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Agência Diap, 27
de julho de 2008
BANCÁRIOS
"Queremos todas as centrais
na mesa única de negociação", convida
Vagner
Numa demonstração de vontade de construir a unidade, a
abertura solene da 10ª Conferência Nacional dos Bancários,
na última sexta-feira (25) à noite, contou com a presença
de todas centrais sindicais com representação na categoria
(exceto uma), das 13 federações filiadas à Contraf/CUT
e dos maiores sindicatos de bancários do País.
"Hoje, mais uma vez vivemos um momento histórico,
porque temos aqui na mesa todo o movimento sindical bancário
brasileiro, de todos os matizes", saudou Vagner Freitas,
presidente da Contraf/CUT, em seu pronunciamento. "Entendemos
que a luta é de todos os trabalhadores e do outro
lado estão os patrões. Por compreender que
a unidade da categoria é importante, convidamos
todas as centrais para estarmos junto na mesa única
de negociação."
Além da CUT, participaram a UGT, a CTB, a Intersindical
e a Conlutas.
Todos os discursos pronunciados na abertura destacaram
a necessidade de manter a unidade, mesmo com a pluralidade
de ideologias, sem perder de vista os interesses e objetivos
da categoria bancária.
Vagner Freitas resgatou a história de lutas e conquistas
da categoria. "Nós construímos um movimento
fortíssimo, baseado na concepção de
uma sociedade socialista. A nossa luta é dos trabalhadores
contra o patrão".
Vagner disse ainda que a categoria não vai aceitar
o frágil argumento que os bancos querem estabelecer
nas negociações, de que aumento de salário é um
risco para a inflação. "Se existe um
setor que não tem crise é o financeiro. As
reivindicações desta campanha salarial podem
ser atendidas, pois ao longo dos últimos 40 anos
os bancos só lucraram".
Em sua manifestação, o presidente da CUT,
Arthur Henrique, salientou os desafios que serão
enfrentados pelas categorias em campanha salarial no segundo
semestre. "O início da construção
de um processo de unidade começa aqui, debatendo
as diferenças de concepções e de prática
sindical. Somente uma mobilização conjunta
de todas as categorias em campanha neste período é que
vai trazer avanços para os trabalhadores". (Fonte:
Contraf/CUT)
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Agência Diap, 27
de julho de 2008
RESUMO DA SEMANA
Economia, juros e queda no
déficit previdenciário foram destaque
Com o recesso do Congresso, as notícias se
deslocaram da política para a economia. Três
temas foram destaque: o aumento da taxa de juros, a redução
do desemprego e diminuição do déficit
da Previdência Social.
O recesso parlamentar se encerra no dia 1o de agosto (sexta-feira).
Desse modo, o Legislativo Federal volta a se reunir no
próximo dia 4 de agosto (segunda-feira). Na Câmara,
haverá sessão deliberativa, dando início
ao esforço concentrado de duas semanas. No Senado,
as atividades começam no dia 5.
Taxa de Juros
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco
Central, dentro da política governamental de estancar a explosão
inflacionária, aumentou em 0,75 ponto percentual a taxa básica
de juros (Selic), que subiu para 13%, a maior taxa dos últimos
18 meses. O percentual do aumento surpreendeu o mercado, que espera
0,5%, resultando na queda das bolsas de valores. Leia
mais
Só nos últimos três meses houve aumento
de 1,75% da taxa Selic. Na última reunião,
no início de junho, o Copom havia aumentado a taxa
de juros de 11,75% para 12,25% ao ano. Em abril, a alta
foi também de meio ponto percentual, com a taxa
passando de 11,25% para 11,75%. Antes, desde setembro do
ano passado, a taxa básica de juros (chamada de
Selic porque remunera os títulos depositados no
Sistema Especial de Liquidação e Custódia)
estava estacionada em 11,25%.
De acordo com os membros do Copom, formado por sete diretores
do Banco Central, foi preciso elevar a taxa para conter
o aumento do consumo interno e manter a inflação
o mais próximo possível do centro da meta
de 4,5% ao ano.
A decisão foi unânime. As centrais sindicais
fizeram uma vigília em frente à sede do Banco
Central em cinco capitais brasileiras por menos juros e
mais desenvolvimento. Leia
mais
Cai déficit da previdência
No primeiro semestre de 2008, segundo dados divulgados esta semana
pela secretária de Previdência do Ministério da
Previdência Social, o déficit previdenciário dos
trabalhadores do setor privado teve queda real (descontada a inflação)
de 21,2% em junho, reduzindo em R$ 2,863 bilhões, em relação
ao igual mês do ano anterior, quando foi de R$ 3,632 bilhões.
O saldo negativo nos seis primeiros meses do ano apresentou
retração de 17,5%, somando R$ 18,542 bilhões,
ante os R$ 22,472 bilhões de mesmo período
do ano passado. As causas, segundo o Ministério
da Previdência, foram a maior fiscalização
proporcionada pela Super Receita, controle na concessão
dos benefícios, especialmente as aposentadorias
por invalidez e o benefício de auxílio-doença,
além do crescimento da economia, que tem gerado
novos postos de trabalho.
Só de janeiro a junho, as receitas do INSS totalizaram
R$ 74,924 bilhões, com expansão real de 10,3%
frente aos R$ 67,920 bilhões em igual período
do ano passado. Já as despesas tiveram um aumento
menor, de 3,4%, atingindo R$ 93,467 bilhões, perante
os R$ 90,393 bilhões no primeiro semestre de 2007. Leia
mais
Desemprego: menor nível
desde 2002
Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística),
divulgados na última quinta-feira, indicam que a taxa de desemprego
no País ficou em 7,8% em junho, ante 7,9% em maio. Foi a menor
taxa para um mês de junho desde o início da série
histórica iniciada em março de 2002. Na comparação
com junho de 2007, o desemprego teve redução de 1,9 ponto
percentual.
