pedir desculpas'' durante
esse encontro, ''já que sua intenção era mostrar
que a propaganda pode se sobrepor aos fatos históricos'' e não
fazer uma comparação entre pessoas.
France Presse
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VERMELHO, 21 de julho de
2008 | Colunas
A democracia nas entidades sindicais
por Augusto César Petta*
O golpe militar de 64 promoveu
um grande ataque contra as entidades sindicais brasileiras comprometidas
com a luta dos trabalhadores. Aproximadamente 10 mil sindicalistas
foram banidos do movimento sindical. Até 76, as iniciativas
tomadas pela reconstrução do movimento sindical foram
duramente reprimidas (por exemplo, as greves de Contagem e Osasco,
ocorridas em 1968).
Simultaneamente, cerca de 20
mil sindicalistas, estimulados por órgãos estadunidenses,
fizeram cursos, inclusive muitos deles, nos EEUU. Aprenderam a combater
as idéias marxistas e aplicar a concepção tradeunionista,
de conciliação entre capital e trabalho, transformando
os sindicatos em órgãos assistencialistas.
A partir de 1976,com a ditadura
apresentando sinais de desgaste e com o avanço do nível
de consciência política dos trabalhadores, inicia-se a possibilidade
de organização e mobilização sindical tendo
como objetivo básico a luta por melhores salários e condições
de trabalho, objetivo este que desembocaria um pouco mais à frente
na crítica ao regime ditatorial e na luta que se expressou no “Abaixo
a ditadura”.
Foi exatamente em 1976 que um
grupo de professores – do qual tive a oportunidade de participar – começou
a se reunir para discutir os problemas de salário e de condições
de trabalho enfrentados pela categoria.
E numa destas reuniões,
deliberamos buscar conhecer o Sindicato dos Professores de Campinas,
que era completamente omisso e funcionava quase de maneira clandestina
(não em função da repressão da ditadura,
mas sim para não ser “importunado” pelos professores).
Encontramos uma entidade que
reproduzia o regime ditatorial vigente: número pequeno de sindicalizados
(por volta de 5% da categoria), controle rígido das decisões
nas mãos do presidente e de outros dois diretores, assembléias
divulgadas com letras minúsculas (entre os “classificados”)
em jornais pouco lidos por professores, ausência de mecanismos
democráticos para aferir opiniões da categoria, impedimento
de acesso às listas de sindicalizados, exigências de mais
de 10 documentos para se sindicalizar. Este esquema funcionou por mais
de 15 anos.
Crescia o movimento pela democratização do poder político
no Brasil. As grandes greves do ABC, lideradas pelo atual Presidente da República,
trouxeram um novo alento aos trabalhadores. Voltavam à cena política,
os operários, protagonistas fundamentais do modo de produção
capitalista,sobretudo aqueles que ocupavam lugar de destaque no coração
do capitalismo no Brasil, o ABC paulista.
Depois de cinco anos de persistente
luta diária, assumimos a direção do Sindicato dos
Professores. Fruto dos estudos e da experiência de luta pela democracia
no sindicato e no país , é que ouso apresentar aos leitores
algumas idéias que possam contribuir para que as nossas entidades
sindicais sejam as mais amplamente democráticas possíveis:
1. As instâncias
de deliberação do sindicato (congressos, assembléias,
reuniões de diretorias) devem decidir as políticas, orientações
fundamentais da atividade sindical e não qualquer dos seus membros
individualmente. Deve existir a permanente possibilidade de opiniões
divergentes e contribuições individuais de cada um. O trabalho
coletivo é dinâmica permanente no desenvolvimento do sindicato
e decorre da compreensão de que o conjunto das atividades se deve
aos esforços conjugados de todos.
2. Direito à participação
nas correntes sindicais e nos partidos políticos: evidentemente
todo o membro da categoria (e portanto , inclusive os diretores do sindicato)
tem direito a manifestar, nas instâncias de deliberação
da entidade sindical, suas concepções políticas
e sindicais e respectivas propostas. Através do voto, decidem-se
quais as táticas, estratégias, atividades que a entidade
sindical irá adotar. A chamada “partidarização
da entidade” ocorre quando o presidente ou a diretoria desrespeitam
a maioria e impõem autoritariamente suas idéias e práticas à atividade
sindical.
