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FOLHA DE LONDRINA, 05 de
agosto de 2008 | Economia
Empregos na construção
civil crescem 106%
São Paulo - O nível de emprego formal na construção
civil bateu recorde no primeiro semestre, abrindo mais vagas no período
do que em todo o ano passado, segundo dados do Sindicato da Indústria
da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sindusco-SP)
e da FGV Projetos. Apesar da forte alta, o número real pode ser bem
maior, uma vez que grande parte dos empregados no setor trabalha sem registro.
De janeiro a junho, foram criados
229 mil empregos com carteira assinada, alta de 106% em relação
ao primeiro semestre de 2007 (111,1 mil postos). Segundo o levantamento,
as novas vagas já superam em 10,8% as 206,6 mil vagas criadas
em todo o ano passado. Em 12 meses (julho de 2007 a junho de 2008), levando-se
em conta os empregados formais, o avanço é de 18,6%. Somente
em junho, foram criados 43,7 mil novos postos, valor recorde para o mês
- o maior nível até então fora registrado em janeiro,
com 43,6 mil empregos gerados.
Assim, ao final de junho, o total
de trabalhadores na construção civil chegou a 2,063 milhões,
nível 12,4% superior sobre o estoque em dezembro de 2007. Segundo
a FGV, trata-se da maior alta do índice para o período
desde 1995, quando novo cálculo foi adotado. Na avaliação
do SindusCon-SP, o nível de emprego na construção
tem se favorecido pelo aquecimento imobiliário no país,
principalmente em São Paulo, e pelos investimentos em obras de
infra-estrutura.
''É a comprovação
de que a construção civil deverá crescer 10% neste
ano, porque as obras já estão contratadas. Já em
relação a 2009, a expectativa é de um crescimento
menor, em função da elevação dos juros'',
disse o presidente da entidade, João Claudio Robusti.
No Estado de São Paulo,
onde se concentram os principais lançamentos imobiliários,
o nível de emprego cresce mais que em outras regiões. No
primeiro semestre foram abertas 62,4 mil vagas, 63,4% a mais que no mesmo
período do ano passado. Ao final de junho, o setor somava 578,5
mil trabalhadores em atuação, aumento de 12% sobre o total
no início de 2008. Somente na cidade de São Paulo foram
registradas 30,3 mil contratações de janeiro a junho, crescimento
de 34,4% sobre o ano passado, enquanto o estoque de trabalhadores na
na capital paulista atingiu o patamar de 277,5 mil, elevação
de 12,2%.
Por região, considerando-se
o ritmo de crescimento proporcional do nível de emprego, o Centro-Oeste
lidera, com alta de 188,5% em relação ao número
de vagas criadas no primeiro semestre de 2007. Em seguida vem o Nordeste,
com crescimento de 183%, Sudeste (100,8%) e o Sul (85,8%). Na outra ponta,
apenas o Norte gerou menos vagas em 2008 do que em 2007, respectivamente
8.500 e 8.700.
Folhapress
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JORNAL
A TARDE/ MINAS GERAIS, 05 de agosto de 2008 | Economia
Média de acidentes de trabalho
na construção se aproxima do aumento do emprego no setor
Agência Brasil
O aumento médio do número
de acidentes de trabalho na construção entre 2004 e 2006
ficou pouco abaixo da média do crescimento dos postos de trabalho
formal no setor. Enquanto a média de vagas criadas atingiu 6,7%,
a de acidentes dos três anos foi de 6%.
Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, o emprego
formal na construção civil aumentou 4,6% em 2004; 8,4%
em 2005 e 7,3% em 2006. No mesmo período, o número
de acidentes envolvendo trabalhadores do setor foi de 6,2%; 5,8%
e 6,2%, respectivamente.
Com 31.529 ocorrências,
a construção (setor que engloba a construção
civil e obras de grande porte, como hidrelétricas e estradas),
em 2006, ocupou o quinto lugar no ranking do Ministério da
Previdência dos setores econômicos com mais acidentes,
ficando atrás de alimentação e bebidas (48.424),
comércio varejista (41.419), saúde e serviços
sociais (40.859) e agricultura (34.388).
De acordo com o diretor do
Departamento de Política de Saúde e Segurança
Operacional do ministério, Remígio Todeschini, o setor
está entre os quatro primeiros em taxa de mortalidade. Segundo
o engenheiro e consultor do Ministério Público do Trabalho
(MPT) Sérgio Antonio, o elevado número de ocorrências
na construção civil decorre principalmente do baixo
nível de escolarização dos trabalhadores, do
desconhecimento por parte dos empregadores das normas de Segurança
do Trabalho e da instabilidade ou transitoriedade empregatícia.
“A maior parte dos
trabalhadores não tem formação escolar. Humildes,
eles aceitam tudo, não tendo conhecimento pleno de sua cidadania
como trabalhador”, afirma o consultor. “Se [os empregadores]
colocarem oito toneladas para ele [trabalhador] carregar nas costas
durante dois ou três dias ele aceita, porque precisa do emprego.