Segundo o instituto, em relação a maio a
taxa de desemprego manteve-se "estatisticamente estável".
A população ocupada no país cresceu
1,1% em junho na comparação com maio. Em
relação a junho de 2007, o crescimento foi
de 4,5%.
A população ocupada atingiu o número
de 21,7 milhões de pessoas em junho, um crescimento
de 4,5% em relação a junho do ano passado;
já o contingente de pessoas desocupadas somou 1,8
milhão, ficando estável em relação
a maio, com queda de 17% em relação a junho
de 2007.
Ainda segundo o IBGE, o rendimento real dos trabalhadores
ficou em R$ 1.216,50 em junho, com uma variação
negativa de 0,3% em relação a maio e alta
de 1,7% em relação a junho de 2007. Leia
mais
Receita recorde do FGTS
O Ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, atribui ao forte crescimento
do emprego formal deste ano um recorde de arrecadação
do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT) e do Fundo de Garantia por
Tempo de Serviço (FGTS).
O anúncio foi feito na última quinta-feira
(24), em Brasília. Segundo o ministro, depois de
quatro anos consecutivos, o aumento da arrecadação
do FAT em 2008 deve superar o crescimento das despesas,
como o pagamento de abono salarial e do seguro-desemprego. Leia
mais
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Vermelho, 27 de julho de
2008
Crescimento ajuda trabalhador,
inflação e juros ameaçam
Em geral, o resultado das campanhas salariais que já foram
ou estão sendo fechadas neste ano, especialmente no segundo
semestre, revelam que muitas categorias estão conquistando acordos
relativamente bons, com reajustes acima da inflação e
mesmo redução da jornada de trabalho sem redução
de salários. O acordo que o Sindicato dos Metalúrgicos
de Caxias do Sul (RS) acaba de assinar com o patronato, prevendo um
reajuste acima do INPC acumulado em 12 meses, de 9,4%, bem como o dos
químicos paulistas do setor farmacêutico, que conquistaram
a redução da jornada para 40 horas semanais, sem prejuízo
para os salários, são dois exemplos eloqüentes neste
sentido.
Por Umberto Martins, no Portal da
CTB*
É , basicamente, em função do crescimento
da economia nacional que os ventos favorecem os interesses
dos assalariados, o que revela como é importante
para a classe trabalhadora a bandeira do desenvolvimento
com valorização do trabalho. Todavia, a aceleração
do processo inflacionário e a alta dos juros são
dois fatores que prometem sabotar o bom desempenho da economia
e dos salários, mudando (para pior) as perspectivas
da conjuntura.
Arrocho silencioso
A evolução do rendimento real dos trabalhadores
ocupados nas seis principais regiões metropolitanas
do país em junho (São Paulo, Rio, Belo Horizonte,
Recife, Salvador e Porto Alegre) já revela uma desaceleração
no crescimento da renda do trabalho, de acordo com a gerente
da pesquisa mensal de emprego do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo
Na comparação com maio, a renda média
real dos trabalhadores e trabalhadoras caiu 0,3%. Este
desempenho já reflete, em parte, a ação
corrosiva da inflação em alta, na opinião
da economista do IBGE, que poderá também
a ação de outros fatores, como as novas contratações
por salários inferiores aos dos que já estavam
ocupados.
Redistribuição da renda
A inflação é um instrumento silencioso
e perverso de redistribuição da renda entre
as classes sociais e a experiência histórica
demonstra, com fartura, que suas maiores vítimas
são os trabalhadores. Os salários perdem
poder de compra diariamente, pois não acompanham
a disparada dos preços, que de resto afeta principalmente
os alimentos. Isto significa que a inflação,
hoje, é maior precisamente para os mais pobres.
Para preservar o valor real dos salários ou minorar
as perdas, algumas categorias já estão reivindicando
redução do prazo de reajustes (atualmente
de uma vez a cada ano) ou alguma espécie de ''gatilho''
para garantir a correção da remuneração
toda vez que a alta dos preços alcançar certo
patamar.
Risco para o crescimento
A alta das taxas de juros, promovida a pretexto de combater
a inflação, também funciona contra
os interesses da classe trabalhadora, pois provoca uma
redução do consumo e dos investimentos, sacrificando
o crescimento da economia. A redução da taxa
de crescimento e a possibilidade de estagnação
econômica tendem a se desdobrar em aumento do nível
de desemprego e redução da renda do trabalho.
No curto prazo, a ameaça proveniente da política
monetária do Banco Central (que acaba de elevar
em 0,70%, para 13% ao ano, a taxa básica de juros)
ainda não se transformou em realidade. Porém,
poucos duvidam de que o resultado em médio prazo
será o desaquecimento do consumo e da atividade
produtiva.
Trabalho de Sísifo**
As categorias terão de intensificar os esforços
de mobilização e luta seja contra os efeitos
corrosivos da inflação seja contra a política
monetária do Copom, pois do contrário a modesta
recuperação do valor dos salários
irá por água abaixo ao longo dos próximos
meses ou anos, afogando ou adiando a esperança de
desenvolvimento com valorização do trabalho.
As estatísticas divulgadas pelo IBGE revelam que
o rendimento médio real dos assalariados nas seis
maiores regiões metropolitanas, de R$ 1.216,50 em
junho, sequer chegou ao patamar do valor registrado em
igual mês do ano de 2002, que foi de R$ 1.269,45.
Será preciso muita luta para evitar que a classe
trabalhadora brasileira seja condenada ao trabalho de Sísifo.
