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Agência Diap, 10 de agosto de 2008
FAT poderá financiar insumos
para agricultura familiar
Abi-Ackel: pequenos proprietários
agrícolas têm dificuldade de aumentar a produtividade
por causa dos custos elevados dos adubos.
O Projeto de Lei 3605/08, do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), destina
5% do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) ao desenvolvimento da agricultura
familiar em municípios com baixo índice de desenvolvimento
humano (IDH inferior ou igual a 0,6). Os repasses devem servir à aquisição
de adubos, fertilizantes, defensivos e máquinas agrícolas
por meio de cooperativas ou associações de lavradores registrados
no FAT.
O deputado lembra que os pequenos proprietários agrícolas
têm dificuldade de aumentar a produtividade e de conservar seus
plantios por causa dos custos elevados de adubos, fertilizantes e defensivos. "Vivemos
em todo o mundo uma crise de aumento de preços de alimentos,
cujos efeitos recaem de maneira mais aflitiva sobre as populações
de menor renda", afirma. Essa crise, segundo Abi-Ackel, é agravada
pelo preço crescente dos insumos agrícolas.
Atualmente, os recursos do FAT são usados no custeio do seguro-desemprego,
no pagamento do abono salarial e no financiamento de programas de desenvolvimento
econômico.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado
pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento
e Desenvolvimento Rural; de Trabalho, de Administração
e Serviço Público; de Finanças e Tributação;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:
- PL-3605/2008
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Agência Diap, 10 de agosto de 2008
DIRIGENTE SINDICAL
Artigo: ataque à estabilidade
do dirigente afronta Constituição
Artigo esclarecedor do advogado e membro do corpo técnico
do DIAP, Hélio Gherardi, sobre decisões do TST e alguns
tribunais regionais do Trabalho que ameaçam o direito à estabilidade
dos dirigentes sindicais e afrontam a Constituição
e a CLT está disponível para leitura ali na seção
Opinião, na página do Departamento.
No artigo, Gherardi esclarece que a ameaça à estabilidade
do dirigente contraria dispositivos constitucionais e da legislação
ordinária.
Clique aqui e
leia o artigo na íntegra.
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Vermelho, 10 de agosto de 2008
Ministro descarta nova reforma previdenciária
até 2050
O governo enterrou de vez qualquer expectativa em relação
a uma reforma previdenciária nos próximos dois anos,
segundo avaliação feita pelo ministro da Previdência
Social, José Pimentel. "Os cálculos que temos
mostram que até 2050 não é preciso nova reforma
previdenciária; a questão é gestão e
crescimento econômico", declarou Pimentel, que está no
cargo há cerca de dois meses.
Ele substituiu Luiz Marinho, que deixou a pasta para se candidatar à prefeitura
de São Bernardo do Campo (SP). Segundo Pimentel, as orientações
que recebeu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva são
claras: continuar investindo em gestão e melhorar o atendimento
aos segurados.
Entre os desafios de Pimentel, está a retomada da idéia
- já discutida dentro do governo em 2006, mas engavetada até agora
- de formalizar em lei uma nova contabilidade da Previdência,
separando as contas das aposentadorias urbanas dos benefícios
especiais (trabalhadores rurais, pescadores artesanais e atividade
extrativista). Também ficariam explícitas nas contas
quanto a previdência deixa de receber em contribuição
patronal das entidades filantrópicas nas áreas de saúde
e de educação e sobre produtos agrícolas exportados,
que são isentos. As micro e pequenas empresas inscritas no Simples
não são isentas, mas recolhem menos que os 20% de cota
patronal.
" O presidente Lula determinou que seja feita essa separação
na contabilidade. Já fazemos isso administrativamente e agora
vamos formalizar", afirmou o ministro. De acordo com Pimentel,
a proposta de nova contabilidade será encaminhada ao Congresso
Nacional ainda este ano dentro de um projeto de lei (ou Medida Provisória)
que também tratará da montagem do Cadastro Nacional de
Informações Sociais (CNIS) que permitirá a inversão
do ônus da prova no momento em que o trabalhador pedir a sua
aposentadoria. Assim, não será mais o trabalhador que
terá que provar que contribuiu, mas caberá ao Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS) conceder automaticamente a aposentadoria
pois terá todos os dados informatizados e, se desconfiar de
fraude, provar que o solicitante não contribuiu.
Fonte: Agência Estado
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Vermelho, 10 de agosto de 2008
No Fórum dos Trabalhadores,
CTB defende a unicidade sindical
O diretor de imprensa e comunicação da CTB (Central dos
Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Carlos Rogério de Carvalho
Nunes, representou a central no Fórum Sindical dos Trabalhadores
(FST) em reunião realizada na terça-feira (5) onde foi
discutida a luta em defesa da unicidade sindical e contra a Portaria
186 do Ministério do Trabalho — que institui a pluralidade
sindical nas federações e confederações.
Segundo Rogério, a Portaria 186 estabelece a pulverização
das instâncias superiores, contrária ao conceito de unicidade
sindical. “Esta Portaria permite a legalização
de várias entidades de nível superior, com a qual a CTB
não concorda”, afirma.
O diretor da CTB ressaltou que a história do sindicalismo brasileiro
já mostrou a importância da unicidade sindical. “Ela
opõe-se ao modelo desregulamentado de relações
de trabalho, que significa a adoção do pluralismo sindical — como
a Portaria 186 propõe, nos artigos 20 e 21, para as entidades
sindicais de nível superior”, esclarece.
A defesa da unicidade sindical é uma exigência da realidade
social brasileira, segundo Rogério. “Trata-se de um mecanismo
que regulamenta a organização sindical e inibe a fragmentação
e o paralelismo sindical”, destaca.
“A norma disciplinar consagrada pela Constituição
de 1988, que assegurou a unicidade sindical com limite de base mínima
municipal — isto quer dizer que um sindicato poder ter base municipal,
regional, estadual ou nacional — no interesse das diversas categorias
profissionais, procurou evitar a pulverização e a desorganização
sindical por meio da multiplicação desordenada de suas
unidades”, afirma.
Segundo ele, os artigos da Portaria 186 que liberalizam as entidades
de nível superior também contrariam este preceito constitucional. “O
FST, instituição que reúne quinze confederações
e seis centrais sindicais com representatividade em todo o território
nacional, tem uma posição muito bem definida sobre esta
questão, sobre a qual a CTB tem inteira concordância”,
diz Rogério. Neste sentido, o diretor da CTB lembrou a “Carta
de Brasília”, aprovada pelo FST no dia 13 de maio deste
ano.
Veja a íntegra da "Carta de Brasília":
Carta de Brasília
Os trabalhadores de todo o Brasil, reunidos em seu Encontro Nacional,
convocado pelo FST – Fórum Sindical dos Trabalhadores,
no dia 13 de maio de 2008, em Brasília – DF, na sala de
Convenções do Americel Hall, analisaram a pretensão
do governo federal de alterar a estrutura sindical, a necessidade da
geração de emprego e renda e as implicações
que a envolvem como terceirizações, cooperativas de trabalho
e a necessária redução da jornada de trabalho,
bem como Previdência Social e Fundos de Pensões, Convenções
151 e 158 da OIT, Reforma Agrária, Meio Ambiente e Matriz Energética,
APROVARAM as seguintes resoluções:
1 – Estrutura Sindical
As pressões dos setores neoliberais e reacionários da
sociedade brasileira contra a nossa estrutura sindical são antigas
e profundas, tendo adquirido força com a continuidade do governo
Lula.
Mas, a nossa vitória alcançada durante a Constituinte
e consagrada na Constituição da República de 05/10/1988,
que em seu artigo 8º assegura a unicidade, a contribuição
sindical e o sindicato por categorias econômicas e profissionais é fundamental
para o sindicalismo brasileiro, como instrumento importantíssimo
nas lutas e conquistas dos trabalhadores do Brasil.
Por isso, o Encontro Nacional do FST propõe:
a) retirada do Congresso Nacional, pelo governo Lula, da PEC número
369/2005, a qual, se aprovada, irá implodir a estrutura sindical
vigente, com danosas conseqüências para os trabalhadores
do campo, da cidade, do serviço público e suas entidades
sindicais representativas de grau superior;
b) reedição da Portaria número 186/2008, pelo
Ministro do Trabalho e Emprego, com a efetiva exclusão dos aspectos
capazes de permitir o pluralismo sindical nas federações
e confederações das categorias profissionais ou econômicas;
c) priorizar a campanha nacional de apoio ao projeto de Lei do Senado,
número 248/2006, de autoria do Senador Paulo Paim (PT/RS), que
regulamenta de forma categórica o desconto da Contribuição
Negocial, por ocasião das celebrações de convenções,
acordos coletivos ou decisões normativas da Justiça do
Trabalho;
d) desencadear campanha em nível nacional, pela aprovação,
pelo Congresso Nacional, de projeto de lei que regulamente a organização
dos trabalhadores em seus locais de trabalho;
e) lutar, em nível nacional, pela aprovação no
Congresso Nacional de projeto de lei que regulamente o direito de greve
para os servidores públicos.