Ele vai se arrebentar e sequer vai reconhecer os malefícios
do trabalho para sua saúde. Ele não vai procurar um
ambulatório por causa de um pequeno ferimento ou de um mau
jeito no pé e isso pode causar um prejuízo mais sério”.
Antonio avalia que, em geral,
nem os trabalhadores se consideram explorados, nem os empregadores
avaliam a hipótese de estarem cometendo abusos. Ainda de acordo
com o consultor, a falta de estabilidade ou transitoriedade do vínculo
empregatício dificulta que o empregado tome consciência
de seus direitos trabalhistas.
“Numa indústria
ou em outra atividade comercial, um trabalhador humilde também
se submete a longas jornadas, sem recusar qualquer tarefa. Só que,
neste ambiente, ele vai ter condições de, devagar,
perceber que pode evoluir. Já na construção,
quando o trabalhador começa a tomar essa consciência,
a obra acaba e ele vai para outra onde tem que começar do
zero”.
Antonio afirma que poucos
acidentes chegam a ser analisados, conforme exige a lei. “Pelas
normas, toda vez que ocorre um acidente é obrigatória
a comunicação ao Ministério do Trabalho, que
deve encaminhar um auditor fiscal do Trabalho para analisar as causas
do acidente e propor medidas para que a ocorrência não
se repita”.
Dos 29.228 mil acidentes
ocorridos na construção em 2005 – 5,8% do total
das ocorrências - somente 265 chegaram a ser analisados, diz
Antonio. Em 2006, foram 330 análises para 31.529 mil registros
(6,2% do total). De acordo com o consultor, isso acontece porque
o número de auditores fiscais do trabalho é insuficiente
para o volume de serviço e também porque nem sempre
os empregadores notificam o ministério sobre o acidente.
“Os empregadores
têm a obrigação legal de informar o ministério,
mas não o fazem, às vezes temendo que os auditores
descubram outras irregularidades no local do acidente. Sabemos
de casos em que o empregador coloca o trabalhador acidentado em
um táxi e o manda dizer no hospital que foi atropelado”,
diz Antonio, explicando que o Ministério do Trabalho só tem
conhecimento da ocorrência muito tempo depois, por meio das
Comunicações de Acidente de Trabalho (CATs) registradas
pelos empregadores no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
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Agência Diap, 5 de
agosto de 2008
INDICADORES INDUSTRIAIS
Indústria retoma crescimento,
informa pesquisa da CNI
Indicadores industriais mostram
expansão do faturamento, das horas trabalhadas na produção,
do emprego e da utilização da capacidade instalada
O faturamento da indústria
de transformação brasileira cresceu 10,5% em junho ante
igual mês do ano passado. No mesmo período, as horas trabalhadas
na produção avançaram 6,6%, a remuneração
paga aos trabalhadores aumentou 5,2% e o emprego, 4%. As informações
são da pesquisa Indicadores Industriais de junho, divulgada hoje
pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) simultaneamente
em Florianópolis e em Brasília.
Na comparação com
maio deste ano, o faturamento real subiu 2%, na série com ajustes
sazonais. Na mesma comparação, as horas trabalhadas cresceram
1,5% e o emprego, 0,5%. A utilização da capacidade instalada
atingiu 83,3% em junho, acima dos 82,2% registrados no mesmo mês
de 2007. Esse é o maior nível de utilização
da capacidade instalada desde o início da série, em janeiro
de 2003.
De acordo com o gerente-executivo
da Unidade de Avaliação, Pesquisa e Desenvolvimento da
CNI, Renato da Fonseca, apesar do avanço registrado em junho,
o indicador de utilização da capacidade instalada se mantém
estável ao longo dos últimos meses. "O gráfico
mostra uma alta em relação a maio, que tinha sido mais
baixo, e uma estabilidade em relação aos últimos
meses.
A utilização da
capacidade instalada tem uma linha estável no gráfico enquanto
as demais variáveis, como emprego e faturamento, têm linhas
ascendentes, de clara alta", afirma Fonseca.
Faturamento
O faturamento real aumentou em 16 dos 19 setores pesquisados pela CNI. No acumulado
do primeiro semestre, o faturamento aumentou em 17 setores. As atividades que
se destacaram de janeiro a junho foram veículos automotores
(24,4%), material eletrônico e de comunicação (23%) e outros
equipamentos de transporte (20,1%).
Na variável das horas
trabalhadas na produção, o ano de 2008 é o melhor
desde 2003, quando se iniciou a nova série histórica (depois
da atualização da metodologia). Quinze dos 19 setores pesquisados
registraram crescimento das horas trabalhadas na produção
na comparação com o mesmo mês do ano passado. Em
seis desses setores o ritmo de alta é acima de dois dígitos.
