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VERMELHO, 13 de agosto de 2008
A simbiose entre emprego e desenvolvimento
por Altamiro Borges*
No momento em que se agudiza o
confronto entre os neoliberais e os “desenvolvimentistas”,
no interior do governo e na sociedade, o novo livro do economista Marcio
Pochmann, “O emprego no desenvolvimento da nação”,
revela-se um instrumento afiado para a reflexão mais calcada
na realidade, avessa à manipulação. Desde que assumiu
o delicado posto de presidente do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada ((Ipea), o autor insiste que é urgente destravar a economia
para gerar mais e melhores empregos.
Com inabalável coragem,
ele manteve sua coerência, rejeitando o “esqueçam
o que eu escrevi”. Por isto, tem sido alvo da fúria dos
adoradores do deus-mercado.
Nesta nova obra o autor comprova,
com sólidos dados estatísticos, que o desenvolvimento
é peça indispensável para a geração
de emprego e renda e vice-versa – que a valorização
do trabalho é o fator chave para o justo desenvolvimento da nação.
A história recente corrobora sua tese. Como atesta, por cinco
décadas contínuas (1930-80), o Brasil registrou taxas
recordes de crescimento, o que elevou a renda nacional e mudou a cara
do país – da economia agrária atrasada, uma grande
fazenda, para uma nação industrializada e urbana. Como
a valorização do trabalho não esteve no centro
deste projeto, os gargalos estruturais se mantiveram e as injustiças
sociais se agravaram.
Já a partir de 1981,
o país ingressou “numa fase de ausência de crescimento
sustentado, o que era desconhecido até então”, devido
à implantação do destrutivo receituário
neoliberal. O que já era injusto ficou pior ainda do ponto de
vista dos que vivem do trabalho. “Em 2000, o Brasil ocupou o terceiro
lugar no ranking do desemprego mundial, apesar de possuir a quinta maior
população do mundo. Em 1980, dois de cada três ocupados
eram assalariados e a taxa de formalização do emprego
assalariado era de mais de 70%. Vinte anos depois, apenas 54% de todos
os ocupados brasileiros possuíam salário e menos de dois
terços deles tinham um emprego formal”.
Em todos os sete capítulos,
Pochmann descamba as teses e os mitos neoliberais, que pregavam o “estado
mínimo” e o desregulamentação do trabalho
como meios para desengessar a economia e viabilizar sua modernização.
Na prática, estas idéias, tão funcionais para o
capital financeiro, não geraram maior progresso da nação.
Pelo contrário. Além das taxas recordes de desemprego
e da brutal precarização do trabalho, o fundamentalismo
neoliberal afundou o país numa crise crônica e prolongada,
com índices medíocres de crescimento do PIB – os
menores da história recente.
Ao refutar cada falácia,
ele apresenta alguns antídotos para que o país retome
o desenvolvimento econômico, tendo como centro a valorização
do trabalho, mesmo concordando que o desemprego é “parte
integrante” do capitalismo. No capítulo sobre determinações
do emprego, por exemplo, ela mostra que a flexibilização
trabalhista, encarada como panacéia no Brasil e em outros vários
países, “não respondeu à expectativa de ampliação
do nível do emprego e da formalização”. Já
a liberalização comercial e cambial teve efeitos devastadores,
inversos ao prometido, destruindo a produção nacional,
“exportando” empregos e causando a “fuga de cérebros”.
Para ele, o país só terá um desenvolvimento sustentado
se restringir a “desregulamentação do mercado de
trabalho”.
Ainda na contracorrente, o autor
mostra noutro capítulo que o investimento público é
essencial para o desenvolvimento da nação e a valorização
do trabalho. “Basta mencionar que, entre 2003 e 2004, 33,9% do
total do emprego urbano aberto foi determinado pelos gastos sociais.