3. Democracia
nas entidades sindicais implica em:
a. Garantir o funcionamento adequado
das instâncias de deliberação da entidade, criando
condições objetivas para a participação dos
diretores e da categoria.
b. Eleger e garantir o funcionamento do trabalho dos delegados sindicais e
das organizações por local de trabalho.
c. Socializar as informações com a categoria de forma mais eficiente
possível, utilizando os meios mais avançados que a tecnologia
oferece.
d. Realizar Planejamento Estratégico e Situacional (PES) para estabelecer,
em conjunto, prioridades e, como conseqüência, uma distribuição
adequada de recursos financeiros.
e. Formar sindical e politicamente os diretores e a categoria, buscando elevar
o nível de consciência política e democrática.
f. Estimular a participação dos diretores e da categoria nas
campanhas salariais e nas lutas mais gerais dos trabalhadores, na busca da
democracia e do desenvolvimento econômico com valorização
do trabalho e distribuição de renda.
g. Realizar eleições livres, com regras claras, com ampla divulgação
de todo o processo, com permissão de acesso às listas de votantes,
com tratamentos semelhantes às chapas inscritas, enfim com todas as
medidas que caracterizam um processo democrático.
h. Manter relação aberta com os funcionários da entidade,
respeitando os seus direitos e possibilitando a participação
deles em determinadas atividades da entidade.
i. Estabelecer um processo de avaliação do trabalho desenvolvido
na entidade de acordo com as determinações do Planejamento Estratégico
e Situacional.
Ao participar deste rico processo nas entidades, os diretores coletivamente
irão se formando política e administrativamente. Neste sentido,
a participação sindical tem uma dimensão educativa que
se reflete por um lado no crescimento intelectual, emocional e social dos diretores
e por outro, no crescimento dos membros da categoria. Dialeticamente, podemos
afirmar que estes seres irão se formando e adquirindo melhores condições
para o exercício de novas funções que a vida política
impõe.
Concluímos que o processo de democratização das entidades
não é simples. Nem mesmo o processo mais geral de democratização
que o país atravessa nos últimos anos, conseguiu romper barreiras
culturais enraizadas na estrutura do sindicalismo. Ao lado de sindicatos que
conseguiram determinados passos significativos rumo à construção
de uma estrutura interna mais dinâmica e democrática, convivem
entidades extremamente fechadas e burocratizadas, centralizadas fortemente
nas mãos de 1 ou 2 diretores.
Mas mesmo entre aqueles que avançaram no terreno da democracia, ainda
há um largo caminho a percorrer... Cabe a nós, sindicalistas
classistas, a tarefa de continuarmos perseguindo objetivos democráticos,
mas tendo consciência que a verdadeira democracia só será viável
quando o capitalismo for superado e substituído pelo socialismo.
Bibliografia
Antunes, Ricardo – O que é Sindicalismo – Coleção
Primeiros Passos – Círculo do Livro S. A. – São
Paulo – 1996.
Cunhal, Álvaro – O Partido com paredes de vidro – Edições
Avante – Lisboa – 2002.
Koval, Boris – História do Proletariado Brasileiro – Editora
Alfa-Ômega – São Paulo – 1982.
Lênin, Vladimir I. – Sobre os sindicatos – Editora Pólis – São
Paulo – 1979.
Jornal do SINPRO/Campinas – Campinas – SP.
Nota
Esse artigo foi publicado
inicialmente na Revista Debate Sindical. Para esta publicação,
foram introduzidas algumas modificações.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
21 de julho de 2008
Câmara analisa projeto que proíbe
prisão à revelia por dívida alimentícia
Agência Câmara
Uma proposta do deputado federal
dr. Talmir (PV-SP) quer proibir a condenação à revelia
nos casos de dívida de pensão alimentícia. O projeto
de Lei 3391/08 está em análise na Câmara dos Deputados
e visa evitar abusos e constrangimentos aos pais que tiverem dificuldades
financeiras para efetuar o pagamento da pensão dos filhos.
