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Agência Diap, 2 de
agosto de 2008
Doação para igrejas
poderá ser deduzida no IR
Cunha: atuação social
das instituições justifica incentivo
O Projeto de Lei 3543/08, do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), permite
ao contribuinte deduzir do Imposto de Renda Pessoa Física o valor
de doações para instituições religiosas.
O deputado argumenta que o incentivo se justifica pela importância
social dessas instituições na vida das comunidades locais.
O projeto não estabelece, no entanto, um percentual
limite para essas deduções. A proposta altera
a Lei 9.250/95.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado
pelas comissões de Finanças e Tributação;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:
- PL-3543/2008
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Agência Diap, 2 de
agosto de 2008
CUSTO DE VIDA
Cesta básica: Dieese
mostra alta no mês de julho
De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese) o preço da
cesta básica subiu em 14 das 16 capitais pesquisadas
pela entidade em junho. O único produto da cesta que
não apresentou aumento elevado foi o do açúcar,
menos de R$ 1 o quilo.
Os maiores aumentos registrados foram em Curitiba, Salvador
e Porto Alegre. A capital gaúcha foi que apresentou
a cesta mais cara no mês passado, quase R$ 260, a
segunda mais cara foi a de São Paulo. O Dieese também
fez uma comparação entre o preço da
cesta básica e o valor do salário mínimo
o que nos dá uma visão mais clara de quanto
subiu o preço dos alimentos.
Trabalho
Em julho do ano passado o consumidor precisou trabalhar
92 horas e 37 minutos para comprar uma cesta. No mês
passado, o tempo exigido foi de 116 horas e 8 minutos.
Ou seja, foi preciso trabalhar 25 horas a mais para comprar
a mesma coisa.
De acordo com Daniel Huertas Neto, economista do Dieese,
os preços não devem subir mais. "Já temos
produtos que estão apresentando queda na maioria
das capitais. Os produtos que continuam em alta, esta alta é menor
do que foi no passado, então a tendência para
os próximos meses é de um aumento menor ou
de estabilidade", comenta. (André Santos)
Clique aqui e
veja a íntegra da pesquisa
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Agência Diap, 2 de
agosto de 2008
INSALUBRIDADE
Mais duas entidades conseguem
suspender Súmula do TST
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro
Gilmar Mendes, concedeu mais duas liminares que suspendem
a aplicação de parte da Súmula 228,
do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que trata do pagamento
de adicional de insalubridade.
As liminares foram pedidas pela Unimed Ribeirão
Preto Cooperativa de Trabalho Médico e pela Confederação
Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos
e Serviços (CNS) nas Reclamações 6275
e 6277, respectivamente.
As instituições contestaram decisão
do Plenário do TST que editou uma resolução
e deu nova redação à Súmula
228. A partir de 9 de maio de 2008, o adicional de insalubridade
passou a ser calculado sobre o salário básico
e não mais sobre o salário mínimo.
O ministro Gilmar Mendes já decidiu caso semelhante
na Reclamação 6266, na qual a Confederação
Nacional da Indústria (CNI) afirmou que a súmula
do TST afronta a Súmula Vinculante 4, editada em
abril deste ano pelo STF. Esta súmula impede a utilização
do salário mínimo como base de cálculo
de vantagem devida a servidor público ou a empregado,
salvo nos casos previstos na Constituição.
A decisão também não permite a substituição
de base de cálculo por meio de decisão judicial.
Ao analisar o pedido da CNI, o presidente do Supremo entendeu
que “a nova redação estabelecida para
a Súmula 228/TST revela aplicação
indevida da Súmula Vinculante nº 4, porquanto
permite a substituição do salário
mínimo pelo salário básico no cálculo
do adicional de insalubridade sem base normativa”.
Assim, suspendeu a parte do dispositivo que permite a utilização
do salário básico no cálculo do adicional.
O mesmo entendimento foi aplicado nos pedidos da Unimed
e da CNS. Em seguida, o ministro determinou que os processos
sejam juntados e julgados simultaneamente, “tendo
em vista a identidade de objeto e causa de pedir”. (Fonte:
STF)
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Agência Diap, 2 de
agosto de 2008
RESUMO DA SEMANA
Desembarque de Gil na Cultura
abre mini-reforma ministerial
Nesta semana, merece destaque na política o desembarque
de Gilberto Gil do Ministério da Cultura, e a saída
de Jorge Rachid da Receita Federal do Brasil. Na economia,
a ata do Copom (Comitê de Política Monetária)
do Banco Central sinaliza que os juros poderão crescer.
O malogro da Rodada de Doha, cujo objetivo é liberar
barreiras comerciais de produtos agrícolas dos países
em desenvolvimento. Destaca-se ainda a reabertura dos trabalhos
do Congresso e o saldo positivo da balança comercial
brasileira.
A saída de Gil do ministério, em princípio,
sinaliza dois movimentos: o primeiro é que ministro
leva um pouco da alegria do Governo, e o segundo é que
este movimento antecipa uma mini-reforma ministerial. Gil
foi substituído pelo secretário-executivo,
Juca Ferreira.
Podem ainda desembarcar do Governo três ministros:
o da Saúde, José Gomes Temporão; o
da Fazenda, Guido Mantega; e, agora, o das Relações
Exteriores, Celso Amorim, que amargam desgastes políticos
por causa do próprio desempenho.
