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O ESTADO DO PARANÁ,
30 de junho de 2008 | Economia
Após um ano, volta a sobrar
estoque na indústria
Agência Estado
Pela primeira vez em mais de um ano os estoques da indústria foram considerados
excessivos pelos empresários brasileiros que participaram da Sondagem
Conjuntural da Indústria de Transformação do Instituto
Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas
(FGV). De acordo com dados apresentados pelo coordenador-técnico Jorge
Braga, esse índice ficou em -2% em julho, sem ajuste sazonal - abaixo
de zero, o indicador representa excesso de estoques.
"Este quadro é mais
uma amostra de que realmente está havendo um recuo na produção
industrial, ainda que pequeno", considerou Braga. "Os estoques,
que estavam insuficientes de julho a outubro do ano passado, apresentam
agora algum excesso", acrescentou.
A última vez que o indicador
ficou em -2% foi em junho de 2007. A partir dessa data, segundo os dados
da FGV, houve uma normalização dos estoques, que perdurou
até setembro do ano passado. Em outubro, o índice estava
em +4%, o que significava que a indústria sofria com a falta de
produtos para apresentar ao mercado.
"A economia melhorou muito e começou a faltar produtos", disse
Braga, lembrando que um dos principais exemplos deste quadro no período
foi o da indústria automotiva. "As pessoas compravam automóveis
e tinham de aguardar 30, 40 dias para receber o carro", lembrou. Este período
de escassez de estoques durou até o início deste ano, percebendo-se
certa normalidade já em fevereiro, quando o índice sem ajuste sazonal
apresentou taxa de -1%. Esta virtual estabilidade permaneceu até junho,
com o indicador sempre próximo a zero.
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O ESTADO DO PARANÁ,
30 de julho de 2008 | País
Desemprego é o menor para junho
desde 1995, segundo Dieese
Agência Estado
A taxa de desemprego de 13,9% na região metropolitana de São
Paulo em junho é a menor para o mês de junho desde 1995, quando
foi de 13,2%. Em 2008, a taxa de junho é a menor desde fevereiro quando
estava em 13,6% da População Economicamente Ativa (PEA), segundo
os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) divulgada nesta quarta-feira(30)
pela Fundação Seade e pelo Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
De acordo com o coordenador de
análise da Fundação Seade, Alexandre Loloian, dificilmente
a marca de 1995 será ultrapassada, pois aquele foi um ano muito
bom para a economia. "Cada vez é mais difícil ver
movimentos fortes da taxa de desemprego, pois ela está relativamente
baixa", afirmou. Ele acrescentou que os números sofrem pouca
alteração pois a PEA vem se mantendo em um patamar muito
elevado. "A PEA fica alta quando as pessoas estão animadas
e acreditando que encontrarão trabalho", explicou.
Em relação
ao início do ano, quando a taxa de desemprego apresentou queda,
em um movimento atípico para o período, Loloian analisou
que o número de junho é muito positivo. Para se ter uma
idéia, a taxa de desemprego estava em 13,6% em janeiro, manteve-se
neste nível em fevereiro, subiu para 14,3% em março,
diminui para 14,2 % em abril e chegou a 14,1% em maio.
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AGÊNCIA SINDICAL, 30
de julho de 2008
População e PIB das cidades
médias crescem mais que no resto do Brasil
Uma pesquisa que vem sendo realizada pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada) mostra que as cidades médias tiveram maior crescimento populacional,
entre 2000 e 2007, também com maior aumento do PIB (Produto Interno
Bruno), entre 2002 e 2005, que as demais cidades brasileiras.
Em geral, são consideradas médias aquelas cidades com população
entre 100 mil e 500 mil habitantes. Já nas regiões Norte e Centro-Oeste,
podem ser consideradas médias as cidades com população
de 50 mil a 100 mil habitantes.
Conforme o estudo do Ipea, enquanto
as grandes cidades perderam participação no PIB nacional
de 43,34% para 41,70%, entre 2002 e 2005, as pequenas (menos de 100 mil
habitantes) ampliaram de 30,59% para 30,95%, e as médias tiveram
o melhor desempenho aumentando sua participação no conjunto
da riqueza nacional de 26,07% para 27,35%.
Médias crescem -
Com relação à população, as cidades
grandes e pequenas encolheram entre 2000 e 2007, enquanto as médias
cresceram. As médias concentravam 23,8% da população
em 2000 e passaram a 25,05% em 2007. As grandes caíram de 29,81%
para 29,71%, e as pequenas, de 46,39% para 45,24%, no mesmo período.
Mais informações:
assessoria de comunicação do Ipea
www.ipea.gov.br
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O ESTADO DO PARANÁ,
30 de julho de 2008 | Economia
Setor de serviços empregava
8,2 milhões em 2006, afirma IBGE
Agência Estado
O setor de serviços no País reunia 958.290 empresas em 2006,
que empregavam cerca de 8,2 milhões de pessoas e geravam salários,
retiradas e outras remunerações no total de R$ 95,1 bilhões.
Os números são da Pesquisa Anual de Serviços (PAS) do
IBGE, divulgada nesta quarta-feira (30), e não incluem os serviços
financeiros. A receita operacional líquida obtida por essas empresas
somou R$ 501,1 bilhões, com valor adicionado no Produto Interno Bruto
(PIB) de R$ 278,2 bilhões.
Os serviços de transportes,
serviços auxiliares aos transportes e correios geraram a maior
receita operacional líquida do setor (R$ 149,7 bilhões)
em 2006, enquanto o segmento de serviços prestados às empresas
(que tem crescido com a terceirização) obteve a maior participação
no valor adicionado (R$ 80,3 bilhões). Os serviços prestados às
empresas foram o principal segmento, em termos de pessoal ocupado (3
milhões de pessoas) e salários, retiradas e outras remunerações
(R$ 31,6 bilhões).
A PAS revela, também,
que entre os anos de 2000 e 2006, a participação das grandes
empresas no total do PIB do setor de serviços não-financeiros
aumentou, passando de 48,5% para 50,7%, "impulsionadas pelo crescimento
no segmento de serviços prestados às empresas". Dentro
deste segmento, a atividade de seleção, agenciamento e
locação de mão-de-obra temporária apresentou
as elevações mais expressivas dentre as grandes empresas.
A pesquisa mostra que no segmento
de serviços de informação, as atividades de informática
destacaram-se com a maior participação no número
de empresas (81,7%), pessoal ocupado (63,3%) e salários, retiradas
e outras remunerações (55,4%). Por sua vez, telecomunicações,
com uma receita operacional líquida de R$ 88,8 bilhões,
em 2006, foi a atividade com maior participação na receita
do segmento (61,7%).
Os serviços de informação também se destacaram
com 38 pessoas ocupadas por empresa, contra nove para o total das atividades
de serviços de informação e salário médio
(9,8 salários mínimos), enquanto para o segmento total dos serviços
de informação o salário médio foi de 6,3 salários
mínimos
No segmento de serviços
prestados às empresas, obtiveram destaque os serviços técnico-profissionais,
em 2006, na geração de receita operacional líquida
(R$ 51,8 bilhões ou 48,2%) e no número de empresas (53,4%).
Segundo o IBGE, esses serviços ainda tiveram participação
relevante nos salários, retiradas e outras remunerações
(34,6%). Os serviços de limpeza em prédios e domicílios
destacaram-se em pessoal ocupado (1,4 milhão de pessoas ou 47,1%
do total dos serviços prestados às empresas), e em salários,
retiradas e outras remunerações (R$ 11,2 bilhões
ou 35,3%).
A pesquisa mostra ainda que,
em 2006, atuavam no País cerca de 3.206 empresas do setor de serviços
de investigação (também parte de serviços
prestados às empresas), segurança, vigilância e transporte
de valores, que geraram receita operacional líquida de R$ 11,4
bilhões e empregaram cerca de 463 mil pessoas. Com uma média
de 145 pessoas ocupadas por empresa, estas empresas eram as maiores do
segmento de serviços prestados às empresas, seguidas por
serviços de agenciamento e locação de mão-de-obra
temporária (107 pessoas ocupadas por empresa).
Os serviços técnico-profissionais
(consultorias, agências de publicidade, escritórios de
advocacia e contabilidade, serviços de engenharia e arquitetura)
destacaram-se com o maior salário médio mensal (4,6 salários
mínimos).
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VERMELHO, 30 de julho de
2008 | Economia
Remessas de lucros das multinacionais
afetam o crescimento
O Brasil concluiu o primeiro
semestre deste ano com um saldo preocupante na chamada conta corrente
do balanço de pagamentos, que fechou com um déficit
de US$ 17,7 bilhões. Foi o pior resultado para o período
de toda a série histórica divulgada pelo Banco Central,
iniciada em 1947.
Por Umberto Martins*
A principal causa deste desempenho é o
crescimento extraordinário das remessas de lucros e dividendos
das multinacionais para o exterior, que chegaram a US$ 18,993 bilhões
entre janeiro e junho, segundo o chefe do Departamento Econômico
da instituição. Altamir Lopes.