Pelo projeto, o juiz será obrigado
a nomear defensor público para acompanhar o processo e orientar
o acusado "para que se evitem injustiças". Isso alteraria
o CPC (Código de Processo Civil), Lei 5869/73.
Para o deputado federal, a condenação
ao pagamento da dívida alimentícia, em muitos casos, é feita
de forma constrangedora, sendo usado por muitas mulheres como uma forma
de vingança contra os ex-companheiros.
"É importante cautela
nessas ações, em que sentimentos conflituosos encontram-se
em jogo", disse dr. Talmir.
A lei vigente determina que em
casos de não pagamento de pensão alimentícia, é solicitada
a prisão do devedor, desde que não seja justificada a ausência
do cumprimento da obrigação. O acusado tem um prazo de
três dias para comparecer em juízo e quitar o pagamento
ou mesmo se explicar perante o juiz (informar que está desempregado,
por exemplo).
Nestes casos, o período
de reclusão é de um a três meses, não eximindo
o devedor do pagamento das parcelas em atraso. Segundo o autor do projeto,
os critérios para prisão devem ser revistos devendo o acusado
receber assistência jurídica.
O projeto de lei está sendo
analisado em caráter conclusivo pela CCJ (Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania) da Câmara dos Deputados.
Íntegra da proposta:
- PL-3391/2008
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FOLHA DE LONDRINA, 21 de
julho de 2008 | Opinião
Raras reversões de sentenças
trabalhistas
Se a Justiça investiga e pune reclamantes
por má-fé contra instituições beneficentes,deve
contemplar empresas por igual
É raro a Justiça do Trabalho não dar ganho de causa a quem
aciona uma empresa. E mais, que puna um trabalhador. Mas agora aconteceu, por
despacho do juiz Julio de Paula Amaral, da 3 Vara do Trabalho de Londrina. Um
reclamante foi investigado, por determinação do magistrado, e constatou-se
que ele agira de má-fé. Por isso, além de nada receber,
foi condenado a pagar multa à instituição reclamada, o Hospital
de Câncer. Quando o juiz atuava em Paranavaí já havia revertido
processos e assim favorecido instituições do gênero.
Mas empresas convencionais não
têm contado com o benefício de idêntica e minuciosa
investigação nas decisões trabalhistas, embora na
semana passada tenha sido confirmada pela 4 Turma do Tribunal Regional
do Trabalho uma decisão que levou não apenas à absolvição
da reclamada mas condenou o trabalhador, por mentira. Porque descobriu-se
que o autor faltara com a verdade ao dizer que fôra vítima
de um tiro, no trabalho, mas isto aconteceu durante briga num bar.
Se diligências mais aprofundadas
fossem feitas pela Justiça em todos os casos, se veria que situações
semelhantes são muitas, podendo-se afirmar a maioria, pelo que
se ouve de empresários e de advogados que os defendem. O oportunismo
está muito presente nesses casos, porque basta um empregado ser
despedido, por justa causa ou não, que logo tentará buscar
alguma indenização. E esta é sempre pesada. Mesmo
que um empregado tenha recebido em dia seus salários, férias,
horas extras, descanso semanal remunerado e todos os demais benefícios,
ainda assim ele raramente perde a oportunidade de ingressar com ação
trabalhista. Isto tem levado empresas a quase falência e mesmo
a fechar as portas, pelo peso das sentenças.
Entre os mais duramente atingidos é comum
ouvir-se que um juiz do Trabalho, para qualificar-se à função
deveria, entre outros requisitos, haver gerido uma empresa por no mínimo
cinco anos. São as empresas que movem a economia e proporcionam
empregos e impostos, portanto elas são - assim como a classe trabalhadora
- igualmente beneficiadoras da nação. Com toda a certeza
os juízes trabalhistas sabem que muitíssimas reclamações
são desprovidas de fundamento.
