 |
FOLHA DE SÃO PAULO, 22 de julho de 2008
| Opinião
TENDÊNCIAS/DEBATES
Luz vermelha no Rio Grande
do Sul
PLINIO DE ARRUDA SAMPAIO
--------------------------------------------------------------------------------
Explicam-se, pois, as manifestações de perplexidade e indignação
ante o tom raivoso e sectário do Ministério Público gaúcho
--------------------------------------------------------------------------------
UMA LUZ vermelha se acendeu em todos os setores democráticos com a publicação
da ata de uma reunião do Conselho Superior do Ministério Público
do Rio Grande do Sul, dedicada à análise da situação
do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).
O motivo do alerta são as propostas aprovadas unanimemente pelos conselheiros:
a primeira foi designar uma equipe de promotores para promover ação
civil pública visando a dissolução do MST e a declará-lo
ilegal.
A essa medida draconiana seguem-se outras: suspender deslocamentos em massa
de trabalhadores sem terra; impedir a presença de crianças e
adolescentes em marchas e acampamentos; investigar acampados e dirigentes do
movimento por crime organizado e uso de verbas públicas; verificar ocorrência
de desequilíbrio eleitoral nos locais de acampamentos e assentamentos,
promovendo, em caso positivo, o cancelamento dos eleitores; intervir em três
escolas mantidas pelo MST; verificar se há paridade entre assentamentos
e empresas rurais na avaliação do Incra a respeito do cumprimento
da função social da propriedade e da produtividade dos imóveis;
desativar acampamentos próximos à fazenda Coqueiros.
A simples leitura dessa "Blitzkrieg" de medidas inibidoras da ação
dos sem terra deixa perplexos os que se habituaram a ver no Ministério
Público uma instituição formada por profissionais do mais
alto nível, pois, além de evidentes inconstitucionalidades, o
texto está vazado em linguagem imprecisa e, em alguns casos, evidentemente
emprestada dos manifestos das organizações ruralistas mais reacionárias.
Isso ocorre no momento em que os cultores do Estado democrático de Direito
estão preocupados com o ciclo de restrição das garantias
e liberdades individuais e coletivas que surgiu com a desvairada reação
norte-americana aos atentados do 11 de Setembro. Essa onda reacionária,
que já se manifestou igualmente na França, na Itália e
em outros países, parece estar chegando ao Brasil e precisa ser energicamente
repelida.
Não será difícil para os advogados do MST barrar na esfera
judicial as medidas propostas na infeliz reunião do Ministério
Publico gaúcho. Por isso, não há necessidade de refutá-las
uma a uma. O que, sim, demanda consideração pelas pessoas de
formação democrática é o grave dano que a injustificada
atitude de um braço estadual causa ao Ministério Público
de todo o país.
Os constituintes de 1988, com plena consciência do passo que estavam
dando, talharam de forma inovadora o capítulo do Ministério Público
na Constituição Federal. Tratava-se de dotar o Estado brasileiro
de uma instituição com poderes adequados à fiscalização
e à promoção do cumprimento da lei.
Por isso, além das tradicionais atribuições relativas à perseguição
criminal, o Ministério Público adquiriu poder para, na defesa
de interesses coletivos ou difusos, acionar a Justiça contra pessoas
jurídicas de direito privado, órgãos da administração
pública e até Poderes do Estado.
A magnitude desse avanço na concepção do Estado democrático
de Direito pode ser medida pela confiança que as organizações
populares, as igrejas, os sindicatos, os partidos e os grupos de cidadãos,
em todos os cantos do país, passaram a depositar nos promotores de Justiça.
Esse conceito tem um preço: imparcialidade, coragem, sintonia total
com o texto e o espírito da Constituição. Explicam-se,
pois, as manifestações de perplexidade e de indignação
de entidades da sociedade civil e, inclusive, de associações
de promotores de Justiça de várias partes do país diante
do tom raivoso e sectário do Ministério Público gaúcho.
A proposta de jogar o MST na ilegalidade é insensata e revela crasso
desconhecimento do papel que esse movimento desempenha no grave conflito agrário
do país. Como a burguesia brasileira imagina que possa sobreviver uma
população de milhões de pessoas sem terra para produzir
o seu sustento, sem emprego no campo, sem emprego na cidade e sem reforma agrária?
Ao organizar a pressão dessa população, o MST lhes oferece
a esperança que mantém a disputa dentro de parâmetros compatíveis
com a vida democrática. Exagerar a gravidade dos atos de desobediência
civil que o movimento promove para sensibilizar a opinião pública é estratégia
dos grandes proprietários. Não tem o menor cabimento que um órgão
do Estado a encampe.
As pessoas que têm elevada consideração pelo Ministério
Público esperam uma reação enérgica dos membros
da corporação contra o que constitui, sob qualquer ângulo
de análise, uma deturpação das atribuições
que a Constituição conferiu à instituição
--------------------------------------------------------------------------------
PLINIO DE ARRUDA SAMPAIO , 78,
advogado, é presidente da Abra (Associação
Brasileira de Reforma Agrária) e diretor do "Correio
da Cidadania". Foi deputado federal pelo PT-SP (1985-91)
e consultor da FAO (Organização das Nações
Unidas para a Agricultura e a Alimentação).
|
MTE, 22 de julho de 2008
Emprego no interior cresce mais rápido
que nas regiões metropolitanas do Brasil
Nas nove áreas analisadas pelo Caged,
taxa do interior foi de 6,43% no primeiro semestre, contra 3,68%
das grandes metrópoles. País já gerou 1,361
milhão de vagas formais
O interior segue gerando mais
empregos que as regiões metropolitanas do país. De acordo
com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, estatística
do Ministério do Trabalho e Emprego, foram criados 164.650 novos
postos de trabalho no interior de nove estados (PA, CE, PE, BA, MG, RJ,
SP, PR e RS) no mês de junho, contra 83.635 nas áreas metropolitanas.
No acumulado do ano, já são 688.084 vagas criadas no interior,
representando 50,5% do total gerado no Brasil no primeiro semestre (1,361
milhão).
Em junho, o conjunto das nove áreas
metropolitanas apresentou crescimento de 0,67% em relação
ao mês anterior e taxa de crescimento de 6,43% em 2008. Tal desempenho
decorreu da expansão generalizada do emprego nesses espaços
geográficos. Em razão da influência sazonal do ciclo
agrícola, o interior dos estados desses aglomerados urbanos registrou
um comportamento mais favorável. Em termos absolutos, no interior
dos estados de Minas Gerais (+63.149 postos ou +3,10%) e de São
Paulo (+62.172 postos ou +1,29%) verificou-se o melhor desempenho. No
caso das áreas metropolitanas, as que mais se sobressaíram
foram as de São Paulo (+40.554 postos ou +0,77%) e de Belo Horizonte
(+10.511 postos ou +0,86%).
Brasil - O mês de junho
apresentou recorde no saldo de empregos com carteira assinada. De acordo
com os dados do Caged, foram 309.442 trabalhadores que passaram a fazer
parte do mercado formal, tendo salário e desfrutando de direitos
básicos como férias, 13º, INSS e FGTS. O resultado
do sexto mês de 2008 foi o melhor da série histórica
da estatística do MTE, em termos absolutos e relativos, com crescimento
de 1,03% em relação ao estoque de maio.
Para termos de comparação,
junho de 2007 gerou 181.667 postos de trabalho. O resultado do mesmo
mês de 2008 é 70% superior ao registrado no ano passado,
mostrando comportamento inédito do emprego formal para o mês
de junho, que tradicionalmente registra desaceleração da
geração de empregos em relação ao mês
de maio. Assim, é a primeira vez que ocorre o recorde de formalização
de trabalhadores neste mês. O saldo de emprego no mês de
junho de 2008 foi 48,85% maior que o recorde anterior, em junho de 2004
(+207.895 postos), e 2,47% superior ao recorde da série histórica
do Caged observado em abril de 2007 (+301.991 postos). O Caged costuma
apresentar picos de criação de vagas nos meses de abril,
maio e setembro.
"Esse resultado só reforça
a minha expectativa de que 2008 vai terminar com mais de 1,8 milhão
de novos postos de trabalho. O desempenho de junho me faz acreditar além.
Vamos gerar o recorde histórico de 2 milhões de empregos
formais", disse o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi.
