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Agência Diap, 3 de
agosto de 2008
IMPOSTO DE RENDA
Movimentação financeira
pode virar critério para declarar IR
Com o fim da declaração anual de isento, anunciada
na última sexta-feira (1) pela Receita Federal, novas regras
podem ser impostas para ampliar a obrigatoriedade da entrega da Declaração
de Ajuste Anual do Imposto de Renda
De acordo com o supervisor nacional do Imposto de Renda,
Joaquim Adir, uma das mudanças poderia ser a utilização
da movimentação financeira como critério.
Segundo Adir, poderia ser estabelecido que quem tiver uma
movimentação financeira acima de um determinado
valor no ano-base seja obrigado a declarar.
Segundo o supervisor, uma regra deste tipo não
teria o objetivo de ampliar a base de contribuintes, mas,
sim, de reforçar o controle e permitir a suspensão
do CPF do contribuinte em situação irregular.
Para Adir, o número de contribuintes não
deveria crescer, pois, segundo ele, a maioria já se
encaixa em outros critérios para fazer a declaração.
Atualmente, os critérios para obrigatoriedade incluem
renda anual, patrimônio, operações
em bolsas de valores, entre outros.
As regras para o IRPF 2009, que podem incluir o critério
da movimentação financeira, com suas especificações
e seus detalhes, devem ser divulgadas apenas no próximo
ano. O acerto de contas com o Fisco acontece anualmente,
normalmente entre os meses de março e abril.
Segundo Adir, o fim da obrigatoriedade da declaração
de isento se deve ao fato de a Receita dispor de condições
de fazer controles eficientes sem esse documento, já que
tecnicamente pode monitorar transações financeiras
e em cartório.
De acordo com a Agência Brasil, Adir afirmou que
os contribuintes que atualmente estão em débito
com o Fisco - segundo a Receita, existem 38 milhões
de CPFs suspensos e 10 milhões pendentes de regularização
- continuam obrigados a regularizar a situação.
É importante salientar que, com o documento suspenso,
o contribuinte fica impossibilitado de abrir conta em banco,
pedir crediário, tirar passaporte, participar de
concursos públicos, receber benefícios da
Previdência, participar de transações
em cartórios etc.
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Vermelho, 3 de agosto de
2008
Sete capitais podem ter mulheres
no comando das prefeituras
Nunca se viu as mulheres tão
em alta quanto nas eleições municipais deste
ano. A cena política brasileira ainda é de
domínio majoritariamente masculino, mas as mulheres
ocupam espaço cada vez maior. A julgar pelas mais
recentes pesquisas de opinião sobre as eleições
municipais de outubro, elas estão bem colocadas em
sete importantes capitais do País: São Paulo,
Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Fortaleza,
Natal e Belém.
Por Sergio Pardellas, da revista
Isto É*
Embora já não representem uma novidade na
política, a maioria dos analistas concorda que,
no imaginário do eleitor, as mulheres personificam
a coragem, a integridade e a transparência, aliadas à capacidade
de comando. Características consideradas fundamentais
para o bom administrador.
Por isso, não surpreende que conquistem, na largada
da campanha, a preferência de parte significativa
do eleitorado tanto feminino quanto masculino. É o
caso de Marta Suplicy (PT), em São Paulo, Jô Moraes
(PCdoB), em Belo Horizonte, e Micarla de Sousa (PV), em
Natal. As três lideram a corrida eleitoral em suas
respectivas capitais. "A população está cansada
de políticos tecnocratas que agem com base em levantamentos",
afirma a deputada estadual Micarla, que montou uma coligação
de seis partidos (PV, DEM, PR, PTB, PP e PMN) e detém
hoje, segundo as pesquisas, 48,7% das intenções
de voto. "O povo quer alguém que conheça
os problemas, mas que também possua sensibilidade
para resolvê-los e isso as mulheres têm de
sobra", diz ela.
Empresária do ramo da comunicação
e filha de um dos políticos mais populares da história
do Rio Grande do Norte, o ex-senador já falecido
Carlos Alberto, Micarla é dona de uma carreira política
meteórica. Estreou com o pé direito nas eleições
municipais de 2004. Conseguiu ser eleita vice-prefeita
na chapa do socialista Carlos Eduardo Alves (PSB). Em 2006,
deu uma demonstração de ousadia política
ao renunciar ao cargo para eleger- se deputada estadual.
Nos últimos anos, dedicou- se a conhecer os problemas
da cidade e a estudar soluções. Recentemente,
visitou Bogotá, na Colômbia, para entender
como a capital daquele país conseguiu reverter os índices
de violência, considerados há seis anos um
dos mais altos do mundo. Resultado: ganhou pontos entre
os eleitores apavorados com o aumento da criminalidade
em Natal. "Temos que nos ater aos detalhes",
ensina Micarla, que, ao contrário de Marta e Jô Moraes,
tem como principal adversário uma mulher, a deputada
federal Fátima Bezerra (PT), em segundo lugar nas
pesquisas, com 17,14%.
A comunista Jô Moraes prefere não viver
esse dilema. Nem precisa. Em pouco tempo, a candidata do
PCdoB transformou-se na maior sensação das
eleições municipais ao tomar a dianteira
nas pesquisas a Prefeitura de Belo Horizonte, quarta capital
do país, numa disputa contra Márcio Lacerda
(PSB), candidato de uma inusitada aliança entre
o governador tucano Aécio Neves (PSDB) e o prefeito
petista Fernando Pimentel. Hoje Jô tem 20% das intenções
de voto, contra 9% de Leonardo Quintão (PMDB) e
6% de Lacerda. Ela, que conseguiu atrair setores do PT
ligados aos ministros Luís Dulci e Patrus Ananias,
atribui a larga vantagem obtida nas pesquisas à incompreensão,
pelo eleitorado mineiro, da aliança entre o PT e
o PSDB, adversários ferrenhos no cenário
nacional. "Uma coisa é conveniência administrativa,
outra é anular as diferenças programáticas
num passe de mágica", ressalta. Mas, tal como
Marta Suplicy, Jô Moraes também enfrentará desafios.
O principal deles é manter a performance eleitoral
a partir do início do horário gratuito no
rádio e na televisão. Segundo o TRE-MG, a
candidata terá apenas quatro minutos e dez segundos
de propaganda eleitoral, ao passo que Lacerda vai dispor
do sêxtuplo do tempo - cerca de 24 minutos.
Para compensar, a idéia da coordenação
da campanha de Jô é montar dois mil núcleos
de apoio nos principais bairros da capital e intensificar
o corpo a corpo nas ruas sob o lema "a nossa tevê é você". "Temos
que acabar com esse negócio de que ninguém
consegue vencer a tevê", conclama Jô.
Segundo ela, "todas as mulheres que estão se
destacando têm uma identidade feminina muito grande,
ao mesmo tempo que possuem uma visão progressista,
mais de esquerda".
Minoria
Os cientistas políticos concordam que as candidatas
têm feito a diferença nos pleitos municipais,
embora ainda sejam franca minoria. A constatação
está amparada nos números. Em 2008, as mulheres
representam 51,8% do eleitorado e apresentaram 1.580 candidatas,
contra 13.677 homens. Nas eleições municipais
de 2000, foram eleitas 317 prefeitas (5,70%) e 5.241 homens
(94,28%).
Já no pleito seguinte, o de 2004, o número
de prefeitas saltou para 418. Este ano, se as mulheres
conquistarem ao menos sete grandes capitais, terá sido
um recorde. "A participação da mulher
na política vem crescendo de maneira considerável.
Além de elas estarem cada vez mais engajadas, o
eleitor acredita que as mulheres são mais transparentes
e menos corruptas", observa o cientista político
David Fleischer, da Universidade de Brasília. A
precursora entre as prefeitas foi Alzira Soriano, eleita
para comandar o município de Lages (SC) em 1929.
Mas uma mulher só se tornaria prefeita de capital
56 anos depois, quando Maria Luiza Fontenelle, do PT, foi
eleita prefeita de Fortaleza, em 1985. Maria Luiza fez
escola na capital cearense. Hoje, duas candidatas reúnem
chances de chegar ao segundo turno: a atual prefeita, Luizianne
Lins (PT), que busca a reeleição, e a senadora
Patrícia Saboya (PSB). Ambas enfrentam o deputado
Moroni Torgan (DEM). Segundo as pesquisas, Moroni e Luizianne
têm 27% das intenções de voto, contra
23% de Patrícia, ex-mulher do deputado e ex-ministro
Ciro Gomes, numa disputa que promete ser acirrada até o último
instante.
