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FOLHA
DE SÃO PAULO, 23 de julho de 2008 | Dinheiro
Governo desiste de acabar com autonomia
do Sistema S
Sob pressão, Planalto acerta regras para
apenas parte dos recursos das entidades | Acordo prevê que Senai
e Senac deverão destinar percentuais crescentes das receitas para
custear vagas gratuitas em cursos técnicos
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Temendo o embate político
com setores empresariais da indústria e do comércio,
o governo desistiu de acabar com a autonomia do Sistema S na gestão
de R$ 4,8 bilhões, que hoje são aplicados livremente
pelas entidades. Ontem, foi firmado acordo entre governo e confederações
patronais estabelecendo regras para o uso de apenas uma parte desses
recursos.
A partir do ano que vem, os serviços de aprendizagem da indústria
(Senai) e do comércio (Senac) deverão destinar percentuais crescentes
de suas receitas líquidas para bancar vagas gratuitas em cursos técnicos.
No caso dos serviços sociais de cada setor (Sesi e Sesc) uma parcela
também crescente da receita deverá ser aplicada em educação
básica e ações educativas.
O acordo estabelece que Senai e Senac deverão passar a investir, até 2014,
66,6% de sua receita na gratuidade. Para a indústria, o ponto de partida é 50%
dos recursos a partir de 2009. Para o comércio, é 20% (veja quadro
ao lado).
Ao final da transição, porém, um terço da receita
dessas entidades continuará sem regras para aplicação.
No acordo, o governo também deixou de lado outras entidades que integram
o sistema, como as ligadas a transportes e agricultura.
Reforma
Em março, o governo havia anunciado proposta mais abrangente de reforma
do Sistema S. A idéia era disciplinar, com a criação de
um fundo, a aplicação de 40% da receita do sistema, que deverá contar
neste ano com um total de R$ 8 bilhões. Um projeto seria enviado ao
Congresso para fixar as diretrizes para o uso do dinheiro.
Desde os anos 40, quando foi criado, o sistema não passa por mudanças.
Todas as tentativas de reformá-lo foram barradas pelo lobby das confederações
patronais. Com o anúncio do governo, a proposta do presidente Lula também
passou a ser bombardeada por líderes empresariais. A CNI (Confederação
Nacional da Indústria) chegou a classificar as mudanças de "estatizantes" e "intervencionistas".
Os defensores do sistema não se cansaram de repetir que o próprio
presidente havia se diplomado torneiro mecânico pelo Senai.
A Folha apurou que, diante da pressão e para evitar o confronto político
no Congresso, o governo buscou conciliar interesses e recuou nos planos de
promover mudanças na legislação. A saída foi fechar
um acordo sem alterações profundas.
Tabu
"Isso não é fruto de concessão por nenhuma das partes.
Ninguém abriu mão de princípios "imovíveis".
O acordo foi feito sobre o que foi possível compatibilizar", disse
ontem o ministro Fernando Haddad (Educação). O governo considera,
porém, que obteve uma vitória nas negociações porque
conseguiu derrubar o tabu de que o Sistema S era "imexível".
"Prevaleceu o bom senso. Medidas que partem de um modelo intervencionista às
vezes não produzem os resultados esperados", também comemorou
o presidente da CNI, Armando Monteiro Neto.
"Agora a gratuidade será compulsória. Antes queríamos
aplicar a gratuidade, mas tínhamos dificuldades porque as entidades regionais
não permitiam", declarou o presidente da CNC (Confederação
Nacional do Comércio), Antônio de Oliveira Santos.
Haddad afirmou que o acordo com o sistema representa apenas o começo
de uma nova agenda que o governo conduzirá em relação às
entidades.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
23 de julho de 2008 | Dinheiro
Para especialistas em educação,
acordo foi alternativa "palatável" para a disputa
DA SUCURSAL DO RIO
Para especialistas consultados
pela Folha, prevaleceu o bom senso de ambos os lados no momento de fechar
o acordo e acabar com o embate entre o Ministério da Educação
e as entidades do sistema S.