As estatísticas indicam
uma evolução impressionante e nociva das remessas feitas
pelas transnacionais. O déficit em conta corrente no mês
de julho ficou em 2,59 bilhões de dólares, configurando
o pior resultado para o mês desde 1999, quando foi registrado um
saldo negativo equivalente a US$ 2,926 bilhões.
Mais-valia
A sangria continua elevada, apesar da expectativa de declínio no segundo
semestre. Até o dia 28 de julho mais de US$ 2,06 bilhões já foram
transferidos para as matrizes das multinacionais. A riqueza enviada pelas grandes
empresas ao exterior é extraída do trabalho excedente (que Karl
Marx também chamava de mais-valia) produzido pelos trabalhadores e trabalhadoras
brasileiras. É uma parte expressiva da poupança nacional que
deixa de ser canalizada para os investimentos internos ao ser transferida a
outras plagas.
As remessas do capital estrangeiro constituem, por isto, um sério obstáculo
ao crescimento da economia. Não temos mais (como nos anos 1980) uma
crise da dívida externa, muito embora esta não tenha deixado
de existir. Em contrapartida, a explosão escandalosa das remessas de
lucros e dividendos indica que o passivo externo não deixou de ser um
obstáculo ao crescimento.
A análise crítica do balanço de pagamentos revela uma
espoliação silenciosa e invisível da poupança ou
do excedente do trabalho nacional pelas multinacionais. Transparece nas estatísticas
do BC a intensificação da espoliação imperialista,
uma espoliação silenciosa, invisível, que só se
revela através de uma análise crítica da realidade.
Comércio ainda é positivo
Ao contrário do que muitos pensam, o problema das contas
externas não o comércio. As transações
correntes são subdivididas em três contas: balança
comercial, transferências unilaterais (basicamente dos trabalhadores
brasileiros residentes no exterior e de imigrantes no Brasil) e serviços
e renda (remessas de lucros e dividendos, juros, patentes e turismo).
O comércio, apesar do aumento das importações, fechou
positivo, com superávit de US$ 11,35 bilhões no semestre, graças à inflação
das commodities, as transferências unilaterais apresentaram um saldo
positivo de US$ 1,85 bilhão, ao passo que serviços e rendas foi único
item que fechou com déficit, de US$ 30,6 bilhões, devido às
remessas de lucros, dividendos e juros, além dos gastos em excesso com
turismo.
As estatísticas indicam que o problema não está no câmbio,
mas na atitude complacente e liberal do governo em relação aos
lucros das multinacionais, que flui livre e impunemente, sem mesmo ser submetido à taxação.
Se o Brasil quiser lograr um resultado equilibrado em conta corrente é imperioso
tributar as remessas de lucros e dividendos.
Peso das remessas
O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir
Lopes, reconheceu que o resultado semestral das contas externas brasileiras
foi diretamente influenciado pelo volume de remessas de lucros e dividendos
(recursos que as empresas multinacionais enviam a suas matrizes no
exterior), que somaram US$ 3,396 bilhões em junho e US$ 18,993
bilhões no primeiro semestre do ano. Outros fatores que influenciaram
o resultado foram o câmbio e o aumento do déficit da conta
de viagens internacionais.
Apesar dos números negativos, Altamir Lopes pondera que o déficit
em conta corrente equivaleu a 1,32% do PIB nos 12 meses encerrados em junho,
o que não deveria motivar grande preocupação. "O
valor ainda é relativamente baixo, se compararmos com economias com
características semelhantes", disse ele.
As contas externas, em sua opinião, continuam "perfeitamente financiáveis" pelo
ingresso de investimento estrangeiro direto (IED). "O ingresso de IED é mais
do que suficiente para compensar o déficit", afirmou. No acumulado
de 12 meses até junho, o IED totalizou US$ 30,435 bilhões, o
equivalente a 2,22% do PIB. O competente funcionário do BC se esqueceu
de acrescentar que esses investimentos significam maior desnacionalização
da economia brasileira e cobrarão um aumento das remessas no futuro.
O Banco Central prevê que a conta corrente terminará o ano com
um saldo negativo de 21 bilhões de dólares, mas já parece
evidente que a estimativa é excessivamente otimista. Mais realista,
o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), presidido pelo economista
Marcio Pochmann, considera mais provável que o déficit em questão
ultrapasse a casa dos 30 bilhões de dólares até o final
do ano.
Conta de capitais
Na conta financeira (conta de capitais, que registra entrada e saída
de investimentos diretos e indiretos), o país registrou um superávit
de US$ 40,8 bilhões, o que garantiu um resultado positivo de US$ 19,24
bilhões no balanço de pagamentos. acrescentados às reservas,
que ultrapassam 200 bilhões de dólares.
Altamir Lopes afirmou que o resultado negativo em conta corrente está ligado
ao bom desempenho da economia brasileira, que de fato aumenta os lucros e as
remessas de lucros das empresas estrangeiras.
"
Esse déficit tem fundamentalmente a ver com remessas de lucros
e dividendos e também com o comportamento do câmbio. São
remessas fortes vinculadas a setores que não têm apresentado
desempenho bom no exterior, como automotivo e financeiro, mas têm
resultado bom no Brasil", disse.
Em outras palavras, as multinacionais estão aumentando as remessas de
lucros extraídos no Brasil e em outros países do chamado Terceiro
Mundo para fazer frente aos prejuízos decorrentes da crise econômica
em curso nos EUA e na Europa. Mais uma vez, é a classe trabalhadora
quem paga o pato. Para deter ou amenizar essa espoliação silenciosa é indispensável
deflagrar imediatamente um movimento pela taxação das remessas
de lucros e dividendos.
* Umberto Martins, jornalista, é editor
do portal da CTB
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VERMELHO, 30 de julho de
2008 | Economia
Márcio Pochmann: As escolhas
dos paises ricos e a desigualdade
Após 70 anos de trajetória
comum verificada na queda da desigualdade de renda, os países
ricos passaram a apresentar tendências bem distintas nas
duas últimas décadas. Em grande medida, as opções
de políticas econômicas e sociais realizadas em cada
uma das economias avançadas terminaram por impactar direta
e indiretamente o grau de concentração da renda.
Por Márcio Pochmann, para
a Folha de S.Paulo*
No caso das nações
em que predominaram políticas econômicas e sociais de corte
neoliberal, houve, em geral, interrupção no movimento de
longo prazo de redução da desigualdade de renda. A combinação
das medidas de focalização do gasto social com a redução
no peso da tributação direta, especialmente progressiva
(rebaixamento das alíquotas do Imposto de Renda e na tributação
sobre a riqueza), tornou mais difícil a vida dos pobres simultaneamente
ao crescimento das facilidades concedidas aos mais ricos.
Com isso, a participação
do 1% mais rico da população no total da renda nacional
voltou a aumentar a partir da década de 1980, após sete
décadas de queda significativa.
Nas duas últimas décadas,
por exemplo, a apropriação do 1% mais rico praticamente
dobrou nas economias em que o uso das políticas neoliberais grassou,
conforme indicam as experiências das economias dos Estados Unidos
e da Inglaterra.
Entre os anos 1950 e os anos
1980, o 1% mais rico de Estados Unidos, Inglaterra, França e Suíça
mantiveram uma fatia da renda nacional variando de 5% a 10%. Neste século,
a concentração da renda do 1% mais rico americano e a concentração
do 1% mais rico inglês saltaram para quase 20% e 15%, respectivamente.
Em outras palavras, o peso dos
super-ricos na apropriação da renda total voltou ao patamar
do primitivismo da desigualdade do início do século 20,
quando o 1% mais rico ficava com mais de 15% de todo o rendimento nacional.
Assim, o crescimento da renda vem sendo acompanhado pela maior participação
dos ricos, cada vez mais liberados da tributação progressiva,
enquanto os pobres precisam se virar diante da revisão do papel
do Estado orientado à focalização dos gastos sociais.
A supremacia do neoliberalismo
não foi plena, uma vez que nem todos os países ricos se
tornaram caudatários das políticas econômicas e sociais
de flexibilização tributária e seletividade no gasto
público. Destacam-se os exemplos das experiências da França
e da Suíça, que não registram elevação
na participação do 1% mais rico da população
no bolo da renda desde a década de 1970, mantendo a concentração
da riqueza dos super-ricos em torno dos 8% da renda nacional.
Nesses países, mesmo
com a elevação na renda per capita no período mais
recente, o grau de desigualdade pouco se modificou, mantendo-se no menor
patamar de desigualdade distributiva do século 20.
Tanto na França como
na Suíça, a concentração até caiu.
Lembrando que a média da concentração nos dois países
hoje é de 8%, vale destacar que, nos anos 1960, o 1% mais rico
dos suíços abocanhava até 12% da renda nacional.
Na França, na mesma época, a concentração
era de quase 10%.