O emprego industrial se expande
há 31 meses, ou seja, desde dezembro de 2005. "A regularidade
também se aplica ao ritmo de crescimento, que se mantém
em torno de 4% há um ano", afirma o texto da pesquisa. A
expansão é mais forte nos setores de alimentos e bebidas
e de máquinas e equipamentos. (Fonte: CNI)
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Agência Diap, 5 de
agosto de 2008
REDUÇÃO DA POBREZA
Crescimento econômico reduz
pobreza e aumenta número de ricos
Pesquisa vai ser divulgada pelo
presidente do Ipea, Marcio Pochmann, hoje (5), às 13h
Pesquisa realizada em seis regiões
metropolitanas, que será divulgada hoje (5), pelo presidente do
Ipea, Marcio Pochmann, revela que o crescimento econômico do País
está sendo acompanhado por uma melhora na renda das famílias
em todas as faixas, implicando numa queda do número de pobres
e na elevação do número de ricos.
Contribuíram para a redução
da pobreza o crescimento econômico, os ganhos do salário
mínimo e as transferências do Governo. Já os ricos,
além do crescimento econômico, se beneficiaram dos ganhos
de produtividade, que pouco são repassados para os salários.
A pesquisa, que compreende
o período de 1992 a 2008, conceitua como pobre o indivíduo
que tem renda mensal de até meio salário mínimo
(R$ 207,50). Já o rico é aquele indivíduo pertencente às
famílias cuja renda mensal é igual ou superior a 40 salários
mínimos (R$ 16.600).
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Agência Diap, 5 de
agosto de 2008
CÂMBIO
Mantega: valorização
do real está no limite
O ministro da Fazenda, Guido
Mantega, disse que acredita em uma mudança do comportamento do
real em relação a outras moedas, em especial ao dólar. "Espera-se
que o real deixe de se valorizar. Ele deve reagir e caminhar para um
patamar mais desejável", comentou Mantega durante o evento "Desenvolvimento
Econômico: Outro Quadro Internacional, Novos Desafios", em
São Paulo.
Mantega admitiu que talvez haja exagero na valorização da moeda,
mas lembrou que este movimento de queda do dólar ajudou a controlar
o ímpeto inflacionário vivenciado pelas economias de todo o globo. "Mas
agora não deve haver mais espaço (para a alta do real). Acredito
que estamos esbarrando no limite e se isso continuar, as contas externas vão
para o vinagre", afirmou.
Crédito
Outro exagero que deve ser corrigido, segundo o ministro, é o do crescimento
da demanda agregada. Para Mantega, a expansão é necessária,
mas o aquecimento verificado foi superior ao desejado. "A demanda tem
que continuar a crescer, o crédito tem que continuar a crescer, mas
a níveis mais baixos do que os vistos até agora", disse.
Mantega lembrou que o consumo das famílias já vem mostrando desaceleração.
Ele lembrou que no quarto trimestre do ano passado o consumo das famílias
registrou alta de 8,6% e, ao final do primeiro trimestre deste ano, cedeu para
6,6%. "A faixa desejada é de expansão em torno de 6%. Esta
queda de dois pontos é bastante coisa", avaliou, acrescentando
que a diminuição do crescimento da demanda combinada com o aumento
dos investimentos é a equação ideal para enfrentar o ciclo
atual de inflação elevada.
Inflação
Mantega afirmou acreditar que o pico da inflação já foi
atingido e que até o final do ano os números mostrarão
desacelaração. "Chegamos no auge da inflação
e começamos a descer a montanha", afirmou, ressaltando que nas últimas
seis semanas o Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S)
vem mostrando taxas cada vez menores do que as anteriores.
Ele pediu cautela na avaliação dos próximos indicadores
de preços a serem divulgados. "Os índices acumulados em
12 meses ainda dão a ilusão de que a inflação está subindo,
mas o movimento é para baixo", argumentou. O ministro reforçou
que é preciso combater a inflação, e o governo já está fazendo
isso, segundo ele, mas sem abortar o crescimento. (Fonte: Agência Estado)
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FOLHA DE LONDRINA, 05 de
agosto de 2008 | Cidades
Beneficiários trabalharão
nas obras do PAC
Arquivo FOLHA

Depois da fase de proteção social, programa agora quer capacitar
a população para o trabalho
Curitiba - áAproximadamente 7,4 mil paranaenses atendidos pelo programa
Bolsa Família devem trabalhar nas obras do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) no Estado a partir de setembro. Eles serão capacitados
pelo Plano Setorial de Qualificação (Planseq Bolsa Família).
Desde ontem, cerca de 100 gestores sociais do Bolsa Família participam
de uma reunião para a apresentação do projeto. Além
de Curitiba, gestores municipais de outros 25 municípios do Estado serão
capacitados. Esta é a primeira etapa de ação do Planseq.
A preparação dos
gestores sociais vai esclarecer o objetivo do programa e como ele será realizado
nos estados. ''São os gestores que estão na ponta, que
convivem com a população que depende do Bolsa Família.
Seu papel principal é mobilizar e levar informação
ao público, pois um dos grandes fatores da exclusão social é a
falta de informação sobre políticas públicas'',
afirma o diretor de articulação governamental do Ministério
do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Marcus Villarin.
