Informativo Eletrônico n.º 981   -   Ano 05   -   Curitiba (PR), 31 de julho de 2008.




O ESTADO DO PARANÁ, 31 de julho de 2008 | Economia

Setor de serviços "girou" R$ 500 bilhões em 2006
Lyrian Saiki e agências

O setor de serviços encerrou o ano de 2006 empregando 447.882 pessoas no Paraná, distribuídas em 73.132 empresas. Juntas, elas movimentaram R$ 29,2 bilhões e geraram salários, retiradas e outras remunerações no total de R$ 4,5 bilhões.

Os números são da Pesquisa Anual de Serviços (PAS), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e não inclui os serviços financeiros.

A receita operacional líquida obtida por essas empresas, em todo o País, somou R$ 501,1 bilhões, com valor adicionado no Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 278,2 bilhões.

Na comparação com outros estados da região Sul, o Paraná esteve à frente de Santa Catarina - onde o setor de serviços empregava 334,1 mil pessoas e movimentou R$ 18,4 bilhões - e atrás do Rio Grande do Sul, onde o setor empregava 500 mil pessoas e a receita bruta somou R$ 30,7 bilhões.

No Paraná, o setor de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correios se destacou pelo faturamento (R$ 11 bilhões) e pelo grande número de pessoas empregadas: cerca de 120 mil, a maior parte delas (84,3 mil) atuando nas 9,3 mil empresas de transportes. Destaque também para as agências de viagens e serviços auxiliares aos transportes, que somavam 2,2 mil empresas e empregavam 23,1 mil pessoas.

Serviços de alojamento e alimentação também empregaram um grande contingente em 2006 no Estado: cerca de 83 mil pessoas, distribuídas em aproximadamente 17,3 mil empresas. A atividade movimentou R$ 2 bilhões.

Os serviços de informação, que incluem atividades ligadas à informática e telecomunicações, empregavam 29,2 mil pessoas no Estado e geraram em salários, retiradas e outras remunerações R$ 545 milhões.

País

Em nível nacional, o setor de serviços reunia 958.290 empresas em 2006, que empregavam cerca de 8,2 milhões de pessoas e geravam salários, retiradas e outras remunerações no total de R$ 95,1 bilhões. O salário médio mensal foi de 2,7 salários mínimos.

Os serviços de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correios geraram a maior receita operacional líquida do setor (R$ 149,7 bilhões) em 2006, enquanto o segmento de serviços prestados às empresas (que tem crescido com a terceirização) obteve a maior participação no valor adicionado (R$ 80,3 bilhões).

Os serviços prestados às empresas foram o principal segmento, em termos de pessoal ocupado (3 milhões de pessoas) e salários, retiradas e outras remunerações (R$ 31,6 bilhões).

A pesquisa revela, também, que entre os anos de 2000 e 2006, a participação das grandes empresas no total do PIB do setor de serviços não-financeiros aumentou, passando de 48,5% para 50,7%, “impulsionadas pelo crescimento no segmento de serviços prestados às empresas”, segundo o IBGE.

Dentro deste segmento, a atividade de seleção, agenciamento e locação de mão-de-obra temporária apresentou as elevações mais expressivas dentre as grandes empresas.

No segmento de serviços de informação, as atividades de informática destacaram-se com a maior participação no número de empresas (81,7%), pessoal ocupado (63,3%) e salários, retiradas e outras remunerações (55,4%).

Por sua vez, telecomunicações, com uma receita operacional líquida de R$ 88,8 bilhões, em 2006, foi a atividade com maior participação na receita do segmento (61,7%).

A pesquisa mostra ainda que, em 2006, atuavam no País cerca de 3.206 empresas do setor de serviços de investigação (também parte de serviços prestados às empresas), segurança, vigilância e transporte de valores, que geraram receita operacional líquida de R$ 11,4 bilhões e empregaram cerca de 463 mil pessoas.

Já os serviços técnico-profissionais (consultorias, agências de publicidade, escritórios de advocacia e contabilidade, serviços de engenharia e arquitetura) destacaram-se com o maior salário médio mensal (4,6 salários mínimos).


VERMELHO, 31 de julho de 2008 | Movimentos
Anúncio das centrais legalizadas pode sair em 5 de agosto

Com três meses de atraso, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) poderá finalmente anunciar a centrais que serão legalizadas no próximo 5 de agosto. Sancionado no dia 31 de março deste ano, o projeto de Lei nº 1990/07, que reconhece juridicamente as centrais sindicais como entidades de representação dos trabalhadores, está demorando para ser executado por uma boa justificativa: a ausência de um instrumento capaz de aferir com exatidão o número de trabalhadores sindicalizados no país.

Por Carla Santos*

O MTE deveria ter anunciado no dia 1º de abril as centrais que, de acordo com os critérios exigidos na lei, seriam legalizadas. Das 17 centrais 'existentes', apenas seis — CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), CUT, Força Sindical, UGT (União Geral dos Trabalhadores), NCST (Nova Central Sindical dos Trabalhadores) e CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil) — deram entrada na documentação solicitando reconhecimento jurídico.

Para serem legalizadas, as centrais devem cumprir com os seguintes critérios: filiação de no mínimo cem sindicatos distribuídos nas cinco regiões do Brasil; filiação de sindicatos em no mínimo cinco setores de atividade; e filiação de no mínimo 5% dos sindicalizados em âmbito nacional no primeiro ano, devendo atingir 7% em dois anos.

Tudo corria muito bem na comissão do ministério que avalia a documentação das centrais, até a aferição do último critério exigido na lei: a filiação de, no mínimo, 5% dos trabalhadores sindicalizados.

