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FOLHA DE LONDRINA, 29 de
julho de 2008 | Economia
Cenário ajuda indústria
a manter nível de emprego
Rio - O crescimento da economia e dos investimentos fizeram a indústria
elevar a fatia de participação no número de ocupados nas
seis principais regiões metropolitanas do País, após recuos
que levaram o setor a passar de um porcentual de 17,6% dos empregados em 2003
para 17,1% no ano passado, perdendo espaço para os serviços.
O gerente da pesquisa mensal
de emprego do IBGE, Cimar Azeredo, disse que a perda industrial nos últimos
anos respondeu a uma mudança estrutural resultante da maior automação
e do aumento de produtividade do setor e, ainda, do aumento da terceirização
no País.
Porém, com a forte reação
da economia a partir de 2007, a indústria voltou a acelerar a
geração de empregos e permaneceu com a mesma fatia de 17,1%
no primeiro semestre de 2008, interrompendo a trajetória de queda.
Mais que isso, o setor chegou a registrar aumento na sua fatia de junho
do ano passado (16,9%) para junho deste ano (17,3%). Segundo Azeredo,
a indústria está ''sustentando a posição''
porque tem sido um dos setores com maior impulso no novo ciclo de crescimento
econômico.
Para o economista Marcelo de Ávila,
da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o emprego
industrial está crescendo mais rapidamente e isso já se
reflete no mercado de trabalho metropolitano. Ele acredita que o aumento
da fatia do setor em junho no total de ocupados é um sintoma de
''maturação dos investimentos''.
O economista da CNI avalia, ainda,
que nos últimos anos, a indústria vinha interiorizando
o seu crescimento e, por isso, o mercado de trabalho do setor nas maiores
cidades sofreu efeito dessa desconcentração regional. Porém,
o recente crescimento vigoroso da economia ''é tal que contagiou
as regiões metropolitanas, houve um alastramento dos benefícios
do crescimento''.
No processo de mudança
estrutural destacado por Azeredo, o setor de serviços prestados às
empresas, aluguel e intermediação financeira, embalado
pela expansão do processo de terceirização no País,
elevou a fatia no total de ocupados de 13,9% em 2003 para 14,9% no ano
passado, mantendo-se também praticamente estável (15%)
no primeiro semestre de 2008. De junho do ano passado para igual mês
deste ano, também permaneceu inalterado, em 15,1%.
Segundo Azeredo, a recente mudança
na participação da indústria e dos serviços
não é um sintoma de conclusão do processo de mudança
estrutural, mas responde aos bons resultados do mercado de trabalho e
da geração mais acelerada de vagas em ambos os setores.
Os dados do IBGE mostram também
que, mesmo tendo perdido participação na ocupação
industrial nos últimos anos e registrado crescimento no número
de empregados bem inferior aos dos serviços, a indústria
elevou os salários em magnitude muito maior. Além disso,
o setor industrial vem reduzindo a distância dos serviços
no que diz respeito à geração de postos.
Jacqueline Farid
Agência Estado
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VERMELHO, 29 de julho de
2008
Jovens ocupam 7,8% dos empregos gerados
no Brasil, diz OIT
Dos 14,7 milhões de empregos gerados entre 1986 e 2006 no país,
os jovens entre 15 e 24 anos ocuparam apenas 7,8% do total. Foi o que apontou
uma pesquisa inédita da Organização Internacional do Trabalho
(OIT) que será lançada em outubro.
Com o apoio do projeto de Promoção
do Emprego de Jovens na América Latina (Prejal), o estudo traça,
com base em microdados da Pesquisa Nacional de Domicílio (PNAD)
de 2006, o perfil do jovem de 15 a 24 anos. O relatório apontará,
ainda, caminhos a serem seguido por governos e empresas na busca de soluções
para o desemprego juvenil.
O estudo foi baseado, também,
em dados do Ministério do Trabalho. Entre as conclusões
do documento, está que a precariedade do sistema educacional brasileiro
e a pouca escolaridade leva, na maioria das vezes, os jovens a entrarem
no mercado de trabalho de maneira precária.
Por isso, apresentam taxas de
desocupação e informalidade acima das demais faixas etárias,
baixos níveis de rendimento e de proteção social.
A desvantagem dos jovens no mercado de trabalho é maior, apesar
de passarem mais tempo na escola que os adultos.
Enquanto 41% desses têm
de zero a quatro anos de estudo, 11,9% dos jovens de 15 a 24 anos possuem
essa mesma escolaridade. Já para a faixa de escolaridade de nove
a 11 anos de estudo, o percentual de adultos é de 24% e 44% para
jovens.
A juventude brasileira está concentrada,
predominantemente, em áreas urbanas. Em 2006, do total de 34,7
milhões de jovens entre 15 e 24 anos, 28,9 milhões (83,3%)
moravam em áreas urbanas e 5,8 milhões (16,7%) encontravam-se
no campo.
A desigualdade educacional também
persiste entre esses jovens: apenas 1,4% dos jovens rurais tinha 12 anos
de estudo ou mais. Esse percentual atingia 9,8% dos jovens das cidades.
As desigualdades regionais também pesam.
A taxa de analfabetismo entre
os jovens era, em 2006, de 0,9% na região Sul e 5,3% no Nordeste.
Raça
Outro dado da OIT mostra que
persiste uma elevada desigualdade em termos de acesso à educação
entre pessoas com a cor da pele diferente.
Enquanto 39,7% dos jovens negros
tinham de cinco a oito anos de estudo, o número cai para 29,5%
quando se trata de brancos com mesmo período de escolaridade.
Mais de 13% dos brancos tinham
12 anos ou mais de estudo. Esse número cai para 3,7% entre os
negros. O estudo considerou como população negra o total
de pessoas pardas e pretas.
Gênero
O desemprego de jovens tem maior
incidência para o sexo feminino, para a etnia negra a população
urbana. A taxa de desemprego entre 15 a 24 anos era de 17,8% e dos adultos,
5,6%.
O desemprego entre os homens
jovens era de 13,8% e 23% entre as mulheres da mesma faixa etária.
Do total das jovens ocupadas entre 15 e 24 anos, 14,8% eram trabalhadoras
domésticas sem carteira assinada. E 11,6% das mulheres adultas
trabalhavam na mesma situação.
Informalidade
Os jovens são, no Brasil,
as principais vítimas da precariedade do mercado de trabalho informal.
A taxa de informalidade entre eles afeta 60,5% dos jovens trabalhadores
ocupados.
De acordo com o relatório,
a probabilidade de um jovem com até quatro anos de estudo estar
no setor informal é o dobro daquela prevalecente para uma pessoa
de 15 a 24 anos com 12 anos ou mais de estudo.
Apesar dos números, a
coordenadora nacional do Prejal, Karina Andrade, diz que o Brasil tem
demonstrado esforço em promover empregos aos jovens, mas ainda
há muito a ser feito.
Segundo ela, a criação
de conselhos estaduais da juventude seria um passo positivo na busca
de políticas públicas voltadas para os jovens e aponta
que a profissionalização de qualidade é um dos caminhos. "Não
dá para falar em trabalho sem falar em educação”,
afirma.
Fonte: Jornal do Brasil
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AGÊNCIA DIAP, 29 de
julho de 2008
ECONOMIA
Real forte e estável supera
o euro em valorização
O real já acumula 124,2% de valorização frente ao dólar
desde o início do governo Lula. Segundo levantamento feito pela empresa
de informações financeiras Economática, a moeda brasileira
teve o maior avanço entre países da América Latina e União
Européia, no período que vai de 31 de dezembro de 2002 a 25 de
julho de 2008. A segunda maior valorização da amostra ficou com
a Colômbia, de 61,6%, metade da verificada no Brasil.