2 – Redução da Jornada de Trabalho e Geração
de Emprego e Renda
A redução de 48 para 44 horas semanais, inscrita na
Constituição da República, durante estes 20 anos
se mostrou ainda insuficiente para garantir salário adequado
e o necessário e justo descanso semanal do trabalhador e possibilitar
a efetiva geração de emprego e renda, tão necessários
ao Brasil.
Desta forma, o Plenário do Encontro Nacional propõe:
a) intensificação da luta nacional e urgente pela redução
da jornada de trabalho para 40 horas semanais, mediante a aprovação
da PEC – Proposta de Emenda à Constituição,
pelo Congresso Nacional;
b) desenvolver amplo leque de apoio às propostas de geração
de emprego e renda, com o fortalecimento do Salário Mínimo,
como importante fator de distribuição de renda e redução
das desigualdades regionais;
c) apoio de forma integral, pelo movimento sindical, de uma Reforma
Tributária que reduza o impacto da elevada carga tributária
nas empresas e sobre os salários;
d) desenvolver campanha nacional, pela redução dos juros
a um nível justo, que permita a realização de
investimentos que gerem empregos formais e facilite o desenvolvimento
e o crescimento econômico e social do Brasil (ou do País);
e) Impedir que as cooperativas de trabalho nos moldes atuais e a terceirização
de forma abusiva e indiscriminada agravam, ainda mais, o elevado índice
de desemprego e miséria em nossa pátria, intensificando
campanha nacional pela regulamentação imediata, pelo
Congresso Nacional, das chamadas cooperativas de trabalho ou de mão
de obra e a coibição da absurda e indiscriminada terceirização,
especialmente nas atividades fins das empresas privadas e do setor
público.
3 – Convenções 151 e 158 da OIT
Contra as demissões imotivadas e em defesa da organização
dos servidores públicos.
Com o apoio de todo movimento sindical, o Governo Federal encaminhou
ao Congresso Nacional as mensagens para a aprovação das
Convenções 151 e 158 da Organização Internacional
do Trabalho - OIT.
A Convenção 151 institui o direito do funcionalismo
público às negociações coletivas, direito
esse que já vem sendo conquistado na prática, mas que
ainda não está previsto em nossa legislação.
Com essa Convenção, aqueles que, contratados pelo Estado,
em suas diversas esferas (municipal, estadual e federal), prestam serviços
fundamentais e essenciais à população brasileira,
mas que ainda sofrem descriminação inaceitável
e odiosa.
Já a Convenção 158 coíbe a demissão
imotivada nas empresas privadas e só permite a dispensa em casos
de incapacidade econômico-financeira ou mudanças tecnológicos
e estruturais devidamente comprovadas, ou falta grave praticada pelo
trabalhador regularmente comprovada.
Nesse sentido, propomos:
a) imediata aprovação da Convenção 151
da OIT pelo Congresso Nacional, assegurando-se o direito dos servidores
públicos à negociação coletiva e livre
organização nos seus sindicatos.
b) a imediata aprovação da Convenção 158
da OIT pelo Congresso Nacional, com a inclusão na legislação
brasileira de que recaia sobre o empregador o ônus da prova da
falta do trabalhador que justifique a sua demissão.
4 – Previdência Social, Fundos e Pensões
Pela extinção do Fator Previdenciário e pela
recuperação das aposentadorias e pensões. O Fator
Previdenciário e as defasagens nos reajustes aposentadorias
e pensões do Regime Geral da Previdência Social continuam
agravando a situação de milhões de brasileiros
que construíram a riqueza nacional. O Fórum Nacional
de Previdência Social (FNPS) não conseguiu chegar a um
consenso, pois os empresários e o governo insistem em aumentar
a idade mínima para aposentadoria, o que é inaceitável.
O Senado Federal há poucos dias, em decisão histórica,
aprovou o fim do Fator Previdenciário e estendeu às aposentadorias
e pensões os mesmos critérios de reajuste do mínimo
(inflação + crescimento do PIB). O reajuste do mínimo
foi aprovado na Câmara, mas emenda que beneficiava os aposentados
com o mesmo critério foi rejeitada.
Os Fundos de Pensões constituem importantes instrumentos de
complementações de aposentadorias e pensões da
Previdência Social e também significativa poupança
interna do país.
Entretanto, é necessária a fiscalização
especifica e rigorosa das suas atividades, a fim de serem evitados
os escândalos publicados frequentemente pela imprensa e prejuízos
aos aposentados e pensionistas.
Desta forma propomos:
a) a aprovação imediata pela Câmara dos Deputados
do PLS 296/2003, que extingue o Fator Previdenciário, cujas
regras, baseadas, principalmente, na expectativa de vida dos trabalhadores,
retardam e dificultam a concessão das aposentadorias.
b) aprovação imediata pela Câmara dos Deputados
do reajuste das aposentadorias e pensões pelos mesmos critérios
do salário mínimo, sob pena daqueles que ganham acima
do mínimo e até o teto do Regime Geral estarem, muito
em breve, ganhando somente o piso nacional.
c) a retomada da atuação do FNPS, a fim de que seja
construído um modelo que fortaleça a previdência
pública e social e elimine os riscos de sua privatização.
5 – Reforma Agrária, Meio Ambiente e Matriz Energética
Em defesa da reforma agrária, do meio ambiente e das fontes
energéticas alternativas.
O Brasil dispõe de condições geográficas,
físicas, econômicas e culturais fantásticas para
atingir seu desenvolvimento auto-sustentável, de forma soberana,
e com a preservação do meio ambiente.
Dispomos de um território continental, temos água e
matérias primas abundantes, detemos uma biodiversidade invejável
e ainda dispomos de uma base econômica e industrial que, conjugados
entre si, permitem a superação de todos os resquícios
de subdesenvolvimento econômico, de desigualdade social e de
atraso cultural, ou seja, estamos destinados, inclusive, pela história
de luta e nosso povo e de nossos trabalhadores, a alcançar a
condição de país de primeiro mundo, em todos os
aspectos.
Mas, para isso, alguns desafios terão de ser enfrentados. Além
de superar os aspectos da política econômica neoliberal
(juros altos, impostos elevados, superávit primário,
etc.), precisamos promover e concluir algumas reformas estruturais
para o pleno desenvolvimento nacional.
Sendo assim, propomos:
a) a reforma agrária, com uma política agrícola
de fortes investimentos no setor, principalmente em tecnologia, onde
se destaca a necessidade de fortalecimento da Embrapa e de suas pesquisas,
e a indispensável implantação de uma política
agrária de zoneamento que impeça a prática da
monocultura, tão perversa ao desenvolvimento diversificado da
agricultura brasileira.
b) a defesa do meio ambiente, com a adoção de reformas
urbanas nos grandes centros metropolitanos e de políticas racionais
de desenvolvimento econômico com a preservação
de nossos mananciais hídricos, nossas reservas florestais, nossa
biodiversidade, enfim, nossa qualidade de vida.
c) a instituição de uma Política Nacional Energética
que priorize nossas fontes alternativas, como a bioenergia, a energia
eólica, a energia solar, entre outras opções que,
com a defesa do controle nacional sob nosso território e sem
prejuízo da necessária auto-suficiência em petróleo,
permitam ao país construir uma matriz energética de baixo
custo econômico e de elevada capacidade de preservação
ambiental por basear-se em fontes renováveis.
Fórum Sidical dos Trabalhadores
Brasília-DF, 13 de Maio de 2008"
Portal da CTB
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Congresso em Foco, 10 de agosto de 2008
O banimento das algemas
Osvaldo Martins Rizzo*
“Quem rouba um pão é ladrão,
quem rouba um milhão é barão.
Quem rouba um milhão e esconde, passa de barão a visconde”.
(Provérbio popular)
Em cinco de outubro do ano passado, a jornalista Mônica Bergamo
registrou na prestigiada coluna social de um jornal paulista de grande
circulação um jantar fartamente regado por champanhe
francês, onde notórios banqueiros e portentosos empresários
homenageavam o excelente trabalho desenvolvido pelo atual presidente
do Banco Central (BC) do Brasil.