Acumulado do ano - No primeiro
semestre do ano, o estoque de empregos formais cresceu 4,7%, representando
o incremento de 1.361.388 postos de trabalho, o maior saldo registrado
no período. Nos últimos 12 meses, a variação
acumulada atingiu 6,62% ou 1.883.277 novos postos, resultado que se revelou
mais favorável que o ocorrido no mesmo período do ano anterior
(+5,12%, ou +1.400.391 empregos formais). Brasil tem hoje 30,37 milhões
de pessoas com a carteira assinada.
Assessoria de Imprensa do MTE
(61) 3317 - 6537/2430 - acs@mte.gov.br
|
ZERO HORA, 22 de julho de
2008 | Economia
Aquecimento da construção
civil no RS provoca falta de mão-de-obra
Maior acesso ao financiamento ajuda a impulsionar
o mercado
Milena Schoeller | milena.schoeller@rdgaucha.com.br
O aquecimento na construção
civil do Rio Grande do Sul faz com que a mão-de-obra de carpinteiros,
eletricistas e engenheiros se torne escassa. De junho de 2006 a maio
de 2007 foram vendidos 2,4 mil empreendimentos imobiliários em
Porto Alegre e Região Metropolitana. Somente nos últimos
12 meses foram lançados 6,4 mil unidades — aumento de 203%
na comparação com o mesmo período anterior. Os dados
foram divulgados hoje pelo Sindicato da Industria da Construção
Civil (Sinduscon)
Uma das causas para o crescimento
do mercado imobiliário é o maior acesso aos financiamentos.
São prédios para a classe média, média alta
e as construções consideradas econômicas. Segundo
o presidente do Sinduscon, Carlo Aita, a projeção é que
nos próximos dois anos, 30 mil novos empregos sejam gerados.
O professor de finanças
da Unisinos, João Zane, dá algumas dicas para quem está pretendendo
trocar de imóvel ou comprar um novo. Segundo ele, o consumidor
deve fechar o negócio agora se conseguir uma boa oportunidade,
caso contrário, o melhor é esperar.
Um apartamento novo, de
dois dormitórios, custa em média de R$ 100 a 120 mil.
O prazo para entrega desde o lançamento da obra é de
36 meses aproximadamente. Outro problema enfrentado pelo setor é o
aumento no preço do material de construção. Somente
o aço subiu 21% neste semestre.
|
NCST, 22 de julho de 2008
PEC reduz número de deputados
federais para 250
A Câmara avalia a Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) 280/08, que diminui o número de deputados federais dos atuais
513 representantes para 250. De autoria do deputado Clodovil Hernandes (PR-SP),
a proposta determina que cada estado terá, no mínimo, quatro
representantes e, no máximo, 35 deputados.
Os parlamentares, de acordo com
o texto, continuarão sendo eleitos pelo sistema proporcional,
e o critério para o número de deputados por estado continuará o
mesmo usado atualmente: a população. A PEC altera o artigo
45 da Constituição para inserir o novo número e
estabelece ainda que eventuais territórios que venham a ser criados
terão apenas um representante na Câmara Federal.
A representação
por estado e pelo Distrito Federal será estabelecida por lei complementar,
proporcionalmente à população. Os ajustes necessários
serão feitos no ano anterior às eleições
(para que nenhuma das unidades da Federação tenha menos
de quatro ou mais de 35 deputados).
Enxugamento
O parlamentar destaca que a atual composição da Câmara
dos Deputados, com representantes de todos os estados e do Distrito Federal, "resulta
em um Parlamento com diversidade de idéias, bastante plural, o que é imensamente
positivo". Entretanto, ele considera que o atual número de deputados é excessivo,
especialmente "em um momento em que a sociedade se volta contra a classe
política e exige a depuração de seus quadros".
Para o deputado, "uma Câmara
com 250 membros já possuirá amplas condições
de representar a diversidade da sociedade brasileira, e possibilitará um
enxugamento de estruturas administrativas que redundará até mesmo
em significativa diminuição de despesas públicas
como ganho secundário".
Além disso, o parlamentar
ressalta que o funcionamento da Casa, com a simplificação,
deve melhorar. "Preservado o federalismo com a manutenção
da representação igualitária do Senado, estamos
certos de aprimorar nossa democracia", acrescenta.
Tramitação
A proposta tramita apensada à PEC 170/99, que altera a composição
da Câmara Federal para 380 deputados, estabelecendo um mínimo
de três e o máximo de 70 deputados por estado. Já aprovada
na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania,
a matéria deve ser analisada ainda por uma comissão especial,
antes de seguir para o Plenário.
|
AGÊNCIA
BRASIL, 22 de julho de 2008
Novos valores das tarifas de telefonia
fixa estão no Diário Oficial
A edição de hoje
(22) do Diário Oficial da União traz publicadas as novas
tarifas da telefonia fixa. As tabelas com os percentuais reajustados
ontem (21) pela Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel) estão nos Atos n.º 4.288, 4.289 e 4.290.
A alteração mais
baixa foi a da operadora Telemar, de 2,76%. As demais concessionárias
(Brasil Telecom, Telefônica, CTBC e Sercomtel) tiveram autorizado
reajuste percentual máximo de 3,01%.
Em nota divulgada ontem, a
Anatel informou que para o serviço de Longa Distância
Nacional (LDN), as concessionárias poderão aplicar a
variação máxima de 9,68%.
O reajuste das tarifas
foi calculado com base no Índice de Serviços de Telecomunicações
(IST) entre os meses de maio de 2007 e maio de 2008, que ficou em
4,46% e na aplicação de um fator de transferência
denominado Fator X, que é calculado pela Anatel com base nos
ganhos econômicos das concessionárias.
|
AGÊNCIA DIAP, 22 de
julho de 2008
NOVO MINISTRO
Governo criará comitê gestor
de programas sociais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu criar um comitê gestor
dos programas sociais do governo. A medida foi anunciada durante reunião
com os ministros da área e com representantes da equipe econômica
no Palácio do Planalto, informou uma pessoa que participou do encontro.
O coordenador do comitê gestor ainda não foi definido. O presidente
tampouco informou quando o grupo será instituído.
A idéia do presidente
seria dar a um subordinado responsabilidade igual à da chefe da
Casa Civil, Dilma Rousseff, que dirige o grupo gestor do Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC). Assim, o presidente só seria
acionado quando esse ministro escalado para coordenar a execução
dos programas não conseguisse resolver os problemas sozinho. Considerada
sobrecarregada pelo presidente, Dilma não receberia a missão.
O presidente desejaria entregar
ao sucessor e a movimentos sociais um relatório com todas as realizações
de seu governo. Segundo um participante da reunião, Lula teria
dito que pretende deixar o Palácio do Planalto com um atestado
de qualidade "ISO 15.000". Para tanto, o presidente teria dito
que o Executivo não criará mais nenhum programa social
novo. A meta do governo seria entregar até 2010 tudo o que foi
prometido.
Na reunião, o presidente
teria mostrado satisfação com o número e o alcance
dos programas sociais do governo. Não deixou, no entanto, de ouvir
lamentos e se queixar de metas não atingidas. Os ministros reclamaram
da falta de verbas e de dificuldades para fechar convênios com
Estados e municípios. Segundo um participante da reunião,
o presidente teria culpado a extinção da Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF)
pela redução dos recursos disponíveis. O tributo
renderia cerca de R$ 40 bilhões por ano aos cofres públicos,
mas foi derrubado pelo Senado.
Apesar da arrecadação
recorde, o governo aumentou em 0,5 ponto percentual o superávit
primário com a criação do fundo soberano. A meta
inicial para o superávit primário era de 3,80% do Produto
Interno Bruto (PIB).
O presidente teria garantido
aos ministros que, se houver mais dinheiro, os programas sociais receberão
reforço. Sobre a dificuldade no relacionamento com Estados e municípios,
o presidente teria recomendado que os ministros tentem estreitar o diálogo
com governadores e prefeitos.
Na visão de Lula,
a dedicação à área social se deve à história
de militância das pessoas que compõem o seu governo. "Isso
acontece porque o governo está colocando em prática a
sua militância social que dá mais sensibilidade ao nosso
trabalho", teria dito o presidente a ministros. (Fonte: Reuters)
|
VERMELHO, 22 de julho de
2008 | América Latina
Equador finaliza artigos da Constituição
que irá a referendo
Após 17 horas de longo
debate, a Assembléia Constituinte do Equador finalizou, no último
sábado (19), o texto da nova Carta Constitucional do país.
A proposta ainda deve ser aprovada de forma definitiva, na próxima
quinta-feira (24), pelos 130 assembleístas que integram a
Constituinte. A sessão de sábado contou com a presença
do presidente equatoriano Rafael Correa.