Nem o euro conseguiu bater o
real no período. A moeda da União Européia aumentou
o seu valor em 50% ante o dólar americano. Conforme o levantamento,
a única moeda que apresentou desvalorização foi
o bolívar venezuelano, cuja queda foi de 34,7%. Em 2008, porém,
o campeão de valorização foi o peso colombiano,
que até este mês acumula alta de 13,6% ante 12,5% do real.
O euro aumentou 6,9% seu valor.
Na avaliação de
especialistas, pelo menos no curto prazo não há expectativa
desse cenário ser revertido. Com a economia americana enfraquecida
e juros baixos, os investidores têm procurado outras opções
mais rentáveis de aplicações, especialmente em moedas
de países emergentes. O economista da Austin Rating, Alex Agostini,
diz que, apesar do mercado mais turbulento, a liquidez do mercado internacional
ainda é grande.
Valorização
Ele destaca que o governo federal
já tentou no primeiro trimestre do ano conter a valorização
do real frente ao dólar. Elevou para 1,5% a alíquota do
Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas aplicações
de investidores estrangeiros no País e também pôs
fim à obrigatoriedade de os exportadores trazerem de volta ao
Brasil os recursos oriundos de suas vendas externas.
As medidas, no entanto, não
surtiram o efeito desejado. Na época, o dólar estava cotado
na casa de R$ 1,71. Ontem estava em R$ 1,57. "Dificilmente uma medida
conseguiria reverter a desvalorização da moeda americana
ante as demais moedas locais", destaca Agostini. Na opinião
dele, a única decisão que poderia mudar esse rumo seria
uma alta dos juros americanos, o que atrairia a atenção
dos investidores. "Mas isso está longe de acontecer."
Para o economista, o que os demais
países podem fazer é tomar medidas para reduzir a velocidade
da valorização das moedas ante o dólar. O Brasil
conta com um agravante: o ciclo de aperto monetário. Na últimas
três reuniões promovidas pelo Comitê de Política
Monetária (Copom), os dirigentes do Banco Central elevaram em
1,75 ponto porcentual a taxa Selic, para 13% ao ano.
A taxa de juro real, que
desconta a inflação projetada para os próximos
12 meses, está em 7,2% ao ano - taxa extremamente atrativa para
os investidores estrangeiros. "Enquanto a bolsa perde dinheiro,
há títulos e papéis atrelados aos juros, como
títulos do Tesouro e debêntures, que têm ganhado
cada vez mais recurso estrangeiro por causa de sua rentabilidade",
diz Agostini. (Fonte: Estadão.com)
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AGÊNCIA DIAP, 29 de
julho de 2008
RECUPERAÇÃO
Aumento salarial é maior
no setor público
Economia mais aquecida e
decisões políticas levam salário do funcionalismo
a se recuperar mais rápido que o do setor privado. Para
sindicalista, rotatividade nas empresas privadas achata rendimento,
o que não ocorre no setor público, por causa da
estabilidade no emprego
O crescimento da economia, a melhora nas finanças públicas e
a decisão política dos governos em conceder reajustes ao funcionalismo
resultaram em uma recuperação dos salários dos empregados
do setor público nos últimos seis anos não constatada
com a mesma intensidade no setor privado.
Ao se compararem os rendimentos
dos trabalhadores dos dois setores em maio deste ano com maio de 2002,
há inclusive perda salarial para quem trabalha na iniciativa privada.
O rendimento médio real do trabalhador no setor público
cresceu 2,3% nesse período — passou de R$ 1.824,84 para
R$ 1.866,79. No setor privado, caiu 2,8% — foi de R$ 1.111,16 para
R$ 1.079,69.
Os dados são da PME (Pesquisa
Mensal de Emprego) do IBGE realizada em seis regiões metropolitanas — São
Paulo, Rio, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre — e
levam em conta os rendimentos de servidores dos funcionalismos federal,
estadual e municipal.
"Com mais dinheiro em caixa
em razão do aumento na arrecadação pública,
o Estado tomou uma decisão política: melhorar a relação
com o setor público com a concessão de maiores reajustes",
diz Anselmo Luis dos Santos, economista do Cesit (Centro de Estudos Sindicais
e de Economia do Trabalho) da Unicamp.
À mingua
Durante o Governo FHC (1995-2002),
o trabalhador no setor público ficou praticamente oito anos sem
ter aumento real de salário. O baixo crescimento do País
e o desemprego elevado dificultaram as negociações salariais,
segundo o economista da Unicamp.
Os ganhos reais nos salários
do setor público começaram a ficar mais evidentes a partir
de 2005, impulsionados pelo crescimento econômico. Desde então,
os rendimentos só cresceram mês após mês na
comparação com igual período do ano anterior. O
maior aumento real foi de 12,2% em outubro de 2006 sobre o mesmo mês
de 2005. A situação somente se inverteu em maio deste ano,
quando o rendimento médio real no setor público caiu 0,1%
ante igual período de 2007.
Celetistas
No setor privado, a recuperação
dos salários foi mais expressiva a partir de 2006. Em abril, o
aumento real no salário do trabalhador privado foi de 6,9% em
relação a igual mês de 2005. Em maio deste ano, a
queda no rendimento real foi de 0,9% ante igual mês de 2007.
"O rendimento no setor público
está em um patamar mais elevado do que o no setor privado. Enquanto
no setor privado os rendimentos são de R$ 800 a R$ 1.100 mensais
no emprego com e sem carteira, no setor público os rendimentos
estão entre R$ 1.800 e R$ 2.000 por mês", diz Cimar
Azeredo Pereira, gerente da PME do IBGE.
As perdas no rendimento de quem
trabalha no setor privado com ou sem carteira assinada chegaram a 4,7%
e 3,1%, respectivamente, na comparação de maio deste ano
com o mesmo mês de 2002. "O processo de terceirização
de serviços nas empresas tem impacto negativo nos rendimentos
dos trabalhadores", diz Azeredo Pereira.
O que pode explicar essa diferença
de ganhos entre os trabalhadores da iniciativa privada e do funcionalismo é a
rotatividade adotada pelas empresas, com a substituição
de empregados que ganham mais pelos que recebem menos, segundo João
Carlos Gonçalves, secretário-geral da Força Sindical.
Urgência da Convenção
158
"A rotatividade que ocorre
nas empresas do setor privado achata os salários. No setor público,
isso não se verifica até por causa da estabilidade”.
Artur Henrique da Silva Santos,
presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), diz que o
governo Lula abriu espaço para as negociações. "As
entidades sindicais de servidores públicos souberam usar esse
espaço. Incentivar a formação de mesas de negociação
estava no programa de Lula. Mas, se não houvesse mobilização,
os números obtidos de reajustes reais não seriam esses”.
José de Campos Ferreira,
diretor da Fenasps (Federação Nacional dos Sindicatos de
Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência
Social), afirma que o governo Lula abriu espaço para negociação,
mas errou ao não estabelecer uma política "global" de
reestruturação das carreiras e de recuperação
dos salários.
"As greves [de servidores
e funcionários de estatais] ainda são instrumentos necessários.
O governo senta à mesa, mas vem com as propostas prontas. É surdo
para os problemas que os servidores enfrentam em suas condições
de trabalho, como no caso dos funcionários do INSS", afirma
Ferreira.
Negociações favorecidas
O avanço da economia brasileira
e a queda da inflação favoreceram as negociações
salariais, avalia o presidente da CUT. "No ano passado, 87,7% dos
acordos salariais firmados incorporaram reajustes acima da inflação. É como
negociar com uma metalúrgica. Se a fábrica está vendendo
e lucrando mais, as negociações tendem a ter resultados
melhores. O nosso argumento também é que o governo precisa
valorizar o servidor e o serviço dele", afirma o sindicalista.
No setor privado, não
existe a cultura de repassar ganhos para os trabalhadores, ressalta o
presidente da CUT. As empresas preferem complementar salários
concedendo participação nos lucros e nos resultados -benefício
que não é incorporado aos salários. "Nós
queremos mais ganhos reais de salários", diz Silva Santos.