Para o educador Arnaldo Niskier, ex-secretário de Educação
do Rio de Janeiro e membro da Academia Brasileira de Letras, o termo de compromisso
assinado ontem é "palatável" para os dois lados.
" Foi um final feliz. Eu considerei equivocada a posição do
MEC de querer seqüestrar os bens do sistema S, mas o importante agora é destacar
que houve bom senso e cordialidade na negociação. O governo ganhará milhares
de vagas gratuitas no ensino técnico profissional e o Sistema S não
terá nenhuma perda substancial de recursos", diz Niskier.
Ele destaca também como outro aspecto positivo evitar que o projeto
de lei tramitasse pela Câmara e pelo Senado.
" Não passar pelo Congresso, nesse caso, é um ganho para a
democracia, já que o Congresso aproveitaria, como sempre faz, para acrescentar
alguns aspectos à lei que poderiam ser trágicos. Em termos operacionais,
foi uma decisão muito inteligente. O país está crescendo
e tem necessidade urgente de formação de recursos humanos",
afirmou.
O consultor João Batista Araújo e Oliveira, presidente do Instituto
Alfa e Beto, também considera que o acordo foi uma boa saída
para a disputa que o ministério e as entidades estavam travando, mas
lamenta o fato de não terem sido discutidas questões importantes
sobre a formação técnica.
" A disputa acabou sendo por dinheiro e poder e perdemos mais uma vez a
oportunidade de discutir que tipo de mão-de-obra deve ser formada. Esse
era o debate importante, mas que deixamos de fazer", diz Oliveira, ex-secretário-executivo
do MEC. De acordo com ele, a formação profissional hoje é apenas
um "apêndice do ensino médio" e está desvinculada
da formação profissional de que o país necessita. Ele cita
como exemplo a carência na formação de recursos humanos para
o setor de serviços.
" Ainda damos a muitos alunos a mesma formação que o presidente
Lula recebeu [como aluno do curso de torneiro mecânico do Senai]. No mundo
inteiro, no entanto, o setor que mais se expande é o de serviços,
que tem necessidade de garçons, trabalhadores de telemarketing, vendedores..."
Oliveira critica ainda o fato de em muitas escolas técnicas -inclusive
federais- a formação estar desvinculada do mercado de trabalho. "Se
pegarmos vários Cefets [Centros Federais de Educação Tecnológica],
quase todo mundo vai depois para a universidade. É um curso excelente,
mas muitas vezes dado por professores que têm horror de fábrica."
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AGÊNCIA DIAP, 23 de
julho de 2008
DEBATE INSTITUCIONAL
Lula pede prioridade para reforma política
de consenso
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva pediu prioridade para as discussões da reforma
política após as eleições municipais
de outubro, mas recomendou que a proposta não deve ser "carimbada" como
iniciativa do Planalto, e sim um debate institucional com participação
do Congresso, dos partidos e de toda a sociedade. A questão
foi tratada na reunião de coordenação política,
nesta terça-feira (22), em Brasília.
Lula determinou que os ministros
de Relações Institucionais, José Múcio, e
da Justiça, Tarso Genro, procurem os presidentes da Câmara,
Arlindo Chinaglia (PT/SP), e do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB/RN),
as direções e as lideranças das bancadas dos partidos
para estimular o diálogo em torno da reforma política.
Além de Múcio e Tarso, participaram da reunião os
ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Guido Mantega (Fazenda), Paulo
Bernardo (Planejamento) e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência).
Em 207, uma tentativa de reforma
política, nascida no Congresso e acompanhada pelo Governo com
simpatia, mas sem engajamento, terminou abortada. Uma votação
no plenário da Câmara derrubou a proposta reformista, que
propunha inovações modernizadoras e moralizadoras, como
o voto em listas fechadas de partidos e financiamento público
das campanhas eleitorais.
Os movimentos sociais, que apoiaram
o projeto mesmo admitindo seus limites, tiraram da derrota a conclusão
de que seria necessária uma maior participação política
da sociedade civil para garantir as mudanças.
Na área econômica,
Lula cobrou mais visibilidade para os investimentos e obras do governo
federal, destacando projetos de hidrelétricas e siderúrgicas..