Entre os participantes está Eliane
Oliveira, assistente social de Cerro Azul (Região Metropolitana
de Curitiba). No município, 1,8 mil famílias recebem o
benefício. Ela acredita que a proposta é muito válida
e que os municípios também podem contribuir para a execução
do Planseq. ''Mesmo com o município pequeno, acredito que teremos
muitos resultados no plano. Acho que posso contribuir indicando as famílias
que realmente têm necessidade para participarem do programa'',
diz.
De acordo com Villarin, depois
da primeira fase de proteção social, na qual foram oferecidas
as condições básicas para a população,
esse projeto dá continuidade à assistência oferecida
pelo Bolsa Família e condições ampliadas de convivência às
famílias de baixa renda. Após a etapa de mobilização
dos gestores sociais, as famílias irão receber uma carta
com a apresentação do plano e a solicitação
de indicação de um integrante para participar do curso,
que terá carga horária de 200 horas/aulas. As organizações
responsáveis pela formação dos profissionais e as
empresas em que eles irão trabalhar serão escolhidas por
meio de licitação.
Pode participar do Planseq Bolsa
Família o beneficiário com mais de 18 anos e com pelo menos
a 4 série do ensino fundamental. A previsão é que
45% da mão-de-obra formada pela capacitação seja
absorvida pelas obras do PAC. Além do trabalho no programa, os
participantes estarão aptos a trabalhar em outras empresas de
construção civil, em ocupações como as de
pintor, azulejista, encanador, carpinteiro, mestre de obras, desenhista,
eletricista, operador de trator, gesseiro, auxiliar de escritório
e almoxarife.
Carolina Gabardo Belo
Equipe da Folha
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Folha
de S.Paulo, 5 de agosto de 2008
Congresso concorda com mais alíquotas
para o IR
Proposta da secretária Lina Vieira foi
bem recebida
ANDREZA MATAIS
SIMONE IGLESIAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A proposta da nova secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira,
de aumentar o número de alíquotas do IR foi bem recebida no Congresso
até mesmo por partidos como o DEM e o PSDB. Base aliada e oposição
ressaltaram, porém, que a medida não pode significar aumento
de carga tributária e deve vir conjugada com novas desonerações,
a exemplo do que é feito em vários países.
No PT e no PMDB, a avaliação é que a proposta é tecnicamente
adequada, mas vai exigir muita discussão até que se consiga estabelecer
as novas faixas.
" O pulo de 15% para 27,5% é muito grande. A maioria dos países
industrializados tem mais alíquotas. Você não tem aquele
salto repentino, mas uma curva mais suave. De fato fica mais equilibrado, mas
não pode ter aumento de carga e tem de aumentar a desoneração
para quem ganha menos", afirmou o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), presidente
da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado.
A posição de Vieira agradou aos petistas que historicamente defendem
a medida. "É uma maravilha; o PT sempre defendeu gradativamente
aumentar as alíquotas para acabar com a injustiça fiscal",
disse o deputado Carlito Merrs (PT-SC).
No Congresso, tramita projeto de lei que define cinco faixas para as pessoas
físicas. O limite de isenção mensal sobe de R$ 1.372,81
para R$ 2.157,00 e a alíquota máxima (hoje, 27,5%) sobe para
40%. A aprovação depende de maioria simples.
" A reforma tributária em discussão no Congresso busca atender
a padronização da cobrança de tributos com relação às
pessoas jurídicas, mas o imposto que contém a maior desigualdade é o
IR", disse a deputada Jô Moraes (PC do B-MG), autora do projeto.
Em entrevista à Folha, Vieira não deu detalhes da sua proposta,
mas defendeu a ampliação do número de alíquotas
como uma medida necessária. "Certamente vamos ter de fazer a ampliação
dessas alíquotas em termos de números. É necessário, é um
clamor da sociedade", disse ela.
O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), defende
que essa discussão seja incorporada à da reforma tributária. "A
colocação [da secretária] é pertinente. Não
sei se é uma opinião pessoal ou se ela conversou com o ministro
[da Fazenda, Guido Mantega], mas acho que, na reforma, deve-se procurar fazer
justiça social."
Ex-secretário da Receita Federal, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ)
foi um dos poucos a condenar a proposta. "Aumentar a progressividade significa
aumentar a carga tributária. Isso tem de ser verificado num contexto
mais amplo, com aumento de isenção e de despesas dedutíveis."
Segundo Dornelles, enquanto na maioria dos países todas as despesas
com educação, por exemplo, são dedutíveis na declaração,
no Brasil esse abatimento é muito limitado.
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Agência Senado, 5 de
agosto de 2008
Mauro Benevides: "Medida provisória é o
calcanhar de Aquiles da nossa Constituição"

"É uma Constituição com um calcanhar de Aquiles. Nosso
grande erro foi deixar no texto a Medida Provisória". Assim o deputado
Mauro Benevides (PMDB-CE), que foi vice-presidente da Assembléia Nacional
Constituinte, refere-se ao texto constitucional que completa 20 anos no próximo
dia 5 de outubro. Morto Ulysses Guimarães, o homem que presidiu aquele
conclave, Mauro Benevides é hoje o mais requisitado dos constituintes
para falar daquela experiência. Ele abre uma série de entrevistas
que a Agência Senado fará na celebração dessa data.