Apesar dos aumentos reais
de salários, a participação da soma da remuneração
do trabalhador sobre o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro continua
estabilizada há anos, em torno de 39% a 40%. "Isso mostra
que os ganhos de produtividade não são repassados na
totalidade para o conjunto de trabalhadores", afirma o presidente
da CUT. (Fonte: Folha de S.Paulo)
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O ESTADO DO PARANÁ,
29 de julho de 2008 | Economia
Crédito continua a crescer
em julho, apesar dos juros
Agência Estado
Dados preliminares do Banco Central mostram que o crédito bancário
continua crescendo em julho. Segundo o chefe do Departamento Econômico
do BC, Altamir Lopes, o volume de operações de crédito
cresceu 1,6% nos 13 primeiros dias úteis do mês - até o
dia 17. A expansão foi liderada pelas operações voltadas às
empresas, que tiveram alta de 2,7% no período. Empréstimos para
as famílias (que não incluem leasing) mostram aumento de 0,2%.
O crescimento do crédito
acontece apesar do aumento do juro cobrado dos tomadores. Na média,
as taxas aumentaram 1,3 ponto porcentual e atingiram 39,3% ao ano. A
alta foi liderada pelos empréstimos para as pessoas físicas,
com alta de 2,1 pontos, para 51,2%. Destaque para o juro do cheque especial,
que subiu 3 3 pontos porcentuais e atingiu 162,4% ao ano. Para as pessoas
jurídicas, a elevação foi de 0,9 ponto, para 27,4%
ao ano.
Com relação ao
spread - diferença entre a taxa de captação e a
de empréstimo - houve aumento de 0,9 ponto, para 25,5 pontos porcentuais.
Nas operações para pessoas físicas, o spread aumentou
1,7 ponto, para 36,4 pontos porcentuais. Para empresas, a diferença
cresceu 0,6 ponto, para 14,5 pontos porcentuais.
Em junho, as operações de crédito do sistema financeiro
tiveram em junho expansão de 2,1% na comparação com maio.
O total dessas operações aumentou de R$ 1,044 trilhão
em maio para R$ 1,067 trilhão em junho. De acordo com o BC, o volume
de crédito para as empresas cresceu 3,3% em junho na comparação
com maio, enquanto as operações para as famílias tiveram
expansão de 0,7% no mesmo período.
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CONTAS ABERTAS, 29 de julho
de 2008
Aplicações no esporte
superam as na cultura pela primeira vez
O esporte brasileiro parece, enfim, ganhar forças, pelo menos em termos
orçamentários. Depois dos Jogos Pan-americanos no Rio de Janeiro
em 2007, com a Copa do Mundo em 2014 no Brasil e a possibilidade do país
sediar os Jogos Olímpicos em 2016, os gastos no setor ultrapassaram
pela primeira vez, desde pelo menos 2003, as despesas globais com cultura.
O Ministério do Esporte, criado como pasta exclusiva no começo
do governo Lula, conseguiu ver seus gastos e investimentos ultrapassarem os
do Ministério da Cultura (MinC), que gozou nos últimos cinco
anos de finanças maiores do que o vizinho.
Vale ressaltar que a comparação
engloba apenas os recursos orçamentários, sem considerar
as verbas das leis de incentivo, das loterias e patrocínios das
empresas estatais, tanto para o esporte quanto para a cultura. As duas
pastas sempre “competiram” de forma saudável para
aplicar os seus recursos.
Em 2003, em termos orçamentários,
o MinC gastava e investia mais. Naquele ano, foram desembolsados R$ 353
milhões pela pasta contra R$ 200 milhões aplicados pelo
Ministério do Esporte (veja tabela). Apenas no ano passado, quando
o Brasil foi sede dos Jogos Pan-americanos, o esporte foi mais bem contemplado
com recursos dos cofres públicos. E o ritmo de aplicação
vem se mantendo esse ano, principalmente por conta dos pagamentos dos
chamados “restos a pagar”, recursos reservados em orçamento
em anos anteriores, mas não pagos até o fim de 2007. Enquanto
o montante desembolsado pela pasta do Esporte esse ano é de R$
317,1 milhões, a Cultura aplicou R$ 293 milhões, uma diferença
de R$ 24 milhões.
Os recursos globais autorizados
em orçamento para o Ministério do Esporte também
vêm crescendo gradativamente. Em 2003, estavam previstos R$ 561,7
milhões (em valores atualizados) para a pasta comandada, na época,
pelo ministro Agnelo Queiroz. O montante foi inferior ao autorizado para
a Cultura (R$ 611,7 milhões). Já para 2008, a verba autorizada é o
dobro da registrada naquele ano, R$ 1,3 bilhão, e empata com a
da Cultura. No ano passado, quando ocorreu o Pan-americano, o orçamento
do esporte disponível também foi grande. Cerca de R$ 1,8
bilhão estava previsto para ser gasto e investido no setor.
O principal programa desenvolvido
pela pasta em 2008 é o “esporte e lazer na cidade”,
que já recebeu R$ 102,8 milhões. Os recursos do programa
servem para subsidiar ações de fomento a pesquisas, desenvolvimento
de atividades para idosos, promoção de eventos, implantação
e modernização de infra-estrutura, funcionamento de núcleos
de esporte recreativo e de lazer, entre outros.
Com a proximidade dos Jogos Olímpicos,
o programa Brasil no esporte de alto rendimento, o Brasil Campeão, é o
segundo mais bem contemplado com verba do Ministério do Esporte
esse ano, com R$ 51,1 milhões recebidos. Um dos objetivos do programa é beneficiar
4,4 mil atletas de alto rendimento, além de subsidiar a capacitação
de duas mil pessoas. A verba do programa também é usada
para custear avaliação de atletas, pagamento de quase três
mil bolsas, para a promoção e participação
de 1,2 mil atletas portadores de deficiência, entre outros fins.
No ano passado, por exemplo,
o programa mais beneficiado com verba do esporte foi o Brasil rumo ao
Pan, que recebeu R$ 836,6 milhões, ou seja, 62% de tudo que foi
desembolsado pelo ministério em 2007 (em valores atualizados).
Os dados citados na matéria, coletados no Sistema Integrado de
Administração Financeira (Siafi), incluem despesas globais
com pessoal, encargos sociais, pagamento de juros, despesas correntes
(água, luz, telefone, etc.) e investimentos.
O especialista em gestão
e marketing do esporte da Universidade de Brasília (UnB) Paulo
Henrique Azevêdo acredita que a criação de um ministério
específico para o esporte foi fundamental para que as aplicações
no setor crescessem. Segundo ele, entidades e pessoas do setor ansiavam
por maiores gastos há muitos anos. “No início do
ministério, em 2003, mesmo com o orçamento pequeno, o esporte
envolveu uma grande quantidade de pessoas. A divulgação
institucional do esporte brasileiro naquele ano também foi muito
grande”, afirma.
Azevêdo diz ainda que o
ministério criou uma agenda de atividades para o setor, o que
gerou, segundo ele, uma necessidade e uma exigência da sociedade
para o esporte. “O Brasil foi um dos dez países que mais
sediaram eventos no ano passado. A quantidade de realizações
esportivas foi a que mais aumentou. É importante ressaltar também
que a Lei de Incentivo ao Esporte, que entra em vigor esse ano, gera
mais recursos para a área”, destaca.
No entanto, de acordo com o especialista,
era necessário que o país desenvolvesse um projeto integrado
para sediar a Copa do Mundo, as Olimpíadas e o Pan-americano. “A
mentalidade de projetos separados para cada evento é ruim. Precisamos
repensar isso”. Para ele, o Ministério do Esporte deve ser
um disseminador e incentivador. “As políticas tanto precisam
chegar até a população de baixa renda quanto devem
resultar também em promoção de eventos de qualidade”,
conclui Azevedo.
