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O ESTADO DO PARANÁ,
31 de julho de 2008 | Economia
Setor de serviços "girou" R$
500 bilhões em 2006
Lyrian Saiki e agências
O setor de serviços encerrou o ano de 2006 empregando 447.882 pessoas
no Paraná, distribuídas em 73.132 empresas. Juntas, elas movimentaram
R$ 29,2 bilhões e geraram salários, retiradas e outras remunerações
no total de R$ 4,5 bilhões.
Os números são
da Pesquisa Anual de Serviços (PAS), divulgada ontem pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e não inclui
os serviços financeiros.
A receita operacional líquida
obtida por essas empresas, em todo o País, somou R$ 501,1 bilhões,
com valor adicionado no Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 278,2 bilhões.
Na comparação com
outros estados da região Sul, o Paraná esteve à frente
de Santa Catarina - onde o setor de serviços empregava 334,1 mil
pessoas e movimentou R$ 18,4 bilhões - e atrás do Rio Grande
do Sul, onde o setor empregava 500 mil pessoas e a receita bruta somou
R$ 30,7 bilhões.
No Paraná, o setor de
transportes, serviços auxiliares aos transportes e correios se
destacou pelo faturamento (R$ 11 bilhões) e pelo grande número
de pessoas empregadas: cerca de 120 mil, a maior parte delas (84,3 mil)
atuando nas 9,3 mil empresas de transportes. Destaque também para
as agências de viagens e serviços auxiliares aos transportes,
que somavam 2,2 mil empresas e empregavam 23,1 mil pessoas.
Serviços de alojamento
e alimentação também empregaram um grande contingente
em 2006 no Estado: cerca de 83 mil pessoas, distribuídas em aproximadamente
17,3 mil empresas. A atividade movimentou R$ 2 bilhões.
Os serviços de informação,
que incluem atividades ligadas à informática e telecomunicações,
empregavam 29,2 mil pessoas no Estado e geraram em salários, retiradas
e outras remunerações R$ 545 milhões.
País
Em nível nacional, o setor
de serviços reunia 958.290 empresas em 2006, que empregavam cerca
de 8,2 milhões de pessoas e geravam salários, retiradas
e outras remunerações no total de R$ 95,1 bilhões.
O salário médio mensal foi de 2,7 salários mínimos.
Os serviços de transportes,
serviços auxiliares aos transportes e correios geraram a maior
receita operacional líquida do setor (R$ 149,7 bilhões)
em 2006, enquanto o segmento de serviços prestados às empresas
(que tem crescido com a terceirização) obteve a maior participação
no valor adicionado (R$ 80,3 bilhões).
Os serviços prestados às
empresas foram o principal segmento, em termos de pessoal ocupado (3
milhões de pessoas) e salários, retiradas e outras remunerações
(R$ 31,6 bilhões).
A pesquisa revela, também,
que entre os anos de 2000 e 2006, a participação das grandes
empresas no total do PIB do setor de serviços não-financeiros
aumentou, passando de 48,5% para 50,7%, “impulsionadas pelo crescimento
no segmento de serviços prestados às empresas”, segundo
o IBGE.
Dentro deste segmento, a atividade
de seleção, agenciamento e locação de mão-de-obra
temporária apresentou as elevações mais expressivas
dentre as grandes empresas.
No segmento de serviços
de informação, as atividades de informática destacaram-se
com a maior participação no número de empresas (81,7%),
pessoal ocupado (63,3%) e salários, retiradas e outras remunerações
(55,4%).
Por sua vez, telecomunicações,
com uma receita operacional líquida de R$ 88,8 bilhões,
em 2006, foi a atividade com maior participação na receita
do segmento (61,7%).
A pesquisa mostra ainda que,
em 2006, atuavam no País cerca de 3.206 empresas do setor de serviços
de investigação (também parte de serviços
prestados às empresas), segurança, vigilância e transporte
de valores, que geraram receita operacional líquida de R$ 11,4
bilhões e empregaram cerca de 463 mil pessoas.
Já os serviços
técnico-profissionais (consultorias, agências de publicidade,
escritórios de advocacia e contabilidade, serviços de
engenharia e arquitetura) destacaram-se com o maior salário
médio mensal (4,6 salários mínimos).
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VERMELHO, 31 de julho
de 2008 | Movimentos
Anúncio das centrais legalizadas
pode sair em 5 de agosto
Com três meses de atraso,
o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) poderá finalmente
anunciar a centrais que serão legalizadas no próximo
5 de agosto. Sancionado no dia 31 de março deste ano, o projeto
de Lei nº 1990/07, que reconhece juridicamente as centrais sindicais
como entidades de representação dos trabalhadores,
está demorando para ser executado por uma boa justificativa:
a ausência de um instrumento capaz de aferir com exatidão
o número de trabalhadores sindicalizados no país.
Por Carla Santos*
O MTE deveria ter anunciado
no dia 1º de abril as centrais que, de acordo com os critérios
exigidos na lei, seriam legalizadas. Das 17 centrais 'existentes',
apenas seis — CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras
do Brasil), CUT, Força Sindical, UGT (União Geral dos
Trabalhadores), NCST (Nova Central Sindical dos Trabalhadores) e
CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil) — deram entrada
na documentação solicitando reconhecimento jurídico.
Para serem legalizadas, as
centrais devem cumprir com os seguintes critérios: filiação
de no mínimo cem sindicatos distribuídos nas cinco
regiões do Brasil; filiação de sindicatos em
no mínimo cinco setores de atividade; e filiação
de no mínimo 5% dos sindicalizados em âmbito nacional
no primeiro ano, devendo atingir 7% em dois anos.
Tudo corria muito bem na
comissão do ministério que avalia a documentação
das centrais, até a aferição do último
critério exigido na lei: a filiação de, no mínimo,
5% dos trabalhadores sindicalizados.
A questão que se impôs
foi: qual instrumento utilizar para aferir esse número? A
pergunta não é menor, já que ela se repetirá dentro
de dois anos — quando as centrais deverão atingir não
5%, mas 7% de filiados do total de sindicalizados — e mobilizou
diversas instituições, como o Dieese (Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos) em busca de uma resposta.