O objetivo é indicar à população que há razões
para otimismo e as ações estão sendo executadas.
Segundo a imprensa, o presidente afirmou durante a reunião semanal
que há uma desaceleração do processo inflacionário.
(Fonte: Vermelho)
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CONGRESSO EM FOCO, 23 de
julho de 2008
AMB divulga lista de candidatos com "ficha
suja"
A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) divulgou há pouco
a relação dos candidatos para as próximas eleições
municipais que respondem a ações penais públicas e improbidade
administrativa. (confira
a relação dos candidatos com ficha suja)
De acordo com a instituição,
o deputado Paulo Maluf (PP-SP), candidato à prefeitura de São
Paulo, é o que mais responde a ações: são
quatro penais e três por improbidade administrativa. A candidata
a vice na chapa de Maluf, a também deputada federal Aline Corrêa
(PP-SP), responde a uma ação penal por formação
de quadrilha, entre outras acusações. A ex-prefeita paulistana
e ex-ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT), que também concorre à prefeitura
de São Paulo, também foi citada na lista divulgada pelos
magistrados.
Ficam de fora da lista ações
penais privadas e os inquéritos policiais. Dessa forma, dentre
350 candidatos, apenas 15 apresentam “ficha suja”.
Desses 15, nove são candidatos
a prefeito e seis a vice. A AMB divulgará a relação
completa sobre os candidatos a vereador nas capitais até o final
de agosto. A associação ressalta que o banco de dados “será periodicamente
alimentado, tão logo os juízes eleitorais de todo o Brasil
encaminhem as informações referentes às suas zonas/municípios”.
Segundo o secretário-geral
da AMB, Paulo Henrique Machado, a divulgação da lista “não
está ferindo a presunção de inocência” dos
candidatos. “Mesmo não existindo condenação, é um
dado público”, afirmou.
“Todos os dados disponibilizados
foram rigorosamente checados para evitar que informações
incorretas venham a prejudicar qualquer candidato. A intenção
da AMB é apenas facilitar o acesso da população
e da imprensa a informações públicas, que podem
balizar e fundamentar a escolha dos eleitores e, assim, contribuir
para que as eleições de 2008 transcorram da maneira mais
transparente possível”, destaca a entidade. (Sofia
Fernandes e Rodolfo Torres)
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VERMELHO,
23 de julho de 2008 | Brasil
Grandes partidos têm menos candidatos
que em 2004

Dos seis maiores partidos brasileiros, apenas o PMDB lançou na eleição
de outubro um número maior de candidatos que o da eleição
municipal passada, em 2004. Os outros cinco estão lançando menos
candidatos a prefeito, a vice e a vereador, conforme a totalização
do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) até a noite desta terça-feira
(22). Veja o quadro, partido por partido.
Fonte: TSE O Tribunal informa
que "os números ainda podem ser alterados pela inserção
de dados pelos cartórios eleitorais", porém não
devem ocorrer grandes mudanças. A tabela ao lado mostra que
a redução atingiu desde o PT, que teve uma quebra de
9,4% das candidaturas (na soma dos três cargos) até o
PSDB, com quebra de 4,9%, e pior ainda o PFL, com redução
de 18,3%.
Oposicionistas têm menos
candidatos
Sempre tomando como base a
soma dos candidatos aos três cargos, 11 dos 27 partidos existentes
tiveram aumento no número de candidaturas. Outras 14 legendas
apresentaram redução.
O PRB e o PSOL não
podem ser incluídos na contagem, pois foram registradas no intervalo
entre as duas eleições. Ambas as siglas registraram candidatos
a prefeito e vice dentro do padrão das siglas de porte intermediário.
Mas no caso das candidaturas a vereador as candidaturas do PSOL são
sensivelmente menos numerosas.
Entre os partidos médios
e pequenos, não há uma tendência uniforme. Às
vezes, uma mesma sigla elevou o número de candidatos a prefeito
e reduziu suas chapas para vereador, ou viceversa.
As siglas da base de apoio ao governo Lula mostram os mais diferentes comportamentos.