O Contas Abertas entrou em contato
com o Ministério do Esporte para saber qual a posição
da pasta diante desse crescimento orçamentário. No entanto,
até o fechamento da matéria, a assessoria não comentou
o assunto.
Orçamento para Cultura também
aumenta
Não foi apenas o orçamento
do Ministério do Esporte que cresceu nos últimos cinco
anos. Os recursos previstos para o Ministério da Cultura também
aumentaram no período. Em 2003, primeiro ano do governo Lula,
a pasta comandada por Gilberto Gil tinha uma previsão de gastos
de R$ 618 milhões, em valores atualizados. Para este ano, está disponibilizado
quase R$ 1,3 bilhão para o órgão. Entre os principais
programas da cultura estão “engenho das artes”, “cinema,
som e vídeo”, “livro aberto” e “cultura,
identidade e cidadania”.
Lei de Incentivo ao Esporte gerou
debate entre artistas e atletas
A aprovação da
Lei de Incentivo ao Esporte, no fim de 2006, que autoriza pessoas físicas
a doar ou usar como patrocínio até 6% do imposto devido,
e as pessoas jurídicas - empresas, clubes sociais, entidades de
classe, entre outros - até 4%, o mesmo permitido para a cultura,
foi polêmica. O debate surgiu com a manifestação
da classe artística. Na época, eles argumentaram que se
os atletas tivessem o mesmo benefício que os artistas têm,
os patrocinadores iriam deixar de apoiar a cultura para apoiar o esporte.
A rainha do basquete, Hortência,
comentou que existe espaço para o apoio à cultura e ao
esporte e a aprovação da lei é fundamental para
promover inclusão social. “Temos orgulho do nosso cinema,
dos nossos artistas, não estamos aqui para competir e sim para
andar juntos. Chegou a vez do esporte. Esse apoio é importante
para o desenvolvimento de atletas e cidadãos. Eu, por exemplo,
só comecei no basquete por causa de um projeto social de uma prefeitura”,
disse.
Um dos argumentos dos artistas
para que a lei não fosse aprovada era que a desvantagem seria
que os atletas poderiam estampar a marca dos patrocinadores pelo corpo,
o que no caso deles não poderia acontecer. Para Torben Grael,
não há problema algum, pois os artistas têm outras
formas para fazer a divulgação. “Eles podem usar
cartazes e convites, que também são formas de divulgação.
A lei é importante para a evolução do esporte”,
comentou.
O ex-nadador Gustavo Borges afirmou
que as duas categorias não brigam pelo mesmo tipo de patrocínio
e que na realidade existe espaço para todos. “O mercado
se acomoda. É só ver no caso de concorrência, que
nem é o que temos aqui, como o tempo as coisas se estabilizam.
O perfil de patrocínio é diferente”, disse
Leandro Kleber
Do Contas Abertas
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AGÊNCIA DIAP, 29 de
julho de 2008
IMPOSTO DE RENDA
Receita Federal estuda acabar com
a declaração de isento
A Receita Federal estuda acabar
com a declaração de isentos, exigida anualmente de
todos os brasileiros dispensados de declarar Imposto de Renda,
a maioria por ter salário inferior ao limite de insenção
(menos de R$ R$ 15.764,28 no ano passado). O fim da exigência
só depende do aval final da Cúpula da Receita o pode
ser anunciada ainda nesta semana.
A previsão da Receita é que mais de 66 milhões de pessoas
estariam obrigadas a fazer a declaração de isento esse ano. Mas
o universo poderá chegar a cem milhões - quatro vezes o número
de contribuintes a entregar o Imposto de Renda em 2008 - se forem considerados
os casos em que o documento ficou pendente de regularização e
os ameaçados de suspensão. Atualmente, quem não faz a
declaração de isento tem o CPF suspenso ou até cancelado.
Criada há dez anos para
limpar o banco de dados do CPF, que existe desde 1969 - a declaração
de isento acabou virando um problema. Muita gente não dispõe
de internet e precisa se deslocar às agências dos Correios,
lotéricas, correspondentes bancários e bancos oficiais
para enviar a declaração, tendo de arcar com custos.
Outra mudança em
estudo, segundo a reportagem, é a inclusão do número
do CPF já na certidão de nascimento da criança,
feita gratuitamente pelos cartórios. Assim, o cidadão
passará a existir para o Fisco logo que nascer, mas a proposta é que
o CPF só seja ativado para fins fiscais quando a pessoa crescer
(tiver renda, fizer transação imobiliária ou virar
sócio de empresa). (Fonte: O Globo Online)
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CONGRESSO EM FOCO, 29 de
julho de 2008
Chinaglia ameaça cortar salários
de deputados
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), enviou telegrama convocando
os deputados para que estejam em Brasília nas duas primeiras semanas
de agosto. Ele alertou que os faltosos poderão ser punidos com descontos
nos salários. Oficialmente, o recesso termina no dia 31 deste mês.
Chinaglia convocou sessões
deliberativas (com votação) nos dias 4, 5, 6, 7, 12, 13
e 14 de agosto. O desafio do presidente é conseguir quorum na
volta do recesso e realizar votações nos meses que antecedem
as eleições de outubro.
Neste segundo semestre, uma das
prioridades do presidente da Câmara é votar a reforma tributária.
Além disso, os deputados também devem terminar a votação
dos destaques da Contribuição Social para a Saúde
(CSS)
Mas a pauta do plenário
deve ser turbinada com a proposta que altera a Lei dos Grampos. O projeto
de lei é considerado prioridade pelo presidente Lula. (Tatiana
Damasceno)
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CONSULTOR JURÍDICO,
29 de julho de 2008
Retratação pública
Empresa deve publicar nota contra assédio
sexual
A empresa JCX dos Santos terá de publicar nota em jornal afirmando que “protege
o direito à intimidade e a liberdade sexual dos trabalhadores e trabalhadoras
do Brasil, e que a prática do assédio sexual é crime previsto
no artigo 216-A, do Código Penal Brasileiro”. A obrigação
ficou estabelecida em acordo presidido pela juíza Cecília Pontes
Barreto Magalhães, da 11ª Vara do Trabalho da Bahia.
Ação foi movida
pelo Ministério Público do Trabalho depois que três
funcionárias afirmaram que sofreram assédio sexual. O processo
correu em segredo de Justiça.
A nota de retratação
deve ser publicada nos jornais A Tarde e Tribuna da Bahia em uma edição
de sábado e domingo.
Se a empresa não
cumprir a determinação até o final de agosto,
ela terá de pagar multa diária de R$ 200. O MPF apresentou
dados da Organização Internacional do Trabalho que mostram
que 52% das brasileiras já sofreram assédio sexual. A
pesquisa diz que 4% das mulheres assediadas sofrem brincadeiras de
conteúdo pornográfico, 29% reclamam da exibição
de material indecente e 26% delatam tentativas de contato físico
por parte de chefes. O Código Civil prevê pena de um a
dois anos de reclusão e ação indenizatória.
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CONSULTOR JURÍDICO,
29 de julho de 2008
Cinco minutos
Empresa é condenada por limitar
tempo de banheiro
Uma empresa de Brasília terá que pagar R$ 3 mil por danos morais
a um trabalhador que tinha apenas cinco minutos por dia para ir ao banheiro.
A decisão é da 2ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho
da 10ª Região (DF e TO). Os juízes entenderam que o empregador
não pode pressionar os empregados a limitarem suas necessidades fisiológicas.
O juiz Brasilino Santos Ramos,
relator do caso, entendeu que ficou provado na audiência que o
trabalhador foi submetido a constrangimento pelo receio de ser punido
pelo supervisor por ir ao banheiro. Segundo o relator, “o dano
resulta de lesão a direito da personalidade, repercutindo na esfera
moral do indivíduo”.
Ramos explica também que
os direitos da personalidade correspondem ao “direito à integridade
física; direito à integridade intelectual e direito à integridade
moral, incluído neste último o direito à imagem, à intimidade, à privacidade,
ao segredo, à honra, à boa fama, à liberdade civil,
política e religiosa”.