Os números da Rais
A primeira tentativa buscou
na Rais (Relação Anual de Informações
Sociais) o número total de sindicalizados. Instituída
em 1975, a Rais é um registro administrativo, de periodicidade
anual, criada com a finalidade de suprir as necessidades de controle,
de estatísticas e de informações às entidades
governamentais da área social.
Na prática, esse dado é uma
grande tabela com vários espaços a serem preenchidos
pelas empresas com diversas informações importantes
para o governo, em especial para o MTE. Para se manter legal a empresa é obrigada
a entregar a Rais.
A partir da Rais chegou-se
ao número de 8 milhões de trabalhadores sindicalizados.
Desconfiadas da veracidade desse número, as centrais então
sugeriram ao MTE que, junto ao Dieese, cruzasse os números
da Relação com os do CNES (Cadastro Nacional de Entidades
Sindicais), que é preenchido pelos sindicatos e atualizado
a cada nova eleição da entidade. Somente o preenchimento
do CNES garante aos sindicatos a parte que lhes cabe da contribuição
sindical obrigatória.
Números não batem
O primeiro sistema de CNES
foi elaborado unicamente para o acompanhamento processual, isento
de mecanismos críticos. Em 2005, houve uma evolução
com a criação do Novo Cadastro Nacional de Entidades
Sindicais, que, por meio de suas ferramentas de integração
de informações, proporcionou maior eficiência,
transparência e celeridade na análise das solicitações
e nas consultas processuais. Por meio dos dados cadastrais, no Novo
CNES permite uma ampla consulta acerca da representação
de uma entidade sindical.
O MTE atendeu ao pedido das
centrais e cruzou as informações. Como as centrais
previam, os números não bateram. O levantamento do
CNES aferiu cerca de 6 milhões de trabalhadores sindicalizados
(sendo 5% cerca de 300 mil) contra os 8 milhões verificados
na Rais (sendo 5% cerca de 400 mil).
Também se verificou
que, por ser facultativo, inúmeras empresas não informam
o número de sindicalizados, outras ainda informam dados contraditórios
com os do sindicato. Entre as falhas, constatou-se que algumas empresas
davam como sindicalizados todos os empregados e outras alegavam mais
sindicalizados do que empregados.
A questão se tornou
ainda mais complexa quando se observaram falhas também no
CNES, já que nem todos os sindicatos davam nas atas eleitorais
todas as informações necessárias. Em muitas
atas não há registro sobre o número total de
trabalhadores da empresa, de sindicalizados e de aptos à votar,
tendo, na maioria das vezes, apenas o total de votantes na eleição
da entidade em questão.
Solução do impasse
Diante do impasse, a comissão
do MTE e o Diesse, além de cruzarem os dados, precisaram levantar
novas informações de que ainda não dispunham,
e de acordo com cada caso, para chegar a um consenso sobre o número
de sindicalizados no país. A participação das
centrais nesse processo têm sido decisiva para que não
se cometam erros no momento em que todas desejam a sua legalização.
Contudo, o mérito
da polêmica levantou um novo e interessante debate para o governo
e o movimento sindical: ainda não há um único
instrumento confiável que afira o número real de sindicalizados.
Para se chegar a esse número, o MTE e o Diesse, em conjunto
com as centrais, tem feito uma verdadeira engenharia com as informações
de que dispõe, daí o motivo do atraso.
Para evitar que o impasse
volte a ocorrer daqui há dois anos, a CTB já propôs
um grupo de trabalho conjunto do ministério, com o Dieese
e as centrais. O objetivo é apresentar uma proposta capaz
de garantir agilidade no próximo processo. Por hora, o MTE
convocou as seis centrais para uma reunião em Brasília
no dia 5.
Não se sabe ainda
se o MTE chegou a um consenso sobre os números, mas é grande
a expectativa de que nessa data sejam entregues os certificados de
legalização às centrais. De quebra, o marco
histórico poderá expressar a real representatividade
de cada central numericamente, por categoria profissional, ramo e
região.
*Com informações
do MTE.
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AGÊNCIA DIAP, 31
de julho de 2008
ECONOMIA
Inflação pode chegar
a 5% no final do ano
As decisões de política
monetária terão impacto concentrado somente no final
deste ano e em 2009, na avaliação dos membros do Comitê de
Política Monetária (Copom). A ata da última
reunião do colegiado, divulgada hoje (31) pelo Banco Central
revela que aumentou a preocupação com o descompasso
entre a demanda e a oferta de produtos e serviços. Segundo
o documento isso tem aumentado o risco de inflação
e exige uma atuação vigorosa da política monetária.
Em pesquisa divulgada no
início da semana pelo BC, os analistas de mercado estimam
que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo - o índice
oficial de inflação - feche o ano em 6,58%, projeção
acima do limite superior da meta para o ano, de 6,5%. Para 2009,
que tem a mesma meta, os analistas mantiveram a expectativa de que
a inflação chegue a 5%.
O centro da meta de inflação
fixada pelo governo para este ano e o próximo é de
4,5%, com dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Para o Banco Central, ao
longo dos próximos meses o crescimento do crédito, “ainda
que com alguma moderação”, e o aumento real dos
salários devem continuar impulsionando a atividade econômica.
Além desses fatores o documento cita os programas de transferência
de renda, como o Bolsa Família, que possibilitam o acesso
de mais pessoas aos bens e serviços do país.
O comitê ressalta que,
por outro lado, a contribuição dos investimentos das
empresas para ampliar a capacidade produtiva ajuda a atender a demanda.
A ata cita que a possível acomodação do preço
das commodities pode contribuir para evitar que pressões inflacionárias
se intensifiquem. (Fonte: Agencia Brasil)
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O ESTADO DO PARANÁ,
31 de julho de 2008 | Economia
Indústria eleva uso da capacidade
para 77%, diz CNI
Agência Estado
A Sondagem Industrial referente ao segundo trimestre de 2008, divulgada nesta
quinta-feira (31) pela Confederação Nacional da Indústria
(CNI), mostra que a produção do setor continua crescendo e que
o ritmo de aumento do emprego e da utilização da capacidade instalada
tem sido ainda mais intenso.