Nessas nações,
ademais da ênfase nas políticas sociais de natureza universal,
prevaleceram medidas tributárias progressivas, com maior peso
proporcional do fisco sobre o segmento de maior renda e patrimônio.
Em síntese, percebe-se
que a aplicação das políticas econômicas e
sociais neoliberais não se mostrou determinante para a expansão
ou não das economias avançadas. Seus efeitos distributivos,
contudo, não deixaram dúvidas sobre o seu caráter
de aprofundamento da desigualdade, tendo em vista os prejuízos
impostos aos mais pobres.
Algumas nações
ricas, sem contar com a aplicação intensa das políticas
neoliberais (França e Suíça), também apresentaram
expansão econômica equivalente ou superior à dos
países com fortes alterações liberalizantes na tributação
e na focalização do gasto social (Inglaterra e Estados
Unidos). Já a desigualdade não aumentou, ao contrário
do ocorrido em alguns países ricos com forte predomínio
neoliberal.
* Márcio Pochmann,
ecoomista, é presidente do Ipea e professor licenciado do Instituto
de Economia e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho
da Unicamp.
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AGÊNCIA SENADO, 30
de julho de 2008
PROJETOS
Paim quer responsabilidade de empresas
na profissionalização de dependentes de seus funcionários
Tramita na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) projeto de lei
do senador Paulo Paim (PT-RS) que obriga toda empresa com mais de cem empregados
a fornecer bolsas de estudo para formação técnico-profissional
dos dependentes legais de seus funcionários, na proporção
de uma bolsa para cada grupo de cem trabalhadores. Com isso, o autor do projeto
acredita que a empresa poderá atuar de forma socialmente responsável,
cumprindo exigência constitucional relativa à função
social da propriedade - inciso III do artigo 170 da Constituição.
O projeto (PLS 514/07) estabelece
também que o valor de cada bolsa corresponderá ao piso
salarial da categoria do trabalhador beneficiado e que a concessão
da bolsa de estudo se dará uma vez ao ano. Os primeiros a receberem
esse benefício, de acordo ainda com o texto de Paim, serão
os dependentes daqueles que têm as menores remunerações
na empresa.
Em defesa de seu projeto, o senador
diz que a promoção, pela empresa, da profissionalização
dos dependentes de seus empregados é uma necessidade social "que
vai além do lucro e da satisfação do seu cliente".
Ao explicar sua proposta, Paim
cita o artigo 170 da Constituição - "A ordem econômica,
fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa,
tem por fim assegurar a todos uma existência digna, conforme os
ditames da justiça social", e o inciso que determina a função
social da propriedade.
Para o parlamentar, a empresa
só cumprirá seu papel social quando, ao mesmo tempo, aumentar
também o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores
e de suas famílias, além de observar níveis satisfatórios
de produtividade e cumprir as regras que compõem as relações
de trabalho.
O senador acredita ainda que
a responsabilidade da implementação da profissionalização
dos jovens deva ser compartilhada entre as múltiplas instâncias
do poder público e da sociedade civil.
"É preciso, portanto,
que a iniciativa privada participe efetivamente de ações
que possibilitem ao jovem brasileiro a oportunidade de optar pelo ensino
profissionalizante de qualidade, assegurando-lhe o direito ao desenvolvimento
de suas competências profissionais, tornando-o, assim, capaz de
concorrer a uma vaga no mercado de trabalho cada vez mais competitivo",
conclui Paim.
Da Redação / Agência Senado
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AGÊNCIA SENADO, 30
de julho de 2008
PROJETOS
PEC concede aposentadoria especial
para extrativista
A proposta de emenda à Constituição
(PEC) 56/01, que regulamenta a aposentadoria do extrativista vegetal
no Regime Geral da Previdência Social, está pronta
para constar da ordem do dia do Plenário e ser votada. Pela
PEC, que teve como primeira signatária a senadora Marina
Silva (PT-AC), essa categoria terá direito à aposentadoria
aos 65 anos de idade, se homem, e aos 60 anos, no caso das mulheres.
A matéria estabelece ainda
que a idade para a concessão da aposentadoria desses trabalhadores
poderá ser reduzida em cinco anos caso exerçam suas atividades
em regime de economia familiar. Esses direitos já são assegurados
pela Constituição ao produtor rural, ao garimpeiro e ao
pescador artesanal.
Na justificação
para apresentação da proposta, Marina Silva diz que a Constituição
reconhece a especificidade da atividade rural familiar, na qual o desgaste
físico é muito maior do que o das atividades desenvolvidas
nas cidades. No entanto, observa, a Carta Magna omite os extrativistas
vegetais, "que trabalham sob condições similares,
ou mesmo mais precárias", segundo a senadora. A PEC pretende,
assim, corrigir essa omissão.
A matéria foi aprovada
pela Comissão de Constituição, Justiça e
Cidadania (CCJ), onde foi relatada pelo então senador Sérgio
Machado e recebeu parecer do então senador José Eduardo
Dutra, como relator ad hoc.
Helena Daltro Pontual / Agência
Senado
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CONSULTOR JURÍDICO,
30 de julho de 2008
Honorários advocatícios
Renúncia a crédito trabalhista
não afasta pagamento
A renúncia ao crédito trabalhista manifestada pela reclamante
após a publicação da sentença irrecorrível
não afasta a obrigação do pagamento dos honorários
advocatícios. O entendimento é da 7ª Turma do Tribunal Regional
do Trabalho de Minas Gerais.
O TRT mineiro rejeitou recurso
da Caixa Econômica Federal, que protestava contra o pagamento de
honorários advocatícios. A alegação do banco
foi a de que não houve sucumbência (princípio que
atribui à parte vencida em um processo judicial o pagamento de
todos os gastos decorrentes da atividade processual).
A relatora, desembargadora Alice
Monteiro de Barros, acompanhada pelos demais juízes, esclareceu
que a reclamada foi sucumbente e, por isso, condenada ao pagamento dos
honorários advocatícios. Na decisão transitada em
julgado, a própria CEF manifestou concordância expressa
com a renúncia da reclamante e reconheceu o seu débito
em relação aos honorários advocatícios, mas
depois tentou reverter a situação. “Posterior renúncia
da autora não afasta a existência da sucumbência,
tampouco a obrigatoriedade de pagamento da referida verba”, concluiu
a desembargadora.
No caso, a reclamante renunciou
aos direitos reconhecidos em decisão irrecorrível. A renúncia
foi homologada em audiência pelo juiz de primeiro grau, que determinou
a cobrança dos créditos pertencentes a terceiros, especialmente
os honorários advocatícios.
AP 00803-2004-010-03-00-7
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
30 de julho de 2008
MPT e Banco do Brasil não chegam
a acordo em discussão sobre terceirização
Membros do MPT (Ministério Público do Trabalho) se reuniram no
dia 29/7, na sede da PGT (Procuradoria Geral do Trabalho) no Distrito Federal,
com representantes do Banco do Brasil para discutir um acordo sobre a terceirização
realizada pela instituição bancária. O tema da reunião
foi uma ação civil pública ajuizada pela procuradora do
Trabalho, Eliane Lucina, que pede a substituição de 1.200 terceirizados
do serviço de call-center por servidores concursados. As propostas feitas
pelo MPT foram negadas pelos representantes do banco.
Em todo o país, existem
dezenas de ações civis públicas ajuizadas pelo MPT
pedindo ao Banco a substituição de terceirizados por servidores
aprovados em concurso público.
Durante a reunião, o presidente
da ANPT (Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho),
Fábio Leal Cardoso, sugeriu um possível acordo que envolvesse
toda a terceirização do banco, e não só os
serviços de telemarketing. O representante do Banco do Brasil,
Edson Moreira Correa, contestou a sugestão e alegou que "não
tem competência para a discussão da terceirização
do banco como um todo, pois não é o executivo responsável
da área".
Edson Correa explicou aos membros
do MPT que, após sentença dada pelo TRT 9 (Tribunal Regional
do Trabalho) da 9ª Região (Paraná) determinando a
substituição dos terceirizados por servidores concursados
até o início de agosto, o Banco do Brasil contratou um
serviço de consultoria para verificar quais as atividades podem
continuar sendo terceirizadas e quais devem ser exercidas por empregados
do banco.
A sugestão foi prontamente
negada pelo MPT. "Se o resultado da consultoria for diferente do
entendimento do MPT, isso fará a discussão voltar a estaca
zero", salientou a procuradora Eliane Lucina, autora da ação
contra o banco em São José dos Pinhais (PR).
Por fim, os procuradores do Trabalho
Sebastião Vieira Caixeta, Viviann Rodriguez Mattos, Ludmila Reis
Brito Lopes e Cristiano Paixão sugeriram que a questão
da terceirização seja discutida de forma global.
Entenda
o caso
O início do caso de deu quando a procuradora do Trabalho Eliane Lucina,
representando o MPT, pediu que os 1.200 operadores de telemarketing fossem
substituídos por servidores concursados, em São José dos
Pinhais (PR). O MPT obteve sentença favorável na Justiça
do Trabalho após ajuizar uma ação civil pública
em face do Banco do Brasil para a substituição dos funcionários
terceirizados.
