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BEM PARANÁ, 04 de
agosto de 2008 | Economia
Discurso inflamado
Lula diz que está hora de reivindicar
salários
Presidente alega que com crescimento da economia
há dinheiro
Agência Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez hoje um discurso inflamado
durante a posse da nova direção do Sindicato dos Metalúrgicos
do ABC. À centenas de sindicalistas presentes, Lula disse que "esta é a
hora de se reivindicar salários, aumentos de conquistas e mais direitos
trabalhistas". Lula complementou que a economia cresce, os salários
crescem e o emprego sobe como jamais subiu e esse "é o momento
em que você (os trabalhadores) deve conquistar salários".
O presidente disse ainda que é preciso
saber a hora, porque quando a economia deixar de crescer o que o trabalhador
terá é desemprego. "Estou falando quase como presidente
do sindicato, mas é assim mesmo", afirmou. Lula ressaltou,
no entanto, que o mundo vive um momento preocupante. Ele explicou aos
sindicalistas que a crise norte-americana, começou no mercado
imobiliário no ano passado, fará com que os pobres paguem
a conta.
"Eles estavam no cassino
nos Estados Unidos e agora pularam para o mercado especulativo futuro
do petróleo e dos alimentos. Aí veio a inflação
mundial", afirmou. Desta vez, no entanto, segundo o presidente Lula,
o Brasil está mais preparado. Ele reiterou que a crise dos alimentos é um
problema para alguns, mas é uma oportunidade extraordinária
para o Brasil. O governo, segundo ele, está investindo forte em
agricultura a ponto de fazer com que "até aquele nordestino
deixe de plantar macaxeira e tenha máquinas para alimentar o Brasil
e o mundo".
Falando ainda sobre economia,
o presidente citou aos sindicalistas que o investimento privado até 2012
totalizará US$ 400 bilhões e foi listando as obras em andamento
para justificar o bom momento vivido pela economia. Até março
de 2009, disse, serão anunciadas quatro novas siderúrgicas,
duas refinarias de petróleo - uma no Maranhão e outra no
Ceará - e destacou também a licitação do
trem bala Rio-São Paulo-Campinas, investimento no valor de US$
9 bilhões.
Lula disse ainda que serão
investidos US$ 6 bilhões em duas hidrelétricas, além
de uma refinaria em Pernambuco em parceira com a Venezuela. "A palavra
de ordem é aumento do investimento em produção",
disse o presidente, destacando ainda uma nova fábrica da Toyota
em Sorocaba e a intenção da montadora coreana Hyundai abrir
outra fábrica no Brasil. Ainda sobre a questão da inflação,
que ele considera preocupante, Lula disse que o governo está tomando
todos os cuidados necessários para mantê-la sob controle.
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VERMELHO, 04 de agosto de
2008 | Economia
Construção cresce
e leva capacidade instalada a recorde
Com o boom do mercado imobiliário
e o aumento dos investimentos em infra-estrutura, a construção
civil intensificou o ritmo de crescimento neste ano, podendo fechar 2008
com expansão na casa de 10% - o dobro dos 5% do ano passado. O
forte avanço deve ajudar a garantir o terceiro ano seguido de
alta do investimento acima de dois dígitos, mas tem levado o nível
de utilização de capacidade instalada (Nuci) a números
recordes. Com isso, aumentam os riscos de pressões inflacionárias,
decorrentes de descompassos entre a oferta e a demanda.
Nos 12 meses até julho,
o Índice Nacional do Custo da Construção de Mercado
(INCC-M) subiu 10,01%, com variação de 10,96% de materiais
e serviços e 8,95% de mão-de-obra.
O desempenho do segmento neste
ano é impressionante. De janeiro a junho, a produção
de insumos típicos para a construção civil cresceu
9,9% em relação ao primeiro semestre de 2007. No mesmo
período, o faturamento da indústria de materiais de construção
cresceu 28,2%, segundo números da associação do
setor (Abramat).
Com uma expansão tão
forte, o nível de utilização de capacidade instalada
do segmento de material de construção cresceu com força.
Segundo números da Fundação Getúlio Vargas
(FGV), o Nuci atingiu 89,7% em julho, na série com ajuste sazonal,
o nível mais alto desde o começo da série, em 1998.
Num cenário de demanda forte e aumento de custos, aumentam os
riscos de pressão sobre os preços.
O presidente do Sindicato da
Indústria da Construção Civil de São Paulo
(Sinduscon-SP), João Cláudio Robusti não vê uma
situação preocupante em termos de oferta. Pode haver problemas
pontuais, mas nada sistemático, acredita ele. "Com planejamento, é possível
trabalhar sem grandes dificuldades." Robusti diz que a falta de
engenheiros tem sido em parte resolvida com a contratação
de aposentados e até mesmo com a "importação" de
profissionais de outros países. Ele se diz otimista quanto às
perspectivas para o setor neste ano, mas diz que o aumento da inflação
e a alta dos juros já provocam alguma cautela no segmento, tanto
por parte de incorporadoras e construtoras como por parte dos consumidores.
Ainda assim, acredita em alta de 10% para a construção
em 2008.
Fonte: Valor Econômico
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O ESTADO DO PARANÁ,
04 de julho de 2008 | Economia
Emprego teve maior alta desde 1º semestre
de 2005
Agência Estado
O emprego na indústria de transformação teve no primeiro
semestre, segundo a Confederação Nacional da Indústria
(CNI), o maior crescimento desde o primeiro semestre de 2005, quando a expansão
foi de 5,4%. Neste ano, o emprego cresceu 4,4%, na comparação
com o primeiro semestre do ano passado. Segundo o economista da CNI Paulo Mol,
a trajetória de expansão do emprego no setor vem mantendo regularidade
nos últimos três anos. Neste ano, o ritmo de crescimento tem-se
mantido próximo de 4%.
Mol observou que a expansão
do emprego tem ocorrido em praticamente todos os setores da economia, à exceção
dos de madeira, vestuário e material eletrônico de comunicação.
As maiores contribuições se registram nos setores de alimentos
e bebidas e máquinas e equipamentos, que representam quase a metade
da expansão do emprego no primeiro semestre, no setor industrial.
A massa real de salários na indústria, segundo a CNI também
cresce na maioria dos setores, principalmente os de veículos automotores,
alimentos e bebidas e máquinas e equipamentos.
O economista também afirmou
que o elevado índice de utilização da capacidade
instalada registrado em junho, no setor industrial não preocupa,
já que tem se mantido em uma média de 83% nos últimos
nove meses. Para ele, a alta utilização do parque industrial
favorece os novos investimentos: "Os empresários devem sentir-se
estimulados a investir. Isso deve manter a Formação Bruta
de Capital Fixo (FBCF) elevada no próximo trimestre." Mol
disse, no entanto, não acreditar que o elevado índice de
utilização da capacidade instalada possa resultar em restrição
de oferta e ter impacto nas taxas de inflação.
Segundo a pesquisa Indicadores
Industriais, onze setores registraram aumento da capacidade instalada,
em junho desde ano, na comparação com junho de 2007;
seis tiveram queda; e dois mantiveram estabilidade. O setor automotivo
teve, em junho de 2008, a maior taxa de crescimento: registrou uma
expansão de 5 pontos porcentuais em relação a
junho de 2007.
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O ESTADO DO PARANÁ,
04 de julho de 2008 | Economia
Indústria teve melhor 1º semestre
deste 2003, diz CNI
Agência Estado
A indústria de transformação teve o melhor primeiro semestre
desde 2003, quando se iniciou a série histórica dos Indicadores
Industriais, medidos pela Confederação Nacional da Indústria
(CNI). Segundo a entidade, as altas de 8,4% no faturamento real do setor já descontados
os efeitos sazonais e de 5,9% nas horas trabalhadas, no primeiro semestre deste
ano, são os maiores para o período. A utilização
da capacidade instalada, de 83,3% em junho, também é a mais elevada,
desde 2003.