Segundo o documento, o Nível
de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) passou
de 75%, no primeiro trimestre deste ano, para 77% no segundo trimestre
de 2008. A CNI destaca que a utilização do parque fabril
tem tido crescimento maior entre as pequenas empresas.
O chefe da Unidade de Pesquisa
da entidade, Renato da Fonseca, considerou natural um maior dinamismo
nas pequenas empresas, porque esse segmento entrou mais tarde no
processo de recuperação da produção,
para atender o aumento da demanda.
Pelos dados da Sondagem Industrial,
a utilização da capacidade instalada das pequenas empresas
passou de 70%, registrados no primeiro trimestre, para 73% no segundo
trimestre de 2008. O nível era de 69% no segundo trimestre
de 2007.
A Sondagem Industrial do
segundo trimestre de 2008 mostra ainda que o indicador de produção
subiu de 52,2 pontos, no primeiro trimestre, para 56,5 pontos, no
segundo. Já o indicador do emprego subiu de 53,1 pontos para
53,6 pontos. A pesquisa varia de zero a 100 pontos, e valores acima
de 50 pontos indicam crescimento.
Setores
A sondagem da CNI mostra
ainda que, dos 27 setores pesquisados, 20 apresentaram aumento na
produção, com destaque para os segmentos de refino
de petróleo e produção de veículos automotores
e outros equipamentos de transporte.
Entre os setores que
registraram queda na atividade, estão os de móveis,
madeira e couro.
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O ESTADO DO PARANÁ,
31 de julho de 2008 | Mundo
Milhares protestam por reforma previdenciária
na Bolívia
Agência Ansa
Milhares de militantes da Central Obreira Boliviana (Cob) se manifestaram nesta
quarta-feira (30) em La Paz para exigir uma reforma imediata do sistema de
pensões por meio de um projeto próprio de lei, diferente do apresentado
pelo governo de Evo Morales.
Os manifestantes, mineiros
e operários, trabalhadores da saúde e da educação,
percorreram as ruas do centro da capital detonando dinamite para
o alto.
A Cob exige a aprovação
de seu projeto de lei em lugar do enviado pelo governo na semana
passada ao Congresso para substituir a lei em vigor há onze
anos. Enquanto isso, outros grupos de trabalhadores, entre os quais
professores e trabalhadores da saúde, bloquearam estradas
-- apesar das tentativas da polícia de dispersá-los
--, isolando entre si as principais cidades.
Pedro Montes, secretário-executivo
da Cob, denunciou "a brutal repressão deste governo
reformista que atua do mesmo modo que as ditaduras neoliberais",
em uma concentração na Plaza de los Héroes,
a cinco quadras do palácio de governo.
A Cob transferiu
a La Paz mineiros que até o dia anterior estavam mobilizados
bloqueando estradas no interior, depois de a polícia tê-los
dispersado usando gases lacrimogêneos e balas de borracha.
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AGÊNCIA SENADO,
31 de julho de 2008
CAS analisará projeto para
diminuir IR dos trabalhadores
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) examinará, em reunião
marcada para as 11h desta quarta-feira (6), projeto de lei do senador Sérgio
Zambiasi (PTB-RS) que altera a legislação sobre imposto de renda
e sobre a organização da Seguridade Social e o Plano de Custeio
para desonerar a remuneração de férias e o 13º salário
dos trabalhadores.
De acordo com o projeto (PLS
685/07), o 13º salário, as férias e o adicional
de um terço devido aos trabalhadores ficarão isentos
da incidência de Imposto de Renda. Em sua justificação,
Zambiasi argumenta que a Constituição pretendeu fazer
justiça ao trabalhador ao lhe conceder esses benefícios,
portanto não caberia taxação de IR e de contribuição
para o custeio da Seguridade Social sobre esses valores.
Em parecer favorável à matéria,
a relatora, senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO), manteve
a proposta de isenção sobre a remuneração
de férias e respectivo abono de um terço, mas excluiu
a de isenção de IR sobre o 13º salário,
visto que, alega a relatora, sua tributação hoje se
faz exclusivamente na fonte "e não compõe a base
de cálculo do IR no mês em que é recebido, o
que impede que esse rendimento seja onerado de maneira mais gravosa".
Na última reunião
da CAS antes do recesso de julho, após a leitura do relatório
de Lúcia Vânia, foi concedida vista coletiva da matéria
pelo prazo de cinco dias úteis. Caso seja aprovada, a proposta
segue para exame e votação na Comissão de Assuntos
Econômicos (CAE).
Saúde
A CAS também examinará relatório
da Subcomissão Permanente de Promoção, Acompanhamento
e Defesa da Saúde, elaborado pelo senador Papaléo Paes
(PSDB-AP), relativo à visita que integrantes do colegiado
fizeram, em julho, à Santa Casa de Misericórdia de
Belém. A diligência dessa comissão de parlamentares
foi realizada para averiguação de denúncias
sobre a morte de 300 crianças recém-nascidas durante
o primeiro semestre deste ano.
A comissão foi integrada
pelos senadores Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Mário Couto (PSDB-PA),
Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), José Nery (PSOL-PA),
Augusto Botelho (PT-RR), Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), além
de Papaléo Paes. Depois de votado na CAS, o relatório
será submetido à Mesa do Senado para que suas sugestões
possam ser adotadas.
"Não fizemos
debates de política partidária, tratou-se de uma iniciativa
meramente técnica e de cunho humanitário. O relatório
não é contra ninguém, é a favor da saúde
pública não somente do Pará, mas do Brasil inteiro.
As condições ruins da saúde pública se
verificam em muitos outros estados", observa Papaléo.