Já as da oposição apresentaram todas uma quebra do número
de candidatos. O recuo do PPS foi ainda mais nítido que o do PFL, de
21,3% no total. Os pequenos partidos de "oposição pela esquerda",
PSTU e o PCO, foram os que tiveram maior queda de candidaturas.
Em média, três candidaturas
por cidade
Quatro partidos elevaram em
mais de 20% o número de candidatos aos três cargos em
disputa: PSB, PV, PCdoB e PCB. PSB, PCdoB e PV tiveram os maiores aumentos
em números absolutos: mais de 3 mil candidatos a mais que em
2004. Em termos relativos, sobressaem o PCB, com aumento de 73,2%,
e o PCdoB, com crescimento de 70,4%.
Em média, três
concorrentes por prefeitura
Na soma de todas as siglas
concorrentes, houve um aumento de 2,5% no número de candidatos
a vereador; e uma redução da mesma ordem nas candidaturas
a prefeito e vice. Provavelmente a queda indica uma maior tendência à prática
de coligações. Em média, haverá em outubro
pouco menos de três candidatos concorrendo a cada prefeitura;
este número tende a subir nas cidades maiores, chegando a 11
nas metrópoles de São Paulo e Rio de Janeiro; mas em
pequenos municípios pode se haver uma só candidatura: é o
caso da cidade de Brejões, 11 mil eleitores, na região
baiana de Jequié, onde o agricultor Alan Santos, do PCdoB, é o único
candidato a prefeito.
O número de candidaturas
não guarda uma relação necessária com as
chances eleitorais de cada partido. Um maior número de candidatos
nem sempre conduz a um maior número de vitórias, e há grandes
disparidades de peso político entre os 5.567 municípios
que irão às urnas em outubro.
Com informações do TSE
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VERMELHO, 23 de julho de
2008 | Mídia
Eleições 2008: número
de sites de candidatos cresce 272,9%
Pesquisa realizada na Pós-Graduação
do Instituto de Ciência Política da Universidade de
Brasília (UnB), com dados do Comitê Gestor da Internet
no Brasil (CGI.br) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta
aumento de 272,9% do domínio “can.br” entre as
eleições municipais de 2000 e as últimas eleições
para vereador e prefeito, em 2004.
O trabalho utiliza a relação
de sites registrados por candidatos sob o domínio "can.br",
criado nas eleições municipais de 2000. Naquele ano, foram
registrados 590 sites. Em 2004, o número mais que triplicou, alcançando
2,2 mil domínios (crescimento de 272,9%).
Na comparação das
eleições estaduais e federais de 2002 e 2006, a evolução é ainda
maior, com um salto de 542 para 2.639 sites, um aumento de 386,9%.
De acordo com o CGI.br, o aumento
do número de sites nas eleições federais e estaduais é ainda
mais significativo em relação ao das eleições
municipais se comparado ao número total de candidatos. No ano
2000, apenas 0,2% dos candidatos a prefeito e vereador tinha site eleitoral,
passando em 2004 para 0,6%. Já nas eleições federais
e estaduais, o aumento foi de 3,2% em 2002 para 14,5% em 2006.
Os percentuais também
variam de acordo com a vaga disputada no último pleito: 62,5%,
para os candidatos a presidente; 43%, para governador; 29,8%, para senador;
18,6%, para deputado federal; e 12,1%, para deputado estadual e distrital.
Conforme a Resolução
TSE 22.718/2008, está disponível o registro de domínios
can.br para a campanha eleitoral 2008. No site da entidade, há a
evolução dos domínios can.br: http://registro.br/stat/can.br.html.
Fonte: Terra
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VERMELHO, 23 de julho de
2008 | Mídia
PT-PSDB estão juntos em mais
de mil cidades brasileiras
Maiores rivais na disputa pelo
poder político nacional, PT e PSDB não serão
tão adversários nas próximas eleições
municipais. Levantamento preliminar do Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) mostra que tucanos e petistas estarão juntos formalmente
em mais de mil coligações espalhadas por todo o país.
Esse número de alianças
deverá subir, já que o processamento de informações
sobre o registro das candidaturas ainda está sendo concluído.