Em 1995, somente 18,1% do total do emprego urbano gerado dependia dos
gastos sociais... Sem a elevação do gasto social, a taxa
de desemprego de 9,03% (8,2 milhões de desempregados) registrada
em 2004 poderia ter alcançado 11,4% (10,4 milhões de desempregados)
da PEA, isto é, 2,2 milhões de desempregados a mais no
país”. Contra outro mito neoliberal, ele comprova que o
Brasil tem relativamente poucos servidores e um dos que menos investe
na universalização dos direitos.
Pochmann também aborda
o crescimento do agronegócio no país e seu impacto no
emprego. “A contradição entre o enorme potencial
agrícola e a persistência da fome e da pobreza no campo
encontra-se associada, direta e indiretamente, ao comportamento distinto
das políticas públicas em relação aos dois
modelos agropecuários do Brasil” – o agronegócio
e a agricultura familiar. Ao mesmo tempo em que o superávit comercial
do agronegócio foi de US$ 34 bilhões em 2004, colocando
o Brasil na sétima posição na exportação
mundial, o nível ocupacional no campo se reduziu em 1,6 milhões
de trabalhadores nos últimos anos. Para ele, este grave problema
precisa ser encarado de imediato para viabilizar que desenvolvimento
gere emprego e justiça social.
Como afirma Ricardo Antunes,
organizador da coleção “mundo trabalho” da
Boitempo Editorial, o livro “O emprego no desenvolvimento da nação”
é uma poderosa arma na desconstrução dos mitos
neoliberais. “Pochmann é um dos mais importantes paladinos
do trabalho no Brasil. Como freqüência incomum, quando os
dados, aqueles que se manipulam, sutil ou abertamente, segundo suas
lógicas de concepção, constatam o admirável
mundo do trabalho, ele está sempre entre os primeiros a demonstrar
as suas falácias. Como os dados descortinam realidades –
mas também podem encobri-las – suas pesquisas são
antídotos contra a manipulação e a fetichização”.
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*Altamiro Borges, Miro é
jornalista, Secretário de Comunicação do Comitê
Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro
"As encruzilhadas do sindicalismo" (Editora Anita Garibaldi,
2ª edição)
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O ESTADO DO PARANÁ,
13 de agosto de 2008 | Economia
Grupo de líderes empresariais
debate interesses regionais
Lyrian Saiki
Um seleto grupo de líderes empresariais que se reúne periodicamente
para discutir temas políticos e econômicos de interesse
nacional e regional, com o intuito de fortalecer a governança
corporativa, trocar experiências e, quem sabe, gerar negócios.
Em suma, é este o papel
do Lide - Grupo de Líderes Empresariais, fundado há cinco
anos em São Paulo, e que chega agora ao Paraná. O lançamento
do grupo no estado acontece hoje, durante jantar-debate no Castelo do
Batel, em Curitiba.
De acordo com Paulo Uebel, diretor-geral
do Lide Sul - braço do grupo, com sede em Porto Alegre -, para
fazer parte deste seleto grupo é preciso que a empresa apresente
faturamento mínimo de R$ 200 milhões por ano, desenvolva
prática de governança corporativa, tenha iniciativa de
responsabilidade social e respeite o meio ambiente.
“O Paraná tem potencial
fantástico. Já mapeamos mais de 80 empresas que têm
este perfil”, comentou Uebel. Além das indústrias,
empresas do setor de serviços, comércio e agropecuária
também podem participar.
Entre as vantagens de
fazer parte do grupo, Uebel cita a possibilidade de fazer contatos,
trocar experiências, gerar negócios. “É um
grupo bem selecionado, um perfil claro de empresas que pensam em ações
conjuntas, desenvolvem projetos”, explicou. Temas pontuais - como
carga tributária de determinado setor -, portanto, não
entram na pauta de discussões.