Porto Alegre
Outra capital em que duas mulheres disputam com reais
chances de vitória é Porto Alegre. Estão
empatadas na disputa pelo segundo lugar as deputadas federais
Maria do Rosário (PT), com 20%, e Manuela D'Ávila
(PCdoB), com 18%.
Corre por fora a deputada pelo PSOL Luciana Genro, com
8%. Por ora, a liderança é ocupada por José Fogaça
(PMDB), candidato à reeleição, que
registra 29% das intenções de voto. No Sul,
ao contrário das outras capitais, as candidatas
terão outro obstáculo pela frente. Com a
governadora do Estado, a tucana Yeda Crusius, atolada em
denúncias de corrupção, o desafio
será mostrar que uma mulher, desta vez na administração
do município, pode ter na transparência a
marca de sua gestão. "Apresentar- se como novidade,
mas conservar vícios da velha política pode
ser um tiro no pé", alerta Maria do Rosário.
A petista, que conta com apoio dos ministros Tarso Genro,
da Justiça, e Dilma Rousseff, da Casa Civil, explica
que os escândalos envolvendo a governadora do Rio
Grande do Sul têm se refletido negativamente em sua
campanha. "As pessoas me param nas ruas e dizem que
já votaram em mulher, mas não gostaram do
resultado." A esperança da deputada é de
que a população saiba diferenciá-la. "Aqui
em Porto Alegre eu sei que é muito importante o
velho ditado 'dize-me com quem andas e te direi quem és'".
Qualidades necessárias
Apesar do avanço feminino, é claro que
não basta ser mulher. "É importante,
mas não é suficiente. A candidata tem que
ter adjetivações, mostrar integridade e capacidade
de comando", avalia a ex-deputada Jandira Feghali
(PCdoB) que caminha a passos largos para o segundo turno
da disputa eleitoral no Rio de Janeiro. Segundo as últimas
pesquisas, Jandira tem 16% das intenções
de voto, contra 13% de Eduardo Paes (PMDB), 7% de Fernando
Gabeira (PV) e 5% de Solange Amaral (DEM). Em primeiro
lugar aparece o senador Marcelo Crivella (PRB) com 24%.
Caso a comunista triunfe em outubro, será a primeira
mulher a administrar a antiga capital do país.
O mesmo poderá ocorrer em Belém, onde a
ex-vice governadora Valéria Pires Franco (DEM),
da coligação "Pra Belém ficar
pai d'égua", está bem cotada nas pesquisas
com 24% das intenções de voto. Na disputa
pelo comando da capital do Pará, a candidata do
DEM está empatada, dentro da margem de erro de quatro
pontos percentuais, com o prefeito Duciomar Costa (PTB)
- que tenta a reeleição e tem 28%. "No
que depender de mim, vou cuidar todos os dias de Belém,
como mãe zelosa e guardadora", promete Valéria.
A considerar as atuais intenções de votos,
que evidentemente podem mudar a partir do horário
gratuito, os eleitores estão atrás de quem
cuide das finanças municipais com a mesma dedicação
de donas-de-casa. Afinal, muitas delas hoje são
chefes de família. E trabalham em regime de tripla
jornada.
* intertítulos do Vermelho
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Vermelho, 3 de agosto de
2008
Classe C levará o país
a ser potência econômica, diz estudo
Um estudo realizado por um dos maiores bancos de investimentos
do mundo, Goldman Sachs, mostra que o Brasil estará entre
as cinco maiores economias do mundo em 2025. Em 2050, o Brasil
será a quarta economia do mundo. Esse mesmo estudo
mostra que a responsável para mudar a posição
de poder do Brasil no mundo será a renovada e reforçada
classe média, a classe C.
O programa Entrevista Record da última terça-feira
(29), tratou da expansão da classe média
no Brasil e das mudanças na economia brasileira.
O jornalista Paulo Henrique Amorim entrevistou o diretor-executivo
de marketing parceria e novos negócios da Cetelem
no Brasil, Frank Vignard Rosez.
A Cetelem, braço do banco francês BNP
Parribás que faz análises de consumo, realizou
um estudo que mostra a expansão da classe média
no Brasil nos últimos três anos.
As classes A e B, somadas, passaram de 15% da população
brasileira em 2005, para 18% em 2006 e caíram
para 15% em 2007. A classe C, a nova classe média,
passou de 34% em 2005, para 36% em 2006 e chegou a 46%
em 2007. As classes D e E encolheram mais ainda do que
a classe A, passaram de 51% em 2005, para 46% em 2006
e 39% em 2007. Isso significa que quem cresce é a
classe média, a classe C.
Segundo Frank Vignard Rosez, 20 milhões de pessoas
(o equivalente ao dobro da população de
Portugal) deixaram as classes D e E e passaram para a
classe C nos últimos três anos. Rosez disse
que, para crescer em bases sólidas e de forma
sustentada, uma economia precisa ser puxada pela classe
média.
“ Só você tendo uma grande massa,
na verdade um grande estrato de consumidores com uma
renda média e que tenha vontade, que tenha sonhos
de ascender, que você consegue sustentar uma economia.
Uma economia não pode ser puxada por 10% ou 20%
da população. Uma economia tem que ser
puxada realmente pela base. E é o que a gente
vê ocorrendo nos últimos anos”, disse
Rosez.
Confira abaixo os principais trechos
da entrevista:
Frank, em primeiro lugar, quem são vocês
da Cetelem?
A Cetelem é o Braço de consumo do banco BNP Parribás...
Que é um banco forte na França.
Exatamente, é um dos maiores bancos franceses. E a Cetelem realmente
tem essa posição entre o consumidor final e o varejista
e por isso consegue detectar rapidamente mudanças nas tendências
do consumo e do consumidor, que é o que a gente vem observando
no Brasil nos últimos anos.
Quer dizer que, sobretudo, vocês estão
preocupados com essas variações do comportamento
do consumo no Brasil para recomendar ações
aos seus clientes?
Exatamente, a gente tenta detectar essas tendências para nos
antecipar para ter produtos adequados e serviços melhores para
os nossos parceiros.
E nessa, digamos, arqueologia, vocês
acabam descobrindo que a economia brasileira mostra
agora esse fenômeno novo que é o da expansão,
do revigoramento da classe média.
É um fenômeno impressionante. Quando a gente olha os últimos
três anos, e a gente publica essa pesquisa em 15 países, desde 1989,
quando a gente olha os últimos três anos no Brasil, vê que
são quase 20 milhões de brasileiros que saíram das classes
D e E e se ascenderam para a classe C. São quase dois Portugais inteiros.
Vamos ver a pesquisa que vocês fizeram
e o que essa pesquisa revelou. Vamos falar da expansão
classe média, distribuição da
população brasileira por classe de consumo
em porcentagem: de 2005 a 2007, as classes A e B, somadas,
passaram de 15% em 2005, para 18% em 2006 e caíram
para 15% em 2007. A classe C, a nova classe média,
passou de 34% em 2005, para 36% em 2006. E vejam só que
pulo esse movimento impressionante a que o Frank se
referiu, foi para 46% em 2007. As classes D e E encolheram
mais ainda do que a classe A, passaram de 51% em 2005,
para 46% em 2006 e 39% em 2007. Quem cresce é a
classe média, a classe C. Foi esse então
o movimento de dois Portugais que mudaram de posição,
as classes D e E para a classe C brasileira. Esse número
pessoas, quantas pessoas são, Frank?
São maios ou menos 20 milhões de brasileiros.
Vinte milhões de brasileiros. E o que
significa em termos de renda a classe C? Quem são
essas pessoas no pacote de 46%?
A classe C tem uma renda média por volta de R$ 1,1 mil, R$ 1,2
mil. Lógico que varia dentro dessa média. E ela tem o
que a gente chama de renda disponível, ou seja, aquilo que sobra
no final do mês por volta de R$ 150.
E o que a classe C brasileira passou a fazer
com essa renda disponível de R$ 150 por mês?
É um consumidor que continua querendo equipar o seu lar, um pouco se espelhando
no jeito de viver da classe A/B. Então, a primeira coisa que ele quer
comprar é um eletrodoméstico, um móvel. E o crescimento
de todas essas cadeias, inclusive regionais, de eletrodoméstico e móveis.