Até agora, foram contabilizadas
alianças em 1.130 cidades. Isso equivale a 20,3% do total dos
5.565 municípios existentes no Brasil. Algo como uma coligação
entre tucanos e petistas a cada cinco cidades.
A constância nessa parceria
acabou se revelando como uma das maiores surpresas da próxima
eleição, uma vez que PT e PSDB têm polarizado as
disputas pela sucessão presidencial desde 1994.
Porém, as alianças
restringem-se basicamente às cidades menores. Nos 79 municípios
com mais de 200 mil eleitores,onde há possibilidade de haver segundo
turno, a orientação da direção nacional do
PT foi não participar de coligações nas quais o
PSDB, o DEM e o PPS, partidos que fazem oposição ao governo
Lula, estivessem presentes. O caso mais emblemático foi Belo Horizonte,
onde o PT só aceitou apoiar o candidato do PSB à prefeitura,
Márcio Lacerda, depois que o PSDB do governador Aécio Neves
conformou-se em dar apoio informal à candidatura.
Em outras grandes cidades, a
direção nacional do PT permitiu alianças com a oposição.
Entre estas cidades estão Palmas, capital do Tocantins, São
Vicente (SP), Nova Friburgo (RJ), Nova Iguaçu (RJ), Canoas (RS),
Criciúma (SC), Itajaí (SC), Guarujá (SP), Araguaína
(TO), entre outras.
A cúpula petista
não aprovou nenhuma coligação, nestas cidades,
em que o candidato a prefeito seria do PSDB, DEM ou PPS - com exceção
de Montes Claros, onde o prefeitos Athos Avelino, do PPS, foi eleito
com o apoio dos petistas.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
23 de julho de 2008 | Dinheiro
MONTADORAS
GM espera investir US$ 1 bi a mais
no Brasil
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A GM do Brasil aguarda a aprovação
da matriz para investir mais US$ 1 bilhão em desenvolvimento de
novos produtos no país. O montante soma-se ao US$ 1,5 bilhão
que já vem sendo aplicado desde 2007 para novos projetos e aumento
na produção.
A própria crise por que passa a GM nos Estados Unidos confere à subsidiária
brasileira maior poder de convencimento sobre a matriz, já que as vendas
da montadora no Brasil continuam em ritmo acelerado, diz o vice-presidente
da GM do Brasil, José Carlos Pinheiro Neto. "Nesse sentido, a situação
americana até beneficia o Brasil", afirma. "Hoje, quando vamos
para os EUA, o Rick [Wagoner, presidente-executivo da GM] nos chama para almoçar.
Nem sempre foi assim", conta Pinheiro Neto, ao dar a medida da importância
do Brasil para a GM mundial.
Ontem, a fabricante de motores MWM International assinou com a GM do Brasil
contrato que prevê o fornecimento de 420 mil motores a diesel entre 2011
e 2018 para uma nova família de utilitários que a GM quer lançar
no país.
A montadora -que já fabrica a Blazer e a picape S10 com motores da MWM-
quer aumentar sua presença nesse segmento, que oferece maiores margens
por unidade.
"É preciso vender três automóveis compactos para se
alcançar a mesma lucratividade de um carro grande", diz o presidente
da GM no Brasil e Mercosul, Jaime Ardila.
(PAULO DE ARAUJO)
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FOLHA DE SÃO PAULO,
23 de julho de 2008 | Dinheiro
Metalúrgicos chegam a 100 mil
no ABC
DA REPORTAGEM LOCAL
A criação de empregos
no ABC paulista, principalmente nas montadoras e nas autopeças,
levou os metalúrgicos da região a atingir o número
de 100 mil trabalhadores em sua base, segundo pesquisa divulgada pelo
Dieese.
"É o melhor resultado dos últimos 13 anos. Em 1995, havia
110 mil trabalhadores na base", diz Sérgio Nobre, presidente do Sindicato
dos Metalúrgicos do ABC (CUT).
Desde 2003, foram contratados 22.325 trabalhadores. Nos últimos 12 meses,
foram 7.300 -sendo 2.000 nas montadoras e 1.800 nas autopeças.