Segundo o relator, houve
omissão das autoridades estaduais responsáveis pela
Santa Casa que, mesmo alertadas por profissionais do quadro, não
tomaram as providências imediatas em tempo hábil para
prevenir os óbitos.
Papaléo analisa, ainda,
que a superpopulação de mães e bebês naquele
hospital é uma realidade porque no interior não está havendo
atendimento materno-infantil adequado e todos os casos acabam chegando à Santa
Casa, que é o hospital-padrão de atendimento do Pará.
Entre as sugestões
apresentadas no relatório, estão a recriação
do Conselho Gestor da Santa Casa, conforme reivindicação
dos profissionais de saúde do hospital, e o estabelecimento
de um trabalho com articulação interinstitucional visando
superar os problemas de gestão existentes.
Ao Ministério da Saúde,
o relatório sugere a revisão de sua política
de investimentos e de remuneração do setor médico
e paramédico, com vistas a apoiar o Pará em seu esforço
de recomposição e manutenção do sistema
público de saúde, em especial o atendimento propiciado à população
carente.
O relatório propõe
ainda a realização de uma conferência extraordinária
de saúde no início de 2009 para debater a situação
do atendimento às demandas do segmento materno-infantil no
Pará, bem como a reformulação do Conselho Estadual
de Saúde para que haja mais controle sobre as políticas
do setor.
Papaléo Paes sugere,
também, uma audiência dos senadores integrantes da subcomissão
da CAS com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão,
para que sejam identificados recursos emergenciais do ministério
que possam ser direcionados ao Pará, inclusive recursos orçamentários
oriundos de emendas de parlamentares.
A pauta da CAS, que é composta
de 18 itens, inclui ainda o PLS 175/05, do senador Valdir Raupp
(PMDB-RO), que regulamenta a profissão de taxista; e o PLS
658/07, de autoria do senador Inácio Arruda (PCdoB-CE),
que atualiza a regulamentação do exercício
da profissão de economista. Essas proposições
deverão ser votadas na comissão em decisão
terminativa.
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AGÊNCIA SENADO,
31 de julho de 2008
Projeto
Salário de professor poderá ser
atualizado pelo INPC
A Câmara analisa o Projeto de Lei 3776/08, do Executivo, que prevê a
atualização anual do piso salarial nacional dos professores da
rede pública de ensino básico pela variação acumulada
do INPC nos últimos 12 meses. A proposta determina ainda que o reajuste
ocorrerá sempre no mês de janeiro.
Atualmente, a Lei 11.738/08
determina que esse piso será atualizado, a partir de janeiro
de 2009, utilizando-se o mesmo percentual de crescimento do valor
anual mínimo por aluno do ensino fundamental urbano. Esse
valor mínimo por aluno é calculado de acordo com a
Lei do Fundeb (11.494/07).
O governo argumenta que vincular
o aumento dos professores ao crescimento das receitas do Fundeb por
estudante poderá acarretar uma elevação contínua
da parcela correspondente aos gastos com a remuneração
dos professores nas despesas totais com educação básica,
comprometendo, no médio e longo prazo, o financiamento de
outros itens para a melhoria da qualidade da educação
básica pública, como aquisição de material
de ensino.
Tramitação
Antes de ir a Plenário, o projeto deverá ser examinado, em caráter
de urgência, pelas comissões de Educação e Cultura;
de Trabalho, de Administração e Serviço Público;
de Finanças e Tributação; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
Íntegra
da proposta:
- PL-3776/2008
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AGÊNCIA DIAP, 31
de julho de 2008
INSALUBRIDADE
Motorista de ambulância tem direito
a adicional no salário
A 6ª Turma do TRT-MG,
com base em voto do desembargador Antônio Fernando Guimarães,
manteve sentença que deferiu adicional de insalubridade, em
grau médio, a um motorista de ambulância do Município
mineiro de Água Comprida.
Em seu recurso, o Município
alegou que o exercício da função de motorista
de ambulância não expunha o reclamante à insalubridade
em razão de contato com agentes biológicos. Mas, a
prova produzida no processo demonstrou o contrário.
Laudo
O laudo do perito oficial
qualificou o trabalho do reclamante como insalubre, em grau médio,
em razão da prestação de serviços para
estabelecimento destinado aos cuidados da saúde humana, centro
de saúde, em atividade que envolvia contato pessoal próximo
com pacientes.
Os depoimentos colhidos também
demonstraram que o motorista não só lidava com os pacientes
diretamente, como também, faziam a limpeza interna do veículo
e a movimentação dos equipamentos médicos utilizados
no transporte dos doentes.
“Nos termos da NR-15,
anexo 14, da Portaria 3.214/78 do Ministério do Trabalho,
são consideradas atividades insalubres, em grau médio,
trabalhos e operações em contato permanente com pacientes,
animais ou com material infecto-contagiante, em hospitais, serviços
de emergência, enfermarias, ambulatórios, postos de
vacinação e outros estabelecimentos destinados aos
cuidados da saúde humana” – fundamentou o relator,
negando provimento ao recurso do Município e mantendo o adicional
e seus reflexos deferidos em primeiro grau. (Fonte: Tribunal Regional
do Trabalho 3ª Região Minas Gerais)
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Folha de S.Paulo, 31 de Julho de 2008
INDÚSTRIA
Atividade no 1º semestre é a
maior desde 2004
DA REUTERS
A atividade industrial em São Paulo registrou no primeiro semestre o
maior crescimento desde 2004, levando o setor a revisar a previsão para
o ano.
Nos seis primeiros meses, a atividade acumulou alta de 8,8%. "O resultado
de junho surpreendeu", disse Paulo Francini, diretor econômico da
Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo).
A Fiesp elevou ontem a estimativa de expansão da indústria em
2008 de 5,5% para algo entre 6% e 6,5%. Para o segundo semestre, a entidade
já prevê cenário de acomodação.