Agora, o que se destaca em termos de evolução, de crescimento,
são as intenções de consumo de computadores para casa, telefonia
celular, que os dois saíram de um quinto de intenção para
compra para um quarto. Quer dizer, 25% desses consumidores querem comprar. Para
quem mexe com varejo é extremamente interessante, principalmente celular.
A gente vê que hoje é difícil encontrar uma pessoa que não
tenha celular.
E o que significa essa intenção
de 25% dos membros da classe C querem comprar computador,
qual o impacto que isso pode ter?
Isso é bastante interessante. Na verdade, é um fenômeno
que vem crescendo muito nos últimos tempos. E o resultado disso é que
a gente observa mais de seis milhões de novos internautas, que
são justamente vindos dessa classe C e para o comércio
varejista virtual é um potencial enorme porque esses consumidores
ainda não viraram o que a gente chama de e-bayers, e-consumidores
pela internet, onde são quase seis milhões de clientes
potenciais que estão circulando pelas lojas e ainda não
compraram naquelas lojas até porque o consumidor de classe C
tem que ter uma linguagem diferente e a gente está falando de
uma renda por volta de R$ 1,2 mil, você tem que ser capaz de
dar crédito como se dá crédito nas lojas físicas,
com a mesma facilidade e a mesma rapidez de uma loja física.
Agora, Frank, sua pesquisa mostra que as classes A
e B caíram para 15% do total, elas passaram de
25% para 15%, não é isso?
As classes A e B voltaram para o patamar de dois anos atrás...
Na verdade passaram de 15% para 18% e de 18%
para 15%. Eu pergunto: por que diminuiu o espaço
das classes A e B, elas perderam renda?
Olha, o que a gente percebe é que, apesar desse movimento, a
gente entende também que 2006 é um ano atípico
por ser um ano eleitoral e às vezes você tem um pouco
de pico, onde as pessoas conseguem aumentar temporariamente a renda.
Mas o que é importante nas classes A e B é que o otimismo
que não se via nos anos anteriores começa a surgir esse
ano, ou seja, as classes A e B começam a entender que o Brasil
está melhor. E ela recuperou o atraso porque isso já vinha
acontecendo há dois anos com as outras classes.
Mas eu posso dizer, a partir da sua pesquisa,
que o crescimento da classe C se dá em prejuízo,
ainda que pequeno, das classes A e B?
Olha, o que aconteceu é que a população do Brasil
cresceu também. O que a gente vê é que em número
de habitantes, de pessoas, e físicos, que é o que importa
no fim, a gente vê quer a classe D e E se reduziu em 20 milhões,
que é justamente o aumento da classe C nesse período.
Então, na verdade, esse fenômeno de crescimento da classe
C é realmente um fenômeno de ascensão social que é muito
da classe D para a C. Agora, a pergunta é: como fazer com que
esse grupo de consumidores da classe C possam ascender para a classe
A e B. Aí já é mais complicado porque a grande
diferença entre essas duas camadas sociais é a educação, é uma
formação superior. E isso não se resolve de um
dia para o outro.
Agora, nós observamos no estudo original
da pesquisa da Goldman Sachs, feita pelo economista
chefe da Goldman Sachs, o Jim O’Neill, ele tem
um estudo que deu origem a esses números a que
me referi no início, chamado sobre a “expansão
do meio”, “the expanding middle”,
quer dizer, o meio que cresce. Ele fala que esse fenômeno
do crescimento do meio é um fenômeno mais
ou menos universal, ele não é só brasileiro,
evidentemente, ele ocorre na China, na Índia
e em vários países em desenvolvimento.
E ele provoca também um fenômeno que é a
redução da desigualdade de renda, ou
seja, o Brasil era um país onde a distância
entre o muito rico e o muito pobre era muito grande
e essa distância diminui e está havendo
uma redução também entre a renda
dos países muito ricos e os países mais
pobres. Eu pergunto: você, com essa pesquisa
aí, você percebe essa redução
da desigualdade?
Sim, a gente percebe justamente por essa passagem das pessoas de classe
D para classe C, a gente percebe isso trabalhando com varejo também.
A gente vê, é uma tendência mundial, o país
que começa crescer muito e de maneira sustentável ele
normalmente se baseia numa classe média bastante extensa. E
o resultado disso é que fica muito mais difícil de você manter
riquezas muito grandes, porque começa a surgir uma massa de
empreendedores que começam a ceder à riqueza e que fazem
um contrapeso a uma minoria normalmente que controla a economia. Então,
a tendência é de ter realmente uma redução
da desigualdade...
E nesse conjunto impressionante de dois Portugais,
de 20 milhões de pessoas, que entraram para
a classe C brasileira, você localiza aí alguns
empreendedores, como você mencionou?
Há no Brasil até uma cultura um pouco mais empreendedora
do que em alguns países da Europa.
Por quê?
Porque é um pouco da cultura do brasileiro, o brasileiro gosta,
e também da dificuldade de encontrar emprego às vezes.
Agora, você disse que o brasileiro, se
eu posso traduzir o que você falou, é mais
empreendedor do que o europeu?
O brasileiro tende ser um pouco mais otimista do que o europeu, a gente
mede no observador...
E como está o otimismo do brasileiro,
tirando os corintianos?
É o recorde dos últimos três anos. A gente pede para o brasileiro
dar uma nota de zero a dez sobre a situação do país. Dez
sendo o céu, zero sendo o inferno. A nota média foi de 5,3, que
pode parecer uma nota média, pode parecer que o Brasil está médio,
mas é bem acima, por exemplo, quando a gente olha Portugal [...], os pessimistas
devem ter ficado lá, porque a nota média lá é 3,1.
Já o país mais otimista que a gente mapeia é a Bélgica,
que tem uma média de 6,3.
Então nós estamos perto da Bélgica?
Estamos mais perto da Bélgica do que de Portugal.
Agora, você fez uma associação
aí que eu gostaria que você explorasse
mais, que é a seguinte: a expansão da
classe média assegura um crescimento econômico
sustentado. O que você quer dizer com isso?
Só você tendo uma grande massa, na verdade um grande estrato
de consumidores com uma renda média e que tenha vontade, que
tenha sonhos de ascender, que você consegue sustentar uma economia.
Uma economia não pode ser puxada por 10% ou 20% da população.
Uma economia tem que ser puxada realmente pela base. E é o que
a gente vê ocorrendo nos últimos anos.
Você falou que é uma etapa muito
difícil sair da classe C para a classe A/B,
uma vez que isso depende, sobretudo, do grau de qualificação
educacional. E como se dá a passagem da classe
D/E para a classe C, qual é o pré-requisito?
Aí a grande diferença é qualidade de vida. Quando
a gente fala da classe D/E, a gente fala de uma renda média
por volta de R$ 580, a metade da classe C. Houve também uma
grande mudança nessa classe, porque quando a gente começou
a mapear o Brasil, há três anos, essa classe não
fechava o mês. No final de 2005 essa classe fechou o ano com
um déficit, se a gente puder usar um pouco a linguagem econômica
aqui. Mas é o déficit do bolso.
Isso. O Millôr Fernandes usa uma expressão
muito feliz, ele diz: “tinha muito mês
no fim do salário”.
Exatamente isso. Faltou naquele ano R$ 17 por mês para aquele
consumidor fechar as contas, ele tinha que encontrar algum meio, pedir
para algum colega ou familiar... [...] Hoje, a gente observa que esse
mesmo consumidor da classe D/E fecha com um superávit, ou seja,
uma sobra de R$ 20. Então ele saiu de R$ 17 de falta para R$
20 de sobra. Pode parecer pouco R$ 20, mas entre você estar devendo
R$ 20 e estar sobrando R$ 20 é uma diferença muito grande.
Agora, uma outra coisa, quando você fala
que a renda disponível é alguma coisa
perto de R$ 100, você leva em consideração
que isso é R$ 100 que ela tem para consumir.
Mas a classe C está se endividando mais também.
O que a gente percebe, a gente mapeia nesse estudo é realmente
a diferença entre a renda familiar e a renda disponível,
são os gastos, que a gente separa entre essenciais e não-essenciais.
Os gastos essenciais são basicamente alimentação,
higiene, a saúde emergencial. Nos gastos não essenciais
entra itens que não é que a gente pode ficar sem. Por
exemplo, entra itens como vestuário, não dá para
você ficar sem roupas, mas dá para você gerenciar
melhor. E o segundo maior item nas despesas não essenciais são
realmente as prestações de crédito. Agora, quando
a gente olha a evolução, essa prestação
vem diminuindo ao longo dos últimos três anos. Isso não
significa que o brasileiro está se endividando menos, mas significa
que a parcela vem diminuindo.