A partir desta segunda-feira,
a Assembléia Constituinte trabalha para aprovar o preâmbulo
da Carta e o Regime de Transição, que deverão ser
incorporados ao texto definitivo. O Regime de Transição
vai vigorar do dia do referendo até as eleições
gerais, que devem ser convocadas caso a nova Carta seja aprovada.
Desde novembro de 2007, a nova
Carta Magna estava sendo elaborada. O texto final conta com 444 artigos,
divididos em nove títulos constitucionais, e com trinta disposições
transitórias. O artigo que incluía a possibilidade de legalizar
uniões entre homossexuais foi retirado do texto final. Para entrar
em vigor, a nova Carta Magna deve ser aprovada em referendo popular,
que será realizado no dia 28 de setembro. O presidente Rafael
Correa já afirmou que o "Sim" terá vitória
contundente no referendo.
A Constituição
atual do Equador vige desde 1998. A nova Carta estabelece um sistema
econômico social e solidário que põe fim ao modelo
neoliberal, que gerou pobreza e uma das piores crises que desencadeou
um desfalque bancário em 1999. Outra novidade é a retirada
do quéchua como idioma oficial, o que desagradou a representação
indígena.
Segundo números da Confederação
de Nacionalidades Indígenas (Conaie), 35% do total da população
equatoriana fala quéchua. A Conaie exigia a manutenção
da língua como idioma oficial, além de um fortalecimento
de seu ensino no sistema educativo nacional.
O Conselho Nacional das Mulheres
(Conamu) também se pronunciou sobre a nova Carta. Segundo a diretora
executiva do órgão, Ximena Abarca, há avanços
no novo texto em relação à garantia dos direitos
das mulheres. Ximena ressalta que, apesar de a Constituição
de 98 trazer avanços, os direitos das mulheres, na atual Constituição,
estão muito mais explícitos e detalhados.
Fonte: Agência Adital
|
ÚLTIMA INSTÂNCIA,
22 de julho de 2008
Empresa de segurança não é obrigada
a contratar menor aprendiz
A pretensão da União Federal de exigir que as empresas de segurança
privada e de vigilância contratassem menores aprendizes foi negada. A
2ª Turma do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 10ª Região
(Distrito Federal e Tocantins) decidiu que as empresas representadas pelo Sindesp-DF
(Sindicato das Empresas de Segurança Privada, Sistemas de Segurança
Eletrônica, Cursos de Formação e Transporte de Valores
no Distrito Federal) não são obrigadas a contratar menores.
O entendimento, conforme informa
o tribunal, foi de que os trabalhos exercidos exigem o uso de armas de
fogo e, portanto, não é compatível com o treinamento
de menores aprendizes, ainda que em atividades meio.
O juiz Alexandre Nery de Oliveira,
relator do recurso ordinário, questionou o aprendizado que os
menores poderiam receber. "As empresas representadas pelo sindicato
autor não possuem ambiente propício ao convívio
de menores aprendizes", afirmou o magistrado.
Por fim, ele ressaltou
que os menores lidariam com armas de fogo ou freqüentariam ambientes
onde o manuseio do armamento seria rotineiro, situações
não adequadas à formação dos menores.
|
CONSULTOR JURÍDICO,
22 de julho de 2008
Primeiros frutos
Súmula Vinculante 4 do STF já mostra
seus resultados
por Flávio Obino Filho
Sempre recebi com reservas as
propostas de adoção de Súmulas Vinculantes, firme
no que aprendi na vida acadêmica de que as decisões de primeiro
grau e dos tribunais regionais são os poros que permitem ao direito
respirar Justiça. O mundo real, entretanto, muitas vezes desmente
as teorias e os ensinamentos doutrinários. A discussão
judicial sobre a base de cálculo do adicional de insalubridade é neste
sentido emblemática e escancara os ganhos para a sociedade com
a adoção de súmulas vinculantes.
Segundo informação
do ministro Vantuil Abdala, no TST tramitam 5 mil processos em que se
discute a matéria, sendo certo que o número vem aumentando
progressivamente a medida que se repetem decisões de instâncias
inferiores elegendo base de cálculo diversa do salário
mínimo (regra prevista no artigo 192 da CLT).
A utilização do
salário mínimo como base de cálculo do adicional
de insalubridade sempre foi matéria pacífica na Justiça
do Trabalho, mesmo após a CF de 1988. Por força de manifestações
do STF em processos específicos, de que a vinculação
seria inconstitucional, juízes e tribunais trabalhistas passaram
a estabelecer base de cálculo maior do que a prevista na CLT ora
vinculada ao piso da categoria, ora ao salário do empregado. Neste
cenário, o STF adotou a Súmula Vinculante 4 estabelecendo
que a vinculação ao salário mínimo é inconstitucional,
mas os juízes não podem estabelecer outra base de cálculo.
Assim, apenas pela via legislativa ou por força de negociação
coletiva poderá ser eleita nova base de cálculo do adicional
de insalubridade.
Mesmo com a adoção
da Súmula Vinculante, juízes do trabalho continuaram elegendo
outro indexador, culminando com a adoção pelo TST de nova
redação para sua Súmula 228, estabelecendo que a
base de cálculo, a partir de 9 de maio, é o salário
básico do trabalhador. A súmula que deveria trazer segurança
jurídica foi o estopim para novas discussões, sendo certo
que com uma penada o TST criou um passivo trabalhista a partir de 9 de
maio atingindo a todos os empresários que atuam no país.
O texto de redação
infeliz levou a interpretações diversas, tendo o TST escalado
o decano da Corte, ministro Vantulil Abdala, para dar uma entrevista “esclarecedora”.
O ministro afirma que salário básico é um conceito
conhecido e que deve ser entendido como salário da categoria (piso
salarial) e que o TST aplicou por analogia a regra válida para
o adicional de periculosidade. Ora, a base de cálculo do adicional
de periculosidade é o salário do empregado e salário
básico nunca foi piso salarial. O TST botou mais lenha na fogueira.
Usando do remédio jurídico
da reclamação ao STF, cabível quando do descumprimento
de Súmula Vinculante, a CNI pediu liminarmente a suspensão
da súmula do TST, o que foi deferido pelo ministro Gilmar Mendes.
O fundamento é de que enquanto não for alterada a lei,
a base de cálculo é o salário mínimo, não
sendo possível a fixação de outro indexador pelo
Judiciário.
Caso a vinculação
ao entendimento sumulado do STF não existisse teríamos
uma enxurrada de processos que se somariam aos 5 mil em tramitação
no TST e a outros 50 mil nas cortes inferiores. Levando-se em conta
que o custo de um processo trabalhista para a sociedade é de
R$ 6 mil (valor calculado a partir do orçamento anual do TRT
da 4ª Região dividido pelo número de processos),
podemos calcular o ganho da sociedade brasileira apenas neste caso
emblemático em que o acionamento da máquina judicial
estatal não será incentivado.
|
AGÊNCIA DIAP, 22 de
julho de 2008
EMPREGO
Construção civil bate
a marca de 2 milhões de trabalhadores
A indústria da construção
civil vem registrando recordes sucessivos em 2008. Segundo levantamento
do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção
Civil do estado de São Paulo) e da FGV Projetos, no mês
de maio, o setor ultrapassou pela primeira vez, desde 1995 quando
a metodologia do estudo foi reformulada, a marca de 2 milhões
de trabalhadores com carteira assinada.
De acordo com a pesquisa, o estoque
de mão-de-obra da construção civil em todo o Brasil
já é de 2,020 milhões. Somente nos primeiros cinco
meses de 2008, foram criadas 185,3 mil vagas formais, número que
está bem próximo aos 206,6 postos de trabalho gerados em
todo o ano de 2007.
No acumulado do ano até maio,
o crescimento registrado é de 10,1%. Em comparação
ao mesmo mês do ano anterior, o aumento do total de trabalhadores
do setor é ainda maior, de 17,5%. Na variação mensal
de maio ante abril é de 1,6%.
“O governo esqueceu a construção
civil por mais de 20 anos, mas a partir de 2004 o governo federal entendeu
a importância do setor para o desenvolvimento econômico e
social do País”, declara o presidente do SindusCon-SP, João
Claudio Robusti. “Acreditamos que esse crescimento deve perdurar
por muitos anos com os investimentos em infra-estrutura, a expansão
do credito imobiliário e uma taxa de juros mais equilibrada no
longo prazo”, completa.
No estado de São Paulo,
foram contratados 52,8 mil trabalhadores nos primeiros cinco meses de
2008 – equivalente a uma elevação de 10,2% no ano.