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GAZETA DO POVO, 13 de agosto de 2008 | Economia
Aprendizagem
Olimpíada que insere jovens no
mercado
Evento coloca 187 estudantes de todo o Brasil
competindo em 14 modalidades que reproduzem ocupações
industriais. Curitiba é a sede da última etapa nacional
Competidores de todo o Brasil estão
em Curitiba para enfrentar uma maratona de atividades quase tão
competitivas quanto as Olimpíadas da China. No campus da Universidade
Positivo, 187 jovens disputam uma medalha que pode ajudá-los
a conquistar um lugar no mercado de trabalho na última etapa
nacional da Olimpíada do Conhecimento 2008, promovida pelo
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). A partir
desta quarta-feira, os alunos selecionados cumprirão um projeto
dentro de sua área de estudo. São 14 ocupações
industriais na disputa, como tornearia mecânica, caldeiraria,
robótica e jardinagem.
“Os alunos da competição
foram selecionados desde a escola e têm muitas chances de ingressar
no mercado de trabalho, além de melhorar os conhecimentos e
o trabalho em equipe”, ressalta o diretor do Senai-PR, João
Barreto Lopes. Os setores envolvidos na olimpíada são
de alta empregabilidade no estado. O metal-mecânico, por exemplo,
é responsável por 37 mil empregos diretos. O vencedor
da segunda etapa na modalidade mecânica geral, que ocorreu em
Porto Alegre no mês passado, foi o paranaense Isidoro Vilczak
Junior. O estudante fez curso de aprendizagem gratuito e recebeu proposta
de emprego do próprio Senai, onde trabalhará como instrutor.
“É uma profissão para quem gosta de se sujar,
mas compensa muito. Futuramente, pretendo fazer faculdade de engenharia
mecânica para ampliar meus conhecimentos.” O avaliador-líder
da modalidade de caldeiraria David Maciel, que veio de Maceió
(AL), conta que os detalhes no produto final é que possibilitam
a vitória. “Na nossa área, são mais de
40 critérios. Procuramos observar se o aluno transfere bem
o conhecimento que aprendeu na teoria para a prática e se ele
usa preceitos de segurança e meio-ambiente”. Os primeiros
lugares de cada área na fase nacional poderão disputar
a competição mundial "World Skills", em setembro
de 2009 no Canadá.
Testar o desempenho dos alunos para melhoria
do ensino também é um dos objetivos do evento. “Vamos
corrigir os erros e potencializar os acertos”, enfatiza Barreto
Lopes, do Senai-PR. Neste ano, a entidade pretende formar cerca de
85 mil profissionais no estado e mais de 2 milhões no país.
Mulheres
A indústria pesada, território
tradicionalmente masculino, já aposta no trabalho de mulheres
como Patrícia Sampaio Monteiro, 18 anos, única competidora
na disputa pelo ouro em tornearia mecânica. Formada há
um ano em mecânica geral, foi fazer o curso no Senai por influência
do pai e deixou de lado a vontade de estudar dança. “No
começo foi estranho, mas logo me acostumei a mexer com as máquinas”,
conta. A jovem enfrentou jornada tripla com ensino médio, curso
técnico e trabalho como aprendiz. “Foi puxado, não
via muito a minha família, mas, se não fosse o curso,
não sei onde estaria. Pretendo fazer faculdade, crescer na
empresa que estou e ter a dança como hobby.” Além
dos atletas, a Olimpíada envolve 175 avaliadores e 400 pessoas
de apoio técnico e administrativo. Até sábado,
40 mil pessoas devem visitar a competição -- metade
do público é formada por estudantes de escolas públicas.
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O ESTADO DO PARANÁ,
13 de agosto de 2008 | Economia
Temporários
Contratação cresce 16%
no primeiro semestre
A demanda urgente por mão-de-obra em vários setores
fez com que muitas empresas recorressem ao trabalho temporário.
No primeiro semestre deste ano, a demanda por esse tipo de empregado
subiu 16% sobre igual período do ano passado, segundo a agência
Gelre, uma das maiores do país no recrutamento de trabalhadores
com contrato por tempo determinado.
O maior número de temporários está na região
Sudeste. “Até pelo número de habitantes e empresas,
essa região - especialmente São Paulo - lidera o ranking
de temporários”, diz a gerente regional da agência,
Cintia Fontoura.