Parte da dívida diminui no todo da renda?
Exatamente.
Mas o brasileiro está se endividando
mais.
O brasileiro está se endividando mais, mas está alongando
o prazo...
Isso é uma boa notícia?
É uma boa notícia. Quando a gente olha os países desenvolvidos
e hoje acho que o Brasil, muitas vezes, até poderia se posicionar como
um país desenvolvido...
Já nos sentimos assim.
E temos por que. Quando a gente poderia quase, em vez de falar que
somos os primeiros dos emergentes, poderíamos dizer que estamos
lá no grupo dos desenvolvidos. Talvez não como o primeiro...
Fonte: Conversa Afiada
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Agência Brasil, 3
de agosto de 2008
Mulheres querem que trabalho
em casa conte para se aposentar
O reconhecimento de que o trabalho não-remunerado
realizado pelas mulheres deve ser considerado fator de garantia
do direito ao benefício previdenciário é o
principal tema em discussão neste sábado (2)
no Seminário Nacional sobre Seguridade Social e as
Mulheres.
Promovido por diversos movimentos sociais de defesa dos
direitos das mulheres, o evento começou nesta sexta-feira
(1º) e vai até domingo, em Brasília.
Cerca de 50 representantes de vários estados estão
reunidas no encontro para debater formas de ampliar a inclusão
das mulheres no sistema previdenciário especial,
que concede benefícios para categorias que não
contribuem para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Uma das coordenadoras da Marcha Mundial das Mulheres
e do Fórum Itinerante e Paralelo sobre Previdência
Social, Isabel Freitas defende que o governo precisa reconhecer
a função social das mulheres na sociedade.
Segundo ela, se o trabalho não-remunerado das mulheres
fosse contabilizado economicamente, representaria algo
em torno de 13% do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de
todos os bens e serviços produzidos no país).
“ Queremos o reconhecimento por esse trabalho,
da dona-de-casa, da doméstica, da artesã,
da extrativista, e que a Previdência seja universal
e todos tenham direito”, disse. “A nossa luta é para
que o governo brasileiro, que diz que o país está em
um momento excelente, crescendo, com as riquezas se consolidando,
tome consciência e organize um sistema de Previdência
que cubra todas as pessoas”, completou.
A secretária executiva da Articulação
das Mulheres Brasileiras (AMB), Sílvia Camurça,
também acha que a Previdência no Brasil deveria
considerar o trabalho realizado pelas mulheres. “O
principal problema é que a Previdência foi
um sistema pensado como se apenas os homens trabalhassem.
Ele tem uma concepção contributiva, ou seja,
pagar para poder receber o benefício”, argumenta.
“ Nós mulheres, historicamente, fazemos
trabalhos sem remuneração. Aquele para a
própria família, doméstico, cuidar
da criança, de quem está doente e, muitas
vezes, somos dependentes economicamente e não temos
como pagar a Previdência”, ressalta. “Não
contribuímos, mas trabalhamos. Muitas vezes, desde
muito cedo. Em alguns casos, as meninas começam
a trabalhar em casa, cuidando dos irmãos menores,
para que a mãe possa trabalhar fora.”
Sílvia Camurça enfatiza que “apenas
um sistema previdenciário universal, em que todo
mundo que trabalhe possa ter direito ao benefício,
atenderia às mulheres”. “Aquela que
trabalha em casa, sem remuneração, tem que
ter o direito de receber o auxílio-doença
caso se acidente e fique sem condições de
realizar suas atividades”, acrescenta.
A gerente de Projetos da Área de Gênero
e Trabalho da Secretaria Especial de Políticas para
as Mulheres, Eunice Léa de Moraes, afirma que ainda
há uma grande dificuldade para as mulheres serem
atendidas pela Previdência Social. “A maioria
das mulheres está no mercado informal. Então,
a renda que elas têm vêm da informalidade e é muito
difícil contribuir mensalmente. Por isso, elas estão
fora [do sistema previdenciário]”.
Para ela, é importante discutir a inclusão
e a universalização da Previdência, “para
que ela não seja apenas contributiva mas, na verdade,
assegure os direitos das mulheres em sua maioria”.
Fonte: Agência Brasil
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Congresso em Foco, 3 de
agosto de 2008
Empulhação constitucional
Osiris Lopes Filho*
Em artigo anterior combati a ousadia indecente e descomunal
de se colocar na Constituição o Imposto sobre
o Valor Agregado (IVA), denominação encabulada
de um tributo que incidiria sobre ele mesmo. Recebi em
contrapartida a crítica de que isso não é nada
de novo, pois já é assim na lei de regência
do Imposto sobre Circulação de Mercadorias
e Prestação de Serviços (ICMS).
Trata-se, portanto, de se dar base constitucional para
o que já ocorre no ICMS, em que o cálculo é feito
por dentro, o que faz com que ele incida sobre si mesmo.
O efeito dessa regra é aumentar a alíquota
do imposto. Há uma alíquota nominal menor,
a prevista na lei, mas a que é cobrada mesmo é a
alíquota efetiva, a maior.
Há alguns artifícios introduzidos pela legislação
e que terminam tendo eficácia, sendo praticados
sem que sejam denunciados ou sofram forte contestação
dos setores prejudicados. O ICMS é ilustrativo disso:
tem uma alíquota nominal de 15%, mas sua alíquota
efetiva tem o peso de 17,25%.
Sempre me espantou o fato de o setor empresarial (formado
por importadores, industriais, produtores rurais, prestadores
de serviços), que tem o dever de pagar o ICMS, não
protestar com efetividade contra tal empulhação.
É que, possivelmente, eles estiveram impregnados
do pragmatismo cínico. Como se trata de imposto
indireto que, no término do ciclo econômico,
vai onerar o consumidor final das mercadorias e serviços,
eles optaram por não contestar a alíquota
efetiva. O sacrifício, dessa forma, é destinado
ao povo consumidor.
Contudo é importante assinalar que, em relação
ao novo imposto, o IVA, existe a previsão de ele
não ser cumulativo. A sua não-cumulatividade,
e a inclusão do imposto na sua própria base
de cálculo, estão entre as características
que serão constitucionais, caso seja aprovada a
tal reforma tributária. É uma contradição
gritante. Se esse imposto incide sobre si mesmo, como está proposto,
trata-se de clara cumulatividade.
Além disso, há na Constituição
um dispositivo que estabelece que “a lei determinará medidas
para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos
impostos que incidam sobre mercadorias e serviços” (art.
150, § 5º, da C.F.). A camuflagem tributária
que pretende esconder esse imposto do consumidor final,
com o seu cálculo por dentro, colide com a transparência
da tributação consagrada na Constituição.
O surrealismo que caracteriza a atuação
de certos setores da nossa realidade me faz dizer que aqui,
neste território tupiniquim, o revolucionário,
em certas matérias, é cumprir a Constituição.
Principalmente em relação à tributação.
O presidente Lula tem oportunidade de fazer uma revolução
incruenta, sem paredón ou degola. Basta mandar seus
auxiliares cumprirem a Constituição, embora
que para isso tenha que haver um passo anterior – estudá-la
e, desse modo, respeitá-la.
* Osiris de Azevedo Lopes Filho,
Advogado, Professor de Direito na Universidade de Brasília – UnB – e
Ex-Secretário da Receita Federal.
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Congresso em Foco, 3 de
agosto de 2008
Mulheres enfrentam dificuldade
para se aposentar na cidade e no campo
Ivan Richard
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A aposentada Regina Maria Semião
começou a trabalhar como doméstica aos oito
anos de idade. Hoje, com 67 anos e aposentada desde 1999,
recebe um salário mínimo de aposentadoria
e ajuda outras domésticas de Campinas (SP) a ter
acesso à Previdência Social. Ela é uma
das mulheres que participa do Seminário Nacional
sobre Seguridade Social e as Mulheres, em Brasília.
Ela conta que após os 18 anos sempre teve a carteira
de trabalho assinada e, por isso, não teve muitos
problemas para requerer a aposentadoria. “Precisei
comprovar o tempo de contribuição para a
Previdência, mas corri atrás e consegui me
aposentar com um salário mínimo que me dá muita
felicidade”, afirmou.
Diretora da Secretaria Jurídica do Sindicato das
Trabalhadoras Domésticas de Campinas e Região,
Regina Maria Semião, avalia que teve sorte por conseguir
se aposentar. “Hoje, vendo a realidade de dentro
do sindicato, percebo que tive sorte. Sempre trabalhei
com a carteira assinada, mas vejo a dificuldade que as
trabalhadoras domésticas têm”.