O economista da CNI, Paulo Mol,
afirmou que esse bom momento da indústria foi puxado principalmente
pelo mercado interno. Segundo ele, a massa salarial, os gastos do governo
e o crédito em alta ainda continuam atuando como fatores importantes
na expansão da atividade industrial. Ele lembrou que o mercado
externo tem se deteriorado, por causa da taxa de câmbio, e que
as expectativas dos empresários em relação às
exportações estão se tornando cada vez mais pessimistas.
Mol disse também que a
indústria terá um crescimento forte em 2008, podendo, inclusive,
bater um novo recorde. Mas ele acredita que o ritmo de crescimento no
segundo semestre deste ano será menor que no primeiro semestre,
por causa das expectativas de novas elevações de juros,
nas próximas reuniões do Comitê de Política
Monetária (Copom).
Junho
Em relação
ao mês de junho, Mol afirmou ter sido um mês "bastante
forte" para a indústria de transformação,
depois de certa estabilidade em maio. O economista disse que como o
quadro é de oscilação na atividade industrial,
as avaliações, em relação ao segundo semestre,
devem ser mais cautelosas.
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O ESTADO DO PARANÁ,
04 de julho de 2008 | Economia
Atividade industrial cresceu 2% em
junho, informa CNI
Agência Estado
Após uma acomodação no mês de maio, a atividade
industrial voltou a mostrar expansão em junho. Segundo dados dos indicadores
industriais da Confederação Nacional da Indústria (CNI),
as vendas reais que medem o faturamento do setor cresceram 2% em junho já descontados
os efeitos sazonais, na comparação com maio. Em relação
a junho de 2007, a expansão foi de 10,5%. No primeiro semestre, o faturamento
real da indústria aumentou 8,4% ante o primeiro semestre de 2007.
As horas trabalhadas, indicador
mais diretamente associado à produção, aumentaram
1,5% ante maio pelos dados dessazonalizados. É a maior taxa de
crescimento na comparação com mês anterior desde
setembro de 2003. Na comparação com junho de 2007, as horas
trabalhadas aumentaram 6,6% e acumulam no primeiro semestre expansão
de 5,9%.
O Nível de Utilização
da Capacidade Instalada (Nuci), também em termos dessazonalizados,
subiu de 82,5% em maio, para 83,3% em junho. Em junho de 2007, o Nuci
era de 82,2%. O número de postos de trabalho na indústria
subiu 0,5% em junho ante maio na série dessazonalizada e 4% na
comparação com junho de 2007. No acumulado do primeiro
semestre, o emprego cresceu 4,4%.
Já a massa real de salários
na indústria registrou alta de 5,2% em junho na comparação
com igual mês de 2007 e acumula uma alta de 5,6% no primeiro semestre.
A CNI não divulga esse indicador em termos dessazonalizados na
comparação com mês anterior, mas a massa salarial
sem tirar efeitos sazonais, teve queda de 0,3% em relação
a maio.
Segundo a CNI, essa retração
se deve ao fato de que os salários recebidos pelos trabalhadores
em junho refletem o pagamento das horas trabalhadas em maio, quando
houve acomodação da atividade industrial. Também
reflete o aumento da inflação, que reduz o poder de compra
dos salários.
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AGÊNCIA DIAP, 04 de
agosto de 2008
PREVIDÊNCIA SOCIAL
Mulheres querem que trabalho em casa
conte para se aposentar
O reconhecimento de que o trabalho
não-remunerado realizado pelas mulheres deve ser considerado
fator de garantia do direito ao benefício previdenciário é o
principal tema em discussão, neste sábado (2), no Seminário
Nacional sobre Seguridade Social e as Mulheres.
Promovido por diversos movimentos
sociais de defesa dos direitos das mulheres, o evento começou
na última sexta-feira (1º) e se encerra hoje (3), em Brasília.
Cerca de 50 representantes de vários estados estão reunidas
no encontro para debater formas de ampliar a inclusão das mulheres
no sistema previdenciário especial, que concede benefícios
para categorias que não contribuem para o Instituto Nacional do
Seguro Social (INSS).
Uma das coordenadoras da Marcha
Mundial das Mulheres e do Fórum Itinerante e Paralelo sobre Previdência
Social, Isabel Freitas defende que o governo precisa reconhecer a função
social das mulheres na sociedade. Segundo ela, se o trabalho não-remunerado
das mulheres fosse contabilizado economicamente, representaria algo em
torno de 13% do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todos os bens e
serviços produzidos no país).
“Queremos o reconhecimento
por esse trabalho, da dona-de-casa, da doméstica, da artesã,
da extrativista, e que a Previdência seja universal e todos tenham
direito”, disse. “A nossa luta é para que o governo
brasileiro, que diz que o país está em um momento excelente,
crescendo, com as riquezas se consolidando, tome consciência e
organize um sistema de Previdência que cubra todas as pessoas”,
completou.
A secretária executiva
da Articulação das Mulheres Brasileiras (AMB), Sílvia
Camurça, também acha que a Previdência no Brasil
deveria considerar o trabalho realizado pelas mulheres. “O principal
problema é que a Previdência foi um sistema pensado como
se apenas os homens trabalhassem. Ele tem uma concepção
contributiva, ou seja, pagar para poder receber o benefício”,
argumenta.
“Nós mulheres, historicamente,
fazemos trabalhos sem remuneração. Aquele para a própria
família, doméstico, cuidar da criança, de quem está doente
e, muitas vezes, somos dependentes economicamente e não temos
como pagar a Previdência”, ressalta. “Não contribuímos,
mas trabalhamos. Muitas vezes, desde muito cedo. Em alguns casos, as
meninas começam a trabalhar em casa, cuidando dos irmãos
menores, para que a mãe possa trabalhar fora.”
Sílvia Camurça
enfatiza que “apenas um sistema previdenciário universal,
em que todo mundo que trabalhe possa ter direito ao benefício,
atenderia às mulheres”. “Aquela que trabalha em casa,
sem remuneração, tem que ter o direito de receber o auxílio-doença
caso se acidente e fique sem condições de realizar suas
atividades”, acrescenta.
A gerente de Projetos da Área
de Gênero e Trabalho da Secretaria Especial de Políticas
para as Mulheres, Eunice Léa de Moraes, afirma que ainda há uma
grande dificuldade para as mulheres serem atendidas pela Previdência
Social. “A maioria das mulheres está no mercado informal.
Então, a renda que elas têm vem da informalidade e é muito
difícil contribuir mensalmente. Por isso, elas estão fora
[do sistema previdenciário]”.
Para ela, é importante
discutir a inclusão e a universalização da Previdência, “para
que ela não seja apenas contributiva, mas, na verdade, assegure
os direitos das mulheres em sua maioria”. (Fonte: Agência
Brasil)
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VERMELHO, 04 de agosto de
2008 | Economia
Desemprego na Espanha é o mais
alto em 10 anos
O desemprego na Espanha continuou
a aumentar no mês de julho e chegou a 2.426.916 pessoas, a
cifra mais alta dos últimos 10 anos, informou nesta segunda-feira
(4) em Madri o Instituto Nacional de Emprego (INEM).
Só em julho, 36.492 trabalhadores
se incorporaram às filas dos desocupados, o que equivale a 1,5
por cento acima de junho anterior e constitui o quarto mês consecutivo
de crescimento do desemprego.
Esse volume de novos desempregados é oito
vezes superior ao registrado em julho do ano passado e eleva a quase
meio milhão (23,1 por cento) a quantidade de espanhóis
que ficaram sem trabalho no período de um ano.
O setor que mais empregos perdeu
em julho voltou a ser a construção com 20 mil 321 (5,4
por cento), seguido pelos serviços (12 mil 515), indústria
(quatro mil 923) e a agricultura (mil 33).
Em comparação
com o mesmo mês do ano passado, o desemprego é hoje 43,78
por cento superior entre os homens e 10,36 entre as mulheres, enquanto
os estrangeiros sem trabalho aumentaram 68,59 por cento no mesmo período
de tempo.