A questão que se impôs foi: qual instrumento utilizar para aferir esse número? A pergunta não é menor, já que ela se repetirá dentro de dois anos — quando as centrais deverão atingir não 5%, mas 7% de filiados do total de sindicalizados — e mobilizou diversas instituições, como o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos) em busca de uma resposta.

Os números da Rais

A primeira tentativa buscou na Rais (Relação Anual de Informações Sociais) o número total de sindicalizados. Instituída em 1975, a Rais é um registro administrativo, de periodicidade anual, criada com a finalidade de suprir as necessidades de controle, de estatísticas e de informações às entidades governamentais da área social.

Na prática, esse dado é uma grande tabela com vários espaços a serem preenchidos pelas empresas com diversas informações importantes para o governo, em especial para o MTE. Para se manter legal a empresa é obrigada a entregar a Rais.

A partir da Rais chegou-se ao número de 8 milhões de trabalhadores sindicalizados. Desconfiadas da veracidade desse número, as centrais então sugeriram ao MTE que, junto ao Dieese, cruzasse os números da Relação com os do CNES (Cadastro Nacional de Entidades Sindicais), que é preenchido pelos sindicatos e atualizado a cada nova eleição da entidade. Somente o preenchimento do CNES garante aos sindicatos a parte que lhes cabe da contribuição sindical obrigatória.

Números não batem

O primeiro sistema de CNES foi elaborado unicamente para o acompanhamento processual, isento de mecanismos críticos. Em 2005, houve uma evolução com a criação do Novo Cadastro Nacional de Entidades Sindicais, que, por meio de suas ferramentas de integração de informações, proporcionou maior eficiência, transparência e celeridade na análise das solicitações e nas consultas processuais. Por meio dos dados cadastrais, no Novo CNES permite uma ampla consulta acerca da representação de uma entidade sindical.

O MTE atendeu ao pedido das centrais e cruzou as informações. Como as centrais previam, os números não bateram. O levantamento do CNES aferiu cerca de 6 milhões de trabalhadores sindicalizados (sendo 5% cerca de 300 mil) contra os 8 milhões verificados na Rais (sendo 5% cerca de 400 mil).

Também se verificou que, por ser facultativo, inúmeras empresas não informam o número de sindicalizados, outras ainda informam dados contraditórios com os do sindicato. Entre as falhas, constatou-se que algumas empresas davam como sindicalizados todos os empregados e outras alegavam mais sindicalizados do que empregados.

A questão se tornou ainda mais complexa quando se observaram falhas também no CNES, já que nem todos os sindicatos davam nas atas eleitorais todas as informações necessárias. Em muitas atas não há registro sobre o número total de trabalhadores da empresa, de sindicalizados e de aptos à votar, tendo, na maioria das vezes, apenas o total de votantes na eleição da entidade em questão.

Solução do impasse

Diante do impasse, a comissão do MTE e o Diesse, além de cruzarem os dados, precisaram levantar novas informações de que ainda não dispunham, e de acordo com cada caso, para chegar a um consenso sobre o número de sindicalizados no país. A participação das centrais nesse processo têm sido decisiva para que não se cometam erros no momento em que todas desejam a sua legalização.

Contudo, o mérito da polêmica levantou um novo e interessante debate para o governo e o movimento sindical: ainda não há um único instrumento confiável que afira o número real de sindicalizados. Para se chegar a esse número, o MTE e o Diesse, em conjunto com as centrais, tem feito uma verdadeira engenharia com as informações de que dispõe, daí o motivo do atraso.

Para evitar que o impasse volte a ocorrer daqui há dois anos, a CTB já propôs um grupo de trabalho conjunto do ministério, com o Dieese e as centrais. O objetivo é apresentar uma proposta capaz de garantir agilidade no próximo processo. Por hora, o MTE convocou as seis centrais para uma reunião em Brasília no dia 5.

Não se sabe ainda se o MTE chegou a um consenso sobre os números, mas é grande a expectativa de que nessa data sejam entregues os certificados de legalização às centrais. De quebra, o marco histórico poderá expressar a real representatividade de cada central numericamente, por categoria profissional, ramo e região.

*Com informações do MTE.

 

AGÊNCIA DIAP, 31 de julho de 2008
ECONOMIA
Inflação pode chegar a 5% no final do ano

As decisões de política monetária terão impacto concentrado somente no final deste ano e em 2009, na avaliação dos membros do Comitê de Política Monetária (Copom). A ata da última reunião do colegiado, divulgada hoje (31) pelo Banco Central revela que aumentou a preocupação com o descompasso entre a demanda e a oferta de produtos e serviços. Segundo o documento isso tem aumentado o risco de inflação e exige uma atuação vigorosa da política monetária.

Em pesquisa divulgada no início da semana pelo BC, os analistas de mercado estimam que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo - o índice oficial de inflação - feche o ano em 6,58%, projeção acima do limite superior da meta para o ano, de 6,5%. Para 2009, que tem a mesma meta, os analistas mantiveram a expectativa de que a inflação chegue a 5%.

O centro da meta de inflação fixada pelo governo para este ano e o próximo é de 4,5%, com dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Para o Banco Central, ao longo dos próximos meses o crescimento do crédito, “ainda que com alguma moderação”, e o aumento real dos salários devem continuar impulsionando a atividade econômica. Além desses fatores o documento cita os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, que possibilitam o acesso de mais pessoas aos bens e serviços do país.

O comitê ressalta que, por outro lado, a contribuição dos investimentos das empresas para ampliar a capacidade produtiva ajuda a atender a demanda. A ata cita que a possível acomodação do preço das commodities pode contribuir para evitar que pressões inflacionárias se intensifiquem. (Fonte: Agencia Brasil)

 

O ESTADO DO PARANÁ, 31 de julho de 2008 | Economia
Indústria eleva uso da capacidade para 77%, diz CNI
Agência Estado

A Sondagem Industrial referente ao segundo trimestre de 2008, divulgada nesta quinta-feira (31) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostra que a produção do setor continua crescendo e que o ritmo de aumento do emprego e da utilização da capacidade instalada tem sido ainda mais intenso.