Segundo ela, a maior parte das domésticas não
tem a carteira de trabalho assinada. “Elas vão
ter dificuldade para se aposentar depois. E não é só pela
aposentadoria, mas pelos acidentes de trabalho. Elas ficam
doentes no emprego e não têm a Previdência.
Então, fica mais difícil para o sindicato
ajudar. Temos que entrar com um advogado na Justiça”,
disse.
De acordo com uma das coordenadoras do Movimento de Mulheres
Camponesas do Rio Grande do Sul Adriana Mezadri a dificuldade
para a mulher se aposentar não está restrita à cidade.
No campo, segundo ela, as trabalhadoras têm dificuldade
para comprovar que vivem do trabalho rural.
“Estamos enquadradas como seguradas especiais, com
direito a se aposentar com 55 anos. Porém, um dos
principais problemas é conseguir comprovar comprovar
os 13 anos de atividade rural”, afirmou.
“Há um número muito grande de mulheres
sem documentação no campo o que acaba dificultando
o acesso à Previdência”, disse Adriana
Mezadri. “A nossa luta é por uma Previdência
Pública, universal e solidária, além
da permanência dos nossos direitos [trabalhadoras
rurais] como seguradas especiais”.
Adriana Mezadri sugere que seja criada uma taxa sobre
as grandes fortunas e sobre as exportações
do agronegócio para que o governo possa ampliar
o número de mulheres atendidas pela Previdência
Social.
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Gazeta do Povo, 3 de agosto
de 2008
Mercado financeiro
Crise sem data para acabar
Analistas prevêem tempos difíceis
para o mercado acionário brasileiro. Cautela e paciência
são palavras de ordem para os investidores pelo menos
até o fim do ano
O “mês do cachorro louco” mal começou
e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) caiu
mais de 3% logo em sua primeira sessão, na sexta-feira.
O tombo veio na esteira de dois meses particularmente ruins.
A bolsa paulista – que até o fim de maio acumulava
alta de 14% no ano – despencou cerca de 18% em junho
e julho, prejudicada por fatores como o recrudescimento
da crise financeira nos Estados Unidos (EUA), a queda do
preço de algumas commodities, o aumento dos juros
no Brasil e, para complicar um pouco mais, um certo “efeito
manada” que empurrou para longe daqui bilhões
de dólares de investidores estrangeiros.
Predomina a expectativa de que as perdas serão
recuperadas nos próximos meses, mas ficou difícil
encontrar alguém que aposte em ganhos muito robustos.
Os analistas de mercado estão mais cautelosos que
o de costume, e deixam bem claro que o investidor brasileiro,
mal-acostumado com cinco anos seguidos de alta da Bovespa,
terá de ser mais paciente desta vez.
“ A gente não sabe quando a Bovespa vai voltar
a subir. Se daqui a uma semana, um mês ou seis meses”,
admite o estrategista-chefe para pessoas físicas
da Itaú Corretora, Flávio Conde. “O
que sabemos é que ela está excessivamente ‘descontada’ [com
preços abaixo do que seria justo]. A queda das commodities
está precificada, os aumentos da Selic [taxa básica
de juros] também. Não faz sentido a bolsa
estar em 57 mil pontos agora, se estava em 63 mil antes
de o Brasil receber o grau de investimento.”
O detalhe cruel, segundo o analista Felipe Vaz Guimarães,
da Rio Bravo Wealth Management, é que não
basta a situação econômica estar relativamente
boa no Brasil. “Sofremos menos que outras bolsas
de países emergentes, mas em geral ficamos a reboque
do que ocorre no cenário externo.” José Francisco
Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, segue
raciocínio parecido. “Empresas estrangeiras,
afetadas pela crise das hipotecas dos EUA, venderam suas
ações na Bovespa para cobrir prejuízos
lá fora. Elas não olharam para o cenário
antes de resgatar seu dinheiro; simplesmente precisavam
de dinheiro com urgência.” Para Gonçalves,
o fato de o petróleo ter subido tanto – o
que, na teoria, é bom para as ações
da Petrobras, as mais negociadas da praça paulista – acabou
afastando investidores do Brasil, que tiraram dinheiro
do mercado acionário e aplicaram em contratos futuros
do combustível. O recente recuo do preço
do petróleo pode até ter sido bom para a
Bovespa, na opinião do economista, pois deve reduzir
as pressões sobre a inflação global – há alguns
meses, a disparada dos preços de várias commodities
desencadeou uma rodada de elevações de juros
em vários países, o que é sempre ruim
para as bolsas. Com juro mais alto, títulos do governo
ou fundos de renda fixa, que têm risco mais baixo,
ficam mais atraentes.
Perspectivas
Os especialistas estão longe de um consenso sobre
o que deve acontecer nos próximos meses. Gonçalves,
do Banco Fator, acha que a bolsa – que fechou a sexta-feira
em 57,6 mil pontos – pode chegar aos 65 mil pontos
em dezembro, mas dificilmente acima disso. “A coisa
deve continuará feia lá fora por um tempo,
e a economia global deve desacelerar. Os próximos
18 meses não serão tão bons para a
bolsa.”
Guimarães, da Rio Bravo, também prevê recuperação
até o fim de 2008 – mas, ao contrário
de Gonçalves, pensa que o cenário internacional
será um pouco mais amistoso. Conde, da Itaú Corretora, é o
mais otimista. Diz que os papéis de Petrobras, Vale,
Gerdau e Usiminas – alguns dos principais da Bovespa – podem
subir 50% nos próximos seis meses. E, com a ajuda
das ações dos grandes bancos, que hoje estariam
subestimadas, devem puxar a bolsa para cima em cerca de
20%, o que significaria algo próximo aos 70 mil
pontos – ainda abaixo, no entanto, do pico atingido
em maio (73,5 mil).
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O Estado do Paraná,
3 de agosto de 2008
Romaria da Terra: impunidade
no campo e os desafios da reforma agrária
Edésio Passos
O XXX Congresso Nacional dos Advogados Trabalhistas que se realizará em
Goiânia, de 10 a 12 de setembro, homenageará o advogado
João José Sady, falecido em São Paulo no dia 7 de
julho, aos 59 anos, vítima de câncer. Sady, além
de advogado trabalhista, professor e escritor, foi um dos principais
defensores dos direitos humanos, no combate à violência
em todas as suas formas. O orador designado para a sessão solene
de homenagem, na abertura do conclave, será o dr. Nilton Correia,
ex-presidente da Abrat, hoje presidida pelo advogado paranaense dr. Luiz
Salvador. Também será a oportunidade de homenagear o jurista
uruguaio Américo Plá Rodriguez, falecido em 22 de julho,
autor da obra fundamental “Princípios de Direito do Trabalho”,
editada pela LTr, considerado o maior juslaboralista da América
Latina.
A Comissão Pastoral da Terra do Paraná realizará a
23.ª Romaria da Terra do Paraná no município
de Querência do Norte, no dia 17 de agosto de 2008,
sob o tema “Impunidade no campo e os desafios da Reforma
Agrária”. Dados catalogados pela CPT “vêm
demonstrando que a certeza da impunidade é uma das
razões do crescimento da violência no campo”.
A entidade afirma que “neste contexto, o Poder Judiciário
tem se mostrado, quase sempre, um dos grandes aliados do
latifúndio e do agronegócio. Ao mesmo tempo
em que é lento para julgar os crimes contra os trabalhadores/as, é extremamente ágil
para atender as demandas dos proprietários expedindo
liminares de reintegração de posse que, na
maioria das vezes, acabam se tornando sentença unilateral
definitiva e arbitrária, dando margem à violência
da polícia e à ação das milícias
privadas”. Ainda segundo informações
da CPT, “de 1985 a 2005 ocorreram no Brasil 1.063 conflitos
com morte. Foram assassinadas 1.425 pessoas, entre trabalhadores,
lideranças sindicais ou de movimentos e agentes de
pastoral. Destes crimes contra os trabalhadores, somente
78 destes homicídios foram julgados. Foram condenados
apenas 67 executores e 15 mandantes. No mesmo período
no Paraná foram assassinados 45 trabalhadores sendo
que destes crimes nenhum culpado ou mandante foi punido”.