Há quatro dias, o Banco
da Espanha anunciou que a economia nacional teve um crescimento quase
nulo no segundo trimestre deste ano ao registrar 0,1 por cento, o que
reduziu o aumento interanual do Produto Interno Bruto a somente 1,8 por
cento.
Segundo a instituição,
as causas principais do desabamento estão na persistência
da crise financeira internacional e o elevado preço do petróleo,
que a sua vez provocam mais incerteza, perda de confiança, menor
consumo e queda do investimento.
Igualmente, o Instituto Nacional
de Estatística informou na quinta-feira passada que a inflação
do mês de julho foi de 5,3 por cento, o nível mais alto
dos últimos 13 anos.
Agência Prensa Latina
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CONSULTOR JURÍDICO,
04 de agosto de 2008
Terceirização e Justiça
Justiça não acompanha
evolução do mercado de trabalho
por Elaine Cristina Reis
A dinâmica da economia
mundial, especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento tecnológico
e a modernização industrial, levou ao surgimento e abertura
de novos seguimentos de negócios especializados na fabricação
de determinadas matérias-primas e fornecimento de determinados
serviços, que antes eram totalmente produzidos ou fornecidos pela
própria empresa responsável pelo produto final.
Isto é, esses produtos
e serviços, anteriormente considerados como parte integrante do
processo produtivo, hoje, são fornecidos por novos segmentos e
empresas especializadas. É a chamada terceirização.
Neste novo modelo, as atividades
essenciais para as empresas anos atrás hoje são consideradas
apenas meio da execução do seu negócio. No entanto,
o desenvolvimento e evolução nem sempre são acompanhados
na mesma velocidade pela legislação trabalhista e pelo
Poder Judiciário.
O crescente desenvolvimento do
fenômeno da terceirização na contratação
de mão-de-obra tem gerado inúmeras reclamações
trabalhistas, que são dispendiosas a todos envolvidos, inclusive
as tomadoras de serviços. E na prática, o que se verifica é que
os tribunais trabalhistas nem sempre acompanham a evolução
dos novos conceitos com a rapidez desejada e muitas dessas inovações
esbarram na limitação legislativa, que consideram como
fraude muitas dessas terceirizações.
Depois de reiteradas decisões
quanto à legalidade da contratação de serviços
terceirizados, o Tribunal Superior do Trabalho editou a Súmula
331, consolidando o entendimento de que é ilícita a contratação
de mão-de-obra para a prática de atividade preponderante
da empresa tomadora de serviços. Assim, formou, nestes casos,
o vínculo de emprego direto.
Esse entendimento esta vinculado
ao disposto no artigo 2º da Consolidação das Leis
do Trabalho (CLT), que estabelece que o empregador é aquele que
assume os riscos da atividade econômica, admitindo e assalariando,
bem como dirigindo a prestação pessoal dos serviços.
Nesse sentido, o entendimento majoritário dos tribunais é de
que a contratação de terceiros para a atividade-fim da
empresa representa a transferência do risco do negócio.
É importante salientar
que, independentemente do tipo de terceirização, caso seja
verificado que o profissional alocado na prestação de serviços
estiver exercendo suas funções de forma pessoal, com habitualidade,
subordinado às ordens e mandamentos da tomadora de serviços,
fatalmente será considerado empregado direto dessa empresa. E
mesmo não havendo qualquer ilegalidade na contratação
de empresa interposta, a tomadora de serviços responderá de
forma subsidiária pelo inadimplemento da prestadora com relação
ao cumprimento das obrigações trabalhistas.
Por todo exposto, é importante
destacar que para que haja o mínimo de segurança na terceirização
não basta cumprir todos os requisitos legais. É expressamente
necessário contratar fornecedores idôneos e capazes de
arcar com todos os ônus inerentes a prestação de
serviços, principalmente os trabalhistas.
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NCST, 04 de agosto de 2008
Justiça comum poderá julgar
ações de acidente de trabalho
Tramita na Câmara a Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) 278/08, apresentada pelo deputado Marcelo Ortiz (PV-SP), que transfere
para a Justiça Federal comum a competência para julgar as ações
de acidentes de trabalho nas causas em que a União, entidade autárquica
ou empresa pública federal forem interessadas. Pela legislação
em vigor, os tribunais de Justiça dos estados são os responsáveis
pelo julgamento dessas ações.
Ortiz lembra que, com exceção
dos acidentes de trabalho, todas as demandas de natureza previdenciária
são julgadas pela Justiça Federal. Com a aprovação
da PEC, observa, os segurados vítimas de acidentes de trabalho
terão garantido o acesso fácil e rápido à Justiça,
principalmente nas causas de pequeno valor. Isso porque, no âmbito
da Justiça Federal as causas de pequeno valor (de até 60
salários mínimos) tramitam no Juizado Especial Federal.
Benefício que não há na Justiça Estadual,
porque a lei (9.099) exclui as causas de acidentes de trabalho da Justiça
Especial Estadual.
Sem desgastes
Além disso, afirma o deputado, a unificação da competência
para a Justiça Federal evitaria os desgastes provocados pelos conflitos
de competência existentes entre a Justiça Federal e as estaduais.
Com a mudança, explica Ortiz, terão fim as dificuldades de padronização
do direito previdenciário decorrentes dos entendimentos proferidos pelos
26 tribunais de Justiça estaduais e do DF. "Toda a matéria
previdenciária ficará concentrada apenas em cinco tribunais regionais",
resume.
Tramitação
A admissibilidade da
PEC será analisada pela Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania (CCJ). Se aprovada, será analisada por
uma comissão especial antes de seguir para votação em
Plenário.
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Vermelho, 4 de agosto de
2008
Alta nos juros vai pesar ainda mais
no orçamento familiar
A alta das taxas de juros bancários
aumenta "sistematicamente" o endividamento e compromete o planejamento
financeiro das famílias. A avaliação é do
economista e professor da Universidade de Brasília (UnB) Roberto
Piscitelli.
Segundo dados divulgados pelo
Banco Central (BC) na semana passada, a taxa média de juros (pessoas
físicas e jurídicas) aumentou 4,2 pontos percentuais no
primeiro semestre, em comparação com o mesmo período
de 2007, e chegou a 38% ao ano em junho.
"A alta nos juros bancários
vai pesar ainda mais no bolso dos brasileiros e vai comprometer ainda
mais o orçamento familiar", disse em entrevista ao programa
Revista Brasil, da Rádio Nacional.
Com a elevação
anunciada na semana passada pelo Banco Central (BC), os juros bancários
representaram em junho 36,5% do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de
todos os bens e serviços produzidos no país), o maior percentual
desde janeiro de 1995. A tendência é continuar subindo,
de acordo com o BC.
Piscitelli afirma que, com alta
da taxa Selic – que iniciou 2008 em 11,25% e já está em
13% ao ano – e o aumento da inflação, as pessoas
que forem renegociar as dívidas terão prazos menores e
uma taxa de juros mais elevada. “Muitas pessoas exageraram na dose
e se endividaram. Agora vão enfrentar dificuldades”, afirma.
Ele conta que um dos principais
vilões dos endividamentos têm sido o cheque especial. Em
junho, os juros da modalidade de crédito atingiram 159,1% ao ano,
chegando próximo da maior marca, a de agosto de 2003 (163,9%). “Cheque
especial é uma das modalidades mais irracionais de obtenção
crédito”, classificou o economista.
Agência Brasil
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FOLHA DE LONDRINA, 04 de
agosto de 2008 | Política
STF vota nesta semana proposta sobre
candidato ficha suja
Brasília - O Supremo Tribunal Federal (STF) julga na quarta-feira a
ação proposta pela Associação dos Magistrados Brasileiros
(AMB) que busca garantir aos juízes eleitorais a possibilidade de negar
o registro de candidatura a políticos conhecidos por ''fichas sujas'',
aqueles que respondem a processo criminal. A AMB já divulgou em sua
página na internet a relação de todos os candidatos a
prefeito de capitais que respondem a processos por corrupção,
lavagem de dinheiro e abuso do poder econômico, entre outros crimes.