Porém, ela afirma
que o maior crescimento ocorreu na região metropolitana de
Recife (PE). “O desenvolvimento do Porto de Suape gerou uma
necessidade muito grande de trabalhadores na região, e há
pessoas de outros estados indo para lá.”
Setores — Além
do número, mudaram também os setores que mais buscam
trabalhadores temporários no último ano. “Antes,
era o varejo quem mais contratava temporários. Agora, é
a construção civil”, diz Cintia. Segundo ela,
até o ano passado, o varejo era responsável por 50%
da contratação de temporários no país,
enquanto a construção civil ficava na casa dos 20%.
Em seguida, vinha o setor de promoções (20%) e áreas
administrativas (10%).
“Este ano, entre janeiro e julho, a construção
foi responsável por 40% das contratações temporárias,
enquanto varejo, promoções e administrativo concentraram
20% das vagas cada um”, diz a gerente.
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O ESTADO DO PARANÁ, 13 de agosto
de 2008 | Política
Pesquisa da AMB mostra que 82% não
confiam nos políticos
Agência Estado
A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) divulgou
nesta terça-feira (12) uma pesquisa constatando que a população
tem uma imagem negativa dos políticos brasileiros. Para 82%
dos entrevistados, a maioria dos políticos não cumpre
as promessas que faz durante a campanha. Segundo 85% dos ouvidos,
de maneira geral, a política é uma atividade na qual
os próprios políticos são os principais beneficiados.
Mais da metade dos entrevistados discorda de que as eleições
no Brasil são feitas de maneira limpa e sem fraudes e têm
resultados confiáveis. Apesar disso, apenas 21% dos entrevistados
acreditam que no sistema eleitoral brasileiro os políticos
têm como ficar sabendo em qual candidato cada eleitor votou.
Para 76% dos ouvidos, o político é
mais importante do que o partido na hora da escolha em quem votar.
Os três fatores mais importantes para escolher um candidato,
de acordo com os entrevistados, são: propostas de trabalho,
benefícios que poderão ser concedidos ao bairro e à
comunidade e experiência pessoal do político. Além
disso, para 68% dos entrevistados é muito importante ou importante
que o político seja simpático.Uma pequena parcela dos
ouvidos (5%) concorda que o eleitor pode receber ajuda em troca do
voto. No entanto, 61% dos entrevistados disseram conhecer pessoas
que aceitariam votar em um candidato em troca de vantagens pessoais.
A pesquisa detalhou algumas expectativas dos
entrevistados em relação aos políticos. Para
a maioria dos ouvidos (93%), é obrigação dos
políticos fiscalizar contas das prefeituras. Grande parte dos
entrevistados entende que eles deveriam tentar resolver problemas
pessoais de seus eleitores. Para 42% dos entrevistados, por exemplo,
é obrigação dos políticos pagar despesas
de hospital e de enterro para pessoas necessitadas. Para 40% dos ouvidos,
isso "não é obrigação, mas deveria
fazer". Apenas 17% consideram que os políticos "não
deveriam fazer de jeito nenhum".
Na avaliação da maioria dos
entrevistados, os políticos deveriam dar proteção
para pessoas ameaçadas, ajudar eleitores a conseguir emprego,
providenciar dinheiro para pessoas necessitadas e construir escolas
e hospitais. A pesquisa foi feita pelo instituto Vox Populi entre
os dias 27 de junho de julho. Foram ouvidas 1.502 pessoas com mais
de 16 anos residentes em todas as regiões do País.
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BEM PARANÁ, 13 de
agosto de 2008 | Economia
Trabalho
Sindicatos representarão serviços
da Agência
Os trabalhadores do Paraná poderão ter em breve acesso
aos serviços das Agências do Trabalhador (antigo Sine)
diretamente no sindicato a que estão vinculados. Trata-se da
implantação de um posto avançado da Agência
dentro do sindicato.