Por conta dos despachos
frequentes em favor de reclamantes sabidamente oportunistas, a causa
do emprego perde. A boa investigação sobre ações
contra instituições beneficentes deve estender-se aos
casos que envolvem empresas convencionais. Uma questão de igualdade
de direito. Os juízes podem cooperar para a implantação
da moralidade nessa área. As decisões ora tomadas contra
trabalhadores de má-fé são precedentes para induzir
a uma mais severa diligência e assim diminuir a conhecida indústria
da ação trabalhista.
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CONSULTOR JURÍDICO,
21 de julho de 2008
Atividade econômica
TRT de Minas reconhece vínculo
trabalhista em bingo
A relação de emprego entre uma trabalhadora e uma casa de bingo
foi reconhecida pela 1ª Turma Regional do Trabalho da 3ª Região
(Minas Gerais). Para os juízes, a funcionária trabalhava com
todos os requisitos exigidos pelo artigo 3º da Consolidação
das Leis do Trabalho — habitualidade, subordinação e remuneração.
Para a juíza Maria Laura
Franco Lima de Faria (relatora), apesar do funcionamento irregular, precário
e ilícito do bingo, a atividade não pode ser comparada
ao jogo do bicho, que é uma contravenção penal segundo
o artigo 58 do Decreto-Lei 3.688/41. A juíza afirma que não
cabe no caso a Orientação Jurisprudencial 199 da Seção
I de Dissídios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho, que
prevê a nulidade do contrato de trabalho em decorrência do
objeto ilícito.
“Mesmo que se conclua pela
existência de prática de ‘jogos de azar’ no
estabelecimento da reclamada, não se pode deixar de considerar
que havia exploração de uma atividade econômica e
na qual a reclamante prestava serviços subordinados”, diz
a juíza.
O bingo admitiu a prestação
de serviço, portanto, deveria provar que não havia os requisitos
da relação de emprego. Sem a prova, a turma reconheceu
o vínculo. O processo deve retorna à primeira instância
para que o juiz se pronuncie sobre os demais pedidos da trabalhadora.
Admitida em fevereiro de 1999,
a trabalhadora prestou serviço por sete anos. Ela vendia cartelas,
lanches e bebidas e, ainda, era responsável pela limpeza do salão.
O salário era de R$ 10 por dia.
A empresa alegou que o bingo
era de fundo de quintal, tinha condições precárias
e servia de distração para os moradores do bairro. Segundo
o bingo, a atividade era ilícita, por isso o vínculo de
emprego não poderia ser reconhecido.
RO 00118-2008-106-03-00-3
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
21 de julho de 2008
Pedido de indenização
de trabalhadora é negado pelo TRT-GO
O TRT-GO (Tribunal Regional do Trabalho de Goiás) decidiu que o empregado
que não demonstrar interesse em permanecer no emprego durante o período
estabilitário, não terá direito a indenização
correspondente.
A decisão foi tomada depois
que o tribunal julgou improcedente ação em que a reclamante
pleiteava indenização por danos morais e matérias
em virtude de doença profissional desenvolvida na empresa onde
trabalhava.
Segundo o tribunal, a trabalhadora
recebeu o benefício previdenciário e, após recuperar-se,
pediu a indenização referente ao período de 12 meses
de estabilidade de emprego garantidos em lei, deixando evidente a obtenção
de vantagem pecuniária, sem a devida prestação de
trabalho.
Para a desembargadora do processo,
Ialba-Luza Guimarães de Mello, neste caso caberia à parte
lesada a reintegração a empresa em juízo, sendo
o comum a continuidade da relação empregatícia.
“A própria reclamante
pediu para ser dispensada, ou seja, não tinha mais interesse em
permanecer na empresa após o fim do benefício previdenciário.
Não podendo, agora, pleitear indenização como se
a dispensa tivesse violado seu direito à garantia do emprego”,
afirmou a desembargadora.
Mello afirmou ainda que
o laudo pericial concluísse que as lesões por esforços
repetitivos tiveram como causa a atividade exercida na empresa, ainda
assim, a empregada não sofre atualmente de qualquer incapacidade
para exercer suas funções na empresa.
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