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Folha
de S.Paulo, 7 de agosto de 2008
Receita das empresas eleva arrecadação
do FAT em 32%
Crescimento do faturamento deve gerar saldo de
R$ 4,7 bi ao fundo neste ano | Resultado amplia recursos destinados para
o BNDES e para treinamento de mão- de-obra e inverte tendência
negativa do fundo
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Com o faturamento das empresas
em alta, a principal fonte de arrecadação do FAT (Fundo
de Amparo ao Trabalhador) -o PIS/Pasep- registrou crescimento de 32%
no primeiro semestre do ano em relação a igual período
de 2007.
O forte aumento da receita levou o Ministério do Trabalho a rever sua
avaliação sobre a saúde financeira do fundo, reestimando
para R$ 4,757 bilhões o superávit previsto para este ano.
Essa "sobra" será destinada, em 2009, a programas de geração
de emprego e renda, como o Pronaf (agricultura familiar) e o Proger (pequenos
negócios). Além disso, o aumento na arrecadação
garante, já neste ano, mais recursos para o BNDES (Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social) financiar empresas a custos mais
baixos que os do mercado, assim como abre espaço para o governo federal
investir mais em ações para qualificar trabalhadores.
Em 2007, o superávit do FAT foi de R$ 2,961 bilhões. "Isso
significa mais dinheiro circulando no ano que vem, mais emprego", afirmou à Folha
o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
Até o início deste ano, os técnicos do Ministério
do Trabalho mantinham uma visão pessimista sobre o futuro das contas
do FAT.
Com o crescimento anual dos gastos com seguro-desemprego e abono salarial -ambas
despesas custeadas com dinheiro do fundo-, a expectativa da pasta era que,
já no ano que vem, houvesse um déficit nas contas.
Quanto mais o FAT gasta com esses benefícios, menos sobram recursos
para financiamento de projetos de geração de emprego. Esses empréstimos
garantem retorno financeiro ao fundo, engordando seu patrimônio.
Dos recursos arrecadados pelo FAT, 60% vão para o pagamento de seguro-desemprego,
abono salarial, treinamento e intermediação de mão-de-obra,
entre outros programas. Os 40% restantes têm como destino o BNDES.
Reestimativa
No primeiro semestre, o PIS/Pasep registrou uma arrecadação de
R$ 13,2 bilhões, contra R$ 9,9 bilhões de janeiro a junho do
ano passado.
Com isso, o resultado primário do FAT saiu de um déficit de R$
562 milhões registrado no primeiro semestre do ano passado para um superávit
de R$ 1,2 bilhão nos seis primeiros meses deste ano.
Quando se levam em conta as aplicações financeiras do fundo,
o aumento do saldo positivo no período é de R$ 3,7 bilhões,
em 2007, para R$ 5,7 bilhões, em 2008 -um aumento de 54,6%.
Com os números do semestre fechados, o Ministério do Trabalho
reconsiderou suas previsões para o saldo do fundo nos próximos
anos.
Em vez de déficit em 2009, os estudos técnicos apontam agora
para um superávit de R$ 2,068 bilhões no ano que vem.
Para 2010, a expectativa é de um resultado positivo estimado em R$ 452
milhões. Já para 2011, a previsão é de um déficit
de R$ 2,117 bilhões.
"Não acredito que isso venha a ocorrer. Se as empresas continuarem
no ritmo em que estão, se o país continuar crescendo, haverá superávit",
afirmou Lupi.
De acordo com os dados do Ministério do Trabalho, o patrimônio
do FAT fechou o ano passado em R$ 139 bilhões e deverá pular
para R$ 153 bilhões neste ano.
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Agência Diap, 7 de
agosto de 2008
CUSTEIO SINDICAL
Contribuição negocial:
anteprojeto está pronto e será submetido ao Congresso
O DIAP teve acesso extra-oficialmente
ao texto do anteprojeto de lei que instituirá a contribuição
negocial, que poderá substituir a contribuição sindical
e todas as outras taxas cobradas dos trabalhadores compulsoriamente.
Acordo entre as centrais poderá permitir o envio do texto para análise
do Congresso Nacional. Esta é a segunda vez que o tema volta à tona
para discussão entre as entidades que fazem parte do sistema sindical,
agora, com a inclusão das centrais.
A primeira vez que a questão ressurgiu com força, inclusive expondo
contradições históricas entre as entidades, foi por ocasião
da definição das bases estruturantes do projeto de lei (PL 1.990/08),
do Executivo, que regulamentou o funcionamento das centrais sindicais, conforme
a Lei 11.648/08, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
em 31 de março.
A assessoria parlamentar do Departamento estudará o projeto, a fim de
oferecer mais informações acerca de seu conteúdo, e, também,
apresentará um parecer técnico sobre o assunto.
Clique
aqui e obtenha a íntegra do anteprojeto de lei.
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O ESTADO DO PARANÁ,
07 de agosto de 2008 | Economia
Governo vai oferecer declaração
pronta do IR dentro de dois anos
Agência Brasil
Daqui a dois anos, o governo brasileiro terá condições
de oferecer a funcionários de alguns setores privados e a servidores
públicos federais, estaduais e municipais a declaração
do Imposto de Renda Pessoa Física já pronta. Caberá ao
contribuinte concordar ou discordar do imposto já calculado. Nesse caso,
ele deve fornecer as informações necessárias para a correção.