Segundo o documento, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) passou de 75%, no primeiro trimestre deste ano, para 77% no segundo trimestre de 2008. A CNI destaca que a utilização do parque fabril tem tido crescimento maior entre as pequenas empresas.

O chefe da Unidade de Pesquisa da entidade, Renato da Fonseca, considerou natural um maior dinamismo nas pequenas empresas, porque esse segmento entrou mais tarde no processo de recuperação da produção, para atender o aumento da demanda.

Pelos dados da Sondagem Industrial, a utilização da capacidade instalada das pequenas empresas passou de 70%, registrados no primeiro trimestre, para 73% no segundo trimestre de 2008. O nível era de 69% no segundo trimestre de 2007.

A Sondagem Industrial do segundo trimestre de 2008 mostra ainda que o indicador de produção subiu de 52,2 pontos, no primeiro trimestre, para 56,5 pontos, no segundo. Já o indicador do emprego subiu de 53,1 pontos para 53,6 pontos. A pesquisa varia de zero a 100 pontos, e valores acima de 50 pontos indicam crescimento.

Setores

A sondagem da CNI mostra ainda que, dos 27 setores pesquisados, 20 apresentaram aumento na produção, com destaque para os segmentos de refino de petróleo e produção de veículos automotores e outros equipamentos de transporte.

Entre os setores que registraram queda na atividade, estão os de móveis, madeira e couro.


O ESTADO DO PARANÁ, 31 de julho de 2008 | Mundo
Milhares protestam por reforma previdenciária na Bolívia
Agência Ansa

Milhares de militantes da Central Obreira Boliviana (Cob) se manifestaram nesta quarta-feira (30) em La Paz para exigir uma reforma imediata do sistema de pensões por meio de um projeto próprio de lei, diferente do apresentado pelo governo de Evo Morales.

Os manifestantes, mineiros e operários, trabalhadores da saúde e da educação, percorreram as ruas do centro da capital detonando dinamite para o alto.

A Cob exige a aprovação de seu projeto de lei em lugar do enviado pelo governo na semana passada ao Congresso para substituir a lei em vigor há onze anos. Enquanto isso, outros grupos de trabalhadores, entre os quais professores e trabalhadores da saúde, bloquearam estradas -- apesar das tentativas da polícia de dispersá-los --, isolando entre si as principais cidades.

Pedro Montes, secretário-executivo da Cob, denunciou "a brutal repressão deste governo reformista que atua do mesmo modo que as ditaduras neoliberais", em uma concentração na Plaza de los Héroes, a cinco quadras do palácio de governo.

A Cob transferiu a La Paz mineiros que até o dia anterior estavam mobilizados bloqueando estradas no interior, depois de a polícia tê-los dispersado usando gases lacrimogêneos e balas de borracha.


AGÊNCIA SENADO, 31 de julho de 2008
CAS analisará projeto para diminuir IR dos trabalhadores

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) examinará, em reunião marcada para as 11h desta quarta-feira (6), projeto de lei do senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS) que altera a legislação sobre imposto de renda e sobre a organização da Seguridade Social e o Plano de Custeio para desonerar a remuneração de férias e o 13º salário dos trabalhadores.

De acordo com o projeto (PLS 685/07), o 13º salário, as férias e o adicional de um terço devido aos trabalhadores ficarão isentos da incidência de Imposto de Renda. Em sua justificação, Zambiasi argumenta que a Constituição pretendeu fazer justiça ao trabalhador ao lhe conceder esses benefícios, portanto não caberia taxação de IR e de contribuição para o custeio da Seguridade Social sobre esses valores.

Em parecer favorável à matéria, a relatora, senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO), manteve a proposta de isenção sobre a remuneração de férias e respectivo abono de um terço, mas excluiu a de isenção de IR sobre o 13º salário, visto que, alega a relatora, sua tributação hoje se faz exclusivamente na fonte "e não compõe a base de cálculo do IR no mês em que é recebido, o que impede que esse rendimento seja onerado de maneira mais gravosa".

Na última reunião da CAS antes do recesso de julho, após a leitura do relatório de Lúcia Vânia, foi concedida vista coletiva da matéria pelo prazo de cinco dias úteis. Caso seja aprovada, a proposta segue para exame e votação na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

Saúde

A CAS também examinará relatório da Subcomissão Permanente de Promoção, Acompanhamento e Defesa da Saúde, elaborado pelo senador Papaléo Paes (PSDB-AP), relativo à visita que integrantes do colegiado fizeram, em julho, à Santa Casa de Misericórdia de Belém. A diligência dessa comissão de parlamentares foi realizada para averiguação de denúncias sobre a morte de 300 crianças recém-nascidas durante o primeiro semestre deste ano.

A comissão foi integrada pelos senadores Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Mário Couto (PSDB-PA), Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), José Nery (PSOL-PA), Augusto Botelho (PT-RR), Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), além de Papaléo Paes. Depois de votado na CAS, o relatório será submetido à Mesa do Senado para que suas sugestões possam ser adotadas.

"Não fizemos debates de política partidária, tratou-se de uma iniciativa meramente técnica e de cunho humanitário. O relatório não é contra ninguém, é a favor da saúde pública não somente do Pará, mas do Brasil inteiro. As condições ruins da saúde pública se verificam em muitos outros estados", observa Papaléo.