Em meio à aristocrata comilança, renomados advogados
conspiravam com as autoridades presentes para que os crimes contra
os cofres públicos dos grandes sonegadores de impostos deixassem
de ser punidos com prisão. Noutras palavras: seletos membros
da classe social que deveriam zelar pela manutenção do
basilar princípio constitucional da isonomia sorrateiramente
articulavam a implantação de uma Justiça excludente
baseada na impunidade seletiva.
Ocupados em preservar a imagem pública de clientes de fina
linhagem investigados por policiais federais, os causídicos
se empenhavam em legalizar uma situação junto àquelas
autoridades superiores que permitiram – por omissão; inépcia;
cumplicidade ou má fé – a ocorrência de fatos
que até mesmo expuseram ao risco sistêmico todo o setor
bancário brasileiro.
Durante muitos anos, autoridades do festejado BC ficaram diariamente
dentro do fenecido Banco Santos, fiscalizando suas contas e descobrindo
que, entre outras irregularidades esquecíveis, a instituição
bancária estava desprovida de mecanismo que detectasse transações
financeiras com valor superior ao limite definido na resolução
que visa combater a lavagem de dinheiro. Todavia, só intervieram
quando a corrida aos caixas tornou os saques impagáveis, e o
moribundo banco pediu um multimilionário empréstimo na
linha de redesconto do BC.
O mesmo órgão fiscalizador desprezou os visíveis
indícios de crime contra o sistema financeiro nos vultosos empréstimos
concedidos a descapitalizados partidos políticos pelo Banco
Rural, garantidos por simples aval de indivíduos possuidores
de patrimônio pessoal insuficiente para honrá-los. Essas
operações financeiras são classificadas pelas
normas vigentes como de risco inaceitável e sequer apareceram
como provisões nos balanços da instituição,
fato que poderia ter sido facilmente constatado por auditorias isentas.
A mesma fiscalização não percebeu, durante decênios,
que a alta cúpula do defunto Banco Nacional escondia de seus
balanços uma carteira de empréstimos podres que levou
o banco à insolvência, resultando em um prejuízo
bilionário aos cofres públicos.
Recentemente, em audiência pública da Comissão
de Assuntos Econômicos do Senado, um senador da situação
afirmou que o BC terá de explicar se houve gestão fraudulenta
ou evasão de divisas por parte do Banco Opportunity. Segundo
o congressista: ou ocorreu exagero da Polícia Federal, ou omissão
do BC, que deveria ter fiscalizado as operações feitas
pelo banco.
Apesar desse desalentador retrospecto, o silencioso conluio dos soturnos
advogados caminha para alcançar pleno êxito, pois, açodadamente,
tramitam pelas comissões do Congresso Nacional projetos de lei
que mudam as penas atualmente previstas, além de engessarem
a atuação policial com uma ampla série de regulamentações,
inclusive sobre a escuta telefônica.
A pena pecuniária, por exemplo, deverá substituir a
de privação da liberdade e o juiz não poderá mais
produzir provas no processo penal e na investigação preliminar.
Ademais, está prevista a alteração dos pré-requisitos
para a decretação da prisão cautelar que será descabida
para os casos do emprego irregular de verbas públicas; das violações
da Lei de Licitações; nos crimes de receptação;
na quase totalidade dos crimes financeiros; nos crimes de formação
de quadrilha e nos de estupro.
Pela intensa freqüência da ocorrência desses delitos,
quando as novas regras entrarem em vigor, a Polícia Federal
poderá ficar ociosa e jogar fora suas algemas.
* Osvaldo Martins Rizzo é engenheiro e ex-Conselheiro
do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
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Folha de Londrina, 10 de agosto de 2008
Aumento da classe média é fenômeno
mundial
Para as multinacionais essa parcela
da população representa um novo mercado, para
ambientalistas um risco real para a sustentabilidade
Genebra - Nos últimos meses, multinacionais como Coca-Cola, Nissan
ou a Nestlé criaram novas linhas de produtos. Eles não
têm nenhum sabor novo nem inovação tecnológica.
Mas foram elaborados especialmente para atender a uma nova camada da
sociedade que explode no mundo: a classe média. Estimativas do
Banco Mundial, da Goldman Sachs e de consultorias apontam que o mundo
vive a maior expansão da classe média, superando até mesmo
a revolução no século 19, quando o fenômeno
transformou Europa e Estados Unidos.
Se para as multinacionais essa parcela da população
representa um novo mercado, para ambientalistas, a explosão
pode representar um risco real para a sustentabilidade se o padrão
de consumo americano for reproduzido pelo planeta. Para a agência
de Saúde da ONU, o risco de que a obesidade se transforme em
praga nos países emergentes também é uma ameaça.
Segundo o Banco Mundial, a classe média no mundo passará de
430 milhões de pessoas em 2000 para mais de 1,1 bilhão
em 2030 - 93% estarão nos países emergentes. Para o banco,
uma pessoa de classe média ganha entre US$ 10 e US$ 20 por dia.
Para entidades de pesquisa essa população seria maior.
''Nos últimos dez anos, vimos uma expansão sem precedentes
da classe média'', afirma da Goldman Sachs em relatório.
''Mas o ritmo de crescimento será bem mais rápido nos
próximos anos.'' Na avaliação da Goldman, até 2030,
2 bilhões de pessoas farão parte da classe média
- o correspondente a 30% da população mundial. O banco
de investimento considera integrante da classe média quem ganha
entre US$ 6 mil e US$ 30 mil por ano.
Uma parte enorme da população continuará na extrema
pobreza. Mas a expansão da classe média terá impactos
ambientais, econômicos, sociais e políticos. Hoje, 70
milhões de pessoas saem da pobreza e entram na classe média
a cada ano. Até 2030, serão 90 milhões por ano.
Os principais responsáveis por isso serão Brasil, Rússia, Índia
e China, que estarão entre as seis maiores economias do mundo
até 2050. Mas Indonésia, México, África
do Sul e Turquia também terão alta. Como consequência,
a Goldman estima que o número de pessoas vivendo com menos de
US$ 2 por dia cairá para 2,5% da população mundial
em 2020 ante 30% nos anos 70.
Para a McKinsey Global Institute, a classe média indiana passará de
50 milhões de pessoas em 1990 para 583 milhões em 2020.
Na China, a classe média representará 76% da população
até 2025. Hoje, ela é 46% do país.
Para as consultorias, o impacto econômico dessas novas camadas
será significativo. Nos últimos meses, parte da alta
nos preços das commodities ocorreu diante do maior consumo de
carne e alimentos por chineses e indianos. Minerais, madeira e petróleo
nunca foram tão consumidos. Segundo a agência de Alimentação
e Agricultura da ONU, a safra mundial será recorde em 2008.
Para a Nestlé, os emergentes garantem lucros, enquanto Estados
Unidos e Europa dão sinais de debilidade. No primeiro semestre,
o crescimento médio da empresa foi de 8,9% ante 18% nos países
emergentes. ''Vemos esses mercados como oportunidades para compensar
a desaceleração nas economias ricas'', disse o diretor
Financeiro da Nestlé, Jim Singh.
Jamil Chade, correspondente
Agência Estado
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Folha de Londrina, 10 de agosto de 2008
SEU DIREITO
CONTRATO VERBAL
Tenho uma casa e deixei uma pessoa morando lá sem
pagar, durante quatro anos. Coloquei o imóvel à venda
em janeiro, e essa pessoa quis comprá-lo por R$ 30 mil. A
proposta era financiar a casa pela Caixa Econômica, e para
isso, seria necessário apresentar documentos, que demoraram
a sair. A negociação foi feita apenas verbalmente.
Hoje acho que o valor inicial está defasado. Posso modificar
a proposta de venda?
A princípio não, pois do que se pode extrair da pergunta,
não fora estipulado qualquer prazo para que o comprador providenciasse
os documentos e o financiamento do imóvel.
Como em nosso sistema jurídico os contratos verbais vinculam
as partes ao seu cumprimento como se fossem escritos, o proponente
e o aceitante devem honrar com os termos que ajustaram, cumprindo cada
qual com as suas obrigações.
Desta forma, deve o comprador pagar o preço a que se obrigou,
e o vendedor, após recebido, entregar a coisa.