Inspirado em um sistema implantado
no Chile, o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro)
está desenvolvendo o processo no Brasil. Segundo o diretor-presidente
do Serpro, Marcos Mazoni, para setores que já operam com a nota
fiscal eletrônica (automobilístico, fumageiro e indústria
farmacêutica), falta implantar a escrituração eletrônica,
que deve começar a funcionar no próximo ano.
“Queremos entrar no próximo
ano com a escrituração eletrônica em operação.
Isso vai substituir os livros de contabilidade das empresas e nos colocar
em condições, pelo menos no mundo empresarial, de ter o
Imposto de Renda pronto, como hoje ocorre no Chile. Isso é um
trabalho de dois anos, porque atualmente já podemos oferecer para
todos os funcionários públicos”, destacou.
O contribuinte chileno recebe
do governo a declaração do Imposto de Renda já montada,
incluindo o imposto a pagar ou a restituir. Cabe ao contribuinte concordar
ou discordar, apresentando o que realmente foi pago ou recebido. Isso é possível
porque o governo tem informações sobre o que foi pago de
imposto e sobre o que cada um recebeu, além de um controle sobre
as movimentações patrimoniais. “É uma experiência
inovadora, uma experiência em que podemos nos espelhar para melhorar
a nossa”, afirmou Mazoni.
No caso dos funcionários
públicos, disse ele, seria preciso apenas sincronizar as bases
de dados. “O Serpro já é responsável pela
folha de pagamento. Também saem das máquinas do Serpro
aquelas declarações de quanto cada funcionário recebeu
por ano. Então, é possível fazer de forma direta
e ofertar o imposto de renda pré-pronto. Quanto aos funcionário
estaduais e municipais, é uma questão de sincronismo das
bases de dados.”
Mazoni destacou que, para o setor
privado, a nota fiscal eletrônica e a escrituração
eletrônica permitirão que se saiba quanto e a quem cada
empresa pagou. No entanto, ainda é necessária uma articulação
com cartórios para obter informações sobre a variação
patrimonial. Quando a escrituração eletrônica estiver
montada, será possível saber quanto as empresas pagaram às
pessoas, explicou. “Ainda é necessário sincronizar
os fluxos com cartórios. O quanto se pagou é fácil,
a variação patrimonial é que é mais complicada.”
O governo pretende ampliar a
cobertura dos sistemas eletrônicos para outros setores privados
da economia. “A nota fiscal eletrônica está em atividade,
mas ainda está sendo implantada por segmentos. À medida
que aumentam os segmentos abrangidos, vamos cobrindo mais as relações
econômicas no Brasil. Estamos, desde o ano passado, com a nota
fiscal eletrônica operando em segmentos bastante pesados. Então,
já representa um volume grande”, destacou.
Os sistemas para declaração
do Imposto de Renda pela internet implantados no Brasil foram desenvolvidos
pelo Serpro. Neste ano, 24 milhões de pessoas declararam sua movimentação
pela internet num prazo de três meses. De acordo com Mazoni, se
for considerando o número de pessoas que usaram o sistema, esse
prazo pode ser considerado muito rápido. “A Itália,
por exemplo, está se preparando para fazer isso no ano que vem,
para atender a 7 milhões de contribuintes. O governo italiano
imagina fazer esse atendimento em 12 meses”, comparou.
Outra inovação é a
opção que o contribuinte tem de testar o imposto, ou
seja, as pessoas podem simular se preferem fazer a declaração
pelo modo simplificado ou pelo modo completo e optar por pagar menos
imposto. “Não se trata de ajudar as pessoas a pagar menos
e sim de ajudar a pagar o que é justo. Com isso, aumenta a base
de contribuintes, pois menos pessoas precisam fugir do imposto”,
explicou Mazoni.
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Agência Diap, 7 de
agosto de 2008
IMPOSTO DE RENDA
Tabela do IR já está defasada
em 43,4%
O contribuinte pode até tentar,
mas não consegue escapar das garras do Leão. A correção
de 4,5% da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF)
neste ano será insuficiente para repor a perda do valor do dinheiro
no período. A inflação deve fechar o ano em 6,54%.
De 1996 até hoje, a defasagem da tabela do IR, segundo cálculos
do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), chega
a 43,41%.
O ministro da Fazenda, Guido
Mantega, aproveitou a mudança de chefia da Receita Federal para
solicitar à nova secretária, Lina Maria Vieira, um estudo
sobre a reformulação das regras do IRPF. A idéia é tornar
a tabela mais progressiva, ou seja, com incidência maior para os
que têm renda mais alta. Para isso, seria feito a redução
da alíquota máxima de 27,5% e criação de
percentuais intermediários. Apesar da iniciativa, não há previsão
de que isso ocorra no curto prazo.
“Se não vão
mexer nas alíquotas, o governo poderia corrigir a tabela de acordo
com a inflação. Isso faria com que um número maior
de pessoas se enquadrasse na faixa de isento”, ressaltou o advogado
tributarista Erio Umberto Saiani. Enquanto mudanças não
são implementadas, a arrecadação do tributo não
pára de crescer. No primeiro semestre de 2008, a receita de IR
totalizou R$ 33,778 bilhões, aumento real de 18,9% ante o mesmo
período do ano passado (R$ 28,408 bilhões).
“O IR não faz justiça
tributária porque está fortemente concentrado na classe
média”, afirmou o presidente do Instituto Brasileiro de
Planejamento Tributário (IBPT), Gilberto Amaral. Segundo ele,
a classe média é responsável por 60% do montante
recolhido. A população de alta renda responde por 25% e
a de baixa, por 15%.