A novidade foi anunciada durante reunião do presidente do Sindicato
dos Metalúrgicos de Curitiba, Sérgio Butka, com coordenadores
da Secretaria do Trabalho, Emprego e Promoção Social
e o secretário Nelson Garcia.
A reunião foi marcada pela assinatura do termo de cooperação
que oficializou a parceria entre Sindicato e Secretaria de Estado.
A iniciativa foi do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba,
que será o primeiro a realizar o serviço, mas o objetivo
é estender o atendimento para sindicatos de todo o Paraná.
De acordo com o secretário
Nelson Garcia, a meta é de que o serviço já esteja
funcionando a partir de setembro. “Estamos buscando facilitar
cada vez mais o acesso aos serviços oferecidos pelas Agências
do Trabalhador”, afirmou.
O presidente Sérgio Butka explica que os primeiros serviços
a serem disponibilizados serão o de intermediação
de mão-de-obra e de habilitação ao seguro desemprego.
“De imediato, serão disponibilizados dois tipos de serviços,
mas a intenção é ampliar o atendimento ao trabalhador”,
explicou.
O Sindicato colocará à disposição do trabalhador
cerca de 20 funcionários, que serão treinados pela Secretaria
do Emprego para desenvolver a função. O Paraná
possui atualmente 245 Agências do Trabalhador.
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AGËNCIA SENADO, 13
de agosto de 2008
PLENÁRIO / Pronunciamentos
Paim promete manobra regimental para
forçar votação de projeto dos aposentados
O senador Paulo Paim (PT-RS)
anunciou nesta terça-feira (12) que, a partir de 7 de outubro,
os senadores membros da Frente Parlamentar em Defesa dos Aposentados
e Pensionistas pedirão votação nominal em todas
as matérias que tramitam no Senado como estratégia
para forçar a votação, na Câmara dos
Deputados, de dois projetos que interessam aos aposentados.
A votação
nominal, mais demorada, pode ser substituída pelo voto dos
líderes partidários quando toda a bancada tem a mesma
posição sobre determinada matéria. A exigência
da votação nominal tem sido usada pelos partidos como
forma de pressão com vistas a negociações sobre
determinadas matérias.
A decisão da frente
parlamentar, informou o senador, foi tomada pela manhã, às
11h30, em reunião realizada na Comissão de Direitos
Humanos do Senado. Ali ficou decidido também que, se o movimento
não alcançar os resultados esperados, os parlamentares
iniciarão, ainda este ano, uma vigília programada,
além de organizarem uma caminhada até o Palácio
para cobrar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que assegure
a votação e a sanção dos projetos.
Paim referiu-se ao Projeto
de Lei da Câmara (PLC) 42/07, que estende para todas as aposentadorias
e pensões o mesmo percentual de reajuste dado ao salário
mínimo, e ao PLS 296/03, que extingue o fator previdenciário
do cálculo das aposentadorias.
- É importante lembrar
que essas propostas beneficiam cerca de 30 milhões de aposentados
em todo o país. Portanto, cobre do seu deputado a aprovação
desses projetos - disse Paim, conclamando os beneficiários
da Previdência.
Segundo o parlamentar petista,
o Senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) propôs aos parlamentares
que se dirigissem a todas as entidades de aposentados e pensionistas
incentivando a deflagração de uma campanha nacional
por meio de mensagens eletrônicas, cartas e telegramas endereçados
ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), pressionando-o
a colocar as duas matérias em votação.
Vale-hospedagem
Paulo Paim chamou ainda
a atenção para outro projeto, a seu ver de grande
importância, que tramita na Câmara. Relatado por ele,
Paim, e de autoria do ex-senador Leonel Pavan (PSDB-SC), o PLS 488/2003
institui o vale-hospedagem, que o empregador poderá fornecer
ao trabalhador para utilização em despesas de hospedagem
e alimentação para viagens em períodos de baixa
estação.