No entanto, há a possibilidade de os contratos serem revistos
e terem suas cláusulas ajustadas, desde que uma das partes comprove
que o cumprimento do contrato seja excessivamente oneroso, trazendo
prejuízos, ressalvando que esta onerosidade seja decorrente
de um fato imprevisto, não havendo qualquer possibilidade de
revisão contratual para proteger uma parte tão somente
de um mau negócio realizado.
Assim, se o valor está defasado frente ao mercado atual, esta
valorização se deu após a realização
da proposta, não fora estipulado qualquer prazo para a conclusão
do negócio. Considerando o tempo decorrido sem que o comprador
tenha providenciado a documentação necessária,
entendo que o valor possa ser alterado, assim como a promessa de venda
possa ser, inclusive, desconsiderada em razão da inércia
do comprador em providenciar o cumprimento de sua obrigação.
Uma solução, fiel e de boa-fé ao caso, seria
a notificação do comprador para que providencie a documentação
e o financiamento dentro de determinado prazo, sob pena de ter ajustado
o valor do bem à realidade atual do mercado, ou mesmo a extinção
do contrato.
Roger Perineto, advogado
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Gazeta do Povo, 10 de agosto de 2008
Mão-de-obra
Onde estão os empregos?
Com o aquecimento da economia, algumas empresas
já sentem dificuldade para preencherem vagas abertas. É tempo
de oportunidades para quem busca um lugar no mercado
A retomada do crescimento econômico trouxe à tona o problema
da escassez de profissionais qualificados no mercado de trabalho. Alguns
setores já começam a sentir sinais de um “apagão” de
mão-de-obra e têm dificuldade para preencher as vagas
abertas. Os setores mais atingidos são os que estão com
demanda aquecida, como construção civil, indústria
do petróleo, de material de transporte, tecnologia da informação,
agronegócio e varejo. A forte procura, por outro lado, tem favorecido
o aumento dos salários e a valorização de algumas
profissões, como a de engenheiros, analistas de sistemas, vendedores
e mecânicos. Para quem procura uma colocação, significa
que é hora de ficar atento às oportunidades de qualificação
e aos setores que estão crescendo.
A demanda por engenheiros, de todas as áreas, atualmente é 30%
superior à oferta de profissionais no mercado, calcula Euclesio
Finatti, diretor técnico do Sindicato da Indústria da
Construção Civil (Sinduscon) no Paraná. Para reter
trabalhadores, as grandes empresas aumentaram os salários e
ampliaram a concessão de benefícios. Outras criaram programas
de qualificação e treinamento com recursos próprios.
Quanto mais especializada a função, mais difícil é achar
mão-de-obra no mercado. A Sepac Serrados e Pasta de Celulose,
fabricante de papel com sede em Mallet, no Sul do estado, criou uma
escola técnica em parceria com o Senai para capacitar pessoal.
Com investimento de R$ 100 milhões, a empresa acaba de colocar
em operação uma nova máquina que vai dobrar a
capacidade de produção, para 200 toneladas por dia. “Sem
isso [parceria com o Senai], não achamos pessoal técnico
no mercado para o setor de celulose e papel”, diz Valéria
Borges, supervisora de Recursos Humanos. “Hoje tenho 30 vagas
para contratação imediata e parte delas deve ser formada
no curso”, afirma. Com a ampliação, o número
de funcionários da fábrica deve passar de 320 para 500.
Para a coodernadora de recursos humanos da gigante norte-americana
ExxonMobil em Curitiba, Lissandra Fieltz, é preciso ser rápido
na contratação de alguns profissionais, principalmente
da área de informática, para não perder o candidato
para outra empresa. “Atualmente, cada concorrente já tem
três, quatro propostas em estudo. Não dá para adiar
a decisão de contratação”, afirma. Segundo
ela, a ExxonMobil contrata em média de 20 a 30 pessoas por mês
na capital paranaense, onde está o Centro de Serviços
para Negócios do grupo e trabalham 1,3 mil pessoas. Até o
fim do mês, a empresa recruta candidatos para o seu programa
de estágio para 2009. São 77 vagas, para as áreas
de Administração, Contábeis, Economia, Engenharias
e Informática. “Na última edição,
dos 77 selecionados, 60 foram contratados ao fim do estágio”,
afirma.
Segundo o economista Cid Cordeiro, do Departamento Intersindical de
Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o mercado
de trabalho deve continuar crescendo no segundo semestre, ainda que
em ritmo menor. “Tradicionalmente, a geração de
emprego é maior no primeiro semestre, mas ainda assim teremos
um fim de ano muito bom”. Segundo ele, o crescimento da economia,
do crédito, da renda da população e o aumento
da confiança na manutenção do emprego ajudaram
a aquecer setores estratégicos, como o da construção
civil, da alimentação, de vestuário e metal-mecânico.
No acumulado do primeiro semestre, o Paraná registrou um saldo – diferença
entre admissões e demissões – recorde de 109.162
vagas, o maior desde o início da série histórica,
em 1992. O nível de emprego formal cresceu 5,6% em relação
aos primeiros seis meses de 2007, segundo dados do Cadastro Geral de
Empregados e Desempregados (Caged). O Paraná tem crescido acima
da média nacional graças ao bom desempenho da agricultura
e da agroindústria, dois segmentos que têm bastante peso
na economia do estado. No Brasil todo, o nível de emprego cresceu
4,7% no primeiro semestre, segundo o Dieese.
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Gazeta do Povo, 10 de agosto de 2008
Construção Civil
De pedreiro a engenheiro,
sobram vagas
O “boom” da produção imobiliária
trouxe uma dor de cabeça inusitada para as empresas do setor.
Durante os anos de crise da construção civil, muita gente
que trabalhava no segmento migrou para outras atividades e hoje falta
mão-de-obra no mercado para fazer frente à expansão. “O
nosso desafio é trazer esse pessoal de volta e formar uma nova
safra de trabalhadores”, diz Euclesio Finatti, diretor técnico
do Sindicato da Indústria da Construção Civil
(Sinduscon) no Paraná.
O Sinduscon estima em pelo menos 15% o déficit de mão-de-obra
para a construção no estado. Dados do Cadastro Geral
de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho
e Emprego mostram que o setor bateu recorde de geração
de vagas no primeiro semestre no Paraná. O saldo entre admissões
e demissões ficou em 11,5 mil vagas, com crescimento de 99%
sobre o mesmo período do ano passado e aumento de 15,8% no estoque
de empregados. Até o fim do ano, o número deve chegar
a 17 mil, mais que o dobro de 2007 (8 mil), segundo Finatti.
Além de pedreiros, carpinteiros e eletricistas, as construtoras
estão à procura de engenheiros. Muitas estão recrutando
estudantes do último ano da faculdade, algo que há tempos
não se via na construção civil. “Em média,
um engenheiro recém-formado demorava um, dois anos para conseguir
uma colocação. Hoje ele já sai da faculdade com
o emprego garantido”, diz Finatti. Com a procura maior, os salários
também subiram. As ofertas iniciais variam de R$ 4 mil a R$
5 mil.
Os profissionais autônomos, que sofreram com a queda na produção
de imóveis até meados da década, também
estão retomando espaço. Com 30 anos de experiência,
a engenheira Regina Barbosa (foto) diz que hoje é obrigada a
descartar algumas propostas de contratação porque não
dá conta da demanda. “Em média, a remuneração
subiu 30%”, diz ela, que acaba de fechar um acordo com a recém-criada
incorporadora Neubau, em Curitiba.
Segundo Euclésio Finatti, o setor vem acelerando ações
para evitar um “apagão” de mão-de-obra. Até o
fim do mês devem ser formadas as primeiras turmas do Plano Setorial
de Qualificação (Planseq) Bolsa Família, que vai
contemplar a construção civil. Patrocinado pelo governo
federal, com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), o projeto
vai capacitar beneficiários do Bolsa Família para funções
como pedreiros, azulejistas, carpinteiros e eletricistas, com cursos
de 80 horas de aulas.
Com foco em gerar mão-de-obra para atuar nas obras do Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC), o programa espera
treinar 180 mil pessoas, com recursos de R$ 150 milhões em todo
o país. Para Curitiba e região metropolitana, estão
reservados R$ 10 milhões, segundo Finatti, suficiente para preparar
13 mil pessoas. Parte desse montante deve ser destinado ao interior,
que já tem garantida uma contrapartida de R$ 2 milhões
do governo estadual. (CR)
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O Estado do Paraná, 10 de agosto de
2008
Brasil dá sinais de
expansão, ao contrário do G-7
Agência Estado
O Brasil lidera a expansão do ciclo de atividade econômica
entre as principais economias do mundo e é acompanhado apenas
pela China entre as únicas duas grandes economias que dão
sinais positivos no ritmo de crescimento. A economia brasileira, porém,
apresentou dados mais robustos que os de Pequim.