Na avaliação de
Amaral, já que a tabela não é corrigida pela inflação,
o governo deveria, ao menos, permitir uma dedução maior
dos gastos com instrução e saúde. Poderia ser autorizado,
por exemplo, descontar as despesas com material escolar, o que beneficiaria
famílias de classe média com filhos em escolas públicas.
No caso da saúde, seria
interessante incluir gastos com medicamentos. “Uma reformulação
na tabela do IR com redução de alíquotas e criação
de novas não atrapalharia a arrecadação da Receita
Federal, que está crescendo mesmo com as pequenas correções
concedidas nos últimos anos”, destacou Amaral. (Fonte: Correio
Braziliense)
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Folha de S.Paulo, 7 de agosto
de 2008
CUT quer novas regras para Imposto
de Renda
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
A CUT vai aproveitar a mudança
no comando da Receita Federal para reencaminhar ao governo propostas
para corrigir a tabela do Imposto de Renda e para adoção
de novas regras para a cobrança do tributo.
A nova secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira, defendeu, em
entrevista publicada na segunda-feira pela Folha, o aumento do número
de alíquotas do IR das pessoas físicas. No Brasil são
usadas duas alíquotas -de 15% e 27,5%- desde janeiro de 1998.
" Além de criar um número de faixas maior, para recuperar
o caráter progressivo desse imposto, é preciso diminuir a alíquota
da primeira faixa de contribuição. Essas propostas serão
debatidas na plenária da CUT e encaminhadas à Receita Federal",
afirma Rosane Silva, dirigente da central.
A CUT quer ainda a atualização anual da tabela do Imposto de
Renda conforme o índice de inflação e isenção
da tributação de alguns rendimentos, como o do 13º salário.
" Aposentadorias e pensões pagas pelo INSS ou regimes próprios
de Previdência têm de ser isentos de tributação. No
caso do 13º salário, ele tem hoje tributação exclusiva
[na fonte]. É preciso que o 13º seja incorporado à remuneração
anual. Dessa forma, poderá haver restituição do imposto
retido sobre ele, quando isso for possível", afirma a sindicalista.
A CUT quer ainda rever com o governo o acordo firmado com as centrais sindicais
em 2006 que prevê a correção da tabela e das deduções
do IR em 4,5% até 2010. A idéia é que esse percentual
seja maior.
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O ESTADO DO PARANÁ, 07 de agosto de
2008 | Economia
Crise nos EUA reduz consumo de madeira
Agência Estado
Em um mundo globalizado, as dificuldades dos americanos para pagar as hipotecas
de suas casas estão repercutindo nas florestas em todo o mundo. O colapso
no mercado imobiliário americano está levando a uma revolução
no mercado de madeiras.
Segundo levantamento da Organização
das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação
(FAO) e da Comissão Econômica da ONU para a Europa, a queda
na construção civil nos Estados Unidos e mesmo em algumas
parte da Europa está reduzindo as exportações de
madeira do Brasil e de outros países latino-americanos.
Para o Brasil, o mercado chinês e a demanda
interna incentivada pelo setor imobiliário são os fatores
que estão permitindo que a produção de madeira tropical
continue crescendo. Segundo os dados coletados pela FAO, 2007 registrou
a maior queda em construções de casas nos Estados Unidos.
Os impactos no setor de madeira foram sentidos imediatamente. "Empresas
em todo o mundo fecharam suas usinas temporariamente ou reduziram horas
trabalhadas", afirmou Ed Pepke, autor do relatório.
Segundo o texto, produtores de madeira da América
Latina foram obrigados a cortar a produção que era destinada
ao mercado americano. A queda não ocorre por acaso. Nos Estados
Unidos, 2,2 milhões de casas foram construídas em 2006.
Hoje, são menos de 700 mil e esse número continua caindo.
Uma recuperação não está prevista nos próximos
dois anos.
O problema é que 70% das importações
e produção de madeira vão para o setor da construção.
O resultado é que, pela primeira vez em seis anos, o mercado
de madeira e papel caiu nos países ricos. Entre 2006 e 2007,
a queda foi de 1,4% no consumo de madeira. Mas, nos EUA, a redução
foi de 7% em apenas um ano. As informações são
do jornal O Estado de S. Paulo.
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Folha de S.Paulo, 7 de agosto de 2008
SÉRGIO MALBERGIER
O que Lula fez e o que não
fará
A ADESÃO , mesmo que tardia, do presidente Lula ao consenso econômico
liberal destravou empresários brasileiros e investidores estrangeiros
num momento da conjuntura global extremamente favorável ao Brasil.
Os resultados são incontestáveis.
A renda média e o emprego formal crescem há anos, a indústria
bate recordes de produção e faturamento, as empresas lucram como
nunca, a vital concessão de crédito se expande e se alonga, a
corrente de comércio do país com o mundo, apesar e por causa
do real valorizado, atinge picos jamais vistos, o PIB é puxado por investimentos,
sinal de confiança no futuro.
O mercado interno finalmente se avoluma, assim como as reservas internacionais,
dois colchões fundamentais para a segurança econômica.
Milhões de pobres ascendem socialmente enquanto o número de milionários
explode, prova de que as classes não competem entre si pelas riquezas
do país, mas enriquecem juntas.
A principal explicação para os superlativos econômicos é simples:
estabilidade. São já 15 anos de adesão às regras
mais básicas do capitalismo, com o mínimo de contenção
fiscal assegurado em lei e o respeito a regras do mercado garantidas hoje pelo
líder inconteste da esquerda brasileira, o que barrou no país
o populismo esquerdista que afunda os vizinhos argentinos, venezuelanos e bolivianos.