* Jornalista, editor do Portal da CTB;
fonte: http://portalctb.org.br
** Nota: Sísifo é um
personagem da mitologia grega, que a exemplo de Prometeu
foi encarado como um inimigo de Zeus (o deus dos deuses
olímpicos) e condenado, depois de morto, por toda
a eternidade, a rolar uma grande pedra de mármore
com as próprias mãos até o cume de
uma montanha, sendo que toda vez que ele estava quase alcançando
o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o
ponto de partida. Por isto, esforços inúteis
ou tarefas destinadas ao fracasso passaram a ser consideradas
como ''trabalho de Sísifo''.
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Vermelho, 27 de julho de
2008
Pochmann prioriza ''reforma tributária
que onere os ricos''
''Uma reforma tributária que onere os ricos'', é, ao lado
da reforma agrária, a prioridade defendida para o Brasil pelo
economista Marcio Pochmann. Desde o ano passado à frente do Ipea
( Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), e encarregado pelo
governo Lula de fazer um planejamento de médio prazo para o desenvolvimento
nacional, o professor da Unicamp voltou a defender este rumo nesta sexta-feira
(25), em Brasília, para um público de 825 sindicalistas
bancários de todo o país.
Pochmann: ''Só com tensão dos partidos, sindicatos''
''O Brasil tem estrutura agrária pior que de 1950.
O Brasil não fez e tem que fazer: reforma agrária
e tributária'', sublinhou o economista, convidado
a expor suas idéias na 10ª Conferência
Nacional dos Bancários. E apresentou números
arrasadores para demonstrar sua tese.
''Convergência política''
desenvolvimentista
Os 10% mais pobres no Brasil vivem com R$ 70 mensais e
gastam 50% desse valor com impostos. Enquanto os 10% mais
ricos ganham mais de R$ 4 mil ao mês e comprometem
somente 20% da renda.
''Temos que fazer uma reforma tributária e fazer
um fundo público para os jovens iniciarem mais tarde
no mercado de trabalho: uma profunda alteração
na escola, com educação para a vida toda. Mas
isso só vai acontecer se houver tensão dos
partidos, dos sindicatos'', disse Pochmann, ressaltando que
vivemos uma crise de sociabilidade, numa sociedade de massa
em que impera o individualismo.
''Tudo que os trabalhadores têm hoje é fruto
de sua luta, da capacidade de lutar para alterar'', lembrou
Pochmann à sua platéia de sindicalistas, indicando
o vínculo entre as propostas que defendeu e a necessidade
de construir ''uma convergência política em
nome do desenvolvimento''.
O Brasil ontem e hoje: avanços
e amarras
Pochmann traçou um comparativo entre o Brasil de
hoje e de outros tempos, destacando avanços, mas apontando
também o quanto o país ainda está preso
a uma série de amarras que impedem seu desenvolvimento
e a promoção da igualdade.
O economista lembrou que apesar de uma nova rodada de partidos
de centro-esquerda ter assumido os governos dos países
latino-americanos nos últimos anos, o momento guarda
diferenças com as décadas de 1950, 60 e 70.
Aqueles eram tempos de expansão econômica, crescimento
de 7% ao ano e mudança de uma sociedade agrária
para urbana. Para Pochmann, os atuais governos têm
uma especificidade: resultaram do fracasso do projeto neoliberal
na América Latina.
''Estamos tratando de governos de sociedades totalmente
desestruturadas'', disse o presidente do Ipea, ressaltando
que os anos de avanço neoliberal fizeram com que duas
regiões fossem condenadas: América Latina e África.
''O Brasil era a 8ª economia do mundo em 80, caiu para
a 14ª em 90 e hoje está na 10ª posição''.
A época da produção
imaterial
Pochmann lembrou que o momento é de decadência
da hegemonia dos EUA. A guerra contra o Iraque resultou num
aumento do petróleo que então valia 20 dólares
o barril e hoje bate na casa dos 120 dólares.
''Há necessidade de pensarmos novas bases para um
projeto de desenvolvimento nacional em uma sociedade pós-industrial:
de cada 10 empresas, 7 a 8 estão no setor de serviços.
Essa forma de organização da atividade econômica
precariza o trabalho e provoca o deslocamento dos parâmetros
das negociações. É o fim da produtividade
física'', salientou o economista, explicando que não
se mede mais a produtividade pelo número de carros
produzido por trabalhador ou o número de cheques processados.
''Cada vez mais a produtividade é imaterial. Um trabalho
não tangível que está sendo executado
para além do local de trabalho, com metas de vendas
e novos métodos de gestão que mantêm
o trabalhador plugado 24 horas por dia'', disse Pochmann.
''É uma fase do capitalismo de profunda concentração
de riqueza.''
O PIB do mundo é de 50 trilhões de dólares.
A riqueza imaterial produzida é de 200 trilhões
de dólares, concentrada em clãs de 1,2 milhão
de famílias, num mundo com 1,5 bilhão de famílias.
''Não haverá mais que 500 grandes corporações
transnacionais a dominar os negócios no mundo.'' Pochmann
deu exemplos dessa concentração de riqueza:
o faturamento da Petrobras é maior que o PIB da Argentina.
O PIB brasileiro é igual às três maiores
corporações do mundo. O orçamento do
BNDES, maior banco público do mundo, é superior
ao do Banco Mundial.
Novo padrão civilizatório à vista
De acordo com o presidente do Ipea, essa sociedade dos
serviços, do conhecimento, permite construir um novo
padrão civilizatório. Ele deu o exemplo da
trajetória de muitos países hoje desenvolvidos
ao longo do século 19: a luta dos trabalhadores alterou
a jornada de 16 horas para 8 horas diárias, as crianças
deixaram de ingressar no mercado de trabalho aos 5 anos e
só começavam aos 15 anos. O tempo livre passou
a ser usado para os estudos. Foram feitas as reformas agrária
e tributária - que passou a tributar quem tinha dinheiro
- e em muito contribuíram para alterar essa realidade.