Com a intenção
de alertar o STF, o Movimento de Combate à Corrupção
Eleitoral (MCCE) elaborou uma carta de alerta aos ministros do STF. Pedem
que eles levem em conta que ignorar a vida pregressa dos candidatos na
aceitação dos registros é uma decisão perigosa.
O MCCE é composto por
dezenas de entidades, entre elas a AMB, a Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil (CNBB), a Associação dos Juízes
Federais (Ajufe), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Associação
Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e a Federação
Nacional dos Jornalistas (Fenaj). ''Não se trata de antecipar
culpas, mas de fazer valer o chamado princípio da precaução,
que rege o direito eleitoral'', diz parte do documento que seria divulgado
ontem, na sede da CNBB, em Brasília.
Na ação interposta
no STF, a Associação dos Magistrados do Brasil (AMB) pede
que seja derrubada a interpretação majoritária do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de que somente uma condenação
definitiva da Justiça, quando não há mais possibilidade
de recurso, pode impedir um político de disputar as eleições.
O relator da ação no STF é o ministro Celso de Mello.
Se a decisão do STF for favorável à ação
da AMB, as repercussões na eleição do dia 5 de outubro
serão imediatas, porque os juízes poderão impugnar
as candidaturas até o dia 16 de agosto. Para todas as impugnações
há a possibilidade de recursos aos TREs e ao TSE, na instância
final.
João Domingos
Agência Estado
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Congresso em Foco, 4 de agosto
de 2008
Congresso à deriva para
o “esforço concentrado”
Após recesso, líderes da
Câmara e Senado farão reunião para tentar chegar
a um acordo sobre votações
Erich Decat
Nesta semana o Congresso retoma suas atividades, após duas semanas de
recesso. Apesar de contar com uma pauta carregada de propostas de interesse
dos cidadãos, os parlamentares ainda não chegaram a um consenso
sobre quais matérias devem ser votadas antes das eleições
de outubro. Contudo, os congressistas destacam que as matérias mais
polêmicas ficarão para depois do pleito municipal.
Ou seja, temas como reforma tributária,
criação da Contribuição Social para Saúde
(CSS), regulamentação dos grampos (interceptação
telefônica), fim do voto secreto para parlamentares, e novas regras
para o rito das medidas provisórias (MPs) não devem constar
na pauta do “esforço concentrado” - período
antes das eleições em que os parlamentares analisarão
propostas.
Nesta terça-feira (5),
os líderes do Senado e da Câmara se reunirão, nas
respectivas Casas, para tentar chegar a um acordo sobre a pauta do “esforço
concentrado”. Contudo, alguns líderes consultados pelo Congresso
em Foco não estão otimistas em relação à produtividade
do Parlamento nesse período.
“Na minha concepção
não acredito que vote muita coisa, no máximo as medidas
provisórias que estão na pauta e os projetos de urgência.
Não vejo, sinceramente, como fazer uma coisa corrida”, ressaltou
o deputado Mário Heringer (PDT-MG), líder do bloquinho
na Câmara.
Já o vice-líder
do DEM na Casa, Ronaldo Caiado (GO), joga para o governo a responsabilidade
pela presença dos deputados nas sessões. “O governo é que é responsável
por botar quórum”, destacou. Questionado sobre quais pontos
deveriam ser acordados na reunião de líderes, Caiado foi
taxativo: “Não podemos fazer diagnóstico de véspera”.
A indefinição de
como será o desenrolar das atividades no Congresso também
recai sobre os senadores. “Não está nada definido,
ainda não tem uma estratégia definida”, disse o líder
do DEM no Senado, José Agripino (RN).
Já a senadora Ideli Salvatti
(SC), líder do PT no Senado, aposta em uma conversa entre deputados
e senadores para a concretização de uma agenda propositiva
para os próximos meses. “Acho mais produtivo ter esforço
concentrado do que diluído. Se deixa diluído, acaba se
produzindo menos. Acredito que as duas Casas terão de chegar a
um consenso para o andamento das atividades”, considerou. “O
que não tiver consenso, não será votado”,
complementou.
Apesar de contar com um acordo
entre os congressistas, Ideli desconsiderou a iniciativa do colega de
partido e presidente da Câmara, Arlindo Chináglia (SP),
de convocar sessões deliberativas (com votação)
para as próximas duas semanas. O petista ameaça cortar
os salários dos deputados faltosos. “O que o Chinaglia quer
nem sempre é o que vem acontecendo. Vamos aguardar”, ponderou
Ideli.
Arlindo Chinaglia enviou na última
semana correspondência para cada um dos 512 deputados informando
que as sessões serão realizadas nos dias 4, 5, 6, 7, 12,
13 e 14 de agosto. A mesma medida – envio de telegramas convocando
os pares – também foi usada no período das festas
juninas pelo petista, que encerra o mandato de presidente da Câmara
no início do próximo ano.
Os reflexos do período
eleitoral na produtividade do Congresso podem ser percebidos principalmente
na Câmara, onde 84 parlamentares são candidatos. Conforme
levantamento feito pelo Congresso em Foco, a média de deputados
faltosos no primeiro semestre desse ano atingiu 15,41%. Um índice
quase dois pontos percentuais superior ao que foi verificado na última
pesquisa do site, quando houve ausência de 13,88% durante todo
o ano de 2007 – período em que não houve eleições.
Pautas trancadas
Contudo, os parlamentares precisam
limpar a pauta de votações das duas Casas do Congresso,
trancadas por MPs, antes de deliberaram qualquer outra proposta. Em meio à indefinição
de como se desenvolverão as atividades, quatro medidas provisórias
e dois projetos de lei, que tramitam em caráter de urgência,
trancam a pauta da Câmara.
Entre as MPs que prometem maior
embate está a 433/08, que renegocia a dívida rural. Atualmente,
o débito do setor chega a cerca de R$ 87 bilhões, sendo
que R$ 74 bilhões são de grandes produtores e R$ 13 bilhões
provêm da agricultura familiar. “A proposta do governo é 100%
eleitoreira. Não tem nada a ver com o setor. Não vamos
aceitar isso”, afirmou Caiado.
Outras duas MPs (435/08 e 436/08)
também passam a trancar a pauta a partir do dia 25 deste mês,
caso não sejam apreciadas. A primeira dispõe sobre a utilização
do superávit financeiro (economia feita para o pagamento de juros
da dívida de um governo) em 31 de dezembro de 2007. Já a
436/08 adia de 25 de junho de 2008 para o início de 2009 a entrada
em vigor dos incentivos tributários ao setor de bebidas.
Por sua vez, o plenário
do Senado inicia as atividades com 53 itens para serem votados. Constam
como prioridade na pauta três MPs transformadas em projetos de
lei de conversão (PLVs). O PLV 18/08 acrescenta novas ferrovias
ao Plano Nacional de Viação (PNV), amplia outras já existentes
e extingue a Empresa Brasileira de Planejamento de Transporte.
O PLV 19/08 altera a legislação
tributária federal com o objetivo de implementar um conjunto de
medidas para a política de desenvolvimento do país. A proposta
também prevê a redução de 5% das alíquotas
do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre produtos
comum do Mercosul. O terceiro projeto, o PLV 20/08, autoriza a União
a participar do Fundo de Garantia para a Construção Naval
(FCGN).
Regulamentação dos grampos
Nascida no calor das investigações
da Operação Satiagraha, a proposta do Executivo (PL 3272/08)
que normatiza a quebra de sigilo das comunicações telefônicas,
para fins de investigação criminal e instrução
processual penal, também ganha espaço nos debates do plenário
da Câmara.
A pedido do Ministério
de Justiça, o presidente Lula determinou caráter de urgência
na votação da proposta. A manobra assegura uma votação
teoricamente mais rápida, uma vez que o projeto não precisará,
necessariamente, passar pela apreciação das comissões,
indo direto para o plenário. Caso não seja apreciado em
45 dias, o PL passa a trancar a pauta.