A saída de Rachid, em grande medida, já era
esperada. Dois aspectos sinalizavam esta possibilidade.
Sua oposição à lei geral das transações
proposta pelo Governo e o fato de que, pela primeira vez,
um secretário da Receita não ter participado
da formulação da proposta de reforma tributária.
Substitui Rachid, a servidora de carreira Lina Maria Vieira.
Juros
O Comitê de Política Monetária do
Banco Central aumentou para 4,8% a estimativa de inflação
do conjunto de preços administrados por contrato
(derivados de petróleo, energia elétrica,
gás, planos de saúde, tarifas de água,
esgoto e transportes públicos). Antes, o aumento
estava estimado em 4,5%.
A informação consta da ata da reunião
do colegiado na semana passada. O documento divulgado,
nesta quinta-feira (31), pelo Banco Central, revela que
não há expectativa de aumento nos preços
da gasolina e do gás de cozinha em 2008, mas que
os diretores do banco reconhecem o impacto da alta do preço
internacional do petróleo na indústria petroquímica.
A ata informa que o comitê manteve a projeção
de alta das tarifas de energia elétrica e de telefonia
de 1,1% e 3,5% no ano, respectivamente. Também foi
mantida a projeção de alta de 4% para o conjunto
dos preços administrados em 2008. Em junho, esse
grupo representou 29,81% do total do Índice de Preços
ao Consumidor Amplo, o índice oficial de inflação.
Comércio mundial
Rodada Doha é uma série de negociações
em prol da liberalização do comércio
mundial. Criada em 2001, durante a 4ª Conferência
Ministerial da OMC, em Doha (Qatar), cidade que lhe rendeu
o nome. De fato, tais negociações, feitas
entre as maiores potências comerciais do mundo, envolvem
inúmeras questões e interesses de cada país.
Trata-se de um processo bastante complexo.
O principal problema da Rodada Doha é, justamente,
a preocupação excessiva de cada país
em favor de seus próprios interesses, uma vez que,
teoricamente, o maior propósito das negociações
seria o desenvolvimento dos países pobres e o combate à fome.
Todas essas questões já foram discutidas
nas rodadas em Cancun (México), Genebra (Suíça),
Paris (França), Hong Kong (Coréia do Sul)
e Potsdam (Alemanha).
Pode-se dizer, simplificadamente, que os países
em desenvolvimento, como o Brasil e a Índia, por
exemplo, querem que a União Européia e os
Estados Unidos diminuam os subsídios (impostos)
aos produtos agrícolas estrangeiros. Já os
países desenvolvidos querem, em troca, uma maior
abertura para seus produtos industrializados. Em outras
palavras, todos querem mercados mais abertos para seus
produtos, mas não desejam abrir seus próprios
mercados, pois temem que tal abertura prejudique suas economias.
Congresso Nacional
Oficialmente, os trabalhos do Legislativo federal foram
reabertos hoje. Na prática, deputados e senadores
retomam as atividades parlamentares na próxima semana.
Na Câmara, os trabalhos recomeçam na segunda-feira
(4), e, no Senado, na terça-feira (5).
As pautas das duas Casas legislativas estão travadas
por medidas provisórias. Os líderes partidários
têm reunião agendada para definir a agenda
do esforço concentrado de duas semanas neste mês.
Em setembro haverá apenas um esforço, antes
das eleições de 5 de outubro.
Balança comercial
A balança comercial brasileira registrou um saldo
comercial - diferença entre exportações
e importações - positivo em US$ 3,3 bilhões
em julho de 2008, de acordo com dados divulgados nesta
sexta-feira (1º) pelo Ministério do Desenvolvimento.
O saldo comercial de julho é o segundo maior do
ano, atrás do resultado de maio (US$ 4,07 bilhões).
Pelo desempenho médio diário do mês
(US$ 143,7 milhões), o superávit em julho
foi 10,9% maior em relação a junho de 2008
e 5,5% menor que o apresentado em julho de 2007.
Importações e exportações
Em 23 dias úteis do mês passado, foram registrados
recordes históricos de exportações,
que somaram US$ 20,45 bilhões, e de importações,
que ficaram em US$ 17,15 bilhões. Nos primeiros
sete meses de 2008, o saldo comercial somou US$ 14,653
bilhões, com redução de 38,6% do que
o registrado no mesmo período do ano passado.
As importações brasileiras no mês
de julho cresceram 52,2% em relação à média
diária apresentada em julho de 2007 (US$ 489,8 milhões)
e recuaram 1,4% na comparação com a média
diária registrada no mês de junho de 2008
(US$ 756 milhões).
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Agência Diap, 2 de
agosto de 2008
CASA PRÓPRIA
Comprador não pode desistir
da aquisição de imóvel após receber
a unidade, decide STJ
A operação de compra e venda de um imóvel
em construção torna-se irreversível
após o recebimento e ocupação pelo
comprador. Ou seja, após a entrega do imóvel,
não é mais possível desistir do negócio.
O entendimento é da Segunda Seção
do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O colegiado acolheu, por unanimidade, o recurso interposto
pela Construtora ELO Engenharia e Empreendimentos Ltda.
contra a desistência de um comprador que já ocupava
o imóvel há quase dois anos. O processo foi
relatado pelo ministro Aldir Passarinho Junior.