Nos últimos 12 meses terminados em maio, o crescimento é de
21% e na variação entre abril e maio a alta registrada é de
0,6%. Com esse desempenho, o estoque de mão-de-obra da construção
civil em São Paulo atingiu o patamar de 568,9 mil.
Na capital paulista, o índice
avançou 10,6% este ano com as 26,4 mil novas vagas formais preenchidas
até maio. Em relação ao mesmo mês de 2007,
a alta chega a 23,8% e, em maio sobre abril, de 0,8%. Com isso, a cidade
de São Paulo concentra 273,6 mil trabalhadores com carteira
assinada na construção civil.

Regiões do Brasil
A região Centro-Oeste
foi que apresentou o maior crescimento proporcional no acumulado do ano – de
janeiro a maio a alta é de 15,2%. Em seguida está o Sudeste,
que no mesmo período teve elevação de 10,7% no índice.
Já na variação
mensal, em maio, o destaque é a região Norte, que cresceu
3,1% em relação a abril. O Centro-Oeste aparece novamente
com destaque e teve elevação de 2,6% mês a mês.
As regiões Sul (+1,7%),
Nordeste (+1,6%), e Sudeste (+1,3%) também apresentaram resultados
positivos na comparação de maio e abril deste ano.

|
Gazeta do Povo, 22 de julho de 2008
Educação
Governo desiste de alterar regras
sobre uso de recursos do Sistema S
O governo fechou um acordo com o Sistema S e desistiu de enviar ao Congresso
projeto de lei para alterar as regras de repartição e uso dos
recursos. O ministro da Educação, Fernando Haddad, deve assinar
hoje protocolo com a Confederação Nacional da Indústria
(CNI) e a Confederação Nacional do Comércio (CNC).
As entidades prometem aumentar a oferta de vagas gratuitas em cursos técnicos
do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e do Serviço
Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Parte dos recursos destinados ao
Serviço Social da Indústria (Sesi) e ao Serviço Social
do Comércio (Sesc), cujo foco atual são ações sociais,
também deverá ser gasta em atividades de educação.
Segundo o MEC, as entidades do Sistema S arrecadam R$ 8 bilhões por
ano em contribuições pagas pelas empresas sobre a folha de pessoal.
O MEC entende que esses recursos são públicos e, portanto, só deveriam
financiar cursos gratuitos. Hoje, no entanto, as entidades cobram mensalidades
dos alunos. Além disso, o governo queria inverter a repartição
de verbas – atualmente 60% vão para os serviços sociais
e só 40% para os de aprendizagem.
Um esboço do texto, que ainda pode sofrer alterações,
prevê que 66,6% das vagas em cursos do Senac sejam gratuitas em 2014.
O documento fixa um cronograma, determinando que 20% das vagas sejam gratuitas
a partir do ano que vem. Esse porcentual sobe para 25% em 2010; 35% em 2011;
45% em 2012; e 55% em 2013, até atingir 66,6% em 2014.
Receita
Da mesma forma, o Sesc passará a destinar mais recursos para a área
de educação. Pelo menos 10% de sua receita em 2009, até atingir
33,3% em 2014.
No Senai, o compromisso será de aplicar 66,6% de sua receita em cursos
gratuitos a partir de 2014. O Sesi também destinará mais recursos
para o ensino. Em São Paulo, segundo a CNI, o Sesi já aplica
70% em educação. Com o protocolo, outros estados deverão
aumentar a participação do ensino nas atividades do Sesi.
|
Folha de S.Paulo, 22 de julho
de 2008
Receita do FGTS já supera o
total registrado em 2007
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O caixa do FGTS (Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço) acumulou no primeiro semestre do ano uma
arrecadação líquida de R$ 3,539 bilhões.
O valor supera em 8,8% o montante recolhido em todo o ano passado. O
dado levou o Ministério do Trabalho a projetar uma receita de
mais de R$ 7 bilhões para este ano.
Caso essa estimativa se confirme, 2008 entrará para a história
como o melhor ano para a arrecadação do FGTS. O recorde atual
foi registrado em 2006, quando a receita líquida do fundo chegou a R$
6,821 bilhões. Desde 2003, a arrecadação total do FGTS
supera os saques das contas em R$ 30,5 bilhões.
" Isso é resultado da geração e da formalização
do emprego decorrente do crescimento da economia. Neste momento de bonança,
temos que manter o foco e saber onde investir os recursos", disse à Folha
o ministro Carlos Lupi (Trabalho).
De janeiro a junho deste ano, as empresas recolheram ao fundo R$ 23,341 bilhões.
Já os saques alcançaram R$ 19,802 bilhões. Isso fez com
que a receita líquida atingisse R$ 3,539 bilhões. Quanto mais
recursos acumula, mais o FGTS pode direcionar verbas para investimento em habitação,
saneamento e infra-estrutura.
A legislação determina que as empresas contribuam mensalmente
para o FGTS com o equivalente a 8% do salário do trabalhador. Nos casos
de contratação temporária, o percentual cai para 2%.
Os saques são previstos nas seguintes situações: compra
da casa própria (primeiro imóvel), aposentadoria, demissão
sem justa causa, doenças graves e contas inativas há mais de
três anos sem que o trabalhador tenha retornado ao mercado de trabalho,
entre outras.
Segundo os números apresentados por Lupi, em junho o patrimônio
do FGTS alcançou a marca de R$ 188,6 bilhões. Os dados mostram
ainda que desde 2003 já foram injetados R$ 68 bilhões na economia
para uso exclusivo do setor de habitação popular. Esses recursos
permitiram a construção de 1,723 milhão de moradias para
a população de baixa renda.
Saques
Nos últimos anos, o governo vinha demonstrando preocupação
com a arrecadação líquida do fundo por causa do aumento
dos saques. Além de os trabalhadores estarem aproveitando o boom do
mercado imobiliário para comprar a casa própria com o saldo de
suas contas no fundo, a elevada rotatividade da mão-de-obra formal vinha
provocando altas retiradas do FGTS.
Outro fator que passou a pressionar o caixa foi uma decisão do Supremo
Tribunal Federal de abril do ano passado. O tribunal decidiu que os aposentados
que permanecem no mercado de trabalho podem sacar o dinheiro do FGTS e, mensalmente,
retirar os valores depositados pelas empresas.
Na avaliação do ministro, porém, a efervescência
do mercado de trabalho vem garantindo o crescimento da arrecadação
líquida do fundo. De janeiro a junho, o número de trabalhadores
com carteira assinada ultrapassou 1,36 milhão de postos, um recorde
para o período.
|
Folha de S.Paulo, 22 de julho de 2008
Ministro diz que apóia repasse
de verba ao BNDES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O ministro Carlos Lupi (Trabalho) afirmou ontem ser favorável a direcionar
recursos do FI-FGTS para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social), mas afirmou que o banco não pode se "transformar no
próprio fundo".
Ontem, a Folha noticiou que o governo trava uma briga interna porque o BNDES
quer R$ 10 bilhões do FI-FGTS -fundo de investimento do FGTS destinado
a obras de infra-estrutura.
O FI-FGTS tem cerca de R$ 18 bilhões para aplicar nesses projetos. Na
avaliação do ministro, se o BNDES passasse a contar com R$ 10
bilhões, acabaria se tornando o próprio fundo.
A Força Sindical repudiou a proposta. "A idéia, além
de absurda e inoportuna, pode causar prejuízo ao FGTS no qual 28,5 milhões
de trabalhadores têm dinheiro depositado," afirmou em nota.
Pela proposta em estudo no governo, o BNDES remuneraria o fundo em taxas abaixo
das exigidas nos investimentos do FI-FGTS, que são de 7,6% neste ano.
|
FOLHA DE LONDRINA, 22 de
julho de 2008 | Economia
Juros altos podem desacelerar mercado
imobiliário
Incertezas geradas pela crise norte-americana
e riscos de inflação fazem bancos agir com maior rigor
na concessão de crédito
São Paulo - A expansão das vendas do setor imobiliário
pode sofrer uma desaceleração neste segundo semestre, impulsionada
por um cenário de elevação das taxas de juros dos financiamentos
e de maior rigor dos bancos nas concessões de crédito. A avaliação é feita
por representantes dos setores da construção e financeiro.
O vice-presidente da Associação
Nacional dos Executivos de Finanças, Administração
e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira, avalia que os bancos, que
estavam muito agressivos na concessão de crédito imobiliário,
começam a tirar o pé do acelerador nesta modalidade de
financiamento, por conta das incertezas geradas pela crise norte-americana
e os riscos de inflação.