“O que nós queremos é que
seja regulamentada essa questão logo. Estamos fazendo do Brasil
um verdadeiro Big Brother. Acho que essa discussão não
vai acarretar em atraso na votação das propostas que já estão
no plenário”, avalia deputado Mário Heringer (PDT-MG).
CPI dos Grampos e Conselho de Ética
No âmbito das comissões
da Câmara, a CPI dos Grampos realiza, nesta semana, uma série
de reuniões para ouvir os envolvidos na Operação
Satiagraha. Na quarta-feira (6) o delegado federal Protógenes
Queiroz, responsável pela operação, deve se pronunciar
sobre os motivos de as escutas telefônicas da operação
terem durado dois anos.
Na quinta-feira (7), o convidado é o
delegado Élzio Silva, responsável pela Operação
Chacal, que investigou a suposta espionagem da empresa Kroll contra a
Telecom Itália. No dia 12 de agosto, terça-feira, deve
se pronunciar o juiz Fausto de Sanctis, autor dos pedidos de prisão
de Daniel Dantas, referente à Operação Satiagraha.
No dia seguinte, quarta-feira (13), será a vez de Dantas, dono
do Banco Opportunity, prestar depoimento. O banqueiro foi convocado por
ser suspeito de ter encomendado à empresa Kroll o monitoramento
das ligações telefônicas de ex-integrantes do governo.
Sem um calendário ainda
definido, o Conselho de Ética da Casa deve ouvir 15 testemunhas
sobre o possível envolvimento do deputado Paulo Pereira da Silva
(PDT-SP), o Paulinho da Força, em esquema de fraudes realizado
no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Segundo o relator do processo
contra Paulinho, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), apenas hoje ele poderá verificar
quais testemunhas confirmaram ou não a presença nos depoimentos.
Ao contrário de uma CPI, o Conselho não tem poder de convocação,
podendo apenas convidar as testemunhas para depor. “A denúncia
tem falhas muito graves do ponto de vista jurídico. É um
processo que está sendo muito questionado, mesmo que não
fosse nesse período as decisões ficam em banho-maria”,
ressalta Nogueira.
Marcos regulatórios
A líder do PT no Senado
ressalta que um dos principais embates que devem ocorrer na Casa no segundo
semestre diz respeito à definição do marco regulatório
dos royalties do setor de gás e petróleo.
“Como e quem vai se apropriar
dessas novas descobertas [de óleo leve na camada pré-sal
da Bacia de Santos (SP)], terá que ser definido? Acredito que
o Senado deve aguardar a posição interministerial que vem
estudando a respeito”, avalia Ideli. Atualmente, existe 27 projetos
sobre o tema tramitando no Senado. Segundo a senadora, a tendência é unificá-los
para uma apreciação conjunta posterior.
Outros três projetos de
destaque da pauta do plenário dizem respeito ao meio ambiente.
Entre eles está o PLS 32/08, que dispõe sobre a Política
Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação
e aplicação.
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Gazeta do Povo, 4 de agosto
de 2008
Eleições 2008
Candidatos declaram gastos superestimados
A partir de uma pesquisa feita pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE),
pode-se ter uma estimativa do limite de gastos dos partidos na campanha dos
candidatos a vereador de Curitiba. As quantias que foram informadas ao Tribunal,
argumentam os partidos, não condizem com aquilo que realmente será gasto.
Os valores apresentados representariam o limite de gastos de cada candidato.
As verbas informadas ao Tribunal variam de R$ 100 mil até R$ 2,5 milhões.
O presidente municipal do DEM, Osmar Bertoldi, explicou que os partidos “superestimam
os gastos” para evitar problemas burocráticos com o TRE e frisou
que cada candidato coordena a arrecadação de sua campanha. “É preciso
deixar claro que cada um (candidato) é responsável pelo financiamento
de sua campanha. O partido não recebe doações. Cada um
possui um recibo eleitoral e vai em busca de apoio”, destacou Bertoldi.
Segundo o levantamento
do TRE, o PTC foi o partido que indicou a maior projeção
de doações: R$ 2,5 milhões. Com nove candidatos
na disputa por uma cadeira na Câmara, a legenda pode arrecadar
até R$ 22,5 milhões.
Já o PMN informou que as doações podem chegar a R$ 2 milhões
para cada um dos 43 candidatos, ou seja, R$ 86 milhões. No entanto,
o presidente municipal do PMN, Augusto Gonçalves Filho, explicou que
esses dados foram repassados ao TRE com a intenção de não
limitar os valores das doações para cada candidato. “Apresentamos
essa quantia (R$ 2 milhões) para possibilitar uma grande doação,
mas, provavelmente, teremos R$ 100 mil para financiar a campanha de todos os
nossos candidatos a vereador”, afirmou Gonçalves Filho.
O levantamento do TRE demonstrou também quais são os partidos
com o maior número de candidatos a uma vaga na Câmara Municipal.
Em primeiro lugar aparece o PSDB, com 71 concorrentes, seguido por PDT com
70, PPS com 60 e o PSB com 55. O PT, o PMDB e o DEM têm 53 candidatos
a vereador cada um. Do outro lado da tabela, figuram o PSTU – que não
apresentou nenhum candidato –, o PTN – com apenas um concorrente –,
o PCB e o PRP – que registraram dois candidatos –, o PSOL com três,
o PTdoB PR com quatro e o PHS com cinco.
Os limites de gastos do PSDB, PDT, PPS, PSB, PT, PMDB e DEM variam de R$ 300
mil a 700 mil para cada candidato. No PSDB o teto indicado ao TRE foi de R$
650 mil, multiplicando-se essa quantia pelos 71 concorrentes, a arrecadação
chegaria, no máximo, ao montante de R$ 46,15 milhões. No PDT,
a verba unitária é de R$ 500 mil, sendo assim o gasto máximo
com a campanha dos 70 candidatos a vereador seria de R$ 35 milhões.
O PPS afirmou que o limite seria de R$ 300 mil, sendo assim, os 60 candidatos
poderiam arrecadar até R$ 18 milhões com doações.
No PSB o limite de gastos é de R$ 500 mil para cada um dos 55 concorrentes.
Pelos números, as doações para a campanha não podem
ultrapassar R$ 27,5 milhões. Já no DEM, no PT e no PMDB, com
53 candidatos a vereador em cada partido, as verbas unitárias informadas
ao Tribunal são de até R$ 700 mil, R$ 500 mil e R$ 350 mil, respectivamente.
Logo, as verbas das campanhas de todos os veradores democratas poderão
ser de até R$ 37,1 milhões; 26,5 milhões no PT; e de R$
18,55 milhões dos candidatos do PMDB.
Os partidos com as menores verbas repassadas ao TRE são o PSL e o PSTU,
com R$ 2 mil e R$ 10 mil, respectivamente, para cada candidato. O PSL terá 51
candidatos e um limite de gastos de R$ 102 mil. Segundo o presidente municipal
da legenda, Paulo Morais Klippel, a grande concorrência que os candidatos
do partido enfrentam tem de ser superada a partir do apoio das bases locais. “No
PSL a campanha é na base da ‘sola de sapato’. Os votos são
conquistados nas proximidades. São os moradores da região que
nos apóiam, até porque não temos dinheiro para fazer uma
campanha cara”, afirmou Klippel.
De acordo com o TRE, os concorrentes do PSTU teriam até R$ 10 mil para
investir em suas candidaturas. No entanto, não foram inscritos candidatos
do próprio partido, apenas da coligação.

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FOLHA DE LONDRINA, 04 de
agosto de 2008 | Opinião
Existe futuro sim, após a demissão
Perder o emprego não é fácil,
mas pode representar boa oportunidade. Veja como beneficiar-se desse
momento de crise
Poucos acontecimentos podem
abalar tanto uma pessoa quanto a demissão. Ela pode fazer o trabalhador
duvidar de suas competências e afetar a auto-estima, mas não
precisa ser vista apenas como vilã. A demissão pode ser
o empurrão que faltava para a correção de trajetória
da carreira.