Segundo o juiz, a Constituição
considera, em seu artigo 5º, inciso X, “invioláveis
a intimidade, a vida privada, a honra, a imagem das pessoas, assegurado
o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente
da violação”.
RO-412-2007-017-10
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
29 de julho de 2008
Fazendas denunciadas por trabalho degradante
são interditadas pelo MPT
O MPT (Ministério Público do Trabalho) e o Grupo Móvel
de Combate ao Trabalho Escravo interditaram o setor de silagem em Brasnorte
(MT) usado pelas fazendas São Luis, São Luiz II, Bebedouro, São
Brás e Santa Clara. A fiscalização foi motivada por denúncias
de trabalho degradante e violação das normas de segurança
e saúde dos trabalhadores.
Durante a vistoria, segundo informações
do MPT, foram comprovadas pelos auditores infrações às
leis de proteção física do trabalhador. A fiscalização
constatou que a fiação elétrica do local não
estava em situação adequada, podendo ocasionar acidentes
de trabalho. Além disso, os empregados não possuíam
treinamento próprio para exercer suas funções e
lidar com as máquinas usadas na fazenda e não dispunham
de equipamento de proteção individual, determinados por
lei.
Dentre as irregularidades encontradas
pelo Grupo Móvel e pelo MPT estavam problemas nos alojamentos,
no transporte, nos banheiros disponibilizados aos trabalhadores, a falta
de medicamentos para primeiros socorros e a ausência de qualquer
documentação de exame médico.
Já no que diz respeito às
contratações, não havia registros de admissão
e as normas de proteção à mulher eram violadas.
Foi constatado que um menor de 18 anos era empregado na função
de tratorista. Nas fazendas, os fiscais apreenderam motos-serra e armas
de fogo sem os devidos registros e licenciamentos nos órgãos
competentes.
O representante das fazendas
foi chamado pelo MPT para que se realizasse um TAC (Termo de Ajustamento
de Conduta). Pelo termo, os proprietários das fazendas se comprometem
a sanar as irregularidades, melhorando as condições de
trabalho e, ainda, a pagar R$ 100 mil a título indenização
por dano moral coletivo.
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FOLHA DE LONDRINA, 29 de
julho de 2008 | Política
‘Melhor remédio contra
inflação é aumento de produção’,
diz Lula
Durante o programa de rádio ''Café com
o Presidente'', Lula ainda destacou a abertura de quase 310 mil vagas
de trabalho no mês de junho
São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem
que o melhor remédio para combater a inflação é aumentar
a produção no país. Para Lula, as altas de preços
dos alimentos no mundo ''tende a fluir rapidamente'' e não afetará o
crescimento.
''Eu acredito que a economia
brasileira está demonstrando firmeza, demonstrando sustentabilidade;
e eu penso que nós vamos continuar crescendo, até porque
essa inflação causada por alimentos no mundo inteiro, ela
tende a fluir rapidamente'', disse, no programa de rádio ''Café com
o Presidente'', transmitido ontem.
Na semana passada, a Confederação
Nacional da Indústria (CNI) informou que com a inflação
mais alta, a perda de poder aquisitivo e mais dívidas afetaram
o otimismo do consumidor brasileiro no segundo trimestre do ano. A pesquisa
trimestral da confederação mostrou que o Índice
Nacional de Expectativa do Consumidor recuou 1,6% na comparação
com o registrado em março e 1,2% na comparação com
junho de 2007. O indicador está em 109,8 pontos (valores acima
de 100 pontos indicam expectativa ainda positiva).
''O consumidor brasileiro voltou
a se assustar com a inflação e isso fez com que o otimismo
em relação à economia recuasse no segundo trimestre
deste ano'', diz a CNI.
Empregos
O presidente destacou os dados
do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de junho, que
mostraram a abertura de 309.442 vagas no mercado de trabalho - melhor
resultado para um mês na história do país. O recorde
anterior era abril de 2007 (301.991 vagas). No primeiro semestre do ano
foram gerados 1,361 milhão de novos postos de trabalho, um aumento
de 24,3% em relação ao primeiro semestre de 2007. O número
acumulado em 12 meses também foi recorde e chegou a 1,883 milhão
de empregos.
Para o presidente, o fato de
que a expansão na abertura de vagas foi expressiva na construção
civil e no interior do país é positivo. ''As empresas vão
para as cidades do interior porque têm mais tranquilidade, porque é tudo
muito mais fácil e porque a agricultura está crescendo
e porque têm muitas obras do governo contratadas no PAC (Programa
de Aceleração do Crescimento)'', disse.
''Estou muito feliz com o crescimento
na construção civil, porque havia 20 anos que a construção
civil não crescia. Quando nós entramos no governo, nós
fizemos várias mudanças na legislação brasileira,
melhoramos o crédito e hoje a construção civil bate
recorde atrás de recorde na geração de empregos'',
acrescentou Lula.
Em junho, Petrolina foi a cidade
do interior que mais gerou vagas formais: foram 5.356 novos postos, uma
alta de 14,25%, respondendo por 47% de todos os empregos gerados no Estado
no mês.
Folhapress
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CONTAS ABERTAS, 29 de julho
de 2008
Bolsa Família supera PAC em
R$ 1 bilhão
O governo federal gastou mais de R$ 5,9 bilhões com o Programa Bolsa
Família (PBF) entre janeiro e julho de 2008, cerca de R$ 900 milhões
a mais do que o aplicado no mesmo período do ano passado. O montante
ainda supera em R$ 1 bilhão o orçamento desembolsado até 24
de julho no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que
por ser um programa amplo de investimento em todo o país, tem dificuldades
no gerenciamento dos recursos (veja quadro comparativo). No ano passado, entre
as aplicações nos dois programas, considerados carros-chefe do
governo Lula, a diferença era ainda maior. Até julho de 2007,
o Bolsa Família superava o PAC em R$ 2,6 bilhões. Vale lembrar
que esses dados do PAC são relativos às obras e projetos passíveis
de acompanhamento no orçamento da União, o que exclui investimentos
das estatais e da iniciativa privada.
O Bolsa Família, instrumento
governamental de transferência direta de renda para famílias
em situação de pobreza ou miséria, beneficia cerca
de 11 milhões de famílias, com o repasse de aproximadamente
R$ 840 milhões mensais. A folha de pagamento de agosto prevê o
benefício para 10,9 milhões de famílias em todo
o Brasil. Considerando uma média de quatro membros por família,
isso equivale a 45,8 milhões de pessoas, ou seja, 25% da população
brasileira.
Do total gasto pelo programa
Bolsa Família, R$ 3 bilhões (51%) são destinados
exclusivamente à região nordeste. Mas a cota pode ser alterada
para mais, já que os serviços de gestão, administração
e manutenção do programa são discriminados apenas
como nacionais. (veja tabela). O estado da Bahia tem o maior número
de famílias beneficiadas. De acordo com o Sistema de Benefícios
ao Cidadão, da Caixa Econômica Federal, mais de 1,4 milhão
de famílias serão contempladas em agosto de 2008, o que
corresponde a 5,7 milhões de pessoas ou 40% da população
baiana.
Além da Bahia, outros
estados como São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco também
contam com os maiores índices de famílias cadastradas no
programa Bolsa Família. Uma pesquisa encomendada pela Secretaria
de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Governo de Pernambuco,
divulgada em março deste ano, revela também que 43% da
população pernambucana é beneficiária do
programa.
Segundo o diretor especialista
em avaliação de programa sociais e professor da Universidade
de Brasília, Elimar Nascimento, esses índices revelam a
situação de pobreza e miséria desses estados. “Isso
reflete a já tão conhecida desigualdade regional do Brasil.