Prazo para desistência
Para o ministro, deve haver “um limite fático/temporal” para
o exercício do direito de desistência de uma
compra e venda de imóvel. Segundo o relator, ao
receber a posse do imóvel e ocupar o local ou alugar
a unidade a terceiros, o proprietário transforma “o
apartamento, que era novo, em usado, iniciando o desgaste
que naturalmente ocorre com a ocupação, alterando
o valor comercial do bem, que naturalmente, quando vendido
na denominada 1ª locação, tem maior
valia”.
O ministro destacou que há entendimento firmado
no STJ no sentido de ser possível ao adquirente
desistir da compra por impossibilidade de pagar as prestações.
O posicionamento do Tribunal, segundo o relator, indica,
inclusive, que a Construtora deve devolver as parcelas
pagas, descontando apenas 25% do valor pago, a título
de compensação por seus serviços de
administração, corretagem, propaganda, entre
outros.
No entanto, enfatizou o ministro, o recurso em análise
apresenta uma particularidade – o proprietário
já recebeu o imóvel. “Não se
me afigura, realmente razoável, que a empresa construtora
fique por muitos anos ainda vinculada à unilateral
vontade do comprador desistente, que, até por motivo
de mera conveniência, após residir no imóvel,
vem a ‘desistir’ da aquisição,
descartando o apartamento após, convenientemente,
dele se servir, por vezes por alguns ou muitos anos.”
Compra e desistência
Alcides Alves Neto assinou, em maio de 1995, contrato
de compra e venda de uma loja comercial em construção
pela ELO Engenharia e Empreendimentos Ltda. A unidade foi
entregue ao comprador em agosto de 1996.
Quase dois anos após receber e ocupar o imóvel,
em maio de 1998, Alcides Alves Neto propôs ação
para obter a desistência do negócio por impossibilidade
de honrar o compromisso. Segundo o comprador, o negócio
já estava rescindido desde outubro de 1996, quando
deixou de pagar as parcelas.
Decisão em 1ª Instância
O pedido do adquirente foi acolhido na primeira instância
do Judiciário. O Tribunal de Alçada de Minas
Gerais manteve a sentença. Para o Tribunal, se o
comprador não tem mais interesse em continuar com
o vínculo jurídico com a vendedora do imóvel,
deve-se admitir a devolução das parcelas
pagas, corrigidas monetariamente, de acordo com expressa
previsão contratual. No julgamento, o Tribunal autorizou
a retenção pela vendedora da multa compensatória
pelo rompimento do contrato.
Revisão do STJ
A ELO recorreu ao STJ alegando que as decisões
favoráveis ao comprador contrariam o artigo 1.092
do Código Civil, além do artigo 49 do Código
de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90), entre outros do
Código de Processo Civil.
Ao relatar o processo no STJ, o ministro Aldir Passarinho
Junior acolheu os argumentos da construtora e modificou
as decisões anteriores. “A alienação,
com a posterior ocupação do imóvel
pelo comprador, torna-se, penso, irreversível, não
mais possibilitando a desistência unilateral nessas
circunstâncias, dada a desconfiguração
da própria essência do negócio, que
objetivava a venda de imóvel novo, que representa,
inclusive, o objeto social das empresas construtoras.” (Com
STJ)
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Vermelho, 2 de agosto de
2008
Estatais recebem os maiores
investimentos da última década
Os investimentos das estatais no primeiro semestre
foram os maiores dos últimos dez anos. Entre janeiro
e junho as empresas estatais aplicaram R$ 20,1 bilhões,
cerca de 35% a mais que no mesmo período do ano passado.
Apenas o Grupo Petrobras investiu R$ 18 bilhões, ou
seja, 89% de toda a verba desembolsada no primeiro semestre.
Os investimentos das estatais também foram 68% superiores
a média dos primeiros seis meses de 1999 a 2007, calculada
em R$ 12 bilhões, em valores atualizados – já desconsiderados
os efeitos da inflação.
A quantia aplicada pelas companhias estatais é 115%
maior que os investimentos realizados no mesmo período
desse ano pela União, incluindo os órgãos
dos Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário).
A diferença é de R$ 10,8 bilhões.
Conforme dados divulgados nesta quinta-feira (31) por
portaria do Ministério do Planejamento, o orçamento
deste ano autorizado para as estatais, no patamar de
R$ 62,9 bilhões, prevê recursos para a execução
de obras e serviços em 364 projetos e 272 atividades.
No bimestre maio e junho, foram aplicados R$ 6,7 bilhões,
o que equivale a 11% do orçamento global. Já nos
quatro meses anteriores (janeiro a abril), o valor investido
pelas estatais foi de 21,3% do montante anual previsto.
Entre janeiro e fevereiro, os investimentos somaram R$
5,9 bilhões, já nos dois meses seguintes,
março e abril, chegaram a R$ 7,6 bilhões.
O mais novo recorde de aplicações semestrais é referente às
programações de 67 empresas estatais, sendo
58 do setor produtivo e 9 do setor financeiro e de seguros.
Das empresas do setor de produção, 16 pertencem
ao Grupo Eletrobrás – que desenvolvem atividades
de pesquisa, geração, transmissão,
distribuição urbana e rural e comercialização –,
20 ao Grupo Petrobras e as 22 restantes estão
agrupadas em demais empresas como, por exemplo, no setor
de administração portuária, em serviços
postais ou no desenvolvimento e administração
da infra-estrutura de aeroportos.