O importante nessa hora é saber
como dar a volta por cima. Para a consultora de RH Gláucia Santos,
da Catho Online, a primeira providência é manter a calma
e procurar tirar uma lição desse momento. ''Identifique
erros até mesmo para que não volte a cometê-los.
Avalie se não foi uma questão de estratégia da empresa,
por exemplo. É importante ter isso bem claro para que não
se deprima em virtude da demissão.''
Como nem sempre os motivos são
claros para o funcionário, é importante que ele procure
ter um retorno do gestor e até mesmo de colegas mais próximos
para identificar os possíveis motivos.
''Esse retorno é útil
até mesmo para que o profissional deixe uma boa imagem e saia
com as portas abertas, pensando no futuro, quando uma outra empresa pode
pedir referências para o ex-empregador'', observa Gláucia.
Após passar meses, ou
até muitos anos, convivendo ao lado das mesmas pessoas, é de
bom tom despedir-se dos antigos colegas adequadamente. Evite críticas
de última hora motivadas pela demissão. ''Independentemente
do motivo, é essencial que a pessoa notifique os outros profissionais. É importante
até por uma questão de comprometimento com os colegas de
trabalho.''
Mesmo assim, não se deve
entrar em detalhes sobre o que aconteceu. Nesta carta de despedida, que
precisa ser encaminhada para pessoas de outros departamentos e clientes
externos, deve constar a informação, a data do desligamento
e o contato da pessoa que será responsável por aquelas
funções que o profissional desempenhava. Para os colegas
mais próximos, é interessante passar um e-mail com seus
contatos pessoais, até mesmo para fortalecer a rede de relacionamento.
Depois da tempestade...
Muitas pessoas cumprem algum
período de trabalho após a demissão, mas aproveite
seu primeiro dia totalmente livre para se acalmar, pensar nos pontos
que requerem melhoria e na forma de buscar o novo emprego.
Invista em oportunidades e inicie
o networking imediatamente. ''O fato de recorrer a pessoas conhecidas
que já acompanham seu trabalho é uma ótima referência.''
Por isso, é importante
que seus contatos saibam, o quanto antes, que você está disponível,
para poderem indicá-lo no caso de alguma oportunidade. Outro passo
importante é começar a buscar vagas e enviar currículos.
Para quem trabalhou durante muitos anos em um segmento específico,
a dica é começar a procurar uma recolocação
nesta mesma área.
Quanto mais tempo o profissional
passa longe do mercado, mais difícil fica a recolocação.
O ideal é não ficar mais do que seis meses inativo, pois
após este tempo muitas empresas consideram que a pessoa pode
estar desatualizada ou passam a se questionar sobre o motivo pelo qual
este profissional ainda não conseguiu se recolocar.
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FOLHA DE LONDRINA, 04 de
agosto de 2008 | Opinião
O ideal é buscar algo satisfatório
A consultora de RH Gláucia Santos defende que, se o profissional já não
estava satisfeito com a atividade que desenvolvia ou com a área de atuação,
a demissão pode ser ''um bom momento para repensar sua carreira e ver
se isso é realmente o que ele deseja.''
É importante pensar que
a demissão é um começar do zero, seja em uma nova
carreira ou em um novo emprego. Investir na formação e
procurar atualização em cursos de especialização
melhora a empregabilidade.
Aceitar a primeira proposta de
emprego que aparecer não é a opção mais adequada,
caso você tenha condições financeiras de aguardar
uma outra proposta.
''Se pensarmos em um profissional
que teve uma carreira ascendente até então, aceitar uma
proposta para um cargo que exige menos dele profissionalmente será avaliado
em oportunidades futuras. O ideal é buscar algo realmente satisfatório,
que contribua para sua carreira.'' (C.S.)
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Folha de S.Paulo, 4 de agosto
de 2008
ENTREVISTA DA 2ª | LINA MARIA VIEIRA
Nova secretária da Receita quer
maior número de alíquotas no IR
Para substituta de Jorge Rachid, duas alíquotas
apenas sobrecarregam muito aqueles que ganham menos
PRIMEIRA MULHER a assumir a Receita
Federal, Lina Maria Vieira, 57, diz que será uma "leoa com
os sonegadores, com os maus contribuintes". Em sua primeira entrevista
no cargo, na manhã do último sábado, ela disse à Folha
que considera necessário ampliar o número de alíquotas
do Imposto de Renda das pessoas físicas, atualmente de 15% e 27,5%. "Acho,
sim, necessário aumentarmos a progressividade na tributação
do Imposto de Renda das pessoas físicas."
ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A nova secretária
da Receita não deu detalhes do modelo que considera mais adequado
para o IR das pessoas físicas. A elevação do número
de alíquotas é defendida pelo PT, mas sempre encontrou
resistência na cúpula da Receita durante a gestão
de Jorge Rachid, demitido do cargo na quinta-feira. Entre as medidas
que defende para ajudar na fiscalização, está a
volta da CPMF, chamada agora de CSS (Contribuição Social
da Saúde). "Para efeito de controle e cruzamento de informações,
mesmo que seja uma alíquota de 0,0001%, para a Receita é importante,
mas como instrumento de controle." Ela adiantou que recebeu como
missão da Fazenda preparar um "pacote de simplificação" fiscal
e avisou que pretende acompanhar de perto as discussões no Congresso
Nacional sobre a reforma tributária enviado pelo governo Lula.
A seguir, os principais trechos da entrevista.
FOLHA - Como é ser a primeira mulher a assumir a Receita?
A sra. se sente uma "leoa"?
LINA MARIA VIEIRA - Venho trabalhando na administração tributária
ao longos dos últimos 30 anos. No início da carreira eu era muito
técnica. Depois, assumindo cargos, fui adquirindo tarimba na área
de gestão, melhorando o relacionamento com entidades empresariais, com
os demais órgãos do Ministério da Fazenda, com as secretarias
de Fazenda dos Estados. Agora, essa coisa da "leoa" é uma
marca da época do grande [Francisco] Dornelles [atual senador pelo PP-RJ].
Nesse caso, sou uma "leoa" sim, mas com os sonegadores, com os maus
contribuintes. Serei implacável na defesa da sociedade.
FOLHA - A sra. vai tentar fazer com que os brasileiros entendam
por que eles pagam tributos?
VIEIRA - Levantei a bandeira da educação fiscal na 4ª Região
[Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte], que é um
trabalho demorado, mas precisamos iniciá-lo. Criamos a frase: "Receita
Federal do Brasil: um leão em defesa da sociedade", para melhorar
a imagem da Receita com a sociedade, para que ela entenda nossa função,
mostrando que todo trabalho de combate à sonegação, ao
contrabando, ao descaminho e à pirataria é uma proteção à indústria
e ao comércio nacionais. É preciso também fazer um trabalho
profundo para que as pessoas comecem a entender que elas pagam tributo, ele
não cai do céu, é pago por todo cidadão e temos
de ter o conhecimento e a capacidade de cobrar dos gestores públicos
a boa aplicação dos recursos. De nada adiante bater recordes
de receita se você não trabalha a qualidade do gasto.
FOLHA - A sra. acha que há espaço para novas
desonerações?
VIEIRA - Um dos pontos que nós trazemos para esta gestão na Receita é exatamente
trabalharmos a simplificação, a desburocratização
e a desoneração. Vamos fazer um pacote de simplificação,
apresentar isso ao ministro [Mantega] para que consigamos melhorar a relação
do fisco com a sociedade. É desejo do presidente Lula e uma das determinações
que recebi do ministro.
FOLHA - A sra. pode adiantar as medidas desse pacote?
VIEIRA - A primeira já foi lançada: é o fim da declaração
para os isentos. Há algum tempo a Receita vinha trabalhando com a visão
de que isso trazia demanda desnecessária no atendimento. O próximo
passo é melhorar a qualidade nos centros de atendimento. Nossa missão é prestar
um atendimento de excelência ao cidadão. Há outros projetos,
como o Simples Nacional, em tramitação, com a inclusão
de novas atividades.
FOLHA - A sra. vai discutir o Supersimples com o Congresso?