O Banco do Brasil, então,
recorreu ao TRT-PR, que também concedeu decisão favorável
ao MPT. Na sentença, foi condenado a substituir todos os terceirizados
até o dia 2 de agosto.
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Agência Diap, 30 de
Julho de 2008
IMPOSTO DE RENDA
Receita já tem norma para
acabar com declaração de isento
A Receita Federal admitiu
que já tem pronta uma instrução normativa para
acabar com a Declaração de Isento e com isso evitar transtornos
e custos desnecessários, principalmente para o cidadão
de baixa renda que todos os anos tem que prestar contas ao Fisco. A
viabilidade técnica da medida ainda está sendo analisada
pelo secretário da Receita, Jorge Rachid, e deve ser divulgada
em breve.
O fim da declaração de Isento vem sendo debatido em reuniões
técnicas há algum tempo e ficou mais evidente a partir da unificação
das Receita Federal e Previdenciária quando a base de dados dos dois órgãos
permitiu melhor analise da situação dos contribuintes, segundo
fontes da Receita.
Mas essa não é a única base de dados que permite atualmente à Receita
Federal identificar os isentos do país. A Receita pode usar dados do
Cadastro Nacional de Informações Sociais, que contém informações
relativas ao período compreendido entre 1994 e 2008 de trabalhadores
empregados e contribuintes individuais, empregadores, vínculos empregatícios
e remunerações.
A Receita monitora ainda a movimentação financeira acima de R$
5 mil das pessoas físicas e acima de R$ 10 mil das pessoas jurídicas,
as compras de imóveis, as transações com cartão
de crédito e declaração de rendimentos dos empregados
fornecida anualmente pelos patrões.
Segundo as informações da Receita, existe interesse em unificar
os bancos de dados do governo para facilitar a vida dos cidadãos. Embora
já tenha ocorrido uma grande evolução, como no caso da
Receita Federal, é preciso que todos os sistemas informatizados “conversem
entre si”, além de permitir a interação dos diversos
sistemas de gerenciamento de banco de dados. A questão, segundo um dos
técnicos da Receita ouvidos, esbarra no custo que isso acarreta, mas é uma
tendência dentro do governo.
Tecnicamente, segundo os técnicos da Receita e da Previdência,
nada impede que o governo veja no Cadastro Nacional de Informações
Sociais a possibilidade de agregar informações e transformar
o cadastro numa espécie de “Social Security”, o cadastro
da previdência social dos Estados Unidos, que possibilita ao cidadão
obter emprego legalmente e outros serviços do governo.
O ministro da Previdência Social, José Pimentel, já anunciou
que quer integrar ao cadastro os registros de identidade civil. A medida irá permitir
aumentar a segurança e a qualidade do Cadastro Nacional de Informações
Sociais, que registra 430 milhões de vínculos empregatícios
de pessoas físicas e 26 milhões de registros de empresas de todo
o país, segundo informou a Datraprev, a empresa de tecnologia da informação
da Previdência Social.
No ano passado, segundo a Dataprev foram feitos testes em conjunto com a Polícia
Federal adotando técnicas de identificação biométricas
(como impressões digitais ou a íris) em caráter experimental
com 1.500 segurados de Curitiba, São Paulo e Brasília, com base
no Cadastro Nacional de Informações Sociais e nos registros de
identidade civil.
Inicialmente, a meta do Ministro José Pimentel, da Previdência,
segundo a assessoria da Dataprev é a inclusão previdenciária,
a melhoria dos serviços oferecidos aos segurados, a inclusão
dos microempreendedores no sistema previdenciário entre outras coisas
além de combater às fraudes, a falsificação e sonegação.
No caso da Receita Federal, a utilização de base de dados como
as do CNIS já permite tecnicamente que o Fisco possa identificar através
da tecnologia da informação que são os mais de 65 milhões
de brasileiros com renda anual até R$ 15.764,28 classificados como isentos.
Ou seja, aproximadamente os 35% da população brasileira que enviaram
informações através da internet ou tiveram que se descolar
até lotéricas, correspondentes bancários e Caixa Econômica
Federal e Banco do Brasil podem ficar tranqüilos que a Receita já tem
estudos para saber quem são eles. (Fonte: Agência Brasil)
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Folha de S.Paulo, 30 de Julho de 2008
Metalúrgicos recusam proposta
de aumento salarial de 7,5%
DA REPORTAGEM LOCAL
Os metalúrgicos da CUT rejeitaram ontem proposta de reajuste salarial
de 7,5% feita por empresários do grupo 8 -que reúne sindicatos
patronais de trefilação, equipamentos ferroviários, esquadrias,
entre outros. Esse grupo somado ao de máquinas e eletroeletrônicos
(grupo 2) reúne 65 mil trabalhadores no Estado.
A reivindicação da categoria é reposição
da inflação -para repor perdas de agosto de 2007 a julho de 2008-
e aumento real em torno de 3%. A data-base desses dois grupos é em agosto.
" A inflação acumulada até junho foi de 6,93% [INPC].
Portanto, o percentual oferecido não deve cobrir nem a inflação
até julho. Além disso, há o pedido de aumento real",
diz Valmir Marques, presidente da FEM-CUT (Federação Estadual dos
Metalúrgicos). No Estado, a entidade reúne cerca de 280 mil trabalhadores.
Segundo o sindicalista, também não houve avanço em relação
ao pedido de mudança na data-base dos trabalhadores (de agosto para
setembro), sobre a criação de um fundo de formação
e qualificação profissional, além da adoção
de uma política de valorização dos pisos salariais dos
trabalhadores. Se os sindicatos patronais não retomarem as negociações,
a federação não descarta a realização de
paralisações.
As negociações com as montadoras, as empresas de autopeças
e os demais segmentos do ramo metalúrgico estão previstas para
a próxima semana. Esses grupos têm data-base em setembro e novembro.
A Força Sindical também prepara a campanha de cerca de 700 mil
metalúrgicos no Estado de São Paulo. Os itens da pauta ainda
não foram definidos. (CR)
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FOLHA
DE LONDRINA, 30 de julho de 2008 | Política
‘Foco não é sujar ninguém, é informar
o eleitor’
Para o presidente do TSE, Carlos Ayres
Britto, barrar candidatura de quem não tem condenação, é ‘linchamento
moral’
Letícia Moreira

Em coletiva ontem em Curitiba, o ministro Carlos Ayres Britto, ressaltou a
importância do eleitor conhecer a vida dos candidatos
- O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres
Britto, apesar de contrário ao movimento que tenta impedir a candidatura
do ''ficha suja'', reforçou ontem a necessidade do eleitor conhecer
a vida dos candidatos. Para ele, barrar a candidatura daquele que ainda não
tem condenação, mesmo que responda a alguma ação
no Poder Judiciário, é ''linchamento moral''. O foco, segundo
ele, seria informar o eleitor, para que ele possa, com instrumentos próprios,
fazer uma ''escolha livre e consciente''.
''Eu não gosto de usar
a expressão 'ficha suja' porque acho estigmatizante, infeliz.
E coloca na mesma situação pessoas com um episódio
de processo contra si e outras com um avultado prontuário processual.
A expressão também antecipa um julgamento, um linchamento
moral. O foco não é esse. O foco não é 'sujar'
ninguém. O foco é orientar o eleitor, informar o eleitor,
para que ele faça o seu juízo de valor. Ninguém
quer votar pelo eleitor, substituir o eleitor'', afirmou ele.
Ayres Britto também
sinalizou que para o TSE, a ''vida pregressa do candidato não é condição
de elegibilidade''. O ministro ainda se reúne hoje à tarde
com o ministro da Justiça, Tarso Genro, e com o presidente do
Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio de Janeiro, Roberto Wide,
para tratar do envolvimento de traficantes na campanha eleitoral do
Rio de Janeiro. ''Vamos estudar a questão para propormos medidas
corretivas. O nosso desafio é promover uma resposta à altura
da gravidade desse episódio''.
As declarações
do presidente do TSE foram feitas ontem durante sua passagem por Curitiba,
onde participou de um encontro de trabalho com os presidentes dos tribunais
regionais eleitorais da região Sul. Acompanhe trechos da entrevista
coletiva concedida à imprensa.
FOLHA - O Ministério
Público (MP) do Paraná recomendou que os promotores
eleitorais tentassem impugnar as candidaturas também daqueles
que respondem a ações (e não só daqueles
que já têm condenação). E, a pedido do
MP, um juiz eleitoral de Curitiba decidiu ontem (anteontem) impugnar
dois candidatos a partir da análise das suas vidas pregressas.
O que o senhor acha desses posicionamentos?