Agência Senado - Que momento o senhor considerou crucial
na Constituinte?
Mauro Benevides - Foi o momento em que o grupo liderado pelo deputado Roberto
Cardoso Alves e denominado Centrão anunciou formalmente que se ausentaria
do processo de elaboração da Carta Magna, se não fosse
processada uma reforma regimental que teria que respeitar algumas cláusulas
impostas pelo bloco. Era uma forma que o bloco tinha de se contrapor a quaisquer
alternativas socializantes ou esquerdizantes que pudessem ser oferecidas naquele
momento pelos senadores e deputados constituintes.
O Regimento da Constituinte tinha sido elaborado por Fernando Henrique Cardoso.
Quando houve essa imposição do Centrão, Ulysses [Guimarães]
me designou para flexibilizar o Regimento e atender, senão totalmente,
mas em grande parte, à proposta do Centrão. Afinal, elaboramos
esse Regimento exigindo que qualquer matéria somente fosse aprovada
com 280 votos dos senadores e deputados constituintes.
Agência Senado - Foi aí que Ulysses Guimarães
adoeceu?
Mauro Benevides - Exatamente quando elaborávamos o Regimento, o doutor
Ulysses teve que se submeter a uma angioplastia em São Paulo. Mas, mesmo
de lá, numa demonstração de extraordinário espírito
público, ele acompanhou as gestões que se processavam e, já no
segundo dia da intervenção, ao atender um telefonema que fiz
para sua cunhada, dona Margô, ele tomou o telefone e perguntou: como é que
vão as démarches para a reformulação do Regimento?
Isso mostra sua extraordinária capacidade de homem público.
Agência Senado - Mostra também que o Centrão
preocupava o doutor Ulysses...
Mauro Benevides - Ele estava preocupado com o trabalho de elaboração
constitucional diante das ameaças que eram visíveis e numericamente
capazes de gerar um insucesso, se o retraimento ocorresse, como anunciara seguidas
vezes o líder do Centrão. Nós elaboramos a reforma do
Regimento e, a partir desse momento, os trabalhos prosseguiram. A mim, como
vice-presidente, cabia cobrir o cotidiano da Assembléia. E a Ulysses
cabiam as gestões para superar reações. Ele fazia uma
articulação para garantir o trâmite absolutamente tranqüilo
das emendas no Plenário. Era assim que Ulysses trabalhava.
Agência Senado - E se ele não tivesse voltado
dessa angioplastia?
Mauro Benevides - Não há dúvida de que ele foi o grande
artífice do processo constitucional. Se ele não tivesse voltado,
não quero dizer que as propostas que brotaram das iniciativas dos constituintes
e das emendas populares deixariam de prosperar, mas haveria alguém com
a autoridade moral que ele possuía e a competência política
que ele sempre demonstrou? Se ele não estivesse presente, as dificuldades
seriam bem maiores nesse trabalho de articulação para viabilizar
as propostas mais polêmicas, que reclamavam uma maturação
mais demorada. Isso tudo foi favorecido pelas articulações que
ele, genialmente, sabia processar com habilidade, fazendo concessões,
estabelecendo recusas, mas buscando exatamente um alternativa consensual que
viabilizasse a aprovação da proposta. Esse, sem dúvida,
foi um dos instantes mais delicados vivenciados pela Constituinte.
Agência Senado - Que outro episódio foi igualmente preocupante?
Mauro Benevides - O outro momento delicado foi quando, diante da seqüência
de inserções de direitos sociais na Constituição
- como licença-maternidade, licença-paternidade e outros direitos
assegurados aos trabalhadores - o [então] presidente [da República]
José Sarney, que teve notável desempenho no processo de transição
democrática, demonstrou sua apreensão. Ele receava a sobrecarga
de responsabilidades que, em sua opinião, poderia acarretar a ingovernabilidade
do país. A advertência candente do presidente Sarney, feita em
cadeia nacional de rádio e televisão, teve ampla repercussão
junto aos constituintes e à opinião pública. Isso obrigou
Ulysses a, também através de uma cadeia nacional, defender a
soberania do poder constituinte. Esse foi sem dúvida um dos momentos
mais dramáticos vividos naquela época. Mas serviu para assegurar
a continuidade dos trabalhos com a aquiescência, ou a implícita
aquiescência, do presidente Sarney, que terminou entendendo que as propostas
da Constituinte não tinham o potencial de acarretar ônus exagerados
para o erário.
Agência Senado - Se os constituintes tivessem criado
um programa como o Bolsa-Família, qual teria sido a reação
de Sarney?
Mauro Benevides - Eu não sei se o presidente Sarney teria suportado
isso, já com as dificuldades que ele vislumbrava e que terminaram não
se concretizando. Com certeza, nesse caso, o pronunciamento dele na televisão
teria sido muito mais contundente. Ele achava que a criação de
tantos direitos sociais ia deixar o país ingovernável. O que
aconteceu é que o país também cresceu e as inovações
inseridas na Carta não trouxeram nenhum desequilíbrio na vida
financeira do país. E hoje, na era Lula, estamos é crescendo.