VIEIRA - Vamos lá já nesta semana levar algumas sugestões
que foram discutidas com os secretários estaduais e a Receita. Num primeiro
momento, defendo a criação de um modelo feito no Rio Grande do
Norte, chamado "Contribuinte Cidadão", para dar dignidade às
pessoas que estão no comércio, mas na informalidade, como sacoleiros,
pequenos feirantes e barraqueiros. No Estado, eles têm isenção
do pagamento de ICMS até R$ 36 mil [de faturamento], mesma medida discutida
no Congresso com a criação do MEI (microempresário individual).
Existem outros pontos que foram levantados, como a inclusão de outras
atividades [no Simples Nacional].
FOLHA - Mas a sra. foi contra o Supersimples?
VIEIRA - Fui contra alguns dispositivos. Acredito que o Brasil não pode
ser "vestido" com tamanho único. Nossas diferenças
regionais e econômicas são gritantes. Conseguimos com muito êxito
-quando eu era coordenadora do Confaz- incluir três limites: para os
Estados que tinham até 1% do PIB, até 5% e acima de 5%, em vez
do limite único de R$ 2,4 milhões. Não passava pela cabeça
de ninguém ter um limite único para São Paulo e para o
Piauí, por exemplo. Isso era inaceitável. Eu era contra alguns
dispositivos, eram coisas lógicas.
FOLHA - O que a sra. acha de o Imposto de Renda das pessoas
físicas ter apenas duas alíquotas? É possível
aumentar esse número?
VIEIRA - Precisamos aumentar [o número de alíquotas]. Se estamos
aí para fazer justiça fiscal, essa é uma justiça
que tem de ser feita. Temos de estudar. É coisa de sentar com a equipe
da Receita. Talvez eles tenham algum estudo, mas acho, sim, necessário
aumentarmos a progressividade na tributação do IR das pessoas
físicas.
FOLHA - Para aumentar a progressividade o que a sra. considera
mais adequado: criar alíquotas intermediárias ou superiores
a 27,5%?
VIEIRA - Em relação a essas alíquotas, nos demais países
elas são bem maiores, há um alargamento dessas alíquotas.
Precisamos enxergar que [no Brasil] apenas duas alíquotas sobrecarregaram
muito aqueles que têm renda menor. Vou ter de me respaldar nesses estudos,
nas experiências internacionais, para firmar uma convicção
do que é melhor. Certamente vamos ter de fazer a ampliação
dessas alíquotas, em termos de números. É necessário, é um
clamor da sociedade.
FOLHA - O governo avalia isso?
VIEIRA - Minha posição vai ter de se coadunar com as intenções
do governo, não posso fazer isso sozinha. A Receita dá o estudo
técnico. Pessoalmente, acho que é necessário ampliar [o
número de alíquotas].
FOLHA - A criação do imposto sobre grandes fortunas também
pode ajudar na progressividade?
VIEIRA - Há muito tempo já existem dispositivos nesse sentido
que nunca foram regulamentados. Há necessidade de aprofundamento desses
estudos para vermos o que é melhor. Já existe a tributação
estadual [através do Imposto sobre Transmissão "Causa Mortis" e
Doações]. É algo que, se tiver de ser implementado, vai
haver uma discussão muito ampla sobre isso. Neste momento, é melhor
eu não opinar porque estamos vivendo um momento de muita especulação.
FOLHA - Alguns Estados adotaram programas de devolução
de parte do ICMS para estimular as pessoas a pedir nota fiscal. É possível
adotar esse mecanismo na esfera federal?
VIEIRA - No plano federal acho mais complicado. O que queremos é essa
parceria com os Estados e, nesse sentido, temos como apoiá-los nesse
processo que eles já vêm desenvolvendo no combate à sonegação.
FOLHA - Qual a opinião da sra. sobre a carga tributária brasileira
próxima de 37% do PIB?
VIEIRA - A carga tributária vem crescendo, mas também é preciso
deixar claro que a eficiência da Receita, o crescimento da economia,
o ganho das pessoas, tudo isso reflete em melhoria da arrecadação.
O trabalho do "leão" da Receita é proteger a nossa
indústria. Quando trabalhamos [contra] a sonegação e a
concorrência desleal, estamos dando condições ao comércio
nacional de crescer.
FOLHA - Tendo sido secretária de Fazenda do Rio Grande do Norte, a sra.
acha que o governo tem de ampliar a participação de Estados e
municípios nas contribuições federais?
VIEIRA - Essa é uma discussão muito grande no Confaz. A reforma
tributária certamente vai trazer à discussão todos esses
pontos. Temos de enxergar as atribuições inerentes aos municípios,
aos Estados e à União, e colocá-los em condições
de atender a sociedade plenamente. A preocupação maior é que
todos os entes federados tenham condições adequadas de atender
a sociedade, porque há um clamor muito grande por saúde de qualidade,
educação, segurança e infra-estrutura. Temos de ver o
que cabe a cada um ao dividir o bolo do que se arrecada.
FOLHA - A sra. já tem alguma idéia para reduzir a sonegação
no país?
VIEIRA - Precisamos fortalecer o relacionamento com as secretarias estaduais. É como
o combate ao crime organizado: você não combate só, precisa
de toda a força policial junto. Com a sonegação é a
mesma coisa. A Receita, sozinha, não vai conseguir combatê-la,
mas, aliada a outros atores, como as secretarias dos Estados e dos municípios,
com todo o corpo fiscal, temos condições de montar um projeto
forte.
FOLHA - O que a sra. acha da recriação da CPMF, agora como CSS?
VIEIRA - Para efeito de controle e cruzamento de informações,
mesmo que seja uma alíquota de 0,0001%, é importante, mas como
instrumento de controle para a Receita Federal.
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FOLHA DE LONDRINA, 04 de
agosto de 2008 | Economia
Construção civil é o
segundo em acidentes de trabalho
Brasília - Apesar de não ocupar mais o primeiro lugar entre os
setores econômicos com o maior número de acidentes de trabalho,
a indústria da construção, no Brasil, mantém elevados índices
de ocorrências, perdendo apenas para o setor rural. Mesmo com os esforços
de governo nas três esferas - que resultaram, por exemplo, na revisão
das normas de segurança - e de entidades de classe, o registro de ocorrências,
em geral, vem crescendo em termos absolutos.
O número de acidentes
de trabalho em todo o país cresceu entre 2004 e 2006, passando
de 465.700 para 503.890. Os dados referentes à construção
civil ficaram nesse mesmo período, em 28.875 e 31.529, respectivamente.
O percentual de acidentes no setor para os dois anos é o mesmo,
6,2%. Em 2005, de um total de 499.680 ocorrências no Brasil, 29.228
(5,8%) foram na construção civil. Os números de
2007 ainda não foram divulgados.
Para o engenheiro e consultor
do Ministério Público do Trabalho (MPT), Sérgio
Antonio, embora a análise das estatísticas deva levar em
conta o crescimento da atividade produtiva, o setor de construção é uma área
que ''necessita de bastante atenção''.
De acordo com o consultor, no
mundo inteiro, a maior causa de acidentes fatais na construção é a
queda de trabalhadores e também de material sobre os funcionários.
O segundo fator são os choques elétricos e o terceiro,
soterramentos.
Alex Rodrigues
Agência Brasil
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Agência Diap, 4 de
agosto de 2008
RELAÇÕES DE TRABALHO
Assédio moral é vilão
dos escritórios, mas é preciso resistir
O crescimento econômico,
a competitividade e a pressão para produzir com qualidade e baixo
custo trouxeram à tona um novo vilão dos tempos modernos:
o assédio moral. Muitas vezes maquiada sob a forma de brincadeiras
- uma vaia coletiva por não ter alcançado um objetivo,
por exemplo - a agressão reduz a produtividade das empresas, gera
doenças emocionais e físicas e bombardeia as relações
sociais.
De acordo com o advogado trabalhista e previdenciário George Ellis Kilinsky
Abib, algumas categorias sofrem mais com o assédio. "Os bancários
e as mulheres têm se revelado as maiores vítimas. Isso em razão
da pressão que a instituição exerce para que os empregados
gerem lucros constantes".