Fonte: Contas Abertas
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Congresso em Foco, 2 de
agosto de 2008
Um salto de R$ 18 milhões
Deputados e senadores que concorrem às
prefeituras dizem à Justiça Eleitoral que o
valor de seus bens cresceu 20% entre 2006 e 2008

Paulo Maluf ainda é o
mais rico: R$ 39 milhões de patrimônio.
Djalma Berger adquiriu R$ 4 milhões em bens em apenas dois anos
Sofia Fernandes
Os 85 parlamentares candidatos às prefeituras nas eleições
de outubro enriqueceram mais de R$ 18 milhões em apenas dois
anos. A comparação dos bens declarados à Justiça
Eleitoral em 2006 e em 2008 mostra que esses parlamentares receberam
incremento médio de 20% em seu patrimônio.
Mesmo descontada a inflação de 9,74% entre junho de 2006
e junho de 2008, medida pelo IPCA, os parlamentares garantiram um acréscimo
de mais de R$ 9 milhões. Propriedades rurais, imóveis
e ações em empresas encabeçam a lista dos bens
que mais engordaram o saldo dos aspirantes à prefeitura.
Os dados levantados, com exclusividade pelo Congresso em Foco, são
do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e de alguns cartórios eleitorais.
Estão na lista 83 deputados e dois senadores (Patrícia
Saboya, candidata à prefeitura de Fortaleza, e Marcelo Crivella,
do Rio de Janeiro), de todos os estados, exceto Roraima, Mato Grosso
do Sul e Sergipe.
DEPUTADOS E SENADORES ENRIQUECEM 20%
clique na imagem para ver a tabela
completa

Grandes evoluções
Entre os 85 parlamentares candidatos, 56 enriqueceram nesses dois anos
de Congresso (ver
a lista completa). O caso mais expressivo é do deputado
Djalma Berger (PSB/SC), candidato à prefeitura de São
José, que acrescentou R$ 4 milhões ao valor declarado à Justiça
Eleitoral.
Quando se candidatou a uma cadeira da Câmara dos Deputados, em
2006, o então secretário de obras de Florianópolis
declarou possuir pouco menos de R$ 1,5 milhão. Agora, Berger
diz possuir um patrimônio de mais de R$ 5,5 milhões. Em
dois anos, aumentou 286% o valor dos seus bens declarados, o que o
torna o terceiro parlamentar candidato mais rico, atrás de Paulo
Maluf (PP-SP) e Reinaldo Nogueira (PDT-SP).
Berger afirma que a evolução se deve à natural
valorização do seu patrimônio. “Não
houve compra nesse período. Os bens são os mesmos, atualizados
no valor de mercado”, justifica. Créditos a receber de
empresas somam mais de R$ 3 milhões do valor declarado.
A deputada Bel Mesquita (PMDB-PA) é a segunda que mais enriqueceu.
Seu patrimônio foi turbinado em mais de R$ 3,5 milhões.
Segundo a assessoria parlamentar da candidata à prefeitura de
Parauapebas, a declaração de 2006, que somava R$1 milhão
de bens, não incluiu as milhares de cabeças de gado que
hoje, devidamente declaradas, valem R$ 2,5 milhões. De acordo
com a assessoria, a deputada havia retificado a declaração
de 2006, incluindo o gado, mas a Justiça Eleitoral não
atualizou os dados. A deputada é hoje a sexta candidata mais
rica entre os parlamentares.
Novos milionários
O deputado Asdrúbal Bentes (PMDB-PA), candidato à prefeitura
de Marabá, teve a evolução mais espetacular de
todos os candidatos: saltou dos cinco para os sete dígitos.
Seu patrimônio cresceu 1.829%. Se em 2006 ele listava R$ 80 mil
em bens, hoje ostenta R$ 1,55 milhão.
O deputado afirma que o aumento espantoso se deve à inclusão
de residência, em Marabá, que acabou ficando de fora da
declaração de 2006. “A casa é da mulher,
mas incluí na declaração deste ano para evitar
confusão”, diz Bentes. Sozinho, o imóvel vale R$
1,50 milhão. Bentes atribui o elevado valor da propriedade à especulação
imobiliária da região. “Em Marabá, os terrenos
e imóveis valorizam demais.”
Além de Asdrúbal Bentes, mais três parlamentares
candidatos tornaram-se milionários. Leonardo Quintão
(PMDB-MG), candidato à prefeitura de Belo Horizonte, saiu da
casa dos R$ 900 mil para a dos R$ 1,8 milhão. O deputado ACM
Neto (DEM-BA), candidato à prefeitura de Salvador, evoluiu de
R$ 820 mil para R$ 1,6 milhão. Fechando o clube dos novos milionários,
Neucimar Fraga (PR-ES), candidato à prefeitura de Vila Velha,
contava com R$ 446 mil e hoje tem declarado R$ 1,1 milhão.
Leonardo Quintão afirma que grande parte dos bens declarados
vem da valorização do capital social da empresa Sinai
Agropecuária, da qual tem ações. A assessoria
parlamentar de ACM Neto afirma que a evolução do patrimônio
do deputado está compatível com seus rendimentos como
deputado.
Um membro do Congresso ganha, todos os meses, R$ 16.512,09, além
do 13º, 14º e 15º salário. Tem direito ainda
a R$ 15 mil de verba indenizatória, R$ 3 mil de auxílio-moradia,
pouco mais de R$ 4 mil de cota postal e telefônica, passagens
aéreas no valor entre R$ 4 mil e R$ 16 mil (a depender do estado
de origem) e de R$ 60 mil para contratar funcionários no gabinete.