Ayres Britto - Não se
pode negar a independência dos promotores eleitorais, dos juízes
eleitorais, para interpretar o direito. Mas já se sabe que,
no TSE, há uma resposta formal a uma consulta concluindo que
vida pregressa do candidato não é condição
de elegibilidade. É uma diretriz, uma sinalização
de que, chegando o processo ao TSE, a possibilidade de confirmação
desse ponto de vista é muito grande. São dois lados de
uma questão que na vida do Poder Judiciário é muito
comum. Esse antagonismo faz parte do nosso dia-a-dia e nós sabemos
digerir.
Independente da atual
posição do TSE, é um assunto que deve ser retomado
nas próximas eleições até em função
da pressão de parte da sociedade civil e da Associação
dos Magistrados?
É um assunto que está na
ordem do dia. Se nesta eleição de 2008 a questão
da vida pregressa não se põe para o TSE como condição
de elegibilidade, quem sabe em 2010 o ponto de vista não seja
outro. E, quem sabe, os quatro projetos de lei que estão tramitando
no Congresso Nacional já estejam aprovados. Isso faz parte da
efervescência democrática. A população mais
e mais se conscientiza de seus direitos e da necessidade de ver o País
passado a limpo.
O TSE teria sido omisso
ao não tratar de ferramentes como Orkut e Youtube, bastante
utilizadas na eleição anterior?
Não é uma omissão.
Nós decidimos no TSE que, em matéria de internet, não
há como expedir regras. Nós vamos decidir caso a caso.
Vamos atuar quando recebemos representações de eventuais
abusos. O TSE trabalha com dados da realidade e a internet se tornou,
realmente, um espaço de comunicação, de informação,
de pesquisa, de propaganda, globalizado e caracterizado pela sua grande
economicidade. A internet é democrática, instantânea,
massiva, atrai a juventude. Então não convém regulamentar
em excesso um setor que apresenta muito mais aspectos favoráveis
do que desfavoráveis. Diante de eventuais abusos, nós
saberemos agir no plano da repressão. Por enquanto, o que se
decidiu foi isso, até porque outra característica da
internet é a sua extrema dificuldade de controle.
O Brasil vive uma situação ímpar
em relação às eleições no Rio
de Janeiro. O ministro da Justiça ofereceu tropas federais
para garantir a segurança do processo eleitoral em função
dos traficantes. Como é que o senhor percebe a questão?
A questão é muito
preocupante. Segmentos fora da lei, delinquentes, portanto, já não
se contentam em professar à margem do Estado, do lado de fora
do Estado. Eles ainda querem se tornar parte do Estado, membros do
Poder, disputando cadeiras parlamentares e executivas, e coagindo,
inibindo as comunidades. E ainda projetando uma falsa idéia
nas comunidades, de que é possível defasar o conteúdo
do voto, saber quem votou em quem, a despeito da urna eletrônica.
Eles, a um só tempo, impedem coletividades de votar livremente,
e dificultam, embaraçam o trabalho jornalístico, a liberdade
de imprensa.
No Paraná, mais
de 100 vereadores já foram cassados por infidelidade partidária.
Que efeito que as cassações terão no próximo
mandato eletivo?
Foi uma belíssima decisão
do Supremo Tribunal Federal (STF) e do TSE, estabelecendo o dever da
fidelidade do candidato eleito ao seu partido. Isso faz respeitar o
desenho, o esquadro ideológico que sai de cada urna. Já se
sabe quem é situação, quem é oposição,
e inibe consideravelmente essa triste cultura brasileira de cooptação,
de captura pelo Poder Executivo de membros do Poder Legislativo. O
zigue-zague partidário já não se faz com facilidade
porque o candidato que sair de um partido arbitrariamente, atendendo
a interesses pessoais meramente subalternos, ele certamente vai perder
o mandato nas instâncias judiciárias e eleitorais.
Quais são os
próximos desafios do TSE no sentido de fortalecer o sistema
democrático brasileiro?
A Justiça Eleitoral
trabalha em campos específicos, um deles é velando pela
lisura, pela legalidade da propaganda eleitoral. Outro é impedindo
o chamado ''caixa 2'', que termina sendo uma ''caixa preta''. Porque
o financiador quer receber o seu dinheiro de volta e mantém
com o financiado uma relação de futuro assalto ao erário,
seguramente, direta ou indiretamente. Nós trabalhamos nesse
campo da inibição do abuso do poder econômico e
do abuso ou desvio da máquina administrativa. Saímos
em defesa do eleitor para que ele seja verdadeiramente soberano, livre,
consciente da escolha dos seus candidatos. E os desafios que surgem
são diários, porque eleição é uma
ebulição emocional, nós vivemos no olho do furacão
das emoções o tempo todo.
O senhor é a
favor do financiamento público de campanha eleitoral?
Sim. Eu acho que se a gente
proibir o ''caixa 1'', que é o financiamento direto e expontâneo
de campanha eleitoral por empresas, pelos cidadãos isoladamente,
dificultamos ainda mais o ''caixa 2''. E com o financiamento público
de campanha, exclusivamente, ou seja, campanha financiada com recursos
públicos mediante regras pré-definidas, poderemos até não
atuar no campo ideal, mas é o que se pode fazer. Porque, fora
do financiamento público de campanha com exclusividade, o que
se tem é a promiscuidade do ''caixa 1'' e, com mais razão
ainda, a promiscuidade do ''caixa 2''.
Catarina Scortecci
Equipe da Folha
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FOLHA
DE LONDRINA, 30 de julho de 2008 | Política
Pequenos municípios recuperam
eleitores
Dos 1.461 moradores de Jardim Olinda, apenas
56 não possuem título
Curitiba - As 105 cidades do Paraná que tiveram que recadastrar seus eleitores
em 2007 já recuperaram parte dos 136.113 títulos que foram cancelados.
Dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) mostram que Prudentópolis -
a cidade que mais teve registros cancelados (5.542) - ganhou outros 2.588 eleitores
desde janeiro de 2008. Os municípios que passaram pelo recadastramento
apresentavam discrepâncias no número de títulos de eleitor
registrados.
Em Nova Colina, que perdeu 442 eleitores
por conta da revisão do eleitorado, novos 475 títulos
foram criados desde janeiro. Tamboara perdeu 544 registros, mas já recuperou
534 desde o início do ano. Diamante do Sul tinha 2.625 eleitores,
caiu para 2.040 depois da revisão e agora contra com 2.688.
E em Porto Rico o número de eleitores era de 1.931, caiu para
1.568 com o recadastramento, mas subiu para 1.977 no primeiro semestre
deste ano.
Para o TRE, o aumento no número de
eleitores no início de ano eleitoral é um movimento
normal. ''Como o Tribunal não faz alistamento de voluntários
no prazo de 150 dias antes da eleição muita gente deixa
para fazer alterações no domicílio eleitoral
nessa época'', explica o promotor Armando Antônio Sobreiro
Neto, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias
Eleitorais do Ministério Público (MP) Estadual.
O número de eleitores dos municípios
são colocados sob suspeita quando seu total é igual
ou superior a 80% da população residente. ''Nesses
casos o próprio cartório eleitoral comunica o TRE,
que solicita recadastramento'', diz Sobreiro. O procedimento é realizado
apenas em anos em que não há eleição.
''Isso acontece por conta do maior volume de trabalho que os tribunais
recebem durante a campanha eleitoral'', explica.
Segundo o promotor, casos mais comuns de
cancelamento de títulos ocorrem quando o eleitor já morreu
ou se mudou do município e o cartório eleitoral não
foi comunicado. ''Mas quando a pessoa se registra como eleitor na
cidade, mas não tem vínculo nenhum com o local podemos
caracterizar isso como crime eleitoral'', informa. É o caso
de quem não mora nem trabalha no município, mas mesmo
assim conseguiu o registro eleitoral.
O próximo recadastramento de eleitores
deve acontecer em 2009. Algumas cidades já aparecem como candidatas
ao procedimento. É o caso de Nova Aliança do Ivaí,
que tem 1.377 habitantes e 1.343 eleitores, o que significa que 97,53%
da população da cidade pode votar este ano. Outro exemplo é Jardim
Olinda que contabiliza 1.461 habitantes e 1.405 registros eleitorais.
Nesse caso, apenas 56 pessoas da cidade não vão votar
em outubro.
Rosiane Correia de Freitas
Equipe da Folha
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Gazeta do Povo, 30 de Julho
de 2008
Sociedade civil
ONGs e entidades entram na campanha
Organizações não-governamentais
e instituições privadas elaboram manuais para conscientizar
o eleitor e orientar os candidatos a prefeito e vereador
Organizações não-governamentais e entidades da sociedade
civil estão aproveitando o momento eleitoral para orientar o cidadão
a votar de forma mais consciente e os candidatos a prefeito e vereador a incluir
demandas da sociedade em seus planos de governo. Já elaboraram cartilhas
informativas a eleitores e candidatos a Conferência Nacional dos Bispos
do Brasil (CNBB), Federação das Indústrias do Estado do
Paraná (Fiep), Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
(Sebrae), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), além de ONGs ambientais
e de proteção à infância e juventude.