Um ato de memória dos mártires
“Na segunda metade da década de 1990 a região
Noroeste do Paraná, foi o palco de um conjunto de
violências contra as famílias de trabalhadores/as
Sem Terra”, afirma a CPT. “Foram vários
os despejos violentos e os trabalhadores/as assassinados.
Infelizmente, a maioria dos casos de violência contra
os trabalhadores/as na região continuam impunes. No
município de Querência do Norte aconteceram
várias situações de violência
contra os trabalhadores/as: foram inúmeros os despejos
violentos, as agressões, seqüestros, ameaças,
torturas, prisões e assassinatos nos últimos
anos. Mas Querência do Norte também é um
lugar de resistência, já que é um dos
exemplos da viabilidade da Reforma Agrária: neste
município encontram-se vários assentamentos
e a organização e a produção
dos agricultores têm um importante papel na dinâmica
econômica do município”. Na convocatória
das organizações e população
em geral, diz a CPT que “inspirados pela Palavra de
Deus, queremos celebrar a justiça que se realiza na
partilha e na democratização da terra, um dos
melhores mecanismos para realizar a paz no campo. ‘Felizes
os que são perseguidos por causa da justiça,
porque deles é o Reino de Deus’, anuncia Jesus
pela boca do evangelista Mateus (5, 10). Nos 15 anos do martírio
de Teixeirinha (Diniz Bento da Silva), nossa Romaria será também
um ato de memória de todos os mártires da terra
de nosso Paraná e do Brasil, luzes que guiam a nossa
luta e nos animam na luta pela justiça”.
Os 20 anos da Constituição
Social
O Curso de Especialização em Direito do Terceiro
Setor da Universidade Positivo realizará de 20 a 22
de agosto o III Simpósio Paranaense do Terceiro Setor,
sob o tema “Os 20 anos da Constituição
Social”, com a coordenação científica
e executiva do prof. Tarso Cabral Violin, apoio da OAB.PR.
Serão expositores o prof. Manoel Eduardo Alves Camargo
Gomes (UFPR) na conferência de abertura analisando
a “Reforma Administrativa e o Terceiro Setor”;
o prof. Silvio Luis Ferreira da Rocha (PUC.SP) abordando
o tema “Aspectos Polêmicos do Terceiro Setor”;
a prof.ª Maria Nazaré Lins Barbosa (FGV.SP) sobre “O
Terceiro Setor e os 20 anos da Constituição”.
No encerramento, debate com o senador Eduardo Suplicy (PT/SP)
e o senador Álvaro Dias (PSDB/PR), aberto ao público,
sob coordenação do advogado e vereador André Passos,
a respeito da “CPI e as Ongs” (informações:
41 3317-3092 / www.up.edu.br).
O PL 3451/2008
O projeto de lei n.º 3.451/2008, de iniciativa do Poder
Executivo, acresce ao art.55, da Lei n.º 8.213/1991,
três novos parágrafos, trata das sentenças
da Justiça do Trabalho em face as contribuições
previdenciárias. Conforme o texto do projeto de lei “as
decisões proferidas pela Justiça do Trabalho,
resultantes de condenação ou homologação
de acordo, inclusive as referentes a reconhecimento de período
contratual, poderão ser aceitas como início
de prova material, desde que tenham sido proferidas com base
em prova documental, contemporânea aos fatos a comprovar” (5.º); “as
decisões a que se refere o parágrafo 5.º,não
proferidas com base em prova documental, terão sua
eficácia perante o Regime Geral de Previdência
Social limitada ao período não abrangido pela
prescrição trabalhista e desde que tenha havido
recolhimento de contribuições previdenciárias
no curso do período laboral” (6.º); “Na
hipótese de não ter havido o recolhimento a
que se refere o parágrafo 6º, a eficácia
da decisão fica condicionada à comprovação,
ao INSS, do efetivo recolhimento das contribuições
previdenciárias correspondentes ao respectivo período” (7.º).
O PL 3451/08 tramita em caráter conclusivo nas Comissões
de Trabalho, Administração e Serviço
Público, de Seguridade Social e Família e de
Constituição e Justiça e de Cidadania.
A lista suja
Depois da conclusão de processos administrativos,
antecedidos de autos de infração e defesa dos
infratores, o Ministério do Trabalho e Emprego atualizou
a lista suja dos empregadores que exploram trabalho escravo:
pecuaristas com fazendas que pressionam a floresta amazônica,
empresas sucroalcooleiras da região centro-oeste,
carvoeiros do Mato Grosso do Sul. São 43 novos nomes
incluídos na lista suja, dos quais 37% de pecuaristas
na faixa de derrubada da floresta amazônica. O total
da lista conta com 212 nomes, com restrições
de incentivos fiscais e de operações de crédito
nas instituições públicas, pagamento
das multas constantes dos autos de infração
e medidas restritivas das empresas e associações
signatárias do Pacto Nacional pela Erradicação
do Trabalho Escravo. No setor de açúcar e álcool,
foram libertados 1.559 trabalhadores, do total geral de 2.302
pessoas retiradas da escravidão. Dentre os novos integrantes
da lista suja, o presidente da Câmara Municipal de
Marabá, Pará, Miguel Gomes Filho; e o médico
do trabalho Nelson Donadel, pela exploração
ilegal de 150 indígenas na Destilaria Iguatemi Ltda.
(vide no site do MTE os dados completos).
Justiça anula venda de terra
O juiz federal de Marabá, Pará, dr.Carlos
Henrique Haddad, anulou todos os negócios, registros
e averbações da compra das fazendas Santa Margarida
e Carapanã, pela Allied Cambridge LCC e sua filial
brasileira a Wolrdwide Ecological Handling Timber Corporation
Ltda, correspondendo a 3 milhões e 883 mil hectares
em São Felix do Xingu.O procurador da República,
dr. Marcos Mazzoni, que acompanha a ação civil
pública proposta há sete anos, afirmou: “O
MPF está atento aos milhões de hectares grilados
na região.Grande parte do desmatamento na Amazônia é causado
por ocupações irregulares de terras públicas,
seja por posseiros ou mesmo empresas estrangeiras. O poder
público precisa aumentar a retomada de terras se quiser
efetivamente controlar a floresta”. Na sentença,
o juiz enfatiza o preço vil a que foram vendidas as
fazendas, por 2,5 milhões de reais, quando valem 38
milhões de reais, caracterizando a fraude na venda
do imóvel desde a origem (informações
por Hélio Granado,assessor de imprensa da Procuradoria
da República no Pará, via Agência Amazônia).
Lei:Biodiversidade para pesquisa
“Se Darwin estivesse pedindo autorização
para pesquisar no Brasil nos dias de hoje, provavelmente
não conseguiria e não teríamos a Teoria
da Evolução”, afirma o prof. Ennio Candotti,
presidente de honra da Sociedade Brasileira para o Progresso
da Ciência. Sua declaração refere-se à necessidade
da finalização de consulta pública pela
Casa Civil ao anteprojeto de lei sobre acesso a recursos
genéticos e conhecimentos tradicionais, como alternativa à Medida
Provisória 2.186-16, que desde 2001 regulamenta a
matéria e vem limitando o desenvolvimento de pesquisas
e trata os pesquisadores como “biopiratas”. Diz
o prof. Candotti: “Entendem a pesquisa como uma ameaça,
que precisa de monitoramento. Antes de pensar uma legislação
que proteja, deveríamos avançar em uma legislação
para garantir conhecimento sobre a natureza. Só protegeremos,
conhecendo”. O advogado e consultor Fábio Feldman
disse que “no Brasil há uma visão equivocada
de achar que uma lei muito repressiva é muito boa.
Mas, na prática, a aplicação de regras
muito repressivas tende a ser flexibilizada, o que gera inclusive
desmoralização da legislação.
O que é necessário é garantir, na lei,
mecanismos de prestação de contas e de transparência”.
O caráter repressivo da atual legislação é exemplificado
pelo fato de que o Conselho de Gestão do Patrimônio
Genético concedeu somente 11 autorizações
de pesquisa desde 2001, estando 60 projetos sobrestados (informações
por Luana Lourenço, da Agência Brasil, na Revista
Digital Envolverde).