''Estamos num momento espetacular para avançar nessa
luta. Não há razão técnica para
trabalhar mais que 12 horas por semana. Os filhos dos ricos,
por exemplo, só ingressam no mercado de trabalho aos
25 anos de idade, após completar a graduação
e para ocupar postos chave no mercado de trabalho.''
''Ttrabalhadores são vítimas
da inflação e não vilões''
O presidente do Ipea encerrou sua exposição
falando da necessidade de fazer uma convergência política
em nome do desenvolvimento. ''A única convergência
que existe defende a estabilidade econômica. O economista
criticou ainda a argumentação de que a inflação é causada
pelos reajustes com ganho real conquistados pelos trabalhadores.
''Os trabalhadores são vítimas da inflação
e não vilões''.
''Temos possibilidade de fazer transitar o dinheiro do
setor financeiro para o setor produtivo'', disse o economista,
falando da preferência dos detentores do capital pela
liquidez (ou seja, quanto maior o taxa de juro mais dinheiro
permanece no banco) e pela eficiência do capital investido
(quanto o capitalista espera ganhar com o que investe) ''É preciso
haver garantia política de que haverá crescimento,
investimento em estrutura, que está sendo feito com
o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC)'',
explicou Pochmann, lembrando que durante o governo neoliberal
2,5 milhões de empregos públicos foram destruídos.
''É fundamental ter política de orientação
para grandes empresas, com uma política do BNDES para
o desenvolvimento produtivo. E um plano de desenvolvimento
para a educação. ''Esse governo fez a maior
construção da história de escolas técnicas. É pouco
quando se compara ao desejo nacional, mas muito diante do
que se tinha.''
Lacerda defende democratização
do CMN
O presidente da Funcef (fundo de pensão da Caixa
Econômica Federal), Guilherme Narciso Lacerda, também
particiou do debate, que visou capacitar a categoria dos
bancários para a próximna campanha salarial.
Lacerda ressaltou, em sua palestra, que a política
de juros imposta pelo Conselho Monetário Nacional
(CMN) penaliza a sociedade brasileira tanto quanto a inflação.
''É errado pensar que os juros são a única
maneira de fazer os ajustes necessários'', sentenciou.
Como alternativas, Lacerda citou o controle e restrição
dos movimentos financeiros especulativos e o aumento da oferta
por meio de medidas relacionadas à tributação
e aos financiamentos.
O palestrante também criticou o fato de a classe
trabalhadora e o setor produtivo não terem representantes
junto ao CMN. Para Lacerda, em vez de ter como foco apenas
a estabilidade dos preços, o Banco Central deve privilegiar
também o crescimento econômico, a geração
de empregos e renda e o aumento de crédito para o
setor produtivo.
Guilherme Lacerda expôs alguns índices favoráveis
no cenário econômico atual do país. Destacou
o crescimento brasileiro em torno de 5% ao ano, a balança
comercial com 40,1 milhões de superávit, a
reserva internacional em 200 milhões de dólares,
o crescimento do crédito bancário, a queda
da taxa de desemprego (7,8%) e da dívida do setor
público e melhorias na distribuição
de renda.
Com informações da Rede
de Comunicação dos Bancários,
Cláudia Motta/Seeb (São Paulo) e Patrícia Meyer/Seeb
(Curitiba)
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O Estado do Paraná,
27 de julho de 2008
Marco histórico da educação:
piso salarial do magistério público
Edésio Passos
Este texto é em memória do dr. Célio de Castro,
dirigente sindical, médico, deputado federal, prefeito de Belo
Horizonte, mas, antes de tudo, um humanista. Orgulho-me de ter, como
parlamentar e amigo, participado com ele das jornadas de luta por uma
sociedade justa, solidária, fraterna e igualitária.
A instituição do piso salarial profissional
nacional para os profissionais do magistério público
da educação básica de R$ 950 está regulamentado
pela Lei n.º 11.738, de 16/7/2008 (DOU 17/7/2008), em
face o art.60, alínea e, do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias (EC n.º 53, de 19/12/2006)
e da Lei n.º 11.494/2007. A nova Lei é oriunda
do PL 619/07, do Executivo, e PL 7.431/06 do senador Cristovão
Buarque. Tanto a lei do piso salarial, como as demais sobre
a questão educacional que foram sancionadas, se constituem
em um marco na história da educação
brasileira. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
afirmou que “o que foi produzido pelas duas Casas e
que eu sancionei é a semente de um novo ser humano
que vamos ver nascer no País. Nada é mais digno
para uma nação que ela seja destacada pelo
seu alto índice de educação. As estatísticas
vão mostrar nos próximos anos a importância
do conjunto de medidas implantadas hoje na área de
educação”. O presidente da Confederação
Nacional dos Trabalhadores em Educação, Roberto
Franklin de Leão, afirmou: “Estamos entrando
agora numa nova etapa. Sabemos que a adoção
do novo piso nos estados e municípios não será uma
luta fácil. Precisamos ficar atentos para que a lei
seja cumprida na forma como foi aprovada pelo Congresso Nacional
e sancionada pelo presidente Lula”. A Lei foi sancionada
com veto que se refere à retroatividade, ou seja,
o piso começará a valer só a partir
de janeiro de 2009 e o reajuste será sobre os R$ 950,00.
O presidente da CNTE lamentou o veto, mas considerou que “a
nova lei é um passo importante para a valorização
do professor”. E acrescentou que “o veto não é um
determinante que vai prejudicar o dia histórico que
a educação brasileira vive hoje, uma vez que
o princípio do piso está preservado. Quem ganha
com a criação do piso nacional é a sociedade
que terá um profissional mais valorizado e qualificado.
A luta no próximo ano será mais árdua,
porque temos que estar preparados para eventuais dificuldades
nos estados e municípios”.