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Gazeta do Povo, 31 de Julho de 2008
Inflação
Aluguéis devem subir até 15%
Tradicionalmente usado nos contratos de
locação, o IGP-M acumula alta de 15,12% em doze meses
Quem precisa alugar um imóvel, ou já mora de aluguel, pode encontrar
valores até 15% mais altos na hora de assinar o contrato. O aumento
deve-se, principalmente, ao Índice Geral de Preços – Mercado
(IGP-M), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas ontem.
O índice – que avançou 15,12% nos últimos doze meses, é tradicionalmente
utilizado no reajuste destes tipos de contratos. Em julho, o índice
teve alta de 1,76%, um pouco mais baixo do que os 1,98% registrados no mês
anterior.
“ O aluguel é um dos fatores que vem puxando a inflação
para cima em Curitiba, tanto pelo IGP-M, quanto pela valorização
dos imóveis, e isso acaba refletindo no valor da locação”,
afirma o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Econômicos (Dieese-PR), Sandro Silva. Até o fim do ano, acredita
Silva, o IGP-M deve desacelerar e atingir 12,5%.
Segundo o vice-presidente de locação e administração
imobiliária do Sindicato de Habitação e Condomínios
do Paraná (Secovi-PR), Luiz Nardelli, os 15,12% do IGP-M devem ser aplicados
no valor do aluguéis sem causar grandes sustos. “Os aluguéis
em Curitiba subiram mais do que esse índice por causa da alta demanda”,
diz Nardelli. “Em 2002, sobravam imóveis e o aluguel era barato.
Como as correções nesse período foram baixas, os reajustes
que podem ser feitos estão dentro da realidade”, confirma o diretor-executivo
da Administradora de Imóveis Gonzaga, Roberto Gonzaga.
Alguns inquilinos, como a auxiliar industrial Elis Regina Szalbot, estão
apreensivos com a renovação do contrato. “Ainda não
me passaram o valor, mas, como o contrato é renovado em julho, deve
ter um acréscimo.” A dona de casa Rosana Célia Kritski
Baez está trocando de imóvel para tentar pagar um preço
mais justo e conseguir um imóvel com mais qualidade. Apesar de comunicar
problemas como infiltrações ao locatário, foi informada
que não teria os consertos reembolsados e que o valor subiria na renovação. “O
aumento é absurdo. Além disso, não consigo encontrar nenhum
imóvel do mesmo porte por menos de R$ 1,1 mil”.
De acordo com Gonzaga, o aluguel de um apartamento de 200 metros quadrados
em Curitiba está na faixa de R$ 1 mil – e pode baixar em R$ 200
em bairros mais afastados.
Orientação
É importante que o inquilino fique atento ao índice de reajuste
combinado no contrato. Algumas imobiliárias, como a Baggio Imóveis,
utilizam o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe) nos reajustes,
que está em 5,84% em doze meses. “Já adotamos o IPC há muitos
anos e mudamos apenas quando o cliente exige.” Além disso, há possibilidade
de renegociar o valor com a imobiliária. “Se o inquilino não
suportar o pagamento, procuramos ouvir todas as partes e chegar a um consenso
satisfatório. Para o locatário, não é interessante
ficar com o imóvel parado”, enfatiza Gonzaga.
Para o economista do Dieese PR, Sandro Silva, o IGP-M não reflete a
realidade salarial atualmente. “As imobiliárias devem utilizar
um indicador mais real para locação, já que a compra da
casa própria está facilitada, tanto em juros quanto em prazo.
Muita gente irá preferir financiar um imóvel do que continuar
no aluguel.”
A orientação do advogado especialista em direito imobiliário,
Orlando Anzoategui, é tentar alterar o índice de reajuste no
contrato. “O valor não pode se tornar impagável. Procure
negociar com a imobiliária para conseguir um preço acessível.”
Índice deve desacelerar em
agosto
As perspectivas para o comportamento do Índice Geral de Preços
- Mercado (IGP-M) são bem mais otimistas para agosto e o indicador da
Fundação Getúlio Vargas (FGV) deverá apresentar
importante desaceleração no próximo mês em comparação à alta
de 1,76% observada em julho. A avaliação é do economista
do Unibanco Adriano Lopes, que projeta uma alta de 0,7% para o índice
do próximo mês. A explicação da alta é, principalmente,
o comportamento dos preços agrícolas do atacado.
Agência Estado
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FOLHA DE LONDRINA, 31 de
julho de 2008 | Opinião
O endurecimento da Justiça
com candidatos
O povo não é contra esse prejulgamento,
que bem melhor seria denominá-lo precaução
Perante o ordenamento jurídico, punir um candidato a cargo eletivo apenas
por suspeita de ilicitude é ''um linchamento moral'', como disse em
entrevista a este Jornal o presidente do Superior Tribunal Eleitoral, Carlos
Ayres Britto. Este é o entendimento, e o império da lei deve
prevalecer, ou será a desordem. Mas na história política
brasileira os que são investidos no poder pelo voto infringem com muita
frequência os preceitos legais, por isso a opinião pública
não condena o endurecimento da Justiça com candidatos que tenham
ficha suja - o termo ora em voga.
Para o povo, um postulante acusado
já é um suspeito e isto é suficiente para torcer
o nariz quando se trata de políticos. É da voz popular
que, se um parlamentar ou um administrador público negam um delito,
deve-se acreditar que ele aconteceu. Este é um preço que
a comunidade política paga pelo histórico de tanta denúncia
de falcatrua em seu meio. A sentença popular, se por si só não
tem amparo nos códigos, é uma lei moral e esta precisa
ser considerada. Eleição é uma ebulição
emocional, diz o ministro Ayres Britto, e se o emocional coloca juízes
''no olho do furacão'', conforme ainda as suas palavras, a ebulição
da mente do eleitorado tem idêntica intensidade.
Os cidadãos querem esse
rigor da Justiça Eleitoral, mesmo que um processo contra o candidato
ainda não tenha transitado em julgado, como se diz na linguagem
dos tribunais. Se o candidato é suspeito, já nem deveria
ser aprovado pelo partido político; na sequência, devem
os tribunais eleitorais ter a mesma vigilância; e finalmente será a
vez do eleitor. Porque este irá colocar em postos de mando pessoas
que irão gerir os negócios públicos, de grande importância
para a sociedade, e também porque haverá em jogo muito
dinheiro saído do bolso popular e por isso deve ter sadia aplicação.