Segundo o relator, houve omissão das autoridades estaduais responsáveis pela Santa Casa que, mesmo alertadas por profissionais do quadro, não tomaram as providências imediatas em tempo hábil para prevenir os óbitos.

Papaléo analisa, ainda, que a superpopulação de mães e bebês naquele hospital é uma realidade porque no interior não está havendo atendimento materno-infantil adequado e todos os casos acabam chegando à Santa Casa, que é o hospital-padrão de atendimento do Pará.

Entre as sugestões apresentadas no relatório, estão a recriação do Conselho Gestor da Santa Casa, conforme reivindicação dos profissionais de saúde do hospital, e o estabelecimento de um trabalho com articulação interinstitucional visando superar os problemas de gestão existentes.

Ao Ministério da Saúde, o relatório sugere a revisão de sua política de investimentos e de remuneração do setor médico e paramédico, com vistas a apoiar o Pará em seu esforço de recomposição e manutenção do sistema público de saúde, em especial o atendimento propiciado à população carente.

O relatório propõe ainda a realização de uma conferência extraordinária de saúde no início de 2009 para debater a situação do atendimento às demandas do segmento materno-infantil no Pará, bem como a reformulação do Conselho Estadual de Saúde para que haja mais controle sobre as políticas do setor.

Papaléo Paes sugere, também, uma audiência dos senadores integrantes da subcomissão da CAS com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, para que sejam identificados recursos emergenciais do ministério que possam ser direcionados ao Pará, inclusive recursos orçamentários oriundos de emendas de parlamentares.

A pauta da CAS, que é composta de 18 itens, inclui ainda o PLS 175/05, do senador Valdir Raupp (PMDB-RO), que regulamenta a profissão de taxista; e o PLS 658/07, de autoria do senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), que atualiza a regulamentação do exercício da profissão de economista. Essas proposições deverão ser votadas na comissão em decisão terminativa.


AGÊNCIA SENADO, 31 de julho de 2008
Projeto
Salário de professor poderá ser atualizado pelo INPC

A Câmara analisa o Projeto de Lei 3776/08, do Executivo, que prevê a atualização anual do piso salarial nacional dos professores da rede pública de ensino básico pela variação acumulada do INPC nos últimos 12 meses. A proposta determina ainda que o reajuste ocorrerá sempre no mês de janeiro.

Atualmente, a Lei 11.738/08 determina que esse piso será atualizado, a partir de janeiro de 2009, utilizando-se o mesmo percentual de crescimento do valor anual mínimo por aluno do ensino fundamental urbano. Esse valor mínimo por aluno é calculado de acordo com a Lei do Fundeb (11.494/07).

O governo argumenta que vincular o aumento dos professores ao crescimento das receitas do Fundeb por estudante poderá acarretar uma elevação contínua da parcela correspondente aos gastos com a remuneração dos professores nas despesas totais com educação básica, comprometendo, no médio e longo prazo, o financiamento de outros itens para a melhoria da qualidade da educação básica pública, como aquisição de material de ensino.

Tramitação

Antes de ir a Plenário, o projeto deverá ser examinado, em caráter de urgência, pelas comissões de Educação e Cultura; de Trabalho, de Administração e Serviço Público; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

- PL-3776/2008

 

AGÊNCIA DIAP, 31 de julho de 2008
INSALUBRIDADE
Motorista de ambulância tem direito a adicional no salário

A 6ª Turma do TRT-MG, com base em voto do desembargador Antônio Fernando Guimarães, manteve sentença que deferiu adicional de insalubridade, em grau médio, a um motorista de ambulância do Município mineiro de Água Comprida.

Em seu recurso, o Município alegou que o exercício da função de motorista de ambulância não expunha o reclamante à insalubridade em razão de contato com agentes biológicos. Mas, a prova produzida no processo demonstrou o contrário.

Laudo

O laudo do perito oficial qualificou o trabalho do reclamante como insalubre, em grau médio, em razão da prestação de serviços para estabelecimento destinado aos cuidados da saúde humana, centro de saúde, em atividade que envolvia contato pessoal próximo com pacientes.

Os depoimentos colhidos também demonstraram que o motorista não só lidava com os pacientes diretamente, como também, faziam a limpeza interna do veículo e a movimentação dos equipamentos médicos utilizados no transporte dos doentes.

“Nos termos da NR-15, anexo 14, da Portaria 3.214/78 do Ministério do Trabalho, são consideradas atividades insalubres, em grau médio, trabalhos e operações em contato permanente com pacientes, animais ou com material infecto-contagiante, em hospitais, serviços de emergência, enfermarias, ambulatórios, postos de vacinação e outros estabelecimentos destinados aos cuidados da saúde humana” – fundamentou o relator, negando provimento ao recurso do Município e mantendo o adicional e seus reflexos deferidos em primeiro grau. (Fonte: Tribunal Regional do Trabalho 3ª Região Minas Gerais)

Folha de S.Paulo, 31 de Julho de 2008
INDÚSTRIA
Atividade no 1º semestre é a maior desde 2004
DA REUTERS

A atividade industrial em São Paulo registrou no primeiro semestre o maior crescimento desde 2004, levando o setor a revisar a previsão para o ano.

Nos seis primeiros meses, a atividade acumulou alta de 8,8%. "O resultado de junho surpreendeu", disse Paulo Francini, diretor econômico da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

A Fiesp elevou ontem a estimativa de expansão da indústria em 2008 de 5,5% para algo entre 6% e 6,5%. Para o segundo semestre, a entidade já prevê cenário de acomodação.