O Sebrae, por exemplo, elaborou uma cartilha que ensina os candidatos a prefeito
a incluir em seus programas de governo o apoio às micro e pequenas empresas.
A entidade vai distribuir o documento aos partidos políticos. O guia
revela aos políticos a real situação das pequenas empresas
no país, os empregos gerados nesse setor e pede que os municípios
aprovem a regulamentação municipal da Lei Geral da Micro e Pequena
Empresa, a Lei dos Supersimples.
No Paraná, 128 das 399 cidades já regulamentaram a lei. O estado é o
terceiro do Brasil, atrás apenas do Espírito Santo, onde 61 dos
78 municípios já têm regulamentação; e do
Ceará, onde 77 dos 184 municípios fizeram o mesmo. No país
há, atualmente, 5,9 milhões de micro e pequenas empresas. Segundo
o Sebrae, dos 5.562 municípios brasileiros, 4.002 ( 72%), têm
menos do que 20 mil habitantes e a economia é sustentada através
dos pequenos negócios.
A ONG Ciranda (Central de Notícias dos Direitos da Infância e
Adolescência) reuniu, em julho, os candidatos a prefeito de Curitiba
com o intuito de que firmassem um pacto em prol da infância na capital
paranaense. O objetivo é que o futuro prefeito da cidade leve adiante
propostas que fazem parte do Estatuto da Criança e do Adolescente. Caso
não cumpra o combinado, estará sujeito a uma ação
civil pública.
Meio ambiente
Já a Fundação SOS Mata Atlântica lançou o
programa “Plataforma Ambiental”, para incentivar candidatos a incluir
propostas de meio ambiente em seus planos de governo. Nos próximos dias
2 e 3 de setembro, o projeto será apresentado em Londrina e Curitiba.
O objetivo é fornecer instrumentos paras os cidadãos nestas eleições
e forçar que os candidatos assumam compromissos com o meio ambiente
nos 3.406 municípios brasileiros que fazem parte do bioma da Mata Atlântica.
Segundo a ONG, 120 milhões de pessoas vivem neste bioma e a idéia é cobrar
atitudes concretas de conservação ambiental.
Na área industrial, a Fiep também está elaborando um movimento
pelo voto consciente. Será criado um guia, canais de comunicação
com a sociedade e ferramentas de suporte e instrução para cidadãos
e candidatos. A federação pretende incentivar o empresariado
e a sociedade a participarem da política. O movimento busca a defesa
da democracia e das instituições republicanas. Princípios
como a ética, a responsabilidade, o espírito público e
o respeito pelo bem comum estão na linha de frente da federação.
Mas para tudo isso que está sendo pregado e distribuído sair
do papel e funcionar efetivamente é preciso, segundo o presidente da
Fiep, Rodrigo Rocha Loures, haver consenso em torno das prioridades e que as
entidades e comunidade assumam tais bandeiras mesmo após as eleições. “O
político só dá atenção aos assuntos que
o eleitor também dá. Portanto, esse deve ser um processo contínuo
e sistemático.”
A OAB também está entrando na campanha eleitoral com a intenção
de incentivar o voto consciente. Na próxima segunda-feira, a Ordem lança,
em Curitiba, o Comitê Cidadania e Voto Consciente. Os advogados querem
que os candidatos assumam compromissos pré-definidos. A entidade ainda
pretende dar subsídios para que o eleitor saiba em quem votar. A OAB
está trabalhando pela elaboração projeto de iniciativa
popular que elimina do processo eleitoral quem já está condenado
em uma primeira instância judicial.
A CNBB também lançou a cartilha de orientação política.
O slogan dos bispos do Brasil é: “Voto não tem preço.
Voto tem conseqüências”. O documento ensina o eleitor a diferenciar
promessas políticas que podem ou não se realizadas e define critérios
para a escolha do candidato. Por exemplo: a CNBB orienta a não votar
em quem defende o aborto e a eutanásia. No material, há um alerta
para o eleitor de que campanhas onde há muito dinheiro sendo gasto não é um
bom sinal.

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FOLHA DE LONDRINA, 30 de
julho de 2008 | Política
Gil deve pedir demissão do
Ministério da Cultura
São Paulo - Fonte graduada do Ministério da Cultura confirmou
ontem que o ministro da Cultura, Gilberto Gil, deve pedir demissão do
cargo até o final desta semana. Gil terá audiência com
o presidente Lula somente para tratar de sua saída.
''Tem base na realidade'', afirmou
a fonte. ''Mas pode perfeitamente ocorrer o que aconteceu da última
vez'', acrescentou. O que aconteceu da última vez foi que o presidente
Lula conseguiu fazer Gil mudar de idéia e permanecer no cargo.
O ministro interino, Juca Ferreira, chega hoje da Bolívia, após
encontro com ministros da Cultura do Mercosul. O interino em exercício é Alfredo
Manevy.
O ministro Gilberto Gil também
acaba de chegar de sua turnê pela Europa e retoma as atividades
artísticas no dia 2, quando fará show em Itaipava (RJ).
No dia 8, vai a Curitiba (PR), e no dia seguinte toca em Florianópolis
(SC).
Segundo o diário de turnê de
Gil, feito pela sua assessora, Gilda Mattoso, é possível
notar que - mesmo licenciado -, Gil exerceu funções diplomáticas
e desfrutou do seu status ministerial durante a turnê. No dia 25,
após show em Polignano al Mare (490 quilômetros de Roma,
na Puglia, ao sul de Bari), Gil rumou para Roma, onde foi recebido pela
secretária de Cultura de Roma, Cecília D'Elia, entre outras
autoridades.
''O propósito era agradecer
a Gil pois o governo da região se inspirou no projeto Pontos de
Cultura e criou um projeto semelhante nas periferias das grandes cidades
italianas. Eles conversaram sobre inclusão digital e fizemos uma
visita aos subterrâneos do Palazzo, onde recentemente descobriram
ruínas de casas romanas de até 2 mil anos atrás'',
escreveu Gilda.
Na França, no dia 12,
Gil recebeu em seu camarim Alain Le Vern, presidente da região
da Alta Normandia, e Alain Rousset, presidente da Associação
das Regiões Francesas, e também Laurent Fabius (ex-primeiro-ministro
da França no governo Mitterrand). ''Foi aquela troca de amabilidades.
Eles deram a Gil duas garrafas de Armagnac, um livro sobre a Normandia
e Fabius elogiou muito a nossa economia (ele foi ministro ou secretário
de economia em algum momento, eu acho)'', relatou Gilda Mattoso.
Jotabê Medeiros
Agência Estado
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Folha de S.Paulo, 30 de Julho
de 2008
Colapso de Doha muda política
comercial
Negociadores em Genebra não conseguem
superar impasse sobre um acordo de liberalização do
comércio global | Chanceler brasileiro admite agora priorizar
acordos bilaterais com outros países ou blocos para ampliar
o comércio externo do país
Fabrice Coffrini/France Presse

O chanceler Celso Amorim, em entrevista coletiva após o
colapso das negociações em Genebra
MARCELO NINIO
DE GENEBRA
O esforço para tentar
salvar sete anos de negociação da Rodada Doha da OMC (Organização
Mundial do Comércio) terminou ontem em lágrimas e cercado
pelo sentimento de que uma chance histórica foi desperdiçada.
Depois de uma maratona de nove dias, que somou mais de cem horas de intensas
discussões, o processo entrou em colapso devido a um assunto considerado "menor",
o mecanismo de proteção agrícola para países
emergentes.
O colapso deve levar o Brasil e outros países a reverem suas políticas
comerciais, com mais ênfase em acordos bilaterais limitados e aumento
de demandas na própria OMC.
Embora ninguém admita a morte da Rodada Doha, o processo entra em período
de incerteza, que aumenta com a sucessão presidencial americana. O chanceler
Celso Amorim disse que o processo pode ficar pendente até 2013, admitindo
que um acordo não sairá mais no governo Lula. E vê pouca
chance de ser retomado do ponto em que pararam.
"Ouvi de várias pessoas que devemos preservar o que obtivemos. Concordo,
mas não está no nosso poder. A vida continua, e nem sempre pelo
bom caminho", disse. "Temos uma crise alimentar e teremos outras crises.
Tendências protecionistas também vão voltar."
Visivelmente abatidos, alguns dos sete ministros que participaram do grupo
formado para romper o impasse pareciam não acreditar que um projeto
tão ambicioso tivesse desmoronado devido a uma questão pontual.
A representante de Comércio dos EUA, Susan Schwab, estava perto do choro.
Mariann Fischer Boel, comissária européia de Agricultura, derramou
lágrimas.
"É muito triste", disse Fischer Boel à Folha, "porque
os países mais pobres é que serão os maiores prejudicados."
Programadas para durar só até o último sábado,
as discussões se prolongaram em tentativas incessantes dos sete ministros
de solucionar o núcleo do acordo. O objetivo era manter um equilíbrio
entre a redução das barreiras agrícolas dos países
ricos e a abertura industrial nos emergentes.