Segundo um levantamento da Organização para a Cooperação
e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), o crescimento dos países
do G-7, grupo das nações mais desenvolvidas, deve sofrer
uma desaceleração ainda maior nos próximos meses.
A OCDE faz a estimativa baseada em uma série de indicadores,
como o ciclo de produtividade de um país, desemprego, crescimento
per capita e atividade industrial, além do próprio Produto
Interno Bruto (PIB). De acordo com a entidade, o índice para
o Brasil aumentou em 2,2 pontos entre maio e junho e somou 106,9 pontos,
o mais alto entre as economias avaliadas pela OCDE.
Em segundo lugar veio a China, com 104,9 pontos. Isso não significa,
porém, que em termos de PIB o Brasil esteja crescendo a taxas
acima dos demais emergentes. A criação de empregos e
a resistência da economia à desaceleração
mundial foram alguns dos pontos que contribuíram para o resultado
do Brasil na avaliação.
G-7
No geral, as conclusões da OCDE não são nada
animadoras para a economia mundial. A entidade estima que as economias
européias e americana podem sofrer uma queda ainda maior que
a que já foi registrada diante da crise no sistema financeiro
e alta dos preços do petróleo. Para a OCDE, os dados
de junho "indicam a continuação de uma desaceleração
na economia para todas os países do G-7".
Segundo a entidade, todos os demais países ricos também
sofrerão pelos próximos meses. Entre maio e junho deste
ano, a OCDE alerta que o grupo de países ricos sofreu uma queda
de 0,6 ponto, atingindo 96,8 pontos. Em comparação a
junho de 2007, a queda é de 5,0 pontos.
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O Estado do Paraná, 10 de agosto de
2008
Amazônia 2009, conservação
e desenvolvimento
Edésio Passos
“ Doutor Machado - O Direito na Obra de Machado de Assis” é o
livro co-editado por Migalhas e Editora Lettera.doc a ser lançado no dia
22 de setembro em São Paulo, em solenidade no Salão Nobre da Faculdade
de Direito da USP, escrito por Miguel Matos, diretor de Migalhas, e Cássio
Schubsky, editor da Lettera.doc. Pelo site www.doutormachado.com.br é possível,
desde já, reservar exemplar personalizado da obra, magnífica e
oportuna iniciativa no ano do centenário da morte do mestre Machado de
Assis.
“Em janeiro de 2009, os olhos do mundo estarão voltados
para Belém, esperando uma resposta não só para
a ameaça de um dos mais importantes patrimônios da humanidade
a Amazônia mas também para a questão do aquecimento
global. Por isso, a preparação para este encontro se
torna ainda mais necessária.(...) O FSM de Belém constitui
uma excelente oportunidade não só para dar uma resposta à questão
da Amazônia, mas para apontar os rumos para a sustentabilidade
planetária. (...) A resposta que o Brasil der à questão
da Amazônia definirá que tipo de país queremos.
Por isso essa questão é tão importante: um projeto
de desenvolvimento sustentável para a região pressupõe
um projeto de desenvolvimento sustentável para o país.
E por ser essa questão importante para a sobrevivência
do planeta também, o Brasil pode ter um papel destacado na definição
do mundo que queremos. Amazônia está oferecendo uma chance
sem precedentes para o Brasil se inserir de forma protagônica
em defesa de uma nova ordem planetária. Não podemos perder
essa oportunidade, que vai depender muito da preparação
para esse evento” (escreveu o prof. Moacir Gadotti na Revista
Fórum, edição de julho de 2008).
Os objetivos do FSM
De 27 de janeiro a 1 de fevereiro de 2009 será realizado em
Belém, Pará, o Fórum Social Mundial, já com
dez objetivos principais definidos, em torno dos quais serão
organizadas as diversas atividades do evento: 1. Pela construção
de um mundo de paz, justiça, ética e respeito pelas espiritualidades
diversas, livre de armas, especialmente as nucleares; 2. Pela libertação
do mundo do domínio do capital, das multinacionais, da dominação
imperialista patriarcal, colonial e neo-colonial e de sistemas desiguais
de comércio, com cancelamento da dívida dos países
empobrecidos; 3. Pelo acesso universal e sustentável aos bens
comuns da humanidade e da natureza, pela preservação
de nosso planeta e seus recursos, especialmente da água, das
florestas e fontes renováveis de energia; 4. Pela democratização
e descolonização do conhecimento, da cultura e da comunicação,
pela criação de um sistema compartilhado de conhecimento
e saberes, com o desmantelamento dos Direitos de Propriedade Intelectual;
5. Pela dignidade, diversidade, garantia da igualdade de gênero,
raça, etnia, geração, orientação
sexual e eliminação de todas as formas de discriminação
e castas (discriminação baseada na descendência);
6. Pela garantia (ao longo da vida de todas as pessoas) dos direitos
econômicos, sociais, humanos, culturais e ambientais, especialmente
os direitos à saúde, educação, habitação,
emprego, trabalho digno, comunicação e alimentação
(com garantia de segurança e soberania alimentar); 7. Pela construção
de uma ordem mundial baseada na soberania, na autodeterminação
e nos direitos dos povos, inclusive das minorias e dos migrantes; 8.
Pela construção de uma economia centrada em todos os
povos, democratizada, emancipatória, sustentável e solidária,
com comércio ético e justo; 9. Pela ampliação
e construção de estruturas e instituições
políticas e econômicas locais, nacionais e globais realmente
democráticas, com a participação da população
nas decisões e controle dos assuntos e recursos públicos;
10. Pela defesa da natureza (amazônica e outros ecossitemas)
como fonte de vida para o Planeta Terra e aos povos originários
do mundo (indígenas, afrodescendentes, tribais, ribeirinhos)
que exigem seus territórios, línguas, culturas, identidades,
justiça ambiental, espiritualidade e bom viver.
As inscrições para o FSM 2009 na segunda quinzena de
agosto, inicialmente o cadastramento das atividades autogestionadas,
de balanços dos movimentos altermundistas e do processo FSM
e sobre as perspectivas de ambos, que não se vinculem necessariamente
a um dos dez objetivos específicos. De acordo com a Carta de
Princípios do Fórum Social Mundial, somente organizações
podem inscrever atividades. Seguem-se inscrições de participantes
individuais e veículos de mídia (www.fsm2009amazonia.org.br).
Já as inscrições para o III Fórum Social
das Américas estão abertas até 15 de agosto, que
acontece na Guatemala, de 7 a 12 de Outubro.
Conciliações no TRT
O Tribunal Regional do Trabalho do Paraná criou os Juízos
Auxiliares de Conciliação de 1.º e 2.º Graus
e está convidando empresas, e seus advogados, com grande número
de processos em tramitação, para conhecer os procedimentos,
visando dinamizar a composição entre as partes. A desembargadora
federal dra. Sueli Gil El Rafihi, coordenadora do Juízo Auxiliar
de Conciliação do 2.º Grau assinala a importância
da iniciativa visando viabilizar acordos em qualquer fase processual,
possibilitando aos interessados conhecer o trabalho que vem sendo desenvolvido.
Também o desembargador federal Edmilson Lima, integrante do
Juízo de Conciliação, manifestou sua opinião
pela importância do incentivo à retomada da conciliação
entre as partes, inclusive com procedimentos no interior do Estado.
Em nove meses de atuação, houve acordo em 55% dos processos
na audiências dos Juízos Conciliatórios. Informações
pelos fones 33107141 e 33107360 (do site do TRT9).
Profissão de jornalista
A Federação Nacional dos Jornalistas divulga manifesto “Em
defesa do Jornalismo, da Sociedade e da Democracia no Brasil” relacionado
com o julgamento, neste segundo semestre, pelo Supremo Tribunal Federal,
do RE 511961 (relator ministro Gilmar Mendes), que trata da obrigatoriedade
do diploma do curso superior de jornalismo para o exercício
profissional. Afirma a Fenaj que “a exigência da formação
superior é uma conquista histórica dos jornalistas e
da sociedade, que modificou profundamente a qualidade do Jornalismo
brasileiro. Depois de 70 anos da regulamentação da profissão
e mais de 40 anos de criação dos Cursos de Jornalismo,
derrubar este requisito à prática profissional significará retrocesso
a um tempo em que o acesso ao exercício do Jornalismo dependia
de relações de apadrinhamento e interesses outros que
não o do real compromisso com a função social
da mídia”.