Questões agrárias
Original, extenso e profundo estudo do prof.Mário
Nieweglowski Filho, da disciplina de Defesa Sanitária
Vegetal na Universidade Federal do Paraná, parte de
sua tese de doutoramento, trata dos “Indicadores sociais
e fitossanitários como apoio no gerenciamento das
questões agrárias”, contribuição
teórico-prática sobre as normas técnicas
e legais definidas no Brasil e internacionalmente quanto
a fitossanidade, visando entender as implicações
para a agricultura nacional e o agricultor. O estudo avança
não apenas na análise das questões sobre
normas legais e técnicas, mas propõe recomendações
fundamentais aos governos federais e estaduais, entidades
do setor agrário e os agricultores em geral. Seu estudo
de campo, em Araucária, apresenta um excelente quadro
para entendimento dos pontos críticos da agricultura,
com os indicativos de superação das dificuldades
observadas.
Eleições municipais
O procurador-geral de Justiça do Paraná, dr.
Olympio de Sá Sotto Maior Neto, recomendou a adoção
de medidas destinadas a impugnação do registro
de candidaturas às próximas eleições
no caso de condenações em primeiro e segundo
grau, mesmo que não transitadas em julgado, seja em
face de ações penais e de improbidade em trâmite
e sem sentença em primeiro grau, em situações
excepcionais que, pela reiterada atividade ilícita,
concretamente coloquem em risco a ordem jurídica eleitoral
e o próprio Estado Democrático de Direito.
Já o promotor de justiça dr. Rodrigo Leite
Ferreira Cabral, em exercício no município
de Ortigueira, PR, impetrou mandado de injunção
perante o Supremo Tribunal Federal (MI 858, tendo como relator
o ministro Eros Grau), para que se regulamente o parágrafo
9.º do art. 14 da CF/88, que prevê a edição
de lei complementar para estabelecer casos de inelegibilidade
para o exercício de mandato eleitoral, considerando
a vida pregressa do candidato a cargo público, como
forma de proteger a probidade administrativa e a moralidade
no exercício do mandato. E na TV Educativa do governo
estadual, o primeiro debate de sindicalistas: Carlos Zimmer,
presidente do Conselho Estadual do Trabalho, Cid Cordeiro,
do Dieese, Sérgio Athayde, da CUT, e dr. Geraldo Serathiuk,
ex-delegado regional do trabalho, sobre a plataforma eleitoral
da classe trabalhadora, pontuando as principais questões
que os candidatos a vereador e a prefeito devem observar
em seus programas.
João José Sady
“Emenda 3 é conversa fiada vestida de paramentos
jurídicos” (extraído do texto publicado
pelo Conjur em 16/3/2007, que mostra o vigor da crítica
do mestre Sady): “Depois de anos em que a grande imprensa
tocava as trombetas todos os dias clamando pela reforma trabalhista,
o alarido vem cessando e a expressão parece ter sido
expulsa do pantanoso território das pautas. Ficamos
todos com a falsa sensação de que serenou aquela
sede de sangue que empolgava a nossa mídia tupiniquim.
A sensação de calmaria, contudo, esconde do
observador o fato de que para a grande empresa de mídia,
a reforma trabalhista já foi providenciada. Muito
simples. Enquanto aqui fora, os ingênuos ficam falando
de CLT, CF, OIT, etc., lá dentro daqueles muros discretos,
encontrou-se a fórmula mágica: acima de um
patamar médio, o empregado é obrigado a ser
contratado como pessoa jurídica. Numa mágica
documental, o repórter transforma-se na empresa Manoel
das Couves S/C ou ME, ou coisa que o valha, passando a carregar
consigo uma dualidade perversa. Muito embora continue no
velho padrão de pessoalidade, continuidade, remuneração
e subordinação, o indivíduo, por um
sinistro passe de mágica, passa ser uma empresa. Aqueles
próprios trabalhadores que passaram a usar esta roupagem
contratual para não perder o posto de trabalho, criaram
uma pitoresca alcunha para este fenômeno que se espraia
como incêndio em mato seco: pejotização.”
Américo Plá Rodriguez
“Plá Rodriguez, com a sua grandiosa obra em
defesa do Direito do Trabalho e de seus princípios
fundadores, marcou de modo definitivo a história desse
ramo da ciência jurídica tão hostilizado
pela classe detentora do poder econômico, que busca
flexibilizá-lo e precarizá-lo em nome da prevalência
das regras do mercado, cujo desejo empresarial reside tão
somente no aumento das margens de lucro do sistema. O mestre
uruguaio, maior juslaboralista da América Latina,
deixa enorme legado, social, jurídico e político,
como eficiente arma para se contrapor ao conjunto de armadilhas
tendentes a diminuir o caráter protecionista do Direito
do Trabalho, oferecendo, assim, aos operadores do mundo jurídico
meios eficazes à concretização dos Direitos
Humanos e à consolidação de Estados
verdadeiramente Sociais e Democráticos” (da
moção de pesar da Associação
Latino-Americana de Juízes do Trabalho, assinada pelo
magistrado brasileiro, presidente da entidade, dr. Grijalbo
Fernandes Coutinho).
Edésio Passos é advogado
e ex-deputado federal(PT/PR). edesiopassos@terra.com.br
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Folha de S.Paulo, 3 de
agosto de 2008
"Vou fazer meu sucessor",
diz Lula em festa no ABC
Petista sugeriu que metalúrgico
peça reajuste
DA REPORTAGEM LOCAL
A festa de posse da nova diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos
do ABC, ontem, em São Bernardo do Campo, foi o cenário
escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva
para inaugurar sua participação direta na
campanha eleitoral. Lula assegurou que subirá no
palanque "da companheira Marta lá em São
Paulo" e dos candidatos petistas da região
do Grande ABC e, sob gritos entusiasmados e aplausos de
um ginásio de esportes lotado de metalúrgicos
e com alguns dirigentes petistas, disse: "Não
está na minha testa, mas escrevam: eu vou fazer
a minha sucessão e vamos eleger alguém da
nossa confiança para dar seqüência a
tudo o que fizemos".
Foi no Sindicato dos Metalúrgicos, presidido por ele em dois
mandatos sucessivos, que Lula iniciou sua carreira política,
ainda nos anos 70, na condição de líder de grandes
greves operárias.
Ontem, Lula pareceu reassumir por alguns minutos o posto de dirigente
sindical. Em uma passagem de seu discurso, exortou os metalúrgicos
a exigirem aumentos salariais: "É em época de crescimento
econômico que se exige aumento. Em época de recessão,
o que a gente pode esperar é desemprego. Eu sei que estou me
metendo na área do companheiro Sérgio Nobre, mas é hora
de exigir", disse o presidente.
O clima de comício já tinha iniciado antes da fala de
Lula. Nobre, o novo presidente do sindicato, discursou prometendo o
empenho dos metalúrgicos na sucessão presidencial. Apontando
para a diretoria recém-empossada e para a platéia, Nobre
disse: "Esse é o exército que impedirá a
volta ao poder daqueles que diziam que eram os direitos trabalhistas
o principal obstáculo ao crescimento do país".
Segundo a diretoria dos metalúrgicos, a festa de posse, organizada
no clube da Associação dos Funcionários da Ford,
foi possível graças à venda de 5.000 ingressos
a R$ 10 cada um. Churrasquinho, bebidas e show da banda Ultraje a Rigor
estavam incluídos no pacote.
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Folha de S.Paulo, 3 de
agosto de 2008
Previdência quer aposentadoria
automática
Trabalhador que vai se aposentar por
tempo de contribuição será dispensado
da obrigação de comprovar período de serviço
Intenção é iniciar
concessão de benefícios em 2010; no ano que
vem, aposentadoria urbana por idade deve passar a ser automática,
diz ministro
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A partir de janeiro do próximo ano, o Ministério
da Previdência vai promover uma espécie de recadastramento
dos trabalhadores ativos cujos dados estejam incompletos
no CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais).
Com a inclusão das informações, a pasta
espera cobrir todos os furos de seu cadastro para permitir,
a partir de 2010, a concessão automática de
aposentadorias por tempo de contribuição.
O ministro da Previdência, José Pimentel, informou que,
já em 2009, o governo pretende passar a conceder automaticamente
as aposentadorias urbanas por idade -benefícios destinados a
quem completa 65/60 anos (homem/mulher). Pimentel antecipou à Folha
que a Previdência buscará, inicialmente, as empresas para
obter as informações. Em seguida, serão procurados
os próprios trabalhadores.
" Neste segundo semestre, estamos cruzando o CNIS com outros cadastros.
Em 2009, vamos procurar as empresas para preencher as lacunas que ainda estiverem
faltando. Em um segundo momento, procuraremos os próprios trabalhadores",
afirmou o ministro da Previdência. Atualmente, existem 37 milhões
de trabalhadores inscritos na Previdência, dos quais 82% estão nas
cidades, e o restante, no campo.