Gazeta do Povo, 31 de Julho de 2008
Inflação
Aluguéis devem subir até 15%
Tradicionalmente usado nos contratos de locação, o IGP-M acumula alta de 15,12% em doze meses

Quem precisa alugar um imóvel, ou já mora de aluguel, pode encontrar valores até 15% mais altos na hora de assinar o contrato. O aumento deve-se, principalmente, ao Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas ontem. O índice – que avançou 15,12% nos últimos doze meses, é tradicionalmente utilizado no reajuste destes tipos de contratos. Em julho, o índice teve alta de 1,76%, um pouco mais baixo do que os 1,98% registrados no mês anterior.

“ O aluguel é um dos fatores que vem puxando a inflação para cima em Curitiba, tanto pelo IGP-M, quanto pela valorização dos imóveis, e isso acaba refletindo no valor da locação”, afirma o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos (Dieese-PR), Sandro Silva. Até o fim do ano, acredita Silva, o IGP-M deve desacelerar e atingir 12,5%.

Segundo o vice-presidente de locação e administração imobiliária do Sindicato de Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR), Luiz Nardelli, os 15,12% do IGP-M devem ser aplicados no valor do aluguéis sem causar grandes sustos. “Os aluguéis em Curitiba subiram mais do que esse índice por causa da alta demanda”, diz Nardelli. “Em 2002, sobravam imóveis e o aluguel era barato. Como as correções nesse período foram baixas, os reajustes que podem ser feitos estão dentro da realidade”, confirma o diretor-executivo da Administradora de Imóveis Gonzaga, Roberto Gonzaga.

Alguns inquilinos, como a auxiliar industrial Elis Regina Szalbot, estão apreensivos com a renovação do contrato. “Ainda não me passaram o valor, mas, como o contrato é renovado em julho, deve ter um acréscimo.” A dona de casa Rosana Célia Kritski Baez está trocando de imóvel para tentar pagar um preço mais justo e conseguir um imóvel com mais qualidade. Apesar de comunicar problemas como infiltrações ao locatário, foi informada que não teria os consertos reembolsados e que o valor subiria na renovação. “O aumento é absurdo. Além disso, não consigo encontrar nenhum imóvel do mesmo porte por menos de R$ 1,1 mil”.

De acordo com Gonzaga, o aluguel de um apartamento de 200 metros quadrados em Curitiba está na faixa de R$ 1 mil – e pode baixar em R$ 200 em bairros mais afastados.

Orientação

É importante que o inquilino fique atento ao índice de reajuste combinado no contrato. Algumas imobiliárias, como a Baggio Imóveis, utilizam o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe) nos reajustes, que está em 5,84% em doze meses. “Já adotamos o IPC há muitos anos e mudamos apenas quando o cliente exige.” Além disso, há possibilidade de renegociar o valor com a imobiliária. “Se o inquilino não suportar o pagamento, procuramos ouvir todas as partes e chegar a um consenso satisfatório. Para o locatário, não é interessante ficar com o imóvel parado”, enfatiza Gonzaga.

Para o economista do Dieese PR, Sandro Silva, o IGP-M não reflete a realidade salarial atualmente. “As imobiliárias devem utilizar um indicador mais real para locação, já que a compra da casa própria está facilitada, tanto em juros quanto em prazo. Muita gente irá preferir financiar um imóvel do que continuar no aluguel.”

A orientação do advogado especialista em direito imobiliário, Orlando Anzoategui, é tentar alterar o índice de reajuste no contrato. “O valor não pode se tornar impagável. Procure negociar com a imobiliária para conseguir um preço acessível.”

Índice deve desacelerar em agosto

As perspectivas para o comportamento do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) são bem mais otimistas para agosto e o indicador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) deverá apresentar importante desaceleração no próximo mês em comparação à alta de 1,76% observada em julho. A avaliação é do economista do Unibanco Adriano Lopes, que projeta uma alta de 0,7% para o índice do próximo mês. A explicação da alta é, principalmente, o comportamento dos preços agrícolas do atacado.

Agência Estado


FOLHA DE LONDRINA, 31 de julho de 2008 | Opinião
O endurecimento da Justiça com candidatos
O povo não é contra esse prejulgamento, que bem melhor seria denominá-lo precaução

Perante o ordenamento jurídico, punir um candidato a cargo eletivo apenas por suspeita de ilicitude é ''um linchamento moral'', como disse em entrevista a este Jornal o presidente do Superior Tribunal Eleitoral, Carlos Ayres Britto. Este é o entendimento, e o império da lei deve prevalecer, ou será a desordem. Mas na história política brasileira os que são investidos no poder pelo voto infringem com muita frequência os preceitos legais, por isso a opinião pública não condena o endurecimento da Justiça com candidatos que tenham ficha suja - o termo ora em voga.

Para o povo, um postulante acusado já é um suspeito e isto é suficiente para torcer o nariz quando se trata de políticos. É da voz popular que, se um parlamentar ou um administrador público negam um delito, deve-se acreditar que ele aconteceu. Este é um preço que a comunidade política paga pelo histórico de tanta denúncia de falcatrua em seu meio. A sentença popular, se por si só não tem amparo nos códigos, é uma lei moral e esta precisa ser considerada. Eleição é uma ebulição emocional, diz o ministro Ayres Britto, e se o emocional coloca juízes ''no olho do furacão'', conforme ainda as suas palavras, a ebulição da mente do eleitorado tem idêntica intensidade.

Os cidadãos querem esse rigor da Justiça Eleitoral, mesmo que um processo contra o candidato ainda não tenha transitado em julgado, como se diz na linguagem dos tribunais. Se o candidato é suspeito, já nem deveria ser aprovado pelo partido político; na sequência, devem os tribunais eleitorais ter a mesma vigilância; e finalmente será a vez do eleitor. Porque este irá colocar em postos de mando pessoas que irão gerir os negócios públicos, de grande importância para a sociedade, e também porque haverá em jogo muito dinheiro saído do bolso popular e por isso deve ter sadia aplicação. Se um candidato está sob suspeita, pode esperar a próxima eleição, quando poderá se apresentar com ficha limpa, se vier a provar isso.