Obama e a AFL-CIO
Parte da verba eleitoral de 200 milhões de dólares da
Federação Americana do Trabalho-Congresso das Organizações
Industriais (AFL-CIO) será mobilizada em favor da candidatura
do senador democrata Barack Obama para presidente dos EUA. A principal
organização sindical dos trabalhadores norte-americanos,
formada por 56 entidades, decidiu por unanimidade o apoio a Barack
Obama, desenvolvendo campanha em 24 Estados prioritários, para
atingir 13 milhões de eleitores até o início de
setembro, com trabalho porta-a-porta, por telefone e a distribuição
de panfletos esclarecedores da posição do candidato sobre
as questões de interesse dos trabalhadores, em especial sobre
salário mínimo, saúde pública, segurança
no trabalho, liberdade de associação e comércio,
entre outros. Nos EUA é permitida a presença plena dos
sindicatos na indicação, apoio e sustentação
financeira das candidaturas.
Denúncias na OAB
Representantes de vários movimentos sociais e de centrais sindicais
estiveram reunidos com o presidente nacional da OAB Cezar Britto apresentando
denúncias “que indicam a tendência cada vez maior
de criminalização, em todo o Brasil, dos atos praticados
pelos movimentos sociais em representação às suas
categorias. Entre as denúncias relatadas pelos representantes
sindicais estão decisões judiciais aplicando multas exorbitantes
contra a realização de assembléias e atos públicos
em frente a fábricas, vedação de distribuição
de folders e material convocatório para reuniões e punições
contra greves já realizadas, além de demissões
em massa por parte das empresas”. O relato será analisado
pela OAB e nova reunião está agendada para o dia 27 de
agosto objetivando o debate das medidas a serem adotadas em comum.
O presidente da OAB assinalou que a XX Conferência Nacional dos
Advogados terá como tema “Estado Democrático de
Direito x Estado Policial Dilemas e Desafios em Duas Décadas
de Constituição” (no site da OAB).
Quinto constitucional no TRT.RS
O advogado Cláudio Antônio Cassou Barbosa foi nomeado
pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para exercer o cargo
de desembargador federal do Tribunal Regional do Trabalho do Rio Grande
do Sul na vaga do quinto constitucional em decorrência da aposentadoria
do desembargador federal Paulo José da Rocha, com posse marcada
para 29 de agosto, às 17 horas. “Segundo Barbosa, a principal
contribuição dos membros oriundos do quinto constitucional é trazer
para a Magistratura a visão das partes. Ele acredita que, além
de ter conhecimento técnico para julgar os processos, “deve
ter urbanidade e um bom relacionamento não só com os
advogados, mas também com os próprios juízes,
e deve ter firmeza nas suas posições, saber dialogar
e ao mesmo tempo argumentar e sustentar posições para
tentar convencer os juízes, principalmente naquelas matérias
em que os advogados são prejudicados, como nas questões
dos honorários advocatícios e das prerrogativas profissionais” (do
site do Espaço Vital).
Seminário Jurídico dos Rodoviários
A desembargadora federal do TRT.PR, dra. Marlene T.Fuverki Suguimatsu,
pronunciará a palestra inaugural do VI Seminário Jurídico
e de Dirigentes Sindicais Rodoviários do Estado do Paraná sob
o tema “Assédio Moral no Ambiente de Trabalho”.
O evento, realizado pela Federação dos Trabalhadores
em Transportes Rodoviários do Estado do Paraná (FETROPAR)
será realizado de 27 a 29 de agosto, em Guaratuba, PR, contando,
ainda, com as palestras do dr. Paulo Douglas e do dr. José Pedro
dos Reis, procuradores do trabalho do Mato Grosso, e do dr. Gláucio
Araújo de Oliveira, do MPT do Paraná. O Ministro do TST
dr. Fernando Eizo Ono abordará o tema “Poder Normativo
do TST após a EC 45”. O advogado e professor Sandro Lunard
Nicoladeli apresentará questões sobre “Convenções
e Resoluções da Organização Internacional
do Trabalho” e o advogado e vereador André Passos fará análise
sobre “Dissídios, Convenções e Acordos Coletivos
de Trabalho”. Nossa participação está prevista
no painel sobre pontos relacionados com a conjuntura atual do Direito
do Trabalho. A mesa de abertura estará presidida pela dra. Lúcia
Maria Beloni Correa Dias, da OAB.PR, e os advogados e dirigentes sindicais
comporão plenária de debate sobre temas de interesse
da categoria profissional dos rodoviários.
Fórum Sindical dos Trabalhadores
Dia 12 de agosto, às 14:00 horas, na sede da Federação
dos Empregados do Comércio do Paraná, em Curitiba, estarão
reunidos os representantes das Confederações e Federações
que constituem o Fórum Sindical dos Trabalhadores para o debate
dos seguintes pontos (1) as medidas pela reformulação
da portaria 186, do Ministério do Trabalho e Emprego, que trata
do registro sindical (2) a organização do Encontro Regional
do FST e o planejamento das atividades conjuntas das entidades sindicais
(3) ações relativas aos projetos de lei em tramitação
no Congresso Nacional de interesse da classe trabalhadora e do movimento
sindical.
Constituição do Equador
A Assembléia Nacional Constituinte aprovou, em 24 de julho,
o projeto da nova Constituição do Equador, que será submetida
ao referendo popular em 28 de setembro. São 444 artigos e 30
disposições transitórias, superando o modelo neoliberal
da Constituição de 1998. A nova Carta estabelece o regime
de bem viver (sumak kaway), os direitos da natureza, a soberania alimentar,
a declaratória do Estado como plurinacionalidade, o reconhecimento
do kichua e do shuar como idiomas oficiais de relação
intercultural, o reconhecimento dos direitos das pessoas e grupos de
atenção prioritária, os direitos à água
e à comunicação, prioridade a integração
latinoamericana, fixa o Equador como território de paz e que
não permitirá o estabelecimento de bases e instalações
militares estrangeiras, entre outras disposições (por
Eduardo Mayo, do Brasil de Fato).
Eventos
(1) “Seminário Nacional sobre Acidente do Trabalho e
Saúde Ocupacional” Anamatra2, Escola da Magistratura TRT2,
Abrat, OAB, Associação Latino-Americana de Juízes
do Trabalho, Jutra/ALAL em São Paulo, de 13 a 15 de agosto (2)
V Conferência Estadual dos Advogados da OAB.RS, Porto Alegre,
19 e 20 de agosto, sob o tema “Estado Democrático de Direito
x Estado Policial” (3) I Congresso Mineiro sobre Justiça
Digital e Direito do Trabalho, Caxambu, MG, 21 a 23 de agosto, sobre “a
desmaterialização do processo e as novas tecnologias
de comunicação e informação são
realidades inexoráveis que alteram profundamente a ciência
processual e o Direito do Trabalho”, iniciativa da Escola Judicial
do TRT.MG (4) Conferência Nacional para a Superação
da Violência e Promoção da Cultura da Paz, pelo
Conselho Federal da OAB, de 3 a 5 de setembro em Brasília, presentes
os ministros Carlos Lupi, do Trabalho, e José Pimentel, da Previdência
e Assistência Social (5) O XXX Congresso Nacional dos Advogados
Trabalhistas, de 10 a 12 de setembro em Goiânia, pergunta sobre
a CF/88: “20 anos depois...e a efetividade dos direitos fundamentais?” (6)
VI Encontro Internacional do Fórum Paulo Freire, analisa “Globalização,
Educação e Movimentos Sociais-40 anos da pedagogia do
oprimido”, em São Paulo, SP, de 16 a 20 de setembro, presença
de Oscar Jara, Thiago de Mello, Ana Maria Saul, Ivor Baatjes, Miguel
Escobar, Elisa Larkin, Peter Lownds, entre outros (www.forumpaulofreire.org)
(7) VI Encontro Interamericano de Direito Laboral e Seguridade Social,
promovido pela ALAL/ABRAT/Sociedad Cubana de Derecho Laboral e Seguridad
Social/Associação Americana de Juristas/Associação
Internacional de Juristas Democratas, de 27 a 30 de outubro, no Hotel
Nacional, em Havana, Cuba, que, entre vários temas, debaterá “emprego,
desenvolvimento, migração e pactos de integração
regional”.