Pai dos pobres, mãe dos ricos, Lula é até aqui a ponte
possível entre os extremos do Brasil. Sua instintiva insistência
em aumentos vigorosos do salário mínimo e dos programas assistenciais
contribuiu para reduzir desigualdades e fortalecer o mercado nacional.
Mas, se sua liderança foi importante para a evolução econômica,
sua condução da grande política (aquela acima da disputa
partidário-eleitoral) é um fracasso desolador. Seu silêncio
sobre a corrupção e o assalto ao Estado orquestrados por máfias
historicamente embutidas nos Três Poderes reforça a impunidade
geral que as operações da Polícia Federal, por mais espetaculares
que sejam, só arranham.
Os escândalos chegam assustadoramente perto do Planalto. Ministros de
primeira grandeza caíram sob suspeitas gravíssimas. Não é criação
de Lula nem do PT a corrupção geral e irrestrita, com origens
tão antigas quanto nossas raízes ibéricas. O padrão
do PT parece o mesmo de espúrias coalizões políticas anteriores,
costuradas sob o falso pretexto da governabilidade, quando são guiadas
apenas por fisiologismo e corrupção.
Lula seria maior que Lula se, do alto de sua aprovação popular
e das conquistas econômicas, enfrentasse a praga corruptora que nos sufoca
e nos atrasa. Mas ele é parte desse sistema político tosco e
imaturo que jamais se auto-reformará.
Contra ele, Lula nada fará.
SÉRGIO MALBERGIER é editor
de Dinheiro . Hoje, excepcionalmente, não é publicado
o artigo de Kenneth Maxwell.
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Gazeta do Povo, 7 de agosto
de 2008
Legislação eleitoral
Supremo libera os candidatos fichas-sujas
Decisão, por 9 votos a 2, impede juízes
eleitorais nos estados de negar registro de candidaturas para políticos
com processos na Justiça
O Supremo Tribunal Federal (STF) sepultou ontem a campanha de entidades civis
e juízes eleitorais a favor do veto à candidatura de políticos
que respondem a processos. Por 9 votos a 2, a maioria dos ministros do STF
decidiu que a vida pregressa e processos em andamento não podem impedir
ninguém de concorrer a cargo público pelo voto popular.
O julgamento confirmou decisão anterior do Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), que já havia liberado os candidatos com ficha suja na Justiça
para disputar as eleições de outubro. Os ministros também
decidiram, ao final do julgamento, que a votação terá efeito
vinculante, o que impede a rebelião de juízes eleitorais contrários à concessão
de registro a políticos processados.
O resultado frustrou a Associação dos Magistrados Brasileiros
(AMB), que liderou a campanha pelo veto às candidaturas e divulgou uma
lista de candidatos com ficha suja que concorrem a prefeituras de capitais.
A tese só foi apoiada pelos ministros Carlos Ayres Britto e Joaquim
Barbosa. Para os outros nove ministros, barrar as candidaturas contraria o
princípio constitucional segundo o qual todo cidadão é considerado
inocente até ser condenado definitivamente pela Justiça. O argumento
foi levantado pelo relator da ação, ministro Celso de Mello.
“A presunção de inocência tem prevalecido nas sociedades
civilizadas como valor fundamental e exigência básica de respeito à dignidade
da pessoa humana. Ninguém se presume culpado nem pode sofrer sanções
ou restrições sem condenação transitada em julgado”,
afirmou.
Para o decano do STF, impedir políticos sob investigação
de disputar cargo público seria uma “transgressão inaceitável” do
Estado contra os direitos do cidadão. Mello citou declarações
internacionais de defesa dos direitos humanos e disse que só em regimes
autoritários, como a Itália fascista de Mussolini e o Estado
Novo de Getúlio Vargas, prevalece a regra hedionda de que a pessoa tem
que provar sua própria inocência.
“O STF e os órgãos da Justiça Eleitoral não
podem agir abusivamente ou fora dos limites da Constituição Federal.
A legitimidade dos fins, por mais dignos que sejam, não justifica a ilegalidade
dos meios”, afirmou.
Procuradoria-Geral
O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, defendeu
a impugnação dos “fichas-sujas”.
“O direito de ser votado não é absoluto. A Constituição
estabeleceu que essa capacidade pode ser restringida quando valores como probidade
e moralidade não forem atendidos pelo candidato”, disse.


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FOLHA DE LONDRINA, 07 de
agosto de 2008 | Política
TSE investe em tecnologia para agilizar
a prestação de contas
Para evitar fraudes, TSE receberá um
extrato bancário e um arquivo eletrônico
Curitiba - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está investindo em tecnologia
para agilizar e evitar fraudes na prestação de contas das campanhas
eleitorais deste ano. A partir de ontem, último prazo para a entrega
da primeira prestação de contas parcial, mais de 400 mil candidatos
passaram a utilizar um sistema via internet disponibilizado pelo Tribunal para
enviar as informações. Outra novidade será o monitoramento
das movimentações bancárias dos candidatos e comitês
financeiros, que serão informadas diretamente ao TSE pelo Banco Central.
Segundo a assessoria de imprensa
do tribunal, o acordo assinado com o Banco Central irá permitir
a comparação dos dados informados pelos bancos com as informações
prestadas pelos candidatos. O principal objetivo é evitar fraudes
em extratos, como já teria ocorrido em eleições
anteriores. Para a comparação, o TSE irá receber
um extrato bancário e um arquivo eletrônico. Os documentos
irão identificar a origem de todos os créditos que entrarem
na conta e qualquer débito acima de mil reais.