Se no âmbito do colégio eleitoral nem sempre os escolhidos são os melhores, o povo não é contra esse prejulgamento, que melhor seria denominá-lo precaução. É estreito o limite entre prejulgar e precaver-se e, por via das dúvidas, deve-se adotar a segunda opção. Se o eleitor, como diz o ministro, deve conhecer a vida do candidato, um envolvimento dele em denúncia já é um alerta e precisa ser levado em conta. Um zelo tomado antes poupará um trabalho mais difícil depois, caso se prove que um eleito era realmente culpado no processo que o denunciava. Pode parecer perverso o veredicto da opinião pública, mas com candidatos não se pode facilitar as coisas.


Folha de S.Paulo, 31 de Julho de 2008
Eleições têm 179 xarás do presidente Lula como candidatos em todo o país
RODRIGO VARGAS
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CAMPO GRANDE

Dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostram que pelo menos 179 candidatos em todo o país pediram registro do apelido "Lula" para a disputa eleitoral. A maior parte dos xarás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em Pernambuco (53), sua terra natal. A maioria (160) é de candidatos a vereador.

O PT tem o maior número de candidaturas nesse grupo (23), mas há também registros de Lulas tucanos (10) e democratas (10). O agricultor Luiz Francisco de Souza (DEM), por exemplo, candidato a vereador em Correntes (PE), vai disputar como "Lula-lá" -refrão usado em campanhas presidenciais do PT.

Os candidatos a vereador Luiz Inácio Lacerda Conceição (PT), de Ipatinga (MG), e José Eurípedes Fradique, de Franca (SP), subirão ao palanque como "Lulinha". Outros dez postulantes fizeram a mesma opção.

Ainda foram inscritos o "Lula da Ambulância", o "Lula da Capivara", o "Lula do Povo" e o "Lula vem aí".

Especialmente no Nordeste, Lula é um apelido comum para quem se chama Luiz. Dos candidatos que pediram o registro, 121 compartilham esse primeiro nome. É o caso dos seis "Lulas" de Recife (PE), a cidade que concentra o maior número de candidatos com registro semelhante.

" Desde pequeno me chamam de Lula. Coincidiu de ser o nome do presidente", diz o tucano Luiz Carlos Antônio da Silva, o "Lula Cal", que não se importa em compartilhar o apelido com um adversário político. " O presidente é um homem popular. Quando ouvir meu nome, o povo vai lembrar dele."

Vermelho, 31 de Julho de 2008
Lula define como "frustração" fim das negociações de Doha

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou nesta quarta-feira (30) como uma "frustração" o fim das negociações da Rodada Doha, ao discursar em almoço oferecido ao presidente da Costa Rica, Oscar Arias Sanchéz, no Palácio do Itamaraty.

Lula disse ainda esperar que os avanços alcançados durante as negociações sejam preservados. "É o que esperam os países mais pobres, que mais teriam a ganhar com um acordo", afirmou Lula.

Na mesma linha, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, disse que as negociações em torno de Doha exigiam um acordo que precisava mais de decisão política do que técnica. "As questões técnicas já estavam discutidas e resolvidas, infelizmente acho que prevaleceram no final as posições políticas, que eram inabaláveis."

Segundo o ministro, o Brasil agora deve trabalhar em outra linha: a de acordo bilaterais e multilaterais. "Foi uma pena termos trabalhado tanto para não dar em nada. Eu tinha dito antes que era melhor um acordo menor, menos ambicioso, do que nenhum acordo. E um retrocesso não termos chegado a algo positivo no final e agora temos que trabalhar em outra linha."

Questionado se o Mercosul havia saído dividido da Rodada Doha, Miguel Jorge negou. "Acho que não, porque não foi nenhum país membro do Mercosul o chamado catalisador do fracasso."

Papel dos emergentes

Essa foi a primeira vez numa negociação global de comércio que os emergentes, como Brasil, China e Índia, tiveram peso maior na discussão, o que evidenciou contradições que dificultaram a Rodada, admitem analistas. O ministro Celso Amorim insiste que o Brasil não pode ser acusado de nada, porque procurou ajudar ao máximo um entendimento sobre as salvaguardas para importações agrícolas.

A negociação na OMC mostrou que é preciso superar a caricatura de briga entre mundo desenvolvido e em desenvolvimento. A salvaguarda, defendida por China, Índia, Indonésia, três dos mais populosos países do planeta, chocou-se sobretudo com a posição dos exportadores sul-americanos.

O G20 jogou para baixo do tapete essa divergência, mas os brasileiros achavam que a Índia não quis realmente um entendimento no grupo sobre salvaguarda, o que lamentavam, porque teria ajudado a evitar o fiasco de ontem.

Enquanto a China emergiu com ativismo que surpreendeu, o Brasil procurou nesta terça-feira (29) combater avaliações de que o G20 perderá importância no rastro do colapso da negociação. "A aliança vai sobreviver, temos de esperar baixar a poeira e conversar, mas sinceramente não poderia esperar que a rodada ia quebrar nisso", afirmou Amorim. "Esperava algo mais na área industrial, não aí".

Atrás de resultados

Amorim qualificou de "inacreditável" o resultado da Rodada Doha e avisou que vai agora concentrar as atenções no que "possa dar resultados" na área comercial.

O ministro disse que a Organização Mundial do Comércio (OMC) continuará sendo importante, mas a rodada vai demorar anos, "quem sabe até 2013", para ser retomada ou mesmo concluída, e o país terá outras prioridades.