Foi o caso de uma funcionária de um banco do setor privado. Após
voltar de uma licença de 180 dias por conta do diagnóstico de
Lesão por Esforço Repetitivo (LER), foi recebida pelo supervisor
com palavras de hostilidade.
" Porque você não volta para o INSS? Com você, o banco
só tem despesas". Em junho deste ano, o Tribunal Regional do Trabalho
(TRT) condenou o banco pagar R$ 150 mil à funcionária. Na decisão,
publicada no último dia 28 de junho de 2008, o TRT reconheceu que as práticas
do banco foram de assédio moral no trabalho.
A bancária - que pediu para não ter o nome divulgado - trabalhava
na instituição desde 2000. Em 2005, precisou afastar-se por motivo
de saúde e, quando voltou, em 2006, começou o pesadelo: foi colocada
em uma mesa próxima à porta do banco, distante dos demais funcionários
e era tratada com hostilidade pelo supervisor.
Na gaveta
Ela conta que já teve a assinatura em um documento falsificada, a gaveta
com pertences pessoais e de trabalho remexida e, quando reclamava da dor por
estar digitando, era chamada de "fresca". O pior momento, segundo
ela, foi quando recebeu uma carta de advertência do supervisor, após
ter reclamado do episódio da gaveta.
Instruída pelo sindicato a não assinar o papel, a bancária
entrou com o processo e ganhou. "Na época, o gerente fazia reuniões
e falava com os caixas: 'Vocês têm que vender. Se vocês não
venderem, não servem para o banco'", conta.
A bancária diz que hoje muita coisa mudou no trabalho. O supervisor
entrou em acordo com o banco e não trabalha mais na agência. Há também
um novo gerente, que, segundo ela, tornou o ambiente mais leve. Lembrando-se
do que sofreu, ela recomenda. "Não importa em qual empresa você trabalha,
se você se sentir hostilizado, procure seus direitos".
As indenizações
por assédio moral são recorrentes e as condenações
também. Em geral, nessas situações, a Justiça
tarda, mas não falha.
1. Doação
Um homem trabalhava como supervisor de uma grande empresa e foi obrigado a
desistir de receber R$ 46 mil da empresa, após ganhar uma ação
judicial. "A vítima foi 'aconselhada' a doar o dinheiro para uma
fundação da empresa, sob pena de ser dispensado". Ele doou,
mas perdeu o dinheiro e o emprego. Então, recorreu à Justiça,
que reconheceu o assédio e condenou a empresa a devolver-lhe a doação
R$ 46 mil, além de outros R$ 50 mil, a título de danos morais.
2. Coletivo
No início deste mês, a Companhia de Bebidas das Américas
(Ambev) entregou dois veículos à Superintendência Regional
do Trabalho no Rio Grande do Norte, para uso em fiscalização.
A doação faz parte de indenização por dano moral
coletivo no valor de R$ 1 milhão, prevista no acordo extrajudicial.
A empresa também comprometeu-se a não utilizar prática
discriminatória contra seus empregados e realizar campanha sobre o assédio
moral.
Dicas
Junte provas
Ô nus. Segundo os advogados George Ellis Kilinsky Abib e Cleone Heringer,
nos processos de assédio moral, a empresa em que ocorre o fato é quem
paga o ônus. Veja alguns procedimentos que o trabalhador deve tomar:
Antes de tudo, procurar um advogado de confiança para, de forma reservada,
ser orientado sobre o que fazer diante da situação.
Anotar com detalhes todas as humilhações sofridas - dia, mês,
ano, hora, local ou setor, nome do agressor, colegas que testemunharam, conteúdo
da conversa.
Dar visibilidade ao fato, procurando a ajuda dos colegas, principalmente daqueles
que testemunharam o fato ou que já sofreram humilhações
do agressor.
Evitar conversar com o agressor, sem testemunhas. Ir sempre com colega ou representante
sindical.
Exigir, por escrito, explicações do ato agressor e permanecer
com cópia da carta enviada ao Departamento pessoal.
Órgão prevê duas "décadas
de mal-estar"
A violência moral no trabalho é um
fenômeno internacional, segundo levantamento da Organização
Internacional do Trabalho (OIT). A pesquisa aponta para distúrbios
da saúde mental relacionado com as condições de
trabalho em países como Finlândia, Alemanha, Reino Unido,
Polônia e Estados Unidos. As perspectivas são sombrias para
as duas próximas décadas, pois, segundo a OIT e a Organização
Mundial da Saúde, estas serão as décadas do "mal-estar
na globalização", quando predominarão depressões,
angustias e outros danos psíquicos, relacionados com as novas
políticas de gestão na organização de trabalho
e que estão vinculadas às políticas neoliberais.
(Fonte: www.assediomoral.org.br)
Análise:
postura de vítima
O assédio moral está relacionado à pressão de produzir
mais e melhor. O trabalhador tem medo de perder o emprego e se submete à humilhação, às
brincadeiras de mau gosto. Há casos de pessoas doentes que escondem
a enfermidade.
Para não manter o ciclo, o assediado nunca deve assumir uma postura
de vítima. Isso só reforça o conflito. É necessário
assumir as rédeas e adotar uma postura firme. Se a humilhação
partiu de um colega que ocupa função semelhante, é preciso
comunicar ao gestor imediato.
Caso a ofensa tenha partido do próprio chefe, uma conversa franca e
direta pode resolver a questão. Se o problema persistir, é necessário
buscar o setor de recursos humanos da empresa. Durante o conflito, é indicado
construir novas alternativas de comunicação e manter o propósito
dentro da empresa.
Márcia Rezende
- Psicóloga
Veja os casos mais comuns
Em um site de relacionamentos, são mais de 80 comunidades descrevendo
situações de assédio moral. As histórias são
distintas, mas as conseqüências, as mesmas: depressão, ansiedade
e estresse. Abaixo, você lê algumas histórias:
Uma estudante de engenharia revela que a chefe já a obrigou a arrumar
a sala dela, sob a ameaça de demissão caso a universitária
se reporte ao superior. Ela conta ainda que sai do trabalho com pelo menos
uma hora de atraso diariamente, já que a superiora repassa relatórios
no fim do expediente para serem feitos para o mesmo dia.
Uma trabalhadora relata que chegou a ser vigiada pelos colegas e depois foi
colocada em uma sala distante de todos. A fase mais crítica foi quando
apagaram todos os arquivos da pasta de trabalho. "Tive depressão,
pânico. Tomei medicação controlada e fiquei afastada pelo
INSS", completa.
Uma secretária bilíngüe conta que era obrigada a carregar
pasta, participar de brigas familiares, colocar celular em tomada, servir água
e cafezinho a toda hora e até mesmo digitar trabalhos de filhos de gestores. "Muitas
vezes fui chamada de lerda incompetente, porque chorava no banheiro e não
tinha coragem de revidar a um berro".
Um homossexual afirma que sofreu assédio por conta da orientação
sexual. O chefe dele – também homossexual – ao descobrir
a orientação sexual começou a humilhá-lo na frente
dos colegas. "Por ele ter nível superior e eu médio, ele
me humilhava e ameaçava, dizendo que eu ainda estava em estágio
probatório".
Entre outros insultos, uma trabalhadora do setor administrativo de uma empresa
conta que foi chamada de mentirosa e mal-intencionada. As agressões
foram feitas por e-mail, que ela pretende usar no processo judicial. "Meu
superior me acusou ainda de ter 'bloqueado' o e-mail dele porque um e-mail
que ele me enviara retornou".
Depois de ficar afastada seis meses de um hospital onde trabalhava, uma funcionária
pública conta que foi impedida pelo chefe de trabalhar em escalas no
final de semana, período em que é possível receber uma
bonificação por conta das horas extras. O motivo, segundo a chefe,
eram as licenças médicas. "Mandaram-me pedir exoneração".
(Fonte: Gazeta online)
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