Os índices são absolutamente compreensíveis”,
diz ele. O professor afirma que a iniciativa de qualificar profissionalmente
os beneficiários do Bolsa Família, anunciada na semana
passada pelo governo, é o início de uma transformação
que altera o conteúdo do programa. Para ele, é agora que
o Bolsa Família deve tornar possível o desenvolvimento
social de seus cadastrados.
O especialista garante ainda
que existem outras medidas que o governo poderia utilizar. “A criação
de cooperativas específicas e os microcréditos, por exemplo,
poderiam ser outra porta de saída do Bolsa Família para
a independência”, diz Nascimento. Ele ainda acredita que
o montante aplicado no PAC e no Bolsa Família sejam justificáveis. “Estrategicamente,
o Brasil precisa de educação e infra-estrutura para se
desenvolver, mas é, emergencialmente, necessário articular
os recursos para tirar as pessoas da miséria”, conclui.
PAC como porta de saída
A partir da segunda quinzena
de setembro, o governo deverá capacitar cerca de 200 mil beneficiários
do Bolsa Família para atuarem na área da construção
civil, por meio do Plano Setorial de Qualificação (Planseq
Bolsa Família). A iniciativa pretende estimular a participação
dos beneficiários em obras ligadas ao PAC, em ocupações
como mestre de obras, eletricista, operador de trator, pintor, encanador
e outros.
Ao oferecer a qualificação
profissional atrelada à obtenção de um emprego para
beneficiários do Bolsa Família, o Planseq acredita abrir
a porta de saída do programa e fazer com que os beneficiários
dispensem a ajuda do governo.
A idade mínima para fazer
o curso é 18 anos. É preciso ter concluído pelo
menos a 4ª série do ensino fundamental. O governo vai reservar
30% das vagas para mulheres. Os cursos serão oferecidos em 240
municípios e a duração será de 200 horas,
80 teóricas e 120 práticas. O edital de contratação
das escolas formadoras será lançado nas próximas
semanas, com investimento estimado de R$ 145 milhões.
Como funciona o PBF
O PBF foi criado em 2004 para
apoiar famílias mais pobres e garantir a elas o direito à alimentação
e o acesso à educação e à saúde, por
meio da transferência de renda para acesso a serviços essenciais.
Desde então, o PBF já custou R$ 40,5 bilhões aos
cofres públicos, em valores atualizados. O programa reúne
outras quatro ações sociais: o Bolsa Escola, o Cartão
Alimentação, o Bolsa Alimentação e o Auxílio
Gás.
A execução da transferência
de renda é feita pelos municípios e cabe às prefeituras
realizarem o cadastramento das famílias, por meio do Cadastro Único
dos Programas Sociais do Governo Federal, o CadÚnico. A seleção
das famílias, no entanto, é feita pelo Ministério
do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). Segundo o ministério,
o Bolsa Família contribuiu para a queda de mais de 21% na desigualdade
do país entre 2001 e 2005.
Os valores pagos pelo Bolsa Família
variam de R$ 20 a R$ 182, de acordo com a renda mensal por pessoa da
família e o número de crianças e adolescentes até 17
anos (veja tabela) e pode ser pago por meio de três tipos de benefícios.
O benefício básico, de R$ 62,00 pago às famílias
com renda per capita mensal de até R$ 60,00; o benefício
variável, de R$ 20,00, pago às famílias com renda
mensal de até R$ 120,00 desde que tenham crianças e adolescentes
de até 15 anos. Cada família pode receber até três
benefícios variáveis, ou seja, até R$ 60,00; e o
benefício variável vinculado ao adolescente, de R$ 30,00
pago a todas as famílias do PBF que tenham adolescentes de 16
e 17 anos freqüentando a escola. Cada família pode receber
até dois benefícios variáveis vinculados ao adolescente,
ou seja, até R$ 60,00.
Ao entrar no PBF, a família
se compromete a cumprir as condições do programa, tais
como manter a freqüência escolar das crianças e adolescentes
e cumprir os cuidados básicos em saúde. A presença
na escola deve atingir 85% para crianças e adolescentes entre
6 e 15 anos e 75% para adolescentes entre 16 e 17 anos. Os pais também
devem assumir a responsabilidade de manter constante acompanhamento do
estado de saúde da criança, além de prestar informação
semestralmente sobre o crescimento e desenvolvimento das crianças
menores de sete anos, pré-natal das gestantes e acompanhamento
das nutrizes.
Reajuste
O ministro do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, anunciou em junho o reajuste
de 8% nos benefícios do Bolsa Família. A iniciativa, que
gerou diversas críticas por ter sido aplicado em ano eleitoral,
passou a vigorar na folha de pagamento de julho, paga a partir do dia
18.
O MDS estima que a recomposição
terá um custo adicional de R$ 419 milhões no orçamento
de 2008. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva atribuiu a aplicação
do reajuste à crise global de aumento dos preços dos alimentos.
Milton Júnior
Do Contas Abertas
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FOLHA ONLINE, 29 de julho
de 2008 | Blog do Josias
Acordo dá 45% das vagas do PAC
ao Bolsa Família
O governo abriu uma perspectiva de emprego para a clientela do Bolsa Família.
Decidiu-se que 45% das vagas abertas nas obras do PAC serão destinadas
a beneficiários do programa.
O acordo foi costurado com a
CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção
Civil).
Participaram dos entendimentos
representantes de três ministérios: Casa Civil, Trabalho
e Desenvolvimento Social.
Antes de obter o emprego, os
brasileiros pendurados no Bolsa Família terão de fazer
um curso de capacitação.
Curso já previsto num
programa oficial. Chama-se Planseg (Plano Setorial de Qualificação).
Prevê investimentos de R$ 145 milhões.
Espera-se “qualificar” cerca
de 180 mil pessoas nas 12 regiões metropolitanas do país.
Só em São Paulo, há 44 mil “alunos” potenciais.
A idéia é que saiam
do curso em condições de exercer em sua plenitude ofícios
como os seguintes:
Pintor, azulejista, encanador,
carpinteiro, mestre-de-obras, desenhista, eletricista, operador de trator,
gesseiro, auxiliar de escritório e almoxarife.
No momento, o governo estrutura
os cursos. Repassa informações a 1.200 gestores estaduais
e municipais do Bolsa Família.
Essa fase inicial foi deflagrada
nesta segunda (28), nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e
Fortaleza.
Termina no dia 13 de agosto,
em Belo Horizonte. Até lá, espera-se que 240 municípios
estejam em condições de iniciar os cursos profissionalizantes.
As aulas começam na segunda
quinzena de setembro. Terão duração de 200 horas,
divididas em duas fases: 80 horas de teoria e 120 de lições
práticas.
Na reunião preparatória
de São Paulo, uma das que foram realizadas nesta segunda, o representante
de Brasília teve uma preocupação especial.
Para não afugentar os
futuros alunos, José Crus, assessor técnico do Ministério
do Desenvolvimento Social, avisou:
“Aquele que for participar
do Planseq não perderá o benefício do Bolsa Família.” Mais: “Os
alunos receberão lanche e auxílio em dinheiro para freqüentar
os cursos.”
Bom que seja assim. Porém,
o desdobramento óbvio da iniciativa é –ou deveria
ser— a emancipação do pobre que hoje depende da ajuda
oficial.
Pela lógica, uma
vez empregado, o aluno deixaria o Bolsa Família, dando lugar
a miseráveis ainda não contemplados com o Bolsa Família.
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FOLHA DE LONDRINA, 29 de
julho de 2008 | Opinião
O vigor da indústria do vestuário
no Paraná
Será preciso fazer mais propaganda
das marcas paranaenses e desfilar nas grandes passarelas
A segunda posição no Brasil (depois de São Paulo) na indústria
do vestuário mostra que a pujança do Paraná está presente
hoje não apenas na produção rural mas também em
inúmeros outros setores. O negócio das confecções,
no Estado, lança no mercado 150 milhões de peças por ano
e fatura R$ 4 bilhões, empregando 76 mil trabalhadores diretos e indiretos.