Expectativa semelhante tem o
analista da Lopes Filho & Associados, João Augusto Frota Salles,
que também avalia que no cenário de incerteza algumas instituições
tendem a adotar uma posição mais cautelosa na expansão
do crédito imobiliário. Segundo ele, o movimento se mostrará mais
evidente entre os bancos privados, que nos últimos anos desenvolveram
plataformas para atender a maior clientela possível quando ocorresse
o boom do financiamento de imóveis, esperado, inicialmente, para
2009.
‘‘Os bancos privados
tendem a recuar nesse mercado. O cenário incerto adiou um novo ’boom’ de
crédito imobiliário para 2010 ou 2011. Nesse ambiente,
quem sinaliza o recuo são os bancos privados’’, afirma
Salles.
De acordo com Salles, bancos
que há alguns meses apresentavam estratégias agressivas
para conquistar esse mercado, como Santander e HSBC, devem mostrar recuo
na concessão desse crédito.
No entanto, o analista lembra
que os bancos privados têm uma participação proporcionalmente
pequena no crédito imobiliário total do País e que,
por essa razão, essa desaceleração será sentida
só na margem. O movimento ficará mais evidente a partir
do primeiro trimestre do ano que vem, quando a elevação
dos juros reduzir a demanda de forma mais efetiva, o que trará conseqüências
para o principal agente financiador desse setor, a Caixa Econômica
Federal (CEF).
Embora com taxas mais baixas
do que em outras modalidades de empréstimos, os bancos utilizam
esses financiamentos de longo prazo para fidelizar os clientes e, dessa
forma, aumentar a venda de produtos a esse público. No entanto,
nesse ambiente de incerteza, os bancos tendem a apostar em outras linhas
de negócios, que oferecem maior rentabilidade, como o segmento
corporate, destinado a empresas de grande porte. Essa estratégia
também irá produzir efeito sobre o crédito imobiliário.
‘‘A demanda por
imóveis ainda não foi impactada pelas recentes altas de
juros, mas poderá haver pequena redução no próximo
trimestre e principalmente no quarto. As vendas vão crescer, mas
menos que no primeiro semes-tre’’, opina um analista, que
preferiu não se identificar.
A analista da Unibanco Corretora,
Maria Laura Pessoa, lembra que o crédito imobiliário possui
problemas estruturais que precisam ser solucionados para que haja uma
aceleração dessas operações. Como exemplo,
ela cita a falta de um mercado secundário e o descasamento entre
o principal funding do setor (recursos da poupança) e o prazo
do financiamento. ‘‘Isso não evoluiu ainda. Além
disso, você tem um cenário diferente, com juros subindo,
e isso é determinante para a entrada de um consumidor em um financiamento
de longo prazo’’, afirma.
Na avaliação do
economista e professor da FGV Online, André Comunale, pode haver
diminuição no ritmo de crescimento das vendas de imóveis
no fim do ano ou início de 2009, mas sem que haja reversão
de tendência. ‘‘O foco do consumidor ainda é a
prestação cabendo no orçamento’’, afirma
Comunale. Segundo ele, as altas de juros ainda não se refletiram
nas vendas mas, se prosseguirem, é possível que sejam repassadas,
parcialmente, pelos bancos para os financiamentos imobiliários.
Chiara
Quintão e Ana Paula Ribeiro
Agência Estado
|
Congresso em Foco, 22 de
julho de 2008
Tô nem aí
Senadores faltam a quase 180 votações
sem justificativas
Presidente da Casa e outros dois senadores
deixam 31 faltas sem justificativa, apesar das facilidades de se
explicar a ausência à Mesa Diretora

Plenário do Senado vazio, há oito dias. Parlamentares
elevaram um pouco o nível de faltas de 2007
Sofia Fernandes
Nos seis primeiros meses de 2008, nenhuma votação no Senado conseguiu
reunir todos os 81 senadores. E apesar da facilidade com que a Casa costuma
agir na aprovação de licenças, 60 senadores deixaram de
justificar 179 faltas nesse primeiro semestre. No topo dos que não se
deram ao trabalho de abonar suas faltas, estão três senadores,
incluindo o presidente da Casa, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN). Os três
faltaram 31 vezes sem motivo. É o que revela levantamento exclusivo
do Congresso em Foco.
O presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), não
justificou 13 faltas. Foi o senador que deixou mais ausências sem licença,
seguido de Francisco Dornelles (PP–RJ) e Garibaldi Alves Filho (PMDB–RN).
Os dois deixaram, cada um, nove faltas sem justificativa.
O site também constatou que outros cinco senadores faltaram mais que
o percentual permitido (33%), mas conseguiram justificativas para abonar a
maioria das faltas, todas aprovadas sem dificuldades pela Mesa Diretora do
Senado. E entre os dez mais faltosos, outras 23 faltas também ficaram
sem explicação.
OS
SENADORES MAIS FALTOSOS
clique
para ver detalhes
TABELAS
COMPLETAS
Mais
faltosos
Mais
faltosos injustificadamente
Bancadas
estaduais mais faltosas
O gabinete de Leomar Quintanilha disse que o senador não tem o hábito
de justificar suas faltas, embora todas tenham um motivo razoável. Os
auxiliares do parlamentarr garantiram que, quando ele não está no
plenário, comparece a algum compromisso político em Tocantins,
sua base eleitoral, ou está envolvido em um motivo pessoal muito forte,
como o falecimento da mãe.
A assessoria de imprensa do senador Francisco Dornelles informou que o parlamentar
não justifica todas as faltas porque muitas vezes ele está em
seu estado exercendo alguma atividade pessoal, para a qual não cabe
licença.
O gabinete do senador Garibaldi Alves Filho afirma que, por ser presidente
do Senado, sua agenda é acompanhada de perto pela Mesa Diretora. Por
isso, não precisa justificar suas faltas, a maioria delas motivadas
pelos compromissos oficiais que o seu cargo demanda.
Sem transparência
Neste levantamento exclusivo do Congresso em Foco, foram analisadas todas as
listas de presença das sessões deliberativas publicadas pelo
Diário do Senado, de 12 de fevereiro a 19 de junho. Também foram
analisados todos os pedidos de licença requeridos pelos senadores, mês
a mês, de fevereiro a junho, registrados nas resenhas mensais das sessões
deliberativas. É a segunda vez que o site faz um levantamento como esse. A
primeira foi em dezembro de 2007.
A página do Senado na internet não fornece esses dois dados organizados,
o que exigiu um trabalho exaustivo para verificar quais faltas foram justificadas,
por quais motivos e em que períodos houve o maior fluxo de pedidos.
Ao contrário da Câmara, que publica os dados sobre a assiduidade
na página de cada um dos deputados, o Senado não dá transparência
a essas informações.
A Constituição Federal determina que o senador deve comparecer
a, no mínimo, dois terços das sessões ordinárias.
A exceçãosão as licenças, que podem ser justificadas
por motivo de saúde, interesse particular ou missão política.
No primeiro semestre de 2008, os senadores aproveitaram as licenças
582 vezes: 424 por missão política, 96 por licença médica
e 63 dias por interesse particular.
Festa das licenças nos feriados
Uma característica marca o fluxo desses requerimentos de justificativas.
Nas vésperas de feriado, durante o período analisado, o número
de pedidos de licença aumenta espantosamente. O exemplo mais destacado é o
da véspera da Páscoa. Em 19 de março, a quarta-feira que
antecedeu o feriado católico, foram 30 pedidos: cinco licenças
médicas, seis de interesse particular e 19 para missão política.
Na quarta-feira anterior, 12 de março, apenas seis licenças foram
requeridas.
Em 21 de maio, quarta-feira, véspera do feriado de Corpus Christi, os
senadores fizeram 25 pedidos de licença à Mesa Diretora do Senado:
duas por motivo de saúde, três por interesse particular e 20 por
missão política. Na quarta-feira anterior, 14 de maio, foram
cinco os pedidos de licença.
No dia dos namorados, outro pico. Foram 26 pedidos acatados pela Mesa Diretora
do Senado, entre eles 24 por missão política. Na quinta-feira
anterior, 5 de junho, os senadores fizeram 13 pedidos de licença.
Sem burocracia
Apesar de o regimento interno do Senado determinar que pedidos de licença
devem ser prévios, vários requerimentos são feitos posteriormente,
inclusive por interesse pessoal. “Eventualmente pode acontecer de o senador
não poder apresentar antes o pedido; não significa que ele não
estava de licença”, diz Cláudia Lyra, secretária
geral da Mesa do Senado.