"Sempre dissemos que Doha era a prioridade. Mas não podemos ficar pendurados no que não dá resultados", comentou o ministro, afastando a possibilidade de voltar a negociar ainda este ano. Ele notou que a estrutura de acordos bilaterais de comércio é menos vantajosa para o Brasil, mas disse que "se não há outro, vamos em frente".

Visivelmente decepcionado com o fiasco de quase oito anos de negociação global, o ministro desceu as escadarias da OMC para falar com a imprensa internacional, enquanto a americana Susan Schwab e o ministro indiano Kamal Nath esperavam a vez.

Amorim usou termos como "inacreditável, grave, terrível, enorme decepção". E acrescentou: "Eu disse que a Rodada estava por um fio, e o fio não segurou. É lamentável, porque ouvimos apelos de países para que tentássemos continuar. Sou o mais velho e inocente. Eu seria o que mais apostaria num acordo. Fracassamos, mas se eu fosse o técnico, substituiria os jogadores para tentar um acordo. É inacreditável que fracassamos em apenas um ponto. Valeria mudar o time e tentar de novo".

Neste momento, os olhares se viraram para Kamal Nath e Susan Schwab. O próprio ministro esclareceu que falava em incluir outros países na negociação mais restrita, para refletir mais interesses e aproximar posições - mas tudo isso num futuro distante. "Há um número enorme de países que vão sair prejudicados, não devemos ter ilusões'', afirmou. "Pode-se até pensar em retomar [a negociação], mas não vai resolver em seis meses. Se a situação política hoje já é difícil para negociar, depois vai ter eleição na Índia, no Brasil...''

Da redação, com agências

 

Folha de S.Paulo, 31 de Julho de 2008
ANÁLISE
Doha deixa Brasil no seu tamanho real
CLÓVIS ROSSI
COLUNISTA DA FOLHA

A RODADA Doha, recém-lançada à geladeira ou ao cemitério, serviu ao menos para provar de uma vez por todas que o Brasil é maior, bem maior, no jogo das negociações comerciais, do que o magro 1% do comércio mundial que representa, pouco mais ou pouco menos. Mas a lição principal a ser aprendida é que é menor do que pensam alguns membros do atual governo, a começar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Primeiro, o papel do Brasil tem sido relevante desde o início da rodada, ou seja, desde o seu lançamento na capital do Qatar, faz sete anos.

Quando terminou aquela reunião, todos os jornalistas brasileiros que a acompanhávamos ouvimos o então diretor-geral, Mike Moore, dirigir-se ao chanceler brasileiro da época, Celso Lafer, desafeto do atual governo, para cumprimentá-lo pelos resultados. "Esse homem é um herói", disse Moore, para em seguida chamar Lafer de "godfather", ou padrinho das negociações, claro que sem a conotação mafiosa que se agregou à expressão.

Mais: o então ministro da Saúde, José Serra, e o hoje chanceler, Celso Amorim, então embaixador em trânsito de Genebra para Londres, foram os "padrinhos" de um acordo sobre patentes, vital para políticas públicas dos países em desenvolvimento, dobrando a resistência dos Estados Unidos.

Amorim, brilhante profissional da diplomacia, impressionou tanto Serra que, quando candidato presidencial, o tucano confessou que o escolheria para chanceler, se vencesse. Ou seja, Amorim seria chanceler qualquer que fosse o resultado do pleito de 2002.
Fica claro que a relevância do Brasil não foi uma obra do governo Lula. É uma obra, primeiro, do peso natural do país (tamanho, população, recursos naturais), o que o torna potencialmente grande, ainda que raramente realize seu potencial.

Mas é uma obra também da competência da diplomacia brasileira, universalmente respeitada, neste como em anteriores governos. Um pouco mais neste pelo desempenho de Amorim e de Lula.

Mas há limites que Doha deixou mais claros. Primeiro, para de fato encorpar, o Brasil foi obrigado a associar-se aos grandes emergentes (Índia e China), além de outros menores, para formar o G20.

Só então passou a ter uma voz ainda mais desproporcional ao seu peso no comércio internacional, até porque a China preferiu um perfil baixo, tão baixo que, na maior parte do tempo, ficou invisível.

Este repórter acompanhou todas as reuniões da OMC desde que foi criada, em 1995. Ministeriais, miniministeriais, em grupos pequenos (G4, G6, G20, enfim toda a pletórica coleção de siglas que enfeitam o jogo comercial global). Jamais viu ou ouviu um representante chinês, que só se tornou visível agora em Genebra.

Aliança com problema

A aliança com a China e, principalmente, com a Índia tinha no entanto um problema: os interesses do Brasil em abrir o mercado agrícola do mundo rico não coincidiam com os interesses indianos em proteger seu próprio mercado (e não apenas o agrícola).

Basta lembrar que, em Doha (antes do G20), a Índia atrasou em mais de 12 horas o acordo final que lançou a rodada porque exigia garantias adicionais.

Texto da Folha da época: "Os delegados dos 142 países da instituição chegaram ao salão Al Dafna, do Hotel Sheraton, QG da Conferência, sem saber ao certo se se reuniriam, na sessão de encerramento, para lançar uma nova rodada ou sepultar a credibilidade da OMC.

Afinal, os representantes da Índia resistiam até o minuto final em aceitar a rodada, ou mais exatamente, a inclusão nela dos chamados temas novos (comércio e investimentos, comércio e política de concorrência, transparência em compras governamentais e facilitação de negócios).

A União Européia havia insistido em que tais temas teriam que estar presentes, para que ela pudesse vender ao público interno uma concessão (mais aparente que real na área agrícola)".