Já o sistema elaborado
para o envio dos dados pelos candidatos é parecido com o utilizado
pela Receita Federal para receber as declarações do Imposto
de Renda. Além da internet, os candidatos podem entregar as informações
em meio magnético no cartório eleitoral.
A segunda prestação
parcial de contas deverá ser realizada até o dia 06 de
setembro. De acordo com o TSE, embora não exista sanção
prevista para candidatos e comitês que não realizarem as
prestações parciais, o descumprimento da resolução
poderá ser considerado no momento da análise final das
contas, que deve ser entregue até o dia 4 de novembro para a campanha
relativa ao primeiro turno.
Serviço
- As informações
sobre as prestações de contas de campanha podem ser acessadas
no site do TSE (www.tse.gov.br). Os dados serão atualizados a
cada prestação parcial de contas.
Karla Losse Mendes
Equipe da Folha
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Agência Câmara,
7 de agosto de 2008
Comissão quer apuração
de denúncia sobre fraude no ProUni
Luiz Alves
O presidente da Comissão de Educação
e Cultura, deputado João Matos (PMDB-SC), informou que pedirá ao
Ministério da Educação a apuração
da denúncia de que estudantes teriam se declarado descendentes
de índios para receberem bolsas de estudo do Programa Universidade
para Todos (ProUni) e agora negam a ascendência.
A fraude, conforme reportagem
publicada pelo jornal Correio Braziliense no último domingo,
teria acontecido em 2005, ano da implantação do programa.
João Matos considerou grave a denúncia e a possível
fraude. Para ele, estudantes em condições de se manterem
na universidade estariam prejudicando os índios realmente carentes.
Carta
O deputado disse ter recebido uma carta com denúncia assinada pelo presidente
do Instituto Americano das Culturas Indígenas do Brasil, Davi Terena,
que relata a situação e pede um posicionamento e uma investigação
da comissão. "Vou buscar encaminhamentos que auxiliem o Ministério
da Educação a apurar responsabilidades e punir, se forem constatadas
as irregularidades. Nós não podemos pôr em risco programas
desse alcance social", afirmou.
O ProUni concede bolsas
de estudo parciais ou integrais para estudantes de baixa renda poderem
estudar em estabelecimentos particulares de ensino de nível
superior. Parte dessas bolsas é reservada aos que se dizem
indígenas. Mas não existe a exigência de comprovação,
basta uma declaração do próprio interessado.
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Agência Senado, 7 de agosto de 2008
Projetos que alteram legislação
do FAT e Estatuto da Cidade estão na pauta da CDR
A Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) reúne-se
na próxima terça-feira (12), às 10h30, para votar dois
projetos de lei. Um altera a legislação do Fundo de Amparo ao
Trabalhador (FAT) para estimular os Arranjos Produtivos Locais (APL); outro
altera o Estatuto da Cidade para garantir "condições dignas
nas instalações reservadas à moradia e à área
de serviço dos trabalhadores domésticos".
De autoria do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), a primeira matéria
(PLS 142/08) prevê que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES) destine legalmente recursos próprios oriundos do Fundo
de Amparo ao Trabalhador para beneficiar os Arranjos Produtivos Locais.
Além disso, o projeto de lei prevê que o BNDES utilize o Índice
de Desenvolvimento Humano (IDH) como critério de definição
das localidades a serem beneficiadas em seus programas de desenvolvimento econômico.
Segundo Renan Calheiros, essa atitude colabora para que "as ações
creditícias do BNDES, preservados os critérios de remuneração
dos recursos, se destinem também a projetos com impactos expressivos
na melhoria das condições humanas e sociais das áreas
beneficiárias". A proposta recebeu voto favorável de relator,
senador Valter Pereira (PMDB-MS).
O segundo projeto a ser analisado pela comissão é de autoria
do senador Cristovam Buarque (PDT-DF). A matéria (PLS 212/08) visa garantir,
entre outros objetivos, "padrões adequados de acessibilidade e
conforto para as dependências internas" destinadas a trabalhadores
domésticos. Para isso, a proposição altera um dos artigos
do Estatuto da Cidade (Lei nº 10.257, de 2001).
Cristovam afirma, na justificação do projeto, que, entre as diretrizes
do estatuto, está a de simplificação de legislação
local com o objetivo de permitir a redução dos custos e o aumento
da oferta dos lotes e unidades habitacionais; O senador teme, que se essa simplificação
não for regulamentada corretamente, poderá haver redução
física dos espaços habitacionais "a ponto de torná-los
inóspitos e até ofensivos à condição humana,
como tem ocorrido em relação às dependências destinadas
aos trabalhadores e trabalhadoras domésticas".
Sua proposta acrescenta ao Estatuto da Cidade a determinação
de que os municípios, ao legislarem sobre o assunto, estabeleçam
padrões adequados de acessibilidade e conforto para as dependências
habitacionais, inclusive as de serviço. A matéria recebeu voto
favorável do relator, senador Jayme Campos (DEM-MT).
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Agência Senado, 7 de agosto de 2008
CAS aprova projetos que beneficiam
trabalhador e idoso

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou, nesta quarta-feira (6),
substitutivo do senador Paulo Paim (PT-RS) a projeto de autoria do então
senador Leonel Pavan que cria o vale-hospedagem e institui a dedução,
no imposto de renda das empresas, das despesas com hospedagem para o lazer
dos trabalhadores. O objetivo do projeto (PLS 488/03) é incentivar o
turismo dos trabalhadores, disse Paim em seu relatório.