A concessão automática de aposentadorias depende de mudanças
legais. Pimentel já havia anunciado que o governo pretende enviar
neste mês ao Congresso um projeto de lei com as alterações. À Folha
ele admitiu que as mudanças podem ser feitas por medida provisória. "O
presidente me deu carta-branca para discutir com o Congresso e chegar à melhor
forma: projeto de lei ou medida provisória", afirmou.
Pimentel diz estar otimista quanto à rapidez na implementação
das mudanças. Para ele, mesmo que as alterações
sejam encaminhadas ao Legislativo por projeto de lei, não há motivos
para resistências por parte dos parlamentares, já que
se trata de um assunto de interesse de todos os trabalhadores.
Prova
As mudanças na legislação previdenciária
visam inverter o chamado "ônus da prova" na concessão
de benefícios. Hoje, os trabalhadores são obrigados a
comprovar com documentos o tempo trabalhado. Com o CNIS atualizado,
a Previdência dispensará o trabalhador dessa obrigação,
e o benefício poderá ser concedido automaticamente com
base nas informações cadastrais do segurado sobre toda
a sua vida profissional.
De acordo com o ministro, o CNIS tem informações certificadas
somente de julho de 1994 até hoje. Os dados anteriores ainda
estão passando pelo processo de cruzamento com outros bancos
de informação do governo, entre eles os da Receita Federal,
da Caixa Econômica Federal, da Justiça Eleitoral e do
Ministério do Trabalho.
Pimentel explicou que a concessão automática da aposentadoria
por idade virá mais rápido porque utilizará as
informações já validadas do CNIS. Pelas regras
atuais, para o trabalhador ter direito à aposentadoria por idade,
basta ter contribuído 13 anos e seis meses para a Previdência.
Ou seja, o tempo requerido para o benefício abrange o período
após julho de 1994.
Já a aposentadoria por tempo de contribuição exige
que o trabalhador tenha recolhido para a Previdência por 35/30
anos (homem/mulher). "Para a concessão automática
desses benefícios, precisamos homologar as informações
do CNIS desde 1976 [ano de criação do cadastro]",
disse o ministro.
Rurais
Pimentel disse ainda que nos próximos dias será editado
um decreto definindo os nomes das entidades que ajudarão o governo
a iniciar um processo de cadastramento de trabalhadores rurais, pescadores
artesanais e extrativistas.
" O Incra deverá entrar nos fornecendo todas as titulações
de pequenas propriedades. O sistema financeiro passará os dados da agricultura
familiar [Pronaf]", exemplificou.
Outra mudança legal que o ministro proporá ao Congresso é a
separação da contabilidade da Previdência, segregando
as aposentadorias rurais das urbanas. A medida terá efeitos
apenas contábeis, já que os trabalhadores rurais continuarão
sob as regras previdenciárias.
Para 2009, a Previdência promete redesenhar sua rede de agências,
que tem 1.200 unidades. Segundo o ministério, o atual mapa das
agências foi criado nas décadas de 70 e 80. "As cidades
cresceram muito. Precisamos redimensionar a rede. As agências
precisam ser menores, ter menos servidores, mas estar mais espalhadas
para evitar o deslocamento dos trabalhadores", diz Pimentel.
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Revista Consultor Jurídico,
3 de agosto de 2008
Distribuição de lucros
Projeto de lei sobre Imposto
de Renda prejudica economia
por Fábio Alexandre Lunardini
Tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei 3.007,
de 2008, de autoria do deputado Chico Alencar (PSOL/RJ),
que propõe a revogação da isenção
do Imposto de Renda (IR) dos lucros e dividendos distribuídos
pelas pessoas jurídicas brasileiras a seus sócios.
A proposta prevê a modificação do artigo
10 da Lei 9.249, de dezembro de 1995, e estabelece alíquota
de 15% para o retorno dos investimentos ao país
de origem.
O projeto acrescenta parágrafo único à norma,
para estabelecer que “os rendimentos auferidos sob
a forma de distribuição de lucros e dividendos
creditados a beneficiário, pessoa física
ou jurídica, domiciliado no exterior, ficarão
sujeitos à incidência de Imposto de Renda
na fonte de 15%”.
Pela redação proposta, “os lucros
ou dividendos pagos ou creditados por pessoas jurídicas
com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a beneficiário,
pessoa física ou jurídica, domiciliado no
país, integrarão a base de cálculo
do Imposto de Renda do beneficiário”.
Segundo Chico Alencar, o benefício teria estabelecido
um “incentivo sem precedentes” para a remessa
de lucros e dividendos ao exterior, o que estaria provocando “sangria
de recursos” e problemas no “balanço
de pagamentos”. Alega-se, além disso, a suposta
existência de capacidade contributiva dos beneficiários,
como argumento para a tributação nestes.
Todavia, cabe lembrar que os lucros e dividendos pagos
a sócios, no Brasil ou no exterior, têm sua
origem em resultados já submetidos à tributação
(IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro
Líquido - CSLL) na pessoa jurídica que fez
a distribuição. A imposição
de uma tributação adicional, com isso, cria
um efeito "em cascata", que desestimula investimentos
futuros, inclusive de outros países, tão
necessários ao Brasil atualmente.
Daí não fazer sentido, inclusive, o argumento
do deputado, de que a tributação de 15% sobre
os lucros e dividendos seria menor que a de 20% sobre as
aplicações em renda fixa, o que autorizaria
presumir que não haveria desestímulo ao investimento.
Referidas aplicações são tributadas
apenas na pessoa do beneficiário dos rendimentos,
enquanto o resultado das empresas que pagam os lucros e
dividendos está sujeito a uma carga tributária,
apenas sobre o lucro, que pode chegar a 34% (IRPJ de 15%,
adicional do IR de 10% e CSLL de 9%).
Com o que, espera-se que o Congresso Nacional, após
a análise dos diferentes pontos de vista, acabe
por rejeitar o referido Projeto de Lei, que apenas prejudicará os
investimentos e, em última análise, a atividade
produtiva no Brasil.
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Última Instância,
3 de agosto de 2008
Justiça garante a federação
de autônomos 15% da contribuição sindical
Eduardo Ribeiro de Moraes
A 4ª Vara do Trabalho de São José dos
Campos (SP) garantiu à Feaac (Federação
dos Empregados de Agentes Autônomos do Comércio
do Estado de São Paulo) o direito ao recebimento do
percentual de 15% da contribuição sindical,
que deve ser repassada pelos sindicatos de classe. Pela determinação,
o código da federação deverá ser
incluído nas guias de recolhimento de contribuição
sindical.
A juíza que proferiu a decisão, Débora
Wust de Proença, considerou que as federações
são entidades sindicais de grau superior, sendo que
a Constituição Federal e a legislação
infraconstitucional não revogaram esta estrutura.
“A contribuição sindical da categoria é devida
na proporção de 15%, conforme estipulado no
inciso II do artigo 589 da CLT e, para tanto, a guia de recolhimento
de contribuição sindical deverá conter
o código da federação”, entendeu
a juíza.
O advogado que ajuizou a ação, Fábio
Zanão, sócio do escritório Fortunato,
Cunha, Zanão e Poliszezuk, diz que, na prática,
do valor recolhido pela contribuição sindical
dos trabalhadores, 60% deve ficar com o sindicato, 15% repassado às
federações, 5% às confederações,
10% à central sindical e 10% ao governo.
“Por questões meramente políticas, muitos
sindicatos não indicam as federações
e confederações que deveriam receber e a CEF
(Caixa Econômica Federal) repassa todos os 40% ao governo”,
afirma o advogado.
Para ele, essa prática das entidades de classe prejudicaria
as atividades das federações e confederações.
Zanão afirma que a própria juíza do
caso não encontrou nenhuma decisão semelhante
para fundamentar a sentença.
“Até então, acreditamos que não
existia nenhuma jurisprudência taxativa sobre o tema,
e o ineditismo da ação deve abranger todas
as outras federações e confederações
que ainda sofrem com esse tipo de ‘sanção’ política
feita pelos sindicatos, responsáveis por indicar os órgãos
que devem receber os repasses”, diz.
Na avaliação da advogada Aparecida Tokumi
Hashimoto, especializada em direito do trabalho, “apenas
recentemente as questões sindicais passaram a ser
da competência da Justiça do Trabalho, o que
faz com que a maioria das decisões possam ser consideradas
inéditas”. Segundo ela, a decisão é de
grande interesse para os sindicatos e as federações.
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