Os números são
da Federação das Indústrias do Estado do Paraná,
promotora do Paraná Business Collection (PBC) que iniciou-se ontem
em Curitiba. O evento, em parceria com o Sebrae, tem a duração
de 5 dias e reúne empresas de todo o Estado e 140 atacadistas
compradores, inclusive estrangeiros. No total são 2.770 indústrias.
No ano passado 15 mil pessoas circularam pelas áreas do PBC, e
a expectativa é que o de agora (que é o segundo) atraia
muito mais.
Um ponto igualmente positivo é que
as indústrias estão distribuídas em todas as regiões
do Estado, destacadamente Cianorte, Maringá, Londrina, Apucarana,
Imbituva, Terra Roxa e inúmeros núcleos do Sudoeste. No
setor de bonés, Apucarana é a maior produtora nacional.
O vigor industrial neste campo foi mostrado na recente Expovest, em Cianorte.
Quando os promotores dizem que
o setor, no Paraná, sente a necessidade de ser mais competitivo,
deve-se entender não a concorrência predatória mas
o investimento em propaganda, manutenção da qualidade e
na melhoria onde necessário, e marcadamente bons preços.
Essas estratégicas devem valer para as indústrias do ramo
em todo o País, para competir com os produtos chineses, que invadem
as prateleiras do Brasil e preços mais convidativos. Naturalmente
que, sob esse aspecto - embora as muitas estratégias pouco éticas
desses fabricantes, como o dumping - será preciso rever pontos,
no Brasil, como os elevados impostos sobre a produção e
a comercialização e o altíssimo encargo sobre os
salários, que oneram o custo final das mercadorias e serviços.
A propaganda é a
alma do negócio - o velho jargão que nunca perde validade
- e se o Paraná produz vestuário de qualidade, precisa
difundir isto mais intensamente e subir com mais frequência às
passarelas dos grandes centros, dando mais visibilidade às suas
marcas. A Federação das Indústrias já vem
realizando, há 4 anos, contatos com os mercados mundiais da
moda e levando empresários brasileiros a conhecê-los,
assim como os sistemas de difusão que adotam. O caminho inverso
(de um país emergente na área para os centros tradicionais) é mais
difícil mas nunca um trabalho infrutífero.
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Vermelho, 29 de julho de
2008
Em 5 anos, moeda brasileira sobe 124%
na comparação ao dólar
O real se valorizou 124% frente
ao dólar desde o fechamento de 2002 até a semana passada
e lidera a lista de moedas de países em desenvolvimento mais fortalecidas,
segundo um estudo divulgado nesta segunda-feira (28) pela empresa brasileira
Economática.
Nesses cinco anos e quase oito
meses, o peso colombiano se fortaleceu 61,6% frente ao dólar,
seguido pelo peso chileno (46%), o sol peruano (23,3%), o peso argentino
(11,5%) e o mexicano (2,9%).
Nesse período, o bolívar
da Venezuela, agora chamado bolívar forte, se desvalorizou 34,7%
em relação à moeda americana e contrariou a tendência.
Do outro lado do Atlântico, o euro se valorizou 50% perante a debilitada
moeda americana, sendo 6,9% em 2008.
Segundo os dados da Economática,
ao longo de 2008 a tendência continuou, mas liderada pelo peso
colombiano, com um avanço de 13,6%, seguido pelo real com 12,5%.
Entre 1º de janeiro e 25
de julho deste ano, a divisa mexicana se valorizou 8,9%, a peruana 4,4%,
a argentina 4,3% e a chilena 1,1%.
Segundo a empresa, a queda do
dólar frente às moedas latino-americanas também
foi forte pelo sexto ano seguido e "demonstra o vigor das moedas
dos países estudados".
Entre 31 de dezembro de 2002
e 25 de julho deste ano, o dólar se desvalorizou 55,4% frente
ao real, 38,1% perante o peso colombiano, 31,6% em relação
ao chileno, 18,9% comparado com o sol peruano, 10,3% ante o peso argentino
e 2,8% frente ao peso mexicano.
Ao longo de 2008, a tendência
se manteve firme e o dólar se enfraqueceu 12% perante a moeda
colombiana, 11,1% ante a brasileira, 8,2% em comparação
com a mexicana, 4,1% em relação à argentina, 4,2%
frente à peruana e 1,1% comparado com a chilena.
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Gazeta do Povo, 29 de julho de 2008
Boletim Focus
Alta dos juros diminui previsão
de crescimento
A decisão do Banco Central de promover um aumento maior dos juros na
semana passada afetou a previsão dos economistas e analistas do mercado
financeiro para 2009, segundo a pesquisa semanal do Banco Central, o relatório
Focus. Na última quarta-feira, o BC aumentou os juros de 12,25% para
13% ao ano – foi o maior aumento desde o início do governo Lula,
numa tentativa de trazer a inflação de volta para o centro da
meta no próximo ano. No boletim divulgado ontem, os economistas reduziram
as expectativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo
ano de 4% para 3,9%. Para 2008, foi mantida a previsão de 4,8%.
Foi mantida a previsão de que a taxa básica de juros termine
2008 em 14,25% ao ano, feita na semana passada. Isso significa que o aumento
maior dos juros agora significará uma alta menor nos próximos
meses. Para o fim de 2009, a estimativa para a taxa Selic subiu de 13,75% ao
ano para 14% ao ano, prevendo aumento maior dos juros no próximo ano.
Inflação
Em relação à inflação, as previsões
para 2008 subiram. Para 2009, houve queda em alguns indicadores. A expectativa
para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano,
que serve como meta de inflação, subiu pela 18ª semana seguida.
O IPCA deve fechar o ano a 6,58%, acima dos 6,53% esperados até a semana
passada. Se confirmado, o indicador ficaria acima do teto da meta de inflação
para esse ano, que é de 6,50% (meta de 4,5% com dois pontos percentuais
de tolerância para cima e para baixo).
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Vermelho, 29 de julho de
2008
Índia diverge do Brasil e lidera
3º mundo na Rodada de Doha
A proposta apresentada na sexta-feira
(25) pelo francês Pascal Lamy, secretário-geral da OMC
(Organização Mundial do Comércio), para tentar
destravar a Rodada de Doha, chega a esta segunda-feira sob questionamento
da maioria do Terceiro Mundo. Aceita pelo Brasil como um mal menor
e um avanço, ela é contestada pela Índia, à frente
de um bloco de 100 países em desenvolvimento.

Os negociadores da União Européia, EUA, Índia e Brasil
''As preocupações
da Índia em relação à agricultura são
compartilhadas por cem países'', afirmou neste domingo (27) o
ministro indiano de Comércio, Kamal Nath. O grupo assinou um documento
de três páginas que contesta o ''mecanismo de salvaguardas
especiais'' proposto por Lamy.
''...Aí nossos cidadãos
terão morrido''
Na proposta do dirigente da OMC,
as tarifas sobre a importação de produtos agrícolas
teriam um teto de 15%, que só poderia ser ultrapassado se as importações
aumentarem mais de 40%. A Índia quer que o gatilho dispare quando
as exportações aumentarem 10%. Um diplomata indiano disse
que o limite de Lamy limite é inaceitável, pois ''quando
as importações aumentarem 40% nossos cidadãos terão
morrido''.
As negociações
sobre a Rodada de Doha se arrastam desde 2001 e entraram em um impasse
desde 2003. Sábado era o prazo final para um acordo. Como o acordo
não veio, houve nova prorrogação, até a próxima
quarta-feira (30).
Índia tem 670 milhões
de camponeses
As negociações
acontecem em Genebra, na Suíça, cidade-sede da Organização.
A OMC tem hoje 153 países-membros, porém só 35 estão
presentes em Genebra, representando regiões do mundo, e o grosso
dos entendimentos está centralizado em apenas sete delegações:
Estados Unidos, União Européia, Brasil, Índia, China,
Japão e Austrália.