Piso salarial
Quando entrar em vigor, o novo piso salarial beneficiará diretamente
cerca de um milhão e meio de educadores, pela projeção
do MEC e, indiretamente, quarenta e seis milhões de
alunos das redes públicas brasileiras. Cerca de 40%
dos professores em início de carreira, principalmente
aqueles que trabalham no interior dos estados do Norte e
do Nordeste, recebem salários inferiores a R$ 950. “O
piso é mais do que a luta de uma categoria, ele resgata
o papel e a missão histórica daqueles que lidam
com nossas crianças e nossos jovens”, afirmou
o ministro da Educação, Fernando Haddad. A
fixação do piso salarial para o magistério é uma
reivindicação histórica da categoria.
Estados e municípios terão 18 meses, até 2010,
para pagar o valor integral de R$ 950 a partir de reajustes
anuais.
49 mil cargos
A partir da sanção presidencial, passa a valer
também a lei que cria cerca de 49 mil cargos de professores
e técnicos, necessários para dar sustentação
ao Programa de Apoio a Planos de Reestruturação
e Expansão das Universidades Federais (Reuni) e à expansão
da rede federal da educação profissional e
tecnológica. O Reuni prevê a duplicação
de vagas nas universidades federais. Para isso, a lei institui
3.375 cargos no âmbito do MEC, destinados à redistribuição
para as instituições federais de ensino superior.
Desses, 2,3 mil são cargos efetivos de professor para
a carreira do magistério superior e 1.075 de técnicos
administrativos para diversas áreas. As universidades
federais também farão concursos públicos
para preencher 13.264 vagas de docentes e 10.656 de técnicos
administrativos. Com o aumento do número de técnicos
e professores, será possível consolidar o ensino
a cerca de um milhão de alunos a mais no ensino superior
em quatro anos. “Esse é um processo de expansão
de um grande sistema de aperfeiçoamento do magistério
público brasileiro”, afirmou Haddad. Já as
instituições federais de educação
profissional e tecnológica disporão de 9.430
cargos de técnico administrativo e 12,3 mil cargos
de professor de ensino fundamental e médio. Os profissionais
serão fundamentais para fortalecer a formação
de trabalhadores qualificados no Brasil.
O ensino regular e o técnico
Além de pessoal de qualidade para a educação
profissional e tecnológica, a modalidade passará a
funcionar de maneira mais atrelada à educação
básica com a sanção pelo presidente
de alterações à Lei de Diretrizes e
Bases (LDB). Entre outras medidas, define que o ensino médio,
atendida a formação geral do estudante, prepare
para o exercício de profissões técnicas.
Assim, a articulação entre ensino regular e
técnico deve ser feita de forma integrada (matrícula única,
na mesma escola) ou concomitante (matrículas distintas,
na mesma ou em outra instituição, para quem
ingressa ou já cursa o ensino médio). Outra
ação vai beneficiar, ainda, a educação
profissional e tecnológica. O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva encaminhou o projeto de lei que cria os 38
Institutos Federais de Educação, Ciência
e Tecnologia (Ifets). O projeto prevê institutos em
todos os estados com a oferta de ensino médio integrado,
cursos superiores de tecnologia, bacharelado em engenharias
e licenciaturas. Para orientar as escolas que oferecem cursos
técnicos de nível médio, o presidente
assinou uma portaria que institui um novo Catálogo
Nacional de Cursos Técnicos de Nível Médio.
O texto altera as diretrizes curriculares desta modalidade
de ensino e oferece um mapeamento da oferta da educação
técnica de nível médio. O presidente
Lula também encaminhou projeto de lei ao Congresso
Nacional criando a universidade Fronteira do Sul (informações
do site da Presidência da República).
Regulamentação do piso
O piso salarial está assim regulamentado: “Art.
1.º Esta Lei regulamenta o piso salarial profissional
nacional para os profissionais do magistério público
da educação básica a que se refere a
alínea “e” do inciso III do Art. 2.º O
piso salarial profissional nacional para os profissionais
do magistério público da educação
básica será de R$ 950,00 (novecentos e cinqüenta
reais) mensais, para a formação em nível
médio, na modalidade Normal, prevista no art. 62 da
Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece
as diretrizes e bases da educação nacional. § 1.º O
piso salarial profissional nacional é o valor abaixo
do qual a União, os Estados, o Distrito Federal e
os Municípios não poderão fixar o vencimento
inicial das Carreiras do magistério público
da educação básica, para a jornada de,
no máximo, 40 (quarenta) horas semanais. § 2.º Por
profissionais do magistério público da educação
básica entendem-se aqueles que desempenham as atividades
de docência ou as de suporte pedagógico à docência,
isto é, direção ou administração,
planejamento, inspeção, supervisão,
orientação e coordenação educacionais,
exercidas no âmbito das unidades escolares de educação
básica, em suas diversas etapas e modalidades, com
a formação mínima determinada pela legislação
federal de diretrizes e bases da educação nacional. § 3.º Os
vencimentos iniciais referentes às demais jornadas
de trabalho serão, no mínimo, proporcionais
ao valor mencionado no caput deste artigo. §§ 4.º Na
composição da jornada de trabalho, observar-se-á o
limite máximo de 2/3 (dois terços) da carga
horária para o desempenho das atividades de interação
com os educandos. § 5.º As disposições
relativas ao piso salarial de que trata esta Lei serão
aplicadas a todas as aposentadorias e pensões dos
profissionais do magistério público da educação
básica alcançadas pelo art. 7.º da Emenda
Constitucional n.º 41, de 19 de dezembro de 2003, e
pela Emenda Constitucional n.º 47, de 5 de julho de
2005”.