Agência Senado - Mas é no instituto da medida provisória
que o senhor aponta o grande erro da Constituinte, não é?
Mauro Benevides - O grande erro foi cometido na reorientação
do texto para o sistema presidencialista, quando vínhamos trabalhando
para o parlamentarismo, o sistema preferido do senador Afonso Arinos. Incumbiu-se
dessa mudança o senador Humberto Lucena, que promoveu articulações
para que prevalecesse essa diretriz. Ele alegava, em favor do Presidencialismo,
que, em duas consultas plebiscitárias, a população brasileira
tinha se manifestado contra o Parlamentarismo. Só que nessa transformação
do sistema de governo, que já se fez numa etapa muito próxima
do término dos trabalhos, essa obra de readaptação não
foi suficiente para que se retirasse do texto institutos marcadamente parlamentaristas,
como a Medida Provisória.
Entendeu-se ali que, extinto o decreto-lei, instituto draconiano oriundo da
ditadura, a Medida Provisória iria ensejar uma celeridade maior ao processo
de elaboração legislativa. Prevaleceu a Medida Provisória,
que hoje continua sendo objeto de contestação e que nenhum presidente,
seja Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Luiz
Inácio Lula da Silva, deixou de utilizar abusivamente.
Hoje, a gente vê o erro. É uma Constituição com
um calcanhar de Aquiles. Nosso grande erro foi deixar no texto a Medida Provisória.
Outro erro foi o fato de não termos, em 1993, cumprido o dever de realizar
por inteiro o processo revisional. Aprovamos apenas seis emendas. Uma das falhas
que ainda permanecem é o fato de existirem 51 artigos pendentes de regulamentação,
para que os mesmos tenham a sua eficácia e conseqüente aplicabilidade.
São 51 artigos que reclamam dos atuais legisladores essa tarefa, sempre
protelada com o argumento de que matérias mais atuais aguardam o exame
do Parlamento.
Agência Senado - O país hoje é melhor que o desenhado pela
Constituinte?
Mauro Benevides - Sob determinados aspectos, sim. Sarney completou a normalidade
político-institucional. Tivemos depois o governo Collor, com seu projeto
de situar o Brasil no primeiro mundo, e que, temos de reconhecer, deu uma arrancada
para situar o país lá fora. Não se pode esquecer que Itamar
Franco conduziu uma administração extremamente firme e segura
do ponto de vista financeiro, com o apoio de Fernando Henrique Cardoso e de
Ciro Gomes. Itamar conduziu o processo do Plano Real, que sinalizou a prosperidade
que vivemos na presente conjuntura.
Agora, do ponto de vista de recuperação econômica, não
há dúvida que nós vivemos hoje um outro momento. O crescimento
da economia, a sorte que teve o presidente Lula de conduzir esse processo,
faz o quadro de hoje mais auspicioso do que o vivenciado no período
da Constituinte e no período pós-Constituinte. O Brasil hoje
usufrui isso. Houve uma seqüência de fatos para justificar o que
vivemos hoje.
Mais informações sobre os 20 anos da Constituição
no endereço http://www2.camara.gov.br/internet/constituicao20anos
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O ESTADO DO PARANÁ,
05 de agosto de 2008 | Política
Políticos ficaram 46,3% mais
ricos
Redação
Nelson Jr./ASICS/TSE

Entidade acessou dados do TSE.
Os políticos que concorrem às eleições em 2008
enriqueceram 46,3% em relação a 2006. Considerando apenas os
vereadores, a média de enriquecimento foi de 41%. No que se refere a
senadores e deputados, a média foi ainda maior: 50%.
A ong Transparência Brasil,
que atua em projetos de combate à corrupção, levantou
o nome de 447 políticos em campanha para prefeito, vice-prefeito
e vereador nas capitais brasileiras, que disputaram as eleições
em 2006.
Desde total, 435 tiveram suas
declarações pesquisadas nos arquivos do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) e foram alvo da pesquisa. O restante ainda não
apresentou os dados ao órgão.
Há dois anos, os vereadores
tinham juntos um patrimônio de R$ 61.594.612,00 que atualmente
encontra-se avaliado em R$ 70.510.656,00. Os senadores, deputados estaduais
e deputados federais tinham em 2006 patrimônio avaliado em R$ 201.415.172,00,
cujo valor saltou para R$ 244.054.069,00 em 2008.
Só para ter uma idéia,
tomando por base o PIB (Produto Interno Bruto) per capita das regiões
metropolitanas brasileiras, o patrimônio médio declarado
dos vereadores chega a R$ 377 mil, o que significa que eles são
45 vezes mais ricos do que a média da comunidade que representam.
O pesquisador da ong Transparência
Brasil, Fabiano Angélico, afirma que o objetivo da pesquisa é a
prevenção. “Quanto maior o controle social que tivermos,
mais os eleitores poderão analisar em quem estão votando.