A justificativa de ausência deve ser escrita em papel e entregue à Mesa
com antecedência, exceto em ocasiões não previsíveis,
como em alguns casos de doença. Toda licença médica deve
conter um laudo de inspeção de saúde. A licença
para tratar de interesses particulares não pode ultrapassar 120 sessões
legislativas e os dias de afastamento não podem ser remunerados.
Mas, segundo Cláudia Lyra, é necessário bem menos burocracia
para se obter uma licença. O pedido do parlamentar se limita a um papel
com a justificativa por escrito. O senador só precisa comprovar os motivos
da licença quando a sua ausência implica ônus para o Senado,
como em caso de viagem oficial.
Quando a licença é por interesse particular, ou missão
político-cultural sem financiamento direto da Casa, ou até mesmo
licença médica, não é exigido do senador que prove
com documentos os motivos da sua retirada. Sua palavra basta. “O senador
só precisa mencionar o fundamento. Não tem que comprovar”,
explica Cláudia Lyra.
Mais de 17% de ausências
Os parlamentares marcaram 765 ausências para 3.605 marcações
de presença no primeiro semestre de 2008. Esses números significam
que houve 17,5% de ausência durante o período analisado. A Mesa
Diretora do Senado recebeu e aprovou sem votação 296 pedidos
de licença, o que mostra uma postura permissiva da Casa para abonar
essas faltas.
Os números aumentam a média do último
levantamento feito pelo site, quando se apurou 16,05% de ausência
no ano de 2007. Houve 1.545 faltas e 8.081 anotações de presença
em 119 sessões. Durante todo o ano legislativo de 2007, apenas duas
sessões deliberativas conseguiram reunir todos os 81 senadores. Foram
as que livraram da cassação o agora ex-presidente do Senado Renan
Calheiros (PMDB-AL).
O número máximo de senadores em uma sessão com votação
nos primeiros seis meses de 2008 foi de 77. Em 19 de março, quarta-feira,
véspera de Páscoa, o Senado registrou a lista mais curta de presença:
apenas 43 senadores participaram da sessão deliberativa do dia. Enquanto
isso, mais da metade dos faltosos justificou a ausência por motivo de
missão política e licença médica.
Senadores mais ausentes
O senador João Durval (PDT–BA) esteve por dois meses sob licença
médica. Como todo parlamentar só tem direito a suplente quando
licenciado por mais de 120 dias e nos casos de morte, renúncia ou cassação,
a bancada da Bahia foi a mais desfalcada no primeiro semestre de 2008. Durval
foi o mais ausente. Faltou a 28 das 54 sessões, um total de 51,8%. Lista
completa dos mais faltosos.
O senador Lobão Filho (DEM–MA) herdou do pai o cargo, mas não
o hábito. Edison Lobão, substituído pelo filho suplente
em 31 de janeiro deste ano, quando assumiu o Ministério das Minas e
Energia, foi um dos senadores mais assíduos em 2007, segundo levantamento
anterior do Congresso em Foco.
Lobão Filho compartilha com o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR)
o segundo lugar na lista dos menos assíduos. Os dois estiveram ausentes
a 21 sessões deliberativas, 38,9% de falta.
Lobão Filho justificou 19 faltas com licença médica, missão
política e oito delas por interesse particular. Deixou outras duas faltas
sem nenhuma justificativa. Segundo sua assessoria de imprensa, o senador teve
problema na coluna e precisou ser deslocado para São Paulo, o que o
afastou do plenário do final de fevereiro ao início de março.
Mozarildo Cavalcanti justifica que a baixa freqüência ao Senado
se deve a compromissos político-partidários e a licenças
médicas. Em abril, ele diz ter acompanhado oficialmente a operação
da Polícia Federal Upatakon III, para a retirada de não-índios
e produtores de arroz na reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, o que consumiu
sua presença em seis sessões deliberativas. Apesar das licenças
e do compromisso em Roraima, o senador do PTB deixou ainda uma ausência
sem justificativa.
“Outras funções legislativas”
Logo atrás, no "pódio" dos mais faltosos, está a
senadora Patrícia Saboya (PDT-CE). Faltou a 20 das 54 sessões
deliberativas, 37% de faltas, todas justificadas por motivos de saúde
e missão política.
A senadora justifica sua ausência e ao mesmo tempo critica o Senado por
estar quase sempre trancado por medidas provisórias, o que impede o
curso do trabalho do Legislativo. "Eu estava presente a todas as votações
de maior importância e não deixei de comparecer a nenhuma sessão
em que se tomassem decisões de relevância. Em momento algum deixei
de atender minha responsabilidade e minhas prerrogativas”, diz Saboya.
Rosalba Ciarlini (DEM/RN) faltou a 19 sessões no primeiro semestre.
Todas as faltas são justificadas, entre elas dez por interesse pessoal.
O restante, por motivo de missão política.
A senadora explica que faltou a cinco sessões para acompanhar o nascimento
da neta, na Alemanha, de 11 de março a 21 de abril, e esteve representando
o Senado em viagem oficial à Antártida. “Não são
faltas, são ausências justificadas pela Mesa do Senado.” A
senadora defende que a atividade do parlamentar não se limita ao plenário. “Muitos
estão ausentes em função de outras atividades legislativas”,
diz a senadora.
Entre os dez mais faltosos, estão também o Marcelo Crivella (PRB-RJ),
com 18 faltas, duas delas não justificadas, Fátima Cleide (PT-RO),
com 18 faltas, quatro sem justificativa, Renan Calheiros, 17 faltas, cinco
sem justificativa, José Sarney (PMDB-AP), 17 faltas, seis sem justificativa,
João Tenório (PSDB-AL), 17 faltas, quatro sem justificativa.
BANCADAS ESTADUAIS MAIS FALTOSAS
clique
para ver detalhes

A Bahia é o estado mais ausente nas sessões deliberativas do
Senado. No primeiro semestre de 2008, compareceu a 72,2% das sessões.
Um ponto desfavorável à assiduidade do estado foi a licença
médica do senador João Durval, do PDT, que esteve dois meses
afastado por conta de uma labirintite.
Na série dos estados menos assíduos, o Rio de Janeiro está em
segundo lugar, com 73,6% de presença. O senador Marcelo Crivella, o
mais ausente da bancada carioca, faltou a 18 das 54 sessões deliberativas,
ou seja, a um terço das votações do primeiro semestre.
Ele pediu e conseguiu licença para 16 faltas, 13 por estar em missão
política e três por interesse pessoal.
Apesar de viverem perto do Congresso Nacional, os senadores do Distrito Federal
não conseguiram colocar a bancada no primeiro lugar da lista das mais
assíduas no primeiro semestre de 2008. Ficou em sétimo lugar,
com 87% de presença. Os senadores do distante Rio Grande do Sul, com
93,2% de presença, e do Paraná, com 92,6%, foram os mais assíduos.
Lista da assiduidade por estado.
Mais assíduos
Gim Argello (PTB-DF) foi o senador mais assíduo no primeiro semestre
de 2008. Trabalhar em Brasília, sua base eleitoral, o favoreceu nesse
sentido. “Não sofro com compromisso em outros estados, com atrasos
de avião”, comenta o senador, que emenda: “Encontrar todo
mundo disponível é muito difícil. Tudo bem, é apenas
terça, quarta e quinta, mas há vários compromissos além
do plenário”.
Fernando Collor, o senador mais ausente em 2007, segundo pesquisa anterior
do Congresso em Foco, ficou entre os 30 senadores mais assíduos. Faltou
a sete sessões deliberativas no primeiro semestre de 2008, todas justificadas
por missão política.
PARTIDOS MENOS ASSÍDUOS

|
Folha
de S.Paulo, 22 de julho de 2008
ELEIÇÕES 2008 / PERFIL
Eleitor analfabeto é maioria
em 17% das cidades do país
A pior situação está no
Nordeste, onde 37% dos eleitores não sabem ler e escrever ou nunca
foram à escola, segundo o TSE | Dos 128 milhões de eleitores
aptos a votar em outubro, 8 milhões são analfabetos e 20,3
mi, sem escolaridade; dados não são atualizados
ANGELA PINHO
EDUARDO SCOLESE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) tabulados pela Folha revelam que
um em cada seis municípios é dominado por eleitores analfabetos
ou que nunca freqüentaram uma sala de aula.