Juntos, os 100 mil trabalhadores receberam R$ 283 milhões em junho. "O
crescimento do emprego é resultado das políticas industriais
adotadas, dos investimentos na região e da melhora na escolaridade e
qualificação dos trabalhadores", diz Nobre. (CR)
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GAZETA DO POVO, 23 de julho
de 2008 | Vida Pública
Gilmar Mendes
Senado arquiva pedido de impeachment
O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), decidiu ontem arquivar o
pedido de impeachment do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar
Mendes, protocolado por manifestantes ligados à Central Única
dos Trabalhadores (CUT) na última sexta-feira. Garibaldi recomendou
o arquivamento do pedido por considerar que faltam “elementos jurídicos” para
a sua fundamentação.
O senador usou como base o parecer
do advogado do Senado, Alberto Cascais, divulgado ontem. No parecer,
o advogado recomenda o arquivamento ao afirmar que o pedido de impeachment
não aponta condutas de Mendes que configurem o seu afastamento
do cargo.
Após o recesso parlamentar,
Garibaldi vai apresentar sua decisão de arquivar o pedido à Mesa
Diretora do Senado. A expectativa é que os integrantes da Mesa
sigam a decisão de Garibaldi – uma vez que, tradicionalmente,
o comando da Casa Legislativa apenas referendam a decisão do presidente
em casos semelhantes a esse.
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FOLHA DE LONDRINA, 23 de
julho de 2008
Mulheres no mercado de trabalho
Preconceito ainda existe
Acredito que as mulheres têm
muito a oferecer ao mercado e estão buscando se especializar cada
vez mais, fazendo cursos específicos, viajando, conhecendo novas
culturas, e mais independentes, o que conta muito a nosso favor.
Ainda há preconceito com
a mulher no mercado de trabalho, com aquele velho conceito da fragilidade
feminina, que a mulher não é provedora da família.
Conceito esse totalmente ultrapassado, pois a mulher, apesar de toda
fragilidade que demonstra, tem uma força muito grande, é muito
guerreira, inteligente e também sensível, capaz de se colocar
no lugar do outro.
Infelizmente, o preconceito
em relação às mulheres sempre irá existir,
pois estamos no século XXI e ainda lutamos contra esse problema.
Cabe a nós, mulheres, a exemplo dos negros, combater o preconceito
e buscarmos nosso espaço, lutarmos pelo que acreditamos, e nunca
acharmos que não teremos capacidade de concorrer por sermos
mulheres ou por sermos negros quando nos depararmos diante de uma situação
de competitividade.
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GAZETA DO POVO, 23 de julho
de 2008
Empreendedorismo
Aposentadoria feminina requer preparo
extra
Livro ensina às mulheres os passos
para se aposentar com tranqüilidade. Uma boa opção
está no recomeço profissional

Você já pensou na sua aposentadoria ou é daquelas pessoas
que nem pode ouvir falar no assunto? Se o seu caso é o segundo, saiba
que não está sozinho: de cada cem pessoas que se aproximam da
idade de se aposentar, apenas duas são financeiramente independentes.
Trocando em miúdos, uma minoria se prepara para essa inevitável
fase da vida. Para os consumistas de plantão, a má notícia é que,
segundo pesquisas, 80% da população aposentada do país
vive com até dois salários mínimos, sendo que 24% do orçamento é engolido
pelo supermercado e 15%, por gastos com saúde.
Levando-se em conta que a expectativa
de vida entre as mulheres é oito anos maior do que entre os homens,
está mais do que na hora de rever conceitos. Para a comentarista
econômica Mara Luquet, a resistência à aposentadoria
começa pelo estigma da palavra, associada ao fim da vida, o que
não é verdade. A mulher de 50, 60 anos, graças aos
avanços da medicina e da ativa participação no mercado
de trabalho, quer distância das agulhas de tricô.
“O grande desafio é desmistificar o envelhecimento e varrer da cabeça
idéias soturnas. Se você pensar no conceito de independência
financeira e nas coisas boas que a aposentadoria pode proporcionar, a idéia
muda de figura”, diz Mara, que, juntamente com jornalista Andréa
Assef, divide a autoria do livro Aposentada Ficava a Sua Avó – um
Guia de Independência Financeira das Meninas Iradas! (Editora Saraiva). “A
autonomia financeira liberta a pessoa de um trabalho chato, e encoraja novos
desafios.”