Depois de escrever que “Deus come escondido, e o diabo sai por
toda parte lambendo o prato”, o mestre concluiu: “o mal e
o bem estão é em quem faz; não é no efeito
que dão” (estas são duas “pérolas do
Rosa”, coletadas por Cássio Schubsky, da Lettera.doc, sobre
o autor do “Grande Sertão, Veredas”, João Guimarães
Rosa)
Edésio Passos é advogado e ex-deputado
federal (PT/PR). edesiopassos@terra.com.br
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Folha de São Paulo, 10 de agosto de
2008
Governo teme força excessiva
da Petrobras
Temor é que empresa ganhe
poderes demais e vire "um Estado dentro do Estado",
como houve com a PDVSA, na Venezuela
Proposta com mais simpatia dentro do governo é a
criação de empresa puramente estatal para gerir áreas
de megacampos
VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo Lula ainda não tem uma posição final
sobre as novas regras para exploração dos novos megacampos
de petróleo na costa brasileira, mas decidiu que não
deve entregar para a Petrobras todas as áreas da chamada camada
pré-sal ainda não leiloadas.
Dois são os motivos:
1) A Petrobras é uma empresa mista,
com participação de capital privado; e
2) a estatal se transformaria numa empresa
gigantesca, com poderes demais, podendo representar riscos
no futuro, como já ocorreu na Venezuela, onde diretores
da estatal PDVSA participaram de articulações
golpistas.
" Hoje, a Petrobras já é um outro país. Felizmente,
um país amigo", afirma, pedindo reserva, um ministro que acompanha
os estudos ao falar sobre as restrições do governo em tornar a
estatal poderosa demais, "maior do que o próprio Estado brasileiro".
Nas reuniões sobre o tema, por exemplo, foi destacado que esse
risco não existe hoje e que o atual presidente da Petrobras, José Sergio
Gabrielli, é totalmente afinado com o governo. O risco estaria
no médio e no longo prazos.
Nessas discussões, é citada a tentativa de golpe em 2002
contra o presidente Hugo Chávez, quando executivos da PDVSA foram
acusados de participar das articulações para beneficiar
grupos estrangeiros que atuam no setor de petróleo.
Daí que a proposta que conta com mais simpatia no governo é a
criação de uma empresa puramente estatal para gerir as áreas
dos megacampos de petróleo localizadas na camada pré-sal,
que contrataria outras petrolíferas para a exploração,
seguindo o modelo norueguês.
Por sinal, o mesmo tipo de preocupação de não transformar
a Petrobras em "um Estado dentro do Estado", segundo palavras
de ministros envolvidos no assunto, consta em relatório do governo
norueguês ao montar seu modelo. Lá, duas estatais operam
no setor de petróleo. Uma, criada em 2001, ficou com a gestão
do patrimônio, a Petroro. A outra, Statoil, cuida da exploração.
Controle maior
Ao defender esse sistema, um assessor que participa das discussões
diz que nele a sociedade tem mais controle sobre seu patrimônio;
já uma empresa de capital aberto não seria a melhor agente
para controlar esses recursos.
Apesar das restrições, o discurso no Planalto é que
serão tomadas medidas para garantir um "grande papel" à Petrobras
no novo modelo de exploração na camada pré-sal,
que contém óleo mais leve e mais lucrativo.
Nos planos do governo, a estatal se tornaria a grande parceira da União
no pré-sal. Cálculos provisórios indicam, por exemplo,
que ela já deteria 25% das reservas por conta das concessões
já arrematadas pela empresa na região.
A maior parte das reservas pré-sal ainda não foi leiloada,
e o potencial real ainda não é conhecido, o que deve ocorrer
apenas no final de 2009. Os leilões dessas áreas só serão
retomados quando o governo definir as novas regras para exploração
desse tipo de petróleo.
Pelo cronograma do governo, os estudos da comissão formada pelo
presidente Lula para analisar o tema estarão prontos em outubro.
Depois, será a fase de formatação da proposta, que
muito provavelmente terá de passar pelo crivo do Congresso.
Como este é um ano eleitoral, a aprovação do novo
modelo pelo Legislativo deve ocorrer só em 2009. Isso não
preocupa o governo porque já há áreas do pré-sal
leiloadas e os investimentos começaram a ser feitos tanto pela
Petrobras como por outras empresas do setor.
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Folha de São Paulo, 10 de agosto de
2008
Aumenta sindicalização
entre mulheres
Dos 16,59 milhões de associados
a sindicatos em 2006, 40% eram mulheres; percentual era de
35% em 1998
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
A mulheres estão recorrendo mais aos sindicatos e se filiando
mais a essas entidades em busca de ajuda para enfrentar as dificuldades
que encontram no mercado de trabalho, como a desigualdade salarial
com os homens, e para garantir direitos conquistados.
Estudo da CUT e da subseção do Dieese da central sindical
mostra que, em 1998, dos 11,14 milhões de trabalhadores formais
e informais associados aos sindicatos, 65% eram homens, e 35%, mulheres.
Em 2006, o total de associados passou para 16,59 milhões de pessoas,
sendo que 60% eram homens, e 40%, mulheres. Os números foram compilados
a partir de dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios)
do IBGE.
" Em parte, a taxa de sindicalização cresce porque há mais
mulheres no mercado de trabalho. Mas a maior parte das mulheres também
está em busca de proteção por causa da precarização
do trabalho e das péssimas condições que enfrentam. Elas
recebem menos do que os homens, mesmo tendo o mesmo grau de escolaridade, são
mais vítimas de doenças ocupacionais e de assédio [moral
e sexual]", afirma Rosane da Silva, dirigente da Secretaria Nacional sobre
a Mulher Trabalhadora da CUT.
A participação das mulheres no mercado cresceu 37% entre
1998 e 2006. Entre os homens, aumentou 22%. Nesse mesmo período,
o número de trabalhadores filiados a algum sindicato subiu 69%
entre as mulheres. Entre os homens, cresceu 39%, conforme o levantamento.
O crescimento da sindicalização feminina entre 1998 e 2006,
segundo a sindicalista, ocorreu em todos os setores, inclusive no meio
rural.
Na última semana, os dirigentes da central decidiram que irão
estabelecer punições para confederações,
federações e CUTs regionais que não cumprirem a
cota de 30% de mulheres nas direções dessas entidades -a
regra existe desde 1993. A decisão de punir as entidades foi aprovada
em plenária que reuniu 538 dirigentes sindicais em São
Paulo.
Entre as punições, estão: não permitir que
a diretoria de uma entidade tome posse se não cumprir a cota ou
vetar a participação dos dirigentes em congressos ou plenárias.
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Revista Consultor Jurídico, 10 de
agosto de 2008
História do Mudinho
Juiz condena acusado de furto
a procurar emprego
por Priscyla Costa
O que esperar de alguém que passou a infância e adolescência
lançado à sorte, esquecido pelo Estado? De certo, que
se torne um bandido. O que pode mudar o futuro desse indivíduo é a
forma como será aplicada a Justiça. Se jogado em uma
penitenciária, talvez a ressocialização seja a última
coisa que acontecerá. A esperança é que alguém
mais humanista o olhe com compaixão e mude o destino desse jovem.
A reflexão é feita pelo juiz Gerivaldo Alves Neiva, do
município de Conceição de Coité (BA). O
alguém lançado à sorte a quem ele se refere é B.S.S,
de 21 anos, surdo e mudo.
Mudinho, como é conhecido na cidade, era acusado de tentativa
de furto. Foi condenado pelo juiz Gerivaldo Alves Neiva a prestar serviços à comunidade,
a pedir emprego, freqüentar a escola e não roubar mais.
“Nenhuma sã consciência pode afirmar que a solução
para B.S.S seja a penitenciária. Sendo como ela é, a
penitenciária vai oferecer a B.S.S. tudo o que lhe foi negado
na vida: escola, acompanhamento especial, afeto e compreensão?
Não. Com certeza, não! É o juiz entre a cruz e
a espada. De um lado, a consciência, a fé cristã,
a compreensão do mundo, a utopia da Justiça... Do outro
lado, a lei. Neste caso, prefiro a Justiça”, sentenciou
Alves Neiva.
A sentença, chamada pelo juiz de A Crônica de um Crime
Anunciado, conta que Mudinho, quando criança, era sempre convidado
para estar na casa das pessoas. Com o passar do tempo, ele usou da
confiança para praticar pequenos furtos. Aprendeu até a
abrir carros para dormir em seus bancos. O Ministério Público
ofereceu dezenas de Representações contra Mudinho, quando
ainda era menor de idade, pela prática de atos infracionais.
Sensibilizado, um promotor de Justiça quase adotou o menino,
mas não teve mais condições de cuidar do jovem.