- Esse projeto tem a simpatia,
inclusive, do próprio Ministério do Turismo, pois
vai permitir que o trabalhador tenha direito a lazer - explicou
Paim.
Incentivos fiscais
Em seu discurso, o senador
referiu-se ainda a dois temas de interesse do Rio Grande do Sul.
Um deles é o movimento da indústria de móveis,
que conseguiu incluir na Medida Provisória (MP) 428/08 emenda
estabelecendo redução de 10% para 5% do Imposto sobre
Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre móveis de
metal, plástico, bambu e ratã. A matéria foi
aprovada pela Câmara dos Deputados e agora será analisada
no Senado, onde Paim promete apoiar o incentivo.
E, por fim, o senador gaúcho,
abordou a "situação de calamidade" pela
qual passam os pescadores do Rio Grande do Sul, principalmente na
região da Lagoa do Peixe, em razão da estiagem. A
Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca e o Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente (Ibama) suspenderam as atividades pesqueiras a
pedido dos próprios pescadores.
Em decorrência disso,
foi editada a Instrução Normativa do Ibama nº
173 e solicitado o apoio do Ministério do Trabalho e Emprego,
por meio do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador
(Codefat), para a concessão do seguro-desemprego aos pescadores
da Lagoa. Inicialmente, o ministério negou o pedido e o pleito
foi mais uma vez encaminhado àquele ministério.
- Faço aqui um apelo
ao Ministério do Trabalho para que atenda ao pleito e permita
que os pescadores que não podem pescar tenham direito ao
seguro-desemprego - reivindicou Paim.
Nelson Oliveira / Agência
Senado
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CONSULTOR JURIDICO,
13 de agosto de 2008
Justa causa
Gestante exonerada por nepotismo não
é indenizada
Servidora gestante exonerada por justa causa não tem direito
a indenização. Esse é o entendimento da 2ª
Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça
de Santa Catarina, que, em decisão unânime, confirmou
a exoneração de Maria Bernadete Demeneck do quadro
de servidores da Prefeitura de Curitibanos, pela prática
de nepotismo.
Os desembargadores ainda
isentaram poder público de indenizá-la. O valor pedido
correspondia aos vencimentos do cargo que ocupava desde a dispensa
até cinco meses após o nascimento do filho.
Maria Bernadete ocupava
cargo de confiança e foi exonerada quando a prefeitura firmou
Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público,
no qual a administração pública se comprometia
a exonerar servidores com parentesco com o prefeito, vice-prefeito
e secretários municipais, no prazo de 60 dias.
“Interpretando-se
a contrario senso a norma que veda a dispensa sem justa causa da
trabalhadora gestante, tem-se que havendo causa justa — como
de fato há, na espécie —, não há
que se falar em estabilidade ou no direito às verbas correspondentes",
explicou o relator do processo, desembargador Orli Rodrigues. Com
a decisão, a sentença de primeira instância,
que condenara o poder público à indenização,
foi reformada.
Apelação
Cível 2008.008519-8
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
13/08/2008
Pedido de indenização após
término da estabilidade não é abuso de direito
Mesmo tendo ajuizado reclamação depois de esgotado o período
da estabilidade acidentária, empregada obteve direito à
indenização. A Seção Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou embargos
interpostos pela Jardosa S/A Empreendimentos e Participações
por entender que a propositura da ação só depois
do fim da estabilidade – impedindo assim a reintegração
– não configura abuso de direito.
Contratada como passadeira em agosto de 1984,
a empregada permaneceu na Jardosa até junho de 1995, quando foi
demitida sem justa causa. Desde junho de 1993, porém, estava
afastada de suas atividades, em tratamento médico devido problemas
visuais , recebendo do INSS o auxílio-doença. A alta médica
ocorreu em maio de 1995, mês anterior ao da demissão. Ao
ajuizar reclamação trabalhista na 23ª Vara do Trabalho
de São Paulo, a empregada pediu, entre outras verbas, a indenização
pelo período correspondente à estabilidade. O pedido,
porém, foi rejeitado tanto no primeiro grau quanto no Tribunal
Regional do Trabalho da 2ª Região (SP). O TRT/SP entendeu
que o ajuizamento da ação trabalhista seis meses depois
do fim da estabilidade evidenciava o desinteresse da trabalhadora na
permanência no emprego, e configurava abuso de direito.