Além de exercer uma atividade
prazerosa, não se deve esquecer que, para viver bem e sem aborrecimentos
muito além dos 60, é preciso evitar dívidas, ter
um fundo generoso de reserva e um custo fixo baixo. No Brasil faltam
pesquisas a respeito, mas nos Estados Unidos estudos apontam que a incidência
de pobreza entre mulheres na terceira idade é de 20%.A partir
de uma experiência pessoal, Teresa Heinz Kerry, esposa do político
John Kerry fundou uma organização não-governamental
(ONG) que promove a educação financeira das mulheres. Quando
perdeu o primeiro marido, revelou que se sentiu insegura quanto ao futuro.
Se ela, uma mulher bilionária, ficou insegura, imagine as outras?
Segundo Mara, culturalmente,
a mulher – “sobretudo a latina” – é muito
sensível às demandas da família e, por isso, não
se preocupa com um sistema de poupança pessoal. Há também
a questão econômica. Quando empregadas, as mulheres ganham
em média 30% a menos do que os homens brasileiros. Isso sem contar
as chefes de família (18,5 milhões em 2006, segundo o IBGE),
responsáveis diretas pelas despesas da casa, saúde, educação,
transporte e alimentação dos filhos.
Novo negócio pode ser
uma das saídas
É preciso ter fôlego físico e financeiro para viver mais
do que as avós. Não se pode contar exclusivamente com os parcos
rendimentos da Previdência Social e do sistema público de saúde, à beira
de um colapso, não só no Brasil. A saída é partir
para um plano B, como abrir um negócio próprio, investir numa segunda
carreira ou aplicar o dinheiro. Tudo vai depender da idade, tempo que falta para
se aposentar, fontes de renda, moradia (própria ou alugada) e montante
de dinheiro disponível para investimentos.
“Na dúvida, invista
pouco e sempre”, aconselha Mara. Antes de se decidir por um plano
de previdência, analise os prós e contras, pois alguns são
bons, porém muito caros. Lembre-se que, ao adquirir um plano de
previdência, você também paga impostos. Caso a opção
seja investir em ações, avalie se vai se sentir confortável
com os riscos que vai correr. Outra dica importante é fugir de
planos que oferecem lucros mirabolantes, com garantia de risco zero.
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O ESTADO DO PARANÁ,
23 de julho de 2008 | Economia
Recursos públicos estão
em jogo
A explosão de organizações do Terceiro Setor é um
fenômeno mundial e, pelo visto, irreversível. No Brasil, as Organizações
da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) se apresentam em número
crescente disputando o papel de auxiliares da gestão pública
nos mais diversos setores, mas, principalmente, nas áreas críticas
da educação e da saúde. Nesta última, destacam-se
os programas nacionais da Saúde da Família, de Agentes Comunitários
de Saúde, de Combate a Endemias e de Atendimento Móvel de Urgência.
É verdade que temos legislação
fundamentando a participação das Oscip em ações
que deveriam ser exclusivas de órgãos públicos (
Lei n.º 9.790/99 e Decreto n.º 3.100/99). O Estado, neste caso,
procura minimizar, advogando o direito de valer-se da competência
e estratégias do setor privado para dar conta dos problemas sociais,
ficando na posição de coordenador das políticas.
Assim fosse!
O que preocupa mesmo é que
essa parceria resvale para a corrupção escancarada ou para
o fisiologismo e o clientelismo, atendendo interesses político-partidários
por meio de acertos, já que o processo, para escapar de engessamentos,
exclui burocracias e exigências fundamentais na gestão pública.
Segundo o Tribunal de Contas da União, metade das prestações
de contas das entidades do terceiro setor apresenta irregularidades e
erros. Somente o governo do Paraná transferiu R$ 384 milhões
a Oscip, no período de 2003 a 2006.