Essa situação aparece em 936 (16,8%) dos 5.563 municípios
com eleições marcadas para outubro. Neles, mais da metade dos
eleitores se declarou analfabeta ou capaz de ler e escrever sem ter ido à escola.
O segundo grupo é também conhecido como o de analfabetos funcionais,
ou seja, pessoas que sabem decodificar a escrita, mas têm dificuldades
para interpretar os textos.
Desses 936 municípios, 203 estão na Bahia, 119 na Paraíba
e 118 no Piauí. Entre as regiões, a pior situação
está no Nordeste, com índice de 37% dos eleitores analfabetos
ou analfabetos funcionais. Norte (28%), Centro-Oeste, Sudeste (21%) e Sul (13%)
aparecem a seguir.
Alagoas é o Estado com maior percentual de municípios em que
mais da metade dos eleitores é composta por esse quadro (63%). Na seqüência,
vêm Paraíba, Pernambuco e Piauí, todos com 53%.
Conservador
O voto do eleitor com baixo ou nenhum grau de escolaridade é mais conservador,
porque ele não apóia o que não conhece, diz o cientista
político da UnB (Universidade de Brasília) Ricardo Caldas. Segundo
ele, a ideologia tem um peso menor para esse segmento. "Ele [eleitor com
esse perfil] tende a se identificar menos com idéias do que com pessoas."
Dos 128 milhões de eleitores aptos a votar em outubro, 8 milhões
são analfabetos e 20,3 milhões, sem escolaridade, apesar de dizerem
saber ler e escrever.
Os dados de escolaridade do TSE são fornecidos pelos próprios
eleitores no momento em que eles requerem o título. As informações
só são atualizadas caso ocorra uma revisão do cadastro,
o que acontece principalmente em locais onde há indícios de fraude,
ou se o eleitor procurar o cartório eleitoral para corrigir o dado.
Assunção do Piauí, a 276 km de Teresina, lidera esse ranking.
No município, divisa piauiense com o Ceará, 74,4% dos 5.536 eleitores
são analfabetos (1.221) ou nunca foram à escola (2.900). "Temos
muita dificuldade de levar os trabalhadores para a sala de aula. Eles ficam
o dia inteiro na roça e não têm disposição
para estudar à noite", afirma Maria das Graças Bonfim Filha,
secretária municipal da Educação.
"Outro problema, que já foi pior, é que eles [lavradores]
costumam levar os filhos para a roça, tirando as crianças da escola",
completa a secretária.
|
Gazeta do Povo, 22 de julho de 2008
Tributos
Mesmo sem CPMF, Receita bate recorde
de arrecadação
De janeiro a junho, governo federal
recolheu R$ 333,2 bilhões em impostos, ou 10,4% a mais do
que em 2007. Mudança nas regras tributárias para
o setor financeiro e fiscalização mais apertada contribuíram
para o resultado
A arrecadação
federal continua batendo recordes, apesar do fim da Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
No primeiro semestre, os recolhimentos chegam a R$ 333,208 bilhões,
o maior valor já registrado no período. Em relação
ao primeiro semestre do ano passado, a receita aumentou 10,43%,
considerando a inflação. O total registrado em junho
também foi recorde para o mês: R$ 55,747 bilhões,
com alta real de 7,1% sobre junho de 2007.
A economia aquecida, que fez subir salários e vendas e propiciou maior
lucratividade das empresas, explica o desempenho. Além disso, pesou
o fato de a fiscalização estar mais apertada, a ponto de o recolhimento
de multas e juros haver subido 60,46% no período. Esse é, segundo
o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, o “fator principal” de
crescimento da arrecadação. Ele ressaltou o desempenho da arrecadação
previdenciária, que somou R$ 14,205 bilhões em junho e R$ 83,767
bilhões no semestre, um crescimento de 12,57% sobre igual período
do ano passado.
IOF e CSLL
Mudanças nas regras tributárias também explicam o desempenho
vigoroso da arrecadação. No início deste ano, as alíquotas
do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), cobradas sobre
empréstimos e câmbio, foram elevadas para compensar a ausência
da CPMF. Com isso, os recolhimentos do tributo cresceram R$ 5,91 bilhões
no período. Em dezembro passado, a Receita havia previsto que o recolhimento
extra ficaria em R$ 8,5 bilhões em todo o ano de 2008. Não contava,
porém, que as operações de crédito aumentariam
32,1% entre as pessoas físicas e 42,1% entre as pessoas jurídicas.
Outra regra que mudou foi a da Contribuição Social sobre o Lucro
Líquido (CSLL) dos bancos, cuja alíquota passou de 9% para 15%.
O aumento entrou em vigor apenas em junho. No mês, o recolhimento feito
pelas instituições financeiras atingiu R$ 502 milhões,
contra R$ 285 milhões em maio.
A arrecadação de junho foi inflada, ainda, por recolhimentos
atípicos de CSLL e Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).
Apenas duas instituições financeiras responderam pelo pagamento
de R$ 1,370 bilhão de CSLL que não havia sido recolhido. No caso
do IRPF, a Receita registrou o recebimento de R$ 135,9 bilhões em IR
sobre ganhos de capital que estavam sendo questionados na Justiça.
Conclusões precipitadas
Apesar do forte desempenho, Rachid desaconselha “conclusões precipitadas” quanto
ao comportamento da arrecadação no restante do ano. “A
tendência é continuar crescendo, mas a taxas menores do que as
vistas até agora”, disse ele.
O secretário fez questão de afirmar que a instituição
continua respaldada com informações sobre as movimentações
financeiras dos contribuintes mesmo com o fim da CPMF. Segundo ele, a Receita
receberá nos próximos dias as primeiras informações
sobre os gastos com cartões de crédito e, até outubro,
de todas as movimentações financeiras realizadas no ano.
Acesso
A Receita está usando a Lei Complementar 105, que trata do acesso a
informações bancárias. Segundo Rachid, terão de
ser informadas mensalmente todas as operações que ultrapassarem
o valor de R$ 5 mil para as pessoas físicas e R$ 10 mil para as pessoas
jurídicas.
Para ele, além do crescimento econômico, a arrecadação
federal vem sendo impulsionada, a cada mês, pelas ações
do órgão que comanda e da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional
(PGFN) na recuperação de créditos. “Os espaços
vêm sendo reduzidos”, afirmou. O secretário informou que
divulgará ainda este mês a carga tributária de 2007.
|
FOLHA DE LONDRINA, 22 de
julho de 2008 | Política
Lula cobra mais agilidade nas obras
do PAC
Em reunião com ministros da área
social, o presidente ainda reclamou da falta dos recursos da extinta
CPMF
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou ontem
dos ministros da área social a execução dos programas
em andamento no PAC social e afirmou que não pretender criar nenhum
novo projeto até o final de seu mandato, em 2010. Em reunião
de quase quatro horas, o presidente reclamou, mais uma vez, da falta dos recursos
da Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF) - rejeitada pelo Senado em dezembro - e prometeu criar um
Comitê Gestor para os programas da área social.
''Alguém terá de
trabalhar mais sem ganhar mais'', disse o presidente, segundo relato
de participantes do encontro. No total, 17 pessoas, entre ministros e
representantes de ministérios participaram da reunião.
Ao cobrar a execução dos programas atuais, Lula advertiu
os ministros para que ''não venham com idéias novas''.
O presidente destacou ser mais importante cumprir as promessas feitas
até aqui.
Apesar de ter reclamado do corte
da CPMF, a Receita mostrou ontem, ao divulgar a arrecadação
do primeiro semestre deste ano, que o governo amealhou, em termos nominais,
R$ 45,3 bilhões a mais do que em igual período do ano passado
- é mais do que um ano de arrecadação da extinta
CPMF (R$ 39 bilhões). Lula disse que entregará a seu sucessor
um relatório sobre todos os projetos realizados. ''Se possível
vou registrar em cartório'', já havia prometido Lula recentemente.
''Quero sair com atestado de ISO 15.000'', acrescentou na reunião.
O presidente não definiu quem será o coordenador do Comitê Gestor
das Políticas Sociais nem deu prazo para indicar o nome para o
posto. O que está certo é que a função será exercida
por um dos ministros da área, que vai acumular a função.
Ana Paula Scinocca
Agência Estado
|
Agência Câmara,
22 de julho de 2008
PEC torna serviço militar facultativo
Luiz Alves
A Câmara analisa a Proposta de
Emenda à Constituição 264/08, do deputado Marcelo
Serafim (PSB-AM), que torna o serviço militar facultativo
no Brasil em tempos de paz. Atualmente, o serviço militar é obrigatório
a todos os brasileiros ao completarem 18 anos. O comprovante da prestação
ou dispensa do serviço é requisito para o exercício
de vários direitos, como o ingresso no serviço público,
a emissão de passaportes ou o ingresso em universidades públicas.