Se um candidato está sob suspeita, pode esperar a próxima
eleição, quando poderá se apresentar com ficha limpa,
se vier a provar isso.
Se no âmbito do colégio
eleitoral nem sempre os escolhidos são os melhores, o povo não é contra
esse prejulgamento, que melhor seria denominá-lo precaução. É estreito
o limite entre prejulgar e precaver-se e, por via das dúvidas,
deve-se adotar a segunda opção. Se o eleitor, como diz
o ministro, deve conhecer a vida do candidato, um envolvimento dele
em denúncia já é um alerta e precisa ser levado
em conta. Um zelo tomado antes poupará um trabalho mais difícil
depois, caso se prove que um eleito era realmente culpado no processo
que o denunciava. Pode parecer perverso o veredicto da opinião
pública, mas com candidatos não se pode facilitar as
coisas.
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Folha de S.Paulo, 31 de Julho
de 2008
Eleições têm 179
xarás do presidente Lula como candidatos em todo o país
RODRIGO VARGAS
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CAMPO GRANDE
Dados do TSE (Tribunal Superior
Eleitoral) mostram que pelo menos 179 candidatos em todo o país
pediram registro do apelido "Lula" para a disputa eleitoral.
A maior parte dos xarás do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva está em Pernambuco (53), sua terra natal. A maioria (160) é de
candidatos a vereador.
O PT tem o maior número de candidaturas nesse grupo (23), mas há também
registros de Lulas tucanos (10) e democratas (10). O agricultor Luiz Francisco
de Souza (DEM), por exemplo, candidato a vereador em Correntes (PE), vai disputar
como "Lula-lá" -refrão usado em campanhas presidenciais
do PT.
Os candidatos a vereador Luiz Inácio Lacerda Conceição
(PT), de Ipatinga (MG), e José Eurípedes Fradique, de Franca
(SP), subirão ao palanque como "Lulinha". Outros dez postulantes
fizeram a mesma opção.
Ainda foram inscritos o "Lula da Ambulância", o "Lula
da Capivara", o "Lula do Povo" e o "Lula vem aí".
Especialmente no Nordeste, Lula é um apelido comum para quem se chama
Luiz. Dos candidatos que pediram o registro, 121 compartilham esse primeiro
nome. É o caso dos seis "Lulas" de Recife (PE), a cidade que
concentra o maior número de candidatos com registro semelhante.
" Desde pequeno me chamam de Lula. Coincidiu de ser o nome do presidente",
diz o tucano Luiz Carlos Antônio da Silva, o "Lula Cal", que
não se importa em compartilhar o apelido com um adversário político. " O
presidente é um homem popular. Quando ouvir meu nome, o povo vai lembrar
dele."
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Vermelho, 31 de Julho de
2008
Lula define como "frustração" fim
das negociações de Doha
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva classificou nesta quarta-feira (30) como uma "frustração" o
fim das negociações da Rodada Doha, ao discursar em
almoço oferecido ao presidente da Costa Rica, Oscar Arias
Sanchéz, no Palácio do Itamaraty.
Lula disse ainda esperar que
os avanços alcançados durante as negociações
sejam preservados. "É o que esperam os países mais
pobres, que mais teriam a ganhar com um acordo", afirmou Lula.
Na mesma linha, o ministro do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel
Jorge, disse que as negociações em torno de Doha exigiam
um acordo que precisava mais de decisão política do que
técnica. "As questões técnicas já estavam
discutidas e resolvidas, infelizmente acho que prevaleceram no final
as posições políticas, que eram inabaláveis."
Segundo o ministro, o Brasil
agora deve trabalhar em outra linha: a de acordo bilaterais e multilaterais. "Foi
uma pena termos trabalhado tanto para não dar em nada. Eu tinha
dito antes que era melhor um acordo menor, menos ambicioso, do que nenhum
acordo. E um retrocesso não termos chegado a algo positivo no
final e agora temos que trabalhar em outra linha."
Questionado se o Mercosul havia
saído dividido da Rodada Doha, Miguel Jorge negou. "Acho
que não, porque não foi nenhum país membro do Mercosul
o chamado catalisador do fracasso."
Papel dos emergentes
Essa foi a primeira vez numa
negociação global de comércio que os emergentes,
como Brasil, China e Índia, tiveram peso maior na discussão,
o que evidenciou contradições que dificultaram a Rodada,
admitem analistas. O ministro Celso Amorim insiste que o Brasil não
pode ser acusado de nada, porque procurou ajudar ao máximo um
entendimento sobre as salvaguardas para importações agrícolas.
A negociação na
OMC mostrou que é preciso superar a caricatura de briga entre
mundo desenvolvido e em desenvolvimento. A salvaguarda, defendida por
China, Índia, Indonésia, três dos mais populosos
países do planeta, chocou-se sobretudo com a posição
dos exportadores sul-americanos.
O G20 jogou para baixo do tapete
essa divergência, mas os brasileiros achavam que a Índia
não quis realmente um entendimento no grupo sobre salvaguarda,
o que lamentavam, porque teria ajudado a evitar o fiasco de ontem.
Enquanto a China emergiu com
ativismo que surpreendeu, o Brasil procurou nesta terça-feira
(29) combater avaliações de que o G20 perderá importância
no rastro do colapso da negociação. "A aliança
vai sobreviver, temos de esperar baixar a poeira e conversar, mas sinceramente
não poderia esperar que a rodada ia quebrar nisso", afirmou
Amorim. "Esperava algo mais na área industrial, não
aí".
Atrás de resultados
Amorim qualificou de "inacreditável" o
resultado da Rodada Doha e avisou que vai agora concentrar as atenções
no que "possa dar resultados" na área comercial.