Os auxiliares de ACM Neto acrescentaram que a venda de um imóvel
e o carro que ganhou de presente do pai teriam ajudado no aumento do
valor.
Já Neucimar Fraga explicou todos os seus bens declarados estão
financiados. “Nada que tenho está quitado”, afirmou.
Ganhos e perdas
O mais rico continua o mais rico. O deputado Paulo Mafuf, candidato à prefeitura
de São Paulo, declarou neste ano R$ 39,2 milhões. Em
2006, seu patrimônio era de R$ 38,9 milhões, o que significa
um crescimento de 1%.
Na esteira dos ricos veteranos cada vez mais ricos, está também
o deputado Ilderlei Cordeiro (PPS-AC), candidato à prefeitura
de Cruzeiro do Sul. Em 2006, declarou R$ 1,5 milhão e, neste
ano, elevou a lista de bens até o valor de R$ 5,3 milhões,
uma valorização de 207%.
O deputado Reinaldo Nogueira (PDT-SP), candidato à prefeitura
de Indaiatuba, teve crescimento de 56% do patrimônio. Com R$
5,5 milhões há dois anos, hoje ostenta propriedades rurais
no valor R$ 8,5 milhões. Ilderlei e Nogueira deputados foram
procurados pela reportagem, mas não foram localizados.
Na contramão dos que faturaram nos dois anos de legislatura,
está o deputado Carlos de Souza (PP-AM), candidato a vice-prefeito
de Manaus. Segundo sua declaração, ele perdeu R$ 900
mil de seus bens, que antes somavam R$ 1,5 milhão. O deputado,
que está em campanha, não foi encontrado. Seu telefone
estava desligado.
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Gazeta do Povo, 2 de agosto
de 2008
Eleições 2008
Eleitor ficará sem saber
quem são os doadores de campanha
Assessoria de Richa desconversa
sobre o assunto. PT diz que só revela financiadores
se Beto fizer o mesmo. Moreira não vai tornar pública
a relação. Apenas o PTB está mais flexível
Não deve ser desta vez os eleitores de Curitiba
vão saber, antes de votar, quem são os financiadores
das campanhas dos principais candidatos a prefeito. Consulta
realizada pela Gazeta do Povo perante a assessoria dos
concorrentes à prefeitura da capital mostra que
os principais candidatos não estão propensos
a divulgar o nome dos doadores de suas campanhas antes
do dia da eleição – o que é permitido
por lei (os partidos só são obrigados a revelar
os financiadores após a divulgação
dos resultados).
A assessoria do candidato à reeleição,
Beto Richa (PSDB), desconversou sobre o assunto. Informou à reportagem
que a coordenação da coligação
ainda não tem uma definição sobre
o assunto. A campanha de Gleisi Hoffmann (PT), por enquanto
a principal concorrente de Richa, condicionou a revelação
de quem são ou serão os doadores, durante
a campanha, a uma atitude idêntica do candidato tucano.
O coordenador jurídico do PT, Guilherme Gonçalves,
comentou que os PT não irá apresentar esses
dados, se o PSDB não o fizer. “Dificilmente
alguém da campanha dos grandes partidos irá se
dispor a divulgar essas doações, caso o candidato à reeleição
não divulgue as dele”, salientou Gonçalves.
Ele destacou ainda que os partidos terão que informar
esses dados na prestação final de contas.
Segundo Gonçalves, nas prestações
parciais (que são divulgadas durante a campanha)
a exigência do TRE é que conste apenas o quanto
cada partido arrecadou e o quanto gastou.
O coordenador da campanha de Carlos Moreira (PMDB), Rasca
Rodrigues, afirmou que o partido não pretende tornar
público o nome das empresas que financiam a campanha
antes de 5 de outubro. Já o PTB, do candidato Fabio
Camargo, foi mais flexível. A informação
foi a de que não haveria nenhum problema em divulgar
quem são os doadores. Mas, questionado sobre quem
são as empresas que contribuiram para a campanha
até o momento, o coordenador geral da campanha,
Mateus Maranhão, disse que ainda não havia
recebido nenhum dinheiro de pessoas jurídicas, apenas
de pessoas físicas. “Até agora gastamos
apenas R$ 150 mil, porque ainda não fomos ‘para
a rua’.”
O PV, de Maurício Furtado, já disponibiliza
o nome de todos os doadores em seu site. O partido, por
norma, não aceita doações de empresas,
apenas de pessoas físicas. “Adotamos esse
posicionamento para não estar comprometido com nenhuma
empresa”, afirmou o presidente do comitê financeiro
do PV, Raphael Rolim de Moura.
Na mesma linha seguem o PSol, de Bruno Meirinho, e o PCdoB,
de Ricardo Gomyde. Os partidos informaram que não
teriam nenhum problema em divulgar quem são os financiadores
das campanhas. A assessoria de imprensa do PSol esclareceu
que os valores são arrecadados junto à militância
e simpatizantes. E que também não aceita
doações de empresas.
O advogado do PCdoB, Manuel Barbosa informou que o partido
não recebeu nenhuma doação de pessoa
jurídica. Os coordenadores de campanha de Lauro
Rodrigues, do PTdoB, não foram encontrados pela
reportagem.