A Justiça de Coité chegou a encaminhar Mudinho para
os mais diferentes órgãos e instituições
de educação, ameaçando, inclusive, prender os
diretores de escolas que não aceitavam o garoto. Com tanta rejeição,
Mudinho acabou virando bandido.
O primeiro crime cometido por ele, como maior de idade, foi o de furto
qualificado. Ele foi condenado à pena de dois anos e quatro
meses de reclusão, mas, por falta de estabelecimento prisional
adequado, cumpria pena em regime aberto.
Um dia, entrou em uma marmoraria e foi preso em flagrante. Foi, então,
denunciado novamente pelo crime de furto qualificado, cuja pena é de
dois a oito anos de reclusão. O crime foi tentado, não
consumado. Quando interrogado, disse, por intermédio da mãe,
que “toma remédio controlado e bebeu cachaça oferecida
por amigos; que ficou completamente desnorteado e então pulou
o muro e entrou no estabelecimento da vítima quando foi surpreendido
e preso pela Polícia”.
Na ânsia de resolver o problema da criminalidade com prisão,
o Ministério Público pediu a condenação
de Mudinho pela prática de crime de furto qualificado pela escalada — qualificação
esta inexistente no Código Penal. O juiz Gerivaldo Alves Neiva
decidiu que Mudinho merece a condenação, mas não
a prisão. Para ele, o comportamento do jovem é reflexo
do descuidado da sociedade. “A comunidade não fez nada
por ele. O município não fez nada por ele. O Estado brasileiro
não fez nada por ele”, afirmou o juiz na sentença.
Segundo o juiz, Mudinho só cometeu crimes contra o “patrimônio
dos membros de uma comunidade que não cuidou dele”. E
o fez porque não tem escolaridade, profissão, apoio da
comunidade e da família presente. “Prefiro a Justiça à lei”,
escreveu Neiva. “Assim, B.S.S., apesar da lei, não vou
lhe mandar para a penitenciária. Também não vou
lhe absolver. Vou lhe mandar prestar um serviço à comunidade”,
concluiu.
O juiz mandou o jovem ir, pessoalmente, em companhia de oficial de
Justiça e da mãe, entregar cópia da decisão,
colhendo o “recebido”, a todos os órgãos
públicos da cidade de Coité; a todas as igrejas, de todas
as confissões; ao delegado de Polícia, ao comandante
da Polícia Militar e ao presidente do Conselho de Segurança;
a todos os órgãos de imprensa “e a quem mais você quiser”. “Aproveite
e peça a eles um emprego, uma vaga na escola para adultos e
um acompanhamento especial. Depois, apresente ao juiz a comprovação
do cumprimento de sua pena e não roubes mais!”
Leia a sentença
A crônica de um crime anunciado
Processo Número1863657-4/2008
Autor: Ministério Público Estadual
Réu: B.S.S
B.S.S é surdo e mudo, tem 21 anos e é conhecido em Coité como “Mudinho.”
Quando criança, entrava nas casas alheias para merendar, jogar
vídeo-game, para trocar de roupa, para trocar de tênis
e, depois de algum tempo, também para levar algum dinheiro ou
objeto. Conseguia abrir facilmente qualquer porta, janela, grade, fechadura
ou cadeado. Domou os cães mais ferozes, tornando-se amigo deles.
Abria também a porta de carros e dormia candidamente em seus
bancos. Era motivo de admiração, espanto e medo!
O Ministério Público ofereceu dezenas de Representações
contra o então adolescente B.S.S. pela prática de “atos
infracionais” dos mais diversos. O Promotor de Justiça,
Dr. José Vicente, quase o adotou e até o levou para brincar
com seus filhos, dando-lhe carinho e afeto, mas não teve condições
de cuidar do “Mudinho.”
O Judiciário o encaminhou para todos os órgãos
e instituições possíveis, ameaçou prender
Diretoras de Escolas que não o aceitava, mas também não
teve condições de cuidar do “Mudinho.”
A comunidade não fez nada por ele.
O Município não fez nada por ele.
O Estado Brasileiro não fez nada por ele.
Hoje, B.S.S tem 21 anos, é maior de idade, e pratica crimes
contra o patrimônio dos membros de uma comunidade que não
cuidou dele.
Foi condenado, na vizinha Comarca de Valente, como “incurso
nas sanções do art. 155, caput, por duas vezes, art.
155, § 4º, inciso IV, por duas vezes e no art. 155, § 4º,
inciso IV c/c art. 14, inciso II”, a pena de dois anos e quatro
meses de reclusão.
Por falta de estabelecimento adequado, cumpria pena em regime aberto
nesta cidade de Coité.
Aqui, sem escolaridade, sem profissão, sem apoio da comunidade,
sem família presente, sozinho, às três e meia da
manhã, entrou em uma marmoraria e foi preso em flagrante. Por
que uma marmoraria?
Foi, então, denunciado pelo Ministério Público
pela prática do crime previsto no artigo 155, § 4º,
incisos II e IV, c/c o artigo 14, II, do Código Penal, ou seja,
crime de furto qualificado, cuja pena é de dois a oito anos
de reclusão.
Foi um crime tentado. Não levou nada.
Por intermédio de sua mãe, foi interrogado e disse que “toma
remédio controlado e bebeu cachaça oferecida por amigos;
que ficou completamente desnorteado e então pulou o muro e entrou
no estabelecimento da vítima quando foi surpreendido e preso
pela polícia.”
Em alegações finais, a ilustre Promotora de Justiça
requereu sua condenação “pela pratica do crime
de furto qualificado pela escalada.”
B.S.S. tem péssimos antecedentes e não é mais
primário. Sua ficha, contando os casos da adolescência,
tem mais de metro.
O que deve fazer um magistrado neste caso? Aplicar a Lei simplesmente?
Condenar B.S.S. à pena máxima em regime fechado?
O futuro de B.S.S. estava escrito. Se não fosse morto por um “proprietário” ou
pela polícia, seria bandido. Todos sabiam e comentavam isso
na cidade.
Hoje, o Ministério Público quer sua prisão e
a cidade espera por isso. Ninguém quer o “Mudinho” solto
por aí. Deve ser preso. Precisa ser retirado do seio da sociedade.
Levado para a lixeira humana que é a penitenciária. Lá é seu
lugar. Infelizmente, a Lei é dura, mas é a Lei!
O Juiz, de sua vez, deve ser a “boca da Lei.”
Será? O Juiz não faz parte de sua comunidade? Não
pensa? Não é um ser humano?
De outro lado, será que o Direito é somente a Lei? E
a Justiça, o que será?
Poderíamos, como já fizeram tantos outros, escrever
mais de um livro sobre esses temas.
Nesse momento, no entanto, temos que resolver o caso concreto de B.S.S.
O que fazer com ele?
Nenhuma sã consciência pode afirmar que a solução
para B.S.S seja a penitenciária. Sendo como ela é, a
penitenciária vai oferecer a B.S.S. tudo o que lhe foi negado
na vida: escola, acompanhamento especial, afeto e compreensão?
Não. Com certeza, não!
É o Juiz entre a cruz e a espada. De um lado, a consciência,
a fé cristã, a compreensão do mundo, a utopia
da Justiça... Do outro lado, a Lei.
Neste caso, prefiro a Justiça à Lei.
Assim, B.S.S., apesar da Lei, não vou lhe mandar para a Penitenciária.
Também não vou lhe absolver.
Vou lhe mandar prestar um serviço à comunidade.
Vou mandar que você, pessoalmente, em companhia de Oficial de
Justiça desse Juízo e de sua mãe, entregue uma
cópia dessa decisão, colhendo o “recebido”,
a todos os órgãos públicos dessa cidade – Prefeitura,
Câmara e Secretarias Municipais; a todas as associações
civis dessa cidade – ONGs, clubes, sindicatos, CDL e maçonaria;
a todas as Igrejas dessa cidade, de todas as confissões; ao
Delegado de Polícia, ao Comandante da Polícia Militar
e ao Presidente do Conselho de Segurança; a todos os órgãos
de imprensa dessa cidade e a quem mais você quiser.
Aproveite e peça a eles um emprego, uma vaga na escola para
adultos e um acompanhamento especial. Depois, apresente ao Juiz a comprovação
do cumprimento de sua pena e não roubes mais!
Expeça-se o Alvará de Soltura.
Conceição do Coité- Ba, 07 de agosto de 2008,ano
vinte da Constituição Federal de 1988.
Bel. Gerivaldo Alves Neiva
Juiz de Direito
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