O ministro disse que a Organização
Mundial do Comércio (OMC) continuará sendo importante,
mas a rodada vai demorar anos, "quem sabe até 2013",
para ser retomada ou mesmo concluída, e o país terá outras
prioridades.
"Sempre dissemos que Doha
era a prioridade. Mas não podemos ficar pendurados no que não
dá resultados", comentou o ministro, afastando a possibilidade
de voltar a negociar ainda este ano. Ele notou que a estrutura de acordos
bilaterais de comércio é menos vantajosa para o Brasil,
mas disse que "se não há outro, vamos em frente".
Visivelmente decepcionado com
o fiasco de quase oito anos de negociação global, o ministro
desceu as escadarias da OMC para falar com a imprensa internacional,
enquanto a americana Susan Schwab e o ministro indiano Kamal Nath esperavam
a vez.
Amorim usou termos como "inacreditável,
grave, terrível, enorme decepção". E acrescentou: "Eu
disse que a Rodada estava por um fio, e o fio não segurou. É lamentável,
porque ouvimos apelos de países para que tentássemos continuar.
Sou o mais velho e inocente. Eu seria o que mais apostaria num acordo.
Fracassamos, mas se eu fosse o técnico, substituiria os jogadores
para tentar um acordo. É inacreditável que fracassamos
em apenas um ponto. Valeria mudar o time e tentar de novo".
Neste momento, os olhares se
viraram para Kamal Nath e Susan Schwab. O próprio ministro esclareceu
que falava em incluir outros países na negociação
mais restrita, para refletir mais interesses e aproximar posições
- mas tudo isso num futuro distante. "Há um número
enorme de países que vão sair prejudicados, não
devemos ter ilusões'', afirmou. "Pode-se até pensar
em retomar [a negociação], mas não vai resolver
em seis meses. Se a situação política hoje já é difícil
para negociar, depois vai ter eleição na Índia,
no Brasil...''
Da redação, com agências
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Folha de S.Paulo, 31 de Julho
de 2008
ANÁLISE
Doha deixa Brasil no seu tamanho
real
CLÓVIS ROSSI
COLUNISTA DA FOLHA
A RODADA Doha, recém-lançada à geladeira
ou ao cemitério, serviu ao menos para provar de uma vez por todas
que o Brasil é maior, bem maior, no jogo das negociações
comerciais, do que o magro 1% do comércio mundial que representa,
pouco mais ou pouco menos. Mas a lição principal a ser
aprendida é que é menor do que pensam alguns membros do
atual governo, a começar do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva.
Primeiro, o papel do Brasil tem sido relevante desde o início da rodada,
ou seja, desde o seu lançamento na capital do Qatar, faz sete anos.
Quando terminou aquela reunião, todos os jornalistas brasileiros que
a acompanhávamos ouvimos o então diretor-geral, Mike Moore, dirigir-se
ao chanceler brasileiro da época, Celso Lafer, desafeto do atual governo,
para cumprimentá-lo pelos resultados. "Esse homem é um herói",
disse Moore, para em seguida chamar Lafer de "godfather", ou padrinho
das negociações, claro que sem a conotação mafiosa
que se agregou à expressão.
Mais: o então ministro da Saúde, José Serra, e o hoje
chanceler, Celso Amorim, então embaixador em trânsito de Genebra
para Londres, foram os "padrinhos" de um acordo sobre patentes, vital
para políticas públicas dos países em desenvolvimento,
dobrando a resistência dos Estados Unidos.
Amorim, brilhante profissional da diplomacia, impressionou tanto Serra que,
quando candidato presidencial, o tucano confessou que o escolheria para chanceler,
se vencesse. Ou seja, Amorim seria chanceler qualquer que fosse o resultado
do pleito de 2002.
Fica claro que a relevância do Brasil não foi uma obra do governo
Lula. É uma obra, primeiro, do peso natural do país (tamanho,
população, recursos naturais), o que o torna potencialmente grande,
ainda que raramente realize seu potencial.
Mas é uma obra também da competência da diplomacia brasileira,
universalmente respeitada, neste como em anteriores governos. Um pouco mais
neste pelo desempenho de Amorim e de Lula.
Mas há limites que Doha deixou mais claros. Primeiro, para de fato encorpar,
o Brasil foi obrigado a associar-se aos grandes emergentes (Índia e
China), além de outros menores, para formar o G20.
Só então passou a ter uma voz ainda mais desproporcional ao seu
peso no comércio internacional, até porque a China preferiu um
perfil baixo, tão baixo que, na maior parte do tempo, ficou invisível.
Este repórter acompanhou todas as reuniões da OMC desde que foi
criada, em 1995. Ministeriais, miniministeriais, em grupos pequenos (G4, G6,
G20, enfim toda a pletórica coleção de siglas que enfeitam
o jogo comercial global). Jamais viu ou ouviu um representante chinês,
que só se tornou visível agora em Genebra.
Aliança
com problema
A aliança com a China e, principalmente, com a Índia tinha no
entanto um problema: os interesses do Brasil em abrir o mercado agrícola
do mundo rico não coincidiam com os interesses indianos em proteger
seu próprio mercado (e não apenas o agrícola).
Basta lembrar que, em Doha (antes do G20), a Índia atrasou em mais de
12 horas o acordo final que lançou a rodada porque exigia garantias
adicionais.
Texto da Folha da época: "Os delegados dos 142 países da
instituição chegaram ao salão Al Dafna, do Hotel Sheraton,
QG da Conferência, sem saber ao certo se se reuniriam, na sessão
de encerramento, para lançar uma nova rodada ou sepultar a credibilidade
da OMC.
Afinal, os representantes da Índia resistiam até o minuto final
em aceitar a rodada, ou mais exatamente, a inclusão nela dos chamados
temas novos (comércio e investimentos, comércio e política
de concorrência, transparência em compras governamentais e facilitação
de negócios).
A União Européia havia insistido em que tais temas teriam que
estar presentes, para que ela pudesse vender ao público interno uma
concessão (mais aparente que real na área agrícola)".