De acordo com a proposta, o vale-hospedagem será fornecido pelo empregador
a seus empregados para utilização em despesas de hospedagem e
alimentação. As empresas que adotarem a medida poderão
gozar de dedução do lucro tributável, para fins de Imposto
de Renda das Pessoas Jurídicas, do dobro das despesas realizadas nesses
Programas de Hospedagem para o Lazer do Trabalhador.
No seu parecer, Paim afirma que o vale-hospedagem é inspiradonuma bem-sucedida
experiênciada França que, em 1982, criou o cheque férias.
Por meio da Agência Nacional dos Cheques de Férias, os assalariados
franceses passaram a ter mais acesso ao turismo e a atividades culturais e
de lazer, observou o relator.
Paim disse que o projeto, além de incentivar o turismo dos trabalhadores,
favorece a diminuição da ociosidade da rede hoteleira que ocorre
fora das temporadas turísticas. A presidente da comissão, senador
Rosalba Ciarlini (DEM-RN), disse que o projeto é importante também
para os estados do Nordeste, onde o turismo é fonte de renda para toda
a sociedade. A matéria será submetida a votação
em turno suplementar na próxima reunião da CAS.
Dois mínimos para quem
passa dos cem anos
Outra proposta (PLS 672/07) aprovada pela CAS, de autoria de Paulo Paim, determina
que todo idoso com mais de cem anos de idade tenha direito a um beneficio no
valor de dois salários mínimos. A Constituição
e o Estatuto do Idoso já garantem o pagamento de um salário mínimo
mensal a pessoas a partir de 65 de idade que não tenham meios próprios
de garantir sua sobrevivência - Benefício de Prestação
Continuada (BPC).
Paim argumenta, na justificação da proposta, que para pessoas
com idade muito avançada, a renda de um salário mínimo é "insuficiente",
porque as necessidades médicas e de cuidados especiais tornam-se mais
dispendiosas. Segundo o senador, o impacto financeiro do projeto tende a ser
mínimo, já que estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) de 2005 indica que o idoso que atinge 80 anos tem
a expectativa de vida de apenas 9,2 anos adicionais.
A contagem de brasileiros centenários feita no Censo 2007 pelo IBGE
em 5.435 municípios brasileiros registrou 11.422 centenários
no Brasil: 7.950 mulheres e 3.472 homens. O IBGE não informa, no entanto,
quantos poderiam ser considerados carentes.
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Agência Diap, 7 de
agosto de 2008
AGENDA SOCIAL
Senado aprova tarifa social, licença-paternidade
e isenção de IR nas férias do trabalhador
A Comissão de Assuntos
Sociais (CAS) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (6), em decisão
terminativa, o PLS 666/07, da senadora Patrícia Saboya (PDT/CE),
que amplia de cinco para 15 dias a duração da licença-paternidade,
beneficiando inclusive o pai que adotar uma criança. De acordo
com a proposição, a licença será concedida
aos trabalhadores sem qualquer prejuízo de salário ou emprego.
Em seu voto favorável
ao projeto, o relator, senador Flávio Arns (PT/PR), lembrou que
no próximo domingo será celebrado o Dia dos Pais. Ele afirmou
que a aprovação dessa proposta representará um bom
presente para toda a família, porque a licença para os
pais irá beneficiar as mães e, sobretudo, as crianças,
ao garantir a elas mais estabilidade emocional.
Férias
Na mesma reunião, foi aprovado projeto de lei do senador Sérgio
Zambiasi (PTB/RS) que beneficia os trabalhadores ao isentar da cobrança
do Imposto de Renda e da contribuição previdenciária a
remuneração de férias e o adicional de um terço
de férias.
Originalmente, a proposta (PLS
685/07) previa que o 13º salário também fosse isento,
mas a relatora da matéria, senadora Lúcia Vânia (PSDB/GO),
excluiu essa possibilidade em seu parecer. O texto segue agora para análise
na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
Ao justificar o projeto, Zambiasi
argumenta que a Constituição de 1988 pretendeu fazer justiça
ao trabalhador ao prever a concessão desses benefícios
(o 13º, a remuneração de férias e o adicional
de 1/3). Portanto, não caberia a incidência de Imposto de
Renda e de contribuição para o custeio da Seguridade Social
sobre tais valores.
Em seu parecer favorável,
a senadora Lúcia Vânia excluiu a isenção sobre
o 13º salário. Ela alega que a tributação sobre
tal remuneração se faz exclusivamente na fonte, não
compondo a base de cálculo da contribuição previdenciária
no mês em que é o décimo terceiro é recebido.
Isso impede que tais rendimentos sejam onerados de maneira mais gravosa,
afirmou a senadora.
Tarifa
social
A CAS aprovou, ainda, projeto de lei oriundo da Câmara dos Deputados
que aperfeiçoa procedimentos relativos à tarifa social de energia
elétrica para ampliar seus benefícios a famílias com consumo
de até 220 kWh/mês que comprovem a condição de baixa
renda a partir de inscrição em programas sociais do governo federal.
O relator na CAS, senador Valdir
Raupp (PMDB/RO), incorporou emenda do senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG)
ampliando de três para cinco salários mínimos a renda
familiar dos postulantes aos descontos estabelecidos pela tarifa social
de energia elétrica, quando a família tiver um integrante
deficiente ou doente que precise utilizar aparelhos elétricos
de uso contínuo.