A Primeira Turma do TST reformou este entendimento.
Afirmou não se tratar de abuso de direito porque a ação
foi proposta dentro do prazo prescricional previsto na Constituição
Federal, de dois anos após o fim do contrato de trabalho. Nos
embargos à SDI-1, a empresa alegou que a jurisprudência
do TST (Súmula nº 396, item I) autoriza a conversão
da estabilidade em indenização apenas quando o empregado
formula pedido de reintegração, manifestando assim a intenção
de trabalhar, e não só a de receber o salário correspondente.
A ministra Rosa Maria Weber, relatora dos embargos,
enfatizou que o entendimento predominante no TST é o adotado
pela Primeira Turma, e que a tese da empresa, caso acolhida, resultaria
no desrespeito à prescrição fixada na Constituição.
A relatora assinalou ainda que a propositura da ação fora
do prazo da estabilidade não configura abuso de direito porque,
ao resultar na indenização e assim coibir a conduta ilícita
da empresa (de demitir empregado com direito à estabilidade),
atende à finalidade do artigo 118 da Lei nº 8.213/1991,
que instituiu o direito à estabilidade acidentária. (RR-3130/1996-023-02-00.8)
(Lourdes Côrtes)
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13/08/2008
Advogado demitido por motivo fútil
consegue reintegração
Um funcionário concursado da Imprensa
Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, demitido imotivadamente,
obteve na Justiça do Trabalho o reconhecimento do direito à
reintegração. A Terceira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho considerou correta a decisão do Tribunal Regional
do Trabalho da 2ª Região que declarou nula a demissão,
tendo em vista que a dispensa se dera por motivo fútil e de
natureza privada: o clima tenso gerado após um relacionamento
amoroso mal sucedido com uma colega de trabalho.
Em abril de 2003, o empregado reclamou na
65ª Vara do Trabalho de São Paulo que em janeiro de 2003
fora demitido sem justa causa e sem qualquer procedimento administrativo
que lhe assegurasse a ampla defesa. Afirmou ainda que, para o seu
lugar, foi chamado o segundo colocado no qual obteve a primeira colocação,
em junho de 2000, para exercer, entre outras, as atividades de advogado.
A empresa, na contestação, alegou que o advogado teria
conduta anti-profissional, lançando nas folhas de ponto horários
incompatíveis com os registros de acesso verificados nas catracas
eletrônicas de acesso à empresa.
O relator do processo na Terceira Turma do
TST, ministro Alberto Bresciani, observou que a Orientação
Jurisprudencial nº 247 da SDI-1 do TST admite a dispensa sem
justa causa de empregado celetista concursado de sociedade mista ou
empresa pública. No caso, porém, o TRT revelou uma particularidade
suficiente para afastar a aplicação da OJ 247: a decisão
foi explícita ao afirmar que o advogado foi demitido por motivo
fútil, de natureza privada. As declarações de
uma das testemunhas, segundo o TRT/SP, indicaram que o motivo teria
sido o fato de uma das funcionárias da Imesp “ter tentado
um relacionamento amoroso com o reclamante e, como não deu
certo, o clima ficou tenso, acabando por influenciar todo o grupo”.
Ao invés de refutar esse argumento,
a Imesp apenas na alegação de conduta anti-profissional
relativa ao controle de jornada, aspecto que não foi analisado
pelo TRT. O relator destacou que, para acolher a tese da empresa de
que a demissão não ocorreu por motivo fútil,
seria necessário o reexame de fatos e provas, procedimento
vedado em recursos para o TST, nos termos da Súmula nº
126/TST.
(Mário Correia)
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