Despesas
Veja a previsão de gastos
de cada candidato:
Fabio Camargo (PTB): R$ 14 milhões
Gleisi Hoffmann (PT): R$ 13 milhões
Carlos Moreira (PMDB): R$ 10 milhões
Beto Richa (PSDB): R$ 9 milhões
Ricardo Gomyde (PCdoB): R$ 980 mil
Lauro Rodrigues (PTdoB): R$ 500 mil
Maurício Furtado (PV): R$ 350 mil
Bruno Meirinho (PSol): R$ 100 mil
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Gazeta do Povo, 2 de agosto
de 2008
Receita Federal
Isento com muita movimentação
bancária terá de declarar IR
A Receita Federal estuda novas regras para a entrega da
declaração de ajuste anual do Imposto de
Renda das pessoas físicas (IRPF). Uma das mudanças
deverá determinar que pessoas com movimentações
bancárias elevadas declarem a renda, mesmo que tenham
rendimento igual ou inferior ao atual limite de isenção
mensal, de R$ 1.372,81.
Os critérios mais rígidos serão adotados
por causa do fim da declaração anual de isento,
publicada ontem no “Diário Oficial’’ da
União. Agora, só estarão sujeitos à suspensão
de CPF os contribuintes não-isentos que deixarem
de entregar a declaração de ajuste anual.
O supervisor nacional do IR, Joaquim Adir, disse que, na
prática, pessoas com movimentação
financeira alta já estão enquadradas nos
outros requisitos de declaração anual. A
mudança é uma ferramenta para inibir a sonegação
fiscal. “Ainda não sabemos qual será a
movimentação mínima exigida. Mas não
queremos um valor pequeno. Não é para fazer
com que os contribuintes isentos sejam obrigados a declarar
o IR’’, afirmou Adir.
Com o fim da CPMF, a Reeita perdeu o mecanismo de fiscalização
da movimentação bancária dos contribuintes.
Para isso, o órgão publicou uma instrução
normativa que obriga os bancos a repassarem ao Fisco as
informações de todos os correntistas que
movimentarem mais de R$ 5 mil por semestre. Segundo Adir,
a Receita está criando um programa para que os bancos
repassem as informações de forma padronizada.
Pendentes
A declaração de isento servia para a Receita
controlar a situação fiscal de 68 milhões
de contribuintes. Quando não era feita por um ano,
o CPF ficava “pendente de regularização’’.
Depois de dois anos sem a declaração, o documento
era suspenso.
Para regularizar a situação, era necessário
pagar uma taxa de R$ 5,50 no Banco do Brasil, na Caixa
Econômica Federal ou nas agências dos Correios.
Hoje, a Receita tem 38 milhões de CPFs suspensos
e 10 milhões “pendentes’’. A cada
ano, a lista de suspensos era acrescida em 7 milhões.
Com o fim da declaração de isento, Adir estima
que este número caia para apenas 300 mil.
Segundo Adir, as pessoas que já tiveram o CPF suspenso
ou cancelado ainda precisam regularizar a situação
fiscal. O fim da declaração de isento a partir
deste ano não significa que a regularização
será automática.
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Gazeta do Povo, 2 de agosto
de 2008
Denúncia
Lula vê briga eleitoral
no caso Farc
Reportagem sobre a ligação
de Brasília com guerrilheiros teria sido motivada
por interesse da oposição colombiana
Brasília - A reportagem da revista colombiana Cambio,
que divulgou documentos sobre supostas conexões
das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia
(Farc) com sindicalistas e funcionários do governo,
teria sido motivada por uma briga interna pelo poder na
Colômbia, concluiu o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva depois de três reuniões com
assessores diretos e com integrantes do Ministério
das Relações Exteriores.
A informação foi dada à Agência
Estado por um auxiliar de Lula que participou das reuniões.
De acordo com esse auxiliar, integrantes do Itamaraty fizeram
a Lula e aos demais ministros que participaram das reuniões
um relato a respeito da questão política
interna da Colômbia. Haveria, de acordo com eles,
uma disputa entre o presidente Álvaro Uribe e o
ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, mais provável
candidato à sucessão de Uribe.
Como Uribe pode conquistar o direito de disputar o terceiro
mandato, os planos de Santos ficariam prejudicados. Além
disso, há informação de bastidor mostrando
que até o final do ano Uribe pretende concluir uma
negociação com as Farc, levando o grupo que
já foi guerrilheiro e que hoje se envolveu com crimes
como tráfico de drogas, morte de civis e seqüestro, à dissolução.
Isso, na opinião do corpo diplomático brasileiro,
fortaleceria Uribe, que não teria dificuldades para
conquistar o terceiro mandato. Portanto, a negociação
com as Farc não interessaria ao ministro da Defesa.
Foi dito a Lula que a revista Cambio é editada
pelo grupo do jornal El Tiempo, cujo dono é irmão
do ministro da Defesa. Tanto o jornal quanto a revista
são considerados pelo governo brasileiro como porta-vozes
do governo de Uribe. Agora, no entanto, estariam servindo
para tentar impedir o presidente colombiano de disputar
o terceiro mandato.
Conselho
Outro choque entre os dois grupos seria motivado pela
criação do Conselho de Defesa da América
do Sul, idealizado pelo Brasil e propagandeado por todos
os países sul-americanos pelo ministro da Defesa
brasileiro, Nelson Jobim. Uribe defende a entrada da Colômbia
no conselho; Juan Manuel Santos é contrário à idéia.