Integralização progressiva
A implantação do piso salarial será progressiva,
como fixado em lei: “Art. 3.º O valor de que trata
o art. 2.º desta Lei passará a vigorar a partir
de 1.º de janeiro de 2008, e sua integralização,
como vencimento inicial das Carreiras dos profissionais da
educação básica pública, pela
União, Estados, Distrito Federal e Municípios
será feita de forma progressiva e proporcional, observado
o seguinte: I (Vetado); II a partir de 1.º de janeiro
de 2009, acréscimo de 2/3 (dois terços) da
diferença entre o valor referido no art. 2.º desta
Lei, atualizado na forma do art. 5.º desta Lei, e o
vencimento inicial da Carreira vigente; III a integralização
do valor de que trata o art. 2.º desta Lei, atualizado
na forma do art. 5.º desta Lei, dar-se-á a partir
de 1.º de janeiro de 2010, com o acréscimo da
diferença remanescente. § 1.º A integralização
de que trata o caput deste artigo poderá ser antecipada
a qualquer tempo pela União, Estados, Distrito Federal
e Municípios. § 2.º Até 31 de dezembro
de 2009, admitir-se-á que o piso salarial profissional
nacional compreenda vantagens pecuniárias, pagas a
qualquer título, nos casos em que a aplicação
do disposto neste artigo resulte em valor inferior ao de
que trata o art. 2.º desta Lei, sendo resguardadas as
vantagens daqueles que percebam valores acima do referido
nesta Lei”.
Complementação pela União
A nova Lei também dispõe das condições
de complementação de recursos pela União: “Art.
4.º A União deverá complementar, na forma
e no limite do disposto no inciso VI do caput do art.60 do
Ato das Disposições Constitucionais Transitórias
e em regulamento, a integralização de que trata
o art. 3.º desta Lei, nos casos em que o ente federativo,
a partir da consideração dos recursos constitucionalmente
vinculados à educação, não tenha
disponibilidade orçamentária para cumprir o
valor fixado. § 1.º O ente federativo deverá justificar
sua necessidade e incapacidade, enviando ao Ministério
da Educação solicitação fundamentada,
acompanhada de planilha de custos comprovando a necessidade
da complementação de que trata o caput deste
artigo. § 2.º A União será responsável
por cooperar tecnicamente com o ente federativo que não
conseguir assegurar o pagamento do piso, de forma a assessorá-lo
no planejamento e aperfeiçoamento da aplicação
de seus recursos”.
Atualização do piso salarial
A atualização do valor do piso salarial está fixado
na Lei nas seguintes condições: “Art.
5.º O piso salarial profissional nacional do magistério
público da educação básica será atualizado,
anualmente, no mês de janeiro, a partir do ano de 2009.
Parágrafo único. A atualização
de que trata o caput deste artigo será calculada utilizando-se
o mesmo percentual de crescimento do valor anual mínimo
por aluno referente aos anos iniciais do ensino fundamental
urbano, definido nacionalmente, nos termos da Lei n.º 11.494,
de 20 de junho de 2007. Art. 6.º A União, os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão
elaborar ou adequar seus Planos de Carreira e Remuneração
do Magistério até 31 de dezembro de 2009, tendo
em vista o cumprimento do piso salarial profissional nacional
para os profissionais do magistério público
da educação básica, conforme disposto
no parágrafo único do art. 206 da CF/88”.
Adicional de insalubridade
As Confederações dos Metalúrgicos da
Força Sindical e da CUT ingressarão com agravo
regimental nos autos da Reclamação 6.266, ajuizada
pela Confederação Nacional da Indústria
contra a Súmula 228 do TST que desvinculou o cálculo
do adicional de insalubridade do salário mínimo,
tomando por base o salário básico, ou salário
mais vantajoso fixado em instrumento normativo, seguindo
os efeitos da Súmula Vinculante n.º 4 do STF.
O presidente do STF ministro Gilmar Mendes concedeu liminar
suspendendo os efeitos da Súmula 228 e o agravo regimental
pretende questionar, no Pleno do STF, esta liminar. Para
o ministro do STF “a nova redação estabelecida
para a Súmula 228/TST revela aplicação
indevida da Súmula Vinculante n.º 4, porquanto
permite a substituição do salário mínimo
pelo salário básico no cálculo do adicional
de insalubridade sem base normativa”, ou seja sem lei
regulamentadora ou norma coletiva. Para a CNI, com a liminar, “a
base de cálculo para o adicional continua sendo o
salário mínimo”. Caso a Reclamação
seja indeferida, estará formado passivo trabalhista
a partir da edição da Súmula 228 pelo
TST.
O ministro, o rapaz e o cordão de ouro
O ministro presidente do STF Gilmar Mendes foi assaltado
na manhã do dia 29 de junho na avenida Beira-Mar, área
nobre de Fortaleza, Ceará. Tentaram roubar-lhe o cordão
de ouro. Um dos assaltantes, rapaz de 18 anos, Jefferson
Hermínio Coelho Monteiro, foi preso pelos seguranças
e policiais militares. Seu advogado, dr. Oliveira Brito,
ingressou com habeas corpus, denegado pelo juiz da sexta
Vara Criminal de Fortaleza, dr. Eduardo de Castro Neto. É provável
que o acusado esteja hoje em liberdade, pois seu advogado
pediria reconsideração da decisão, baseado
nos argumentos da própria vítima, o presidente
do STF, manifestados em face de habeas corpus que concedeu
a liberdade para Dantas, Naha, Pitta e demais indiciados
pela Polícia Federal. Em especial, por se tratar de
ato que se configurou em apenas ser tentativa, do objeto
ser apenas um cordão, do assaltante ser apenas um
rapaz primário, do rapaz apenas viver com o pai, a
madrasta e dois irmãos. Enfim, segundo dona Antonia
Raimunda, sua madrasta, porque apenas “não sei
se foi aventura ou brincadeira de mau gosto”. Mas,
pelo sim ou pelo não, o promotor de justiça
qualificou o ato de Jefferson de ser apenas assalto qualificado
e o juiz de direito não concedeu a liberdade apenas
por ser um ato grave e ainda por ter não interrogado
o acusado. Afinal, estes são apenas fatos corriqueiros
da vida brasileira que não mereceriam sequer esta
nota sumária, a não ser o fato de que a vítima é o
presidente do STF e o cordão, de ouro.