O PLC 12/08 vai à secretaria-geral
da Mesa, com requerimento de urgência aprovado na CAS, para que
possa ser incluído, imediatamente, na pauta de votações
do Plenário da Casa.
O colegiado aprovou ainda,
em decisão terminativa, o projeto de lei que fixa o valor das
anuidades cobradas pelos Conselhos Regionais de Contabilidade (CRC).
Essa proposta (PLS 566/07) determina que, se o profissional for contador,
recolherá, inicialmente, R$ 315; se for técnico em contabilidade,
pagará R$ 284. A matéria será encaminhada agora à Câmara
dos Deputados. (Com Agência Senado)
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O ESTADO DO PARANÁ,
07 de agosto de 2008 | Economia
Embraer vai demitir 500 pessoas,
diz sindicato
Agência Estado
A Embraer deu início a um processo de reestruturação da
empresa e deve demitir, até o final deste ano, cerca de 500 profissionais.
A informação foi confirmada pelo Sindicato dos Metalúrgicos
de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, mas a assessoria
de imprensa da Embraer não fala sobre o assunto.
A maioria das demissões
deve ocorrer na sede da empresa, em São José dos Campos,
onde serão desativadas duas vice-presidências e dispensados
pelo menos dez diretores e trinta gerentes, além de funcionários
do setor administrativo, engenheiros e operários.
O baixo valor do dólar
em relação ao real seria o principal motivo para que
a empresa reavaliasse sua atuação no mercado e seu processo
produtivo, que estaria sendo insatisfatório. A empresa teria
detectado, além de problemas na produtividade, problemas futuros
em caixa, caso não faça essa modificação
agora.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
07/08/2008
Demissão por improbidade independe
de condenação penal
A punição administrativa ou disciplinar de servidor público
não depende de processo civil ou criminal que tenha por objeto a mesma
falta, e a Administração não precisa esperar a solução
dos demais processos para efetivar a demissão em caso de improbidade.
Com este fundamento, o Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT)
deu provimento a recurso do Ministério Público do Trabalho e
afastou a suspensão de processo administrativo disciplinar contra servidora
do Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região (RO/AC). Por maioria
de votos, o CSJT determinou o regular processamento do feito.
O processo administrativo foi
instaurado pelo TRT, e nele se reconheceu a prática de ato de
improbidade administrativa e lesão aos cofres públicos
praticados pela servidora, à qual foi aplicada a pena de demissão.
Ao apreciar recurso administrativo da servidora, o Regional, porém,
suspendeu o processo administrativo até o trânsito em julgado
da ação judicial, que tramita na Justiça Federal
do Estado de Rondônia. Ao recorrer ao CSJT, o Ministério
Público do Trabalho alegou que a ação administrativa
não tem natureza penal, mas cível. A decisão do
TRT, sustentou, baseou-se em premissa equivocada: a de que existe comunicabilidade
entre as instâncias administrativa e penal.
O ministro Milton de Moura França,
que liderou a corrente vencedora no julgamento do recurso, destacou que
a Lei nº 8.112/1990 (Regime Jurídico Único dos Servidores
Públicos Civis da União) é categórica ao
estabelecer, no artigo 125, a independência das esferas civil,
penal e administrativa. A Constituição Federal, por sua
vez, dispõe sobre as penalidades decorrentes dos atos de improbidade
administrativa “sem prejuízo da ação penal
cabível”.
O ministro Moura França
citou, ainda, precedente do Supremo Tribunal Federal neste sentido e
concluiu que “não há previsão legal autorizando
a suspensão do processo disciplinar até o trânsito
em julgado da decisão proferida na ação de improbidade”.
(CSJT-524/2005-000-14-00.7)
(Carmem Feijó)
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O Município do Rio de Janeiro foi responsabilizado subsidiariamente
pelo pagamento de verbas trabalhistas devidas a uma empregada da Associação
de Moradores do Parque Bela Vista, com a qual mantinha um convênio para
o funcionamento de uma creche em região carente. A condenação
foi decidida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (RJ)
e confirmada pela Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que rejeitou
agravo do município.
A empregada foi admitida em setembro
de 1995 para trabalhar na Creche Comunitária Chapéu Mangueira,
no âmbito do convênio entre o município e a associação,
e dispensada em julho de 2001. Na ação trabalhista, pediu
a responsabilização subsidiária do município
depois que a associação a demitiu imotivadamente e não
lhe pagou as verbas rescisórias. A sentença de primeiro
grau não considerou a responsabilidade do município.
A empregada recorreu. O TRT/RJ
lhe deu razão e modificou a sentença inicial, por entender
que o município, ao “delegar função pública
a terceiros, responde subsidiariamente pelo débito trabalhista
não quitado pela entidade conveniada”. A decisão
regional esclareceu ainda que a mão-de-obra da empregada foi utilizada
para administrar a creche, a fim de promover os fins sociais e políticos
do Estado ao garantir a educação infantil em creches para
crianças de zero a seis anos.
Inconformado com a condenação,
o município recorreu ao TST, mas a decisão foi mantida
na Sexta Turma. O relator do agravo de instrumento, ministro Horácio
Senna Pires, entendeu que o “poder público, ao ajustar convênio
com essas associações civis, além de lhes ceder
sua atividade-fim, no caso educação, repassa-lhes verbas
públicas”, e salientou que, cada vez mais, o TST vem sendo
acionado para resolver situações em que “o ente público – Estados,
municípios ou Distrito Federal –, embora responsável
pela prestação de serviço público à população,
delega tal encargo a particulares de forma pouco criteriosa, acarretando
prejuízo ao trabalhador que despendeu toda sua força laboral
em proveito da própria Administração Pública”.