Desta forma estamos prevenindo
a corrupção e estimulando a transparência”,
disse. Para a ong, os dados são preocupantes. “Em alguns
casos você vê que o político enriqueceu 100 vezes
mais do que o cidadão comum. É um disparate”, afirmou.
Dos 709 vereadores que exercem
mandatos nas capitais brasileiras, 663 disputam a reeleição.
277 parlamentares do Congresso Nacional e das Assembléias Legislativas
disputam prefeituras. Os dados são recolhidos junto à Justiça
Eleitoral no projeto Excelências, da Transparência Brasil,
podem ser vistos no site www.excelencias.org.br.
No site também é possível
verificar o perfil dos políticos do Congresso Nacional, das Assembléias
Legislativas estaduais e das Câmaras Municipais das capitais brasileiras.
O projeto Excelências foi lançado em 2006 e conta com financiamento
do Fundo para a Democracia das Nações Unidas.
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Gazeta do Povo, 5 de agosto de 2008
Fiscalização
Comitê vai auxiliar eleitor
a “votar bem”
Entidades promoverão debates e
farão uma agenda mínima que deverá constar
nos programas de governo dos candidatos
A OAB Paraná (Ordem dos Advogados do Brasil) e 22 entidades representativas
da sociedade civil lançaram, ontem, um comitê que receberá denúncias
da população sobre corrupção eleitoral. O movimento
pretende alertar os eleitores sobre a importância do voto consciente
e tem como slogan a frase “Eu voto bem”. O evento foi marcado pela
assinatura de um manifesto e pelo lançamento do primeiro Comitê Cidadania
e Voto Consciente, que funcionará na sede da OAB, no bairro Ahú.
Voluntários
O núcleo da OAB contará com 66 advogados voluntários que
se revezarão para dar esclarecimentos à população
sobre as eleições municipais. Serão responsáveis
também por analisar as denúncias e redigir aquelas que deverão
ser encaminhadas aos órgãos competentes. Além disso, o
Comitê objetiva promover debates com os candidatos e elaborar uma agenda
mínima, que serão questões essenciais formuladas pelas
23 entidades, e que devem constar nos planos de governo dos futuros gestores.
Os concorrentes também serão convidados a assinar um termo de
compromisso, para que, efetivamente, coloquem em prática os itens dessa
agenda mínima.
O presidente da OAB-PR, Alberto de Paula Machado, destacou também a
importância de se saber em quem se está votando. “O eleitor
deve reunir o maior número de informações sobre a vida
do candidato em que pretende votar. É preciso saber se já foi
parlamentar, ou participou do Executivo, qual foi a sua conduta e o que fez.
Apenas a análise das propostas acaba sendo insuficiente”, afirmou
Machado.
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As denúncias podem ser feitas na sede da OAB, na Rua Brasilino Moura,
253, no Ahú. Ou pelo telefone (41) 3253-9840.
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Gazeta do Povo, 5 de agosto de 2008
Movimento pressiona pela punição
aos fichas-sujas
Brasília - Agência O Globo
Um grupo de entidades que integram o Movimento de Combate à Corrupção
Eleitoral (MCCE) divulgou ontem uma carta ao Supremo Tribunal Federal (STF)
sobre o risco de não se levar em conta a vida pregressa dos candidatos às
eleições. O documento vem às vésperas da corte
julgar, amanhã, o pedido de liminar da Associação dos
Magistrados Brasileiros (AMB) que pretende barrar candidatos com ficha suja
na Justiça, mesmo que ainda caibam recursos ao processo.
Além da AMB, assinaram a carta a Associação dos Juízes
Federais do Brasil, a Associação Nacional dos Procuradores da
República, a Associação Nacional dos Membros do Ministério
Público, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a
Comissão Brasileira de Justiça e Paz e o Conselho Nacional de
Igrejas Cristãs do Brasil.
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Gazeta do Povo, 5 de agosto
de 2008
Previdência
Invista certo, ou o banco fica com
metade do patrimônio
Tarifa alta pode corroer os ganhos do poupador.
O porcentual razoável fica abaixo dos 2% – mas é difícil
consegui-lo
A adesão dos brasileiros aos planos de previdência privada vem
crescendo ano a ano. Para os poupadores, no entanto, há um aspecto neles
que incomoda, e muito. As taxas de administração, que servem
para remunerar os bancos e seguradoras que oferecem o serviço, são
altas. Especialistas sugerem negociar com as instituições, o
que nem sempre é possível.
Segundo o consultor Renato Follador, a taxa média do mercado é de
3% – um valor que ele próprio considera exorbitante. “Com
uma taxa de 3%, num prazo de 25 anos o banco ou a seguradora ficarão
com 50% do patrimônio do poupador”, diz.