Segundo o próprio site
oficial que, no entanto, não dá informações
específicas, prejudicando a transparência, os números
de repasses vêm crescendo: R$ 41,1 milhões em 2003, 103,5
milhões em 2004, R$ 110,3 milhões em 2005 e R$ 129,1 milhões
em 2006. Pena que não vingou a idéia de uma CPI das Oscip
na Assembléia Legislativa do Estado. A iniciativa, na pior das
hipóteses, promoveria o debate em torno da questão, daria
a real dimensão dos estragos em orçamentos oficiais e incentivaria
a adoção de mecanismos de prevenção de fraudes.
Ainda é tempo!
É verdade que o Tribunal
de Contas do Paraná assumiu o compromisso de fiscalizar rigorosamente
esses contratos.
É o que a sociedade paranaense
espera. Afinal, recursos públicos estão em jogo. É necessário
refazer o trajeto da aplicação do dinheiro, conferir se
foi bem empregado, apontar e punir as organizações que
estão se aproveitando da
frouxidão das regras.
Que a fiscalização
não fique no plano da simples verificação de documentos.
A corrupção, no Brasil, vale-se, e muito, do formalismo
vigente em nosso sistema de fiscalização. Seria indiscutivelmente
produtiva a criação de um cadastro nacional de organizações
irresponsáveis. Iniciativa louvável é o esforço
de integrar os órgãos de fiscalização - tribunais
de contas do estado e da União, Ministério Público,
Polícia Federal, Banco Central, Receita Federal e outras instâncias.
O CRC também está nessa frente. Não haveria transparência
plena, contudo, sem a participação da sociedade.
Paulo Caetano é contador,
empresário da contabilidade e presidente do CRCPR; e-mail: pcaetano@pcaetano.com.br
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FOLHA DE LONDRINA, 23 dee
julho de 2008 | Curitiba
Trabalho escravo preocupa
Quando começou a atuar no Ministério Público do Trabalho
(MPT), o procurador Gláucio de Oliveira se surpreendeu com a quantidade
de casos de escravidão encontrados no Paraná. De acordo com o
Ministério do Trabalho, em 2007, 129 trabalhadores foram resgatados
no Estado, em 2006 foram 40. ''Pensávamos que esse tipo de coisa só existia
no Norte do País'', lembra Oliveira.
Segundo ele, a maioria esmagadora
dessas ocorrências está ligada à cultura do pinus.
Para burlar a legislação trabalhista, os proprietários
de terras terceirizam o plantio e a derrubada das árvores através
de empreiteiros conhecidos como ''gatos'', que se encarregam de recrutar
os trabalhadores rurais para executar esses serviços.
Uma vez contratados, eles são
levados a alojamentos em meio às florestas, onde geralmente se
constata a ''condição degradante'', que caracteriza o trabalho
escravo.
''Tem muita gente que acha que
trabalho escravo é só a pessoa trabalhar de graça,
ou presa. Mas não é só isso'', explica o procurador.
O artigo 149 do Código Penal tipifica o crime de ''redução à condição
análoga de escravo'' como submeter uma pessoa a trabalhos forçados,
ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes,
quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em
razão de dívida contraída com o empregador preposto.
Ao serem obrigados a trabalhar
em alojamentos improvisados, sem água potável, nem banheiros,
muito menos condições de segurança e higiene e sem
as relações trabalhistas estabelecidas conforme a lei vigente,
caracteriza-se o regime de escravidão.
Como os ''gatos'' não
tem idoneidade financeira, muito menos condições de pagar
uma indenização trabalhista, as ações do
MPT têm como alvo os donos da terra, que são os verdadeiros
beneficiados por essa prática. Os fazendeiros optam por esse sistema
para reduzir os custos trabalhistas. Com isso o que se vê são
pessoas trabalhando sem as mínimas condições de
segurança nem garantia social. ''Já peguei até caso
de criança operando motosserra'', conta o procurador.
Submeter uma pessoa a regime
de escravidão tem pena de reclusão de dois a oito anos
e multa, sendo que essa pena pode ser acrescida da metade se o crime é cometido
contra uma criança. A grande maioria dos casos encontrados no
Paraná foram resolvidos com acordos entre os trabalhadores e
os fazendeiros. (A.A.)
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