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Folha de S.Paulo, 2 de
agosto de 2008
Presidente lança fundo
e diz que Brasil quer "falar grosso" sobre a Amazônia
JANAINA LAGE
DA SUCURSAL DO RIO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem,
durante o lançamento do Fundo Amazônia, no Rio,
que o Brasil quer "falar grosso" para defender
suas responsabilidades e sua soberania sobre o território
amazônico. Lula disse que o país tem consciência
hoje de que adotar medidas de preservação é uma
forma de impedir a retaliação de produtos brasileiros
em outros países.
" Daqui a pouco aparece alguém dizendo que tem cana na Amazônia
ou que são os biocombustíveis que causam problema no aumento do
alimento. Não temos o direito de aceitar as mentiras", disse Lula.
Segundo o presidente, ao tomar as medidas adequadas, o país
ganha o direito de transitar nos fóruns internacionais "de
cabeça erguida". Lula criticou a postura adotada pelos
países do G8 nas discussões sobre ambiente e classificou
as reuniões como "um pouco vazias".
" Podem ficar certos de que o Brasil vai cumprir suas obrigações.
Nós queremos falar grosso", disse. O presidente destacou que 85%
da energia elétrica do Brasil é limpa, que há anos o país
mistura 25% de álcool à gasolina e que 90% dos carros novos vendidos
no país são "flex fuel". "Quem é que pode
ter esse discurso no G8? Não podem ter", disse.
Lula citou dados de um centro de pesquisa americano, sem mencionar
a fonte, segundo o qual os EUA responderam por 21% da emissão
de gases do efeito estufa no planeta em 2005, enquanto o Brasil ficou
com 3,9% do total.
O Fundo Amazônia começará com um limite de doações
de US$ 1 bilhão para o primeiro ano de vigência. Segundo
o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), além da Noruega, que
deverá fazer a contribuição inicial no valor de
US$ 100 milhões em setembro, Alemanha e Suíça
pretendem investir no fundo, além de outras três empresas
nacionais.
" Isso mostra que a área ambiental está forte no governo Lula
e que talvez o sacrifício da ministra Marina [Silva] para que a área
ambiental voltasse a ter mais força foi bem-sucedido", afirmou Minc.
Lula elogiou a atitude do ministro de procurar os setores econômicos
com atividades ligadas à floresta e tentar fechar acordos que
estimulem a produção de forma sustentável. Um
dos exemplos foi o aumento da oferta de madeira certificada a fim de
evitar o uso da madeira ilegal.
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Folha de S.Paulo, 2 de
agosto de 2008
Produção industrial
reage e cresce 2,7% em junho
Expansão no semestre foi de
6,3%, a mais alta do período desde o 1º semestre
de 04
Fabricação de máquinas
puxa o setor; para analistas, aumento da taxa de juros
começará a afetar a indústria neste
trimestre
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
Ainda imune à mais recente alta da taxa básica
de juros, a produção da indústria
reagiu em junho e cresceu 2,7% na comparação
com maio, quando havia caído 0,6%. Em relação
a junho do ano passado, a alta foi ainda maior, de 6,6%.
Foi a maior taxa mensal desde os 3,5% de outubro de 2007.
Os dados são do IBGE.
Com o resultado, a indústria fechou o primeiro semestre de 2008
com crescimento de 6,3% -a mais alta taxa desde o mesmo período
de 2004 (8,3%). O crescimento tem outro aspecto positivo: foi puxado
pelo setor de máquinas e equipamentos, o que mostra tendência
de elevação da produção.
Para Sílvio Sales, do IBGE, os dados de junho foram "amplamente
positivos", com expansão "generalizada". O setor,
diz, atingiu novo pico no patamar de produção em junho
e deixou para trás o cenário de acomodação
de meses anteriores. Segundo ele, o aperto monetário ainda não
repercutiu no setor fabril. "Os números sugerem que, pelo
menos até agora, não houve nenhum impacto na atividade
industrial da mudança na taxa de juros."
Sales ressalva que ainda é cedo para dizer se o resultado de
junho representa uma nova fase de aceleração do crescimento
da produção industrial. Um dos pontos de incógnita,
diz, é o aumento dos estoques, apontado pela sondagem da CNI
(Confederação da Nacional da Indústria) com empresários.
O indicador de estoques avançou de 49,9 pontos no primeiro trimestre
para 50,6 no segundo trimestre, numa escala de 0 a 100. "A sondagem
mostrou que os estoques estão acima do planejado. Se isso se
confirmar, pode desacelerar a produção da indústria
neste segundo semestre", disse Sales.
No primeiro semestre, diz, prevaleceram ainda as influências
positivas do aumento do emprego, da massa salarial e do crédito.
Em junho, o efeito calendário também jogou a favor -teve
um dia a mais em relação a 2007 e à média
histórica. Especialistas ouvidos pela Folha dizem que o efeito
da alta dos juros será sentido só a partir do terceiro
trimestre do ano e, com mais intensidade, em 2009 e terá repercussão
na indústria e no PIB.
Para Sérgio Vale, da MB Associados, a indústria sofrerá com
a alta dos juros no final do terceiro trimestre, quando o PIB deve
se desacelerar de um crescimento previsto de 5,4% nos seis primeiros
meses do ano para 4,2%. Segundo ele, o país corre ainda o risco
de repetir novo ciclo de expansão menor da economia, como ocorreu
de 2004 a 2006, quando o ciclo de alta dos juros reduziu o crescimento
no período.