Na reta final, o que emperrou o processo foi o Mecanismo de Salvaguarda Especial
(SSM, na sigla em inglês), que se transformou numa queda-de-braço
entre EUA e Índia. Numa amarga ironia, a negociação idealizada
para liberalizar o comércio global foi derrubada por um mecanismo protecionista. "Qualquer
observador de outro planeta não conseguiria acreditar que, depois de
todos os progressos que realizamos, não conseguimos chegar a um acordo",
disse Amorim.
Enquanto falava, o chanceler brasileiro era observado pelo ministro do Comércio
da Índia, Kamal Nath, apontado por muitos como um dos responsáveis
pelo fracasso das negociações devido à insistência
em ter bases mais protecionistas no SSM. Uma fonte da OMC contou à Folha
que Nath atravessou as negociações mantendo um discurso populista
em defesa dos pobres de seu país.
Para esse negociador, Nath claramente tinha ordens para não ceder, observando
que ele tem pretensões nas eleições da Índia previstas
para 2009.
A intransigência indiana se chocou com a inflexibilidade americana. Nos últimos
dias, dezenas de propostas foram formuladas pelo diretor-geral da OMC, o francês
Pascal Lamy, e por outros países, como o Brasil. De um lado, os indianos,
com o apoio chinês, não abriam mão de um nível alto
de protecionismo. De outro, os americanos, pressionados pelo forte lobby agrícola,
não cediam por temer o fechamento de mercados importantes na Ásia,
sobretudo a China.
" Uma força irresistível se chocou com um obstáculo
intransponível, e o resto é história", disse o comissário
de Comércio da UE, Peter Mandelson. "Os americanos riscaram uma linha
na areia e se recusaram a cruzá-la."
O Brasil, quarto exportador agrícola do mundo, era por princípio
contra as salvaguardas que freiam as importações pelo mesmo motivo
dos EUA, mas as acabou aceitando para salvar um acordo.
Decepcionado com o desfecho de sete anos da rodada lançada em 2001 para
abrir mercados e estimular a prosperidade do mundo em desenvolvimento, o chanceler
brasileiro usou uma metáfora do futebol para colocou em dúvida
o formato escolhido em Genebra, que reduziu as discussões a sete países
-Brasil, Índia, EUA, UE, Austrália, China e Japão.
"Se fosse o treinador, eu trocaria os jogadores para ver se um resultado
era possível, porque é inacreditável que tenhamos fracassado
por causa de uma questão."
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Folha de S.Paulo, 30 de Julho de 2008
PERGUNTAS E RESPOSTAS
Entenda o fracasso das negociações
DO "FINANCIAL TIMES"
O QUE É A RODADA DOHA?
A rodada de conversações (cujo nome é uma referência à capital
do Qatar, país onde ela começou em 2001) são negociações
amplas com o objetivo de liberalizar o comércio de produtos agrícolas,
industriais e serviços entre os 153 países-membros da OMC. As
conversações também tratam de questões menores,
como aperto das regras sob as quais o comércio internacional é conduzido
e facilitar aos exportadores o transporte de bens através de fronteiras
nacionais.
POR QUE ENTROU EM COLAPSO?
Fundamentalmente, pelos mesmos motivos que as vinham perturbando há anos:
o desejo de alguns dos grandes países emergentes, como Índia
e China, de manterem o direito de proteger seus agricultores e suas indústrias,
que eles alegam vulneráveis se expostos à concorrência
internacional. Do outro lado, os EUA, e em certa medida a União Européia,
exigiram acesso a esses mercados em troca do corte de seus apoios à agricultura.
As partes não conseguiram chegar a acordo que agradasse a todos.
ASSIM, A QUESTÃO É DE UM CONFRONTO ENTRE
RICOS E POBRES?
Não. Os países desenvolvidos estão rachados quanto a algumas
dessas questões. Nações exportadores agrícolas
muitos eficientes, como Brasil e Uruguai, também desejam acesso a mercados
agrícolas como o da Índia, mas tendem a ser menos incisivas que
os EUA.
O QUE ACONTECE AGORA?
Alguns funcionários estão tentando retratar
a situação de maneira positiva e disseram que as
negociações voltarão no final do ano. Mas,
com a rápida aproximação da eleição
nos EUA, parece improvável que uma reunião substancial
de ministros venha a ser realizada antes que um novo presidente
se instale na Casa Branca.
UM ACORDO COMO ESSE FARIA GRANDE DIFERENÇA?
Não muita, ao menos não imediatamente.
A maioria das estimativas quanto ao impacto na economia mundial
de um acordo na Rodada Doha é da ordem de US$ 100 bilhões,
ou cerca de 0,1%. E, como os países mais pobres já contam
com acesso especial aos mercados mais ricos e o valor desse acesso
seria reduzido por um corte geral nas tarifas de importação,
um acordo poderia na verdade ser desvantajoso para eles.
POR QUE TÃO POUCO EFEITO?
As negociações da OMC cobram as chamadas "bound
rates", o máximo legal ao qual países podem
elevar suas tarifas de importação ou subsídios
agrícolas, e não as taxas aplicadas, que são
as que estão efetivamente em uso no momento. A disparidade
entre as duas é conhecida como "water" (água).
Já que as taxas aplicadas muitas vezes estão bem
abaixo das taxas máximas, os acordos da OMC muitas vezes "cortam
a água", e não reduzem de maneira imediata
as tarifas e subsídios aplicados no mundo real. Os EUA,
por exemplo, estão oferecendo um limite de US$ 14,4 bilhões
aos subsídios agrícolas, que são vistos
como causa de distorção no comércio internacional.
Mas porque esses pagamentos estão vinculados a preços
e os mercados de commodities registraram grande expansão
recentemente, os EUA na verdade pagam entre US$ 7 bilhões
e US$ 9 bilhões anuais em subsídios aos agricultores
no momento.
POR QUE ASSINAR ENTÃO?
Um bom motivo é como apólice de seguro.
Um acordo quanto a limites para as "bound rates" das
tarifas impede que elas sejam elevadas subitamente e assim reduz
o risco de que o mundo recue ao tipo de protecionismo repleto
de represálias que vigorou nos anos 30. Patrick Messerlin,
professor de economia no Sciences-Politiques, de Paris, diz que
Doha deveria ser vista como "uma rodada de confirmação".
No momento, diz ele, grandes economias emergentes como Índia,
México e Brasil poderiam mais que triplicar suas tarifas
sobre produtos agrícolas e industriais, a qualquer momento,
sem violar as normas da OMC.
A OMC MESMA SOFRERÁ NA AUSÊNCIA DE UM ACORDO?
Imediatamente, não. Em médio prazo, possivelmente
sim. A OMC quer mais que negociar acordos de liberalização.
Também opera um sistema de solução de disputas
que adjudica se os países estão rompendo as regras
existentes. Isso forçou, por exemplo, uma reforma do complexo
e dispendioso regime europeu de apoio ao açúcar
e compeliu o Congresso americano a repelir regras que incidiam
sobre os impostos empresariais. Caso os governos não consigam
fechar acordos comerciais em negociações sob os
auspícios da OMC, podem relutar mais em respeitar as regras
que já estão em vigor.
Tradução de PAULO MIGLIACCI
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Vermelho, 30 de Julho de
2008
Comandante ligado à 4ª Frota
visita centro militar na Amazônia
Sem repercussão na mídia
nacional, o major-brigadeiros-do-Ar, Glenn Spears, subcomandante do Comando
Sul dos Estados Unidos, ao qual ficará subordinada a polêmica
Quarta Frota da marinha norte-americana, passou três dias na semana
passada visitando instalações militares na Amazônia.
Requisitada pelo próprio governo de George Busch, a visita envolveu
as instalações do Sistema de Proteção da
Amazônia (Sipam), do Comando Militar da Amazônia e do Centro
Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo
de Manaus (Cindacta-4).
Num momento em que o governo
brasileiro demonstra preocupação com a presença
militar dos EUA nos mares da América do Sul, inclusive com pedido
de explicação motivado pelo presidente Lula, é no
mínimo estranho que um alto comandante militar norte-americano
visite instalações estratégicas da defesa brasileira.
Sob alegação de missão humanitária, a reativação
da Quarta Frota no mês passado, causou protesto de diversos setores governamentais
e da sociedade. Para analistas, a presença militar dos EUA nos mares
da América do Sul e do Caribe tem nítida ligação
com as recentes descobertas de petróleo na costa brasileira, a abundância
dos recursos naturais, sobretudo na Amazônia, e o avanço de governos
de esquerda e de centro na região.
Estudos elaborados pelo Ministério da Defesa em conjunto com a Petrobras
demonstram preocupação, no tocante a reativação
da Quarta Frota, com questões relacionadas à Amazônia e
a soberania brasileira sobre o Campo de Tupi, na Bacia de Campos, cujas recentes
descobertas apontam para uma reserva de petróleo estimada em entre 5
bilhões a 8 bilhões de barris.