Nada, portanto, de essencialmente diferente do que ocorreu agora em Genebra, salvo pelo fato de que os países-membros da OMC passaram a ser 153 -prova, aliás, de que a organização se fortaleceu mesmo nesses sete anos de impasses. O que torna prematuro qualquer atestado de óbito que se pretenda emitir agora.

O Brasil tinha, portanto, a obrigação de saber que, na defesa de seus interesses, a Índia iria até o último limite, mesmo que levasse a negociação ao colapso. Só não o fez em Doha porque os temas caros à Europa foram abandonados e nunca mais voltaram à mesa.

Por que mudaria de tática, se deu certo então e se a Índia só fez crescer explosivamente desde Doha mesmo sem o acordo global? Idêntico raciocínio vale para a China: por que seria menos protecionista se cresceu espetacularmente à sombra do protecionismo?

O Brasil, ao aceitar o pacote lançado audaciosamente pelo diretor-geral da OMC, o francês Pascal Lamy, voltou ao peso que tinha antes do G20, grande porém insuficiente para arrastar na sua guinada as demais "baleias" (Índia e China) e até mamíferos menores, como a Argentina.

 

BEM PARANÁ, 31 de julho de 2008 | Economia
Aposentados
INSS paga 50% do 13º em agosto
Ao todo, a Previdência pagará no próximo mês R$ 21,9 bilhões em benefícios e aposentadorias

Após acertos finais com os ministérios da Fazenda e do Planejamento, o ministro da Previdência, José Pimentel, confirmou ontem que o pagamento da antecipação de 50% do 13º salário dos aposentados e pensionistas da Previdência Social será feito em agosto. Ao todo, a Previdência pagará no próximo mês R$ 21,9 bilhões em benefícios e aposentadorias, sendo que R$ 15,04 bilhões são da própria folha do mês e R$ 6,9 bilhões decorrentes da antecipação.

“Essa é uma decisão de governo com o objetivo de reduzir custos”, disse Pimentel, durante reunião do Conselho Nacional de Previdência Social. “A decisão do presidente Lula é de pagar a antecipação do 13º sobre a folha de agosto, inclusive aqueles que recebem no mês de agosto, em torno de dez milhões de aposentados e pensionistas, terão a parcela do seu 13º já com a folha de agosto. Aqueles que recebem nos cinco primeiros dias de setembro também receberão nesta data”, informou o ministro.

 

BEM PARANÁ, 31 de julho de 2008 | Economia
Certidão de nascimento trará número de CPF
Receita Federal firmará convênio com Associação de Notários e Registradores em agosto

A Receita Federal confirmou ontem que deve ser assinado um convênio, em agosto deste ano, com a Associação dos Notários e Registradores do Brasil (Anoreg), que representa os cartórios, para que as crianças nascidas tenham o Cadastro de Pessoa Física (CPF) emitido no cartório juntamente com a certidão de nascimento.

“ Já tivemos algumas reuniões [com a Receita Federal] e estamos prestes a assinar o convênio em agosto”, confirmou o presidente da Anoreg, Rogério Bacellar. Em um primeiro momento, haverá um projeto-piloto em algumas regiões. Não se sabe em quanto tempo, de agosto em diante, a medida passará a ser obrigatória em todo o Brasil.

Segundo o presidente da Anoreg, o maior interessado no assunto é mesmo da Receita Federal, que passaria a ter um controle mais próximos dos contribuintes desde o seu nascimento. “Têm pais que, quando os filhos nascem, já abrem caderneta de poupança ou compram um imóvel e colocam em seu nome”, explicou Bacellar.

Ainda não está definido, mas segundo revelou Bacellar, a idéia é que, assim como a certidão de nascimento, a emissão de uma via do CPF também seja gratuita nos cartórios. “Não definimos ainda, mas o CPF deve ser de graça mesmo”, disse ele.

Nos Correios, que são responsáveis por 60% das solicitações de Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) junto à Receita Federal, é possível pedir emissão, segunda via, alteração de dados cadastrais e regularização do CPF. Qualquer um dos serviços custa R$ 5,50. No caso de inscrição, a entrega do documento é feita na residência do cliente 15 dias úteis após o pedido. O número da inscrição pode ser informado pela agência dois dias úteis após o atendimento, desde que o pedido não tenha sido feito em uma agência franqueada.

O que é — O CPF é o documento que identifica o contribuinte pessoa física perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).

 

Agência Senado, 31 de Julho de 2008
Renan propõe mudança na legislação do FAT para estimular Arranjos Produtivos Locais

Tramita na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo projeto de lei do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) que altera a legislação do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) com o objetivo de estimular os chamados Arranjos Produtivos Locais.

Essa proposta (PLS 142/08) define como Arranjo Produtivo Local (APL) "o aglomerado de agentes econômicos de uma mesma cadeia produtiva, localizados em determinado território, com vínculos expressivos de articulação, interação e cooperação, que tenham por fim primordial a competitividade, com geração de renda e emprego locais".

Renan argumenta, na justificativa do projeto, que a iniciativa visa fortalecer o papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como agente de fomento dos APLs, por meio da destinação legal de recursos oriundos do FAT.

"Trata-se de medida legislativa compatível com os objetivos do fundo, na medida em que se volta para a geração de novos postos de trabalho e para a elevação da renda local" explica o senador.

IDH

A proposta também determina que os recursos do FAT utilizados pelo BNDES em programas de desenvolvimento econômico - como o financiamento a empresas - observarão critérios de alocação de recursos baseados no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das localidades beneficiadas.

Renan afirma que, "ao adotar o critério do IDH na destinação dos recursos dos programas de desenvolvimento econômico, o projeto colabora para que as ações creditícias do BNDES, preservados os critérios de remuneração dos recursos, se destinem também a projetos com impactos expressivos na melhoria das condições humanas e sociais das áreas beneficiárias".