Embora tenha votado diferentemente
em julgamento de caso semelhante na Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1), em que o município foi
excluído da condenação subsidiária, o ministro
esclareceu que, naquela ocasião, votou com a maioria porque entedia
ser possível aplicar analogicamente a Orientação
Jurisprudencial nº 185 da SDI-1 a associações civis
que, autorizadas por convênios com o ente público, realizassem
atividades de fomento de competência precípua do Estado.
No presente caso, porém, ressaltou que as associações
de moradores, gere uma creche por meio de convênios com o Estado:
elas “recebem verbas públicas para realização
de suas atividades na execução de serviços públicos,
por isso sujeitos ao controle finalístico do ente público”.
O ministro informou a questão
ainda não está pacificada no Tribunal, e que “em
nenhum momento a decisão regional declarou a existência
de vínculo de emprego entre a empregada e o município,
apenas o condenou, subsidiariamente, a pagar as verbas deferidas”.
A decisão foi aprovada unanimemente pela Sexta Turma. (AIRR-1328-2002-014-01-040.5)
(Mário Correia)
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07/08/2008
Negligência resulta em altos custos
de indenização para as empresas
Readaptação da
residência do antigo empregado - que ficou paraplégico em
acidente de trabalho -, pensão mensal e plano de saúde
até o fim da vida e indenização por danos morais
de R$200 mil. Este é o custo da negligência, imprudência
e imperícia das empresas Minas da Serra Geral S.A., Sempre Viva
Mineração, Construções e Transportes Ltda.
e Recuperadora Sales Gama Ltda. A decisão do Tribunal Regional
do Trabalho da 3ª Região (MG) foi mantida pela Sexta Turma
do Tribunal Superior do Trabalho ao julgar agravo de instrumento da Minas
da Serra Geral. O agravo não teve recurso, e o processo já baixou
ao TRT/MG.
O fato ocorreu com um motorista
da Sempre Viva Mineração. Ele sofreu acidente de trabalho
quando um veículo, conduzido por empregado da mesma empresa que
fazia o transporte, capotou e rolou no barranco, durante ronda habitual
nas dependências da Minas da Serra Geral, causando ao trabalhador
lesão física irreversível (paraplegia completa).
A enfermeira do hospital onde o trabalhador foi atendido descreveu que
o carro onde o acidentado estava era do tipo perua, com um porta-malas
maior, que não havia maca e o ferido estava deitado no piso do
porta-malas sem estar atado; não havia enfermeiro, e o veículo
não tinha os equipamentos existentes em uma ambulância.
Em primeira instância,
o trabalhador conseguiu a manutenção do plano de saúde
contratado por uma das empresas em convênio com a UNIMED. O Tribunal
Regional, ao examinar seu recurso, condenou as empresas a pagar pensão
mensal de R$1.483, por considerar a irreversibilidade da lesão
e a necessidade de sobrevivência com dignidade.
Mais ainda, o TRT entendeu, ao
analisar o laudo pericial e as provas documentais e orais, inclusive
testemunhas, que não restavam dúvidas quanto à existência
de culpa das três rés e condenou-as solidiariamente a indenização
por danos morais de R$ 200 mil. Para o Regional, a negligência
ocorreu por não ter sido chamado resgate, os primeiros socorros
terem sido prestados de forma incorreta e o empregado ter sido carregado
no porta-malas, o que causou a lesão que incapacitou o empregado
para toda a vida.
A Minas da Serra Geral questionou
a decisão regional por entender que a lesão pode não
ter ocorrido durante o procedimento de socorro, e sim quando do choque
da coluna com o asfalto. Pretendendo afastar a condenação,
a empresa questionou a existência de prova do dano. Segundo o ministro
Aloysio Corrêa da Veiga, relator do agravo de instrumento, não
cabe ao TST questionar a valoração atribuída pelo
juiz à prova apresentada. “O julgador apenas decidiu conforme
o que lhe foi demonstrado. Ele tem amplo poder de instrução
e de condução do processo, podendo formar o seu convencimento
pelo conjunto da prova colhida, bastando para tanto que fundamente, o
que ocorreu no caso concreto”. Entendimento contrário exigiria
o reexame de fatos e provas, incabível nesta fase recursal.
A mesma empresa discordou também
da condenação à pensão mensal vitalícia, à manutenção
do plano de saúde e às obras de adaptação
da residência do trabalhador. Pretendia a limitação
da pensão à idade de 65 anos (o trabalhador já tem
69). A Sexta Turma, no entanto, manteve a decisão do TRT, por
não verificar ofensa à Constituição Federal
nem ao Código Civil, como alegava a agravante. A Sexta Turma entendeu
também que não é possível compensar a pensão
com a indenização civil, “por se tratar de fatos
geradores distintos e incomunicáveis”, ainda mais que, à época
do acidente, o trabalhador já era aposentado pela Previdência
Social.
O ministro Aloysio ressaltou
em seu voto que há prova de que o autor tem custos mensais com
uso de sonda e fraldas descartáveis, segundo a perícia,
além de fazer constante uso de remédios e equipamentos
destinados ao paciente paraplégico. Além disso, precisa
de cuidados para o resto da vida, sendo necessário o respaldo
do plano de saúde. Quanto à readaptação da
residência, é um requisito para se proporcionar dignidade
mínima na locomoção dentro de sua própria
casa. (AIRR-1009/2005-069-03-40.0)
(Lourdes Tavares)
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