Serafim argumenta que a realidade
que levou o Brasil a adotar o serviço militar obrigatório
mudou. Segundo ele, foi importante o movimento nacional pela obrigatoriedade,
como forma de levar educação e cidadania para jovens que
estavam excluídos do desenvolvimento brasileiro. Outras políticas
públicas, no entanto, segundo ele, cumprem hoje esse papel. "Atualmente,
na maioria das nações desenvolvidas, o alistamento militar é facultativo,
e a carreira militar é escolhida por aqueles que são vocacionados
para a atividade", afirma.
Seleção
criteriosa
Além disso, segundo o deputado, o enorme excedente de contingente entre
os alistados no Brasil tem dificultado a seleção criteriosa de
quais jovens realmente têm essa vocação. Para ele, a mudança
nos critérios de seleção é necessária em
razão da nova realidade da carreira militar, que exige mão-de-obra
especializada,principalmente na área de tecnologia.
O deputado argumenta que a decisão
sobre o alistamento deve ser pessoal, e não uma imposição.
Alguns jovens simplesmente não têm vocação
para o militarismo e deveriam, em sua avaliação, ter assegurado
o direito de escolher seu futuro profissional. "Nossa proposta também
visa à garantia da liberdade individual", ressalta.
Tramitação
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania
vai analisar a admissibilidade da PEC. Se for admitida, a proposta será examinada
por uma comissão especial, antes de ser votada em dois turnos pelo Plenário.
|
Agência Câmara,
22 de julho de 2008
Projeto inclui empregados em conselho
de empresa pública
O Projeto de Lei 3407/08, do Executivo, muda as regras dos conselhos de administração
das empresas públicas e sociedades de economia mista e demais empresas
em que a União, direta ou indiretamente, detém a maioria do capital
social com direito a voto. O texto prevê a participação
no conselho de representantes dos empregados, escolhidos pelo voto destes,
em eleição direta, organizada pela empresa, em conjunto com as
entidades sindicais que os representam. A proposta altera as Lei das Sociedades
Anônimas (6.404/76) e a Lei 10.303/01, que modificou a anterior.
Pelo projeto, somente as empresas
com mais de 200 empregados poderão eleger diretamente um representante
para o conselho de administração, assegurado o direito
da União de ter a maioria de seus integrantes. O escolhido deverá preencher
todos os requisitos previstos em lei e no estatuto da empresa, como os
demais conselheiros.
Limitações
A proposta proíbe que o representante dos empregados no conselho participe
de discussões e deliberações sobre temas que envolvam
relações sindicais, remuneração, benefícios
e vantagens, inclusive matérias de previdência complementar e
assistenciais, para que não haja interesse conflitante com o da empresa.
A proposta garante ainda ao acionista
majoritário a maioria no conselho de administração,
ficando autorizado, se necessário, o aumento do número
de conselheiros para assegurar o direito do acionista controlador de
eleger a maioria dos conselheiros.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo nas comissões de Trabalho,
de Administração e Serviço Público; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
Íntegra
da proposta:
- PL-3407/2008
|
Agência Diap, 22 de
julho de 2008
VOLTA AO TRABALHO
Correios: após 21 dias, greve
dobra ECT e termina vitoriosa
Após 21 dias de paralisação,
os funcionários da ECT (Empresa de Correios e Telégrafos)
voltaram a trabalhar normalmente, a partir desta terça-feira (22).
Segundo a Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores
em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares), 22 sindicatos
filiados à entidade já haviam aprovado o acordo com a empresa
e, oficialmente, a greve está encerrada.
" Este acordo significa uma vitória dos trabalhadores, ainda que
parcial, uma vez que o presidente dos Correios simplesmente não queria
negociar", afirma o diretor de Finanças do Sintcom-PR, Sebastião
Cruz.
" A organização dos trabalhadores venceu a arrogância
de Carlos Henrique Custódio [presidente da empresa]. Ele deveria ser processado
por má gestão pública e pelo transtorno causado aos trabalhadores
e à população brasileira”, agrega.
Para oficializar a conclusão do movimento pelo menos 18 sindicatos,
entre 33 filiados à Fentect, precisariam aprovar em assembléia
o acordo, que foi fechado no último sábado (19).
Os sindicatos que aprovaram o acordo foram: Alagoas, Acre, Amazonas, Bahia,
Campinas (SP), Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão,
Mato Grosso, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Ribeirão Preto
(SP), Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina,
Santos, São José do Rio Preto (SP), São José dos
Campos (SP) e Sergipe.
"Vitória dos trabalhadores, essa é a frase que deve ser dita
em todos os setores da empresa. A Fentect, os sindicatos e principalmente os
trabalhadores, estão de parabéns pela maturidade demonstrada na
luta, e, principalmente, pela unidade que foi assegurada até o momento
final do impasse que possibilitou o acordo de encerramento da greve", comemora
o boletim da Fentect do último domingo (20).
Acordo
Na reunião que contou com a presença de representantes dos trabalhadores,
da empresa e do ministro das Comunicações, Hélio Costa,
ficou definido que será pago um adicional de 30% de risco para 43 mil
carteiros. Aos demais funcionários da distribuição e aos
atendentes em guichê de agência, a empresa continuará pagando
o valor fixo de R$ 260.
Também pelo acordo, os dias parados não serão descontados,
mas compensados mediante banco de horas, e os Correios e a Fentect voltarão
a discutir, em agosto, na data-base da categoria, os termos do Plano de Cargos,
Carreiras e Salários de 2008. O crédito do vale-refeição – alimentação
ou cesta – será efetuado após o encerramento da greve.
No boletim Fentect, os sindicalistas afirmam que o encontro deixou "clara
a intenção de alguns dirigentes da empresa, de querer desmoralizar
o movimento sindical, levando o ministro a acreditar que, a ECT estava cumprindo
o Termo de Compromisso na integra, e que os trabalhadores é que estávamos
agindo de forma irresponsável".
Contudo, os trabalhadores reconheceram o esforço do governo para dar
fim ao impasse. "Avaliamos que a intervenção de Lula foi
decisiva para o recuo tanto do presidente dos Correios quanto do ministro das
Comunicações", observa Nilson Rodrigues dos Santos, secretário-geral
do Sintcom-PR. "Tivemos um contato direto com Lula logo nos primeiros
dias de greve. E ele se mostrou contrariado com o fato de o termo de compromisso
ter sido descumprido."
Serviços
Os Correios estimam que serão necessários cerca de 10 dias para
regularizar os serviços de entregas de correspondências e encomendas
em todo o país. Durante a greve, cerca de 130 milhões de cartas
estão com a entrega atrasada, segundo o último levantamento da
empresa.
Até sexta-feira, quando a paralisação completava 18 dias,
420,6 milhões de correspondências haviam sido postadas pelos clientes
durante a paralisação, mas apenas 69% haviam chegado ao destino.
Entre as encomendas, 96,4%, de 10,2 milhões de pacotes, já haviam
sido entregues.
De acordo com os Correios, o volume diário normal é de 33 milhões
de objetos circulando pela empresa. A expectativa para regularizar as entregas
se deve ao compromisso dos grevistas em compensar as horas não trabalhadas.
A assessoria da empresa informou, nesta segunda-feira (21), que os serviços
com hora certa – Sedex 10, Sedex Hoje e Disque Coleta – que garantem
prazo de entrega, voltam funcionar a partir de hoje. (Fonte: Vermelho)
Veja a íntegra do Termo
de Compromisso que encerrou a greve.
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
22/07/2008
TST homologa acordo dos Correios
O presidente do Tribunal Superior
do Trabalho, ministro Rider Nogueira de Brito, assinou no final da tarde
de ontem (21) despacho homologando o acordo firmado entre a Empresa Brasileira
de Correios e Telégrafos e a Federação dos Trabalhadores
da categoria, a Fentect, determinando, como conseqüência,
a extinção do processo de dissídio coletivo. Com
isso, não mais haverá o julgamento da ação,
que estava previsto para amanhã, pela Seção Especializada
em Dissídios Coletivos (SDC).
A homologação se
deu “ad referendum” (ato praticado através da delegação
de competência) da SDC, na medida em que a Presidência encontra-se
respondendo por todos os órgãos, em função
das férias coletivas dos demais ministros do Tribunal.
|