Nada, portanto, de essencialmente diferente do que ocorreu agora em Genebra,
salvo pelo fato de que os países-membros da OMC passaram a ser 153 -prova,
aliás, de que a organização se fortaleceu mesmo nesses
sete anos de impasses. O que torna prematuro qualquer atestado de óbito
que se pretenda emitir agora.
O Brasil tinha, portanto, a obrigação de saber que, na defesa
de seus interesses, a Índia iria até o último limite,
mesmo que levasse a negociação ao colapso. Só não
o fez em Doha porque os temas caros à Europa foram abandonados e nunca
mais voltaram à mesa.
Por que mudaria de tática, se deu certo então e se a Índia
só fez crescer explosivamente desde Doha mesmo sem o acordo global?
Idêntico raciocínio vale para a China: por que seria menos protecionista
se cresceu espetacularmente à sombra do protecionismo?
O Brasil, ao aceitar o pacote lançado audaciosamente pelo diretor-geral
da OMC, o francês Pascal Lamy, voltou ao peso que tinha antes do G20,
grande porém insuficiente para arrastar na sua guinada as demais "baleias" (Índia
e China) e até mamíferos menores, como a Argentina.
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BEM PARANÁ, 31 de
julho de 2008 | Economia
Aposentados
INSS paga 50% do 13º em agosto
Ao todo, a Previdência pagará no
próximo mês R$ 21,9 bilhões em benefícios
e aposentadorias
Após acertos finais com os ministérios da Fazenda e do Planejamento,
o ministro da Previdência, José Pimentel, confirmou ontem que
o pagamento da antecipação de 50% do 13º salário
dos aposentados e pensionistas da Previdência Social será feito
em agosto. Ao todo, a Previdência pagará no próximo mês
R$ 21,9 bilhões em benefícios e aposentadorias, sendo que R$
15,04 bilhões são da própria folha do mês e R$ 6,9
bilhões decorrentes da antecipação.
“Essa é uma decisão
de governo com o objetivo de reduzir custos”, disse Pimentel, durante
reunião do Conselho Nacional de Previdência Social. “A
decisão do presidente Lula é de pagar a antecipação
do 13º sobre a folha de agosto, inclusive aqueles que recebem no
mês de agosto, em torno de dez milhões de aposentados e
pensionistas, terão a parcela do seu 13º já com a
folha de agosto. Aqueles que recebem nos cinco primeiros dias de setembro
também receberão nesta data”, informou o ministro.
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BEM PARANÁ, 31 de
julho de 2008 | Economia
Certidão de nascimento trará número
de CPF
Receita Federal firmará convênio
com Associação de Notários e Registradores em
agosto
A Receita Federal confirmou ontem que deve ser assinado um convênio,
em agosto deste ano, com a Associação dos Notários e Registradores
do Brasil (Anoreg), que representa os cartórios, para que as crianças
nascidas tenham o Cadastro de Pessoa Física (CPF) emitido no cartório
juntamente com a certidão de nascimento.
“ Já tivemos algumas reuniões [com a Receita Federal] e estamos
prestes a assinar o convênio em agosto”, confirmou o presidente da
Anoreg, Rogério Bacellar. Em um primeiro momento, haverá um projeto-piloto
em algumas regiões. Não se sabe em quanto tempo, de agosto em diante,
a medida passará a ser obrigatória em todo o Brasil.
Segundo o presidente da Anoreg,
o maior interessado no assunto é mesmo da Receita Federal, que
passaria a ter um controle mais próximos dos contribuintes desde
o seu nascimento. “Têm pais que, quando os filhos nascem,
já abrem caderneta de poupança ou compram um imóvel
e colocam em seu nome”, explicou Bacellar.
Ainda não está definido,
mas segundo revelou Bacellar, a idéia é que, assim como
a certidão de nascimento, a emissão de uma via do CPF também
seja gratuita nos cartórios. “Não definimos ainda,
mas o CPF deve ser de graça mesmo”, disse ele.
Nos Correios, que são responsáveis por 60% das solicitações
de Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) junto à Receita Federal, é possível
pedir emissão, segunda via, alteração de dados cadastrais
e regularização do CPF. Qualquer um dos serviços custa
R$ 5,50. No caso de inscrição, a entrega do documento é feita
na residência do cliente 15 dias úteis após o pedido. O
número da inscrição pode ser informado pela agência
dois dias úteis após o atendimento, desde que o pedido não
tenha sido feito em uma agência franqueada.
O que é — O CPF é o documento que identifica o contribuinte
pessoa física perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).
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Agência Senado, 31 de Julho de 2008
Renan propõe mudança
na legislação do FAT para estimular Arranjos Produtivos
Locais
Tramita na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo projeto de
lei do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) que altera a legislação
do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) com o objetivo de estimular os chamados
Arranjos Produtivos Locais.
Essa proposta (PLS 142/08) define como Arranjo Produtivo Local (APL) "o
aglomerado de agentes econômicos de uma mesma cadeia produtiva, localizados
em determinado território, com vínculos expressivos de articulação,
interação e cooperação, que tenham por fim primordial
a competitividade, com geração de renda e emprego locais".
Renan argumenta, na justificativa do projeto, que a iniciativa visa fortalecer
o papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
como agente de fomento dos APLs, por meio da destinação legal
de recursos oriundos do FAT.
"Trata-se de medida legislativa compatível com os objetivos do fundo,
na medida em que se volta para a geração de novos postos de trabalho
e para a elevação da renda local" explica o senador.
IDH
A proposta também determina que os recursos do FAT utilizados pelo BNDES
em programas de desenvolvimento econômico - como o financiamento a empresas
- observarão critérios de alocação de recursos
baseados no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das localidades beneficiadas.
Renan afirma que, "ao adotar o critério do IDH na destinação
dos recursos dos programas de desenvolvimento econômico, o projeto colabora
para que as ações creditícias do BNDES, preservados os
critérios de remuneração dos recursos, se destinem também
a projetos com impactos expressivos na melhoria das condições
humanas e sociais das áreas beneficiárias".
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