Salvador Allende, 100 anos
O médico socialista Salvador Allende, presidente
do Chile de 1970/73, nasceu em 26 de junho de 1908 e morreu
no Palácio de La Moneda no dia 11 de setembro de 1973,
defendendo heroicamente a revolução e seu governo
democrático-popular, resistindo ao golpe militar fascista
apoiado pelos Estados Unidos. Tomás Hirsch, do Partido
Humanista do Chile, afirma: “Comete-se um erro quando
se olha para trás para recordar Allende. Por sua obra,
por seu projeto, seus sonhos, por suas lutas, Allende está no
futuro. E, hoje em dia, seu legado também é o
da esperança para todo o povo latino-americano”.
(in jornal Brasil de Fato, 3-6/7/2008).
Edésio Passos é advogado
e ex-deputado federal (PT/PR). edesiopassos@terra.com.br
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Folha de S.Paulo, 27 de
julho de 2008
Aumento salarial é maior
no setor público
Economia mais aquecida e decisões
políticas levam salário do funcionalismo a
se recuperar mais rápido que o do setor privado
Para sindicalista, rotatividade nas
empresas privadas achata rendimento, o que não ocorre
no setor público, por causa da estabilidade no emprego
CLAUDIA ROLLI
FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
O crescimento da economia, a melhora nas finanças
públicas e a decisão política dos
governos em conceder reajustes ao funcionalismo resultaram
em uma recuperação dos salários dos
empregados do setor público nos últimos seis
anos não constatada com a mesma intensidade no setor
privado.
Ao se compararem os rendimentos dos trabalhadores dos dois setores
em maio deste ano com maio de 2002, há inclusive perda salarial
para quem trabalha na iniciativa privada. O rendimento médio
real do trabalhador no setor público cresceu 2,3% nesse período
-passou de R$ 1.824,84 para R$ 1.866,79. No setor privado, caiu 2,8%
-foi de R$ 1.111,16 para R$ 1.079,69.
Os dados são da PME (Pesquisa Mensal de Emprego) do IBGE realizada
em seis regiões metropolitanas -São Paulo, Rio, Belo
Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre- e levam em conta os rendimentos
de servidores dos funcionalismos federal, estadual e municipal.
" Com mais dinheiro em caixa em razão do aumento na arrecadação
pública, o Estado tomou uma decisão política: melhorar a
relação com o setor público com a concessão de maiores
reajustes", diz Anselmo Luis dos Santos, economista do Cesit (Centro de
Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho) da Unicamp.
Durante o governo FHC (1995-2002), o trabalhador no setor público
ficou praticamente oito anos sem ter aumento real de salário.
O baixo crescimento do país e o desemprego elevado dificultaram
as negociações salariais, segundo o economista da Unicamp.
Os ganhos reais nos salários do setor público começaram
a ficar mais evidentes a partir de 2005, impulsionados pelo crescimento
econômico. Desde então, os rendimentos só cresceram
mês após mês na comparação com igual
período do ano anterior. O maior aumento real foi de 12,2% em
outubro de 2006 sobre o mesmo mês de 2005. A situação
somente se inverteu em maio deste ano, quando o rendimento médio
real no setor público caiu 0,1% ante igual período de
2007.
No setor privado, a recuperação dos salários foi
mais expressiva a partir de 2006. Em abril, o aumento real no salário
do trabalhador privado foi de 6,9% em relação a igual
mês de 2005. Em maio deste ano, a queda no rendimento real foi
de 0,9% ante igual mês de 2007.
" O rendimento no setor público está em um patamar mais elevado
do que o no setor privado. Enquanto no setor privado os rendimentos são
de R$ 800 a R$ 1.100 mensais no emprego com e sem carteira, no setor público
os rendimentos estão entre R$ 1.800 e R$ 2.000 por mês", diz
Cimar Azeredo Pereira, gerente da PME do IBGE.
As perdas no rendimento de quem trabalha no setor privado com ou sem
carteira assinada chegaram a 4,7% e 3,1%, respectivamente, na comparação
de maio deste ano com o mesmo mês de 2002. "O processo de
terceirização de serviços nas empresas tem impacto
negativo nos rendimentos dos trabalhadores", diz Azeredo Pereira.
O que pode explicar essa diferença de ganhos entre
os trabalhadores da iniciativa privada e do funcionalismo é a
rotatividade adotada pelas empresas, com a substituição
de empregados que ganham mais pelos que recebem menos,
segundo João Carlos Gonçalves, secretário-geral
da Força Sindical.
" A rotatividade que ocorre nas empresas do setor privado achata os salários.
No setor público, isso não se verifica até por causa da
estabilidade."
Artur Henrique da Silva Santos, presidente da CUT (Central Única
dos Trabalhadores), diz que o governo Lula abriu espaço para
as negociações. "As entidades sindicais de servidores
públicos souberam usar esse espaço. Incentivar a formação
de mesas de negociação estava no programa de Lula. Mas,
se não houvesse mobilização, os números
obtidos de reajustes reais não seriam esses."
José de Campos Ferreira, diretor da Fenasps (Federação
Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores em Saúde, Trabalho,
Previdência e Assistência Social), afirma que o governo
Lula abriu espaço para negociação, mas errou ao
não estabelecer uma política "global" de reestruturação
das carreiras e de recuperação do salários.
" As greves [de servidores e funcionários de estatais] ainda são
instrumentos necessários. O governo senta à mesa, mas vem com as
propostas prontas. É surdo para os problemas que os servidores enfrentam
em suas condições de trabalho, como no caso dos funcionários
do INSS", afirma Ferreira.