" A tentativa do Banco Central de trazer a inflação rapidamente
para a meta, em apenas um ano, tem um custo alto. Trazer a inflação
da casa de 7% para 4,5% obrigará a um ajuste no PIB que pode perdurar
até 2010", disse. Vale ressalta que não será, porém,
uma queda drástica da atividade. Em 2008, o PIB deve crescer 4,8%. Em
2009, estima 3,5%.
Claudia Oshiro, da Tendências, projeta uma desaceleração
da indústria e do PIB no segundo semestre na esteira dos juros
altos. No primeiro semestre, diz, não houve influência,
e o "crescimento ainda foi bastante forte". Segundo Leonardo
Mello, do Ipea, o crescimento no primeiro semestre ficou mais "volátil" (oscilando
altas e baixas mais intensas) por causa do efeito calendário
e do baixo nível de capacidade ociosa das indústrias,
mas a mudança da Selic só deve afetar a indústria
ao final do terceiro trimestre.
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Folha de Londrina, 2 de
agosto de 2008
SEU DIREITO: CPF
Declarei meu imposto de renda como dependente. Fui
informada que neste caso não precisaria fazer a declaração
de isenta. No entanto, descobri por acaso que meu CPF consta
como pendente de regularização. Como devo proceder
para resolver o problema?
Primeiramente vamos separar os fatos. Está totalmente
correto seu posicionamento. Uma vez declarado como dependente,
você não precisa realizar a declaração
de isento.
No segundo momento, ao tomar conhecimento que seu CPF constou
como pendente de regularização, você deverá tomar
a seguinte providência: ir à Caixa Econômica
Federal, e após recolher a taxa, você terá acesso
ao extrato de informações de eventuais pendências
ou omissões vinculadas ao seu CPF.
Por último, caso as pendências constantes no
extrato obtido junto à Caixa Econômica Federal
sejam referentes à declaração (instrumento
utilizado para declarar e justificar o recolhimento do imposto)
de renda de quem você é dependente, será necessário
ir até a Receita Federal para se informar sobre os
erros e/ou as omissões, bem como a possibilidade e
o procedimento de regularização. A Receita
Federal em Londrina está localizada na Rua Brasil,
865, Centro.
Rafael Mazzer de O. Ramos, advogado
servico@folhadelondrina.com.br
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O Estado do Paraná,
2 de agosto de 2008
Salário mínimo
ideal seria de R$ 2.178, segundo Dieese
O salário mínimo ideal para uma família de quatro
pessoas (dois adultos e duas crianças) atender a todas suas necessidades
básicas teria de ser de R$ 2.178,30. O valor foi estimado pelo
Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese) com base no preço da cesta de alimentos básicos
mais cara do País em julho, a de Porto Alegre (R$ 259 29).
O valor do salário mínimo ideal a que chegaram
os economistas do Dieese é 5,25 vezes o piso salarial
em vigor, de R$ 415. No cálculo feito pelo Dieese,
são consideradas as necessidades de recursos que uma
família de quatro pessoas precisa para suprir as despesas
básicas com alimentação, moradia, saúde,
educação, vestuário, higiene, transporte,
lazer e previdência.
Em junho, o salário mínimo necessário
para atender a estas despesas equivalia a R$ 2.072,70, ou
seja, 4,99 vezes o piso vigente. Em julho do ano passado,
o piso considerado ideal para uma família de quatro
pessoas era de R$ 1.688,35, ou 4,44 vezes superior ao piso
vigente à época, que era de R$ 380,00.
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Revista Consultor Jurídico,
2 de agosto de 2008
Sem aumento
Fim de desconto do IPVA é constitucional,
diz STF
A lei do Paraná que reduziu os descontos do IPVA é constitucional.
A decisão foi tomada pelo Supremo Tribunal Federal nesta sexta-feira
(1/8). Para os ministros, o fim do desconto não significa aumento
de tributo.
O PSDB entrou com a Ação Direta de Inconstitucionalidade
contra o artigo 3º da Lei 15.747/07. A lei diminuiu
de 15% para 5% os descontos dados para aqueles que pagam
o IPVA em fevereiro. A norma também extinguiu o desconto
de 5% para o pagamento feito em março.
Segundo o partido, ao alterar a lei que regulamenta o IPVA,
o Estado aumentou a carga de impostos dos cidadãos.
Por isso, seria preciso obedecer ao princípio da anterioridade
tributária. Ele determina um prazo de 90 dias para
aumento de imposto. A nova lei entrou em vigor na data de
publicação em dezembro do ano passado.
Para o ministro Gilmar Mendes, relator do caso, o fim do
desconto não representa aumento de imposto. Desta
forma, não cabe o prazo de 90 dias previsto pelo artigo
150, inciso III, da Constituição Federal.
“O Código Tributário Nacional, em seu
artigo 97, dispõe que se equipara à majoração
de tributo a modificação de sua base de cálculo
que importa em torná-lo mais oneroso. Esclarece ainda,
em seu parágrafo 2º, que não constitui
majoração de tributo a atualização
do valor monetário da respectiva base de cálculo”,
disse Gilmar Mendes.
Para o ministro, “a redução ou a extinção
de um desconto para pagamento de um tributo sob determinadas
condições previstas em lei, com o pagamento
antecipado em parcela única, não pode ser equiparada
a majoração do tributo em questão”.
Foi voto vencido o ministro Cezar Peluso.
ADI 4.016
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