Mas 3% é a média, não o pico. Há fundos que cobram
taxa de 5%. “É um descalabro”, opina Follador. “Quem
faz isso está se aproveitando da desinformação das pessoas. É roubo”,
ataca. “Eu, que tenho me dedicado a divulgar a previdência privada,
fico até numa situação delicada. É preciso alertar
as pessoas para se programarem para a aposentadoria, mas sem estimular o lucro
excessivo dos bancos.”
As taxas maiores são cobradas nos fundos com participação
de renda variável – ou seja, aqueles que investem em ações
parte do patrimônio dos clientes. A justificativa para cobrar valores
mais altos é justa: é mais complicado administrar uma carteira
com ações do que um fundo composto apenas por títulos
de renda fixa, como papéis do governo ou CDBs de bancos, por exemplo.
Follador considera que, sob as atuais condições do mercado brasileiro, é indispensável
manter parte do patrimônio aplicado em renda variável. Mas com
cuidado para não pagar demais por isso.
As taxas também são maiores para quem faz contribuições
pequenas – quanto maior o aporte mínimo do fundo, menos os bancos
cobram para cuidar do dinheiro. Essa prática acaba por afetar mais as
pessoas que estão começando sua poupança. O consultor
financeiro paulista Marcelo Angulo observa que essa característica faz
com que outras formas de poupança sejam atraentes para algumas categorias
de investidor.
“ O investidor jovem, que tiver mais de dez anos pela frente antes da data
em que pretende se aposentar, pode muito bem pensar em constituir uma carteira
de ações”, diz Ângulo. Essa forma direta de investimento
tem a vantagem de ser menos tarifada – sobre ela incide, basicamente, a
taxa de corretagem. Outro ponto positivo é a tributação:
vendas de ações inferiores a R$ 20 mil no mês são
isentas de Imposto de Renda. Os fundos de previdência também têm
seus benefícios fiscais. Os do tipo PGBL, por exemplo, permitem abater
os depósitos na declaração de Imposto de Renda.
Mas as ações não podem ser o único investimento
de quem está pensando em guardar dinheiro para o futuro. Afinal, o mercado é imprevisível
e sempre há a possibilidade de perdas. “A diversificação é muito
importante, por isso uma parcela dos recursos deve ficar em renda fixa, que é mais
conservadora”, observa Angulo.
Para fazer isso, no entanto, o investidor deve ter tempo para administrar a
carteira, informação e uma boa intimidade com o mercado de capitais.
Caso contrário, o risco de ver seus papéis virarem pó é maior. “Acho
que nós, pessoas físicas, somos quase sempre péssimos
gestores de renda variável”, opina Renato Follador, que aconselha
ficar com fundos de previdência que incluam renda variável.
O seu
sindicato tem?
O consultor Renato Follador aponta uma saída para quem gostaria de aderir
a um plano de previdência privada, mas tem medo das taxas. Procure o
seu sindicato. “Sindicatos e federações podem instituir
fundos multipatrocinados, cujas taxas são de, no máximo, 1%”,
explica. Nesse caso, as organizações dão apenas uma chancela
ao fundo, mas não contribuem. Essa é a alternativa mais barata
disponível para quem não trabalha em empresas que têm fundos
de pensão próprios, como as estatais. Os valores mais baixos
estão nessa categoria de fundos, que são fechados. De acordo
com ele, as fundações ligadas às estatais sediadas no
Paraná cobram entre 0,4% e 0,5%. Quem é autônomo ou está ligado
a uma categoria não-organizada não tem outra possibilidade e
precisa depender da previdência oferecida pelas seguradoras e bancos.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
05 de agosto de 2008
Justiça condena Schincariol
a indenizar vendedor chamado de vagabundo
A indústria da Schincariol, em Goiás, deve pagar R$ 5.000 por
danos morais a um vendedor que sofreu humilhação no trabalho.
O pedido de indenização teve como fundamento o fato de o vendedor
e seus colegas terem sido chamados, em várias oportunidades que cumpriram
as metas de vendas, de “vagabundos”, “cambada de frescos”, “bando
de fifi”, “cornos safados” e que “não eram homens
que honravam as calças que vestiam”.
A decisão foi proferida
na semana passada pela 2ª Turma do TRT (Tribunal Regional do Trabalho)
de Goiás. De acordo com o relator do processo, juiz convocado
Daniel Viana Júnior, “no tratamento dispensado aos empregados
e, em especial, ao autor, apelidando-o de “gabiru”, a empresa
extrapolou o seu poder disciplinar, passando a atingir a honra subjetiva
do autor.
“Tal fato que merece a
devida reparação, sob pena de a relação entre
empregado e empregador tornar-se um território fértil a
abusos de toda natureza, sob a singela justificativa de “recursos
motivacionais”, disse o magistrado.
Viana Júnior concluiu
que a empresa ultrapassou os limites do razoável e da colaboração
mútua que deve haver entre empregado e empregador, com um comportamento
que, “além de ser reprovável moralmente, é ilícito
e deve ser repudiado pelo Judiciário”.
Última Instância
entrou em contato com a assessoria de imprensa da indústria, mas
não obteve retorno até o momento.
Recurso Ordinário
01434-2007-004-18-00-9
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