Negociações favorecidas
O avanço da economia brasileira e a queda da inflação
favoreceram as negociações salariais, avalia o presidente
da CUT. "No ano passado, 87,7% dos acordos salariais firmados
incorporaram reajustes acima da inflação. É como
negociar com uma metalúrgica. Se a fábrica está vendendo
e lucrando mais, as negociações tendem a ter resultados
melhores. O nosso argumento também é que o governo precisa
valorizar o servidor e o serviço dele", afirma o sindicalista.
No setor privado, não existe a cultura de repassar ganhos para
os trabalhadores, ressalta o presidente da CUT. As empresas preferem
complementar salários concedendo participação
nos lucros e nos resultados -benefício que não é incorporado
aos salários. "Nós queremos mais ganhos reais de
salários", diz Silva Santos.
Apesar dos aumentos reais de salários, a participação
da soma da remuneração do trabalhador sobre o PIB (Produto
Interno Bruto) brasileiro continua estabilizada há anos, em
torno de 39% a 40%. "Isso mostra que os ganhos de produtividade
não são repassados na totalidade para o conjunto de trabalhadores",
afirma o presidente da CUT.
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Folha de S.Paulo, 27 de
julho de 2008
54% das greves desde 2004 foram
de servidores
Número total de paralisações
teve alta de 4,7% em quatro anos, aponta Dieese
Funcionários públicos
foram responsáveis por 82% das horas paradas; reajuste
de salários é o principal motivo para os
movimentos no país
DA REPORTAGEM LOCAL
O número de greves cresceu 4,7% entre 2004, quando
o Dieese iniciou estudo sobre as paralisações
realizadas no país, e o ano passado. Das 1.237 greves
que ocorreram nesse período, 54,4% foram feitas
por funcionários públicos e de estatais.
Os servidores foram responsáveis por 82% das 28,5
mil horas paradas registradas no ano passado, quando foram
contabilizadas 316 greves, das quais 161 (51%) no setor
público.
O principal item da pauta de reivindicação das paralisações
ocorridas entre 2004 e 2007, segundo levantamento do Dieese, foi o
reajuste salarial -o que mostra a insatisfação com os
baixos salários no país. Nas greves do funcionalismo,
outro item de destaque entre os pedidos dos servidores é o relacionado
ao plano de cargos e salários ou de carreiras.
Em cada 10 greves realizadas no setor público no ano passado,
7 incluíram em sua pauta demandas por novos direitos ou melhoria
nos benefícios já conquistados. Já 37% das greves
feitas pelo funcionalismo foram defensivas -decretadas em razão
do descumprimento de direitos em vigor ou pela manutenção
de benefícios.
Neste ano, os trabalhadores do setor público devem manter em
suas pautas pedidos por novos benefícios. Caso dos empregados
da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos), que, após
15 dias úteis de greve, conseguiram tirar do governo o compromisso
de recebimento do adicional de periculosidade, calculado sobre 30%
do salário-base.
A maior duração das greves no setor público pode
estar relacionada, de acordo com os técnicos do Dieese, ao fato
de as negociações serem mais complexas na administração
pública -geralmente envolvem vários órgãos
e instâncias de poder para analisar os pedidos e encaminhar as
propostas.
" O governo é um péssimo patrão. Se fosse bom empregador,
não teria tantas greves na atividade pública. Ninguém faz
greve porque quer. Por conta da estabilidade, o funcionalismo também mantém
greves mais longas", diz Ricardo Patah, presidente da UGT (União
Geral dos Trabalhadores). Para ele, é preciso garantir o direito de negociação
coletiva no setor público, com a ratificação da convenção
151 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que regula,
entre outros pontos, o direito de greve dos funcionários públicos.
Para Artur Henrique da Silva Santos, presidente da CUT (Central Única
dos Trabalhadores), as greves ainda são instrumentos para melhorar
as condições para os trabalhadores. "Apesar de haver
maior disposição do governo para negociar, é preciso
pressionar para não ficar, por exemplo, só com a reposição
da inflação. Não podemos esquecer que ocorreram
muitas greves nos últimos seis anos. Em alguns dos acordos,
além de ter sido estabelecido aumento real de salário
para este ano, foi fixado reajuste também para o ano que vem." (CR
e FF)
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Revista Consultor Jurídico,
27 de julho de 2008
Coação trabalhista
Carteira não pode ter
registro de ação de ex-empregado
A anotação na carteira de trabalho de que o trabalhador
move uma ação trabalhista contra um empregador constitui
abuso de direito, gera dano moral e é passível de indenização.
O entendimento é da 3ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho
do Rio Grande do Sul, ao acolher o recurso de um trabalhador demitido
que pedia correção de valores de uma reclamatória
trabalhista. Cabe recurso.
Para os desembargadores, houve apontamento desnecessário
na carteira de trabalho do autor, excedendo manifestamente
o direito que era conferido ao empregador. Segundo o tribunal,
a Constituição Federal impõe o direito
de indenizar a ofensa à moral ou imagem.
“A anotação da existência de reclamatória
trabalhista não se constitui em registro desabonador,
porque relata o efetivo exercício de um direito constitucional
do trabalhador, que é ajuizar ação judicial
para efetivar seus direitos. Entretanto, sabe-se que o mercado
de trabalho está atento a qualquer informação,
além da nefasta realidade das chamadas listas negras,
que desempenham importante papel na obstrução
da efetividade da dignidade do trabalhador e sua recolocação
no mercado de trabalho, quando atingido pelo desemprego”,
afirmou o desembargador relator Luiz Alberto de Vargas.
A decisão reforma a sentença da 1ª Vara
do Trabalho de Passo Fundo (RS). A trabalhadora pedia para
aumentar a indenização devida pelo ex-empregador
por danos morais. O valor foi corrigido para se basear no
salário que a trabalhadora recebia à época
do desligamento da empresa.
Processo 00759-2005-661-04-00-2
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