A posição indiana
leva em conta a imensa população camponesa do país – 670
milhões, a maior do mundo –, cuja agricultura familiar não
teria como resistir à concorrência de produtos estrangeiros.
O mesmo ocorre com os países em desenvolvimento que a acompanham,
na maioria africanos e com agricultura vulnerável.
A negociadora dos EUA, Susan
Schwab, bateu de frente com o bloco liderado pela Índia. Disse
que alguns países em desenvolvimento ameaçam fazer fracassar
um acordo global de comércio que está em construção,
pelo fato de insistirem com suas exigências.
Divergência rachou o G-20
Já o Brasil, uma potência
agrícola respeitável, exportadora e competitiva, resolveu
que seria melhor chegar a algum acordo na rodada, mesmo insatisfatório,
aceitando a proposta Lamy, em vez de prolongar o impasse. ''Confesso
que não vi o texto apresentado pela Índia'', afirmou o
chanceler brasileiro, Celso Amorim, ao sair da reunião.
Ainda que os diplomatas não
o admitam, as posições diferentes da Índia e do
Brasil representam um racha do G-20 – bloco de países em
desenvolvimento que desde a Conferência de Cancún, em 2003,
vinha resistindo coordenadamente às tentativas de imposição
por parte dos EUA e UE. O Brasil cedeu, a Índia e seus aliados
não.
Haverá acordo até quarta?
A Argentina também adiantou
que não aceita a proposta de Pascal Lamy, porém por outros
motivos: possui uma agricultura competitiva, mas é a baixa nas
tarifas de importação de produtos agrícolas que
a incomoda. Durante o fim de semana, a diplomacia brasileira tentou contornar
a oposição argentina oferecendo compensações
no âmbito do Mercosul.
Por fim, o próprio Brasil
não aceitou a proposta de sexta-feira no que se refere às
exportações de etanol. A União Européia quer
importar no máximo 1,4 milhão de toneladas por ano, durante
os próximos dez anos. Para o Itamaraty, não haverá um
acordo com essa restrição ao produto que é o carro-chefe
da política comercial do governo Lula. No domingo, havia sinais
de um recuo parcial dos europeus, mas não se chegara a um número
de consenso.
Apesar do otimismo profissional
dos negociadores, não há garantias de que os sete países
que centralizam as tratativas cheguem a um compromisso até a quarta-feira.
Nem muito menos se sabe se esse eventual entendimento passará pelos
146 membros da OMC que estão fora da mesa de negociação.
Da redação, com agências
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Agência Diap, 29 de julho
de 2008
A explosão dos acidentes de
trabalho
Por: Altamiro Borges*
Em 27 de julho é lembrado
o Dia da Prevenção dos Acidentes de Trabalho. Infelizmente,
porém, não há o que comemorar no mundo e no Brasil.
Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho
(OIT), em média, cinco mil pessoas morrem por dia em decorrência
da negligência das empresas capitalistas – que abusam na
exploração e não investem na segurança
nos ambientes de trabalho. No Brasil, segundo o Instituto Nacional
de Seguridade Social (INSS), cerca de 500 mil trabalhadores foram vítimas
de acidentes laborais no ano passado, resultando em 2.708 mortes.
Estes números sequer refletem a realidade. O próprio INSS calcula
que somente 20% dos casos são notificados através da Comunicação
de Acidentes de Trabalho (CAT). Muitos trabalhadores, temendo perder o emprego,
evitam notificar incidentes mais leves; já as empresas, preocupadas
com sua imagem e avarentas por lucros, preferem ocultar os acidentes; e uma
parte dos médicos do trabalho contribui para esta grave omissão
das informações, submetendo-se à lógica patronal.
Terceirização e informalidade
Os acidentes de trabalho e as doenças ocupacionais tiveram um crescimento
vertiginoso nos anos 90 devido ao tsunami neoliberal, que precarizou ainda
mais as condições de trabalho. A chaga da terceirização
e o aumento das horas extras, congeladas pelo nefasto banco de horas, ocasionaram
elevação sem precedentes na história do número
de acidentes. Com a explosão da informalidade, no qual os trabalhadores
não possuem qualquer direito trabalhista ou acesso à previdência
social, este drama passou a lembrar as trágicas estatísticas
de mortos e feridos nas guerras.
Na fase mais recente, com a tímida retomada do crescimento econômico,
as empresas passaram a exigir maior produção. Além dos
acidentes visíveis, o ritmo acelerado de trabalho e o excesso de horas
extras intensificaram o estresse ocupacional, o que gerou novas doenças
psicopatológicas, como a depressão e a angústia, e patológicas,
como úlceras, hipertensão arterial e as lesões por esforço
repetitivo e os distúrbios osteomoleculares relacionados ao trabalho
(LER-Dort). Até agora, são poucas as ações efetivas
dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para superar este criminoso
drama social. Mesmo os sindicatos pouco se debruçam sobre este tema
crucial.
Um tema candente e estratégico
Entre as medidas positivas, mas brandas, adotadas pelo governo do presidente
Lula – ele próprio um acidentado no trabalho – encontram-se
a implantação da Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde
do Trabalhador (Renast), em 2003, e a realização da Conferência
Nacional de Saúde do Trabalhador, em 2005. Nela foi aprovada a integração
entre os ministérios da Saúde, Trabalho e da Previdência
Social e a criação de uma Política Nacional de Saúde
e Segurança no Trabalho, que visa superar a compartimentação
das ações governamentais no enfrentamento do problema.
A Federação dos Metalúrgicos da Bahia, que dedicou seu
segundo congresso ao tema e sempre priorizou o assunto, considera que estas
iniciativas foram positivas, mas aquém da gravidade do problema. “Embora
a conferência tenha ajudado a despertar esse interessante debate, na
prática o que se verificou foi a formação de uma ‘colcha
de retalhos’, com cada instância preocupada em responder a partir
do problema da sua área de atuação”. Em síntese,
o poder público não cumpre o seu papel na fiscalização
e na exigência de ambientes mais seguros, e as empresas capitalistas
continuam negligenciando as condições de trabalho na busca de
mais produtividade e lucros.
Ao comemorar o Dia Nacional de Prevenção dos Acidentes de Trabalho
seria fundamental que o sindicalismo intensificasse a pressão contra
os acidentes e as doenças ocupacionais. Entre outras reivindicações,
os metalúrgicos baianos listaram o fim da terceirização
da perícia médica, maior capacitação dos cipeiros
sobre o tema e abertura de postos de trabalho às vítimas de acidentes
e doenças ocupacionais. Sem perder a perspectiva do socialismo, como única
forma de superar a barbárie capitalista, também apontaram como
bandeiras imediatas a luta pela redução da jornada e pelo fim
do entulho regressivo imposto por FHC, como a terceirização e
o banco de horas.
(*) Jornalista, editor da revista Debate Sindical e autor do livro "As
encruzilhadas do sindicalismo" (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
29/07/2008
Operários da Vale ajuízam
dissídio contra fim de turnos de revezamento
O Tribunal Superior do Trabalho
realiza hoje (29), às 14h, audiência de conciliação
e instrução de dissídio coletivo suscitado por três
sindicatos de trabalhadores contra a Companhia Vale do Rio Doce.
Com o dissídio, de natureza
jurídica, os sindicatos pretendem obter do TST interpretação
de norma interna da Vale que, de acordo com a inicial, transformou a
jornada de trabalho de todos os empregados submetidos a turnos de revezamento
de seis horas para turnos fixos. A medida, ainda segundo os sindicatos,
entrará em vigor no dia 11 de agosto e atinge cerca de seis mil
trabalhadores em mais de 30 municípios dos Estados de Minas Gerais
e Espírito Santo.
A audiência será conduzida
pelo vice-presidente do TST, ministro Milton de Moura França.
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