As mais novas descobertas estão localizadas no limite de 200 milhas
náuticas a partir do litoral brasileiro. Segundo acordo internacional,
que estabelece o limite territorial de cada nação costeira, as
reservas pertencem ao país. Ocorre que os EUA não são
signatários dessa Convenção das Nações Unidas
sobre o Direito ao Mar (CNUDM).
Além do governo, é grande a preocupação do parlamento
brasileiro com a presença militar dos EUA na América do Sul.
Foi aprovada nesta terça (29), por exemplo, durante reunião do
Parlamento do Mercosul, uma declaração apresentada pelo senador
Aloizio Mercadante (PT-SP) dando conta de que a reativação da
Quarta Frota não é oportuna.
“É inteiramente inoportuna e desnecessária, dadas as atuais
circunstâncias mundiais e regionais que conformam a América do Sul
como uma região pacífica e democrática", diz o senador
numa declaração divulgada pela Agência Senado. O texto foi
aprovado por 26 votos a favor, nenhum contra e 11 abstenções.
Visitante é crítico da Venezuela
O subcomandante Glenn Spears é um dos mais contundentes críticos
do governo do presidente Hugo Chaves na Venezuela. Por conta da compra de armas
feita pelos venezuelanos da Rússia, ele deu a seguinte declaração: "Nós
estamos seriamente preocupados com essa grande quantidade de aquisições".
Além da pretensão em adquirir helicópteros MI 28, aviões
de vigilância, tanques, sistemas de defesa aéreos e submarinos
atômicos, a Venezuela já comprou cerca de US$ 4 bilhões
em armamentos russos. Com a aquisição, a Rússia diz que
a Vanezuela reforça sua soberania na América Latina.
Defesa diz que visita foi de cortesia
Em resposta ao questionamento do Vermelho sobre os motivos da visita, o Ministério
da Defesa, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que a solicitação
feita pelo governo norte-americano teve como finalidade “estreitar os
laços entre Brasil e os Estados Unidos para facilitar a comunicação
entre os países, e também, de conhecer as instalações
brasileiras”.
Diz que o coordenador do Departamento de Assuntos Internacionais, do Ministério
da Defesa (DAI), tenente-coronel Marco Aurélio Guimarães, acompanhou
o subcomandante Glenn Spears e um assessor direto, durante toda a visita.
" Este tipo de atividade é rotineiro na relação entre
os dois países, haja vista a vasta programação de visitas
a unidades militares e de transporte aéreo já realizadas pelo ministro
da Defesa, Nelson Jobim, e comandantes militares brasileiros”, diz o comunicado.
Assessoria enviou uma agenda do ministro Jobim em bases militares dos Estados
Unidos em março deste ano para explicar à recíproca. Entre
outras atividades, Jobim visitou a Base Naval de Norfolk, onde conheceu um
submarino nuclear, reuniu com Condoleezza Rice, secretária de Estado
e visitou o Centro de Comando do Sistema de Controle de Tráfego Aéreo
de Dulles.
Ministro Jobim nos EUA
Na última quinta (24), o ministro Jobim também iniciou uma nova
visita de sete dias aos Estados Unidos. Ele viajou acompanhado do comandante
da Marinha, Júlio Soares de Moura Neto, do comandante da Escola de Comando
e Estado-Maior do Exército, Sérgio Etchegoyen, e do embaixador
dos Estados Unidos no Brasil, Clifford Sobel. Já nos EUA, o comandante
da Aeronáutica, Brigadeiro Juniti Saito, se juntará à comitiva.
Segundo a assessoria do ministério, uma vasta programação
de visistas estavam programadas, entre elas, uma parada no Estado de Nevada,
em Las Vegas, onde ele conheceria a Base Aérea de Nellis.
De Brasília,
Iram Alfaia
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FOLHA DE LONDRINA, 30 de
julho de 2008 | Economia
Novas regras mudam atendimento nos
call centers
Agência Graffo
Sabe aqueles bom minutos perdidos ao telefone tentando conseguir uma segunda
via de fatura de cartão de crédito ou tentando cancelar uma linha
telefônica? Eles podem estar com seus dias contados. Pelo menos é o
que parece. Está prevista para hoje, a assinatura pelo presidente Lula
da nova regulamentação dos atendimentos nos call centers.
O decreto deve regulamentar os
serviços de atendimento ao consumidor (SACs) dos setores bancário,
de telefonia fixa e móvel, internet, TV a cabo, planos de saúde,
energia elétrica, cartão de crédito e aviação
civil. Ele é resultado de uma proposta do Sistema Nacional de
Defesa do Consumidor e o Departamento de Proteção e Defesa
do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça.
Depois de assinadas, as novas
regras deverão entrar em vigor em até 60 dias. As punições
a que as empresas estarão sujeitas, caso não se adaptem,
devem ser as já previstas do Código de Defesa do Consumidor
para os casos de prática abusiva no atendimento aos usuários.
Entre as principais regras está a
determinação de que ninguém poderá esperar
mais de 60 segundos em linha para ser atendido pelo operador de telemarketing.
Além disso, os atendentes deverão ser capazes de resolver
reclamações e pedidos de cancelamento de serviço
que quando solicitado, deverá ser feito imediatamente.
Agência Graffo
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Agência Senado, 30 de Julho de 2008
Projeto impede empresas de consultar
banco de dados para fins de admissão de empregados
O senador Mário Couto (PSDB-PA) apresentou projeto de lei que proíbe
a consulta a banco de dados e cadastros de proteção ao crédito,
mantidos por pessoas jurídicas públicas ou privadas, para fins
de seleção e admissão de empregados (PLS 266/08).
A proposta, que inclui o artigo 12-A na Consolidação das Leis
Trabalhistas (CLT), aguarda a designação de relator na Comissão
de Assuntos Sociais (CAS), onde será apreciada em decisão terminativa.
Os infratores estarão sujeitos à multa que varia de R$ 10 mil
a RS 1 milhão, a ser aplicada por órgão do Ministério
do Trabalho e Emprego. Também serão passíveis de sofrer
reclamação por dano moral pelo trabalhador, cuja indenização
mínima será de dez vezes o valor do salário oferecido
para o cargo ou função.
Na justificativa da proposta, Mário Couto argumenta que os candidatos
a uma vaga de trabalho não podem ser preteridos pelo fato de estarem,
temporariamente, com os seus nomes inscritos em instituições
de proteção ao crédito, uma vez atendidas às demais
qualificações técnicas para o preenchimento da vaga.
" Toda a seleção que, por esse motivo, elimina candidatos
ao emprego comete, no mínimo, uma infração de ordem constitucional,
pois invade a intimidade, a vida privada e a honra desses trabalhadores, por
intermédio de consulta unilateral não autorizada a banco de dados
de instituições privadas ou até mesmo públicas",
argumenta.
Mário Couto diz ainda que a ausência eventual de crédito
decorre exatamente da falta de emprego ou até, em muitos casos, de "erros
terríveis", como é o caso das pessoas que têm o mesmo
nome. Também argumenta que a investigação sigilosa praticada
pela empresa impede o candidato de apresentar alegações em sua
defesa.
O senador acredita que o projeto será aprovado pelo Congresso Nacional,
tendo em vista que a Convenção 11 da Organização
Internacional do Trabalho (OIT) sobre Discriminação em Matéria
de Emprego e Ocupação, já ratificada pelo Brasil, não
trata especificamente da matéria contida na proposta de sua autoria.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
30/07/2008
TST envia ao STF esclarecimentos sobre Súmula
228, suspensa por liminar
O presidente do Tribunal Superior
do Trabalho, ministro Rider Nogueira de Brito, encaminhou ao Supremo
Tribunal Federal, no dia 22 de julho, esclarecimentos sobre a Súmula
228 do TST. As informações foram solicitadas pelo presidente
do STF, ministro Gilmar Mendes, após conceder liminar que suspendeu
a aplicação da Súmula 228, na parte em que permite
a utilização do salário básico para calcular
o adicional de insalubridade.
A liminar foi concedida no dia
15 de julho, em atendimento à Reclamação Constitucional
nº 6266, apresentada ao STF pela Confederação Nacional
da Indústria. A CNI sustenta, entre outras alegações,
que a Súmula 228 estaria em desacordo com a Súmula Vinculante
nº 4 do STF, que vedou a utilização do salário
mínimo como indexador de base de cálculo de vantagem de
servidor público ou de empregado, bem como proibiu a sua substituição
por decisão judicial.
Nas informações fornecidas ao STF, o ministro Rider de Brito
tece considerações sobre o posicionamento adotado na sessão
do Tribunal Pleno do dia 26 de junho, que aprovou a nova redação
da Súmula 228, com o objetivo de oferecer subsídios para o julgamento
da matéria pelo Supremo.
Em termos práticos, fica
suspensa a aplicação da Súmula 228 do TST, até que
o STF julgue o mérito da questão.
Ribamar Teixeira
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